quarta-feira, 5 de agosto de 2026

PARTO

A gravidez se conclui com o parto, evento em que tanto o bebê quanto a placenta saem do organismo materno. O parto pode ocorrer de maneira normal (natural) ou ser realizado por meio de uma cirurgia denominada parto cesárea.
Geralmente, ao final das 38 semanas, o bebê já está pronto para nascer. No parto natural, o corpo da mulher se prepara para permitir a saída do bebê pelo canal da vagina. A musculatura do útero começa a contrair e relaxar, o âmnio se rompe, e o líquido amniótico sai pela vagina. O rompimento da bolsa amniótica é sinal de que o parto teve início. A intensidade e a frequência das contrações uterinas aumentam até levar à expulsão do bebê pelo canal da vagina. 
No parto normal, ocorrem inicialmente contrações uterinas, estimuladas pela ocitocina e outros hormônios, que promovem a abertura do colo do útero, seguidas de contrações que expulsam o bebê para o ambiente externo, pela vagina da mãe.  Esse processo tem duração variável e pode demorar algumas horas.
Em determinadas situações, o parto natural pode apresentar risco para a vida da mãe ou do bebê. Nesses casos, o parto pode ser feito por um procedimento cirúrgico chamado cesariana. Nele, faz-se um corte através do abdômen e do útero maternos, por onde o bebê é retirado.  Esse tipo de parto é recomendado apenas nos casos em que existam complicações que impeçam a saída natural do bebê pela vagina ou quando há riscos para a mãe ou para o bebê.
Após o nascimento, o cordão umbilical do bebê é cortado e amarrado pelo médico (o bebê não sente dor nesse procedimento). Depois de alguns dias, o pedaço de cordão umbilical que ficou no corpo do bebê seca e cai, deixando uma marca, que é o umbigo.

Parto prematuro


Há casos em que os bebês nascem mais cedo do que o esperado. São os chama dos bebês prematuros (pré significa “antes”; neste caso, “antes de estar maduro”). 
Os órgãos são formados nas primeiras fases da gravidez. Assim, se o parto prematuro ocorrer por volta da 28a semana, isto é, no sétimo mês de gravidez, o bebê terá maiores possibilidades de sobreviver. Além de nascerem com pouco peso, geralmente os prematuros desse período não conseguem respirar sozinhos e precisam do auxílio de um equipamento que os ajude a respirar.

GRAVIDEZ

Caso ocorra a fecundação, os níveis de estrógeno e progesterona são mantidos, o que evita a eliminação do endométrio. Assim, a parede uterina permanece espessa e cheia de vasos sanguíneos, sendo um ambiente apropriado para a fixação e o desenvolvimento do embrião. Podemos dizer, então, que a ausência de menstruação pode ser um dos primeiros sinais de uma gravidez.

Fecundação 


A ocorrência da gestação depende do encontro dos gametas masculino e feminino na fecundação. Durante o ato sexual, ao ejacular, um homem pode introduzir milhões de espermatozoides no interior da vagina de uma mulher, os quais se locomovem até as tubas uterinas. Se a mulher estiver em seu período fértil, os espermatozoides podem encontrar um ovócito. Geralmente, apenas um espermatozoide é capaz de penetrar o ovócito. Da união dos gametas, forma-se um zigoto. 

No útero, o embrião se desenvolve. 


A gestação humana dura cerca de 38 a 40 semanas, ou aproximadamente nove meses. Durante esse tempo, ocorrem muitas mudanças no corpo da mulher e no embrião, que se desenvolve até formar um bebê.
O embrião se desenvolve dentro do âmnio, uma bolsa cheia de líquido amniótico, que tem por função protegê-lo de impactos mecânicos. Logo nas primeiras semanas de gravidez, forma-se, em volta do âmnio, a placenta, estrutura composta de tecidos maternos e fetais, pela qual ocorre a comunicação nutricional entre mãe e filho. O alimento e o gás oxigênio passam do sangue da mãe para o do filho, e excreções e gás carbônico passam do filho para a mãe. O embrião está ligado à placenta pelo cordão umbilical, estrutura tubular em que há duas artérias que levam o sangue do embrião até a placenta e uma veia que traz o sangue que circulou na placenta de volta para o embrião.
No fim da oitava semana depois da fecundação, os principais órgãos do embrião já estão formados e sua aparência já é reconhecidamente humana. Ele passa a ser chamado feto e ainda é bem pequeno, com cerca de 2,5 centímetros de comprimento. No decorrer das semanas, o feto cresce e se desenvolve bastante até estar pronto para nascer.

Gestação 


O zigoto sofre inúmeras divisões por mitose e, em condições normais, segue em direção ao útero. Essas divisões celulares se iniciam de 24 a 30 horas após a fecundação; cerca de 3 a 4 dias depois, o conjunto de células formado passa a ser chamado mórula. 
Modificações nas células e na estrutura da mórula podem ser observadas a partir do 5o dia após a fecundação. Esse estágio do desenvolvimento é chamado blastocisto. Cerca de 6 dias após a fecundação, o blastocisto implanta-se no útero, dando início à gestação. 
A gestação é o nome dado à condição em que um (ou mais de um) embrião, abrigado no útero, desenvolve-se até a formação de um novo indivíduo. A gestação humana dura, em média, 38 semanas. A partir da 9a semana de gestação, o embrião passa a ser chamado feto.
O zigoto recém-formado desloca-se até o útero ao longo de três ou quatro dias. Pelo caminho, o zigoto se divide algumas vezes e, quando chega ao útero, já é um embrião de 32 a 64 células, com aspecto de uma esfera maciça. No final da primeira semana de gestação, ocorre a implantação do embrião no endométrio, chamada nidação.
Quando ocorre a implantação do embrião no endométrio, inicia-se a produção do hormônio hCG (sigla do nome em inglês para gonadotrofina coriônica humana), que interrompe o ciclo menstrual. 
A detecção do hormônio hCG na urina ou no sangue é uma das formas de identificar a gravidez. Isso pode ser feito, por exemplo, por meio de testes de gravidez vendidos em farmácias, que detectam a presença desse hormônio na urina

Depois da implantação no endométrio, as células do embrião começam a formar grupos, que darão origem a tecidos e órgãos. Também são formadas estruturas localizadas externamente ao embrião e que serão importantes para a sua proteção e nutrição, como: 
• Saco vitelínico: estrutura que fornece nutrientes ao embrião até o desenvolvimento do cordão umbilical. 
• Córion: envolve o embrião, possibilitando trocas gasosas com o corpo da mãe. 
• Âmnio: membrana que envolve o embrião e contém o líquido amniótico, uma mistura de água, sais minerais, gorduras e proteínas. Mergulhado nele, o embrião cresce protegido de choques mecânicos.
No útero, o embrião se desenvolve dentro de uma bolsa de líquido, ou âmnio, que confere certa proteção contra choques mecânicos quando a mãe se movimenta. Além disso, logo nas primeiras semanas de gravidez, forma-se a placenta.
Através da placenta, os nutrientes e o gás oxigênio passam do sangue da mãe para o sangue do embrião, enquanto o gás carbônico e outros resíduos seguem o caminho inverso. O sangue do embrião é levado para a placenta pelo cordão umbilical, e não ocorre mistura do sangue dele com o da mãe.
A placenta também produz hormônios que mantêm o útero em condições adequadas ao desenvolvimento do embrião.
A partir da 3a semana do desenvolvimento, inicia-se a for mação do sistema nervoso e da notocorda, que será, posteriormente, substituída pela coluna vertebral. Ao fim da 4a semana, o coração já bate e bombeia sangue por vasos sanguíneos simples.
A placenta, órgão que permite as trocas gasosas e de nutrientes entre o bebê e a mãe, começa a funcionar e vai lentamente substituindo o saco vitelínico e o córion, que deixam de ter função. 
A placenta conecta o bebê e a mãe por meio do cordão umbilical, uma estrutura constituída de vasos sanguíneos que fazem o transporte de nutrientes, gases e outras substâncias. Com oito semanas, já estão presentes o encéfalo, os intestinos, o fígado, o pâncreas, o nariz, os olhos e os membros.
A partir da 12a semana, inicia-se a ossificação, principalmente dos ossos do crânio, do fêmur e do úmero. Na 14a semana, é possível observar o movimento dos olhos. Os órgãos genitais começam a se formar, tornando possível a identificação do sexo do bebê por imagens de ultrassom. 
Entre a 15a e a 17a semana, o feto começa a fazer movimentos que podem ser sentidos pela mãe. Entre a 20a e a 24a semana, o feto ganha massa e acumula uma camada de gordura, que vai fornecer a ele energia e calor após o nascimento. Ao final da 24a semana, unhas e cabelos estão presentes.
Até a 29a semana, os pulmões do feto são capazes de realizar trocas gasosas. Entre a 35a e a 38a semana, o feto cresce em velocidade reduzida. Com 38 semanas, o bebê tem, em média, 50 cm de comprimento e massa de 3,4 kg e está pronto para o nascimento.

A gestação de gêmeos 


Em geral, em cada gestação, apenas um embrião se desenvolve no útero materno. Entretanto, há casos de gravidez múltipla, quando se formam dois ou mais embriões. Os gêmeos monozigóticos, ou gêmeos idênticos, são formados de um único zigoto que, após as primeiras divisões celulares, dá origem a dois grupos de células independentes. Cada uma delas gera um embrião que origina um dos gêmeos. Nesse caso, ambos compartilham a mesma placenta. Eles têm o mesmo sexo, são fisicamente muito semelhantes e geneticamente idênticos. 
Os gêmeos dizigóticos, ou gêmeos fraternos, são formados a partir de duas fecundações distintas. Dois ovócitos são fecundados, cada um por um espermatozoide diferente, originando dois zigotos, que se desenvolvem em duas placentas. Os gêmeos dizigóticos podem ser de sexos iguais ou diferentes e ser tão semelhantes quanto dois irmãos de gestações diferentes seriam, pois são geneticamente diferentes.

Gêmeos coligados 


Os gêmeos coligados são gêmeos idênticos que nascem fisicamente uni dos. Isso ocorre porque, durante a separação do conjunto de células do embrião – que ocorre na formação dos gêmeos idênticos –, uma parte das células permanece ligada. Desse modo, os gêmeos se desenvolvem no útero materno compartilhando partes do corpo, como tecidos e até mesmo órgãos. 
Atualmente, muitos gêmeos coligados que nascem com vida podem recorrer a procedimentos cirúrgicos para separar seus corpos, com chances de sobrevivência que dependem do grau de compartilhamento dos órgãos. 
Popularmente, os gêmeos coligados costumam ser chamados “siameses”, nome que provém dos gêmeos Chang e Eng, nascidos em 1811 no Sião (atual Tailândia). Chang e Eng eram ligados na altura do tórax; daí outro nome comumente usado para denominar gêmeos coligados: xifópagos (nome que só é adequado quando se tratar de união pelo tórax).  


Quando a gravidez é interrompida: o aborto 


Aborto é a interrupção espontânea ou provocada da gravidez. A interrupção espontânea é aquela em que o próprio organismo, por várias razões (malformação do feto, problemas de saúde da mãe, entre outros), elimina o feto.  
A legislação brasileira só autoriza o aborto em casos especiais: quando a gravidez é decorrente de estupro ou se a gestação colocar a vida da mãe em risco. Em 2012, o Supremo Tribunal Federal brasileiro aprovou a legalização de abortos de fetos anencefálicos (sem desenvolvimento cerebral). 
Quando o aborto provocado não é realizado por médicos competentes e em local adequado, os riscos para a mulher aumentam muito, podendo provocar a esterilidade e a morte. Em qualquer situação, é importante que a sociedade reconheça o problema e as mulheres recebam o apoio de saúde física e emocional de que precisam.

Amamentação 


As mamas das gestantes também sofrem alterações durante a gravidez, como escurecimento dos mamilos e aumento do volume e da sensibilidade das mamas. Essas alterações relacionam-se à preparação das glândulas mamárias para a produção do leite materno. 
A amamentação, também chamada de aleitamento materno, deve ser iniciada logo após o nascimento. No entanto, durante as primeiras mamadas, o bebê não suga propriamente o leite, mas uma substância chamada colostro, que é rica em anticorpos e, portanto, protege o bebê contra várias doenças. Assim como o leite materno, o colostro é produzido pelas glândulas mamárias. 
Após alguns dias, o colostro é substituído pelo leite materno, um alimento completo para o bebê, pois, além de anticorpos, contém toda a água e todos os nutrientes de que o recém-nascido precisa para crescer e se desenvolver. 
Os hormônios relacionados à produção do leite materno são o estrógeno, a progesterona e a prolactina. O estrógeno e a progesterona estimulam o desenvolvimento das glândulas mamárias, e a prolactina, produzida pela glândula hipófise, estimula a produção de leite.  
A produção de leite materno é estimulada pelo hormônio prolactina e promovida pela sucção que o bebê realiza ao mamar. A ejeção do leite, por sua vez, é estimulada pelo hormônio ocitocina. Quanto mais o bebê mamar, maior será a produção de leite. Enquanto houver amamentação, a prolactina continuará a ser liberada e a mãe terá leite para o bebê. Portanto, em condições normais, a produção de leite só cessa se a mãe não amamentar o bebê.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o leite materno seja o único alimento do bebê nos primeiros 6 meses de vida, pois contém os nutrientes ideais para que ele se mantenha saudável, além de evitar infecções gastrointestinais graves. Após esse período, outros alimentos podem ser introduzidos, mas é indicado que a amamentação continue até os 2 anos de idade.
O leite materno é o alimento ideal para a criança, pois apresenta os nutrientes na proporção adequada para o seu desenvolvimento. Assim como o colostro, também tem papel importante no sistema de defesa do bebê. Além disso, a amamentação proporciona fortes laços emocionais entre a mãe e o filho, contribuindo para o desenvolvimento psicológico e emocional de ambos. 
A amamentação também fortalece o vínculo entre a mãe e o bebê, facilitado pelo contato pele a pele e olhos nos olhos. Além disso, amamentar contribui para a retração do útero, reduzindo o risco de hemorragias após o parto. Assim, a amamentação é importante não apenas para o bebê, mas também traz benefícios para a mãe.
O aumento da produção de alguns hormônios, como a prolactina e a ocitocina, durante a amamentação traz, para a mãe, outras vantagens, como redução do sangramento após o parto, interrupção ou diminuição do fluxo menstrual e redução das chances de desenvolvimento de câncer de mama e de ovário.

Gravidez na adolescência 


O momento da geração de um bebê é um período de grandes mudanças. Quando ocorre muito cedo, a gravidez pode significar, para os pais, responsabilidades para as quais não estão preparados. 
Há vários mitos envolvendo o sexo e a gravidez. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, uma garota pode ficar grávida na primeira relação sexual. A gravidez na adolescência pode ser decorrente do fato de moças e rapazes desconhecerem ou não utiliza rem os meios para evitá-la.
Uma gravidez inesperada, em qualquer idade, pode trazer sentimentos opostos. O casal pode sentir-se feliz e orgulhoso ou, ao contrário, preocupado e aborrecido. A chegada de um bebê deve primordialmente acontecer num momento planejado pelo casal. Portanto, tornar-se pai e mãe é um processo que deve começar antes de a gravidez acontecer.


MENSTRUAÇÃO

Todo mês, o corpo da mulher em idade reprodutiva se prepara para a fecundação e uma possível gravidez. A parede interna do útero, chamada endométrio, cresce, adquire mais células e vasos sanguíneos e se prepara para abrigar o embrião. Porém, nem sempre a fecundação ocorre. Nesses casos, o endométrio se rompe e parte dele é eliminada pela vagina, com o ovócito não fecundado e o sangue proveniente do rompimento dos vasos sanguíneos uterinos, processo denominado menstruação
A menstruação, saída de fluxo menstrual que, em geral, dura de 3 a 6 dias, repete-se mensalmente caso não ocorra a fertilização. A primeira menstruação, chamada menarca, evidencia que a adolescente já é fértil, já pode engravidar. A idade em que ocorre a menarca varia de menina para menina e pode acontecer entre os 9 e os 18 anos.
Todo esse conjunto de acontecimentos, que se repete mensalmente, recebe o nome de ciclo menstrual. A menstruação é um acontecimento normal na vida da mulher. Conhecer como ocorre o ciclo menstrual coopera para a manutenção da saúde.
O ciclo menstrual é regulado por hormônios, dura em média de 28 a 30 dias e compreende alterações nos ovários e no útero. Como vimos, além do estrógeno e da progesterona, há ainda hormônios liberados pela hipófise.
Em linhas gerais, os hormônios hipofisários fazem um ovócito se desenvolver até o estágio de ovócito secundário. Em seguida, essa célula se solta do ovário e é lançada na tuba uterina – é a chamada ovulação. Assim que ela acontece, há um aumento dos níveis de estrógeno e de progesterona, hormônios produzidos nos ovários, que se encarregam do desenvolvimento do endométrio, preparando o útero para receber um possível embrião.
Se não houver fecundação, os níveis de hormônios diminuem e a menstruação ocorre. O primeiro dia da menstruação marca o início do ciclo menstrual. A menstruação dura em média de três a sete dias. A ovulação costuma acontecer 14 dias antes do primeiro dia da menstruação. Assim, em um ciclo de 28 dias, a ovulação é por volta do 14o dia. Porém, nos primeiros anos de menstruação, é comum a duração do ciclo ser irregular, variando de 21 a 38 dias. 
Algumas mulheres, mesmo depois de adultas, por razões diversas, apresentam ciclo irregular. Os dias próximos da ovulação são chamados período fértil e, neles, as chances de gravidez são maiores caso ocorram relações sexuais sem proteção. O período fértil compreende três dias antes e três dias depois da ovulação.

Início e término de um ciclo menstrual 


Considera-se como primeiro dia do ciclo menstrual aquele em que vem a menstruação, ou seja, começa a sair pela vagina o fluxo menstrual. Um ciclo menstrual se inicia no dia em que vem a menstruação e termina no dia anterior à chegada da próxima menstruação. Esse intervalo varia de mulher para mulher, sendo, em média, de 28 dias, mas podendo variar de 21 até 35 dias. 
Nos primeiros anos que se seguem à menarca, o ciclo menstrual pode ser irregular, ou seja, o intervalo entre as menstruações às vezes é mais longo e, às vezes, mais curto. Para algumas mulheres o ciclo menstrual permanece irregular durante toda a vida. 

Ovulação e dias férteis


A menstruação costuma ocorrer 14 dias depois da ovulação. Para mulheres com ciclo menstrual regular, pode-se tentar prever o dia da ovulação. Sabendo-se a duração do ciclo, estima-se o primeiro dia da próxima menstruação. Contando-se 14 dias antes dessa data, chega-se ao provável dia da ovulação. 
A seguir, calculam-se os dias mais prováveis em que a mulher pode engravidar. Os espermatozoides sobrevivem até cerca de três dias dentro do organismo feminino. Portanto, uma relação sexual até três dias antes da ovulação pode ocasionar gravidez. A fecundação também pode ocorrer até aproximadamente dois dias após a ovulação, por que esse é o tempo máximo que o ovócito “sobrevive”.
É muito difícil, contudo, prever com total certeza em qual dia realmente ocorrerá a ovulação e, caso a mulher esteja nos seus dias férteis e o homem ejacule na vagina ou próximo a sua entrada, há possibilidade de engravidar.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

REPRODUÇÃO E SEXO

Para a Biologia, sexo se refere às características físicas, fisiológicas e genéticas de um organismo que permitem distingui-lo entre macho e fêmea. 
Contudo, na linguagem cotidiana, a expressão “fazer sexo” geralmente se refere à interação entre indivíduos que envolve contato com os órgãos genitais, com ou sem o intuito reprodutivo. Nesse último caso, o termo científico é cópula ou relação sexual. 
A reprodução é uma característica dos seres vivos. É pela reprodução que as espécies se mantêm na Terra. Na espécie humana, na maioria das vezes, a reprodução envolve relações sexuais, que abrangem diversos outros fatores, além da capacidade de gerar descendentes. 
Entre esses fatores, podemos citar a sexualidade, a afetividade, o prazer, os sentimentos, as emoções, entre muitos outros. Sendo assim, reprodução não é o mesmo que sexo, embora esses dois conceitos estejam relacionados com sexualidade. 
A sexualidade vai além do que estuda a Biologia, pois diz respeito ao comportamento humano e ao de outros animais. Ela é uma característica inerente à vida e à saúde física, social e emocional e se expressa desde cedo, estando presente em todas as fases da vida. No ser humano, a sexualidade engloba o corpo e questões genéticas, afetivas e sociais e é construída ao longo da vida do indivíduo. Ela é influenciada por sua história, cultura, sentimentos e afetos, sendo própria de cada pessoa.
A sexualidade independe da potencialidade reprodutiva. Se sexo é a expressão biológica que define um conjunto de características anatômicas e funcionais, levando basicamente a dois caminhos – machos ou fêmeas –, a sexualidade é algo muito mais amplo. 
Cada sociedade tem conjuntos de regras que constituem parâmetros fundamentais que influenciam o comporta mento sexual e a expressão da sexualidade dos indivíduos.
Nas últimas décadas, tem-se falado muito sobre sexualidade. Percebe-se que há, frequentemente, uma idealização da vida sexual, dando a falsa impressão de que existe uma fórmula única de viver plenamente a sexualidade, um padrão sexual, um modelo rígido ao qual todas as pessoas devem se adaptar. Em nossa cultura, por vezes, há uma tendência de reduzir a sexualidade à sua função reprodutiva e concentrá-la no aspecto genital, sem levar em conta a importância dos sentimentos e das emoções dos envolvidos. 
Isso pode causar preconceito de alguns em relação a quem está fora dos estereótipos sexuais. Cada um pode viver bem, e plenamente, de seu jeito e conforme sua orientação sexual. O importante é fazê-lo com responsabilidade e ter direito à informação e espaço para expressar suas opiniões.
A descoberta da sexualidade vem acompanhada de sensações e emoções diferentes. Os hormônios sexuais têm papel fundamental nas mudanças que tornam o corpo apto à reprodução.
Biologicamente, a sexualidade é regulada por processos hormonais relacionados ao sistema nervoso. Os órgãos dos sentidos também desempenham papel importante na estimulação sexual. As expressões corporais, isto é, os olhares, gestos e movimentos, são meios de enviar mensagens.
Para a espécie humana, a sexualidade e o ato sexual estão ligados também à emoção e ao prazer. Por isso, é importante considerarmos que, na atração entre parceiros, há – além da produção hormonal – um conjunto de estímulos que afeta a ambos. 
A procura do parceiro ou da parceira na natureza, sua escolha e aceitação são um complexo processo de reconhecimento de qualidades, em geral físicas ou comportamentais. Esse reconhecimento é a fase inicial do relacionamento sexual. 
Viver a sexualidade é um direito de cada indivíduo. Há diferentes modos de sentir, expressar e se identificar em relação à sexualidade. A discriminação e o preconceito em nada contribuem para o crescimento pessoal e a convivência na sociedade.

ADOLESCÊNCIA: PERÍODO DE MUDANÇAS


A descoberta do sexo inicia-se com a descoberta do corpo. Os jovens costumam acompanhar atentamente as mudanças que ocorrem em seus órgãos genitais externos. Essas mudanças são provocadas pela ação do sistema endócrino ou hormonal, que atua de forma integrada ao sistema nervoso, coordenando todo o funcionamento do organismo.
Externamente, o corpo biologicamente masculino apresenta o pênis, e o feminino, a vulva. As características sexuais que os indivíduos apresentam desde o nascimento são chamadas características sexuais primárias
As características sexuais primárias, definidas como os órgãos genitais internos e externos, são determinadas geneticamente e estão presentes desde o nascimento, tanto no homem quanto na mulher.
Na puberdade, aumenta a produção de hormônios pela hipófise, chamada de glândula mestra, que se localiza na cabeça. Esses hormônios atuam nos órgãos genitais estimulando ou a produção do hormônio sexual masculino e a formação de esperma ou a produção dos hormônios sexuais femininos e a ovulação.
Durante a adolescência – período de transição entre a infância e a vida adulta –, ambos os sexos passam por grandes mudanças físicas, que são desencadeadas por hormônios. A produção desses hormônios, que estava inibida na infância, ocorre devido a estímulos do hipotálamo (região do cérebro com função reguladora de processos metabólicos) na hipófise (glândula do sistema nervoso). 
Esses hormônios atuam sobre as gônadas. Nos indivíduos do sexo masculino, as gônadas são os testículos e, nos indivíduos do sexo feminino, são os ovários. A atuação desses hormônios sexuais estimula o surgimento das características sexuais secundárias na puberdade.     
Nos testículos, algumas células são estimuladas para produzirem espermatozoides (gametas masculinos), ao mesmo tempo em que é estimulada a produção de testosterona, hormônio sexual responsável pelo desenvolvimento das características sexuais secundárias masculinas (mudança da voz e aparecimento de pelos nas axilas, na região pubiana e no rosto). 
Nos ovários, é estimulado o amadurecimento de certas células que contêm os ovócitos (gametas femininos) e que vão produzir estrógeno, hormônio sexual responsável pelo desenvolvimento das características sexuais secundárias femininas (alargamento dos quadris, desenvolvimento das mamas e aparecimento de pelos nas axilas e na região pubiana). Ao mesmo tempo, outro hormônio hipofisário vai induzir a liberação dos gametas femininos amadurecidos, o que ocasiona a produção de mais estrógeno e de outro hormônio sexual, chamado progesterona, relacionado com o ciclo menstrual, que será estudado adiante.
O início da adolescência é conhecido por puberdade e não tem idade certa para acontecer. Ela costuma acontecer entre os 10 e 14 anos de idade e, nesse período, ocorre o amadurecimento dos órgãos sexuais e o corpo se torna fisiologicamente apto para a reprodução. 
Além das mudanças físicas, ocasionadas principalmente pelos hormônios, os adolescentes também passam por grandes mudanças comportamentais, que englobam alterações psicológicas e emocionais. As mudanças comportamentais têm influência cultural e social. É comum que nessa fase os adolescentes tenham a necessidade de independência e comecem a explorar seus sentimentos e seu corpo, iniciando o interesse sexual.

Dimensões da sexualidade 


Assim como o ser humano se desenvolve e passa por diferentes etapas, desde seu nascimento até sua morte, a sexualidade humana também se modifica ao longo do tempo. Já nascemos seres sexuais, ou seja, com sexualidade, mas, nas diferentes etapas de nossa vida, nossa sexualidade se expressa de diferentes maneiras. 
Na infância, por exemplo, a sexualidade se manifesta por meio de curiosidades e questionamentos e da exploração do próprio corpo e do corpo do outro, em busca do reconhecimento das diferenças entre os corpos.
Na adolescência, a sexualidade assume um papel importante, pois é nessa etapa que descobrimos e vivenciamos nossas escolhas amorosas e sexuais e nos reconhecemos como sujeitos sexuados no mundo. Nessa fase, reconhecemos nossa identidade pessoal, assumindo nossos desejos e nossa forma de sentir e amar. Enfim, nos preparamos para a vida adulta no que diz respeito à independência emocional e afetiva. 
Na fase adulta, novos desafios da sexualidade são enfrentados, como as possibilidades de gerar filhos (maternidade e paternidade) e de ter uma vida conjugal, e tudo isso implica consideração e cuidado com o outro. 
É importante saber também que a sexualidade é um conceito com dimensões variadas, entre as quais estão a dimensão biológica, a afetiva, a sociocultural e a ética. Tais dimensões, por sua vez, são influenciadas por fatores psicológicos, sociais, econômicos, culturais, éticos, legais, religiosos e espirituais, além do fator biológico.
A dimensão biológica da sexualidade se refere à diferença biológica designada pelos cromossomos, órgãos genitais e hormônios. Como vimos na Unidade 1, o cariótipo humano é formado por 46 cromossomos, que, nas mulheres, é representado por 44 + XX, ou seja, 44 cromossomos autossômicos (não relacionados à determinação do sexo) e dois cromossomos sexuais, XX. E, nos homens, por 44 + XY, que significa 44 autossomos e dois cromossomos sexuais, XY. Esse arranjo cromossômico é responsável pelo desenvolvimento diferenciado dos sistemas genitais feminino e masculino, que, por sua vez, são responsáveis pela produção de hormônios específicos e em quantidades ideais para cada sexo. São os hormônios produzidos por esses órgãos que, na puberdade, estimulam a manifestação das características sexuais secundárias. Embora a dimensão biológica esteja relacionada diretamente com a reprodução, a sexualidade não se resume a esse papel.
A dimensão afetiva da sexualidade se mostra na capacidade humana de se relacionar com os outros e envolve diferentes condições, como o amor, o afeto, a amizade, o carinho. Como indivíduos que amam, somos seres sexuais. Dessa maneira, a dimensão afetiva da sexualidade não está relacionada somente ao sexo, mas às diversas manifestações de carinho entre amigos, irmãos e familiares.
A dimensão sociocultural da sexualidade está relacionada à influência de padrões sociais e culturais sobre a impulsividade sexual do ser humano. De certa maneira, os padrões sociais podem auxiliar as pessoas a lidar com os impulsos gerados pela sexualidade e podem contribuir para que vivam sua sexualidade em todas as suas dimensões, por meio de indicações de comportamento adequado, por exemplo. 
Uma situação relacionada à dimensão sociocultural diz respeito a uma época e à cultura de uma sociedade. Por exemplo, na cultura brasileira, muitas vezes associam-se brincadeiras de lutas e jogos de futebol a atividades típicas de meninos e brincadeiras com bonecas e de casinha a atividades típicas de meninas. Esses estereótipos não indicam valores certos ou errados. Também não querem dizer que um comportamento diferente desses influenciará nas escolhas futuras da pessoa em relação a essa dimensão da sexualidade. 
Por exemplo, nada se pode deduzir sobre o comportamento sexual futuro de uma menina que, ao contrário do estereótipo, goste de jogar futebol ou brincar de carrinho, e não de brincar de casinha. O mesmo vale para um menino que prefira dança a futebol.
Outra dimensão da sexualidade é a dimensão ética. Ela está relacionada à forma como tratamos nós mesmos e as outras pessoas, o que inclui o respeito às diferenças, inclusive aquelas ligadas à orientação sexual. 
A orientação sexual se refere à atração afetivo-sexual que uma pessoa sente por outra. Algumas pessoas sentem atração afetivo-sexual por pessoas do sexo oposto – elas são chamadas heterossexuais; outras sentem atração afetivo-sexual por pessoas do mesmo sexo – elas são chamadas homossexuais; há outras que sentem atração por pessoas de ambos os sexos – elas são chamadas bissexuais; e há outras que não sentem atração afetivo-sexual por outras pessoas – elas são chamadas assexuais. 
É importante entender que a orientação sexual não é opção sexual, ou seja, ninguém escolhe se sentir atraído por determinado sexo ou por outro.
Independentemente de como a pessoa manifeste sua sexualidade, sua orientação sexual deve ser respeitada, e não discriminada, da mesma maneira que não se deve discriminar alguém por sua etnia, por sua condição física, por ser mulher ou ser homem ou por sua condição social, por exemplo. 
Os direitos e os deveres são os mesmos para todas as pessoas e são garantidos por leis. Além disso, nenhum tipo de preconceito ou de discriminação tem o mínimo fundamento e não deve (ou não deveria) existir. Todas as pessoas devem ser igualmente respeitadas.

O importante é entender que a base para todo relacionamento é o respeito entre as pessoas e à diversidade humana.

A diversidade sexual humana é complexa e é formada por uma combinação de fatores relacionados a questões biológicas, sociais e culturais. A seguir são apresentados alguns conceitos.

Sexo biológico: é definido pelo conjunto de informações dos cromossomos e considera os órgãos genitais que o indivíduo possui ao nascer, além das características sexuais secundárias que o diferenciam em masculino ou feminino. Existem pessoas que podem nascer com características físicas e biológicas de ambos os sexos, sendo denominadas de intersexo.
Orientação sexual: é a atração afetiva e/ou sexual por uma pessoa de maneira involuntária a seu desejo, ou seja, não é uma opção.
Identidade de gênero: é a percepção que cada indivíduo tem de si mesmo como sendo do gênero masculino, feminino, ambos ou nenhum, independente do sexo biológico. É como a pessoa se vê e deseja ser reconhecida. Pode ou não concordar com o gênero que lhe foi atribuído no nascimento.
Expressão de gênero: é a forma como a pessoa manifesta socialmente sua identidade de gênero, por meio, por exemplo, do nome, das roupas, do cabelo e da forma de usar a voz e se expressar. Não necessariamente indica a orientação sexual ou a identidade de gênero.

A puberdade masculina

No organismo masculino, os hormônios produzidos pela hipó se estimulam os testículos – as glândulas do sistema genital masculino – a produzir hormônios sexuais, principalmente a testosterona. Esse hormônio é o responsável pelo desenvolvimento das características sexuais secundárias masculinas, como:

• alargamento dos ombros e do tórax;

• surgimento de pelos em várias regiões do corpo, como nas axilas, no peito, nos braços, nas pernas, na região pubiana e no rosto;

• desenvolvimento do pênis e dos testículos.

É na puberdade que o menino começa a produzir e liberar o sêmen (ou esperma). O sêmen é uma mistura de líquidos e espermatozoides (os gametas masculinos). A eliminação do sêmen é chamada de ejaculação. 
Na puberdade, e na fase adulta, é comum que ocorra ejaculação durante o sono, conhecida como polução noturna.
Da mesma maneira que nas meninas, as glândulas sudoríferas e as glândulas sebáceas ficam mais ativas na puberdade, aumentando a sudorese e a oleosidade da pele, com o frequente surgimento de cravos e espinhas. 
Outra mudança que ocorre nos meninos no período da puberdade é o engrossamento das pregas vocais, tornando a voz mais grave. Como o processo é gradual, é comum os meninos dessa faixa etária, ao falar, emitirem alguns sons mais agudos de forma involuntária.

A puberdade feminina


No organismo feminino, as glândulas do sistema genital, ou seja, os ovários, passam a produzir os hormônios sexuais, principalmente o estrógeno e a progesterona, sob o estímulo de hormônios liberados pela hipófise.
O estrógeno e a progesterona são responsáveis pelo aparecimento das características sexuais secundárias femininas:

• acúmulo de gordura nas regiões das nádegas, das coxas e dos quadris, que ficam mais arredondadas;

• desenvolvimento das mamas;

• aparecimento de pelos na região pubiana e nas axilas;

• alargamento dos ossos da bacia.

As alterações hormonais provocam muitas mudanças no metabolismo, ou seja, nas reações químicas que ocorrem no corpo. Na puberdade, é comum a menina transpirar mais devido ao aumento de atividade das glândulas sudoríferas. A pele pode ficar mais oleosa, pelo aumento de atividade das glândulas sebáceas, e frequentemente surgem cravos e espinhas.
Um dos momentos mais marcantes da puberdade feminina é a primeira menstruação, chamada menarca. A menstruação caracteriza-se pela eliminação de parte do tecido de revestimento interno do útero, que estava preparado para uma possível gravidez.  A eliminação desse tecido provoca sangramento e ocorre pela abertura da vagina.

Os hormônios, o sistema nervoso e a puberdade

A puberdade está diretamente associada à produção de determinados hormônios, que são substâncias químicas produzidas por alguns órgãos do corpo humano que podem inibir ou induzir a atividade de outros órgãos. Isso quer dizer que os hormônios são substâncias reguladoras do crescimento, do metabolismo, da reprodução e do desenvolvimento do corpo humano.
Em toda a nossa vida, estamos, de alguma forma, sob a ação de hormônios: quando ficamos com raiva ou sentimos medo; enquanto praticamos uma atividade física, comemos, dormimos ou, simplesmente, crescemos. Os hormônios são mensageiros químicos que auxiliam na coordenação do organismo e na comunicação entre suas células. Essas substâncias são produzidas pelas glândulas endócrinas, que as liberam diretamente na corrente sanguínea, e atuam sobre diferentes tecidos, órgãos e sistemas do corpo, regulando seu funcionamento. 

No organismo humano, porém, há outros dois tipos de glândula. 

• As glândulas exócrinas, que liberam suas secreções em cavidades corporais ou na superfície do corpo por meio de ductos. São exemplos: as glândulas sebáceas, que liberam sebo sobre a pele; as glândulas sudoríferas, que secretam suor; as salivares, que secretam saliva; as lacrimais, que secretam lágrimas; e as mamárias, que secretam leite durante a amamentação. 
As glândulas mistas, que têm dupla função: produzem tanto secreções exócrinas quanto hormônios. É o caso do pâncreas, que produz hormônios e o suco pancreático, que atua na digestão de alimentos no intestino delgado.

O que desencadeia as mudanças da puberdade são os hormônios, substâncias produzidas pelas glândulas endócrinas, órgãos responsáveis por produzir e liberar os hormônios na corrente sanguínea. As glândulas endócrinas encontram-se em diferentes regiões do corpo humano e formam o sistema endócrino. 
Os hormônios são produzidos em órgãos chamados glândulas endócrinas e são liberados na corrente sanguínea, por onde circularão até chegar às regiões do corpo onde terão efeito. O conjunto das glândulas constitui o sistema endócrino.
O sistema endócrino, em conjunto com o sistema nervoso, é responsável pela manutenção do equilíbrio interno do corpo e atua coordenando e controlando diversas funções do organismo. Além disso, o sistema endócrino é responsável pela regulação de processos como crescimento, desenvolvimento e metabolismo.
As principais glândulas do sistema endócrino são: o hipotálamo, a hipófise, as glândulas tireóideas, as glândulas paratireóideas, as glândulas suprarrenais (adrenais), o timo, o pâncreas, os ovários e os testículos.
Cada glândula endócrina pode produzir um ou mais tipos específicos de hormônio, que atuam em diferentes funções e atividades do corpo humano. 
Ao serem liberados na corrente sanguínea, os hormônios são transporta dos para todo o corpo, mas somente vão atuar nas células com receptores específicos, localizados na membrana plasmática. Isso significa que cada hormônio é reconhecido por um tipo de receptor, capaz de se ligar a ele. 
Várias funções do organismo são controladas por hormônios, como: o crescimento corporal, a eliminação ou a retenção de água no corpo, o controle dos níveis de glicose e de sais minerais no sangue, a absorção de nutrientes, a regulação do sono e as alterações das características corporais durante a puberdade.
Em uma região do encéfalo encontra-se o hipotálamo, que faz a integração entre o sistema endócrino e o sistema nervoso. Ele pertence ao sistema nervoso, mas também produz hormônios e, por isso, pode ser considerado parte do sistema endócrino. 
O hipotálamo pode inibir ou estimular a liberação de hormônios pela hipófise, localizada na mesma região do encéfalo. A hipófise é uma glândula endócrina que regula a produção de hormônios de outras glândulas.


Hipotálamo 

O hipotálamo localiza-se no cérebro (órgão do sistema nervoso central) e faz a maior parte da integração entre o sistema nervoso e o sistema endócrino. Os hormônios produzidos no hipotálamo atuam sobre outra glândula endócrina, a hipófise. 
Dessa maneira, o hipotálamo tem um papel fundamental no controle do equilíbrio interno do corpo, pois sua ação estende-se por muitos órgãos, como num efeito dominó. O hipotálamo também produz hormônios que são armazenados e liberados pela hipófise, mas que atuam na regulação de outros órgãos e tecidos. São eles: 
• a ocitocina, que estimula as contrações do útero na hora do parto e a liberação de leite durante a amamentação; 
• o hormônio antidiurético (ADH), que, nos rins, regula a retenção da água no organismo.

Hipófise

A glândula hipófise localiza-se abaixo do hipotálamo, na base do cérebro. Tem massa de 0,5 g a 1 g e o tamanho de uma ervilha. Essa glândula produz e libera vários hormônios, sob o comando do hipotálamo. Sua atividade pode ser inibida ou estimulada, dependendo das informações vindas do sistema nervoso. Os hormônios produzidos pela hipófise podem atuar sobre outras glândulas endócrinas ou diretamente em células e órgãos. 


A glândula hipófise secreta diversos hormônios, que atuam na coordenação de várias funções do corpo. Observe alguns deles. 

• Hormônio do crescimento (GH): estimula o crescimento do corpo e promove a divisão de células dos ossos e dos músculos. 
• Hormônio estimulante da glândula tireoide (TSH): estimula a produção e a secreção dos hormônios da tireoide. 
• Hormônio adrenocorticotrófico (ACTH): controla a produção e a secreção dos hormônios das suprarrenais. 
• Prolactina (PRL): com outros hormônios, estimula o desenvolvimento das glândulas mamárias e a produção de leite, em caso de gravidez. 
• Hormônio foliculoestimulante (FSH): estimula a maturação do gameta feminino nos ovários e a produção de gametas masculinos nos testículos. 
• Hormônio luteinizante (LH): nas mulheres, age em conjunto com o FSH para a regulação do ciclo menstrual, estimulando a maturação e a liberação do gameta feminino; nos homens, o LH estimula a produção de hormônios pelos testículos. 
• Ocitocina (OT): responsável pelas contrações do útero no momento do parto e pela ejeção do leite materno. 
• Hormônio antidiurético (ADH): atua reduzindo o volume de urina produzida.

Cada hormônio liberado pela hipófise na corrente sanguínea age sobre determinado órgão ou glândula-alvo.
Para o bom funcionamento do organismo, a liberação dos hormônios deve ser controlada por outros hormônios ou diretamente pelo sistema nervoso. A secreção elevada ou reduzida de um hormônio pode provocar o aparecimento de problemas de saúde. 
Um exemplo é o hormônio do crescimento. Quando o GH é produzido em excesso durante a infância, pode levar a pessoa ao gigantismo. Nessa condição, ela tem crescimento exagerado dos ossos de algumas partes do corpo, o que acarreta a grande estatura e está associado ao aparecimento de algumas formas de câncer.
Quando o GH é produzido em concentrações menores do que as ideais na infância, a pessoa cresce pouco, condição conhecida como nanismo. O nanismo pode estar associado a problemas no sistema respiratório e dores nas costas. 
Esses dois problemas podem ser tratados com a administração de outros hormônios, desde que sejam diagnosticados no início do desenvolvimento da criança.

Glândula tireoide 

A glândula tireoide está localizada na região do pescoço, posicionada anteriormente sobre a traqueia. A tireoide secreta três hormônios – a triiodotironina, a tiroxina e a calcitonina. 
Os hormônios triiodotironina e tiroxina, conhecidos respectivamente como T3 e T4 , regulam o metabolismo e, em associação com outros hormônios, também estimulam o crescimento e o desenvolvimento do organismo, atuando ainda sobre o sistema nervoso.
A produção de quantidades insuficientes dos hormônios T3 e T4 pela tireoide causa hipotireoidismo, o que pode provocar ganho de peso, fadiga e sono em excesso. Em contrapartida, a produção excessiva dos hormônios T3 e T4 causa o hipertireoidismo, o que pode acelerar o metabolismo, causando transpiração excessiva, perda de peso, irritação e aumento da pressão sanguínea. 
A produção dos hormônios T3 e T4 também pode ficar comprometida quando há falta de iodo no organismo. Nesse caso, a glândula tireoide aumenta exageradamente de tamanho, o que é percebido como um inchaço no pescoço, o bócio. 
O organismo humano pode retirar iodo dos alimentos ingeridos – sobretudo os de origem marinha (peixes, mariscos, algas), mas também algumas verduras, como espinafre e agrião –, ou do sal de cozinha comercializado no Brasil, que tem iodo adicionado em sua composição por causa de uma exigência prevista em lei. 
O outro hormônio produzido pela tireoide, a calcitonina (CT), atua na redução da quantidade de cálcio na corrente sanguínea. Quando o nível desse mineral no sangue está elevado, a calcitonina é liberada, e a concentração do cálcio diminui.

Glândulas paratireoides 

As paratireoides formam um conjunto de quatro pequenas glândulas, que estão localizadas atrás da tireoide.
As glândulas paratireoides secretam paratormônio (PTH), responsável por aumentar a quantidade de cálcio no sangue. O PTH e a calcitonina atuam em conjunto na regulação das concentrações sanguíneas de cálcio: enquanto a calcitonina reduz a concentração do mineral no sangue, o PTH aumenta essa concentração. Essa regulação é importante para a contração muscular, um processo que depende da presença de cálcio na musculatura. 
O PTH também atua na modelação dos ossos durante o cresci mento do corpo, ou em caso de fraturas, e na coagulação sanguínea, em caso de ferimentos.

Glândulas suprarrenais 

As glândulas suprarrenais localizam--se acima dos rins. Os principais hormônios produzidos por essas glândulas são o cortisol, a adrenalina e a noradrenalina. 
O cortisol regula diferentes reações metabólicas, entre elas, o preparo do organismo para situações de estresse ou de alerta. Também pode atuar na regulação de processos de defesa do corpo, responsáveis por processos inflamatórios.


Os hormônios adrenalina e noradrenalina são secretados em resposta a uma situação de estresse de rápida duração, conhecida como “reação de luta ou fuga”. Veja este exemplo: imagine que você foi surpreendido por um cachorro de grande porte, que começou a latir ameaçadoramente. Você percebe seus batimentos cardíacos (frequência cardíaca) e sua respiração (frequência respiratória) acelerarem e seus músculos ficarem tensos. 
Essas alterações fisiológicas são promovidas pela adrenalina e pela noradrenalina e têm como consequências o aumento da captação de gás oxigênio do ar e da disponibilidade de glicose no sangue.
Com a maior disponibilidade de glicose e de gás oxigênio, as células liberam mais energia, que poderá ser utilizada, por exemplo, para fugir do perigo ou enfrentá-lo.

Pâncreas 

O pâncreas, órgão localizado na região ventral do corpo, atrás do estômago, é uma glândula mista. Ele é constituído de células produtoras dos hormônios insulina e glucagon e de células glandulares exócrinas produtoras de suco pancreático, que atua em processos digestivos. Neste momento, discutiremos a função endócrina deste órgão.



O glucagon é responsável por aumentar a concentração de glicose na corrente sanguínea. No corpo humano, a glicose fica armazenada no fígado como glicogênio. Quando há diminuição dos níveis de glicose no corpo, por exemplo, em situações de estresse de curta duração, esse hormônio atua em conjunto com a adrenalina e a noradrenalina e trans forma o glicogênio do fígado em glicose, disponibilizando-o no sangue. 
A insulina é responsável por diminuir a concentração de glicose no sangue. Esse hormônio promove a absorção da glicose pelas células do corpo ou o seu armazenamento no fígado, sob a forma de glicogênio.

Testículos 

Os testículos são órgãos do sistema genital masculino que secretam a testosterona, hormônio sexual masculino. Eles também produzem os gametas masculinos, como estudaremos posteriormente. 
A testosterona promove o desenvolvimento e a manutenção das características sexuais secundárias masculinas, como o engrossamento da voz, o aumento da massa muscular e óssea e o crescimento de pelos no rosto e no corpo.




Ovários 

Os ovários são órgãos do sistema genital feminino que produzem e liberam os hormônios estrogênio e progesterona. Eles também produzem os gametas femininos, como estudaremos adiante. 
O estrogênio é responsável pelo desenvolvimento dos órgãos genitais femininos e pela manifestação das características sexuais secundárias femininas, como o formato arredondado do corpo e o desenvolvimento das mamas. 
A progesterona atua com a prolactina na preparação das glândulas mamárias para a produção do leite materno. Também atua com o estrogênio na preparação do útero para a gravidez.




Os estímulos do ambiente, que são detectados pelo sistema nervoso, desencadeiam a liberação de hormônios pelas glândulas. Um exemplo é a adrenalina, hormônio liberado pelas glândulas suprarrenais (adrenais). Quando levamos um susto, o sistema nervoso estimula a liberação desse hormônio, que provoca o aumento dos batimentos cardíacos e do ritmo da respiração, entre outros efeitos, preparando o corpo para uma possível fuga.
O estrogênio, a progesterona e a testosterona são conhecidos como hormônios sexuais. A liberação dos hormônios sexuais na puberdade acontece de acordo com uma sequência de eventos. O hipotálamo produz um hormônio que estimula a glândula hipófise; esta última, por sua vez, libera hormônios que estimulam as glândulas sexuais (testículos e ovários). 
Os hormônios produzidos pelos testículos e ovários desencadeiam as mudanças corporais características da puberdade. Essas mudanças são, principalmente: crescimento corporal, aparecimento de pelos em diversas áreas do corpo, aumento das mamas (nas meninas), aumento da massa corporal, alteração na voz (nos meninos), entre outras. 
Esses aspectos, que caracterizam a forma corporal feminina e masculina, são chamados de caracteres sexuais secundários. Além dessas características, a ação dos hormônios sexuais estimula a produção dos gametas nos sistemas genitais masculino e feminino.

Outros hormônios 

Além das glândulas apresentadas, existem outras estruturas que exibem função endócrina no organismo. Vejamos algumas delas. 
Os rins estão localizados cada um de um lado da coluna vertebral, na altura da cintura. Eles são responsáveis pela filtragem do sangue e pela produção e eliminação da urina, processos que auxiliam na manutenção do equilíbrio de água e sais no corpo humano. Eles também produzem a eritropoetina, hormônio cuja função é a de regular a produção das hemácias, células responsáveis pelo trans porte de gás oxigênio no sangue. Quando pouco gás oxigênio chega aos tecidos, a produção de eritropoetina é estimulada, e mais hemácias são produzidas.
O timo é um órgão localizado no tórax, entre os pulmões e acima do coração, que vai diminuindo ao longo do desenvolvimento humano. Esse órgão exibe papel importante na imunidade do organismo, pois produz o hormônio timosina, responsável por promover a maturação de certos tipos de células de defesa. 
O estômago é um órgão localizado na região abdominal, logo abaixo do diafragma, que participa da digestão dos alimentos. Além de sua função digestiva, o estômago também secreta o hormônio grelina, conhecido como “hormônio da fome”, pois promove a sensação de fome, incentivando a ingestão de alimentos. A grelina é secretada em períodos de jejum. 
Os adipócitos, como são chamadas as células de gordura, produzem a leptina, hormônio cuja função é reduzir a ingestão de alimentos. Quando os estoques de gordura corporal aumentam, a secreção de leptina também aumenta.

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