terça-feira, 4 de agosto de 2026

REPRODUÇÃO E SEXO

Para a Biologia, sexo se refere às características físicas, fisiológicas e genéticas de um organismo que permitem distingui-lo entre macho e fêmea. 
Contudo, na linguagem cotidiana, a expressão “fazer sexo” geralmente se refere à interação entre indivíduos que envolve contato com os órgãos genitais, com ou sem o intuito reprodutivo. Nesse último caso, o termo científico é cópula ou relação sexual. 
A reprodução é uma característica dos seres vivos. É pela reprodução que as espécies se mantêm na Terra. Na espécie humana, na maioria das vezes, a reprodução envolve relações sexuais, que abrangem diversos outros fatores, além da capacidade de gerar descendentes. 
Entre esses fatores, podemos citar a sexualidade, a afetividade, o prazer, os sentimentos, as emoções, entre muitos outros. Sendo assim, reprodução não é o mesmo que sexo, embora esses dois conceitos estejam relacionados com sexualidade. 
A sexualidade vai além do que estuda a Biologia, pois diz respeito ao comportamento humano e ao de outros animais. Ela é uma característica inerente à vida e à saúde física, social e emocional e se expressa desde cedo, estando presente em todas as fases da vida. No ser humano, a sexualidade engloba o corpo e questões genéticas, afetivas e sociais e é construída ao longo da vida do indivíduo. Ela é influenciada por sua história, cultura, sentimentos e afetos, sendo própria de cada pessoa.
A sexualidade independe da potencialidade reprodutiva. Se sexo é a expressão biológica que define um conjunto de características anatômicas e funcionais, levando basicamente a dois caminhos – machos ou fêmeas –, a sexualidade é algo muito mais amplo. 
Cada sociedade tem conjuntos de regras que constituem parâmetros fundamentais que influenciam o comporta mento sexual e a expressão da sexualidade dos indivíduos.
Nas últimas décadas, tem-se falado muito sobre sexualidade. Percebe-se que há, frequentemente, uma idealização da vida sexual, dando a falsa impressão de que existe uma fórmula única de viver plenamente a sexualidade, um padrão sexual, um modelo rígido ao qual todas as pessoas devem se adaptar. Em nossa cultura, por vezes, há uma tendência de reduzir a sexualidade à sua função reprodutiva e concentrá-la no aspecto genital, sem levar em conta a importância dos sentimentos e das emoções dos envolvidos. 
Isso pode causar preconceito de alguns em relação a quem está fora dos estereótipos sexuais. Cada um pode viver bem, e plenamente, de seu jeito e conforme sua orientação sexual. O importante é fazê-lo com responsabilidade e ter direito à informação e espaço para expressar suas opiniões.
A descoberta da sexualidade vem acompanhada de sensações e emoções diferentes. Os hormônios sexuais têm papel fundamental nas mudanças que tornam o corpo apto à reprodução.
Biologicamente, a sexualidade é regulada por processos hormonais relacionados ao sistema nervoso. Os órgãos dos sentidos também desempenham papel importante na estimulação sexual. As expressões corporais, isto é, os olhares, gestos e movimentos, são meios de enviar mensagens.
Para a espécie humana, a sexualidade e o ato sexual estão ligados também à emoção e ao prazer. Por isso, é importante considerarmos que, na atração entre parceiros, há – além da produção hormonal – um conjunto de estímulos que afeta a ambos. 
A procura do parceiro ou da parceira na natureza, sua escolha e aceitação são um complexo processo de reconhecimento de qualidades, em geral físicas ou comportamentais. Esse reconhecimento é a fase inicial do relacionamento sexual. 
Viver a sexualidade é um direito de cada indivíduo. Há diferentes modos de sentir, expressar e se identificar em relação à sexualidade. A discriminação e o preconceito em nada contribuem para o crescimento pessoal e a convivência na sociedade.

ADOLESCÊNCIA: PERÍODO DE MUDANÇAS


Externamente, o corpo biologicamente masculino apresenta o pênis, e o feminino, a vulva. As características sexuais que os indivíduos apresentam desde o nascimento são chamadas características sexuais primárias. 
Durante a adolescência – período de transição entre a infância e a vida adulta –, ambos os sexos passam por grandes mudanças físicas, que são desencadeadas por hormônios. A produção desses hormônios, que estava inibida na infância, ocorre devido a estímulos do hipotálamo (região do cérebro com função reguladora de processos metabólicos) na hipófise (glândula do sistema nervoso). 
Esses hormônios atuam sobre as gônadas. Nos indivíduos do sexo masculino, as gônadas são os testículos e, nos indivíduos do sexo feminino, são os ovários.
Nos testículos, algumas células são estimuladas para produzirem espermatozoides (gametas masculinos), ao mesmo tempo em que é estimulada a produção de testosterona, hormônio sexual responsável pelo desenvolvimento das características sexuais secundárias masculinas (mudança da voz e aparecimento de pelos nas axilas, na região pubiana e no rosto). 
Nos ovários, é estimulado o amadurecimento de certas células que contêm os ovócitos (gametas femininos) e que vão produzir estrógeno, hormônio sexual responsável pelo desenvolvimento das características sexuais secundárias femininas (alargamento dos quadris, desenvolvimento das mamas e aparecimento de pelos nas axilas e na região pubiana). Ao mesmo tempo, outro hormônio hipofisário vai induzir a liberação dos gametas femininos amadurecidos, o que ocasiona a produção de mais estrógeno e de outro hormônio sexual, chamado progesterona, relacionado com o ciclo menstrual, que será estudado adiante.
O início da adolescência é conhecido por puberdade e não tem idade certa para acontecer. Ela costuma acontecer entre os 10 e 14 anos de idade e, nesse período, ocorre o amadurecimento dos órgãos sexuais e o corpo se torna fisiologicamente apto para a reprodução. 
Além das mudanças físicas, ocasionadas principalmente pelos hormônios, os adolescentes também passam por grandes mudanças comportamentais, que englobam alterações psicológicas e emocionais. As mudanças comportamentais têm influência cultural e social. É comum que nessa fase os adolescentes tenham a necessidade de independência e comecem a explorar seus sentimentos e seu corpo, iniciando o interesse sexual.

A puberdade masculina

No organismo masculino, os hormônios produzidos pela hipó se estimulam os testículos – as glândulas do sistema genital masculino – a produzir hormônios sexuais, principalmente a testosterona. Esse hormônio é o responsável pelo desenvolvimento das características sexuais secundárias masculinas, como:

• alargamento dos ombros e do tórax;

• surgimento de pelos em várias regiões do corpo, como nas axilas, no peito, nos braços, nas pernas, na região pubiana e no rosto;

• desenvolvimento do pênis e dos testículos.

É na puberdade que o menino começa a produzir e liberar o sêmen (ou esperma). O sêmen é uma mistura de líquidos e espermatozoides (os gametas masculinos). A eliminação do sêmen é chamada de ejaculação. 
Na puberdade, e na fase adulta, é comum que ocorra ejaculação durante o sono, conhecida como polução noturna.
Da mesma maneira que nas meninas, as glândulas sudoríferas e as glândulas sebáceas ficam mais ativas na puberdade, aumentando a sudorese e a oleosidade da pele, com o frequente surgimento de cravos e espinhas. 
Outra mudança que ocorre nos meninos no período da puberdade é o engrossamento das pregas vocais, tornando a voz mais grave. Como o processo é gradual, é comum os meninos dessa faixa etária, ao falar, emitirem alguns sons mais agudos de forma involuntária.

A puberdade feminina


No organismo feminino, as glândulas do sistema genital, ou seja, os ová rios, passam a produzir os hormônios sexuais, principalmente o estrógeno e a progesterona, sob o estímulo de hormônios liberados pela hipófise.
O estrógeno e a progesterona são responsáveis pelo aparecimento das ca racterísticas sexuais secundárias femininas:

• acúmulo de gordura nas regiões das nádegas, das coxas e dos quadris, que fi cam mais arredondadas;

• desenvolvimento das mamas;

• aparecimento de pelos na região pubiana e nas axilas;

• alargamento dos ossos da bacia.

As alterações hormonais provocam muitas mudanças no metabolismo, ou seja, nas reações químicas que ocorrem no corpo. Na puberdade, é comum a menina transpirar mais devido ao aumento de atividade das glândulas sudoríferas. A pele pode ficar mais oleosa, pelo aumento de atividade das glândulas sebáceas, e frequentemente surgem cravos e espinhas.
Um dos momentos mais marcantes da puberdade feminina é a primeira menstruação, chamada menarca. A menstruação caracteriza-se pela eliminação de parte do tecido de revestimento interno do útero, que estava preparado para uma possível gravidez.  A eliminação desse tecido provoca sangramento e ocorre pela abertura da vagina.

Os hormônios, o sistema nervoso e a puberdade

A puberdade está diretamente associada à produção de determinados hormônios, que são substâncias químicas produzidas por alguns órgãos do corpo humano que podem inibir ou induzir a atividade de outros órgãos. Isso quer dizer que os hormônios são substâncias reguladoras do crescimento, do metabolismo, da reprodução e do desenvolvimento do corpo humano.
Em toda a nossa vida, estamos, de alguma forma, sob a ação de hormônios: quando ficamos com raiva ou sentimos medo; enquanto praticamos uma atividade física, comemos, dormimos ou, simplesmente, crescemos. Os hormônios são mensageiros químicos que auxiliam na coordenação do organismo e na comunicação entre suas células. Essas substâncias são produzidas pelas glândulas endócrinas, que as liberam diretamente na corrente sanguínea, e atuam sobre diferentes tecidos, órgãos e sistemas do corpo, regulando seu funcionamento. 

No organismo humano, porém, há outros dois tipos de glândula. 

• As glândulas exócrinas, que liberam suas secreções em cavidades corporais ou na superfície do corpo por meio de ductos. São exemplos: as glândulas sebáceas, que liberam sebo sobre a pele; as glândulas sudoríferas, que secretam suor; as salivares, que secretam saliva; as lacrimais, que secretam lágrimas; e as mamárias, que secretam leite durante a amamentação. 
As glândulas mistas, que têm dupla função: produzem tanto secreções exócrinas quanto hormônios. É o caso do pâncreas, que produz hormônios e o suco pancreático, que atua na digestão de alimentos no intestino delgado.

O que desencadeia as mudanças da puberdade são os hormônios, substâncias produzidas pelas glândulas endócrinas, órgãos responsáveis por produzir e liberar os hormônios na corrente sanguínea. As glândulas endócrinas encontram-se em diferentes regiões do corpo humano e formam o sistema endócrino. 
Os hormônios são produzidos em órgãos chamados glândulas endócrinas e são liberados na corrente sanguínea, por onde circularão até chegar às regiões do corpo onde terão efeito. O conjunto das glândulas constitui o sistema endócrino.
O sistema endócrino, em conjunto com o sistema nervoso, é responsável pela manutenção do equilíbrio interno do corpo e atua coordenando e controlando diversas funções do organismo. Além disso, o sistema endócrino é responsável pela regulação de processos como crescimento, desenvolvimento e metabolismo.
As principais glândulas do sistema endócrino são: o hipotálamo, a hipófise, as glândulas tireóideas, as glândulas paratireóideas, as glândulas suprarrenais (adrenais), o timo, o pâncreas, os ovários e os testículos.
Cada glândula endócrina pode produzir um ou mais tipos específicos de hormônio, que atuam em diferentes funções e atividades do corpo humano. 
Ao serem liberados na corrente sanguínea, os hormônios são transporta dos para todo o corpo, mas somente vão atuar nas células com receptores específicos, localizados na membrana plasmática. Isso significa que cada hormônio é reconhecido por um tipo de receptor, capaz de se ligar a ele. 
Várias funções do organismo são controladas por hormônios, como: o crescimento corporal, a eliminação ou a retenção de água no corpo, o controle dos níveis de glicose e de sais minerais no sangue, a absorção de nutrientes, a regulação do sono e as alterações das características corporais durante a puberdade.
Em uma região do encéfalo encontra-se o hipotálamo, que faz a integração entre o sistema endócrino e o sistema nervoso. Ele pertence ao sistema nervoso, mas também produz hormônios e, por isso, pode ser considerado parte do sistema endócrino. 
O hipotálamo pode inibir ou estimular a liberação de hormônios pela hipófise, localizada na mesma região do encéfalo. A hipófise é uma glândula endócrina que regula a produção de hormônios de outras glândulas.


Hipotálamo 

O hipotálamo localiza-se no cérebro (órgão do sistema nervoso central) e faz a maior parte da integração entre o sistema nervoso e o sistema endócrino. Os hormônios produzidos no hipotálamo atuam sobre outra glândula endócrina, a hipófise. 
Dessa maneira, o hipotálamo tem um papel fundamental no controle do equilíbrio interno do corpo, pois sua ação estende-se por muitos órgãos, como num efeito dominó. O hipotálamo também produz hormônios que são armazenados e liberados pela hipófise, mas que atuam na regulação de outros órgãos e tecidos. São eles: 
• a ocitocina, que estimula as contrações do útero na hora do parto e a liberação de leite durante a amamentação; 
• o hormônio antidiurético (ADH), que, nos rins, regula a retenção da água no organismo.

Hipófise

A glândula hipófise localiza-se abaixo do hipotálamo, na base do cérebro. Tem massa de 0,5 g a 1 g e o tamanho de uma ervilha. Essa glândula produz e libera vários hormônios, sob o comando do hipotálamo. Sua atividade pode ser inibida ou estimulada, dependendo das informações vindas do sistema nervoso. Os hormônios produzidos pela hipófise podem atuar sobre outras glândulas endócrinas ou diretamente em células e órgãos. 


A glândula hipófise secreta diversos hormônios, que atuam na coordenação de várias funções do corpo. Observe alguns deles. 

• Hormônio do crescimento (GH): estimula o crescimento do corpo e promove a divisão de células dos ossos e dos músculos. 
• Hormônio estimulante da glândula tireoide (TSH): estimula a produção e a secreção dos hormônios da tireoide. 
• Hormônio adrenocorticotrófico (ACTH): controla a produção e a secreção dos hormônios das suprarrenais. 
• Prolactina (PRL): com outros hormônios, estimula o desenvolvimento das glândulas mamárias e a produção de leite, em caso de gravidez. 
• Hormônio foliculoestimulante (FSH): estimula a maturação do gameta feminino nos ovários e a produção de gametas masculinos nos testículos. 
• Hormônio luteinizante (LH): nas mulheres, age em conjunto com o FSH para a regulação do ciclo menstrual, estimulando a maturação e a liberação do gameta feminino; nos homens, o LH estimula a produção de hormônios pelos testículos. 
• Ocitocina (OT): responsável pelas contrações do útero no momento do parto e pela ejeção do leite materno. 
• Hormônio antidiurético (ADH): atua reduzindo o volume de urina produzida.

Cada hormônio liberado pela hipófise na corrente sanguínea age sobre determinado órgão ou glândula-alvo.
Para o bom funcionamento do organismo, a liberação dos hormônios deve ser controlada por outros hormônios ou diretamente pelo sistema nervoso. A secreção elevada ou reduzida de um hormônio pode provocar o aparecimento de problemas de saúde. 
Um exemplo é o hormônio do crescimento. Quando o GH é produzido em excesso durante a infância, pode levar a pessoa ao gigantismo. Nessa condição, ela tem crescimento exagerado dos ossos de algumas partes do corpo, o que acarreta a grande estatura e está associado ao aparecimento de algumas formas de câncer.
Quando o GH é produzido em concentrações menores do que as ideais na infância, a pessoa cresce pouco, condição conhecida como nanismo. O nanismo pode estar associado a problemas no sistema respiratório e dores nas costas. 
Esses dois problemas podem ser tratados com a administração de outros hormônios, desde que sejam diagnosticados no início do desenvolvimento da criança.

Glândula tireoide 

A glândula tireoide está localizada na região do pescoço, posicionada anteriormente sobre a traqueia. A tireoide secreta três hormônios – a triiodotironina, a tiroxina e a calcitonina. 
Os hormônios triiodotironina e tiroxina, conhecidos respectivamente como T3 e T4 , regulam o metabolismo e, em associação com outros hormônios, também estimulam o crescimento e o desenvolvimento do organismo, atuando ainda sobre o sistema nervoso.
A produção de quantidades insuficientes dos hormônios T3 e T4 pela tireoide causa hipotireoidismo, o que pode provocar ganho de peso, fadiga e sono em excesso. Em contrapartida, a produção excessiva dos hormônios T3 e T4 causa o hipertireoidismo, o que pode acelerar o metabolismo, causando transpiração excessiva, perda de peso, irritação e aumento da pressão sanguínea. 
A produção dos hormônios T3 e T4 também pode ficar comprometida quando há falta de iodo no organismo. Nesse caso, a glândula tireoide aumenta exageradamente de tamanho, o que é percebido como um inchaço no pescoço, o bócio. 
O organismo humano pode retirar iodo dos alimentos ingeridos – sobretudo os de origem marinha (peixes, mariscos, algas), mas também algumas verduras, como espinafre e agrião –, ou do sal de cozinha comercializado no Brasil, que tem iodo adicionado em sua composição por causa de uma exigência prevista em lei. 
O outro hormônio produzido pela tireoide, a calcitonina (CT), atua na redução da quantidade de cálcio na corrente sanguínea. Quando o nível desse mineral no sangue está elevado, a calcitonina é liberada, e a concentração do cálcio diminui.

Glândulas paratireoides 

As paratireoides formam um conjunto de quatro pequenas glândulas, que estão localizadas atrás da tireoide.
As glândulas paratireoides secretam paratormônio (PTH), responsável por aumentar a quantidade de cálcio no sangue. O PTH e a calcitonina atuam em conjunto na regulação das concentrações sanguíneas de cálcio: enquanto a calcitonina reduz a concentração do mineral no sangue, o PTH aumenta essa concentração. Essa regulação é importante para a contração muscular, um processo que depende da presença de cálcio na musculatura. 
O PTH também atua na modelação dos ossos durante o cresci mento do corpo, ou em caso de fraturas, e na coagulação sanguínea, em caso de ferimentos.

Glândulas suprarrenais 

As glândulas suprarrenais localizam--se acima dos rins. Os principais hormônios produzidos por essas glândulas são o cortisol, a adrenalina e a noradrenalina. 
O cortisol regula diferentes reações metabólicas, entre elas, o preparo do organismo para situações de estresse ou de alerta. Também pode atuar na regulação de processos de defesa do corpo, responsáveis por processos inflamatórios.


Os hormônios adrenalina e noradrenalina são secretados em resposta a uma situação de estresse de rápida duração, conhecida como “reação de luta ou fuga”. Veja este exemplo: imagine que você foi surpreendido por um cachorro de grande porte, que começou a latir ameaçadoramente. Você percebe seus batimentos cardíacos (frequência cardíaca) e sua respiração (frequência respiratória) acelerarem e seus músculos ficarem tensos. 
Essas alterações fisiológicas são promovidas pela adrenalina e pela noradrenalina e têm como consequências o aumento da captação de gás oxigênio do ar e da disponibilidade de glicose no sangue.
Com a maior disponibilidade de glicose e de gás oxigênio, as células liberam mais energia, que poderá ser utilizada, por exemplo, para fugir do perigo ou enfrentá-lo.

Pâncreas 

O pâncreas, órgão localizado na região ventral do corpo, atrás do estômago, é uma glândula mista. Ele é constituído de células produtoras dos hormônios insulina e glucagon e de células glandulares exócrinas produtoras de suco pancreático, que atua em processos digestivos. Neste momento, discutiremos a função endócrina deste órgão.



O glucagon é responsável por aumentar a concentração de glicose na corrente sanguínea. No corpo humano, a glicose fica armazenada no fígado como glicogênio. Quando há diminuição dos níveis de glicose no corpo, por exemplo, em situações de estresse de curta duração, esse hormônio atua em conjunto com a adrenalina e a noradrenalina e trans forma o glicogênio do fígado em glicose, disponibilizando-o no sangue. 
A insulina é responsável por diminuir a concentração de glicose no sangue. Esse hormônio promove a absorção da glicose pelas células do corpo ou o seu armazenamento no fígado, sob a forma de glicogênio.

Testículos 

Os testículos são órgãos do sistema genital masculino que secretam a testosterona, hormônio sexual masculino. Eles também produzem os gametas masculinos, como estudaremos posteriormente. 
A testosterona promove o desenvolvimento e a manutenção das características sexuais secundárias masculinas, como o engrossamento da voz, o aumento da massa muscular e óssea e o crescimento de pelos no rosto e no corpo.




Ovários 

Os ovários são órgãos do sistema genital feminino que produzem e liberam os hormônios estrogênio e progesterona. Eles também produzem os gametas femininos, como estudaremos adiante. 
O estrogênio é responsável pelo desenvolvimento dos órgãos genitais femininos e pela manifestação das características sexuais secundárias femininas, como o formato arredondado do corpo e o desenvolvimento das mamas. 
A progesterona atua com a prolactina na preparação das glândulas mamárias para a produção do leite materno. Também atua com o estrogênio na preparação do útero para a gravidez.




Os estímulos do ambiente, que são detectados pelo sistema nervoso, desencadeiam a liberação de hormônios pelas glândulas. Um exemplo é a adrenalina, hormônio liberado pelas glândulas suprarrenais (adrenais). Quando levamos um susto, o sistema nervoso estimula a liberação desse hormônio, que provoca o aumento dos batimentos cardíacos e do ritmo da respiração, entre outros efeitos, preparando o corpo para uma possível fuga.
O estrogênio, a progesterona e a testosterona são conhecidos como hormônios sexuais. A liberação dos hormônios sexuais na puberdade acontece de acordo com uma sequência de eventos. O hipotálamo produz um hormônio que estimula a glândula hipófise; esta última, por sua vez, libera hormônios que estimulam as glândulas sexuais (testículos e ovários). 
Os hormônios produzidos pelos testículos e ovários desencadeiam as mudanças corporais características da puberdade. Essas mudanças são, principalmente: crescimento corporal, aparecimento de pelos em diversas áreas do corpo, aumento das mamas (nas meninas), aumento da massa corporal, alteração na voz (nos meninos), entre outras. 
Esses aspectos, que caracterizam a forma corporal feminina e masculina, são chamados de caracteres sexuais secundários. Além dessas características, a ação dos hormônios sexuais estimula a produção dos gametas nos sistemas genitais masculino e feminino.

Outros hormônios 

Além das glândulas apresentadas, existem outras estruturas que exibem função endócrina no organismo. Vejamos algumas delas. 
Os rins estão localizados cada um de um lado da coluna vertebral, na altura da cintura. Eles são responsáveis pela filtragem do sangue e pela produção e eliminação da urina, processos que auxiliam na manutenção do equilíbrio de água e sais no corpo humano. Eles também produzem a eritropoetina, hormônio cuja função é a de regular a produção das hemácias, células responsáveis pelo trans porte de gás oxigênio no sangue. Quando pouco gás oxigênio chega aos tecidos, a produção de eritropoetina é estimulada, e mais hemácias são produzidas.
O timo é um órgão localizado no tórax, entre os pulmões e acima do coração, que vai diminuindo ao longo do desenvolvimento humano. Esse órgão exibe papel importante na imunidade do organismo, pois produz o hormônio timosina, responsável por promover a maturação de certos tipos de células de defesa. 
O estômago é um órgão localizado na região abdominal, logo abaixo do diafragma, que participa da digestão dos alimentos. Além de sua função digestiva, o estômago também secreta o hormônio grelina, conhecido como “hormônio da fome”, pois promove a sensação de fome, incentivando a ingestão de alimentos. A grelina é secretada em períodos de jejum. 
Os adipócitos, como são chamadas as células de gordura, produzem a leptina, hormônio cuja função é reduzir a ingestão de alimentos. Quando os estoques de gordura corporal aumentam, a secreção de leptina também aumenta.

Importância da reprodução

A reprodução é o processo pelo qual os seres vivos se multiplicam, ou seja, um ou mais organismos produzem descendentes, que apresentam características semelhantes às deles. Assim, é por meio da reprodução que ocorre a transmissão de características de um ou dois indivíduos para os seus descendentes, em um fenômeno chamado hereditariedade.
A capacidade de reprodução é uma das características determinantes dos seres vivos, responsável por garantir a sobrevivência das espécies, assim como a alimentação, a respiração e a excreção. A reprodução garante a perpetuação das espécies, o que significa que é por meio desse processo que uma espécie continua existindo ao longo do tempo. Cada indivíduo nasce, cresce, se desenvolve e, em algum momento, morre, o que determina seu ciclo de vida. Mas, mesmo após a morte dos indivíduos de uma geração, a espécie como um todo continuará no ambiente, por meio dos descendentes gerados na reprodução.
Em algumas espécies, o ciclo de vida é muito curto. Por exemplo, há espécies de insetos que nascem, se reproduzem e morrem em poucos dias. Já algumas espécies de plantas têm ciclo de vida longo, como a árvore sumaúma, encontrada na Floresta Amazônica, que come ça a se reproduzir após quatro anos de desenvolvimento e pode viver centenas de anos.

Tipos de reprodução


Os diferentes grupos de seres vivos podem apresentar variadas maneiras de se reproduzir. Apesar da diversidade de processos reprodutivos, existem duas principais formas de reprodução: a assexuada e a sexuada.
A reprodução assexuada não envolve a participação de células reprodutoras chamadas de gametas. Nesse processo, um único indivíduo dá origem a novos indivíduos, que receberão cópias de seu material genético.
A reprodução sexuada ocorre por meio dos gametas. Cada gameta tem uma cópia do material genético do organismo que o produziu. Um gameta masculino e um gameta feminino se unem, formando uma nova célula, o zigoto, que se multiplica e dá origem a um novo indivíduo. Assim, o organismo gerado por reprodução sexuada possui material genético com informações provenientes dos dois gametas que deram origem a ele.

Adolescência, puberdade e sexualidade

Desde o nascimento, o ser humano apresenta características sexuais externas e internas. As características sexuais externas são chamadas características sexuais primárias.
O período de transição entre a infância e a vida adulta é chamado de adolescência. 
A adolescência é o conjunto das modificações físicas e das alterações comportamentais e emocionais que ocorrem no período entre a infância e a vida adulta. Mas quando ela inicia? O marco inicial da adolescência está relacionado com o início da puberdade, período em que os hormônios desencadeiam várias mudanças corporais.
A entrada na adolescência ocorre de maneira lenta e gradual, variando muito entre as pessoas, e não tem um tempo determinado para começar ou terminar. É uma fase geralmente caracterizada por dúvidas e conflitos.
O conceito atribuído à adolescência é bastante amplo e envolve não apenas transformações físicas e fisiológicas, mas também comportamentais, influenciadas por elementos culturais que variam nas diversas sociedades e sofrem mudanças com o passar do tempo.
Na adolescência passamos por questões que envolvem ora a vida adulta, ora a vida infantil: há necessidade da liberdade e da responsabilidade do mundo dos adultos, mas ainda existe o medo de deixar a infância e assumir riscos. Sentimos necessidade de nos diferenciar, de construir a própria identidade, diferente da identidade dos pais e da família, mas existem conflitos sobre como conviver com algumas diferenças apresentadas por outras pessoas ou outros grupos de adolescentes.
Durante a adolescência ocorrem mudanças físicas e fisiológicas, responsáveis pelo amadurecimento dos órgãos do sistema genital e pelo aparecimento de diferenças mais acentuadas entre os sexos, as chamadas características sexuais secundárias, que caracterizam a puberdade. A puberdade indica que o organismo em breve estará apto para a reprodução. 
É uma fase da adolescência que se manifesta de maneira diferente nos meninos e nas meninas. O seu início pode variar muito de uma pessoa para outra, podendo ocorrer, em média, entre os 9 e os 15 anos para o sexo feminino e entre os 10 e os 14 anos para o sexo masculino. 
A puberdade pode iniciar entre 8 e 14 anos e terminar entre 18 e 21 anos de idade. Isso varia de uma pessoa para a outra dependendo de diversos fatores, como características genéticas e hábitos de vida (por exemplo, alimentação, sono e prática de atividades físicas). 
Cada pessoa tem um jeito próprio de se desenvolver e é bastante comum encontrar diferenças no desenvolvimento de adolescentes da mesma idade. 
A adolescência não tem um período demarcado de início e término, porque engloba, além das transformações físicas da puberdade, o desenvolvimento emocional e social do jovem. A definição de adolescência também sofre influência do momento histórico e do contexto social e cultural de uma comunidade. Por isso, a adolescência pode ser interpretada de maneiras diferentes quanto à aquisição de autonomia, responsabilidades e outros aspectos. 
Diferentemente dos outros animais, o amadurecimento sexual nos seres humanos é marcado por questões de natureza cultural e psicológica e não apenas biológica. As mudanças que ocorrem no corpo e a interação com outras pessoas podem trazer sentimentos muitas vezes contraditórios. 
No Brasil, a legislação considera que uma pessoa é adulta a partir dos 18 anos de idade. No entanto, na cultura de alguns povos indígenas brasileiros, por exemplo, um jovem com idade próxima dos 12 ou 13 anos costuma passar por um ritual de passagem de fase e já começa a desempenhar tarefas de adultos. 

Diversidade sexual: respeito acima de tudo 


A sexualidade humana difere da dos outros animais por envolver aspectos que vão além dos biológicos, envolvendo também dimensões sociais e psicológicas. 
A necessidade de corresponder a um padrão de comportamento social já levou e ainda leva várias pessoas a muito sofrimento, por não se senti rem aceitas pelos grupos sociais (es cola, família, igreja, clube social, etc.) dos quais fazem parte. No entanto, aos poucos, a sociedade contemporânea tem assumido que existem diversas formas de expressão da sexualidade humana e todas elas devem ser igualmente respeitadas, não existindo um padrão de comportamento que deva ser seguido por todos.
Gradativamente estamos substituindo o conceito de normalidade pelo conceito de pluralidade. Nesse processo de transição que vivemos, é comum termos muitas dúvidas, sentirmos medo e vergonha de expor nossos sentimentos e presenciamos, ainda, atitudes de discriminação, muitas vezes de maneira violenta. 
Infelizmente, no Brasil, a discriminação e o preconceito têm sido apontados como algumas das principais causas de evasão (abandono) escolar por jovens que se sentem alvo de preconceito e discriminação por expressarem sua sexualidade de uma forma diversa da da maioria, embora a Constituição brasileira vede qual quer tipo de discriminação.

Partenogênese

Em alguns animais é possível ocorrer o nascimento de um novo ser apenas com o desenvolvimento do óvulo, sem que haja para isso a fecundação pelo espermatozoide. Esse tipo de reprodução é conhecido como partenogênese, que quer dizer ‘origem virgem’. 
Vários grupos de animais podem se reproduzir por partenogênese, como pulgas-d’água, pulgões, abelhas, lagartos, salamandras, alguns peixes como o tubarão-martelo, entre outras espécies. 
Existem várias formas de partenogênese e duas delas são bastante conhecidas: a que ocorre em abelhas, em que os machos (zangões) são originados por partenogênese (de óvulos não fecundados); e a que ocorre em certos lagartos, em que as fêmeas produzem clones de si mesmas.

REPRODUÇÃO E SEXO

Para a Biologia, sexo se refere às características físicas, fisiológicas e genéticas de um organismo que permitem distingui-lo entre macho e...