Como surgem os tecidos do corpo humano
Todas as células que formam nosso corpo derivam de uma única célula inicial: o zigoto. Ele é formado pela união de duas outras células: o gameta feminino e o masculino. O zigoto contém, portanto, metade do material genético nuclear da mãe e metade do pai.
Ao longo do desenvolvimento embrionário, o zigoto se divide várias vezes. Inicialmente, divide-se em duas células iguais entre si. Cada uma das novas células se divide originando um total de quatro células. E, novamente, cada uma dessas células se divide originando oito células. As divisões celulares se sucedem, formando um organismo com muitas cé lulas, todas derivadas indiretamente do zigoto. Elas possuem, portanto, o mesmo material genético do zigoto.
A esse tipo de divisão celular, na qual uma célula dá origem a duas cé
lulas iguais entre si e à célula-mãe, damos o nome de
mitose
. Assim, ao
longo do desenvolvimento embrionário, nosso corpo realizou várias mitoses gerando todas as nossas células.
A mitose não está restrita ao desenvolvimento embrionário. Ela ocorre
na renovação de células que morrem naturalmente em nosso corpo e
também nos processos de reparo, quando há alguma lesão.
Se todas as células de nosso corpo surgem por mitose e se na mitose as
células-filha são idênticas às células-mãe, como pode ter surgido a enorme diversidade de formas e de funções celulares que há no nosso corpo?
Essa explicação é complexa, mas, resumidamente, o que ocorre é que,
a partir de determinado momento do desenvolvimento embrionário, as
células-filha iniciam o processo de diferenciação celular. Começam a
apresentar formas e funções distintas, organizando-se em tecidos, que
se organizam em órgãos e estes em sistemas.
Os tipos de tecidos do corpo humano
Já mencionamos alguns dos tecidos do corpo humano e agora vamos conhecer um pouco mais a respeito deles e também dos demais tipos de tecidos.
Os tecidos do corpo humano são classificados em quatro grandes tipos: epiteliais, conjuntivos, musculares e nervoso.
Tecidos epiteliais
Os tecidos epiteliais, ou simplesmente epitélios, são formados por células que ficam firmemente aderidas umas às outras e com pouca ou nenhuma substância extracelular, ou seja, substância que fica entre as células.
Os epitélios podem ser classificados de acordo com a função principal
que executam:
• Epitélios de revestimento: revestem a superfície externa do corpo,
caso da epiderme, e as superfícies internas de órgãos, como boca,
nariz, esôfago, estômago, intestinos, faringe, entre outras.
• Epitélios glandulares: células especializadas na produção de substâncias que são liberadas para fora das células (secreção); formam
as glândulas, como as sebáceas e as sudoríparas da pele.
Epitélios de revestimento
• Epitélio simples pavimentoso: formado por apenas uma camada de células de formato achatado, que se assemelha aos ladrilhos de um piso ou pavimento. Reveste a superfície interna de vasos sanguíneos e os alvéolos pulmonares; permite passagem seletiva de substâncias, como gases, nutrientes e água.
• Epitélio pseudo estratificado ciliado: formado por uma só camada de células ciliadas dispostas de modo que dão a falsa impressão de formar várias camadas de células (por isso o termo pseudo, que significa “falso”). Reveste a traqueia e os brônquios e apresenta células ciliadas e algumas glândulas unicelulares, secretoras de muco. O muco protege a superfície do epitélio e retém bactérias e partículas que possam entrar no sistema respiratório juntamente com o ar inspirado. Os cílios batem, enviando as bactérias e as partículas retidas pelo muco para fora do corpo.
• Epitélio estratificado pavimentoso: formado por várias camadas de células, sendo as últimas de formato achatado. Forma a epiderme, reveste a boca e o esôfago. Desempenha funções de proteção mecânica, contra infecções e contra a perda de água.
• Epitélio simples cilíndrico: formado por uma camada de células de formato retangular. A superfície livre das células possui microvilosidades, projeções em forma de dedo com função de aumento da superfície de absorção. Algumas das células são secretoras de muco. Reveste os intestinos. Executa funções de absorção, secreção e proteção.
As células dos epitélios são constantemente renovadas, como vimos no caso da epiderme. A renovação das células da epiderme é feita em cerca de trinta dias. O epitélio que reveste o intestino é renovado em tempo muito menor: em cerca de seis dias. Essa renovação se deve à presença de células-tronco adultas na camada basal desses tecidos.
Nos epitélios de revestimento, as células entram em contato com diferentes tipos de substâncias e protegem os órgãos onde se encontram. Certas substâncias, no entanto, podem ser prejudiciais e afetar a estrutura e a função dos epitélios. É o que acontece, por exemplo, com as substâncias tóxicas contidas no cigarro e com a alta temperatura da fumaça que é aspirada ao fumar. Esses fatores afetam as células do epitélio de revestimento de todo o sistema respiratório.
Epitélios glandulares
Os epitélios glandulares, que produzem secreções, formam órgãos
chamados glândulas.
Há três tipos de glândulas, classificadas conforme o destino de suas
secreções:
• Exócrinas: o produto da secreção chega à superfície pelos ductos.
Exemplo: glândulas sudoríparas e sebáceas da pele.
• Endócrinas: o produto da secreção é chamado hormônio e
é lançado diretamente no meio extracelular, passando para
o sangue. Os hormônios são substâncias produzidas em
uma glândula e atuam sobre outras glândulas ou outros
tecidos. As glândulas endócrinas não têm ductos secretores. Exemplo: glândula tireoide.
• Mistas: formadas tanto por glândulas exócrinas
quanto endócrinas. Na espécie humana, o
exemplo é o pâncreas. A parte exócrina produz enzimas digestivas que são lançadas no
intestino e a parte endócrina produz os hormônios insulina e glucagon, lançados no sangue. Esses hormônios participam do controle
do açúcar no sangue: a insulina reduz e o glucagon aumenta.
Tecidos conjuntivos
Os tecidos conjuntivos são caracterizados por apresentarem diversos tipos de células imersas em grande quantidade de matriz extracelular, que é sintetizada pelas próprias células do tecido. A figura a seguir mostra alguns dos tipos de tecido conjuntivo presentes no corpo humano.
• Tecido adiposo: as células adiposas são arredondadas e especializadas no armazenamento de gordura. Entre as células, a quantidade de material extracelular é menor em relação aos demais tipos de tecido conjuntivo. Ocorre principalmente abaixo da derme na pele, formando a tela subcutânea que atua como reserva de energia e como barreira contra a diminuição da temperatura do corpo.
• Tecido conjuntivo denso: é bem resistente à tração graças à grande quantidade de fibras proteicas dispostas em várias direções; além das fibras, a matriz extracelular é viscosa, o que representa uma barreira contra a penetração de partículas estranhas ao tecido. É encontrado em grande parte da derme que compõe a pele.
• Tecido cartilaginoso (ou cartilagem): suas células produzem muita substância extracelular, o que dá ao tecido consistência firme, mas não rígida. Está presente, por exemplo, na orelha externa, no nariz, na traqueia e revestindo as extremidades de ossos longos nos locais de articulação.
• Tecido ósseo: apresenta matriz extracelular rica em sais de cálcio, o que lhe confere consistência rígida. É o principal tecido presente nos ossos, órgãos que formam o sistema esquelético.
Tecidos musculares
Os tecidos musculares são formados por células alongadas, chamadas fibras musculares. Esses tecidos formam os músculos, relacionados aos movimentos do corpo.
As fibras musculares contêm em seu interior filamentos proteicos que participam da contração e distensão da célula. Dependendo de como esses filamentos se organizam, há a formação de faixas transversais mais escuras intercaladas com faixas mais claras. As fibras que apresentam essas faixas são chamadas fibras estriadas.
As que não possuem são chamadas fibras não estriadas, ou lisas. Em função do tipo de fibra muscular e de como essas fibras atuam, podemos identificar três tipos de tecido muscular: estriado esquelético, estriado cardíaco e não estriado (ou liso).
• Não estriado (liso): é formado por fibras com apenas um núcleo e sem estrias transversais. Contrai-se lentamente e não é comandado por nossa vontade. Ocorre, por exemplo, nos órgãos que formam o sistema digestório, caso do esôfago, do estômago e dos intestinos.
Também é o tipo de tecido muscular presente nas artérias, vasos que fazem parte do sistema cardiovascular.
• Estriado cardíaco: suas fibras são estriadas e ramificadas, com um ou dois núcleos. A contração independe de nossa vontade. Constitui o músculo do coração (miocárdio).
• Estriado esquelético: é formado por fibras geralmente mais longas do que as dos demais tecidos musculares; cada fibra possui vários núcleos e estrias transversais. As fibras contraem-se rapidamente e são comandadas por nossa vontade, o que caracteriza os movimentos voluntários. Forma os músculos do sistema muscular esquelético, responsáveis pela locomoção e por outros movimentos voluntários do corpo.
Tecido nervoso
O tecido nervoso é o principal tecido dos órgãos e estruturas que formam o sistema nervoso. Esse sistema é composto de encéfalo, medula espinal, nervos e gânglios.
Esse tecido é formado por dois tipos de células, sendo a matéria extracelular praticamente inexistente. Essas células são os neurônios e os gliócitos.
Neurônios
Os neurônios são em geral células grandes. O corpo celular chega a medir 150 mm de diâmetro e o axônio a até mais de 1 metro de comprimento. Os neurônios têm a propriedade de receber e transmitir estímulos nervosos, permitindo ao organismo responder a alterações do meio.
São muitos os tipos morfológicos de neurônios, mas quase todos apresentam basicamente três regiões:
• Corpo celular: centro do alto metabolismo do neurônio. O corpo celular pode receber estímulos de outros neurônios;
• Dendritos: numerosos prolongamentos da célula que diminuem de diâmetro à medida que se ramificam. Têm a função de receber estímulos do meio e de outros neurônios. Os dendritos aumentam consideravelmente a superfície dos neurônios, o que lhes permite captar grande variedade de estímulos;
• Axônio: prolongamento único, ramificado, com diâmetro constante ao longo do comprimento; é uma estrutura especializada na transmissão do impulso nervoso a outro neurônio ou a outros tipos celulares, como as células glandulares e musculares.
Os neurônios recebem as informações pelos dendritos ou pelo corpo celular e as transmitem pelo axônio. Os neurônios adultos não se dividem, mas podem ser repostos por células- tronco adultas presentes nesses tecidos. Novos neurônios podem ser formados e há fatores ambientais, comportamentais e fisiológicos que estimulam esse processo. Alguns deles são: exercícios físicos, exposição a novos ambientes e atividades que envolvem aprendizado e memória.
Existem condições que podem inibir a formação de neurônios, como estresse, processos inflamatórios, distúrbios do sono, consumo de drogas ou álcool e envelhecimento.
Além disso, no encéfalo adulto, caso ocorra uma lesão causada por traumas ou acidentes vasculares, os neurônios que restaram podem estabelecer novas conexões e circuitos entre os neurônios remanescentes, reparando os danos, quando possível.
Outro mecanismo existente nos neurônios é o processo de regeneração de axônios, desde que o corpo celular não tenha sido danificado.
Gliócitos
Os gliócitos, ou células da glia, são mais numerosos que os neurônios,
porém menores. Existem vários tipos dessas células e eles se relacionam com as funções de sustentação e nutrição dos neurônios. Um dos
tipos de gliócito é o astrócito, uma célula que apresenta muitos prolongamentos. O astrócito fornece nutrientes aos neurônios, pois parte dos
seus prolongamentos comunicam-se com vasos sanguíneos e parte com
os neurônios.