quarta-feira, 5 de agosto de 2026

MÉTODOS CONTRACEPTIVOS E DE PREVENÇÃO

Como vimos, a reprodução humana envolve, além da capacidade de gerar descendentes, diversos outros fatores, como a sexualidade, a afetividade, o prazer, os sentimentos e as emoções. Uma vida sexualmente ativa requer cuidados e responsabilidades, que devem ser compartilhados pelos parceiros, já que as relações sexuais podem acarretar uma gravidez ou infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Os métodos contraceptivos e de prevenção ajudam as pessoas a evitar uma gravidez não planejada ou indesejada e o contágio de muitas doenças. Eles cooperam para o planejamento familiar, permitindo que casais possam escolher a época mais oportuna para aumentar a família, oferecendo aos filhos melhores condições de educação, saúde e moradia, por exemplo, além de afeto e cuidado.
Cada um dos métodos contraceptivos e de prevenção apresenta vantagens e desvantagens. Por isso, é recomendável que as pessoas consultem um médico para ter mais informações e escolher, de forma consciente, o mais adequado para seu estilo de vida.

Métodos contraceptivos 


Os métodos contraceptivos são aqueles que têm como função evitar uma gravidez indesejada. Apenas alguns deles também têm como função oferecer proteção contra infecções que podem ser transmitidas pelo contato sexual. Vamos estudar alguns exemplos.

Métodos de barreira 


Métodos de barreira são aqueles que barram a passagem dos espermatozoides, impedindo o seu encontro com o ovócito e, consequentemente, a fecundação. Os métodos de barreira são considerados bastante seguros, com índice de fracasso entre 3% e 15%, que pode variar em função do produto escolhido e da maneira de utilização. Vamos conhecer alguns deles.

Preservativos masculino e feminino 


Há dois tipos de preservativos, os masculinos e os femininos, em geral feitos de látex e contendo substâncias lubrificantes.
O preservativo, popularmente chamado camisinha, é um método de barreira, ou seja, ele impede o contato com as secreções sexuais e, consequentemente, o encontro dos espermatozoides com o ovócito. A camisinha, masculina ou feminina, deve ser colocada antes da relação sexual. Elas são descartáveis e não podem ser reutilizadas.
O preservativo masculino deve ser desenrolado no pênis ereto, na hora do ato sexual, evolvendo completamente o órgão. A ponta deve ser apertada, para que o ar seja retirado, caso contrário o preservativo pode se romper. O preservativo feminino pode ser colocado pouco antes do ato sexual e deve ser introduzido na vagina, com o anel menor para dentro e o maior para fora, cobrindo o pudendo.
O preservativo masculino recobre o pênis e retém o esperma dentro de um espaço na extremidade da camisinha, impedindo que chegue à vagina. O preservativo feminino é introduzido na vagina, envolvendo o canal vaginal e protegendo a entrada do útero, retendo o esperma do parceiro.  
Esse é o único método contraceptivo que oferece dupla proteção, contra gravidez indesejada e contra transmissão de agentes causa dores de infecções sexualmente transmissíveis entre parceiros.
As vantagens de se usar preservativos são: eles não têm efeitos colaterais, ou seja, não fazem mal à saúde; podem ser adquiridos sem receita médica; funcionam como método contraceptivo, já que impedem o encontro dos gametas e o contato com secreções sexuais, sendo eficientes na prevenção de muitas ISTs, como a aids; e, por fim, nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), sua distribuição é gratuita. 
Uma desvantagem do seu uso é que, se não usados corretamente, podem se romper. Nunca se deve usar dois preservativos ao mesmo tempo, mesmo que seja um feminino e outro masculino, pois a fricção entre os dois preservativos pode aumentar a chance de rompimento do material.
Quando colocados corretamente, seus índices de falha contra a gravidez são de 2% a 13%, para os preservativos masculinos, e de 5% a 21%, para os preservativos femininos.

Diafragma 


O diafragma é uma estrutura de borracha com borda flexível que deve ser introduzida diretamente na vagina e encaixada perfeitamente no colo do útero. Ele deve ser colocado antes da relação sexual e é recomendado que seja usado com um gel espermicida (substâncias que matam os espermatozoides) para aumentar sua eficiência. Ele é um método de barreira, isto é, impede o encontro dos espermatozoides com o ovócito por meio de uma barreira física. 
Pode ser utilizado com um gel espermicida, um produto que mata os espermatozoides, para aumentar sua eficácia como contraceptivo. Juntos, os dois métodos apresentam índice de falha que varia de 6% a 16%. O diafragma não evita infecções durante as relações sexuais.
O contraceptivo deve ser colocado cerca de duas horas antes das relações sexuais, antes de qualquer contato entre o pênis e a vagina, e  removido até oito horas após a última relação sexual.
É preciso que o médico indique o tamanho adequado do diafragma. Entre as desvantagens estão o risco de infecções decorrentes da higiene inadequada do diafragma e de ISTs, já que ele não recobre a vagina totalmente, deixando-a exposta a secreções sexuais. Portanto, é recomendável usá-lo em associação com o preservativo. 
Uma das vantagens do diafragma é que ele pode ser reutilizado após a relação sexual, seguindo todos os protocolos de higienização e cuidado recomendados pelo médico ginecologista.

Métodos hormonais 


Atualmente, os métodos contraceptivos hormonais estão disponíveis apenas para as mulheres. Esses métodos liberam hormônios (estrógeno e progesterona) que inibem a ovulação e, em alguns casos, a menstruação. 
Os métodos hormonais só podem ser utilizados com a indicação e o acompanhamento de um médico, pois interferem no ciclo menstrual e apresentam várias contraindicações. Mulheres que têm ou já tiveram problemas cardíacos ou cardiovasculares, câncer, doenças do fígado, enxaqueca, que são fumantes ou estão amamentando não devem utilizá-los. 

Anticoncepcionais hormonais


Este tipo de contraceptivo é um método químico que consiste em uma mistura de hormônios sintéticos, ou seja, hormônios produzidos artificialmente, que impedem a ovulação. O mais comum é em forma de comprimidos, as chamadas pílulas anticoncepcionais
As pílulas anticoncepcionais são compostas de hormônios sintéticos, ou seja, produzidos em laboratório, que são similares ao estrogênio e à progesterona produzidos pelos ovários. Quando a pílula é tomada corretamente, esses hormônios inibem a ovulação e provocam alterações nas características do endométrio. Esse método contraceptivo não protege contra agentes infecciosos que possam ser transmitidos durante as relações sexuais.
O uso adequado das pílulas anticoncepcionais tem cerca de 0,3% de índice de falha na prevenção de gravidez. Porém, algumas pílulas podem provocar efeitos colaterais, como enjoos, vômitos, dores de cabeça e no corpo, inchaço, sangramentos, alterações de humor, entre outros. A composição das pílulas é, inclusive, contraindicada a mulheres com diagnóstico de enxaqueca e histórico familiar de acidente vascular cerebral, por exemplo. 
Uma cartela costuma conter 21 comprimidos, de modo que deve ser ingerida uma pílula por dia, de preferência no mesmo horário. Após 21 dias, suspende-se a ingestão por uma semana e, nesse período, a mulher menstrua normalmente, embora não tenha liberado nenhum ovócito. Após uma semana, uma nova cartela de pílulas deve ser iniciada. 
Como há diversas pílulas anticoncepcionais no mercado, com diferentes níveis hormonais, é recomendável consultar um médico para escolher a mais adequada para cada mulher, considerando características do seu ciclo menstrual, idade, entre outros aspectos.
As pílulas anticoncepcionais também podem ser usadas no tratamento de algumas doenças, como a presença de cistos no ovário, ou para controlar a quantidade excessiva de sangue que algumas mulheres eliminam na menstruação. Esse uso também deve ser acompanhado por um(a) médico(a) especialista.
As injeções, que contêm uma dose maior de hormônios em relação às pílulas. São utilizadas a cada mês ou trimestre, dependendo da quantidade e do tipo de hormônio.
Há também os adesivos transdérmicos que são colados sobre a pele e devem ser trocados semanalmente. Entre os anticoncepcionais injetáveis, há as injeções mensais (uma vez por mês) ou trimestrais (uma vez a cada três meses). Outro tipo de anticoncepcional hormonal é o implante subcutâneo, que possui longa validade (dura alguns anos) e deve ser implantado por um médico, por meio de um procedimento cirúrgico simples. O implante vai liberando hormônios aos poucos e de forma contínua, impedindo a ovulação e também a menstruação. 
O anel vaginal, que é um disco que libera hormônios e deve ser encaixado no colo uterino; precisa ser substituído a cada três semanas. Apesar de a pílula ser o contraceptivo hormonal feminino mais popular, os outros métodos vêm ganhando espaço pela sua praticidade, já que não necessitam de tanta disciplina. Além disso, deve-se levar em conta que a pílula apresenta contraindicações e não protege contra ISTs.
Embora os anticoncepcionais hormonais, se usados corretamente, sejam eficientes, eles não ajudam na prevenção de ISTs. Por isso, é recomendável usá-los em associação com o preservativo. Como essas substâncias podem ter efeitos colaterais, também é importante que o uso delas seja feito com acompanhamento médico constante. 

Métodos cirúrgicos 


Como são geralmente irreversíveis, os métodos cirúrgicos somente são recomendados para casais que não querem ter fílhos ou que já têm fílhos e estão seguros de que não desejam ter outros. 
São indicados também quando, no casal, existe alguém com algum problema grave de saúde e uma gravidez não seria recomendável. Os métodos cirúrgicos são a laqueadura, para as mulheres, e a vasectomia, para os homens.

Laqueadura e vasectomia


A laqueadura e a vasectomia são métodos contraceptivos cirúrgicos. Geralmente, quem passa por esses procedimentos não poderá mais ter filhos, pois eles evitam definitivamente a possibilidade de gravidez. 
No Brasil, essas cirurgias são realizadas somente em pessoas com mais de 25 anos e que já têm filhos, e em alguns casos especiais.
A laqueadura é a cirurgia realizada em mulheres. As tubas uterinas são cortadas e as extremidades do corte são fechadas, impedindo a fecundação.
A laqueadura consiste na interrupção da ligação entre as tubas uterinas, impedindo que os espermatozoides encontrem os ovócitos liberados pelos ovários.
A vasectomia consiste no corte dos ductos deferentes, impedindo que os espermatozoides cheguem à uretra. No entanto, a vasectomia não impede a ejaculação. A diferença é que o esperma liberado não contém espermatozoides. 
Os ductos deferentes são cortados e as extremidades do corte são fechadas. Assim, o caminho percorrido pelos espermatozoides durante o estímulo sexual é interrompido e eles não chegam à próstata e, portanto, não são eliminados pela uretra na ejaculação.
Depois da realização da cirurgia, é recomendada a utilização de outro método contraceptivo por cerca de 60 dias, porque alguns espermatozoides podem permanecer vivos dentro do ducto deferente, na porção posterior ao corte, e serão ejaculados com o sêmen. Depois desse período, o sêmen não deverá mais conter espermatozoides.
Tanto a laqueadura quanto a vasectomia são procedimentos cirúrgicos e costumam ser irreversíveis. Por isso, eles são recomendados para pessoas que já têm filhos, pois impedem novas gestações. 
A laqueadura e a vasectomia não protegem contra possíveis infecções durante as relações sexuais. Portanto, mesmo tendo realizado as cirurgias, recomenda-se utilizar o preservativo nas relações sexuais. 
Esses procedimentos não interferem na produção dos hormônios sexuais, tampouco no desempenho sexual das pessoas.


Dispositivos intrauterinos (DIU) 



O dispositivo intrauterino, ou DIU, é um objeto flexível, feito de plástico, que pode ser revestido com cobre ou apresentar a capacidade de liberar um hormônio sintético de progesterona. Ambos atuam dificultando o encontro dos gametas.
O DIU é inserido no útero da mulher por um(a) ginecologista, onde pode ficar de 5 a 10 anos ou até que a paciente decida engravidar. Seu índice de falha na anticoncepção é de 0,5% a 0,8%. 
É um método que impede a implantação do embrião no endométrio. Em algumas mulheres, no entanto, esse dispositivo causa o aumento do fluxo menstrual e pode causar cólicas. 
O DIU com revestimento de cobre é o mais comum. O cobre tem efeito espermicida, impedindo que os espermatozoides cheguem até as tubas uterinas. Além disso, o DIU provoca algumas alterações no útero que dificultam a passagem dos espermatozoides e impedem a nidação, caso ocorra fecundação.
Esse método também não previne contra infecções sexualmente transmissíveis. Alguns hospitais públicos no Brasil têm programas de planejamento familiar e colocam gratuitamente o DIU, após uma avaliação cuidadosa da paciente.

Métodos naturais, de abstinência ou comportamentais


Os métodos naturais, de abstinência ou comportamentais consideram o período fértil da mulher determinado pela observação do ciclo menstrual. Durante o período fértil, o casal que utiliza exclusivamente esses métodos deve evitar a penetração vaginal se quiser evitar a gravidez. 
Os métodos naturais ou comportamentais ajudam a mulher a conhecer o seu próprio corpo, são gratuitos e não causam problemas à saúde. Por outro lado, necessitam de muita disciplina, responsabilidade de ambos os parceiros, períodos de abstinência sexual e tempo de observação do próprio corpo. Além disso, apresentam índice de fracasso elevado, pois é muito comum ocorrerem alterações no ciclo menstrual em função de variações hormonais, doenças e fatores psicológicos, como o estresse.
O ciclo menstrual pode ser irregular, principalmente em mulheres jovens, dificultando ainda mais a determinação do período fértil. Outra limitação desses métodos é o fato de não prevenirem contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). 
Devido às desvantagens apresentadas, não são recomendáveis para adolescentes ou casais muito jovens. Alguns casais utilizam dois ou os três métodos comportamentais ou naturais ao mesmo tempo, a fim de diminuir o risco de fracasso. Vamos conhecer alguns desses métodos.

Coito interrompido e tabelinha 


O coito interrompido consiste na retirada do pênis da vagina pouco antes da ejaculação. 
O método da tabelinha tem como base evitar relações sexuais no período fértil. Ambos os métodos são comportamentais e não são eficientes na contracepção nem na prevenção de ISTs.
Antes de utilizar esse método, a mulher deve acompanhar e anotar, durante alguns meses, o dia do início do ciclo menstrual, ou seja, o primeiro dia da menstruação, a fim de verificar a regularidade e a duração do ciclo.
O desafio desse método é identificar o dia fértil da mulher, ou seja, o dia da ovulação. Uma mulher com um ciclo regular de 28 dias, isto é, cuja menstruação ocorre em intervalos de 28 dias, ovulará provavelmente no 14o dia do ciclo. 
Em geral, a ovulação ocorre 14 dias antes da menstruação seguinte. Embora o ovócito demore alguns dias para percorrer a tuba uterina, ele só é viável para a fecundação por 24 horas após a ovulação. Por sua vez, os espermatozoides conseguem sobreviver em torno de três dias no interior do sistema genital feminino. Sendo assim, o período fértil da mulher pode durar aproximadamente sete dias: três dias antes da ovulação, o dia da ovulação e os três dias seguintes.

Temperatura basal 


Nesse método, a mulher deve medir e anotar diariamente sua temperatura corporal basal. A temperatura basal é a temperatura do corpo logo ao acordar e antes de fazer qualquer esforço físico. Ela oscila normalmente em torno dos 36,5 ºC, mas diminui cerca de 0,5 ºC no dia da ovulação e aumenta entre 0,3 ºC e 0,8 ºC nos dias seguintes. Com esses dados, deve-se montar um gráfico da temperatura basal em função do dia do ciclo menstrual. 
Antes de começar a utilizar esse método, é recomendado que se montem gráficos por alguns meses. Esse procedimento é necessário para que a mulher conheça o seu padrão de variação da temperatura basal, que, após estabelecido, poderá ser usado para estimar o período fértil. 
Enquanto não for possível estimar o período fértil, é recomendado que se utilize outro método contraceptivo para evitar a gravidez.

Método Billings ou muco cervical


Esse método baseia-se na observação da secreção da vagina (muco), parecida com a clara de ovo e de consistência variável (elasticidade), durante o ciclo menstrual. A mulher deverá observar e se familiarizar com as mudanças no muco por um período de seis meses antes de utilizar o método.


Período infértil

Período fértil
Para verificar a elasticidade do muco, a mulher deverá coletar uma amostra e colocá-la entre os dedos polegar e indicador.

 
Após a menstruação, a mulher passa aproximadamente três dias sem produzir esse muco. A partir daí, a produção começa e o muco vai mudando de consistência com o passar dos dias, tornando-se mais elástico. Não se deve ter relações sexuais do dia em que aparece o muco até o 4o dia após o muco atingir o seu máximo de elasticidade.

A pílula do dia seguinte 


Lançada no Brasil em 1999, a pílula do dia seguinte é um contraceptivo que só deve ser utilizado em situações de emergência; por exemplo, em caso de estupro. Ela nunca deve ser usada como método contraceptivo regular, pois tem taxas elevadas de hormônios, podendo causar vômitos, náuseas, enxaquecas e alterações no ciclo menstrual.
Os hormônios da pílula do dia seguinte agem sobre os ovários, impedindo ou retardando a ovulação. No colo uterino, aumentam o espessamento do muco, o que dificulta a passagem dos espermatozoides, e, no endométrio, impedem a nidação, caso tenha ocorrido a fecundação. 
A pílula do dia seguinte precisa ser tomada até 72 horas após a ocorrência da relação sexual. Esse método só deve ser utilizado com a orientação de um médico, que irá avaliar o estado de saúde da mulher e ver se não há riscos para ela. Mulheres com problemas cardiovasculares, cardíacos e nos órgãos genitais internos (ovários, tubas uterinas e útero) geralmente não podem fazer uso desse medicamento. 



A EVOLUÇÃO DO PRESERVATIVO MASCULINO


Engana-se quem pensa que o preservativo masculino é uma invenção da sociedade moderna. Registros indicam que os egípcios faziam camisinhas de papiro e, há mais de 3 mil anos, os chineses fabricavam o preservativo usando papel de seda e óleos vegetais.
De lá para cá, inúmeros materiais foram usados: tecidos como o linho, casco de tartarugas e intestino de ovelha, bezerro ou cabra. Camisinhas feitas com intestino de animais ainda são fabricadas hoje em dia e usadas por pessoas que têm alergia aos materiais dos preservativos atuais.
Na Idade Média, o preservativo era usado para prevenir a infecção pela sífilis, doença que já afetava muitas pessoas. No século XVII, a camisinha era usada para evitar doenças e gravidez indesejada. 
Em meados do século XIX, por volta de 1840, Hancock e Charles Goodyear inventaram o processo de vulcanização da borracha, pelo qual ela adquire certas propriedades, ficando mais resistente. A partir daí, foi fabricada a camisinha de borracha, mas ainda era um material duro e desconfortável.
Somente no século XX, Julius Fromm aperfeiçoou o método de Charles Goodyear e a borracha foi substituída pelo látex líquido. Foi lançada então a camisinha feita de látex, mais fina e sem costuras.
O método inventado por Fromm para a fabricação de preservativos é utilizado até hoje: tubos de vidro são mergulhados em uma solução de látex, que, depois de resfriada e seca, forma os preservativos finos e sem costuras.
Com novas tecnologias, novos materiais estão sendo empregados na fabricação de camisinhas, como o poliuretano, o que torna os preservativos mais seguros e confortáveis para seus usuários.


Preservativo masculino de borracha e reutilizável, fabricado por Charles Goodyear, em 1948, na Inglaterra.


Os preservativos atuais, em comparação com os primeiros a surgirem, são mais finos e não causam desconforto.



SISTEMAS GENITAIS

Os sistemas genitais participam do processo de reprodução, que, como vimos, na espécie humana envolve mais do que a produção de descendentes e está relacionado com a sexualidade, a afetividade, o prazer, os sentimentos e as emoções. 
Os sistemas genitais masculino e feminino são formados por um conjunto de órgãos externos e internos, chamados de órgãos genitais.  Durante o processo de puberdade, nosso corpo passa por diversas mudanças. Durante essas mudanças, ocorre o amadurecimento dos órgãos que compõem o sistema genital masculino e o sistema genital feminino.
Ele é constituído de órgãos que atuam na produção, na maturação e no transporte de gametas, bem como na produção de hormônios sexuais. É importante conhecer seu funcionamento para aprender a cuidar da saúde e agir com respeito consigo mesmo e com as outras pessoas.
Os seres humanos têm reprodução sexuada e realizam fecundação interna, isto é, os gametas masculinos são introduzidos no corpo da fêmea. Além disso, o embrião desenvolve-se no corpo feminino, característica dos animais vivíparos.

Sistema genital masculino

O sistema genital masculino apresenta dois testículos, que estão envoltos pelo escroto, dois epidídimos, dois ductos deferentes, ducto ejaculatório, pênis e glândulas acessórias, que são: duas glândulas seminais, uma próstata e duas glândulas bulbouretrais.


O pênis e o escroto, também chamado de bolsa escrotal, são os órgãos externos do sistema genital masculino. 
O pênis é um órgão de forma cilíndrica, coberto por uma pele frouxa que, na porção final, perto da glande (porção dilatada do pênis), forma uma dobra ou prega chamada de prepúcio.
O prepúcio é retrátil, ou seja, ao ser puxado para trás ou removido cirurgicamente, expõe a glande. A glande apresenta uma abertura por onde ocorre a ejaculação do sêmen e a eliminação da urina.


O sistema genital masculino é encarregado da produção de espermatozoides, que são os gametas masculinos, também chamados células reprodutivas masculinas. O sistema genital também é responsável pela produção de hormônios, como a testosterona.
Entre os órgãos internos do sistema genital masculino estão os testículos, os epidídimos, a próstata, os ductos deferentes, a uretra, as glândulas seminais (vesículas seminais) e as glândulas bulbouretrais.
Os dois testículos, que estão abrigados fora da cavidade abdominal, no interior de uma bolsa de pele chamada escroto, são os órgãos responsáveis pela produção dos espermatozoides, os gametas sexuais masculinos. 
O escroto é uma bolsa de pele que contém os testículos, órgãos responsáveis pela produção dos espermatozoides e do hormônio testosterona. 
A partir da puberdade, os espermatozoides começam a ser produzidos nos testículos, de onde passam para os epidídimos, pequenos órgãos localizados acima de cada um dos testículos, onde desenvolvem a capacidade de movimento. Nesses órgãos, os espermatozoides completam, em alguns dias, o seu processo de amadurecimento e ficam armazenados nos chamados ductos deferentes. 
A produção adequada e a sobrevivência dos espermatozoides dependem de uma temperatura um pouco abaixo da temperatura interna do corpo (em torno de 2 ºC a menos). Assim, quando está frio, o escroto se eleva, ficando mais perto do abdômen, recebendo o calor do corpo. Quando está calor, ele desce, afastando-se da região abdominal, o que causa a exposição ao ambiente e a diminuição da temperatura dos testículos.
Para que os espermatozoides sejam produzidos, os testículos precisam estar em uma temperatura cerca de 3 °C menor do que a temperatura corporal. Assim, esses órgãos ficam alojados fora da cavidade abdominal. 


A produção de espermatozoides se inicia com a puberdade – quando os níveis de testosterona começam a aumentar – e continua ao longo de toda a vida do homem. Por dia, são produzidos milhões de espermatozoides.

Os espermatozoides apresentam três partes principais: 

• cabeça, onde estão o núcleo, o material genético da célula masculina e as enzimas que auxiliam a penetração do espermatozoide no gameta feminino; 
• corpo, onde há uma grande quantidade de mitocôndrias, as quais liberam a energia necessária ao deslocamento do espermatozoide e às funções metabólicas da célula; 
• cauda, estrutura que realiza movimentos ondulatórios, responsáveis pela locomoção do espermatozoide.

Espermatozoides vistos ao microscópio. Imagem ampliada 3 300 vezes (quando aplicada com 21 cm de largura); colorida artificialmente.

Depois que são produzidos, os espermatozoides passam por um processo de maturação, até que se tornam gametas viáveis. Essa maturação ocorre parcialmente nos testículos e parcialmente nos epidídimos, órgãos localizados na lateral e acima dos testículos. 
Os espermatozoides maduros, armazenados nos epidídimos, permanecem viáveis por meses e podem ser reabsorvidos pelo organismo, caso não sejam ejaculados. Durante o ato sexual, o pênis introduz os gametas masculinos no corpo feminino. 
No pênis, há tecido erétil, uretra e glande, a qual fica protegida por um tecido externo denominado prepúcio. Durante a excitação sexual, o tecido erétil se enche de sangue e o pênis fica ereto, condição necessária para que o órgão penetre na vagina e ocorra a ejaculação. 
Na ejaculação, os espermatozoides armazenados nos epidídimos passam pelos ductos deferentes e pelo ducto ejaculatório, onde recebem as secreções produzidas pelas glândulas seminais. Por fim, chegam à uretra, onde recebem as secreções produzidas pela próstata e pelas glândulas bulbouretrais, e saem do corpo. Essa mistura se chama sêmen.
O sêmen é composto pelos espermatozoides e pelas secreções das glândulas acessórias, que são importantes para a nutrição e a locomoção dos gametas. As secreções das glândulas seminais, por exemplo, são ricas em nutrientes importantes para os espermatozoides. As secreções prostáticas auxiliam na diminuição da acidez da uretra (causada pela passagem anterior de urina), e as secreções das glândulas bulbouretrais são lubrificantes, o que facilita a locomoção dos espermatozoides.
Nos homens, a uretra é um canal comum aos sistemas genital e excretor. Ou seja, por ela, além do sêmen, sai também a urina, que fica armazenada na bexiga urinária. No entanto, as duas funções, ejacular e urinar, nunca acontecem ao mesmo tempo, pois a parte do canal da uretra que sai da bexiga e atravessa a próstata se fecha durante a ejaculação.

O mecanismo da ereção

A ereção (aumento do comprimento e do volume do pênis) acontece devido ao acúmulo de sangue nesses tecidos e geralmente ocorre quando o indivíduo fica sexualmente excitado. Quando o sangue reflui, isto é, quando volta para a circulação geral, o pênis fica ê ácido e a ereção desaparece.

Disfunção erétil

A disfunção erétil é a incapacidade de um indivíduo ter uma relação sexual. Nos homens, pode acontecer em função da perda de ereção ou da ejaculação precoce. Na ejaculação precoce, o homem tem ereção, mas ejacula antes de conseguir a penetração. 
A disfunção erétil masculina pode ser causada por fatores psicológicos, como ansiedade, depressão, autoestima baixa; uso de drogas lícitas ou ilícitas; medicamentos; distúrbios hormonais ou problemas físicos (má-formação do pênis, acidentes, problemas vasculares, entre outros). 
É importante não confundir disfunção erétil com a perda ocasional da ereção, que pode ocorrer, por exemplo, em decorrência de fatores que geram ansiedade ou perda de autoconfiança. 
Atualmente existem no mercado determinados medicamentos que atuam, em alguns casos, mantendo a ereção no homem adulto. Mas esses medicamentos podem causar sérios danos ao organismo se não forem utilizados corretamente por indicação médica e com acompanhamento. 

Sistema genital feminino


Diferentemente do corpo do homem, que apresenta alguns dos órgãos genitais externos bem visíveis, o corpo da mulher tem um conjunto de órgãos externos não tão evidentes. 
O sistema genital feminino é responsável pela produção de ovócitos, que são os gametas femininos, também chamados células reprodutivas femininas. Além disso, o sistema genital feminino produz os hormônios estrógeno e progesterona, e também é responsável por abrigar o bebê em desenvolvimento.
Os órgãos externos do sistema genital feminino são os lábios maiores e os lábios menores, dobras de pele que protegem a entrada da vagina e da uretra. 
Acima dos lábios maiores, está presente um pequeno órgão identificado como clitóris, que proporciona prazer à mulher quando estimulado. 
Na realidade, o clitóris é a parte visível desse órgão e corresponde à glande do pênis. Durante o processo de excitação feminina, o clitóris passa por uma ereção, similar à do pênis.
O conjunto dos órgãos genitais externos da mulher é chamado de pudendo feminino. O monte do púbis (monte de Vênus) encontra-se na parte anterior do pudendo feminino. É um acúmulo de tecido adiposo subcutâneo. A pele do monte do púbis é recoberta por pelos.
O hímen é uma fina membrana localizada na entrada da vagina. Essa membrana apresenta um ou mais orifícios por onde é expelido o fluxo menstrual. Em alguns casos, o hímen pode não apresentar abertura, necessitando de uma pequena cirurgia. Essa membrana não apresenta nenhuma função fisiológica relacionada à reprodução e geralmente rompe-se na primeira relação sexual. Sua ruptura nem sempre é acompanhada de sangramento. 
Algumas mulheres têm o hímen muito frágil, que pode se romper sem que tenha havido relação sexual. Em outros casos, o hímen é muito elástico e resistente e não se rompe, mesmo após uma relação sexual. Diferentemente do que muitas mulheres jovens pensam, a presença do hímen não impede que uma mulher engravide em sua primeira relação sexual com um homem. 

O sistema genital feminino apresenta dois ovários, duas tubas uterinas, útero e vagina. De cada lado do útero, saem as tubas uterinas, que estabelecem a comunicação entre esse órgão e os ovários. Nos ovários são produzidos os gametas femininos, como veremos a seguir.

O útero é um órgão muscular com grande elasticidade. Sua camada mais interna, chamada endométrio, é onde deve ocorrer a fixação do embrião durante a gravidez. 


A região mais inferior, o colo do útero, se abre na vagina, um canal curto, de fortes paredes musculares, que recebe o pênis durante o ato sexual. É também pela vagina que sai a menstruação e por onde passa o bebê no parto normal.
Os órgãos do sistema genital feminino que se localizam externamente ao corpo são denominados pudendo. São os lábios maiores e os lábios menores, que protegem a entrada da vagina e da uretra, e o clitóris.

Os órgãos genitais femininos internos são a vagina, o útero, os ovários e as tubas uterinas. A vagina é um órgão tubular com cerca de 10 cm de comprimento, bastante elástico, que liga o ambiente externo ao útero. 
Em conjunto com o útero, com põe o canal vaginal ou o canal do parto, por onde passa o bebê no parto normal. Na vagina existem duas glândulas com função de lubrificação, que facilitam a penetração. 
Em contato com a parte superior da vagina fica o útero, órgão muscular em forma de pera. Ele apresenta grande elasticidade, podendo aumentar muitas vezes de tamanho durante a gravidez. O colo uterino é sua porção mais estrei ta e está em contato com a vagina. Internamente, o útero é revestido por um tecido chamado endométrio, que é ricamente vascularizado. 
Ligadas ao útero e estendendo-se até próximo aos ovários estão as tubas uterinas, que apresentam tecido de revestimento interno com cílios. Os cílios movimentam-se de forma coordenada e, em conjunto com os movimentos da musculatura das tubas uterinas, deslocam a célula sexual feminina do ovário para o útero. 
Os ovários são dois pequenos órgãos localizados na região abdominal que têm a função de produzir os hormônios femininos – estrógeno e progesterona. No ovário também são formadas as células sexuais femininas. As mulheres já nascem com um estoque de células sexuais imaturas (chamadas ovócitos) no interior de seus ovários. Essas células iniciam sua maturação a partir da puberdade.
Os ovários são os órgãos responsáveis pela produção dos ovócitos, as células precursoras dos gametas femininos. A produção dos gametas femininos inicia-se quando a menina ainda está no interior do corpo da mãe, na fase fetal, e interrompe-se pouco antes do nascimento da criança. Isso significa que as mulheres nascem com uma quantidade determinada de ovócitos. 
Os ovócitos completam seu desenvolvimento na puberdade, quando os hormônios sexuais femininos passam a ser produzidos em concentrações mais elevadas. Sob a influência dos hormônios FSH e LH, alguns ovócitos continuam seu desenvolvimento a cada ciclo reprodutivo feminino, cuja duração é de cerca de um mês. 
De modo geral, a cada ciclo, apenas um ovócito estará maduro para ser fecundado e será liberado pelo ovário, no fenômeno denominado ovulação. Depois de liberado, o ovócito segue para as tubas uterinas e para o útero. 

Fotomicrografia mostrando a tentativa de fecundação de um ovócito humano pelo espermatozoide. Imagem ampliada 640 vezes.

Se houver encontro do ovócito com o espermatozoide nas tubas uterinas, fenômeno conhecido como fecundação, o zigoto formado será direcionado ao útero, enquanto sofre as primeiras divisões mitóticas e aumenta de tamanho. 
O ovócito liberado pelo ovário chega às tubas uterinas e é deslocado para o útero. Nesse trajeto, se a mulher não estiver fazendo uso de nenhum contraceptivo durante uma relação sexual com um homem, poderá haver o encontro das células sexuais. A fusão dos gametas feminino e masculino origina a célula-ovo ou zigoto, que começará a se dividir formando um conjunto de várias células que chamamos de embrião.
Enquanto o folículo amadurece no ovário, o endométrio (a camada mais interna do útero) torna-se mais espesso, pelo aumento do número de camadas de células. Esse processo prepara o útero para receber um possível embrião. 
No útero, esse agrupamento de células se instala no endométrio. O endométrio protege o embrião e contribui para sua nutrição durante o período gestacional. 
Caso não ocorra a fecundação, o ovócito é eliminado do corpo com a menstruação.

Menstruação 

Se não ocorrer a fecundação, algumas camadas de células do endométrio se desprendem e são eliminadas pela vagi na. Esse processo é chamado de menstruação e provoca a ruptura de pequenos vasos sanguíneos. 
É por esse motivo que ocorre sangramento durante a menstruação. À eliminação das células e substâncias durante a menstruação chamamos de fluxo menstrual.
As menstruações, o amadurecimento dos ovócitos nos ovários, as ovulações e as preparações do endométrio para receber um possível embrião iniciam-se na puberdade e ocorrem até por volta dos 50 anos de idade, período a partir do qual a mulher passa a não menstruar mais, a chamada menopausa
Esses fenômenos são cíclicos, ou seja, acontecem em intervalos de tempo, que podem variar de mulher para mulher e, para uma mesma mulher, ao longo do tempo, constituindo o que chamamos de ciclo menstrual
O primeiro dia da menstruação é o primeiro dia do ciclo menstrual. Em média, o ciclo menstrual dura 28 dias, mas existem muitas mulheres que têm ciclos mais curtos ou mais longos. Além disso, é comum, principalmente nas mulheres jovens, que a duração dos ciclos varie ao longo do tempo.
A síndrome da tensão pré-menstrual (TPM) é um conjunto de sinais e sintomas (por isso é chamada de síndrome) associados ao ciclo menstrual, em especial ao período que antecede a menstruação. 
Ela ocorre devido à maior oscilação hormonal que ocorre no corpo da mulher após a ovulação e termina após o início da menstruação. Pode se manifestar por meio de sintomas físicos, como: cólicas, retenção de líquidos, do res nas mamas, cefaleia e tontura; e psicológicos: irritação, ansiedade, alterações de humor e baixa autoestima. Todos esses sintomas podem ser minimizados com o devido acompanha mento médico.

Nas mamas estão localizadas as glândulas mamárias, que produzem o leite materno, muito importante para o recém-nascido humano. 
O leite materno é uma mistura de água, substâncias nutritivas e anticorpos. Ele é a alimentação ideal para uma criança até os seis meses de vida. A secreção e a ejeção do leite são estimuladas por hormônios. 
O leite é produzido nas glândulas secretoras, que se reúnem em aglomerações denominadas lóbulos, e conduzido ao exterior do corpo por meio de ductos. O formato característico das mamas nas mulheres deve-se ao depósito de gordura ao redor das glândulas mamárias.

O ciclo reprodutivo feminino

O ciclo reprodutivo feminino caracteriza-se pela maturação de um ovócito no ovário (que será liberado) e por uma série de mudanças que ocorrem no endométrio, como forma de preparação do útero para uma eventual gravidez.
A duração do ciclo é variável e diferente para cada mulher, mas comumente dura entre 24 e 35 dias, período que pode ser dividido em quatro fases denominadas: fase menstrual, fase pré-ovulatória, ovulação e fase pós-ovulatória. Vamos considerar um ciclo de 28 dias e conhecer o que ocorre em cada uma dessas fases.

Fase menstrual

Um ciclo é uma sequência de fenômenos que se repetem ao fim de um período de tempo determinado. Por isso, a rigor, ciclos não têm início nem fim. Mas, para facilitar o entendimento do que ocorre no ciclo reprodutivo feminino, vamos considerar que ele começa com a fase menstrual.
Essa fase, também chamada de menstruação, só ocorre quando não há gravidez e dura em média cinco dias. Portanto, vai do 1o ao 5o dia do ciclo. Caracteriza-se pela eliminação do ovócito não fecundado e de parte do endométrio, o que resulta em sangra mento. Todo esse material sai do corpo pela vagina, sendo expulso por meio de contrações fracas do útero. Depois dessa fase, o endométrio apresenta-se menos espesso.

Fase pré-ovulatória 

É o período compreendido entre o fim da menstruação e a ovulação. Nessa fase, o estrogênio secretado pelos ovários estimula o crescimento do endométrio, o qual tem sua espessura aumentada e torna-se mais vascularizado. Alguns ovócitos retomam seu desenvolvimento, e um deles amadurece, ficando pronto para ser fecundado. Em geral, essa fase vai do 6o ao 13o dia do ciclo. A duração dessa fase pode variar entre as mulheres.

Ovulação 

O ovócito maduro é liberado pelo ovário e recolhido pela tuba uterina, no fenômeno da ovulação. Em ciclos de 28 dias, isso geral mente ocorre no 14o dia, ou seja, na metade do ciclo, quando os níveis de LH estão mais altos.

Fase pós-ovulatória 

É o período posterior à ovulação e vai do 15o ao 28o dia do ciclo. Nessa etapa, sob influência do hormônio estrogênio, o endométrio atinge sua espessura máxima e mantém-se assim principalmente pela ação do hormônio progesterona. Essas mudanças no útero preparam o órgão para abrigar um novo ser humano, se houver gravidez. Nesse caso, o ciclo se interrompe: o endométrio não é eliminado e a fase menstrual não ocorre. Caso contrário, na ausência de gravidez, o ciclo prossegue.


INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS (ISTs)


As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) – antes denominadas doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) – são causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos.
Existem alguns sintomas comuns a várias ISTs, mas somente um médico poderá fazer o diagnóstico correto e propor o tratamento adequado em cada caso. Entre os sintomas mais comuns, estão: 
• aparecimento de feridas, manchas ou verrugas nos órgãos genitais; 
• ardência ou dificuldade para urinar; 
• secreção (corrimento) ou coceira na vagina, no ânus ou no pênis.
Essas infecções são transmitidas, principalmente, por meio do contato sexual (oral, vaginal ou anal) sem o uso de preservativos entre pessoas que estejam contaminadas. 
Em alguns casos, esses agentes infecciosos podem ser transmitidos de forma não sexual por meio de objetos cortantes ou perfurantes contaminados, como agulhas e alicates de unha. Outra forma é a transmissão da mãe infectada ao bebê, durante a gestação, no parto ou na amamentação.
Os sintomas de algumas ISTs podem desaparecer em alguns dias, sem nenhum tratamento, dando à pessoa contaminada a falsa ideia de que está curada. Também é comum as pessoas se contaminarem com alguma IST e os sintomas demorarem a aparecer. Nesses casos, se a infecção não for diagnosticada e tratada, as consequências poderão ser muito sérias, tanto para a própria pessoa quanto para os seus possíveis parceiros sexuais, que correrão risco de se contaminar.
O principal motivo para a mudança da nomenclatura de DST para IST foi exatamente o fato de que, quando falamos em “doença”, consideramos a existência de sintomas e sinais visíveis no organismo. Já as infecções podem se manter assintomáticas (sem apresentar sintomas) por determinados perío dos ou mesmo por toda a vida, só podendo ser detectadas por meio de exames laboratoriais.
As ISTs podem se manifestar por meio de feridas, corrimentos ou verrugas no ânus ou nos órgãos genitais. Em alguns casos, feridas e manchas aparecem em outras partes do corpo, como palma das mãos, olhos e língua. Por isso, qualquer alteração nos órgãos genitais ou em outras partes do corpo deve ser relatada a um médico imediatamente, pois apenas um profissional da área da saúde tem condições de fazer o diagnóstico correto e prescrever o tratamento adequado. Entre as ISTs, podemos citar a infecção pelo HIV, a sífilis, a gonorreia e a tricomoníase.

Infecção pelo HIV


HIV é a sigla em inglês para o vírus da imunodeficiência humana, causador da aids. Esse vírus afeta o sistema imunitário, responsável pela defesa do organismo contra doenças.

O HIV parasita principalmente os linfócitos, tipo de glóbulo branco responsável pela produção de anticorpos. Os vírus são os elementos amarelos e o linfócito é a célula em azul.

Ter o HIV não significa que a pessoa tem aids. Aids é o estágio mais avançado da doença, quando os vírus atacam as células de defesa da pessoa, deixando seu organismo vulnerável para outras infecções oportunistas, como a pneumonia e a tuberculose.
Essas infecções são chamadas oportunistas pois, em uma situação normal, seriam facilmente combatidas pelo sistema imune. Porém, como os vírus HIV atacam as células de defesa, eles deixam o organismo vulnerável e propenso a infecções.
As pessoas que vivem com HIV são chamadas soropositivos e elas podem viver muitos anos sem apresentar quaisquer sintomas e sem desenvolver a doença. Mas, mesmo sem manifestarem a aids, essas pessoas podem transmitir o vírus a outros indivíduos por meio de relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação quando não tomam as devidas medidas de prevenção.
Os sintomas variam dependendo do estágio da doença. No início, eles se assemelham aos sintomas de uma gripe, como febre e mal-estar. Por isso, a doença pode passar despercebida. Em fases mais avançadas, os portadores da doença podem apresentar febre, diarreia, suores noturnos e emagrecimento. O sistema imunitário enfraquece e permite a infecção por doenças oportunistas.
Ainda não há uma cura para a infecção por HIV. O tratamento é feito com um coquetel de medicamentos, chamado terapia antirretroviral.
As pessoas com HIV ou com aids têm os mesmos direitos das outras pessoas, incluindo o direito à educação, ao trabalho, o acesso à saúde e os direitos sexuais e reprodutivos. Para que cuidem de sua família e evitem transmitir a doença, é fundamental que os portadores do HIV tenham acesso a diagnóstico e tratamento adequados.
Para evitar o contágio pelo HIV, é recomendado que pessoas com vida sexual ativa façam uso de preservativo nas relações sexuais. Também se recomenda exames médicos periódicos.

Sífilis 


A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum. Além do contato sexual, a transmissão pode ocorrer por transfusão sanguínea e de mãe para filho durante a gestação, através da placenta. 
Os sintomas são lesões endurecidas e pouco dolorosas nos órgãos genitais, que podem desaparecer naturalmente depois de algumas semanas. Porém, surgem pontos vermelhos na pele em diversas partes do corpo, como palma das mãos e planta dos pés. Pode haver febre e dores no corpo. Em estágios mais avançados da doença, há agravamento das lesões na pele e os sistemas nervoso, cardiovascular e urinário são atingidos, levando o indivíduo à morte.
Geralmente, o primeiro estágio corresponde ao aparecimento do cancro duro, uma pequena ferida que não dói nem coça, nos órgãos genitais (pênis, pudendo feminino, vagina ou colo uterino) ou na boca. Essa ferida desaparece sozinha após alguns dias, sem deixar cicatriz. 
Alguns meses depois, aparecem feridas e manchas vermelhas pelo corpo, características do segundo estágio. Essas manchas também desaparecem após algum tempo. 

Sífilis secundária (segundo estágio): aparecimento de feridas e manchas pelo corpo.

Bactéria transmissora da sífilis vista ao microscópio eletrônico. 


Se a infecção não for tratada, evolui para o terceiro estágio, após um período sem sintomas que pode durar anos. Nesse ponto, ela afeta diversos órgãos vitais, como o cérebro e o coração. A sífilis pode ser tratada com antibióticos em qualquer dos estágios e pode ser diagnosticada pelos sintomas e por exame de sangue. 
O tratamento deve ser feito logo no início dos primeiros sintomas e do diagnóstico para que a doença não se agrave. Em alguns casos, os sintomas demoram a aparecer e o indivíduo não sabe que está infectado, podendo transmitir a bactéria a outras pessoas por meio de relações sexuais desprotegidas. 
É indicado que as relações sexuais sejam suspensas durante o tratamento, uma vez que as feridas na pele e na mucosa podem transmitir a bactéria da sífilis. A gestante com sífilis pode sofrer aborto espontâneo ou transmitir a infecção para o feto, que poderá apresentar cegueira e deformidades ósseas.
Por isso, é recomendado que pessoas com vida sexual ativa façam exames médicos periodicamente. A prevenção é fazer uso do preservativo nas relações sexuais e evitar o contato sexual com pessoas contaminadas.
Assim como acontece com a gonorreia, já existem cepas de Treponema pallidum resistentes aos antibióticos usuais.

Gonorreia 


É causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, conhecida também como gonococo, e é uma das ISTs mais comuns. A gonorreia afeta a uretra e as vias genitais. 
A transmissão ocorre por meio de contato sexual com parceiros contaminados e também de mãe contaminada para filho durante o parto. 
Os principais sintomas são ardor na uretra e secreção purulenta e surgem poucos dias após o contágio. Em algumas mulheres, os sintomas são menos evidentes, o que dificulta a identificação da infecção e a procura pelo tratamento adequado. Nesses casos, a doença pode se agravar, comprometendo as tubas uterinas e causando infertilidade (dificuldade em ter filhos). A mãe infectada pode contaminar o filho no momento do parto. No bebê, a infecção pode ocasionar cegueira. 
Se não houver diagnóstico precoce, a infecção pode atingir as tubas uterinas, na mulher, e os testículos e a próstata, no homem, provocando esterilidade. A mulher contaminada também pode transmitir a bactéria para o bebê durante o parto, o que pode provocar cegueira e até levar o recém-nascido à morte, caso a infecção da mãe não tenha sido diagnosticada. 
Atualmente, é obrigatória a utilização de um colírio antibiótico no momento do nas cimento em todos os bebês nascidos em hospitais e maternidades. 
A gonorreia pode ser tratada com antibióticos e é facilmente curada se for diagnosticada precocemente. Entretanto já foram identificadas cepas de gonococo que não respondem aos antibióticos usuais para tratamento. Esse fato reforça a necessidade do uso de preservativos nas relações sexuais.
A pessoa infectada deve procurar um médico para o tratamento específico e abster-se de relações sexuais até a cura completa da infecção para evitar a disseminação da doença. A prevenção é evitar o contato sexual com pessoas contaminadas e fazer uso do preservativo nas relações sexuais.

Tricomoníase 


A tricomoníase é causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. Nas mulheres, o principal sintoma é o corrimento vaginal e a ardência ao urinar, e nos homens é o corrimento pela uretra. Em geral, muitos homens são portadores assintomáticos, ou seja, não apresentam sintomas da infecção. 
Protozoário transmissor da tricomoníase visto ao microscópio eletrônico.

O tratamento é feito por meio de medicamentos específicos prescritos pelo médico. As pessoas infectadas devem evitar relações sexuais até que estejam completamente curadas. A prevenção é evitar o contato sexual com pessoas contaminadas e fazer uso do preservativo nas relações sexuais.

Herpes genital


Causada por um vírus, pode ser transmitida por contato oral-genital ou genital-genital e da mãe ao bebê durante o parto. Entre os principais sintomas estão o aparecimento de bolhas agrupadas na região do pênis, da vagina, do ânus ou do colo do útero, que podem se tornar dolorosas e causar coceira e dores ao urinar. 

Vírus transmissor do herpes visto ao microscópio eletrônico. 

O herpes genital, assim como o herpes oral, é causado pelos Herpes simplex vírus 1 (HSV-1) e Herpes simplex vírus 2 (HSV-2). Entre os sintomas estão ardência e coceira na glande do pênis e na parte externa da vagina, seguidas do aparecimento de pequenas bolhas agrupadas, cheias de um líquido claro. 
Semelhante ao que ocorre com a catapora, as pequenas bolhas secam e formam “casquinhas”. Esse processo dura em torno de 10 dias, período no qual a pessoa poderá transmitir o vírus. O contágio se dá pelo contato com o líquido claro das feridas.
O vírus pode permanecer no corpo da pessoa con taminada por meses ou mesmo anos sem se mani festar e pode voltar a ficar ativo a qualquer momento, provocando o reaparecimento dos sintomas. 
Alguns fatores que colaboram para a manifestação do vírus são a exposição ao sol, o estresse, o uso de determinados medicamentos ou qualquer fator que possa reduzir a capacidade de defesa do organismo. 
Os tratamentos atuais costumam reduzir os sintomas e a transmissão do vírus (pois também reduzem a duração da crise), mas não há cura total para a doença.
Como medidas preventivas, recomenda-se o uso de preservativos nos contatos sexuais e que o contato sexual seja evitado enquanto houver lesões ativas.

Papiloma humano (HPV)


O agente causador é o vírus HPV, e os sintomas, quando presentes, são o aparecimento de verrugas e lesões no pênis, na vagina, no ânus, no colo do útero, na boca e na garganta, além de irritação e coceira nas regiões genitais. Alguns tipos de HPV podem causar câncer, sobretudo no colo do útero e no ânus. A prevenção é feita com o uso de preservativos e vacinação. A vacina protege contra certos tipos virais que causam lesões e verrugas e contra outros que causam câncer de colo do útero.

Candidíase 


A candidíase é causada pelo fungo Candida albicans e é um tipo de micose muito frequente em mulheres, mas que também pode acometer os homens. 
Os sintomas mais comuns na mulher são coceira na região do pudendo, corrimento vaginal de cor branca, ardor local e ao urinar. No homem, os sintomas mais comuns são o aparecimento de pequenas manchas vermelhas e de lesões em forma de pontos no pênis, além de coceira. 
O tratamento é feito com cremes vaginais, pomadas e comprimidos orais. Evitar o uso de roupas muito apertadas (principalmente jeans) ou muito quentes, com pouca aeração nos órgãos genitais externos, ajuda a evitar que se criem condições para o desenvolvimento do fungo. 
A higiene diária com bastante água e sabão neutro e a lavagem das roupas íntimas com água quente ajudam a diminuir o aparecimento de novas infecções.

Fungo causador da candidíase visto ao microscópio eletrônico.



OVULAÇÃO E FECUNDAÇÃO

Após a puberdade, os hormônios secretados pela hipófise estimulam, a cada mês, o amadurecimento dos gametas femininos. Os ovócitos se desenvolvem nos ovários em meio a um conjunto de células chamado folículo. Quando o gameta feminino está no estágio de ovócito secundário, o folículo se rompe e libera o gameta, no processo chamado ovulação.
O organismo feminino, a partir da puberdade, passa a liberar geralmente um ovócito secundário por mês. O ovócito é transportado do ovário até o útero pelas tubas uterinas. Se ele encontrar espermatozoides durante esse trajeto, pode ocorrer a fecundação.
Ovócito sendo fecundado por um espermatozoide. Microscopia eletrônica; colorida artificialmente. Imagem ampliada em 620 vezes.

Assim que o espermatozoide penetra no ovócito, o gameta feminino passa a se chamar óvulo. O óvulo fecundado dá origem ao zigoto, primeira célula do futuro bebê. O zigoto se divide em duas células, depois em quatro e assim por diante. Esse conjunto de células – já chamado embrião – continua o trajeto até o útero e se fixa na parede uterina, processo denominado nidação. 
É no útero que o embrião se aloja, recebe alimento e se desenvolve. Você pode estar se perguntando como os espermatozoides, gametas masculinos, chegam até as tubas uterinas da mulher. Esse processo pode se dar de forma natural, quando um homem e uma mulher mantêm relações sexuais sem proteção e sem o uso de métodos contraceptivos.
Na relação sexual, o pênis é introduzido na vagina da mulher e, durante a ejaculação, lança o sêmen no interior do corpo feminino. O sêmen contém espermatozoides, que são células com flagelos, capazes de se movimentar. Eles nadam em direção ao útero e atingem as tubas uterinas, local em que geralmente ocorre a fecundação.
O encontro dos gametas femininos e masculinos também pode ocorrer por métodos laboratoriais, quando o casal opta por fazer uma inseminação artificial ou fertilização in vitro.



MÉTODOS CONTRACEPTIVOS E DE PREVENÇÃO

Como vimos, a reprodução humana envolve, além da capacidade de gerar descendentes, diversos outros fatores, como a sexualidade, a afetividad...