O estudo das formas de vida que habitam o planeta gera uma grande quantidade de informações. Para facilitar o acesso a essas informações, os seres vivos são organizados em grupos de acordo com suas características ou padrões. Esse processo de categorização é chamado de classificação biológica.
No dia a dia, quando nos referimos a alguns seres vivos, geralmente utilizamos nomes populares, como cachorro, gato, laranjeira, minhoca e cogumelo. No
entanto, os nomes populares podem variar de acordo com a região ou o país,
por exemplo. Por isso, os cientistas estabeleceram um padrão de nomes para ser
utilizado mundialmente e facilitar a identificação das espécies.
Além disso, a padronização da nomenclatura científica tem como objetivo atribuir um único nome a cada espécie, além de trazer informações sobre ela, sua
história evolutiva e mesmo o histórico de sua descoberta.
Os cientistas que trabalham com a classificação biológica são os sistematas. Eles classificam os seres vivos em grupos e criam nomes científicos adequados para cada um deles.
Para separar os seres vivos em grupos, são usados diversos critérios, como as semelhanças. Para encontrar semelhanças, compara-se não apenas o aspecto exterior, mas principalmente a estrutura corporal – células, tecidos e órgãos –, sua composição química e mesmo o material hereditário.
O agrupamento básico para a classificação dos seres vivos é a
espécie. Diversas definições para espécie já foram criadas. Utilizamos a definição de espécie biológica: um grupo de
seres vivos que consegue cruzar entre si e se reproduzir, gerando
descendentes férteis.
O NOME CIENTÍFICO
Cada idioma tem uma palavra própria para se referir a um
determinado ser vivo. O cavalo, por exemplo, é horse em inglês,
Pferd em alemão, cheval em francês e caballo em espanhol. Os
nomes também variam de acordo com a região do país: por
exemplo, no Brasil, os nomes mandioca, aipim, macaxeira e maniva são usados para se referir à mesma planta.
Entretanto, nos trabalhos científicos, é necessário se referir
a uma espécie de um modo que pesquisadores de todo o mundo
entendam. Por isso, os cientistas usam o nome científico para
definir a espécie. O nome científico do cavalo, por exemplo, é
Equus caballus, enquanto o da mandioca é Manihot esculenta.
Pesquisadores de qualquer parte do mundo podem utilizar es
ses nomes para se referir a esses organismos.
Veja a seguir as normas que devem ser usadas para criar e
escrever um nome científico.
• Os nomes científicos devem ser escritos em itálico ou sublinhados, sempre em latim.
• O nome de cada espécie é composto de duas palavras,
por isso essa forma de nomear as espécies é denominada
sistema binomial.
• A primeira palavra deve indicar o gênero, e a segunda é
chamada epíteto específico.
• O nome do gênero deve iniciar com letra maiúscula, enquanto o epíteto da espécie deve ser escrito com letras
minúsculas.
Ao escrever em sequência o nome de vários organismos que
pertencem ao mesmo gênero, a primeira palavra (correspondente ao nome do gênero) pode ser abreviada a partir da segunda citação. Por exemplo: laranjeira (Citrus sinensis), cidreira
(C. medica) e pé de tangerina (C. reticulata).
O sistema binomial foi elaborado pelo naturalista sueco
Carolus Linnaeus (1707-1778) – ou simplesmente Lineu – em
1735.
Na época de Lineu, o latim era a língua universal do ensino no mundo ocidental e os trabalhos científicos eram escritos
nesse idioma. Utilizando, portanto, a estrutura das palavras em
latim, Lineu adotou essa língua para criar os nomes científicos.
Categorias taxonômicas
Na classificação biológica, os seres vivos são organizados em categorias taxonômicas, como domínio, reino, filo, classe, ordem, família, gênero e espécie. Essas
categorias estabelecem níveis hierárquicos entre si.
O SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DE LINEU
O sistema binomial de Lineu é usado até hoje, mas com algumas modificações.
Nesse sistema, os seres vivos são agrupados em categorias
ou níveis de classificação. Cada categoria é um agrupamento
de organismos que apresentam uma ou mais características
em comum.
O sistema de classificação biológica atual utiliza as seguintes categorias ou níveis de classificação:
O reino é um conjunto
de filos.
Os animais fazem parte
do reino Animalia.
O filo é um conjunto de classes.
O filo dos cordados abrange todas as
classes de animais que desenvolvem
uma estrutura de sustentação
chamada notocorda. São exemplos
os mamíferos, os répteis e os peixes.
A classe é um conjunto de ordens.
A classe dos mamíferos reúne todas as ordens
de animais que produzem leite para alimentar
seus filhotes, como os carnívoros, os primatas
(macacos e humanos), os cetáceos (baleias) e
os quirópteros (morcegos).
A ordem é uma reunião de famílias.
A ordem dos carnívoros abrange
diversas famílias de animais que,
em geral, consomem carne na
sua alimentação. São exemplos os
felídeos e os canídeos.
As famílias são conjuntos
de gêneros.
A família dos felídeos reúne todos
os gêneros dos animais que
conhecemos popularmente como
felinos, como Panthera, Felis e Puma.
O gênero é um conjunto
de espécies.
O gênero Panthera inclui
espécies como Panthera onca
(onça), Panthera leo (leão) e
Panthera tigris (tigre).
Conjunto de organismos que se
reproduzem e geram descendentes férteis.
A espécie é a unidade básica da
classificação biológica. A onça-preta
(Panthera onca) é uma espécie encontrada
em vários biomas brasileiros.
REINOS E DOMÍNIOS
Diversos sistemas de classificação já foram adotados ao
longo do tempo, de acordo com diferentes critérios para for
mar os grupos.
As classificações mais antigas seguiam critérios que não representavam características específicas dos organismos, mas
sim de sua relação com o ser humano. Assim, os animais podiam ser classificados, por exemplo, como perigosos ou inofensivos, comestíveis ou venenosos.
Aristóteles, que viveu no século IV a.C., é considerado a primeira pessoa a empregar um sistema racional, usando características inerentes aos seres: os seres imóveis seriam as plantas,
enquanto os animais seriam os organismos móveis.
De acordo com a classificação de Aristóteles, os seres
vivos eram agrupados em dois grandes reinos: o vegetal
e o animal. Essa classificação foi desenvolvida com base
em alguns critérios, entre eles a capacidade de locomoção e o modo de nutrição dos seres vivos. O reino vegetal seria composto por seres vivos autótrofos e imóveis.
Já o reino animal, seria composto pelos seres vivos heterótrofos e com capacidade de locomoção.
Com o descobrimento de novas espécies e o aprofundamento dos estudos dos
seres vivos, os critérios desse sistema de classificação se tornaram insuficientes e
não abrangiam todos os seres vivos.
A invenção do microscópio no final do século XVI possibilitou a
descoberta de seres muito pequenos, que inicialmente também
foram classificados como animais ou plantas. No século XIX, o
reino Protista foi proposto para abrigar organismos que não se
adequavam nem ao reino das plantas nem ao dos animais.
No século XX, foram desenvolvidas novas técnicas e instrumentos de observação, o que possibilitou estudos mais
detalhados sobre as células e o metabolismo dos seres
vivos, por exemplo. Assim, novos critérios foram estabelecidos e uma nova proposta de classificação foi elaborada.
Em 1969, o biólogo estadunidense Robert H. Whittaker
(1920-1980) apresentou uma organização dos seres vivos em cinco reinos: Monera, Protista, Fungi, Plantae e
Animalia. Esse sistema se baseia em critérios como organização
celular e modo de obter alimento.
Posteriormente, em 1982, a proposta
dos cinco reinos sofreu algumas modificações, sugeridas pelas biólogas estadunidenses Lynn Margulis (1938-2011) e
Karlene Schwartz (1936-).
Graças às novas tecnologias, foi
possível, por exemplo, fazer a análise
de dados genéticos de moléculas que
formam as células dos seres vivos.
As análises genéticas possibilitaram que o microbiologista estadunidense Carl Woese (1928-2012) e sua
equipe propusessem, em 1977, uma classificação mais
abrangente que os reinos. Essa nova organização propôs que os seres vivos fossem organizados em três
domínios: Bacteria, Archaea e Eukarya.
Veja, a seguir, como os
organismos são agrupados segundo esse sistema.
BACTERIA ARCHAEA EUKARYA
↖ ⬆ ↗
seres vivos mais antigos
GRUPOS DE SERES VIVOS
A diversidade de seres vivos é muito grande e isso motivou o
desenvolvimento de sistemas de classificação.
A EVOLUÇÃO DOS SERES VIVOS
Um dos critérios mais utilizados atualmente para agrupar os
seres vivos é o parentesco evolutivo entre eles. Esse critério se
baseia na ideia de que as espécies se modificam ao longo do
tempo, um processo conhecido como evolução.
De acordo com as teorias evolutivas mais
aceitas atualmente, todos os seres vivos teriam
surgido de um organismo original, e novas espécies surgem a partir de espécies já existentes. Portanto, todas as espécies que existem
e já existiram apresentam alguma relação de
parentesco evolutivo, em maior ou menor grau.
A história da vida na Terra poderia ser representada como uma árvore ramificada. Na
base da árvore, estaria o ancestral comum de
todos os seres vivos. Ao longo do tempo, surgiriam ramificações nessa árvore, ou seja, diferentes espécies ou grupos de seres vivos.
As novas formas de vida bem-sucedidas
deixariam descendentes. Outras, não tão bem-sucedidas, en
trariam em extinção. Assim, na árvore dos seres vivos haveria
ramos com representantes atuais e outros que só poderiam
ser reconhecidos em formas fósseis, isto é, que já não existem
na atualidade.
(A)
(B)
Por muito tempo, as garças (Ardea alba) (A) e os tuiuiús (Jabiru mycteria) foram classificados na mesma ordem.
Porém, após uma série de estudos sobre o material genético desses animais, os cientistas concluíram que é mais
correto classificar os tuiuiús na mesma ordem dos pelicanos (Pelecanus onocrotalus) (B).
Atualmente, todos os estudos sobre a classificação dos seres
vivos levam em consideração aspectos evolutivos. Por isso, novas descobertas e pesquisas podem alterar a classificação das
espécies e até mesmo criar ou descartar agrupamentos.
Classificação em domínios e reinos
Atualmente, existem outras propostas de classificação, com diferentes grupos e
quantidades de reinos. Nesta coleção, vamos nos basear na classificação em três
domínios e em seis reinos, como proposto por Woese e sua equipe.
Domínio Archaea e reino Archaea
O domínio Archaea contém um único reino, o Archaea,
agrupando microrganismos procariontes unicelulares,
com membrana plasmática e parede celular com composição diferente das bactérias.
Os seres vivos desse domínio, em muitos casos, vivem
em condições extremas, como ambientes com altíssima
concentração de sal e altas temperatura.
Domínio Bacteria e reino Eubacteria
O domínio Bacteria contém um único reino, o
Eubacteria, formado pelas bactérias conhecidas atual
mente. Fazem parte desse reino indivíduos procariontes
unicelulares.
Domínio Eukarya
O domínio Eukarya inclui seres vivos eucariontes, que podem ser unicelulares
ou pluricelulares. Fazem parte desse domínio quatro reinos: Protoctista, Fungi,
Plantae e Animalia.
Reino Protoctista
Os organismos que compõem o reino Protoctista são bastante diversos. Basicamente, é possível organizar os integrantes deste reino em dois grupos com
características distintas: os protozoários e as algas.
Os protozoários são seres vivos eucariontes,
unicelulares e heterótrofos. Eles apresentam
formato do corpo e modos de locomoção
bastante variados, como por meio de cílios e
flagelos.
Já as algas são autótrofas e podem ser
unicelulares ou pluricelulares. Apesar de
poderem ser compostas por mais de uma
célula, as algas pluricelulares não formam
tecidos.
Reino Fungi
O Reino Fungi é formado pelos fungos,
que são seres vivos eucariontes unicelulares ou pluricelulares. Todos os representantes desse reino são heterótrofos.
Como exemplo de fungos unicelulares,
podemos citar as leveduras.
Os fungos pluricelulares, como
mofos, bolores e cogumelos, possuem o corpo formado por estruturas chamadas hifas. O conjunto
de hifas é chamado micélio.
Alguns fungos apresentam hifas
responsáveis pela reprodução, as
quais formam o corpo de frutificação.
Reino Plantae
O reino Plantae é formado por plantas, que são seres vivos eucariontes, pluricelulares e, em sua maioria, autótrofos. As plantas apresentam células especializadas, que podem formar tecidos e órgãos.
A maioria das plantas apresenta sistemas de tecidos vegetais básicos: de revestimento, fundamental e vascular. O tecido de revestimento é aquele que reveste
e protege as plantas. Já o tecido fundamental atua na sustentação e no armazenamento de substâncias. Além disso, é nesse tipo de tecido que ocorre a maior
parte da fotossíntese. E o tecido vascular, também chamado condutor, é especializado no transporte de substâncias entre as partes da planta.
A associação de tecidos dá origem aos órgãos das plantas, como a folha, a raiz e o
caule. Esses exemplos de órgãos estão relacionados aos processos de manutenção e
crescimento das plantas e, por isso, são chamados órgãos vegetativos. Além destes,
as plantas podem apresentar órgãos relacionados ao processo de reprodução, como
a flor, o fruto e a semente. Por isso, esses órgãos são chamados órgãos reprodutivos.
As plantas são organizadas em quatro grandes grupos: briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas. Esses grupos se diferenciam, principalmente, pelo modo
de reprodução e pela estrutura do corpo de seus representantes.
Reino Animalia
O reino Animalia inclui organismos eucariontes, pluricelulares e heterótrofos.
Alguns representantes desse grupo não apresentam tecidos especializados, como
as esponjas. No entanto, a maioria apresenta organizações mais complexas, incluindo tecidos especializados, órgãos e sistemas.
Assim como nos demais grupos de seres vivos, o reino dos animais é subdividi
do em filos. Existem cerca de 35 filos nesse reino. A seguir, vamos estudar alguns desses filos.
Filo Porifera
Os poríferos, também conhecidos como
esponjas-do-mar, são animais aquáticos
que possuem grande quantidade de pequenos poros em seus corpos. Eles são
animais invertebrados, isto é, não possuem
coluna vertebral.
Algumas espécies de poríferos são de
água doce, mas a maioria é marinha. Os
adultos vivem fixos no fundo do mar ou no
fundo de lagos e podem ser encontrados
Esponja-do-mar: pode atingir
aproximadamente 10 cm de altura.
isolados ou agrupados, formando colônias. Colônia de esponjas-do-mar (Crella elegans).
Os poríferos não apresentam tecidos, órgãos ou sistemas especializados. Por
isso, os processos relacionados à digestão e à respiração, por exemplo, ocorrem no
interior das células. Além disso, o transporte de substâncias no corpo do animal é
feito de uma célula a outra.
Filo Cnidaria
Os cnidários são animais invertebrados aquáticos. A maioria deles vive no mar,
mas também existem espécies de ambientes de água doce.
O corpo dos cnidários pode ter
o formato de pólipo ou medusa. Os
pólipos, como a anêmona-do-mar,
apresentam formato tubular e, em
geral, vivem fixos no substrato. As
medusas, como as águas-vivas, têm
formato de guarda-chuva aberto e
são de vida livre.
Tanto os pólipos quanto as medusas apresentam tentáculos ao redor de uma abertura oral central.
Os cnidários apresentam boca e cavidade digestiva, na qual ocorre a digestão. O tubo digestivo desses animais é considerado incompleto, pois apesar de
apresentarem boca, não têm ânus. Esses animais não têm sistemas respiratório,
circulatório e excretor. Já a coordenação do corpo é feita por uma rede de células
nervosas. Observe a seguir a estrutura de um cnidócito.
Filo Platyhelminthes
Os platelmintos são vermes que apresentam o corpo alongado, achatado e
mole. Além disso, não possuem pernas.
Há espécies de platelmintos que vivem em
ambientes marinhos, na água doce e em hábitats terrestres. Além disso, há várias espécies que são parasitas de outros seres vivos,
podendo causar doenças.
Entre os representantes dos platelmintos,
podemos citar a planária, o esquistossomo
e a tênia.
Os platelmintos apresentam tubo digestório incompleto e a cavidade digestiva
distribui alimento pelo corpo. O oxigênio é absorvido pela pele e distribuído pelo
corpo de uma célula a outra.
Os representantes desse filo não têm sistemas respiratório nem circulatório.
Já o sistema nervoso é mais desenvolvido que nos cnidários.
O esquistossomo e a tênia são vermes que podem parasitar o corpo humano.
O esquistossomo, por exemplo, pode ser encontrado parasitando o intestino ou
o fígado humano.
As tênias, por sua vez, podem parasitar o corpo
de animais como bois, porcos e seres humanos.
As tênias adultas não possuem sistema digestório. Com auxílio das ventosas, elas se fixam à parede intestinal dos hospedeiros e, assim, absorvem os
nutrientes de que necessitam.
Filo Nematoda
Os nematódeos são vermes com corpo cilíndrico e extremidades afiladas.
Os representantes desse filo podem ser de vida livre, encontrados no solo
ou na água. Também podem parasitar plantas e outros animais, incluindo o
ser humano.
Diferentemente dos filos anteriores, os nematódeos possuem tubo digestório completo, ou seja, apresentam boca e
ânus, em extremidades opostas
do corpo. Geralmente, os nematódeos têm sexos separa
dos, apresentando indivíduos
macho e fêmea.
A lombriga é um exemplo
de nematódeo. Ela parasita o
intestino dos seres humanos e
causa uma doença conhecida
como ascaridíase.
O ancilóstomo é outro exemplo de nematódeo que parasita o intestino delgado
do ser humano. Esse verme causa uma doença chamada ancilostomose, que também pode ser causada pelo nematódeo Necator americanus.
Filo Annelida
Os anelídeos são animais invertebrados que têm o corpo mole, formado por
segmentos em forma de anéis e coberto por uma camada resistente, chamada
cutícula. Os representantes desse filo têm sistema digestório completo.
A maioria dos anelídeos possui cerdas na superfície do corpo. De acordo com
a presença ou ausência de cerdas e sua quantidade, os anelídeos podem ser divididos em três grupos: hirudíneos, oligoquetas e poliquetas.
Os hirudíneos não têm cerdas sobre o corpo e podem ser aquáticos ou terrestres. Os oligoquetas têm poucas cerdas por segmento do corpo e podem
ser encontrados em ambientes terrestres úmidos e de água doce. Os poliquetas
apresentam muitas cerdas por segmento do corpo e vivem no mar.
Filo Mollusca
Os moluscos são animais invertebrados encontrados tanto em ambientes
aquáticos quanto em ambientes terrestres úmidos. Eles têm corpo mole, geral
mente protegido por uma concha, que
é produzida pelo próprio animal. Essa
concha pode ser interna ou externa.
O caracol e o caramujo são exemplos
de moluscos que possuem concha externa. Já a lula é exemplo de molusco que
possui concha interna. Há também aqueles que não têm concha, como a lesma.
Os moluscos têm sistema digestório completo e estão divididos em várias
classes, entre elas gastrópodes, cefalópodes e bivalves.
Os gastrópodes apresentam pés bem desenvolvidos, localizados na região ventral do corpo. Esses moluscos são predominantemente marinhos, embora existam
algumas espécies que vivem em ambientes de água doce e terrestres.
Os cefalópodes são animais marinhos que se caracterizam por apresentar um
conjunto de braços ou tentáculos na região da cabeça. As lulas, por exemplo, têm
dez tentáculos com ventosas, sendo dois deles mais longos e relacionados à re
produção. O polvo e o náutilo também são exemplos de cefalópodes.
Alguns cefalópodes possuem uma pequena concha interna no formato de uma
pena, chamada gládio. As trocas gasosas nos cefalópodes ocorrem por meio de
brânquias.
Os bivalves possuem uma concha rígida composta de duas partes, chamadas
valvas. Esses animais vivem em água doce ou salgada. Em geral, as estruturas sensoriais e o pé se localizam nas extremidades do corpo. Os mexilhões e as ostras
são exemplos de bivalves.
Os bivalves podem ser carnívoros
ou onívoros, mas a maioria é filtradora, ou seja, se alimenta de partículas em suspensão na água. Nesses
animais, a água do ambiente é filtra
da nas brânquias, onde as partículas de alimento ficam retidas. Nas
brânquias também ocorrem as trocas gasosas da maioria dos bivalves.
Filo Arthropoda
Os artrópodes podem ser encontrados em diversos hábitats aquáticos e terrestres. Os integrantes desse grupo apresentam apêndices articulados ligados ao
corpo, como antenas, asas e pernas.
Os artrópodes têm o corpo revestido por uma estrutura externa rígida, de
nominada exoesqueleto ou cutícula. Essa estrutura protege o animal e diminui a
perda de água para o meio externo, por exemplo.
O exoesqueleto limita o crescimento
dos artrópodes. Por isso, quando precisam aumentar de tamanho, eles eliminam
o antigo e produzem um novo e maior. O
novo exoesqueleto é inicialmente flexível
e depois se torna rígido. Esse processo de
troca de exoesqueleto é chamado muda
ou ecdise.
De acordo com a organização do corpo, os artrópodes podem ser divididos
em diferentes grupos, como insetos, miriápodes, crustáceos e aracnídeos. A seguir,
vamos estudar esses grupos de artrópodes.
Insetos
O corpo dos insetos é dividido em três partes: cabeça, tórax e abdome. Além
disso, os insetos têm três pares de pernas ligadas ao tórax e algumas espécies
podem ter asas. Na cabeça, há um par de antenas e outro de olhos, além das
estruturas bucais.
As antenas são apêndices relacionados à percepção de estímulos do ambiente,
como ondas sonoras, superfícies e até mesmo de substâncias químicas presentes
no ambiente. Já as estruturas bucais estão relacionadas à alimentação.
Os insetos têm alguns sistemas que desempenham funções especializadas no
organismo.
O sistema digestório, por exemplo, é do tipo completo e inclui órgãos como
faringe, papo, esôfago, estômago e intestino.
Insetos, como abelhas e gafanhotos, apresentam respiração traqueal, ou seja,
realizada por meio de traqueias.
O sistema circulatório dos insetos é formado por um coração e alguns vasos. No
interior desses vasos, circula um líquido chamado hemolinfa, que transporta, por
exemplo, os nutrientes provenientes da digestão para as diferentes regiões do corpo.
Os insetos têm várias células nervosas na região da cabeça, formando um gânglio
cerebral. Desse gânglio parte um cordão nervoso ventral. O sistema nervoso dos
insetos capta estímulos do ambiente e gera respostas a eles, além de atuar na
coordenação dos órgãos e na locomoção.
Miriápodes
Os miriápodes possuem o corpo segmentado,
dividido em cabeça e tronco.
O tronco é alongado e cada um de seus seg
mentos possui um ou dois pares de pernas. A
cabeça apresenta um par de antenas e outro de
olhos, que captam estímulos do ambiente. Além
disso, há peças bucais, na cabeça, que auxiliam
na alimentação. As lacraias e os piolhos-de-cobra
são exemplos de miriápodes.
Assim como os insetos, os miriápodes possuem respiração traqueal.
Crustáceos
Os caranguejos, as lagostas, os camarões,
as cracas e os tatuzinhos-de-jardim são exemplos de crustáceos.
A maior parte das espécies de crustáceos
é marinha.
O exoesqueleto desses animais se
caracteriza por ser mais endurecido que o
dos demais artrópodes, formando uma carapaça rígida.
Aracnídeos
Os aracnídeos são representados pelas aranhas, escorpiões, ácaros e carrapatos.
Os aracnídeos não têm antenas. A respiração desses artrópodes pode acontecer
por meio de pulmões ou traqueias.
Em algumas espécies de menor tamanho, como
os ácaros, as trocas gasosas ocorrem pela superfície do corpo. O sistema circulatório desses artrópodes transporta nutrientes e gases relacionados à respiração.
A maioria dos aracnídeos é predadora e tem estruturas para a inoculação de
veneno em suas presas. Agora, vamos conhecer algumas estruturas internas de
uma aranha.
Filo Equinodermata
Os equinodermos, como a estrela-do-mar e o
ouriço-do-mar, são invertebrados marinhos. Algumas espécies desse grupo são fixas, enquanto
outras se locomovem no substrato dos oceanos.
Os equinodermos apresentam um esqueleto
interno, chamado endosqueleto. Ele é formado
por placas calcárias rígidas, que podem ser fixas
ou móveis, e protege os órgãos internos, dando
sustentação ao corpo desses animais. Em algumas
espécies, esse esqueleto forma projeções que
aparecem na superfície do corpo, na forma de
espinhos.
Os equinodermos possuem o chamado sistema ambulacrário. Esse sistema é
formado por um conjunto de canais internos, de onde partem projeções para a
superfície externa do corpo, chamadas pés ambulacrais.
O sistema ambulacrário é utilizado pelos equinodermos na locomoção, na respiração, na captura do alimento e na percepção de estímulos químicos e táteis no
ambiente. Em algumas espécies de equinodermos, a respiração também ocorre
por meio de brânquias.
Filo Chordata
O nome cordados vem da presença
da notocorda, que é uma estrutura
longitudinal de sustentação e que
se localiza no dorso dos embriões
dos cordados. Em alguns animais,
ela se mantém durante toda a sua
vida e, em outros, ela pode desaparecer durante o desenvolvimento
embrionário do organismo.
A seguir, vamos iniciar o estudo de alguns grupos de animais vertebrados,
isto é, que apresentam coluna vertebral. Iniciaremos esse estudo pelos peixes.
Peixes
Os peixes habitam ecossistemas aquáticos e podem viver sozinhos ou em gr pos, formando cardumes. A maioria das espécies de peixes possui nadadeiras.
Além disso, algumas espécies podem ter o corpo coberto por escamas, enquanto
outras têm o corpo coberto por uma pele grossa.
Muitas espécies de peixes têm a vesícula gasosa, também conhecida como bexiga natatória. Essa estrutura é preenchida com gases e atua, principalmente, no
controle da flutuabilidade do animal.
O sistema digestório dos peixes é formado por boca, faringe, esôfago, estômago, intestino e ânus ou cloaca, em certas espécies. Na boca, geralmente são
observados dentes e uma língua fixa. Além dessas estruturas, os peixes têm fígado,
vesícula biliar e pâncreas, que auxiliam na digestão dos alimentos, por exemplo.
Os peixes apresentam sistemas circulatório e respiratório. Na maioria das espécies de peixes a respiração ocorre por meio de estruturas chamadas brânquias.
Existem espécies de peixes que possuem pulmões e, por isso, são capazes de
absorver o gás oxigênio do ar atmosférico. Essas espécies são conhecidas como
peixes pulmonados, como a piramboia.
Para respirar, os peixes pulmonados sobem até a superfície da água e engolem o ar atmosférico, que chega aos pulmões. Nesses órgãos ocorre a absorção do gás oxigênio. Além dos pulmões, os peixes pulmonados também
apresentam brânquias.
Anfíbios
Sapos, rãs, salamandras e cobras-cegas são
exemplos de anfíbios. A maioria dos anfíbios
vive parte de seu ciclo de vida em ambientes
de água doce e a outra parte em ambiente
terrestre. Por isso, em geral, os anfíbios apresentam uma fase de vida larval e aquática e
outra fase adulta e terrestre.
Embora a maioria dos anfíbios seja terrestre, muitos vivem em ambientes úmidos por causa de sua pele permeável. Essa permeabilidade possibilita, por exemplo, que os anfíbios realizem trocas gasosas com o ambiente. Além disso, muitos
anfíbios precisam de ambientes aquáticos para se reproduzir.
Além da pele, as trocas gasosas ocorrem
por meio de brânquias, pulmões ou mucosa
bucal.
Na fase larval, a respiração ocorre pelas
brânquias que são externas ao corpo do animal. Já na fase adulta, as brânquias geralmente
desaparecem e o animal passa a respirar por
meio de pulmões, pele ou por uma combinação dessas formas de respiração.
Os anfíbios são capazes de produzir muco sobre a pele. Esse muco ajuda, por
exemplo, a manter a pele úmida.
O sistema digestório dos anfíbios é formado por boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e cloaca. Os anfíbios também apresentam
outras estruturas que auxiliam na digestão, como o pâncreas, órgão que produz
enzimas digestivas.
Répteis
Serpentes, lagartos, jacarés e tartarugas
são exemplos de répteis. Os representantes desse grupo de vertebrados apresentam
modos de locomoção bastante variados.
Esse grupo representa os primeiros verte
brados terrestres. Entre as adaptações que
os auxilia a sobreviver fora da água, está a
pele recoberta de escamas.
Apesar de algumas espécies viverem em
ambientes aquáticos, elas não necessitam de
água para se reproduzir, como os anfíbios.
Os répteis respiram por meio de pulmões,
que são mais desenvolvidos do que os dos
anfíbios.
O sistema digestório dos répteis é completo, assim como o dos anfíbios, e termina
em uma cloaca.
Aves
As aves apresentam respiração pulmonar. Além dos pulmões, a respiração das
aves envolve outras estruturas, como os sacos aéreos. Associado ao sistema respiratório, as aves apresentam um órgão vocal, a siringe. Esse órgão muscular se
localiza, geralmente, na extremidade da traqueia e está relacionado à produção
de sons.
O sistema digestório das aves é completo, terminando em cloaca. Os integrantes
desse grupo de vertebrados não têm dentes. Por isso, o alimento não é triturado
na boca, mas na moela. Essa estrutura apresenta parede muscular que auxilia na
trituração dos alimentos. Além da moela, muitas aves têm uma porção do estô
mago dilatada, chamada papo. Nele, o alimento é armazenado temporariamente.
Nas aves, as fezes são eliminadas com os resíduos do sistema urinário. As fezes
chegam à cloaca, uma porção dilatada comum ao sistema urinário e reprodutor.
Nela, as fezes e a urina são misturadas e, então, eliminadas do organismo. Essas
excretas apresentam uma porção mais escura, que são as fezes, e uma porção
esbranquiçada, que corresponde à urina. As aves não têm bexiga urinária, com
exceção do avestruz.
Externamente, as aves apresentam o corpo revestido por
penas, dois membros anteriores modificados em asas e dois
membros posteriores. Além disso, apresentam bico.
Mamíferos
Gatos, cavalos, cachorros, bois, coelhos, ratos, golfinhos, baleias e gambás são
exemplos de mamíferos. Os representantes desse grupo apresentam diversas
características em comum, como o corpo coberto por pelos em alguma fase da
vida, além de glândulas mamárias, que se desenvolvem nas fêmeas adultas e produzem o leite usado para alimentar os filhotes.
O sistema digestório dos mamíferos é do tipo completo e geralmente apresenta
especializações que refletem o hábito alimentar de cada espécie.
A respiração dos mamíferos é pulmonar. Por isso, tanto os mamíferos terrestres
quanto os aquáticos obtêm o gás oxigênio do ar atmosférico.