Como vimos, a reprodução humana envolve, além da capacidade de gerar descendentes, diversos outros fatores, como a sexualidade, a afetividade, o prazer, os sentimentos e as emoções. Uma vida sexualmente ativa requer cuidados e responsabilidades, que devem ser compartilhados pelos parceiros, já que as relações sexuais podem acarretar uma gravidez ou infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Os métodos contraceptivos e de prevenção ajudam as pessoas a evitar uma gravidez não planejada ou indesejada e o contágio de muitas doenças. Eles cooperam para o planejamento familiar, permitindo que casais possam escolher a época mais oportuna para aumentar a família, oferecendo aos filhos melhores condições de educação, saúde e moradia, por exemplo, além de afeto e cuidado.
Cada um dos métodos contraceptivos e de prevenção apresenta vantagens e desvantagens. Por isso, é recomendável que as pessoas consultem um médico para ter mais informações e escolher, de forma consciente, o mais adequado para seu estilo de vida.
Métodos contraceptivos
Os métodos contraceptivos são aqueles que têm como função
evitar uma gravidez indesejada. Apenas alguns deles também têm como
função oferecer proteção contra infecções que podem ser transmitidas
pelo contato sexual. Vamos estudar alguns exemplos.
Métodos de barreira
Métodos de barreira são aqueles que barram a passagem dos espermatozoides, impedindo o seu encontro com o ovócito e, consequentemente, a fecundação.
Os métodos de barreira são considerados bastante seguros, com índice de
fracasso entre 3% e 15%, que pode variar em função do produto escolhido e da
maneira de utilização. Vamos conhecer alguns deles.
Preservativos masculino e feminino
Há dois tipos de preservativos, os masculinos
e os femininos, em geral feitos de látex e contendo substâncias lubrificantes.
O preservativo, popularmente chamado camisinha, é um método de barreira, ou
seja, ele impede o contato com as secreções sexuais e, consequentemente, o encontro dos
espermatozoides com o ovócito. A camisinha, masculina ou feminina, deve ser colocada
antes da relação sexual. Elas são descartáveis e não podem ser reutilizadas.
O preservativo masculino deve ser desenrolado no pênis ereto, na hora do ato sexual, evolvendo completamente o órgão. A ponta deve ser apertada, para que o ar seja retirado, caso
contrário o preservativo pode se romper.
O preservativo feminino pode ser colocado pouco antes do ato sexual e deve ser introduzido
na vagina, com o anel menor para dentro e o maior para fora, cobrindo o pudendo.
O preservativo masculino recobre o pênis e retém o
esperma dentro de um espaço na extremidade da camisinha,
impedindo que chegue à vagina. O preservativo feminino é
introduzido na vagina, envolvendo o canal vaginal e protegendo a entrada do útero, retendo o esperma do parceiro.
Esse é o único
método contraceptivo que oferece dupla proteção, contra
gravidez indesejada e contra transmissão de agentes causa
dores de infecções sexualmente transmissíveis entre parceiros.
As vantagens de se usar preservativos são: eles não têm
efeitos colaterais, ou seja, não fazem mal à saúde; podem
ser adquiridos sem receita médica; funcionam como método
contraceptivo, já que impedem o encontro dos gametas e o
contato com secreções sexuais, sendo eficientes na prevenção de muitas ISTs, como a aids; e, por fim, nas unidades do
Sistema Único de Saúde (SUS), sua distribuição é gratuita.
Uma desvantagem do seu uso é que, se não usados
corretamente, podem se romper. Nunca se deve usar dois
preservativos ao mesmo tempo, mesmo que seja um feminino
e outro masculino, pois a fricção entre os dois preservativos
pode aumentar a chance de rompimento do material.
Quando colocados corretamente, seus índices de falha contra
a gravidez são de 2% a 13%, para os preservativos masculinos, e de 5% a 21%, para os preservativos femininos.
Diafragma
O diafragma é uma estrutura
de borracha com borda flexível que
deve ser introduzida diretamente na
vagina e encaixada perfeitamente
no colo do útero. Ele deve ser colocado antes da relação sexual e é
recomendado que seja usado com
um gel espermicida (substâncias que
matam os espermatozoides) para aumentar sua eficiência. Ele é
um método de barreira, isto é, impede o encontro dos espermatozoides com o ovócito por meio de uma barreira física.
Pode ser utilizado com um gel espermicida, um produto que
mata os espermatozoides, para aumentar sua eficácia como contraceptivo. Juntos, os dois métodos apresentam índice de falha que
varia de 6% a 16%. O diafragma não evita infecções durante
as relações sexuais.
O contraceptivo deve ser colocado cerca de duas horas
antes das relações sexuais, antes de qualquer contato entre
o pênis e a vagina, e removido até oito horas após a última
relação sexual.
É preciso que o médico indique o tamanho adequado
do diafragma. Entre as desvantagens estão o risco de infecções decorrentes da higiene inadequada do diafragma e de
ISTs, já que ele não recobre a vagina totalmente, deixando-a exposta a secreções sexuais. Portanto, é recomendável
usá-lo em associação com o preservativo.
Uma das vantagens do diafragma é que ele pode ser
reutilizado após a relação sexual, seguindo todos os protocolos de higienização e cuidado recomendados pelo médico
ginecologista.
Métodos hormonais
Atualmente, os métodos contraceptivos hormonais estão disponíveis apenas para as mulheres. Esses métodos liberam hormônios (estrógeno e progesterona) que inibem a ovulação e, em alguns casos, a menstruação.
Os métodos hormonais só podem ser utilizados com a indicação e o acompanhamento de um médico, pois interferem no ciclo menstrual e apresentam
várias contraindicações. Mulheres que têm ou já tiveram problemas cardíacos
ou cardiovasculares, câncer, doenças do fígado, enxaqueca, que são fumantes
ou estão amamentando não devem utilizá-los.
Anticoncepcionais hormonais
Este tipo de contraceptivo é um método químico que consiste em uma
mistura de hormônios sintéticos, ou seja, hormônios produzidos artificialmente, que
impedem a ovulação. O mais comum é em forma de comprimidos, as chamadas
pílulas anticoncepcionais.
As pílulas anticoncepcionais são compostas de hormônios sintéticos, ou seja, produzidos em laboratório, que são similares ao estrogênio
e à progesterona produzidos pelos ovários. Quando a pílula é tomada
corretamente, esses hormônios inibem a ovulação e provocam alterações nas características do endométrio. Esse método contraceptivo não
protege contra agentes infecciosos que possam ser transmitidos durante
as relações sexuais.
O uso adequado das pílulas anticoncepcionais tem cerca de 0,3%
de índice de falha na prevenção de gravidez. Porém, algumas pílulas
podem provocar efeitos colaterais, como enjoos, vômitos, dores de
cabeça e no corpo, inchaço, sangramentos, alterações de humor, entre
outros. A composição das pílulas é, inclusive, contraindicada a mulheres
com diagnóstico de enxaqueca e histórico familiar de acidente vascular
cerebral, por exemplo.
Uma cartela costuma conter 21 comprimidos, de modo
que deve ser ingerida uma pílula por dia, de preferência no mesmo horário. Após 21
dias, suspende-se a ingestão por uma semana e, nesse período, a mulher menstrua
normalmente, embora não tenha liberado nenhum ovócito. Após uma semana, uma
nova cartela de pílulas deve ser iniciada.
Como há diversas pílulas anticoncepcionais no mercado, com diferentes níveis
hormonais, é recomendável consultar um médico para escolher a mais adequada
para cada mulher, considerando características do seu ciclo menstrual, idade, entre
outros aspectos.
As pílulas anticoncepcionais também
podem ser usadas no tratamento de algumas doenças, como a presença
de cistos no ovário, ou para controlar a quantidade excessiva de sangue
que algumas mulheres eliminam na menstruação. Esse uso também deve
ser acompanhado por um(a) médico(a) especialista.
As injeções, que contêm uma dose maior de hormônios em relação às pílulas. São utilizadas a cada mês ou trimestre, dependendo da quantidade e do
tipo de hormônio.
Há também os adesivos transdérmicos que são colados sobre a pele e devem
ser trocados semanalmente. Entre os anticoncepcionais injetáveis, há as injeções
mensais (uma vez por mês) ou trimestrais (uma vez a cada três meses). Outro tipo de
anticoncepcional hormonal é o implante subcutâneo, que possui longa validade
(dura alguns anos) e deve ser implantado por um médico, por meio de um procedimento
cirúrgico simples. O implante vai liberando hormônios aos poucos e de forma contínua,
impedindo a ovulação e também a menstruação.
O anel vaginal, que é um disco que libera hormônios e deve ser encaixado no
colo uterino; precisa ser substituído a cada três semanas.
Apesar de a pílula ser o contraceptivo hormonal feminino mais popular, os
outros métodos vêm ganhando espaço pela sua praticidade, já que não necessitam de tanta disciplina. Além disso, deve-se levar em conta que a pílula apresenta contraindicações e não protege contra ISTs.
Embora os anticoncepcionais hormonais, se usados corretamente, sejam eficientes, eles não ajudam na prevenção de ISTs. Por isso, é recomendável usá-los
em associação com o preservativo. Como essas substâncias podem ter efeitos
colaterais, também é importante que o uso delas seja feito com acompanhamento
médico constante.
Métodos cirúrgicos
Como são geralmente irreversíveis, os métodos cirúrgicos somente são
recomendados para casais que não querem ter fílhos ou que já têm fílhos e
estão seguros de que não desejam ter outros.
São indicados também quando,
no casal, existe alguém com algum problema grave de saúde e uma gravidez
não seria recomendável. Os métodos cirúrgicos são a laqueadura, para as mulheres, e a vasectomia, para os homens.
Laqueadura e vasectomia
A laqueadura e a vasectomia são métodos contraceptivos cirúrgicos. Geralmente, quem passa por esses procedimentos não poderá mais
ter filhos, pois eles evitam definitivamente a possibilidade de gravidez.
No Brasil, essas cirurgias são realizadas somente em pessoas com mais
de 25 anos e que já têm filhos, e em alguns casos especiais.
A laqueadura é a cirurgia realizada em mulheres. As tubas uterinas são
cortadas e as extremidades do corte são fechadas, impedindo a fecundação.
A laqueadura consiste na interrupção da ligação entre as tubas
uterinas, impedindo que os espermatozoides encontrem os ovócitos
liberados pelos ovários.
A vasectomia consiste no corte dos ductos deferentes,
impedindo que os espermatozoides cheguem à uretra. No
entanto, a vasectomia não impede a ejaculação. A diferença
é que o esperma liberado não contém espermatozoides.
Os ductos deferentes são cortados e as extremidades do corte são fechadas. Assim, o
caminho percorrido pelos espermatozoides durante o estímulo sexual é
interrompido e eles não chegam à próstata e, portanto, não são eliminados pela uretra na ejaculação.
Depois da realização da cirurgia, é recomendada a utilização de
outro método contraceptivo por cerca de 60 dias, porque alguns espermatozoides podem permanecer vivos dentro do ducto deferente, na
porção posterior ao corte, e serão ejaculados com o sêmen. Depois desse
período, o sêmen não deverá mais conter espermatozoides.
Tanto a laqueadura quanto a vasectomia são procedimentos cirúrgicos e costumam ser irreversíveis.
Por isso, eles são recomendados para pessoas que já
têm filhos, pois impedem novas gestações.
A laqueadura e a vasectomia não protegem contra possíveis infecções
durante as relações sexuais. Portanto, mesmo tendo realizado as cirurgias, recomenda-se utilizar o preservativo nas relações sexuais.
Esses procedimentos não interferem na produção dos hormônios sexuais, tampouco no desempenho sexual das pessoas.
Dispositivos intrauterinos (DIU)
O dispositivo intrauterino, ou DIU, é um objeto flexível, feito de
plástico, que pode ser revestido com cobre ou apresentar a capacidade
de liberar um hormônio sintético de progesterona. Ambos atuam dificultando o
encontro dos gametas.
O DIU é inserido no útero
da mulher por um(a) ginecologista, onde pode ficar
de 5 a 10 anos ou até
que a paciente decida
engravidar. Seu índice de
falha na anticoncepção é
de 0,5% a 0,8%.
É um método que
impede a implantação do embrião no endométrio.
Em algumas mulheres, no entanto, esse dispositivo causa o aumento do fluxo menstrual e
pode causar cólicas.
O DIU com revestimento de cobre é o mais comum. O cobre tem efeito espermicida, impedindo que os espermatozoides cheguem até as tubas uterinas.
Além disso, o DIU provoca algumas alterações no útero que dificultam a passagem dos espermatozoides e impedem a nidação, caso ocorra fecundação.
Esse método também
não previne contra infecções sexualmente
transmissíveis. Alguns hospitais públicos no Brasil têm programas de planejamento familiar e colocam gratuitamente o DIU, após uma avaliação cuidadosa da
paciente.
Métodos naturais, de abstinência ou comportamentais
Os métodos naturais, de abstinência ou comportamentais consideram o período
fértil da mulher determinado pela observação do ciclo menstrual. Durante o período
fértil, o casal que utiliza exclusivamente esses métodos deve evitar a penetração
vaginal se quiser evitar a gravidez.
Os métodos naturais ou comportamentais ajudam a mulher a conhecer o seu
próprio corpo, são gratuitos e não causam problemas à saúde. Por outro lado, necessitam de muita disciplina, responsabilidade de ambos os parceiros, períodos
de abstinência sexual e tempo de observação do próprio corpo. Além disso, apresentam índice de fracasso elevado, pois é muito comum ocorrerem alterações no
ciclo menstrual em função de variações hormonais, doenças e fatores psicológicos, como o estresse.
O ciclo menstrual pode ser irregular, principalmente em mulheres jovens, dificultando ainda mais a determinação do período fértil. Outra limitação desses
métodos é o fato de não prevenirem contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Devido às desvantagens apresentadas, não são recomendáveis para
adolescentes ou casais muito jovens.
Alguns casais utilizam dois ou os três métodos comportamentais ou naturais
ao mesmo tempo, a fim de diminuir o risco de fracasso. Vamos conhecer alguns
desses métodos.
Coito interrompido e tabelinha
O coito interrompido consiste na retirada do
pênis da vagina pouco antes da ejaculação.
O método
da tabelinha tem como base evitar relações
sexuais no período fértil. Ambos os métodos
são comportamentais e não são eficientes na
contracepção nem na prevenção de ISTs.
Antes de utilizar esse método, a mulher deve acompanhar e anotar, durante
alguns meses, o dia do início do ciclo menstrual, ou seja, o primeiro dia da menstruação, a fim de verificar a regularidade e a duração do ciclo.
O desafio desse método é identificar o dia fértil da mulher, ou seja, o dia da
ovulação. Uma mulher com um ciclo regular de 28 dias, isto é, cuja menstruação ocorre em intervalos de 28 dias, ovulará provavelmente no 14o dia do ciclo.
Em geral, a ovulação ocorre 14 dias antes da menstruação seguinte.
Embora o ovócito demore alguns dias para percorrer a tuba uterina, ele só é
viável para a fecundação por 24 horas após a ovulação.
Por sua vez, os espermatozoides conseguem sobreviver em torno de três dias no interior do sistema genital
feminino. Sendo assim, o período fértil da mulher pode
durar aproximadamente sete dias: três dias antes da
ovulação, o dia da ovulação e os três dias seguintes.
Temperatura basal
Nesse método, a mulher deve medir e anotar diariamente sua temperatura
corporal basal. A temperatura basal é a temperatura do corpo logo ao acordar
e antes de fazer qualquer esforço físico. Ela oscila normalmente em torno dos
36,5 ºC, mas diminui cerca de 0,5 ºC no dia da ovulação e aumenta entre 0,3 ºC
e 0,8 ºC nos dias seguintes. Com esses dados, deve-se montar um gráfico da
temperatura basal em função do dia do ciclo menstrual.
Antes de começar a utilizar esse método, é recomendado que se montem
gráficos por alguns meses. Esse procedimento é necessário para que a mulher
conheça o seu padrão de variação da temperatura basal, que, após estabelecido, poderá ser usado para estimar o período fértil.
Enquanto não for possível estimar o período fértil, é recomendado que se
utilize outro método contraceptivo para evitar a gravidez.
Método Billings ou muco cervical
Esse método baseia-se na observação da secreção da vagina
(muco), parecida com a clara de ovo
e de consistência variável (elasticidade), durante o ciclo menstrual. A
mulher deverá observar e se familiarizar com as mudanças no muco por
um período de seis meses antes de
utilizar o método.
Período infértil
Período fértil
Para verificar a elasticidade do
muco, a mulher deverá coletar uma
amostra e colocá-la entre os dedos
polegar e indicador.Após a menstruação, a mulher passa aproximadamente três dias sem produzir esse muco. A partir daí, a produção começa e o muco vai mudando de consistência com o passar dos dias, tornando-se mais elástico. Não se deve ter relações sexuais do dia em que aparece o muco até o 4o dia após o muco atingir o seu máximo de elasticidade.
A pílula do dia seguinte
Lançada no Brasil em 1999, a pílula do dia seguinte é um contraceptivo
que só deve ser utilizado em situações de emergência; por exemplo, em caso
de estupro. Ela nunca deve ser usada como método contraceptivo regular, pois
tem taxas elevadas de hormônios, podendo causar vômitos, náuseas, enxaquecas e alterações no ciclo menstrual.
Os hormônios da pílula do dia seguinte agem sobre os ovários, impedindo ou retardando a ovulação. No colo uterino, aumentam o espessamento do
muco, o que dificulta a passagem dos espermatozoides, e, no endométrio, impedem a nidação, caso tenha ocorrido a fecundação.
A pílula do dia seguinte precisa ser tomada até 72 horas após a ocorrência
da relação sexual. Esse método só deve ser utilizado com a orientação de um
médico, que irá avaliar o estado de saúde da mulher e ver se não há riscos para
ela. Mulheres com problemas cardiovasculares, cardíacos e nos órgãos genitais internos (ovários, tubas uterinas e útero) geralmente não podem fazer uso
desse medicamento.