quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

O consumismo: o planeta ameaçado

Com os avanços tecnológicos das últimas décadas, foi possível produzir mais, em menor tempo e em diversos lugares. As multinacionais se espalharam pelo mundo e foram responsáveis por uma característica do espaço urbano atual: o consumo de produtos industrializados. 
Assim, na atual fase do capitalismo, os hábitos de consumo e o acesso aos produtos e serviços sofreram grandes trans formações, influenciando a cultura de diversos povos, de maneira global. A essa sociedade industrial que valoriza o consumo de forma excessiva, damos o nome sociedade de consumo.
O consumismo se caracteriza pela compra de artigos que satisfazem às necessidades secundárias, ou seja, que não são essenciais à subsistência. 
Além do estímulo das vitrines, das propagandas e dos crediários, há o apelo constante à substituição de produtos com pouco tempo de uso. A todo instante, o mercado recebe produtos mais modernos e avançados tecnologicamente, tornando ultrapassados os anteriores. Outros são fabricados para ter vida útil cada vez menor e, com isso, ser rapidamente substituídos.
Os indivíduos também são estimulados a adquirir esses produtos pelas facilidades no pagamento, ainda que muitas delas sejam enganosas. O resultado é o consumo desenfreado, muitas vezes sem necessidade, de mercadorias, bens e serviços. É o que chamamos consumismo.
O ato de consumir para suprir as necessidades básicas sempre esteve presente nas sociedades humanas. O consumo é vital para a subsistência, mas o padrão de consumo mudou muito nas sociedades ao longo da história. Na maioria delas, existiram grupos com maior poder aquisitivo em razão de sua posição política, social ou econômica. Com a Revolução Industrial, iniciada no final do século XVIII, houve um aumento inédito na disponibilidade de produtos à venda, o que, em parte, favoreceu a capacidade de compra dos indivíduos.
No mundo globalizado, é cada vez maior o estímulo ao consumo. A ideologia dominante incentiva a substituição constante de produtos por outros mais avançados tecnologicamente. 
Adquirir produtos que acabaram de sair das fábricas ou que foram divulgados por determinado artista ou influencer tornou-se o objetivo de vida de muitas pessoas. Nessa toada, boa parte das mercadorias que as pessoas consomem se torna descartável após pouco tempo de uso. 
Além disso, nas últimas décadas, fabricam-se produtos que duram menos e há lançamento constante de modelos que tornam o anterior ultrapassado. Essas estratégias são chamadas de obsolescência programada e de obsolescência perceptiva. 
A obsolescência programada ocorre quando um fabricante projeta seu pro duto para ter uma curta vida útil. Ou seja, o produto é fabricado para que se torne obsoleto e deixe de funcionar em determinado período, levando o consu midor a adquirir um novo. 
Já no caso da obsolescência perceptiva, o fabricante lança um modelo novo, com visual mais moderno, fazendo o produto de modelo anterior parecer ultra passado, mesmo que funcione. Assim, o consumidor, para se sentir valorizado na sociedade, vai substituir o produto anterior por um mais moderno, garantindo o lucro do fabricante. O melhor exemplo desses dois casos de obsolescência na atualidade é o de aparelhos celulares. 
O desenvolvimento de uma cultura orientada para o consumo e a enorme diversidade de mercadorias, bens e serviços incentivam o hábito de consumir. Para isso, todo tipo de artifício é válido, como a apropriação cultural, o uso de celebridades e a associação de marcas e produtos a ideologias e estilos de vida.
O consumismo é o principal aspecto de uma sociedade de consumo. O estímulo ao consumo, principalmente através dos meios de comunicação, é uma forma de ampliar a produtividade e o lucro, alimentando um ciclo que possibilita o cresci mento das indústrias e outras empresas, que necessitam aumentar ainda mais sua produção, gerando mais empregos e mais consumidores.
O impacto do consumismo pode ser facilmente percebido em nossa vida cotidiana. Os estabelecimentos comerciais estão repletos de produtos expostos nas prateleiras e vitrines. São alimentos, eletrodomésticos, roupas, eletroeletrônicos, enfim, uma infinidade de itens.  
As campanhas publicitárias desempenham um importante papel para fomentar o consumismo ao retratar mercadorias, bens e serviços como indispensáveis. Elas buscam convencer os consumidores de que alguns produtos são essenciais ou que podem lhes conferir um status social melhor, por exemplo. 
Segundo alguns especialistas, o consumismo tem se revelado um problema sério e de graves consequências para as sociedades contemporâneas, especialmente aquelas de maior poder aquisitivo. Seduzidas e embaladas pelo consumismo, algumas pessoas tendem a substituir as relações afetivas (familiares e de amizade) pela compra compulsiva.
Esse tipo de comportamento está atrelado à ansiedade e à depressão, e pode levar ao endividamento.

Consumo e meio ambiente 


O nível de consumo está crescendo em muitos países do mundo, e as exigências da sociedade moderna têm aumentado o ritmo das atividades econômicas. A fim de abastecer a crescente demanda por produtos, as empresas têm ampliado sua produção e, com isso, utilizado de maneira intensa os recursos da natureza. 
O aumento da intervenção humana na natureza para intensificar a produção está gerando sérios problemas ambientais. Isso ocorre porque a exploração dos recursos naturais para a obtenção de matérias-primas tem sido feita, em geral, sem grande preocupação com a conservação do meio ambiente, como recuperação de áreas alteradas ou redução dos impactos das atividades.
Com o descarte cada vez maior e mais rápido dos produtos, o acúmulo de lixo, principalmente de produtos tecnológicos, tornou-se outro sério problema para o planeta. Muitos produtos (como o plástico) levam séculos para se desfazer na natureza e vários têm componentes que poluem o solo, levando substâncias tóxicas para as plantações e para os lençóis freáticos que abastecem as populações.
Dessa forma, o consumismo contribui para o uso cada vez mais intenso dos recursos naturais, pois au menta a demanda por matériasprimas necessárias à produção de novas mercadorias, o que acelera a degradação ambiental em todo o planeta. Esse problema é agravado pelo uso crescente de produtos descartáveis (garrafas e sacolas plásticas, latas de alu mínio, embalagens de papel etc.), que muitas vezes não passam por um processo apropriado de reciclagem e abarrotam os aterros sanitários.
Estudiosos do tema afirmam que o planeta não tem condições de continuar a fornecer os recursos necessários a esse consumo desenfreado e corre o risco de entrar em colapso. Portanto, é preciso repensar urgentemente a relação com o consumo e desenvolver formas mais sustentáveis de suprir nossas necessidades cotidianas, considerando sobretudo o manejo equilibrado dos recursos naturais.
Os resultados dessa exploração são intensos prejuízos tanto para a conserva ção do meio ambiente como para a qualidade de vida do ser humano. A degra ação ambiental está comprometendo intensamente as paisagens terrestres, além de formações vegetais naturais e os hábitats de algumas espécies animais. 
Veja a seguir alguns dos principais problemas relacionados a esse modelo de produção e consumo: 
•exploração excessiva dos recursos naturais, o que intensifica os impactos associados à sua extração e pode até mesmo levar ao seu esgotamento; 
•descarte indevido de materiais, como o plástico, que podem demorar até cen tenas de anos para se decompor naturalmente, resultando no acúmulo de resí duos no solo, nos rios e nos oceanos;
• poluição dos recursos hídricos (rios, águas subterrâneas e oceanos) pelo despejo de resíduos industriais e domésticos e pelo derramamento de óleo de navios petroleiros e plataformas de petróleo; 
• uso de combustíveis energéticos fósseis, como o petróleo, em regiões indus triais, agravando a poluição atmosférica e o efeito estufa; 
• uso indiscriminado de agrotóxicos, poluindo os solos e as águas; 
• desmatamento de florestas e outros tipos de vegetação nativa para a criação de extensas áreas urbanas e agropecuárias.
O modelo de consumo excessivo gera impactos que são sentidos globalmente, principalmente nas grandes cidades de países em desenvolvimento, onde os efei tos são ainda mais sentidos pela população, como a intensa poluição atmosférica e dos rios e as grandes quantidades de lixo descartadas de forma inadequada.

O consumo e o lixo 


A grande produção de resíduos sólidos, o que chamamos lixo, está diretamen te ligada à urbanização nas sociedades contemporâneas, ao aumento populacional e ao crescimento sem precedentes dos níveis de consumo. Praticamente tudo o que consumimos produz resíduos ou rejeitos. 
Assim, o lixo é um dos grandes problemas do mundo contemporâneo, pois os resíduos sólidos representam uma ameaça tanto para a sociedade quanto para o meio ambiente. O lixo urbano é coletado dos domicílios e na limpeza pública das ruas. Costuma-se classificá-lo, de modo geral, em resíduo úmido (composto de materiais orgâ nicos, como os restos de comida) e resíduo seco (potencialmente reciclável, como as embalagens plásticas). 
Ao serem depositados nos lixões, os resíduos causam a poluição do solo. Quando a água das chuvas entra em contato com o chorume, a contaminação pode atingir os lençóis e aquíferos subterrâneos. A presença de montanhas de lixo a céu aberto favorece a reprodução de agentes que proliferam doenças, como moscas, ratos e baratas, além do mau cheiro e da paisagem degradada.
A decomposição dos resíduos sólidos também gera gases nocivos, principal mente o metano (CH4) – que, além de tóxico, é altamente inflamável – e o dióxido de carbono (CO2) – que, com outros gases, contribui para o efeito estufa. Se o despejo de lixo em locais inapropriados gera problemas, a situação se torna ainda mais crítica quando a coleta é inexistente ou deficitária, pois os resíduos acumu lados bloqueiam as redes de drenagem urbana, provocando enchentes e uma série de problemas de saúde pública. 
Em razão dos altos níveis de consumo, a proporção de lixo produzida pelos habitantes dos países desenvolvidos, que contam com renda mais alta, é maior do que a dos países pobres. Os Estados Unidos, grande produtor mundial de resíduos, produziram em 2018 cerca de 292 milhões de toneladas de lixo. 
No entanto, em muitos países em desenvolvimento, esse problema vem aumentando em razão da concentração urbana e da crescente adoção de padrões de vida e de consumo semelhantes aos dos países ricos.
Uma cidade como São Paulo, por exemplo, com aproximadamente 12 milhões de habitantes, produz cerca de 18 mil toneladas diárias de resíduos sólidos, das quais 12 mil toneladas são lixo domiciliar, o que chega a um total de 6,5 milhões de toneladas ao ano. Se apenas parte desse lixo é descartado incorretamente, o impacto ao ambiente já é devastador.

Consumo e sustentabilidade 


Atualmente, além de órgãos governamentais, outros agentes vêm colabo rando com a divulgação de práticas de consumo consciente. Entre eles, desta ca-se o Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, uma associação civil sem fins lucrativos, cujo objetivo é mobilizar os consumidores para a promoção da sustentabilidade e da vida no planeta. 
Criado em 2001, o Instituto Akatu trabalha em estreita colaboração com empresas e meios de comunicação, produ zindo e divulgando materiais educativos. Para consumir de forma consciente, é necessário refletir sobre a real necessidade da compra, além de planejar o momento certo de fazê-la. Também é importante ouso responsável do crédito oferecido por bancos e estabelecimentos comer ciais, a fim de evitar problemas de inadimplência. 
Ao adquirir uma mercadoria, também é importante avaliar os impactos am bientais de seu consumo e de seu descarte, assim como optar por produtos cujos fabricantes tomam o devido cuidado ambiental.

Produção e consumo desigual 


O consumo no mundo é desigual, ou seja, os maiores consumidores mundiais estão concentrados nos países mais ricos. Nos mais pobres, por sua vez, apenas a parcela da população com mais poder aquisitivo adquire bens em maior quan tidade ou a preços mais elevados. 
Em virtude das limitações de parte da população, o sistema capitalista oferece recursos, como as prestações e os financiamentos, mediante aprovação de crédito, para ampliar a capacidade de compra de alguns indivíduos. 
Em nenhum momento da história da humanidade o ser humano produziu e consumiu tanto quanto hoje. Estudos indicam que, no mundo, o percentual refe rente à produção e à venda de refrigeradores, computadores, televisores, telefo nes celulares e automóveis aumentou intensamente nas últimas cinco décadas. 
Parte significativa da renda das pessoas é destinada à compra de produtos supérfluos, ou seja, que não são imprescindíveis à sua sobrevivência. 
De modo geral, uma parte da população mundial passou a ter acesso a um conjunto de mercadorias que, até pouco tempo atrás, era privilégio das socieda des estadunidense, japonesa e dos países ricos da Europa. Isso significa que econo mias em desenvolvimento, como a China e a Índia, vêm apresentando um merca do consumidor em ascensão, uma vez que parte significativa da sua população tem ampliado seu poder aquisitivo.
No entanto, como há disparidade no consumo mundial, do mesmo modo que cresceu o número de indivíduos com maior poder aquisitivo, existem muitas pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza, ou seja, com menos de US$ 1,90 dólar por dia, e com isso não conseguem suprir suas necessidades básicas. 
Esse nível desigual de consumo no mundo é consequência do diferente desen volvimento econômico interno nos países. A população dos Estados Unidos representa 4% da po pulação mundial. No entanto, o nível de consumo desse país é extremamente eleva do, quando comparado à média de consumo no mundo. 
Como exemplo, podemos citar a produção petrolífera: de todo o petróleo consumido no mundo, cerca de 20% é destinado ao mercado estadu nidense. Isso significa que se todos os países apresentassem o padrão de consumo de pe tróleo dos Estados Unidos, o planeta teria suas reservas es gotadas em poucas décadas.

Consumo desigual de água 


A água é de fundamental importância para a existência da vida na Terra, pois todo ser vivo necessita desse líquido. O corpo humano de um adulto, por exem plo, tem cerca de 60% de sua massa composta de água. Nós vivemos em um planeta que tem aproximadamente 73% de sua superfície coberta de água. 
Esse recurso pode ser encontrado em estado líquido, sólido ou gasoso. No entanto, a maior parte de toda a água, 97,5%, é salgada e está nos ocea nos e mares. O restante, 2,5%, corresponde à água doce, que se encontra em grande maioria nas calotas polares e geleiras, ou seja, é de difícil acesso ao ser humano. 
O volume total de água doce na superfície terrestre é fixo, não aumenta nem diminui. Isso significa que, entre outros motivos, o aumento da população e a consequente superexploração desse recurso tendem a levá-lo à escassez. 
Atualmente, em diversos países, parte da população vem sofrendo com a escassez de água, até mesmo aqueles que possuem esse recurso em abundância, como é o caso do Brasil.
Em 2021, a população mundial chegou à marca de 7,9 bilhões de pessoas. Um dos principais desafios do crescimento populacional é a falta de água. Estima-se que por volta de 2050 quase metade da população mundial estará vivendo em países com escassez hídrica. 

Produção e consumo de alimentos no mundo 


Nos últimos anos, ocorreram vários avanços e melhorias com relação à produ tividade dos alimentos, às técnicas de produção e à disponibilidade de ingredien tes e produtos vindos de todas as partes do mundo. Ainda assim, a alimentação da população mundial constitui um grave dilema e um dos maiores desafios que a humanidade terá de enfrentar no século XXI. 
De modo geral, o panorama alimentar global é preocupante, pois diversos países e regiões do mundo estão com índices alarmantes de insegurança alimentar, que resultam em fome e subnutrição. Esse cenário, em geral, não é decorrente da baixa quantidade de alimentos produzida, mas sim pela distribuição desigual e pela falta de acesso aos alimentos por parte da população. 
Entre os fatores que restringem esse acesso estão a miséria, a existência de modelos de produção que priorizam as demandas industriais e de exportação, as guerras, os impactos ambientais e as mudanças climáticas.

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