terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Capitalismo financeiro ou monopolista

Na segunda metade do século XIX, uma nova etapa de desenvolvimento in dustrial provocou mudanças significativas na economia mundial e no território de vários países, inaugurando o capitalismo financeiro ou monopolista.
As bases tecnológicas dessa nova fase foram o motor a explosão, a hidreletricidade e o petróleo. Esse período, que recebeu o nome de Segunda Revolução Industrial, foi marcado pelo desenvolvimento da indústria pesada: metalúrgica, siderúrgica, de má quinas e equipamentos industriais.
O motor a explosão, movido a óleo diesel ou a gasolina (derivados do petró leo), impulsionou a fabricação de automóveis. Esse fato contribuiu para o desen volvimento da indústria petrolífera. Além disso, o desenvolvimento de tecnologia para a geração de energia elétrica tornou possível o desenvolvimento do motor elétrico e, por consequência, a produção dos primeiros eletrodomésticos.
A produção dessas novas mercadorias e o seu aprimoramento tecnológico exigiam investimentos elevados, o que levou algumas empresas a se associarem para ampliar sua capacidade de produção e competitividade. Ao mesmo tempo, várias instituições financeiras começaram a participar diretamente da ativida de industrial, por meio da formação das S/A (Sociedades Anônimas, com capital constituído por ações).
Os bancos tornaram-se acionistas de muitas empresas e passaram a investir também na produção. Com a venda de ações, as empresas ampliaram seu capital e, consequentemente, seu parque industrial. Muitas pequenas empresas desapa receram, incapazes de concorrer com as maiores, que disputavam o mesmo ramo de produção. Por isso, a fase do capitalismo financeiro é também chamada de ca pitalismo monopolista, que se caracteriza pelo domínio de uma grande empresa ou de um grupo de grandes empresas que dividem o mercado entre si, ou seja, há uma extrema concentração de capital por um menor número de empresas.
A Standard Oil, por exemplo, fundada em 1870, foi a maior companhia petro lífera entre o final do século XIX e início do século XX e refinava apenas 4% do petróleo produzido nos Estados Unidos. Em 1879, já controlava 90% das refinarias estadunidenses. Na Alemanha, as indústrias pesadas floresceram nes se período, incluindo uma das maiores siderúrgicas do mundo na segunda meta de do século XIX.
A partir da Segunda Revolução Industrial, a Inglaterra foi gradativamente dei xando de ser o centro do sistema capitalista, passando a dividir essa posição com os Estados Unidos, a Alemanha e o Japão, que incorporaram mais rapidamente as novas tecnologias e saíram à frente no desenvolvimento de novos produtos. Outros países que intensificaram o processo de industrialização ou se industrializa ram nessa etapa foram França, Bélgica, Itália, Suíça e Suécia.
As ferrovias foram aperfeiçoadas e implementadas em diversos trechos dos territórios dos países, o que possibilitou a instalação de indústrias em áreas distan tes dos locais de concentração de matéria-prima e de fontes de energia. Desenvolveram-se novos meios de comunicação, como o telégrafo, que se disseminaram pelo mundo. Essas tecnologias intensificaram ainda mais as rela ções econômicas internacionais e promoveram significativas modificações, par ticularmente nas paisagens dos países que se desenvolveram industrialmente nessa etapa.
Novas relações sociais e econômicas foram estabelecidas, propor cionando outros usos dos territórios, outras territorialidades. No início do século XX, o empresário Henry Ford aplicou técnicas de organização do trabalho segundo o taylorismo e desenvolveu uma linha de montagem de automóveis na qual as peças vão se deslocando por meio de equipamentos, enquanto cada trabalhador, em seu posto de trabalho, executava uma tarefa específica em um tempo predeterminado. Essa produção em série, com forte espe cialização do trabalho, chamada fordismo, foi imortalizada por Charles Chaplin no filme Tempos modernos.
Entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX, o setor indus trial ampliou sua produção numa escala muitas vezes maior que a capacidade de consumo dos países industrializados. A busca de novos mercados consumidores e de fontes de matérias-primas tornou-se então indispensável para a sustentação dessa nova etapa produtiva. Ingleses, alemães, franceses, belgas, estaduniden ses e japoneses impuseram sua força industrial por meio do controle e da explo ração, submetendo várias regiões do mundo ao seu domínio.
Esse período de divisão do mundo entre as grandes potências que disputa vam o controle de territórios entre si constituiu a fase imperialista do capitalismo, responsável por importantes conflitos, entre eles as duas guerras mundiais ocor ridas no século XX.

O capitalismo industrial

A Revolução Industrial, que marcou a fase capitalista chamada de capitalismo industrial, teve início na Inglaterra, na segunda metade do século XVIII, e tomou pro jeção em outros países europeus, sobretudo na França, no começo do século XIX. A industrialização ocasionou profundas modificações na sociedade, na eco nomia e na organização do espaço.
Também denominada Primeira Revolução Industrial, teve como elementos dinamizadores duas invenções: a máquina a va por, movida a carvão mineral, principal fonte de energia desse período, e o tear mecânico, que revolucionou a produção têxtil. Nessa etapa, as indústrias se concentraram nas áreas próximas às minas de carvão.
Com a revolução nas técnicas de produção e a organização do trabalho a partir de então estabelecidas, abriu-se um novo caminho para o enriquecimento dos países pioneiros da Revolução Industrial: a produção fabril em larga escala, o livre-comércio (concorrência), o investimento em tecnologia, o desenvolvimento do transporte ferroviário e a ampliação do mercado mundial. Ao elevar o grau de interdependência entre os países, a Revolução Industrial reorganizou o espaço mundial e a estruturação dos territórios.
Além de ampliar a divisão do trabalho dentro de cada unidade de produção (a fábrica), onde os operários tinham funções específicas, estabeleceu uma divisão internacional do trabalho entre as novas potências econômicas. Estas forneciam produtos indus trializados, enquanto as regiões dependentes – colônias e ex-colônias – forne ciam as matérias-primas utilizadas na fabricação das mercadorias.
A interferência da sociedade na natureza se intensificou com a exploração das minas de carvão mineral, a extração de minérios e o lançamento de poluen tes na atmosfera, em decorrência da atividade industrial. Nas regiões dependen tes, houve necessidade de ampliação das áreas agrícolas, sobretudo para produ ção de algodão, utilizado na confecção de fios e tecidos, como a lã dos carneiros.
Nesse período, milhares de trabalhadores se deslocaram do campo para as cidades, onde se concentravam as fábricas. As cidades começaram a crescer ra pidamente, gerando problemas ambientais: acúmulo de lixo e poluição das águas dos rios pelos esgotos lançados a céu aberto. Nas fábricas, os operários eram submetidos a jornadas exaustivas de trabalho, que ultrapassavam 14 horas diá rias, sem direito a férias. Era grande o número de mulheres e crianças que traba lhavam nas mesmas condições precárias.
As condições de trabalho e moradia da população das cidades começaram a melhorar entre a segunda metade do século XIX e as primeiras décadas do século XX, em consequência da mobilização dos trabalhadores, que passaram a reivindi car direitos por meio da organização de protestos e manifestações e da formação de sindicatos.
As conquistas obtidas pelos trabalhadores foram resultado da maior participação dos cidadãos na vida política dos países por meio de manifestações e do voto. A participação popular tem o poder de influenciar as decisões dos políticos e é fundamental no sentido de cobrar ações dos dirigentes públicos. As lutas empreendidas pelas mulheres na reivindicação de seus direitos, por exemplo, resultaram em uma grande conquista, entre o final do século XIX e o início do século XX: o voto feminino.




O capitalismo comercial

Nas atuais sociedades, há ampla diversificação na produção e na comercialização de mercadorias. O mercado capitalista está cada vez mais globalizado, ou mundializado. Diversos produtos que consumimos em nosso cotidiano provêm de localidades bem distantes.
Nem sempre foi assim. Nos séculos XV e XVI, período de formação do capitalis mo na Europa (capitalismo comercial), as mercadorias se restringiam a perfumes, seda, madeira, marfim e, sobretudo, especiarias adquiridas na Ásia. Elas eram transportadas através do mar Mediterrâneo e entravam na Europa principalmente pelas cidades de Veneza e Gênova, que as distribuíam para o restante do continente.
É importante ressaltar que povos nórdicos (da Europa do Norte), árabes, poli nésios (da Oceania) e do Sudeste Asiático também atingiram estágios de desenvolvimento significativo em termos de navegação em períodos históricos anteriores. Com a intensificação do comércio no interior da Europa, tornou-se necessária a ampliação da rota comercial controlada pelos venezianos e genoveses. Além disso, outros povos queriam participar desse negócio, bastante lucrativo.
O desenvolvimento do transporte marítimo nesse período – com a invenção da caravela, da bússola, do astrolábio – possibilitou a navegação para territórios mais distantes. Portugal e Espanha foram pioneiros nessa primeira etapa de formação do capitalismo, marcada pelas Grandes Navegações. 
Com a chegada dos europeus à América e a descoberta de novas rotas comerciais para regiões da Ásia, o comércio entre a Europa e os diversos territórios de outros continentes foi intensificado e as mercadorias passaram a ser transportadas em rotas realizadas pelo oceano Atlântico, contornando o continente africano.
Territórios do continente americano e de outras regiões do mundo foram incorporados às relações econômicas e comerciais em escala intercontinental. 
A expansão da atividade comercial levou à colonização de novos territórios, com o objetivo de extrair matérias-primas e metais preciosos. 
Estados-nações europeus se apropriaram de territórios em diferentes continentes e passaram a explorá-los, assim como a explorar os povos que habitavam essas porções territoriais.
Em decorrência dessa expansão, a intervenção humana na natureza foi se intensificando de forma gradativa nos territórios dominados pelos europeus, com a modificação e a destruição de muitos ecossistemas. Ao mesmo tempo, nações indígenas foram dizimadas ou tiveram sua população extremamente reduzida em decorrência de confrontos com os europeus ou devido ao contágio de doenças trazidas pelos colonizadores. Muitos povos foram escravizados, submetidos ao poder português e expulsos de seus territórios. 
Para os povos indígenas, o modo de vida e as relações estabelecidas entre sociedade e natureza não estavam pautados no acúmulo de riquezas e na explo ração dos recursos naturais para o comércio, e sim na obtenção daquilo que era necessário à sobrevivência. Ao conquistarem o território impondo-se à força aos nativos, os colonizadores estabeleceram novas formas de domínio, de exploração e de organização territorial onde viviam os diversos povos indígenas.

Características do capitalismo


Desde sua origem, nos séculos XV e XVI, o capitalismo passou por diversas transformações. Nesse sistema, estabeleceram-se relações de poder, travaram-se disputas por matérias-primas em diferentes territórios; grupos sociais e Estados-nações atuaram na construção e defesa de seus territórios; desenvolveram-se relações econômicas, políticas e culturais que compreendem uma territorialidade.

Algumas características fundamentais do capitalismo são:

• A produção de mercadorias e a geração de serviços destinados ao mercado de consumo levam à concorrência entre as diversas empresas que ofertam pro dutos e serviços, exigindo do empresário investimento em pesquisas para a criação de novos produtos e serviços ou o aprimoramento daqueles já existentes. Nesse sentido, as empresas, representadas por seus proprietários e/ou pelos executivos que as dirigem, procuram adotar algumas estratégias, como diminuir o tempo de fabricação para inserir mais produtos no mercado, antecipando-se ao lançamento de um concorrente; reduzir o custo de produção com a utilização de mão de obra mais barata ou o uso de máquinas que substituam o trabalho humano; obter matérias-primas e componentes mais baratos; investir em marketing e design.

• A propriedade privada dos meios de produção (fábricas, bancos, comércio e terras, como fazendas ou sítios) e dos bens pessoais (imóveis, veículos) é um direito, que pode ser transmitido aos descendentes dos proprietários.

• O trabalho é assalariado e o valor da remuneração depende de vários fatores, como a qualificação profissional e a maior ou menor oferta de mão de obra.

• Existem diferenças entre as pessoas que compõem as distintas classes so cioeconômicas. Algumas fazem parte do poder econômico e/ou político.

• As atividades econômicas têm, entre outros objetivos, a satisfação das ne cessidades materiais das pessoas e o aumento do capital (dinheiro) investido na produção e na geração de serviços, propiciando acúmulo de riquezas e obtenção de lucro. No entanto, isso depende da aceitação dos produtos e dos serviços oferecidos por parte dos consumidores. Esse lucro pertence aos proprietários ou administradores das empresas e pode am pliar as diferenças sociais.
O processo de desenvolvimento do capitalismo, particularmente a partir do século XIX, foi marcado por conflitos entre empresários (donos dos meios de produção) e trabalhadores. Enquanto estes lutavam por melhores condições de trabalho e salários mais justos, aqueles bus cavam obter lucros cada vez maiores. Atualmente, com os elevados índices de desemprego em todo o mundo, a garantia de emprego vem sendo o principal motivo de luta dos trabalhadores em muitos países.

Estado e Estado-nação

O Estado é a forma organizada e centralizada de poder político sobre um território. Todos os que vivem nesse território estão submetidos às mesmas leis. Geralmente, a lei máxima de um Estado é a Constituição.
As principais atribuições do Estado são: a organização econômica e jurídica; a criação de infraestrutura (estradas, portos, saneamento básico, redes de energia elétrica, etc.); a manutenção da ordem social, por meio de um corpo policial, e a segu rança nacional, sob responsabilidade das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aero náutica); o estabelecimento de relações com outros países – relações diplomáticas.
A oferta de serviços de educação e de saúde à sociedade, bem como inves timentos em pesquisas, também pode ser atribuição do Estado. Um conjunto de instituições, como o governo e os tribunais, com seus funcionários, garante o funcionamento do Estado. Para isso existe a arrecadação de impostos e taxas, pagos pela população e pelas instituições. 
O governo é formado pelos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, que no Brasil compreendem três esferas: federal, estadual e municipal (nesta última, não há poder judiciário). Nos Estados democráticos, com eleições regulares, os representantes do Legislativo e do Executivo são eleitos diretamente pela população e ocupam seus cargos por períodos determinados. 
Nos Estados de regimes ditatoriais, uma pessoa ou um grupo de pessoas se mantém no poder, em geral, pelo uso da força, ou assume o governo por meio de um golpe de Estado, ação que consiste na tomada inesperada do poder, quase sempre de forma inconstitucional, sem a participação do povo. Na ditadura, a população não pode eleger seus representantes e o de tentor ou detentores do poder permanecem no comando por tempo indeterminado. 
Chamamos um Estado de Estado-nação, Estado nacional ou país quando existe, dentro dos limites geográficos governados por ele, ou seja, no seu território, uma população unida por interesses e identidades comuns. Essa população é ligada por um sentimento de comunidade e pela defesa do seu direito de determinar seus próprios rumos. Assim, o Estado-nação é uma entidade que compreende um Estado (conjunto de instituições do poder político), que atua soberanamente em um território que abriga uma população, com as características descritas an teriormente. 
Cada Estado-nação é soberano sobre seu território, e sua autonomia é reconhecida internacionalmente, pela comunidade de países, por meio da Orga nização das Nações Unidas (ONU). O conceito de nação refere-se a um grupo de pessoas que geralmente apresentam determinadas semelhanças culturais, principalmente a língua, e um pas sado histórico comum, apesar das diferenças individuais. Em alguns casos, esse grupo tem também uma religião comum. A identidade e a consciência nacionais estão presentes nos símbolos (bandeira nacional, hino, etc.), rituais e comemorações que manifestam.
Os Estados-nações modernos se formaram primeiramente na Europa: Ingla terra no século XI, Portugal no século XII, Espanha no século XV e Holanda (Países Baixos) no século XVI. Nem sempre Estado e nação coincidem. Existem as nações indígenas que não se constituem em Estado. Há Estados, no entanto, que reúnem mais de uma nação ou apenas uma parcela da comunidade nacional, o que pode gerar conflitos e instabilidade. A Espanha é um exemplo de país que abriga dife rentes nações, como os catalães, os bascos e os espanhóis. Já os curdos formam uma nação que está espalhada por diversos países, como Turquia, Síria e Iraque.

O capitalismo e a interdependência entre os países

O espaço geográfico é resultado da ação humana sobre a natureza ao longo da história. Com o passar do tempo, o ser humano criou objetos, desenvolveu novas técnicas de produção, estabeleceu convenções no espaço físico e diferentes formas de relação com a natureza, explorando uma enorme quantidade de recursos naturais e degradando muitos ecossistemas no planeta. 
Com o surgimento e o desenvolvimento do capitalismo, a partir do século XV, o espaço natural e o espaço humanizado sofreram profundas transformações, que se refletem atualmente, com maior ou menor intensidade, na quase totali dade dos territórios dos países do mundo. Desde então, o espaço mundial vem sendo marcado por uma crescente tendência à interligação, pois o sistema ca pitalista é caracterizado por um grande aumento de produção de mercadorias e geração de serviços. 
Estes, por sua vez, são provenientes de diferentes países. O espaço mundial engloba o con junto de Estados-nações e as relações políticas e econômicas que se estabelecem entre eles, que muitas vezes são intermediadas e mesmo influenciadas pelas organizações inter nacionais, como a ONU (Organização das Nações Unidas), o FMI (Fundo Monetário Internacional) e a OMC (Organização Mundial do Comércio).

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Agropecuária da Região Sudeste

O Sudeste destaca-se não só por seu desenvolvimento urbano-industrial, mas também pelo êxito alcançado na produção agropecuária.
A produção agropecuária da região Sudeste é muito dinâmica, apresenta alta produtividade e dispõe de eficiente infraestrutura de escoamento da produção por rodovias, ferrovias, hidrovias e portos. 
A região Sudeste concentra cerca de 40% da população brasi leira e nela se localizam as três maiores regiões metropolitanas do país, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, além de Vitória, Campinas e outras. Cerca de 94% da população reside na zona urbana de seus municípios, gerando a necessidade de grande produção agrícola para abastecimento, associada à busca de alimentos nos mercados de outros estados e países.
A região concentra o maior volume e o maior valor da produção agrícola do Brasil e nela encontramos os mais variados tipos de produção e organização das atividades agropecuárias. Há diversas regiões onde se pratica agricultura familiar para abastecimento dos centros urbanos, muitas vezes com uso de tecnologia moderna e alta produtividade, e onde houve recente aumento da prática de agricultura orgânica. A agricultura de subsistência ainda é praticada em locais onde a terra é de baixa fertilidade e tem menor valor comercial. 
Em várias propriedades rurais do Sudeste, a introdução de um sistema produtivo de alto padrão tecnológico no campo tem garantido elevado índice de produtividade, tanto no cultivo de diversos gêneros agrícolas como na criação de animais.
Na região, também há pequenas propriedades, com técnicas tradicionais de cultivo e de criações. Como em outras regiões brasileiras, elas coexistem com a expansão das grandes propriedades monocultoras comerciais.
Nas médias e grandes propriedades também é desenvolvida uma grande variedade de atividades, com destaque para a exportação de produtos agroindustriais. 
Além de abastecer o mercado interno, essa atividade tem peso significativo entre os principais produtos que o Brasil exporta. Com o interesse de expandir cada vez mais o mercado exportador de produtos agropecuários, várias regiões do Brasil estão optando por produzir em extensas áreas agrícolas monocultoras.
Na Região Sudeste, entre as principais lavouras cultivadas nessas propriedades estão o café, a cana-de-açúcar e a laranja. As agroindústrias localizadas na Região Sudeste participam intensamente do crescimento agropecuário regional. Elas processam uma parcela relevante de produtos agropecuários exportados pelo país.

Com exceção do café, que, além de abastecer o mercado interno, é exportado sem nenhum processamento industrial, os demais produtos são comercializados no mercado interno e também exportados depois de serem proces sados nas agroindústrias, ou seja, após passarem por um processo de industrialização. Na região, entre outras produções agroindustriais, destacam-se: 
- o cultivo de laranja para produção de suco concentrado (o estado de São Paulo é o maior produtor mundial); 
- o cultivo de cana-de-açúcar para produção de açúcar e álcool (São Paulo é o maior produtor nacional e reúne a maior quantidade de usinas); 
- o cultivo de eucalipto para produção de papel e celulose, espalhado por várias sub-regiões (Minas Gerais é o maior produtor nacional); 
- a criação de gado para produção de carne, leite e laticínios, com a maior produção regional concentrada em Minas Gerais; - a criação de aves para produção de carne e ovos, com concentração de granjas no estado de São Paulo.

Agricultura e modernização no campo

Nas terras da Região Sudeste cultivam-se vários produtos, destacan do-se a cana-de-açúcar, a laranja, o café, o amendoim, a soja, o arroz, o milho, além de outras culturas. Na região se localizam os três maiores produtores de café do Brasil: Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, cuja produção, além de atender ao mercado interno, é destinada à exportação. 
A cultura da laranja é realizada principalmente no estado de São Paulo, onde se destacam os municípios de Matão, Araraquara, Bebedouro e São José do Rio Preto. 
As indústrias de suco de laranja aí instaladas são determinantes para que o Brasil seja o líder na exportação mundial desse produto. 
O Sudeste é o maior produtor nacional de cana-de-açúcar – o esta do de São Paulo lidera a produção brasileira de açúcar e a de etanol (álcool combustível para veículos automotores). No interior paulista, os canaviais e as grandes usinas de açúcar e álcool localizam-se principal mente nas proximidades de Ribeirão Preto, Bauru e Piracicaba. 
A produção de etanol permitiu ao Brasil desenvolver novas tecnolo gias agrícolas e industriais. O país ocupa a liderança mundial nesse setor.
A modernização agrícola do Sudeste apresenta outra face. A mão de obra empregada tanto na colheita de laranja como na de cana-de-açúcar é temporária, frequentemente realizada por boias-frias, originários da Região Nordeste, principalmente. 
O corte manual da cana-de-açúcar exige enorme esforço físico, e o trabalhador, submetido a condições desgastantes, é mal remunerado. 
Diante dessas condições, explicadas por um modelo de de senvolvimento caracterizado pela exclusão social, o corte manual de cana é uma questão que começou a ser enfrentada pelos governos. 
No estado de São Paulo, na safra 2007/08, apenas 42% da colheita foi realizada por máquinas, mas, na de 2018/19, atingiu-se mais de 95% de mecanização. 
Além disso, apesar de toda a modernização e da existência de le gislação ambiental específica, a cultura da cana-de-açúcar ainda provoca impactos ambientais, como poluição do ar causada pela queima da palha da cana e poluição dos corpos de água.

Cadeias produtivas agrícolas 

A agropecuária do Sudeste é bastante diversificada e tem sido fortemente in fluenciada pela produção industrial, fornecendo matéria-prima para a indústria ou comprando das fábricas máquinas agrícolas, fertilizantes químicos e agrotóxicos. Ou para produção de margarina e óleos vegetais. 
Destacam-se ainda a avicultura e a criação de gado leiteiro, seja, a cadeia produtiva agrícola combina produtos gerados na cidade para a produção agrícola e, também, produtos agrícolas que são beneficiados nas indústrias. 
O café, a cana-de-açúcar, a soja e a laranja são os cultivos mais importantes da região. Todas essas atividades integram cadeias produtivas. O café, por exemplo, pode ser colhido, torrado e moído antes de ser comercializado. A soja é usada para produção de margarina e óleos vegetais. Destacam-se ainda a avicultura e a criação de gado leiteiro, do qual se produzem manteiga, iogurte, entre outros produtos lácteos.
São Paulo se destaca pela produção de alimentos, em especial resultado do trabalho de assenta dos do Movimento Sem Terra que conquistaram a terra nas últimas décadas do século XX. Parte dessa produção não usa agrotóxicos ou complemen tos químicos, o que qualifica o resultado, que é comercializado a preço mais elevado que o que é produzido em larga escala com base naqueles produtos.
Os laços comerciais do Sudeste, principalmente São Paulo, com o resto do país são cada vez mais intensos. Muitas atividades agrícolas desenvolvidas em outras regiões estão relacionadas ao Sudeste. Por exemplo, a soja produzida em Mato Grosso do Sul é usada para produzir óleo de cozinha e, em alguns casos, biodiesel, em São Paulo.

Pecuária

Além da pecuária bovina de corte predominantemente extensiva, praticada sobretudo no norte de Minas Gerais, o Sudeste apresenta várias bacias leiteiras, ou seja, áreas de pecuária intensiva destinadas à produção de leite e seus derivados – queijos, iogurtes etc. 
Dotado de tecnologias adiantadas de produção e de seleção de raças leiteiras, o setor é expressivo na Região Sudeste, com destaque para o Vale do Paraíba, o sul de Minas Gerais, o Triângulo Mineiro e o leste do estado de São Paulo, próximo ao sul de Minas.


Capitalismo financeiro ou monopolista

Na segunda metade do século XIX, uma nova etapa de desenvolvimento in dustrial provocou mudanças significativas na economia mundial e no ter...