sábado, 21 de fevereiro de 2026

A FORMAÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS

Entre os séculos XVII e XVIII, os ingleses estabeleceram Treze Colônias próximas à costa atlântica do território que atualmente compõe os Estados Unidos. As colônias do Norte estadu nidense mantinham uma economia industrial direcionada para o mercado interno, manufatureiro e assalariado. 
Já as colônias do Sul tinham uma economia agroexportadora, caracterizada por grandes plantações de algodão semelhante às plantations (grandes propriedades monocultoras cuja produção se destina ao mercado externo), estrutura implantada no Brasil Colônia e na América Latina.
Naquele período, apesar de a América do Norte ser uma economia agrícola, ela estava rapidamente alcançando o Reino Unido no que dizia respeito às manufaturas. Quando a Comissão de Comércio escreveu aos gover nadores coloniais solicitando dados sobre bens produzidos localmente, as autoridades, atentas à opinião local, subestimaram a produção.

A expansão territorial dos Estados Unidos


Entre 1776 e 1781, os Estados Unidos passaram por uma guerra de independência. Nessa época, seu território estava restrito à mesma área das Treze Colônias inglesas. Em 1783, os Estados Unidos foram reconhecidos como um país, e a Inglaterra cedeu novas terras, que se estendiam dos Montes Apalaches até o Rio Mississippi – o principal da América do Norte.
Controlá-lo era de grande importância estratégica, pois ele possibilitava o acesso às grandes planícies, com solos ricos em nutrientes e com grande potencial produtivo, garantindo que se pudesse chegar a outros rios e outras áreas no continente. Além disso, garantia rotas de comércio com franceses, que já ocupavam a região. No entanto, a ocupação dessas terras levou a muitos conflitos com os povos indígenas que ali habitavam, os quais foram alienados de suas terras e de seus modos de vida.
Desde então, os Estados Unidos iniciaram sua expansão territorial ao longo do século XIX. Tal expansão ficou conhecida como Marcha para o Oeste e ocorreu por meio de acordos, compras, guerras e tratados.
Em 1803, os Estados Unidos compraram dos franceses o território da Louisiana por 15 milhões de dólares. Em 1819, compraram a Flórida da Espanha por 5 milhões de dólares. Em 1867, os russos venderam o Alasca aos Estados Unidos por 7,2 milhões de dólares.
Além das aquisições mediante compra, os Estados Unidos ampliaram seu território por meio da Guerra Mexicano-Americana (1846-1848). O conflito se iniciou com a disputa pelo Texas, que, originalmente, pertencia ao México, mas que, a partir de 1821, começou a ser povoado por colonos estadunidenses (com autorização do governo mexicano). Esses colonos se revoltaram contra as leis mexicanas e passaram a exigir a cessão do Texas para os Estados Unidos.
Na década de 1840, os Estados Unidos manifestaram interesse pela Califórnia, território originalmente mexicano, cujo governo, por esse motivo, declarou guerra aos Estados Unidos. Com outra derrota, o México foi obrigado a ceder, além da Califórnia, o território do Novo México.
Essas aquisições de territórios foram acompanhadas de um processo de migração de colonos, que neles se estabeleciam. As novas terras eram vistas como “vazias” e o governo passou a incentivar a sua ocupação por meio do Homestead Act, ou Lei do Povoamento, instituída em 1862 por Abraham Lincoln (1809-1865), primeiro presidente dos Estados Unidos. Tal lei cedia lotes a preços muito baixos, exigindo, em contrapartida, que os terrenos fossem ocupados e cultivados por, no mínimo, cinco anos. Com essa política, muitos produtores agrícolas se mudaram para a região, contribuindo para a ocupação do território estadunidense.
A ocupação do Oeste foi incentivada por uma crença da época conhecida como Destino Manifesto, segundo a qual os estadunidenses fariam parte de uma nação escolhida por Deus para ser grande e próspera. Ela era utilizada como justificativa para isentar os estadunidenses da culpa de toda a violência cometida ao longo do processo de expansão, principalmente contra os indígenas.

O DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA ESTADUNIDENSE


Desde antes do fim do período colonial, já havia um esforço organizado em diversas colônias inglesas da América do Norte, principalmente em Massachusetts e em Nova York, para implantar indústrias nos moldes da Europa.
O governo dos Estados Unidos direcionou os investimentos públicos e a organização da economia do Norte do país para a criação de uma base industrial e de uma estrutura de transporte que viabilizassem o desenvolvimento capitalista e a expansão do território em direção a oeste e ao oceano Pacífico.
No entanto, os estados do Norte e do Sul do país se organizavam com base em diferentes estruturas econômicas e isso gerava interesses conflitantes, principalmente em relação ao trabalho escravizado. Para a economia capitalista do Norte, que apresentava crescente industrialização, o trabalho livre, assalariado, era essencial, pois garantia mercado consumidor de seus produtos. Também era fundamental o controle das importações, a fim de que os produtos fabricados nos Estados Unidos não enfrentassem a concorrência de produtos de melhor qualidade e menor preço produzidos na Europa.
Já para os estados do Sul, a manutenção do trabalho escravizado era essencial, em razão da garantia de preços competitivos de seus produtos agrícolas e da abertura às importações, já que isso lhes permitia a compra do que não produziam a preços menores.
Essas divergências levaram o país a uma guerra entre os estados, a Guerra de Secessão (1861-1865), vencida pelo Norte. Com isso, a dinâmica da economia estadunidense passou a ser pautada pelo capitalismo do século XIX e o desenvolvimento agrário se voltou, prioritariamente, para o consumo interno.

A ascensão dos Estados Unidos como potência no pós-guerra


A crise de comércio e de produção gerada pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918) permitiu aos Estados Unidos suprirem as necessidades da Europa. Por isso, os Estados Unidos se tornaram líderes na indústria automobilística e o epicentro da Segunda Revolução Industrial, com o surgimento do modo de pro dução fordista e da produção de lâmpadas incandescentes e de rádios, por exemplo, atividades que utilizavam tecno logias mais avançadas.
Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o investimento do governo estadunidense foi direcionado à indústria armamentista. Isso levou à transformação da base industrial do país, o que lhe garantiu a hegemonia capitalista industrial e, depois, financeira. Além disso, o declínio do poderio econômico europeu e a grande reserva de ouro garantiu aos Estados Unidos os pro tagonismos geopolítico e econômico, o que levou à instauração do dólar como a moeda mundial no acordo de Bretton Woods, em 1944.

OS POVOS ORIGINÁRIOS AFRICANOS

A África reúne, em suas diversas paisagens, fatores que explicam as características e a con figuração dos países e das regiões atuais do continente africano. Muitos grupos étnicos, vindos de diferentes regiões do mundo, ajudaram a constituir a diversidade cultural africana em contextos específicos, de acordo com a região do continente onde se estabeleciam, e criaram modos de viver muito particulares.

Os camitas


Os camitas ocuparam as terras que acompanham todo o curso do Rio Nilo – tanto o baixo Nilo (egípcios) como o alto Nilo, chamados Nilo Azul e Nilo Branco, respectivamente – nas regiões Central-Leste e do Chifre Africano (núbios e somalis), difundindo-se em áreas desérticas, semiáridas e com relevos eólicos e montanhosos, como o planalto etíope. Acredita-se que esse povo tenha dado origem aos povos núbio, somali, etíope e egípcio.
Esses povos fundaram pode rosos impérios, anteriores ao domínio romano. Durante séculos, disputaram o controle da região oriental da África, território de comercialização do ferro, recurso fundamental para a produção de artefatos na época.
Esses impérios foram responsá veis por produzir grande parte dos conhecimentos científico e tecnoló gico incorporados, posteriormente, pelo Ocidente. Há grande variedade de técnicas medicinais, arquitetô nicas e de engenharia (presentes nas estruturas geométricas de suas construções, como as pirâmides egípcias), as quais se basearam em avançados conhecimentos matemáticos, químicos, físicos e biológicos.

Os semitas


A origem dos povos semitas remete ao grupo étnico que migrou da Península Arábica (atuais Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã e Iêmen), da Planície Mesopotâmica (Irã, Iraque, Kuwait e Síria) e Planície Jordânica (Israel e Jordânia) para toda a África setentrional. O grande grupo semita é formado por árabes, cananeus e etíopes, que migraram pelo Estreito de Bab Al-Mandab (Iêmen-Djibuti) em busca de áreas menos conflituosas e propícias ao desenvolvimento agrícola e à instalação de vilas e de cidades.
A ocupação semita na África teve início no século VIII a.C. e intensificou-se após as campa nhas árabes (do século VII d.C. ao X d.C.) para difundir o islã na África, aumentando a influência muçulmana na região, fato ocorrido no contexto da expansão do cristianismo no Mediterrâneo e no centro da Europa.
Tais movimentos foram fun damentais para garantir o controle de áreas estratégicas de mercado, confrontando civilizações situadas no entorno da costa mediterrânea e no portão eurasiático, principal eixo para o fluxo de mercadorias cujo destino era o mundo medieval europeu. A complexidade étnica dos povos semitas compõe a base cultural dos países da chamada África “branca”, com predomí nio do islã, e reúne os países Mauritânia, Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia e Egito.

Os bantos


O povo banto é o maior grupo étnico do continente africano – abrigava cerca de 400 grupos étnicos e se desenvolveu na Bacia do Níger por volta de 2000 a.C. Em sua rota migratória, influenciaram os povos da África desde o sul do Saara até o território da atual África do Sul. Conforme eles se deslocavam pelo continente, influenciavam outros povos.
A expansão do povo banto pode ser dividida em três fases. A primeira aconteceu da Bacia do Rio Níger para a região da Floresta Equatorial na África Central. Na segunda fase, os bantos ocuparam a região leste da África. Na terceira, e última, ocuparam o sul do continente.
As principais atividades desenvolvidas pelo povo banto eram a agricultura, a pecuária e a metalurgia; esses conhecimentos permitiam-lhes dominar outros povos. Com base nessas atividades, estabeleceram assentamentos e comunidades por todo o sul da África.
Países africanos como Nigéria, Camarões, Congo, Angola, Zâmbia, Moçambique, Namíbia, Zimbábue, Tanzânia e África do Sul têm influências culturais e linguísticas dos bantos. No Brasil, tais influências chegam com o processo de colonização.

O COLONIALISMO EUROPEU NA ÁFRICA

África foi ocupada por europeus com base em seus interesses no comércio agrícola, na extração mineral e na exploração da mão de obra escravizada. O ouro africano trouxe muita riqueza para Portugal no início do século XVI, a qual se esgotou rapidamente.
No século XVII, Holanda, Inglaterra e França passaram a navegar pelo Atlântico e a questionar o monopólio dos portugueses sobre os territórios encontrados. Nos séculos XVI e XVII, as classes sociais dominantes desses países se interessaram pelas riquezas do território africano e organizaram companhias de comércio: fundaram feitorias, exploraram os recursos naturais e escravizaram a população nativa.
Esse processo resultou em uma nova divisão territorial africana que não respeitava a divisão dos povos nativos. A dominação e o estabelecimento de colônias criaram uma situação com alto potencial de conflitos internos entre as sociedades existentes que se intensificou no século XVIII, no contexto da Revolução Industrial e da corrida europeia por novos recursos minerais.
A partilha do continente africano entre as nações europeias começou na segunda metade do século XIX, culminando com a Conferência de Berlim, em 1884, que teve a participação de 15 países europeus, dos Estados Unidos e da Turquia. Esses países decidiram sobre o futuro do continente africano – a quantidade de pontes, portos e cidades que seriam construídos e quais atividades agrícolas e de exploração de minérios seriam implementadas – sem considerar fronteiras e populações locais (com diversas marcas culturais e identidades étnicas). 

SUL DA ÁFRICA: COLONIALISMO E A EXPLORAÇÃO

Assim como aconteceu em toda a África, a ocupação europeia do território sul-africano não se deu sem que houvesse uma nova divisão territorial. Antes da existência dos territórios da República Sul-Africana (atual África do Sul), Zâmbia e Zimbábue, a região sul-africana era formada pelo Reino Butua, onde se situava o Império Monomotapa (séc. XIV-XVII). Sob influência dos portugueses, em 1629, o rei Mavura converteu-se ao cristianismo, o que contribuiu para que, aos poucos, o império fosse dissolvido por meio da mudança cultural. Como consequência, as raízes culturais enfraqueceram, e a região tornou-se mais vulnerável aos objetivos comerciais de portugueses e holandeses.
O importante subsolo sul-africano (assim como o do Zimbábue), rico em reservas de diamante, níquel, fosfato, manga nês, cobre, ouro, carvão mineral, cromo e urânio, gerou interesse nos colonialistas holandeses e, principalmente, ingleses ao longo dos séculos XVIII a XX, em decorrência da crescente industrialização europeia.
A necessidade de recursos minerais levou à ocupação holandesa do território dos povos bôeres. Os colonizadores instalaram-se em territórios sul-africanos para explorar as reservas de ouro e de minérios preciosos. No século XIX, os colonos de ascendência não inglesa migraram em direção ao interior, fundando o Estado Livre de Orange e a República do Transvaal, consolidando, assim, seus projetos coloniais.
O conflito entre britânicos e bôeres levou à Guerra dos Bôeres, no fim do século XIX e no início do século XX, e resultou da necessidade que os europeus – principalmente os empre endedores britânicos – tinham de consolidar redes de desenvolvimento econômico e indus trial na África para a exploração de minérios e, assim, enriquecer grupos de investidores e de empresários.
Entre eles está Cecil Rhodes (1853-1902), um dos principais responsáveis pelo projeto da ferrovia Cabo-Cairo, que atravessaria todo o continente africano no sentido sul-norte, em um trajeto de mais de 10 000 km. O porto egípcio era um dos principais polos de saída do que se produzia na África para o Império Britânico. Com a descoberta de enormes reservas de ouro e de diamantes na África do Sul em 1880, foi necessário pensar em uma rota ferroviária que incorporasse o montante produzido e levasse a riqueza mineral africana para territórios europeus. Esse processo levou a África do Sul a manter-se sob domínio britânico desde 1911, tornando-se independente em 1961.

As potências econômicas da África

África do Sul, Egito e Nigéria são as maiores economias do continente e podem ser considerados as principais potências regionais da África. Em con traste com outros países, principalmente da África subsaariana, esses países têm parques industriais e pautas de exportação diversificados, apesar de terem suas particularidades.
No entanto, problemas socioeconômicos sobre os quais você já estudou nos capítulos anteriores, alguns deles agravados pela pandemia de covid-19, configuram obstáculos ao desenvolvimento desses países. Além de ampliar a oferta de trabalho para uma população com grande percentual de jovens, África do Sul, Egito e Nigéria precisam superar desafios, como oferecer saúde, educação, moradia e saneamento básico adequado à maior parte da população.

África do Sul


A África do Sul está localizada em uma área estratégica que, no século XVII, fazia parte da rota marítima que ligava a Europa à África Oriental, à Índia e ao Extremo Oriente. Ao cruzar o cabo da Boa Esperança, os navios atracavam na região da atual Cidade do Cabo para abastecimento. Nessa região, formou-se uma colônia de povoamento, inicialmente marcada pelo predomínio de holandeses e pela dominação dos povos nativos. Essa área passaria posteriormente ao controle do Reino Unido, potência imperialista que, entre o século XIX e início do século XX, expandiu seus do mínios na região, extremamente rica em recursos minerais. O território que hoje corresponde à África do Sul se tornou independente em 1910. Apesar de uma divisão étnica profunda, o país herdou uma infraestrutura desenvolvida e expressivas riquezas, que hoje lhe garantem a posição de principal potência da África subsaariana.

Aspectos econômicos


Embora dependa em larga medida da explora ção de suas riquezas minerais, a África do Sul integra cadeias produtivas globais de corporações transnacionais, como as montadoras de veículos, destacando-se como o país mais industrializado da África e o único do continente a compor o Brics, grupo de países emergentes que também inclui o Brasil, a Rússia, a Índia e a China. Apenas 11% do território sul-africano é conside rado apropriado para a agricultura, e o país apre senta uma produção agropecuária diversificada e fornece diversos produtos do setor para o merca do externo. 

Extrativismo e indústria


Com uma área de 1 221 037 quilômetros quadrados, a África do Sul apresenta a maior concentração mundial de riquezas minerais. Aproximadamente 69% das reservas mundiais de platina, 56% das de cromo, 24% das de diamante, 8% das de carvão mineral e 82% das de manganês estão localizadas no território do país, que também possui reservas de ouro (responde por cerca de 35% da produção mundial), carvão mineral, cobre, minério de ferro, estanho, chumbo, zinco, níquel, urânio, cobalto e prata.
O extrativismo mineral gera volumosas receitas para a África do Sul, por meio das exportações de commodities estratégicas para a China e os países desenvolvidos. Além do extrativismo, a atividade industrial tem uma participação expressiva na composição do PIB (cerca de 28%) do país. 
A indústria sul-africana é bastante diversificada para os padrões do continente, tendo sido estruturada ao lon go do período de dominação europeia, com base em redes de transporte, energia e de comunicação desenvolvidas. A produção industrial inclui bens de consumo duráveis, como veículos prontos, terceiro item mais exportado pelo país, perdendo apenas para o ouro e para a platina. Nes se contexto, o país se destaca pelas exportações de pro dutos industrializados para os países africanos próximos, como Moçambique, Zâmbia e Zimbábue.

Egito


Terceiro país mais populoso do continente, com 102,3 milhões de habitantes (2020), o Egito, economicamente, é o principal país da África do norte. Mais de 90% da população do país está concentrada no delta e no vale do rio Nilo, e as maiores cidades são: Cairo, a capital, com mais de 10 milhões de habitantes; Alexandria, com mais de 5 milhões; Gizé, com mais de 4 milhões; e Xubra Quei ma, com mais de 1 milhão. No território egípcio, formou-se uma das maiores civilizações da Antiguidade, cujas marcas são significativas nas suas paisagens, como as pirâmides e outras obras arquitetônicas que formam um sin gular patrimônio histórico-cultural que atrai milhões de turistas todos os anos (13,6 milhões em 2019). Essa atividade é responsável por cerca de 5,5% do PIB do país e por 9,5% dos empregos, de acordo com dados do relatório Perspectivas Econômicas na África, 2021, do Banco Africano de Desenvolvimento.
Desenvolvida dentro de um programa de substituição de importações, a in dústria egípcia também é diversificada, com destaque para os setores têxtil, alimentício, químico, farmacêutico, petrolífero e siderúrgico. A atividade agrí cola, praticada há mais de 7 mil anos, está concentrada no delta e às margens do rio Nilo, uma vez que o restante do território do país é dominado por áreas desérticas. As principais mercadorias produzidas são cana-de-açúcar e trigo, além do algodão de altíssima qualidade, com fibras longas, bastante valorizado no mercado internacional.

Nigéria


A Nigéria é o país mais populoso da África, com cerca de 219 milhões de habitantes. Destaca-se também pela enorme diversidade étnica, representa da por centenas de etnias diferentes, sendo três delas predominantes: hauçá (30%), iorubá (15%) e ibo (15%). Esse fato dificultou o estabelecimento de uma unidade nacional após a independência do país, em 1960. Em 1966, membros da etnia ibo derrubaram o governo nigeriano, instalan do-se no poder. Repelidos por um golpe militar no ano seguinte, os ibos decla raram a independência do território de Biafra, próximo ao delta do rio Níger, dando origem à Guerra de Biafra. Em razão da disputa pelas reservas de petróleo do delta, a guerra civil ni geriana durou cerca de três anos e só terminou com a rendição de Biafra. O conflito foi um dos principais do período pós-independência na África e evi denciou como os interesses das grandes potências mundiais, cujas empresas apoiaram diferentes lados, desempenham um fator importante nos rumos dos países africanos.

Economia


A economia nigeriana representa praticamente 20% do PIB do continente africano. No entanto, seus maiores parceiros comerciais são a China, a Índia e os países da União Europeia, e somente cerca de 13% do seu comércio exterior é realizado com outros países da África. Além de apresentar um setor de serviços diversificado, a Nigéria é o principal produtor de petróleo da África, e esse setor estimula a produção industrial do país, que se destaca, por exemplo, na produção de tintas, borrachas sintéticas e fertilizantes químicos. Mas também se destacam as indústrias têxteis, alimentícias, de calçados, de aço e de cimento.

A indústria cinematográfica


Hollywood e Bollywood são, respectivamente, as indústrias cinematográfi cas dos Estados Unidos e da Índia. A Nigéria também tem uma produção de filmes, séries, documentários e novelas bastante expressiva, sendo responsável por cerca de 5% do PIB nigeriano. Trata-se de Nollywood, termo cunhado em 2002 para se referir à indústria audiovisual do país, que tem como foco o de senvolvimento de narrativas baseadas na cultura, nos problemas sociais e nos desafios próprios da sociedade nigeriana. Nollywood produz cerca de 1 200 filmes por ano, perdendo apenas para Bollywood em volume de produção cinematográfica. Nos enredos, o inglês, a língua oficial do país, está sempre presente, mas é mesclado com os idiomas das centenas de etnias existentes na Nigéria.

O grupo fundamentalista islâmico Boko Haram


Em função da manutenção das fronteiras coloniais, a Nigéria é um país cujo território apresenta profunda divisão cultural entre o sul (população predomi nantemente cristã ou adepta de crenças animistas) e o norte (população pre dominantemente muçulmana). Desde 2002, o grupo fundamentalista islâmico Boko Haram (que significa “a educação ocidental é pecaminosa”), criado pelo clérigo muçulmano Mohammed Yusuf, empreende esforços para instalar no país um Estado islâmico no norte do país. 
Em nome dessa luta e espalhando o terror na Nigéria e em países vizinhos, o grupo promove sequestros, atentados e assassinatos em busca de desesta bilizar os governos da região. 
Os integrantes do Boko Haram resistem à educação e aos costumes ociden tais e, em 2015, aceitaram formar uma aliança com o Estado Islâmico, que atua no Oriente Médio. Responsável por mais de 27 mil mortes, o grupo já provocou o deslocamento forçado de aproximadamente 1,86 milhão de pessoas.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Relações China-Brasil

A China, desde 2009, tornou-se o principal parceiro comercial do Brasil, superando os Estados Unidos. Em 2021, do valor total das exportações brasileiras para outros países, 22,4% foi realizado para a China; e a importação de produtos chineses pelo Brasil representou 23,5% do valor total das importações brasileiras.
Entretanto, em 2021, as exportações brasileiras para a China eram compostas, principalmente, de produtos primários: o minério de ferro constituiu cerca de 33% do valor total das exportações; a soja, 31%; e o petróleo bruto, 16% – produtos que não têm valor agregado.
Já as importações de produtos chineses pelo Brasil são predominantemente de bens industrializados, portanto de maior valor agregado, fato que beneficia amplamente a economia chinesa. A influência cultural chinesa no Brasil está relacionada ao crescimento da chegada de imigrantes chineses ao país a partir de meados do século XX.
Destacam-se: a arte marcial tai chi chuan; a gastronomia chinesa; a celebração do ano-novo chinês no bairro da Liberdade, em São Paulo; e a adoção de práticas da medicina tradicional chinesa, como é o caso da acupuntura.

Relações entre Estados Unidos e Brasil

A história das relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos tem início em 1824, quando os estadunidenses foram os primeiros a reconhecer a independência de nosso país, ocorrida em 1822. No entanto, foi apenas a partir da Segunda Guerra Mundial que o Brasil estreitou relações com os EUA.
A adesão brasileira aos Aliados veio por meio de negociação promovida pelo então presidente do Brasil, Getúlio Vargas, com os Estados Unidos. Como resultado, nosso país recebeu bases navais e aéreas dos Estados Unidos e forneceu a eles matérias-primas, como a borracha. Em contrapartida, o Brasil recebeu recursos financeiros que foram investidos na atividade industrial.
Desse momento em diante, os dois países permaneceram alinhados, embora em alguns momentos o Brasil tenha tentado traçar um caminho mais independente, com foco nas relações Sul-Sul, ou seja, com países da América Latina e da África, por exemplo. Hoje, Brasil e Estados Unidos mantêm acordos e diálogos sobre comércio, investimentos, energia, meio ambiente, educação, tecnologia, direitos humanos e segurança, entre outros.

Relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos 


Ainda que o Brasil não apareça como um dos principais exportadores e importadores comerciais dos Estados Unidos, nosso país é um de seus principais parceiros: cerca de 10,3% das exportações brasileiras vão para os EUA e mais de 17,6% das importações vêm de lá (2020). 
O Brasil sempre esteve historicamente ligado aos Estados Unidos: nas relações diplomáticas e econômicas, nos investimentos que este faz no Brasil, na sua influência cultural na sociedade brasileira – na música, no cinema, no turismo, no vestuário etc.
Em 2019, os principais produtos importados pelos Estados Unidos das indústrias brasileiras foram aviões e peças de aeronave. Alguns produtos essenciais para ambos os países são o algodão, o carvão mineral, o alumínio e o aço. O Brasil é um grande comprador do carvão mineral estadunidense, e os Estados Unidos são um dos mais importantes clientes do aço e do alumínio brasileiros.

Multinacionais estadunidenses no Brasil 


Até o início do século XX, a maior parte dos investimentos estrangeiros no Brasil era proveniente da Inglaterra. No entanto, após a expansão econômica dos Estados Unidos, grupos empresariais estadunidenses passaram a investir maciçamente em nosso país e a instalar empresas multinacionais em território brasileiro. 
Atualmente, a maioria delas ainda permanece atuando no mercado nacional nos mais diversos setores de atividades, como o industrial (automóveis, medicamentos, produtos químicos etc.), o de comércio e serviços (seguradoras, bancos, redes de supermercado) e até mesmo o de produção cinematográfica. 
Suas transnacionais estão presentes no Brasil desde o início do século XX – são exemplos a General Electric, General Motors, Kodak, IBM, Avon e Johnson & Johnson, além de muitas outras. 
Até o ano de 2008, os Estados Unidos foram nosso principal parceiro comercial, sendo que, a partir de 2009, a China ultrapassou-os no comércio exterior com o Brasil.

A FORMAÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS

Entre os séculos XVII e XVIII, os ingleses estabeleceram Treze Colônias próximas à costa atlântica do território que atualmente compõe os Es...