quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Questões ambientais na África


De modo geral, as questões ambientais na África são semelhantes às detecta das em outras partes do mundo e decorrentes tanto de fatores naturais como da atividade humana. No entanto, o contexto de extrema pobreza da população de alguns países agrava ainda mais essas questões no continente africano.

Problemas climáticos

Os problemas climáticos que atingem a África costumam se manifestar de duas maneiras distintas: na forma de secas severas, com consequente desertificação em áreas de degradação do solo, e na forma de chuvas torrenciais, com consequentes inundações. O processo de desertificação avança, especialmente, na porção sul do Deserto do Saara, na região semiárida conhecida como Sahel, que tem sofrido com o avanço gradual do deserto. A porção do continente que mais tem sentido o impacto decorrente de chuvas torrenciais nas últimas décadas é a África Oriental.

Questões energéticas

Em pleno século XXI, é preocupante constatar que, na África Subsaariana, cerca de 65% do total de energia gerada provém da biomassa. Enquanto a energia gerada pelas hidrelétricas e termelétricas se restringe, principalmente, ao abastecimento das cidades, em muitas áreas rurais do continente, a população depende, em larga medida, do uso de madeira e carvão vegetal para atender às suas demandas energéticas. Embora a madeira seja um recurso natural renovável, nesse caso, ela não provém de reflorestamento, mas da exploração excessiva de áreas florestais, agravando os problemas de desmatamento e degradação dos solos.

Desmatamento

A destruição das florestas e outros tipos de vegetação nativa vem afetando, principalmente, a ilha de Madagascar e os países das regiões da África Central e Oriental. Grande parte do problema advém das queimadas, das demandas energéticas por lenha e madeira e da superexploração florestal visando à exportação madeireira e à implantação de atividades agropecuárias.

Perda de biodiversidade

A desertificação e o desmatamento têm diminuído o hábitat natural de muitas espécies, contribuindo para reduzir a rica biodiversidade africana. Outro fator que agrava esse problema é a caça e o tráfico de espécies silvestres e exóticas. Tais atividades ilegais se destinam a abastecer o comércio ilícito de animais e itens, como chifres de rinoceronte e presas de marfim de elefantes, cobiçados em mercados de outros continentes.

A questão da água

O acesso, o uso e o consumo de água estão entre os maiores problemas ambientais da África. Apesar de grandes rios, aquíferos e, principalmente, lagos, a água está distribuída de maneira extremamente desigual pelas diferentes regiões africanas. Diversos países dependem do abastecimento de água proveniente de outras nações, em especial os que abrigam áreas de deserto, como Botsuana, Mauritânia, Níger e Sudão. As mudanças climáticas e a ocorrência de secas prolongadas têm tornado esse problema ainda mais grave.

Ajuda ao desenvolvimento na África

Diante dos diversos problemas socioeconômicos que afligem grande parte dos países em desenvolvimento, em 1970 a ONU afirmou, junto aos governos dos países desenvolvidos, sobretudo os que fazem parte da OCDE, o compromisso de financiar projetos que objetivem auxiliar essas nações.
Para isso, ficou determinado que os países desenvolvidos membros da OCDE deveriam converter 0,7% de sua renda nacional bruta (RNB) em doações e em préstimos que amenizassem problemas vivenciados pelas nações pobres do mun do. Entre os projetos, podem ser destacados a ajuda alimentar, o auxílio militar e financeiro e a assistência técnica em setores estratégicos, como a defesa (treina mento de tropas e fornecimento de equipamentos e suprimentos para o combate a grupos extremistas e milícias).
Ao longo dos anos, foram poucas as nações que atingiram a meta estipula da pela ONU. Com exceção de Luxemburgo, Suécia, Países Baixos, Noruega e Dinamarca, todos os outros incumbidos dessa responsabilidade, como Estados Unidos, Itália e Japão, não atingiram o valor estipulado que deveria ser desti nado a ajudar os países em desenvolvimento. 
A ajuda econômica aos países africanos, principalmente os da África Subsaariana, também envolve críticas em razão da elevada corrupção presente em muitos governos da região, dado que os recursos destinados à saúde e à educação não são devidamente investidos. Para muitos africanos, tal auxílio não encaminha para a resolu ção do problema, pois à medida que se destinam empréstimos aos países em desenvolvimento, como vimos anteriormente, estes se tornam cada vez mais dependentes e endividados, já que as taxas de juros aumentam o montante do valor emprestado.

OCDE: Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, formada por 30 países, muitos deles altamente industrializados. Com sede em Paris, na França, a OCDE tem como um de seus objetivos promover o desenvolvimento econômico de seus países-membros.

Integração e a União Africana (UA)

Os países da África ainda não têm o mesmo nível de integração política e eco nômica verificado entre nações de outros continentes. Isso é evidenciado, por exemplo, pelo fato de que a vasta maioria dos Estados africanos realiza boa parte de suas transações comerciais com países de outras regiões do mundo. 
No entanto, avanços significativos direcionados a uma maior integração entre as nações africanas ocorreram no século XXI. O principal deles se deu em 2002, quando foi oficializada a UA, em substituição a sua antecessora, a Organização da Unidade Africana. Atualmente, todos os países do continente integram essa organização, cuja sede foi construída em Adis Abeba, na Etiópia, com investimentos chineses.
A UA abarca diversos órgãos e atua para promover a cooperação política, assegurar a manutenção da paz e estimular as relações comerciais entre seus países-membros. O principal órgão dessa organização é a Assembleia da União Africana, formada pelos chefes de Estado de todos os países africanos.
Além da integração econômica e política, um dos grandes desafios a ser supe rados pela UA atualmente é a promoção da democracia no continente, ainda mar cado pela presença de governos autoritários. A organiza ção busca também reduzir as desigualdades econômicas e, consequentemente, elevar o peso político e comercial da maioria de seus países-membros, muitos dos quais ainda estão à margem das ne gociações inter-regionais no continente.

As Comunidades Econômicas Regionais 

O órgão da UA responsável pelo desenvolvimento e estímulo à integração eco nômica é a Comunidade Econômica Africana (CEA). Para o futuro, destaca-se o plano de criar uma zona de livre-comércio no continente africano.
Atualmente, no entanto, os pilares da integração econômica da África são as Comu nidades Econômicas Regionais, ou CER, que atuam como blocos econômicos regionais do continente. 
Exemplos são a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (em inglês, SADC), a Comunidade da África Oriental (em inglês, EAC) e o Mercado Comum da África Oriental (em inglês, COMESA). Hoje em dia, a mais expressiva dessas comunidades é a SADC, bloco instituído ainda em 1992 com o propósito de estabelecer um mercado comum e intensificar as relações comerciais entre seus países-membros. 
Atua mente, 15 países africanos, que estão no mapa a seguir, compõem a SADC. Juntos, eles somam um PIB de apro ximadamente 623 bilhões de dólares e reúnem uma população de cerca de 362 milhões de pessoas.
Entre os países-membros, a África do Sul é o que mais se destaca, por ser a economia mais industrializada do continente. Nesse sentido, os produtos indus trializados sul-africanos dominam parte dos mercados nos demais países da SADC, e o país também é um dos maiores investidores do bloco.


A África e a China

Por causa do passado colonial e das ligações históricas, econômicas e culturais, predominam capitais europeus no continente africano. Em geral, cada país europeu concentra o investimento em sua ex-colônia, como os negócios portugueses em Angola. Os Estados Unidos também investem no continente, sobretudo na África do Sul. 
Os países da África têm fortalecido parcerias comerciais e financeiras tanto entre si como com países de outros continentes, visando aumentar suas produções econômicas, atrair investimentos e diversificar os destinos de suas exportações.
Nesse contexto, muitos parceiros comerciais vêm surgindo no cenário econômico africano nas últimas décadas, sendo o principal deles a China. 
Os chineses, atualmente, são os principais parceiros comerciais da maioria dos países do continente e vêm aumentando consideravelmente seus investimentos na África.
Os chineses têm se empenhado em garantir seu abastecimento de alimentos, matérias-primas agrícolas e minerais, bem como de fontes de energia, para sustentar seu enorme crescimento econômico (no período de 2000-2017, o PIB chinês cresceu em média 9,7% ao ano).
Esse interesse nos países africanos é explicado por diversos motivos. A China é atualmente o segundo maior consumidor mundial de petróleo e obtém cerca de um terço de seu abastecimento do continente africano.
Além disso, em razão do aumento – também enorme – de suas exportações, eles acumularam grandes volumes de reservas internacionais (em 2017, eram 3,2 trilhões de dólares). Ou seja, os chineses estão com muito dinheiro em caixa e possuem grandes empresas que buscam se internacionalizar. Por isso, cada vez mais têm tomado o lugar dos europeus e estadunidenses como investidores no continente africano; no entanto, há uma diferença importante com a chegada dos chineses. 
Na época do imperialismo (século XIX e início do século XX), as potências europeias dominaram política e territorialmente as nações africanas, que foram transformadas em colônias de exploração. Queriam com isso garantir o fornecimento da matérias-primas baratas para seu processo de industrialização. 
Na época da Guerra Fria (1947-1991), os Estados Unidos estavam mais interessados em difundir seu modelo político-econômico aos países re cém-independentes, para conter o avanço da influência soviética, do que em fazer investimentos produtivos. 
No início do século XXI, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, agências de financiamento internacional controladas pelos Estados Unidos, só concedem empréstimos mediante a imposição de certas condições, como que os países adotem as políticas econômicas defendidas por essas instituições. 
Já a China, na atual fase da globalização, não está interessada em dominar politicamente os países africanos nem em lhes impor seu modelo político-econômico; quer sim investir suas enormes reservas de capitais acumula dos, seja por meio de investimentos produtivos ou de empréstimos. Dessa forma, a China pretende assegurar seu fornecimento de alimentos, matérias-primas e fontes de energia, garantindo seu desenvolvimento econômico e o dos países africanos, onde também tem investido em infraestrutura.
Os chineses também são compradores de 60% da madeira exportada da África, além de diversos recursos minerais essenciais à sua atividade industrial. Além de possuir numerosas fontes de recursos naturais e energéticos, o continente africano representa um grande mercado consumidor potencial dos produtos industrializados chineses.
Dessa forma, buscando fortalecer sua influência econômica e política nos países do continente por meio de uma diplomacia amigável e comercialmente favorável, os chineses vêm estreitando suas relações com as nações da África.
Os chineses defendem uma interação internacional baseada em ganhos mútuos. Por essa razão, têm aumentado sua presença em países em desenvolvimento, tanto na África como na América Latina. À medida que a presença da China aumenta, é natural que cresça também sua influência política, sobretudo em economias pequenas e dependentes, como as de muitos países africanos.
Em troca de acordos para a importação de recursos minerais e outras matérias-primas, os chineses concedem aos países africanos empréstimos em condições favoráveis e investem na ampliação da infraestrutura do continente, facilitando a inserção das nações da África nas cadeias mundiais de produção.
Nesse contexto, os chineses constroem pontes, estradas, ferrovias, usinas hidrelétricas, hospitais e escolas nos países africanos, participando até mesmo com a mão de obra, motivo pelo qual milhares de trabalhadores chineses têm migrado todos os anos para a África.
Entre as principais críticas a essa presença, destaca-se a dependência excessiva que alguns países têm em relação à economia chinesa atualmente, assim como o apoio chinês a governos autoritários, dificultando o avanço da democracia no continente.

África: aspectos econômicos

Problemas econômicos na África 

Embora haja muitos contrastes socioeconômicos entre as nações da África, o continente abriga alguns dos países em desenvolvimento mais pobres do plane ta. Em 2019, por exemplo, 9 das últimas 10 posições no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) global eram ocupadas por países da África Subsaariana, região com indicadores econômicos e sociais inferiores aos da África do Norte e de outras regiões do mundo.
As condições econômicas que atualmente marcam os países mais pobres da África têm raízes em seu passado colonial, com a intensa exploração das populações nati vas e a pilhagem dos recursos naturais presentes em seus territórios. Atualmente, embora o continente possua diversas riquezas naturais importantes, responde por apenas uma pequena fração de tudo o que é gerado no mundo.
A desigualdade econômica entre os países africanos é, contudo, um aspecto marcante. Apenas Nigéria, Egito e África do Sul respondiam por cerca de metade do PIB do continen te em 2021. 
A Nigéria tem o maior PIB do continente, mas a África do Sul re presenta o país com a economia mais moderna, diversificada e industrializada. 

Economia pouco desenvolvida 

Atualmente, a maior parte das nações africanas tem uma economia essencial mente primária. Além de questões históricas, esse é um dos fatores pelos quais a África participa da DIT como fornecedora de commodities e consumidora de pro dutos industrializados. Contudo, em muitos países africanos, a prestação de serviços e a indústria têm se destacado na composição do PIB. 
Nos últimos anos, Nigéria, África do Sul, Egito, Angola, Argélia, Etiópia e Tunísia, entre outras nações da África, vêm apresentando relativo crescimento econômico. No entanto, tal crescimento não diminui a gravidade da pobreza que assola vários países do continente. Embora muitos tenham se esforçado para diversificar seus parques industriais, uma série de desafios impediu que esse objetivo fosse conquistado, como falta de mão de obra qualificada, corrupção, ocorrência de conflitos internos e longos períodos de ditadura. Além disso, a falta de recursos financeiros e a precária infra estrutura (redes de transporte, energia e comunicação) em diversos países preju dica imensamente a inserção dessas nações na economia mundial. Nos últimos anos, a África participou de apenas 2% das relações comerciais mundiais e recebeu aproximadamente 4% de investimentos diretos provenientes de outros países.

A atividade agrária da África 

A agricultura e a pecuária, assim como o extrativismo, representam atividades de grande importância para a população e para a economia de boa parte dos paí ses do continente africano. Outros problemas interferem significativamente na economia de alguns desses paí ses, entre eles os efeitos proporcionados pelas condições climáticas adversas e práti cas tradicionais das atividades agropecuárias, que vêm gerando impactos ambientais como desertificação e erosão, ambos responsáveis pela perda de solo cultivável.
Em 2019, as atividades agrícolas eram responsáveis por empregar cerca de 53% da população da África Subsaariana, e os produtos agropecuários respondiam por 13% da pauta de exportações de seus países. Em alguns, como Serra Leoa e Chade, aproximadamente 30% do PIB provêm da agricultura.
De modo geral, o espaço agrário africano ainda preserva características do período colonial, proporcionando a existência simultânea das lavouras de subsis tência (agricultura tradicional) e também de grandes monoculturas de exportação (agricultura comercial). Entre os principais cultivos desenvolvidos, destacam-se alguns gêneros que compõem a base da alimentação das populações africanas e que são produzidos, principalmente, pela agricultura tradicional em pequena escala, como arroz, banana, mandioca, milhete, milho e painço. 
Já entre os principais cultivos para exportação, realizados por meio da agricultura comercial em larga escala, destacam-se algodão, cacau, café, chá, flores e óleo de palma (azeite de dendê). Nos extremos norte e sul do continente, os climas temperado e mediterrâneo também permitem o desenvolvimento de cultivos como trigo, oliveiras e uvas.
Contrastes entre modos de produção modernos e tradicionais ocorrem entre os países africanos. No Marrocos e na África do Sul, por exemplo, parte da produção agro pecuária comercial é desenvolvida por meio de técnicas modernas.
Com relação à produção pecuária, são importantes também as criações de bovinos, ovinos, suínos e aves, de acordo com a região do continente. Nas regiões mais ári das da África, é comum o pasto reio nômade, no qual as criações percorrem longas distâncias em busca de água e alimento.
Além dos efeitos da desertificação e das condições climáticas, podemos citar a bai xa fertilidade natural dos solos (cerca de um terço do continente é marcado pela presença de desertos e semiáridos), o uso inadequado da terra e a ausência de políticas que facilitem o acesso ao crédito rural e a insumos para os pequenos agricultores.
A maior parte das terras férteis do continente é ocupada pelas propriedades mo nocultoras de exportação. Muitos países africanos, embora exportem diversos pro dutos agrícolas, atualmente dependem da importação de alimentos, e assim necessitam investir recursos financeiros para importar comida. Além disso, a falta de in vestimentos locais e o baixo acesso a tecnologias digitais e sustentáveis, aplicadas para uma produção mais eficiente e menos nociva ao meio ambiente, contribuem para o escasso desenvolvimento de atividades rurais em vários países da África. 
Os recursos minerais e energéticos da África Atualmente, a mineração e a agropecuária representam, juntas, a base da eco nomia de muitos países africanos. Enquanto em alguns as economias são essen cialmente agrícolas, em outros a maior parte da receita de exportações advém do extrativismo mineral. 
No território africano, há uma grande diversidade de recursos minerais, como diamantes, ouro e cobre, além de recursos energéticos fósseis, como petróleo e gás natural. 
Entre os países africanos de economias petroleiras, destacam-se Angola e Nigéria, ambos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), além de Gabão, Congo, Sudão do Sul, Sudão e Chade.
Desde o período colonial, a explora ção das riquezas minerais da África tem ficado, em sua maior parte, a cargo de grandes empresas transnacio nais do setor, associadas algumas vezes a empresas estatais africanas. 
Nas últimas décadas, muitos países desen volvidos europeus e também a China têm feito investimentos no continente, a fim de ampliar a exploração e controlar suas riquezas minerais.

A atividade industrial da África 

De modo geral, os países da África têm setores industriais pouco diversificados e dependem da importação de diversos produtos industrializados, sobretudo os que são tecnologicamente mais avançados. Em muitos casos, as indústrias instaladas na África estão ligadas diretamente às atividades agrícolas e minerais, responsáveis por fornecer os principais produ tos e matérias-primas da pauta de exportação de vários países africanos. 
Alguns países do continente destacam-se nos setores industriais mais desen volvidos, como África do Sul, Angola, Argélia, Egito, Marrocos e Nigéria. Recente mente, a Etiópia também vem se tornando um polo manufatureiro no continente, atraindo indústrias estrangeiras por meio de vantagens, como mão de obra e energia baratas, e elevando suas exportações de produtos industrializados.
Os reduzidos investimentos externos e a falta de capital interno estão entre os principais empecilhos para o progresso do setor industrial africano. Muitos países desse continente, em razão do baixo crescimento econômico, não dispõem de meios necessários para se fortalecer e, assim, expandir a competitividade das ati vidades industriais. 
A maioria tem mercados consumidores ainda pouco expressivos e não dispõe de mão de obra qualificada e infraestrutura de energias e de transportes eficien tes. Alguns, como Zâmbia, Uganda e Botsuana, não têm saída para o mar, tornan do ainda mais oneroso o transporte de mercadorias das regiões produtoras até os portos para a exportação.

Economias vulneráveis

Ao mesmo tempo que os países do continente africano dependem da importação de gêneros industrializados e alimentos, a pauta de exportações dessas nações não é diversificada e inclui poucos produtos industrializados. Grande parte das exportações desses países africanos corresponde a gêneros primários. Essa característica torna os países do continente muito vulneráveis às oscilações no preço desses produtos no mercado internacional, pois significa que, se o preço desses produtos cair, as receitas de exportações dos países serão prejudicadas.
Os países com melhores redes de infraestrutura, com destaque para a África do Sul, oferecem vantagens às indústrias, que importam matérias-primas e exportam produtos com menores custos.

O crescimento econômico dos países africanos 

Desde o começo do século XXI, alguns países africanos têm despontado entre os que mais rapidamente crescem economicamente no mundo. 
Em 2020, os países africanos produtores de petróleo exploraram em média cerca de 7 milhões de barris desse combustível por dia, o que representa aproximadamente 8% da demanda mundial. A África atualmente abrange cerca de 7,2% das reservas de petróleo do mundo, e alguns países se destacam na produção desse recurso.
No entanto, a riqueza gerada pela exportação de petróleo leva a muitas contra dições. A maioria da população não se beneficia do fluxo de recursos provenientes dessas receitas, que acabam enriquecendo pequenas elites e empresas es trangeiras e não são revertidas em serviços essenciais. Além disso, a exploração petrolífera está associada a impactos ambientais e sociais. 
O desenvolvimento econômico da África, além da riqueza gerada pelo petróleo, carece tanto de investimentos em fontes de energia sustentáveis como em melhorias na qualidade de vida da população.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

África do Sul

África do Sul: realidade socioeconômica

A África do Sul está localizada em uma área estratégica, que, desde o sé culo XVII, fazia parte da rota marítima da Europa e da América em direção à África oriental, à Índia e ao Extremo Oriente e vice-versa. Ao cruzar o cabo da Boa Esperança, os navios atracavam na região da atual Cidade do Cabo para abastecimento.
O país tem três capitais: Tshwane, ex-Pretória (administrativa), Cidade do Cabo (legislativa) e Bloemfontein (judiciária), mas a cidade mais importante é Johannesburgo, principal centro comercial, industrial e financeiro.
Com uma área de 1.221.037 quilômetros quadrados, a África do Sul apresenta a maior concentração mundial de riquezas minerais. O país abriga 69% das reservas mundiais de platina, 56% das de cromo, 24% das de diamante, 8% das de carvão mineral e 82% das de man ganês. Além disso, possui reservas de cobre, minério de ferro, estanho, chumbo, zinco, níquel, urânio, cobalto e prata. Mas o ouro é, sem dúvida, a mais importante de suas riquezas minerais.
O país é responsável por cerca de 35% da produção mundial. Apenas alguns países de grande extensão territorial, como Rússia, Esta dos Unidos, Canadá e Brasil, considerados países-continentes, apresentam maior quantidade de riquezas minerais do que a África do Sul.
Embora apenas 11% do território sul-africano seja considerado apropriado para a agricultura, o país tem uma produção diversificada e fornece alguns produ tos agrícolas para o mercado externo, como laranja, uva, maçã e frutas tropicais. As duas principais culturas são as do milho e o trigo, que ocupam, respectivamen te, 26% e 13% das terras cultiváveis. Destaca-se também a cultura de cana-de--açúcar. Na atividade de criação, o maior rebanho é o de ovinos.
O carvão mineral é outro importante recurso energético. Cerca de 30% das minas exploradas são a céu aberto, o que facilita a extração do produto. A exportação de carvão mineral em 2016 perfazia 5% do valor total exportado pelo país.
Articulada com as cadeias produtivas globais de corporações multinacionais, como as montadoras de veículos, a África do Sul é o país mais industrializado do continente africano. Em 2016, as exportações de veículos prontos correspondiam a cerca de 7% do va lor total exportado, perdendo em importância apenas para diamante e platina, que representavam, respectivamente, 10% e 8,2%.
A indústria sul-africana, estruturada ao longo do período de dominação europeia, tem uma participação expressiva na composição do PIB (cerca de 28%). A abundância de recursos minerais e energéticos também favoreceu a industrialização do país, além de gerar recursos com as exportações – o minério de ferro está entre os mais exportados. A atividade industrial e a extração mineral, porém, continuam a ser controladas pela elite branca e realizadas com a força de trabalho da maioria negra.

A sociedade e o apartheid 

Em 2017, a população da África do Sul era de 55 milhões de habitantes, cuja composição era de aproximadamente 79% negros, 9,6% brancos, 8,9% mestiços e 2,5% asiáticos (indianos, principalmente). 
Até a primeira metade dos anos 1990, os brancos mantinham uma forte política de segregação racial (apartheid), segundo a qual os negros não usufruíam os mesmos direitos dos brancos, ou seja, as pessoas não eram iguais perante a lei. 
O apartheid foi um regime de segregação racial institucionalizada, que praticamente negava aos negros a condição humana. Em 1953, foi publicada a Lei de Recreações, que estabeleceu bibliotecas, escolas, praias e parques separados para brancos e não brancos. No grupo dos não brancos eram incluídos, além dos negros, os mestiços e os asiáticos, também vítimas da segregação racial.
O apartheid foi criado com a finalidade de sustentar um modelo econômico de senvolvido pelos brancos, baseado na exploração da mão de obra negra. Para atingir esse objetivo, era necessário manter o controle da maioria negra da população. 
Alguns números expressam bem o resultado dos longos anos em que vigorou esse regime de segregação racial: até meados da década de 1990, havia na África do Sul aproximadamente 750 mil piscinas, privilégio praticamente exclusivo dos brancos, o que significava a média de uma piscina para duas famílias brancas. Ao mesmo tempo, cerca de 10 milhões de pessoas, quase todas negras, não tinham acesso a água potável.
Nessa mesma época, 84% das pessoas com curso universitário eram bran cas e apenas 7,5%, negras. Enquanto o índice de analfabetismo entre os brancos era insignificante (apenas 1%), 50% dos negros eram analfabetos. 
Também no que diz respeito à questão educacional, na década de 1950, o go verno sul-africano instituiu a “Educação Banto” para os negros, que era inferior à educação oferecida aos brancos. Chegava-se a ponto de não ensinar Matemática aos estudantes negros, sob a justificativa de que “isso não fazia parte de sua cultura”. 
Atualmente, a renda per capita dos brancos está na faixa dos 7 mil dólares, enquanto a dos negros é de aproximadamente 600 dólares. A taxa de mortalidade infantil entre os negros é de 74 por mil; a dos brancos, de 10 por mil.

O fim do apartheid e a nova África do Sul 

A partir dos anos 1980, passou a haver forte pressão internacional para que o governo sul-africano extinguisse o regime do apartheid. Alguns países chegaram a impor um boicote econômico à África do Sul. 
Em resposta, alguns dirigentes políticos sul-africanos, liderados pelo presidente Frederik de Klerk, adotaram medidas para abrandar o regime de segregação racial. Em 1990, o líder negro Nelson Mandela, preso havia 27 anos, foi libertado, assim como todos os presos políticos do país.
Diversos grupos e partidos políticos de oposição, entre eles o Congresso Nacional Africano (CNA), foram legalizados. Em 1991, foram banidas diversas leis discriminatórias, liberando-se o uso de piscinas, praias, ônibus, bibliotecas, escolas e banheiros públicos para toda a população. 
Em razão dessas mudanças, que ampliaram os direitos dos negros no país, muitos brancos extremistas organizaram uma série de protestos, ameaçando as reformas do governo sul-africano, cujo maior desafio passou a ser a instauração da lei do direito ao voto, que daria à maioria negra a possibilidade de lutar por seus ideais no Parlamento da África do Sul.
A aplicação da nova lei eleitoral se concretizou en tre 26 e 28 de abril de 1994, quando foram realizadas as eleições multirraciais. Os negros votaram pela primeira vez na África do Sul. Nelson Mandela, principal dirigente do partido do CNA, o mais antigo movimento nacionalista da África, foi eleito presidente do país. 
Entretanto, a instituição da democracia e a eleição de Mandela como presidente representaram um grande desafio: transformar a sociedade sul-africa na, pois toda a riqueza estava concentrada nas mãos dos brancos. 
O governo de Mandela também se deparou com sérios problemas étnicos. Na África do Sul há, basicamente, onze diferentes etnias, das quais as principais são a dos zulus e a dos xhosas. A maior é a dos zulus, com cerca de 6 milhões de pessoas. Essa etnia ocupa diversas partes do território sul-africano, mas se concentra na província de Kwazulu-Natal, a qual pretende se tornar um país independente.
Na gestão de Nelson Mandela ocorreram alguns avanços importantes: mais de 3 milhões de pessoas passaram a ter acesso a água encanada e quase todas as casas foram conectadas à rede de energia elétrica.
Além disso, em 1997, o Parlamento sul-africano aprovou a Lei de Igualdade no Trabalho, estabelecendo a adoção por parte de todas as empresas do país, tanto estatais como privadas, de uma política de emprego voltada à ampliação da participação de negros, mestiços, mulheres e deficientes em seus quadros, particularmente nos postos de nível hierárquico mais elevado (supervisão, gerência, direção). 
Essa lei visa corrigir as distorções que ocorreram na contratação de funcionários pelas empresas durante o regime do apartheid, que privilegiava os brancos.

A África do Sul no BRICS 

Em abril de 2011, a oficialização da África do Sul como membro do BRICS mostrou que o país vem ganhando projeção no cenário mundial. Apesar de apresentar indicadores econômicos ainda muito distantes daqueles alcançados pelos de mais países do grupo e inúmeros problemas sociais, a África do Sul tem consolida do sua posição de país emergente. Como uma das maiores e mais diversificadas economias da África, a África do Sul está de acordo com especialistas, em posição de destaque no continente.

África do Sul: o parque industrial mais diversificado do continente 

A África do Sul é um dos países com maiores reservas de minérios no continente e é um dos maiores produtores mundiais. O país exporta minérios brutos, dos quais é um dos principais fornecedores mundiais e o maior da África.
Entretanto, possui indústrias que processam internamente grande parte da produção mineral; usinas siderúrgicas e meta lúrgicas, que produzem diversos tipos de metais – ferro, aço, alumínio, cobre, etc. –, os quais, por sua vez, alimentam outras indústrias, como a automobilística.
O parque industrial do país é o maior, mais diversifica do e mais moderno da África. Isso contribui para que sua economia seja a segunda maior entre todos os países africanos, a maior economia é a Nigéria, mas sua população é 3,4 vezes maior que a da África do Sul). 
Entre os outros fatores que exerceram influência em sua economia está a entrada de investimentos ingleses e esta dunidenses e os investimentos em infraestrutura e nas indústrias de base. 
Além disso, os imigrantes europeus trouxeram conhecimentos e experiência em diversas modalidades de trabalho, e a superexploração da mão de obra de xhosas, zulus e outras etnias do país durante o regime do apartheid trouxe altos lucros às empresas nacionais e estrangeiras. Hoje há a garantia de uma série de direitos aos trabalhado res reduzindo o grau de exploração. 

África: uma economia dependente

Para entender os vários aspectos da economia da África, é necessário levar em consideração a longa fase de colonização europeia, cujas repercussões se fazem sentir ainda nos dias de hoje. Desde o período colonial, o espaço geográfico do continente africano vem sendo organizado de acordo com os interesses das ex-metrópoles ou das grandes potências mundiais.

A agropecuária

A produção agrícola africana, que, antes do período colonial, era organizada de modo a atender às necessidades alimentares de seus habitantes, foi substituída, em boa parte, pela agricultura comercial de exportação. Na maioria dos países africanos, atualmente, a agricultura é praticada de duas formas: de subsistência ou comercial. 
A agricultura de subsistência, praticada em pequenas propriedades, com o emprego de técnicas e instrumentos rudimentares, é desenvolvida para atender às ne cessidades do produtor e de sua família. Esse tipo de agricultura se caracteriza pelos baixos rendimentos e pelo uso coletivo da terra, herança das comunidades tribais.
Essa atividade agrícola, praticada principalmente nas áreas de Savanas, utiliza o sistema itinerante, no qual o lavrador limpa uma pequena extensão de terra, realiza a queimada e, posteriormente, com a ajuda da enxada, retira os torrões de terra e faz a semeadura, empregando a cinza que restou como fertilizante. Decorridos alguns anos, quando os solos começam a apresentar sinais de esgotamento, o lavrador parte para uma nova área e, assim, sucessivamente, vai caminhando em busca de novas terras. Os principais cultivos de subsistência são a mandioca, o arroz, o milhete, o sorgo, o inhame e a batata.
A agricultura comercial para exportação, denominada plantation, surgiu com a chegada do colonizador. Praticada principalmente nas zonas litorâneas, sua finalidade é a produção de culturas destinadas a abastecer o mercado externo. Nela predomina a monocultura, realizada em grandes propriedades, que ocupam as melhores terras do continente. É nessas terras férteis que vem se expandido a agricultura moderna, igualmente voltada à exportação.
Na África, são produzidos em escala comercial, em boa parte destinados ao mercado externo, os se guintes produtos: cacau (Costa do Marfim, Gana e Nigéria), amendoim (Nigéria, Senegal, Guiné-Bissau e Gâmbia), café (Etiópia, Costa do Marfim, Angola, Re pública Democrática do Congo, Camarões, Uganda e Guiné), algodão (Sudão, Nigéria, Egito, Mali, Etiópia), cana-de-açúcar (Angola, Moçambique, África do Sul, Marrocos) e chá (Uganda, Moçambique e Malawi), além de frutas tropicais. 
Na região do Magreb (Tunísia, Marrocos e Argélia), destacam-se as culturas de trigo, cevada, cen teio, oliveira e videira, que também são cultivados no sul da África do Sul, onde predomina o clima Mediterrâneo. 
A atividade de criação de animais é praticada principalmente na região mediterrânea, nas Estepes e Savanas do Sudão, na África do Sul, e nas regiões às margens dos grandes lagos da parte oriental. 
A África do Sul concentra um dos maiores rebanhos de ovinos do mundo, destinado, sobretudo, ao fornecimento de lã para as indústrias locais e para exportação.

As riquezas minerais e a atividade industrial

Desde as primeiras descobertas, as riquezas minerais africanas têm sido exploradas por companhias estrangeiras, principalmente multinacionais. Entre tanto, no final da década de 1960, alguns países resolveram nacionalizar suas minas, apoiando-se em organismos internacionais que reúnem vários países produtores de minérios.
Um desses organismos é o Conselho Intergovernamental de Países Exportadores de Cobre (Cipec), ao qual a República Democrática do Congo e a Zâmbia, dois grandes produtores de cobre, se associaram após nacionalizarem suas principais jazidas. Essa atitude foi seguida pelos produtores de minério de ferro e bauxita, que passaram a se unir e a ingressar em entidades supranacionais para defender seus interesses.
O petróleo, um dos mais significativos produtos minerais africanos e grande fonte de divisas para vários países, é explorado na Líbia, no Marrocos, na Argélia, no Egito (na península do Sinai), na Nigéria (próximo ao delta do rio Níger), em Angola, no Sudão, no Chade e no Gabão, entre outros. Angola, Líbia, Argélia, Nigéria e Gabão são grandes produtores mundiais e os quatro primeiros fazem parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Botsuana é o maior produtor mundial de diamantes. A República Democrática do Congo, além de diamantes, possui duas outras importantes riquezas minerais: o cobre, que representa cerca de 50% do valor total de suas exportações, e o manganês. Na Zâmbia, o comércio de cobre corresponde a 80% das exportações do país.
O Marrocos e a Tunísia são grandes exportadores de fosfato, matéria-prima da indústria de fertilizantes. O Marrocos, por exemplo, responde por cerca de 30% do fosfato comercializado internacionalmente. 
A África do Sul é outro país riquíssimo em minerais, destacando-se o ouro, o diamante, o carvão e o urânio.
Apesar de toda a riqueza do subsolo africano, a produção é quase toda administrada por multinacionais e destinada ao abastecimento dos mercados dos países desenvolvidos, portanto, não contribui para a melhoria do nível de vida da população africana, em geral. 
O principal tipo de indústria que vem se desenvolvendo em alguns países da África é a de bens de consumo, sobretudo não duráveis. As indústrias de bens duráveis estão concentradas em alguns países, como Marrocos, Tunísia, Egito, Senegal, Argélia, Etiópia e, principalmente, África do Sul, que apresenta a maior diversificação industrial do continente. 
As principais áreas industriais da África estão situadas no entorno de cidades como: Argel, na Argélia; Alexandria e Assuan, no Egito; Trípoli, na Líbia; Tânger, no Marrocos; Túnis, na Tunísia; e Dacar, no Senegal; além das cidades da África do Sul, país mais industrializado do continente. A produção industrial africana corresponde a cerca de 11% do total do PIB da África.

A dívida externa e a dependência econômica da África 

Muitos países africanos têm seu desenvolvimento limitado pela elevada dívida externa e a consequente dependência econômica em relação aos países desen volvidos e instituições financeiras internacionais. 
Atualmente, o pagamento das dívidas adquiridas por sucessivas administrações compromete os gastos públicos desses países. Os valores deveriam ser aplicados em programas de desenvolvimento industrial ou de saúde e educação. Tal problema é particularmente acentuado nos países da África Subsaariana.
A dívida externa tem origem no perío do pós-independência dos países africa nos, mas aumentou consideravelmente a partir das décadas de 1970 e 1980. 
Já na de 1980, o valor da dívida externa dos países da região correspondia a quase 60% de toda a riqueza gerada, chegan do, em alguns países, a superar o valor do PIB anual de países devedores. No caso da Libéria, a dívida externa chegou a ser seis vezes maior que o PIB. 
Sem ter como dar conta do valor total das parcelas da dívida, vários países do continente africano passaram a pagar apenas seus juros. Nesse contexto, parte substancial do PIB passou a ser destinada ao pagamento de parcelas da dívida externa, resultando na redução dos gastos com serviços públicos.
Alguns países da África Subsaariana são dependentes da ajuda financeira inter nacional. No entanto, questiona-se o interesse de parte desses credores, os quais, para alguns analistas, beneficiam-se em continuar fornecendo créditos e ampliando o endividamento desses países. 
Questiona-se também a conduta dos países desenvolvidos e das grandes empresas transnacionais em relação à África. Nesse sentido, são cobradas ações mais concretas que beneficiem os países africanos e possibilitem criar bases para seu desenvolvimento, como a transferência de tecnologias e a realização de investimentos em áreas estratégicas com potencial para transformar as economias rurais e urbanas do continente, a exemplo da educação, do desenvolvimen to de infraestrutura e do aproveitamento de fontes de energia renováveis.

Investimentos estrangeiros 

O continente africano como um todo não está plenamente integrado aos fluxos mais significativos da economia mundial. Isso dificulta a solução de muitos de seus problemas sociais e econômicos – quando não os agrava. 
Por exemplo: apesar do recente crescimento observado em muitos países da África, o fluxo de capitais produtivos, que são investimentos que geram riqueza – lucro para as empresas, empregos para os trabalhadores e impostos para o Estado –, mantém-se como um dos mais baixos do mundo. Além de esse fluxo de investimentos ser baixo, está muito concentrado em poucos países.
 
O turismo 

Apesar da riqueza do patrimônio natural da África que poderia, por exemplo, estimular o desenvolvimento do turismo ecológico, apenas mais recentemente a atividade turística vem apresentando uma importância mais significativa na economia africana. A falta de infraestrutura hoteleira e de transportes e os constantes conflitos étnicos existentes em alguns países são alguns dos fatores que desestimulam o turismo.
Na região do Mediterrâneo – Marrocos, Tunísia e Egito, principalmente –, ocorre um maior fluxo turístico. Sem dúvida, o patrimônio histórico egípcio, com suas pirâmides e templos, é uma das principais atrações do continente africano, o que eleva o Egito à posição de país mais visitado da África. Na África subsaaria na, a África do Sul é o país que mais se destaca na atividade turística.


Questões ambientais na África

De modo geral, as questões ambientais na África são semelhantes às detecta das em outras partes do mundo e decorrentes tanto de fatores natu...