segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

ESTADOS UNIDOS

Organização territorial e política

Com uma área territorial de 9 833 517 km², os Estados Unidos da América (EUA) são o segundo maior país do continente americano e o terceiro mais extenso do mundo, sendo apenas superado por Rússia e Canadá.
O território estadunidense é constituído por 50 Unidades Federativas (estados) e um Distrito Federal, onde está situada a capital do país, Washington.
Dois estados não se localizam em terras contínuas: o Alasca, território localizado no noroeste do continente americano, vendido pela Rússia aos Estados Unidos no ano de 1867, e o arquipélago do Havaí, anexado em 1898 por meio de um golpe que derrubou a monarquia que governava o então Estado havaiano.
Os Estados Unidos constituem uma federação, ou seja, os estados possuem autonomia política expressa em Constituições próprias.
Diferentemente de outros países que também são federações, como o Brasil, as Unidades Federativas dos Estados Unidos têm bastante autonomia, com leis que diferem de uma para outra: há estados onde, por exemplo, a idade mínima para dirigir é 16 anos, ao passo que, em outros, não se pode dirigir antes dos 18 anos; entre outras diferenças.

Distribuição da população

Segundo a ONU, no ano de 2021 os Estados Unidos abrigavam a terceira maior população do planeta: cerca de 337 milhões de habitan tes distribuídos irregularmente pelo território. As maiores concentrações populacionais do país estão:
- no Nordeste, área de ocupação mais antiga, iniciada pelo processo de colonização europeia e de forte concentração urbana e industrial, com destaque para uma das maiores megalópoles do mundo: a BosWash, região compreendida entre a cidade de Boston e a capital do país, Washington;
- na região dos Grandes Lagos, com destaque para a megalópole ChiPitts, entre as cidades de Chicago e Pittsburgh;
- na Costa Oeste, entre o oceano Pacífico e as Montanhas Rochosas. Nessa região, está locali zada a megalópole conhecida como SanSan, entre as cidades de San Francisco e San Diego.

Formação do território

O território dos Estados Unidos começou a ser delineado no século XVI com as Treze Colônias fundadas por ingleses. Essas colônias se desenvolveram de formas diferentes por um conjunto de fatores políticos, econômicos e físico-naturais.
Nas colônias do Norte, prevaleceram as chamadas colônias de povoamento, onde se destacava o cultivo de batata, trigo e cevada, entre outros produtos agrícolas.
Nas colônias do Sul, prevaleceram as colônias de exploração, destacando-se o cultivo de algodão e tabaco.
As Treze Colônias se relacionavam de formas diferentes com a metrópole. Enquanto as colônias do Norte eram mais independen tes e autônomas do ponto de vista político e econômico, as do Sul eram mais dependentes, principalmente do mercado inglês.
Os colonos do Norte iniciaram os movi mentos de resistência contra a Inglaterra, que resultariam na Proclamação da Independência em 1776. Como a Inglaterra impunha leis e medidas que os colonos consideravam injus tas e abusivas, eles passaram a organizar manifestações contra a metrópole, como o protesto conhecido como Festa do Chá de Boston. Revoltados com a lei que permitia aos comerciantes ingleses vender chá às colônias sem o pagamento de impostos, os colonos, com vestimentas indígenas, invadiram navios no porto de Boston e jogaram todo o carre gamento de chá inglês no mar. O evento está na origem da guerra pela independência dos Estados Unidos.

Expansão para o Oeste

Após a independência em 1776, o governo dos Estados Unidos iniciou o processo de expan são territorial para o Oeste, justificado pela doutrina do Destino Manifesto, segundo a qual os estadunidenses eram os escolhidos por Deus para se apropriar das terras entre o oceano Atlântico e o oceano Pacífico, onde deveriam construir uma grande nação.
Essa ideologia, aliada à ideia da superioridade racial anglo-saxã, foi usada por um longo tempo para justificar não só o expansionismo, mas também o extermínio de povos indígenas.
A expansão territorial envolveu a compra de territórios da França e da Espanha; tratados de cessão com a Inglaterra; conflitos com o México; expulsão, matança e confinamento de indígenas em reservas. O processo completou-se em cerca de 60 anos, quando foi atingida a costa do oceano Pacífico.

Composição étnica da população

Um dos aspectos pesquisados pelo Censo dos Estados Unidos é a origem étnica da população. As pessoas se autodefinem como brancas, negras, hispânicas, asiáticas, indígenas, entre outros grupos.
Assim como a população brasileira, a população estadunidense é formada pelos povos originários, pelos povos africanos escravizados e por imigrantes de várias partes do mundo, que começaram a migrar para os Estados Unidos após a Proclamação da Independência.
No século XIX, os Estados Unidos receberam fluxos significativos de imigrantes, principal mente irlandeses, alemães, ingleses e italianos, em busca de melhores condições de vida.
A imigração europeia foi fundamental para ocupar os territórios conquistados no Oeste. A fim de incentivar a presença dos colonos e garantir-lhes a propriedade das terras, o governo criou uma lei conhecida como Homestead Act (Lei de Propriedade Rural), que vendia terras aos interessados a preços simbólicos. Muitos imigrantes europeus, especialmente ingleses e alemães, se beneficiaram dessa lei. Sobre a participação dos povos escravizados na formação da população estadunidense, é importante destacar que os primeiros africanos foram trazidos da África em 1619 para trabalhar em fazendas no atual estado da Virgínia.
Embora a escravidão tenha sido abolida em 1863 durante a Guerra de Secessão (1861-1865), as con dições de vida da população negra pouco mudaram. Os estados do Sul resistiram à emancipação dos escra vizados, criando restrições legais, os “códigos negros”, que negavam liberdades básicas e introduziram a segregação racial em escolas, biblio tecas, banheiros públicos etc. Nos ônibus, por exemplo, os brancos se sentavam à frente e os negros, atrás. Caso houvesse um branco em pé, um negro deveria ceder seu lugar.
A segregação racial perdurou até meados dos anos 1950, quando movimentos de luta pelos direitos civis dos negros começaram a se organizar, realizando manifestações, marchas e greves que resultaram em algumas mudanças nas leis. O direito ao voto, por exemplo, só foi conquistado em 1965.
Nas décadas seguintes, novas ondas de protesto continuaram a acontecer. Mesmo assim, Os afro-americanos ainda têm menos acesso à educação e à saúde, salários inferiores à média nacional e menor representação política, além de sofrerem mais com a violência policial.
A migração de hispânicos para os Estados Unidos teve início nos anos 1940, com os mexi canos que vinham fazer trabalhos temporários nos estados do Texas, da Califórnia e do Arizona, entre outros. Depois, entre os anos 1960 e 1970, cubanos e porto-riquenhos começaram a se instalar no país, seguidos por imigrantes dos países da América Central nos anos 1980.

Lei anti-imigração

No início do século XXI, as leis e políticas imigratórias nos Estados Unidos tornaram-se mais restritivas, sobretudo em relação a imigrantes de origem muçulmana e latino-americana.
O governo de Donald Trump (2017-2021) autorizou a ampliação do muro ao longo de toda a fronteira com o México. Além disso, assinou o polêmico decreto anti-imigração, que mais tarde se tornou lei anti-imigração, a qual, entre outras medidas, suspendeu a admissão de refugiados por quatro meses e proibiu a entrada de cidadãos do Irã, do Sudão, da Síria, da Líbia, da Somália, do Iêmen e do Iraque.
Joe Biden, o presidente estadunidense que assumiu em 2021, pediu a revo gação dessa lei nesse mesmo ano, mas o pedido foi negado peja Justiça. A lei anti-imigração marcou a política de “tolerância zero” em relação à imigração ilegal. Em 2018, todas as pessoas detidas quando tentavam atravessar a fronteira com o México passaram a ser processadas criminalmente e presas em centros de detenção. Entre 2020 e 2021, mais de 1,5 milhão de pessoas foram detidas na fronteira, e começaram a ser reenviadas para seus países de origem, principalmente da América Central.
Entre esses imigrantes, há muitas crianças e adolescentes que migram com suas famílias ou sozinhas. Como a lei estadunidense proíbe que menores de idade permaneçam acompanhados de pessoas que estão sendo processadas, essas crianças eram levadas para abrigos e separadas de suas famílias. Em 2018, havia mais de 2 mil crianças nessa situação, o que gerou indignação mundial e inúmeros protestos. Atualmente, esses menores são encaminhados para famílias que os acolhem nos Estados Unidos.

Movimentos negros nas mídias sociais

O movimento Black Lives Matter (“Vidas Negras Importam”) surgiu nos Estados Unidos em 2013 para denun ciar a violência policial, o racismo e a discriminação no país.
O slogan e a hashtag #BlackLivesMatter começaram a ser amplamente usados nas redes sociais e nas manifestações que protestavam contra a morte de afro-americanos por poli ciais. Em maio de 2020, a morte de George Floyd (1973-2020), asfixiado por um policial branco, gerou uma onda de protes tos e manifestações nos Estados Unidos e em diversos países.
No Brasil, a violência policial também é um grave pro blema enfrentado pela população negra. Isso fez com que o movimento Black Lives Matter ou Vidas Negras Importam tivesse grande repercussão entre os movimentos ativistas negros brasileiros.

Potência mundial

Assim como os países europeus, os Estados Unidos também se lançaram na corrida imperialista no final do século XIX após terem completado a expansão para o Oeste.
Os principais fatores que contribuíram para o domínio de territórios pelos estadunidenses ao redor do mundo foram:
- o imenso território, rico em recursos naturais que ajudaram a impulsionar a industrialização e o desenvolvimento econômico;
- a saída para os oceanos Atlântico e Pacífico, que favorece o comércio internacional com Europa e Ásia e o posicionamento estratégico de navios militares. A Marinha estadunidense tem a maior e mais bem equipada frota do planeta, com bases para operar em várias regiões do mundo.
Desde o início do século XIX, os Estados Unidos consideram a América Latina uma área de importância vital aos seus interesses políticos, econômicos, militares e estratégicos. Em 1823, estabeleceram uma política denominada Doutrina Monroe (cujo lema era “América para os americanos”), que defendia a independência dos países americanos, considerando possíveis inter venções europeias uma ameaça à segurança regional. Em 1904, a política do Big Stick (Grande Porrete) atribuía às Forças Armadas estadunidenses o direito de invadir os países da América Latina para garantir seus interesses.
Após as duas Grandes Guerras Mundiais, os Estados Unidos tornaram-se o principal financiador da reconstrução dos países europeus arrasados pelos conflitos, determinando seu domínio no mundo capitalista.
Um exemplo da força econômica e financeira estadunidense foi a realiza ção da Conferência de Bretton Woods no ano de 1944, em Washington. Nessa conferência, os países capitalistas definiram um novo sistema para regular a economia e o comércio mundial. Estabeleceu-se como moeda principal o dólar estadunidense e foram criadas duas importantes instituições mundiais: o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
A partir da década de 1960, temendo a expansão do socialismo para os países da América Latina, os Estados Unidos incentivaram a implantação das ditaduras militares na região e ofereceram suporte a elas para assegurar seus interesses políticos e econômicos.
Com o fim da União Soviética no início dos anos 1990, os Estados Unidos assumiram o papel de potência hegemônica planetária. Desde então, o país vem tomando decisões unilaterais em muitas situações, pensando exclusivamente em seus interesses e sem respeitar instituições como a ONU.
Desde o início do século XXI, o governo estadunidense vem se apoiando em uma política de combate ao terrorismo para justificar um grande esquema de inteligência e espionagem internacional, como também ataques militares em países como Iraque, Afeganistão e Síria.

Influência global

Embora tenham passado por crises econômicas e enfrentado a competição de outros países, como a China, os Estados Unidos ainda exercem grande influência econômica, política, militar e cultural no espaço mundial. Apresentam, por exemplo, o maior produto interno bruto (PIB) do mundo, estimado pelo FMI em 23 trilhões de dólares em 2021, pelo menos 14 vezes maior que o PIB do Brasil no mesmo ano (1,6 trilhão de dólares).
A influência política ocorre, muitas vezes, sobre organismos como o FMI, a ONU, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio (OMC). As ações desses organismos têm sido alvo de muitas críticas de outros países, que consideram altos os juros cobrados e apontam a imposição de condições de mercado que beneficiam as empresas estadunidenses.
A expansão dessas empresas pelo mundo aumentou ainda mais o poder econômico do país. Elas foram gradativamente instalando filiais em vários países, passando, em muitos deles, a controlar importantes setores da economia, tornando-os dependentes das políticas econômicas impostas pelos Estados Unidos.
Respaldados pelo enorme poderio militar, os Estados Unidos comandam intervenções armadas em conflitos locais e globais. Foi assim na Guerra do Golfo (1991), na Guerra do Kosovo (1999), na Guerra do Afeganistão (2002) e na Guerra do Iraque (2003). Ocorreu também em diversas intervenções militares antiterroristas e em guerras civis de países como a Somália (2007), a Líbia (2011), o Iraque e a Síria (2014). Em 2022, o país se posicionou contra a invasão da Ucrânia, impondo sanções à Rússia, como o bloqueio de contas bancárias e bens russos em território estadunidense e a suspensão das importações de petróleo russo, entre outras medidas.
Os Estados Unidos investem anualmente bilhões de dólares em armamentos, defesa antiterro rismo, administração de pessoal, informações e desenvolvimento de tecnologias que tornam as Forças Armadas estadunidenses as mais poderosas e mais bem equipadas do planeta, com um efetivo de 1,3 milhão de soldados. Também têm muitas bases militares espalhadas pelo mundo, de onde controlam ou iniciam diversas operações, além dos sistemas de monitoramento por satélite.

Relações internacionais

Liberdade de expressão, direito de ir e vir, direito de escolher os governantes, liberdade de imprensa, entre outros, são princípios democráticos declarados pelos Estados Unidos. A grande potência utilizou, em muitas ocasiões, a defesa da democracia como justificativa para realizar intervenções militares e aplicar sanções políticas e econômicas a diversos países, criando “inimigos” e tornando-se alvo de atentados terroristas.
Durante a Guerra Fria, os maiores opositores à política externa estadunidense eram a União Soviética e seus aliados. No início dos anos 1990, com a dissolução do bloco socialista, as relações com a maioria desses países foram retomadas.
O Oriente Médio também é uma região com a qual os Estados Unidos mantêm relações instáveis. Na década de 1980, o Irã se tornou um grande opositor estadunidense com a fundação da República Islâmica do Irã. Desde então, os dois países passaram por momentos de aproximação e distanciamento. Nos anos 1990, o Iraque do presidente Saddam Hussein (1937-2006) envolveu-se em duas guerras contra os Estados Unidos (Guerra do Golfo, em 1991, e Guerra do Iraque, em 2003). Deposto do poder, Hussein permaneceu escondido por alguns meses, mas foi capturado, julgado e condenado à morte em 2006 por crimes de guerra. O país ficou sob ocupação militar estadunidense até 2011.
O início do século XXI foi marcado pelos atentados de 11 de setembro de 2001, quando terroristas sequestraram aviões de passageiros e os lançaram contra alvos estratégicos – o World Trade Center, em Nova York (símbolo do poder econômico estadunidense), e o Pentágono, em Washington (símbolo do poder militar). Um quarto avião caiu numa área des povoada na Pensilvânia. Ao todo, mais de 3 mil pessoas morreram.
O ataque foi idealizado e organizado pelo grupo Al Qaeda, liderado por Osama bin Laden (1957-2011). Em resposta, o governo de George Bush (2001 2009) iniciou a “Guerra contra o Terror”. Nessa campanha de “caça aos terroristas”, os territó rios do Afeganistão e do Iraque foram ocupados em 2001 e 2003, respectivamente. As tentativas de implementação de governos favoráveis à política estadunidense trouxeram desordem política e social, miséria e ódio das popula ções locais pelos invasores.
Osama bin Laden foi morto em maio de 2011, durante o governo de Barack Obama (2009 2017). Nesse mesmo ano, as tropas estadunidenses se retiraram do Iraque e participaram de uma intervenção militar na Líbia, contra o regime de Muammar al-Gaddafi (1942-2011). Tinha início o conflito na Síria.
A política intervencionista estadunidense favoreceu o surgimento de grupos de resistência armada como o Estado Islâmico, que passou a controlar áreas estratégicas na Síria e no Iraque. Diante desse quadro, Barack Obama reenviou tropas ao Iraque em 2014, ordenou o bombardeio aos territórios ocupados pelo Estado Islâmico e manteve a ocupação do Afeganistão.
Apesar da política intervencionista, o governo Obama conseguiu realizar avanços no diálogo com países considerados adversários dos Estados Unidos, reatando, por exemplo, relações diplo máticas com Cuba e Irã.

De Trump a Biden

Em janeiro de 2017, Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos. Começou seu governo desfazendo acordos e políticas adotados por Barack Obama, demonstrando tendência ao isolamento do ponto de vista das relações internacionais.
Na esfera econômica, Trump retirou os Estados Unidos da Parceria Transpacífico (TPP). Esse acordo tinha o objetivo de expandir a área de influência estadunidense na região do Pacífico e da Ásia, fazendo frente à China.
Trump também elevou as taxas de importação de produtos chineses, complicando as relações com o maior rival econômico. Além disso, questionou os termos do antigo Nafta por considerá-los desvantajosos para a economia estadunidense.
Na política internacional, a retirada do acordo nuclear com o Irã reacendeu as tensões entre os dois países. Também tentou acordos para a redução do programa de armas nucleares da Coreia do Norte, mas havia desconfiança entre as partes.
O reconhecimento de Jerusalém (cidade considerada sagrada por judeus, católicos e muçul manos) como capital de Israel aumentou o desgaste das relações entre os Estados Unidos e os povos muçulmanos.
As políticas migratórias restritivas também foram duramente critica das pela comunidade internacional, assim como a gestão da pandemia de covid-19. Além das políticas que favoreceram o desmantelamento da infraestrutura da saúde pública, o presidente adotou uma postura negacionista, minimizando a gravidade do vírus, propagando informações falsas e desencorajando a população a usar máscaras.
Em novembro de 2020, Joe Biden (1942-) foi eleito presidente dos Estados Unidos. Em janeiro de 2021, apoiadores de Donald Trump invadiram o Capitólio, sede do Congresso Nacional, alegando fraude nas eleições, fato que foi desmentido pelas autoridades estadunidenses.
Biden conquistou mais de 80 milhões de votos e começou o mandato com 56% de aprovação. O presidente foi eleito tendo como principais promessas de campanha controlar a pandemia de covid-19 e reverter algumas políticas adotadas no governo Trump.
No plano internacional, Biden apostou no multilateralismo e na causa climática, além de retomar as negociações com o Irã. Contudo, o governo enfrentou problemas internos, como desemprego, protestos contra a violência policial e uma grave crise migratória na fronteira com o México.
Apesar de ter aprovado um pacote de ajuda para combater a pandemia e incentivar a vacinação, os índices de popularidade do presidente começaram a cair após a retirada das tropas estadunidenses do Afeganistão. Também foi bastante criticado por medidas adotadas para conter a imigração.
Em 2022, o grande desafio internacional do governo Biden foi a Guerra da Ucrânia. Os Estados Unidos condenaram a invasão da Rússia ao país do Leste Europeu e fizeram boicotes contra instituições e pessoas ligadas ao governo russo.




CANADÁ

Território e população

Com 9 984 670 km², o Canadá é o segundo país do mundo em extensão territorial e o maior do continente americano. O território canadense é dividido em dez províncias e três territórios.
Em grande parte do território canadense, há ocorrência dos climas polar e frio, com invernos longos e rigorosos, marcados por baixas temperaturas e queda de neve. As maiores concentrações populacionais estão ao sul e ao longo da fronteira com os Estados Unidos, onde há o predomínio do clima temperado, que apresenta invernos mais curtos e temperaturas mais amenas do que o clima polar.
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), em 2021, o Canadá contava com uma popu lação estimada de 38,1 milhões de habitantes, o que o tornava um país pouco populoso. O imenso território e a pequena população fazem com que a densidade demográfica seja bastante baixa, cerca de 4 hab./km². Dessa forma, além de pouco populoso, o país também é pouco povoado.
O Canadá tem dois idiomas oficiais: o inglês, falado pela maioria da população, e o francês, falado principalmente na província de Quebec.
Existem grupos que reivindicam a independência de Quebec, que abriga a maioria dos descendentes de franceses e tem a língua francesa como único idioma oficial. Contudo, tanto em 1980 quanto em 1995, quando foram realizados plebiscitos sobre a independência da província, a separação foi rejeitada pela maioria da população.
Depois dos plebiscitos, o movimento separatista de Quebec perdeu força, pois a província passou a ter maior autonomia política e econômica em relação ao Estado canadense, e foram eleitos governantes contrários à separação e à criação de um país independente.
Outra questão territorial importante envolve os inuítes (povo originário do Canadá), que por muito tempo foram chamados de esquimós, mas eles não aceitam essa denominação, que é pejorativa. Inuíte é o nome pelo qual eles se identificam e significa “povo”.
Os inuítes reivindicam a posse de terras localizadas no extremo norte do país, ricas em recursos minerais, como prata, cobre, chumbo e zinco, que são concedidas a grandes mineradoras para exploração. Em 1999, na tentativa de minimizar o conflito, o governo canadense transferiu aos inuítes parte dos territórios do Noroeste, constituindo o território de Nunavut, que passou a ser administrado pelos nativos.

Aspectos socioeconômicos

Considerando dados do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) divulgado em 2020, o Canadá ocupava a 16a posição no ranking mundial, com índice de 0,929. A mortalidade infantil é baixa, praticamente não há analfabetos entre a população adulta, e a expectativa de vida é alta.
No país, 18,6% da população tem mais de 65 anos. A grande quantidade de idosos na população canadense está associada à elevada expectativa de vida e às baixas taxas de natalidade. Como acontece em outros países de elevado desenvolvimento humano, o envelhecimento da população tem trazido alguns desafios ao governo canadense, como tentar resolver o problema de escassez de mão de obra e lidar com o aumento significativo do número de aposentados.
Para garantir os investimentos nas áreas de previdência social e saúde, necessários à popula ção idosa, o governo canadense, entre outras medidas, aumentou impostos ao longo do tempo.
Com o objetivo de suprir a escassez de mão de obra, o governo canadense criou programas variados de imigração para empreendedores, refugiados e trabalhadores específicos, como cuida dores de crianças, idosos e pessoas com necessidades médicas. A análise do candidato considera nível de escolaridade, domínio das línguas oficiais, experiências de trabalho, situação política e social no país de origem, capacidade de empreendedorismo, entre outros aspectos.
Além das políticas sociais, a qualidade de vida da população canadense também é reflexo da economia do país.
Com condições climáticas rigorosas em grande parte do território, apenas 7% das terras do Canadá são ocupadas pela agropecuária. Apesar disso, o país é um dos maiores produtores agrícolas do mundo em decorrência do elevado grau de mecanização e das tecnologias utilizadas no espaço rural. Uma das consequências da modernização do campo é o emprego de pouca mão de obra no setor agropecuário.
Uma grande quantidade de madeira é extraída das extensas áreas de Taiga. Além de ser exportada, é utilizada para a produção de celulose (matéria-prima usada na fabricação do papel) e papel-jornal, atividade em que o Canadá se destaca como um dos maiores produtores mundiais.
Os recursos minerais são extraídos especialmente no Planalto Canadense e nas Montanhas Rochosas. Essas formas de relevo são constituídas por rochas favoráveis à ocorrência de minerais, como ferro, cobre, níquel, chumbo e prata.
Os recursos energéticos são explorados principalmente nas Planícies Centrais, onde há impor tantes jazidas de combustíveis fósseis: petróleo, gás natural, carvão mineral e xisto betuminoso.
Grande parte da energia elétrica produzida é gerada por hidrelétricas, favorecidas pelo relevo planáltico do oeste e pelos rios volumosos com quedas-d’água. O Canadá é um dos maiores produtores de energia hidrelétrica do mundo.
As indústrias concentram-se principalmente nas regiões dos Grandes Lagos e do Vale do Rio São Lourenço, com destaque para madeireiras, papel e celulose, siderúrgicas, automobilísticas, petroquímicas, aeroespacial, telecomunicações e química.

Relações internacionais

Conforme estudado, a população canadense apresenta excelentes indicadores socioeco nômicos, que são reflexo das políticas sociais e da forte economia caracterizada pela agricultura e pecuária modernas, exploração dos recursos naturais e industrialização baseada em grandes empresas. Além disso, o país possui importantes reservas de recursos minerais e energéticos e uma densa rede de transportes.
No cenário internacional, o Canadá é considerado um adepto do multilateralismo, ou seja, um Estado que valoriza a cooperação, o diálogo e a diplomacia em relação a temas de grande repercussão mundial, como meio ambiente, direitos humanos, mobilidade, entre outros.
O conceito de multilateralismo surgiu após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) no mundo capitalista. Para os críticos dessa política internacional, ser multi lateralista pode significar, em muitas situações, ser defensor dos interesses políticos e econômicos dos Estados Unidos.
Durante o conflito entre Rússia e Ucrânia em 2022, o Canadá assumiu importante papel na assistência humanitária aos refugiados ucranianos. Além do envio de militares e armas para a região, com o objetivo de auxiliar a evacuação de civis, foi criado um plano especial de imi gração, que permite aos ucranianos viver e trabalhar no Canadá por um período de três anos, sem os requisitos e documentos normalmente exigidos para a entrada de imigrantes no país e obtenção de um visto canadense. Além disso, também são isentos dos custos desse processo. Estima-se que mais de 12 mil ucranianos migraram para o Canadá nessas condições.
Outra característica da política externa canadense é a estreita relação com os Estados Unidos. Atualmente, os dois países possuem a maior parceria comercial do mundo: o Canadá é o principal destino das exportações estadunidenses e tem o país vizinho como principal comprador de seus produtos. As relações são muito abrangentes e vão além do comércio internacional, envolvendo diferentes setores da sociedade: esportes, cultura, migrações, investimentos, transportes, defesa e segurança.
Em 1994, a criação do Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta) ampliou ainda mais a integração entre os dois países. O tratado previa a eliminação gradual das barrei ras ao comércio, permitindo a livre circulação de mercadorias. Em 2017, durante o governo de Donald Trump, os Estados Unidos pediram revisão dos termos do acordo por conside rá-lo desvantajoso para sua economia. Em 2018, após ampla negociação, o Nafta foi substituído pelo Acordo Estados Unidos- -México-Canadá (USMCA).

domingo, 22 de fevereiro de 2026

O IMPERIALISMO ESTADUNIDENSE APÓS A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

A projeção dos Estados Unidos foi crescendo ao longo do século XX conforme o país exercia sua força política, econômica e militar. Seu governo desenvolveu uma poderosa Marinha de guerra, com a instalação de bases estrategicamente posicionadas em todos os oceanos.
Na América Central, por exemplo, os Estados Unidos começaram a aumentar seu domínio por meio de intervenções militares. O expansionismo estadunidense nessa parte do continente americano é resultado de uma política de domínio e controle para evitar a influência econômica e política de outras forças mundiais, principalmente da Europa.
O poder político e econômico dos Estados Unidos concretizou-se após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando o país conquistou mercados que antes pertenciam às potências europeias. A própria entrada do país no conflito, em apoio aos Aliados (Reino Unido, França e União Soviética) e contra os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), tinha um motivo estratégico.
Os Estados Unidos estavam em situação mais favorável do que os Aliados, pois entraram no combate apenas em 1941. Assim, sofreram menos perdas de soldados do que outros países envolvidos no conflito e, principalmente, seu território não foi afetado pelo conflito, já que os combates mais importantes e violentos ocorreram na Europa. Dessa forma, o país conseguiu aumentar sua produtividade industrial e acumulou capital durante esse período.
Com o encerramento da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos se colocaram definitivamente como representantes da hegemonia global. A fundação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em 1949, foi primordial para consolidar a presença das forças militares nas fronteiras europeias, como forma de diminuir a influência da União Soviética (URSS). Naquele momento, qualquer ação soviética era entendida como um risco à estabilidade dos Estados ou ameaça à democracia, e a Otan deveria manter a estabilidade na Europa, discurso fortalecido no contexto da Guerra das Coreias (1950-1953).
Após o fim da Segunda Guerra, os interesses estadunidenses continuaram operando na bipolaridade geopolítica que se consolidou por meio da Guerra Fria (1945-1989), com a URSS, e disputando territórios na América, na Europa, na Ásia e na África.
Na América Latina, os Estados Unidos ampliaram sua influência nesse período, apoiando golpes militares na região, vistos como uma forma de afastar possíveis influências da União Soviética no continente.
A influência dos Estados Unidos no Vietnã teve início em 1954, com a Convenção de Genebra e a divisão do território da Indochina em Vietnã do Norte, governado por Ho Chi Minh, e a República Democrática do Vietnã, sob influência estadunidense. A unificação dos dois territórios aconteceria com eleições nacionais, em 1956; no entanto, com a popularidade do governo aliado à ex-União Soviética, o pleito foi cancelado, contradizendo os ideais democráticos do país e apoiado pelo governo dos Estados Unidos. Em 1957, os conflitos envolvendo os territórios vietnamitas foram iniciados.
Uma parcela da população sul-vietnamita, contra o domínio estadunidense e a favor do governo de Ho Chi Minh, criou a Frente Nacional para a Libertação (FNL), como tentativa de combater o governo local. Com o intuito de parar a expansão do grupo e das tropas comunistas, o governo dos Estados Unidos instalou, em 1964, forças militares e tomou o poder da República Democrática do Vietnã, após alegar um ataque do Vietnã do Norte a um submarino estadunidense. O ataque nunca existiu e os dados foram divulgados após a tomada do território pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos.
Em 1969, as tropas estadunidenses e aliados do país invadem o território da Camboja, com o principal objetivo de destruir as forças comunistas do sul do Vietnã. O conflito envolvendo Vietnã e Estados Unidos acaba em 1975, quando exércitos do Vietnã do Norte, aliados à ex-União Soviética e aos grupos da Frente Nacional para a Libertação do Vietnã (FNL), invadem a capital Saigon, tomando o poder. Em 1973, os países assinam, em Paris, o acordo que encerra definitivamente a ação do imperialismo estadunidense na Indochina.
Assim, a estratégia geopolítica norte-americana no pós-guerra foi realizada em duas grandes frentes: a exportação de bens de consumo via controle tecnológico e industrial e a conversão dos ganhos econômicos em poderio militar, que poderiam ser utilizados, por exemplo, na instalação de bases militares terrestres e navais no planeta, inclusive na América e na África.
O imperialismo estadunidense e a tentativa de influência em diferentes territórios contribui para o aumento das tensões entre as fronteiras. A guerra do Vietnã (1955 a 1975) e da Ucrânia (iniciada em 2022) são exemplos das consequências do expansionismo do imperialismo esta dunidense, que resulta na quebra de acordos de paz internacional, além de inúmeros outros prejuízos para os países que estão envolvidos. Embora a URSS tenha caído em 1989, os embates da bipolaridade entre Rússia e EUA são resultados desse imperialismo e da bipolaridade mundial.
O imperialismo estadunidense se estabelece com o final da Guerra Fria e final da União Soviética, em 1989. Antes da queda do Muro de Berlim a tentativa do governo estadunidense era expandir sua influência política em diversos territórios, principalmente na Europa Ocidental. Ainda hoje as tensões geopolíticas causadas pelos diferentes acordos e interferências políticas podem ser observadas, como é o caso dos conflitos com o Afeganistão de 1979 a 2021 e os atuais envolvendo Rússia e Ucrânia, iniciado em 2022.
Embora a nação estadunidense seja mundialmente conhecida por seu ideal de democracia e liberdade, o país revela que a sua atuação e interferência em outros territórios são arbitrárias e, muitas vezes, antidemocráticas, como aconteceu na Guerra do Vietnã.

A conquista da liderança mundial


Ao final da Segunda Guerra Mundial (1945), a Europa estava arrasada e a Grã-Bretanha via seu império desmoronar pouco a pouco. Foi nesse contexto que os Estados Unidos conquistaram a liderança mundial, unindo poder econômico e poder militar. A partir de então, o mundo passou a ser regido pelos interesses estadunidenses. 
O modelo de desenvolvimento estadunidense, porém, não pode ser considerado um exemplo a ser seguido pelos demais países, tendo em vista os meios pelos quais os Estados Unidos alcançaram o domínio econômico, político e militar internacional e a maneira como direcionam suas ações, como a sua política externa, responsável pela promoção de invasões e guerras, e os elevados níveis de consumo de sua socie dade, que contribuem para gerar uma grande quantidade de lixo e poluentes.
Atualmente, diversos fatores garantem o dinamismo da economia estadunidense: o grande mercado de consumo; a disponibilidade de recursos minerais; o elevado grau de avanço tecnológico (aeroespacial, informática e telecomunicações); a boa infraestrutura de transportes; a grande quantidade de empresas transnacionais; a forte influência cultural exercida sobre a população dos demais países, especialmente os jovens; os investimentos do governo em pesquisa (nos Estados Unidos, o Estado financia 50% das pesquisas nos setores de alta tecnologia); e a grande capacidade de produção agrícola.
É difícil avaliar se a China romperá a hegemonia estadunidense e alcançará um poderio político e militar superior ao dos Estados Unidos. Em projeções de longo prazo, muitos analistas afirmam que, para isso, o governo chinês teria de solucionar questões internas de minorias étnico-religiosas. Outra questão é sa ber qual seria a reação dos vizinhos poderosos — Japão, Coreia do Sul e Índia —, aliados dos Estados Unidos.
De qualquer forma, a China foi aos poucos con quistando mercados consumidores para seus produtos (inclusive de alta tecnologia) em todo o mundo, particularmente na África e na América Latina. Além disso, o país tem papel protagonista no conjunto dos Brics.
No sudeste da Ásia, a China estrutura cadeias globais de produção, com investimentos em unida des fabris em países dessa região, que também se tornam exportadores de mercadorias industriais, além de fornecerem componentes para as indústrias chinesas. Os chineses também se beneficiam dos excedentes de capitais gerados no Japão e na Coreia do Sul e investidos em seu território.

Relações entre Estados Unidos e China

Os Estados Unidos e a China estabeleceram relações diplomáticas e comerciais em 1979, quando a China se afastou da ex-União Soviética, em pleno período da Guerra Fria.
Atualmente, a parceria entre os dois países com os maiores PIBs do mundo é uma das mais importantes e envolve interesses econômicos, científicos, culturais e de segurança. Existe uma dependência mútua: os Estados Unidos dependem da mão de obra barata e do gigantesco mercado consumidor chinês; a China depende dos investimentos e da importação dos produtos chineses pelos Estados Unidos.
Nos últimos anos, porém, os investimentos dos Estados Unidos na China têm superado os lucros e, recentemente, após ter sido negado pelo governo chinês um pedido para que importassem mais produtos estadunidenses, o governo dos Estados Unidos lançou medidas para restringir o comércio com a China. Em 2018, o presidente estadunidense Donald Trump colocou em prática sua política do “America First” (primeiro a América) e impôs tarifas de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio vindo da China. Tal medida visava diminuir a importação de produtos chineses para fortalecer a indústria estadunidense.
Disputas comerciais são frequentes no mundo globalizado e quem define as regras do comércio internacional e propõe soluções para os conflitos é a Organização Mundial do Comércio (OMC). Contudo, Trump não recorreu à OMC para se queixar do que considera um comércio injusto com a China. A China, por sua vez, é membro da OMC desde 2001 e recorreu à organização contra as medidas estadunidenses.
A “guerra comercial” é a criação de impostos para barrar a entrada de produtos estrangeiros dentro do país. Atualmente, os Estados Unidos e a China são as grandes potências econômicas, que estabelecem taxações nos produtos um do outro, para garantir internamente o consumo de produtos nacionais. Nas últimas décadas, foram frequentes as tentativas do governo estadunidense de criar políticas de sobretaxação das mercadorias do país asiático. Atualmente, os Estados Unidos importam maquinários e bens elétricos e eletrônicos da China e exportam carros e soja ao país.

Estados Unidos: realidade socioeconômica

Mesmo com programas de revitalização urbana promovidos pelo governo e pela iniciativa privada, as grandes cidades dos Estados Unidos têm apresentado problemas cada vez mais graves, relacionados à condição socioeconômica da população.
Algumas medidas tomadas pelo governo, como a excessiva elevação de impostos e o corte de verbas destinadas à realização de obras sociais (habitação, saúde e educação), causaram o empobrecimento de alguns segmentos da população nas últimas décadas.
Atualmente, o número de pobres corresponde a 12,3% do total da população (cerca de 40 milhões de habitantes). Esses indivíduos sofrem com a falta de moradia e acabam residindo nas áreas mais deterioradas das cidades, bairros onde proliferam a violência, a criminalidade e o tráfico de drogas.
Esses problemas atingem, principalmente, a população afrodescendente e imigrante, bastante discriminada na sociedade estadunidense. Atualmente, a discriminação racial é proibida por lei em todo o país, mas nem por isso tem sido possível erradicá-la. Os afrodescendentes, por exemplo, são marginalizados, e muitos dos crimes cometidos no país estão relacionados à prática de racismo.

Crescimento populacional reduzido


Embora os Estados Unidos tenham a terceira maior população do planeta, desde o final dos anos 1960, a média de crescimento populacional se situa na faixa de 1% ao ano, aproximadamente. O maior crescimento vegetativo nos Esta dos Unidos se verifica entre afrodescendentes, asiáticos e hispânicos, que são os imigrantes latino-americanos de língua espanhola que vivem no país. Entre os brancos, as taxas estão próximas de zero.
Em virtude do elevado padrão de vida de boa parte da população, a expectati va de vida é alta: 78,6 anos, segundo dados de 2017. As taxas de crescimento po pulacional e a elevada expectativa de vida vêm acarretando uma transformação gradual na estrutura etária da população estadunidense, com aumento na pro porção de idosos. Conforme projeção do governo dos Estados Unidos, em 2030 haverá mais idosos do que crianças no país.

A pobreza e o racismo


O número de pessoas pobres nos Estados Unidos corresponde a 13% da população total. São consideradas pobres as famílias de quatro pessoas com renda anual igual ou inferior a 22,31 mil dólares. A pobreza é maior entre os hispânicos e afrodescendentes, dos quais cerca de 27% vivem abaixo do limite de pobreza. Essa situação se reflete na expectativa de vida da população negra, que é de 71 anos, enquanto a da população branca é de aproximadamente 78 anos. No caso das crianças negras, a taxa de pobreza é bem mais elevada — chega a 39%, três vezes maior do que a registrada entre as crianças brancas, que corresponde a cerca de 12%.
Outro grave problema da sociedade estadunidense é o racismo, que atinge os imigrantes hispânicos e asiáticos e, principalmente, os afrodescendentes. Segundo o FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, em cada dez crimes, três são motivados por racismo contra esses grupos.
O racismo nos Estados Unidos tem raízes históricas. Nos estados do sul, onde a economia colonial se baseava na monocultura do algodão, houve intensa utilização da mão de obra de africanos escravizados. Nesses estados, o racismo emergiu de forma mais ostensiva.
Em três estados do sul — Alabama, Mississípi e Carolina do Sul —, até o início dos anos 1960, havia discriminação racial em locais públicos e até mesmo na área da educação, com escolas separadas para afrodescendentes e para brancos. Embora seja considerada crime nos Estados Unidos desde 1964, a discrimi nação racial persiste.
A eleição de Barack Obama, primeiro presidente afrodescendente dos Estados Unidos, representou um marco na sociedade estadunidense, ao mesmo tempo que reflete resultados positivos das lutas empreendidas pela população afrodescendente por melhores condições de vida e uma participação mais ativa na sociedade.

América Anglo-Saxônica: ambiente e recursos naturais

Ambiente e desenvolvimento econômico


Em qualquer área de nosso planeta, as características ambientais determinam os recursos naturais de uma área, que podem ser explorados ou não, de acordo com as necessidades e condições técnicas de um grupo em certa época. Os Estados Unidos e o Canadá detêm importantes jazidas minerais e recursos hídricos que são intensamente explorados. O aproveitamento des ses recursos, voltado ao desenvolvimento econômico e à satisfação das necessidades da população, acaba gerando pressões ambien tais, que retornam para seus habitantes por meio de crises hídricas e poluição da água, do ar e do solo.
A América Anglo-Saxônica tem recursos minerais em abundância, como ouro, cobre, chumbo, zinco, minerais de terras raras (usados na informática) e minério de ferro, encontrados principalmente nas áreas montanhosas e nos planaltos desgastados da Costa Leste.
Nas áreas da Planície Central estão as maiores jazidas de petróleo e gás natural; já o carvão está mais igualmente distribuído pelo território. Os Estados Unidos são o terceiro maior produtor de carvão mineral do mundo, ao lado da China e da Índia. Questões que envolvem gestão, exploração e industrialização de minerais são fundamentais para esses países, que consomem grandes quantidades des ses recursos e dependem deles para abastecer suas atividades econômicas.
No entanto, a extração excessiva de recursos naturais provoca uma série de impactos ambientais, como danos irreversíveis ao solo e ao relevo pela atividade mineradora. Além disso, o uso de máquinas para extração, transporte e trans formação desses recursos emite gases que provocam o efeito estufa. Nas últimas décadas, a comunidade internacional tem aumentado a pressão para que as maiores economias do mundo, como Estados Unidos e Canadá, diminuam o consumo de combustíveis fósseis. Assim, em 2016, o governo canadense anunciou que até 2030 o país não deve mais utilizar carvão mineral para a produção de eletricidade.
O governo dos Estados Unidos, na primeira gestão de Donald Trump, recusou-se a assumir qualquer compromisso nesse sentido. Contudo, as propostas de seu sucessor, Joe Biden, mostraram intenções importantes para a implantação de uma pauta favorável ao meio ambiente. Com o retorno de Donald Trunp na sua segunda gestão houve um retrocesso, e portanto, suscitando uma nova pespectiva do governo em relação ao meio ambiente.

Modelo de desenvolvimento insustentável


O grande desenvolvimento econômico, científico e tecnológico alcançado pelos Estados Unidos deu ao país uma posição bastante privilegiada. Entretanto, será que esse modelo de desenvolvimento pode ser considerado ideal? Essa questão merece algumas reflexões. Em primeiro lugar, como observamos nas imagens acima, o modelo adotado é, muitas vezes, incompatível com a preservação ambiental.
A fim de abastecer seu parque industrial, o país se tornou um dos maiores poluidores e devastadores de recursos naturais do planeta. Para entender melhor o que isso significa, muitos especialistas asseguram que a existência de mais uma sociedade de con sumo como a estadunidense seria praticamente insustentável para o planeta. Isso porque, segundo cálculos, se a maior parte dos países consumisse recursos naturais como os Estados Unidos, seriam necessários cinco vezes mais recur sos do que o planeta dispõe atualmente.
Outro aspecto importante refere-se às questões sociais, porque, embora vários indicadores mostrem que sua população usufrui de excelente qualidade de vida, parte de seus habitantes convive com sérios problemas socioeconômicos, relacionados, especialmente, à marginalização de determinados segmentos e à discriminação racial. Portanto, o modelo de desenvolvimento estadunidense é questionável, pois estimula o aumento constante do consumo, mesmo que isso resulte em degradação ambiental e em desigualdade social.

Os recursos minerais e a energia


Na produção de carvão destacam--se os montes Apalaches — com suas minas a céu aberto, cuja produção é obti da a custos reduzidos — e as montanhas Rochosas. O carvão estadunidense des tina-se sobretudo à produção de energia, por meio das usinas termelétricas. Com o expressivo crescimento da produção de óleo (petróleo leve) e gás de xisto, chamados de não convencionais, os Estados Unidos sus penderam uma lei de 1975 que proibia a exportação de petróleo cru e passaram a exportar petróleo leve. A maioria das refinarias do país não está adaptada para o processamento do óleo de xisto.
No entanto, é preciso considerar os problemas ambientais decorrentes da extração desses recursos, uma vez que o processo empregado (fracionamento hidráulico) ocasiona a degradação dos lençóis freáticos e das águas subterrâneas. Por isso, apesar de possuírem grandes reservas de petróleo, os Estados Unidos são obrigados a importá-lo, também em razão do elevado consumo de energia e da política de preservação das reservas internas. 
As principais áreas produtoras de petróleo situam-se ao longo do litoral do Golfo do México, no Texas e na Louisiana. Seus principais fornecedores no exterior são o Canadá, a Arábia Saudita, a Venezuela e o México. 
O Alasca também abriga importantes jazidas petrolíferas. A produção local é transportada à outra porção territorial dos Estados Unidos através de um extenso oleoduto que atravessa todo o oeste canadense.
Com a posse das maiores reservas de urânio do mundo, os Estados Unidos lideram a produção de energia nuclear, que supera inclusive o potencial das usinas hidrelétricas. A maior parte da energia gerada no país, porém, é proveniente das usinas termelétricas.

Estados Unidos: política externa

Cada país estabelece formas de se relacionar com os demais, definindo sua política externa, o que significa es tabelecer acordos comerciais ou econômicos; planejar estratégias para obter apoio de outros Estados-nação na votação de resolu ções por organismos internacionais, como a OMC ou a própria ONU; determinar a concessão de empréstimos ou prestação de auxílio em caso de guerra, etc. Vale ressaltar que os países nor malmente mantêm alianças ou pactos de auxílio mútuo em caso de conflito militar.
Os países mais poderosos econômica ou militarmente procu ram intervir com suas forças armadas quando seus interesses eco nômicos se encontram ameaçados. Foi isso que os Estados Unidos fizeram em 1991, após o Iraque ter invadido o Kuwait — país rico em reservas petrolíferas e tradicional aliado do governo estadunidense.

O unilateralismo


Desde o fim da Guerra Fria, a política externa estadunidense, particularmente nos dois mandatos de Bill Clinton, passou a ser pautada pelo que alguns cientistas políticos chegaram a denominar “intervencionismo humanitário”. Ou seja, o desejo de proteger os in teresses dos Estados Unidos combinado com uma preocupação em solucionar problemas político-sociais e mesmo ambientais. Esses princípios estão demonstrados nas participações do governo esta dunidense nos acordos de paz assinados entre israelenses e pales tinos, em 1993, e na elaboração do Protocolo de Kyoto, em 1997.
Com a chegada de George W. Bush ao poder, em janeiro de 2001, o chamado unilateralismo tornou-se a marca da política externa estadunidense. De acordo com essa concepção, os Estados Unidos passaram a atuar na condução dos te mas de interesse de todos os países quase exclusivamente na medida de seus próprios interesses.
Foi seguindo essa orientação que o governo estadunidense tomou uma sé rie de medidas: deixou de intermediar ativamente o conflito entre israelenses e palestinos — intensificando a insatisfação de vários grupos islâmicos con trários à influência político-militar dos Estados Unidos no Oriente Médio; recusou-se a ratificar o Protocolo de Kyoto, por não concordar com as metas para a redução na emissão de gases do efeito estufa (CO2 , principalmente); retirou-se da reunião contra a discriminação e o racismo realizada na África do Sul no início de setembro de 2001; não assinou os termos para a criação de um Tribunal Penal Internacional.

A Doutrina Bush


A intervenção militar no Iraque é consequência imediata de uma doutrina que justificava a ação dos Estados Unidos contra determinado país. Tratava-se da Doutrina Bush, numa referência ao presidente George W. Bush. Depois de compro vado que o Iraque não tinha armas de destruição em massa (químicas ou nuclea res) — argumento usado para a invasão do território iraquiano —, ficou claro que o objetivo da intervenção no país era a destituição de seu governante — Saddam Hussein, morto em 2006 —, que contrariava os interesses estadunidenses. Essa ação foi tomada sem a aprovação da ONU. De acordo com a Doutrina Bush, o governo estadunidense tinha, por exem plo, o direito de se defender de modo preventivo e antecipado, empreendendo invasões e ataques a países que, do seu ponto de vista, constituíssem ameaça à sua segurança.
Com o 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos empreenderam a “guerra contra o terror”, que provocou mudanças tanto internas quanto em sua relação com os outros países. Nesse contexto, além da ofensiva no Afeganistão, outras medidas foram tomadas: a identificação das nações que, segundo a visão estadunidense, dariam apoio ao terrorismo internacional (Coreia do Norte, Irã e Iraque); a inva são e a ocupação do Iraque, em março de 2003; a aprovação de leis de restrição aos direitos civis, como a permissão para grampear telefones e prender estrangeiros suspeitos. Os países que, segundo os Es tados Unidos, apoiavam o terrorismo receberam a denominação, em seu conjunto, de “eixo do mal”.

O governo Obama


Em janeiro de 2009, com a posse de Barack Obama, do Partido Democrata, era esperada uma série de mudanças socioeconômicas internas e na política ex terna dos Estados Unidos. Internamente, os principais desafios do governo Oba ma foram minimizar os efeitos da grave crise econômica de 2008, implementar medidas para retomar o crescimento econômico e reduzir o desemprego no país.
No decorrer do primeiro e do segundo mandatos de Obama, houve uma lenta retomada dos investimentos e crescimento da atividade produtiva, graças, em boa parte, à ajuda do Estado, que, apoiado em um plano de reestruturação e fortaleci mento econômico, injetou quase um trilhão de dólares na economia estadunidense.
Externamente, Obama abandonou a Doutrina Bush, mudando a orientação da política externa estadunidense, sobretudo no que diz respeito ao encaminhamen to das questões ambientais e dos conflitos internacionais. No que se refere às questões ambientais globais, porém, a única decisão mais expressiva do gover no Obama foi o compromisso de reduzir a emissão dos gases do efeito estufa, a partir de 2025, entre 26% e 28% em relação aos níveis de 2005. Essa decisão foi tomada em 2014, em um acordo firmado com a China, que também se compro meteu a garantir a redução desses gases no país. Atualmente, a China é a maior emissora de gases estufa no mundo e os Estados Unidos são o segundo.
Nas questões relativas aos conflitos externos, foram tomadas algumas deci sões importantes, como o plano para a retirada das tropas militares estaduniden ses do Iraque, concluído no final de 2011, e a aproximação dos Estados Unidos com a Rússia, a China e a União Europeia. No primeiro semestre de 2015, estava em curso uma reaproximação com o Irã, país com o qual os Estados Unidos não mantêm relações diplomáticas há mais de 30 anos.
Apesar dessas medidas, o governo Obama participou da ofensiva na Líbia, no âmbito da estrutura militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), para a deposição do ditador Muamar Kadaffi, morto em 2011. Além disso, no início de 2015, a prisão militar na base estadunidense de Guantánamo, em Cuba, que abriga acusados de terrorismo, continuava ativa, apesar de Obama ter manifestado o interesse em fechá-la.
No final de 2015, Barack Obama e o presi dente cubano Raúl Castro retomaram conversações para o restabelecimento dos laços di plomáticos entre Cuba e Estados Unidos, num acontecimento histórico. A partir daí, teve início uma reaproximação entre os dois países, abalada, porém, após a eleição de Donald Trump, que em 2017 anunciou o cancelamento do acordo fechado com Cuba pelo ex-presidente estadunidense.

O governo Trump


O empresário e republicano Donald Trump foi eleito por meio de uma campa nha apoiada em promessas de aumento de emprego, manutenção das indústrias locais e defesa da supremacia estadunidense. Sua eleição à presidência dos Es tados Unidos significou um retorno ao unilateralismo, também marcado por uma tendência protecionista e uma aversão a imigrantes.
No mesmo ano em que assumiu o poder, em 2017, Trump retirou os Estados Unidos de diversos acordos e órgãos multilaterais: do pacto da ONU sobre migra ção e refugiados, da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e do Acordo de Paris, que estabelece metas de redução das emissões de gases estufa, além de anunciar a revisão do acordo dos Estados Uni dos com Cuba.
Também nesse ano, alegando que os Estados Unidos querem apenas estabele cer acordos comerciais bilaterais, abandonou a Parceria Transpacífico, que objetiva estabelecer redução nas tarifas de importação entre diversos países da Ásia, Oce ania e América banhados pelo oceano Pacífico. No entanto, temendo um fortaleci mento da China (integrante do acordo) na Ásia, em meados de 2018, os Estados Unidos estavam reconsiderando a possibilidade de retorno ao bloco econômico.
Em 2018, Trump prosseguiu com sua política de ações unilaterais, abandonan do o acordo feito com o Irã (do qual também fazem parte outras cinco potências mundiais). Esse acordo tinha como objetivo limitar o programa nuclear do Irã, com a contrapartida de suspensão das sanções estadunidenses contra os iranianos.
Nesse mesmo ano, para proteger setores industriais locais, Trump aumentou as tarifas de importação de aço e alumínio, o que afetou diversos países, inclu sive a China, com quem esperava reduzir o deficit comercial em 200 bilhões de dólares. Os Estados Unidos vinham apresentando elevados déficits comerciais com a China (em 2017, atingiram aproximadamente 335 bilhões de dólares). Essa medida gerou uma tensão comercial entre os dois países.
Outra bandeira de Trump foi a limitação da entrada de imigrantes no país. Para isso, alterou leis que favoreciam os imigrantes, como a que beneficiava os filhos de imigrantes nascidos nos Estados Unidos.

ESTADOS UNIDOS

Organização territorial e política Com uma área territorial de 9 833 517 km², os Estados Unidos da América (EUA) são o segundo maior país do...