terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Antártica e bases científicas


A devastação é uma ameaça constante no continente americano. Por isso a preservação ambiental em algumas áreas se faz tão importante. Já no caso da Antártica, por conta do gelo que cobre sua superfície, ela não apresenta formações vegetais para serem preservadas, mas, mesmo assim, desempenha um papel muito importante nos estudos e nas pesquisas sobre o meio ambiente.
A Antártica, ou Antártida, diferentemente do Ártico, constitui-se em um continente coberto de gelo com grande área emersa de terras de, aproximadamente, 14,1 milhões de km². É o quarto maior continente em extensão, superando a Europa e a Oceania. É banhado pelas águas dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico.
No período do inverno, devido ao congelamento das águas superficiais dos oceanos na região, sua superfície aumenta, chegando a atingir cerca de 20 milhões de km2.
O continente antártico contém muitas ilhas e abriga o Polo Sul geográfico da Terra, aproximadamente a 90° de latitude sul. Segundo pesquisas geológicas, há 200 milhões de anos a Antártica esteve unida à América do Sul, à Austrália e à Nova Zelândia. Pelo movimento contínuo das placas tectônicas, essa grande massa continental se deslocou para o extremo sul do planeta.

A vida na Antártica


A localização geográfica e os rigores climáticos da Antártica fazem desse continente um vazio demográfico, além de impossibilitarem o desenvolvimento de fauna e flora diversificadas. A Antártica é o continente mais frio da Terra, podendo alcançar 80 °C negativos no inverno. Ela comporta cerca de 70% das reservas de água doce do planeta; mas, como essas águas estão na forma de gelo e neve, não são próprias para consumo.
O gelo que recobre a superfície da Antártica tem espessura média de dois quilômetros. Essa camada de gelo impossibilita a formação de solos e, assim, as espécies animais e vegetais que se desenvolvem na região concentram-se, sobretudo, nos oceanos que a cercam. A tundra, por exemplo, ocorre apenas nas bordas do continente antártico.
Os icebergs na Antártica são formados pelo gelo acumulado durante milhares de anos nas bordas do continente. Os mais comuns são os do tipo tabular, de superfície plana. 
Em suas variadas espécies, os pinguins são as aves mais conhecidas da região. No entanto, são apenas parte de uma população maior de espécies animais, como as de outras aves, de peixes e de mamíferos. Na Antártica vivem ainda focas, elefantes-marinhos e baleias-anãs.

O contexto geopolítico mundial da Antártica


No início do século XX, iniciaram-se as investigações científicas no conti nente. Entre as décadas de 1920 e 1930 começaram a ser utilizados instrumentos que facilitaram a exploração da região: aeronaves, tratores e trenós motorizados. Entre 1939 e 1941, os Estados Unidos ocuparam a Antártica permanente mente, implantando suas bases científicas.
Durante a Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética defenderam a continuidade da internacionalização da Antártica e sua consequente ocupação para fins científicos. Apesar de alguns países reivindicarem a partilha da Antártica, a visão dos Estados Unidos e da União Soviética prevaleceu.
Durante o Ano Geofísico Internacional, entre 1957 e 1958, 12 países esta beleceram cerca de 30 estações de pesquisa ao redor do continente antártico. A investigação científica da região expandiu-se muito por meio de estudos reali zados nas áreas de Geologia, Climatologia, Meteorologia, Biologia e Oceanografia.
Embora o continente não tivesse sido povoado, não deixou, desde sua descoberta, de ser alvo de caçadores: em busca de carne, couro e óleo, eles abateram muitos animais, como focas, baleias e leões-marinhos.
Essa matança diminuiu quando foi firmado o Tratado Antártico, em 1961, entre os países que mantinham bases científicas no local. Esse tratado teve como objetivo colocar um fim às disputas internacionais na região.
Com o consentimento internacional para explorar o continente apenas para fins científicos, a Antártica não pertenceria a nenhum país em especial. No entanto, as divergências ainda permanecem entre os que têm como critério para estabelecer a posse de terras na região a proximidade geográfica e aqueles que têm como critério para as conquistas realizadas.
Sete países (Argentina, Austrália, Chile, França, Noruega, Nova Zelândia e Reino Unido) reivindicam áreas da Antártica, mas os outros não as reconhecem. Por isso, o continente é administrado pelas 50 nações signatá rias atuais do Tratado Antártico, das quais somente 29 têm direito a voto para decidir o futuro da região, entre as quais o Brasil.
Apesar de ser signatário atual mente, o Brasil não participou do grupo que construiu inicialmente o Tratado Antártico, conhecido como Clube Antártico. Os únicos participantes da América do Sul eram a Argentina e o Chile. Esses países começaram suas expedições para o continente antártico na década de 1930, e o Estado brasileiro aderiu ao Tratado apenas em 1975, momento em que houve uma mudança na política externa brasileira – essa ação estava inserida na política de segurança nacional pensada pelos militares.
No ano de 1982, o Brasil criou o Programa Antártico Brasileiro e lan çou a primeira expedição nacional para a Antártica, que durou de 1982 a 1983. Assim, nosso país obteve a autorização de ser um membro consultivo do Tratado, tendo direito a voto e a participação nas decisões sobre o futuro do continente.

Preservação da Antártica


Em 1991, os países que firmaram o Tratado Antártico consideraram outros fatores – como a paz, a preservação ambiental e a coleta de informações científicas – e ampliaram o acordo. O Protocolo ao Tratado Antártico para Proteção ao Meio Ambiente, conhecido como Protocolo de Madri, está em vigor desde 1998. A principal determinação foi proibir por 50 anos (até 2048) a exploração econômica dos recursos minerais da Antártica. A região é rica em reservas de petróleo, ferro, cobre, carvão, urânio e outros minerais.
Os acordos internacionais que reconhecem a Antártica como reserva eco lógica mundial são de grande importância na proteção do hábitat e da biodiversidade do continente. A exploração descontrolada de sua biodiversidade preocupa os cientistas, principalmente em relação às reservas e potencialidades da região. O aumento do turismo, nos últimos anos, também é motivo de alerta.
O interesse em desenvolver pesquisas na Antártica estimulou vários países a instalar bases científicas no continente.
Assim como ocorre no Ártico, a permanência das geleiras do continente antártico está ameaçada. Segundo estudiosos da região, a maior incidência de icebergs e a desintegração de banquisas nas últimas décadas se devem, principalmente, às mudanças climáticas no planeta.


AMÉRICA: ASPECTOS NATURAIS


A América apresenta grande diversidade natural. As caracterís ticas de hidrografia, relevo, clima e vegetação exercem influência na ocupação e distribuição da população, no território e nas atividades humanas, resultando em paisagens variadas de norte a sul do continente.

Hidrografia

Vários rios da América nascem nas montanhas do oeste e correm em direção ao leste.
Na América do Sul, encontra-se a maior bacia hidrográfica do mundo, a do Rio Amazonas, que recebe águas de afluentes cujas nascentes se localizam nas serras do Planalto das Guianas, na cordilheira dos Andes e em chapadas do planalto brasileiro. Na região amazônica, o transporte fluvial ainda é importante para a circulação de cargas e pessoas. Na Região Sudeste do Brasil, os rios Tietê e Paraná desempenham importante papel no transporte de mercadorias entre os países do Mercosul.
Na América do Norte, a maior bacia é a do Rio Mississipi. Esse rio, que deságua no Golfo do México, recebe afluentes que nascem no oeste (nas Montanhas Rochosas), como o Missouri e o Arkansas; e no leste (nos Apalaches), como o Ohio. Também ressalta-se a presença de muitos lagos na região, como os Grandes Lagos (Michigan, Erie, Huron e Superior), situados na fronteira entre Canadá e Estados Unidos e que têm importante aproveitamento para navegação e transporte. Muitos rios do continente americano são úteis para a geração de energia hidrelétrica. Estados Unidos, Canadá e Brasil figuram entre os maiores produtores desse tipo de energia no mundo. As bacias mais vantajosas para esse fim são as localizadas a oeste dos Estados Unidos e do Canadá, como as dos rios Colorado e Columbia. Os rios da Bacia Platina, na América do Sul, também se destacam no setor energético, principalmente os rios Paraná e Uruguai.

Vertente hidrográfica

Vertente hidrográfica é a direção na qual os rios de uma bacia hidro gráfica correm e desembocam. Essa direção está associada à declividade predominante do terreno.
O continente americano é muito rico em rios, com escoamento em quatro vertentes hidrográficas: do Ártico, do Atlântico, do Pacífico e do Golfo do México. 

Vertente do Ártico 

São os rios do centro-norte do Canadá que escoam para o Oceano Glacial Ártico. Não é uma vertente muito densa em rios, pois o clima frio e polar da região os mantém congelados quase o ano todo. 
O principal desses rios é o Mackenzie, no noroeste do Canadá, navegável por aproximadamente cinco meses ao ano e fonte de ali mento para a pequena população da região, além de ser um ponto turístico.
A partir da década de 1970, o potencial hidrelétrico do rio passou a ser aproveitado, com a construção da hidrelétrica do Rio Peace, cujo potencial hidrelétrico é de cerca de 5 gigawatts por hora, o suficiente para fornecer energia a aproxima damente 450 mil residências.

Vertente do Atlântico 

A vertente do Atlântico, Norte e Sul, é caracterizada pelas grandes bacias hidro gráficas do continente e composta dos rios que se dirigem para o Oceano Atlântico. 

- Vertente do Atlântico Norte 

Às margens do Rio São Lourenço, principal rio da vertente do Atlântico Norte, estão localizadas as áreas mais populosas e industrializadas dos Estados Unidos e do Canadá. 
Por ser navegável – principalmente depois de concluídas as obras de alargamento e abertura de canais –, esse rio é rota de transporte da produção industrial da região para o Oceano Atlântico, além de possibilitar o comércio entre as cidades que banha. Pelo São Lourenço escoam produtos agrícolas, merca dorias do setor industrial e minérios.
Nos Estados Unidos e no Canadá, muitas cidades se formaram ao longo do Rio São Lourenço, e algumas, como Montreal, no Canadá, tornaram-se importantes centros de comércio e de serviços. 
Esse rio também liga o Oceano Atlântico à região dos Grandes Lagos (Superior, Erie, Huron, Michigan e Ontário) nos Estados Unidos e no Canadá, maior região lacustre do mundo.

- Vertente do Atlântico Sul

Na América do Sul, o Brasil é o país mais bem servido de rios. A Bacia do Rio Amazonas é a maior do mundo. Os rios dessa bacia têm suas nascentes na Cordilheira dos Andes, no Planalto das Guianas e no Planalto Brasileiro. Ela drena a Floresta Amazônica e, por irrigar extensas áreas de planície, é ampla mente utilizada para navegação. 
A Bacia do Rio São Francisco é muito importante para o Nordeste brasileiro. Seu rio principal é o São Francisco, que é navegável em alguns trechos e fornece, por meio de usinas, energia elétrica e água para a população da região, muito utili zada no abastecimento público e para irrigação de cultivos agrícolas. Esse rio, que atravessa parte do sertão semiárido do Nordeste brasileiro, está ameaçado pelo assoreamento, entre outras razões, graças à retirada de matas ciliares.
A Bacia Platina (ou do Rio da Prata) está entre as maio res do mundo. O Rio da Prata tem curta extensão, mas recebe águas de rios volumosos, como Paraná, Paraguai e Uruguai. Os rios Paraná e Uruguai são grandes fornecedores de energia hidrelétrica, e o Rio Paraguai é importante para a navegação na região do Pantanal Mato-Grossense. 
Outros rios importantes da América do Sul, com vertente para o Atlântico, são o Orinoco, na Venezuela (formando a Bacia do Orinoco), e os rios Salado, Colorado e Negro, na Argentina (Bacia do Salado). 
Os rios da América do Sul, assim como os de todo o continente, são utilizados para navegação, fornecimento de energia elétrica, pesca, irrigação de terras agrícolas e abastecimento de água para as áreas urbana e rural. 
Além dos rios, o Brasil se encontra em situação privilegiada em relação à ocorrência de águas subterrâneas. Entre os aquíferos brasileiros está um dos maio res mananciais de água doce subterrânea transfronteiriço do mundo, o Aquífero Guarani, que se estende por Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. 
Sua maior ocorrência se dá em território brasileiro, abrangendo os estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. As águas subterrâneas vêm assumindo importante papel como fonte de água potável. 
Esse interesse surgiu em razão da grande disponibilidade (quantidade) e excelente qualidade natural associadas ao desenvolvimento tecnológico que facilita sua extração. Atualmente, 40% da água de abastecimento público no Brasil provém de reservas subterrâneas.

Vertente do Golfo do México

A Bacia do Rio Mississippi – da qual também fazem parte os rios Missouri, Ohio e Arkansas, seus principais afluentes – é muito importante para a economia dos Estados Unidos. O Rio Mississippi foi fundamental no processo de formação territorial do país, porque foi por onde os exploradores ingleses se deslocaram rumo ao interior.
É considerada a terceira maior bacia hidrográ fica do mundo, superada em área apenas pela Bacia do Rio Amazonas, no norte da América do Sul, e pela Bacia do Rio Congo, na região central da África. 
Os rios da Bacia do Mississippi irrigam as ter ras das planícies centrais dos Estados Unidos, cuja elevada produção de grãos é neles transportada para os portos do Golfo do México.
Dependendo da quantidade de chuvas na região, podem ocorrer enchentes nos rios dessa bacia, destruindo lavouras e acarretando prejuízo também para as cidades próximas. 
Outro rio de destaque que deságua no Golfo do México é o Rio Grande (ou Bravo do Norte). Esse rio tem a função, em parte, de separar os territórios dos Estados Unidos e do México.

Vertente do Pacífico 

Os principais rios dessa vertente são os localizados na América do Norte: o Rio Yukon, localizado no estado estadunidense do Alasca, que é separado do restante dos Estados Unidos pelo território do Canadá, e os rios Colorado e Colúmbia, nos Estados Unidos, com nascentes na região das Montanhas Rochosas. São rios de pequena extensão e encachoeirados, muito utilizados como fonte para a energia hidrelétrica.

Relevo

O relevo do continente americano apresenta três modelagens, com altas montanhas e planaltos elevados a oeste, planícies e depressões ao centro e planaltos a leste. 
O relevo do continente americano apresenta similaridades entre as Américas do Norte, Central e do Sul. Distinguem-se três grandes unidades ou formas, que se diferenciam pelas altitudes, pela idade geológica e pelas características de formação dos terrenos: planaltos orientais, planícies centrais e cadeias montanhosas ocidentais.

Planaltos orientais

Na costa leste ou oriental da América há predomínio de planaltos antigos, muito desgastados pela erosão, principalmente pelo vento e pelas chuvas. Esse desgaste explica as altitudes mais baixas, quando comparadas com a paisagem montanhosa da costa oeste do continente e os topos de formas, em geral, mais arredondadas.
Nas terras planálticas, na porção leste do continente, há grande concentração populacional, principalmente nos Estados Unidos e no Brasil. Essa concentração humana é ainda maior na direção das planícies litorâneas do Atlântico. Essa foi a primeira região do continente a receber povoamento no período colonial.
Também há, nessas áreas planálticas, elevada urbanização e polos industriais. Os planaltos são ricos em minerais metálicos, com destaque para o minério de ferro, explorado por alguns países, principalmente Estados Unidos, Canadá e Brasil.
No leste do continente, encontram-se planaltos de altitudes modestas, formas de topos arredondados e bastante desgastados pela ação dos agentes externos do relevo. Os principais planaltos orientais são:

- Planalto do Labrador ou Canadense, localizado no nordeste do Canadá;

- Montes Apalaches, no leste dos Estados Unidos;

- Planalto das Guianas, Planalto Central e Planalto da Patagônia, na América do Sul.

Os planaltos orientais são ricos em recursos minerais, principalmente manganês, cobre, bauxita e minério de ferro, explorados por indústrias extrativistas e amplamente utilizados para produção de matéria-prima. A exploração dos recursos minerais tem provocado grandes impactos ambientais, como a retirada da cobertura vegetal e a destruição de morros e serras. Tanto na América do Norte quanto na do Sul, esses planaltos abrangem grandes cidades e importantes áreas industriais e agrícolas.

Planícies centrais

Na região central do continente americano predominam as planícies e depressões, de formação sedimentar recente. São exemplos a Planície Central na América do Norte, as planícies e depressões da Amazônia, a Planície do Pantanal e a Depressão do Chaco, na América do Sul.
Pelas características de relevo plano e baixo, a maioria dessas planícies é formada por rios navegáveis e aproveitada para atividades agropecuárias.
No Canadá, a Planície Central, em sua porção sul, é uma região de grande cultivo, principalmente de trigo. Nos Estados Unidos, nessa forma de relevo pratica-se a ativi dade agrícola, com destaque para o cultivo de trigo, milho e algodão. Na América do Sul, as planícies são regiões menos povoadas, geralmente com destaque para a pecuária e o plantio de soja, prin cipalmente no Brasil e na Argentina.
Na porção central do continente predominam grandes planícies, banhadas pelas bacias de rios, como o Amazonas e o Mississipi. As principais planícies americanas são:

Planície Central, na América do Norte;

Planície Amazônica, Planície Platina e Planície do Pantanal, na América do Sul.

Nos Estados Unidos, a Planície Central é uma área de intensa atividade agrícola, com desta que para o cultivo de trigo e milho.

Cadeias montanhosas ocidentais

A porção oeste do continente americano, desde o Alasca até o extremo sul do Chile, é marcada pela presença de montanhas de formação geológica recente, vulcanismo e terremotos, o que dificulta a ocupação humana, mas não a inviabiliza.
O relevo da costa oeste ou ocidental do continente americano é predominantemente montanhoso. Sua estrutura geológica é formada por dobramentos modernos, do Período Terciário (Era Cenozoica). Essa modelagem do relevo, com forte atuação de agentes internos, é o mais extenso conjunto de cadeias montanhosas do mundo, estendendo-se por mais de 40 mil quilômetros, do Alasca, extremo norte da América do Norte, ao sul do Chile, extremo sul da América do Sul.
Essas cadeias montanhosas recebem nomes diferentes no continente. Na América do Norte, a principal cadeia montanhosa é denominada Montanhas Rochosas; no México, Serra Madre (ocidental e oriental); e na América do Sul, Cordilheira dos Andes. Por serem formações geológicas recentes (surgidas há cerca de 65 milhões de anos), as montanhas ultrapassam os 4 mil metros de altitude, com formatos pontiagudos e neve nos picos. O ponto culminante da América está na Cordilheira dos Andes, o Aconcágua, localizado entre a Argentina e o Chile, com 6 962 metros.
Essa região montanhosa da costa oeste da América é uma área de contato de placas tectônicas, com frequente atividade sísmica e, com menor regularidade, atividade vulcânica. O relevo montanhoso, associado ao clima frio de montanha, dificulta a presença humana por causa das condições difíceis de vida em áreas elevadas, limitando principalmente as atividades produtivas. Assim, em vários trechos da Cordilheira dos Andes e das Montanhas Rochosas, a den sidade demográfica é muito baixa, muitas vezes inferior a 1 hab./km².
Entre essas montanhas e as planícies da costa oeste do continente também há planaltos de altitudes elevadas e, em alguns espaços, grande concentra çãopopulacional, como os planaltos elevados do México, entre a Serra Madre Oriental e a Serra Madre Ocidental.
Áreas populosas também existem nos altiplanos andinos, na América do Sul, principalmente na Bolívia. Esses altiplanos já foram habitados no passado por tiahuanacos, aimarás, incas e outros grupos étnicos nativos.


Clima

A diversidade climática na América é influenciada por diferentes fatores, como latitude, altitude, relevo, massas de ar e correntes marítimas. Esses fatores exercem influência direta sobre os elementos climáticos: temperatura, precipitação e pressão atmosférica.

Diversidade de climas 

Por ter grande extensão territorial no sentido norte-sul, o continente americano apresenta muitos tipos climáticos, desde condições extremas de frio no norte da América Anglo-Saxônica e no sul da América Latina até o clima tropical da maior parte da América Latina. 
Essa diversidade climática explica-se por diversos fatores, principalmente pela latitude, pois a América é o maior continente disposto no sentido norte-sul, cortado por quatro paralelos principais. Além da latitude, as correntes marítimas, as massas de ar e a disposição do relevo interferem na variedade climática do continente.

Climas da América Anglo-Saxônica 

Na maior parte da América Anglo-Saxônica predominam climas temperados e frios, pois, em grande parcela, os países que a compõem estão localizados entre o Trópico de Câncer e o Círculo Polar Ártico, em altas latitudes. 
Os tipos climáticos dessa porção do continente americano apresentam características diversas de temperatura e de índices de chuva ao longo das estações do ano. 
No extremo norte do continente americano (parte do Canadá, Alasca e Groenlândia), as temperaturas são negativas o ano todo por conta do clima polar, caracterizando áreas de baixa densidade demográfica.
Ao sul das regiões polares, ocorre o clima frio, com invernos rigorosos e verões curtos. Canadenses e estadunidenses estão adaptados a essas condições climáticas e contam com serviços de remoção de neve e residências e áreas comerciais equipadas com sistema de calefação.
Nos Estados Unidos predomina o clima temperado, que apresenta estações do ano bem definidas. No litoral ocorre maior quantidade de chuvas graças às massas de ar úmidas provenien tes dos oceanos, e no interior o clima é mais seco, pois as cadeias montanhosas impedem o avanço dessas massas para a região. Na área central, são frequentes os tornados. 
Na costa atlântica é comum a ocorrência de furacões, que se formam no Golfo do México e atingem a porção sudeste dos Estados Unidos. Tornados e furacões, são ventos bastante fortes que podem causar muita destruição. A duração do furacão é maior que a do tornado, podendo atingir uma mesma área durante vários dias.

Climas da América Latina 

Na América Latina predominam climas quentes, pois a maior parte de suas terras está localizada entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio. Nessa região também predominam as correntes marítimas e as massas de ar quente. Além disso, ela recebe maior incidência dos raios solares e tem pluviosidade elevada. 
Na América Latina também há os extremos climáticos, como o Sertão do Nordeste brasileiro, com elevadas temperaturas o ano todo; as áreas de baixas temperaturas, como o extremo sul da Argentina e do Chile; e as áreas áridas, como no deserto de Huacachina, no Peru.
O clima das diferentes regiões da Amé rica Latina depende de diversos fatores, sobretudo da altitude, da maritimidade e dos deslocamentos das massas de ar. 
As massas de ar tropicais, por exemplo, apresentam altas temperaturas, enquanto as massas polares trazemtem peraturas mais baixas. Isso ocorre porque a incidência dos raios solares diminui com o aumento da latitude.
As massas marítimas são, em geral, mais úmidas do que as continentais, em decorrência da maior evaporação em áreas oceânicas. Ao se deslocarem, as massas de ar carregam as características dos locais de onde se originam.

Latitude

Os climas polar e frio, caracterizados por médias baixas de tempera tura, ocorrem no extremo norte do continente, região localizada em altas latitudes. Os climas quentes e úmidos, como o equatorial e o tropical, encontram-se em áreas de médias e baixas latitudes na América Central e na América do Sul.

Altitude e relevo

O relevo influencia os climas por causa da ação que exerce sobre as massas de ar. A baixa umidade e as médias de temperatura elevadas dos climas semiárido e desértico quente nos Estados Unidos e no México sofrem influência das grandes cadeias de montanhas, que barram as massas de ar úmidas vindas do Pacífico. Na porção leste do continente, as planícies facilitam a entrada de massas de ar frias e úmidas originadas nas regiões polares. Na América do Sul, essas massas se dirigem para o norte pelas planícies Platina e do Pantanal, alcançando, às vezes, a Amazônia e provocando o fenômeno denominado friagem.

Correntes marítimas

As correntes marítimas quentes elevam as temperaturas e a umidade do ar, enquanto as correntes marítimas frias exercem efeito contrário. Em alguns casos, as correntes marítimas contribuem para a formação de desertos.

A corrente do Golfo (quente) é formada no Golfo do México e ameniza as temperaturas dos climas frios da costa leste norte-americana até a costa da Noruega, no norte da Europa.

A corrente do Peru (fria), também denominada corrente de Humboldt, atua na costa oeste sul-americana e influencia a formação do deserto do Atacama, no Chile. Por ser uma corrente fria, atua diminuindo a evaporação das águas do oceano Pacífico na região e, em consequência, a umidade e a possibilidade de chuvas, tornando o clima seco.

Vegetação

A vegetação tem estreita ligação com os tipos de clima, relevo e solo. As diferentes espécies adaptam-se às condições climáticas, como baixas ou altas temperaturas, escassez ou abundância de chuva etc. 
De norte a sul, as vegetações apresentam formações das mais variadas, indo da florestal – mais exuberante – às arbustivas e herbáceas – com árvores mais baixas, arbustos e espécies rasteiras.
A vegetação nativa do continente americano foi bastante devastada, dando lugar a cidades, áreas agrícolas e de pastagens, estradas, hidrelétricas etc. Analise algumas paisagens do continente americano, onde a vegetação original ainda resiste.
A Taiga é adaptada ao clima rio, com invernos longos e rigorosos. As espécies vegetais ue se destacam na paisagem são as coníferas.
As espécies vegetais da Tundra são rasteiras, compostas predominantemente de liquens, algas e musgos. É a vegetação característica do clima polar, com ai as temperaturas e solos congelados durante grande parte do ano.
Na Floresta Temperada, as árvores perdem as folhas no inverno (decíduas) e têm tons vermelhos e amarelos no outono. No Brasil, a Floresta Subtropical representa uma formação vegetal que pode ocorrer em associação às Florestas Temperadas, em áreas de temperaturas mais amenas. Ao contrário da Floresta Temperada, as espécies encontradas na Floresta subtropical são perenifólias, ou seja, as folhas nunca caem.
As expressão Floresta Tropical engloba grande diversidade de formações vegetais, as quais ocorrem em áreas que se estedem pela América Central e do Sul, abrigando a maior parte da biodiversidade terrestre. As Florestas Tropicais úmidas estão sempre verdes e são constituídas por árvores de grande porte, densas e exuberantes. Estão associadas aos climas tropicais e equatoriais, quentes e úmidos.
As Savanas estão associadas aos climas tropicais, quentes e com estação seca bem definida. Enconradas em climas quentes, podem ser consideradas Florestas Tropicais secas, também ocorre do em porções da América Central e do Sul. No Brasil, correspondem ao Cerrado, que apresenta vegetação variada com áreas de vegetação densa e outras com árvores de pequeno porte, arbustos e vegetação rasteira constituída por gramíneas.
Na América, as Estepes são encontradas em áreas de transição entre os climas semiárido e subtropical, marcados por uma estação seca prolongada. Correspondem às Pradarias norte-americanas e aos Pampas sul americano. Constituem estensas áreas de pastagens naturais, com destaque para plantas herbáceas.

Formações vegetais da América Anglo-Saxônica

Composta de musgos e liquens, a tundra é a vegetação da região ártica – Canadá, Alasca e sul da Groenlândia – de clima polar. Em áreas do Alasca e na região centro-norte do Canadá, onde o clima é frio, desenvolve-se a floresta boreal ou de coníferas, também conhecida como taiga, uma vegeta ção de grande porte, com predomínio de espécies de pinheiros. 
Na região centro-leste dos Estados Unidos, onde o clima é temperado, forma-se a Floresta Temperada. Essa floresta foi muito devastada, principalmente pelo avanço da agricultura mecanizada, pela formação das cidades e pela construção de estradas.
Pradarias ou estepes formam-se na região das planícies centrais dos Estados Unidos e do Canadá, e, no sudoeste dos Estados Unidos, onde o clima é árido, forma-se a vegetação desértica.

Formações vegetais da América Latina

Nas áreas de clima equatorial desenvolve-se a floresta equatorial ou tropical úmida. 
A Floresta Amazônica é um exemplo de floresta equatorial que vem sofrendo um sistemático processo de desmata mento, principalmente por causa do avanço das atividades de agricultura e pecuária.
Nas áreas de clima tropical desenvolve-se a floresta tropical, como a Mata Atlântica, na costa leste do Brasil. Seu desmatamento ocorreu por conta do crescimento populacional e do consequente aumento dos espaços urbanos. 
A vegetação de savana desenvolve-se em boa parte do México, caracterizada principalmente pela presença de extensas áreas de gramíneas, arbustos e árvores baixas. Na região central do Brasil, onde o clima é tropical, ela é cha mada de cerrado e sofre desmatamento em razão do avanço da agricultura e da pecuária e da atividade do garimpo, com perdas importantes para a biodiversidade. No Sertão do Nordeste brasileiro é classificada como caatinga, com clima semiárido e predomínio de cactáceas.
Estepes e pradarias (campos) são áreas de clima subtropical, observadas no Rio Grande do Sul, na Argentina e no Uruguai (pampas). No sul do Brasil predomina a Mata de Araucária (floresta subtropical) e, no litoral do Peru, no litoral norte do Chile e na Patagônia (sul da Argentina), encontra-se a vegetação desértica.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

AMÉRICA: ORGANISMOS DE INTEGRAÇÃO

Os organismos de integração internacional têm como objetivo incentivar o intercâmbio cultural, político e econômico entre nações. Há diversos organismos no mundo, alguns com caráter bastante dinâmico, como os blocos econômicos, cujos objetivos e constituição podem ser alterados em razão de mudanças nos governos e na relação entre os membros.
Uma das estratégias para reforçar a boa relação com os países latinos da América foi a criação da Organização dos Estados Americanos (OEA). Por iniciativa dos Estados Unidos, em 1949 foi formada, em Bogotá (Colômbia), a organização regional com a participação de todos os países do continente americano. Em 1962, Cuba foi expulsa dessa organização em função de seu alinhamento às posições políticas soviéticas.
No atual período de globalização, a formação de organizações internacionais regionais e de blocos econômicos contribui para o fortalecimento econômico e político dos Estados. Na América, foram formadas organizações internacionais e blocos econômicos com o intuito de fortalecer e aumentar a competitividade comercial desses países em nível global. Conheça algumas dessas organizações.

União de Nações Sul-Americanas (Unasul) 


Em 2004, em uma reunião dos chefes de Estado sul-americanos realizada em Cuzco, no Peru, foi criada a Comunidade Sul-Americana de Nações (Casa), com o objetivo de reduzir a pobreza e as desigualdades sociais, promover maior integração econômica e política entre os países-membros e consolidar uma identidade sul-americana. 
Em 2007, em Isla Margarita, na Venezuela, os líderes desses países decidiram mudar o nome da comunidade para União das Nações Sul-Americanas (Unasul), cujo tratado constitutivo foi aprovado em 2008.
Desde sua criação, essa organização tem desempenhado papel importante na resolução de crises. As mais importantes foram duas tentativas de golpe de Estado: em 2008, na Bolívia, contra o presidente Evo Morales, e em 2010, contra o presidente Rafael Correa, do Equador.
A cooperação é importante no sentido de construir um futuro melhor para a população da América do Sul. Os países sul-americanos estão entre os maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo e dispõem de fontes de energia renováveis, como a eólica e a hidrelétrica, e não renováveis, como o gás (abun dante na Bolívia) e o petróleo (encontrado na Venezuela, no Equador, no Brasil e na Argentina). Mas, apesar de todo esse potencial, há muitas dificuldades a serem superadas. A maior delas é a pobreza, que afeta parte significativa da população do continente, sobretudo da Bolívia e do Paraguai. 
Outros desafios a enfrentar são as profundas diferenças econômicas entre os países sul-americanos e a forte pressão dos Estados Unidos para que a integração do continente não seja bem-sucedida, de modo a favorecer os interes ses estadunidenses, principalmente ligados à exploração de minérios e de petróleo.
Em 2018, após diversas crises políticas, seis países-membros (Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Paraguai e Peru) decidiram suspender sua participação na Unasul, que passou a reunir apenas Venezuela, Bolívia, Equador, Uruguai, Guiana e Suriname. Nos últimos anos, porém, vários governos de países sul-americanos foram ocupados por lideranças que trouxeram ideias capazes de apontar novos rumos para a integração regional.
Mudanças políticas provocaram um esvaziamento da orga nização que, em 2022, contava apenas com Guiana, Suriname e Venezuela.

Foro para o Progresso da América do Sul (Prosul) 


Criado em 2019, é uma organização de países sul-americanos que tem como objetivo intensificar conversas para viabilizar transações econômicas mais eficientes entre os membros.

Nafta 


O Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio. Em inglês, North American Free Trade Agreement) é um acordo de livre-comércio, em vigor desde 1994, que defi niu as regras de comércio e investimentos entre Estados Unidos, Canadá e México. 
Esse acordo, que consolidou o intenso comércio regional praticado entre os países da América do Norte, surgiu como resposta à formação da União Europeia, ajudando a enfrentar a concorrência representada por esse bloco econômico e pelo crescimento da economia japonesa.
Com a eliminação das tarifas alfandegárias, as trocas comerciais dispararam e agravaram o desequilíbrio entre México e Estados Unidos, mas houve benefício para os três países devido ao aumento dos volumes das exportações e a criação de empregos. Entre 1993 e 2016, as exportações mexicanas para os Estados Unidos multiplicaram mais de sete vezes e foram triplicadas em relação ao Canadá. 
Apesar disso, não resta dúvida de que esse bloco atende muito mais aos inte resses dos Estados Unidos que aos de seus vizinhos. Depois da consolidação do Nafta, novas empresas se instalaram no México, buscando obter vantagens de produção no território mexicano, como mão de obra mais barata e maior facilida de de acesso a matérias-primas.
Outra vantagem dos Estados Unidos com a instauração do Nafta foi a amplia ção do mercado consumidor para os produtos estadunidenses, que passaram a ser comercializados sem restrições tanto para o Canadá como para o México. 
A liberdade de trânsito de mercadorias, porém, não se aplica ao fluxo populacional entre México e Estados Unidos. A fronteira entre esses dois países, uma das mais vigiadas do mundo, foi cercada pelo governo estadunidense por um muro, com a intenção de barrar a passagem de imigrantes mexicanos, que tentam entrar ilegalmente no país vizinho em busca de melhores oportunidades de trabalho. 
Essa situação não ocorre em relação à fronteira dos Estados Unidos com o Ca nadá, um país que apresenta excelentes indicadores sociais e um dos mais elevados IDHs do mundo. Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano 2015 do Progra ma das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Canadá ocupa a nona posição do IDH no ranking mundial, atrás dos Estados Unidos, na oitava posição. 

Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) 


Prevê a eliminação gradual das barreiras ao comércio, permitindo a livre circulação de mercadorias, e atualiza o antigo acordo, chamado Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), que vigorava desde 1994.

Mercado Comum do Sul (Mercosul) 


Formado em 1991 por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, tem como objetivo a integração econômica e comercial por meio da livre circulação de bens, serviços e capitais. Desde a sua criação, o bloco enfrenta dificuldades para concluir essa integração, principalmente por causa das grandes diferenças econômicas entre os países-membros. 
O Mercosul é o bloco econômico mais importante da América do Sul. Foi criado em março de 1991, com a assinatura do Tratado de Assunção, no contexto de redemocratização e reaproximação dos países sul-americanos no final da década de 1980.
A Venezuela, que aderiu ao bloco em 2012, foi suspensa duas vezes: em dezembro de 2016, por descumprimento de seu Protocolo de Adesão, e em agosto de 2017, por violação da Cláusula Democrática do Bloco. Os demais países da América do Sul estão vinculados ao Mercosul como Estados associados. A Bolívia tem o status de Estado Associado em Processo de Adesão.
Atualmente, o Mercosul é um bloco na fase de União Aduaneira, mas o Tratado de Assunção estabeleceu um modelo de integração maior, com objetivos centrais de formação de um Mercado Comum, uma área de livre-comércio e circulação, com o estabelecimento de uma Tarifa Externa Comum (TEC) no comércio com terceiros e a adoção de uma política comercial comum.
O documento de formação do Mercosul apresenta uma cláusula na qual os países-membros se comprometem a manter regimes democráticos para permanecer no bloco. Ao longo do processo de integração, devido ao sucesso inicial da inte gração econômico-comercial, a agenda do Mercosul foi gradativamente ampliada, passando a incluir temas políticos, de direitos humanos, sociais e de cidadania.
O principal problema do Mercosul está relacionado aos produtos que devem ter as mesmas taxas de importação e exportação. Como os países-membros apre sentam economias muito diferentes, é difícil chegar a um acordo em relação aos produtos que devem ser incluídos na lista, o que gera muita discussão. Para alguns analistas, essa situação pode paralisar o Mercosul, tornando-o pouco efetivo. 
Os defensores do Mercosul apontam como aspectos positivos a criação do Parlamento do Mercosul (Parlasul) e do Fundo de Convergência Estrutural, desti nado a financiar obras de infraestrutura, programas sociais e de competitividade das empresas dos países-membros.
O Parlasul, criado em 2006, atua por meio de várias comissões per manentes, que se dedicam a tratar de temas como cidadania, educação, infraes trutura e trabalho, entre outros. Os assuntos discutidos nas comissões resultam em recomendações que podem ou não ser aceitas pelos membros do Mercosul. Ainda há muitos avanços necessários para consolidar o Mercado Comum previsto no Tratado de Assunção, incluindo a livre circulação de pessoas e a plena vigência da TEC e de uma política comercial comum.

Iirsa 


A Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (Iirsa), criada em 2000, não é um bloco econômico, mas representa um esforço de articulação para a criação de uma infraestrutura de transportes, energia e comunica ções entre os países da América do Sul. Para atingir essa meta, foram definidos Eixos de Integração e Desenvolvimento, que constituem a base para o desenvolvimento dos projetos.
Cada eixo proposto deve envolver mais de um país e contemplar a gestão dos recursos naturais e populacionais da área abrangida. As fontes de financiamento para os projetos são provenientes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e do Fundo Finan ceiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata). Maior iniciativa empreendida no sentido de elaborar e instaurar uma política territorial envolvendo os países da América do Sul, a Iirsa encontra-se atualmente sob a responsabilidade do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan), vinculado à Unasul.
Entretanto, a Iirsa recebe críticas de caráter ambiental e político. Segundo ambientalistas, os projetos vão causar o desmatamento de áreas, em especial os do eixo 5, na faixa do Amazonas. Além disso, alegam que os projetos da hidrovia Paraguai-Paraná, eixo 4, também vão gerar graves impactos ambientais em áreas vulneráveis, como o Pantanal.
As críticas políticas referem-se aos beneficiários da Iirsa. Muitos analistas dizem que a infraestrutura para a exploração dos recursos naturais na América do Sul proporcionará mais benefício para as empresas transnacionais, que comercializam soja e produtos minerais, do que para a população residente nessa porção do continente.

Comunidade Andina de Nações (CAN) 


Instituída em 1969 como Pacto Andino, passou a adotar o nome atual em 2006, com o objetivo de promover a integração comercial, política e econômica entre os membros.
Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia e Chile assinaram o Acordo de Cartagena, criando uma união aduaneira e econômica a fim de se fortalecerem economicamente e restringirem a entrada de capital es trangeiro nos países-membros. 
O Chile se retirou do pacto em 1973, após o golpe de Estado que depôs o presidente Salvador Allende e colocou no poder o general Augusto Pinochet, que implantou um governo ditatorial que perdurou até 1990. A partir daí, o país abriu sua economia ao mercado externo, principalmente ao estadunidense. 
A Venezuela deixou o bloco em 2011, alegando descontentamento diante do fato de Peru e Colômbia terem aprovado acordos de livre-comércio com os Estados Unidos.
Atualmente, o grupo formado pelos quatro países remanescentes – Bolívia, Colômbia, Equador e Peru – tem como meta principal criar um mercado comum para a melhor defesa de seus interesses e a integração de seu desenvolvimento. 
Outros objetivos do bloco são promover o desenvolvimento equilibra do dos países-membros, em condições de equidade, por meio da integração e da coo peração econômica e social; acelerar o crescimento e a ge ração de emprego para suas populações; reduzir a vulnerabilidade externa e melhorar a posição dos países-membros no contexto econômico inter nacional; fortalecer a solidarie dade sub-regional e reduzir as diferenças de desenvolvimen to existentes entre os inte grantes do bloco; buscar melhoria no padrão de vida dos habitantes.

Aladi 


A Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) foi criada com a assina tura do Tratado de Montevidéu, em 12 de agosto de 1980, com o intuito de pro mover o desenvolvimento econômico e social da América Latina. 
Seu objetivo é estabelecer integração, de forma gradual e progressiva, até a formação de um mercado comum latino-americano. Atualmente, a Aladi conta com treze países-membros: Argentina, Bolívia, Bra sil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Nicarágua e El Salvador estão em processo de adesão.

Comunidade do Caribe (Caricom) 


Criada em 1973, é constituída por 15 Estados-membros e cinco associados, o objetivo é a cooperação econômica e política. A organização também desenvolve projetos comuns nas áreas de saúde, educação e comunicação.

Mercado Comum Centro-Americano (MCCA) 


Criado em 1960, engloba cinco países da América Central. A organização busca a integração econômica, política e cultural dos países-membros.
Surgiu com a intenção de promover a paz e resolver os conflitos na região de Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua. Em 4 de junho de 1961, foi assinado o Tratado de Integração Centro-Americana com o intuito de fundar um mercado comum entre os países-membros. Atualmente, está em processo a preparação da constituição da União Centro-Americana.

Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) 


Foi criada em 2004, estabelecendo a cooperação política, econômica e social entre os membros, se posicionando contra a influência exercida pelos Estados Unidos na região.
Em 2004, os então líderes de Cuba (Fidel Castro) e Venezuela (Hugo Chávez) apresentaram a proposta da Alba, com a pretensão de integrar a região do Caribe e o restante da América Latina por meio de propostas de incentivo à solidarieda de mútua e de desenvolvimento de projetos sociais e econômicos. 
O bloco tem realizado intercâmbio de médicos cubanos para a Venezuela em troca de petróleo e acordos comerciais nos setores de energia e mineração dominados por Venezuela, Bolívia e Equador. Os países-membros da Alba são Antígua e Barbuda, Bolívia, Cuba, Dominica, Equador, Nicarágua, São Vicente e Granadinas e Venezuela.

Organização dos Estados Americanos (OEA) 


Com objetivo de manter a paz e a democracia no continente, a Organização dos Estados Americanos foi fundada em 1948, reunindo 21 países, entre eles o Brasil. A Carta da OEA, que entrou em vigor em dezembro de 1951, foi assinada em Bogotá, na Colômbia. 
Atualmente, a OEA, que abrange os 35 Estados independentes da América, constitui o principal fórum governamental político, jurídico e social do hemisfério ocidental. Além disso, a organização concedeu o estatuto de observador permanente a outros 69 Estados e à União Europeia. 
Entre os objetivos oficiais da OEA estão a construção de uma ordem de paz e de justiça no continente americano; a promoção da solidariedade e da cooperação mútua entre os Estados da América e a defesa de sua soberania; a integri dade territorial e a independência de seus membros. Segundo a organização, para atingir esses objetivos a OEA se baseia em quatro pilares principais: a democracia, os direitos humanos, a segurança e o desenvolvimento.


Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) 


Surgiu em 1949, com o objetivo de promover a cooperação entre os países ibero-americanos nos campos da ciência, educação e cultura. São denominados países ibero-americanos Portugal, Espanha e todos os países americanos de colonização portuguesa e espanhola.
A Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), cuja secretaria-geral está sediada em Madri, Espanha, é um organismo internacional de caráter governamental que atua para promover a cooperação entre os países ibero-americanos nos campos da educação, da ciência, da tecnologia e da cultura no contexto do desenvolvimento integral, da democracia e da integração regional. 
Os países-membros de pleno direito e observadores da OEI são Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Chile, República Dominicana, Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, Guiné Equatorial, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela.

POVOS ORIGINÁRIOS DA AMÉRICA

Não se sabe ao certo a origem dos primeiros habitantes da América. Independentemente das teorias levantadas para reconstituir o processo de povoamento do continente americano, pesquisadores estimam que, quando Colombo desem barcou na América, cerca de 50 milhões de pessoas viviam no Novo Mundo. Os povos que habitavam o continente americano ficaram conhe cidos genericamente como povos pré-colombianos.
Esses povos apresen tavam grande diversidade étnica, social, política e religiosa. Algumas civilizações, como a inca, a maia e a asteca, formaram sociedades complexas. Com a ocupação e a exploração do continente americano pelos europeus, essas sociedades começaram a desestruturar-se e muitas desapareceram.
A América Anglo-Saxônica era habitada por cente nas de povos indígenas antes da chegada dos europeus. Assim como no restante do continente americano, essas populações foram praticamente dizimadas. Com a expansão do território estadunidense ao longo do século XIX, os conflitos entre colonos e indí genas aumentaram. Povos como os sioux, apaches e comanches resistiram à invasão europeia. Outros, como os cherokees, incorporaram mais facilmente os costumes dos colonizadores. Atualmente, esse povo representa a maior parcela da população indígena dos Estados Unidos. No Canadá, ocorreu processo semelhante de resistência dos povos originários ao colonizador.
A influência indígena na cultura anglo-saxônica pode ser identificada na música, na temática dos filmes sobre o velho oeste, na gastronomia, marcada pelo uso do milho, nos nomes de lugares, como Alasca, Dakota, Oklahoma etc.
Nos dias atuais, cabe aos descendentes desses povos preservar características do modo de vida e da cultura. Muitos vivem em comunidades e precisam lutar pelo direito originário à terra, como acontece com os povos indígenas brasileiros.

Astecas, incas e maias


Entre as centenas de povos que habitavam a América Latina, podemos destacar os astecas, os incas e os maias. A civilização asteca desenvolveu-se principalmente entre os séculos XIV e XVI, no território do atual México. No século XIV, fundaram a cidade de Tenochtitlán, que se tornou a capital do império.
Os astecas desenvolveram técnicas agrícolas e de construção de obras de drenagem, canais de irrigação, estradas, templos, pirâmides, entre outras.
O artesanato era riquíssimo, destacando--se tecidos, objetos de ouro e prata, e pinturas. O Império Asteca começou a ser destruído em 1519, a partir das invasões espanholas lideradas por Hernán Cortés (1485-1547).
Os espanhóis dominaram e escravizaram os astecas, apropriando-se de grande parte do ouro e da prata dessa civilização.
O Império Inca incluía todo o Equador e o Peru, o sul da Colômbia, o oeste da Bolívia, o noroeste da Argentina e o norte do Chile. A capital era a cidade de Cuzco (Peru), e o principal idioma era o quíchua. Na agricultura, destacava-se o cultivo de batata, milho, algodão, tomate e mandioca. O plantio era feito em terraços (degraus construídos nas encostas das montanhas). Usavam arados para preparar o solo e animais, as lhamas, para transportar as colheitas. Desses animais também obtinham couro, carne e lã, com a qual faziam tecidos, mantas e cordas. Na arquitetura, eviden ciam-se as construções de templos, moradias e cidades com enormes blocos de rochas encaixados.
Os maias instalaram-se na região da Península de Yucatán (sudeste do atual México) e nas áreas onde hoje estão Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador. Eles construíram pirâmides, palácios e templos. A economia era baseada na agricultura, principalmente de milho e feijão. No artesanato, destacava-se a fiação de tecidos. Também praticavam o comércio com povos vizinhos e no interior do império.

AMÉRICA: OCUPAÇÃO E COLONIZAÇÃO


A historiografia oficial afirma que em 1492 o navegador Cristóvão Colombo, financiado pela Espanha, encontrou terras desconhecidas pelos europeus. Anos mais tarde essas terras receberam o nome de América, em homenagem a Américo Vespúcio (1454-1512), banqueiro, navegador e um dos patrocinadores das primeiras expedições ao chamado Novo Mundo.
O Novo Mundo despertou o interesse de outros Estados-nações, principalmente Portugal, Inglaterra, França e Holanda. A partir do século XVI, o continente americano passou a ser ocupado e colonizado pelos europeus.
A primeira colônia europeia na América foi estabelecida pela Espanha, na ilha Hispaniola, atuais territórios do Haiti e da República Dominicana. Em poucas décadas, muitas outras colônias foram estabelecidas no continente.
Os países europeus colonizaram a América de maneiras diferentes, destacando-se as chamadas colônias de exploração e as colônias de povoamento.
As colônias de exploração foram implantadas em grande parte da América Latina e na porção sul da América Anglo-Saxônica. Suas principais características eram a monocultura (produção de um único gênero agrícola), realizada em latifúndios, com ênfase na pro dução de algodão, cana-de-açúcar e tabaco; e a extração de metais preciosos destinados à metrópole, com utilização do trabalho escravizado de indígenas e de africanos.
As colônias de povoamento foram implantadas, principalmente, ao norte e nas áreas centrais da América Anglo-Saxônica. Caracterizavam-se pela pequena propriedade, pelo trabalho livre, pela produção para o mercado interno. Em algumas propriedades havia trabalhadores assalariados e a economia foi desvinculada do pacto colonial. Essa “liberdade econômica” favoreceu o desenvolvimento das atividades comerciais com outras metrópoles.

Continente americano

DIMENSÃO E LOCALIZAÇÃO


O continente americano é o segundo maior continente do planeta, com aproximadamente 42 milhões de km², menor apenas do que a Ásia. Com cerca de um bilhão de habitantes, a América é o terceiro continente mais populoso do planeta. As terras do continente americano são limitadas pelas águas de três oceanos: oceano Atlântico, a leste; oceano Pacífico, a oeste; oceano Glacial Ártico, ao norte, onde o estreito de Bering separa a América e a Ásia.
É cortada por quatro paralelos principais: Círculo Polar Ártico, Trópico de Câncer, linha do equador e Trópico de Capricórnio.
O território é bastante alongado no sentido norte-sul: há uma distância de quase 16 mil quilômetros entre o extremo norte (a 83° de latitude norte, na Groenlândia) e o extremo sul (a 56° de latitude sul, na Terra do Fogo). Essa grande extensão é um dos fatores que explicam a diversidade natural de paisagens encontradas na América.

Regionalizações da América 

Por sua grande extensão territorial, existem várias formas de dividir ou regionalizar a América. As formas de regionalização mais conhecidas e utilizadas pelos estudiosos são a físico-geográfica e a histórico-cultural.


1- Regionalização físico-geográfica

Uma maneira de regionalizar o continente americano é por meio do critério físico, considerando a distribuição e a localização geográfica das terras emersas. De acordo com esse critério, a América pode ser dividida em três regiões: América do Norte, América Central e América do Sul.

América do Norte

Possui a maior extensão territorial. É formada por três países e também pela maior ilha do mundo, a Groenlândia, território que pertence à Dinamarca. Os principais paralelos que perpassam esse território são o trópico de Câncer e o Círculo Polar Ártico.
A maior parte da América do Norte está localizada nas zonas climáticas temperada e polar, sendo atravessada pelo Trópico de Câncer, ao sul, e pelo Círculo Polar Ártico, ao norte. Essa porção é constituída pelo Canadá, pelos Estados Unidos da América, pelo México e pela Groenlândia. 
A Groenlândia é a maior ilha marítima do mundo, com cerca de 2,2 milhões de km2. Entretanto, mesmo estando no continente americano, está integrada politicamente à Dinamarca, país europeu que detém soberania administrativa sobre ela. Nessa regionalização, com base em aspectos naturais, o México faz parte da América do Norte, mas de acordo com a regionalização histórico-cultural, pertence à América Latina.

América Central

Possui a menor extensão territorial. Sua área continental corresponde ao istmo que faz a ligação entre a América do Sul e a América do Norte, e sua área insular (ilhas) é banhada pelas águas do mar do Caribe.
A América Central é uma região tropical, a menor área do continente, localizada entre a América do Norte e a América do Sul. Está dividida, segundo as bases naturais, em América Central Continental (sete países do istmo) e América Central Insular ou Antilhas, um conjunto de países-ilhas no Caribe. Nessa região, estão países como Cuba, Panamá, Haiti, Costa Rica, República Dominicana, Jamaica, entre outros.

América do Sul

Formada por doze países e também por um território pertencente à França, a Guiana Francesa. Os principais paralelos que perpassam esse território são a linha do Equador e o Trópico de Capricórnio.
Atravessada pela Linha do Equador e pelo Trópico de Capricórnio, a América do Sul é composta de 12 países soberanos e uma possessão francesa, a Guiana Francesa. Essa parte do continente abrange terras tanto na zona tropical como na zona temperada sul do planeta. Entre os países que compõem a América do Sul, estão o Brasil, a Argentina, a Venezuela, a Bolívia, o Peru, o Chile e outros.

2- Divisão histórico-cultural

Diferentes povos já habitavam o continente americano há milhares de anos quando, a partir do final do século XV, diversas potências marítimas europeias, como Espanha, Portugal, Inglaterra, França e Holanda, passaram a explorar essas terras. Esses povos foram denominados pelos estudiosos pré-colombianos pelo fato de ocuparem a América antes da chegada de Cristóvão Colombo, navegador que aportou no continente em 1492.
Ao colonizarem diferentes áreas do continente, os europeus introduziram vários aspectos de sua cultura aos povos que habitavam esses territórios, entre eles o idioma. Assim, a América também pode ser dividida em duas grandes regiões que se diferenciam de acordo com a origem linguística e a cultura de seus colonizadores.
A América Anglo-Saxônica é composta apenas de dois países: Estados Unidos e Canadá, cuja língua predominante é o inglês. Dizemos que é pre dominante porque outras línguas também são faladas nesses países. No Canadá, por exemplo, o idioma oficial da província de Quebec é o francês. Os Estados Unidos não têm uma língua oficial, cada estado pode optar pelo inglês e outras línguas locais. No Havaí, usa-se o inglês e o havaiano. Nos estados do Novo México, Califórnia e Louisiana são considerados o uso de inglês e espanhol.
Na América Latina, os idiomas predominantes são o espanhol e o português, ainda que haja grande diversidade linguística. Os termos “anglo-saxônico” e “latino” têm relação com o passado de domínio e ocupação, seguido de um processo que ficou conhecido como colonização. No século XVIII, o continente americano estava quase completamente dividido entre as principais potências europeias da época.
A regionalização com base no processo de formação histórico-cultural divide a América em duas regiões: América Anglo-Saxônica e América Latina.
 
2.1- América Anglo-Saxônica

Colonizada por povos com língua de origem saxônica, principalmente ingleses. Essa região, formada por Canadá e Estados Unidos, reúne elementos histórico-culturais semelhantes, como o predomínio da língua inglesa e da religião protestante.

2.2- América Latina

Colonizada por povos com língua de origem latina, principalmente portugueses e espanhóis. Nessa região, formada pelos países da América do Sul, da América Central e pelo México, há predomínio das línguas de origem latina, espanhola e portuguesa, e também da religião católica.

2.3- Países sul-americanos, agrupados em duas grandes unidades, destacadas a seguir.

Países platinos: englobam territórios cujas terras são drenadas por rios da Bacia Platina. Essa re gionalização compreende Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Países andinos: abrangem os países cortados pela Cordilheira dos Andes, que são Chile, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia e Venezuela.

Guianas: consideradas uma regionalização à parte pelo fato de os países que a compreendem apresentarem uma evolução histórica distinta dos demais países sul-americanos. Inclui Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

Algumas considerações sobre a regionalização


Algumas exceções podem ser identificadas na regionalização histórico-cultural do continente americano, pois alguns países latino-americanos foram colonizados por povos de outras origens linguísticas, como o Suriname, colonizado por holandeses. Assim também aconteceu no Canadá, país anglo-americano, cuja colonização foi feita por franceses, um povo de origem latina.
Além dos aspectos histórico-culturais, a divisão do continente em América Anglo-Saxônica e América Latina retrata o diferente desenvolvimento econômico e social dos países americanos, e é considerada por alguns estudos como uma regionalização socioeconômica. Dessa maneira, a América Anglo-Saxônica agrupa países desenvolvidos, ou seja, com maior desenvolvimento econômico e social, embora certos pro blemas sociais e econômicos também afetem parte de sua população. Já a América Latina reúne países subdesenvolvidos, com menor desenvolvimento econômico, muitos deles com graves problemas sociais.
A extensão territorial do continente americano permite distinguir duas grandes porções de terras: a América do Norte e a América do Sul. Essas “duas Américas” estão ligadas por um istmo que, com as ilhas próximas, forma a América Central. Esta se subdivide em América Central continental (constituída pelo istmo) e América Central insular (constituída pelas ilhas).
A América Latina foi colonizada principalmente por portugueses e espanhóis. Por esse motivo, a língua oficial da maioria dos países latino-americanos é o espanhol. Já a América Anglo-Saxônica, colonizada principalmente por ingleses, tem o inglês como língua predominante. 
Apesar das semelhanças quanto à língua oficial, é preciso tomar cuidado com as generali zações. Ao analisarmos as línguas faladas na América, podemos identificar algumas exceções. Na América Latina, o espanhol divide o posto de língua oficial com o português, o inglês, o francês, o holandês e outras línguas indígenas, como o quíchua, o aimará e o guarani. Na América Anglo-Saxônica, o francês é a segunda língua oficial do Canadá.

A dizimação dos povos nativos


O contato entre os povos pré-colombianos e os colonizadores europeus não aconteceu de maneira pacífica. Os europeus buscavam dominar o território para extrair dele suas riquezas e introduzir entre os nativos aspectos de sua cultura, por exemplo, a religião, mas os povos pré-colombianos não aceitavam tal dominação. 
No entanto, os colonizadores tinham grande vantagem sobre os nativos. Eles empunhavam armas de fogo, possuíam armaduras e montavam a cavalo, fator que possibilita deslocamento rápido. Já os povos pré-colombianos dispunham de armas forjadas em madeira, algumas até contendo venenos letais, mas que não lhes davam vantagens diante da destrutiva força bélica dos colonizadores.




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