domingo, 20 de setembro de 2026

POVOS DO MEDITERRÂNEO


O Mediterrâneo está intimamente ligado à história da Europa, da África e da Ásia. Algumas civilizações se desenvolveram às suas margens.
Localizado entre a Europa, a África e a Ásia, o mar Mediterrâneo tem um papel de destaque na história dos povos e das civilizações que se desenvolveram às suas margens ou próximo a elas. Suas águas serviram para interligar regiões distantes, aproximar povos e culturas distintas; por meio delas aconteceu um grande intercâmbio de pessoas, plantas e animais, assim como de conhecimentos, saberes, práticas, hábitos e costumes.
A maior parte das terras mediterrâneas é quente e irrigada pelas chuvas. Nas planícies próximas da costa, os habitantes plantavam trigo e cevada e, em áreas mais elevadas, cultivavam uvas e oliveiras. Já nas colinas, criavam ovelhas e cabras. Aqueles que viviam em zonas litorâneas contavam com uma rica fonte de peixes e frutos do mar.
De acordo com historiadores, há cerca de 11 mil anos, grupos humanos já navegavam pelas águas do Mediterrâneo, prática que foi intensificada a partir de 6500 a.C. Com o tempo, diferentes povos passaram a estabelecer contato entre si, dando origem às primeiras rotas comerciais.
Inicialmente, as navegações ocorriam próximo à costa, porém, com o aprimoramento das tecnologias náuticas e dos conhecimentos adquiridos, os navegadores passaram a fazer viagens mais longas.

Trocas comerciais

Por volta do terceiro milênio antes de Cristo, povos como os egípcios e os cretenses já realizavam transações comerciais ao longo do Mediterrâneo. Ao longo dos séculos, fenícios, gregos, cartagineses, romanos e árabes, por exemplo, passaram a integrar esse comércio, e suas embarcações cruzavam o Mediterrâneo em toda a sua extensão. Produtos como vinho, azeite e metais estavam entre os mais transportados. O mar também acabou se transformando em um dos destinos finais da chamada Rota da Seda.
Rota da Seda foi o nome dado a um conjunto de estradas, trilhas e caminhos marí timos com mais de 7 mil quilômetros de extensão que atravessava a Ásia e chegava até a Europa (consulte o mapa na página 118). Não se sabe ao certo quando foi inaugurada – as atuais estimativas baseiam-se em relatos chineses sobre o comércio de caravanas que datam do século I a.C.
O trajeto completo costumava ser percorrido em cerca de um ano e era repleto de adversidades. As estradas cruzavam montanhas, desertos e estepes, e muitas vezes chuvas ou nevascas fechavam parte do trajeto, obrigando os viajantes a se desviarem do caminho conhecido. Temperaturas extremamente baixas ou elevadas, tempestades de areia e assaltantes também compunham parte das dificuldades enfrentadas pelos viajantes.
Os comerciantes transportavam no lombo de animais uma grande quantidade de mercadorias do Oriente, como perfumes, porcelanas, peles, peças de cerâmica, chá, pólvora, objetos de metal, frutos secos, pedras preciosas etc. Porém, o produto mais valioso e desejado na Europa e na África eram os tecidos de seda originários da China e trocados por cavalos, vidros, perfumes e pedras preciosas vindos de lugares variados, como Roma e Egito.

Trocas culturais


Ao cruzarem o Mediterrâneo, diversos povos estabeleceram entrepostos comerciais ou colônias em regiões litorâneas que deram origem a cidades. Uma delas é Cádiz, na atual Espanha, fundada pelos fenícios por volta do século VIII a.C. Já os gregos fundaram as cidades de Nápoles e Siracusa, na atual região da Itália.
Com a fundação dessas diversas cidades, o Mediterrâneo se tornou importante não apenas para o comércio mas também para a promoção de encontros e trocas culturais entre civilizações de três diferentes continentes. Foi por meio de comerciantes que nave gavam pelo mar que o alfabeto fenício, por exemplo, se espalhou por entre os gregos e posteriormente chegou aos romanos, que o adaptaram. O alfabeto romano é um dos sistemas de escrita alfabética mais utilizados no mundo na atualidade.

A LIGAÇÃO ENTRE O ORIENTE E O OCIDENTE


A Rota da Seda foi fundamental para promover a ligação entre o Oriente e o Ocidente. Essa rota se consolidou na dinastia Han, que governou a China de 202 a.C. a 220 d.C., e durou até 1453, quando foi fechada pelo Império Otomano.
Durante a dinastia Han, a China conquistou territórios estratégicos na Ásia Central, o que possibilitou a circulação de pessoas e mercadorias entre regiões dos atuais Afeganistão, Índia e Irã. Criou-se uma complexa rede de caminhos terrestres e marítimos, interligando o Mediterrâneo, então controlado pelo Império Romano, e regiões do Oriente sob diferentes impérios.
A Rota da Seda estabeleceu uma conexão duradoura entre povos antigos distantes entre si (analise o mapa). Por meio dela, ideias, técnicas e costumes foram levados de um local a outro do planeta. Geógrafos romanos, como Ptolomeu, passaram a conhecer melhor a cartografia oriental. Tradições filosóficas, escolas artísticas e crenças religiosas, como o cristianismo e o budismo, também circularam amplamente.
À frente do Império Macedônico, Alexandre, o Grande, avançou no século IV a.C. por meio da Rota da Seda sobre territórios asiáticos. O processo conduzido pelos macedônios deu origem à cultura helenística, marcada pela combinação de tradições mediterrânicas e orientais.

A CIVILIZAÇÃO CRETENSE 

Creta é uma ilha com pouco mais de 8 mil quilômetros quadrados, localizada entre o norte da África e o sul da Península Balcânica. Maior ilha do Mediterrâneo, abrigou uma das mais antigas civilizações da humanidade, a civilização cretense, também conhecida como minoica.
Pouco se sabe sobre as origens dos cretenses. No entanto, por volta de 2500 a.C., na mesma época em que os egípcios construíam as pirâmides de Gizé, existiam em Creta importantes cidades, como Cnossos, Malia e Festos. Eram cidades controladas por uma aristocracia formada por reis, nobres, sacerdotes e comerciantes. 
Nessas cidades, as casas eram de pedra e tijolo, e os palácios ali erguidos funcionavam não só como residências mas também como centros comerciais, cerimoniais e religiosos. Em Cnossos, por exemplo, o palácio ocupava uma área de 20 mil metros quadrados no alto de uma colina.
Os minoicos se destacavam na fabricação de joias, cerâmicas, esculturas e produtos de metal. Também construíram portos e aquedutos. Para navegar entre as ilhas da região, os primeiros cretenses utilizavam canoas escava das em troncos de árvores, posteriormente substituídas por embarcações mais sofisticadas. 
Com elas, realizavam trocas comerciais com povos de lugares distantes, como Grécia e Egito, além de outras regiões do Mediterrâneo, como a Mesopotâmia e a Ilha de Chipre. A marinha mercante dos cretenses se tornou a maior da época e seus mercadores dominaram o comércio mediterrâneo.
A civilização cretense é considerada uma das primeiras a ter uma vida econômica dominada pelo comércio marítimo. Ao entrarem em contato com outros povos, os cretenses assimilaram traços de diferentes culturas. Com os mesopotâmicos, por exemplo, aprenderam a trabalhar o bronze; com os egípcios, a fabricar vasos de pedra.
Uma característica marcante dos cretenses era o papel desempenhado pelas mulheres: elas ocupavam posição de destaque e desfrutavam de uma liberdade até então desconhecida em outras localidades. Além disso, várias divindades eram femininas e cabia às sacerdotisas o principal papel nas cerimônias religiosas. 
A civilização minoica começou a entrar em decadência no início do século XV a.C., quando Creta foi devastada por terremotos e guerras internas. Ao longo do século, foi invadida por diversos povos até ser dominada pelos aqueus, no início do século XIV a.C.

Ruínas de palácio cretense em Cnossos, na Grécia, 2018.

OS FENÍCIOS 

O alfabeto é uma das mais importantes invenções do ser humano. Com menos de 30 sinais (a, b, c, d etc.), é possível registrar uma linguagem articulada e transmitir as ideias mais abstratas. Além disso, os sinais utilizados em português são, de modo geral, os mesmos que povos como alemães, ingleses, franceses, entre outros usam para escrever em seus idiomas.
O alfabeto é resultado do acúmulo coletivo de informações, necessidades, criações e interesses de diversos povos. Mas juntar informações de várias culturas e elaborar um sistema de escrita adaptável a diversas línguas foi tarefa de um povo específico: os fenícios. As origens dos fenícios datam de aproximadamente 3000 a.C., época em que diversos agrupamentos de um povo que se autodenominava cananeu se estabeleceram no Oriente Médio, em uma região chamada Canaã, próximo ao atual Líbano.
Uma série de disputas de terras entre os povos que habitavam Canaã forçaram os cananeus a se estabelecerem em uma estreita faixa de terra, situada mais próximo ao mar. Embora tivessem o mesmo idioma e a mesma cultura, os cananeus não criaram um Estado unificado, sob o governo de um único rei. Seus povoados, que ao longo dos séculos se transformaram em cidades, tinham administração própria. Por isso, são chamados de cidades-Estado. Esse foi o caso das cidades de Biblos, Sídon, Tiro, Ugarit e outras.

Ruínas da cidade de Anjar, na costa mediterrânica do Líbano, 2019. 

O comércio Um produto típico dos cananeus era um corante especial para tingir tecidos de vermelho-escuro. Conhecido como púrpura, esse produto era fabricado com base em um pequeno molusco encontrado no litoral da região e vendido por alto preço a diversos outros povos. 
Os gregos chamavam a púrpura de phoenicia. Por isso, a região de Canaã passou a ser designada também por Phoenicia (Fenícia), e seus habitantes ficaram conhecidos como fenícios. Outro produto que comercializavam era o cedro, árvore bastante utilizada para a construção de navios.

Trabalhadores descarregando toras de cedro de navios, representados em detalhe de relevo, Palácio real de Sargão II em Dur Sarruquim, Iraque. Século VIII a.C.

As embarcações fenícias navegavam pelo Mediterrâneo levando e trazendo grande variedade de mercadorias. Em muitos dos locais pelos quais passavam – norte da África, regiões da Europa, ilhas do Mediterrâneo –, fundaram feitorias, que mais tarde se transformaram em cidades. 
A mais famosa delas foi Cartago, que se tornou uma grande potência, como explicado nas páginas 124 e 125. O declínio das cidades fenícias começou a partir do século VII a.C, quando foram dominadas por diversos povos, entre eles babilônios, persas, gregos e romanos.

O desenvolvimento do alfabeto O comércio colocou os fenícios em contato constante com diferentes povos. Além disso, eles viviam em uma região onde era possível encontrar grande variedade de línguas e escritas. 
Há registros da utilização de escrita cuneiforme nos territórios fenícios por volta de 1000 a.C. Esse tipo de escrita era utilizada na região da Mesopotâmia e se disseminou entre os fenícios por meio das trocas culturais e comerciais entre as duas regiões. Além disso, a escrita hieroglífica também foi utilizada em documentos produzidos pelos fenícios, que a assimilaram possivelmente após contatos com os egípcios. 
Aos poucos, os fenícios adaptaram esses tipos de escrita às suas necessidades. Para registrar suas transações comerciais, por exemplo, necessitavam de um sistema de escrita flexível e rápido. Assim, criaram um modelo de alfabeto com apenas 22 sinais – todos consoantes. Esse alfabeto utilizava letras para representar os sons das palavras e ficou conhecido como alfabeto fonético. 
A invenção fenícia foi transmitida pelo Mediterrâneo, influenciando outros povos da região. Os gregos, por exemplo, incorporaram o alfabeto fonético e acrescentaram a ele cinco vogais, deixando-o com 24 letras, praticamente do modo como conhecemos hoje. Esse alfabeto, por sua vez, influenciou os etruscos. Das 26 letras do alfabeto etrusco, os romanos assimilaram 21 na criação do alfabeto latino. 
Composto apenas de letras maiúsculas, o alfabeto latino se espalhou pelo Mediterrâneo, nas regiões conquistadas pelos romanos. As letras minúsculas foram acrescentadas séculos depois, durante a Idade Média.

CARTAGO: UMA POTÊNCIA AFRICANA 

A cidade de Túnis, atual capital da Tunísia, já foi ocupada por uma das maiores potências comerciais e militares do Mediterrâneo: Cartago. Essa cidade-Estado foi fundada pelos fenícios no século VIII a.C. e posteriormente se emancipou, formando a civilização cartaginesa. No final do século V a.C., Cartago era a cidade mais rica do Mediterrâneo. 
Os cartagineses controlavam diversas colônias, que se estendiam da costa norte do continente africano até o sul da Península Ibérica.
Essas regiões eram responsáveis pelo fornecimento de alimentos e metais, principal mente chumbo e prata. No século IV a.C., os cartagineses passaram a cunhar a própria moeda, que substituiu o ouro, usado até então como forma de pagamento. 
A cidade de Cartago tinha intensas atividades comerciais. Os comerciantes cartagineses compravam e vendiam variados tipos de mercadorias, como ouro, prata, ferro, estanho e marfim, vindos de diferentes regiões da África, Ásia e Europa.
Essas e outras mercadorias entravam e saíam pelo porto de Cartago. Construído em formato circular, havia em seu interior espaço suficiente para mais de 200 embarcações de guerra.
A frota de navios de guerra dos cartagineses era uma das maiores do Mediterrâneo. As embarcações eram movidas a remo e tinham em sua proa, ou seja, na parte da frente, um esporão (espécie de protuberância) para danificar os navios inimigos.

Reconstituição artística do porto de Cartago no século X, quando agregava o porto militar (o circular), no interior, e o porto comercial (o retangular), em contato com o mar Mediterrâneo.
No século III a.C., Cartago passou a sofrer a concorrência de Roma, que disputava com ela a supremacia na região do Mediterrâneo. A rivalidade entre as duas cidades originou três longos conflitos, travados entre 246 a.C. e 146 a.C. Esses conflitos, vencidos por Roma, ficaram conhecidos como Guerras Púnicas.
Com a vitória, Roma se tornou a principal potência do Mediterrâneo e deu início a um pro cesso de expansão territorial que resultou na formação de um grande império. 
A cidade-Estado de Cartago foi destruída e transformada em província romana. Os cartagineses que sobreviveram aos confrontos foram enviados a Roma na condição de trabalhadores escravizados.

A CIVILIZAÇÃO ETRUSCA

Por volta do século VIII a.C., os etruscos, povo originário provavelmente da Lídia (atual Turquia), estabeleceram-se no centro da Península Itálica, região depois chamada de Etrúria. Ao chegarem à Etrúria, os etruscos iniciaram diversas obras: regularizaram o curso de rios, secaram pântanos, construíram esgotos, aquedutos e portos. 
Construtores habilidosos, utilizavam em suas obras pedra, madeira e tijolo. Além disso, foram eles os responsáveis por introduzir o arco e as abóbadas nas construções da Península Itálica.
Os etruscos fundaram diversas cidades-Estado na península, entre elas Veio, Cere, Tarquínia e Vulci, que eram governadas por monarquias. Além de cuidarem da administração, os reis também comandavam o exército, presidiam os serviços religiosos e eram responsáveis pela aplicação da justiça. 
A civilização etrusca acreditava na existência de vida após a morte. Quando uma pessoa das camadas sociais mais elevadas morria, seu corpo era depositado em uma tumba com objetos de uso pessoal, para que pudesse utilizá-los em sua próxima encarnação. A própria tumba era uma construção suntuosa, contendo vários cômodos e pinturas nas paredes. Muito do que se conhece hoje a respeito da história dos etruscos veio da análise desses túmulos e dos objetos encontrados em seu interior.

De pequena vila à cidade-Estado

Os etruscos também se destacavam como marinheiros e praticavam o comércio e a pirataria ao longo do Mediterrâneo. Do contato que tiveram com gregos, herdaram um sistema de escrita cujo alfabeto era formado por 26 letras. No entanto, a escrita etrusca ainda não foi totalmente desvendada. 
Na segunda metade do século VII a.C., os etruscos expandiram seus domínios territoriais. Cruzaram o Rio Tibre, que delimitava seus territórios ao sul, e invadiram a região do Lácio, onde viviam os latinos, povo que se dividia em várias aldeias. Os etruscos unificaram essas aldeias dando origem à cidade-Estado de Roma, que, séculos mais tarde, iria se tornar a maior potência do Mediterrâneo. 
Os etruscos permaneceram em Roma até o século VI a.C., quando foram expulsos pelos latinos. Nos séculos seguintes, guerras contra latinos, gregos e celtas contribuíram para o enfraquecimento da civilização etrusca, que desapareceu no século IV a.C.

Telha de terracota etrusca do final do século VI a.C.









Organizações políticas na África Antiga

A África é um continente imenso, com mais de 30 milhões de quilômetros quadrados. Nesse amplo território, as sociedades africanas desenvolveram diferentes formas de organização política, como aldeias, cidades-Estado, reinos e impérios. De modo geral, podemos dizer que, na sua origem, todas essas formas de organização tinham como base as relações de parentesco e de lealdade a um chefe. Por isso, ficaram conhecidas como “sociedades de linhagem”.

Aldeias e cidades-Estado


As aldeias eram formadas por conjuntos de famílias. Cada família tinha um chefe, que liderava seus descendentes e agregados. Geralmente, o chefe de uma família era a pessoa mais velha, que se destacava por sua liderança e por seus conhecimentos. Entre os chefes de família, escolhia-se o chefe de aldeia. A autoridade dos chefes vinha da sua linhagem, isto é, do parentesco com os antepassados que teriam fundado a aldeia.
O chefe era o responsável pelo governo da comunidade. Ele comandava os guerreiros, administrava a economia e mandava aplicar castigos às pessoas que não cumpriam as normas do grupo. Mas o chefe de aldeia não governava sozinho. Para tomar decisões que afetavam a comunidade, ele contava com a ajuda dos chefes de família, como uma espécie de conselho comunitário. Às vezes, as aldeias se uniam para formar alianças.
Havia nas aldeias pessoas que exerciam funções religiosas. A religião influenciava profundamente o cotidiano. Os antepassados e os heróis míticos, considerados fundadores de suas sociedades, eram cultuados em cerimônias religiosas.
Em muitos lugares da África, também existiam cidades-Estado, cercadas por muralhas de madeira, barro ou pedra. Nessas cidades, vivia uma população composta de comerciantes, artesãos, funcionários do governo e o rei. Nos arredores dos centros urbanos, homens e mulheres dedicavam-se à agricultura e à criação de animais. Como exemplos de antigas cidades-Estado africanas, podemos citar Ifé e Oyo, localizadas perto da costa ocidental, e Cartago, localizada no norte do continente.

Reinos e impérios


Algumas sociedades africanas organizaram-se em reinos e impérios, à medida que a população tornou-se mais numerosa e houve aumento do comércio e das tropas militares. De modo geral, o rei era aquele que recebia o poder de forma hereditária e governava o povo com certa unidade cultural. Já o título de imperador era dado ao governante que expandia seu território, conquistando outros povos. Mas as diferenças entre reino e império não são rigorosas.
 
Os reinos e os impérios apresentavam, assim, uma organização mais complexa do que as aldeias e as confederações. Observe, a seguir, alguns exemplos. 

Império do Mali – consolidou-se na África Ocidental com a vitória do rei Sundiata Keita sobre o rei Sumanguru, em 1235, e perdurou até o século XV. 
Império Songai – nos séculos XV e XVI, expandiu-se do Reino de Gao e atingiu a costa atlântica até regiões que hoje correspondem ao Senegal e à Gâmbia. 
Império de Gana – criado pelo povo soninke na região hoje correspondente ao norte do Senegal e ao sul da Mauritânia, atingiu seu maior poder no século XI. 
Reino do Daomé – fundado no século XVII, no Golfo da Guiné, perdurou até o final do século XIX. 

Além desses exemplos de organizações políticas e sociais duradouras, destaca-se o Egito antigo, um dos impérios mais conhecidos da África.

A ÁFRICA ANTIGA

A África é o berço da humanidade. Nossos ancestrais mais remotos nasceram no continente africano e lá deram seus primeiros passos. Ali, desenvolveu-se ainda a civilização egípcia, uma das mais antigas do mundo.
Também é africano o país mais recente do mundo: em 2011, foi oficializada a criação do Sudão do Sul.
Nessa região floresceu no passado um importante reino africano conhecido como Reino de Cuxe. Esse reino surgiu por volta do século IX a.C. e existiu por mais de 1 200 anos. Cortado por rotas de mercadores, o Reino de Cuxe foi um grande centro comercial da África na Antiguidade.

O SAARA VERDE


O Saara é um deserto que divide o continente africano em duas grandes áreas: ao norte fica a chamada África setentrional e ao sul, a África subsaariana. Mas nem sempre essa região foi desértica como nos dias de hoje.
Há cerca de 5 mil anos, parte do atual deserto era verde e com recursos hídricos permanentes. Recentemente, cientistas encontraram nesse local fósseis de animais como crocodilos, elefantes e hipopótamos. Na região onde hoje é a Líbia, por exemplo, existem pinturas rupestres representando girafas. Essas evidências indicam que o Saara teve uma fauna bastante diversificada. Além disso, pesquisadores descobriram anzóis milenares, vestígios que sugerem que os grupos humanos da região praticavam a pesca.
De acordo com os estudos, o processo de desertificação do Saara iniciou-se em algum momento entre 5000 a.C. e 2000 a.C., por causa de diversas mudanças climáticas. Pouco a pouco, as espécies animais foram desaparecendo, os rios e lagos secaram e os grupos humanos que ali viviam migraram em busca de terras para a pastagem do gado.
Muitos migraram para o norte, em direção à chamada África setentrional, enquanto outros permaneceram na região, como os ancestrais dos berberes.

 Pintura rupestre com representação de girafa na caverna Tadrart Acacus, na Líbia, 2016.

Povos do deserto 


Os povos nômades que habitavam o deserto foram os responsáveis por promover o intercâmbio entre o norte e o sul do continente africano. Povos como os tuaregues e os azenegues fizeram essa interligação por meio da prática do comércio.
Ao se locomoverem com mulas e camelos, os comerciantes conheciam profundamente a região. Sabiam como enfrentar a aridez e dominavam as rotas que levavam aos oásis do Saara. No primeiro milênio antes de Cristo, duas rotas principais cortavam o deserto: uma ligava a atual região do Marrocos ao Mali, enquanto outra interligava a atual região da Tunísia ao Chade. Com o passar do tempo, diversas outras rotas transaarianas foram criadas.
A atividade comercial do Saara começou a entrar em declínio no século XIX. No entanto, o papel dos povos nômades foi além do intercâmbio comercial. Enquanto cruzavam as rotas transaarianas, eles difundiam informações, hábitos e costumes, promovendo o intercâmbio cultural entre os diversos locais percorridos. Algumas sociedades africanas antigas e suas diferentes formas de organização política e social. Algumas delas eram de pequenos agrupamentos, organizados em torno de uma aldeia; outras se estabeleceram em torno de uma cidade, como nas cidades-Estado dos sumérios. 
Havia também grandes reinos e impérios com amplos domínios territoriais. De modo geral, grande parte das sociedades africanas era hierarquizada, havendo nobres, plebeus, estrangeiros e pessoas escravizadas. Conhecer o passado dessas sociedades contribui para desmitificar ideias equivocadas a respeito da África que subsistem até os dias de hoje.




Religiões africanas


Desde a origem da humanidade até hoje, a África se destaca pelo grande número de povos com práticas, costumes, hábitos e crenças distintos. Essa riqueza fica muito clara quando observamos a atual diversidade religiosa do continente.
Muitas religiões africanas se organizaram em torno de crenças politeístas, cultuando deuses que representavam aspectos variados da natureza, espíritos, outras entidades e os ancestrais da comunidade. Nessas religiões, existia a crença de que alguns indivíduos tinham poderes especiais para entrar em contato com deuses e outras entidades, a fim de solicitar o apoio desses seres para a proteção da comunidade e de seus membros.
Também existiram povos que criaram religiões politeístas associadas à organização política da sociedade, como as religiões do Antigo Egito e do Reino de Cuxe. Nessas religiões, o governante era visto como um deus, motivo pelo qual deveria ser respeitado por todos. Por sua vez, os sacerdotes tinham grande poder, podendo auxiliar o governante a comandar a sociedade.
Além das religiões criadas pelos povos africanos, muitas sociedades foram influenciadas por religiões de outras partes do mundo. Os maiores exemplos são as religiões monoteístas, como o cristianismo e o islamismo, que se disse minaram pela África ao longo do tempo e atualmente são as religiões com mais fiéis no continente.

A religião banta 


A base da religiosidade dos povos bantos era a crença na existência de dois mundos diferentes: o visível (no qual estavam todos os seres vivos, os minerais e os fenômenos naturais) e o invisível (formado por espíritos da natureza e divindades).
A organização desses dois mundos ocorria por um sistema de hierarquias. Primeiramente apareciam os seres do mundo invisível, cujo mais alto posto pertencia a uma divindade suprema – responsável pela criação de tudo que existe –, que era seguida por outros deuses, espíritos, antepassados e entidades. Logo de pois vinham os seres do mundo visível, com as autoridades políticas das comunidades bantas, seguidos de tudo o que existia em ordem de importância.
O deus criador de todas as coisas recebia diferentes nomes, como Kalunga, Lessa ou Nzambi, e ele não intervinha na vida e no mundo visível. Os bantos acreditavam que essa divindade ordenou aos filhos divinizados que se responsabilizassem pela manutenção da ordem do mundo visível. Foi a ação desses deuses que teria dado origem às primeiras linhagens dos povos bantos.
De acordo com as crenças bantas, existiam também os espíritos dos ancestrais (espíritos de pessoas que, em um passado longínquo, contribuíram para o desenvolvimento das comunidades) e dos antepassa dos (espíritos de parentes que, depois de mortos, continuavam protegendo as comunidades). Além deles, havia os espíritos da natureza, considerados importantes porque podiam ser convocados para solicitar o auxílio das divindades.
Um aspecto essencial das crenças religiosas dos bantos é que o mundo invisível estava em permanente contato com o mundo visível; ou seja, os poderes fornecidos pelos espíritos e divindades serviam para proteger os membros da comunidade e garantir sua continuidade. Por essa razão, as pessoas considera das capazes de se comunicar com o mundo invisível tinham grande importância. 
Esses intermediários entre os dois mundos recebiam diversos nomes, como nganga ou ndoki, e por meio de rituais podiam realizar curas de doenças ou problemas físicos, solicitar sorte favorável em combates e outras ações benéficas.

A religião iorubá 


A cultura iorubá surgiu em regiões que correspondem ao atual território da Nigéria. De lá, seus praticantes se espalharam para diversas áreas da África Ocidental, construindo uma importante civilização. Não existiu um Estado que unisse todos os povos iorubás: formaram-se diversas sociedades independentes, que muitas vezes não estabeleciam contato entre si. Ainda assim, havia elementos culturais comuns que possibilitaram aproximar essas diversas sociedades, como a religião iorubá.
A base da religião iorubá, de forma semelhante ao que vimos na religião banta, é a crença de que existem dois mundos. No caso iorubá, o mundo chamado de Orum consiste em um plano espiritual. Já o Aiyê é o plano material, onde estão os seres vivos.
No início de tudo, os dois mundos estavam unidos e o deus criador de todas as coisas, chamado Olorum ou Olodumaré, permitia que os seres humanos vives sem em contato direto com as divindades iorubás, os orixás. Todavia, quando os humanos se tornaram desobedientes, Olorum decidiu separar os dois mundos. A partir de então, os deuses foram separados dos seres humanos e o contato direto foi impossibilitado. A única forma de os seres humanos entrarem em contato com o mundo espiritual era por meio de rituais, nos quais as entidades utilizavam o corpo dos seres humanos para atuar no mundo físico.
O sacerdote responsável pela comunicação com o mundo espiritual recebe o nome de babalaô. Por meio dele, seria possível solicitar a proteção e a realização de ações mágicas para auxiliar nos problemas. As crenças dos povos iorubás não eram baseadas na noção de bem e mal, mas sim na existência de uma força vital presente em tudo o que existe. A religião era politeísta, e os iorubás cultuavam muitas divindades que representavam aspectos da natureza, dos conhecimentos técnicos e de outras dimensões da vida, como o deus do ferro (chamado Ogum), o deus da justiça (Xangô) e o deus da chuva (Oxumarê).
Além disso, os iorubás cultuavam seus ancestrais e acreditavam que aqueles que morriam passavam a fazer parte do mundo espiritual, ajudando a proteger os membros da comunidade.



A influência das religiões africanas no Brasil

Devido à migração forçada e à escravização de africanos, muitas religiões africanas influenciaram a cultura brasileira, especialmente as bantas e iorubás.
Existem muitos registros de práticas religiosas africanas no Brasil entre os séculos XVI e XIX. As autoridades portuguesas temiam essas práticas, chamadas por elas de calundus, e agiam para reprimir aqueles que as realizavam.
Diante das inúmeras violências que marcaram as relações escravistas, as prá ticas religiosas eram importantes instrumentos de resistência. Por meio delas, os escravizados mantinham os vínculos entre si e com suas culturas de origem, lidando também com a violência física que sofriam. Por isso, era comum realizar rituais de cura de doenças e ferimentos, além daqueles que visavam proteger seus praticantes ou mesmo prejudicar os senhores de escravizados.
Ao longo do tempo, as diferentes crenças religiosas africanas se misturaram a crenças indígenas e a elementos do catolicismo, dando origem às religiões afro-brasileiras, como o candomblé, que se organizou pelo culto aos orixás dos povos iorubás e teve influências de outros povos africanos. Há também o candomblé de raiz banto, como o chamado candomblé de Angola.
Atualmente, o candomblé é uma das principais religiões do Brasil, com grande número de praticantes. Sua base é o culto aos orixás, mediado por um pai de santo, responsável pela organização de um terreiro, isto é, pelo local de culto. Os rituais, que visam ao bem-estar, à proteção e ao auxílio dos praticantes, contam com sacrifícios simbólicos, feitos de forma a agradecer o apoio oferecido pelos orixás.
Apesar das religiões afro-brasileiras contarem com muitos fiéis, ainda existem muitas manifestações de violência contra os praticantes e seus terreiros, ex pressões de discriminação racial e de ameaça à liberdade religiosa. Em um mundo plural e globalizado, é muito importante combater os atos de intolerância e garantir que os praticantes de todas as religiões tenham o direito de seguir e praticar suas crenças.

O Reino de Kush

Ao sul do vale do Rio Nilo, havia uma região chamada pelos egípcios de Núbia, palavra que significa “terra do ouro”. Ali, a partir do II milênio a.C., desenvolveu-se o Reino de Cuxe. Essa sociedade surgiu nas terras que cor respondem, mais ou menos, ao atual território do Sudão.
Inicialmente, o Reino de Cuxe tinha a cidade de Kerma como capital. Depois, a sede do governo deslocou-se para Napata e, posteriormente, para Meroé. Essas cidades foram importantes centros comerciais, religiosos e artísticos. 
Na região da Núbia, localizada há alguns quilômetros ao sul do Egito, havia diversas riquezas naturais, como jazidas de ouro e de pedras preciosas, além de um solo fértil. Seus moradores, chama dos de cuxitas, praticavam o comércio, a agricultura, a mineração e a pecuária. Nessa região, por volta do ano 1800 a.C., desenvolveu-se o Reino de Cuxe, que tinha como capital a cidade de Querma
A história de Kush está estreitamente ligada à do Egito: os arqueólogos encontraram grande número de objetos egípcios (pérolas, vasos, peças de artesanato, entre outros) em terras cuxitas, e produtos cuxitas (peles de animais, marfim, ouro, ébano etc.) em terras egípcias, o que prova que o contato comercial entre eles foi intenso.
Os egípcios mantinham relações co merciais com os cuxitas, adquirindo pro dutos como cereais, peles de animais e minérios, principalmente ouro e ferro. Po rém, em 1570 a.C., os egípcios invadiram e dominaram Querma, transformando o Reino de Cuxe em uma colônia egípcia.
Para administrá-lo, o faraó egípcio nomeava vice-reis que deviam receber os tributos pagos pela população e encaminhá-los às autoridades egípcias. Essa pintura mural foi encontrada na tumba de um desses vice-reis.
Pessoas consideradas criminosas ou que haviam sido aprisionadas em guerras também podiam ser enviadas de Cuxe para o Egito, onde eram escravizadas.

A influência egípcia em Cuxe


Após séculos de contatos, de relações comerciais e de disputas entre Núbia e Egito, muitos elementos da cultura egípcia foram incorporados pelos cuxitas. 
Durante o período dos faraós negros, por exemplo, tornou-se comum na Núbia o costume de construir pirâmides e templos religiosos. Além disso, eles mumificavam os mortos e faziam pinturas tumulares.
Sob o domínio egípcio, os cuxitas adotaram alguns deuses e algumas práticas funerárias egípcias, por exemplo, a mumificação.

Pintura representando núbios (cuxitas) levando tributos, como ouro e peles de animais, a serem pagos aos egípcios, c. 1380 a.C.

A formação de um novo reino 


Mas houve um tempo em que o Reino de Kush também conquistou o Egito. Por volta de 1070 a.C., o Egito foi abalado por crises políticas, seguidas de revoltas populares e ondas de fome. Nessa época, aproveitando a fragilidade de seus dominadores, os cuxitas articularam uma invasão militar no Egito para reconquistar sua autonomia.
Por volta de 730 a.C., após uma guerra prolongada, os cuxitas tomaram Tebas, a capital do Egito na época. O faraó Peye, originário de Kush, tomou o poder, dando início à 25a dinastia, conhecida também como dinastia dos faraós negros. 
Os cuxitas se reorganizaram politicamente e deram início à formação de um novo reino, com capital em Napata. Fortalecidos, eles passaram a conquistar outras regiões, até que, por volta de 730 a.C., dominaram todo o Egito. Essa dominação durou aproximadamente 100 anos.
Os faraós dessa dinastia usavam uma coroa com duas serpentes que se erguiam sobre suas frontes para indicar que reinavam ao mesmo tempo sobre Kush e Egito. Eles se consideravam sucessores dos faraós egípcios e também ordenaram a construção de pirâmides para lhes servirem de túmulos.
A 25a dinastia foi derrubada pelos assírios, do Oriente Médio, que invadiram e conquistaram a capital do Egito (Tebas), em 644 a.C. Após essa data, os cuxitas retornaram para o sul, instalando a sede do Reino de Kush na cidade de Napata e, mais tarde, em 580 a.C., na cidade de Méroe.

Méroe


Durante o século VI a.C., os egípcios expulsaram os cuxitas de seu território e invadiram Napata. Com isso, os cuxitas transferiram sua capital para Méroe, cidade que ficava mais distante do Egito. Além disso, Méroe possuía solos férteis e estava localizada perto de importantes rotas comerciais.
A região de Méroe era formada por extensas planícies férteis e úmidas. No verão, ocorriam chuvas abundantes, por isso um sistema de irrigação foi desenvolvido para aproveitar as águas do rio Nilo. 
Há indícios de que o comércio era bastante desenvolvido na nova capital. Em escavações arqueológicas foram encontrados grandes depósitos de madeira e de marfim na antiga cidade de Méroe, indicando que estes podem ter sido alguns dos principais produtos comercializados. Outros produtos, como ouro, peles de animais e artigos artesanais, também faziam parte desse comércio.
Com o grande fluxo comercial, os cuxitas estabeleceram contato e intercâmbio cultural com outros povos, como os sírios, os persas, os indianos, os gregos e os romanos.
Na região de Meroé, foram encontradas centenas de pirâmides construídas pelos cuxitas. 

Características do Reino de Kush


Em virtude dos trabalhos de arqueologia e de epigrafia sabe-se que, na época em que a capital foi a cidade de Méroe,  Kush se distinguia de outros reinos antigos por duas importantes características: o modo como o rei era eleito e o papel da mulher na política.

Estátuas dos faraós negros da 25a dinastia, que reinou nos tempos em que o Reino de Kush dominava o Egito (730 a.C.-644 a.C.).

A escolha do rei


Os cuxitas e escolhiam seu rei de um modo original. Inicialmente, os líderes das comunidades votavam naquele que consideravam mais preparado para o cargo de rei. Em seguida, lançavam sementes ao chão para perguntar ao deus da cidade se a escolha foi acertada. Em caso de confirmação do deus, realizavam uma festa que terminava com a coroação do novo rei.
O rei tinha uma guarda permanente para protegê-lo e era auxiliado por um grupo de altos funcionários, como o chefe de tesouro, o escriba-mor e o comandante militar.
No Reino de Kush, o ofício de militar era valorizado, o que era de se esperar, tendo o poderoso Egito como vizinho. Em caso de necessidade, todos os homens eram convocados para a guerra. O exército cuxita, composto de homens que lutavam a pé e outros que guerreavam a cavalo, enfrentou os egípcios diversas vezes, fosse para defender-se deles ou para conquistá-los.

Arqueiros cuxitas em madeira (2061 a.C.-2010 a.C.). A existência de um vizinho poderoso, como o Egito, estimulou os cuxitas a formarem um exército organizado e bem treinado.

Pirâmide que serviu de túmulo a um rei cuxita, Sudão

Faraós cuxitas 


O Reino de Cuxe manteve relações instáveis com o Egito. Em certos momentos, os cuxitas foram submetidos pelos faraós egípcios. Em outros, os egípcios viveram sob o domínio dos reis de Cuxe. Historiadores indicam que, em 713 a.C., um rei cuxita chamado Xabaca comandou tropas para conquistar o Egito. Após sua vitória, o Egito foi incorporado ao Reino de Cuxe.
Por mais de 50 anos, os reis cuxitas Xabaca, Xabataca e Taharqa governaram tanto a Núbia quanto o Egito. Esses reis ficaram conhecidos como faraós negros, mas essa classificação foi feita por estudiosos posteriormente. A verdade é que não temos certeza se os cuxitas e os egípcios eram negros ou não.

Estátua feita de bronze do faraó Taharqa, produzida no século VII a.C. 

A dominação cuxita no Egito antigo terminou por volta de 664 a.C., quando tropas assírias invadiram o território egípcio. Após a invasão dos assírios, os reis cuxitas se retiraram do Egito e se instalaram na região entre Napata e Meroé. Aos poucos, os cuxitas se distanciaram das influências egípcias. O Reino de Cuxe durou até aproximadamente o século IV.
Os egípcios, por sua vez, destruíram muitos vestígios que representavam o domínio cuxita, como estátuas de faraós desse povo.

Candace, a mulher na política


Há indícios arqueológicos de que as mulheres ocupavam posições de destaque no Reino de Kush. Elas podiam ser sacerdotisas, administradoras de uma cidade e podiam, ainda, chefiar o governo, com o título de candace.
As mulheres da família real tinham um papel importante no governo do Reino de Cuxe. As rainhas cuxitas recebiam o nome de candaces, ou rainhas-mães.
Não se sabe exatamente a influência que elas tiveram em todos os períodos da civilização cuxita. Há indícios de que inicialmente as candaces cuidavam da organização familiar, mas aos poucos passaram a ocupar cargos na vida pública.
Diversas rainhas-mães chegaram a assumir o poder político do reino. Muitas delas se tornaram famosas, sendo conhecidas também em regiões distantes.
As imagens também confirmam o poder feminino em Kush. No
interior das pirâmides cuxitas, as candaces são mostradas como as principais portadoras de oferendas aos deuses; e nas paredes dos templos são representadas como mulheres poderosas.
Entre as candaces, destacam-se Amanirenas, Amanishaketo e Amamitere. Muitas delas também foram guerreiras e comandaram exércitos. 
As candaces do Reino de Kush foram soberanas, superando em importância seus filhos ou maridos. Entre as candaces mais conhecidas está Amanishaketo (42 a.C.-12 a.C.), que, provavelmente, liderou a resistência cuxita ao poderoso Império Romano.
Quando o exército romano avançou sobre o nordeste da África e conquistou a cidade de Napata, os cuxitas resistiram. Até que, em 21 a.C., a rainha africana conseguiu negociar um acordo de paz com os romanos: ofereceu a eles uma faixa de terra no norte de Kush e, em troca, manteve a soberania de seu reino, livrando-o de ter de pagar impostos a Roma.
Para alguns historiadores africanos, a participação da mulher na política e o controle do governo cuxita sobre o ouro, as pedras preciosas e o ferro ajudam a explicar a prosperidade do Reino de Kush, bem como sua longa vida.

Relevo em que se vê a rainha Amanishaketo, à direita, de braço dado com a deusa Amesem, século I a.C.

Economia e sociedade


Enquanto a capital foi Napata, a principal atividade e econômica dos cuxitas era a pecuária; eles criavam cabritos, cabras, cavalos e burros (usados, sobretudo, no transporte de produtos). A riqueza de uma pessoa era medida pelo tamanho do seu rebanho.
Por volta de 580 a.C., com a mudança da capital para Méroe, onde as chuvas eram mais regulares, houve um aumento da área de terra irrigada e uma expansão da agricultura. As plantas mais cultivadas por eles inicialmente foram o trigo, a cevada e o sorgo.
Inicialmente os cuxitas retiravam água do Rio Nilo para suas plantações usando o shaduf, artefato também utilizado pelos egípcios. Posteriormente, em razão da habilidade de seus carpinteiros e ferreiros, os cuxitas passaram a retirar água do Nilo com a saqia, um dispositivo movido por animais (bois ou camelos) e conectado a duas rodas-d’água.

Na imagem acima, de 1887, vê-se o shaduf, instrumento movido pela força humana.

A saqia, movida por bois, com ela, é possível captar mais água em menos tempo.

O modo de vida nas vilas e nas cidades cuxitas 


Muitas vilas e cidades cuxitas desenvolveram-se às margens do rio Nilo. Nelas, havia uma grande variedade de habitações, revelando as diferenças sociais entre seus moradores. O interior das casas era simples, contendo poucos móveis. A cerâmica era amplamente utilizada nessas residências. 
De modo geral, as pessoas mais pobres utilizavam cerâmicas produzidas pelas mulheres da família. Já as famílias mais ricas compravam cerâmicas prontas, muitas vezes importadas do Egito. 
As vestimentas cuxitas também revelavam diferenças sociais. As pessoas mais ricas andavam calçadas e se vestiam com linho ou tecidos de algodão, em sua maioria na cor branca. As pessoas mais pobres andavam descalças e se vestiam apenas com pedaços de couro.

Mineração, artesanato e comércio


O solo cuxita era riquíssimo em metais, como o ouro e o ferro, e pedras preciosas, como o rubi. Escavações recentes em Méroe revelaram templos e muros folheados a ouro. Calcula-se que, durante sua existência, Kush chegou a produzir a espantosa quantia de 1 600 toneladas de ouro. Os governantes cuxitas exerciam um rígido controle sobre a extração e o comércio de minérios, garantindo com isso seus rendimentos e seu poder. O ouro cuxita era usado no comércio com o Egito e com Roma.
Quanto ao ferro, é provável que Méroe tenha sido o lugar onde se difundiu o conhecimento da fusão e do manuseio desse metal na África.
Entre os artesãos cuxitas, d destacavam-se os ferreiros e os marceneiros, que fabricavam camas, cadeiras, porta-joias; os tecelões, que faziam panos de linho e de algodão; os ceramistas e os joalheiros. Estes faziam colares, braceletes, brincos e anéis de ouro, prata e pedras preciosas; alguns combinavam o ouro com o marfim. Sabemos disso pois muitos desses objetos preciosos foram encontrados nos túmulos reais.
Boa parte do artesanato cuxita era vendido para outras regiões do mundo antigo. Méroe ficava na encruzilhada por onde passavam caravanas de comerciantes carregadas de produtos provenientes de vários pontos da África. De Méroe, as caravanas cuxitas seguiam por terra em direção ao Mar Vermelho e, pelo Rio Nilo, até o Egito; essa rota fluvial era a mais importante do nordeste africano, na época. Para proteger esse volumoso comércio, os reis cuxitas construíam fortalezas ao longo das rotas comerciais.
Os cuxitas vendiam para o Egito ouro, incenso, ébano, óleos, marfim, pedras preciosas, penas de avestruz e pele de leopardo. E da terra dos faraós, eles compravam, sobretudo, vasos, pérolas e papiro.

A sociedade cuxita


É pouco ainda o que se sabe sobre a sociedade cuxita. A camada dirigente era formada pelo rei e sua família, pelos nobres que ocupavam altos cargos do funcionalismo e pelos sacerdotes. Os agricultores e os criadores de gado, que eram pessoas livres, formavam a maioria da população meroíta. Já as camadas intermediárias eram constituídas por artesãos, comerciantes, militares e pequenos funcionários.
Não se sabe ao certo as razões do declínio de Kush. Provavelmente, os cuxitas perderam para outro povo o controle das rotas comerciais, uma das bases de sustentação do poder cuxita. O que se pode dizer com certeza é que, nos primeiros séculos da Era Cristã, Kush foi empobrecendo; as pirâmides de seus reis foram se tornando menores e mais rústicas, e o número de objetos egípcios encontrados em solo cuxita diminuiu bastante.
Enquanto isso, também na região da Núbia, despontava um outro reino africano, o de Axum, localizado onde hoje é a Etiópia. Axum herdou a cultura meroíta, mas se distinguiu dela, entre outras coisas, por ter adotado o cristianismo.
Do esplendor e prosperidade da civilização de Méroe restaram diversos monumentos, entre os quais pirâmides de pequena proporção, sarcófagos de granito e templos em homenagem aos deuses.

Fotografia atual do Templo dos Leões em Naga, Méroe, no atual Sudão. Estima-se que tenha sido construído
entre os anos 300 a.C. e 100 a.C.

Expressões culturais


Os cuxitas foram influenciados pela cultura do Egito antigo e de outros povos africanos. Essas trocas podem ser percebidas, por exemplo, no artesanato, na escultura, na arquitetura, na religião, nas técnicas militares e na escrita. Apesar das influências, os cuxitas desenvolveram uma escrita própria, a meroítica. Algumas de suas características são: alfabeto de 23 sinais, valores fonéticos e forma cursiva. A escrita meroítica ainda não foi decifrada.
Os cuxitas desenvolveram um sistema de escrita que ficou conhecido como escrita meroíta. Inicialmente, esse sistema foi inspirado na escrita egípcia, mas, ao longo do tempo, tornou-se bastante diferente de seu modelo inspirador. A escrita meroíta ainda não foi totalmente decifrada, e muitos estudiosos continuam trabalhando para compreendê-la.
Por essa razão, não é possível entender o significado de vários documentos escritos produzidos no Reino de Cuxe, o que dificulta conhecer parte de sua história. Apesar disso, a aná lise de outros vestígios arqueológicos também pode fornecer pistas sobre os cuxitas, o que possibilita a continuidade das pesquisas históricas.
Os cuxitas confeccionavam peças de cerâmica, madeira, joias e estatuetas de ouro, prata, bronze e marfim; faziam instrumentos musicais; produziam adornos de vidro, de conchas e de pedras preciosas.

A religião 


Durante os séculos de contato com o Egito, os cuxitas assimilaram diversos aspectos de sua cultura e de sua religião. Eles eram politeístas e tinham seus próprios deuses, que eram antropozoomórficos, mas também adotaram deuses egípcios. 
A partir da incorporação da cultura egípcia, os cuxitas passaram a construir os túmulos dos reis, dos nobres e de pessoas muito ricas em forma de pirâmide. Em muitos deles, mulheres e escravos foram enterrados com o morto para acompanhá-lo na vida após a morte. 
Com frequência, animais como cavalos, carneiros, ovelhas, cabras e cachorros também eram enterrados com o morto; além disso, oferendas e objetos variados eram colocados junto ao corpo. Nas demais camadas sociais, os mortos eram mumificados e enterrados em cemitérios simples, dos quais restaram poucos vestígios arqueológicos. 

O REINO DE AXUM

O Reino de Axum, onde atualmente se localiza a Etiópia, começou a se formar por volta do século V a.C., em uma área de solos férteis que estimularam a agricultura e a criação de animais.
Os axumitas eram um povo que habitava a região leste do continente africano, onde atualmente se localiza a Etiópia, na divisa com a Eritreia. Inicialmente, as principais atividades econômicas desse povo eram a agricultura e a pecuária.
Atualmente, a região conhecida como Chifre da África, no nordeste do continente, é composta de países como Somália, Etiópia, Eritreia e Djibuti.
Os primeiros habitantes do Chifre da África vieram do sul da Península Arábica, região separada do continente africano pelo Mar Vermelho. Por volta do século VII a.C., a agricultura e a criação de gado eram as principais atividades econômicas, mas o comércio também ganhava força.
A sua localização lhes permitiu o desenvolvimento de comércio com diferentes povos da África, do Oriente Médio e da Europa, por exemplo.
Os principais produtos comercializados eram o ouro, o marfim, a pele de hipopótamo e de outros animais, incenso, tecidos e joias.
A escrita já era conhecida por essa população, que fazia uso dela em transações comerciais. O comércio crescia, alimentado pelas caravanas de mercadores vindos de diferentes regiões da África, da Península Arábica e da Índia.
Com o crescimento do comércio, as aldeias expandiram-se, transformaram-se em cidades.
Por volta do século I, esse povo formou um poderoso reino, o Reino de Axum.
No século II a.C., Adúlis contava com o mais movimentado porto do Mar Vermelho. Por ali saíam, em direção ao Egito, à Grécia, à Índia e à China, mercadorias de luxo, como marfim, chifres de rinoceronte, carapaças de tartaruga, artigos de ferro e bronze, e também pessoas escravizadas.

O gêes 


As trocas comerciais possibilitaram o intercâmbio cultural com diversos povos. Por exemplo, a influência cultural dos povos árabes (que estudaremos mais adiante) podia ser percebida no idioma axumita, o gêes, que continha elementos da língua árabe em sua origem. O gêes é falado até a atualidade na Etiópia, sobretudo em cerimônias religiosas.


Uma rainha axumita 


Embora o Reino de Axum tenha desaparecido, dele restou uma das histórias mais conhecidas de todo o continente africano: a de Makeda, a rainha de Sabá. Famosa por sua beleza, a rainha teria sido uma das governantes do Reino de Axum. Segundo a lenda, ela teria ouvido falar da sabedoria de Salomão, rei de Judá, e decidiu empreender uma jornada até Jerusalém para conhecer o monarca. 
Da união da rainha de Sabá com o rei Salomão nasceu Menelik, mais tarde coroado rei de Axum. Menelik é considerado o primeiro representante de uma dinas tia de reis etíopes que se estendeu até o século XX.

Rainha de Sabá representada em baixo-relevo do século VI a.C. descoberto na Etiópia.

A expansão territorial 


Ao longo dos séculos II e III, o Reino de Axum se expandiu, exercendo domínio e influência sobre territórios no sul da península Arábica. Os exércitos de Axum eram fortes e bem-organizados, garantindo a ocupação dos territórios e o pagamento de tributos ao governante axumita.
Enquanto Adúlis se destacava no litoral, Axum era um importante centro comercial no interior. Por ali passavam mercadores vendendo artigos muito valorizados na época, como ouro, sal e plumas. Em seu apogeu, a cidade controlava todo o comércio de mercadorias entre o interior da África e Adúlis, e entre Adúlis e o Egito.

Moeda do Reino de Axum, com o perfil do rei Afilas, século III.


Com toda essa atividade comercial, o Reino de Axum enriqueceu e expandiu seus territórios. Dominou o Reino de Cuxe e outras áreas vizinhas, chegando a conquistar terras na Península Arábica. 
Estudos recentes indicam que, durante o governo do rei Ezana, entre os anos de 330 e 356, Axum expandiu sua influência dentro do continente africano, chegando até a região da Núbia, território onde estava estabelecido o Reino de Cuxe.
Os axumitas teriam dominado a capital Méroe, levando-a à ruína. O desmantelamento dessa cidade, posteriormente, daria origem a outros reinos.
A prosperidade desse reino era tão grande que, no século III, passou a cunhar moedas de ouro, prata e cobre. Até a primeira metade do século IV, a população era politeísta. Por essa época, o rei Ezana se converteu ao cristianismo. 

O comércio axumita


Do século III ao VI, no período de maior prosperidade, Axum controlava um dos três cruzamentos comerciais mais importantes do Mundo Antigo e impunha-se como intermediário obrigatório nas trocas entre os países do Mediterrâneo e da Ásia oriental.
A facilidade de acesso ao Mar Vermelho e ao Rio Nilo proporcionou aos axumitas o contato com egípcios, gregos, romanos, árabes, persas, sírios, indianos e judeus, com os quais mantiveram intenso comércio. 
As trocas comerciais possibilitaram um intercâmbio cultural: a língua e a escrita de Axum assemelhavam-se às do Sul da Península Arábica, enquanto seus costumes e tradições assemelhavam-se aos dos gregos e romanos. As cidades mais importantes abrigavam grupos de comerciantes estrangeiros, como romanos e bizantinos, árabes e indianos.
Os axumitas compravam e vendiam marfim, algodão, linho, seda, vidro, machados, adagas, vinho, azeite, pedras preciosas e objetos de luxo. No comércio popular circulavam mercadorias como sal, alimentos, cerâmica, tecidos rústicos e utensílios de ferro. Os pagamentos eram feitos com moedas de ouro, prata e bronze.
O desenvolvimento comercial estimulou as viagens pelo Oceano Índico, pelo Mar Vermelho e pelo Mar Mediterrâneo e favoreceu a produção de conhecimentos técnicos sobre navegação. As embarcações eram feitas de pranchas de madeira presas com cordas e resistiam a longas viagens.

Sociedade e cultura axumita 


A sociedade subdividia-se em nobres, mercadores, marinheiros, artesãos, soldados e numerosos escravos. Grande parte da riqueza axumita era produzida pelo comércio, pela exploração do trabalho escravo e pela criação de gado.
As ruínas encontradas evidenciam o desenvolvimento da arquitetura e o enorme poder dessa sociedade africana: edifícios religiosos imponentes, túmulos e estelas, das quais a mais alta ultrapassa 33 metros e tem nove andares. Os templos, talhados e esculpidos, eram erguidos com trabalho coletivo.

O cristianismo


No século IV, teve início em Axum a divulgação da religião cristã, por influência de um conselheiro real que era cristão e viera da cidade de Roma, capital do Império Romano, onde o cristianismo estava em expansão. 
O rei Ezana, que governou entre os anos 320 e 350, converteu-se ao cristianismo e o trans formou na religião oficial de Axum. Com o tempo, a nova religião foi aceita pela população, convivendo com as crenças locais.
Foi durante o governo de Ezana, no século IV, que o cristianismo se tornou a religião oficial do Reino de Axum.
A Igreja axumita diferenciou-se das outras tradições monoteístas, pois incorporou elementos do cristianismo (como a catequese) e introduziu danças, cânticos e tambores típicos das celebrações judaicas. 
Axum tornou-se então o primeiro reino cristão do continente africano. Ainda hoje a Etiópia é um país de maioria cristã. 
Ainda no século VI, o Império de Axum foi se enfraquecendo devido a conflitos e disputas comerciais com outros impérios da época, sobretudo o Bizantino e o Persa. Nos séculos VIII e IX, sua influência política e seu poder militar diminuíram ainda mais, como consequência da expansão islâmica na África.
No século VII, o território de Axum foi invadido e dominado pelos muçulmanos.
Ainda nos dias atuais, a religiosidade cristã permanece na região da Etiópia, como podemos perceber pela imagem a seguir.

Catedral da Santíssima Trindade, em Adis-Ababa, na Etiópia, 2020. A forte presença do cristianismo até os dias de hoje na Etiópia é um elemento de permanência da época do Reino de Axum.

Com a conversão ao cristianismo, muitos elementos da cultura cristã passaram a fazer parte do cotidiano dos axumitas. Igrejas, cópias da Bíblia em latim ou traduzidas para o gêes, assim como estátuas, moedas e iconografias, atualmente são vestígios históricos que nos fornecem informações sobre a história do Reino de Axum cristianizado. 

Os sítios arqueológicos


Os principais sítios arqueológicos sobre a história de Axum são os de Adulis, Matara e Kohaito, todos localizados na atual Eritreia. Nesses locais, encontram-se sepulturas, obeliscos e ruínas de diversos edifícios relacionados à história de Axum.
Ainda há muito o que descobrir sobre a vida dos axumitas, porém escavações e pesquisas recentes indicam que o Reino de Axum chegou a reunir entre 10 a 12 cidades sob o governo central. 
Supõe-se que viviam cerca de 20 mil pessoas no reino, socialmente organizadas em uma nobreza que incluía o rei, os sacerdotes e os militares, uma camada intermediária, formada por mercadores e comerciantes, e uma camada popular, formada, em sua maioria, por pessoas pobres, camponeses e artesãos.


POVOS DO MEDITERRÂNEO

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