A República de Cuba está localizada nas Grandes Antilhas e é formada por diversas ilhas. A principal é a ilha de Cuba, a maior do arquipélago, onde estão localizadas as cidades de Havana – capital –, Santiago de Cuba e Camagüey, as mais importantes do país.
Sua população está distribuída em aglomerados urbanos por todo o país, principalmente nas maiores cidades, como a
capital Havana. Os principais recursos naturais são: cobalto, níquel, minério de
ferro, cromo, cobre, sal, madeira, sílica, petróleo e seus solos aráveis.
Na composição da população predominam os mestiços, descendentes de espanhóis e africanos (pessoas trazidas como mão de obra escravizada no pe ríodo colonial). Há também um pequeno número de descendentes de imigran tes asiáticos, principalmente chineses.
Cuba é um país latino-americano singular em muitos aspectos, principal mente devido à sua estrutura política e socioeconômica, caracterizada por um sistema socialista de governo e pela qualidade de seus indicadores sociais, que apontam condições de vida acima da média da América Latina.
A independência e a revolução socialista cubana
A história cubana é marcada por incidentes e revoltas contra a dominação es trangeira, à qual o país esteve submetido até 1959, quando ocorreu a vitória dos revolucionários socialistas. Colônia espanhola desde o século XV, Cuba se tornou um Estado independente em 1898, porém ficou sob o domínio econômico dos Estados Unidos – que, em 1902, passaram a intervir política e militarmente na ilha.
O país ganhou notoriedade e passou a chamar a atenção do mundo a partir
de 1959, quando um grupo de revolucionários assumiu o poder, destituindo o
ditador Fulgêncio Batista (1901-1973). Esse acontecimento ficou conhecido
como Revolução Cubana. Em 1961, o socialismo foi implantado como o novo
sistema político-econômico de Cuba, aproximando-se da União Soviética por
meio de alianças comerciais.
Entre os personagens de destaque na história de Cuba estão o poeta José Martí, considerado herói da independência cubana; Ernesto “Che” Guevara; e Fidel Castro, líderes da Revolução Cubana de 1959, que depôs o ditador Fulgencio Batista. Fulgencio, que havia conquistado o poder por meio de um golpe de Estado em 1952, anulando a Constituição, governava o país de forma tão tirânica que até mesmo os Estados Unidos, em 1957, inicialmente apoiaram o movimento revolucionário de Fidel Castro e “Che” Guevara.
Após a revolução, Cuba se tornou um Estado socialista. Fidel determinou a execução ou condenou ao exílio a maioria dos inimigos políticos, nacionalizou os bancos, as refinarias de petróleo e as minas (que passaram a pertencer ao Estado cubano) e decretou a reforma agrária – por meio da qual as terras (latifúndios), controladas por grandes empresas, tornaram-se propriedades es tatais. Internacionalmente, Cuba passou a manter relações políticas e econômicas com os países aliados à União Soviética (Bulgária, Alemanha Oriental e Tchecoslováquia, entre outros).
Em 1961, no contexto da Guerra Fria, os Estados Unidos romperam relações econômicas e diplomáticas com Cuba, impondo ao país um bloqueio econô mico. Em 1962, Cuba foi expulsa da Organização dos Estados Americanos (OEA). Ain da neste ano, a instalação de mísseis nucleares soviéticos na ilha gerou forte tensão internacional, dando origem ao episódio que entraria para a história como a “crise dos mísseis”.
Se, por um lado, a União Soviética passou a ajudar financeiramente o país, interessada em mantê-lo
como aliado em plena Guerra Fria, por outro, Cuba
passou a sofrer bloqueio, embargo econômico dos
Estados Unidos, que rompeu as relações diplomáticas e comerciais com a ilha caribenha.
Com o fim da União Soviética, Cuba vem passando por algumas dificuldades econômicas e políticas, como atraso no setor industrial, isolamento
comercial e prejuízo da democracia, em razão da
falta de liberdade política, de liberdade de expressão
e de denúncias de violação dos direitos humanos.
A crise cubana e as transformações políticas e econômicas
No final da década de 1980, em virtude de problemas internos, a União Soviética fez cortes substanciais na assistência financeira que fornecia a Cuba. Com o fim do regime soviético, em dezembro de 1991, a ajuda cessou por com pleto. A falta de apoio financeiro, aliada à persistência do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, contribuiu para que Cuba mergulhasse em uma profunda crise econômica.
Em 1994, a população cubana passou a enfrentar um forte racionamento de alimentos, energia, combustível e papel. Diante da situação, milhares de cuba nos deixaram o país, por meio de embarcações precárias, em direção a Flórida, nos Estados Unidos.
A fim de controlar a grave crise do país, a partir de 1994, o governo cuba no decidiu ampliar a entrada de investimentos estrangeiros – estes feitos em parceria com uma estatal, pois nenhuma empresa privada estrangeira tem autorização para atuar sozinha em Cuba. Nesse país, o Estado controla cerca de 90% da economia. O turismo foi o setor que mais recebeu investimentos estrangeiros em território cubano.
Outra mudança implantada pelo governo cubano, em meados da década de 1990, foi a entrega das terras e dos bens nelas existentes aos trabalhadores rurais, na forma de usufruto, ou seja, continuam como propriedade do Estado. Como marca do processo de reformulação econômica da ilha, inclusive no setor financeiro, em 1995, seis bancos estrangeiros abriram escritórios em Cuba.
Em 2006, foi anunciado o afastamento temporário de Fidel Castro do comando do país, por motivo de doença. Fidel foi substituído por seu irmão, Raúl Castro, vice-presidente e sucessor constitucional. Em 2008, Raúl Castro foi empossado como novo presidente cubano, encerrando o governo de quase 50 anos de Fidel Castro.
Reformas
Na tentativa de erradicar a crise, Raúl Castro passou a se dedicar a reformas importantes. Em 2011, por exemplo, o governo cubano autorizou a compra e venda de casas e a comercialização de automóveis. No ano seguinte, Castro implementou uma reforma migratória, que passou a valer a partir de 2013, eliminando a necessidade de permissão de saída do país fornecida pelo governo (exigida desde os anos 1960). Em 2013, o governo de Cuba intermediou a vinda ao Brasil de quase quatro mil médicos pelo Programa Mais Médicos, criado pelo Governo Federal brasileiro.
A partir do final de 2014, o governo de Barack Obama adotou algumas me didas no sentido de promover a reaproximação dos Estados Unidos com Cuba, como a liberação de viagens de cidadãos estadunidenses ao território cubano e também de remessas de dinheiro ao arquipélago.
Em 2018, foram realizadas eleições que permitiram a chegada ao poder de um presidente não pertencente à família Castro: Miguel Diaz Canel. Ele, então, assumiu em 2021 a liderança do Partido Comunista de Cuba e manteve, em grande parte, as políticas sociais e econômicas de seus antecessores. Nesse mesmo ano, houve protestos em cidades cubanas pedindo mais alimentos, medicamentos e liberdade, algo inédito no país.
Muitos analistas se perguntam sobre o futuro de Cuba. Os adversários da Revolução Cubana acreditam que o país deve passar por uma transição nos moldes capitalistas. Outros observadores apontam a possibilidade de serem experimentadas novas alternativas, pois entendem que o capitalismo não necessariamente melhorará as condições de vida da população cubana, pelo contrário, pode até mesmo deteriorar os indicadores sociais do país, que es tão entre os melhores da América Latina.
A economia cubana
A economia cubana é pouco diversificada. A
produção agrícola não mecanizada teve no passado
a produção de açúcar como destaque. Atualmente,
o cultivo da cana-de-açúcar caiu, mas continua sendo o principal produto de
exportação cubano. O país importa parte dos produtos alimentares de Brasil,
Estados Unidos e Canadá. Atualmente, a atividade turística é importante fonte
de renda.
Atualmente, os setores de comércio e de serviços são os que mais contribuem para a atividade econômica de Cuba, com destaque para o turismo. No entanto, apesar das limitações impostas por seu território, o país também produz alimentos e matérias-primas para os mercados interno e externo – sendo a China o principal parceiro comercial de Cuba.
O açúcar e o tabaco são os principais produtos de exportação agrícola no país. O setor sucroalcooleiro cubano, que já enfrentou longa crise nas décadas de 1990 e 2000, vem recebendo atenção especial do governo, que procura am pliar a produção de derivados da cana, como o rum (bebida alcoólica) e o etanol (álcool combustível), aumentando a capacidade exportadora do país e utilizan do essa matéria-prima também na alimentação do gado.
Quanto aos recursos minerais, Cuba tem grandes reservas de níquel, metal muito utilizado na fabricação de aços especiais e de moedas. Estima-se que 10% das reservas mundiais de níquel estejam em território cubano, que também abriga reservas de minério de ferro, manganês, cobre e petróleo.
A atividade industrial cubana não é significativa. Destacam-se apenas as usinas de açúcar (de grande porte) e as indústrias dos setores farmacêutico e tabaqueiro (fumo). Algumas indústrias de menor porte, como fábricas de rum, de roupas e de cimento, além de refinarias de petróleo, também fazem parte do espaço industrial cubano. A escassez de matérias-primas estimulou o apro veitamento de subprodutos da cana-de-açúcar para a fabricação de uma série de produtos, como ração para animais, celulose, papel, entre outros exemplos.
Apesar do bloqueio econômico e do contexto de crise que se arrasta há
décadas, o socialismo cubano proporcionou alguns avanços sociais ao país,
como a eficiência do sistema educacional, o investimento na pesquisa e no sis
tema de saúde, além da promoção do esporte e da formação de atletas.
Em dezembro de 2014, Cuba e Estados Unidos fizeram um
acordo histórico de aproximação diplomática, embora o embargo
econômico fosse mantido. O acordo incluía diversos itens, como
reativação das embaixadas, flexibilização das restrições a viagens
entre os dois países, autorização para exportação de alguns produtos dos EUA para Cuba, permissão, a empresas estadunidenses,
para abertura de contas em instituições financeiras cubanas, entre
outras medidas.
Entretanto, seu sucessor, Donald Trump, eleito em 2016, voltou atrás nas decisões de Obama e afirmou não ter interesse em reatar relações com a nação caribenha. Em 2017, o acordo foi revogado, significando um retrocesso nas relações entre Cuba e Estados Unidos.