segunda-feira, 4 de maio de 2026

GRUPOS DE SERES VIVOS

O estudo das formas de vida que habitam o planeta gera uma grande quantidade de informações. Para facilitar o acesso a essas informações, os seres vivos são organizados em grupos de acordo com suas características ou padrões. Esse processo de categorização é chamado de classificação biológica. 
Os cientistas que trabalham com a classificação biológica são os sistematas. Eles classificam os seres vivos em grupos e criam nomes científicos adequados para cada um deles. 
Para separar os seres vivos em grupos, são usados diversos critérios, como as semelhanças. Para encontrar semelhanças, compara-se não apenas o aspecto exterior, mas principalmente a estrutura corporal – células, tecidos e órgãos –, sua composição química e mesmo o material hereditário.
O agrupamento básico para a classificação dos seres vivos é a espécie. Diversas definições para espécie já foram criadas. Utilizamos a definição de espécie biológica: um grupo de seres vivos que consegue cruzar entre si e se reproduzir, gerando descendentes férteis.

O NOME CIENTÍFICO 


Cada idioma tem uma palavra própria para se referir a um determinado ser vivo. O cavalo, por exemplo, é horse em inglês, Pferd em alemão, cheval em francês e caballo em espanhol. Os nomes também variam de acordo com a região do país: por exemplo, no Brasil, os nomes mandioca, aipim, macaxeira e maniva são usados para se referir à mesma planta. 
Entretanto, nos trabalhos científicos, é necessário se referir a uma espécie de um modo que pesquisadores de todo o mundo entendam. Por isso, os cientistas usam o nome científico para definir a espécie. O nome científico do cavalo, por exemplo, é Equus caballus, enquanto o da mandioca é Manihot esculenta. Pesquisadores de qualquer parte do mundo podem utilizar es ses nomes para se referir a esses organismos.
Veja a seguir as normas que devem ser usadas para criar e escrever um nome científico. 
• Os nomes científicos devem ser escritos em itálico ou sublinhados, sempre em latim. 
• O nome de cada espécie é composto de duas palavras, por isso essa forma de nomear as espécies é denominada sistema binomial
• A primeira palavra deve indicar o gênero, e a segunda é chamada epíteto específico. 
• O nome do gênero deve iniciar com letra maiúscula, en quanto o epíteto da espécie deve ser escrito com letras minúsculas. 
Ao escrever em sequência o nome de vários organismos que pertencem ao mesmo gênero, a primeira palavra (correspondente ao nome do gênero) pode ser abreviada a partir da segunda citação. Por exemplo: laranjeira (Citrus sinensis), cidreira (C. medica) e pé de tangerina (C. reticulata). O sistema binomial foi elaborado pelo naturalista sueco Carolus Linnaeus (1707-1778) – ou simplesmente Lineu – em 1735. 
Na época de Lineu, o latim era a língua universal do ensi no no mundo ocidental e os trabalhos científicos eram escritos nesse idioma. Utilizando, portanto, a estrutura das palavras em latim, Lineu adotou essa língua para criar os nomes científicos.

O SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DE LINEU 


O sistema binomial de Lineu é usado até hoje, mas com algumas modificações. 
Nesse sistema, os seres vivos são agrupados em categorias ou níveis de classificação. Cada categoria é um agrupamento de organismos que apresentam uma ou mais características em comum. 
O sistema de classificação biológica atual utiliza as seguintes categorias ou níveis de classificação: 

O reino é um conjunto de filos. Os animais fazem parte do reino Animalia.
O filo é um conjunto de classes. O filo dos cordados abrange todas as classes de animais que desenvolvem uma estrutura de sustentação chamada notocorda. São exemplos os mamíferos, os répteis e os peixes.
A classe é um conjunto de ordens. A classe dos mamíferos reúne todas as ordens de animais que produzem leite para alimentar seus filhotes, como os carnívoros, os primatas (macacos e humanos), os cetáceos (baleias) e os quirópteros (morcegos).
A ordem é uma reunião de famílias. A ordem dos carnívoros abrange diversas famílias de animais que, em geral, consomem carne na sua alimentação. São exemplos os felídeos e os canídeos.
As famílias são conjuntos de gêneros. A família dos felídeos reúne todos os gêneros dos animais que conhecemos popularmente como felinos, como Panthera, Felis e Puma.
O gênero é um conjunto de espécies. O gênero Panthera inclui espécies como Panthera onca (onça), Panthera leo (leão) e Panthera tigris (tigre).
Conjunto de organismos que se reproduzem e geram descendentes férteis. A espécie é a unidade básica da classificação biológica. A onça-preta (Panthera onca) é uma espécie encontrada em vários biomas brasileiros.

REINOS E DOMÍNIOS 


Diversos sistemas de classificação já foram adotados ao longo do tempo, de acordo com diferentes critérios para for mar os grupos. 
As classificações mais antigas seguiam critérios que não representavam características específicas dos organismos, mas sim de sua relação com o ser humano. Assim, os animais podiam ser classificados, por exemplo, como perigosos ou inofensivos, comestíveis ou venenosos. 
Aristóteles, que viveu no século IV a.C., é considerado a primeira pessoa a empregar um sistema racional, usando características inerentes aos seres: os seres imóveis seriam as plantas, enquanto os animais seriam os organismos móveis. 
A invenção do microscópio no final do século XVI possibilitou a descoberta de seres muito pequenos, que inicialmente também foram classificados como animais ou plantas. No século XIX, o reino Protista foi proposto para abrigar organismos que não se adequavam nem ao reino das plantas nem ao dos animais. 
Em 1969, o biólogo estadunidense Robert H. Whittaker (1920--1980) elaborou um sistema de cinco reinos, que até hoje é muito usado. Esse sistema se baseia em critérios como organização celular e modo de obter alimento. 
Na década de 1970, o pesquisador estadunidense Carl Woese (1928-2012) propôs que os seres vivos fossem agrupados em três domínios: Bacteria, Archaea e Eukarya. Veja, a seguir, como os organismos são agrupados segundo esse sistema.

   BACTERIA       ARCHAEA       EUKARYA

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                               seres vivos mais antigos

GRUPOS DE SERES VIVOS 


A diversidade de seres vivos é muito grande e isso motivou o desenvolvimento de sistemas de classificação.
 

A EVOLUÇÃO DOS SERES VIVOS 


Um dos critérios mais utilizados atualmente para agrupar os seres vivos é o parentesco evolutivo entre eles. Esse critério se baseia na ideia de que as espécies se modificam ao longo do tempo, um processo conhecido como evolução.
De acordo com as teorias evolutivas mais aceitas atualmente, todos os seres vivos teriam surgido de um organismo original, e novas espécies surgem a partir de espécies já existentes. Portanto, todas as espécies que existem e já existiram apresentam alguma relação de parentesco evolutivo, em maior ou menor grau. 
A história da vida na Terra poderia ser representada como uma árvore ramificada. Na base da árvore, estaria o ancestral comum de todos os seres vivos. Ao longo do tempo, surgi riam ramificações nessa árvore, ou seja, diferentes espécies ou grupos de seres vivos.
As novas formas de vida bem-sucedidas deixariam descendentes. Outras, não tão bem-sucedidas, en trariam em extinção. Assim, na árvore dos seres vivos haveria ramos com representantes atuais e outros que só poderiam ser reconhecidos em formas fósseis, isto é, que já não existem na atualidade.
(A)


(B)

Por muito tempo, as garças (Ardea alba) (A) e os tuiuiús (Jabiru mycteria) foram classificados na mesma ordem.
Porém, após uma série de estudos sobre o material genético desses animais, os cientistas concluíram que é mais
correto classificar os tuiuiús na mesma ordem dos pelicanos (Pelecanus onocrotalus) (B).

Atualmente, todos os estudos sobre a classificação dos seres vivos levam em consideração aspectos evolutivos. Por isso, novas descobertas e pesquisas podem alterar a classificação das espécies e até mesmo criar ou descartar agrupamentos.



Relações entre os seres vivos

Nos ecossistemas, ocorrem interações entre indivíduos de uma mesma espécie, chamadas relações intraespecíficas, e interações entre indivíduos de espécies distintas, chamadas relações interespecíficas
Essas interações favorecem a obtenção ou o compartilhamento de abrigo, alimento e recursos do ambiente. Podemos dividir essas relações em harmônicas, quando trazem benefícios aos seres vivos envolvidos ou não os prejudicam, e desarmônicas, quando um dos indivíduos que participa da relação é prejudicado.

Relações harmônicas intraespecíficas Alguns exemplos de relações harmônicas entre indivíduos da mesma espécie são as colônias e as sociedades, que veremos a seguir.

Colônias 


Em uma colônia, os indivíduos estão fisicamente conectados uns aos outros e não sobrevivem isolados. Há colônias em que cada indivíduo executa as mesmas funções, por exemplo, os recifes de coral. Em outras, como a caravela, ocorre divisão do trabalho e há indivíduos especializados em proteção e defesa, reprodução, natação, flutuação e alimentação.

A caravela-portuguesa (Physalia physalis) é uma colônia formada por indivíduos com diferentes funções ao longo dos tentáculos, que estão presos ao flutuador cheio de gases. Alguns tentáculos têm indivíduos que lançam toxinas que paralisam peixes, os quais são digeridos por outros indivíduos nos tentáculos encarregados da digestão. Há tentáculos com indivíduos que participam da reprodução. O flutuador da caravela-portuguesa mede cerca de 30 cm e seus tentáculos têm em média 10 m.

Sociedades 


Nas sociedades, os indivíduos atuam em conjunto e de forma cooperativa, têm hierarquia e apresentam divisão de trabalho. Algumas espécies de vespa, cupim, formiga e a maioria das abelhas são exemplos de animais que vivem em sociedade.

Em uma colmeia, há a rainha, as operárias e os zangões. A rainha é a mãe de todas as abelhas da colmeia. De seus ovos nascem operárias, zangões e futuras rainhas. A larva fêmea que será rainha recebe geleia real e cresce muito mais que as outras.

Relações harmônicas interespecíficas 


As relações harmônicas entre indivíduos de espécies distintas são aquelas em que há benefício para as duas espécies ou somente para uma delas sem prejudicar a outra. Veremos alguns exemplos a seguir.

Mutualismo 


É a relação entre indivíduos na qual ambos são beneficiados. Eles podem compartilhar abrigo, alimentos ou recursos do ambiente. No mutualismo, as espécies dependem dessa relação para sobreviver.

Em alguns liquens (associações de fungos e algas), os organismos associados provêm recursos que o outro não obtém sozinho. As algas fornecem nutrientes ao fungo, que fornece um ambiente adequado para o crescimento delas, pois retém água e nutrientes.

Os cupins alimentam-se de madeira. A digestão da celulose é feita por protozoários e bactérias que habitam o estômago do cupim. 

Protocooperação 


Protocooperação ou mutualismo facultativo é a relação entre dois indivíduos na qual ambos são beneficiados. Essa relação, porém, não é obrigatória para a sobrevivência dos organismos.

O peixe-palhaço (Amphiprion sp.) tem cerca de 10 cm e vive junto às anêmonas-do-mar, que o protegem de predadores. Quando se alimenta, o peixe-palhaço fornece alimento para as anêmonas. 

Comensalismo 


O comensalismo envolve a interação entre dois organismos na qual um deles é beneficiado e o outro não é beneficiado nem prejudicado com a relação.

A rêmora (Remora sp.) mede cerca de 40 cm de comprimento. É um peixe que se prende ao corpo de outros animais, como tubarões, e se alimenta dos restos alimentares que estes deixam na água.

O epifitismo é um tipo de comensalismo. As orquídeas são exemplos de epífitas, pois se fixam em troncos de árvores sem prejudicá-las e, assim, recebem mais luminosidade. 

Relações desarmônicas intraespecíficas


Vamos ver agora alguns exemplos de relações desarmônicas de indivíduos de uma mesma espécie.

Canibalismo


O canibalismo é uma relação em que indivíduos se alimentam de outros indivíduos da própria espécie. Geralmente, ocorre em situações de falta de alimento ou de limitação de espaço.

Competição intraespecífica


É a disputa entre indivíduos da mesma espécie por algum recurso do ambiente, por exemplo, alimento e território, e por parceiros sexuais.

Os machos de elefantes-marinhos (Mirounga sp.) lutam entre si para se reproduzir com um grupo de fêmeas. Essas lutas podem levar o oponente à morte. O macho dessa espécie pode chegar a 6,5 m de comprimento.

Relações desarmônicas interespecíficas


Também existem relações desarmônicas entre indivíduos de espécies diferentes. Observe alguns exemplos a seguir.

Competição interespecífica


Indivíduos de espécies diferentes podem disputar território e recursos do ambiente. Essa relação é a competição interespecífica. Por exemplo, há aves de espécies distintas que disputam o mesmo material para a construção de seus ninhos.

Hienas (Crocuta crocuta) disputam as carcaças com outros animais. Esse é um exemplo de competição interespecífica. As hienas podem medir cerca de 1,7 m de comprimento.

Predação


A predação ocorre quando um indivíduo de uma espécie (o predador) se alimenta de um indivíduo de outra espécie (a presa) ou de suas partes. Os animais carnívoros são exemplos de predadores.

A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas,
chegando a medir cerca de 2 m de comprimento. É um animal
carnívoro que se alimenta de outros mamíferos, como capivaras, queixadas e veados, e de répteis, como jacarés. Habita áreas de vegetação densa, com abundância de água e alimentação. São animais de hábitos solitários e terrestres e caçam tanto à noite quanto durante o dia.

Parasitismo 


A relação de parasitismo se dá quando um indivíduo de uma espécie (o parasita) sobrevive à custa de um indivíduo de outra espécie (o hospedeiro), que é prejudicado. Na maioria dos casos, a interação com o parasita não mata o hospedeiro. Os parasitas podem ser endoparasitas, que penetram o organismo, ou ectoparasitas, que não invadem o organismo (do grego endo = dentro; e ektós = fora). 
O amarelão, ou ancilostomose, é uma parasitose que provoca anemia, causada por vermes endoparasitas, cujas larvas penetram a pele. Já o piolho, o carrapato, o bicho-de-pé e a sarna são exemplos de ectoparasitas. 
O parasitismo também ocorre em espécies vegetais. O cipó-chumbo, por exemplo, não tem folhas nem clorofila, portanto, não faz fotossíntese. Ele se alimenta da seiva que retira do caule da planta hospedeira por meio de suas raízes.

O cipó-chumbo (Cuscuta sp.) é uma planta parasita. Quando cobre completamente a planta hospedeira, esta acaba morrendo e o cipó-chumbo também.

Amensalismo ou antibiose 


São relações desarmônicas em que indivíduos de uma população ini bem ou impedem o desenvolvimento de indivíduos de populações de outras espécies. 
Um exemplo de amensalismo é a relação entre alguns fungos e bactérias. Determinados fungos produzem substâncias que, lançadas no ambiente à sua vol ta, impedem ou dificultam o crescimento e o desenvolvimento de bactérias. 
Com base nessa constatação, os pesquisadores puderam desenvolver a penicilina, antibiótico que já salvou muitas vidas.

O eucalipto (Eucalyptus sp.) pode chegar a medir cerca de 70 m de altura. As folhas que caem no solo liberam uma substância que inibe o desenvolvimento de outras plantas. Esse tipo de relação desarmônica é denominado amensalismo.
 


sábado, 2 de maio de 2026

OS ANIMAIS

Todos os animais têm características em comum: 

• Apresentam células eucarióticas. 

• São pluricelulares. A maioria apresenta células agrupa das em tecidos, que desempenham funções próprias. •São heterótrofos. O modo de conseguir alimento é bastante diverso. Algumas espécies caçam, enquanto outras realizam filtração de partículas da água, por exemplo. 

• Apresentam movimento em ao menos uma fase da vida. As esponjas, por exemplo, só apresentam movimento na fase larval.

Os animais são encontrados em ambientes muito diversos. Podem viver em ambientes aquáticos (de água doce ou marinhos), tanto na superfície como em grandes profundidades. Também são encontrados em ambientes terrestres: florestas, savanas, campos ou desertos, entre outros hábitats. Há ainda espécies que podem ser encontradas no ar.
A grande diversidade dos animais pode ser explicada como resultado do processo evolutivo pelo qual as inúmeras espécies de animais extintas e viventes passaram.
Os flamingos (família Phoenicopteridae) são animais vertebrados e pertencem ao grupo das aves. Eles são encontrados nas Américas, na Ásia, na África e no sul da Europa.

ORIGEM E DIVERSIDADE 


Estima-se que os primeiros animais tenham surgido há cerca de 650 milhões de anos, a partir de seres semelhantes a um protozoário. Esses organismos primitivos eram capazes de se agrupar, e acredita-se que, no decorrer de muitas gerações, suas células se tornaram especializadas em diferentes funções, originando os primeiros animais.
Simplificadamente, os animais podem ser divididos em dois grandes grupos: vertebrados e invertebrados. Esse agrupamento, no entanto, não é utilizado na classificação biológica, pois os animais denominados invertebrados não compartilham características exclusivas suficientes para serem considerados um grupo. Mesmo assim, esses termos são usa dos informalmente pelos biólogos, por tradição e praticidade. 

Animais vertebrados – apresentam crânio, estrutura geralmente óssea que protege o encéfalo, e vértebras alinhadas, formando a coluna vertebral. Essa estrutura contribui para a sustentação do corpo do animal. São tradicionalmente organizados em cinco grupos: peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. 

Animais invertebrados – não têm crânio nem vértebras. Compreendem a maior parte das espécies de animais do planeta e são classificados em mais de 30 grupos, dos quais alguns serão estudados: poríferos, cnidários, platelmintos, nematódeos, moluscos, anelídeos, artrópodes e equinodermos. 


Os vertebrados

PEIXES E ANFÍBIOS


CORDADOS

Ao longo de sua evolução, surgiu nos animais uma estrutura chamada notocorda, que funciona como um eixo interno de sus tentação. Os animais que apresentam notocorda em ao menos uma fase de sua vida são chamados cordados. Agora, você vai aprender um pouco mais sobre três grupos de cordados: as ascídias, os anfioxos e os vertebrados.

ASCÍDIAS

As ascídias são animais marinhos que lembram as esponjas no aspecto externo, mas não apresentam parentesco evolutivo com elas. Os adultos vivem fixos e filtram a água para obter alimento. 
As larvas das ascídias, porém, são nadadoras e têm uma cauda para ajudar na locomoção. A notocorda está presente nessa cauda. Quando as larvas passam pela metamorfose para se trans formar em adultos, a notocorda regride até desaparecer.

ANFIOXOS 

Os anfioxos são animais que parecem larvas de peixes e vi vem com a parte posterior do corpo enterrada na areia do fundo do mar. Eles filtram a água para obter seu alimento. Nos anfioxos, a notocorda perdura por toda a vida. Essa estrutura dá sustentação e forma ao animal e auxilia na escavação. A locomoção dos anfioxos se dá por ondulações promovidas por contrações das fibras musculares dispostas ao longo do corpo.

Anfioxo da espécie Branchiostoma lanceolatum. 

VERTEBRADOS 


Na maioria dos cordados, a notocorda está presente apenas no embrião. Ainda no embrião, ela é substituída pela coluna vertebral. Os cordados com coluna vertebral são chamados vertebrados
O crânio forma a região da cabeça e está associado à coluna vertebral. Tanto a coluna vertebral como o crânio têm a função de proteger o sistema nervoso central, que é formado pelo encéfalo e pela medula espinal. No encéfalo, são elaboradas di versas informações que ajudam a regular o funcionamento do organismo, como comandos para mexer uma parte do corpo. Essas informações chegam ao encéfalo e saem dele por meio da medula espinal. 
O crânio e a coluna vertebral fazem parte do esqueleto interno, um conjunto de ossos que protege e sustenta o corpo de um vertebrado. Em muitas espécies, dois pares de apêndices loco motores estão ligados à coluna vertebral, que se alonga além do par posterior, formando uma cauda.

O esqueleto interno de um vertebrado é composto de dezenas de ossos. Na imagem, esqueleto de um gato.

PEIXES 


O termo peixe denomina vários grupos de animais vertebrados que vivem na água e, em geral, respiram pelas brânquias. São conhecidos fósseis de peixes com mais de 500 milhões de anos, sendo esses os vertebrados mais antigos.

CARACTERÍSTICAS GERAIS 

Os peixes têm, em geral, corpo alongado, com a cabeça e a cauda mais afinadas. O formato corporal, associado à presença de nadadeiras e à pele recoberta por escamas, facilita o deslocamento na água. 
O cérebro dos peixes é relativamente grande, se compara do ao dos invertebrados, e está ligado à medula espinal. Alguns nervos saem diretamente do cérebro para órgãos sensoriais da cabeça e de outras partes do corpo. Outros nervos saem da medula espinal e se comunicam com os músculos, controlando os movimentos do animal e permitindo sua locomoção.
De modo geral, a visão dos peixes é pouco desenvolvida, enquanto o olfato é bem desenvolvido. Células sensíveis às vibrações transmitidas pela água estão presentes sob a linha lateral, uma série de escamas dotadas de furos que pode ser vista desde as aberturas branquiais até a cauda. 
Além do crânio e da coluna vertebral, o esqueleto da maio ria dos peixes apresenta prolongamentos das vértebras que dão apoio à musculatura, que costumam ser chamados de espinhos. O impulso para a frente é dado por movimentos laterais do corpo e da nadadeira caudal. As demais nadadeiras contribuem para o equilíbrio e outros movimentos. A bexiga natatória, um órgão em formato de bolsa, pode se encher ou esvaziar de gás, auxiliando na flutuação. 
A respiração dos peixes se dá pelo fluxo de água que entra pela boca, passa pelas brânquias – situadas na altura da faringe – e sai por aberturas nas laterais do corpo. Em geral, as brânquias são protegidas por opérculos, estruturas ósseas móveis que funcionam como tampas. 
O sistema digestório é completo, com a presença de órgãos como fígado e pâncreas. O sistema circulatório é fechado, com o coração ocupando posição ventral. Os peixes são ectotérmicos, ou seja, a temperatura de seu corpo não é controlada pelo animal e varia de acordo com a temperatura do ambiente. 
A reprodução dos peixes é sexuada, e a fertilização pode ser interna ou externa, dependendo da espécie. Algumas são vivíparas, ou seja, os embriões se desenvolvem no corpo da fêmea.

DIVERSIDADE DOS PEIXES


Existem mais de 30 mil espécies de peixes descritas. Dessas,
cerca de 5 mil ocorrem nas águas brasileiras. Os peixes atuais
podem ser classificados nos grupos descritos a seguir.

Agnatos 

Os agnatos ou ciclóstomos têm esqueleto cartilaginoso, não apresentam mandíbula e têm a boca circular. Formam um grupo pequeno, com pouco mais de 100 espécies, conhecidas popular mente como lampreias e feiticeiras. 
São dotados de crânio, mas suas vértebras são rudimentares ou mesmo ausentes. O corpo desses peixes é alongado, com até 1 metro de comprimento, e suas nadadeiras laterais são ausentes.

A lampreia (Lampetra planeri) é um peixe agnato.

Condrictes 

Os condrictes ou peixes cartilaginosos têm mandíbula, e seu esqueleto é cartilaginoso. Nesse grupo, que inclui os tubarões e as arraias, há 900 espécies conhecidas, e a maioria delas vive em águas salgadas. Todos os peixes desse grupo são predadores, e o comprimento de seu corpo varia bastante entre as espécies. 
A boca dos condrictes ocupa posição ventral, e os opérculos e a bexiga natatória são ausentes. Além da linha lateral, mui tas espécies têm um órgão sensorial exclusivo desse grupo, as ampolas de Lorenzini, que percebem os impulsos elétricos gerados pela atividade muscular dos animais, facilitando a localização de suas presas.

O tubarão-branco (Carcharodon carcharias) é um condricte.


Osteíctes 

Os osteíctes têm mandíbula, e seu esqueleto é ósseo. Com cerca de 28 mil espécies descritas, são o maior grupo de peixes, muito diversificados em formas e tamanhos. As espécies distribuem-se por vários hábitats, desde as águas oceânicas mais profundas até as cabeceiras de rios. Muitas espécies habitam lagos e pântanos que secam durante a estiagem. 
Os hábitos alimentares desse grupo são variados. A boca ocupa posição frontal, e o opérculo está presente. Na maioria das espé cies, as nadadeiras assemelham-se a leques: são delgadas e sus tentadas por finas estruturas alongadas que se apoiam na musculatura. A piaba, o pirarucu e o pacu são exemplos de osteíctes. 
Em algumas espécies, as nadadeiras laterais são carnosas, dotadas de musculatura e ossos internos. Algumas dessas espécies, como a piramboia, além de respirarem por brânquias, têm um órgão que permite respirar ar atmosférico. Acredita-se que, há cerca de 400 milhões de anos, espécies primitivas de peixes com dois pares de nadadeiras laterais carnosas podem ter dado origem aos vertebrados terrestres. 

ANFÍBIOS


Os anfíbios são um grupo de vertebrados que conquistaram parcialmente o ambiente terrestre. Uma série de características permite aos anfíbios viver nesse ambiente. Entre elas estão:

• o esqueleto mais robusto;
• a presença de quatro pernas;
• a respiração pulmonar;
• a pele semipermeável.

CARACTERÍSTICAS GERAIS 

Assim como os peixes, os anfíbios são animais ectotérmicos. Mesmo com adaptações ao ambiente terrestre, muitos anfíbios precisam viver em ambientes úmidos, em geral próximo a rios e lagos. Entre os motivos para isso, está o fato de os anfíbios de penderem da água para a reprodução. 
Em muitas espécies, a fecundação é externa, e os ovos são postos na água. Quando eclodem, os ovos geram larvas aquáticas – denominadas girinos – dotadas de brânquias e nadadeiras, que passam por uma metamorfose. Nesse processo, adquirem pernas e pulmões, tornando-se capazes de viver na terra. 
O sistema nervoso central dos anfíbios é formado por encéfalo e medula espinal, de onde partem nervos que chegam a todas as partes do corpo. O tato, o paladar, o olfato, a audição e a visão são responsáveis pela percepção. A audição tem importância especial para as espécies que se comunicam por sons, especialmente na época do acasalamento. 
A respiração pulmonar é complementada pela respiração cutânea, ou seja, pela pele. Para realizar as trocas gasosas, a pele deve ser permeável e úmida. Em ambientes áridos, portanto, a perda de água pela transpiração pode levar à desidratação dos anfíbios.
 
Esquema simplificado das estruturas externa e interna do corpo de um anfíbio macho. Como em todos os vertebrados, o sistema circulatório é fechado e o coração é ventral. 

DIVERSIDADE DOS ANFÍBIOS 


Os anfíbios provavelmente tiveram origem em peixes dotados de nadadeiras carnosas há cerca de 400 milhões de anos. Atual mente, são conhecidas cerca de 7 mil espécies, divididas em três ordens, que serão vistas a seguir. Os critérios para essa classificação incluem, entre outros, a presença de pernas e cauda.

Anuros 

Anuros são anfíbios desprovidos de cauda na fase adulta, como pode ser observado nos sapos, nas rãs e nas pererecas. Com aproximadamente 6 mil espécies descritas, são abundantes nas regiões tropicais e temperadas úmidas de todo o planeta. 
O tamanho dos anuros é bem variável: de 1 centímetro a qua se 30 centímetros de comprimento. São bons nadadores e, na terra, andam aos saltos. As larvas são geralmente herbívoras e os adultos alimentam-se de insetos, capturando-os com sua língua pegajosa. 
Os machos são conhecidos pelo coaxar: sons produzidos ao inflar o papo e forçar a passagem do ar. Esses sons são utiliza dos para atrair as fêmeas e defender o território. Cada espécie emite um som característico, possibilitando que os indivíduos da mesma espécie se reconheçam em uma lagoa ou em um brejo onde há várias espécies. 

O Bufo americanus é um anuro que fica com o papo inflado durante a produção de sons.

Caudados 

Também chamados de urodelos, são dotados de cauda. Esse grupo é composto de salamandras e de tritões. As cerca de 600 espécies conhecidas habitam as regiões tropicais do planeta e as zonas temperadas do hemisfério Norte. Costumam medir até 15 centímetros de comprimento. 
A maioria das espécies é terrestre e de hábitos carnívoros. Em geral, a fecundação é interna, e os ovos são depositados na água. Mas algumas espécies são totalmente terrestres, sem fase larval.

Ápodes 

Os ápodes, como o próprio nome indica, são desprovidos de pernas. Há cerca de 180 espécies descritas de ápodes, popularmente conhecidas como cecílias ou cobras-cegas. Encontrados nas florestas tropicais da América do Sul, da Ásia e da África, eles vivem em túneis no solo ou na água, onde caçam os invertebrados, como minhocas e vermes, de que se alimentam. 
A fecundação é interna, e o desenvolvimento do embrião se dá dentro dos ovos ou no interior do corpo das fêmeas. Na maio ria das espécies não há fase larval, e as fêmeas liberam filhotes com aparência semelhante à dos animais adultos.

RÉPTEIS E AVES


RÉPTEIS 


Os cientistas consideram que os répteis são bem adaptados à vida fora da água. Algumas características desses animais contribuem para a vida em ambientes secos. 
O corpo dos répteis é coberto por uma pele espessa e resistente, que protege o animal contra a perda de água por transpiração. A pele impermeável não permite a troca gasosa por sua superfície, mas nos répteis o pulmão é bem desenvolvido. 
Os répteis são capazes de eliminar urina muito concentrada e, com isso, retêm mais água no corpo. Essa economia de água é fundamental para a vida no ambiente terrestre. 
A fecundação interna garante a proteção dos gametas dentro do corpo. O desenvolvimento de um ovo com casca coriácea e membranas internas impede a desidratação, protege e dá suporte à vida do embrião. Essa característica possibilitou a independência da água para a reprodução. 

CARACTERÍSTICAS GERAIS 

Os répteis são animais ectotérmicos, por isso, a maioria das espécies é mais ativa durante o dia, quando as temperaturas mais elevadas ativam seu metabolismo. 
A maioria das espécies de répteis se alimenta de insetos e de outros vertebrados. No entanto, algumas espécies de lagartos e de tartarugas terrestres são predominantemente herbívoras. Quanto à locomoção, a maioria das espécies tem pernas posicionadas lateralmente ao corpo e, quando anda, pratica mente arrasta o abdome no chão (em latim, reptare significa rastejar). Mesmo assim, pode se deslocar com velocidade, por curtos espaços.

Os répteis foram os primeiros animais a desenvolverem ovos com casca. A foto, feita na África em 2019, mostra a eclosão de ovos de tartarugas marinhas, após período de incubação.

Esquema simplificado da anatomia de um réptil fêmea. O sistema circulatório é fechado, e o coração é ventral. Nos répteis, o canal excretor (ureter), o intestino e o canal reprodutor (oviduto) abrem-se na cloaca.

Muitas espécies são ápodes, ou seja, não têm pernas, como as serpentes, que se deslocam rastejando com agilidade. Algumas espécies são excelentes nadadoras. Em espécies de hábito aquático, como muitas tartarugas, os membros são achatados em forma de remos, adaptados à natação. Embora desajeitadas em terra firme, essas espécies nadam com desenvoltura. 
O sistema nervoso dos répteis segue o padrão geral dos vertebrados. O cérebro, protegido pelo crânio, é ligado à medula espinal, protegida pela coluna vertebral. Com cérebro bem desenvolvido, esses animais são capazes de comporta mentos sofisticados. Exceto pela audição, os órgãos senso riais são bem desenvolvidos.
O ovo com casca coriácea apresenta três membranas: o âmnio, cheio de líquido, onde se desenvolve o embrião; o alantoide, que armazena os resíduos da urina e contribui para as trocas respiratórias; e o córion, membrana que envolve o conteúdo do ovo. O saco vitelínico funciona como uma reserva de nutrientes para o embrião.

DIVERSIDADE DOS RÉPTEIS 


Os fósseis de répteis mais antigos têm cerca de 350 milhões de anos. São conhecidas, atualmente, mais de 7 mil espécies de répteis, além das espécies extintas que incluem, entre outras, os dinossauros. 
No Brasil, ocorrem mais de 700 espécies. Os principais grupos de répteis atuais são os quelônios, os escamados e os crocodilianos.

Quelônios 

O grupo dos quelônios abrange mais de 300 espécies de tartarugas, jabutis e cágados, de vida terrestre, marinha ou de água doce. Apresentam tamanhos bem variados: algumas espécies têm poucos centímetros de comprimento, enquanto outras alcançam 2 metros de comprimento. 
Todos os quelônios têm uma carapaça dorsal – resultado da fusão das costelas com a pele – bastante enrijecida e coberta por queratina. Na região ventral, a carapaça é menos rígida e recebe o nome de plastrão.

A tartaruga-verde (Chelonia mydas) pode atingir até 2 metros de comprimento quando adulta.

Escamados 

É o grupo mais diversificado, com mais de 6 mil espécies de serpentes, lagartos, lagartixas, iguanas e cobras-de-duas-cabeças (anfisbenas). Como o nome sugere, o corpo dos escamados é coberto por escamas, camada superficial da pele que é trocada periodicamente. 
Outra característica desse grupo é a grande capacidade de abertura das mandíbulas, o que aumenta a força da mordida e permite engolir presas de grande tamanho.

A jararaca (gênero Bothrops) é uma serpente comum no Brasil. Note a língua bipartida, característica dos escamados e relacionada ao olfato desses animais.

Crocodilianos 

Esse grupo abrange cerca de 25 espécies atuais de jacarés, crocodilos, gaviais e caimãos. As principais características dos crocodilianos são o crânio alongado e a forte musculatura que movimenta as mandíbulas. São excelentes predadores. Dentre os répteis atuais, os crocodilianos são considerados o grupo evolutivamente mais próximo às aves, pois são os únicos que têm coração semelhante ao delas.

O jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) é comum nas beiras de rios e lagos da América do Sul. Na época da reprodução, constrói ninhos com gravetos e folhas. Esse animal já esteve na lista de espécies ameaçadas de extinção.

AVES 


Acredita-se que as aves tenham surgido há cerca de 150 milhões de anos, a partir de um grupo de dinossauros atualmente extintos. De fato, as aves têm características semelhantes às dos répteis. 
Algumas delas são: a presença de escamas, que nas aves estão presentes apenas nas pernas; o tipo de ovo, sendo que a casca do ovo das aves é calcária; a eliminação de urina concentrada, o que contribui para a economia de água e a redução do peso corporal. 

Fotografia de um fóssil de arqueoptérix, espécie extinta há cerca de 150 milhões de anos. Ela é considerada espécie de transição entre répteis e aves por apresentar tanto características de aves (penas) como de répteis (estrutura do esqueleto e dentes).


CARACTERÍSTICAS GERAIS 

As adaptações ao voo são as características principais das aves. Os membros anteriores são modificados em asas, e o corpo é revestido por penas leves e resistentes, formadas por que ratina, que possibilitam o voo e ajudam a manter a temperatura corporal elevada, essencial para voar. 

O esquema mostra algumas partes da estrutura de uma pena. (Representação sem proporção de tamanho


As aves são homeotérmicas, ou seja, sua temperatura corporal é constante, independentemente da temperatura do ambiente. O esqueleto é formado por ossos pneumáticos, ocos, leves e resistentes, o que diminui o peso corporal. A porção da coluna vertebral que sustenta a cauda é curta. O bico substitui os ossos das mandíbulas e os dentes, contribuindo para a redução do peso. O formato do bico é muito variável entre as espécies e reflete seus hábitos alimentares. 

Representação do esqueleto de uma ave. A estrutura corporal reflete as adaptações ao voo. Note a cauda curta e a caixa torácica reforçada. A musculatura peitoral, que movimenta as asas, apoia-se na quilha, bem desenvolvida nas aves voadoras e reduzida nas corredoras. As pernas podem ser adaptadas para nadar, correr ou agarrar. 

As aves são dotadas de sistema nervoso bem desenvolvido, o que possibilita comportamentos sofisticados, como o voo, a construção de ninhos e os rituais de acasalamento. Os sistemas respiratório e circulatório são muito eficientes, garantindo o suprimento de gás oxigênio para as células e a manutenção do metabolismo em níveis elevados.

DIVERSIDADE DAS AVES 


As aves constituem o maior grupo de verte brados terrestres, com cerca de 10 mil espécies descritas até o momento. A maioria das aves é tipicamente voadora, mas algumas espécies se especializaram na natação, como os pinguins, e outras são corredoras, como as emas. 
Alguns beija-flores podem ter apenas 5 centímetros de comprimento, enquanto o avestruz pode chegar a 2,5 metros. Os cientistas dividem as aves em cerca de 30 subgrupos, alguns dos quais estão especificados nesta página: os galiformes, os passeriformes, os psitaciformes, os anseriformes e os falconiformes.

Galiformes

O grupo inclui as galinhas, os perus e outras aves domesticadas para fins de alimentação humana.

Gallus gallus, a galinha doméstica.

Passeriformes 

Popularmente denominados pássaros, incluem bem-te-vis, canários, pardais, sabiás, entre outros.

O sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) alimenta-se de pequenos invertebrados e de frutas.

Psitaciformes 

São os papagaios, as araras e os periquitos. Têm bico muito forte, adaptado para comer sementes.

O papagaio-verdadeiro ou papagaio verde (Amazona aestiva) costuma ser visto em casais ou em bandos.

Anseriformes 

O grupo inclui os patos, os marrecos, os gansos e os cisnes, adaptados para nadar.

O pato-do-mato (Cairina moschata) alimenta-se de plantas aquáticas e de pequenos invertebrados.

Falconiformes 

É o grupo das aves de rapina, como águias e falcões. O gavião-real ou harpia (Harpia harpyja), uma das maiores aves de rapina do mundo, é uma espécie presente nas matas brasileiras.

MAMÍFEROS


Os mamíferos da atualidade podem ser encontrados em todos os ambientes. Existem espécies terrestres, arborícolas, fossoriais, de água doce, marinhas e voadoras, que ocupam desde as regiões tropicais até as zonas polares do planeta. Entre as características exclusivas dos mamíferos, as principais são o corpo total ou parcialmente coberto por pelos e a presença de glândulas mamárias, desenvolvidas nas fêmeas. 
Os mamíferos, assim como as aves, são animais endotérmicos. Sua respiração é pulmonar, e seu sistema circulatório também é semelhante ao das aves. 
O sistema nervoso dos mamíferos inclui um cérebro bem desenvolvido, e esses animais têm grande aptidão para a aprendizagem e são capazes de modificar seu comportamento, adaptando-se a diversas situações. Muitos vivem em grupos e sociedades, o que exige boa capacidade de comunicação. 
Os órgãos sensoriais são bem desenvolvidos. A pele dos mamíferos apresenta glândulas secretoras, como as glândulas sebáceas e as glândulas mamárias. A fecunda ção desses animais é interna, e o desenvolvimento embrionário ocorre no útero materno na maioria das espécies.

O mamute-lanoso (Mammuthus primigenius), mamífero pré-histórico, foi extinto há cerca de 5 600 anos. O esqueleto da foto está em exibição no Museu Estadual da Pré-História, na Alemanha.  

LOCOMOÇÃO E SUSTENTAÇÃO 


Os mamíferos em geral são quadrúpedes, e seus membros são dispostos perpendicularmente ao corpo. As articulações da coluna vertebral participam, com os membros, da locomoção. O tamanho e o formato dos membros variam bastante: 
Membros alongados: Cavalos, antílopes e outros mamíferos corredores e saltadores apoiam apenas os dedos ou suas extremidades no solo. As unhas podem ser modificadas em cascos, como nos herbívoros, ou em garras, como nos carnívoros. 
Nadadeiras: Mamíferos aquáticos têm os membros em for ma de nadadeiras. Em alguns casos, como nos golfinhos e nas baleias, os membros posteriores são bastante reduzidos. Asas: Nos morcegos, os membros anteriores têm forma de asas e são adaptados ao voo, enquanto os membros posteriores são adaptados para agarrar. 
Polegares opositores: O dedo polegar, em muitas espécies, realiza um movimento oposto aos demais dedos, o que lhes per mite agarrar objetos com firmeza. Nos primatas em geral, isso ocorre nas quatro extremidades dos membros; nos humanos, apenas nos membros anteriores.

DENTIÇÃO 


Os mamíferos têm dentes especializados em diferentes funções: molares (dentes que trituram), incisivos (dentes que cortam) e caninos (dentes que rasgam). A dentição reflete o hábito alimentar de cada espécie.

Nos carnívoros, os três tipos de dente estão presentes, mas os caninos, usados como garras, são mais desenvolvidos.

Nos herbívoros, os incisivos são usados para cortar folhas, e os molares, para triturá-las. Os caninos são reduzidos ou ausentes.

DIVERSIDADE DOS MAMÍFEROS 


Os mamíferos originaram-se de um grupo de répteis, há mais de 160 milhões de anos. O grupo expandiu-se há cerca de 60 milhões de anos, e, atualmente, são conhecidas cerca de 5,5 mil espécies de mamíferos. Dessas, cerca de 700 es tão no Brasil. De acordo com características relacionadas ao modo de desenvolvimento dos embriões, os mamíferos são classificados em três grupos.

Monotremados 

Os monotremados apresentam características semelhantes às dos mamíferos ancestrais. Não têm placenta – órgão que une a mãe ao feto – e são ovíparos. Nas fêmeas, as glândulas mamárias são desenvolvidas. Atualmente, existem três espécies de monotremados: o ornitorrinco e duas espécies de equidnas.

Marsupiais 

Os mamíferos marsupiais e os placentários têm um ancestral comum e compartilham uma série de características, como a viviparidade. O marsúpio é uma bolsa localizada no ab dome das fêmeas, na qual os embriões completam seu desenvolvimento e onde estão as glândulas mamárias. São exemplos de marsupiais os cangurus, os coalas, o gambá e a cuíca.

Placentários 

Os mamíferos placentários são o grupo mais numeroso e diversificado de mamíferos. São divididos em 24 grupos, en tre eles os quirópteros (morcegos), os cetáceos (como botos, golfinhos e baleias), os carnívoros (como ursos, cães e gatos) e os primatas (macacos e seres humanos).


Animais invertebrados

Os invertebrados correspondem a mais de 95% das espécies conhecidas de animais. Eles apresentam uma grande diversidade, com representantes de forma e tamanho variados, e são encontrados em praticamente todos os ambientes do planeta. Para classificar essa diversidade, muitos critérios são utilizados, principalmente o tipo de organização corporal. 
Assim, os grupos são formados, em geral, por organismos mais assemelhados, que compartilham características exclusivas do grupo. É importante considerar que a semelhança pode refletir o grau de parentesco e a existência de um ancestral comum entre os seres.

SIMETRIA 


A simetria corporal é determinada quando o corpo de um ser vivo é dividido por um plano imaginário que passa pelo seu eixo central, resultando em duas partes iguais. Se o corpo é dividido por um único plano, a simetria é bilateral; se ele puder ser dividido em vários planos, a simetria é radial. 
Várias características do animal, como a locomoção, estão relacionadas ao seu tipo de simetria. Em geral, organismos que se locomovem livremente apresentam simetria bilateral, e animais sésseis, ou seja, que vivem presos a um substrato, apresentam simetria radial.
Portanto, o tipo de simetria é um dos critérios utilizados na classificação dos animais.
(A)

(B)
(A) A anêmona-do-mar apresenta simetria radial. Note que há mais de um plano de corte produzindo duas metades iguais. (B) A lagosta é bilateralmente simétrica, ou seja, apenas um plano de corte a divide em duas metades iguais. 

PORÍFEROS 


Popularmente conhecidos como esponjas, os poríferos são encontrados apenas em ambientes aquáticos, especialmente em águas salgadas. São conhecidas cerca de 8 mil espécies desse grupo. 
Esponjas do gênero Agelas sp. no litoral de Honduras, na América Central.

O nome do grupo se refere à presença de inúmeros poros na parede corporal desses animais. O formato do corpo varia bastante; os mais simples assemelham-se a um vaso. Não há
órgãos ou tecidos verdadeiros.
Os adultos não se locomovem e, geralmente, vivem presos a um substrato, como rochas ou recifes de coral.

CNIDÁRIOS 


Os cnidários são animais aquáticos com estrutura corporal bastante simples, mas possuem agrupamentos de células semelhantes entre si, organizadas em tecidos verdadeiros. 
O nome do grupo se refere à presença de cnidócitos, células que liberam toxinas com funções de defesa e captura de alimentos. São conhecidas cerca de 10 mil espécies de cnidários, que apresentam duas formas básicas: medusas e pólipos. 
Os pólipos geralmente vivem presos a um substrato, ao passo que as medusas podem se locomover livremente. Muitos cnidários têm alternância entre as duas formas corporais durante seu ciclo de vida, mas algumas espécies apresentam exclusivamente uma dessas formas. 
O corpo dos cnidários apresenta uma pare de corporal delimitando a cavidade gastrovascular, que se abre em uma boca. Os tentáculos, geralmente localizados ao redor da boca, são prolongamentos da parede corporal. Não há um esqueleto sustentando o corpo.
Células nervosas coordenam o movimento dos tentáculos, que capturam as presas. Os cnidócitos, abundantes nos tentáculos, liberam toxinas que podem paralisar e até matar a presa. Uma vez dentro do corpo, o alimento é digerido parcialmente na cavida de gastrovascular. A digestão é finalizada no interior de células especiais, e os resíduos da digestão são eliminados pela boca. 
As trocas gasosas dos cnidários são feitas diretamente pelas células corporais.
Anêmona da espécie Bolocera tuediae, um exemplo de pólipo. 


Água-viva da espécie Olindias formosus, um exemplo de medusa.


PLATELMINTOS 


Os platelmintos têm corpo maciço e achatado. Seu tamanho varia de 1 milímetro a vários metros de comprimento, dependendo da espécie. 
Como outros invertebrados alongados e de corpo mole, são popularmente conhecidos como vermes. São animais com simetria bilateral. O sistema nervoso dos platelmintos é pouco desenvolvido. Em geral, apresentam tubo digestório incompleto, sem ânus. Algumas espécies são parasitas e não têm sistema digestório, absorvendo nutrientes direta mente do hospedeiro. 
As trocas gasosas ocorrem diretamente entre as células e o meio externo. Os platelmintos não têm esqueleto. 
A sustentação é feita pelos músculos da parede do corpo e pelos líquidos internos. A locomoção em geral é feita por rastejamento.
Há cerca de 20 mil espécies conhecidas de platelmintos, a maioria de vida livre, habitando ambientes aquáticos ou ambientes terrestres úmidos. Alguns platelmintos são parasitas e vivem no corpo de animais hospedeiros. 
A tênia e o esquistossomo são platelmintos parasitas de humanos. Para se prevenir contra as doenças causadas por esses animais, é fundamental a adoção de medidas de saneamento básico e hábitos adequados de higiene e preparo dos alimentos.

As planárias do gênero Diversibipalium sp. são terrestres.


NEMATÓDEOS 


Assim como os platelmintos, os nematódeos são popular mente conhecidos como vermes. Eles têm o corpo alongado e cilíndrico, com uma cavidade interna cheia de líquido. Atual mente, são conhecidas cerca de 25 mil espécies de nematódeos. 
As espécies podem ser de vida livre e viver em ambientes aquáticos ou em ambientes terrestres úmidos. Algumas espécies são parasitas de outros animais ou plantas. A lombriga (Ascaris lumbricoides), causadora da ascaridíase, e o Ancylostoma duodenale, causador da ancilostomose, são exemplos de nemátodos parasitas do ser humano.

A lombriga pode atingir mais de 30 cm de comprimento.

Parte anterior do corpo do Ancylostoma. As estruturas pontiagudas na boca permitem a fixação desse animal no intestino humano. Foto ao microscópio eletrônico, imagem colorizada, aumento de cerca de 200 vezes.


Os nematódeos têm simetria bilateral. Na região anterior do corpo, encontram-se um anel nervoso, que desempenha funções semelhantes a um cérebro pouco desenvolvido, e os principais órgãos sensoriais. O tubo digestório é completo, com duas aberturas: boca e ânus. Os gases respiratórios atravessam diretamente a parede corporal. 
O corpo é recoberto por um tecido flexível e resistente chamado cutícula. A parede do corpo apresenta músculos que permitem os movimentos e a locomoção. A sustentação é feita em conjunto pela cutícula, pelos músculos e pela cavidade corporal. 

INVERTEBRADOS MAIS COMPLEXOS


MOLUSCOS 


Os moluscos são animais de corpo mole, geralmente cober to por uma concha rica em calcário. A concha é produzida por uma camada de células, chamada manto, que envolve o corpo desses animais. Em algumas espécies, a concha pode ser interna, ou mesmo estar ausente. 
O grupo dos moluscos é formado por mais de 90 mil espécies, encontradas principalmente em ambientes marinhos, mas também em ambientes terrestres e de água doce. Os biólogos reconhecem a existência de sete subgrupos, dos quais serão apresentados os três mais conhecidos.

GASTRÓPODES 


Maior grupo entre os moluscos. A maioria dos gastrópodes é coberta por uma concha externa e espiralada, como os caracóis e os caramujos. Algumas espécies aquáticas e terrestres não têm concha e são popularmente denominadas lesmas. A cabeça é bem desenvolvida e a boca apresenta uma estrutura para raspar o ali mento, denominada rádula. A locomoção é feita por rastejamento.


Os escargots (Helix aspersa) são exemplos de gastrópodes comestíveis. Muitas espécies de moluscos são de interesse econômico, por seu uso na alimentação, por seus impactos na
agricultura, entre outros fatores.

Anatomia interna Apesar da variedade de formas, há um padrão na organização corporal dos gastrópodes, com três regiões: cabeça, massa visceral e pé. Vamos usar um caracol como exemplo. O tubo digestório é completo, com boca e ânus, e os hábitos ali mentares são muito variados: há espécies filtradoras, herbívoras e algumas são predadoras eficientes. 
O sistema nervoso é formado por um anel nervoso, que funciona como um cérebro, nervos e órgãos sensoriais e pode ser muito desenvolvido em alguns grupos, especialmente nos predadores. 
O sistema circulatório é formado por coração e vasos sanguíneos, e o sistema respiratório pode ser branquial nas espécies aquáticas e pulmonar nas espécies que vivem em ambientes terrestres.

BIVALVES 


Os bivalves são moluscos aquáticos. Suas conchas são formadas por duas partes, articuladas entre si. Em geral, vivem fixos a um substrato, onde filtram a água para alimentar-se. Alguns conseguem se locomover expulsando a água do corpo, de forma que o jato de água impulsione o animal. As ostras, os mexilhões e os mariscos pertencem a esse grupo.

Mexilhões do gênero Mytilus sp. são bivalves que vivem presos às rochas na zona de arrebentação das ondas do mar.

A lula-mansa (Loligo forbesii) é uma das espécies de cefalópodes usadas na alimentação humana. 

CEFALÓPODES 


Os cefalópodes constituem um grupo exclusivamente marinho, do qual fazem parte os polvos, as lulas, as sépias e os náutilos. Dota dos de cérebro bem desenvolvido, esses animais são predadores e excelentes nadadores. Podem não ter concha ou apresentar concha reduzida e interna. O pé dos cefalópodes é modificado em tentáculos ou em braços. Muitas espécies são conhecidas pela capacidade de mudar de cor, confundindo-se com o substrato. 

ANELÍDEOS 


Os anelídeos são um grupo de animais que podem ser encontrados em ambientes aquáticos (marinhos e de água doce) e terrestres. O corpo desses animais é dividido em anéis, característica que dá nome ao grupo. O corpo da maioria das espécies é alongado e cilíndrico, coberto por cerdas – estruturas pontiagudas que auxiliam na locomoção e na defesa desses animais. Existem cerca de 17 mil espécies de anelídeos conhecidas, a maioria de vida livre. Minhocas, poliquetos e sanguessugas são exemplos de anelídeos.
Via de regra, os anelídeos são filtradores ou comedores de detritos. A minhoca, por exemplo, se alimenta do material orgânico presente na terra que ela ingere enquanto cava galerias no solo. 
Entre o tubo digestório e a parede corporal dos anelídeos, há uma cavidade cheia de líquido. Quando a musculatura se contrai, o líquido é pressionado, deixando o corpo do animal túrgido – como um balão cheio de ar. Essa turgidez e o apoio oferecido pelas cerdas favorecem sua locomoção. 
O sistema circulatório dos anelídeos é fechado, ou seja, o líquido corporal é bombeado pelo coração diretamente para os vasos sanguíneos e retorna ao coração. As trocas gasosas ocorrem pelas brânquias, nas espécies aquáticas, ou diretamente pela superfície corporal, nas espécies terrestres.

Alitta virens, um poliqueto marinho. Os poliquetos são um grupo de anelídeos aquáticos que têm muitas cerdas na lateral do corpo. A maioria das espécies rasteja no fundo arenoso ou enterra-se na areia.

ARTRÓPODES 


Os artrópodes formam o grupo mais diversificado de animais: são conhecidas mais de 1 milhão de espécies. Artrópode significa “pés articulados”. São características desse grupo a presença de: 
•esqueleto externo formado por quitina, um material im permeável e resistente que protege o corpo e fornece sus tentação para a musculatura do animal; 
•pernas articuladas, que atuam como alavancas, tornando a locomoção muito eficiente. 
Os artrópodes têm tubo digestório completo, simetria bilateral e sistema nervoso e sensorial bem desenvolvidos. O sistema circulatório é aberto, e a respiração pode variar de traqueal a branquial, dependendo do ambiente em que vivem.

CRUSTÁCEOS 


Os crustáceos apresentam exoesqueleto rígido, impregna do por cálcio, e corpo geralmente dividido em duas regiões: o cefalotórax – união entre a cabeça e o tórax – e o abdome. Esses animais têm dois pares de antenas e um número variável de pernas. 

Representação da estrutura corpórea do camarão. As pernas desse animal se distribuem na região cefalotorácica e na região abdominal.

Camarões, pitus, lagostas e siris são exemplos de crustáceos aquáticos. Os tatuzinhos-de-jardim e alguns caranguejos são exemplos de crustáceos terrestres. Todos respiram por brânquias. 
Os crustáceos têm hábitos alimentares variados: há espécies predadoras, espécies que se alimentam de detritos e espécies que se fixam a rochas, animais ou embarcações e filtram o alimento da água. 
Já os microcrustáceos vivem suspensos na água dos mares e dos oceanos e podem alimentar-se de algas, de microrganismos e de partículas em suspensão. 

INSETOS 


São conhecidas cerca de 1 milhão de espé cies de insetos, a maioria vivendo em ambientes terrestres. O corpo dos insetos é tipicamente dividido em três partes: cabeça, tórax e abdo me. Características como asas, exoesqueleto quitinoso e impermeável, pernas articuladas e respiração traqueal representam eficientes adaptações para a vida terrestre. 
Os insetos exploram vários recursos alimentares, como madeira (cupins e besouros), folhas (formigas e grilos), detritos (besouros), líquidos corporais de animais (mosquitos, pulgas e piolhos) e de plantas (pulgões), néctar e pólen (abelhas e borboletas). Também há insetos carnívoros (joaninhas e louva-a-deus, entre outras).

Um inseto típico tem cabeça com olhos, aparelho bucal e um par de antenas. O tórax apresenta três pares de pernas e dois pares de asas. Alguns insetos, como as pulgas, não têm asas. Outros têm apenas um par de asas, como as moscas.

Durante seu desenvolvimento, algumas espécies de insetos passam por um ciclo de transformações corporais, a metamorfose. Assim, ocorrem três tipos de desenvolvimento nos insetos: 

metamorfose completa – do ovo eclode uma larva semelhante a um verme segmentado. Após um período de crescimento, a larva tece um casulo, se transforma em pupa e passa por uma profunda transformação, que resulta no indivíduo com a forma adulta. Borboletas, formigas e abelhas, por exemplo, passam por esse tipo de desenvolvimento. 

 • metamorfose incompleta – observada em baratas e libélulas, por exemplo. Os indivíduos jovens, denominados ninfas, eclodem dos ovos. São semelhantes aos adultos, porém desprovidos de asas e imaturos para a reprodução. Após um período de crescimento, as ninfas adquirem a forma adulta. 

desenvolvimento direto – ocorre nas traças. Não há estágio larval nem metamorfose. Do ovo, eclode um animal jovem, com formato corporal semelhante ao do adulto.

Representação dos tipos de desenvolvimento dos insetos. 

ARACNÍDEOS 


Aranhas, escorpiões, ácaros e carrapatos são os aracnídeos mais conhecidos. O corpo dos aracnídeos é dividido emcefalo tórax – ao qual se prendem quatro pares de pernas – e abdome. Os aracnídeos não têm antenas nem asas. 
 
Nephila clavipes, ou aranha-de-teia-dourada, comum nas cidades brasileiras. As teias são tecidas com fios de seda produzidos no abdome.

 
Escorpiões do gênero Tityus sp., como o da foto, são responsáveis por muitos acidentes com aracnídeos no Brasil.

Muitas espécies de aranhas constroem teias, que podem ser usadas para capturar presas ou envolver os ovos, por exemplo. As aranhas em geral são peçonhentas, ou seja, produzem veneno e são capazes de injetá-lo nas vítimas, mas poucas espécies, como a aranha-marrom, a viúva-negra e a aranha-armadeira, representam risco para o ser humano. 
Os escorpiões têm o abdome segmentado com um aguilhão na extremidade, que é usado para injetar veneno nas presas que eles caçam ativamente, em geral pequenos artrópodes. Os ácaros e carrapatos têm o abdome fundido ao cefalotórax. Embora alguns ácaros sejam inofensivos, muitas espécies são parasitas, como é o caso do carrapato-estrela, transmissor da febre maculosa. Ácaros microscópicos que vivem em meio à poeira das casas podem causar alergias respiratórias. 

MIRIÁPODES 


Os miriápodes são artrópodes com o cor po dividido em cabeça e tronco. Na cabeça, há um par de antenas e, em geral, olhos simples. As lacraias têm o corpo achatado e um par de pernas por segmento do tronco. Os gongolos ou piolhos-de-cobra têm o corpo cilíndrico e dois pares de pernas por segmento do tronco. 

Lacraias, como a da espécie Scolopendra polymorpha, são predadoras velozes que caçam ativamente larvas e pequenos artrópodes.

EQUINODERMOS

 
O termo equinodermo significa espinhos na pele, uma das principais características dos animais desse grupo, composto de cerca de 7 mil espécies de animais marinhos. As estrelas-do-mar, as bolachas-da-praia e os ouriços-do-mar são seus representantes mais conhecidos.

São características dos equinodermos: 

• simetria radial nos adultos na maioria das espécies; 

• esqueleto interno calcário; 

• sistema de tubos cheios de líquido (sistema ambulacral ou hidrovascular). Os canais do sistema ambulacral ter minam em pés que se apoiam no substrato. O líquido no interior dos canais pode ser bombeado para os pés, que se movimentam, permitindo o deslocamento do animal; 

• sistema nervoso formado por um anel de nervos em torno da boca, de onde partem nervos para as várias regiões do corpo do animal. Células sensíveis ao tato, à luminosidade e a certas substâncias químicas podem estar presentes na superfície corporal.

Esquema que representa a organização corporal de um ouriço-do-mar.

O hábito alimentar dos equinodermos é variado: as estrelas-do-mar, por exemplo, são predadoras de ostras e mexilhões, ao passo que os ouriços são herbívoros. Em geral, a boca desses animais situa-se na superfície que está em contato com o substrato, e o ânus situa-se na superfície corporal oposta. 
O desenvolvimento embrionário dos equinodermos apresenta semelhanças com o desenvolvimento dos animais vertebra dos, o que sugere que o grau de parentesco entre esses dois grupos pode ser maior do que o observado entre os vertebrados e os outros invertebrados.




GRUPOS DE SERES VIVOS

O estudo das formas de vida que habitam o planeta gera uma grande quantidade de informações. Para facilitar o acesso a essas informações, os...