sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Os povos antigos da Mesoamérica

Vários povos habitaram a Mesoamérica. Eles receberam nomes de acordo com os locais onde foram encontrados vestígios de sua presença: os olmecas, da região de San Lorenzo e Três Zapotes; as culturas do Altiplano (zacatenco, tlatilco, tlapacoya, cuicuilco); os povos da área maia (edzna, kaminaljuyú, chiapa de Corzo); e as populações da área oaxaca, os zapotecas.
Esses povos falavam línguas diferentes e possuíam culturas próprias, mas compartilhavam entre si conhecimentos, como técnicas de cultivo do milho, uso de calendário solar, técnicas de construção de casas, saberes matemáticos e astronômicos e um sistema de escrita. Cultuavam variadas divindades, e alguns deles praticavam um tipo de jogo de bola ou pelota de borracha, que tinha caráter cerimonial.

Na antiga Mesoamérica, esculturas e jogadores eram muito comuns entre diferentes povos. Acredita-se que o jogo era realizado com uma grande bola de borracha, e apenas os homens participavam. Essa escultura pertenceu à cultura Olmeca-Etzatlan de Jalisco e foi produzida entre os séculos III e I a.C.

Os mais remotos vestígios da ocupação humana encontrados datam de cerca de 7 mil anos atrás. Os primeiros povos que circulavam pela região eram nômades, praticavam a caça, coletavam plantas, raízes e frutos comestíveis.
Lentamente o modo de vida nômade foi dando lugar a uma vida sedentária, baseada na agricultura do milho. Espigas de um tipo de milho, com cerca de 3 mil anos, foram encontradas em escavações no vale de Tehuacán, que fica no centro do México atual. Elas indicam que a prática desse cultivo permaneceu por centenas de anos, entre 2500 a.C.-1000 a.C., o que configura um aspecto da identidade cultural dessa região.
Segundo estudiosos, o ano de 2500 a.C. é considerado um marco temporal para a região, pois deu início ao período em que ocorre a passagem para a agricultura, a difusão do uso da cerâmica e o surgimento de obras artísticas muito elaboradas. A fixação dos grupos agrícolas impulsionou o desenvolvimento de uma sociedade estratificada e marcada pela construção de cidades e pela organização de formas de governo centralizado.

Os olmecas


O desenvolvimento do cultivo de milho, entre 1200 e 400 a.C., foi fundamental para os povos da Mesoamérica, pois permitiu a eles que se tornassem sedentários. Um desses povos vivia em uma região conhecida como “lugar da borracha”, que, na língua dos antigos astecas, era chamada de Olman. Por isso, esse povo passou a ser chamado de olmeca.
Os olmecas habitavam os vales dos rios e passaram a se dedicar à agricultura, aprimorando técnicas de plantio, construindo plataformas de terra e canais de irrigação. Com o tempo, a ampliação na capacidade de produzir alimentos provocou o crescimento populacional.
Para promover o encontro entre suas aldeias, eles construíram locais marcados pela presença de grandes monumentos de pedra e amplos espaços, onde praticavam rituais religiosos. Seus principais centros populacionais, como San Lorenzo Tenochtitlán, La Venta e Tres Zapotes, hoje localizados no México, revelaram uma população numerosa e uma organização social complexa, governada por uma elite ligada ao controle dos ritos religiosos.
Após um longo período de existência, por volta de 900 a.C., Tenochtitlán entrou em declínio, provavelmente em razão de mudanças climáticas.
Com isso, La Venta passou a ser o principal centro da cultura olmeca até 400 a.C. Já o sítio arqueológico de Tres Zapotes, ocupado depois de desse ano, representa o momento do desaparecimento da cultura olmeca, lentamente incorporada e substituída por outras.

Fotografia de escultura olmeca em Tabasco, México, datada dos séculos de XII a V a.C. A cultura olmeca é conhecida por suas enormes cabeças esculpidas em pedras vulcânicas trazidas de montanhas localizadas a mais de 100 km. Essas cabeças representavam importantes personagens, como líderes e heróis da história olmeca, e cumpriam papel simbólico e religioso, recordando aos olmecas a presença grandiosa e séria desses personagens.

A cultura olmeca


Os olmecas desenvolveram uma espécie de “cultura-mãe” de quase todas as outras culturas que a sucederam na região da Mesoamérica, como os maias. Eles criaram uma arte que incluía estátuas monumentais de pedra, cuja matriz foi encontrada em outras criações, de vários tamanhos e materiais, como a cerâmica e o jade. As peças retratam pessoas, animais e deuses com uma grande riqueza de detalhes.
A arte olmeca indica que esse povo reverenciava divindades ligadas aos fenômenos da natureza (como o sol e a chuva) e animais considerados sagrados, como a serpente e o jaguar. Ela revela ainda uma relação muito forte entre a agricultura do milho, os deuses e os rituais, que tinham como objetivo garantir ajuda divina para a abundância das colheitas.
Ainda existem muitas dúvidas sobre a cultura olmeca. Registros feitos em uma estela revelam, por exemplo, que os olmecas podem ter sido o primeiro povo da região a construir um calendário, fator que certamente ajudou a desenvolver essa sociedade agrícola. Outro aspecto marcante é a escrita deixada por eles, ainda não decifrada.

Escultura de pedra, produzida entre 1000 e 400 a.C. Esta imagem representa uma impressionante escultura olmeca, que revela a relação entre a mitologia desse povo e as relações entre pais e filhos. A figura masculina tem nos braços um bebê com traços característicos das figuras divinas, como uma fenda sobre a cabeça e o formato dos olhos. O bebê representa o broto do milho e, por isso, o centro
do mundo, pois o milho era o alimento fundamental dos olmecas, a base de sua sobrevivência.

Máscara olmeca, pedra verde, produzida entre 900 e 400 a.C. Os olmecas criaram belas esculturas de pedra verde. Nesta máscara, os detalhes do nariz e dos lábios entreabertos dão leveza e vida à figura, como se não fosse esculpida na pedra. A marca horizontal na testa, bem acima dos olhos, sugere que se trata de uma representação de uma divindade olmeca relacionada com o milho.

Os maias


Nas florestas tropicais do território da península de Iucatã, no sul do México, até áreas que correspondem atualmente à Guatemala, Honduras, Belize e El Salvador, surgiu uma das mais fantásticas culturas da Mesoamérica: a maia.
As origens, a trajetória e o desaparecimento dos maias estão, ainda hoje, envoltos em mistério. O que sabemos é que os primeiros vestígios de ocupação da área maia datam aproximadamente de 2000 a.C., quando pequenos grupos se fixaram na península de Iucatã, originando aldeias agrícolas que foram se desenvolvendo ao redor de grandes centros cerimoniais.
Nesses lugares especiais, os maias celebravam suas festas religiosas e realizavam trocas de vários tipos de produtos. Escavações feitas nessa região encontraram vestígios de cerâmica dessa época e de períodos posteriores, como as estatuetas de terracota em forma humana, da ilha de Jaina, datadas de 1000 a.C.-300 a.C.
É nessa época que começaram a se formar os primeiros núcleos urbanos da região. Aos poucos eles se tornaram centros administrativos que controlavam as aldeias ao redor e estabeleciam contato com cidades mais distantes.
Acredita-se que a estrutura arquitetônica e urbana dessas cidades tenha sido influenciada pela cultura olmeca. Vários traços da arte olmeca são encontrados em objetos da cultura dos maias, o que revela que eles tiveram contato e realizaram trocas. Foi nessas cidades que os maias ergueram suas primeiras pirâmides, por volta de 300 a.C. Essas grandes edificações monumentais eram lugares sagrados onde se praticavam ritos religiosos.

O Templo das Inscrições, a maior estrutura de pirâmide escalonada mesoamericana, no sítio da civilização maia pré-colombiana de Palenque. Fotografia de 2018.

Os zapotecas


Os zapotecas viveram na região de Oaxaca, localizada no litoral do Pacífico e formada pelas montanhas e vales da Sierra Madre del Sur, no México. Evidências arqueológicas indicam que eles chegaram, por volta de 2500 a.C., aos três vales e às áreas elevadas que formam essa região. Aproveitando-se dos rios, cultivaram o milho e desenvolveram ao menos três sociedades diferentes, que aparentemente competiam entre si.
Por volta de 500 a.C., os zapotecas começaram a construir, em uma área denominada Monte Albán, um importante centro urbano com vários espaços monumentais e edifícios dedicados à religiosidade, à habitação e a funções administrativas. Esse espaço parece ter contribuído para unificar a defesa das aldeias ao redor contra inimigos. Ele também representou o surgimento de uma organização política dos zapotecas, que expandiu seu domínio sobre a região de forma crescente até chegar ao auge, entre 100 a.C. e 200 d.C.
Do Monte Albán, os zapotecas exerceram controle sobre todo o Vale de Oaxaca e estenderam suas conquistas e influência para outras regiões com contatos comerciais e culturais. Esse crescente domínio transcorreu ao longo de centenas de anos até que, por volta de 500 d.C., Monte Albán entrou em declínio. Posteriormente, um povo chamado mixteca tomou a cidade.
Os zapotecas eram politeístas, cultuavam deuses relacionados a aspectos de seu cotidiano e a suas crenças e valores, como: o deus da chuva e dos trovões, Pitao Cocijo; o deus do milho, Pitao Cozibi; e o deus dos mortos, Coqui Bezelao. Os sacerdotes eram responsáveis por organizar os ritos religiosos sagrados que pudessem favorecer as plantações e as colheitas, realizando, inclusive, sacrifícios humanos como forma de venerar seus deuses.

As culturas andinas


Acredita-se que as primeiras culturas dos Andes (ou andinas) surgiram por volta de 9000 a.C. e se desenvolveram nas áreas próximas ao litoral e na cordilheira dos Andes. Um desses povos foi a cultura caral, que se desenvolveu na região do atual Peru, a partir de pequenos assentamentos dedicados à agricultura, à pesca e às trocas comerciais.
Segundo arqueólogos, em cerca de 2700 a.C., uma grande cidade foi construída nessa região, abrigando construções monumentais, como pirâmides e edificações resistentes aos terremotos da região. A inexistência de muros ao seu redor e de vestígios de armas indica relações amistosas com culturas vizinhas. Seu abandono ocorreu por volta de 1800 a.C., provavelmente provocado por mudanças climáticas extremas.
Outra cultura importante desenvolveu-se entre 1500 a.C. e 300 a.C., nos vales dos Andes peruanos: a cultura chavín. Seus integrantes dominavam sofisticadas técnicas agrícolas, como a construção de canais de irrigação e reservatórios de água, que contribuíram para o aumento da produtividade.
A base da alimentação dos chavín era o milho, mas incluía também batatas, quinoa, abóboras e feijão. O povo andino também praticava a pecuária, a manufatura têxtil e a ourivesaria; tinha conhecimentos de arquitetura, escultura, pintura e outras artes.
Foi uma cultura marcada pela religião e pela construção de lugares sagrados, como o Templo Chavín de Huántar, considerado, atualmente, um Patrimônio Mundial da Humanidade. Governado por um rei-sacerdote, esse povo era politeísta e adorava, entre outros deuses, o deus Jaguar ou Puma.
Além dessas, desenvolveram-se a cultura tiauanaco (ou tiwanaku), em torno do lago Titicaca, na Bolívia atual, e a cultura paracas, na costa sul do Peru, ancestrais da cultura nazca.

Fotografia da Cidade Sagrada de Caral, no Peru, 2008. A cultura caral se desenvolveu na mesma época que a dos egípcios antigos (continente africano) e surgiu mil anos depois dos sumérios (Mesopotâmia).

Características comuns das culturas andinas


As culturas andinas, embora muito diversas entre si, compartilhavam características semelhantes, pois tinham uma origem comum e realizavam constantemente trocas culturais e comerciais, até mesmo com povos mesoamericanos.
Como não sabemos como elas mesmas se chamavam, essas culturas receberam o nome do lugar onde foram encontrados seus principais vestígios arqueológicos. Trata-se de um conjunto vasto e diversificado de objetos como ferramentas, vasos, estruturas arquitetônicas e centros mortuários com elaborados sarcófagos e estátuas.
Sabe-se que os povos andinos se desenvolveram ao longo de cerca de 4 mil anos, embora nem todas tenham coexistido, isto é, ocorrido ao mesmo tempo. Os estudiosos afirmam que o momento histórico de maior diversificação aconteceu entre os anos de 200 a.C. e 600 d.C.

Fotografia de 2014 que mostra vestígios de Chavín de Huántar, datados de 1200 a.C.

Eram povos que se dedicavam à agricultura, tendo domesticado uma grande variedade de plantas, como milho, batata, quinoa, mandioca, amendoim, folha de coca, cacau, batata-doce, feijão, pimentão, algodão e abóboras. Essa diversidade possibilitou a criação de uma culinária variada, bem como a produção de bebidas, de tecidos e de medicamentos. Também domesticaram animais, como a lhama, a alpaca, a vicunha e o guanaco, utilizados para transporte, obtenção de lã e alimentos.
Para aumentar a produção agrícola, eles desenvolveram sofisticadas técnicas de plantio, construíram plataformas e aterros em regiões montanhosas, inventaram ferramentas, como o arado andino (chamado taclla), e criaram grandes complexos de irrigação.
Os povos andinos fabricavam inúmeros objetos de cerâmica, revelando domínio sofisticado de técnicas e materiais, praticavam a metalurgia, produziam objetos para fins ornamentais e realizavam trabalhos de tecelagem. Também compartilhavam um imaginário comum cultuando divindades na forma de águias, peixes, felinos e condores. As atividades espirituais influenciaram profundamente a organização social e a tomada de decisões pelas autoridades.

Detalhe de uma parede esculpida com guerreiros no sítio arqueológico de Cerro Sechin (Peru), onde há vestígios da cultura chavin do século I a.C. Fotografia, data desconhecida.





Povos originários da América Latina

A América Latina antes dos europeus


Anteriormente, estudamos a respeito das rotas de migração do Homo sapiens. Por meio delas, identificamos histórica e geograficamente como foi povoado o território do continente americano. Esse processo de ocupação resultou no surgimento de diferentes sociedades espalhadas por todo o continente, sobretudo após o desenvolvimento da agricultura, quando alguns grupos que antes eram nômades passaram a se sedentarizar. Ao longo do tempo, esses grupos originários desenvolveram diferentes saberes e culturas, que por sua vez foram herdados e elaborados pelos povos que vieram depois deles, como aqueles com os quais os europeus tiveram con tato ao chegar nas atuais Américas.
Ou seja, muitos desses povos estavam ali bem antes da chegada dos europeus, no século XV. Não existem dados concretos sobre quantos eram, mas a estimativa é de que naquela época a América era habitada por aproximada mente 57 milhões e 300 mil pessoas. Os estudos sobre essas populações dividem-se por regiões, considerando a área em que interagiam diferentes culturas. 
Algumas delas são a Mesoamérica (onde hoje se encontra o México, Guatemala, Honduras, El Salvador e parte da Nicarágua), os Andes (onde hoje se encontram Peru, Bolívia, Chile e Argentina) e a Amazônia. E como são estudadas essas sociedades? Observe a imagem desta página, trata-se de uma escultura, produzida entre os séculos XIII a.C. e X a.C., de uma das quatro cabeças gigantes esculpidas pelos povos olmecas, povo da Mesoamérica. 
Os pesquisadores concordam que essas cabeças representam poderosos líderes da época; com isso, é possível identificar algumas características da organização política dos olmecas. O capacete na estátua é uma referência ao capacete dos jogadores de tlachtli, jogo com bola que influenciou outras culturas da região.

Mesoamérica 


A área chamada de Mesoamérica é o território que hoje corresponde aos seguintes países: parte do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Costa Rica, Nicarágua e Panamá. Estima-se que a região começou a ser ocupada por grupos humanos sedentarizados por volta de 7000 a.C. 
No entanto, foi entre 3000 a.C. e 1 000 a.C. que começaram a surgir os primeiros espaços urbanos com complexas organizações sociais, econômicas, culturais e políticas. Uma das primeiras populações a ocupar a região foram os olmecas, em seguida, ela foi ocupada pelos maias e os astecas.

Olmecas 


Por volta de 1400 a.C., na parte sul da planície costeira do Golfo do México, entre os rios Papaloapan e Grijalva, surgiu a sociedade olmeca. Eles desenvolveram técnicas agrícolas e o cultivo de milho (principal alimento), feijão, abóbora, entre outros.

Cultura


Os olmecas viviam em cidades-Estados, com governos e leis próprios, organização urbana e arquitetônica, com a construção de pirâmides, palácios, praças públicas, aquedutos de pedra e canais de irrigação. Também há indícios de que eles teriam criado um sistema de escrita e um calendário próprio. Uma das atividades da cultura olmeca que influenciou diversos outros povos, como maias e astecas, foi o tlachtli, o jogo da bola. Era uma atividade pública e cerimonial, podendo ser usada para resolver conflitos políticos e bélicos. Provavelmente, apenas as pessoas de maior riqueza e prestígio social poderiam praticá-lo. Os jogadores, de duas equipes adversárias, tinham como objetivo atravessar pesadas bolas de borracha entre arcos, usando somente as coxas, os braços e os quadris.

Os maias 


Os maias ocuparam a península de Yucatán, região que, atualmente, corresponde aos territórios da Guatemala, de Honduras, de Belize e sul do México. Os vestígios arqueológicos encontrados na região indicam que a ocupação humana começou aproximadamente entre os anos 800 a.C. e 600 a.C. No início, essas populações ocuparam as regiões montanhosas da península e, ao longo do tempo, foram migrando para as florestas tropicais. As primeiras cidades foram construídas no primeiro milênio antes de Cristo, mas o apogeu dessa sociedade foi entre os séculos III d.C. e IX d.C.

Sociedade e economia 


Os maias eram liderados pelo halach uinic, que detinha o poder espiritual e político sobre a população. Parte da nobreza atuava em cargos administrativos, religiosos, comerciais ou militares e o restante da população eram solda dos, funcionários burocráticos, artistas, artesãos, camponeses e trabalhadores encarregados de pequenas tarefas (servidores, carregadores etc.). Quanto à agricultura, os maias produziram tanto produtos para a sua sobre vivência como matérias-primas para a manufatura de outros produtos. Entre os alimentos mais consumidos por essa população destaca-se o milho, cultivado nas chamadas milpas, que eram extensos campos desse alimento. 
Dentre as matérias-primas, encontrava-se o cultivo de algodão, que servia para a confecção de tecidos, que eram ricamente bordados, e de cacau, que era consumido como bebida ou utilizado como moeda de troca, entre outros. Além desses produtos, os maias produziam cerâmicas policromadas. Nesse período, esses três produtos eram considerados itens de luxo e eram consumidos, principalmente, pelas elites dirigentes. Além da agricultura e da manufatura, os maias desenvolveram um rico comércio, uma vez que seus comerciantes contavam com extrema mobilidade; eles faziam expedições de longa distância, seja por terra, mares ou rios. 
As rotas marítimas permitiram que os maias contornassem toda a península de Yucatán. Entre os produtos que circulavam em território maia estavam a obsidiana (rocha utilizada para fabricar projéteis), conchas, carapaças de tartarugas marinhas, corais, pérolas, plumas de pássaros tropicais, entre outros.

Cultura


Os maias desenvolveram uma cultura rica e variada. Criaram uma série de técnicas e conheci mentos especializados em áreas como astronomia, matemática, engenharia, arquitetura, escultura e cerâmica. Foi na área de Tikal que começaram a surgir as primeiras formas de cerâmica (cerca de 600 a.C.) e a despontar a arquitetura, sendo construídos os primeiros templos e altares maias (cerca de 200 a.C.). Com o tempo, essa forma de construir templos foi se desenvolvendo até chegar ao modelo de pirâmides escalonadas, símbolo da arquitetura maia. Na astronomia, os maias produziram importantes avanços. Observando a movimentação das estrelas, do Sol e da Lua, eles conseguiram calcular, por exemplo, as estações do ano, o que facilitava e melhorava a plantação das sementes e a colheita. Ao observar e medir os movimentos dos astros, os maias começaram a desenvolver os primeiros calendários. Eles observaram fenômenos como o ciclo solar e os eclipses lunares e, com isso, puderam calcular o tempo, por exemplo, a duração do ano. Desde o século I d.C. os maias combinaram o uso de dois calendários, um calendário ritualístico, com 260 dias e dividido em 13 grupos de 20 dias, e um calendário "civil", ou seja, utilizado para atividades cotidianas, como a agricultura. O segundo calendário possuía 365 dias divididos em 18 grupos de 20 dias. As datas desses calendários se encontravam em um ciclo de 52 anos. O estudo da astronomia e o desenvolvimento de calendários fez com que os maias elaborassem um sistema numérico bastante avançado. Eles criaram um símbolo para o zero representado em forma de concha, que usavam juntamente aos sinais de ponto (indicando unidade) e barra (indicando o cinco). A invenção do zero é de grande importância para o sistema numérico. No Oriente, apenas o povo hindu possuía esse conhecimento no primeiro milênio depois de Cristo.
Na escrita, os maias desenvolveram um sistema de escrita hieroglífico, sendo os seus símbolos representações de nomes e sílabas. Essas formas de registro permitiram que os maias calculassem, registrassem e medissem o tempo.

Os astecas


Os astecas vieram do norte da América e ocuparam o Vale do México em busca de terras férteis. Segundo as suas narrativas tradicionais, eles vieram de uma cidade nomeada Aztlán, história que originou o nome desses povos, que eram denomina dos astecas chichimecas, ou “bárbaros de Aztlán” e falavam a língua nauátle. Segundo a tradição, em 1325, esses povos fundaram a vila de Tenochtitlán, que, com o passar dos anos, transformou-se em uma grande cidade. Com Mais tarde, essa cidade aliou-se a duas outras: Texcoco e Tlacopan. Tenochtitlán era considerada o centro militar dessa liga e Texcoco era a metrópole das artes, literatura e direito. Essa união foi denominada Tríplice Aliança e originou o Império Asteca. Assim, os astecas passaram a dominar as cidades próximas, mas não modificavam a sua organização política, apenas cobravam tributos dos povos submetidos. Influenciados pela cultura olmeca, desenvolveram a agricultura, que se tornou a base da economia asteca. Cultivavam milho, cacau, feijão, tomate, pimenta, algodão e tabaco. Parte da produção era usada para o consumo dos próprios agricultores (subsistência) e o restante entregue como tributos ao poder central. 
Para a prática da agricultura, os astecas construíam chinampas, ilhas flutuantes, principalmente nos lagos da América Central. Seu nome origina-se da expressão asteca nauátle chinamitli, que significa “cerca de cana”. Essa téc nica favoreceu o abastecimento da região, possibilitando o aumento da população. As ilhas eram construídas com estacas de madeira, palha trançada, lodo e terra fértil para o cultivo e eram plantadas Ahuejotes, árvore típica da região, cujas raízes dão firmeza e sustentação à terra. Trata-se de um método sustentável ainda usado, por exemplo, na comunidade de São Gregório Altapulco, no México. Os astecas desenvolveram uma escrita com base em um sistema de linguagem pictográfica, que é feita com desenhos e não com caracteres como os nossos. Esses desenhos poderiam exprimir ideias ou objetos, mas também poderiam ser o símbolo de uma sílaba ou som. Essa escrita está registrada em livros manuscritos confeccionados pelos astecas, que eram chamados códices. O principal deles, entre os astecas, foi o códice magliabe chiano. A partir dessa linguagem, os povos da América Central representavam sua cultura e faziam circular seus conhecimentos, sobretudo sobre a religião.

A região andina


Os Andes Centrais têm uma geografia diversificada, com regiões desérticas, montanhas e uma floresta úmida ligada à Bacia Amazônica. Dentro desse complexo geográfico, nas montanhas existem rios e matas que, ao longo da história, atraíram diferentes povos para essa região, entre os quais estudaremos três: a sociedade de Caral, a cultura Chavín e os incas.

A sociedade de Caral 


Caral é a cidade mais antiga da região dos Andes Centrais. Ela surgiu por volta de 2600 a.C., e foi habitada por populações que se fixaram próximo ao Rio Supe, na região que atualmente corresponde ao território do Peru. Esse povo desenvolveu a agricultura, cultivando, por exemplo, abóbora, feijão, abacate, pimentão e algodão, e uma vida urbana, com a realização de grandes construções, como revelam as ruínas de pirâmides encontradas nessa região. 
A sociedade de Caral era formada por várias famílias ou clãs, cada uma delas com o próprio chefe. Porém, nessa sociedade, todos obedeciam a um chefe maior, intitulado curaca, que exercia o comando sobre toda a comunidade. O curaca também administrava outras vilas e cidades da região, como Áspero, Era de Pando e Miraya. 
Essas cidades realizavam trocas comerciais entre si e compartilhavam prá ticas religiosas e formas de organização política. A cidade de Caral teve papel central no conjunto dessas comunidades, exercendo forte domínio sobre elas.

A cultura Chavín 


Por volta do ano 1800 a.C., o conjunto de cidades que formavam a sociedade de Caral começou a desaparecer. Tempos depois, por volta do ano 1000 a.C., surgiu a sociedade Chavín, localizada na Serra de Huari, onde hoje se localiza o Peru. Sua principal cidade era Chavín de Huantar, construída na junção dos rios Mosna e Huachecsa, em uma área fértil do Peru, a mais de 3 mil metros de altura. 
A cultura Chavín era significante expansionista e, por isso, consolidou um império na região, que, no auge dessa cultura, chegou a ocupar o Norte e o centro da costa peruana, além de alcançar o território que hoje pertence ao Equador, exercendo grande influência sobre toda a região. 
Essa cidade foi um grande centro cerimonial e a sua arquitetura era focada na construção de templos, utilizando materiais como pedras, barro e adobe. Seus habitantes desenvolveram uma agricultura muito rica. Os Chavín cultivavam milho (que era a principal fonte de alimentação na época), feijão verde, batata e amendoim. 
Nas regiões litorâneas, seus habitantes dedicavam-se à pesca. Os povos da cultura Chavín desenvolveram expressões artísticas próprias que, além da arquitetura, se manifestavam nas esculturas em pedra, na cerâmica e na ourivesaria. Para o trabalho artesanal, essa sociedade trabalhava com metais como ouro, prata e cobre, bem como pedra, madeira, ossos e pedras preciosas. Na ourivesaria, os trabalhado res usavam principalmente o ouro e o cobre. Eles usavam o martelo para trabalhar com as joias, convertendo o seu metal em coroas, brincos, colares, cinturões etc.
Na cerâmica, a cultura Chavín caracterizou-se por produzir uma cerâmica negra e decorada com desenhos em relevo. As esculturas eram feitas em pedras e tinham tamanhos monumentais, em formatos de obeliscos, lanças ou representando figuras humanas e deuses locais. A religião do povo Chavín possuía uma divindade com formas felinas, como um jaguar, fato que pode ser verificado em cerâmicas e esculturas com essas características.

Mochicas e nasquenses 


Antes da chegada dos incas na região andina, ela era habitada por povos mochicas e nasquenses, que dominavam a arte têxtil, a produção de cerâmicas e o trabalho com ouro e prata desde por volta do ano 300 a.C. Os mochicas se encontravam entre os vales dos rios Moche e Chicama, na costa norte do Peru, pra ticavam a agricultura e a pesca e tinham uma sociedade hierarquizada, na qual se destacavam os sacerdotes e os guerreiros. Essa sociedade se destacou pela construção de grandes centros cerimoniais, o que incluía grandes pirâmides e templos. Os nasquenses, membros da cultura Nasca, fundaram a cidade de Cachua chi, que é considerada pelos arqueólogos como a primeira área urbana do território atual do Peru. 
Essa sociedade era formada principalmente por guerreiros e pescadores. Os nasquenses tinham muito conhecimento acerca da astronomia, reconhecendo os movimentos do Sol e de outros corpos celestes. A partir dessas observações, eles puderam elaborar calendários e criar desenhos no chão de dimensões enormes, idos como geóglifos. Essas obras ficaram conhecidas como Linhas de Nasca.
Os incas Os incas eram originários dos povos quéchua, povos que vieram da região do Lago Titicaca e falavam a língua quéchua. Os incas submeteram os povos nasquenses e mochicas, de modo que, no início do século XIV d.C., já dominavam uma vasta região, que se estendia do território do atual Chile à Colômbia. O termo inca designava apenas o governante do império. Após a chegada dos espanhóis à América, “inca” passou a se referir ao povo daquela região. Segundo o mito de fundação do povo inca, dois personagens – Manco Cápac e sua esposa, Mama Ocilla – receberam um sinal do Deus Sol para fundar uma cidade que seria o centro de um grande império. O local escolhido foi chamado de Cuzco (cujo nome significa “umbigo do mundo"). No mapa é possível observar a extensão territorial do Império Inca.
No total, os incas dominaram uma região de mais de 5 200 quilômetros, na qual viviam aproximadamente 8 milhões de pessoas.

Cultura


Os incas foram o primeiro povo conhecido a cultivar a batata. Após a chegada dos europeus à América, o produto espalhou-se pelos outros continentes. Hoje, a batata é um dos alimentos mais consumidos no mundo. O povo inca não desenvolveu um sistema de escrita e sua cultura foi transmitida oral mente. Para registrar informações, inventaram um sistema matemático chamado quipo, usado para administrar e contabilizar as atividades comerciais. Com uma série de nós agrupados em cordas, os incas calculavam o estoque de alimentos, o pagamento de impostos etc. Em cada cidade sob domínio do Império Inca, havia pessoas treinadas para usar o quipo.


Povos indígenas do Brasil

Chamamos os primeiros povos que habitaram o território brasileiro de paleoindígenas. Existem diversas pesquisas arqueológicas sobre as datas em que esses povos teriam se estabelecido na região onde hoje é o Brasil. Atualmente, os indí cios mais reconhecidos pelos estudiosos foram datados de 12 mil anos atrás. Na quela época, os paleoindígenas viviam da caça, da coleta e da pesca. Depois deles, outros povos habitaram o Brasil, como os povos dos sambaquis, os Tupi, os Macro-jê, os Marajoaras e os Tapajoaras.

Os povos dos sambaquis


Algumas populações que habitavam o litoral brasileiro ou regiões fluviais há milhares de anos construíram sambaquis, estruturas que formavam uma espécie de monte com resquícios diversos: conchas, rochas, mariscos, ostras, ossos, fragmentos de cerâmica, entre outros. Alguns dos mais antigos sambaquis datados pelos arqueólogos são estruturas construídas há cerca de 10 mil anos.
O estudo dos sambaquis pode auxiliar os pesquisadores a compreender o modo de vida das primeiras populações que habitaram o Brasil, principalmente com relação à sua alimentação e aos rituais funerários.

Sambaqui de cerca de 7 mil anos, localizado no sítio arqueológico de Santa Marta III, em Laguna (SC), 2021.

Os Tupi e os Macro-Jê 


Com o passar dos anos, os primeiros povos que habitaram a região do Brasil foram se diferenciando em grupos com tradições variadas e com costumes cada vez mais complexos. Teve início então a formação das aldeias, além da prática de técnicas agrícolas. Dois grandes grupos indígenas se formaram: os povos Tupi e os Macro-Jê. Esses grupos tinham algumas características em comum: viviam da caça e da coleta e praticavam a agricultura. O aspecto que os diferenciava está relacionado principalmente ao idioma. 
Acredita-se que os Tupi tenham se originado na região amazônica e imigrado para outras regiões da América há cerca de 2 mil anos. Foram encontrados vestígios deles no litoral, demonstrando que eles também costumavam ocupar essas regiões. 
Os Macro-Jê teriam se desenvolvido originalmente no litoral, na época da chegada dos Tupi. Essa população então se deslocou para algumas regiões do interior, principalmente próximo aos rios.

Marajoaras e Tapajoaras


No século XIX, foram encontrados na região da Amazônia vestígios arqueológicos feitos de cerâmica, indicativos do alto grau de complexidade das sociedades que habitavam essa região há cerca de 1 500 anos. Vasos decorados com inscrições, esculturas ricas em detalhes, potes de armazenar alimentos, vasos usados como urnas para os mortos eram feitos de barro e colocados em fornos para que adquirissem maior resistência.
Muitas dessas peças representavam elementos da natureza, como animais característicos da região. Dois grupos populacionais conhecidos pela sua arte em cerâmica foram os Marajoaras e os Tapajoaras. 

Estátua marajoara em exposição no Museu do Forte, em Belém (PA), 2018.




Povos da região andina

A região andina estende-se ao sul do continente americano, pela cadeia de montanhas conhecida como cordilheira dos Andes. Nessa região, desenvolve ram-se duas das mais antigas civilizações da América: a chavín e a mochica.

Os chavines


A partir de cerca de 1000 a.C., se desenvolveu um conjunto de tradições e de cultos religiosos que os estudiosos chamaram de cultura chavín. Muitos vestí gios da cultura chavín foram encontrados pelos pesquisadores no sítio arqueoló gico de Chavín de Huántar, no Peru. Atualmente esse local é considerado patrimônio mundial pela Unesco.
Aspectos da natureza estavam presentes em grande parte do imaginário dessa população. Suas esculturas apresentavam a aparência de felinos, falcões, águias, serpentes, jaguares e outros animais, geralmente entalhados em rochas.
Além de construir templos religiosos e conhecer a metalurgia, os chavines do minavam técnicas de desviar a água dos rios para empregá-la em seu uso cotidiano. As tradições chavines foram muito importantes na formação de diversos po vos da região andina.

Ruínas das pirâmides do Sol e da Lua em Trujillo, Peru, 2021.

Os mochicas


Os mochicas foram um povo que habitou a região andina entre os séculos I e VIII. Eles dominavam técnicas de irrigação e de adubação do solo e construíram diversos aquedutos e diques. Os mochicas praticavam a agricultura e a pesca, e também construíam pirâmides, como as pirâmides do Sol e da Lua. 
Eles fabricavam instrumentos musicais com ossos, cerâmica e conchas, e dominavam técnicas de cerâmica e metalurgia de cobre, ouro e prata. A cultura mochica influenciou a formação de outras civilizações andinas, entre elas a civilização inca. 

Povos da Mesoamérica 


A Mesoamérica é a região que compreende territórios do sul do México e parte da América Central. É um local com grande diversidade ecológica e geográfica. Nessa região, desenvolveu-se a civilização olmeca por volta de 1300 a.C.

Os olmecas 


A civilização olmeca é uma das mais antigas da Mesoamérica. Vestígios arqueológicos indicam que eles já construíam centros cerimoniais e edifícios em formato de pirâmide muito tempo antes dos maias e astecas, povos herdeiros da cultura olmeca. Por isso, alguns pesquisadores consideram a civilização olmeca como a “cultura-mãe” de outros povos mesoamericanos. 
Os olmecas desenvolveram técnicas de uso de argila para a produção de estatuetas e de utensílios de cerâmica. 

Escultura olmeca, em uma exposição na Cidade do México, 2019.

Alguns estudos apontam que eles também teriam desenvolvido símbolos como forma de escrita, porém os vestígios dessa prática de registro são bastante escassos. Os olmecas construíram grandes templos e pirâmides, além de dominarem técnicas de escultura em pedra. Entre seus vestígios arqueológicos mais conhecidos estão as enormes cabeças esculpidas em basalto.

Altar cerimonial olmeca esculpido em basalto, cerca de 1000 a.C.

A América entre os séculos X e XV 


No século XV, a América tinha cerca de 50 milhões de habitantes, divididos em centenas de civilizações.

Os maias 


Os maias formaram uma civilização entre os séculos III e X, principalmente na região da península de Yucatán e em seus entornos. Atualmente, nessas regiões localizam-se os países da Guatemala, Belize, Honduras, El Salvador e parte do México. Os maias construíram grandes estruturas urbanas, que continham centros cerimoniais e edifícios diversos, en tre eles as pirâmides maias.
A base econômica dos maias era a agricultura. Entre os principais produtos cultivados estavam milho, feijão, tomate, batata e mandioca. Sua organização política era feita a partir de cidades independentes, que tinham o próprio governo.

O calendário maia 


Os maias desenvolveram técnicas para a observação do céu e dos astros. Desse modo, para a contagem do tempo, eles criaram um calendário preciso conhecido como haab, no qual o ano era composto de 365 dias. Dividido em 18 meses, cada mês tinha 20 dias, e havia mais cinco dias livres para completar o ciclo. Os maias utilizavam o calendário para se organizarem nas colheitas, no momento das semeaduras e nos períodos de equinócio e de solstício.

As formas de registro dos maias 


Os maias também desenvolveram um sistema de escrita e um sistema de numeração. Ambos eram utilizados para facilitar a organização de trocas comerciais, as questões relacionadas a tributos e a estoques, além de contribuir para melhorias na administração das cidades.
O sistema de numeração dos maias é considerado um dos mais completos do mundo, pois contém inclusive um símbolo para representar o zero. Com esse sistema, eles conseguiram desenvolver estudos avançados em áreas como a engenharia, a matemática e a astronomia. 
Já o sistema de escrita era composto de símbolos que representavam ideias (hieróglifos). Embora muitos estudos tenham tentado desvendar a escrita maia, ainda hoje seus hieróglifos não foram totalmente decifrados e continuam sendo analisados pelos pesquisadores. 

Os astecas


Em 1325, vindos do norte da América, os astecas se fixaram na região central do continente, onde atualmente é o México. Marcados por uma tradição guerreira, eles costumavam conquistar outros povos, dos quais cobravam tributos. Os astecas construíram muitas cidades na Mesoamérica, sendo a principal delas Tenochtitlán, fundada no lago Texcoco.

A religião asteca Os astecas eram politeístas. Co nheça alguns de seus deuses. 
• Atlacoya: deusa da seca. 
• Cinteteo: deus do milho. • Huitzilopochtli: deus do Sol e da guerra. 
• Malinalxochitl: deusa das ser pentes e dos insetos. 
• Metztli: deusa da Lua. 
• Nappa Tecutli: deus da fabrica ção de tapetes. 
• Opochtli: deus da pesca. 
• Quetzalcoatl: deus da sabedoria. 
• Xipe Totec: deus da fertilidade. 
• Xiuhtecuhtli: deus do fogo. 
• Yacatecuhtli: deus do comércio.

Muitos aspectos da vida dos as tecas giravam em torno da crença religiosa. Frequentemente, realizavam oferendas e cerimônias aos deuses, solicitando boas colheitas. Em alguns casos, seus rituais envolviam também sacrifícios humanos.
Assim como outros povos da América, os astecas construíam pirâmides em homenagem aos deuses, pois acreditavam que essas construções favoreciam o contato com as divindades. Com base em estudos de astronomia, as pirâmides eram construídas de maneira que se alinhassem com as posições das estrelas, da Lua e do Sol.

Representação dos deuses Opochtli, Yacatecuhtli, Xipe Totec e Nappa Tecutli no Códice Florentino, século XVI.

As práticas comerciais e os registros astecas 


As atividades comerciais eram essenciais para os astecas. As pessoas costumavam se reunir nos mercados das cidades para trocar produtos, como tecidos, ali mentos e objetos de cerâmica. Era comum, por exemplo, utilizar grãos de cacau como moeda de troca, uma vez que não existia dinheiro naquela época.
Os códices significavam uma importante forma de registro para os astecas, também em relação às práticas comerciais. Eles registravam dados econômicos e as trocas, como a quantidade de produção agrícola e os tributos pagos pelas cidades conquistadas. Observe um exemplo desse tipo de registro.

 Página do Códice Mendoza, século XVI.

Na imagem, vemos a representação de alguns objetos como roupas de guerreiro feitas de pena e couro, escudos e símbolos que se referem aos produtos agrícolas (como feijão e cereais).

A tradição oral asteca 


Na tradição oral asteca, foi difundida uma versão de como teria ocorrido a chegada do povo à região da cidade de Tenochtitlán. De acordo com essa tradição, os astecas foram conduzidos pelo deus Huitzilopochtli até a região do lago Texcoco, onde encontraram uma ilha. Nesse local, avistaram uma cena considerada sagrada: uma águia pousada em um cacto, alimentando-se de uma serpente. Nesse local idealizado pela divindade, eles te riam de construir sua civilização.

Os incas


Os incas viveram na região andina, mais especificamente no vale do Cuzco. A partir de meados do século XIII, eles se fixaram na região e, ao longo dos anos, formaram um poderoso império, que chegou a ter cerca de 12 milhões de habitantes e uma extensão de mais de 3000 quilômetros.

O Império Inca 


O Império Inca, governado de modo centralizado, tinha um governante com poderes soberanos, o chamado Sapa Inca (imperador). O império era formado por diferentes povos, que foram sendo incorporados ao seu domínio. Esses povos podiam manter a maioria de suas tradições culturais, uma vez que realizassem acordos com o imperador inca, pagando-lhe tributos. 
A sociedade inca se organizava em grupos, que exerciam diferentes papéis. O imperador, que agia como líder e soberano, costumava receber tributos e homenagens. Algumas pessoas também tinham privilégios e não pagavam impostos. Eram os chefes militares e os funcionários da administração do império. Outro grupo era composto de trabalhadores, que formavam a maioria da população do Império Inca. Homens e mulheres praticavam a agricultura, trabalhavam em obras públicas, além de serviços militares no caso dos homens e práticas de artesanato no caso das mulheres.
Os incas construíram estradas, edifícios e templos. Essas construções são conhecidas atualmente por sua grandiosidade. Nessas obras, eles costumavam uti lizar blocos de rocha encaixados sem nenhuma substância de liga, como o cimento, o que demonstra seu excelente desenvolvimento técnico.

Construções incas nas ruínas de Machu Picchu, no Peru, 2019.

O dia a dia no império inca


Para auxiliar no controle de diversas atividades cotidianas, como o comércio, a produção agrícola e a cobrança de tributos, os incas desenvolveram um instrumento conhecido como quipo. Formado por cordas e nós, usava-se o quipo para registrar informações. Cada nó simbolizava um valor ou uma quantidade. Como formaram um extenso império, os incas precisaram se organizar em relação à comunicação nas diversas regiões que ocuparam. Desse modo, construíram uma rede de estradas interligando as cidades e facilitando o transporte de pessoas e produtos. Além disso, organizaram um eficiente sistema de comunicação, envolvendo o trabalho dos chasquis. 



OS INDÍGENAS NO BRASIL DE HOJE

O contato entre os povos originários e os portugueses, a partir do século XV, trouxe muitas transformações nos modos de vida das duas comunidades. Do ponto de vista dos povos originários, que, atualmente, também são chamados de povos indígenas, o saldo é de resistência e luta pela sobrevivência de suas culturas e pelo respeito às suas terras e tradições.
Centenas de comunidades originárias foram extermina das pelos portugueses no processo de invasão e ocupação da América. Porém, muitas delas sobreviveram e existem até hoje. Trata-se de um processo complexo de trocas culturais, ainda que os europeus tentassem a todo custo sobrepor seu modo de vida e a cultura cristã aos povos indígenas, que consideravam inferiores.
Por outro lado, muitos aspectos das culturas nativas foram incorporados pelos colonos portugueses e, posteriormente, integrados à cultura brasileira. Isso pode ser verificado em vários aspectos do Brasil atual. Um exemplo é a língua que falamos. Apesar de nos expressarmos em português, um idioma de origem europeia, há muitas palavras usadas no Brasil que são de origem indígena, como cutucão e jacaré, por exemplo. Na culinária, há muitas receitas brasileiras cuja base é o milho ou a mandioca. Entre os costumes, é possível citar o uso do chimarrão e da rede de dormir. 
Segundo o Instituto Socioambiental (ISA) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima-se 1,1 milhão de indígenas, divididos em cerca de 300 povos. Eles são falantes de mais de 270 línguas e estão distribuídos pelo Brasil. A maioria está estabelecida em Terras Indígenas, mas muitos deles vivem em cidades.

OS DIREITOS INDÍGENAS 

A Constituição de 1988 representou um grande marco para a proteção da população indígena no Brasil, pois trouxe uma mu dança significativa no modo como as culturas indígenas eram tratadas no âmbito legislativo. Antes dela, as políticas públicas estavam voltadas para a integração das comunidades indígenas à sociedade não indígena. 
A partir da Constituição Cidadã, a legislação segue os conceitos de proteção dos povos indígenas e promoção dos direitos deles. Para isso, a lei estabelece, como princípio, o respeito e a valorização da diversidade cultural e garante aos povos indígenas o direito de viver de acordo com seus valores e tradições. 
O reconhecimento dos direitos indígenas foi uma das muitas conquistas que resultaram da auto-organização das comunidades indígenas. Muitos dos seus líderes atuam hoje tanto em instituições governamentais quanto em organizações não governamentais (ONGs), promovendo ações em que os indígenas têm poder de decisão. Para que esses povos possam preservar e perpetuar seus costumes e tradições, o governo brasileiro deve assegurar que eles não sejam expulsos das terras onde vivem. 
A regularização das Terras Indígenas é feita com a demarcação, que ocorre quando o Estado dá a posse legal de determina do território ao povo que vive nele. Contudo, mesmo depois de demarcadas, essas terras precisam ser defendidas da invasão de pessoas ou de grupos que desejam tomá-las à força ou explorar as riquezas ali existentes, como a madeira e os minérios (ouro, ferro, entre outros). 
Há também lideranças políticas que se opõem à demarcação, argumentando que as terras se tornam ociosas, isto é, não geram riquezas para o país.

Os povos amazônicos e os Tupi-Guarani

Quando os portugueses chegaram, em 1500, à costa do território em que hoje é o Brasil, encontraram muita gente morando aqui. Inicialmente, os portugueses tiveram contato com habitantes conhecidos como Tupiniquins e Tupinambás, mas o território estava ocupado por milhares de outros povos, cada um com as próprias histórias, línguas, culturas, que se transformaram ao longo de milênios de ocupação da América. Esses diferentes povos tinham substituído ainda outros povos, ou se miscigenado por meio de relações entre si, em um movimento contínuo de trocas culturais e de intensas migrações ao longo do tempo.
A diversidade cultural era tão impressionante que alguns pesquisadores estimam que na América do Sul eram faladas cerca de 1 500 línguas, muitas delas aparentadas, isto é, com fortes semelhanças umas com as outras, o que indicava a existência de um ancestral comum. Outras eram línguas isoladas, desenvolvidas há séculos ou milênios apenas por uma única sociedade. Esses aspectos evidenciam que existiram centenas de sociedades distintas entre si, com as próprias formas de organização política e social, crenças religiosas e visões de mundo e com diferentes formas de interação com o meio ambiente.
Os dois mais importantes grupos de línguas aparentadas foram o aruak e o tupi, originários da Amazônia, região de onde se expandiram por boa parte do território do Brasil atual e de outras regiões da América do Sul e do Caribe. Como veremos a seguir, as culturas que surgiram em torno desses grupos linguísticos se desenvolveram de formas distintas e até opostas ao longo do primeiro milênio da nossa era.

Fotografia de 2016 que mostra vaso de cerâmica Tupi-Guarani, no momento em que é encontrado, no sítio arqueológico Altos de São João, na cidade de São José dos Campos (SP). Este vaso era uma urna funerária, isto
é, foi utilizado para sepultar uma pessoa. Vestígios como este possibilitaram aos arqueólogos e historiadores conhecer um pouco dos povos Tupi-guarani do passado.

Os povos amazônicos

A ocupação da região amazônica começou há cerca de 14 mil anos, segundo as mais recentes descobertas arqueológicas. Há 11 mil anos, a população era pouco numerosa e dispersa, formada por grupos de caçadores-coletores.
Os primeiros indícios de populações estabelecidas ao longo do rio Amazonas e seus afluentes datam de 8 mil anos atrás. Por volta de 4 mil anos atrás, já existiam muitos aldeamentos agrícolas, baseados no cultivo da mandioca; a população havia crescido e, com ela, as divisões sociais pareciam mais reforçadas. É provável que já houvesse uma imensa diversidade linguística em torno do grupo aruak e outros idiomas isolados.
Em seguida, surgiram sociedades com hierarquias sociais mais demarcadas, nas quais o poder político estava centralizado em uma elite guerreira e sacerdotal. Essas sociedades desenvolveram diferentes técnicas para o uso da terra, transformando os diversos ambientes amazônicos e utilizando de modo eficaz os recursos naturais das florestas e dos rios. Entre elas estavam os Maracá, os Guarita, os povos de Santarém e a cultura marajoara, que vamos conhecer um pouco melhor nesta trilha.

Os Marajoara

Perto de Belém, capital do Pará, há uma ilha que é um formidável ambiente ecológico: a ilha de Marajó. Se você mora em Marajó ou já viajou para lá, sabe o que isso significa. A foz do Amazonas, região onde o rio deságua no oceano Atlântico, abre-se com uma largura de 300 quilômetros. No meio dessa foz está a maior ilha fluviomarinha (entre o rio e o mar) do mundo.
Atualmente, a ilha está dividida em 16 municípios, onde moram cerca de 530 mil habitantes (dados de 2017), originários de culturas diversas, como indígenas, africanas e europeias. De janeiro a junho, chove tão intensamente que as águas cobrem mais da metade de seu território, especialmente da porção leste, chamada Marajó dos Campos. Nos meses seguintes, para de chover, o solo seca e as águas recuam. Esse ciclo, que se repete todos os anos, marca de maneira profunda o modo como os marajoaras se relacionam com o meio ambiente na ilha e como construíram sua cultura, ligada à pesca e ao uso dos fluxos dos rios para o transporte e o comércio.

Uma sociedade entre morros e águas

Os primeiros habitantes de Marajó chegaram à ilha por volta de 5000 a.C. e formaram uma sociedade cujo meio de vida também estava integrado ao movimento das cheias e das secas.
Durante o período das inundações, peixes e tartarugas iam dos leitos profundos dos rios para as regiões alagadas em busca de alimento ou para botar ovos. Quando as águas diminuíam, os peixes nem sempre conseguiam voltar para o leito do rio e ficavam presos em lagoas e grandes poças de água. Formavam-se, assim, verdadeiros tanques naturais cheios de peixes que permitiam alimentar uma população numerosa.
Com uma dieta rica em peixes e tartarugas, os marajoaras contavam ainda com uma área mais fértil da ilha, onde se plantava mandioca, e realizavam o manejo de espécies da mata, como o buriti e o açaí. Não se sabe exatamente a razão, mas, por volta de 400 d.C., os antigos marajoaras passaram a alterar em grande escala o ambiente e viveram a partir daí um longo período de transformações em sua cultura material. Na época das secas, eles passaram a transportar terra das regiões que tinham sido mais alagadas para as regiões mais altas. Assim, eles aumentaram a extensão das áreas secas, criando morros artificiais, chamados de “tesos” pelos moradores atuais da ilha. Ao mesmo tempo, os marajoaras aumentaram a profundidade dos poços e das represas onde os peixes ficavam presos no fim da época das cheias.
Esse engenhoso sistema parece ter garantido uma oferta mais segura e variada de alimentos: os marajoaras passaram assim a controlar melhor os viveiros de peixes. Com o crescimento desse sistema, houve uma diferenciação social mais intensa e, com ela, o surgimento de uma elite que controlava os poços e as represas em torno dos tesos onde moravam.

As artes marajoaras

Em alguns tesos, foram descobertas numerosas sepulturas que continham “bens funerários”, isto é, objetos que eram enterrados com os mortos. Os vestígios analisados revelam que os Marajoara desenvolveram uma extraordinária cultura em torno das cerimônias fúnebres, usadas para distinguir as pessoas comuns das integrantes da elite que dominava os tesos.
Os mais fascinantes objetos da cultura material marajoara que chegaram até os nossos dias foram suas cerâmicas: vasos, cachimbos, estatuetas e objetos ritualísticos diversos, como as urnas funerárias.

Urna funerária marajoara datada de 400 d.C.-1400 d.C. Urna funerária em forma de um animal (zoomorfa), com motivo decorativo pintado em preto e vermelho, e apliques em relevo de boca, olhos e nariz. Embora o significado das decorações tenham se perdido com o tempo, sabe-se que essas urnas tinham uma função sagrada.
O povo marajoara acreditava que as urnas eram um meio de passagem para outra vida. Os mortos eram enterrados em urnas de diversos tamanhos, algumas vezes ricamente adornadas e outras vezes lisas. A decoração mais elaborada indicava que o morto possuía um lugar de destaque na sociedade.

Estatueta antropomorfa representando uma mulher grávida. As estatuetas marajoaras são caracterizadas por atributos femininos, como seios, e pela diversidade de decoração, como tamanho e forma. Algumas reúnem características do sexo feminino e do masculino no mesmo objeto. Muitas delas eram utilizadas como instrumentos musicais, por isso são ocas e possuem pedrinhas em seu interior.
Por terem sido sempre encontradas em cemitérios,  é possível inferir que possuíam função cerimonial e, provavelmente, eram utilizadas em rituais. A posição da estatueta remete à posição de parto usada pelas mulheres nas sociedades amazônicas.

Os povos Tupi-Guarani

Os povos falantes de idiomas do grupo tupi se formaram há cerca de 5 mil anos, em uma vasta região do norte do atual território do país, onde atualmente fica Rondônia. Uma parte desses povos permaneceu nessa área, mas outros se espalharam em diversas direções. 
Uma das famílias de línguas tupi, que os pesquisadores chamaram de tupi-guarani, apresentou a mais rápida e ampla expansão territorial. Outro grupo linguístico importante, que reunia diversos povos no interior do território, era o macro-jê.

Muitos povos, muitas rivalidades

Os Tupi-Guarani dominavam o plantio de mandioca e do milho, e sabiam explorar os recursos das florestas tropicais, tanto na Amazônia quanto nas áreas da Mata Atlântica. Eram habilidosos produtores de cerâmica, que utilizavam para fins diversos e em cerimônias fúnebres.
As aldeias e os agrupamentos humanos tinham proporções variadas, mas, em geral, eram formadas por poucas centenas de pessoas, sob comando de um chefe guerreiro. Não havia diferenças sociais marcantes e o prestígio de alguém dependia das próprias habilidades, especialmente nas artes da guerra.
Os diferentes povos tupis-guaranis nutriam rivalidades entre si e com outros grupos, por isso guerreavam com frequência. As rivalidades ancestrais eram revividas a cada guerra ou confronto,
em que os inimigos aprisionados eram mortos e, por meio de um ritual, eram devorados por todos os habitantes da aldeia. Com tais rituais antropofágicos, vingavam a morte dos ancestrais e, ao mesmo tempo, acreditavam adquirir as virtudes do guerreiro sacrificado.

A cerâmica tupi-guarani e os sítios arqueológicos

A imagem a seguir é uma fotografia de uma escavação no sítio arqueológico Domingos, próximo ao rio Parauapebas (Pará). No centro da imagem, você pode observar um vaso largo de cerâmica, datado de cerca de 650 d.C., desenterrado pelas equipes de arqueologia. Esses objetos foram encontrados embaixo da chamada Terra Preta de Índio (TPI), um tipo de solo muito fértil, produzido pelos povos originários por meio de mistura com resíduos orgânicos (restos de animais e plantas).
Os vestígios encontrados no sítio Domingos mostram que o local serviu de habitação permanente para grupos tupis-guaranis, pois possui grande quantidade de material cerâmico, além de material de pedra lascada e polida.

Fotografia de data desconhecida que mostra vasilhame inteiro encontrado em escavação no sítio arqueológico Domingos, no estado do Pará.





Os povos antigos da Mesoamérica

Vários povos habitaram a Mesoamérica. Eles receberam nomes de acordo  com os locais onde foram encontrados vestígios de sua presença: os  ol...