Existem vários vírus da família coronavírus, incluindo alguns que causam resfriados comuns. A covid-19 é uma doença recente causada por um co ronavírus chamado SARS-CoV-2. Os efeitos da covid-19 são muito variados, manifestando diversos sintomas. Há casos que necessitam de hospitalização e outros em que o quadro da doença se agrava, provocando o óbito. Desde o início da pandemia, a ciência coletou e analisou muitos dados para propor à sociedade estratégias para controlar a transmissão do vírus e proteger as pessoas de se infectarem.
Assim como todos os vírus, o SARS-CoV-2 não é constituído de células. Sua
estrutura consiste em uma cápsula – feita de proteína e outros compostos –
que contém o material genético dos vírus, ou seja, as informações necessárias
para sua replicação.
Ilustração esquemática do SARS-CoV-2 aderido à superfície de uma célula. No detalhe, a
estrutura do vírus, com o material genético no interior da cápsula. O diâmetro do vírus varia
de 50 nanômetros a 140 nanômetros (o nanômetro equivale à milionésima parte do milímetro).
A parte externa da
cápsula lembra uma
coroa. Foi essa
característica que deu o
nome a essa família de
vírus: corona significa
coroa.
Alguns tipos de vírus têm o material genético identificado abreviadamente
por DNA. Outros, como é o caso do SARS-CoV-2, têm genes formados por outra
substância química, identificada pela sigla RNA.
A origem da pandemia
No final do ano de 2019, a comissão de saúde da cidade de Wuhan, na Chi
na, reportou casos de uma pneumonia grave. Pouco tempo depois, os chineses
atribuíram os casos a um novo vírus da família Coronavírus. Essa identificação
rápida foi possível porque, entre outros fatores, outro vírus da mesma família já
havia causado uma epidemia em 2002 e 2003, o SARS-CoV.
Para conter o novo coronavírus, a cidade de Wuhan foi isolada ainda em
2019. No entanto, essa medida não foi tomada na velocidade suficiente para
impedir que o novo vírus chegasse a outros países. O primeiro caso confirmado
no Brasil foi registrado no dia 26 de fevereiro de 2020. Em meados de março, a
Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou situação de pandemia.
Apesar de algumas tentativas de conter a pandemia por meio do fechamen
to temporário de comércio e fronteiras, mais de 520 milhões de pessoas tinham
sido infectadas no mundo até maio de 2022, o que resultou em mais de 6 mi
lhões de mortes. No Brasil, até maio de 2022, mais de 30 milhões de pessoas
tinham sido infectadas, resultando em mais de 665 mil mortes.
Ciência e sociedade descobriram aos poucos as características da covid-19.
Ainda não temos informações completas sobre a origem do vírus, mas sabemos
que ele se espalha rapidamente; que a doença pode evoluir para casos graves;
que pode sobrecarregar hospitais e causar muitas mortes. Também já conhece
mos formas eficientes de prevenção, como veremos adiante.
Sintomas, transmissão e prevenção
Os sintomas podem incluir dor de cabeça, febre, dores no corpo, fadiga; tos
se, dor de garganta e coriza; diarreia e dor abdominal; entre outros. A perda
temporária do olfato, do paladar ou de ambos pode ocorrer em pacientes de
covid-19. Mesmo assim, é possível ter covid-19 e não apresentar a perda desses
sentidos nem outros sintomas.
Os sintomas aparecem, em geral, após um período assintomático de alguns
dias após a contaminação. É importante lembrar que, mesmo sem apresentar
sintomas, a pessoa pode transmitir o vírus. Por isso, uma forma de tentar conter
sua disseminação é pela testagem e pelo isolamento de pessoas contaminadas
e daquelas que tiveram contato com um indivíduo contaminado. Isso vale tam
bém para pessoas sem sintomas.
Indivíduos com mais de 60 anos ou com doenças preexistentes, como pres
são alta, problemas cardíacos ou pulmonares, diabetes ou câncer, têm maior
risco de desenvolver a forma mais grave da doença e morrer. Mas pessoas de
qualquer idade e sem comorbidades podem desenvolver a forma grave da do
ença e perder a vida.
Ao longo da pandemia, descobriu-se que o vírus não causa apenas lesões
nos pulmões, mas afeta também outros órgãos, como fígado e coração, e ou
tras partes do sistema circulatório, além do sistema nervoso.
Foi também ao longo da pandemia que ficaram mais claras as principais for
mas de transmissão do vírus. Você sabe como essa transmissão costuma acon
tecer? Como esse conhecimento nos ajuda na prevenção contra a covid-19?
O SARS-CoV-2 se espalha principalmente pelo ar, por gotículas contaminadas
que podem ter diferentes tamanhos. Essas gotículas que contêm o vírus chegam
a outras pessoas durante a respiração. Assim, quanto mais próximas as pessoas
estiverem umas das outras, maior a chance de contaminação. É por isso que o
uso de máscaras ajuda a controlar a transmissão do vírus.
A transmissão deste coronavírus também ocorre por meio de gotículas muito
pequenas, chamadas aerossóis. Esses aerossóis podem ficar por muito tempo em
lugares fechados e mal ventilados, possibilitando a transmissão até entre pessoas
que não se encontraram. Por isso, durante períodos mais críticos da pandemia,
além de usar máscaras, é importante evitar locais fechados e manter as janelas
sempre abertas.
Uma pessoa contaminada pode espalhar o vírus ao tossir na mão e tocar em outras pessoas. Já a transmissão por superfícies e objetos contaminados, como embalagens, é mais difícil de ocorrer. Mas, como essa via é possível, recomenda-se que as pessoas lavem as mãos com frequência e evitem tocar o rosto.
Uma pessoa contaminada pode espalhar o vírus ao tossir na mão e tocar em outras pessoas. Já a transmissão por superfícies e objetos contaminados, como embalagens, é mais difícil de ocorrer. Mas, como essa via é possível, recomenda-se que as pessoas lavem as mãos com frequência e evitem tocar o rosto.
Conhecendo as principais formas de prevenção é possível criar estratégias
para evitar a contaminação dos indivíduos e o avanço da pandemia.
Uma das medidas para conter a disseminação do vírus é o distanciamento social.
Por meio dessa estratégia, as pessoas restringem o encontro com pessoas que moram em residências diferentes, o que reduz a circulação de indivíduos e, portanto, a
transmissão do vírus.
O trabalho e o ensino remotos, feitos com o uso de ferramen
tas digitais, contribuíram para o controle da transmissão, salvando muitas vidas.
Mas o distanciamento nem sempre é suficiente. Nesse caso, diante do número
crescente de casos e de mortes, o governo pode restringir, em graus variáveis, a
circulação da população.
Lockdown é um termo em inglês para descrever medidas mais restritivas de cir
culação e isolamento social: a população só é autorizada a sair de casa para traba
lhar em atividades essenciais, como serviços de saúde e coleta de lixo, por exemplo.
Essas medidas restritivas são adotadas por um período determinado para
diminuir a velocidade de transmissão do vírus e o número de contaminações,
hospitalizações e mortes. A ideia é evitar o colapso do sistema de saúde, que
ocorre quando os hospitais estão cheios e não conseguem atender adequa
damente a população, incluindo pessoas com doenças não relacionadas à
covid-19.
Testes
O diagnóstico da covid-19 pode ser fei
to por meio de exames e testes. Um tipo
de teste busca a presença do material
genético do vírus em material coletado
no nariz e na garganta. O exame deve ser
feito preferencialmente em pacientes
com os primeiros sintomas (em geral, na
primeira semana).
Outro tipo de teste é realizado com
amostra de sangue e detecta a presença
de anticorpos gerados pela infecção pelo
SARS-CoV-2.
O teste acusa a resposta
imune do organismo ao vírus e por isso
é feito, em geral, a partir da segunda se
mana, quando a pessoa já está produzindo anticorpos contra o vírus.
O resultado dos testes deve ser avaliado por um médico, que levará em con
ta os sintomas do paciente e poderá pedir novos exames.
Testar os indivíduos durante uma pandemia é fundamental para compreen
der como e onde o vírus está circulando.
Com os testes realizados, também fica
mais fácil isolar indivíduos contaminados e seus contatos, reduzindo a dissemi
nação do vírus.
Vacinação
Vacinar a população é uma medida fundamental para controlar uma pande
mia. Vários tipos de vacinas foram desenvolvidos desde o início da pandemia e
muitas delas utilizam tecnologias que já estavam sendo usadas antes da pandemia da covid-19.
O objetivo é estimular o organismo humano a produzir anticorpos contra o
vírus da covid-19.
Vacinas, como a maioria dos medicamentos, não são 100% eficazes: elas não
garantem que todos os vacinados passem ilesos pelo vírus. Mas elas diminuem
muito a chance de o indivíduo ficar doente e a severidade da doença, o que sal
va milhares ou até milhões de vidas.
A vacina da gripe, por exemplo, tem eficácia
entre 46% e 60% e mesmo assim salva muitas vidas todos os anos.
As vacinas desenvolvidas para controlar a pandemia de covid-19 também
não têm 100% de eficácia. Por isso, mesmo após uma pessoa ser vacinada con
tra a covid-19, é importante que ela continue tomando todos os cuidados, como
forma de proteger pessoas que ainda não foram vacinadas.
Uma das grandes vantagens das vacinas é que elas provocam uma imuni
zação mais potente e duradoura do que a imunização natural, adquirida pelas
pessoas que já se contaminaram. Além disso, as vacinas trazem riscos muito
pequenos quando comparados aos riscos de desenvolver a infecção.
Vale destacar ainda que, caso ocorra algum efeito adverso grave após a
aplicação de uma vacina, nem sempre é possível afirmar que ela tenha sido a
causa direta de tal efeito. Uma conclusão simplista como essa, sem base em ne
nhum estudo, trata-se de uma falácia, isto é, um raciocínio que é falso, embora
possa parecer lógico. Essa falácia é conhecida pela expressão em latim post
hoc ergo propter hoc, que significa “depois disso; portanto, por causa disso”.
Um exemplo muito usado para ilustrar falácias como essa é pensar na relação
entre o canto do galo e o nascer do Sol. Embora os eventos possam ocorrer ao
mesmo tempo, sabemos que não é o canto do galo que causa o nascer do Sol.
Percebe-se, assim, a importância de investigar de maneira sistemática se os
efeitos adversos foram de fato causados por uma vacina.
A vacinação é uma forma de prevenção coletiva, e não individual. Quanto
mais pessoas estiverem vacinadas, mais protegida a população estará. Por isso,
é muito importante que existam doses de vacina suficientes para a maior parte
das pessoas. Quando isso não acontece e a taxa de transmissão continua muito
alta, os vírus podem sofrer mutações que reduzem a eficácia das vacinas.
As variantes dos vírus podem também provocar reinfecções, o que é mais
um motivo para não abandonar as outras medidas preventivas (máscara e dis
tanciamento), enquanto não houver um número alto de pessoas vacinadas.