Crosta terrestre
Aproximadamente 67% da crosta terrestre é coberta por água, e somente 33% dela forma os continentes, onde está a maior parte das rochas conhecidas e utilizadas pelo ser humano. As rochas são materiais formados por um conjunto de minerais.
Essa é a camada mais externa da Terra. Nós vivemos na superfície da
crosta. Ela apresenta variações na espessura e é composta de rochas e
solo.
A crosta pode ser dividida em dois tipos: a crosta oceânica e a crosta
continental. A crosta oceânica tem espessura de 5 km a 10 km e está
localizada no fundo dos mares e oceanos. A crosta continental é mais
espessa, pode ter entre 25 km e 50 km de profundidade, e forma os
continentes e as partes rasas de mares e oceanos, próximos ao litoral.
Manto
Logo abaixo da crosta existe uma região
rochosa chamada de manto, com cerca de
3 000 km de espessura. É nessa região que está
a maior massa da Terra.
A crosta e a parte do manto que está em contato com ela formam, juntas, uma camada rochosa chamada de litosfera, com cerca de 100 km de
espessura.
A litosfera é fragmentada em grandes
blocos rochosos, as placas litosféricas ou tectônicas. Na superfície das placas tectônicas, estão
os continentes e o fundo dos oceanos.
Abaixo da litosfera, a temperatura é tão alta
que parte das rochas do manto passa a ter consistência pastosa.
O material do manto recebe o
nome de magma. Além de no manto, o magma
pode ser encontrado no interior da crosta, nas
câmaras magmáticas. Quando é expelido por um
vulcão, o magma passa a ser chamado de lava.
Núcleo
É a região mais interna, constituída de ferro e
níquel. Inicia-se a cerca de 2 900 km da superfície e se estende até o centro da Terra, a mais de
6 300 km de profundidade. O núcleo externo é
predominantemente líquido e o núcleo interno,
na maior parte, é sólido. Estima-se que a temperatura no núcleo do planeta seja em torno de
6 000 °C.
Rochas e minerais
As rochas compõem a litosfera, ou seja, a região que compreende a
crosta e uma parte superior do manto. Elas são formadas por minerais,
materiais naturais geralmente sólidos, como o ferro e o alumínio.
Os minerais são materiais, geralmente sólidos, que ocorrem naturalmente na crosta terrestre.
Cada tipo de mineral tem características próprias, como cor e brilho. Geralmente, os minerais apresentam estruturas geométricas bem definidas, chamadas de cristais.
Quando os minerais são extraídos da natureza para serem aproveitados em atividades econômicas e tecnológicas, passam a ser denominados minérios, como no caso do ferro.
O quartzo é o mineral mais abundante na superfície da Terra. Ele tem
ampla utilização, como na indústria de vidros, pois na areia há grande
quantidade de quartzo. Também está presente na composição de computadores e de fibras ópticas. Esse mineral existe em variedade de cores,
como rosa, verde, amarelo e branco, sendo utilizado na confecção de
joias e de objetos de decoração.
Amostra de cristal de
quartzo. Esse mineral é,
geralmente, branco ou
incolor. Dependendo de
sua composição, pode ser
encontrado em outras cores.
Amostra de pirita. Por ser
brilhante e dourado, esse
mineral é chamado de
“ouro de tolo”.
Amostra de hematita,
principal mineral do qual se
extrai o ferro.
Amostra de mineral do
tipo feldspato, o mais
abundante na crosta
terrestre.
As rochas, por sua vez, são formadas por um ou mais minerais. Entre as constituídas por apenas
um mineral, está o calcário, composto de calcita. Entretanto, a maioria das rochas é
constituída por mais de um mineral, como é o caso do granito, que contém
principalmente quartzo, mica e feldspato.
Amostra de granito, na qual é possível observar seus
componentes minerais. O quartzo é geralmente
esbranquiçado e translúcido; a mica são os pontos
escuros, e as regiões cinza são feldspato.
Os tipos de rocha
Cada tipo de rocha apresenta um processo de formação diferente. Elas podem ser classificadas de acordo com sua composição química, sua forma estrutural, sua textura e, o mais comum, de acordo com os processos envolvidos em sua formação. Em razão da maneira como foram formadas, as rochas podem ser classifica das em três tipos: ígneas ou magmáticas, sedimentares e metamórficas.
Rochas ígneas ou magmáticas
As rochas originadas da solidificação do magma – fluido pastoso
expelido por vulcões –, depois de seu resfriamento, são chamadas de
magmáticas ou ígneas. Esses tipos de rocha são resistentes e pouco
permeáveis. O basalto, a pedra-pomes e o granito são exemplos desse
tipo de rocha.
A palavra ígnea vem do latim ignis e significa ‘fogo’. Como o próprio nome sugere, as rochas ígneas ou magmáticas são formadas a partir do resfriamento do magma no interior da crosta terrestre ou sob a forma de lava em uma erupção vulcânica. Exemplos de rochas magmáticas mais comuns são: granito, basalto e pedra-pomes.
O granito é a rocha magmática mais conhecida e se forma no interior da crosta terrestre, bem abaixo da superfície, pelo resfriamento lento do magma. Por esse motivo é classificada como rocha intrusiva.
O granito é formado principalmente por três tipos de mineral: o quartzo (grãos brancos), a mica (grãos pretos) e o feldspato (grãos cinzentos).
Os minerais que compõem o granito também são usados isoladamente.
O quartzo, por exemplo, é utilizado na fabricação do vidro. Nesse processo,
a areia, que é formada principalmente por quartzo, é misturada com outros
minerais e aquecida em fornos de alta temperatura até derreter. Depois de der
retida, a massa é moldada.
Já a mica é um bom isolante de calor e de eletricidade; por isso é utilizada
na resistência (componente interno que esquenta com a eletricidade) do ferro
elétrico de passar roupas.
O feldspato é usado na produção de cerâmica e porcelana e na indústria de
vidro. Além disso, entra na produção de esmaltes, azulejos e até de papel.
Agora que você já sabe que as rochas são compostas de minerais, chegou
a hora de entender melhor como elas se formam na natureza.
Amostra de granito. As diferentes cores são os diferentes minerais que formam a rocha.
Existem vários tipos de granito, com diferentes colorações e usos. Tampos
de pia (de banheiro ou cozinha) são comumente feitos de granito.
Tanto o basalto como a pedra-pomes têm origem na lava expelida nas erupções vulcânicas e, assim, são formados na superfície da crosta terrestre por
meio de um resfriamento rápido do magma. Portanto, são classificados como
rochas extrusivas.
O granito faz parte dos chamados escudos cristalinos, blocos rochosos antigos que formam parte da superfície da Terra. No Brasil, o escudo
cristalino forma grande porção das serras da Mantiqueira, do Mar e dos
Órgãos, entre outras.
As rochas magmáticas podem ser formadas tanto acima do solo como
abaixo dele. Após a erupção de um vulcão, o magma é expelido para a
superfície terrestre e passa a ser chamado de lava. Então, a lava esfria e
formam-se as rochas magmáticas vulcânicas.
O magma também pode ficar preso em um bolsão dentro da crosta
terrestre. Quando isso ocorre, o resfriamento é bem mais lento, e são formadas as rochas plutônicas.
Ao se solidificar, o magma forma rochas ígneas. Na fotografia, lava solidificada no Parque
Nacional dos Vulcões do Havaí (Estados Unidos), 2019.
Feito de granito, o Monumento aos
Mortos da Segunda Guerra Mundial
(ou Monumento aos Pracinhas) foi
construído entre 1957 e 1960 e
está localizado na cidade do Rio de
Janeiro (RJ), 2015.
A pedra-pomes, cuja aparência
lembra uma esponja, pode ser usada
como lixa para alisar superfícies
e para esfoliar a pele. Por sua
densidade ser geralmente menor
do que a da água, ela pode flutuar
nesse líquido.
O basalto, rocha de coloração
escura, é muito usado na
pavimentação de calçadas, como
acontece em São Paulo (SP).
Rochas sedimentares
Como o próprio nome indica, esse tipo de rocha é formado por sedimentos
que podem ser pequenos fragmentos de outras rochas e partes de animais e
de plantas, que podem vir a formar os fósseis, ou até mesmo por substâncias que estavam
dissolvidas na água. Esses sedimentos de diversos tamanhos e diferentes
composições se juntam, originando camadas que se acumulam umas sobre
as outras com o passar do tempo.
As rochas sofrem desgaste ao longo do tempo. Isso pode ser causado
pelas mudanças de temperatura, pela ação da água, do vento e de
substâncias químicas, entre outros fatores.
As rochas sedimentares formam-se da compactação de sedimentos
que se desprenderam de outras rochas por causa do desgaste.
A estrutura porosa das rochas sedimentares faz com que elas sejam mais permeáveis que as rochas magmáticas.
Essa estrutura permite não só a infiltração da água, mas também a
sua filtração. Conforme a água passa pelos poros da rocha sedimentar,
as impurezas vão sendo retidas. São exemplos de rochas sedimentares o
calcário e o arenito.
Nesta representação, as camadas inferiores são as mais antigas e as mais compactadas por
terem sido formadas primeiro.
Conforme as camadas vão se formando, os sedimentos das camadas inferiores vão sendo comprimidos pelo peso das camadas superiores. O estudo desse
conjunto de camadas de rochas em um local, associa
do à presença de fósseis, ajuda os pesquisadores a recompor os ambientes do passado.
Como exemplos de rochas sedimentares temos: o
arenito, o argilito e o calcário.
O arenito é formado principalmente por grãos de
areia compactados, que, ao sofrer desgaste pela ação
da chuva e do vento, originam estruturas interessantes, como a da imagem abaixo.
A Taça, no Parque
Estadual de Vila
Velha, Ponta Grossa
(PR), 2018, é uma
estrutura de arenito.
O argilito é uma rocha sedimentar formada pelo desgaste de rochas que
contêm o mineral feldspato, cujo principal componente é a argila compactada.
As partículas da argila são muito pequenas, menores do que as de areia.
O calcário é também uma rocha sedimentar, formada principalmente por
uma substância química chamada carbonato de cálcio. Essa substância é proveniente de carapaças, de conchas e de esqueletos de animais marinhos ou da
deposição de minerais de cálcio dissolvidos na água.
Uma formação interessante que pode aparecer em regiões com grandes
depósitos de calcário são as cavernas de calcário. A água da chuva e o gás carbônico dissolvido nela, ao penetrar por fendas nas rochas calcárias, podem dissolver e transportar substâncias que se depositam, originando estruturas com
aspecto de agulha no teto das cavernas, as chamadas estalactites. Processo
semelhante ocorre quando as gotas caem no chão da caverna, originando, ao
longo dos anos, formações conhecidas como estalagmites. Essas estruturas
levam muito tempo para se formar.
Caverna de calcário
localizada no Parque
Estadual do Alto Ribeira
(também conhecido
como Petar), na cidade
de Iporanga (SP), 2018.
Observe as estalactites
e as estalagmites
formadas.
O calcário é a matéria-prima usada na produção da cal e do cimento, utilizados na construção civil. Na agricultura, é utilizado para diminuir a acidez de
determinados tipos de solo, melhorando a sua qualidade. Esse processo é denominado calagem.
Fragmento de
calcário, rocha
sedimentar
formada
principalmente
por calcita.
Fragmento
de arenito,
composto
principalmente
de quartzo.
Rochas metamórficas
As rochas podem sofrer modificações em sua composição ou textura
provocadas por alterações no ambiente em que estão, como um aumento grande e rápido na temperatura. A rocha formada em razão dessas modificações ambientais é chamada de metamórfica.
As rochas metamórficas são formadas pela transformação
(metamorfose) de qualquer tipo de rocha. Essas transformações
são possíveis quando as rochas ficam submetidas a grandes pressões e a elevadas temperaturas no interior da crosta terrestre.
As mais comuns são o mármore e o gnaisse.
As rochas metamórficas são resistentes e, por isso, são usadas em
construções. Mármore e ardósia são exemplos desse tipo de rocha.
O mármore é originado da transformação do calcário (que é uma rocha sedimentar). O gnaisse é formado pela transformação do granito (que é
uma rocha ígnea).
O Pão de Açúcar, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em fotografia de 2017, é uma
das formações de gnaisse mais conhecidas do mundo.
Amostra de gnaisse, rocha
metamórfica formada a partir
do granito ou do quartzo.
Pedaço de ardósia, rocha
metamórfica formada pela
transformação da argila sob
pressão e alta temperatura.
A exploração de
rochas e seus minerais
Qualquer tipo de rocha ou de mineral que tenha valor econômico, seja para
a indústria, seja para o comércio, é chamado de minério.
O local onde um minério é encontrado em grande quantidade é denomina
do jazida. Uma jazida que está sendo explorada economicamente é denominada
mina, e a atividade de exploração do minério é denominada mineração.
No Brasil, são encontrados e explorados vários minérios, entre os quais a
bauxita, a hematita e a calcopirita. A bauxita e a hematita são exemplos de minérios usados como matéria-prima para obtenção do alumínio e do ferro, respectivamente, metais muito utilizados na produção de utensílios domésticos,
embalagens de alimentos e de refrigerantes, medicamentos, portas, janelas e
peças de aviões. A calcopirita é utilizada na obtenção de cobre para a fabricação de fios elétricos.
A exploração das jazidas pode provocar um grande impacto ambiental, modificando as características do relevo e expondo o solo a um intenso desgaste.
Os impactos ambientais podem ser reduzidos se, após a exploração de de
terminada área, houver um trabalho de recuperação do local, como colocação
de terra (solo), plantio de novas árvores e aproveitamento do espaço para outras finalidades.
Intemperismo
Todos os tipos de rocha podem sofrer desgaste, que pode ser lento e contínuo, provocado por agentes como a água de mares e rios, pela chuva, pelos seres
vivos, pela variação da temperatura (calor e frio) e por substâncias químicas.
Esse desgaste recebe o nome de intemperismo.
O resultado do intemperismo nas rochas é sua decomposição e a formação
de sedimentos (partículas pequenas), que podem ser transportados principal
mente pela água ou pelo vento. Veja nas imagens a seguir exemplos de ambientes formados pela deposição de sedimentos.
Dunas em Jijoca de Jericoacoara (CE), em 2017: exemplos
de deposição de partículas de areia.
Manguezal em Camaçari (BA), em 2018, onde há depósito
de sedimentos de argila.
A formação do solo
Durante a formação da Terra, que ocorreu há bilhões de anos, a superfície
não tinha o aspecto atual. Ela era composta de grandes rochas e desprovida
de vegetação. Ao longo de milhões de anos essas rochas sofreram a ação de
agentes naturais e foram se alterando. Essas alterações, que ainda continuam
a ocorrer, formaram o solo.
Diferentes tipos de rocha deram origem a diferentes tipos de solo. Chamamos de rochas matrizes aquelas a partir das quais o solo se formou ou ainda
se forma.
Ao longo do tempo, a variação de temperatura, os ventos, a água, as substâncias químicas dissolvidas e transportadas pela água e os seres vivos agem
sobre as rochas, modificando-as e transformando-as em partículas menores,
até constituírem o que chamamos de solo.
O processo de formação do solo é muito lento: estima-se que leve de 100
a 400 anos para se formar uma camada de 1 centímetro de solo e que, para
se formar um solo apropriado para a agricultura, sejam necessários de 3 mil a
12 mil anos.
Os agentes naturais formadores do solo
Os principais agentes naturais responsáveis pela alteração das rochas são:
o choque térmico, o vento, a água e a ação de seres vivos. Vamos conhecer
como cada um deles atua.
Choque térmico
É o que ocorre, por exemplo, quando despejamos água muito quente em
um copo de vidro frio. A variação brusca na temperatura do vidro pode provocar
trincas no copo e até quebrá-lo.
Na Terra, a temperatura ambiente pode variar bastante e, nesse processo,
as rochas podem se dilatar e se contrair. Ao longo de milhares de anos, esse
processo faz com que as rochas trinquem e quebrem em pedaços cada vez
menores, contribuindo para a formação do solo.
Vento
Ventos fortes e constantes agem sobre as rochas como se fossem uma
“lixa”, esfarelando-as. Essas pequenas partículas são transportadas pelo vento e se depositam em outra região, formando o solo.
Água
Você já viu o que acontece com uma garrafa cheia de água deixada no congelador ou no freezer de um dia para o outro? Ela trinca ou racha por inteiro.
Isso acontece porque a água, ao congelar, aumenta de volume.
Esse mesmo fenômeno ocorre quando a água congela dentro dos pequenos espaços em uma rocha. A repetição constante desse processo vai gradual
mente aumentando o tamanho das rachaduras, até que a rocha se quebre.
Além disso, a água líquida em contato com as rochas pode dissolver, transformar e transportar alguns de seus componentes, aumentando seu desgaste.
Seres vivos
Alguns organismos, como bactérias e liquens, conseguem se fixar e sobre
viver em rochas úmidas, e liberam substâncias que fragmentam as rochas.
Após sua morte, eles se decompõem e dão origem a uma fina camada de solo,
onde se fixam outros organismos, como os musgos, que, ao crescer, fazem com
que a rocha se fragmente um pouco mais. Esse processo lento e gradual gera novas camadas de solo, cada vez mais espesso e rico em substâncias nutritivas.
Em regiões onde
a temperatura
ambiente atinge
valores menores do
que zero grau Celsius
(0 oC), a água, ao
congelar, se expande
e aumenta o tamanho
das rachaduras nas
rochas.