terça-feira, 29 de setembro de 2026

O Império Egípcio e a hierarquia social

Por volta de 3000 a.C., o Alto e o Baixo Egito, dois reinos vizinhos localizados em torno do rio Nilo, foram unificados por um chefe político chamado Narmer (ou Menés). Ele se tornou o primeiro rei do Egito, do ou faraó, como os egípcios chamavam seus monarcas.
O faraó não era visto apenas como um líder político, mas como uma divindade ou a encarnação divina na Terra. Para os egípcios, não havia separação entre política e religião; por isso, eles criaram um Estado teocrático.
A partir de 2700 a.C., a concentração do poder do faraó se intensificou, e os chefes locais, chamados nomarcas, perderam sua autonomia. Com o Estado fortalecido, os faraós expandiram sua influência em torno do rio Nilo graças a um exército poderoso, administradores preparados e uma classe de sacerdotes. Em seguida, ocorreram as grandes conquistas territoriais: o Império Egípcio avançou sobre vastas regiões na África, expandiu-se para o Oriente Médio e se tornou conhecido em todo o Mediterrâneo.
A sociedade egípcia baseava-se na exploração do trabalho agrícola de camponeses, servos e escravizados, que compunham a imensa maioria da população e eram obrigados a entregar parte de sua produção na forma de tributos para os administradores do faraó, os escribas.
Havia uma hierarquia social rígida, com o faraó e os sacerdotes no topo, seguidos dos nobres (ligados ao faraó), dos militares e dos funcionários do Estado. Na base da hierarquia, estavam os artesãos, os camponeses, os servos e os escravizados.
A propriedade passava pela linhagem feminina, de mães para filhas, e as mulheres não dependiam legalmente dos homens para fazer negócios ou tomar qualquer decisão. Mas, na visão de mundo egípcia, cabia às mulheres gerar, curar e manter o equilíbrio da família; enquanto aos homens cabia julgar, guerrear e liderar.

A vida dos camponeses e dos servos


No Egito antigo, a população pobre e camponesa vivia em casas construídas de madeira, junco e barro, nos locais mais elevados e distantes das áreas de inundação do rio Nilo e seus afluentes.
Em geral, as casas não tinham móveis ou divisões internas, apenas esteiras e utensílios de cozinha.
A base da alimentação era o pão, combinado com diversas verduras e legumes (vagens, cebolas e lentilhas), leite e peixes. Os homens vestiam-se com um tecido ajustado à cintura, as mulheres usavam túnicas, e as crianças, geralmente, ficavam nuas.
O trabalho nas lavouras de trigo, linho e cevada obedecia aos períodos anuais de cheias do Nilo.
Nas entressafras, camponeses e escravizados eram convocados para trabalhar na construção de grandes obras, como represas, templos e pirâmides. Os artesãos também formavam a base da sociedade egípcia, mas, em geral, tinham melhores condições de vida: suas casas, por exemplo, eram feitas de tijolos de barro sobre fundações de pedra.
O casamento entre os pobres não era realizado em cerimônias oficiais, mas o casal que decidia morar junto dava uma festa para a comunidade. As separações entre casais também não envolviam juízes ou sacerdotes. Tanto mulheres quanto homens podiam se casar novamente e construir novas
famílias, que se integravam à anterior.
Na morte, o destino dos camponeses não era muito favorável. Ser sepultado sem oferendas e alimentos podia transformar a alma em uma entidade maligna no mundo dos espíritos. Por isso, havia especialistas em sepultamento que ofereciam alternativas mais baratas para realizar a mumificação e fabricar um sarcófago. Na melhor das hipóteses, para um camponês, a vida depois da morte significava continuar seu trabalho no outro mundo.

Fotografia de 1979 que mostra vestígios da vila de Deir Almedina, no Egito, onde moravam os artesãos responsáveis pela construção das tumbas do Vale dos Reis, entre 1550 a.C. e 1069 a.C.

A religiosidade egípcia


A religiosidade marcava o cotidiano dos egípcios, que eram politeístas. Eles acreditavam que a terra do Egito tinha sido criada por Nun, o deus que representava o líquido que deu origem ao universo. Esse líquido era associado às águas do Rio Nilo. Para eles, o deus Khnum e suas esposas Satis e Anuket eram responsáveis pela fertilidade do solo das margens do Rio Nilo. Os antigos egípcios adoravam ainda várias outras divindades, como Anúbis, Ísis e Tot. O nome e as características de cada deus podiam variar de uma região para outra. Muitos tinham características de ani mais e em cada cidade era adorado um ou mais deuses. Os egípcios pensavam que, se alguém contrariasse as divindades, uma severa punição poderia se abater sobre esse indivíduo, sua família e até sobre todo o Egito. Eles também acreditavam na vida após a morte. Essa crença era expressa em práticas como a da mumificação.

Sistemas de escrita no Egito antigo


No Egito havia três sistemas de escrita. O mais antigo, formado por volta de 4000 a.C., combinava símbolos que representavam ideias (ideogramas) e outros que representavam sons (fone mas). Esse sistema era usado em inscrições em monumentos, templos, túmulos e documentos oficiais. Era chamado de hieroglífico, que vem da palavra grega hyeroglúphos e significa “escrita sagrada”. Além do hieroglífico, os egípcios criaram dois sistemas de escrita mais simples: o hierático (usado em documentos religiosos ou sacerdotais) e o demótico (empregado nos contratos de venda e em textos jurídicos e administrativos cotidianos).

Detalhe de escrita hieroglífica produzida entre 1323 a.C. e 1295 a.C., encontrada na tumba de Horemheb, nas ruínas da antiga cidade de Tebas, Egito.

A unificação do Egito


Na história do Egito anterior à escrita, ao longo do Rio Nilo formaram-se aldeias. Tais aldeias, que realizavam trocas comerciais e alianças entre si, juntaram-se, formando agrupamentos maiores denominados nomos. É provável que isso tenha ocorrido por causa da necessidade de construir obras para controlar as águas do Rio Nilo. Com o tempo, alguns nomos da região do Baixo Nilo se uniram, formando o chamado Reino do Baixo Egito, enquanto outros nomos constituíram o Reino do Alto Egito, ao sul. Por volta de 3200 a.C., Menés (ou Narmer) tornou-se o primeiro faraó, ou seja, o líder do Alto e do Baixo Egito, dando início à história do Egito antigo propriamente dita. De acordo com a tradição egípcia, ele era descendente dos chefes das últimas aldeias neolíticas ao norte do Nilo.

O Antigo Império 


Entre os anos 2700 a.C. e 2220 a.C., iniciou-se o período da história do Egito chamado Antigo Império. O faraó, governante desse império, detinha o poder político e, ao mesmo tempo, era reconhecido como um deus encarnado entre os seres humanos. Na visão dos antigos egípcios, a prosperidade e a estabilidade do reino dependiam do faraó, que tinha como missão garantir as cheias do Nilo. Sob sua responsabilidade também estavam o comando do exército, os tribunais de justiça e as atividades econômicas essenciais, como a exploração das minas e o controle dos armazéns. Para auxiliar o faraó, havia uma grande rede de funcionários reais que sabiam ler, escrever e fazer contas. Esses funcionários eram chamados escribas.

Organização administrativa no Antigo Império


Durante o Antigo Império, os egípcios construíram grandes cidades e centros administrativos e religiosos. Muitos egípcios habitavam esses locais, mas a maior parte da população vivia nas aldeias. As aldeias e as cidades constituíam os nomos, que eram administrados pelos nomarcas. Eles tinham autonomia para governar em nome do faraó. Junto aos nomarcas, o vizir (que, de origem árabe, significa “ministro”) era o responsável pelos tribunais de justiça e pela supervisão dos departamentos do governo. Funcionários do governo, sacerdotes e nomarcas constituíam a elite da sociedade egípcia. Os cargos que eles exerciam eram hereditários. Os camponeses, que eram chamados de felás, formavam a maioria da população. Em geral, os felás pagavam impostos pelo uso da terra a eles destinada pelo faraó com parte da produção de cereais que cultivavam. Os felás eram obrigados a trabalhar em obras públicas, como canais de irrigação, palácios, templos e túmulos, caso fossem convocados pelas autoridades.

A organização social 


Apesar de realizarem trabalho forçado, os campone ses do Egito antigo não eram escravizados. Nessa socie dade, os escravizados normalmente eram prisioneiros de guerra e compunham a minoria da população. Entre os felás e a elite, havia artesãos bastante valorizados, comerciantes, soldados e escribas.

O papel das mulheres 


Na sociedade egípcia, as mulheres possuíam alguns direitos, como o de ter bens, escolher uma profissão e casar-se com quem quisessem. O divórcio era previsto nas leis egípcias e, caso ocorresse, os bens tendiam a ficar com as mulheres. Essas práticas diferem das de outras sociedades que você estudará no decorrer deste ano.

O Médio Império


A partir de 2300 a.C., os nomarcas do Alto e do Baixo Egito passaram a questionar a autoridade do faraó, reduzindo progressivamente seu poder. Quando as disputas entre eles diminuíram, por volta de 2050 a.C., teve início o Médio Império. Esse período foi marcado pela elevada produção de alimentos e pela intensificação do comércio. 
O Médio Império se encerrou em 1710 a.C. com a invasão dos hicsos. Proveniente da Ásia, esse povo fundou no Egito uma dinastia de governantes, que se manteve por cerca de mil anos. Durante esse período, ocorreram no Egito inovações, como a invenção de carros de guerra e a melhora nas técnicas de forjar o bronze. Os hicsos foram expulsos do território pelos egípcios por volta de 1570 a.C. Teve início, então, uma nova dinastia, que inaugurou, em 1560 a.C., o que os historiadores chamam de Novo Império.

O Novo Império 


Durante o Novo Império, que se prolongou até 1069 a.C., os egípcios estenderam seus domínios até a Palestina, a Síria e a Fenícia e, ao sul, reconquistaram a Núbia. Nesse período, desenvolveu-se uma experiência religiosa singular na história do Egito antigo. Entre os anos de 1348 a.C. e 1346 a.C., o faraó Amenófis IV determinou que, em seus domínios, apenas Aton (o deus solar) poderia ser cultuado. Essa decisão pode ter sido uma das for mas encontradas pelo faraó para enfraquecer os sacerdotes de Tebas, que estavam cada vez mais poderosos. Amenófis passou, então, a se autodenominar Aquenáton (“aquele que louva Aton”).
Apesar da decisão do faraó de cultuar apenas Aton, muitos egípcios continuaram cultuando outros deuses em segredo. Além disso, o faraó nunca chegou a negar a existência de outros deuses. Dessa maneira, os egípcios não se tornaram monoteístas naquele período. Após a morte de Aquenáton, seu filho Tutancâmon foi levado ao poder quando tinha 9 anos. Ele restabeleceu o culto aos demais deuses e os privilégios dos sacerdotes.

Busto desgurado de Aquenáton, produzido entre 1353 a.C. e 1337 a.C., encontrado em Amarna, Egito

O fim do Egito antigo Após um longo período, entre o século XI a.C. e por volta de 660 a.C., o poder centralizado pelos faraós foi enfraquecido. Na prática, os egípcios voltaram a ser governados por líderes locais, até ser dominados por seus vizinhos cuxitas, que você estudará a seguir. A partir de 660 a.C., os egípcios foram dominados por diversos povos, como os assírios, os persas, os gregos e os romanos. O Egito antigo chegou, então, ao fim, após trinta dinas tias de faraós, o que equivaleu a uma história de 150 gerações seguidas.



Babilônia: de cidade a império

Com o fim do Império Acadiano, em 2083 a.C., chefes políticos das maiores cidades, como Ur e Uruk, e povos estrangeiros, como os assírios, passaram a disputar poder na Mesopotâmia. Apenas em 1792 a.C. a região foi novamente unificada a partir de Babilônia, uma cidade às margens do rio Eufrates. O mais famoso dos reis foi Hamurabi (reinado 1728 a.C.-1686 a.C.), chefe militar que ampliou as conquistas territoriais e formou as bases do novo império.
Ele organizou um conjunto de leis que regulamentava o trabalho, o comércio e as atividades agrícolas, além de reger as relações entre as pessoas e definir crimes e penalidades. Conhecido como Código de Hamurabi, continha 282 leis talhadas, em escrita cuneiforme, em uma rocha. Com esse código, considerado o primeiro sistema de leis apresentado na forma escrita, Hamurabi pretendia unificar seus domínios, superando as divergências entre os diferentes povos que ali viviam.
Atualmente parte do acervo do Museu do Louvre, em Paris, o artefato em que o Código de Hamurabi foi inscrito é uma rocha de diorito preto com cerca de 2,25 m de altura. A escolha do diorito para gravar o código sugere que o imperador apostava na durabilidade do Código, pois, se fosse inscrito em tabuletas de barro (ou adobe), corria o risco de desaparecer com o tempo.

Pedra de diorito inscrita com o Código de Hamurabi, c. 1750 a.C.

Hamurabi e Shamash 

No alto da pedra inscrita com o Código de Hamurabi foi esculpida uma imagem, como mostra este detalhe. Nela, há dois personagens. Em pé, está Hamurabi, com sua longa barba e um turbante na cabeça, símbolo de poder. Ele está em posição de oração e respeito, segundo a cultura babilônica, diante da figura que está sentada no trono, representação de Shamash, deus da justiça.
Além do trono, outros elementos simbolizam essa divindade, como a coroa chifrada, suas roupas, o cajado e os raios sobre
seus ombros.


O Império Acadiano

Suméria e Acádia

Os sumérios migraram para o sul da Mesopotâmia, provavelmente em busca de terras férteis, por volta de 8000 a.C. Lá, estabeleceram algumas cidades e desenvolveram uma cultura comum: criaram a escrita cuneiforme, falavam a mesma língua, tinham um sistema religioso semelhante e estavam ligados por intensas trocas comerciais.
Os agricultores sumérios desenvolveram sofisticadas técnicas de irrigação e de construção de represas para controlar as enchentes provocadas pela estação das chuvas. Dessa forma, conseguiram ampliar as terras férteis em torno dos rios Eufrates e Tigre.
Os sumérios dominaram a técnica de fundição do cobre, e, a partir dele, passaram a produzir o bronze. Esse material rígido e resistente permitiu a fabricação de ferramentas mais adequadas ao trabalho agrícola e de armas mais eficazes.

O Império Acadiano

Depois de tentativas frustradas de unificação das cidades sumérias em torno de um único rei, elas foram dominadas por Sargão, rei dos acadianos, por volta de 2350 a.C. Em seguida, ele expandiu sua autoridade sobre uma vasta região da Mesopotâmia, fundando um império. Era a primeira vez em que um Estado organizado exercia o domínio sobre outros povos e territórios.
O Império Acadiano durou cerca de 150 anos, ruindo quando cidades se rebelaram e o poder de Acádia se enfraqueceu. O legado de Sargão foi contado em poemas épicos, escritos muitos séculos depois, quando foi retratado como herói e profeta.

Ilustração que reconstitui a figura de um touro com cabeça humana e a figura de um humano, ambos com asas. Acreditava-se que essas figuras serviam de proteção e por isso sua imagem ficava ao lado da porta do palácio do rei Sargão. A obra original é do século VIII a.C.




As mulheres e a organização da família na Mesopotâmia

Inúmeros historiadores têm pesquisado o papel das mulheres na organização das famílias nas cidades mesopotâmicas. Por meio dessas pesquisas, descobriu-se que, por volta do século XX a.C., em geral, a condição feminina na Mesopotâmia era marcada pelo domínio patriarcal, mas as mulheres tinham certa independência para realizar atividades comerciais e gerenciar seu patrimônio. Essa independência, no entanto, variava conforme o povo, a cidade, o grupo social ao qual a mulher pertencia e o trabalho que ela exercia.
O casamento dependia de um acordo, normalmente oral, entre as famílias dos noivos. E havia uma transferência de bens: a família da jovem oferecia um dote, na forma de objetos valiosos, animais, porções de terra ou dinheiro. Esse dote não era entregue ao marido, mas destinado, posteriormente, aos filhos do casal. Já o homem oferecia à família da noiva um “contradote” de valor inferior.
As mulheres assírias e babilônicas eram responsáveis por negócios e estabeleciam acordos com mercadores. Elas tinham certa independência financeira em virtude das rendas adquiridas com seu trabalho ou por meio da venda de presentes caros, dados pelo marido. Além disso, pesquisas identificaram mulheres em diferentes profissões, como parteiras, taberneiras, cantoras, dançarinas, camareiras, cozinheiras e escribas.

Divindade feminina

Divindades femininas ocupavam um papel importante nas crenças politeístas mesopotâmicas. Nessa representação, Inanna, deusa do amor e da guerra, utiliza uma coroa chifrada e tem armas às costas e um leão domado aos seus pés. Ela era uma das deusas mais cultuadas entre sumérios e babilônicos, cujas narrativas mitológicas incluem uma descida de Inanna ao inferno para contestar o poder de sua irmã, a deusa dos mortos, Ereshkigal.

Deusa Inanna (ou Ishtar) em um selo acadiano produzido entre 2350 a.C. e 2150 a.C.

A antiga civilização indiana

Segundo os arqueólogos, o Vale do Rio Indo, onde hoje se localiza o Paquistão, começou a ser ocupado por volta de 7000 a.C. Como ocorreu na Mesopotâmia e na China, a agricultura irrigada pela água dos rios foi fundamental para o desenvolvimento da civilização indiana antiga. Por volta de 2600 a.C., grandes cidades, como Harapa e Mohenjo-daro, já existiam nas margens do rio Indo e de seus afluentes. 
Estudos arqueológicos indicam que Harapa era a cidade mais antiga do Vale do Rio Indo e pode ter sido o centro dessa civilização. Isso porque os artefatos encontrados nos diversos sítios arqueológicos da região são semelhantes aos que foram descobertos em Harapa.
A principal característica das cidades do Vale do Rio Indo era o planejamento urbano. Harapa era circundada por grandes muralhas e possuía espaçosas avenidas separando os bairros. Além disso, a cidade dispunha de um sistema de fornecimento de água, de áreas de banho e de uma rede subterrânea de esgotos. 
A agricultura constituía a base econômica da civilização harapense. Os habitantes do Vale do Rio Indo foram os primeiros cultivadores do algodão, cujas fibras eram usadas para produzir tecidos.
Os harapenses também desenvolveram um artesanato bastante variado. Eles produziam ferramentas de pedra e metal, utensílios domésticos, armas e joias tanto para o uso cotidiano como para a troca. 
As cidades harapenses entraram em declínio por volta de 1900 a.C. Por razões ainda desconhecidas, essas cidades foram progressivamente abandonadas.

A Índia do período védico 

A desorganização das cidades harapenses coincidiu com a chegada de povos nômades e guerreiros de origem ariana, vindos da Europa Oriental. Eles entraram na Índia e se estabeleceram no Vale do Rio Ganges, onde construíram uma nova civilização. 
A principal fonte para o estudo da história da Índia do período ariano são os livros chamados Vedas (palavra do sânscrito que significa “livros do conhecimento”). Trata-se de um conjunto de hinos religiosos, preces, fórmulas mágicas e comentários sobre a natureza humana e o Universo transmitidos oralmente ao longo das gerações. Os Vedas trazem muitas informações sobre a sociedade, os costumes e as cerimônias religiosas na Índia ariana.

A sociedade de castas 

Os arianos sentiam-se superiores aos nativos. Esse preconceito foi um dos fatores que deram origem à sociedade de castas, uma divisão social em que cada pessoa tinha um lugar hierarquicamente definido. 
Uma vez nascida em uma casta, a pessoa, assim como todos seus descendentes, jamais mudaria de posição social. Veja a seguir as castas que formavam a sociedade indiana na Antiguidade. 
• Brâmanes: eram os sacerdotes, que compunham a casta dominante. Controlavam os rituais e interpretavam os Vedas para estabelecer as leis, além de ocupar altos cargos no Estado.  
• Xátrias: formada pelos nobres guerreiros. Com os brâmanes, constituíam as castas dominantes. Mohenjo--Daro g Harapa 
• Vaixás: eram os comerciantes, artesãos e agricultores. Embora pudessem até ser muito ricos, eram obrigados a contribuir com impostos e a servir na guerra. 
• Sudras: casta constituída pelos servos, trabalhado res dependentes de um senhor. Em geral, descendiam dos antigos habitantes da Índia.

Além desses grupos, existiam os chamados intocáveis, pessoas que não faziam parte de nenhuma casta e que, por isso, eram consideradas impuras. Hoje, esse grande grupo se autodenomina dalit, e luta contra a discriminação.

A religião hindu 

A antiga religião ariana estava fortemente relacionada às forças da natureza, como os ventos, o fogo e as tempestades. Acreditava-se que os deuses eram como os humanos, que se alegram e se entristecem. 
Por volta do século VII a.C., introduziu-se na religião védica a ideia de um deus maior (Brahma), que abrangeria todo o Universo. Também foi criada uma teoria para justificar o sistema de castas: cada casta teria origem em uma parte do corpo de Brahma e, por isso, cada uma tinha uma função na sociedade.
As crenças em um ser eterno e absoluto, o Brahma, e na existência de um estágio final de purificação da alma constituem a base do bramanismo, religião que predomina na Índia até hoje. Atualmente, o bramanismo é mais conhecido como hinduísmo.
Os hinduístas acreditam que a alma humana passa por várias vidas (reencarnações) até libertar--se do sofrimento e atingir o moksha, o estágio da libertação final. A crença na reencarnação está as sociada à ideia do carma, ou seja, de que o Universo é regido por uma lei imutável, que determina a sucessão de nascimentos e mortes pelos quais o ser humano teria de passar.
Assim, o tipo de vida que cada pessoa tem seria determinado pelas ações que praticou em vidas anteriores. Para se libertar do ciclo de reencarnações, chamado samsara, o indivíduo deveria seguir os caminhos da iluminação: o do conhecimento; o da ação, que implica aceitar o sofrimento e renunciar aos desejos materiais; e o da santidade individual, percorrido por meio da meditação, das orações e da prática da ioga.

Templo hinduísta de Meenakshi, em Madurai, na Índia. O templo foi construído no século XVII, mas a cidadela de Madurai data de mais de 2.500 anos atrás.



As cidades-Estado e as colônias fenícias

Os fenícios ficaram conhecidos ao longo do tempo como grandes comerciantes e navegadores. Eles fundaram diversas cidades-Estado, entre elas Tiro, Sídon e Biblos. Essas cidades-Estado estavam localizadas na costa do Mar Mediterrâneo, o que favoreceu a navegação e o comércio de diversas mercadorias, como alimentos, tecidos, joias, metais e madeira. 
As condições geográficas do território fenício, marcadas pela presença de montanhas, contribuíram para a formação de núcleos urbanos isolados uns dos outros. Apesar de com partilharem a mesma origem, língua e cultura, as cidades fenícias eram política e economicamente autônomas; por isso, são chamadas de cidades-Estado. 
Cada cidade-Estado fenícia tinha o próprio rei, que acumulava funções políticas e religiosas. Existem evidências históricas de que, em algumas cidades, o rei era auxiliado por um conselho de anciãos. Como os comerciantes eram muito ricos, acredita-se que eles também exerciam alguma influência no governo das cidades. As principais cidades-Estado fenícias eram Arado, Biblos, Beritus (Beirute), Sídon e Tiro. 

AS CIDADES-ESTADO 

Os fenícios não centralizaram o poder político em um go vernante. Para muitos pesquisadores, as montanhas que se paravam os vales onde esse povo se estabeleceu e os rios que cortavam os territórios fenícios favoreceram a organização em cidades-Estado independentes umas das outras. Dessa forma, cada cidade tinha o próprio governante, que poderia ser um rei, uma elite de comerciantes ou uma família influente, de acordo com o costume de cada núcleo fenício. O mesmo ocorria na religião: cada cidade cultuava uma divindade ou um conjunto delas.
Havia, porém, elementos comuns às cidades fenícias, como a língua, o costume de fazer registros escritos, as tecnologias náuticas, o controle de determinadas rotas comerciais e o politeísmo. 
O período de 1200 a.C. a 800 a.C. é considerado o auge da cultura fenícia. O desenvolvimento das cidades-Estado era referência para outros povos da época, como gregos e persas

BIBLOS: A CIDADE DOS PAPIROS 

Correspondente à atual cidade de Jubeil, no Líbano, Biblos é considerada a mais antiga cidade não só da Fenícia, mas também do mundo. 
De acordo com pesquisadores, há vestígios da ocupação de Biblos que datam do ano 5000 a.C. A elite comerciante dessa cidade exportava principalmente o cedro, usado na construção de embarcações. Em troca, importava bens de variadas culturas e os comercializava com povos do Mediterrâneo. Dessa forma, o comércio fenício foi essencial para as trocas culturais entre os povos dessa região.
Por exemplo: o comércio do papiro. Os fenícios compravam esse produto dos egípcios e o revendiam aos gregos. Com o tempo, passaram a ser os principais comerciantes de papiro na Grécia. Por isso, a cidade era chamada pelos gregos de Biblos, cujo significado está ligado ao papiro e à escrita. Esse nome deu origem a termos usados ainda hoje, como biblioteca. 
Na verdade, Biblos era conhecida como Gubal pelos fenícios, e a divindade adorada era Baalat Gubal, a Senhora de Biblos, considerada a deusa da fertilidade e da maternidade.

TIRO 

Tiro ocupava a atual cidade de mesmo nome, no Líbano, e dividia-se em duas regiões: uma mais antiga e pouco habitada, no continente, e outra em uma ilha posicionada em local estratégico, na qual funcionava a vida urbana. Entre 1200 a.C. e 1000 d.C., a cidade tornou-se o maior centro comercial do Mediterrâneo, atraindo o interesse de diversas potências do mundo antigo. Como veremos, Tiro chegou a formar colônias ao longo do Mediterrâneo e, ao longo do tempo, foi dominada por assírios, babilônicos, persas, macedônios e romanos.
Durante o domínio romano, ficou conhecida pela produção e exportação de uma tinta vermelha denominada púrpura de Tiro. O pigmento, extraído de uma glândula do molusco múrex, era usado para tingir tecidos, resultando em tonalidades entre as cores rosa e vermelho-escuro. Usar vestes com essas tonalidades se tornou símbolo de poder no mundo antigo. Assim, a cor púrpura passou a fazer parte da identidade dos fenícios. A palavra fenícia deriva do grego phoeínikes, que significa vermelho. 
A divindade cultuada em Tiro era Baal Melcarte, considerado o deus da morte e da ressurreição, fundador de Tiro e o criador da púrpura de Tiro e da navegação para o oeste.

SÍDON 

Na atual cidade de Sídon, no Líbano, há vestígios da Sídon antiga, de origem fenícia. O núcleo urbano tornou-se comercial mente próspero em 2000 a.C. Assim como Tiro, Sídon foi dominada por vários povos, inclusive macedônios e romanos. 
Durante o domínio romano, iniciou--se nessa cidade a produção de outro tipo de púrpura e de vidro. Não há consenso entre os historiadores se a tecnologia do vidro foi desenvolvida por fenícios ou por egípcios. Sabe-se, porém, que os fenícios de Sídon foram importantes produtores e exportadores de objetos feitos desse material.
O território administrado por cada cidade incluía o núcleo urbano principal, algumas vilas menores, as áreas de cultivo e de criação de animais, além das florestas, de onde os fenícios extraíam madeira para a construção de embarcações e a confecção de móveis. 
As oficinas fenícias ficavam próximas aos portos de embarque de mercadorias, que eram transportadas para as mais diversas regiões. No final do segundo milênio a.C., com o aumento do comércio de artefatos de metais, a atividade comercial marítima dos fenícios aumentou consideravelmente. Por volta de 1000 a.C., os fenícios ampliaram suas rotas por todo o mar Mediterrâneo, chegando ao oceano Atlântico. 
Ao longo dessas rotas, eles fundaram várias colônias no norte da África, na Sicília, na Sardenha e na costa da Espanha. Nesses locais, eles adquiriam matérias-primas como metais, além de cereais e escravos.

As colônias

Os fenícios estabeleceram diversas colônias ao longo de suas rotas comerciais. Elas foram fundadas por meio de acordos entre os comerciantes fenícios e os governantes locais. Com isso, os fenícios conseguiram aumentar o comércio e melhorar a economia de suas cidades. 
A maior e mais famosa colônia fenícia foi Cartago, fundada em 814 a.C., no norte do continente africano. Por causa das riquezas e da prosperidade proporcionadas pela atividade comercial, ela passou a sofrer constantes ataques. 
A partir do século VIII a.C., Cartago envolveu-se em conflitos com outros povos, entre eles os persas e os gregos. Romanos e cartagineses também se enfrentaram três vezes a partir de 264 a.C., nas chamadas Guerras Púnicas. Em 146 a.C., Cartago foi destruída pelos romanos.

O alfabeto fenício

A necessidade dos fenícios de desenvolver um código de comunicação escrita que facilitasse suas atividades, principalmente o comércio, levou-os a adaptar conhecimentos de outros povos e criar o alfabeto, um conjunto de sinais que representam os sons de uma língua.
O alfabeto fenício tinha 22 sinais que representavam as consoantes. Ao serem usados para escrever, os sinais eram alinhados da direita para a esquerda. Por volta do ano 1000 a.C., o alfabeto fenício se difundiu pelas regiões ocidental e oriental do mar Mediterrâneo. 
Ao chegar à Grécia, foi ampliado com a adição das vogais. Mais tarde, a combinação do alfabeto fenício com o grego e o etrusco foi adaptada pelos romanos para desenvolver o alfabeto latino. Embora tenha se modificado ao longo de vários séculos, é esse o alfabeto utilizado hoje para escrever a língua portuguesa e a maior parte das línguas ocidentais.

Inscrição em alfabeto fenício (detalhe) no sarcófago de Eshmunazar, rei de Sídon. Século V a.C. Museu do Louvre, Paris, França. Poucos escritos fenícios foram encontrados, provavelmente porque muitos eram feitos em papiro, material de origem orgânica que se deteriora rapidamente. Essa inscrição foi encontrada na antiga cidade de Sídon, no atual Líbano.




O Império Egípcio e a hierarquia social

Por volta de 3000 a.C., o Alto e o Baixo Egito, dois reinos vizinhos localizados  em torno do rio Nilo, foram unificados por um chefe políti...