domingo, 5 de abril de 2026

CARACTERÍSTICAS DOS SERES VIVOS

Durante séculos, estudiosos procuraram identificar as características comuns a todos os seres vivos que os diferenciavam da matéria inanimada, ou seja, sem vida. 
Em nosso planeta, a Terra, há grande biodiversidade, isto é, ampla variedade de formas de vida, que inclui plantas, insetos, moluscos, peixes, aves, mamíferos, microrganismos e tantos outros seres. 
Embora sejam diferentes uns dos outros, todos os seres vivos têm características comuns que os distinguem da matéria não viva. Por exemplo, eles precisam se alimentar, podem se movimentar, reagem a estímulos do ambiente, reproduzem-se. Todos os seres vivos nascem, desenvolvem-se e morrem, enfim, têm um ciclo de vida. 


Ciclo de vida 


Todos os seres vivos apresentam um ciclo de vida, constituído por nascimento, desenvolvimento, reprodução e morte. 
O nascimento é a etapa inicial da vida de um ser vivo. O desenvolvimento é um processo no qual um organismo passa por uma série de transformações no corpo, sejam internas, sejam externas. A reprodução envolve todos os processos nos quais os seres vivos geram descendentes e pode ocorrer, ou não, durante a vida de um ser vivo. A morte finaliza o ciclo de vida, o qual varia conforme o ser vivo. 
Alguns seres vivos podem alcançar centenas de anos, como as araucárias, árvores das regiões Sul e Sudeste do Brasil, que podem chegar a 500 anos ou mais, enquanto outros apresentam um ciclo de vida completo bastante curto, como alguns mosquitos, que vivem, em média, apenas alguns dias.
Em geral, para se obterem dados sobre o ciclo de vida de determinada espécie, alguns indivíduos são observados em seu ambiente natural. São coletados dados sobre hábitos, modo de reprodução e alimentação, tempo de vida, entre outras informações. Entretanto, há casos em que os indivíduos não são mais encontrados na natureza. 
A ararinha-azul é um exemplo de ser vivo criticamente ameaçado de extinção. Elas são consideradas extintas da natureza desde o ano 2000, mas podem ser encontradas em zoológicos e em centros de reprodução no Brasil e em alguns países da Europa e da Ásia. 
Esses locais buscam possibilitar a reprodução desses animais em cativeiro e treiná-los para que seja possível reintroduzi-los em seus ambientes naturais. Assim, grande parte das informações sobre esses organismos não é obtida na natureza, e sim nesses locais.

Resposta a estímulos 


Os seres vivos também têm em comum a capacidade de interagir e responder a variados estímulos do ambiente. A luz, o som, os odores, a umidade e a temperatura são alguns dos estímulos que podem gerar nos seres vivos diferentes respostas. 
A dioneia é uma planta carnívora cujas folhas são modificadas em armadilhas que possibilitam a captura de animais, principalmente insetos. 
Em geral, essa planta atrai esses pequenos animais pelos odores e pelas cores que apresenta. Ao entrarem em contato com as estruturas presentes na folha da dioneia, os animais provocam o seu fechamento. 
Quando um animal é aprisionado pela planta carnívora, substâncias liberadas por ela o digerem, e os nutrientes do inseto são absorvidos pela planta. 
Dioneia (Dionaea muscipula).
 Inseto sobre a folha da dioneia.
A resposta ao estímulo é o fechamento da folha.

A dioneia é uma planta carnívora cujas folhas são modificadas em armadilhas que possibilitam a captura de animais, principalmente insetos. 
Em geral, essa planta atrai esses pequenos animais pelos odores e pelas cores que apresenta. Ao entrarem em contato com as estruturas presentes na folha da dioneia, os animais provocam o seu fechamento. 
Quando um animal é aprisionado pela planta carnívora, substâncias liberadas por ela o digerem, e os nutrientes do inseto são absorvidos pela planta. 

Metabolismo


Todos os seres vivos são capazes de alterar a composição inicial dos materiais, formando novos materiais no interior de seu corpo e de suas células. O conjunto dessas transformações é chamado metabolismo. 
Para que o metabolismo ocorra, é necessário energia, que é obtida pelos seres vivos por meio dos nutrientes presentes nos alimentos. 
Os animais obtêm nutrientes alimentando-se de outros seres vivos ou de partes deles. Já as plantas produzem seus próprios nutrientes por meio da fotossíntese, um processo que ocorre na presença de luz. 
A fotossíntese é um importante processo para a vida no planeta Terra. Na presença de luz, os organismos produtores, como as plantas, utilizam gás carbônico e água do ambiente para formar glicose – um carboidrato – e gás oxigênio. 
O gás oxigênio é liberado na atmosfera e é utilizado na respiração da maioria dos seres vivos, incluindo as próprias plantas. Já os carboidratos são utilizados pela planta como fonte de energia para a realização de uma série de funções e processos que garantem a sobrevivência dela.

Células


Em meados do século XIX, o botânico alemão Matthias Jakob Schleiden (1804-1881) e o fisiologista também alemão Theodor Schwann (1810-1882), propuseram uma teoria que ficou conhecida como teoria celular. 
Inicialmente, essa teoria indicava que todos os seres vivos são compostos de uma ou mais células. Com o avanço dos estudos, outros conhecimentos foram adicionados a essa ideia inicial.
O corpo de todos os seres vivos é formado por unidades muito pequenas, chamadas células. As células são as menores unidades estruturais e funcionais dos seres vivos. É por meio do metabolismo celular que o corpo obtém energia para que sejam realizados processos essenciais à vida, como nutrição, respiração, reprodução, entre outros.
Atualmente, admite-se que todos os seres vivos são formados por células e que todas as atividades essenciais à vida ocorrem no interior delas. Por isso, as células são consideradas as unidades estruturais e funcionais dos seres vivos, ou seja, são as menores estruturas presentes em um ser vivo capazes de realizar as atividades que se referem à vida, como resposta a estímulos externos, metabolismo e ciclo de vida. Além disso, sabe-se que todas as células se originam a partir de uma célula preexistente. 
Alguns seres vivos, como as bactérias e os protozoários, têm apenas uma célula: são chamados unicelulares. Outros, como os animais e os vegetais, são constituídos por várias células e, por isso, são chamados pluricelulares

Tipos celulares 


Existem diversos tipos de célula. Em organismos pluricelulares, a variedade pode ser observada em um mesmo indivíduo. Observe a seguir imagens de algumas células presentes no corpo humano. 

Adipócitos, células humanas relacionadas à reserva de gordura. Imagem ampliada 200 vezes (quando aplicada com 5 cm de largura); colorida artificialmente.

Hemácias, células presentes no sangue relacionadas ao transporte de gás oxigênio no corpo. Imagem ampliada 2 000 vezes (quando aplicada com 5 cm de largura); colorida artificialmente.

Neurônios, células responsáveis por produzir e transmitir impulsos nervosos. Imagem ampliada 400 vezes (quando aplicada com 5 cm de largura); colorida artificialmente.

Estrutura das células 


Todas as células apresentam algumas estruturas em comum, como a membrana plasmática (ou membrana celular), o citoplasma e o material genético. Outras estruturas podem estar presentes, dependendo da célula. 

Modelo de célula animal

A membrana plasmática delimita o interior da célula, controla a entrada e a saída de substâncias e permite a interação com outras células.
O citoplasma é o espaço que compreende todo o interior da célula, delimitado pela membrada plasmática.
O material genético contém informações sobre as características do ser vivo, que são passadas de geração para geração por meio da reprodução. Em grande parte dos seres vivos, esse material genético é o DNA (sigla em inglês para ácido desoxirribonucleico).
Os organoides, também conhecidos como organelas citoplasmáticas, são responsáveis por diferentes atividades celulares, como a respiração celular. 
O núcleo está presente nas células animais e vegetais e abriga o material genético. Não está presente nas bactérias.

Modelo de célula vegetal.

Modelo de célula de bactéria.





Fatores bióticos e abióticos nos ambientes


Existe uma grande diversidade de ambientes na Terra. Podemos até afirmar que esses ambientes sofrem interferências do ser humano, em maior ou menor grau.

Os ambientes e seus graus de modificação


Na Terra existem vários ambientes onde, em geral, há seres vivos. Por exemplo: as pessoas que moram nas cidades vivem em ambiente urbano; já as que vivem no campo, em fazendas, roças ou sítios, moram em ambiente rural. Os ambientes urbano e rural são exemplos de lugares que apresentam modificações promovidas pelo ser humano em diferentes graus. Praticamente todos os ambientes na Terra sofreram modificações diretas ou indiretas feitas pelo ser humano. Veja a seguir.

Para entender como os ambientes funcionam, é necessário reconhecer os elementos que os compõem e os caracterizam e como interagem entre si. Observe novamente as imagens desta página e perceba os elementos nelas existentes: casas, ruas, árvores, capim, luz solar, solo, animais, etc. Juntos, todos esses elementos que compõem os ambientes podem ser divididos em dois grandes grupos: os fatores abióticos e os fatores bióticos.

Manguezal com guarás (Eudocimus ruber) em Guaraqueçaba (PR), em 2017.

Campos Sulinos em Santana do Livramento (RS), em 2017.

A cidade é um ambiente urbano com alto grau de modificação na paisagem original. Salvador (BA), em 2017.

Um vilarejo pode ser considerado um ambiente urbano desde que tenha serviços e comércio, mas com um grau de modificação menor que o de uma cidade. Jandaíra (BA), em 2018.


Fatores abióticos


O termo abiótico tem origem nas palavras: bios, do grego, que significa ‘vida’; e a, também do grego, quando usado como prefixo, quer dizer ‘des provido de’.
Os ambientes apresentam características que determinam a paisagem, por exemplo: o relevo (identifica se a região é montanhosa, plana ou com pequenas elevações), o tipo de solo (indica se é arenoso, argiloso, pedregoso), a quantidade de chuvas (ou precipitação), a variação de temperatura ao longo do ano, a intensidade dos ventos, etc. Além de ajudar a caracterizar um ambiente, esses fatores também são essenciais para a manutenção de determinados seres vivos nesses ambientes.

Assim, de forma geral, podemos listar como principais fatores abióticos de um ambiente: 
- solo (tipo, constituição, permeabilidade); 
- água (quantidade de água disponível no ambiente); 
- umidade (quantidade de vapor de água existente no ar); 
- calor (quantidade de energia térmica e variação da temperatura); 
- luminosidade (intensidade de luz solar no ambiente); 
- clima (condições atmosféricas do ambiente).


Vegetação da Caatinga no Parque Nacional da Serra da Capivara (PI), em 2015. A planta em primeiro plano é um xiquexique, que pode atingir até 3 m. Os fatores abióticos deste ambiente são: solo – arenoso (muito permeável) e pedregoso; água – pouco disponível; umidade – muito baixa, o ar é muito seco; calor – temperatura média muito alta; luminosidade – intensa; clima – seco.

Se estivermos tratando de um ambiente aquático, também podemos considerar os fatores abióticos na água: 
- oxigenação (quantidade de gás oxigênio dissolvido na água, disponível para os organismos); 
- salinidade (quantidade de sais dissolvidos e diluídos na água); 
- calor (quantidade de calor e variação de temperatura); 
- luminosidade (intensidade de luz solar que penetra na água); - turbidez (medida da transparência da água).

Tartaruga-de-pente em Fernando de Noronha (PE), em 2016. Os fatores abióticos neste ambiente são: oxigenação – relativamente constante nos recifes; salinidade – relativamente constante em todo o oceano Atlântico; calor – temperaturas médias altas, em torno de 25 ºC; luminosidade – intensa; turbidez – águas limpas e muito claras, com pouca turbidez.

Fatores bióticos


Vamos ver agora como os seres vivos, chamados de fatores bióticos, podem interferir direta ou indiretamente no próprio ambiente. 
Para facilitar nosso estudo, podemos organizar os seres vivos em categorias. 
Cada organismo pertence a uma espécie. Organismos de uma espécie formam uma população, que ocupa determinado local. 
O conjunto das populações que vivem em um ambiente é denominado comunidade, que, com os fatores abióticos, forma o ecossistema.
A população é o conjunto de indivíduos de uma espécie vivendo em uma mesma área. 
A comunidade é formada pelo conjunto de populações também convivendo em uma mesma área. 
O ecossistema é formado pela interação entre a comunidade e os fatores abióticos.

A imagem abaixo mostra uma região do Pantanal. É possível identificar alguns fatores bióticos, como capins, arbustos e aves. Também há populações de garça-branca-grande, cabeça-seca e de tuiuiú. Todas essas populações juntas formam uma comunidade de determinada região do Pantanal. Ao considerar os fatores abióticos de determinada região, assim como os fatores bióticos (comunidade) e todas as interações que existem entre eles, chegamos ao conceito de ecossistema.

Região de trecho alagado e de terra firme do Pantanal Mato-Grossense (MT).

Nesta imagem do Pantanal, tudo o que se vê faz parte de um ecossistema. Nos ecossistemas, os se res vivos e o ambiente interagem entre si, de modo a causar alterações no ambiente e nos próprios seres vivos. 

ROCHAS, MINERAIS E SOLO

A crosta terrestre é formada por diferentes camadas, compostas de rochas, de minerais e do solo. As rochas são classificadas de acordo com sua origem, sendo amplamente utilizadas pelos seres humanos como matéria-prima e para a extração de minerais. O solo é formado a partir do desgaste das rochas e é nele que se desenvolve toda a vida terrestre. Nesta unidade, você vai aprender sobre a formação das rochas e do solo e também sobre as principais características dos minerais.

MINERAIS 


Os minerais são substâncias presentes principalmente nas rochas. Eles apresentam composição química definida, são encontrados no estado sólido e podem ser diferenciados com base em suas características físicas. As rochas podem ser formadas por um ou mais tipos de mineral. Os grupos mais comuns de minerais são os feldspatos, os quartzos, as micas e a calcita.

Os feldspatos são os minerais mais abundantes na crosta terrestre. Eles fazem parte da constituição de diversas rochas e têm coloração clara e leitosa. São utilizados na fabricação de pisos, revestimentos, vidros, sabões e próteses dentárias, entre outras aplicações.

A calcita pode ser incolor, opaca ou ter coloração branca, amarelada ou cinza-clara. Ela faz parte da constituição dos mármores e é largamente utilizada na produção de cimento e de cal.

Os quartzos geralmente são transparentes ou brancos, mas suas cores podem variar com a presença de impurezas. São usados como matéria-prima para a produção de vidros, abrasivos (pedras de amolar e lixas) e refratários (isolantes de calor).

As micas são minerais que se apresentam em camadas facilmente separáveis. Elas são brilhantes e ocorrem em diversas tonalidades, que variam do branco ao preto. Bem mais frágeis que os feldspatos e os quartzos, as micas são empregadas como isolantes elétricos.

PROPRIEDADES DOS MINERAIS 


Os minerais apresentam algumas propriedades que permitem diferenciá-los uns dos outros. Além disso, essas propriedades determinam de que forma cada mineral pode ser utilizado pelo ser humano. As principais propriedades observadas nos minerais são: 

Dureza – indica a facilidade com que um mineral pode ser riscado. A escala de Mohs classifica os minerais de 1 a 10, de acordo com sua dureza. Segundo essa escala, o talco tem dureza 1, pois não risca nenhum outro mineral. Já o diamante tem dureza 10, pois risca todos os outros minerais. 
Cor – corresponde à coloração externa do mineral e pode variar devido a impurezas existentes nos minerais. Transparência – os minerais podem ser classificados em transparentes, translúcidos ou opacos. 
Brilho – é determinado pela forma como o mineral reflete a luz. Há vários tipos de brilho, como o metálico, o vítreo – em que o mineral apresenta aspecto semelhante ao vidro – e o sedoso, típico de minerais fibrosos. 
Composição – depende das proporções das substâncias que formam o mineral. 

ROCHAS 


As rochas são estruturas sólidas formadas por um ou mais tipos de mineral. Os fragmentos de rochas são conhecidos como pedras. 
A composição de algumas rochas corresponde a pratica mente um único tipo de mineral, como é o caso do quartzito, composto de quartzo, e do calcário, composto de calcita. Entretanto, a maioria das rochas é formada pela associação de dois ou mais tipos de mineral. Os três principais componentes do granito, por exemplo, são o quartzo (branco), o feldspato (amarelado) e a mica (preta). 

Fragmento de calcário, rocha formada pelo mineral calcita.

O aspecto granulado e as cores diferentes do granito indicam que ele é composto de vários minerais.

FORMAÇÃO DAS ROCHAS 


As rochas podem ser ígneas, sedimentares ou metamórficas, de acordo com seu processo de formação. Rochas ígneas As rochas ígneas (do latim igneus = formado no fogo) originam-se do resfriamento do magma; por isso, também são conhecidas como rochas magmáticas. 

Tipos de rocha ígnea 


As rochas ígneas são classificadas em dois tipos: vulcânicas e plutônicas. 
As rochas vulcânicas (ou extrusivas) são formadas quando a lava é expelida para a superfície da crosta terrestre e esfria rapidamente. Nesse caso, não há formação de cristais visíveis, e a rocha apresenta aspecto uniforme. Um exemplo é o basalto, muito usado em calçamentos.
As rochas plutônicas (ou intrusivas) são formadas quando o magma permanece no interior da crosta e esfria lentamente, formando cristais bem visíveis. Um exemplo é o granito, muito utilizado em calçamentos, construções e revestimentos decorativos. 
No Brasil, a serra da Mantiqueira e os planaltos que fazem fronteira com as Guianas, ao norte, são formados principalmente por esse tipo de rocha.

Rochas sedimentares 


As rochas sedimentares são formadas pelo acúmulo de pequenas partículas, chamadas de sedimentos. Os sedimentos originam-se de materiais bem diversos, como restos de organismos e fragmentos resultantes do desgaste de outras rochas, causado pelo intemperismo. 
Como o ambiente na superfície terrestre sofre mudanças constantes, as camadas que compõem muitas das rochas sedimentares existentes apresentam cores e espessuras variadas.

Tipos de rocha sedimentar 


Há diferentes tipos de rocha sedimentar, de acordo com o material de origem e o modo como se formam. 
Algumas resultam da deposição de sedimentos de rochas preexistentes. A compactação da areia, por exemplo, forma o arenito. 
Há também rochas sedimentares formadas pelo acúmulo de restos orgânicos. Um exemplo é o carvão mineral, originado pela deposição e pela compressão de restos vegetais muito antigos.
Existem ainda rochas sedimentares que resultam da cristalização de minerais dissolvidos na água. É o caso da halita, o sal de cozinha. Os sedimentos que compõem essas rochas formam--se naturalmente em locais em que uma porção de água do mar fica isolada. Quando essa água evapora, ocorre a concentração dos minerais dissolvidos nela, e, em seguida, a cristalização.

Rochas metamórficas 


A palavra metamorfose significa transformação. As rochas metamórficas resultam de um processo de transformação das propriedades originais de rochas magmáticas ou sedimenta res. 
Por isso, os minerais das rochas metamórficas apresentam propriedades diferentes daquelas observadas na rocha que lhes deu origem. A modificação na estrutura das rochas originais ocorre pela ação de fatores como pressão e temperatura, que são muito intensas no interior da Terra. 
No processo de formação de regiões de grandes altitudes, como as cordilheiras, pode ocorrer a compressão de uma rocha a ponto de os minerais que a compõem transformarem-se, adquirindo novas propriedades. 
Os tipos mais comuns de rocha metamórfica são a ardósia, o gnaisse, o mármore e o quartzito. 
A ardósia é resultado da transformação da argila, uma rocha sedimentar. Por esse motivo, as placas de ardósia tendem a soltar lâminas ou camadas com o tempo. Essa rocha é utilizada com frequência como revestimento de pisos.

Por ser fácil de limpar, a ardósia costuma ser utilizada em pisos. 

O gnaisse é formado a partir do granito, uma rocha magmática. A maior parte das rochas da serra do Mar, no Sudeste do Brasil, é constituída de gnaisse. Essa rocha é bastante utilizada como pavimento. O quartzito tem origem na transformação do arenito, uma rocha sedimentar. Como é um material muito resistente, o quartzito é empregado, por exemplo, na produção de concreto. O mármore resulta da transformação do calcário, outra rocha sedimentar. Além de ser muito utilizado em peças e revestimentos de decoração, o mármore sempre foi apreciado por escultores, pois apresenta aspecto leitoso e é fácil trabalhá-lo.
O Pão de Açúcar, um dos pontos turísticos mais famosos do Rio de Janeiro (RJ), é constituído de gnaisse.

CICLO DAS ROCHAS 


Os diferentes tipos de rocha – ígnea, sedimentar e metamórfica – podem se transformar uns nos outros. Essa transformação, conhecida como ciclo das rochas, é constante e lenta, um processo que chega a durar milhões de anos. 
Há dois fatores fundamentais que influenciam esse ciclo: o intemperismo e o movimento das rochas através das camadas da Terra. 
O intemperismo provoca o desgaste das rochas expostas na superfície. Os sedimentos gerados por esse desgaste podem se acumular e gerar rochas sedimentares. 
As rochas presentes na crosta podem afundar ao longo de milhares de anos, atingindo camadas nas quais a pressão e a temperatura são muito mais elevadas. 
Nessas condições, rochas sedimentares e ígneas podem sofrer mudanças, tornando--se rochas metamórficas, ou se fundir, tornando-se magma. Ao atingir camadas menos profundas, o magma pode tornar-se rocha ígnea. 

MINÉRIOS 


As rochas e os minerais usados em indústrias ou comércios são chamados de minérios. Alguns exemplos são o minério de alumínio, o minério de ferro, o cobre e o manganês. 
- O alumínio tem diversas aplicações. É utilizado, por exemplo, na fabricação de panelas e outros utensílios de cozinha, na produção de latas para envasar bebidas, na fabricação de móveis e janelas e nas indústrias automobilística e de eletrônicos. 
- O ferro é utilizado principalmente na construção civil. Ele é um dos componentes do concreto armado, estrutura em que hastes de ferro são envolvidas por concreto, proporcionando maior sustentação e resistência. É a principal matéria-prima para a produção de aço. 
- O cobre é o principal constituinte dos fios condutores de eletricidade. Por ter ação bactericida, também é utilizado em hospitais e na produção de encanamentos. 
- O manganês é utilizado em associação com outros minerais, formando ligas metálicas. O aço-manganês, por exemplo, é uma liga metálica formada por ferro, carbono e manganês muito utilizada na construção civil.

MINERAÇÃO 


Mineração é o conjunto de processos utilizados para extrair minérios do ambiente e disponibilizá-los para uso. O Brasil é um grande produtor de minérios e tem diversas jazidas, com destaque para o Quadrilátero Ferrífero, localizado no estado de Minas Gerais, e a Província Mineral de Carajás, que fica no estado do Pará. 
A atividade mineradora é, em geral, prejudicial ao ambiente. Algumas de suas consequências são o deslocamento de grandes volumes de terra, a alteração do traçado de rios e relevos, a poluição de cursos de água, o esgotamento de recursos naturais e a ameaça à existência de plantas, animais e populações humanas.
O Projeto Grande Carajás, iniciado em 1979, tem o objetivo de explorar a riqueza de minérios da serra dos Carajás, no Pará. Devido à sua extensão territorial, o projeto tem causado grande impacto no ambiente.


O solo



O solo é a porção superior da crosta terrestre, sendo composto por diferentes materiais, como fragmentos de rochas, minerais, matéria orgânica, ar e água. Além disso, vários seres vivos habitam o solo, entre eles animais, fungos, bactérias e plantas. 
O solo é formado do desgaste de rochas que compõem a crosta terrestre e que estão sujeitas à ação do vento, da água, dos seres vivos e das variações de temperatura. Sua formação se dá a partir das rochas em um processo que pode levar milhares de anos.
Existem vários tipos de solos, e eles podem ser classificados, por exemplo, com base em sua textura e na presença de areia ou argila em sua composição. 
O desenvolvimento das plantas e dos animais depende diretamente do solo. Em outras palavras, o solo é a base da biodiversidade que permite atividades como a agricultura, a pecuária e o extrativismo.

A DEGRADAÇÃO DAS ROCHAS E A ORIGEM DO SOLO 


O solo cobre grande parte da superfície da crosta terrestre. Ele é uma mistura de componentes inorgânicos, como água, ar e partículas de minerais originados das rochas, e componentes orgânicos, como seres vivos, organismos mortos e matéria orgânica em decomposição. 
 A presença desses materiais no solo tem relação com a transformação e a degradação das rochas na superfície da Terra, processo chamado de intemperismo. O solo se origina do intemperismo de uma rocha, chamada rocha-matriz ou rocha-mãe. Os fragmentos de rocha gerados nesse processo se acumulam na superfície e dão origem à parte mineral do solo.
O solo também é formado por materiais orgânicos compos os de restos de seres vivos, como folhas caídas e fezes de animais, que se misturam ao material de origem rochosa. A parte orgânica do solo sofre decomposição e dá origem ao húmus, material presente em certos tipos de solo.

FORMAÇÃO DO SOLO 


A formação do solo é um processo muito lento, podendo demorar milhares de anos. Mesmo depois de formados, os solos estão em constante transformação, devido à ação dos organismos que nele vivem e às condições do clima. Solos mais antigos costumam ser mais profundos e apresentar camadas diferenciadas.
Uma rocha na superfície (ou próxima a ela) pode sofrer a ação da água dos rios e da chuva, do vento, das mudanças de temperatura e das raízes das plantas. Esses fenômenos naturais são chamados intemperismos. Pela ação desses fenômenos, a rocha é transformada, e o solo começa a se formar. Observe, no esquema a seguir, as etapas de formação do solo.
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1. A transformação da rocha em solo ocorre principalmente na superfície exposta à ação dos intemperismos. A rocha que dará origem ao solo é chamada de rocha-mãe. Ela começa a ser quebrada, surgindo rachaduras. 
2. Por essas rachaduras, entram água e organismos como bactérias e fungos. 
3 e 4. O solo aos poucos passa a ter uma camada de húmus (restos de organismos em decomposição). As sementes que aí caem germinam, e as plantas pequenas crescem. 
5. Essa camada torna-se cada vez mais espessa e possibilita que se desenvolvam vegetais maiores. Diversos seres vivos podem habitar essa camada do solo. As várias camadas formadas são chamadas de horizontes, com características específicas, como cor, textura e composição de minerais. Quanto mais antigo for o solo, mais distante sua superfície estará da rocha que deu origem a ele.


CARACTERÍSTICAS DO SOLO 


Se compararmos uma porção de terra de um jardim a uma porção de terra de outra área, é possível que essas porções apresentem características diferentes. Isso ocorre porque cada solo tem composição e propriedades específicas, que resultam de seu processo de formação e dos aspectos da rocha-matriz. Conheça algumas características do solo: 

- A permeabilidade é a facilidade com que a água penetra no solo. Nos solos mais permeáveis, a água se infiltra mais facilmente; nos solos menos permeáveis, a água é retida. 
- A porosidade tem relação com os poros (espaços) que se formam entre os grãos do solo. Esses poros podem variar em tamanho e em número, e, através deles, a água e os gases infiltram-se no solo. 
- A textura do solo é determinada pela proporção entre as partículas minerais que o compõem. Essas partículas são nomeadas de acordo com seu tamanho: areia, silte e argila, sendo a areia a maior dessas partículas, e a argila, a menor. 
- Os solos podem apresentar diferentes colorações, de terminadas por vários fatores, entre eles, a natureza da rocha-matriz e a presença de matéria orgânica, comumente abundante em solos mais escuros. As propriedades do solo determinam, em grande parte, quais atividades podem ser desenvolvidas nele. Solos ricos em matéria orgânica são geralmente utilizados na agricultura. 

TIPOS DE SOLO 


Há diversas possibilidades de classificação dos solos, dependendo das características que são consideradas. Em relação à textura, ou seja, à proporção entre as partículas de diferentes tamanhos, os solos podem ser, de maneira geral, classificados em três tipos: 
- Solo arenoso – seu componente predominante é a areia. Ele é mais permeável, permitindo o rápido escoamento da água. 
- Solo argiloso – apresenta predominância de argila em sua composição. É menos permeável, por isso, retém a água e se mantém úmido com mais facilidade. 
- Solo siltoso – apresenta maior quantidade de silte em sua composição. Tem permeabilidade intermediária, retendo parte da água.
Considerando sua composição, os solos podem ser classificados em orgânicos (ou humosos), predominantemente com postos de matéria orgânica, e minerais, compostos sobretudo de partículas minerais. Os solos minerais são mais comuns no Brasil; solos orgânicos são mais raros e costumam ser encontrados apenas em áreas de várzea, constantemente alagadas. 
No Brasil, há grande variedade de solos, resultante do clima predominantemente tropical do país. Em razão dessa variedade, foi criado o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS), que classifica os solos brasileiros em 13 tipos, considerando suas diversas características. 
O principal tipo de solo brasileiro, tanto por sua ampla distribuição geográfica quanto por sua importância econômica, é o latossolo, um solo mineral, profundo, poroso, com alta permeabilidade, de coloração que varia do vermelho-escuro ao amarelo e rico em óxidos de ferro. Ele pode apresentar grande variação com relação à textura, mas geralmente é argiloso. 
Como compõe grande parte do território nacional e costuma localizar-se em relevos planos, esse tipo de solo é muito utilizado na agricultura, na pecuária e como suporte na construção de casas e rodovias, entre outras atividades. Apresenta pequena reserva de nutrientes orgânicos, por isso, exige a utilização de fertilizantes e outras técnicas de manejo para a agricultura. 

PERFIL DO SOLO


O solo vai muito além da camada superficial que observamos no cotidiano. Da superfície até a rocha, o solo é composto de um conjunto de camadas (horizontes), chamado de perfil do solo. 
A espessura e a quantidade de horizontes podem variar, dependendo da rocha que originou o solo, do tempo e dos processos de transformação.
O esquema a seguir mostra um corte vertical de um solo, representando desde a superfície até a camada mais profunda, na qual está a rocha que lhe deu origem, a rocha-matriz. 
Representação esquemática de exemplo de perfil de solo fértil. Elementos fora de proporção de tamanho

A seção vertical de um solo denomina-se perfil do solo.
Cada uma das camadas que compõem o solo é chamada de horizonte
A quantidade e a espessura das camadas podem variar de acordo com o tipo de solo. Por exemplo, solos menos desenvolvidos costumam apresentar menos camadas. De maneira geral, as camadas seguem um padrão de organização comum.
Perfil de solo mostrando suas diversas camadas. Capela do Alto (SP).

O termo solo, em alguns casos, é usado para se referir apenas às duas camadas mais superficiais, que constituem a parte arável (que pode ser cultivada), de maior interesse para a agricultura. As camadas mais profundas costumam ser chamadas de subsolo.

A composição do solo 


O solo é composto de uma mistura de partículas minerais de diferentes tamanhos, húmus, ar e água. A quantidade de cada um desses ele mentos varia de acordo com o tipo de solo. Os principais grupos minerais que compõem o solo são a areia, a argila e o silte.
O húmus é formado pela decomposição de restos de seres vivos, como folhas, galhos, frutos, sementes e restos de animais e outros organismos mortos. Depois da decomposição, ficam no solo os sais minerais. 
A água que está no solo pode ser aproveitada diretamente pelas plantas. Ela dissolve os minerais presentes no solo, permitindo a absorção deles pela raiz das plantas. Entre as partículas de solo existe ar, o que permite que os seres vivos absorvam o oxigênio para respiração.

Solo rico em húmus. Observe seu aspecto escuro. Geralmente, esse tipo de solo contém dezenas de pequenos organismos.

Propriedades do solo


Existem vários fatores que podem influenciar a classificação do solo. Por exemplo, a variação na quantidade de areia, silte e argila é o que altera a textura do solo. Os que têm maior quantidade de partículas de areia têm uma textura mais áspera, enquanto os que têm maior quantidade de argila têm uma textura mais suave, semelhante à do talco. 
Os solos também podem ser classificados por sua quantidade de húmus. Solos de regiões onde chove pouco e há pouca vegetação costumam ter menos húmus do que o solo de uma região em que chove mais e há maior quantidade de vegetação. Por isso, em geral, solos de regiões áridas têm menor quantidade de matéria orgânica.
Os solos com maior quantidade de húmus geralmente são mais escuros e mais propícios à agricultura. Alguns solos armazenam mais água que outros. A capacidade de permitir que a água infiltre no solo é chamada de permeabilidade. 
Os solos com maior quantidade de partículas de argila têm espaços pequenos entre elas, dificultando a passagem da água. Os solos com maior quantidade de areia têm espaços maiores entre suas partículas, facilitando a passagem da água, que, portanto, não fica retida.

Representação esquemática do solo em região utilizada para plantação. Observe a camada de solo fértil, mais escura devido ao húmus. Elementos fora de proporção de tamanho. 

Representação esquemática do solo em região onde ocorreu desertificação, processo que torna o solo mais árido e menos produtivo. O solo de uma área desertificada tem maior quantidade de partículas de areia e menos matéria orgânica. Esse fenômeno é causado pelas mudanças climáticas, pelo desmatamento e pela superexploração do solo pelo ser humano. Elementos fora de proporção de tamanho.

Degradação do solo


As características dos solos podem ser alteradas ao longo do tempo, em razão de causas naturais ou da ação antrópica. Quando essas alterações prejudicam o desenvolvimento das plantas e algumas atividades que o ser humano e outros se res vivos realizam utilizando o solo, dizemos que ele está degradado. Conheça a seguir dois processos relacionados à degradação do solo.

Erosão


A erosão é um processo em que os componentes do solo ou das rochas são desagregados e arrastados pela água, pelo vento ou pela ação das geleiras. Isso acontece com mais frequência em áreas inclinadas e sem cobertura vegetal.
A erosão é o processo no qual as partículas que formam o solo e as rochas são removidas e transportadas de um local para outro, por meio da ação de agentes naturais, como a água e o vento. A erosão ocorre naturalmente nos ambientes de forma lenta. Porém, em alguns casos, ela pode ocorrer de forma acelerada e causar sérios danos, como a remoção de grande parte da camada superficial do solo.
É na camada superficial do solo que se localiza a maior parte da matéria orgânica. Por isso, a remoção dessa camada o torna menos fértil, ou seja, com características que prejudicam o crescimento e o desenvolvimento de plantas. 
Quando o processo erosivo é bastante intenso, formam-se grandes buracos no solo.

Erosão causada pela água da chuva em solo não protegido por cobertura vegetal. Ouro Preto (MG), 2021.

Além de prejudicar a fertilidade e as demais características do solo, a erosão pode causar o assoreamento de rios e lagos, por exemplo. Isso ocorre quando há transporte e deposição excessivos de partículas de solo, provocando seu acúmulo nessas fontes de água. Como consequência desse processo, há redução na profundidade dos rios e lagos e, em casos mais graves, sua extinção.
Uma das principais causas da erosão do solo é a remoção da vegetação, muitas vezes ocasionada por atividades humanas como os desmatamentos e queimadas.

Brigadista combate o avanço do fogo de queimada em Porto Jofre (MT), 2021. As queimadas utilizadas para fins de agricultura e pecuária podem se espalhar rapidamente, atingindo áreas de vegetação nativa.

Desmatamentos 


Os desmatamentos são praticados com frequência para que se estabeleçam áreas de cultivo e de pastagem, ou como consequência da extração de árvores para uso da madeira na indústria de móveis e na construção civil, entre outras atividades. 
A retirada de matas e florestas, por sua vez, deixa o solo exposto e vulnerável à ação dos ventos e das chuvas, o que facilita sua erosão. A vegetação ajuda na proteção do solo de duas formas, basicamente:

- as folhas diminuem a velocidade com que a água da chuva chega ao solo e, consequentemente, a capacidade que o movimento da água tem de desagregá-lo; 
- as raízes ajudam as partículas do solo a se manterem unidas, evitando que a chuva ou o vento as carreguem. O solo desprotegido é carregado para as áreas mais baixas do terre no e depositado, geralmente, em rios e lagos – processo chamado de assoreamento. 
O assoreamento torna o rio cada vez mais raso; assim, em períodos de chuva, podem ocorrer transbordamentos. Como não há vegetação, não há mais restos de vegetais em decomposição, que compõem parte do húmus. Assim, o solo perde fertilidade.

Queimadas 


A queimada é um recurso amplamente utilizado para realizar a retirada de vegetação de uma área para formação de pastos e cultivo ou para facilitar a colheita de algumas culturas, como a da cana-de-açúcar. 
O fogo traz enormes prejuízos ao solo e a todos os seres que nele vivem, pois provoca a morte ou a fuga de animais e ocasiona a morte dos fungos e bactérias. Além disso, suprime a cobertura vegetal, expondo o solo a processos erosivos.

Contaminação


Além da erosão, o solo pode ter suas características alteradas por causa da contaminação. O solo contaminado é aquele que, em razão da presença de materiais ou organismos específicos, como os agentes patogênicos, pode causar danos ao ser humano e a outros seres vivos.
A seguir, vamos conhecer algumas atividades humanas comumente relacionadas à contaminação do solo. 
As principais formas de contaminação do solo são o uso inadequado de defensivos agrícolas, fertilizantes, o despejo de resíduos contendo metais pesados e o descarte do lixo de maneira inadequada.
Durante o cultivo de plantas na agricultura, é comum a utilização de agrotóxicos. Esses produtos químicos eliminam pragas das plantações, como insetos e ervas daninhas, que prejudicam os cultivos. 
No entanto, quando utilizados em excesso e de maneira incorreta, esses pro dutos podem atingir o solo, contaminando-o. Além disso, em alguns casos, a água da chuva pode transportar os agrotóxicos às reservas de água superficiais ou subterrâneas, contaminando-as.
O descarte inadequado de resíduos sólidos é outra potencial fonte de contaminação do solo. Isso porque, além de conter materiais tóxicos, a decomposição da matéria orgânica presente nesses resíduos gera outro material contaminante, o chorume.

O uso de defensivos agrícolas 


Os defensivos agrícolas são produtos usa dos nas plantações para aumentar a produtividade. Os adubos químicos, ou fertilizantes químicos, aumentam a fertilidade do solo, mas, quando usados em excesso, podem enfraquecer a planta, que pode sofrer ataques de pragas e doenças. 
Os defensivos agrícolas são produtos químicos usados no combate a organismos considerados pragas, que podem destruir ou prejudicar o desenvolvimento das plantas.
Alguns tipos de defensivos agrícolas são os inseticidas, que matam insetos que invadem as plantações, como os gafanhotos; os fungicidas, que matam fungos; e os herbicidas, que matam as plantas daninhas. A aplicação sem controle de defensivos agrícolas contamina o solo, a água, o ar e os vegetais cultivados.

Pulverização com defensores agrícolas em plantação de pimentão, em Ribeirão Branco (SP), 2019. Devido à toxicidade do produto, os trabalhadores devem utilizar equipamentos de proteção individual (EPIs), como luvas e máscaras.

Metais pesados 


Metais como o mercúrio, o chumbo, o manganês e o cádmio não são benéficos nem necessários para o bom funcionamento da saúde humana (como é o caso do ferro). Os metais desse grupo, conhecidos como me tais pesados, dissolvem-se na água e são facilmente incorporados pelo organismo. 
Ao serem liberados no ambiente (principalmente por processos industriais), os metais pesados contaminam o solo e podem ser inalados ou ingeridos juntamente com a água ou o alimento contaminado. Uma vez dentro do corpo, eles afetam principalmente o sistema nervoso (cérebro e medula), os rins e o fígado.

Lixo ou resíduo sólido 


Os restos da produção e do consumo humanos são chamados de lixo ou de resíduos sólidos. Com o desenvolvimento da indústria e a expansão do consumo de bens e produtos no último século, a produção de resíduos aumentou em quantidades alarmantes. 
O uso de materiais descartáveis, como sacolas, fraldas, copos plásticos e latas de alumínio, também contribuiu para aumentar a quantidade diária de resíduos produzidos e seu acúmulo no ambiente. Além disso, muitos materiais descartados levam anos para se decompor. Como consequência, cada vez mais ambientes são tomados pelo lixo que se acumula, principalmente nas grandes cidades, onde a população é maior.

Conservação do solo


Apesar de muitas atividades humanas contribuírem para a degradação do solo, o ser humano também é capaz de realizar atividades que promovam a conservação desse componente ambiental.
Algumas práticas agrícolas podem ajudar a proteger o solo, diminuindo o processo de erosão. São elas: o plantio em encostas (ou degraus) e em curvas de nível, a rotação de culturas, a adubação verde e a agricultura orgânica.
As raízes das plantas mantêm unidos os grãos que constituem o solo. Isso dificulta o carregamento deles pela água e pelo vento, por exemplo, auxiliando na prevenção da erosão. As plantas também protegem o solo da erosão de outras maneiras. Leia a seguir. 
- Ao crescerem, as raízes abrem caminhos no solo, facilitando a infiltração de água, evitando seu escoamento na superfície e, consequentemente, o carrega mento de solo. 
- As plantas reduzem o impacto das gotas de chuva e a velocidade de escoa mento da água sobre o solo.
- As plantas reduzem a velocidade e a força dos ventos na superfície do solo, dificultando o transporte das partículas. 
- Elas evitam o ressecamento do solo e sua exposição direta às variações de temperatura. 
Além disso, a decomposição de restos de plantas aumenta a quantidade de matéria orgânica e contribui para manter a umidade do solo. Assim, a manutenção da cobertura vegetal do solo é uma medida essencial para garantir sua conservação. 
Além disso, é preciso atentar para as atividades que prejudicam o solo, como o descarte incorreto de resíduos sólidos. É essencial que os resíduos sólidos gerados pelos seres humanos nas residências, por exemplo, tenham um destino adequado — nesse caso, os aterros sanitários. Nesses locais, os resíduos que não podem ser reciclados são depositados sobre uma camada de material impermeável, evitando, assim, que materiais presentes nesses resíduos ou o próprio chorume atinjam o solo.
Além dos cuidados citados anteriormente, é preciso atentar para as atividades que utilizam diretamente o solo, como a agricultura. 
As atividades agrícolas podem prejudicar o solo de diferentes maneiras, e uma delas é o uso incorreto e excessivo de agrotóxicos. Sendo assim, a fim de evitar a contaminação do solo, é essencial utilizar esses produtos de maneira consciente e correta. 
Além disso, é possível optar por técnicas que prejudiquem menos os outros seres vivos e evitem o uso de agrotóxicos, como o chamado controle biológico
Por exemplo, o controle da praga da cana-de-açúcar, lagarta conhecida como broca-da-cana, pode ser feito com a introdução de um inimigo natural, sem uso de agrotóxicos. Nessa técnica, a vespa, que é considerada inimigo natural da broca-da-cana, deposita grande quantidade de ovos nas lagartas da praga agrícola em questão.

Plantio em encostas


As curvas de nível são sulcos traçados em linhas horizontais de mesma altitude em uma região com baixa declividade. Os terraços são plataformas cavadas na encosta, formando degraus. 

Vista aérea de plantação de café em curvas de nível. Três Corações (MG), 2021.

Essas técnicas de plantio reduzem a velo cidade de escoamento da água da chuva e o impacto das gotas de chuva, além de facilitar a infiltração da água no solo. Com isso, evita-se que as partículas do solo sejam arrastadas, causando erosão.


Adubação verde 


Nesse tipo de adubação, são usadas plantas chamadas leguminosas (como ervilha, soja, alfafa) picadas e misturadas ao solo. Nas raízes desses vegetais, vivem bactérias que absorvem o gás nitrogênio do ar (que não pode ser absorvido diretamente pela planta) e o transformam em sais de nitrogênio (que podem ser usados diretamente pelas plantas), que fertilizam o solo.

Raízes de ervilha (Pisum sativum) com nódulos formados por bactérias que transformam o nitrogênio do ar em uma forma que possa ser usada pelas plantas.

Rotação de culturas 


No final de uma colheita, o solo pode ficar empobrecido em nutrientes, os quais são elementos essenciais para o desenvolvimento das plantas e podem vir tanto da rocha que origina o solo quanto da decomposição do resto de seres vivos. Para amenizar esse problema, emprega-se uma técnica de plantio chamada rotação de culturas. Essa técnica consiste em alternar (rotar) o tipo de vegetal cultivado, sendo que um deles geralmente é uma leguminosa, tipo de vegetal usado na técnica de adubação verde. 
Quando se alternam as culturas, o solo pode “descansar”, já que diferentes tipos de planta podem necessitar de quantidades e tipos diferentes de nutrientes. As sim, os nutrientes retirados pela cultura anterior são repostos pela dinâmica natural do solo, que pode ser acelerada com o plantio das leguminosas.

Cultivo em rotação de culturas de mandioca (à frente) e banana (ao fundo) em Barreirinhas (MA), 2019.


Agroecologia 


A preocupação com o uso excessivo de defensivos agrícolas tem impulsionado o desenvolvimento da agroecologia, conjunto de práticas de agricultura voltado para a preservação do solo e do meio ambiente. 
A agroecologia envolve a recuperação de conhecimentos tradicionais de cultivo do solo em busca de um novo modelo de produção agrícola. Sua principal característica é a otimização dos processos pelo respeito aos ciclos naturais e à biodiversidade, dispensando ao máximo o uso de produtos tóxicos. 
A agroecologia é, em geral, aliada à produção de alimentos orgânicos, cultivados sem o uso de substâncias como defensivos agrícolas. Contudo, uma região que abrigava cultivos convencionais, com o uso de defensivos agrícolas, precisa passar por um longo processo de desintoxicação se quiser obter produtos orgânicos.

Plantação agroecológica de hortaliças em Viamão (RS), em 2021.

A hidroponia é um tipo de agricultura em que as plantas crescem fora do solo. As plantas são mantidas suspensas por um sistema de canais ou recipientes que banham as raízes com uma solução nutritiva. Essa solução contém água com sais minerais de que as plantas necessitam para crescer. 
A vantagem desse sistema é o isolamento de possíveis ataques de fungos, larvas, insetos do solo, entre outros seres vivos. Isso diminui a necessidade do uso de substâncias químicas para matar esses seres vivos e permite maior controle sobre a nutrição das plantas.

A hidroponia reduz o ataque de insetos e fungos às plantas cultivadas. Na foto, cultivo hidropônico de alface, Presidente Prudente (RS), em 2019.





CARACTERÍSTICAS DOS SERES VIVOS

Durante séculos, estudiosos procuraram identificar as características comuns a todos os seres vivos que os diferenciavam da matéria inanimad...