quinta-feira, 16 de abril de 2026

Neurotransmissores

As células nervosas 


O sistema nervoso humano é formado por células especializadas, os neurônios e os gliócitos. Os gliócitos, também denominados células gliais, sustentam, protegem e nutrem os neurônios. Os neurônios são as unidades estruturais e funcionais do sistema nervoso, pois é por meio deles que os estímulos são percebidos e conduzidos para as diferentes partes desse sistema. Os neurônios são formados por corpo celular, dendritos e axônio. 
• O corpo celular contém o núcleo e a maior parte do citoplasma da célula.  
• O axônio é um prolongamento que transmite o estímulo proveniente do corpo celular para outros neurônios. Envolvendo o axônio de alguns neurônios, há células que formam uma camada gordurosa, conhecida como estrato mielínico, que facilita a transmissão do estímulo.

Neurônios humanos, evidenciando o corpo celular e os prolongamentos. (Imagem obtida com microscópio eletrônico, colorizada artificialmente e ampliada cerca de 870 vezes.)

Representação esquemática de um neurônio, mostrando suas partes.

A transmissão das informações no sistema nervoso 


Os neurônios são células especializadas na recepção e na transmissão de estímulos. Essa transmissão de informação é feita por meio de impulsos nervosos, cuja propagação sempre ocorre em um mesmo sentido nos neurônios: dos dendritos para o corpo celular e deste para o axônio. 
A transmissão do impulso nervoso entre neurônios se dá sem que haja contato físico entre eles. Entre o axônio de um neurônio e a célula vizinha existe um espaço microscópico chamado sinapse. É por ele que se dá a transmissão do impulso nervoso. 
Quando o impulso nervoso chega à extremidade do axônio, em geral, são liberados neurotransmissores nas sinapses. 
Os neurotransmissores são capazes de agir sobre os dendritos do neurônio seguinte e desencadear um novo impulso nervoso. Também existem sinapses entre neurônios e células de músculos e glândulas. 
Cada neurônio do cérebro humano está ligado por meio de sinapses a cerca de outros 10 mil neurônios, ou seja, cada neurônio é capaz de receber cerca de 10 mil mensagens ao mesmo tempo.
É difícil imaginar que as funções do nosso corpo, assim como reações, emoções, manifestações de humor e pensamentos, são coordenados por neurotransmissores, substâncias que transmitem o impulso nervoso de um neurônio a outro. 

Existem muitos tipos de neurotransmissores e cada um deles está envolvido em ações diferentes do sistema nervoso. 

Observe alguns exemplos no a seguir.

Acetilcolina

Neurotransmissor envolvido no comando das contrações musculares pelo sistema nervoso, na memorização de informações e no aprendizado.

Dopamina 

Causa a dilatação dos vasos sanguíneos. Sua liberação também está relacionada com o humor, o sono, as sensações de prazer e a aprendizagem.

Endorfinas

São um grupo de neurotransmissores que inibem a sensação de dor e intensificam a sensação de bem estar e felicidade. As atividades físicas desencadeiam a liberação desses neurotransmissores.

Serotonina

Importante no controle dos ciclos de sono e vigília (período em que estamos acordados), no apetite e na sensação de bem-estar.

Glutamato

É um neurotransmissor cuja liberação está envolvida nos processos de memória e aprendizagem.

Os neurotransmissores estão envolvidos nas diferentes ações do sistema nervoso. A liberação de um tipo de neurotransmissor depende do tipo de estímulo, do órgão do sistema nervoso, entre outros fatores. Por exemplo, a luminosidade é o principal estímulo relacionado à liberação de serotonina e outras substâncias envolvidas no sono e no despertar. 
Até os sentimentos que temos pelas outras pessoas são comandados pelos impulsos nervosos e neurotransmissores. Alterações nos níveis de neurotransmissores liberados podem desencadear problemas de saúde, como crises de ansiedade e pânico, depressão, entre outros. 
Esses problemas geralmente são causados por um conjunto de fatores, entre eles hábitos de vida, acontecimentos cotidianos e problemas genéticos. O importante é que seja realizada uma avaliação médica para chegar ao diagnóstico correto e sejam indicados tratamentos específicos para cada pessoa.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Os tecidos do corpo humano

Como surgem os tecidos do corpo humano 


Todas as células que formam nosso corpo derivam de uma única célula inicial: o zigoto. Ele é formado pela união de duas outras células: o gameta feminino e o masculino. O zigoto contém, portanto, metade do material genético nuclear da mãe e metade do pai. 
Ao longo do desenvolvimento embrionário, o zigoto se divide várias vezes. Inicialmente, divide-se em duas células iguais entre si. Cada uma das novas células se divide originando um total de quatro células. E, novamente, cada uma dessas células se divide originando oito células. As divisões celulares se sucedem, formando um organismo com muitas cé lulas, todas derivadas indiretamente do zigoto. Elas possuem, portanto, o mesmo material genético do zigoto.
A esse tipo de divisão celular, na qual uma célula dá origem a duas cé lulas iguais entre si e à célula-mãe, damos o nome de mitose . Assim, ao longo do desenvolvimento embrionário, nosso corpo realizou várias mitoses gerando todas as nossas células. 
A mitose não está restrita ao desenvolvimento embrionário. Ela ocorre na renovação de células que morrem naturalmente em nosso corpo e também nos processos de reparo, quando há alguma lesão. 
Se todas as células de nosso corpo surgem por mitose e se na mitose as células-filha são idênticas às células-mãe, como pode ter surgido a enorme diversidade de formas e de funções celulares que há no nosso corpo? 
Essa explicação é complexa, mas, resumidamente, o que ocorre é que, a partir de determinado momento do desenvolvimento embrionário, as células-filha iniciam o processo de diferenciação celular. Começam a apresentar formas e funções distintas, organizando-se em tecidos, que se organizam em órgãos e estes em sistemas.

 Os tipos de tecidos do corpo humano 


Já mencionamos alguns dos tecidos do corpo humano e agora vamos conhecer um pouco mais a respeito deles e também dos demais tipos de tecidos. Os tecidos do corpo humano são classificados em quatro grandes tipos: epiteliais, conjuntivos, musculares e nervoso.
 

Tecidos epiteliais 


Os tecidos epiteliais, ou simplesmente epitélios, são formados por células que ficam firmemente aderidas umas às outras e com pouca ou nenhuma substância extracelular, ou seja, substância que fica entre as células. Os epitélios podem ser classificados de acordo com a função principal que executam:

• Epitélios de revestimento: revestem a superfície externa do corpo, caso da epiderme, e as superfícies internas de órgãos, como boca, nariz, esôfago, estômago, intestinos, faringe, entre outras. 
• Epitélios glandulares: células especializadas na produção de substâncias que são liberadas para fora das células (secreção); formam as glândulas, como as sebáceas e as sudoríparas da pele.

Epitélios de revestimento 


• Epitélio simples pavimentoso: formado por apenas uma camada de células de formato achatado, que se assemelha aos ladrilhos de um piso ou pavimento. Reveste a superfície interna de vasos sanguíneos e os alvéolos pulmonares; permite passagem seletiva de substâncias, como gases, nutrientes e água.
• Epitélio pseudo estratificado ciliado: formado por uma só camada de células ciliadas dispostas de modo que dão a falsa impressão de formar várias camadas de células (por isso o termo pseudo, que significa “falso”). Reveste a traqueia e os brônquios e apresenta células ciliadas e algumas glândulas unicelulares, secretoras de muco. O muco protege a superfície do epitélio e retém bactérias e partículas que possam entrar no sistema respiratório juntamente com o ar inspirado. Os cílios batem, enviando as bactérias e as partículas retidas pelo muco para fora do corpo.
• Epitélio estratificado pavimentoso: formado por várias camadas de células, sendo as últimas de formato achatado. Forma a epiderme, reveste a boca e o esôfago. Desempenha funções de proteção mecânica, contra infecções e contra a perda de água.
• Epitélio simples cilíndrico: formado por uma camada de células de formato retangular. A superfície livre das células possui microvilosidades, projeções em forma de dedo com função de aumento da superfície de absorção. Algumas das células são secretoras de muco. Reveste os intestinos. Executa funções de absorção, secreção e proteção.

As células dos epitélios são constantemente renovadas, como vimos no caso da epiderme. A renovação das células da epiderme é feita em cerca de trinta dias. O epitélio que reveste o intestino é renovado em tempo muito menor: em cerca de seis dias. Essa renovação se deve à presença de células-tronco adultas na camada basal desses tecidos.
Nos epitélios de revestimento, as células entram em contato com diferentes tipos de substâncias e protegem os órgãos onde se encontram. Certas substâncias, no entanto, podem ser prejudiciais e afetar a estrutura e a função dos epitélios. É o que acontece, por exemplo, com as substâncias tóxicas contidas no cigarro e com a alta temperatura da fumaça que é aspirada ao fumar. Esses fatores afetam as células do epitélio de revestimento de todo o sistema respiratório.

Epitélios glandulares 


Os epitélios glandulares, que produzem secreções, formam órgãos chamados glândulas. Há três tipos de glândulas, classificadas conforme o destino de suas secreções:
• Exócrinas: o produto da secreção chega à superfície pelos ductos. Exemplo: glândulas sudoríparas e sebáceas da pele. 
• Endócrinas: o produto da secreção é chamado hormônio e é lançado diretamente no meio extracelular, passando para o sangue. Os hormônios são substâncias produzidas em uma glândula e atuam sobre outras glândulas ou outros tecidos. As glândulas endócrinas não têm ductos secretores. Exemplo: glândula tireoide. 
• Mistas: formadas tanto por glândulas exócrinas quanto endócrinas. Na espécie humana, o exemplo é o pâncreas. A parte exócrina produz enzimas digestivas que são lançadas no intestino e a parte endócrina produz os hormônios insulina e glucagon, lançados no sangue. Esses hormônios participam do controle do açúcar no sangue: a insulina reduz e o glucagon aumenta.

Tecidos conjuntivos


Os tecidos conjuntivos são caracterizados por apresentarem diversos tipos de células imersas em grande quantidade de matriz extracelular, que é sintetizada pelas próprias células do tecido. A figura a seguir mostra alguns dos tipos de tecido conjuntivo presentes no corpo humano.

• Tecido adiposo: as células adiposas são arredondadas e especializadas no armazenamento de gordura. Entre as células, a quantidade de material extracelular é menor em relação aos demais tipos de tecido conjuntivo. Ocorre principalmente abaixo da derme na pele, formando a tela subcutânea que atua como reserva de energia e como barreira contra a diminuição da temperatura do corpo.
• Tecido conjuntivo denso: é bem resistente à tração graças à grande quantidade de fibras proteicas dispostas em várias direções; além das fibras, a matriz extracelular é viscosa, o que representa uma barreira contra a penetração de partículas estranhas ao tecido. É encontrado em grande parte da derme que compõe a pele.
• Tecido cartilaginoso (ou cartilagem): suas células produzem muita substância extracelular, o que dá ao tecido consistência firme, mas não rígida. Está presente, por exemplo, na orelha externa, no nariz, na traqueia e revestindo as extremidades de ossos longos nos locais de articulação.
• Tecido ósseo: apresenta matriz extracelular rica em sais de cálcio, o que lhe confere consistência rígida. É o principal tecido presente nos ossos, órgãos que formam o sistema esquelético. 

Tecidos musculares


Os tecidos musculares são formados por células alongadas, chamadas fibras musculares. Esses tecidos formam os músculos, relacionados aos movimentos do corpo.
As fibras musculares contêm em seu interior filamentos proteicos que participam da contração e distensão da célula. Dependendo de como esses filamentos se organizam, há a formação de faixas transversais mais escuras intercaladas com faixas mais claras. As fibras que apresentam essas faixas são chamadas fibras estriadas. 
As que não possuem  são chamadas fibras não estriadas, ou lisas. Em função do tipo de fibra muscular e de como essas fibras atuam, podemos identificar três tipos de tecido muscular: estriado esquelético, estriado cardíaco e não estriado (ou liso).

• Não estriado (liso): é formado por fibras com apenas um núcleo e sem estrias transversais. Contrai-se lentamente e não é comandado por nossa vontade. Ocorre, por exemplo, nos órgãos que formam o sistema digestório, caso do esôfago, do estômago e dos intestinos.
Também é o tipo de tecido muscular presente nas artérias, vasos que fazem parte do sistema cardiovascular.
• Estriado cardíaco: suas fibras são estriadas e ramificadas, com um ou dois núcleos. A contração independe de nossa vontade. Constitui o músculo do coração (miocárdio).
• Estriado esquelético: é formado por fibras geralmente mais longas do que as dos demais tecidos musculares; cada fibra possui vários núcleos e estrias transversais. As fibras contraem-se rapidamente e são comandadas por nossa vontade, o que caracteriza os movimentos voluntários. Forma os músculos do sistema muscular esquelético, responsáveis pela locomoção e por outros movimentos voluntários do corpo.

Tecido nervoso


O tecido nervoso é o principal tecido dos órgãos e estruturas que formam o sistema nervoso. Esse sistema é composto de encéfalo, medula espinal, nervos e gânglios.
Esse tecido é formado por dois tipos de células, sendo a matéria extracelular praticamente inexistente. Essas células são os neurônios e os gliócitos.

Neurônios


Os neurônios são em geral células grandes. O corpo celular chega a medir 150 mm de diâmetro e o axônio a até mais de 1 metro de comprimento. Os neurônios têm a propriedade de receber e transmitir estímulos nervosos, permitindo ao organismo responder a alterações do meio.
São muitos os tipos morfológicos de neurônios, mas quase todos apresentam basicamente três regiões:

• Corpo celular: centro do alto metabolismo do neurônio. O corpo celular pode receber estímulos de outros neurônios;
• Dendritos: numerosos prolongamentos da célula que diminuem de diâmetro à medida que se ramificam. Têm a função de receber estímulos do meio e de outros neurônios. Os dendritos aumentam consideravelmente a superfície dos neurônios, o que lhes permite captar grande variedade de estímulos;
• Axônio: prolongamento único, ramificado, com diâmetro constante ao longo do comprimento;  é uma estrutura especializada na transmissão do impulso nervoso a outro neurônio ou a outros tipos celulares, como as células glandulares e musculares.
Os neurônios recebem as informações pelos dendritos ou pelo corpo celular e as transmitem pelo axônio. Os neurônios adultos não se dividem, mas podem ser repostos por células- tronco adultas presentes nesses tecidos. Novos neurônios podem ser formados e há fatores ambientais, comportamentais e fisiológicos que estimulam esse processo. Alguns deles são: exercícios físicos, exposição a novos ambientes e atividades que envolvem aprendizado e memória.
Existem condições que podem inibir a formação de neurônios, como estresse, processos inflamatórios, distúrbios do sono, consumo de drogas ou álcool e envelhecimento.
Além disso, no encéfalo adulto, caso ocorra uma lesão causada por traumas ou acidentes vasculares, os neurônios que restaram podem estabelecer novas conexões e circuitos entre os neurônios remanescentes, reparando os danos, quando possível.
Outro mecanismo existente nos neurônios é o processo de regeneração de axônios, desde que o corpo celular não tenha sido danificado. 

Gliócitos 


Os gliócitos, ou células da glia, são mais numerosos que os neurônios, porém menores. Existem vários tipos dessas células e eles se relacionam com as funções de sustentação e nutrição dos neurônios. Um dos tipos de gliócito é o astrócito, uma célula que apresenta muitos prolongamentos. O astrócito fornece nutrientes aos neurônios, pois parte dos seus prolongamentos comunicam-se com vasos sanguíneos e parte com os neurônios.

Sistema muscular

Os ossos são muito importantes para a realização dos nossos movimentos, mas o esqueleto não se move sozinho: ele necessita da ação coordenada dos músculos para que o corpo se mova.

Tipos de músculo


Além do movimento do corpo, os tecidos musculares são responsáveis pelas contrações do coração, pela manutenção do equilíbrio e da postura corporal, pelo movimento dos alimentos ao longo do sistema digestório, pelos movimentos respiratórios e dos olhos, etc. 
Os miócitos (células do tecido muscular), também chamados de fibras musculares, se alongam e se encurtam quando ocorre algum movimento. Há três tipos de tecido muscular, cada um deles com características específicas, principalmente em relação ao tipo de contração que suas células realizam: os músculos estriados esquelético e cardíaco e o músculo não estriado.
O músculo estriado esquelético realiza movimento voluntário, ou seja, sua contração pode ser controlada e responde à nossa vontade. De modo geral, está associado a um osso. Esse tipo de músculo é responsável pelos movimentos mais perceptíveis do nosso corpo, como aqueles realizados ao andar, sorrir, correr, pular, escrever, etc. 
O músculo estriado cardíaco, também chamado de miocárdio, é encontrado apenas no coração. Apresenta contração rápida, ritmada e involuntária, ou seja, sua atividade não depende de uma intenção consciente para acontecer. 
O músculo não estriado (antes chamado de liso) está presente em órgãos internos, como estômago e intestino. Tem movimento involuntário, ou seja, que não pode ser controlado e não depende da nossa vontade. 
Representação esquemática do músculo estriado esquelético
do braço e, no detalhe, miócitos (fibras musculares) que o formam.

Representação esquemática da musculatura estriada cardíaca do coração (miocárdio).

Representação esquemática da musculatura não estriada do estômago.

Músculo estriado esquelético e a movimentação do corpo 


O corpo humano apresenta mais de 500 músculos estriados esqueléticos, que correspondem a aproximadamente 40% do peso de uma pessoa. Como esses músculos se encontram, em sua maioria, ligados aos ossos, recebem o nome de músculos esqueléticos. 
Mas nem todos os músculos esqueléticos es tão ligados a ossos. Alguns deles estão presos à pele, como os do rosto, e permitem as expressões faciais. A língua também é um músculo capaz de grande amplitude de movimentos, indispensáveis para a alimentação e para a fala.
Nos músculos que se ligam aos ossos, as estruturas que fazem a ligação da extremidade do músculo com o osso são os tendões, filamentos fibrosos muito resistentes formados por tecido conjuntivo. Movimentos repetitivos podem causar uma inflamação do tendão, chamada de tendinite
Na execução de movimentos, os músculos se encurtam e se alongam. Quando os miócitos se contraem, o músculo encurta e puxa os tendões, que por sua vez puxam os ossos aos quais estão presos. Geralmente, os músculos esqueléticos trabalham aos pares — enquanto um deles se contrai, o outro relaxa. Esse processo em que os músculos atuam de modo oposto é chamado de antagonismo muscular

Analise a imagem a seguir: quando o antebraço é flexionado, ocorre a contração do músculo bíceps braquial e o relaxamento do músculo tríceps braquial. Em contrapartida, se o tríceps é contraído, o bíceps relaxa e o antebraço se abaixa.
Representação esquemática do antagonismo muscular entre o
bíceps e o tríceps do braço na flexão e extensão do antebraço. Quando o bíceps se contrai, ele puxa o tendão ligado ao rádio, um dos ossos do antebraço. O movimento acontece na articulação do cotovelo.

Movimentos e coordenação do sistema nervoso


O movimento acontece porque existe a coordenação entre o sistema muscular e o sistema nervoso. 
Como sabemos, a contração dos músculos estriados esqueléticos é voluntária, ou seja, depende em grande parte da nossa vontade. Sendo assim, nós podemos desencadear o início de um movimento quando desejamos ou necessitamos.
A contração dos músculos ocorre como resposta a estímulos do sistema nervoso. 
As células do sistema nervoso que enviam estímulos aos músculos são os neurônios motores, que controlam a contração muscular. 
No caso das pessoas com paralisias musculares, a conexão entre os neurônios motores e os músculos não se estabelece e, por isso, não conseguem movimentar pernas e braços, por exemplo.







Os sistemas do corpo humano

Todas as funções dos diferentes sistemas do corpo também estão integradas e o bom funcionamento de um depende do bom funcionamento do outro. 
Por exemplo, os nutrientes disponibilizados pelo sistema digestório são encaminhados para as demais partes do corpo pela circulação sanguínea, que também distribui o gás oxigênio capturado pelo sistema respiratório. 
Assim, a ação integrada dos sistemas garante o bom funcionamento de todo o corpo. Vamos agora fazer um resumo desses e de outros sistemas do corpo.

Sistema cardiovascular 


É formado pelo coração e pelos vasos sanguíneos. É por onde circula o sangue, que transporta pelo corpo nutrientes, gases, excretas, hormônios e outras substâncias.

Sistema respiratório 


É o sistema por meio do qual são realizadas as trocas gasosas entre o corpo e o ambiente externo. Por meio dele, conseguimos o gás oxigênio do ar atmosférico, usado na respiração celular, e eliminamos o excesso de gás carbônico do corpo para o ar atmosférico. É formado pelas vias aéreas e pelos pulmões.

Sistema linfático 


É formado pelos vasos linfáticos, pelos linfonodos (nódulos linfáticos) e pelos órgãos linfoides, como baço, timo e tonsilas. Participa dos mecanismos de defesa do corpo.

Sistema digestório 


É o sistema que executa a digestão, isto é, a quebra dos alimentos em nutrientes, substâncias mais simples, que podem ser absorvidas pelo corpo. Além de boca, esôfago, estômago, intestinos e ânus, esse sistema conta com as glândulas anexas, como as glândulas salivares, o fígado e o pâncreas.

Sistema endócrino 


É formado pelo conjunto de glândulas endócrinas, que produzem e liberam hormônios, substâncias que controlam o funcionamento dos órgãos do corpo. Enquanto o sistema nervoso alcança os órgãos por meio dos nervos, o sistema endócrino depende do transporte dos hormônios pela circulação sanguínea.

Sistema esquelético 


O esqueleto é o eixo de sustentação do corpo e protege muitos órgãos vitais, como os pulmões, o coração e o cérebro.

Sistema nervoso 


Os órgãos desse sistema desempenham a função de coordenação do corpo, em conjunto com o sistema endócrino. Pode ser dividido em duas partes: sistema nervoso central, formado pelo encéfalo e pela medula espinal, e sistema nervoso periférico, formado pelos nervos.

Sistema muscular estriado esquelético 


Os músculos desse sistema são responsáveis pelos movimentos voluntários do corpo.

Sistema urinário 


É relacionado com a excreção de substâncias nitrogenadas que não são úteis ao corpo. Esse sistema é formado por dois rins, que filtram o sangue e removem as excretas, e dois ureteres, que conduzem a urina dos rins até a bexiga urinária. A bexiga armazena a urina, que é conduzida para fora do corpo pela uretra.

Sistema genital masculino 


Relacionado com a reprodução. O sistema genital masculino é formado externamente pelo pênis, que abriga em seu interior a uretra, e pelo escroto. Este abriga os testículos, onde os espermatozoides são produzidos, e os epidídimos, que armazenam os espermatozoides. Na cavidade abdominal estão as glândulas seminais, a próstata e as glândulas bulbouretrais. As secreções dessas glândulas, com os espermatozoides, compõem o esperma. 

Sistema genital feminino 


Relacionado com a reprodução, o sistema genital feminino é formado pela genitália externa (pudendo, formado por lábios maiores, lábios menores e clitóris) e pela genitália interna (vagina, útero e ovários). Por meio da interação com hormônios, nos órgãos do sistema genital feminino ocorrem a ovulação, a menstruação e a gravidez.

Cadeias alimentares, teias, equilíbrio e desequilíbrio

Os seres vivos nascem, se desenvolvem e morrem Em ambientes naturais, os passarinhos geralmente fazem seus ninhos nas árvores ou em arbustos e se alimentam de insetos, frutas ou sementes, que procuram no ambiente todos os dias. Após o acasalamento, a “união de um macho e de uma fêmea”, a passarinha coloca ovos em seu ninho e os mantém quentes com o calor de seu corpo, até o nascimento dos filhotes. Após o nascimento, nos primeiros dias de vida, enquanto ainda são muito pequenos, os filhotes de passarinho não têm penas, não conseguem voar e recebem muita atenção de seus pais.
Enquanto os filhotes não conseguem voar, os pais trazem comida para eles. Quando crescem e adquirem a capacidade de voar, podem se alimentar sozinhos. A cada dia vão se desenvolvendo e crescendo até atingir a idade adulta. A partir daí, podem se acasalar e ter filhotes. 
Algum dia, inevitavelmente, esses pássaros morrerão. Os ovos, os filhotes ou até mesmo os pássaros adultos servem de alimento para alguns outros seres vivos, como as serpentes. Estas, por sua vez, são alimento para algumas variedades de coruja. 
Um pé de maçã pode nascer de uma semente caída ao chão. Ele nasce, cresce e produz flores e frutos (nesses frutos existem sementes que podem originar novos pés de maçã). E, um dia, esse pé de maçã vai morrer. Todos os seres vivos têm estas características: nascer, se desenvolver e morrer.
Todos os seres vivos precisam de alimento, pois eles são sua fonte de energia e de materiais para sobreviver, se desenvolver e se reproduzir. Os seres vivos podem obter alimento de duas formas: produzindo-o ou alimentando-se de outro organismo.

Relacionados pela alimentação 


Todos os seres vivos apresentam características em comum e entre elas está a necessidade de se alimentar. É o alimento que fornece a energia de que precisam para sobreviver. Os animais buscam seu alimento em outros seres vivos, como plantas e fungos (os cogumelos, por exemplo), e mesmo em outros animais. As plantas, por sua vez, também precisam de alimento, mas o obtém utilizando outra estratégia. Como elas fazem, então, para se alimentar?
As plantas também precisam de energia, porém não se alimentam da mesma forma que os animais. A energia de que as plantas necessitam vem do alimento que elas mesmas produzem utilizando, entre outras coisas, a luz do Sol. 
Você já ouviu falar que nenhuma planta consegue viver em escuridão total? É verdade. Sem a energia da luz, as plantas morrem. Elas utilizam a energia da luz num processo chamado fotossíntese. 
Não se esqueça, porém, de que todo ser vivo precisa de energia para sobreviver.

Organismos produtores 


Os seres vivos que produzem o próprio alimento são chamados produtores. Eles incluem as plantas, predominantes nos ambientes terrestres, as algas e certas bactérias, encontradas principalmente em ambientes aquáticos.
Uma das necessidades dos seres vivos é conseguir alimento, que deve estar de alguma forma disponível no ambiente. Mas esse alimento deve ser produzido para depois ser consumido.
Os organismos que fabricam seu próprio alimento são chamados produtores. Os seres vivos capazes de fazer isso são as plantas, as algas e algumas bactérias, chamadas cianobactérias. 
Exemplos de organismos produtores em diferentes ecossistemas:

Cianobatérias Nostoc sp., que habitam o solo e rochas úmidas. (Imagem obtida com microscópio óptico e ampliada cerca de 50 vezes.)

Árvores do Parque Estadual Mata dos Godoy. (Londrina, PR, 2016.)


Algas da espécie Caulerpa racemosa em ambiente marinho. (Arquipélago de São Pedro e São Paulo, PE, 2007.)

Os organismos que fabricam seu próprio alimento são chamados produtores. Os seres vivos capazes de fazer isso são as plantas, as algas e algumas bactérias, chamadas cianobactérias.
A forma mais comum de produção do próprio alimento é pelo processo conhecido como fotossíntese (do grego, photos = ‘luz’; e synthesis = ‘produção’).

Cianobactéria filamentosa. (Ampliação aproximada de 250 vezes.)

A maioria dos produtores faz fotossíntese. Nesse processo, os seres vivos utilizam água, gás carbônico e energia luminosa do Sol para a produção de açúcares utilizados como alimento.  
Como o próprio nome diz, a fotossíntese é um processo em que há a produção de alimento na presença de luz. Para isso, são necessárias matéria-prima e energia. A planta obtém a matéria absorvendo do ar o gás carbônico e, do solo, a água (as algas e algumas plantas aquáticas obtêm o gás carbônico presente na água). 
A fotossíntese é responsável pela produção de glicose (um tipo de açúcar fundamental para a nutrição e a sobrevivência da planta) e de gás oxigênio, que é liberado no ambiente. Esse processo ocorre na presença da energia do Sol e da substância clorofila, que dá a cor verde às plantas. 
Tanto nos ambientes terrestres como nos aquáticos a maioria dos organismos produtores fabrica seu alimento por meio da fotossíntese.

Organismos consumidores 


Os seres vivos consumidores são aqueles que se alimentam de outros organismos ou de partes deles, como folhas, frutos, sementes e ovos. Todos os animais, inclusive o ser humano, são consumidores.
Entre os consumidores, os que só se alimentam de organismos produtores são chamados herbívoros (do latim, herba = ‘erva’; e vorarae = ‘comer’, ‘devorar’). 

A anta (Tapirus terrestris) é um consumidor herbívoro, pois se alimenta apenas de produtores. (Pantanal Mato-Grossense, MT, 2017.)

Existem aqueles que se alimentam de partes de outros animais, de seus produtos, como leite e ovos, ou mesmo deles inteiros; por isso, são chamados carnívoros (do latim, carne = ‘carne’; e vorarae = ‘comer’, ‘devorar’). 
Há ainda animais que se alimentam tanto de produtores quanto de consumidores, sendo classifica dos em onívoros (do latim, omnis = ‘tudo’; e vorarae = ‘comer’, ‘devorar’). 
Ao se alimentar de outros animais, os carnívoros e os onívoros precisam matar sua presa. Nesses casos, eles também são chamados de predadores.
Assim, percebe-se que o tipo de consumidor em que um animal é classificado indica as diversas formas como ele pode obter alimento, utilizando vários itens alimentares em sua dieta.

Organismos decompositores


Os decompositores são seres vivos que se alimentam de partes mortas ou de resíduos de outros seres, como fezes e restos vegetais. São representados por várias espécies de fungos e bactérias e estão em todos os ecossistemas. 
Eles evitam o acúmulo de restos e dejetos nos ecossistemas, transformando-os em compostos mais simples que podem ser aproveitados pelos produtores. São, portanto, responsáveis pela reciclagem de nutrientes.
Todos os seres vivos um dia morrem. Se isso não acontecesse, poderia haver sérios desequilíbrios na obtenção de nutrientes para todos eles. No entanto, quando os seres vivos morrem, seus corpos apodrecem e se decompõem em partes menores, algumas vezes até sem deixar vestígios aparentes.

Árvore em processo de decomposição. Floresta de Bialowieza, na Polônia, em 2018.

Observe a imagem acima de uma árvore caída. Ela está morta. Note que parte dela está apodrecendo. O que provoca esse processo? Você já imaginou quais seriam as consequências se todos os seres vivos, após sua morte, continuassem inteiros no meio ambiente?
Você já deve ter deparado com algum alimento apodrecendo, com um animal morto, já com cheiro desagradável, ou ainda com restos de papéis se desfazendo.
Todos esses são exemplos de materiais que estão sofrendo o processo chamado decomposição (do latim de = ‘retirar’ ou ‘desfazer’; e composit (ionis) = ‘composição’).
Quando um ser vivo morre, suas partes podem sofrer decomposição em razão da ação de seres vivos especificamente responsáveis por esse processo, os quais se alimentam da matéria morta. Esses seres são chamados decompositores. Entre os principais decompositores estão algumas bactérias e fungos

Algumas bactérias e fungos são responsáveis pelo processo de decomposição de organismos, como ocorre com este peixe. Nesse processo, muitas vezes, é liberado um odor desagradável.

Os decompositores alimentam-se da matéria orgânica (do francês, organique = ‘relativo aos órgãos de um ser vivo’) de outros seres vivos. Na decomposição, a matéria orgânica se transforma em componentes mais simples.
Essa matéria orgânica pode ser o corpo ou partes do corpo de outros animais vivos, como penas, pelos e escamas; galhos, flores, folhas, frutos e sementes que caem das plantas; produtos de excreção dos organismos, como fezes e urina; entre outras.
Toda essa matéria, ao ser decomposta, retorna ao ambiente pela ação das bactérias e dos fungos. Os fungos, por exemplo, digerem a matéria orgânica e absorvem o que precisam. O que não aproveitam fica no ambiente. É dessa forma que ocorre a fertilização natural do solo; sem a decomposição, a vida conhecida não seria possível, pois os nutrientes do planeta poderiam se esgotar.
A maioria dos organismos decompositores são microscópicos, ou seja, só podem ser vistos com o auxílio de microscópios.

As bactérias decompositoras ajudam a reciclar a matéria que compõe os seres vivos. (Ampliação aproximada de 4 400 vezes.)

Fungo conhecido por orelha-de-pau (Pycnoporus sanguineus) aderido ao tronco de uma árvore.

Organismos facilitadores da decomposição


Alguns animais auxiliam os fungos e as bactérias na decomposição, pois se alimentam dos restos de outros organismos, como folhas, galhos, flores, frutos e outros compostos vegetais. 
São considerados detritívoros (se alimentam de detritos). Quando se alimentam desses restos de outros seres vivos, acabam também se alimentando dos organismos que estão realizando a decomposição desses detritos. 
Vejamos alguns exemplos: as minhocas, os piolhos-de-cobra e alguns besouros facilitam o processo de decomposição, que depois é finaliza do por bactérias e fungos. As moscas-varejeiras colocam seus ovos em animais mortos: deles eclodem as larvas que se alimentam dos restos do cadáver. Os urubus e também os carcarás se alimentam principalmente de restos de seres mortos e, por isso, são chamados de carniceiros. 

Minhocas.

Mosca-varejeira.

Carcarás.

Todos esses são exemplos de organismos facilitadores da decomposição.

Relações alimentares entre os seres vivos

Os seres vivos de um ecossistema interagem de diversas maneiras. Um tipo de interação são as relações alimentares, ou seja, aquelas que envolvem um organismo se alimentando de outro. As relações alimentares entre os organismos nos ecossistemas podem ser representadas pelas cadeias alimentares. 
Uma cadeia alimentar é formada por uma sequência de interações entre diferentes organismos que servem de alimento uns aos outros. As setas partem de um ser vivo que serve de alimento em direção a outro que dele se alimenta. 

Cadeias e teias alimentares 


Você deve ter percebido que todos os seres vivos estão inter-relacionados, direta ou indiretamente, formando uma grande rede que depende, inicialmente, da energia do Sol que chega à superfície da Terra. 
Os organismos que usam a energia solar e produzem alimento, os produtores, constituem a base da cadeia alimentar, que é dividida em níveis.
Os produtores (1º o o nível) são a base para a alimentação dos consumidores, inicialmente os herbívoros (2º  nível) e, depois, os carnívoros (3º  nível e demais). Perceba que mesmo os carnívoros dependem indiretamente dos produtores. 
A essa sequência de alimentação dá-se o nome de cadeia alimentar. Ela pode ser representada por diagramas que mostram o fluxo do alimento nos quais o sentido da flecha sempre aponta o caminho do consumo do alimento. 
Um consumidor que se alimenta diretamente de um produtor é considerado um consumidor primário; um consumidor que se alimenta de um consumidor primário é considerado um consumidor secundário; e assim por diante.

Acima um exemplo de cadeia alimentar em que o capim é o produtor, o rato é o herbívoro (consumidor primário) e a serpente é o carnívoro (consumidor secundário). 



Produtor: embaúba (Cecropia sp.).



                 
       

        
Consumidor (herbívoro): preguiça (Bradypus sp.).      
                                                   Consumidor (carnívoro): harpia (Harpia harpyia).
         
                                                                                                                               
Decompositores: várias espécies de bactérias e fungos. (Imagem sem escala; cores-antasia.)

Relações alimentares entre a embaúba, a preguiça e a harpia. Além desses, também estão representados fungos e bactérias, que decompõem todos os organismos dessa cadeia alimentar.

De modo geral, as cadeias alimentares são compostas de um produtor, um ou mais consumidores e decompositores. Cada um desses seres vivos corresponde a um elo da cadeia. Cada posição na cadeia alimentar é denominada nível trófico. Veja a seguir os níveis tróficos mais comuns.

Primeiro nível trófico: é ocupado pelos produtores, como as plantas terrestres e aquáticas. 
Segundo nível trófico: é ocupado pelos consumidores primários, que se alimentam de produtores. É o caso de algumas espécies de aruás, caramujos que se alimentam de plantas aquáticas. 
 • Terceiro nível trófico: é ocupado pelos consumidores secundários, que se alimentam de consumidores primários. É o caso do carão, ave que pode se alimentar de aruás. 
Quarto nível trófico: é ocupado pelos consumidores terciários, que se alimentam de consumidores secundários. É o caso da sucuri, serpente que pode se alimentar do carão. 

Após o quarto nível pode vir o quinto, o sexto e assim por diante.

As plantas aquáticas desta nascente produzem o próprio alimento e, portanto, são produtores, ocupando o primeiro nível trófico de uma cadeia alimentar.

Aruá da espécie Pomacea bridgesii. Por se alimentar de plantas, isto é, de produtores, esses animais são considerados consumidores primários, ocupando o segundo nível trófico de uma cadeia alimentar.

Carão (Aramus guarauna). Essa ave pode se alimentar de caramujos aruás, ocupando o terceiro nível trófico de uma cadeia alimentar, sendo, portanto, consumidor secundário.

Sucuri (Eunectes murinus), serpente que pode se alimentar de consumidores secundários, como os carões, ocupando o quarto nível trófico de uma cadeia alimentar.

Geralmente, as relações de alimentação entre os seres vivos são mais complexas do que as que ocorrem em uma cadeia alimentar. Por exemplo, pode haver mais de um consumidor primário que se alimente do mesmo produtor. 
Quando há mais de uma cadeia alimentar possível, e pelo menos um dos componentes ocupa mais de um nível (os consumidores podem, por exemplo, ser ao mesmo tempo primários e secundários), o conjunto das relações se chama teia alimentar. É possível encontrar teias alimentares bem complexas.
Ainda fazem parte das teias alimentares os organismos decompositores que, ao realizar a decomposição, devolvem alguns nutrientes para o ambiente. Esses organismos podem ser também alimento para alguns consumidores. Animais como porcos selvagens podem se alimentar de fungos e são ótimos farejadores de trufas, fungos subterrâneos bastante valorizados no mercado. Ocorre, portanto, um fluxo de matéria e de energia que parte dos organismos produtores, passa pelos consumidores e chega aos decompositores. 

Teias alimentares 


Em um ecossistema, as cadeias alimentares não ocorrem isoladamente, mas se interligam, formando as teias alimentares. Ao lado, encontra-se esquematizado um exemplo de teia alimentar com os seres vivos de uma comunidade do Pantanal Mato-Grossense, representados nessas páginas. É possível perceber que essa teia alimentar reúne várias cadeias alimentares, por exemplo:

• capim ⇾ cervo-do-pantanal ⇾ onça-pintada; 
• plantas aquáticas ⇾ cascudo ⇾ piranha ⇾ sucuri ⇾
  urubu-de-cabeça-vermelha.
a) As plantas aquáticas e o capim. b) O cervo-do-pantanal, a capivara, o caramujo e o cascudo. c) A onça-pintada (pode ocupar o 3° ou o 4° nível trófico); a sucuri (pode ocupar o 3°, o 4° ou o 5º nível trófico); e o urubu-de-cabeça-vermelha (pode ocupar o 3°, o 4º, o 5º ou o 6º nível trófico).

Em uma teia alimentar, alguns seres vivos podem ocupar diferentes níveis tróficos, dependendo da cadeia analisada. É o caso da sucuri nesse exemplo. Ela ocupa o terceiro nível trófico quando se alimenta de um consumidor primário, como a capivara. Mas também ocupa o quarto nível trófico quando se alimenta de um consumidor secundário, como a piranha.

Equilíbrio e desequilíbrio em teias alimentares


O equilíbrio é fundamental para a existência dos seres vivos nos ecossistemas. Qualquer situação ou problema que afete um dos membros das teias alimentares poderá afetar os demais. O ser humano, ao interferir nos ambientes naturais, modifica-os. 
Muitas vezes, essa interferência causa problemas no delicado equilíbrio entre as espécies, trazendo consequências que podem chegar à extinção dos seres daquele ambiente.
Por exemplo, caso as serpentes da teia alimentar que vimos anteriormente fossem caçadas pelo ser humano e desaparecessem, a tendência imediata seria aumentar o número de suas presas, os sapos e os ratos, já que estas não teriam mais o seu predador natural. Isso provavelmente levaria, com o tempo, a uma diminuição do número de borboletas, uma vez que seus predadores naturais aumentariam em número.
Em outras situações, o desequilíbrio da teia alimentar pode ser causado pela introdução de animais ou plantas em áreas onde antes não existiam.
Essas espécies levadas para novos locais são chamadas de espécies exóticas e podem passar a viver nesses novos ambientes sem causar impactos.
Os pardais, por exemplo, foram trazidos da Europa no início do século XX e hoje são comuns nas cidades brasileiras. Na maioria das vezes, porém, essas espécies alteram o ambiente, competindo com espécies nativas por recursos como água, alimentos ou espaço. 
Nesse caso, elas são chamadas de espécies exóticas invasoras. Uma vez que não encontram predadores naturais no ambiente onde são introduzidas, as espécies exóticas invasoras tendem a prevalecer na competição com as espécies nativas. Esse é o caso de várias espécies, como o caso do mosquito Aedes aegypti, vindo da África e transmissor de doenças como a dengue, a febre chikungunya, a febre amarela e a zika.
Outro exemplo é o da rã-touro, um anfíbio importado dos Estados Unidos para o Brasil, na década de 1960, com a finalidade de ser criado para alimentação humana. No entanto, muitas delas fugiram dos criadouros e hoje são encontradas em ambientes onde atacam espécies nativas como pererecas, outras rãs e filhotes de peixes. São animais muito vorazes e, sem predadores, estão expandindo sua distribuição principalmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. O desequilíbrio que as rãs-touro estão causando já levou à extinção local de espécies nativas.

Rã-touro.





Sistema esquelético

Quando o corpo se movimenta, diversas estruturas interagem: ossos, músculos, articulações, tendões, ligamentos e nervos. Os nervos fazem parte do sistema nervoso. Já as demais estruturas citadas participam de outros sistemas que, juntos, permitem a locomoção, a realização de diversos movimentos e a interação com pessoas e com o ambiente onde estão. Além dos movimentos, a interação entre os sistemas esquelético e nervoso garante a sus tentação e define a estrutura do nosso corpo. 
Esses sistemas também são responsáveis pela locomoção de outros animais que têm coluna vertebral: peixes, anfíbios, répteis, aves e demais mamíferos.

Ossos


Os ossos são os principais constituintes do sistema esquelético. Eles são responsáveis pela sustentação do corpo, suportam a força dos músculos na realização dos movimentos e protegem os órgãos internos. Por exemplo, o cérebro é protegido pelos ossos do crânio; o coração e os pulmões, pelas costelas; e a medula espinal, pela coluna vertebral.
Os ossos são formados principalmente pelo tecido ósseo, um tipo de tecido conjuntivo. A substância que fica entre as células desse tecido é rica em sais minerais, principalmente cálcio e fósforo, o que o torna duro e confere resistência aos ossos. Apesar de rígido, o tecido ósseo não forma uma massa uniforme e os ossos são leves. No interior deles, existem canais por onde passam vasos sanguíneos ou que estão preenchidos por medula óssea vermelha. 
Os vasos sanguíneos transportam sangue, levando nutrientes e gás oxigênio até as células ósseas e recolhendo os resíduos produzidos por elas. A medula óssea vermelha é o tecido que produz as células do sangue. Em ossos longos, também podemos encontrar gordura em uma região chamada de medula óssea amarela.
Apesar de resistente a impactos, uma pessoa pode sofrer uma fratura óssea, que consiste na ruptura de um osso. Esse tipo de rompimento pode ser diagnosticado por meio de uma radiografia, um exame de imagem que utiliza raios X. 
As células do tecido ósseo podem se regenerar, ou seja, se multiplicar e restaurar a região fraturada. Mas, para que isso ocorra, é importante manter a região imobilizada e é por isso que, em muitos casos, coloca-se gesso ao redor do membro fraturado. Algumas vezes também é necessária a realização de cirurgias.

Radiografia de membros inferiores mostrando osso fraturado  e osso íntegro.

Esqueleto humano 


Uma pessoa adulta tem 206 ossos. O conjunto desses ossos forma o esqueleto. Os ossos podem ser longos, como o fêmur; chatos ou planos, como os do crânio, ou curtos, como as vértebras. 
O esqueleto de homens e de mulheres pode apresentar algumas diferenças. Por exemplo, o quadril das mulheres geralmente é mais largo e circular. Já nos homens, o tórax e os ombros geralmente são relativa mente maiores e mais robustos. Essas diferenças são desencadeadas pela ação de hormônios que participam do desenvolvimento ósseo na adolescência.
No esqueleto humano, os ossos que protegem os órgãos vitais constituem o esqueleto axial: ossos do crânio e do tronco (coluna vertebral e caixa torácica). Os demais ossos estão relacionados à movimentação do corpo e formam o esqueleto apendicular: nos membros superiores (ossos das mãos, dos braços e antebraços) e da cintura escapular (ombro); nos membros inferiores (coxa, perna e pé) e da cintura pélvica (quadril). 

Ossos da cabeça 


Os ossos do crânio formam um tipo de capacete, que envolve e protege alguns órgãos do sentido e o encéfalo, do qual o cérebro faz parte. Não há espaços entre os ossos que formam a caixa craniana, eles estão firmemente unidos e são imóveis. Na face, a mandíbula é o maior e único osso móvel da cabeça. Os dentes localizam-se na mandíbula e na maxila e, ao mover a mandíbula, podemos mastigar os alimentos. 

Ossos do tronco 


No tronco, encontramos principalmente duas partes do esqueleto: a coluna vertebral e a caixa torácica
A coluna vertebral funciona como um eixo de sustentação do corpo, ao qual estão ligados a cabeça, os membros superiores e os inferiores. É constituída por ossos pequenos chamados de vértebras. 
Entre as vértebras há os discos intervertebrais, estruturas cartilaginosas que amortecem os impactos quando movimentamos o tronco e que permitem alguns movimentos da coluna. O eixo de sustentação do corpo é, portanto, ao mesmo tempo forte e flexível.
Representação esquemática de uma vértebra e de um disco intervertebral.

Representação esquemática das regiões da coluna vertebral.

Em um indivíduo adulto, as quatro últimas vértebras se unem e formam o cóccix. As cinco vértebras anteriores ao cóccix também se fundem e formam o osso sacro. As demais vértebras são ossos pequenos, com um orifício no centro. A união dos orifícios internos das vértebras forma o canal vertebral, onde está a medula espinal, que faz parte do sistema nervoso. 
Na coluna vertebral podemos identificar cinco regiões: cervical, próxima à cabeça e que está na região que chamamos de pescoço; torácica ou dorsal, ocupando a maior parte das costas; lombar, região que antecede o início das nádegas; sacral, na região das nádegas; coccigiana, no final da coluna. 
A caixa torácica é formada pelas costelas e pelo osso esterno. Ela protege os pulmões e o coração. 
Na região posterior (das costas), as costelas estão ligadas à coluna vertebral. 
Na região anterior (no peito), há uma cartilagem que une as costelas ao osso esterno. 
A caixa torácica se movimenta durante a inspiração e a expiração, aumentando e diminuindo de volume e sendo fundamental para a entrada de ar nos pulmões e sua posterior eliminação.
Representação esquemática da caixa torácica em vista anterior, com destaque para o osso esterno e as costelas.

Ossos dos membros 


O esqueleto apendicular é formado pelos membros superiores, que incluem os ombros, os antebraços, os braços e as mãos; e pelos membros inferiores, compostos de quadril, coxas, pernas e pés. 
Na estrutura óssea do pé podemos encontrar diversos ossos distribuídos em ossos do tarso (ossos da parte superior do pé), do metatarso (ossos que se articulam com os dedos) e das falanges (ossos dos dedos). 
A estrutura óssea da mão também é formada por diversos ossos, como os ossos do carpo (ossos do punho), os do metacarpo (ossos da palma da mão) e as falanges (ossos dos dedos).
O esqueleto dos seres humanos se diferencia do esqueleto de outros mamíferos em vários aspectos, incluindo a capacidade de realizar alguns movimentos. 
Entre eles estão os movimentos dos dedos: nós podemos, por exemplo, fazer movimentação em pinça, unindo a ponta do dedo polegar com a ponta de um dos outros dedos da mesma mão. Esse movimento é possível por causa da posição do polegar em relação aos demais dedos da mão. 

Representação esquemática de esqueleto humano com a indicação das regiões dos membros superiores e inferiores.

O esqueleto dos seres humanos se diferencia do esqueleto de outros mamíferos em vários aspectos, incluindo a capacidade de realizar alguns movimentos. 
Entre eles estão os movimentos dos dedos: nós podemos, por exemplo, fazer movimentação em pinça, unindo a ponta do dedo polegar com a ponta de um dos outros dedos da mesma mão. Esse movimento é possível por causa da posição do polegar em relação aos demais dedos da mão. 

Articulações 


Os ossos são rígidos, não flexíveis. Ao dobrar a perna ou levantar o braço, os ossos daquela região do corpo permanecem com seu formato. 
Então, os movimentos corporais ocorrem graças às articulações, regiões de contato entre dois ou mais ossos. Nessas regiões há outros tipos de tecido conjuntivo protegendo os ossos, desse modo, o atrito entre eles é reduzido. 
As articulações estão presentes nos joelhos, cotovelos, punhos, tornozelos, ombros, entre outras regiões. Elas podem ser classificadas, conforme o grau de mobilidade, em móveis, semimóveis ou imóveis. 
As articulações móveis são flexíveis e possibilitam movimentos em uma ou mais direções, dependendo do encaixe dos ossos. São encontradas, por exemplo, nos ombros, nos joelhos e nos cotovelos. 
Nessas articulações, os ossos se mantêm unidos por um tecido conjuntivo de nominado ligamento. Além disso, entre as cartilagens que protegem os ossos existe um espaço preenchido pelo líquido sinovial, que reduz o atrito, atuando como um lubrificante e amortecendo as articulações durante os movimentos. 

As articulações semimóveis são flexíveis e apresentam cartilagens entre os ossos. Como o nome indica, a articulação semimóvel permite movimentação parcial, em que os movimentos não são tão amplos como os permitidos pelas articulações móveis. São exemplos de articulações semimóveis aquelas encontradas entre uma vértebra e outra, na coluna vertebral. 
As articulações imóveis são fibrosas e não permitem movimento entre um osso e outro. Nesse caso, as duas superfícies ósseas estão firmemente unidas, como a maioria das articulações que estão entre os ossos do crânio. 
Nos bebês recém-nascidos, entre os ossos do crânio há um espaço, constituído por tecido conjuntivo, chamado de moleira. Os ossos ainda estão se formando e, durante o nas cimento por parto natural, a moleira permite que alguns ossos se desloquem sem causar danos ao crânio. 

Representação esquemática do crânio adulto, com as articulações imóveis entre os ossos destacadas em marrom.







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