segunda-feira, 4 de maio de 2026

GRUPOS DE SERES VIVOS

O estudo das formas de vida que habitam o planeta gera uma grande quantidade de informações. Para facilitar o acesso a essas informações, os seres vivos são organizados em grupos de acordo com suas características ou padrões. Esse processo de categorização é chamado de classificação biológica. 
No dia a dia, quando nos referimos a alguns seres vivos, geralmente utilizamos nomes populares, como cachorro, gato, laranjeira, minhoca e cogumelo. No entanto, os nomes populares podem variar de acordo com a região ou o país, por exemplo. Por isso, os cientistas estabeleceram um padrão de nomes para ser utilizado mundialmente e facilitar a identificação das espécies. 
Além disso, a padronização da nomenclatura científica tem como objetivo atribuir um único nome a cada espécie, além de trazer informações sobre ela, sua história evolutiva e mesmo o histórico de sua descoberta.
Os cientistas que trabalham com a classificação biológica são os sistematas. Eles classificam os seres vivos em grupos e criam nomes científicos adequados para cada um deles. 
Para separar os seres vivos em grupos, são usados diversos critérios, como as semelhanças. Para encontrar semelhanças, compara-se não apenas o aspecto exterior, mas principalmente a estrutura corporal – células, tecidos e órgãos –, sua composição química e mesmo o material hereditário.
O agrupamento básico para a classificação dos seres vivos é a espécie. Diversas definições para espécie já foram criadas. Utilizamos a definição de espécie biológica: um grupo de seres vivos que consegue cruzar entre si e se reproduzir, gerando descendentes férteis.

O NOME CIENTÍFICO 


Cada idioma tem uma palavra própria para se referir a um determinado ser vivo. O cavalo, por exemplo, é horse em inglês, Pferd em alemão, cheval em francês e caballo em espanhol. Os nomes também variam de acordo com a região do país: por exemplo, no Brasil, os nomes mandioca, aipim, macaxeira e maniva são usados para se referir à mesma planta. 
Entretanto, nos trabalhos científicos, é necessário se referir a uma espécie de um modo que pesquisadores de todo o mundo entendam. Por isso, os cientistas usam o nome científico para definir a espécie. O nome científico do cavalo, por exemplo, é Equus caballus, enquanto o da mandioca é Manihot esculenta. Pesquisadores de qualquer parte do mundo podem utilizar es ses nomes para se referir a esses organismos.
Veja a seguir as normas que devem ser usadas para criar e escrever um nome científico. 
• Os nomes científicos devem ser escritos em itálico ou sublinhados, sempre em latim. 
• O nome de cada espécie é composto de duas palavras, por isso essa forma de nomear as espécies é denominada sistema binomial
• A primeira palavra deve indicar o gênero, e a segunda é chamada epíteto específico. 
• O nome do gênero deve iniciar com letra maiúscula, enquanto o epíteto da espécie deve ser escrito com letras minúsculas. 
Ao escrever em sequência o nome de vários organismos que pertencem ao mesmo gênero, a primeira palavra (correspondente ao nome do gênero) pode ser abreviada a partir da segunda citação. Por exemplo: laranjeira (Citrus sinensis), cidreira (C. medica) e pé de tangerina (C. reticulata). O sistema binomial foi elaborado pelo naturalista sueco Carolus Linnaeus (1707-1778) – ou simplesmente Lineu – em 1735. 
Na época de Lineu, o latim era a língua universal do ensino no mundo ocidental e os trabalhos científicos eram escritos nesse idioma. Utilizando, portanto, a estrutura das palavras em latim, Lineu adotou essa língua para criar os nomes científicos.

Categorias taxonômicas 


Na classificação biológica, os seres vivos são organizados em categorias taxonômicas, como domínio, reino, filo, classe, ordem, família, gênero e espécie. Essas categorias estabelecem níveis hierárquicos entre si. 

O SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DE LINEU 


O sistema binomial de Lineu é usado até hoje, mas com algumas modificações. 
Nesse sistema, os seres vivos são agrupados em categorias ou níveis de classificação. Cada categoria é um agrupamento de organismos que apresentam uma ou mais características em comum. 
O sistema de classificação biológica atual utiliza as seguintes categorias ou níveis de classificação: 

O reino é um conjunto de filos. Os animais fazem parte do reino Animalia.
O filo é um conjunto de classes. O filo dos cordados abrange todas as classes de animais que desenvolvem uma estrutura de sustentação chamada notocorda. São exemplos os mamíferos, os répteis e os peixes.
A classe é um conjunto de ordens. A classe dos mamíferos reúne todas as ordens de animais que produzem leite para alimentar seus filhotes, como os carnívoros, os primatas (macacos e humanos), os cetáceos (baleias) e os quirópteros (morcegos).
A ordem é uma reunião de famílias. A ordem dos carnívoros abrange diversas famílias de animais que, em geral, consomem carne na sua alimentação. São exemplos os felídeos e os canídeos.
As famílias são conjuntos de gêneros. A família dos felídeos reúne todos os gêneros dos animais que conhecemos popularmente como felinos, como Panthera, Felis e Puma.
O gênero é um conjunto de espécies. O gênero Panthera inclui espécies como Panthera onca (onça), Panthera leo (leão) e Panthera tigris (tigre).
Conjunto de organismos que se reproduzem e geram descendentes férteis. A espécie é a unidade básica da classificação biológica. A onça-preta (Panthera onca) é uma espécie encontrada em vários biomas brasileiros.

REINOS E DOMÍNIOS 


Diversos sistemas de classificação já foram adotados ao longo do tempo, de acordo com diferentes critérios para for mar os grupos. 
As classificações mais antigas seguiam critérios que não representavam características específicas dos organismos, mas sim de sua relação com o ser humano. Assim, os animais podiam ser classificados, por exemplo, como perigosos ou inofensivos, comestíveis ou venenosos. 
Aristóteles, que viveu no século IV a.C., é considerado a primeira pessoa a empregar um sistema racional, usando características inerentes aos seres: os seres imóveis seriam as plantas, enquanto os animais seriam os organismos móveis. 
De acordo com a classificação de Aristóteles, os seres vivos eram agrupados em dois grandes reinos: o vegetal e o animal. Essa classificação foi desenvolvida com base em alguns critérios, entre eles a capacidade de locomoção e o modo de nutrição dos seres vivos. O reino vegetal seria composto por seres vivos autótrofos e imóveis. Já o reino animal, seria composto pelos seres vivos heterótrofos e com capacidade de locomoção.
Com o descobrimento de novas espécies e o aprofundamento dos estudos dos seres vivos, os critérios desse sistema de classificação se tornaram insuficientes e não abrangiam todos os seres vivos.
A invenção do microscópio no final do século XVI possibilitou a descoberta de seres muito pequenos, que inicialmente também foram classificados como animais ou plantas. No século XIX, o reino Protista foi proposto para abrigar organismos que não se adequavam nem ao reino das plantas nem ao dos animais. 
No século XX, foram desenvolvidas novas técnicas e instrumentos de observação, o que possibilitou estudos mais detalhados sobre as células e o metabolismo dos seres vivos, por exemplo. Assim, novos critérios foram estabelecidos e uma nova proposta de classificação foi elaborada. 
Em 1969, o biólogo estadunidense Robert H. Whittaker (1920-1980) apresentou uma organização dos seres vivos em cinco reinos: Monera, Protista, Fungi, Plantae e Animalia. Esse sistema se baseia em critérios como organização celular e modo de obter alimento. 
Posteriormente, em 1982, a proposta dos cinco reinos sofreu algumas modificações, sugeridas pelas biólogas estadunidenses Lynn Margulis (1938-2011) e Karlene Schwartz (1936-). Graças às novas tecnologias, foi possível, por exemplo, fazer a análise de dados genéticos de moléculas que formam as células dos seres vivos.
As análises genéticas possibilitaram que o microbiologista estadunidense Carl Woese (1928-2012) e sua equipe propusessem, em 1977, uma classificação mais abrangente que os reinos. Essa nova organização propôs que os seres vivos fossem organizados em três domínios: Bacteria, Archaea e Eukarya.
Veja, a seguir, como os organismos são agrupados segundo esse sistema.

   BACTERIA       ARCHAEA       EUKARYA

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                               seres vivos mais antigos

GRUPOS DE SERES VIVOS 


A diversidade de seres vivos é muito grande e isso motivou o desenvolvimento de sistemas de classificação. 

A EVOLUÇÃO DOS SERES VIVOS 


Um dos critérios mais utilizados atualmente para agrupar os seres vivos é o parentesco evolutivo entre eles. Esse critério se baseia na ideia de que as espécies se modificam ao longo do tempo, um processo conhecido como evolução.
De acordo com as teorias evolutivas mais aceitas atualmente, todos os seres vivos teriam surgido de um organismo original, e novas espécies surgem a partir de espécies já existentes. Portanto, todas as espécies que existem e já existiram apresentam alguma relação de parentesco evolutivo, em maior ou menor grau. 
A história da vida na Terra poderia ser representada como uma árvore ramificada. Na base da árvore, estaria o ancestral comum de todos os seres vivos. Ao longo do tempo, surgiriam ramificações nessa árvore, ou seja, diferentes espécies ou grupos de seres vivos.
As novas formas de vida bem-sucedidas deixariam descendentes. Outras, não tão bem-sucedidas, en trariam em extinção. Assim, na árvore dos seres vivos haveria ramos com representantes atuais e outros que só poderiam ser reconhecidos em formas fósseis, isto é, que já não existem na atualidade.
(A)


(B)

Por muito tempo, as garças (Ardea alba) (A) e os tuiuiús (Jabiru mycteria) foram classificados na mesma ordem.
Porém, após uma série de estudos sobre o material genético desses animais, os cientistas concluíram que é mais
correto classificar os tuiuiús na mesma ordem dos pelicanos (Pelecanus onocrotalus) (B).

Atualmente, todos os estudos sobre a classificação dos seres vivos levam em consideração aspectos evolutivos. Por isso, novas descobertas e pesquisas podem alterar a classificação das espécies e até mesmo criar ou descartar agrupamentos.

Classificação em domínios e reinos 


Atualmente, existem outras propostas de classificação, com diferentes grupos e quantidades de reinos. Nesta coleção, vamos nos basear na classificação em três domínios e em seis reinos, como proposto por Woese e sua equipe. 

Domínio Archaea e reino Archaea 


O domínio Archaea contém um único reino, o Archaea, agrupando microrganismos procariontes unicelulares, com membrana plasmática e parede celular com composição diferente das bactérias. Os seres vivos desse domínio, em muitos casos, vivem em condições extremas, como ambientes com altíssima concentração de sal e altas temperatura.

Domínio Bacteria e reino Eubacteria 


O domínio Bacteria contém um único reino, o Eubacteria, formado pelas bactérias conhecidas atual mente. Fazem parte desse reino indivíduos procariontes unicelulares.

Domínio Eukarya 


O domínio Eukarya inclui seres vivos eucariontes, que podem ser unicelulares ou pluricelulares. Fazem parte desse domínio quatro reinos: Protoctista, Fungi, Plantae e Animalia.

Reino Protoctista


Os organismos que compõem o reino Protoctista são bastante diversos. Basicamente, é possível organizar os integrantes deste reino em dois grupos com características distintas: os protozoários e as algas. 
Os protozoários são seres vivos eucariontes, unicelulares e heterótrofos. Eles apresentam formato do corpo e modos de locomoção bastante variados, como por meio de cílios e flagelos.
Já as algas são autótrofas e podem ser unicelulares ou pluricelulares. Apesar de poderem ser compostas por mais de uma célula, as algas pluricelulares não formam tecidos.

Reino Fungi


O Reino Fungi é formado pelos fungos, que são seres vivos eucariontes unicelulares ou pluricelulares. Todos os representantes desse reino são heterótrofos. Como exemplo de fungos unicelulares, podemos citar as leveduras.
Os fungos pluricelulares, como mofos, bolores e cogumelos, possuem o corpo formado por estruturas chamadas hifas. O conjunto de hifas é chamado micélio. 
Alguns fungos apresentam hifas responsáveis pela reprodução, as quais formam o corpo de frutificação.


Reino Plantae 


O reino Plantae é formado por plantas, que são seres vivos eucariontes, pluricelulares e, em sua maioria, autótrofos. As plantas apresentam células especializadas, que podem formar tecidos e órgãos.
A maioria das plantas apresenta sistemas de tecidos vegetais básicos: de revestimento, fundamental e vascular. O tecido de revestimento é aquele que reveste e protege as plantas. Já o tecido fundamental atua na sustentação e no armazenamento de substâncias. Além disso, é nesse tipo de tecido que ocorre a maior parte da fotossíntese. E o tecido vascular, também chamado condutor, é especializado no transporte de substâncias entre as partes da planta.
A associação de tecidos dá origem aos órgãos das plantas, como a folha, a raiz e o caule. Esses exemplos de órgãos estão relacionados aos processos de manutenção e crescimento das plantas e, por isso, são chamados órgãos vegetativos. Além destes, as plantas podem apresentar órgãos relacionados ao processo de reprodução, como a flor, o fruto e a semente. Por isso, esses órgãos são chamados órgãos reprodutivos. 
As plantas são organizadas em quatro grandes grupos: briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas. Esses grupos se diferenciam, principalmente, pelo modo de reprodução e pela estrutura do corpo de seus representantes.

Reino Animalia


O reino Animalia inclui organismos eucariontes, pluricelulares e heterótrofos. Alguns representantes desse grupo não apresentam tecidos especializados, como as esponjas. No entanto, a maioria apresenta organizações mais complexas, incluindo tecidos especializados, órgãos e sistemas.
Assim como nos demais grupos de seres vivos, o reino dos animais é subdividi do em filos. Existem cerca de 35 filos nesse reino. A seguir, vamos estudar alguns desses filos.

Filo Porifera 


Os poríferos, também conhecidos como esponjas-do-mar, são animais aquáticos que possuem grande quantidade de pequenos poros em seus corpos. Eles são animais invertebrados, isto é, não possuem coluna vertebral.
Algumas espécies de poríferos são de água doce, mas a maioria é marinha. Os adultos vivem fixos no fundo do mar ou no fundo de lagos e podem ser encontrados Esponja-do-mar: pode atingir aproximadamente 10 cm de altura. isolados ou agrupados, formando colônias. Colônia de esponjas-do-mar (Crella elegans). 
Os poríferos não apresentam tecidos, órgãos ou sistemas especializados. Por isso, os processos relacionados à digestão e à respiração, por exemplo, ocorrem no interior das células. Além disso, o transporte de substâncias no corpo do animal é feito de uma célula a outra. 

Filo Cnidaria


Os cnidários são animais invertebrados aquáticos. A maioria deles vive no mar, mas também existem espécies de ambientes de água doce. 
O corpo dos cnidários pode ter o formato de pólipo ou medusa. Os pólipos, como a anêmona-do-mar, apresentam formato tubular e, em geral, vivem fixos no substrato. As medusas, como as águas-vivas, têm formato de guarda-chuva aberto e são de vida livre. 
Tanto os pólipos quanto as medusas apresentam tentáculos ao redor de uma abertura oral central.
Os cnidários apresentam boca e cavidade digestiva, na qual ocorre a digestão. O tubo digestivo desses animais é considerado incompleto, pois apesar de apresentarem boca, não têm ânus. Esses animais não têm sistemas respiratório, circulatório e excretor. Já a coordenação do corpo é feita por uma rede de células nervosas. Observe a seguir a estrutura de um cnidócito.

Filo Platyhelminthes


Os platelmintos são vermes que apresentam o corpo alongado, achatado e mole. Além disso, não possuem pernas. Há espécies de platelmintos que vivem em ambientes marinhos, na água doce e em hábitats terrestres. Além disso, há várias espécies que são parasitas de outros seres vivos, podendo causar doenças. 
Entre os representantes dos platelmintos, podemos citar a planária, o esquistossomo e a tênia.
Os platelmintos apresentam tubo digestório incompleto e a cavidade digestiva distribui alimento pelo corpo. O oxigênio é absorvido pela pele e distribuído pelo corpo de uma célula a outra. 
Os representantes desse filo não têm sistemas respiratório nem circulatório. Já o sistema nervoso é mais desenvolvido que nos cnidários. 
O esquistossomo e a tênia são vermes que podem parasitar o corpo humano. O esquistossomo, por exemplo, pode ser encontrado parasitando o intestino ou o fígado humano.
As tênias, por sua vez, podem parasitar o corpo de animais como bois, porcos e seres humanos. 
As tênias adultas não possuem sistema digestório. Com auxílio das ventosas, elas se fixam à parede intestinal dos hospedeiros e, assim, absorvem os nutrientes de que necessitam.

Filo Nematoda 


Os nematódeos são vermes com corpo cilíndrico e extremidades afiladas. Os representantes desse filo podem ser de vida livre, encontrados no solo ou na água. Também podem parasitar plantas e outros animais, incluindo o ser humano.
Diferentemente dos filos anteriores, os nematódeos possuem tubo digestório completo, ou seja, apresentam boca e ânus, em extremidades opostas do corpo. Geralmente, os nematódeos têm sexos separa dos, apresentando indivíduos macho e fêmea. 
A lombriga é um exemplo de nematódeo. Ela parasita o intestino dos seres humanos e causa uma doença conhecida como ascaridíase.
O ancilóstomo é outro exemplo de nematódeo que parasita o intestino delgado do ser humano. Esse verme causa uma doença chamada ancilostomose, que também pode ser causada pelo nematódeo Necator americanus.

Filo Annelida


Os anelídeos são animais invertebrados que têm o corpo mole, formado por segmentos em forma de anéis e coberto por uma camada resistente, chamada cutícula. Os representantes desse filo têm sistema digestório completo. 
A maioria dos anelídeos possui cerdas na superfície do corpo. De acordo com a presença ou ausência de cerdas e sua quantidade, os anelídeos podem ser divididos em três grupos: hirudíneos, oligoquetas e poliquetas. 
Os hirudíneos não têm cerdas sobre o corpo e podem ser aquáticos ou terrestres. Os oligoquetas têm poucas cerdas por segmento do corpo e podem ser encontrados em ambientes terrestres úmidos e de água doce. Os poliquetas apresentam muitas cerdas por segmento do corpo e vivem no mar.

Filo Mollusca


Os moluscos são animais invertebrados encontrados tanto em ambientes aquáticos quanto em ambientes terrestres úmidos. Eles têm corpo mole, geral mente protegido por uma concha, que é produzida pelo próprio animal. Essa concha pode ser interna ou externa.
O caracol e o caramujo são exemplos de moluscos que possuem concha externa. Já a lula é exemplo de molusco que possui concha interna. Há também aqueles que não têm concha, como a lesma.
Os moluscos têm sistema digestório completo e estão divididos em várias classes, entre elas gastrópodes, cefalópodes e bivalves. 
Os gastrópodes apresentam pés bem desenvolvidos, localizados na região ventral do corpo. Esses moluscos são predominantemente marinhos, embora existam algumas espécies que vivem em ambientes de água doce e terrestres.
Os cefalópodes são animais marinhos que se caracterizam por apresentar um conjunto de braços ou tentáculos na região da cabeça. As lulas, por exemplo, têm dez tentáculos com ventosas, sendo dois deles mais longos e relacionados à re produção. O polvo e o náutilo também são exemplos de cefalópodes.
Alguns cefalópodes possuem uma pequena concha interna no formato de uma pena, chamada gládio. As trocas gasosas nos cefalópodes ocorrem por meio de brânquias. 
Os bivalves possuem uma concha rígida composta de duas partes, chamadas valvas. Esses animais vivem em água doce ou salgada. Em geral, as estruturas sensoriais e o pé se localizam nas extremidades do corpo. Os mexilhões e as ostras são exemplos de bivalves.
Os bivalves podem ser carnívoros ou onívoros, mas a maioria é filtradora, ou seja, se alimenta de partículas em suspensão na água. Nesses animais, a água do ambiente é filtra da nas brânquias, onde as partículas de alimento ficam retidas. Nas brânquias também ocorrem as trocas gasosas da maioria dos bivalves.

Filo Arthropoda


Os artrópodes podem ser encontrados em diversos hábitats aquáticos e terrestres. Os integrantes desse grupo apresentam apêndices articulados ligados ao corpo, como antenas, asas e pernas. 
Os artrópodes têm o corpo revestido por uma estrutura externa rígida, de nominada exoesqueleto ou cutícula. Essa estrutura protege o animal e diminui a perda de água para o meio externo, por exemplo. 
O exoesqueleto limita o crescimento dos artrópodes. Por isso, quando precisam aumentar de tamanho, eles eliminam o antigo e produzem um novo e maior. O novo exoesqueleto é inicialmente flexível e depois se torna rígido. Esse processo de troca de exoesqueleto é chamado muda ou ecdise.
De acordo com a organização do corpo, os artrópodes podem ser divididos em diferentes grupos, como insetos, miriápodes, crustáceos e aracnídeos. A seguir, vamos estudar esses grupos de artrópodes.

Insetos 


O corpo dos insetos é dividido em três partes: cabeça, tórax e abdome. Além disso, os insetos têm três pares de pernas ligadas ao tórax e algumas espécies podem ter asas. Na cabeça, há um par de antenas e outro de olhos, além das estruturas bucais.  
As antenas são apêndices relacionados à percepção de estímulos do ambiente, como ondas sonoras, superfícies e até mesmo de substâncias químicas presentes no ambiente. Já as estruturas bucais estão relacionadas à alimentação.
Os insetos têm alguns sistemas que desempenham funções especializadas no organismo. O sistema digestório, por exemplo, é do tipo completo e inclui órgãos como faringe, papo, esôfago, estômago e intestino. Insetos, como abelhas e gafanhotos, apresentam respiração traqueal, ou seja, realizada por meio de traqueias.
O sistema circulatório dos insetos é formado por um coração e alguns vasos. No interior desses vasos, circula um líquido chamado hemolinfa, que transporta, por exemplo, os nutrientes provenientes da digestão para as diferentes regiões do corpo. 
Os insetos têm várias células nervosas na região da cabeça, formando um gânglio cerebral. Desse gânglio parte um cordão nervoso ventral. O sistema nervoso dos insetos capta estímulos do ambiente e gera respostas a eles, além de atuar na coordenação dos órgãos e na locomoção.

Miriápodes


Os miriápodes possuem o corpo segmentado, dividido em cabeça e tronco. 
O tronco é alongado e cada um de seus seg mentos possui um ou dois pares de pernas. A cabeça apresenta um par de antenas e outro de olhos, que captam estímulos do ambiente. Além disso, há peças bucais, na cabeça, que auxiliam na alimentação. As lacraias e os piolhos-de-cobra são exemplos de miriápodes.
Assim como os insetos, os miriápodes possuem respiração traqueal.

Crustáceos


Os caranguejos, as lagostas, os camarões, as cracas e os tatuzinhos-de-jardim são exemplos de crustáceos. A maior parte das espécies de crustáceos é marinha. 
O exoesqueleto desses animais se caracteriza por ser mais endurecido que o dos demais artrópodes, formando uma carapaça rígida. 

Aracnídeos 


Os aracnídeos são representados pelas aranhas, escorpiões, ácaros e carrapatos. Os aracnídeos não têm antenas. A respiração desses artrópodes pode acontecer por meio de pulmões ou traqueias. 
Em algumas espécies de menor tamanho, como os ácaros, as trocas gasosas ocorrem pela superfície do corpo. O sistema circulatório desses artrópodes transporta nutrientes e gases relacionados à respiração.
A maioria dos aracnídeos é predadora e tem estruturas para a inoculação de veneno em suas presas. Agora, vamos conhecer algumas estruturas internas de uma aranha.

Filo Equinodermata


Os equinodermos, como a estrela-do-mar e o ouriço-do-mar, são invertebrados marinhos. Algumas espécies desse grupo são fixas, enquanto outras se locomovem no substrato dos oceanos. 
Os equinodermos apresentam um esqueleto interno, chamado endosqueleto. Ele é formado por placas calcárias rígidas, que podem ser fixas ou móveis, e protege os órgãos internos, dando sustentação ao corpo desses animais. Em algumas espécies, esse esqueleto forma projeções que aparecem na superfície do corpo, na forma de espinhos. 
Os equinodermos possuem o chamado sistema ambulacrário. Esse sistema é formado por um conjunto de canais internos, de onde partem projeções para a superfície externa do corpo, chamadas pés ambulacrais. 
O sistema ambulacrário é utilizado pelos equinodermos na locomoção, na respiração, na captura do alimento e na percepção de estímulos químicos e táteis no ambiente. Em algumas espécies de equinodermos, a respiração também ocorre por meio de brânquias. 

Filo Chordata


O nome cordados vem da presença da notocorda, que é uma estrutura longitudinal de sustentação e que se localiza no dorso dos embriões dos cordados. Em alguns animais, ela se mantém durante toda a sua vida e, em outros, ela pode desaparecer durante o desenvolvimento embrionário do organismo.
A seguir, vamos iniciar o estudo de alguns grupos de animais vertebrados, isto é, que apresentam coluna vertebral. Iniciaremos esse estudo pelos peixes.

Peixes


Os peixes habitam ecossistemas aquáticos e podem viver sozinhos ou em gr pos, formando cardumes. A maioria das espécies de peixes possui nadadeiras. Além disso, algumas espécies podem ter o corpo coberto por escamas, enquanto outras têm o corpo coberto por uma pele grossa.
Muitas espécies de peixes têm a vesícula gasosa, também conhecida como bexiga natatória. Essa estrutura é preenchida com gases e atua, principalmente, no controle da flutuabilidade do animal.
O sistema digestório dos peixes é formado por boca, faringe, esôfago, estômago, intestino e ânus ou cloaca, em certas espécies. Na boca, geralmente são observados dentes e uma língua fixa. Além dessas estruturas, os peixes têm fígado, vesícula biliar e pâncreas, que auxiliam na digestão dos alimentos, por exemplo. 
Os peixes apresentam sistemas circulatório e respiratório. Na maioria das espécies de peixes a respiração ocorre por meio de estruturas chamadas brânquias.
Existem espécies de peixes que possuem pulmões e, por isso, são capazes de absorver o gás oxigênio do ar atmosférico. Essas espécies são conhecidas como peixes pulmonados, como a piramboia. 
Para respirar, os peixes pulmonados sobem até a superfície da água e engolem o ar atmosférico, que chega aos pulmões. Nesses órgãos ocorre a absorção do gás oxigênio. Além dos pulmões, os peixes pulmonados também apresentam brânquias.

Anfíbios


Sapos, rãs, salamandras e cobras-cegas são exemplos de anfíbios. A maioria dos anfíbios vive parte de seu ciclo de vida em ambientes de água doce e a outra parte em ambiente terrestre. Por isso, em geral, os anfíbios apresentam uma fase de vida larval e aquática e outra fase adulta e terrestre.
Embora a maioria dos anfíbios seja terrestre, muitos vivem em ambientes úmidos por causa de sua pele permeável. Essa permeabilidade possibilita, por exemplo, que os anfíbios realizem trocas gasosas com o ambiente. Além disso, muitos anfíbios precisam de ambientes aquáticos para se reproduzir. Além da pele, as trocas gasosas ocorrem por meio de brânquias, pulmões ou mucosa bucal. 
Na fase larval, a respiração ocorre pelas brânquias que são externas ao corpo do animal. Já na fase adulta, as brânquias geralmente desaparecem e o animal passa a respirar por meio de pulmões, pele ou por uma combinação dessas formas de respiração.
Os anfíbios são capazes de produzir muco sobre a pele. Esse muco ajuda, por exemplo, a manter a pele úmida.
O sistema digestório dos anfíbios é formado por boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e cloaca. Os anfíbios também apresentam outras estruturas que auxiliam na digestão, como o pâncreas, órgão que produz enzimas digestivas. 

Répteis


Serpentes, lagartos, jacarés e tartarugas são exemplos de répteis. Os representantes desse grupo de vertebrados apresentam modos de locomoção bastante variados. Esse grupo representa os primeiros verte brados terrestres. Entre as adaptações que os auxilia a sobreviver fora da água, está a pele recoberta de escamas.
Apesar de algumas espécies viverem em ambientes aquáticos, elas não necessitam de água para se reproduzir, como os anfíbios. Os répteis respiram por meio de pulmões, que são mais desenvolvidos do que os dos anfíbios.
O sistema digestório dos répteis é completo, assim como o dos anfíbios, e termina em uma cloaca.

Aves


As aves apresentam respiração pulmonar. Além dos pulmões, a respiração das aves envolve outras estruturas, como os sacos aéreos. Associado ao sistema respiratório, as aves apresentam um órgão vocal, a siringe. Esse órgão muscular se localiza, geralmente, na extremidade da traqueia e está relacionado à produção de sons. 
O sistema digestório das aves é completo, terminando em cloaca. Os integrantes desse grupo de vertebrados não têm dentes. Por isso, o alimento não é triturado na boca, mas na moela. Essa estrutura apresenta parede muscular que auxilia na trituração dos alimentos. Além da moela, muitas aves têm uma porção do estô mago dilatada, chamada papo. Nele, o alimento é armazenado temporariamente. 
Nas aves, as fezes são eliminadas com os resíduos do sistema urinário. As fezes chegam à cloaca, uma porção dilatada comum ao sistema urinário e reprodutor. Nela, as fezes e a urina são misturadas e, então, eliminadas do organismo. Essas excretas apresentam uma porção mais escura, que são as fezes, e uma porção esbranquiçada, que corresponde à urina. As aves não têm bexiga urinária, com exceção do avestruz.
Externamente, as aves apresentam o corpo revestido por penas, dois membros anteriores modificados em asas e dois membros posteriores. Além disso, apresentam bico.

Mamíferos


Gatos, cavalos, cachorros, bois, coelhos, ratos, golfinhos, baleias e gambás são exemplos de mamíferos. Os representantes desse grupo apresentam diversas características em comum, como o corpo coberto por pelos em alguma fase da vida, além de glândulas mamárias, que se desenvolvem nas fêmeas adultas e produzem o leite usado para alimentar os filhotes. 
O sistema digestório dos mamíferos é do tipo completo e geralmente apresenta especializações que refletem o hábito alimentar de cada espécie.
A respiração dos mamíferos é pulmonar. Por isso, tanto os mamíferos terrestres quanto os aquáticos obtêm o gás oxigênio do ar atmosférico.





Relações entre os seres vivos

Nos ecossistemas, ocorrem interações entre indivíduos de uma mesma espécie, chamadas relações intraespecíficas, e interações entre indivíduos de espécies distintas, chamadas relações interespecíficas
Essas interações favorecem a obtenção ou o compartilhamento de abrigo, alimento e recursos do ambiente. Podemos dividir essas relações em harmônicas, quando trazem benefícios aos seres vivos envolvidos ou não os prejudicam, e desarmônicas, quando um dos indivíduos que participa da relação é prejudicado.

Relações harmônicas intraespecíficas Alguns exemplos de relações harmônicas entre indivíduos da mesma espécie são as colônias e as sociedades, que veremos a seguir.

Colônias 


Em uma colônia, os indivíduos estão fisicamente conectados uns aos outros e não sobrevivem isolados. Há colônias em que cada indivíduo executa as mesmas funções, por exemplo, os recifes de coral. Em outras, como a caravela, ocorre divisão do trabalho e há indivíduos especializados em proteção e defesa, reprodução, natação, flutuação e alimentação.

A caravela-portuguesa (Physalia physalis) é uma colônia formada por indivíduos com diferentes funções ao longo dos tentáculos, que estão presos ao flutuador cheio de gases. Alguns tentáculos têm indivíduos que lançam toxinas que paralisam peixes, os quais são digeridos por outros indivíduos nos tentáculos encarregados da digestão. Há tentáculos com indivíduos que participam da reprodução. O flutuador da caravela-portuguesa mede cerca de 30 cm e seus tentáculos têm em média 10 m.

Sociedades 


Nas sociedades, os indivíduos atuam em conjunto e de forma cooperativa, têm hierarquia e apresentam divisão de trabalho. Algumas espécies de vespa, cupim, formiga e a maioria das abelhas são exemplos de animais que vivem em sociedade.

Em uma colmeia, há a rainha, as operárias e os zangões. A rainha é a mãe de todas as abelhas da colmeia. De seus ovos nascem operárias, zangões e futuras rainhas. A larva fêmea que será rainha recebe geleia real e cresce muito mais que as outras.

Relações harmônicas interespecíficas 


As relações harmônicas entre indivíduos de espécies distintas são aquelas em que há benefício para as duas espécies ou somente para uma delas sem prejudicar a outra. Veremos alguns exemplos a seguir.

Mutualismo 


É a relação entre indivíduos na qual ambos são beneficiados. Eles podem compartilhar abrigo, alimentos ou recursos do ambiente. No mutualismo, as espécies dependem dessa relação para sobreviver.

Em alguns liquens (associações de fungos e algas), os organismos associados provêm recursos que o outro não obtém sozinho. As algas fornecem nutrientes ao fungo, que fornece um ambiente adequado para o crescimento delas, pois retém água e nutrientes.

Os cupins alimentam-se de madeira. A digestão da celulose é feita por protozoários e bactérias que habitam o estômago do cupim. 

Protocooperação 


Protocooperação ou mutualismo facultativo é a relação entre dois indivíduos na qual ambos são beneficiados. Essa relação, porém, não é obrigatória para a sobrevivência dos organismos.

O peixe-palhaço (Amphiprion sp.) tem cerca de 10 cm e vive junto às anêmonas-do-mar, que o protegem de predadores. Quando se alimenta, o peixe-palhaço fornece alimento para as anêmonas. 

Comensalismo 


O comensalismo envolve a interação entre dois organismos na qual um deles é beneficiado e o outro não é beneficiado nem prejudicado com a relação.

A rêmora (Remora sp.) mede cerca de 40 cm de comprimento. É um peixe que se prende ao corpo de outros animais, como tubarões, e se alimenta dos restos alimentares que estes deixam na água.

O epifitismo é um tipo de comensalismo. As orquídeas são exemplos de epífitas, pois se fixam em troncos de árvores sem prejudicá-las e, assim, recebem mais luminosidade. 

Relações desarmônicas intraespecíficas


Vamos ver agora alguns exemplos de relações desarmônicas de indivíduos de uma mesma espécie.

Canibalismo


O canibalismo é uma relação em que indivíduos se alimentam de outros indivíduos da própria espécie. Geralmente, ocorre em situações de falta de alimento ou de limitação de espaço.

Competição intraespecífica


É a disputa entre indivíduos da mesma espécie por algum recurso do ambiente, por exemplo, alimento e território, e por parceiros sexuais.

Os machos de elefantes-marinhos (Mirounga sp.) lutam entre si para se reproduzir com um grupo de fêmeas. Essas lutas podem levar o oponente à morte. O macho dessa espécie pode chegar a 6,5 m de comprimento.

Relações desarmônicas interespecíficas


Também existem relações desarmônicas entre indivíduos de espécies diferentes. Observe alguns exemplos a seguir.

Competição interespecífica


Indivíduos de espécies diferentes podem disputar território e recursos do ambiente. Essa relação é a competição interespecífica. Por exemplo, há aves de espécies distintas que disputam o mesmo material para a construção de seus ninhos.

Hienas (Crocuta crocuta) disputam as carcaças com outros animais. Esse é um exemplo de competição interespecífica. As hienas podem medir cerca de 1,7 m de comprimento.

Predação


A predação ocorre quando um indivíduo de uma espécie (o predador) se alimenta de um indivíduo de outra espécie (a presa) ou de suas partes. Os animais carnívoros são exemplos de predadores.

A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas,
chegando a medir cerca de 2 m de comprimento. É um animal
carnívoro que se alimenta de outros mamíferos, como capivaras, queixadas e veados, e de répteis, como jacarés. Habita áreas de vegetação densa, com abundância de água e alimentação. São animais de hábitos solitários e terrestres e caçam tanto à noite quanto durante o dia.

Parasitismo 


A relação de parasitismo se dá quando um indivíduo de uma espécie (o parasita) sobrevive à custa de um indivíduo de outra espécie (o hospedeiro), que é prejudicado. Na maioria dos casos, a interação com o parasita não mata o hospedeiro. Os parasitas podem ser endoparasitas, que penetram o organismo, ou ectoparasitas, que não invadem o organismo (do grego endo = dentro; e ektós = fora). 
O amarelão, ou ancilostomose, é uma parasitose que provoca anemia, causada por vermes endoparasitas, cujas larvas penetram a pele. Já o piolho, o carrapato, o bicho-de-pé e a sarna são exemplos de ectoparasitas. 
O parasitismo também ocorre em espécies vegetais. O cipó-chumbo, por exemplo, não tem folhas nem clorofila, portanto, não faz fotossíntese. Ele se alimenta da seiva que retira do caule da planta hospedeira por meio de suas raízes.

O cipó-chumbo (Cuscuta sp.) é uma planta parasita. Quando cobre completamente a planta hospedeira, esta acaba morrendo e o cipó-chumbo também.

Amensalismo ou antibiose 


São relações desarmônicas em que indivíduos de uma população ini bem ou impedem o desenvolvimento de indivíduos de populações de outras espécies. 
Um exemplo de amensalismo é a relação entre alguns fungos e bactérias. Determinados fungos produzem substâncias que, lançadas no ambiente à sua vol ta, impedem ou dificultam o crescimento e o desenvolvimento de bactérias. 
Com base nessa constatação, os pesquisadores puderam desenvolver a penicilina, antibiótico que já salvou muitas vidas.

O eucalipto (Eucalyptus sp.) pode chegar a medir cerca de 70 m de altura. As folhas que caem no solo liberam uma substância que inibe o desenvolvimento de outras plantas. Esse tipo de relação desarmônica é denominado amensalismo.
 


sábado, 2 de maio de 2026

OS ANIMAIS

Todos os animais têm características em comum: 

• Apresentam células eucarióticas. 

• São pluricelulares. A maioria apresenta células agrupa das em tecidos, que desempenham funções próprias. •São heterótrofos. O modo de conseguir alimento é bastante diverso. Algumas espécies caçam, enquanto outras realizam filtração de partículas da água, por exemplo. 

• Apresentam movimento em ao menos uma fase da vida. As esponjas, por exemplo, só apresentam movimento na fase larval.

Os animais são encontrados em ambientes muito diversos. Podem viver em ambientes aquáticos (de água doce ou marinhos), tanto na superfície como em grandes profundidades. Também são encontrados em ambientes terrestres: florestas, savanas, campos ou desertos, entre outros hábitats. Há ainda espécies que podem ser encontradas no ar.
A grande diversidade dos animais pode ser explicada como resultado do processo evolutivo pelo qual as inúmeras espécies de animais extintas e viventes passaram.
Os flamingos (família Phoenicopteridae) são animais vertebrados e pertencem ao grupo das aves. Eles são encontrados nas Américas, na Ásia, na África e no sul da Europa.

ORIGEM E DIVERSIDADE 


Estima-se que os primeiros animais tenham surgido há cerca de 650 milhões de anos, a partir de seres semelhantes a um protozoário. Esses organismos primitivos eram capazes de se agrupar, e acredita-se que, no decorrer de muitas gerações, suas células se tornaram especializadas em diferentes funções, originando os primeiros animais.
Simplificadamente, os animais podem ser divididos em dois grandes grupos: vertebrados e invertebrados. Esse agrupamento, no entanto, não é utilizado na classificação biológica, pois os animais denominados invertebrados não compartilham características exclusivas suficientes para serem considerados um grupo. Mesmo assim, esses termos são usa dos informalmente pelos biólogos, por tradição e praticidade. 

Animais vertebrados – apresentam crânio, estrutura geralmente óssea que protege o encéfalo, e vértebras alinhadas, formando a coluna vertebral. Essa estrutura contribui para a sustentação do corpo do animal. São tradicionalmente organizados em cinco grupos: peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. 

Animais invertebrados – não têm crânio nem vértebras. Compreendem a maior parte das espécies de animais do planeta e são classificados em mais de 30 grupos, dos quais alguns serão estudados: poríferos, cnidários, platelmintos, nematódeos, moluscos, anelídeos, artrópodes e equinodermos. 


Os vertebrados

PEIXES E ANFÍBIOS


CORDADOS

Ao longo de sua evolução, surgiu nos animais uma estrutura chamada notocorda, que funciona como um eixo interno de sus tentação. Os animais que apresentam notocorda em ao menos uma fase de sua vida são chamados cordados. Agora, você vai aprender um pouco mais sobre três grupos de cordados: as ascídias, os anfioxos e os vertebrados.

ASCÍDIAS

As ascídias são animais marinhos que lembram as esponjas no aspecto externo, mas não apresentam parentesco evolutivo com elas. Os adultos vivem fixos e filtram a água para obter alimento. 
As larvas das ascídias, porém, são nadadoras e têm uma cauda para ajudar na locomoção. A notocorda está presente nessa cauda. Quando as larvas passam pela metamorfose para se trans formar em adultos, a notocorda regride até desaparecer.

ANFIOXOS 

Os anfioxos são animais que parecem larvas de peixes e vi vem com a parte posterior do corpo enterrada na areia do fundo do mar. Eles filtram a água para obter seu alimento. Nos anfioxos, a notocorda perdura por toda a vida. Essa estrutura dá sustentação e forma ao animal e auxilia na escavação. A locomoção dos anfioxos se dá por ondulações promovidas por contrações das fibras musculares dispostas ao longo do corpo.

Anfioxo da espécie Branchiostoma lanceolatum. 

VERTEBRADOS 


Na maioria dos cordados, a notocorda está presente apenas no embrião. Ainda no embrião, ela é substituída pela coluna vertebral. Os cordados com coluna vertebral são chamados vertebrados
O crânio forma a região da cabeça e está associado à coluna vertebral. Tanto a coluna vertebral como o crânio têm a função de proteger o sistema nervoso central, que é formado pelo encéfalo e pela medula espinal. No encéfalo, são elaboradas di versas informações que ajudam a regular o funcionamento do organismo, como comandos para mexer uma parte do corpo. Essas informações chegam ao encéfalo e saem dele por meio da medula espinal. 
O crânio e a coluna vertebral fazem parte do esqueleto interno, um conjunto de ossos que protege e sustenta o corpo de um vertebrado. Em muitas espécies, dois pares de apêndices loco motores estão ligados à coluna vertebral, que se alonga além do par posterior, formando uma cauda.

O esqueleto interno de um vertebrado é composto de dezenas de ossos. Na imagem, esqueleto de um gato.

PEIXES 


O termo peixe denomina vários grupos de animais vertebrados que vivem na água e, em geral, respiram pelas brânquias. São conhecidos fósseis de peixes com mais de 500 milhões de anos, sendo esses os vertebrados mais antigos.

CARACTERÍSTICAS GERAIS 

Os peixes têm, em geral, corpo alongado, com a cabeça e a cauda mais afinadas. O formato corporal, associado à presença de nadadeiras e à pele recoberta por escamas, facilita o deslocamento na água. 
O cérebro dos peixes é relativamente grande, se compara do ao dos invertebrados, e está ligado à medula espinal. Alguns nervos saem diretamente do cérebro para órgãos sensoriais da cabeça e de outras partes do corpo. Outros nervos saem da medula espinal e se comunicam com os músculos, controlando os movimentos do animal e permitindo sua locomoção.
De modo geral, a visão dos peixes é pouco desenvolvida, enquanto o olfato é bem desenvolvido. Células sensíveis às vibrações transmitidas pela água estão presentes sob a linha lateral, uma série de escamas dotadas de furos que pode ser vista desde as aberturas branquiais até a cauda. 
Além do crânio e da coluna vertebral, o esqueleto da maio ria dos peixes apresenta prolongamentos das vértebras que dão apoio à musculatura, que costumam ser chamados de espinhos. O impulso para a frente é dado por movimentos laterais do corpo e da nadadeira caudal. As demais nadadeiras contribuem para o equilíbrio e outros movimentos. A bexiga natatória, um órgão em formato de bolsa, pode se encher ou esvaziar de gás, auxiliando na flutuação. 
A respiração dos peixes se dá pelo fluxo de água que entra pela boca, passa pelas brânquias – situadas na altura da faringe – e sai por aberturas nas laterais do corpo. Em geral, as brânquias são protegidas por opérculos, estruturas ósseas móveis que funcionam como tampas. 
O sistema digestório é completo, com a presença de órgãos como fígado e pâncreas. O sistema circulatório é fechado, com o coração ocupando posição ventral. Os peixes são ectotérmicos, ou seja, a temperatura de seu corpo não é controlada pelo animal e varia de acordo com a temperatura do ambiente. 
A reprodução dos peixes é sexuada, e a fertilização pode ser interna ou externa, dependendo da espécie. Algumas são vivíparas, ou seja, os embriões se desenvolvem no corpo da fêmea.

DIVERSIDADE DOS PEIXES


Existem mais de 30 mil espécies de peixes descritas. Dessas,
cerca de 5 mil ocorrem nas águas brasileiras. Os peixes atuais
podem ser classificados nos grupos descritos a seguir.

Agnatos 

Os agnatos ou ciclóstomos têm esqueleto cartilaginoso, não apresentam mandíbula e têm a boca circular. Formam um grupo pequeno, com pouco mais de 100 espécies, conhecidas popular mente como lampreias e feiticeiras. 
São dotados de crânio, mas suas vértebras são rudimentares ou mesmo ausentes. O corpo desses peixes é alongado, com até 1 metro de comprimento, e suas nadadeiras laterais são ausentes.

A lampreia (Lampetra planeri) é um peixe agnato.

Condrictes 

Os condrictes ou peixes cartilaginosos têm mandíbula, e seu esqueleto é cartilaginoso. Nesse grupo, que inclui os tubarões e as arraias, há 900 espécies conhecidas, e a maioria delas vive em águas salgadas. Todos os peixes desse grupo são predadores, e o comprimento de seu corpo varia bastante entre as espécies. 
A boca dos condrictes ocupa posição ventral, e os opérculos e a bexiga natatória são ausentes. Além da linha lateral, mui tas espécies têm um órgão sensorial exclusivo desse grupo, as ampolas de Lorenzini, que percebem os impulsos elétricos gerados pela atividade muscular dos animais, facilitando a localização de suas presas.

O tubarão-branco (Carcharodon carcharias) é um condricte.


Osteíctes 

Os osteíctes têm mandíbula, e seu esqueleto é ósseo. Com cerca de 28 mil espécies descritas, são o maior grupo de peixes, muito diversificados em formas e tamanhos. As espécies distribuem-se por vários hábitats, desde as águas oceânicas mais profundas até as cabeceiras de rios. Muitas espécies habitam lagos e pântanos que secam durante a estiagem. 
Os hábitos alimentares desse grupo são variados. A boca ocupa posição frontal, e o opérculo está presente. Na maioria das espé cies, as nadadeiras assemelham-se a leques: são delgadas e sus tentadas por finas estruturas alongadas que se apoiam na musculatura. A piaba, o pirarucu e o pacu são exemplos de osteíctes. 
Em algumas espécies, as nadadeiras laterais são carnosas, dotadas de musculatura e ossos internos. Algumas dessas espécies, como a piramboia, além de respirarem por brânquias, têm um órgão que permite respirar ar atmosférico. Acredita-se que, há cerca de 400 milhões de anos, espécies primitivas de peixes com dois pares de nadadeiras laterais carnosas podem ter dado origem aos vertebrados terrestres. 

ANFÍBIOS


Os anfíbios são um grupo de vertebrados que conquistaram parcialmente o ambiente terrestre. Uma série de características permite aos anfíbios viver nesse ambiente. Entre elas estão:

• o esqueleto mais robusto;
• a presença de quatro pernas;
• a respiração pulmonar;
• a pele semipermeável.

CARACTERÍSTICAS GERAIS 

Assim como os peixes, os anfíbios são animais ectotérmicos. Mesmo com adaptações ao ambiente terrestre, muitos anfíbios precisam viver em ambientes úmidos, em geral próximo a rios e lagos. Entre os motivos para isso, está o fato de os anfíbios de penderem da água para a reprodução. 
Em muitas espécies, a fecundação é externa, e os ovos são postos na água. Quando eclodem, os ovos geram larvas aquáticas – denominadas girinos – dotadas de brânquias e nadadeiras, que passam por uma metamorfose. Nesse processo, adquirem pernas e pulmões, tornando-se capazes de viver na terra. 
O sistema nervoso central dos anfíbios é formado por encéfalo e medula espinal, de onde partem nervos que chegam a todas as partes do corpo. O tato, o paladar, o olfato, a audição e a visão são responsáveis pela percepção. A audição tem importância especial para as espécies que se comunicam por sons, especialmente na época do acasalamento. 
A respiração pulmonar é complementada pela respiração cutânea, ou seja, pela pele. Para realizar as trocas gasosas, a pele deve ser permeável e úmida. Em ambientes áridos, portanto, a perda de água pela transpiração pode levar à desidratação dos anfíbios.
 
Esquema simplificado das estruturas externa e interna do corpo de um anfíbio macho. Como em todos os vertebrados, o sistema circulatório é fechado e o coração é ventral. 

DIVERSIDADE DOS ANFÍBIOS 


Os anfíbios provavelmente tiveram origem em peixes dotados de nadadeiras carnosas há cerca de 400 milhões de anos. Atual mente, são conhecidas cerca de 7 mil espécies, divididas em três ordens, que serão vistas a seguir. Os critérios para essa classificação incluem, entre outros, a presença de pernas e cauda.

Anuros 

Anuros são anfíbios desprovidos de cauda na fase adulta, como pode ser observado nos sapos, nas rãs e nas pererecas. Com aproximadamente 6 mil espécies descritas, são abundantes nas regiões tropicais e temperadas úmidas de todo o planeta. 
O tamanho dos anuros é bem variável: de 1 centímetro a qua se 30 centímetros de comprimento. São bons nadadores e, na terra, andam aos saltos. As larvas são geralmente herbívoras e os adultos alimentam-se de insetos, capturando-os com sua língua pegajosa. 
Os machos são conhecidos pelo coaxar: sons produzidos ao inflar o papo e forçar a passagem do ar. Esses sons são utiliza dos para atrair as fêmeas e defender o território. Cada espécie emite um som característico, possibilitando que os indivíduos da mesma espécie se reconheçam em uma lagoa ou em um brejo onde há várias espécies. 

O Bufo americanus é um anuro que fica com o papo inflado durante a produção de sons.

Caudados 

Também chamados de urodelos, são dotados de cauda. Esse grupo é composto de salamandras e de tritões. As cerca de 600 espécies conhecidas habitam as regiões tropicais do planeta e as zonas temperadas do hemisfério Norte. Costumam medir até 15 centímetros de comprimento. 
A maioria das espécies é terrestre e de hábitos carnívoros. Em geral, a fecundação é interna, e os ovos são depositados na água. Mas algumas espécies são totalmente terrestres, sem fase larval.

Ápodes 

Os ápodes, como o próprio nome indica, são desprovidos de pernas. Há cerca de 180 espécies descritas de ápodes, popularmente conhecidas como cecílias ou cobras-cegas. Encontrados nas florestas tropicais da América do Sul, da Ásia e da África, eles vivem em túneis no solo ou na água, onde caçam os invertebrados, como minhocas e vermes, de que se alimentam. 
A fecundação é interna, e o desenvolvimento do embrião se dá dentro dos ovos ou no interior do corpo das fêmeas. Na maio ria das espécies não há fase larval, e as fêmeas liberam filhotes com aparência semelhante à dos animais adultos.

RÉPTEIS E AVES


RÉPTEIS 


Os cientistas consideram que os répteis são bem adaptados à vida fora da água. Algumas características desses animais contribuem para a vida em ambientes secos. 
O corpo dos répteis é coberto por uma pele espessa e resistente, que protege o animal contra a perda de água por transpiração. A pele impermeável não permite a troca gasosa por sua superfície, mas nos répteis o pulmão é bem desenvolvido. 
Os répteis são capazes de eliminar urina muito concentrada e, com isso, retêm mais água no corpo. Essa economia de água é fundamental para a vida no ambiente terrestre. 
A fecundação interna garante a proteção dos gametas dentro do corpo. O desenvolvimento de um ovo com casca coriácea e membranas internas impede a desidratação, protege e dá suporte à vida do embrião. Essa característica possibilitou a independência da água para a reprodução. 

CARACTERÍSTICAS GERAIS 

Os répteis são animais ectotérmicos, por isso, a maioria das espécies é mais ativa durante o dia, quando as temperaturas mais elevadas ativam seu metabolismo. 
A maioria das espécies de répteis se alimenta de insetos e de outros vertebrados. No entanto, algumas espécies de lagartos e de tartarugas terrestres são predominantemente herbívoras. Quanto à locomoção, a maioria das espécies tem pernas posicionadas lateralmente ao corpo e, quando anda, pratica mente arrasta o abdome no chão (em latim, reptare significa rastejar). Mesmo assim, pode se deslocar com velocidade, por curtos espaços.

Os répteis foram os primeiros animais a desenvolverem ovos com casca. A foto, feita na África em 2019, mostra a eclosão de ovos de tartarugas marinhas, após período de incubação.

Esquema simplificado da anatomia de um réptil fêmea. O sistema circulatório é fechado, e o coração é ventral. Nos répteis, o canal excretor (ureter), o intestino e o canal reprodutor (oviduto) abrem-se na cloaca.

Muitas espécies são ápodes, ou seja, não têm pernas, como as serpentes, que se deslocam rastejando com agilidade. Algumas espécies são excelentes nadadoras. Em espécies de hábito aquático, como muitas tartarugas, os membros são achatados em forma de remos, adaptados à natação. Embora desajeitadas em terra firme, essas espécies nadam com desenvoltura. 
O sistema nervoso dos répteis segue o padrão geral dos vertebrados. O cérebro, protegido pelo crânio, é ligado à medula espinal, protegida pela coluna vertebral. Com cérebro bem desenvolvido, esses animais são capazes de comporta mentos sofisticados. Exceto pela audição, os órgãos senso riais são bem desenvolvidos.
O ovo com casca coriácea apresenta três membranas: o âmnio, cheio de líquido, onde se desenvolve o embrião; o alantoide, que armazena os resíduos da urina e contribui para as trocas respiratórias; e o córion, membrana que envolve o conteúdo do ovo. O saco vitelínico funciona como uma reserva de nutrientes para o embrião.

DIVERSIDADE DOS RÉPTEIS 


Os fósseis de répteis mais antigos têm cerca de 350 milhões de anos. São conhecidas, atualmente, mais de 7 mil espécies de répteis, além das espécies extintas que incluem, entre outras, os dinossauros. 
No Brasil, ocorrem mais de 700 espécies. Os principais grupos de répteis atuais são os quelônios, os escamados e os crocodilianos.

Quelônios 

O grupo dos quelônios abrange mais de 300 espécies de tartarugas, jabutis e cágados, de vida terrestre, marinha ou de água doce. Apresentam tamanhos bem variados: algumas espécies têm poucos centímetros de comprimento, enquanto outras alcançam 2 metros de comprimento. 
Todos os quelônios têm uma carapaça dorsal – resultado da fusão das costelas com a pele – bastante enrijecida e coberta por queratina. Na região ventral, a carapaça é menos rígida e recebe o nome de plastrão.

A tartaruga-verde (Chelonia mydas) pode atingir até 2 metros de comprimento quando adulta.

Escamados 

É o grupo mais diversificado, com mais de 6 mil espécies de serpentes, lagartos, lagartixas, iguanas e cobras-de-duas-cabeças (anfisbenas). Como o nome sugere, o corpo dos escamados é coberto por escamas, camada superficial da pele que é trocada periodicamente. 
Outra característica desse grupo é a grande capacidade de abertura das mandíbulas, o que aumenta a força da mordida e permite engolir presas de grande tamanho.

A jararaca (gênero Bothrops) é uma serpente comum no Brasil. Note a língua bipartida, característica dos escamados e relacionada ao olfato desses animais.

Crocodilianos 

Esse grupo abrange cerca de 25 espécies atuais de jacarés, crocodilos, gaviais e caimãos. As principais características dos crocodilianos são o crânio alongado e a forte musculatura que movimenta as mandíbulas. São excelentes predadores. Dentre os répteis atuais, os crocodilianos são considerados o grupo evolutivamente mais próximo às aves, pois são os únicos que têm coração semelhante ao delas.

O jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) é comum nas beiras de rios e lagos da América do Sul. Na época da reprodução, constrói ninhos com gravetos e folhas. Esse animal já esteve na lista de espécies ameaçadas de extinção.

AVES 


Acredita-se que as aves tenham surgido há cerca de 150 milhões de anos, a partir de um grupo de dinossauros atualmente extintos. De fato, as aves têm características semelhantes às dos répteis. 
Algumas delas são: a presença de escamas, que nas aves estão presentes apenas nas pernas; o tipo de ovo, sendo que a casca do ovo das aves é calcária; a eliminação de urina concentrada, o que contribui para a economia de água e a redução do peso corporal. 

Fotografia de um fóssil de arqueoptérix, espécie extinta há cerca de 150 milhões de anos. Ela é considerada espécie de transição entre répteis e aves por apresentar tanto características de aves (penas) como de répteis (estrutura do esqueleto e dentes).


CARACTERÍSTICAS GERAIS 

As adaptações ao voo são as características principais das aves. Os membros anteriores são modificados em asas, e o corpo é revestido por penas leves e resistentes, formadas por que ratina, que possibilitam o voo e ajudam a manter a temperatura corporal elevada, essencial para voar. 

O esquema mostra algumas partes da estrutura de uma pena. (Representação sem proporção de tamanho


As aves são homeotérmicas, ou seja, sua temperatura corporal é constante, independentemente da temperatura do ambiente. O esqueleto é formado por ossos pneumáticos, ocos, leves e resistentes, o que diminui o peso corporal. A porção da coluna vertebral que sustenta a cauda é curta. O bico substitui os ossos das mandíbulas e os dentes, contribuindo para a redução do peso. O formato do bico é muito variável entre as espécies e reflete seus hábitos alimentares. 

Representação do esqueleto de uma ave. A estrutura corporal reflete as adaptações ao voo. Note a cauda curta e a caixa torácica reforçada. A musculatura peitoral, que movimenta as asas, apoia-se na quilha, bem desenvolvida nas aves voadoras e reduzida nas corredoras. As pernas podem ser adaptadas para nadar, correr ou agarrar. 

As aves são dotadas de sistema nervoso bem desenvolvido, o que possibilita comportamentos sofisticados, como o voo, a construção de ninhos e os rituais de acasalamento. Os sistemas respiratório e circulatório são muito eficientes, garantindo o suprimento de gás oxigênio para as células e a manutenção do metabolismo em níveis elevados.

DIVERSIDADE DAS AVES 


As aves constituem o maior grupo de verte brados terrestres, com cerca de 10 mil espécies descritas até o momento. A maioria das aves é tipicamente voadora, mas algumas espécies se especializaram na natação, como os pinguins, e outras são corredoras, como as emas. 
Alguns beija-flores podem ter apenas 5 centímetros de comprimento, enquanto o avestruz pode chegar a 2,5 metros. Os cientistas dividem as aves em cerca de 30 subgrupos, alguns dos quais estão especificados nesta página: os galiformes, os passeriformes, os psitaciformes, os anseriformes e os falconiformes.

Galiformes

O grupo inclui as galinhas, os perus e outras aves domesticadas para fins de alimentação humana.

Gallus gallus, a galinha doméstica.

Passeriformes 

Popularmente denominados pássaros, incluem bem-te-vis, canários, pardais, sabiás, entre outros.

O sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) alimenta-se de pequenos invertebrados e de frutas.

Psitaciformes 

São os papagaios, as araras e os periquitos. Têm bico muito forte, adaptado para comer sementes.

O papagaio-verdadeiro ou papagaio verde (Amazona aestiva) costuma ser visto em casais ou em bandos.

Anseriformes 

O grupo inclui os patos, os marrecos, os gansos e os cisnes, adaptados para nadar.

O pato-do-mato (Cairina moschata) alimenta-se de plantas aquáticas e de pequenos invertebrados.

Falconiformes 

É o grupo das aves de rapina, como águias e falcões. O gavião-real ou harpia (Harpia harpyja), uma das maiores aves de rapina do mundo, é uma espécie presente nas matas brasileiras.

MAMÍFEROS


Os mamíferos da atualidade podem ser encontrados em todos os ambientes. Existem espécies terrestres, arborícolas, fossoriais, de água doce, marinhas e voadoras, que ocupam desde as regiões tropicais até as zonas polares do planeta. Entre as características exclusivas dos mamíferos, as principais são o corpo total ou parcialmente coberto por pelos e a presença de glândulas mamárias, desenvolvidas nas fêmeas. 
Os mamíferos, assim como as aves, são animais endotérmicos. Sua respiração é pulmonar, e seu sistema circulatório também é semelhante ao das aves. 
O sistema nervoso dos mamíferos inclui um cérebro bem desenvolvido, e esses animais têm grande aptidão para a aprendizagem e são capazes de modificar seu comportamento, adaptando-se a diversas situações. Muitos vivem em grupos e sociedades, o que exige boa capacidade de comunicação. 
Os órgãos sensoriais são bem desenvolvidos. A pele dos mamíferos apresenta glândulas secretoras, como as glândulas sebáceas e as glândulas mamárias. A fecunda ção desses animais é interna, e o desenvolvimento embrionário ocorre no útero materno na maioria das espécies.

O mamute-lanoso (Mammuthus primigenius), mamífero pré-histórico, foi extinto há cerca de 5 600 anos. O esqueleto da foto está em exibição no Museu Estadual da Pré-História, na Alemanha.  

LOCOMOÇÃO E SUSTENTAÇÃO 


Os mamíferos em geral são quadrúpedes, e seus membros são dispostos perpendicularmente ao corpo. As articulações da coluna vertebral participam, com os membros, da locomoção. O tamanho e o formato dos membros variam bastante: 
Membros alongados: Cavalos, antílopes e outros mamíferos corredores e saltadores apoiam apenas os dedos ou suas extremidades no solo. As unhas podem ser modificadas em cascos, como nos herbívoros, ou em garras, como nos carnívoros. 
Nadadeiras: Mamíferos aquáticos têm os membros em for ma de nadadeiras. Em alguns casos, como nos golfinhos e nas baleias, os membros posteriores são bastante reduzidos. Asas: Nos morcegos, os membros anteriores têm forma de asas e são adaptados ao voo, enquanto os membros posteriores são adaptados para agarrar. 
Polegares opositores: O dedo polegar, em muitas espécies, realiza um movimento oposto aos demais dedos, o que lhes per mite agarrar objetos com firmeza. Nos primatas em geral, isso ocorre nas quatro extremidades dos membros; nos humanos, apenas nos membros anteriores.

DENTIÇÃO 


Os mamíferos têm dentes especializados em diferentes funções: molares (dentes que trituram), incisivos (dentes que cortam) e caninos (dentes que rasgam). A dentição reflete o hábito alimentar de cada espécie.

Nos carnívoros, os três tipos de dente estão presentes, mas os caninos, usados como garras, são mais desenvolvidos.

Nos herbívoros, os incisivos são usados para cortar folhas, e os molares, para triturá-las. Os caninos são reduzidos ou ausentes.

DIVERSIDADE DOS MAMÍFEROS 


Os mamíferos originaram-se de um grupo de répteis, há mais de 160 milhões de anos. O grupo expandiu-se há cerca de 60 milhões de anos, e, atualmente, são conhecidas cerca de 5,5 mil espécies de mamíferos. Dessas, cerca de 700 es tão no Brasil. De acordo com características relacionadas ao modo de desenvolvimento dos embriões, os mamíferos são classificados em três grupos.

Monotremados 

Os monotremados apresentam características semelhantes às dos mamíferos ancestrais. Não têm placenta – órgão que une a mãe ao feto – e são ovíparos. Nas fêmeas, as glândulas mamárias são desenvolvidas. Atualmente, existem três espécies de monotremados: o ornitorrinco e duas espécies de equidnas.

Marsupiais 

Os mamíferos marsupiais e os placentários têm um ancestral comum e compartilham uma série de características, como a viviparidade. O marsúpio é uma bolsa localizada no ab dome das fêmeas, na qual os embriões completam seu desenvolvimento e onde estão as glândulas mamárias. São exemplos de marsupiais os cangurus, os coalas, o gambá e a cuíca.

Placentários 

Os mamíferos placentários são o grupo mais numeroso e diversificado de mamíferos. São divididos em 24 grupos, en tre eles os quirópteros (morcegos), os cetáceos (como botos, golfinhos e baleias), os carnívoros (como ursos, cães e gatos) e os primatas (macacos e seres humanos).


GRUPOS DE SERES VIVOS

O estudo das formas de vida que habitam o planeta gera uma grande quantidade de informações. Para facilitar o acesso a essas informações, os...