A Grécia atual e a chamada Grécia antiga não são a mesma coisa. Hoje, a Grécia é um país com governo e fronteiras definidas. A Grécia antiga não era um país unificado, mas uma porção de cidades independentes, com seus governos e suas leis.
O território da Grécia antiga pode ser dividido em três grandes partes:
• Grécia continental: parte sul da península dos Bálcãs, compreendendo as regiões da Tessália, Etólia, Beócia e parte da Ática, além de cidades como Atenas e Delfos.
• Grécia peninsular: península do Peloponeso, região ao sul do golfo de Corinto, incluindo as regiões da Acaia e Lacônia e cidades como Esparta e Olímpia.
• Grécia insular: região formada pelas diversas ilhas do mar Egeu e do mar Jônico, destacando-se a ilha de Creta, a maior de todas.
Primeiros povoadores
Foi a partir do segundo milênio antes de Cristo que diversos povos se instalaram na Península Balcânica,
região onde hoje se situa a Grécia. Os aqueus foram um dos primeiros a se estabelecerem
na região, por volta de 1600 a.C., e a dominaram até aproximadamente 1100 a.C. Nesse
período, chegaram também os jônios e os eólios, que se integraram à sociedade aqueia.
Depois vieram os dórios, os quais dominaram grande parte da região.
Ali misturaram seus modos de ser e de viver e, ao longo do tempo, construíram certa unidade cultural que ficou conhecida como Grécia antiga ou Hélade.
Esses povos se reconheciam como helenos e nunca chamaram a si próprios de gregos. O termo grego é de origem romana. Com o tempo, esses dois termos, gregos e helenos, foram utilizados para se referir a toda essa sociedade.
Os povos que deram origem à cultura grega
Antes dos gregos, outro povo já havia ocupado a região de Creta, uma ilha do
Mar Egeu: a civilização cretense. Seus habitantes ocuparam a região por volta de
3000 a.C., atingindo o apogeu em 2000 a.C.
Em cerca de 2000 a.C., a ilha de Creta era um importante centro de trocas comerciais entre diferentes sociedades que viviam em torno dos mares Egeu, Mediterrâneo e Jônico. Os cretenses construíram imensos palácios, cidades e portos. Ali,
desenvolveu-se a sociedade minoica, e a língua, a arte e a cerâmica minoicas difundiram-se pelo Mediterrâneo.
Enquanto a civilização minoica se desenvolvia, outros povos migraram para a Grécia continental, entre eles os micênicos, também conhecidos como aqueus, que fundaram Micenas, uma cidade que se
tornou o centro de expansão da civilização aqueia e que, por isso, também ficou
conhecida como civilização micênica.
Porta dos Leões, em Micenas, na Grécia,
2020. O portal tem pouco mais de 3 metros
de altura na parte superior; preenchendo o
espaço triangular, há dois leões separados
por uma coluna.
No decorrer do século XV a.C., os aqueus invadiram e dominaram colônias cretenses
no Mar Egeu. Por volta de 1400 a.C., conquistaram a principal cidade de Creta, Cnossos.
Assim, a ilha de Creta, que já era uma potência militarista, tornou-se base militar e centro
comercial marítimo dos aqueus.
Por meio das trocas culturais e do controle sobre diferentes populações, a sociedade micênica se expandiu e desenvolveu inovações na arquitetura, na agricultura, no comércio e nas técnicas de navegação.
A partir de então, o intercâmbio entre essas duas culturas tornou-se
mais intenso, dando origem à chamada civilização creto-micênica, considerada
por muitos estudiosos a ancestral direta da civilização grega antiga.
As ruínas de Cnossos foram encontradas em 1900 pelo arqueólogo britânico Arthur Evans, que, nessa época, contratou uma equipe de
artistas para restaurar a antiga cidade. Atualmente, muitos pesquisadores defendem que grande parte da restauração de Evans foi uma
recriação modernizada de Cnossos. Na imagem, afresco de golfinhos restaurado, em palácio da cidade de Cnossos, na ilha de Creta, Grécia.
O afresco original foi produzido entre 1700 a.C. e 1450 a.C.
A civilização cretense
Na sociedade cretense, o palácio tinha um papel central: era o lugar de onde o rei governava e, ao mesmo tempo, era fundamental na vida econômica da cidade.
Afresco do Palácio de Cnossos, Creta, 2021.
O palácio era responsável por numerosas atividades econômicas: artesanato, praticado em oficinas amplas; agricultura e pastoreio, praticados em áreas reservadas a essas atividades; e comércio, ou seja, trocas de um produto por outro. Nas suas dependências havia também templos religiosos e armazéns, onde os alimentos eram guardados. Parte de toda essa produção era destinada ao rei na forma de
tributos. Entre os palácios cretenses, o mais rico e conhecido
era o de Cnossos.
Por volta de 1450 a.C., ocorreram vários incêndios, em Creta, provocados provavelmente pelos aqueus, povo que invadiu e conquistou a cidade de Creta.
A civilização micênica
Inicialmente, os aqueus ocuparam o sul da Grécia, onde fundaram v várias cidades, entre as quais Micenas – daí o nome dado a sua civilização. Por meio da navegação, os micênicos entraram em contato com os cretenses, de quem assimilaram conhecimentos que, depois, usaram para dominá-los e assumir a liderança comercial nos mares da região. Por meio do comércio marítimo, os micênicos espalharam a cultura grega pelo Mar Mediterrâneo.
A sociedade micênica também estava organizada em torno do palácio. O principal deles era o palácio de Micenas, onde foram encontradas tabuinhas com uma escrita conhecida por Linear B. Ao decifrá-la, em 1953, os estudiosos descobriram que era um ramo do grego antigo. Era essa, portanto, a língua dos aqueus.
Em 1200 a.C., não se sabe o porquê, os palácios foram destruídos. Com a destruição dos palácios micênicos, iniciou-se um período de empobrecimento material e abandono da escrita, que se estendeu até 900 a.C.
As principais fontes escritas sobre esse período são dois longos poemas: Ilíada e Odisseia, atribuídos ao poeta Homero. Hoje, sabemos que esses poemas vinham sendo cantados por várias gerações de poetas, chamados de aedos.
Parte de um manuscrito da
obra Ilíada, produzido entre o
fim do século V d.C. e o início
do século VI d.C.
A Ilíada narra a guerra de Troia (em grego, "Ílion"); já a Odisseia narra as aventuras do herói Ulisses ("Odisseu", em grego) em sua viagem de volta a Ítaca, ilha situada na Grécia.
Enquanto isso, os jônios, eólios e dórios, povos que tinham parentesco com os aqueus, invadiram a Grécia; esses quatro povos deram origem aos antigos gregos.
A Grécia pós-micênica
Por volta de 1100 a.C., conflitos internos, catástrofes naturais – como secas – e grandes
migrações contribuíram para que a civilização micênica entrasse em decadência. Essa
situação facilitou a invasão do território pelos dórios. Assim, cidades micênicas foram
destruídas e a maioria da população fugiu, estabelecendo-se na Ásia Menor.
Os dórios eram povos também indo-europeus que, no século XII a.C., chegaram
à região do Bálcãs e se estabeleceram em Creta e na Grécia peninsular. No mesmo
período, os jônios e os eólios, também indo-europeus, ocuparam a Grécia continental.
A sociedade que se formou entre os séculos XII e VIII a.C. era muito diferente da
micênica. As novas comunidades estavam organizadas em propriedades familiares
que incluíam escravos, animais, terras e casas, chamadas de oikos.
O governo era
exercido por uma assembleia composta de membros de famílias nobres, que cuidavam das leis, da administração, da justiça e da defesa do território.
Entre os séculos IX e VIII a.C., o crescimento da população grega fez com que
as terras agrícolas disponíveis se tornassem insuficientes para o sustento das pessoas. Enquanto os que tinham mais poder ficaram com mais terras, os camponeses
pobres se viram obrigados a trabalhar para eles. Muitos camponeses, endividados,
tornaram-se escravos.
Os eupátridas
Com a chegada dos dórios, a sociedade começou a se organizar em pequenas comunidades chamadas genoi.
Os parentes mais próximos dos líderes dos genoi – os eupátridas – apoderaram-se
das melhores terras e ocuparam os lugares mais destacados da sociedade. O restante da
população perdeu suas terras ou ficou com as piores áreas para a agricultura. Por isso,
muitos foram para a Península Itálica e para a Sicília, ilha onde fundaram cidades-Estado
com características gregas.
Essa unificação de genos sob o governo de um
mesmo rei deu origem às cidades-Estado, conhecidas também como poleis (plural de pólis).
Colonização grega (750-550 a.C.)
Essa situação levou vários grupos da população grega a ocupar terras ao longo
do mar Mediterrâneo e do mar Negro. Assim, entre os séculos VIII e VI a.C., os
gregos fundaram colônias no sul da Europa, no norte da África, na Ásia Menor e na
costa do mar Negro. As colônias gregas tinham um governo próprio e, portanto, eram independentes da cidade-mãe. Mantinham
com ela apenas laços comerciais e culturais (língua, religião e costumes).
A expansão colonial grega estimulou o comércio marítimo e a
utilização de moedas. Além de provocar o fenômeno da colonização, o crescimento da população
grega também estimulou as trocas comerciais e o aparecimento de várias cidades
na Grécia, isoladas umas das outras.
Chamadas de pólis pelos gregos (poleis, no
plural), cada uma delas transformou-se num Estado independente, com leis e
governo próprios. Por isso, elas também são conhecidas como cidades-Estado.
Ainda que fossem governadas por reis, nas poleis os cidadãos (politikos) interferiam nos assuntos do governo.
A discussão e a participação dos cidadãos nas
decisões sobre os rumos da pólis deram origem à palavra política, utilizada por nós
até hoje. Nas primeiras poleis, porém, poucas pessoas, vindas de famílias privilegiadas, tinham cidadania, ou seja, o direito de participar da vida política da cidade.
O que hoje se chama de Grécia antiga não era um Estado único, mas um conjunto
de pequenos Estados independentes: um conjunto de poleis.
Apesar das diferenças, as pessoas que viviam nas cidades-Estado se comunicavam com a
mesma língua e compartilhavam costumes. Portanto, é possível falar em civilização grega.
Do oikos à cidade-Estado
Com o fim dos palácios, a base da organização social passou a ser o oikos: uma grande família (pais, primos, avós), seus dependentes e seus bens, como casas, terras e animais. Os membros do oikos acreditavam ter um antepassado comum.
Essa ilustração atual, baseada em pesquisa histórica, ajuda a imaginar o que poderia ter sido o oikos.
A cidade-Estado
A cidade-Estado grega era bem diferente das cidades de hoje. Era um espaço de decisão coletiva, de festividades e de culto comum a divindades. A cidade-Estado grega (pólis) se desenvolveu às margens do Mar Mediterrâneo e em um ambiente de grandes mudanças, como a difusão do uso do ferro; a arquitetura em pedra; o cavalo de guerra; as construções monumentais; o uso da escrita alfabética; a pintura; e a fabricação de artigos de bronze.
A cidade-Estado grega era composta de três elementos:
• um território agrícola, ocupado e explorado por famílias camponesas que possuíam a propriedade individual da terra, de onde tiravam a sua subsistência (produzindo trigo,
uva, vinho, azeite);
• um núcleo urbano, que incluía os templos, a praça do mercado (onde a comunidade se reunia em assembleia), as oficinas de artesãos, as lojas do pequeno comércio e o porto por onde se fazia o comércio com o exterior;
• uma acrópole, que servia como defesa e símbolo da unidade territorial.
As cidades-Estado gregas eram politicamente independentes entre si e cada
uma delas tinha sua forma de governo. De modo geral, as cidades eram formadas
por grupos que acreditavam descender de um ancestral comum e, por isso, eram
ligados entre si por laços de parentesco e solidariedade.
Veja as principais formas de governo adotadas nas cidades-Estado gregas.
Monarquia: o
monarca era o
responsável pelo
controle militar,
social, religioso e
judiciário. Ele podia
governar sozinho ou
auxiliado por um
conselho de nobres.
Oligarquia: os
aristocratas, grandes
proprietários de
terras, tomavam o
poder e passavam a
governar. Nesse caso,
o poder ficava
restrito a algumas
famílias poderosas.
Tirania: governo
de um só homem,
que assumia o
poder por meio da
força. Os tiranos
geralmente
contavam com o
apoio da
população.
Democracia: os
cidadãos participavam
das decisões por meio
de assembleias. No
entanto, não eram
considerados cidadãos
mulheres, crianças,
estrangeiros e pessoas
escravizadas.
As partes de uma pólis
Geralmente, a pólis contava com a ásty e a khóra. A ásty era a área urbana, central
e murada. Nela, viviam principalmente artesãos, comerciantes e donos de terras. Além
das residências, havia edifícios públicos, ginásios, teatros, oficinas de artesãos e também
a ágora.
A ágora era o espaço público central da cidade. Nesse local, comerciantes vendiam
mercadorias, juízes julgavam criminosos, sacerdotes realizavam cerimônias e cidadãos debatiam questões de interesse geral.
Na parte mais elevada da ásty, havia a acrópole, centro religioso da pólis, onde eram
erguidos os templos para a divindade protetora da cidade.
A khóra era a área rural e ficava além das muralhas da ásty. Na khóra, viviam agricultores e pastores, que criavam cabras e ovelhas, e as pessoas escravizadas, que trabalhavam
nas terras dos grandes proprietários. A produção agropastoril garantia a subsistência da
população da pólis.
Vista das ruínas da acrópole da pólis de Pérgamo, 2021. Atualmente,
o território onde essa cidade foi construída faz parte da Turquia.
A cidade de Esparta
Esparta foi fundada pelos dórios, na região da Lacônia, no século IX a.C. Os habitantes dessa região, os espartanos, ficaram conhecidos pela tradição militar.
No século VIII a.C., eles já haviam conquistado e subjugado os povos da região.
Os povos conquistados, denominados hilotas, eram aprisionados e obrigados a
realizar os trabalhos agrícolas para sustentar a população espartana. Apesar de
serem obrigados a dar aos espartanos a maior parte de sua produção agrícola, os
hilotas não eram considerados escravizados.
Além dos hilotas, outros povos que foram subjugados por Esparta também
integraram a sociedade espartana. Eram os chamados periecos, pessoas livres
que habitavam regiões periféricas de Esparta. Eles não tinham direitos políticos
e realizavam atividades ligadas principalmente ao artesanato e ao comércio.
A tradição militar espartana
O militarismo era uma característica marcante de Esparta. Dos 7 aos 60 anos, todos os
homens espartanos eram considerados guerreiros. O treinamento militar incluía exercícios
físicos e técnicas de sobrevivência e de combate.
As mulheres espartanas
Em Esparta, as mulheres eram incentivadas a praticar atividades físicas desde crianças, assim como a
frequentar escolas para aprender a ler, escrever,
tocar instrumentos musicais e dançar. Uma
de suas responsabilidades era gerar filhos
saudáveis para suprir a necessidade das
forças militares da cidade.
Escultura representando uma
atleta espartana, século VI a.C.
A cidade de Atenas
Atenas foi fundada na região da Ática, no século X a.C., pelos jônios, e tornou-se um importante centro de comércio marítimo e de intercâmbio de ideias. Seus
habitantes mantinham um intenso contato comercial com várias cidades gregas
e com outros povos, como egípcios, fenícios e babilônios.
Quando foi formada, a cidade-Estado ateniense era governada pelos aristocratas, os grandes proprietários de terras. Além de controlarem as terras mais férteis, os aristocratas detinham o poder político e militar em Atenas.
Grande parte da população ateniense era formada por pequenos proprietários de terras. Suas terras geralmente eram pouco férteis e eles viviam em condições difíceis. Nos anos em que as colheitas eram ruins, eles precisavam pedir
empréstimos aos aristocratas, dando suas terras como garantia de pagamento.
Na época do governo dos aristocratas, entre os séculos IX e VI a.C., os peque
nos proprietários não podiam participar das decisões políticas. Além disso, quando não conseguiam pagar suas dívidas, eram obrigados a entregar suas terras ou
eram escravizados pelos aristocratas.
Outro grupo social era formado pelos comerciantes e pelos artesãos, como ceramistas, ferreiros e tecelões. Apesar de sua importância econômica, nessa época,
esse grupo também não tinha participação política na sociedade ateniense.
Havia, ainda, uma grande parcela da população formada por pessoas escravizadas.
Elas podiam ser prisioneiras de guerra
ou pessoas que não conseguiam sal
dar suas dívidas. Muitas trabalhavam no espaço urbano, principal
mente nos serviços domésticos
e nas oficinas. As que trabalhavam no espaço rural ocupavam-se, entre outras tarefas, da agricultura e da mineração.
As mulheres de Atenas
Em Atenas, as mulheres não tinham participação política e a vida delas era controlada pelos homens (pais, irmãos e maridos). Em seu dia a dia, elas dedicavam-se às tarefas domésticas, cuidavam da casa e dos filhos. As mulheres mais pobres também tinham de contribuir para o sustento da família. Algumas costumavam
trabalhar na agricultura ou em tarefas relacionadas ao comércio nos mercados.
Entre as classes mais ricas, desde pequenas as mulheres eram
educadas para se dedicar ao casamento e cuidar da casa. Quando
se casavam, em grande parte do
tempo, viviam em cômodos conhecidos como “gineceus”, onde
ficavam confinadas e separadas
dos homens.
Por volta do século VII a.C., as grandes desigualdades sociais em Atenas fizeram
as camadas mais pobres da sociedade se revoltarem, exigindo mudanças. Os pequenos proprietários que participaram como hoplitas das guerras adquiriram mais
prestígio social e passaram a reivindicar participação nos assuntos políticos.
Eles receberam apoio dos artesãos e
dos comerciantes e lutaram por uma distribuição de terras mais justa e pela abo
lição de suas dívidas. Os aristocratas, para tentar controlar as revoltas populares,
criaram a figura do legislador, encarrega
do de registrar as leis da cidade.
O principal legislador ateniense foi Sólon. Com ele, no século VI a.C., foram inicia
das reformas sociais e políticas, como o
fim da escravidão por dívidas, o aumento
do número de cidadãos com direitos políticos reconhecidos e a criação de três instituições: o Bulleutérion (ou conselho dos
quatrocentos), a Eclésia (assembleia popular na qual se reuniam todos os cidadãos) e
a Helieia (tribunal popular de justiça).
Clístenes e a democracia ateniense
A democracia teve origem em Atenas e representou um importante legado para a sociedade atual. Porém, você sabe como
esse sistema político surgiu? Vamos conhecer mais sobre isso a seguir.
Por volta de 510 a.C., o aristocrata Clístenes assumiu o governo de Atenas. Ao
contrário dos outros aristocratas, ele contava com o apoio popular e promoveu
algumas mudanças no sistema político ateniense.
Clístenes implantou a primeira forma de governo em que todos os cidadãos
participavam dos assuntos da cidade: a democracia.
Durante seu governo, foi criada também a lei do ostracismo.
De acordo com
essa lei, qualquer pessoa que representasse perigo à ordem democrática deveria
ser expulsa da cidade, ficando exilada por dez anos. A expulsão dessas pessoas
era decidida por meio de votos escritos nos óstracos.
Com as reformas de Clístenes, todos os cidadãos atenienses puderam participar das decisões políticas, nas assembleias e nos tribunais. Entretanto, nessa época, mulheres, crianças, estrangeiros e pessoas escravizadas não eram considera
dos cidadãos, não tendo direito à participação nas decisões políticas. Além disso,
como os cidadãos mais pobres não podiam deixar de trabalhar, eles tinham dificuldade de exercer plenamente seus direitos políticos.
A organização da democracia ateniense
A participação política efetiva dos cidadãos mais pobres só passou a ocorrer
durante o mandato de Péricles (461 a.C.-429 a.C.), que permaneceu à frente do
governo de Atenas durante cerca de trinta anos.
Observe a ilustração, que representa a cidade de Atenas na época de Péricles.
A parte alta da cidade era chamada
Acrópole, que funcionava como centro
religioso e de defesa. Nela foram
construídos edifícios como o Partenon,
templo dedicado à deusa Atena.
A Ágora era a parte baixa
da cidade, que funcionava
como lugar de reuniões e
centro comercial.
Na Boulé eram elaborados projetos
de lei ou resoluções para serem
discutidos na Assembleia dos
Cidadãos. Além disso, era sua função
fiscalizar os trabalhos públicos e
organizar festas e cultos religiosos.
A Pnyx, ou Assembleia dos
Cidadãos, era o lugar em que
os cidadãos reuniam-se para
discutir assuntos da cidade,
como os projetos de leis
elaborados na Boulé.
No Tribunal dos
Heliastas ou
Tribunal de Justiça
eram realizados os
julgamentos das
questões públicas
e privadas.
A Guerra do Peloponeso
Os persas no século VI a.C. dominava um vasto império, que abrangia o Oriente Médio, o
Egito, a Mesopotâmia e toda a região da Ásia Menor, que
incluía poleis como Mileto e Éfeso. Em 490 a.C., os persas
avançaram mais a oeste e desembarcaram em Maratona,
na Ática. Começaram assim as Guerras Greco-Pérsicas.
Entre 490 e 479 a.C., os gregos envolveram-se em uma série de conflitos contra
o Império Persa. Durante essas guerras, as principais cidades gregas se aliaram,
sob a liderança de Atenas, formando a Confederação de Delos. Atenas era responsável por administrar os tributos recolhidos e organizar a frota marítima que
defenderia essas cidades.
Seus membros se comprometiam a
fornecer aos atenienses recursos financeiros e militares
para combater o inimigo, o que fortaleceu Atenas politicamente. Assim, quando as Guerras Greco-Pérsicas
terminaram, em 448 a.C., Atenas era a cidade mais poderosa da Grécia.
Essa liderança ateniense gerou insatisfação em várias cidades gregas, especialmente Esparta, que não aceitava se submeter ao poderio de Atenas. Os esparta
nos, então, retiraram-se da confederação e formaram, com membros de outras
cidades-Estado, a Liga do Peloponeso.
Estátua que representa o rei Leônidas,
considerado um herói espartano na Guerra do
Peloponeso. Esparta, Grécia, 2017.
O conflito
Descontentes com a hegemonia ateniense, os espartanos reuniram outras poleis gregas, criando a Liga do Peloponeso. Em 431 a.C., esses dois blocos entraram em conflito,
numa disputa que envolveu praticamente todas as cidades
gregas e ficou conhecida como Guerra do Peloponeso.
Lápide com imagem de
soldados em combate
durante a Guerra do
Peloponeso. Século V a.C.
Escultura esculpida
em pedra.
Museu de Arte
Metropolitano, Nova York,
Estados Unidos.
A guerra envolveu grande número
de cidades gregas e teve efeitos desastrosos. Muitas pessoas morreram
ou foram escravizadas e várias cidades ficaram destruídas.
Em 404 a.C., os espartanos derrotaram Atenas e impuseram a hegemonia sobre a Grécia. Atenas, uma das cidades mais
prejudicadas, perdeu sua hegemonia, tendo de aceitar o domínio espartano.
Porém, após a longa guerra, as cidades-Estado gregas não
conseguiram restaurar sua força e
organização militares, abrindo caminho para a dominação estrangeira.
A liderança espartana, porém, não durou muito. Enfraquecida pela guerra, Esparta foi dominada pela cidade de Tebas. A partir de então, iniciaram-se intensas lutas entre as diversas cidades
gregas, o que permitiu que elas fossem facilmente dominadas por outros
povos. Primeiramente pelos persas,
que retomaram o domínio sobre as
poleis gregas da Ásia Menor.
Em 338 a.C., os macedônios, comandados pelo rei Felipe II, conquistaram toda a Grécia continental e entraram em guerra contra os persas para
expulsá-los da Ásia Menor. Os persas
foram derrotados, mas Felipe II morreu
em combate, deixando o trono para seu
filho Alexandre.
O Império Macedônico
No século IV a.C., Filipe II, rei da Macedônia, tinha planos de expandir seu território, localizado ao norte da Grécia. Sob o comando do exército macedônico, foram
anexadas diversas cidades gregas, enfraquecidas em decorrência da Guerra do Peloponeso.
A principal derrota grega ocorreu em 338 a.C., na Batalha de Queroneia,
que consolidou o poder macedônico nas principais regiões do mundo helênico.
Em 336 a.C., Filipe II foi assassinado e seu filho Alexandre assumiu o comando
do exército macedônico. Ele deu continuidade às conquistas realizadas pelo pai,
dominando um vasto território que ficou conhecido como Império Macedônico.