quarta-feira, 5 de agosto de 2026

MÉTODOS CONTRACEPTIVOS E DE PREVENÇÃO

Como vimos, a reprodução humana envolve, além da capacidade de gerar descendentes, diversos outros fatores, como a sexualidade, a afetividade, o prazer, os sentimentos e as emoções. Uma vida sexualmente ativa requer cuidados e responsabilidades, que devem ser compartilhados pelos parceiros, já que as relações sexuais podem acarretar uma gravidez ou infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Os métodos contraceptivos e de prevenção ajudam as pessoas a evitar uma gravidez não planejada ou indesejada e o contágio de muitas doenças. Eles cooperam para o planejamento familiar, permitindo que casais possam escolher a época mais oportuna para aumentar a família, oferecendo aos filhos melhores condições de educação, saúde e moradia, por exemplo, além de afeto e cuidado.
Cada um dos métodos contraceptivos e de prevenção apresenta vantagens e desvantagens. Por isso, é recomendável que as pessoas consultem um médico para ter mais informações e escolher, de forma consciente, o mais adequado para seu estilo de vida.

Métodos contraceptivos 


Os métodos contraceptivos são aqueles que têm como função evitar uma gravidez indesejada. Apenas alguns deles também têm como função oferecer proteção contra infecções que podem ser transmitidas pelo contato sexual. Vamos estudar alguns exemplos.

Preservativos masculino e feminino 


Há dois tipos de preservativos, os masculinos e os femininos, em geral feitos de látex e contendo substâncias lubrificantes.
O preservativo, popularmente chamado camisinha, é um método de barreira, ou seja, ele impede o contato com as secreções sexuais e, consequentemente, o encontro dos espermatozoides com o ovócito. A camisinha, masculina ou feminina, deve ser colocada antes da relação sexual. Elas são descartáveis e não podem ser reutilizadas.
O preservativo masculino deve ser desenrolado no pênis ereto, na hora do ato sexual, evolvendo completamente o órgão. A ponta deve ser apertada, para que o ar seja retirado, caso contrário o preservativo pode se romper. O preservativo feminino pode ser colocado pouco antes do ato sexual e deve ser introduzido na vagina, com o anel menor para dentro e o maior para fora, cobrindo o pudendo.
O preservativo masculino recobre o pênis e retém o esperma dentro de um espaço na extremidade da camisinha, impedindo que chegue à vagina. O preservativo feminino é introduzido na vagina, envolvendo o canal vaginal e protegendo a entrada do útero, retendo o esperma do parceiro.  
Esse é o único método contraceptivo que oferece dupla proteção, contra gravidez indesejada e contra transmissão de agentes causa dores de infecções sexualmente transmissíveis entre parceiros.
As vantagens de se usar preservativos são: eles não têm efeitos colaterais, ou seja, não fazem mal à saúde; podem ser adquiridos sem receita médica; funcionam como método contraceptivo, já que impedem o encontro dos gametas e o contato com secreções sexuais, sendo eficientes na prevenção de muitas ISTs, como a aids; e, por fim, nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), sua distribuição é gratuita. 
Uma desvantagem do seu uso é que, se não usados corretamente, podem se romper. Nunca se deve usar dois preservativos ao mesmo tempo, mesmo que seja um feminino e outro masculino, pois a fricção entre os dois preservativos pode aumentar a chance de rompimento do material.
Quando colocados corretamente, seus índices de falha contra a gravidez são de 2% a 13%, para os preservativos masculinos, e de 5% a 21%, para os preservativos femininos.

Diafragma 


O diafragma é uma estrutura de borracha com borda flexível que deve ser introduzida diretamente na vagina e encaixada perfeitamente no colo do útero. Ele deve ser colocado antes da relação sexual e é recomendado que seja usado com um gel espermicida (substâncias que matam os espermatozoides) para aumentar sua eficiência. Ele é um método de barreira, isto é, impede o encontro dos espermatozoides com o ovócito por meio de uma barreira física. 
Pode ser utilizado com um gel espermicida, um produto que mata os espermatozoides, para aumentar sua eficácia como contraceptivo. Juntos, os dois métodos apresentam índice de falha que varia de 6% a 16%. O diafragma não evita infecções durante as relações sexuais.
O contraceptivo deve ser colocado cerca de duas horas antes das relações sexuais, antes de qualquer contato entre o pênis e a vagina, e  removido até oito horas após a última relação sexual.
É preciso que o médico indique o tamanho adequado do diafragma. Entre as desvantagens estão o risco de infecções decorrentes da higiene inadequada do diafragma e de ISTs, já que ele não recobre a vagina totalmente, deixando-a exposta a secreções sexuais. Portanto, é recomendável usá-lo em associação com o preservativo. 
Uma das vantagens do diafragma é que ele pode ser reutilizado após a relação sexual, seguindo todos os protocolos de higienização e cuidado recomendados pelo médico ginecologista.

Anticoncepcionais hormonais


Este tipo de contraceptivo é um método químico que consiste em uma mistura de hormônios sintéticos, ou seja, hormônios produzidos artificialmente, que impedem a ovulação. O mais comum é em forma de comprimidos, as chamadas pílulas anticoncepcionais
As pílulas anticoncepcionais são compostas de hormônios sintéticos, ou seja, produzidos em laboratório, que são similares ao estrogênio e à progesterona produzidos pelos ovários. Quando a pílula é tomada corretamente, esses hormônios inibem a ovulação e provocam alterações nas características do endométrio. Esse método contraceptivo não protege contra agentes infecciosos que possam ser transmitidos durante as relações sexuais.
O uso adequado das pílulas anticoncepcionais tem cerca de 0,3% de índice de falha na prevenção de gravidez. Porém, algumas pílulas podem provocar efeitos colaterais, como enjoos, vômitos, dores de cabeça e no corpo, inchaço, sangramentos, alterações de humor, entre outros. A composição das pílulas é, inclusive, contraindicada a mulheres com diagnóstico de enxaqueca e histórico familiar de acidente vascular cerebral, por exemplo. 
Uma cartela costuma conter 21 comprimidos, de modo que deve ser ingerida uma pílula por dia, de preferência no mesmo horário. Após 21 dias, suspende-se a ingestão por uma semana e, nesse período, a mulher menstrua normalmente, embora não tenha liberado nenhum ovócito. Após uma semana, uma nova cartela de pílulas deve ser iniciada. 
Como há diversas pílulas anticoncepcionais no mercado, com diferentes níveis hormonais, é recomendável consultar um médico para escolher a mais adequada para cada mulher, considerando características do seu ciclo menstrual, idade, entre outros aspectos.
As pílulas anticoncepcionais também podem ser usadas no tratamento de algumas doenças, como a presença de cistos no ovário, ou para controlar a quantidade excessiva de sangue que algumas mulheres eliminam na menstruação. Esse uso também deve ser acompanhado por um(a) médico(a) especialista.
Há também os adesivos transdérmicos que são colados sobre a pele e devem ser trocados semanalmente. Entre os anticoncepcionais injetáveis, há as injeções mensais (uma vez por mês) ou trimestrais (uma vez a cada três meses). Outro tipo de anticoncepcional hormonal é o implante subcutâneo, que possui longa validade (dura alguns anos) e deve ser implantado por um médico, por meio de um procedimento cirúrgico simples. O implante vai liberando hormônios aos poucos e de forma contínua, impedindo a ovulação e também a menstruação. 
Embora os anticoncepcionais hormonais, se usados corretamente, sejam eficientes, eles não ajudam na prevenção de ISTs. Por isso, é recomendável usá-los em associação com o preservativo. Como essas substâncias podem ter efeitos colaterais, também é importante que o uso delas seja feito com acompanhamento médico constante. 

Laqueadura e vasectomia


A laqueadura e a vasectomia são métodos contraceptivos cirúrgicos. Geralmente, quem passa por esses procedimentos não poderá mais ter filhos, pois eles evitam definitivamente a possibilidade de gravidez. 
No Brasil, essas cirurgias são realizadas somente em pessoas com mais de 25 anos e que já têm filhos, e em alguns casos especiais.
A laqueadura é a cirurgia realizada em mulheres. As tubas uterinas são cortadas e as extremidades do corte são fechadas, impedindo a fecundação.
A laqueadura consiste na interrupção da ligação entre as tubas uterinas, impedindo que os espermatozoides encontrem os ovócitos liberados pelos ovários.
A vasectomia consiste no corte dos ductos deferentes, impedindo que os espermatozoides cheguem à uretra. No entanto, a vasectomia não impede a ejaculação. A diferença é que o esperma liberado não contém espermatozoides. 
Os ductos deferentes são cortados e as extremidades do corte são fechadas. Assim, o caminho percorrido pelos espermatozoides durante o estímulo sexual é interrompido e eles não chegam à próstata e, portanto, não são eliminados pela uretra na ejaculação.
Depois da realização da cirurgia, é recomendada a utilização de outro método contraceptivo por cerca de 60 dias, porque alguns espermatozoides podem permanecer vivos dentro do ducto deferente, na porção posterior ao corte, e serão ejaculados com o sêmen. Depois desse período, o sêmen não deverá mais conter espermatozoides.
Tanto a laqueadura quanto a vasectomia são procedimentos cirúrgicos e costumam ser irreversíveis. Por isso, eles são recomendados para pessoas que já têm filhos, pois impedem novas gestações. 
A laqueadura e a vasectomia não protegem contra possíveis infecções durante as relações sexuais. Portanto, mesmo tendo realizado as cirurgias, recomenda-se utilizar o preservativo nas relações sexuais. 
Esses procedimentos não interferem na produção dos hormônios sexuais, tampouco no desempenho sexual das pessoas.


Dispositivos intrauterinos (DIU) 



O dispositivo intrauterino, ou DIU, é um objeto flexível, feito de plástico, que pode ser revestido com cobre ou apresentar a capacidade de liberar um hormônio sintético de progesterona. Ambos atuam dificultando o encontro dos gametas.
O DIU é inserido no útero da mulher por um(a) ginecologista, onde pode ficar de 5 a 10 anos ou até que a paciente decida engravidar. Seu índice de falha na anticoncepção é de 0,5% a 0,8%. 
É um método que impede a implantação do embrião no endométrio. Em algumas mulheres, no entanto, esse dispositivo causa o aumento do fluxo menstrual e pode causar cólicas. Esse método também não previne contra infecções sexualmente transmissíveis.

Coito interrompido e tabelinha 


O coito interrompido consiste na retirada do pênis da vagina pouco antes da ejaculação. O método da tabelinha tem como base evitar relações sexuais no período fértil. Ambos os métodos são comportamentais e não são eficientes na contracepção nem na prevenção de ISTs.


A EVOLUÇÃO DO PRESERVATIVO MASCULINO


Engana-se quem pensa que o preservativo masculino é uma invenção da sociedade moderna. Registros indicam que os egípcios faziam camisinhas de papiro e, há mais de 3 mil anos, os chineses fabricavam o preservativo usando papel de seda e óleos vegetais.
De lá para cá, inúmeros materiais foram usados: tecidos como o linho, casco de tartarugas e intestino de ovelha, bezerro ou cabra. Camisinhas feitas com intestino de animais ainda são fabricadas hoje em dia e usadas por pessoas que têm alergia aos materiais dos preservativos atuais.
Na Idade Média, o preservativo era usado para prevenir a infecção pela sífilis, doença que já afetava muitas pessoas. No século XVII, a camisinha era usada para evitar doenças e gravidez indesejada. 
Em meados do século XIX, por volta de 1840, Hancock e Charles Goodyear inventaram o processo de vulcanização da borracha, pelo qual ela adquire certas propriedades, ficando mais resistente. A partir daí, foi fabricada a camisinha de borracha, mas ainda era um material duro e desconfortável.
Somente no século XX, Julius Fromm aperfeiçoou o método de Charles Goodyear e a borracha foi substituída pelo látex líquido. Foi lançada então a camisinha feita de látex, mais fina e sem costuras.
O método inventado por Fromm para a fabricação de preservativos é utilizado até hoje: tubos de vidro são mergulhados em uma solução de látex, que, depois de resfriada e seca, forma os preservativos finos e sem costuras.
Com novas tecnologias, novos materiais estão sendo empregados na fabricação de camisinhas, como o poliuretano, o que torna os preservativos mais seguros e confortáveis para seus usuários.


Preservativo masculino de borracha e reutilizável, fabricado por Charles Goodyear, em 1948, na Inglaterra.


Os preservativos atuais, em comparação com os primeiros a surgirem, são mais finos e não causam desconforto.



SISTEMAS GENITAIS

Os sistemas genitais participam do processo de reprodução, que, como vimos, na espécie humana envolve mais do que a produção de descendentes e está relacionado com a sexualidade, a afetividade, o prazer, os sentimentos e as emoções. Ele é constituído de órgãos que atuam na produção, na maturação e no transporte de gametas, bem como na produção de hormônios sexuais. É importante conhecer seu funcionamento para aprender a cuidar da saúde e agir com respeito consigo mesmo e com as outras pessoas.
Os seres humanos têm reprodução sexuada e realizam fecundação interna, isto é, os gametas masculinos são introduzidos no corpo da fêmea. Além disso, o embrião desenvolve-se no corpo feminino, característica dos animais vivíparos.

Sistema genital masculino

O sistema genital masculino apresenta dois testículos, que estão envoltos pelo escroto, dois epidídimos, dois ductos deferentes, ducto ejaculatório, pênis e glândulas acessórias, que são: duas glândulas seminais, uma próstata e duas glândulas bulbouretrais.


O sistema genital masculino é encarregado da produção de espermatozoides, que são os gametas masculinos, também chamados células reprodutivas masculinas. O sistema genital também é responsável pela produção de hormônios, como a testosterona.
Os dois testículos, que estão abrigados fora da cavidade abdominal, no interior de uma bolsa de pele chamada escroto, são os órgãos responsáveis pela produção dos espermatozoides, os gametas sexuais masculinos. Para que os espermatozoides sejam produzidos, os testículos precisam estar em uma temperatura cerca de 3 °C menor do que a temperatura corporal. Assim, esses órgãos ficam alojados fora da cavidade abdominal. 


A produção de espermatozoides se inicia com a puberdade – quando os níveis de testosterona começam a aumentar – e continua ao longo de toda a vida do homem. Por dia, são produzidos milhões de espermatozoides.

Os espermatozoides apresentam três partes principais: 

• cabeça, onde estão o núcleo, o material genético da célula masculina e as enzimas que auxiliam a penetração do espermatozoide no gameta feminino; 
• corpo, onde há uma grande quantidade de mitocôndrias, as quais liberam a energia necessária ao deslocamento do espermatozoide e às funções metabólicas da célula; 
• cauda, estrutura que realiza movimentos ondulatórios, responsáveis pela locomoção do espermatozoide.

Espermatozoides vistos ao microscópio. Imagem ampliada 3 300 vezes (quando aplicada com 21 cm de largura); colorida artificialmente.

Depois que são produzidos, os espermatozoides passam por um processo de maturação, até que se tornam gametas viáveis. Essa maturação ocorre parcialmente nos testículos e parcialmente nos epidídimos, órgãos localizados na lateral e acima dos testículos. 
Os espermatozoides maduros, armazenados nos epidídimos, permanecem viáveis por meses e podem ser reabsorvidos pelo organismo, caso não sejam ejaculados. Durante o ato sexual, o pênis introduz os gametas masculinos no corpo feminino. 
No pênis, há tecido erétil, uretra e glande, a qual fica protegida por um tecido externo denominado prepúcio. Durante a excitação sexual, o tecido erétil se enche de sangue e o pênis fica ereto, condição necessária para que o órgão penetre na vagina e ocorra a ejaculação. 
Na ejaculação, os espermatozoides armazenados nos epidídimos passam pelos ductos deferentes e pelo ducto ejaculatório, onde recebem as secreções produzidas pelas glândulas seminais. Por fim, chegam à uretra, onde recebem as secreções produzidas pela próstata e pelas glândulas bulbouretrais, e saem do corpo. Essa mistura se chama sêmen.
O sêmen é composto pelos espermatozoides e pelas secreções das glândulas acessórias, que são importantes para a nutrição e a locomoção dos gametas. As secreções das glândulas seminais, por exemplo, são ricas em nutrientes importantes para os espermatozoides. As secreções prostáticas auxiliam na diminuição da acidez da uretra (causada pela passagem anterior de urina), e as secreções das glândulas bulbouretrais são lubrificantes, o que facilita a locomoção dos espermatozoides.
Nos homens, a uretra é um canal comum aos sistemas genital e excretor. Ou seja, por ela, além do sêmen, sai também a urina, que fica armazenada na bexiga urinária. No entanto, as duas funções, ejacular e urinar, nunca acontecem ao mesmo tempo, pois a parte do canal da uretra que sai da bexiga e atravessa a próstata se fecha durante a ejaculação.

Sistema genital feminino

O sistema genital feminino é responsável pela produção de ovócitos, que são os gametas femininos, também chamados células reprodutivas femininas. Além disso, o sistema genital feminino produz os hormônios estrógeno e progesterona, e também é responsável por abrigar o bebê em desenvolvimento.
O sistema genital feminino apresenta dois ovários, duas tubas uterinas, útero e vagina. De cada lado do útero, saem as tubas uterinas, que estabelecem a comunicação entre esse órgão e os ovários. Nos ovários são produzidos os gametas femininos, como veremos a seguir.

O útero é um órgão muscular com grande elasticidade. Sua camada mais interna, chamada endométrio, é onde deve ocorrer a fixação do embrião durante a gravidez. 


A região mais inferior, o colo do útero, se abre na vagina, um canal curto, de fortes paredes musculares, que recebe o pênis durante o ato sexual. É também pela vagina que sai a menstruação e por onde passa o bebê no parto normal.
Os órgãos do sistema genital feminino que se localizam externamente ao corpo são denominados pudendo. São os lábios maiores e os lábios menores, que protegem a entrada da vagina e da uretra, e o clitóris.

Os ovários são os órgãos responsáveis pela produção dos ovócitos, as células precursoras dos gametas femininos. A produção dos gametas femininos inicia-se quando a menina ainda está no interior do corpo da mãe, na fase fetal, e interrompe-se pouco antes do nascimento da criança. Isso significa que as mulheres nascem com uma quantidade determinada de ovócitos. 
Os ovócitos completam seu desenvolvimento na puberdade, quando os hormônios sexuais femininos passam a ser produzidos em concentrações mais elevadas. Sob a influência dos hormônios FSH e LH, alguns ovócitos continuam seu desenvolvimento a cada ciclo reprodutivo feminino, cuja duração é de cerca de um mês. 
De modo geral, a cada ciclo, apenas um ovócito estará maduro para ser fecundado e será liberado pelo ovário, no fenômeno denominado ovulação. Depois de liberado, o ovócito segue para as tubas uterinas e para o útero. 

Fotomicrografia mostrando a tentativa de fecundação de um ovócito humano pelo espermatozoide. Imagem ampliada 640 vezes.

Se houver encontro do ovócito com o espermatozoide nas tubas uterinas, fenômeno conhecido como fecundação, o zigoto formado será direcionado ao útero, enquanto sofre as primeiras divisões mitóticas e aumenta de tamanho. No útero, esse agrupamento de células se instala no endométrio. O endométrio protege o embrião e contribui para sua nutrição durante o período gestacional. 
Caso não ocorra a fecundação, o ovócito é eliminado do corpo com a menstruação.

Nas mamas estão localizadas as glândulas mamárias, que produzem o leite materno, muito importante para o recém-nascido humano. 
O leite materno é uma mistura de água, substâncias nutritivas e anticorpos. Ele é a alimentação ideal para uma criança até os seis meses de vida. A secreção e a ejeção do leite são estimuladas por hormônios. 
O leite é produzido nas glândulas secretoras, que se reúnem em aglomerações denominadas lóbulos, e conduzido ao exterior do corpo por meio de ductos. O formato característico das mamas nas mulheres deve-se ao depósito de gordura ao redor das glândulas mamárias.

O ciclo reprodutivo feminino

O ciclo reprodutivo feminino caracteriza-se pela maturação de um ovócito no ovário (que será liberado) e por uma série de mudanças que ocorrem no endométrio, como forma de preparação do útero para uma eventual gravidez.
A duração do ciclo é variável e diferente para cada mulher, mas comumente dura entre 24 e 35 dias, período que pode ser dividido em quatro fases denominadas: fase menstrual, fase pré-ovulatória, ovulação e fase pós-ovulatória. Vamos considerar um ciclo de 28 dias e conhecer o que ocorre em cada uma dessas fases.

Fase menstrual

Um ciclo é uma sequência de fenômenos que se repetem ao fim de um período de tempo determinado. Por isso, a rigor, ciclos não têm início nem fim. Mas, para facilitar o entendimento do que ocorre no ciclo reprodutivo feminino, vamos considerar que ele começa com a fase menstrual.
Essa fase, também chamada de menstruação, só ocorre quando não há gravidez e dura em média cinco dias. Portanto, vai do 1o ao 5o dia do ciclo. Caracteriza-se pela eliminação do ovócito não fecundado e de parte do endométrio, o que resulta em sangra mento. Todo esse material sai do corpo pela vagina, sendo expulso por meio de contrações fracas do útero. Depois dessa fase, o endométrio apresenta-se menos espesso.

Fase pré-ovulatória 

É o período compreendido entre o fim da menstruação e a ovulação. Nessa fase, o estrogênio secretado pelos ovários estimula o crescimento do endométrio, o qual tem sua espessura aumentada e torna-se mais vascularizado. Alguns ovócitos retomam seu desenvolvimento, e um deles amadurece, ficando pronto para ser fecundado. Em geral, essa fase vai do 6o ao 13o dia do ciclo. A duração dessa fase pode variar entre as mulheres.

Ovulação 

O ovócito maduro é liberado pelo ovário e recolhido pela tuba uterina, no fenômeno da ovulação. Em ciclos de 28 dias, isso geral mente ocorre no 14o dia, ou seja, na metade do ciclo, quando os níveis de LH estão mais altos.

Fase pós-ovulatória 

É o período posterior à ovulação e vai do 15o ao 28o dia do ciclo. Nessa etapa, sob influência do hormônio estrogênio, o endométrio atinge sua espessura máxima e mantém-se assim principalmente pela ação do hormônio progesterona. Essas mudanças no útero preparam o órgão para abrigar um novo ser humano, se houver gravidez. Nesse caso, o ciclo se interrompe: o endométrio não é eliminado e a fase menstrual não ocorre. Caso contrário, na ausência de gravidez, o ciclo prossegue.


INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS (ISTs)


As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) – antes denominadas doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) – são causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos. Essas infecções são transmitidas, principalmente, por meio do contato sexual (oral, vaginal ou anal) sem o uso de preservativos entre pessoas que estejam contaminadas. A transmissão de algumas ISTs pode acontecer, ainda, da mãe para o bebê durante a gestação, o parto ou a amamentação, caso a mãe esteja contaminada.
As ISTs podem se manifestar por meio de feridas, corrimentos ou verrugas no ânus ou nos órgãos genitais. Em alguns casos, feridas e manchas aparecem em outras partes do corpo, como palma das mãos, olhos e língua. Por isso, qualquer alteração nos órgãos genitais ou em outras partes do corpo deve ser relatada a um médico imediatamente, pois apenas um profissional da área da saúde tem condições de fazer o diagnóstico correto e prescrever o tratamento adequado. Entre as ISTs, podemos citar a infecção pelo HIV, a sífilis, a gonorreia e a tricomoníase.

Infecção pelo HIV

HIV é a sigla em inglês para o vírus da imunodeficiência humana, causador da aids. Esse vírus afeta o sistema imunitário, responsável pela defesa do organismo contra doenças.
Ter o HIV não significa que a pessoa tem aids. Aids é o estágio mais avançado da doença, quando os vírus atacam as células de defesa da pessoa, deixando seu organismo vulnerável para outras infecções oportunistas, como a pneumonia e a tuberculose.
Essas infecções são chamadas oportunistas pois, em uma situação normal, seriam facilmente combatidas pelo sistema imune. Porém, como os vírus HIV atacam as células de defesa, eles deixam o organismo vulnerável e propenso a infecções.
As pessoas que vivem com HIV são chamadas soropositivos e elas podem viver muitos anos sem apresentar quaisquer sintomas e sem desenvolver a doença. Mas, mesmo sem manifestarem a aids, essas pessoas podem transmitir o vírus a outros indivíduos por meio de relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação quando não tomam as devidas medidas de prevenção.
Os sintomas variam dependendo do estágio da doença. No início, eles se assemelham aos sintomas de uma gripe, como febre e mal-estar. Por isso, a doença pode passar despercebida. Em fases mais avançadas, os portadores da doença podem apresentar febre, diarreia, suores noturnos e emagrecimento. O sistema imunitário enfraquece e permite a infecção por doenças oportunistas.
Ainda não há uma cura para a infecção por HIV. O tratamento é feito com um coquetel de medicamentos, chamado terapia antirretroviral.
As pessoas com HIV ou com aids têm os mesmos direitos das outras pessoas, incluindo o direito à educação, ao trabalho, o acesso à saúde e os direitos sexuais e reprodutivos. Para que cuidem de sua família e evitem transmitir a doença, é fundamental que os portadores do HIV tenham acesso a diagnóstico e tratamento adequados.
Para evitar o contágio pelo HIV, é recomendado que pessoas com vida sexual ativa façam uso de preservativo nas relações sexuais. Também se recomenda exames médicos periódicos.

Sífilis 

A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum. Além do contato sexual, a transmissão pode ocorrer por transfusão sanguínea e de mãe para filho durante a gestação, através da placenta. 
Os sintomas são lesões endurecidas e pouco dolorosas nos órgãos genitais, que podem desaparecer naturalmente depois de algumas semanas. Porém, surgem pontos vermelhos na pele em diversas partes do corpo, como palma das mãos e planta dos pés. Pode haver febre e dores no corpo. Em estágios mais avançados da doença, há agravamento das lesões na pele e os sistemas nervoso, cardiovascular e urinário são atingidos, levando o indivíduo à morte.
O tratamento deve ser feito logo no início dos primeiros sintomas e do diagnóstico para que a doença não se agrave. Em alguns casos, os sintomas demoram a aparecer e o indivíduo não sabe que está infectado, podendo transmitir a bactéria a outras pessoas por meio de relações sexuais desprotegidas. Por isso, é recomendado que pessoas com vida sexual ativa façam exames médicos periodicamente. A prevenção é fazer uso do preservativo nas relações sexuais e evitar o contato sexual com pessoas contaminadas.

Gonorreia 

A gonorreia é causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, que afeta a uretra e as vias genitais. A trans missão ocorre por meio de contato sexual com parceiros contaminados e também de mãe contaminada para filho durante o parto. 
Os principais sintomas são ardor na uretra e secreção purulenta e surgem poucos dias após o contágio. Em algumas mulheres, os sintomas são menos evidentes, o que dificulta a identificação da infecção e a procura pelo tratamento adequado. Nesses casos, a doença pode se agravar, comprometendo as tubas uterinas e causando infertilidade (dificuldade em ter filhos). A mãe infectada pode contaminar o filho no momento do parto. No bebê, a infecção pode ocasionar cegueira. 
A pessoa infectada deve procurar um médico para o tratamento específico e abster-se de relações sexuais até a cura completa da infecção para evitar a disseminação da doença. A prevenção é evitar o contato sexual com pessoas contaminadas e fazer uso do preservativo nas relações sexuais.

Tricomoníase 

A tricomoníase é causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. Nas mulheres, o principal sintoma é o corrimento vaginal e a ardência ao urinar, e nos homens é o corrimento pela uretra. Em geral, muitos homens são portadores assintomáticos, ou seja, não apresentam sintomas da infecção. 
O tratamento é feito por meio de medicamentos específicos prescritos pelo médico. As pessoas infectadas devem evitar relações sexuais até que estejam completamente curadas. A prevenção é evitar o contato sexual com pessoas contaminadas e fazer uso do preservativo nas relações sexuais.



OVULAÇÃO E FECUNDAÇÃO

Após a puberdade, os hormônios secretados pela hipófise estimulam, a cada mês, o amadurecimento dos gametas femininos. Os ovócitos se desenvolvem nos ovários em meio a um conjunto de células chamado folículo. Quando o gameta feminino está no estágio de ovócito secundário, o folículo se rompe e libera o gameta, no processo chamado ovulação.
O organismo feminino, a partir da puberdade, passa a liberar geralmente um ovócito secundário por mês. O ovócito é transportado do ovário até o útero pelas tubas uterinas. Se ele encontrar espermatozoides durante esse trajeto, pode ocorrer a fecundação.
Ovócito sendo fecundado por um espermatozoide. Microscopia eletrônica; colorida artificialmente. Imagem ampliada em 620 vezes.

Assim que o espermatozoide penetra no ovócito, o gameta feminino passa a se chamar óvulo. O óvulo fecundado dá origem ao zigoto, primeira célula do futuro bebê. O zigoto se divide em duas células, depois em quatro e assim por diante. Esse conjunto de células – já chamado embrião – continua o trajeto até o útero e se fixa na parede uterina, processo denominado nidação. 
É no útero que o embrião se aloja, recebe alimento e se desenvolve. Você pode estar se perguntando como os espermatozoides, gametas masculinos, chegam até as tubas uterinas da mulher. Esse processo pode se dar de forma natural, quando um homem e uma mulher mantêm relações sexuais sem proteção e sem o uso de métodos contraceptivos.
Na relação sexual, o pênis é introduzido na vagina da mulher e, durante a ejaculação, lança o sêmen no interior do corpo feminino. O sêmen contém espermatozoides, que são células com flagelos, capazes de se movimentar. Eles nadam em direção ao útero e atingem as tubas uterinas, local em que geralmente ocorre a fecundação.
O encontro dos gametas femininos e masculinos também pode ocorrer por métodos laboratoriais, quando o casal opta por fazer uma inseminação artificial ou fertilização in vitro.



PARTO

A gravidez se conclui com o parto, evento em que tanto o bebê quanto a placenta saem do organismo materno. O parto pode ocorrer de maneira normal (natural) ou ser realizado por meio de uma cirurgia denominada parto cesárea.
Geralmente, ao final das 38 semanas, o bebê já está pronto para nascer. No parto natural, o corpo da mulher se prepara para permitir a saída do bebê pelo canal da vagina. A musculatura do útero começa a contrair e relaxar, o âmnio se rompe, e o líquido amniótico sai pela vagina. O rompimento da bolsa amniótica é sinal de que o parto teve início. A intensidade e a frequência das contrações uterinas aumentam até levar à expulsão do bebê pelo canal da vagina. 
No parto normal, ocorrem inicialmente contrações uterinas, estimuladas pela ocitocina e outros hormônios, que promovem a abertura do colo do útero, seguidas de contrações que expulsam o bebê para o ambiente externo, pela vagina da mãe.  Esse processo tem duração variável e pode demorar algumas horas.
Em determinadas situações, o parto natural pode apresentar risco para a vida da mãe ou do bebê. Nesses casos, o parto pode ser feito por um procedimento cirúrgico chamado cesariana. Nele, faz-se um corte através do abdômen e do útero maternos, por onde o bebê é retirado.  Esse tipo de parto é recomendado apenas nos casos em que existam complicações que impeçam a saída natural do bebê pela vagina ou quando há riscos para a mãe ou para o bebê.
Após o nascimento, o cordão umbilical do bebê é cortado e amarrado pelo médico (o bebê não sente dor nesse procedimento). Depois de alguns dias, o pedaço de cordão umbilical que ficou no corpo do bebê seca e cai, deixando uma marca, que é o umbigo.

MÉTODOS CONTRACEPTIVOS E DE PREVENÇÃO

Como vimos, a reprodução humana envolve, além da capacidade de gerar descendentes, diversos outros fatores, como a sexualidade, a afetividad...