domingo, 2 de agosto de 2026

Reprodução sexuada em animais

Ao longo da evolução, os diferentes grupos de animais também foram apresentando novidades evolutivas que os ajudaram a conquistar os diferentes ambientes e perpetuar a espécie. Na reprodução sexuada, em geral, há o envolvimento de indivíduos de sexos diferentes: o macho e a fêmea. A formação de gametas ocorre em órgãos especializados, chamados gônadas. 
Os gametas masculinos são geralmente pequenos e móveis, chamados espermatozoides. Os gametas femininos, geralmente imóveis (e maiores que os espermatozoides), são chamados óvulos. Alguns animais, como os cnidários (hidras e águas-vivas, por exemplo), apresentam alternância de gerações, ou seja, alternam processos reprodutivos sexuados com assexuados.

A fecundação 

A fecundação é o encontro dos gametas feminino e masculino e pode ser de dois tipos: 

• Fecundação externa: ocorre fora do corpo dos genitores, no ambiente. Esse tipo de fecundação é comum em organismos aquáticos ou que dependem da água (como cnidários, muitos peixes e anfíbios, por exemplo). Os animais lançam os seus gametas na água e a fecundação ocorre nesse ambiente. Quando a fecundação é externa, as chances de os gametas se encontrarem é menor, mas isso é compensado pela grande quantidade de gametas produzidos e liberados no ambiente.

Fecundação interna: ocorre dentro do corpo da fêmea. Esse tipo de fecundação ocorre em alguns peixes, mas é comum principal mente em animais terrestres, como artrópodes, répteis, aves e mamíferos, por exemplo. A fecundação interna aumenta as chances de sucesso dos gametas se encontrarem, uma vez que o espaço para esse encontro é mais restrito.

O desenvolvimento do embrião 

Depois da fecundação segue-se o desenvolvimento do embrião. De acordo com a maneira pela qual o desenvolvimento embrionário ocorre, os animais podem ser: 

• Ovíparos: animais com fecundação externa ou interna, cujo embrião se desenvolve fora do corpo materno e dentro de um ovo. Esse ovo contém substâncias de reserva que nutrem o organismo em desenvolvimento. A maioria dos peixes e dos répteis, as aves e muitos artrópodes são ovíparos. No caso dos animais que põem ovos em meio terrestre, a casca e outras estruturas protegem o embrião contra a perda de água. Dentro do ovo há reservas de alimento e outras estruturas que permitem a respiração e o recolhimento de resíduos produzidos pelo embrião. O ovo com casca apresenta vantagens evolutivas importantes para a ocupação do ambiente terrestre pelos animais.

• Vivíparos: animais com fecundação interna, cujo embrião se desenvolve dentro do corpo materno. A troca de substâncias ocorre entre o embrião e o organismo materno. São vivíparas algumas espécies de peixes, de répteis e de artrópodes e a maioria dos mamíferos. 

• Ovovivíparos: animais com fecundação interna, em que o ovo com casca é retido dentro do corpo da fêmea até que o desenvolvimento se complete. É o caso de alguns invertebrados, de alguns peixes e de algumas serpentes.

O desenvolvimento pós-embrionário 

Depois que o embrião completa o seu desenvolvimento, ocorre o nascimento. A fase que vai do nascimento até a vida adulta é chamada desenvolvi mento pós-embrionário e pode ser de dois tipos: 

• Direto: os filhotes nascem semelhantes ao adulto. Répteis, aves, mamíferos e alguns grupos de insetos apresentam desenvolvimento direto. 
 
• Indireto: os filhotes nascem diferentes dos adultos. A transformação em adulto se dá por meio de uma série de modificações do corpo, processo chamado metamorfose. Anfíbios, moluscos, crustáceos, algumas espécies de insetos e equinodermos apresentam desenvolvimento indireto. A metamorfose pode ser completa (com estágio larval) ou incompleta (sem estágio larval). No caso da metamorfose incompleta, ocorrem várias mudas.



REPRODUÇÃO SEXUADA

A reprodução sexuada ocorre em quase todos os organismos eucariontes, tanto unicelulares quanto pluricelulares, incluindo a espécie humana. 
Assim como existem diferentes tipos de reprodução assexuada, a reprodução sexuada também pode se dar de diversas formas. A forma mais comum de reprodução sexuada é a bissexuada, na qual ocorre a união de células reprodutivas produzidas por dois organismos de sexos diferentes (macho e fêmea). 
No entanto, também existe o hermafroditismo, em que um mesmo indivíduo apresenta órgãos sexuais femininos e masculinos. Neste momento, vamos nos ater à reprodução sexuada em plantas e em animais.

Reprodução sexuada em plantas


As plantas apresentam alternância de gerações durante seu ciclo de vida, ou seja, alternam uma fase assexuada com outra sexuada. Nelas, há dois tipos de indivíduo: o esporófito e o gametófito.
Os gametófitos formam gametas (para a reprodução sexuada) e, depois de sua fecundação, é formado o embrião. Este, por sua vez, se desenvolve e dá origem a um esporófito, que produz esporos (para a reprodução assexuada), os quais germinam e dão origem a novos gametófitos. Nas plantas, o gametófito pode apresentar apenas um sexo (masculino ou feminino) ou ambos (masculino e feminino). Nesse último caso, ele é chamado hermafrodita.

Plantas do grupo dos musgos e das samambaias 


Na evolução das plantas, os musgos foram o primeiro grupo de plantas a ocupar o ambiente terrestre, seguidos pelo grupo das samambaias. 
Embora este último apresente mais adaptações ao ambiente terrestre quando comparado ao grupo dos musgos (como a presença de vasos condutores nas samambaias), esses dois grupos de plantas são muito dependentes da água para a reprodução. Por isso, elas vivem em ambientes úmidos e protegidos da luz solar direta. 
Nessas plantas, os gametas masculinos são chamados anterozoides. Eles são flagelados, precisando de um meio líquido para se deslocar e chegar até os gametas femininos, chamados oosferas, que são imóveis. No ambiente terrestre, essas plantas precisam do orvalho ou da água da chuva para realizar a reprodução sexuada.
Já no grupo das samambaias, a fase duradoura é o esporófito e os esporos são produzidos em estruturas chamadas soros. Ao caírem no solo sob condições adequadas, os esporos germinam e formam os gametófitos. Na maioria das espécies, os gametófitos são hermafroditas.

Plantas do grupo dos pinheiros


O grupo dos pinheiros foi o primeiro grupo de plantas a apresentar independência da água para a reprodução. Sendo assim, as plantas desse grupo (representadas pelos pinheiros, ciprestes e araucárias) ampliaram a sua ocorrência e puderam ocupar uma maior variedade de ambientes terrestres. 
Nas plantas desse grupo, a fase duradoura do ciclo reprodutivo é o esporófito e a estrutura reprodutiva é chamada estróbilo. Nos pinheiros, há estróbilos masculinos e femininos. Nos estróbilos masculinos são formados os grãos de pólen, que contêm os gametas masculinos. Nos estróbilos femininos são formados os gametas femininos, as oosferas. Na época da reprodução, os grãos de pólen são liberados e transportados pelo vento até as estruturas femininas. 
Esse processo é chamado polinização. Ao entrar em contato com o estróbilo feminino, o grão de pólen germina e forma um tubo, chamado tubo polínico. Esse tubo cresce em direção à oosfera e é por meio dele que o gameta masculino pode fecundar o gameta feminino. A partir da fecundação, desenvolve-se o embrião.
Ao redor do embrião se desenvolve uma camada de tecido nutritivo e uma casca externa protetora. Esse conjunto forma a semente. O surgimento da semente representou uma importante conquista evolutiva para as plantas, pois ela protege e nutre o embrião, aumentando as chances de sucesso na sua germinação o que, consequentemente, coopera para a formação de um novo indivíduo.

Grupo das plantas com flores


Nesse grupo de plantas, a estrutura reprodutiva é a flor. Há algumas espécies com flores de sexos separados e outras com flores hermafroditas, nas quais as estruturas femininas e masculinas se apresentam na mesma flor.
Os grãos de pólen formados podem chegar às estruturas femininas da flor de diversas formas. Em algumas espécies, com flores pequenas e numerosas, a polinização costuma ocorrer pelo vento. Em espécies com flores coloridas e vistosas, a polinização acontece por animais, como abelhas, morcegos e aves. Depois da polinização, é formado o tubo polínico e ocorre a fecundação. 
Nesse grupo de plantas, a fecundação dos óvulos leva à formação das sementes e o desenvolvimento do ovário floral dá origem ao fruto. O fruto ajuda na dispersão das sementes, que geralmente ficam abrigadas em seu interior. Muitos animais, ao se alimentarem dos frutos, liberam as sementes longe da planta da qual se alimentaram, cooperando para que novas plantas nasçam em locais diferentes. 


REPRODUÇÃO ASSEXUADA

A reprodução assexuada ocorre tanto em organismos procariontes quanto em organismos eucariontes, sendo observada desde organismos mais simples, como as bactérias, até organismos mais complexos, como muitas plantas e certos animais.

Reprodução assexuada em bactérias e protozoários


A maioria dos organismos unicelulares se reproduz por um processo chamado divisão binária, ou cissiparidade. Nesse processo, a única célula que forma o indivíduo divide-se em duas depois de crescer e duplicar seu material genético, originando dois indivíduos geneticamente idênticos. Bactérias e protozoários se reproduzem por divisão binária.
Bactérias são organismos unicelulares procariontes, que apresentam o material genético disperso no citoplasma. Antes de a célula bacteriana se dividir, o material genético é duplicado e cada célula resultante dessa divisão contém uma cópia do material genético duplicado. 
Os protozoários são organismos unicelulares eucariontes, ou seja, têm o material genético organizado dentro de um núcleo. Antes de a célula se dividir, o material genético se duplica e o núcleo se divide. Então, quando a célula terminar o processo de divisão binária, cada célula-filha formada terá um núcleo e composição genética idênticos aos da célula original.

Bactéria intestinal da família Enterobacteriaceae se reproduzindo por divisão binária. Microscopia eletrônica; colorida artificialmente. Imagem ampliada 44 mil vezes.

Reprodução assexuada em fungos 


Há uma variedade grande de fungos e podemos dividi-los, basicamente, em unicelulares e pluricelulares. Os fungos unicelulares, conhecidos como leveduras, podem se reproduzir por brotamento. Nesse processo, a célula forma pequenos brotos que podem se soltar e dar origem a novos indivíduos geneticamente idênticos à célula genitora. 
Os fungos pluricelulares, por outro lado, podem se reproduzir assexuadamente por esporulação. Nesse pro cesso, o organismo produz esporos, estruturas lançadas no ambiente e que geralmente são levadas pelo vento, o que auxilia na dispersão do fungo. Os esporos são estruturas capazes de sobreviver no ambiente até que as condições para reprodução sejam adequadas. Quando isso ocorre, eles se multiplicam e dão origem a novos indivíduos.

Fungos unicelulares (Saccharomyces cerevisiae) com indicação de um broto. Microscopia eletrônica; colorida artificialmente. Imagem ampliada 4,5 mil vezes.

Fungos podem se reproduzir assexuadamente por brotamento (leveduras) ou por esporulação (fungos pluricelulares). 

Fungos (Lycoperdon perlatum) soltando esporos.

Reprodução assexuada em plantas 


As plantas compõem um grupo muito diverso, com diferentes estratégias de reprodução. 
Os musgos, por exemplo, podem se reproduzir de forma assexuada por meio da fragmentação. Nesse processo, um fragmento do corpo do musgo se destaca e, ao cair em ambiente favorável, pode dar origem a um novo indivíduo completo. 
Outra forma de reprodução assexuada nessas plantas mais simples é a formação de propágulos, estruturas formadas por células indiferenciadas capazes de produzir uma nova planta. Os propágulos geralmente ficam abrigados no interior de estruturas em forma de taça chamadas conceptáculos.

Hepáticas, plantas do mesmo grupo dos musgos, apresentam conceptáculos e propágulos, estruturas que participam da reprodução assexuada desse vegetal.

Nos outros grupos de plantas pode ocorrer a propagação vegetativa. Esse processo envolve caules e folhas. Essas estruturas têm gemas ou botões vegetativos, formados por tecidos indiferenciados, que podem originar outras partes da planta. Das gemas surgem novos brotos, que formam ramos e folhas e podem dar origem a uma nova planta quando se separam da planta-mãe. 
A reprodução assexuada também ocorre em caules subterrâneos e rasteiros, por exemplo. Esses caules vão se ramificando e formando raízes e podem dar origem a novas plantas.
O conhecimento sobre a reprodução assexuada em vegetais permitiu que as pessoas pudessem multiplicar plantas com características de interesse. Por exemplo, ao perceber que determinada planta produz frutos que são apreciados pelas pessoas, um agricultor pode promover a reprodução assexuada dela para obter clones, ou seja, novas plantas com características muito parecidas com as da planta-mãe.

O morangueiro pode se reproduzir de forma assexuada por meio da ramificação do caule rastejante.

Reprodução assexuada em animais 


Alguns animais aquáticos, como a maioria dos poríferos (também conhecidos como esponjas) e alguns cnidários (como a hidra), podem se reproduzir de forma assexuada por meio de brotamento. O broto se forma externamente ao corpo do animal e pode se desprender, dando origem a um novo indivíduo. 
Em condições adversas, algumas esponjas também podem formar gêmulas, estruturas resistentes compostas de um agrupamento de células que ficam dentro do corpo do genitor, que as expele apenas quando as condições ambientais são favoráveis para o seu desenvolvimento. As gêmulas podem, então, originar novos indivíduos. Esse tipo de reprodução assexuada é chamado gemulação.
A fragmentação – também chamada regeneração – é outro tipo de reprodução assexuada e ocorre em alguns animais invertebrados, como as planárias (platelmintos) e as estrelas-do-mar (equinodermos). Os fragmentos que se destacam do corpo do genitor formam as partes que faltam e dão origem a novos indivíduos completos.






A REPRODUÇÃO DOS SERES VIVOS

 
A reprodução é uma das principais características dos seres vivos. Ela é responsável pela geração de novos indivíduos e é por meio dela que a vida se mantém na Terra. 
Essa é uma das características que melhor distingue os seres vivos da matéria não viva. Em todos os seres vivos, para que a produção de novos indivíduos aconteça, é necessária a divisão celular. Nesse processo, uma célula origina novas células. 
Cada célula eucarionte apresenta filamentos formados por DNA – o material genético – e proteínas. O conjunto desses filamentos é chamado de cromatina. Durante a divisão celular, a cromatina se condensa, e os filamentos passam a ser chamados de cromossomos
Na maioria das espécies de seres vivos descritas, os cromos somos se encontram aos pares. Um dos cromossomos do par tem origem paterna, e o outro tem origem materna. Esses pares de cromossomos são chamados de cromossomos homólogos.

TIPOS DE DIVISÃO CELULAR 


Antes de se dividir, uma célula precisa duplicar seu material genético. Assim, após a duplicação, cada filamento de DNA terá um novo filamento associado a ele. Nas células eucarióticas, esses filamentos duplicados são chamados de cromátides-irmãs. Após a duplicação do material genético, a cromatina se condensa e, então, a célula inicia a divisão. Há dois tipos básicos de divisão celular: a mitose e a meiose.

MITOSE 


Na mitose, uma célula, chamada de célula-mãe, dá origem a duas novas células, chamadas de células-filhas, que são idênticas à célula-mãe. Durante a divisão, as cromátides--irmãs se separam, e o material genético se distribui igualmente entre as células formadas. Em seres unicelulares, a mitose é um pro cesso de reprodução. Nos pluricelulares, ela é importante para o crescimento e a regeneração do organismo.

MEIOSE 


A meiose é o processo de divisão celular em que uma célula-mãe dá origem a quatro células-filhas. Cada uma das quatro células-filhas tem metade da quantidade de cromossomos da célula-mãe. Isso acontece porque, durante a meiose, ocorrem duas divisões celulares e apenas uma duplicação do material genético. 
Na primeira divisão, os pares de cromossomos homólogos se separam. Na segunda divisão, o processo é parecido com o da mitose: ocorre a separação das cromátides-irmãs. Por meio da meiose, os seres vivos formam esporos e game tas, células relacionadas à reprodução. 

TIPOS DE REPRODUÇÃO 


A produção de novos indivíduos pode ocorrer por reprodução assexuada ou por reprodução sexuada. Ambos os processos são observados nos mais diversos grupos de seres vivos.
Na reprodução assexuada, apenas um indivíduo participa do processo e não há união de células reprodutivas. Nesse tipo de reprodução, um indivíduo é gerado a partir de uma única célula ou de uma parte de um único genitor. Em geral, os descendentes são geneticamente idênticos entre si e em relação ao genitor e, por isso, são chamados clones. Em espécies com reprodução assexuada, a composição genética dos organismos praticamente não muda ao longo das gerações. 
Esse tipo de reprodução não requer a presença de um parceiro para a troca de gametas nem para o acasalamento. Essa situação pode ser vantajosa quando a probabilidade de encontrar indivíduos da mesma espécie é baixa. Algumas das formas de reprodução assexuada mais comuns são a divisão binária, o brotamento, a esporulação e a multiplicação vegetativa.

A divisão binária ocorre em organismos unicelulares, como o protozoário da foto. Nesse processo, a única célula do indivíduo se divide em duas, formando dois novos organismos.

Estudos indicam que a reprodução assexuada foi a forma mais primitiva de reprodução, pela qual um organismo unicelular crescia e se dividia em dois; esses dois também cresciam e se dividiam, dando continuidade à espécie.
Na reprodução sexuada, há participação de células reprodutivas chamadas gametas, em geral provenientes de dois indivíduos diferentes. Nesse tipo de reprodução, os gametas masculinos e os gametas femininos se unem no processo de fecundação, dando origem a uma única célula, o zigoto. Este se divide muitas vezes, gerando um novo indivíduo. Nesse tipo de reprodução, os descendentes são geneticamente diferentes dos genitores, já que houve mistura de material genético.
Os gametas transportam apenas metade da carga genética encontrada nas células corporais do indivíduo. Essas células com metade da carga genética são denominadas haploides. A fecundação reúne duas metades da carga genética, presente cada uma em um gameta, resultando em um zigoto com a carga genética completa. O desenvolvimento do embrião, formado com a fecundação, dará origem a um indivíduo formado por células com a carga genética típica da espécie. Essas células são denominadas diploides, pois apresentam duas cópias de cada tipo de cromossomo.
 
 
A maioria das bananeiras, principalmente as que dão frutos usados na nossa alimentação, se reproduz de forma assexuada.
 
Algumas espécies apresentam os dois tipos de reprodução durante o seu ciclo de vida, como alguns animais invertebrados, algumas algas, fungos e muitas plantas. O surgimento da reprodução sexuada foi um acontecimento importante para a história da vida no planeta Terra. Esse tipo de reprodução possibilita maior variabilidade genética na descendência, uma vez que a mistura do material genético dos dois genitores na formação dos novos seres aumenta a diversidade de características dos descendentes. 
 
 
Saruê (Didelphis sp.) com filhotes. O saruê, assim como a maioria dos animais, se reproduz de forma sexuada. 
 
De modo geral, é possível dizer que há vantagens e desvantagens nos dois tipos de reprodução. A reprodução assexuada costuma ser mais rápida e mais simples que a reprodução sexuada. Porém, ela confere homogeneidade genética à prole, já que os descendentes (clones) são originados de um único genitor. Essa homogeneidade pode ser uma desvantagem, considerando que todos os indivíduos da população têm características semelhantes. Isso significa que podem ser amplamente afetados por uma alteração ambiental, caso sejam sensíveis a ela, e não sobreviver. 
A reprodução sexuada, por sua vez, é um processo mais complexo e mais demorado quando comparado à reprodução assexuada. Porém, ela garante a variabilidade genética na população, que traz a vantagem de aumentar a chance de haver indivíduos com características diferentes. Isso aumenta a chance de sobrevivência da população e melhora sua adaptação ao meio, em caso de alteração ambiental.
 

Hermafroditismo 


O hermafroditismo ocorre quando um mesmo indivíduo é capaz de produzir gametas masculinos e femininos simultânea mente. Nesse caso, pode haver autofecundação, se o indivíduo fecundar a si mesmo, ou fecundação cruzada, quando dois indivíduos trocam gametas masculinos que serão usados para fecundar os próprios óvulos. Muitas plantas são hermafroditas, assim como certas espécies de vermes nematódeos, moluscos e peixes.

 

sábado, 30 de maio de 2026

Covid-19

Existem vários vírus da família coronavírus, incluindo alguns que causam resfriados comuns. A covid-19 é uma doença recente causada por um coronavírus chamado SARS-CoV-2. Os efeitos da covid-19 são muito variados, manifestando diversos sintomas. Há casos que necessitam de hospitalização e outros em que o quadro da doença se agrava, provocando o óbito. Desde o início da pandemia, a ciência coletou e analisou muitos dados para propor à sociedade estratégias para controlar a transmissão do vírus e proteger as pessoas de se infectarem.
Assim como todos os vírus, o SARS-CoV-2 não é constituído de células. Sua estrutura consiste em uma cápsula – feita de proteína e outros compostos – que contém o material genético dos vírus, ou seja, as informações necessárias para sua replicação.

Ilustração esquemática do SARS-CoV-2 aderido à superfície de uma célula. No detalhe, a estrutura do vírus, com o material genético no interior da cápsula. O diâmetro do vírus varia de 50 nanômetros a 140 nanômetros (o nanômetro equivale à milionésima parte do milímetro). 

A parte externa da cápsula lembra uma coroa. Foi essa característica que deu o nome a essa família de vírus: corona significa coroa.

Alguns tipos de vírus têm o material genético identificado abreviadamente por DNA. Outros, como é o caso do SARS-CoV-2, têm genes formados por outra substância química, identificada pela sigla RNA.

A origem da pandemia 


No final do ano de 2019, a comissão de saúde da cidade de Wuhan, na Chi na, reportou casos de uma pneumonia grave. Pouco tempo depois, os chineses atribuíram os casos a um novo vírus da família Coronavírus. Essa identificação rápida foi possível porque, entre outros fatores, outro vírus da mesma família já havia causado uma epidemia em 2002 e 2003, o SARS-CoV. 
Para conter o novo coronavírus, a cidade de Wuhan foi isolada ainda em 2019. No entanto, essa medida não foi tomada na velocidade suficiente para impedir que o novo vírus chegasse a outros países. O primeiro caso confirmado no Brasil foi registrado no dia 26 de fevereiro de 2020. Em meados de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou situação de pandemia.
Apesar de algumas tentativas de conter a pandemia por meio do fechamento temporário de comércio e fronteiras, mais de 520 milhões de pessoas tinham sido infectadas no mundo até maio de 2022, o que resultou em mais de 6 milhões de mortes. No Brasil, até maio de 2022, mais de 30 milhões de pessoas tinham sido infectadas, resultando em mais de 665 mil mortes. 
Ciência e sociedade descobriram aos poucos as características da covid-19. Ainda não temos informações completas sobre a origem do vírus, mas sabemos que ele se espalha rapidamente; que a doença pode evoluir para casos graves; que pode sobrecarregar hospitais e causar muitas mortes. Também já conhecemos formas eficientes de prevenção, como veremos adiante. 

Sintomas, transmissão e prevenção 


Os sintomas podem incluir dor de cabeça, febre, dores no corpo, fadiga; tosse, dor de garganta e coriza; diarreia e dor abdominal; entre outros. A perda temporária do olfato, do paladar ou de ambos pode ocorrer em pacientes de covid-19. Mesmo assim, é possível ter covid-19 e não apresentar a perda desses sentidos nem outros sintomas. 
Os sintomas aparecem, em geral, após um período assintomático de alguns dias após a contaminação. É importante lembrar que, mesmo sem apresentar sintomas, a pessoa pode transmitir o vírus. Por isso, uma forma de tentar conter sua disseminação é pela testagem e pelo isolamento de pessoas contaminadas e daquelas que tiveram contato com um indivíduo contaminado. Isso vale também para pessoas sem sintomas. 
Indivíduos com mais de 60 anos ou com doenças preexistentes, como pressão alta, problemas cardíacos ou pulmonares, diabetes ou câncer, têm maior risco de desenvolver a forma mais grave da doença e morrer. Mas pessoas de qualquer idade e sem comorbidades podem desenvolver a forma grave da doença e perder a vida. 
Ao longo da pandemia, descobriu-se que o vírus não causa apenas lesões nos pulmões, mas afeta também outros órgãos, como fígado e coração, e outras partes do sistema circulatório, além do sistema nervoso.
Foi também ao longo da pandemia que ficaram mais claras as principais for mas de transmissão do vírus. Você sabe como essa transmissão costuma acontecer? Como esse conhecimento nos ajuda na prevenção contra a covid-19? 
O SARS-CoV-2 se espalha principalmente pelo ar, por gotículas contaminadas que podem ter diferentes tamanhos. Essas gotículas que contêm o vírus chegam a outras pessoas durante a respiração. Assim, quanto mais próximas as pessoas estiverem umas das outras, maior a chance de contaminação. É por isso que o uso de máscaras ajuda a controlar a transmissão do vírus. 
A transmissão deste coronavírus também ocorre por meio de gotículas muito pequenas, chamadas aerossóis. Esses aerossóis podem ficar por muito tempo em lugares fechados e mal ventilados, possibilitando a transmissão até entre pessoas que não se encontraram. Por isso, durante períodos mais críticos da pandemia, além de usar máscaras, é importante evitar locais fechados e manter as janelas sempre abertas.  
Uma pessoa contaminada pode espalhar o vírus ao tossir na mão e tocar em outras pessoas. Já a transmissão por superfícies e objetos contaminados, como embalagens, é mais difícil de ocorrer. Mas, como essa via é possível, recomenda-se que as pessoas lavem as mãos com frequência e evitem tocar o rosto.
Conhecendo as principais formas de prevenção é possível criar estratégias para evitar a contaminação dos indivíduos e o avanço da pandemia. 
Uma das medidas para conter a disseminação do vírus é o distanciamento social. Por meio dessa estratégia, as pessoas restringem o encontro com pessoas que moram em residências diferentes, o que reduz a circulação de indivíduos e, portanto, a transmissão do vírus. 
O trabalho e o ensino remotos, feitos com o uso de ferramentas digitais, contribuíram para o controle da transmissão, salvando muitas vidas. Mas o distanciamento nem sempre é suficiente. Nesse caso, diante do número crescente de casos e de mortes, o governo pode restringir, em graus variáveis, a circulação da população. 
Lockdown é um termo em inglês para descrever medidas mais restritivas de circulação e isolamento social: a população só é autorizada a sair de casa para trabalhar em atividades essenciais, como serviços de saúde e coleta de lixo, por exemplo. 
Essas medidas restritivas são adotadas por um período determinado para diminuir a velocidade de transmissão do vírus e o número de contaminações, hospitalizações e mortes. A ideia é evitar o colapso do sistema de saúde, que ocorre quando os hospitais estão cheios e não conseguem atender adequadamente a população, incluindo pessoas com doenças não relacionadas à covid-19. 

Testes 


O diagnóstico da covid-19 pode ser feito por meio de exames e testes. Um tipo de teste busca a presença do material genético do vírus em material coletado no nariz e na garganta. O exame deve ser feito preferencialmente em pacientes com os primeiros sintomas (em geral, na primeira semana).
Outro tipo de teste é realizado com amostra de sangue e detecta a presença de anticorpos gerados pela infecção pelo SARS-CoV-2. 
O teste acusa a resposta imune do organismo ao vírus e por isso é feito, em geral, a partir da segunda se mana, quando a pessoa já está produzindo anticorpos contra o vírus. 
O resultado dos testes deve ser avaliado por um médico, que levará em conta os sintomas do paciente e poderá pedir novos exames. Testar os indivíduos durante uma pandemia é fundamental para compreender como e onde o vírus está circulando. 
Com os testes realizados, também fica mais fácil isolar indivíduos contaminados e seus contatos, reduzindo a disseminação do vírus.

Vacinação 


Vacinar a população é uma medida fundamental para controlar uma pandemia. Vários tipos de vacinas foram desenvolvidos desde o início da pandemia e muitas delas utilizam tecnologias que já estavam sendo usadas antes da pandemia da covid-19. 
O objetivo é estimular o organismo humano a produzir anticorpos contra o vírus da covid-19. Vacinas, como a maioria dos medicamentos, não são 100% eficazes: elas não garantem que todos os vacinados passem ilesos pelo vírus. Mas elas diminuem muito a chance de o indivíduo ficar doente e a severidade da doença, o que salva milhares ou até milhões de vidas. 
A vacina da gripe, por exemplo, tem eficácia entre 46% e 60% e mesmo assim salva muitas vidas todos os anos.
As vacinas desenvolvidas para controlar a pandemia de covid-19 também não têm 100% de eficácia. Por isso, mesmo após uma pessoa ser vacinada contra a covid-19, é importante que ela continue tomando todos os cuidados, como forma de proteger pessoas que ainda não foram vacinadas. 
Uma das grandes vantagens das vacinas é que elas provocam uma imunização mais potente e duradoura do que a imunização natural, adquirida pelas pessoas que já se contaminaram. Além disso, as vacinas trazem riscos muito pequenos quando comparados aos riscos de desenvolver a infecção. 
Vale destacar ainda que, caso ocorra algum efeito adverso grave após a aplicação de uma vacina, nem sempre é possível afirmar que ela tenha sido a causa direta de tal efeito. Uma conclusão simplista como essa, sem base em nenhum estudo, trata-se de uma falácia, isto é, um raciocínio que é falso, embora possa parecer lógico. Essa falácia é conhecida pela expressão em latim post hoc ergo propter hoc, que significa “depois disso; portanto, por causa disso”. 
Um exemplo muito usado para ilustrar falácias como essa é pensar na relação entre o canto do galo e o nascer do Sol. Embora os eventos possam ocorrer ao mesmo tempo, sabemos que não é o canto do galo que causa o nascer do Sol. Percebe-se, assim, a importância de investigar de maneira sistemática se os efeitos adversos foram de fato causados por uma vacina.
A vacinação é uma forma de prevenção coletiva, e não individual. Quanto mais pessoas estiverem vacinadas, mais protegida a população estará. Por isso, é muito importante que existam doses de vacina suficientes para a maior parte das pessoas. Quando isso não acontece e a taxa de transmissão continua muito alta, os vírus podem sofrer mutações que reduzem a eficácia das vacinas. 
As variantes dos vírus podem também provocar reinfecções, o que é mais um motivo para não abandonar as outras medidas preventivas (máscara e distanciamento), enquanto não houver um número alto de pessoas vacinadas.




Viroses

Os vírus são parasitas que obrigatoriamente precisam de outros seres vivos para sobreviver, como bactérias, protozoários, algas, plantas e animais. 
Muitas doenças causadas por vírus (viroses) – como a gripe, o resfriado, a poliomielite, o sarampo, a rubéola, a caxumba ou parotidite e a catapora – são transmitidas de uma pessoa para outra por meio de espirro, tosse ou fala, que espalham gotículas no ar. A transmissão dessas doenças pode ocorrer também por meio de água ou alimentos contaminados com a saliva de pessoas infecta das. Com exceção do resfriado, há vacinas eficazes contra essas doenças citadas. 
Outras viroses, como a dengue, a zika, a chikungunya e a febre amarela, são transmitidas por mosquitos, enquanto a raiva é transmitida por mordidas de animais infectados. Vamos conhecer com mais detalhes algumas viroses.

Gripe e resfriado 


A gripe e o resfriado são causados por vírus diferentes. No entanto, alguns de seus sintomas são semelhantes: coriza, nariz entupido, tosse e espirro; em geral, a febre só aparece nos casos de gripe. Nos dois casos, a transmissão se dá quando os vírus de uma pessoa infectada são espalhados por gotículas eliminadas pelas vias respiratórias durante a fala, o espirro ou a tosse. 
O contágio acontece também quando se leva a mão ao nariz ou à boca depois de ter tocado em uma superfície contaminada com o vírus. Por essa razão, medidas de higiene, como lavar as mãos com frequência e usar lenços ao espirrar ou tossir, podem evitar essas infecções virais.
A vacina contra a gripe oferece uma proteção limitada, de cerca de um ano. Isso acontece porque os vírus da gripe sofrem muitas mudanças em seu mate rial genético, ou seja, mutações. Assim, depois de um ano, novas variantes do vírus já estarão no ambiente e não serão sensíveis às mesmas vacinas.  
O SUS fornece gratuitamente a vacina para certas idades (idosos e crianças), profissionais da área da saúde, professores das redes pública e privada, entre outros. 

Poliomielite 


Na maioria das pessoas, a poliomielite causa ape nas febre e mal-estar. Em algumas, porém, pode afetar o sistema nervoso e provocar paralisia ou até levar à morte (o nome “poliomielite” vem do grego poliós = ”cinzento“; mielos = “medula”; ite = “inflamação”; o vírus ataca as células na parte cinzenta da medula). 
O vírus é transmitido por meio de água ou alimentos contaminados ou por contato com a saliva ou fezes de uma pessoa doente. Para evitar a doença, é muito importante as crianças serem vacinadas na época recomendada pelas autoridades de saúde pública. Também são importantes o saneamento básico e as medidas de higiene para evitar a propagação do vírus.
Com as campanhas de vacinação, o número de casos de pólio caiu drasticamente no mundo todo. Mas, mesmo sendo considerada oficialmente eliminada em muitos países (como no Brasil), não se pode garantir que o vírus tenha sido extinto. Além disso, como o vírus ainda existe ao redor do mundo, pode reaparecer em países onde já está eliminado. Por isso, a vacinação deve continuar.

Sarampo, rubéola, catapora e caxumba 


O sarampo, a rubéola, a catapora e a caxumba são doenças virais comuns em crianças. Elas geralmente se curam sozinhas depois de alguns dias, mas po dem causar algumas complicações que exigem cuidados médicos. Todas elas podem ser prevenidas por meio de vacinação. 
O sarampo acomete principalmente crianças de até 10 anos de idade. Elas apresentam tosse, febre alta e manchas vermelhas no corpo, mas geralmente são curadas naturalmente em poucos dias. Mas, sobretudo em crianças com problemas de nutrição, podem ocorrer complicações. Nesses casos, a criança deve receber atendimento médico imediato. A transmissão se dá pela eliminação do vírus pelas vias respiratórias. A prevenção é feita com vacina (vacina tríplice viral contra sarampo, rubéola e caxumba). 
A rubéola também é doença típica de crianças. Seus sintomas são semelhantes aos da gripe, além de aparecerem manchas rosa na pele, menores que as do sarampo. A doença geralmente termina naturalmente, mas, em mulheres grávidas, o vírus pode passar através da placenta e provocar problemas no feto, como surdez. 
A catapora é uma doença comum em crianças. Entre os sintomas estão febre, enjoo, vômitos e pequenas bolhas no corpo. A pessoa geralmente melhora sozinha em poucos dias, mas pode ser necessário procurar um médico. As bolhas não devem ser coçadas, pois pode haver contaminação por bactérias.
Em alguns casos, o vírus pode permanecer anos sem efeito, mas provocar sintomas no adulto, como bolhas na pele e dor. A caxumba é uma inflamação que atinge mais comumente a parótida (glândula salivar situada à frente da orelha). Daí o nome parotidite para a doença. 
A cura é espontânea, mas o doente deve ficar em repouso. Em adultos, pode haver complicações em outros órgãos, como os testículos e os ovários (nesse caso, pode causar esterilidade). A vacinação é a melhor medida preventiva.

Dengue 


Essa virose é causada por um vírus transmitido principalmente pela picada do mosquito Aedes aegypti (figura 7.19). O mosquito não causa a doença, mas transmite o vírus e por isso é chamado de vetor. 
Os sintomas mais comuns da dengue são febre alta, mal-estar, muito cansaço, dores de cabeça, nos olhos, nos músculos e nas articulações. Podem aparecer também vômito, diarreia e vermelhidão no corpo. 
Pessoas com suspeita de dengue devem procurar atendimento médico imediato, para que se identifiquem os sinais de alarme, que indicam evolução mais grave e necessidade de cuidados maiores, com hidratação intravenosa e até internação. Além de repouso e reposição de sais e líquidos, o médico pode indicar remédios para baixar a febre.

Aedes aegypti (cerca de 5 mm de comprimento), mosquito transmissor da dengue. No detalhe, fase larval do mosquito (1 mm a 6 mm de comprimento, conforme estágio larval).

O mosquito vetor da dengue põe ovos em água parada. Por isso, é necessário que a população não deixe água acumulada em vasos de plantas, garrafas, etc. É preciso também que, nas regiões mais atingidas pela dengue, sejam feitas campanhas de educação e conscientização da população, com material educativo. Outra medida promovida pela saúde pública é o uso de produtos que matam as larvas ou os insetos adultos.

Febre amarela, chikungunya, zika 


A febre amarela ocorre nas regiões de matas (febre amarela silvestre), onde é transmitida por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. No entanto, se uma pessoa contaminada na região de mata voltar para a cidade, há o risco de transmissão do vírus para outras pessoas pelo mosquito Aedes aegypti. Essa condição caracteriza a febre amarela urbana. O último caso de febre amarela urbana no Brasil ocorreu em 1942. 
Além dos seres humanos, muitas espécies de macacos são sensíveis à febre amarela, especialmente os bugios, que, assim como as pessoas, podem morrer em decorrência da doença. Outros macacos podem ter a doença, como os saguis e os macacos-prego, mas geralmente são mais resistentes e sobrevivem. A morte de macacos é investigada para determinar onde o vírus da febre amarela está circulando. O objetivo dessa investigação é imunizar as pessoas que vivem ou frequentam esses locais. 
Com medo da infecção, algumas pessoas mataram macacos durante a epidemia de febre ama rela em 2017 e 2018. Os macacos, no entanto, não transmitem a doença, e, ao fazerem isso, as pessoas acabam por dificultar a identificação dos focos de febre amarela.
O doente apresenta febre, vômito (muitas vezes com sangue), dor no estômago e lesões no fígado que podem levar à morte. Para saber se a pessoa está com febre amarela é necessário fazer um exame de sangue que se chama sorologia. Esse exame vai dosar os anticorpos que a pessoa tem contra o vírus da febre amarela. 
Atualmente não existe um tratamento que cure a febre amarela. O que se faz é compensar as alterações que o organismo apresenta em decorrência da doença, como manter a hidratação e repor sangue perdido, por exemplo. Em pouco mais de uma semana, a pessoa vai desenvolver anticorpos que se encarregarão de destruir o vírus, possibilitando que o paciente se recupere. 
A febre amarela pode ser prevenida por uma dose única da vacina, que garante imunidade contra a doença por toda a vida, ou pela dose fracionada. A vacina, que é gratuita, é disponibilizada pelo SUS; consulte informações atualizadas em sites do governo.
A chikungunya (ou chikungunha), transmitida por mosquitos do gênero Aedes, provoca febre alta, dor nas articulações, dor de cabeça e erupções na pele que duram, em média, de 3 a 10 dias, mas as dores nas articulações podem persistir por meses ou anos. 
O mosquito Aedes aegypti pode transmitir também o vírus da zika. Os sinto mas são manchas na pele e, às vezes, febre baixa e dores nos músculos e nas articulações. O problema maior ocorre com as mulheres grávidas: o vírus pode passar para o embrião e afetar o desenvolvimento do encéfalo, entre outros problemas. 
A prevenção e o combate a essas doenças são semelhantes às medidas que devem ser tomadas contra a dengue.

Raiva (ou hidrofobia) 


O vírus da raiva afeta o sistema nervoso. É transmitido por mordidas de morcegos ou por mordidas de cães, gatos ou ratos contaminados. A saliva desses animais, quando contaminados pelo vírus da raiva, também pode transmitir a doença. Se não houver atendimento médico rápido, a raiva pode ser fatal.
Se uma pessoa tocar em um animal que possa estar contaminado, deve procurar o serviço de saúde mais próximo. Se for mordida, deve lavar a ferida com água e sabão e procurar o posto de saúde mais próximo para receber a vacina e o soro antirrábico, antes que os sintomas da doença (dor de cabeça e contrações musculares, entre outros) se manifestem. A raiva também causa dificuldade de engolir água e por isso é conhecida como hidrofobia. 
É muito importante manter em dia a carteira de vacinação de cães, gatos e outros animais de estimação, seguindo sempre as instruções do médico veterinário. 


domingo, 24 de maio de 2026

Cólera

A cólera é causada por um tipo de bactéria. Seus principais sintomas são diarreia aquosa abundante, vômitos e cãibras nas pernas. 
A perda rápida dos líquidos do corpo causa desidratação e fraqueza. Se não houver tratamento, pode ser fatal. 
A principal via de transmissão é a contaminação da água e de alimentos por fezes de indivíduos doentes. Frutos do mar contaminados ingeridos crus também são de alto risco.
A incidência de cólera era praticamente restrita à Índia até 1817. Com o avanço das viagens e navegações, chegou a outros países e continentes. O primeiro caso registrado no Brasil ocorreu na década de 1820, no Rio de Janeiro, então capital do país. 
Em 1855, mais de 200 mil pessoas morreram somente nessa cidade. No final do século XIX, a doença foi erradicada do país graças a melhorias no saneamento básico nas principais cidades, mas infelizmente retornou depois de quase cem anos.
A primeira epidemia de cólera na América Latina no século XX começou no Peru. No Rio de Janeiro, o primeiro caso foi confirmado em novembro de 1991, pelo Laboratório de Saúde Pública Noel Nutels e pela Fiocruz. 
Já em meados de julho de 1991, a Organização Mundial de Saúde (OMS) registrava, só na América Latina, mais de 251 mil casos com 2 618 mortos. A OMS também registrava o avanço da doença em dez países da África, que passou de epidemia para pandemia.

Reprodução sexuada em animais

Ao longo da evolução, os diferentes grupos de animais também foram apresentando novidades evolutivas que os ajudaram a conquistar os diferen...