O Brasil possui uma variedade de biomas. Os biomas brasileiros podem ser classificados em seis tipos, de acordo
com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): Amazônia, Mata
Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e os Pampas.
Cada um desses biomas é classificado de acordo com suas características, como temperatura, disponibilidade de água e luz solar e tipo de solo. Essas e outras características influenciam nas espécies de vegetais e de animais presentes nos ecossistemas que constituem esses biomas.
Abordaremos a seguir as principais características de cada bioma brasileiro, bem como as principais atividades desenvolvidas pela população humana que vive neles.
Amazônia
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Amazônia ocupa aproximadamente 4196943 km 2 do território brasileiro, sendo considerada a maior floresta Tropical do mundo.
Por ser uma floresta Tropical, a Amazônia caracteriza-se pelas temperaturas
elevadas, apresentando poucas variações ao longo do ano, em torno de 24 ° C a
26 ° C . Isso ocorre porque esse bioma está próximo à linha do Equador, onde a
incidência dos raios solares é igual ao longo do ano.
A precipitação média anual é de aproximadamente 2300 mm , podendo ser
maior em algumas regiões desse bioma.
A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e é o bioma que abriga
a maior diversidade de espécies, reunindo quase 25% de todas as espécies conhecidas de seres vivos.
A maior parte da extensão da Amazônia encontra-se no território brasileiro, mas ela se estende por mais oito países da América do Sul.
O clima é quente e úmido durante todo o ano. Isso favorece a existência de
cobertura vegetal com árvores de grande porte, com mais de 20 m de altura
e folhas amplas. Nessa região o nível das águas dos rios oscila muito, com
cheias relacionadas à grande quantidade de chuvas em determinadas épocas.
Há também a vegetação que se encontra nas margens dos rios e forma
as
matas de igapó. As árvores dos igapós não têm porte tão grande, mas
apresentam adaptações que lhes permitem viver em terrenos alagados.
Durante a época em que os riachos, ou igarapés, estão mais cheios, essa
vegetação fica parcialmente inundada. Nos igapós também vivem plantas
que flutuam na água, como a vitória-régia. As folhas da vitória-régia são
flutuantes, mas se mantêm presas ao fundo.
Nesse bioma, a grande quantidade de chuvas está relacionada à umidade trazida
do oceano Atlântico pelos ventos. Além disso, a temperatura elevada aumenta a
evaporação da água da chuva presente no solo e a transpiração das plantas, mantendo a umidade.
A incidência de luz solar e as chuvas regulares ao longo do ano possibilita à
Amazônia abrigar mais da metade da biodiversidade da Terra.
A flora é composta de espécies de plantas com tamanhos variados, o que a caracteriza como floresta densa e estratificada. Há árvores altas com folhas largas e
sempre verdes, arbustos, cipós, musgos, epífitas, trepadeiras e plantas aquáticas.
Algumas características das plantas encontradas em um floresta
Tropical estão relacionadas à intensidade de luz solar que chega até a floresta.
Essa estratificação da vegetação influencia na imensa diversidade da fauna, favo
recendo uma variedade de abrigos e fonte de alimentos para os animais.
O boto-cor-de-rosa, o jacaré-açu, a ararajuba, o sauim-de- coleira, o peixe-boi e o apapá
são exemplos de animais que
compõem esse bioma.
A Amazônia ainda é marca
da por uma grande quantidade
de rios, entre eles o rio Amazonas e outros que deságuam
nele, como o Tapajós, o Negro,
o Juruá e o Xingu.
Tanto os rios quanto a vegetação são a fonte de sustento e de renda da maioria
das populações tradicionais da Amazônia, como indígenas e ribeirinhos. Entre as
atividades desempenhadas, estão a pesca e o extrativismo da castanheira-do-brasil, do cupuaçuzeiro e do açaizeiro, por exemplo.
A maior parte do solo desse bioma apresenta baixa fertilidade, pois há pouca
quantidade de nutrientes para as plantas destinadas à agricultura.
Os povos ribeirinhos e indígenas que vivem na Amazônia têm muito
conhecimento a respeito dos recursos e das características dessa região.
Considerando as oscilações das águas dos rios, é comum que os
ribeirinhos construam suas casas suspensas de modo a não enfrenta
rem problemas na época de subida das águas.
A alimentação dos povos da Amazônia baseia-se em muitos recursos
naturais disponíveis, como os peixes, abundantes nos rios da região.
Na região há muitas plantas que tradicionalmente têm sido usadas
tanto pelos indígenas quanto pelos demais povos da região com funções
medicinais. Esse conhecimento tradicional tem sido de grande valia nos
estudos que visam verificar os princípios ativos e os efeitos dessas plantas.
É o caso da andiroba, cujas cascas e folhas são empregadas pelos indígenas para fazer chás, tomados para aliviar febres e combater vermes
intestinais ou aplicados em picadas de insetos para aliviar a dor.
Atualmente, a andiroba faz parte da Relação Nacional de Plantas Medicinais de
Interesse ao Serviço Unificado de Saúde (Renisus), que reúne espécies de
plantas com potencial para gerar produtos de interesse médico.
Além das plantas medicinais, há várias outras espécies de plantas da
Amazônia utilizadas como fonte de alimento. É o caso da mandioca, da
castanheira, do guaranazeiro, do cupuaçuzeiro e das palmeiras, como o
açaí, a bacaba, o tucumã-do-pará e o inajá.
Na Floresta Amazônica também existem plantas que geram outro tipo
de interesse comercial. Um exemplo é a seringueira, de onde se extrai o
látex utilizado na fabricação de borracha. Outros exemplos são as grandes árvores exploradas como fonte de madeira, como o angelim, o mogno e a sumaúma, esta última conhecida como “o gigante da Amazônia”.
A extração irregular de madeira tem gerado intensa exploração e devastação da floresta. Nas últimas décadas, no entanto, muitas pessoas
têm se mobilizado para diminuir a destruição desse bioma, formando
organizações de cunho ambientalista. Um exemplo é o grupo denomina
do Aliança dos Povos da Floresta, que agrega comunidades tradicionais
e indígenas.
Como alguns exemplos de animais que vivem nos rios da região amazônica, podemos citar o peixe-boi-da-amazônia e o pirarucu, mostrados nas
fotografias abaixo. Além deles, há o jacaré-açu, a maior espécie de jacaré
que ocorre no Brasil (mede cerca de 6 m de comprimento), a tartaruga-gigante-da-amazônia (mede cerca de 75 cm de comprimento) e o boto--vermelho, ou boto-cor-de-rosa (mede cerca de 2,5 m de comprimento).
Peixe-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis), um
mamífero sob ameaça de extinção. Esses animais
alimentam-se de vegetação aquática e chegam a medir
cerca de 2,8 m de comprimento.
O pirarucu (Arapaima gigas) é um dos maiores
peixes de água doce do mundo. Mede de 2 a 3 m de
comprimento e pode ter até 200 kg de massa corpórea.
No ambiente terrestre vivem diversas espécies de aves, como as ararajubas, os uirapurus, que impressionam pelo seu canto, as ciganas e os
gaviões-reais. Além disso, há também grande diversidade de espécies de
insetos, aranhas e de vários outros grupos animais.
Muitas espécies amazônicas correm risco de extinção.
No Brasil, preservar áreas significativas da floresta e encontrar meios de explorar os
recursos naturais, promovendo sua conservação, é um grande desafio
para o governo e para a sociedade.
Ararajubas, espécie ameaçada de extinção pela
destruição de seu habitat e em virtude de sua captura
para o tráfico de animais silvestres. Seu nome deriva
do tupi e significa “arara amarela”. Essas aves medem
cerca de 35 cm de comprimento.
O uirapuru-verdadeiro (Cyphorhinus arada) é uma ave
rara. Mede cerca de 10 cm e canta apenas no período
de acasalamento, em setembro e outubro.
Como já foi dito, o nível das águas dos rios na Amazônia oscila muito ao
longo do ano. Essa oscilação se deve principalmente às chuvas, que ocorrem
em uma estação bem marcada do ano. Durante a estação chuvosa, o nível
das águas sobe e cobre a vegetação rasteira e arbustiva nas margens dos
rios.
Em alguns casos, chega à altura da copa de algumas árvores.
Alguns meses depois, com a redução das chuvas, vem a estação da
seca. Nela, a água volta ao seu curso natural, o que expõe a vegetação da
área que estava inundada. Isso influencia não só a dinâmica de vida das
plantas da região, mas também a dos seres humanos (que, como vimos,
adaptam-se a essas situações construindo casas de palafita suspensas
sobre os rios) e a dos demais animais, que buscam nos rios alimentos e
outros recursos.
Caatinga
A Caatinga ocorre principalmente na região
Nordeste do Brasil e ocupa cerca de 11% do território nacional. Na região a estação seca é prolongada e a
estação chuvosa é curta. Essas épocas se alternam e isso determina a marcante transformação nas paisagens da Caatinga ao longo do
ano.
De acordo com o IBGE, a Caatinga ocupa uma área de aproximadamente
844400 km 2 do território brasileiro.
Esse bioma caracteriza-se por apresentar temperaturas elevadas, com longos
períodos sem chuva durante o ano.
Em geral, apresenta temperatura média em
torno de 25 ° C a 30 ° C e precipitação média anual de aproximadamente 800 mm.
Essa característica interfere na disponibilidade de água da Caatinga, que influencia no
tipo de vegetação e nos animais encontra
dos nesse bioma.
No solo da Caatinga, encontram-se mais
minerais do que matéria orgânica, além de
ter muitos fragmentos de rocha que dificultam o armazenamento de água.
Nos períodos de seca, que podem se prolongar por mais de nove meses, a maioria das plantas perde as folhas, e permanecem apenas os
galhos esbranquiçados. A palavra “caatinga” tem origem tupi e significa
“mata branca” (caa = mata; tinga = branca), devido a essa característica.
Já nos períodos chuvosos, a vegetação volta a apresentar folhas verdes.
Dessa maneira, a flora é composta de plantas que apresentam adaptações que favorecem
seu desenvolvimento em locais com escassez
de chuva e com superfícies rochosas.
Por exemplo, algumas plantas possuem características típicas de deserto, como
folhas pequenas cobertas por cutícula, folhas modificadas em espinhos, o que
reduz a perda de água para o ambiente, e caule que armazena água. Entre as
plantas desse bioma, podemos citar arbustos de caules finos e tortuosos e cactos,
como o mandacaru e o xique-xique.
A vegetação da Caatinga é rica também em cactos, como o xiquexique,
as palmas, o mandacaru e o facheiro. Eles apresentam folhas modifica
das em espinhos, característica que reduz muito a perda de água pela
transpiração.
Além dos cactos, são plantas comuns na região a carnaúba, as bromélias, a jurema, o umbuzeiro, o angico, o imbaré (barriguda-lisa), entre
outras.
Umbuzeiro, planta que pode chegar a cerca de 6 m de
altura. Seu fruto, o umbu (ou imbu) é muito apreciado
para ser consumido ou utilizado no preparo de doces.
A fauna da Caatinga também é muito rica. Alguns exemplos são caracará ou carcará (gavião), tatupeba, veado-catingueiro, gato-maracajá,
cascavel e jiboia, além do grande número de lagartos, como o teiú, e insetos, entre outros animais.
Veado-catingueiro. Mede de 50 cm a 65 cm de altura.
Gato-maracajá. Mede cerca de 1,3 m de comprimento.
Nesse bioma, há rios temporários, que secam durante os longos períodos sem
chuva, e rios perenes, que não secam, como o rio São Francisco e o Parnaíba,
que atravessam a Caatinga e são fundamentais para a flora, a fauna e as pessoas que
vivem nesse bioma.
Na Caatinga, o cultivo de milho, de banana
e de palma, além da pesca e da criação de animais, como aves, suínos e cabras, são algumas
das atividades que garantem o sustento e a fonte de renda da população, como os sertanejos,
vaqueiros, agricultores, indígenas e quilombolas.
Cerrado
O Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil
em extensão, ocupando aproximadamente 25%
do território nacional. Ocorre principalmente nos estados de Minas Gerais, Goiás e Mato
Grosso do Sul e em menor extensão em outros
estados, como São Paulo, Mato Grosso, Tocantins, Piauí, Maranhão e Bahia.
De acordo com o IBGE, ele
possui uma área de aproximadamente 2036448 km 2 .
Esse bioma caracteriza-se pelas
temperaturas elevadas durante o
verão, apresentando médias anuais entre 18 ° C e 27 ° C.
O clima na região é quente, com período de
seca rigoroso. A presença de árvores com troncos e galhos retorcidos é característica das paisagens de Cerrado.
No Cerrado há diversos ecossistemas, como os campos rupestres, com predomínio de vegetação rasteira, e o cerrado, com predomínio de árvores.
Cerradão, ecossistema do bioma Cerrado com
predomínio de árvores, no Parque Indígena do Xingu,
em Querência (MT)
A precipitação média anual é de
aproximadamente 1500 mm , ocorrendo principalmente durante a
primavera e o verão. Já o outono
e o inverno são períodos de seca,
o que favorece as queimadas espontâneas.
O Cerrado possui três tipos de vegetação: floresta, savana e campo. Na região
de floresta, predominam árvores de grande porte, como a aroeira, o buriti e a
copaíba.
Na região de savana, predominam espécies de palmeiras, como o buriti,
árvores com caule e ramos tortuosos, como o pau-terrinha e o pequi-do-cerrado,
e arbustos, como o cajuzinho-do-cerrado, flor-do-cerrado e gabiroba.
Já na região
dos campos, predominam espécies herbáceas, como o capim-estrela e o palipalã-do-brejo, e alguns arbustos, como o candombá e a canela-de-ema.
Os diferentes tipos de vegetação do Cerrado estão associados, principalmente,
a características do solo e aos cursos de água.
O Cerrado apresenta uma diversidade
de hábitat que favorece o desenvolvimento de várias espécies de animais,
como o tamanduá-bandeira, o lobo-guará,
o veado-campeiro, o urubu-rei, a seriema, a codorna-mineira, a ema e o pacu-dente-seco.
É nesse bioma que estão as nascentes
de importantes rios, como o Araguaia
e o São Francisco. Além disso, há grandes reservatórios de água subterrâneos,
como parte do Aquífero Guarani.
Um dos animais típicos desse bioma é o guará (ou lobo-guará), que mede cerca de um metro de altura e que se alimenta tanto de outros animais quanto de frutos, como o fruto da planta chamada lobeira. Outros animais típicos desse ambiente são a ema, a maior ave do Brasil, e o tamanduá-bandeira.
No Cerrado, uma das plantas mais comuns é o capim-flecha. Além dele,
em especial nas formações de cerradão, há a lobeira, o ipê-amarelo e as
palmeiras buriti e indaiá.
O bioma Cerrado caracteriza-se também
pelas queimadas que ocorrem naturalmente
na época da seca. Essas queimadas naturais
são importantes nesse bioma, por mais estranho que possa parecer. O fogo nesse ambiente acelera a reciclagem de nutrientes
no solo e ajuda a estimular a germinação de
sementes.
Muitas plantas do Cerrado apresentam adaptações relacionadas à sobre
vivência ao fogo. As cascas espessas das árvores e as folhas grossas, que diminuem a perda de água por transpiração, são exemplos dessas adaptações.
O tronco retorcido de muitas árvores é consequência do fogo, pois,
quando parte do tronco é queimada, a árvore volta a crescer da parte restante, resultando no aspecto retorcido.
Árvores de aspecto retorcido, típicas do Cerrado,
no Parque Nacional das Emas (GO)
Árvore de
pequi. O
pequizeiro
pode atingir
15 m de
altura.
Em geral, o solo do Cerrado possui
baixa quantidade de nutrientes, sendo,
portanto, pouco fértil. Mas com o desenvolvimento de técnicas e produtos
agrícolas, como fertilizantes, a agricultura tornou-se uma das importantes atividades econômicas desenvolvidas nesse
bioma.
Desenvolvem-se também atividades
de pecuária, extrativismo vegetal, como
a extração do pequi, e artesanato de
produtos feitos com capim-dourado,
geralmente realizado pelos povos indígenas e quilombolas.
Mata Atlântica
A Mata Atlântica recebe esse nome por se
estender ao longo da costa brasileira e caracteriza-se pelo aspecto de uma floresta tropical. De acordo com o IBGE, a Mata Atlântica apresenta uma área de aproximadamente 1110182 km 2 do território brasileiro.
Na época da chegada dos portugueses ao
Brasil, esse bioma recobria cerca de 12% do
território nacional, mas, devido às frequentes
devastações que sofre até hoje, cerca de 88%
da cobertura original da Mata Atlântica foi destruída. Isso ocorreu principalmente pela ocupação humana da área: cerca de 70% da população brasileira ocupa essa região.
A Mata Atlântica tem muitas características
em comum com a Floresta Amazônica, como a
densa vegetação em que predominam as árvores de grande porte.
Em geral, a Mata Atlântica se caracteriza por apresentar temperatura anual média de 23 ° C. A grande quantidade de chuva nesse bioma mantém importantes rios perenes
que o atravessam, como o rio Doce, o rio São Francisco, o rio Paraná e o rio Tietê.
O solo da Mata Atlântica é úmido e
pouco oxigenado. Assim como em algumas regiões da Amazônia, a fertilidade
da Mata Atlântica pode ser garantida
pela decomposição da serapilheira.
A Mata Atlântica sofre influência oceânica e está parcialmente localiza
da em regiões serranas. Os ventos que vêm do oceano Atlântico carrega
dos de umidade são barrados pelo relevo na zona costeira, ocasionando
grande precipitação na região.
Serra do rio do Rastro, uma região de Mata Atlântica localizada em terreno montanhoso, em Bom Jardim da Serra
(SC),
A vegetação caracteriza-se por apresentar árvores de grande porte, como a palmeira-juçara, o pau-brasil, o manacá-da-serra, o jequitibá-rosa e a embaúba, arbustos,
como a samambaiaçu, herbáceas, como a begônia, e bromélias.
As plantas de grande porte recebem maior intensidade de luz solar, enquanto
as de menor porte recebem menor intensidade de luz solar, pois estão abaixo das
plantas de grande porte.
Por essa razão, algumas plantas se adaptam para melhorar a captação de luz solar. A begônia, por exemplo, apresenta folhas maiores,
que aumentam a área de superfície de absorção da luz solar.
A fauna é rica em diversidade de espécies, como o jacaré-de-papo-amarelo, o
mico-leão-dourado, o mono-carvoeiro ou muriqui-do-sul e a araponga.
Ariramba-de-cauda-ruiva (beija-flor-da-mata-virgem),
com inseto na ponta do bico. Mede aproximadamente
24 cm de comprimento.
São exemplos de animais desse bioma os micos-leões-dourados, os bugios, as jaguatiricas e muitas aves, como a ariramba-de-cauda-ruiva, o macuco, o tiê-sangue e a araponga, popularmente chamada de “voz da Mata Atlântica”, pelo seu canto.
Entre as plantas, podemos citar as quaresmeiras, o jequitibá e muitas
espécies de bromélias e palmeiras, como o palmito-juçara.
O pau-brasil é uma espécie nativa desse bioma. Foi intensamente explorado durante o início da colonização do Brasil, levando à quase extinção
da espécie.
A Mata Atlântica também é o habitat das samambaias arborescentes,
conhecidas como samambaiaçus, espécies ameaçadas de extinção por
causa da grande exploração da planta para a obtenção do xaxim. Atual
mente, a retirada de samambaiaçu da mata e a venda de xaxins dessa
espécie é proibida e considerada crime ambiental.
É nesse bioma que vive aproximadamente 60% da população brasileira. E, assim como em outros biomas,
na Mata Atlântica também vivem povos tradicionais que dependem dos
recursos naturais para obter renda.
Os caiçaras, por exemplo, que vivem
no litoral de alguns estados brasileiros, obtêm seu sustento e sua renda
da pesca, do cultivo de alimentos,
como a mandioca e a banana, e das
atividades extrativistas.
- Mata de Araucárias
Uma parte da Mata Atlântica é constituída pela Mata de Araucárias,
que já foi considerada um bioma independente, mas atualmente é tratada
como pertencente ao bioma Mata Atlântica.
Nessa região há predominância do pinheiro-do-paraná, cujo nome
científico é Araucaria angustifolia. Essas árvores têm como sementes os
pinhões, muito apreciados como alimento. Além do pinheiro-do-paraná,
há imbuia (canela-imuía), pinheiro-bravo, erva-mate e muitas outras espécies vegetais.
A Mata de Araucárias ocorre no Rio Grande do Sul, em Santa
Catarina, no Paraná e em trechos do sul do estado de São Paulo.
Sua área original foi reduzida a menos de 1%, pois, além do processo
de desmatamento em função da ocupação humana, a exploração da
madeira da araucária, que é muito resistente e boa para construção,
foi intensa.
Na região da Mata de Araucárias, as chuvas são distribuídas ao longo
do ano e duas estações são bem definidas: o inverno, com temperaturas
baixas, e o verão, com temperaturas moderadas.
Com a redução da mata, muitas espécies da fauna e da flora estão
ameaçadas de extinção. Entre os animais, destacam-se a gralha-azul, o
papagaio-charão, o papagaio-de-peito-roxo, o macaco-prego, o guariba e
o leão-baio (onça-parda). Entre as plantas, a canela-amarela e a peroba.
Pantanal
O Pantanal, a maior planície alagável do planeta, ocorre na Bolívia, no Paraguai e no Brasil,
onde está presente nos estados de Mato Grosso
e Mato Grosso do Sul.
Conhecido como a maior planície alagada
do mundo, o Pantanal tem uma área de
aproximadamente 150355 km 2 do território
brasileiro, de acordo com o IBGE.
Esse bioma se caracteriza por apresentar
temperaturas elevadas ao longo do ano,
com uma média anual de 24 ° C , podendo
atingir 41 ° C em alguns dias do verão.
Embora seja o mais conservado dos biomas
brasileiros, o Pantanal sofre ameaças pelo desmatamento e pelos impactos consequentes de
alterações em áreas vizinhas, como no Cerrado, onde se localizam as nascentes dos rios que
inundam o Pantanal nos meses de cheia (de outubro a abril).
A precipitação média anual é de aproximadamente 1250 mm , sendo o verão chuvoso e o inverno seco, com poucas chuvas.
Durante a época de chuvas intensas, o chamado período de cheia, os rios desse bioma transbordam e as partes mais baixas tornam-se alagadas.
Já durante o
período de pouca chuva, conhecido como período de seca, o nível de água dos
rios reduz, originando as porções de areia e lagoas.
Esses períodos chuvosos e de seca influenciam o solo, a vegetação e a fauna
desse bioma. Por exemplo, no período de cheia, a fertilidade do solo é reduzida
em razão do excesso de água, que prejudica a sua oxigenação e a decomposição
da matéria orgânica. Já durante o período de seca, o solo se torna mais fértil.
A vegetação é composta de árvores de grande porte, como carandá, buriti e
ipês, e plantas aquáticas, como o aguapé. A fauna tem espécies, como a garça-branca-pequena, o tuiuiú, o jacaré-do-pantanal, a sucuri-amarela, a ariranha, o
cervo-do-pantanal, o pintado e a piranha. Durante as cheias, vários hábitats se
formam para diferentes espécies de anfíbios.
Os habitantes locais, que dependem dos recursos naturais do Pantanal, são
conhecidos como pantaneiros. Eles obtêm o seu sustento e sua renda principal
mente da pesca e da criação e do manejo do gado.
Nos meses de seca (de maio a setembro), os rios voltam a seus cursos
normais, deixando nutrientes que fertilizam o solo. Entretanto, muitas
regiões ainda permanecem alagadas e originam pequenas lagoas entre
meadas por terra firme.
A principal característica do Pantanal é a dependência de quase todas
as espécies de plantas e animais em relação a esse fluxo das águas.
A fauna é rica e, embora o número de espécies seja inferior ao registrado na Amazônia, o número de indivíduos de algumas espécies é muito
maior no Pantanal. No caso das aves, estima-se que esse bioma reúna
a maior concentração do continente, observando-se com frequência árvores completamente ocupadas por grupos de garças, patos-selvagens e
jaburus ou tuiuiús (ave-símbolo da região).
Os rios são habitados por diversas espécies
de peixes, como o dourado, o curimbatá e a piraputanga (ou pirapitanga). É muito comum ver
também, nas lagoas alagadas, grandes grupos
de jacarés-do-pantanal repousando ao sol. A
diversidade pantaneira inclui também muitas
espécies de serpentes, como a sucuri e a jararaca, e muitos mamíferos que interagem diretamente com os rios, como a lontra, a onça-pintada, a anta, entre outros.
Anta brasileira, o maior mamífero do Brasil. Mede entre
1,7 e 2 m de comprimento e chega a cerca de 300 kg.
As araras-azuis, aves típicas dessa região, estavam em sério risco de extinção, mas, graças a projetos de conservação, o número de indivíduos dessa espécie aumentou. As araras-zuis dependem basicamente de três espécies de plantas para a reprodução: as palmeiras acuri e bocaiuva e o manduvi, árvore na qual cerca de 95% dos ninhos são feitos.
Pampas
Os Pampas, também chamados Campos Sulinos, ocupam uma área de aproximadamente 176496 km 2 do território brasileiro, de acordo com o IBGE.
Os Campos Sulinos ocorrem nas planícies do
sul do Brasil, onde as temperaturas são relativamente baixas, principalmente no inverno. São
conhecidos também por Campinas, Campos ou
Pampas.
Esse bioma é caracterizado por apresentar temperatura média anual de 18,3 ° C . O
verão tem temperaturas elevadas, muitas
vezes acima de 35 ° C , e o inverno é caracterizado pelas baixas temperaturas, que
podem atingir valores inferiores a 0 ° C , podendo até nevar em determinadas regiões.
A precipitação média anual é de 1534 mm
e ocorre de maneira regular ao longo de
todo o ano.
Nesse bioma há pequenas árvores e arbustos, mas a vegetação predominante é composta de gramíneas, o que favorece a atividade pecuária.
Os Pampas têm importantes rios, como o Santa Maria e o Uruguai, além de
lagos e lagoas, como a Lagoa dos Patos.
A vegetação é composta principalmente de plantas herbáceas e gramíneas,
como o capim-forquilha, a flechilha-negra, a barba-de-bode e o capim-dos-pampas.
Além da diversidade de plantas, podem ser encontradas muitas espécies de animais que vivem nesses campos. Algumas delas, por exemplo,
são os mamíferos graxaim, o tatu, o zorrilho e o gato-dos-pampas, que
está sob risco de extinção. Entre as aves, podemos citar o quero-quero, o
pica-pau dos campos e a coruja-buraqueira.
O graxaim (Lycalopex gymnocercus) é
um mamífero da família dos canídeos,
muito comum nos Campos Sulinos.
Mede cerca de 60 centímetros de
comprimento, da ponta do focinho
até a cauda.
Já a fauna é composta de uma grande quantidade de espécies de animais,
como o sapinho-de-barriga-vermelha, o beija-flor-de-barba-azul e o roedor tuco-tuco. O graxaim-do-campo, o zorrilho e o caminheiro-de-espora também são
animais comuns desse bioma.
Nos Pampas, a agricultura e a criação de animais, como gado, ovelha e
cavalo, e o artesanato em lã são algumas das atividades que garantem o
sustento e a renda de muitas famílias
que vivem nesse bioma.
Nos Campos Sulinos há regiões especiais chamadas campos brejosos
que ocorrem no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Um exemplo é o
Banhado do Taim (RS). Essas regiões ocorrem tanto no litoral quanto no
interior e correspondem a extensas áreas alagadas ou sempre úmidas,
cobertas por gramíneas e outras plantas de pequeno porte.
Nesses locais há grande diversidade de vida animal, como os ratões-do-banhado, as capivaras e aves como biguá, martim-escador e marrecão.
Os Campos Sulinos constituem um dos ambientes campestres com maior diversidade de espécies do mundo, entre plantas e animais. No entanto, esse é o bioma menos preservado no Brasil.
Paisagem de Campos
Sulinos em Santana do
Livramento (RS), 2017.
A pecuária é uma
atividade muito praticada
nessa região.