segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

POVOS ORIGINÁRIOS DA AMÉRICA

Não se sabe ao certo a origem dos primeiros habitantes da América. Independentemente das teorias levantadas para reconstituir o processo de povoamento do continente americano, pesquisadores estimam que, quando Colombo desem barcou na América, cerca de 50 milhões de pessoas viviam no Novo Mundo. Os povos que habitavam o continente americano ficaram conhe cidos genericamente como povos pré-colombianos.
Esses povos apresen tavam grande diversidade étnica, social, política e religiosa. Algumas civilizações, como a inca, a maia e a asteca, formaram sociedades complexas. Com a ocupação e a exploração do continente americano pelos europeus, essas sociedades começaram a desestruturar-se e muitas desapareceram.
A América Anglo-Saxônica era habitada por cente nas de povos indígenas antes da chegada dos europeus. Assim como no restante do continente americano, essas populações foram praticamente dizimadas. Com a expansão do território estadunidense ao longo do século XIX, os conflitos entre colonos e indí genas aumentaram. Povos como os sioux, apaches e comanches resistiram à invasão europeia. Outros, como os cherokees, incorporaram mais facilmente os costumes dos colonizadores. Atualmente, esse povo representa a maior parcela da população indígena dos Estados Unidos. No Canadá, ocorreu processo semelhante de resistência dos povos originários ao colonizador.
A influência indígena na cultura anglo-saxônica pode ser identificada na música, na temática dos filmes sobre o velho oeste, na gastronomia, marcada pelo uso do milho, nos nomes de lugares, como Alasca, Dakota, Oklahoma etc.
Nos dias atuais, cabe aos descendentes desses povos preservar características do modo de vida e da cultura. Muitos vivem em comunidades e precisam lutar pelo direito originário à terra, como acontece com os povos indígenas brasileiros.

Astecas, incas e maias


Entre as centenas de povos que habitavam a América Latina, podemos destacar os astecas, os incas e os maias. A civilização asteca desenvolveu-se principalmente entre os séculos XIV e XVI, no território do atual México. No século XIV, fundaram a cidade de Tenochtitlán, que se tornou a capital do império.
Os astecas desenvolveram técnicas agrícolas e de construção de obras de drenagem, canais de irrigação, estradas, templos, pirâmides, entre outras.
O artesanato era riquíssimo, destacando--se tecidos, objetos de ouro e prata, e pinturas. O Império Asteca começou a ser destruído em 1519, a partir das invasões espanholas lideradas por Hernán Cortés (1485-1547).
Os espanhóis dominaram e escravizaram os astecas, apropriando-se de grande parte do ouro e da prata dessa civilização.
O Império Inca incluía todo o Equador e o Peru, o sul da Colômbia, o oeste da Bolívia, o noroeste da Argentina e o norte do Chile. A capital era a cidade de Cuzco (Peru), e o principal idioma era o quíchua. Na agricultura, destacava-se o cultivo de batata, milho, algodão, tomate e mandioca. O plantio era feito em terraços (degraus construídos nas encostas das montanhas). Usavam arados para preparar o solo e animais, as lhamas, para transportar as colheitas. Desses animais também obtinham couro, carne e lã, com a qual faziam tecidos, mantas e cordas. Na arquitetura, eviden ciam-se as construções de templos, moradias e cidades com enormes blocos de rochas encaixados.
Os maias instalaram-se na região da Península de Yucatán (sudeste do atual México) e nas áreas onde hoje estão Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador. Eles construíram pirâmides, palácios e templos. A economia era baseada na agricultura, principalmente de milho e feijão. No artesanato, destacava-se a fiação de tecidos. Também praticavam o comércio com povos vizinhos e no interior do império.

AMÉRICA: OCUPAÇÃO E COLONIZAÇÃO


A historiografia oficial afirma que em 1492 o navegador Cristóvão Colombo, financiado pela Espanha, encontrou terras desconhecidas pelos europeus. Anos mais tarde essas terras receberam o nome de América, em homenagem a Américo Vespúcio (1454-1512), banqueiro, navegador e um dos patrocinadores das primeiras expedições ao chamado Novo Mundo.
O Novo Mundo despertou o interesse de outros Estados-nações, principalmente Portugal, Inglaterra, França e Holanda. A partir do século XVI, o continente americano passou a ser ocupado e colonizado pelos europeus.
A primeira colônia europeia na América foi estabelecida pela Espanha, na ilha Hispaniola, atuais territórios do Haiti e da República Dominicana. Em poucas décadas, muitas outras colônias foram estabelecidas no continente.
Os países europeus colonizaram a América de maneiras diferentes, destacando-se as chamadas colônias de exploração e as colônias de povoamento.
As colônias de exploração foram implantadas em grande parte da América Latina e na porção sul da América Anglo-Saxônica. Suas principais características eram a monocultura (produção de um único gênero agrícola), realizada em latifúndios, com ênfase na pro dução de algodão, cana-de-açúcar e tabaco; e a extração de metais preciosos destinados à metrópole, com utilização do trabalho escravizado de indígenas e de africanos.
As colônias de povoamento foram implantadas, principalmente, ao norte e nas áreas centrais da América Anglo-Saxônica. Caracterizavam-se pela pequena propriedade, pelo trabalho livre, pela produção para o mercado interno. Em algumas propriedades havia trabalhadores assalariados e a economia foi desvinculada do pacto colonial. Essa “liberdade econômica” favoreceu o desenvolvimento das atividades comerciais com outras metrópoles.

Continente americano

DIMENSÃO E LOCALIZAÇÃO


O continente americano é o segundo maior continente do planeta, com aproximadamente 42 milhões de km², menor apenas do que a Ásia. Com cerca de um bilhão de habitantes, a América é o terceiro continente mais populoso do planeta. As terras do continente americano são limitadas pelas águas de três oceanos: oceano Atlântico, a leste; oceano Pacífico, a oeste; oceano Glacial Ártico, ao norte, onde o estreito de Bering separa a América e a Ásia.
É cortada por quatro paralelos principais: Círculo Polar Ártico, Trópico de Câncer, linha do equador e Trópico de Capricórnio.
O território é bastante alongado no sentido norte-sul: há uma distância de quase 16 mil quilômetros entre o extremo norte (a 83° de latitude norte, na Groenlândia) e o extremo sul (a 56° de latitude sul, na Terra do Fogo). Essa grande extensão é um dos fatores que explicam a diversidade natural de paisagens encontradas na América.

REGIONALIZAÇÕES


As regionalizações mais conhecidas e utilizadas do continente americano são: 
  • regionalização física, baseada na distribuição geográfica das terras do continente no sentido norte-sul;
  • regionalização histórico-cultural, baseada no processo de colonização, no idioma e em outros aspectos relacionados à cultura das nações colonizadoras do continente e dos diversos povos originários.
1- Divisão geográfica

Uma maneira de regionalizar o continente americano é por meio do critério físico, considerando a distribuição e a localização geográfica das terras emersas. De acordo com esse critério, a América pode ser dividida em três regiões.

América do Norte

Possui a maior extensão territorial. É formada por três países e também pela maior ilha do mundo, a Groenlândia, território que pertence à Dinamarca. Os principais paralelos que perpassam esse território são o trópico de Câncer e o Círculo Polar Ártico.

América Central

Possui a menor extensão territorial. Sua área continental corresponde ao istmo que faz a ligação entre a América do Sul e a América do Norte, e sua área insular (ilhas) é banhada pelas águas do mar do Caribe.

América do Sul

Formada por doze países e também por um território pertencente à França, a Guiana Francesa. Os principais paralelos que perpassam esse território são a linha do Equador e o Trópico de Capricórnio.

2- Divisão histórico-cultural

Diferentes povos já habitavam o continente americano há milhares de anos quando, a partir do final do século XV, diversas potências marítimas europeias, como Espanha, Portugal, Inglaterra, França e Holanda, passaram a explorar essas terras. Esses povos foram denominados pelos estudiosos pré-colombianos pelo fato de ocuparem a América antes da chegada de Cristóvão Colombo, navegador que aportou no continente em 1492.
Ao colonizarem diferentes áreas do continente, os europeus introduziram vários aspectos de sua cultura aos povos que habitavam esses territórios, entre eles o idioma. Assim, a América também pode ser dividida em duas grandes regiões que se diferenciam de acordo com a origem linguística e a cultura de seus colonizadores.

2.1- América Anglo-Saxônica

Colonizada por povos com língua de origem saxônica, principalmente ingleses. Essa região, formada por Canadá e Estados Unidos, reúne elementos histórico-culturais semelhantes, como o predomínio da língua inglesa e da religião protestante.

2.2- América Latina

Colonizada por povos com língua de origem latina, principalmente portugueses e espanhóis. Nessa região, formada pelos países da América do Sul, da América Central e pelo México, há predomínio das línguas de origem latina, espanhola e portuguesa, e também da religião católica.

2.3- Países sul-americanos, agrupados em duas grandes unidades, destacadas a seguir.

Países platinos: englobam territórios cujas terras são drenadas por rios da Bacia Platina. Essa re gionalização compreende Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Países andinos: abrangem os países cortados pela Cordilheira dos Andes, que são Chile, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia e Venezuela.

Guianas: consideradas uma regionalização à parte pelo fato de os países que a compreendem apresentarem uma evolução histórica distinta dos demais países sul-americanos. Inclui Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

Algumas considerações sobre a regionalização


Algumas exceções podem ser identificadas na regionalização histórico-cultural do continente americano, pois alguns países latino-americanos foram colonizados por povos de outras origens linguísticas, como o Suriname, colonizado por holandeses. Assim também aconteceu no Canadá, país anglo-americano, cuja colonização foi feita por franceses, um povo de origem latina.
Além dos aspectos histórico-culturais, a divisão do continente em América Anglo-Saxônica e América Latina retrata o diferente desenvolvimento econômico e social dos países americanos, e é considerada por alguns estudos como uma regionalização socioeconômica. Dessa maneira, a América Anglo-Saxônica agrupa países desenvolvidos, ou seja, com maior desenvolvimento econômico e social, embora certos pro blemas sociais e econômicos também afetem parte de sua população. Já a América Latina reúne países subdesenvolvidos, com menor desenvolvimento econômico, muitos deles com graves problemas sociais.
A extensão territorial do continente americano permite distinguir duas grandes porções de terras: a América do Norte e a América do Sul. Essas “duas Américas” estão ligadas por um istmo que, com as ilhas próximas, forma a América Central. Esta se subdivide em América Central continental (constituída pelo istmo) e América Central insular (constituída pelas ilhas).
A América Latina foi colonizada principalmente por portugueses e espanhóis. Por esse motivo, a língua oficial da maioria dos países latino-americanos é o espanhol. Já a América Anglo-Saxônica, colonizada principalmente por ingleses, tem o inglês como língua predominante. 
Apesar das semelhanças quanto à língua oficial, é preciso tomar cuidado com as generali zações. Ao analisarmos as línguas faladas na América, podemos identificar algumas exceções. Na América Latina, o espanhol divide o posto de língua oficial com o português, o inglês, o francês, o holandês e outras línguas indígenas, como o quíchua, o aimará e o guarani. Na América Anglo-Saxônica, o francês é a segunda língua oficial do Canadá.

A dizimação dos povos nativos


O contato entre os povos pré-colombianos e os colonizadores europeus não aconteceu de maneira pacífica. Os europeus buscavam dominar o território para extrair dele suas riquezas e introduzir entre os nativos aspectos de sua cultura, por exemplo, a religião, mas os povos pré-colombianos não aceitavam tal dominação. 
No entanto, os colonizadores tinham grande vantagem sobre os nativos. Eles empunhavam armas de fogo, possuíam armaduras e montavam a cavalo, fator que possibilita deslocamento rápido. Já os povos pré-colombianos dispunham de armas forjadas em madeira, algumas até contendo venenos letais, mas que não lhes davam vantagens diante da destrutiva força bélica dos colonizadores.




A África no início do século XXI


Um continente ainda fragilizado


A África iniciou o século XXI com graves problemas políticos, econômicos e sociais. Após quase cinco séculos de exploração colonial e cerca de um pouco mais de cinquenta anos da descolonização ou da formação dos Estados nacionais, o continente vive uma difícil situação, tendo como causa vários fatores. A seguir, vamos analisar esses aspectos, abordando suas principais características.

1- Aspectos políticos, corrupção e governos ditatoriais


O recente processo de formação dos Estados nacionais africanos ainda não foi capaz de superar os efeitos negativos da arbitrária delimitação de fronteiras por parte do colonizador europeu. Dessa herança, o principal reflexo político são as guerras.
A ausência de democracia, as fraudes nas eleições governamentais e as práticas de corrupção ocorrem em muitos Estados africanos. Apoiados por oligarquias nacionais e por setores das forças armadas, governantes permanecem no poder por longo tempo, exercendo poderes ditatoriais.
Os regimes ditatoriais são obstáculos ao desenvolvimento econômico e social, pois impedem que haja transparência nas decisões políticas, impõem leis restritivas à liberdade de expressão e permitem que os recursos nacionais sejam manipulados conforme os interesses dos ditadores e dos grupos que os apoiam, e não de acordo com o que a população necessita (saúde, educação etc.).

As guerras civis


O fim das guerras de independência não representou o fim dos confli tos armados na África até os dias atuais. As causas dos conflitos são diversas: rivalidades interétnicas (caso de Burundi e Ruanda, de Darfur, no Sudão etc.); lutas por libertação de territórios subjugados a um poder central (a guerra entre a Eritreia e a Etiópia, por exemplo); lutas pelo domínio político-econômico do Estado (guerra de Angola, Costa do Marfim etc.); disputas por recursos minerais, entre eles o petróleo; rivalidades religiosas; pirataria na Somália e outras.
Além de causar milhares de mortes, os conflitos armados desorganizam a produção, aprofundam os problemas eco nômicos, consomem recursos financeiros que poderiam ser aplicados no desenvolvimento nacional e agravam os qua dros de pobreza e miséria em muitos países.

2- Aspectos sociais


As condições desfavoráveis em que se encontram muitas sociedades africanas refletem, em parte, o legado de exclusão e desigualdade so cioeconômica gerado durante a colonização e mantido por governos posteriormente instalados.

Epidemias


As epidemias e doenças são o resultado da pobreza em que vive grande parcela da população africana. Em 2020, a África concentrou 95% dos casos de malária registrados no mundo e 25% dos casos de tu berculose. Em 2021, a epidemia do vírus Ebola ainda não estava contro lada em alguns países africanos. A epidemia de aids ainda é alarmante na África. Em 2020, de cada cem pessoas infectadas no mundo com HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana, sigla em inglês), 67 estavam no continente africano.
A precariedade do ensino, a falta de educação sexual, a pobreza da população, os serviços públicos de saúde inadequados e precários, o elevado custo dos medicamentos e a pouca determinação por parte de alguns governos em combater a aids são fatores que contribuem para a disseminação dessa enfermidade em algumas regiões da África.

Desnutrição


A África é um continente com grande ocorrência de desnutrição. Tanto a fome crônica, decorrente da ingestão diária insuficiente de ca lorias e nutrientes para a manutenção da saúde, como a fome aguda, caracterizada pela falta quase absoluta de alimentos, resultam de causas sociais, econômicas e políticas (guerras entre Estados, guerras civis etc.), agravadas por adversidades naturais (secas, inundações e pragas nas lavouras).
Como exemplo, há o caso da Somália. Nos anos 1990, esse país esteve envolvido em guerras étnicas internas. Além disso, gran des secas dizimaram plantações e criações de gado, impondo à popu lação grandes dificuldades de acesso aos alimentos. Como a ajuda humanitária coordenada pela ONU não pôde chegar com eficiência aos necessitados em virtude do conflito armado, milhares de pessoas morreram de inanição.

Refugiados


Em 2020, do total de 26,4 milhões de refugiados no mundo, pouco mais de 17,7 milhões, cerca de 67%, eram refugiados da África e do sudoeste da Ásia – sírios, afegãos, iraquianos, iemenitas etc. – que, fugindo de guerras e da pobreza, tentavam chegar ao sul da Europa pela rota da Líbia e por outras rotas. De acordo com a Organização Internacional para Migrações (OIM), mais de 20 mil migrantes morreram tentando atravessar o Mar Mediterrâneo entre 2014 e 2020. Muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas caso houvesse em seus países de origem estabilidade política, emprego e, sobretudo, solidariedade.

Aspectos econômicos


De modo geral, os países africanos não conseguiram se inserir no processo de globalização que marcou o mundo nos últimos vinte anos. A África integra o comércio mundial predominantemente como expor tadora de produtos primários e importadora de bens industrializados.
Uma das causas dessa posição dos países africanos na economia global é a carência de energia elétrica e de infraestrutura de transpor te e de comunicação – fatores funda mentais para o desenvolvimento in dustrial –, que limita os investimentos na produção. As redes de transportes mais modernas restringem-se a ligar zonas produtoras agrícolas e minerais aos portos de exportação.
Com exceção da África do Sul e do Egito, os países africanos apresen tam baixo nível de industrialização e de investimento em pesquisa cien tífica e formam pouca mão de obra especializada. A seguir, apresentamos alguns indicadores que demonstram a inser ção periférica da África na globalização.

O comércio exterior


As exportações da África representaram, em 2020, aproximadamen te, 2,2% do total mundial – em 2003, representaram 2,4%; em 1993, 2,5%; em 1973, 4,8%; e em 1953, 6,5% –, o que demonstra sua posição secundária na globalização em curso. As importações representaram apenas 2,9% do total mundial. Desse modo, a África é o continente com o menor valor de operações no comércio exterior.

O PIB africano


Em 2020, a soma do PIB de todos os países africanos correspondeu a cerca de 2,4 trilhões de dólares. No mesmo ano, o PIB brasileiro foi de mais de 1,4 trilhão de dólares. Nesse ano, a África respondeu por apro ximadamente 2,8% do PIB mundial. Dentro do continente, destacam-se África do Sul, Egito e Nigéria, com cerca de 47% do PIB africano.

Os investimentos diretos estrangeiros (IDE)


As empresas transnacionais realizam operações financeiras para adquirir empresas ou implantar filiais em diversos países do mundo. Essas operações são chamadas de investimen tos diretos estrangeiros (IDE). A análise dos IDE indica quanto um país está inserido no processo de globalização.
Na África, esses investimentos, dirigidos prioritariamente para o setor extrativo mineral – mesmo na África do Sul e no Egito com economias diversificadas –, são modestos se comparados aos dos outros continentes, exceto à Oceania. Em 2020, os países mais contemplados com IDE foram: Egito, Congo, África do Sul, Nigéria, Etiópia e Moçambique.

Aspectos culturais


Inicialmente, é necessário refutar a imagem preconceituosa que ain da perdura na mente de muitas pessoas: a de que a África é habitada por povos atrasados e que sua cultura é pobre. Não existe uma África, mas várias. Trata-se de um continente com países, etnias e culturas diversos, um mosaico de povos com conhecimentos filosóficos, tecnologias próprias, tradições particulares e ricas manifestações artísticas na música, arquitetura, escultura, dança, poesia e literatura oral – elementos que o colonialismo tentou apagar.
Os colonizadores procuraram romper os laços que ligam os povos africanos às suas tradições e ao passado. Fecharam escolas, lançaram à destruição objetos e locais de culto e implantaram uma educação colo nial a serviço da conquista, como instrumento de dominação. Por outro lado, introduziram instituições políticas e tecnologias desconhecidas pelos africanos e receberam destes vários conhecimen tos sobre o meio físico da África e uma rica cultura de tradição oral. Após 1930, a literatura escrita africana teve um grande avanço. A ampliação da educação letrada, da alfabetização e de cursos universitários estimulou a produção literária de vários escritores africanos, que, em suas obras, expõem sua visão de mundo, muitas vezes questionando as relações entre o colonizador e o colonizado.

3- Ciência, tecnologia e trabalho


A Revolução Técnico-Científico-Informacional ocorrida nos últimos anos beneficiou os países africanos, assim como a outros do mundo. Con tudo, por outro lado, os países da África sofreram impacto quanto à neces sidade da formação de mão de obra para lidar com as novas tecnologias.
Na África, com apoio dos Estados africanos, do Banco Mundial e de empresas, tem havido investimentos em universidades não somente para a formação de recursos humanos, mas também para pesquisas vol tadas a várias áreas do conhecimento.
Em 2016, cerca de 370 milhões de dólares foram investidos em startups (empresas em fase inicial que desenvolvem produtos ou serviços ino vadores, com potencial de rápido crescimento) de tecnologia na África. Em Gana, cerca de 200 mil agricultores são usuários de um sistema de consulta telefônica que dispõe, em tempo real, de informações sobre o clima e o preço das safras, e 250 mil são associados a um aplicativo que aluga temporariamente tratores. Em Uganda, onde quase 80% da popu lação não tem acesso à eletricidade, há startups que extraem energia da biomassa para amenizar o problema.
Próximo a Nairóbi, no Quênia, está em construção a cidade tecno lógica de Konza. Também conhecida como a “Savana do Silício”, sua implantação objetiva atrair empresas do setor de informação, comuni cação e tecnologia, investir na educação para qualificar e capacitar mão de obra local e incentivar pesquisa e desenvolvimento. Tanto no meio urbano africano como no rural, houve alterações nos ti pos de trabalho motivadas pelo surgimento de novas tecnologias, como, aliás, em todo o mundo. A formação científica e tecnológica se tornou um capital muito importante não somente para quem o possui, mas para todo país que busca seu desenvolvimento econômico e social.

4- Atuação das organizações internacionais mundiais e regionais na África


Além da atuação da ONU na África por meio de suas forças de paz, do trabalho da Unicef em prol das crianças, da FAO com programas para o desenvolvimento da agricultura e assistência alimentar, da Unesco com programas educacionais e proteção da rica cultura africana e de outros órgãos e agências, cumpre destacar as organizações internacionais regionais.

Organizações internacionais regionais


Os Estados africanos, a exemplo do que existe na América e em outros continentes, uniram-se e formaram associações entre si: as organizações internacionais regionais, como é o caso da União Africa na (UA). Essa organização foi criada em 2002, em substituição à antiga Organização da Unidade Africa na. Seus objetivos são: mediação de conflitos, defesa da democracia, modernização das instituições políticas, defesa dos direitos humanos, além de outros.
Com exceção do Marrocos, todos os países africanos são membros da UA, que reconhe ce o desejo de independência do Saara Ocidental, o que não é aceito pelo governo marroquino, que tem o domínio sobre ele.







domingo, 15 de fevereiro de 2026

Processo de descolonização da África

O primeiro território africano a ficar livre do autoritarismo europeu foi a Libéria, ainda no século XIX. Bem mais tarde, somente nas primeiras décadas do século XX, é que se inicia um acanhado processo de independência de algumas colônias europeias na África, como o Egito, em 1922, que declara independência da Inglaterra, e a Etiópia, em 1940, que acaba com a intervenção italiana na região.
Ao final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, os países europeus encontravam-se política, econômica e militarmente desmantelados. O enfraquecimento das metrópoles motivou a organização de movimentos pela independência em praticamente todas as colônias europeias na África. 
A partir daí, dezenas de nações do continente africano romperam com suas respectivas metrópoles. Entretanto, esse processo não ocorreu da mesma forma em todas as colônias. Em alguns casos, as metrópoles devolveram pacificamente o controle político aos colonizados. Em outros casos, a retirada do poder colonial somente foi possível após violentas lutas entre a população nativa e os colonizadores.
O movimento de independência das colônias europeias na África e na Ásia, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, ficou conhecido historicamente como descolonização.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Fluxos migratórios na África

Há vários séculos, a população africana vem realizando importantes deslocamentos migratórios no próprio continente ou para fora dele. Entre os séculos XV e XIX, a apreensão de africanos para o trabalho escra vo, principalmente na América, constituiu um importante fluxo migratório, ainda que involuntário, chegando a retardar o crescimento demográfico da África.
A partir do século XIX, a introdução das atividades de mineração e de plantation pelos colonizadores europeus no continente africano provocou vá rios movimentos migratórios internos, com o deslocamento de mão de obra para as áreas onde se desenvolviam as atividades de exploração.
Mais recentemente, sobretudo após o processo de descolonização, desencadearam-se fluxos migratórios de grande vulto. Entre eles está o êxodo rural, que vem provocando rápido processo de urbanização em vários países africanos.
Intensos fluxos migratórios também ocorreram de uma área rural para outra, no interior de um mesmo país ou entre países fronteiriços. Em alguns casos, esses deslocamentos reúnem milhares de pessoas no período de apenas alguns meses.

Causas das migrações internas na África


Atualmente, as principais causas das migrações em massa no interior do continente africano são as que seguem.
- O fenômeno da desertificação e a fome, em países como Níger, Mauritânia e Burkina Faso, ao norte do Sahel, têm provocado a saída da população em massa para as áreas monocultoras e de extração madeireira localizadas ao sul, como a Costa do Marfim, Benin e a Nigéria, em busca de trabalho.
- O desemprego em países de baixo crescimento econômico do sul da África, como Angola e Moçambique, tem levado milhares de trabalhadores a se deslocarem para as áreas mineradoras da África do Sul, Zâmbia e Zimbábue em busca de oportunidades de trabalho e melhores condições de vida.
- As guerras civis, ocasionadas por conflitos políticos e étnicos, sobretudo em países do centro-leste do continente, como Serra Leoa, Ruanda, Burundi e República Democrática do Congo (antigo Zaire), provocam grandes fluxos migratórios de refugiados, que fogem para países vizinhos na tentativa de escapar de massacres promovidos por grupos rivais.

Migrações de africanos para o exterior 


Além dos fatores apresentados, as crises econômicas e os governos ditatoriais de vários países da África acabam causando intensos fluxos migratórios de africanos para outros continentes.
Nas últimas décadas, milhares de africanos saíram do continente em busca de asilo político, trabalho e melhores condições de vida. Os maiores fluxos foram em direção aos países europeus, sobretudo às antigas metrópoles, como França, Inglaterra, Espanha e Portugal, além dos Estados Unidos e Canadá. Nos países de destino, no entanto, a maioria dos imigrantes africanos vive na clan destinidade, trabalha em subempregos e sofre forte discriminação social.
As migrações internas e externas na África causam a evasão de grandes contingentes populacionais e a perda de população economicamente ativa, sobre tudo de mão de obra masculina, o que prejudica diretamente a economia dos países que perdem habitantes.
Uma das rotas mais utilizadas pelos imigrantes subsaarianos para chegar à Europa tem sido a via marítima, pelo Atlântico ou pelo Mediterrâneo. Como a viagem pelo mar pode durar vários dias, muitos desses imigrantes acabam morrendo antes mesmo de chegar ao destino. Apesar dos riscos, calcula se que milhares de pessoas vindas da África Subsaariana já tenham conseguido entrar clandestinamente em território europeu.


A ÁFRICA E SUAS REGIÕES

1- Regionalização com base na localização geográfica

O continente africano também pode ser regionalizado com base na localização geográfica dos países, formando cinco grandes conjuntos.  Essa divisão se apresenta da maneira exposta a seguir. 
África Setentrional: Argélia, Egito, Líbia, Marrocos, Sudão, Tunísia, Saara Ocidental. 
África Ocidental: Benin, Burkina Fasso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa, Togo. 
África Central: Angola, Camarões, República Centro-Africana, Chade, Congo, República Democrática do Congo, Guiné Equatorial, Gabão, São Tomé e Príncipe. 
África Oriental: Burundi, Comores, Djibuti, Eritreia, Etiópia, Quênia, Madagascar, Malauí, Maurício, Moçambique, Ruanda, Seicheles, Somália, Sudão do Sul, Uganda, Tanzânia, Zâmbia, Zimbábue.
África Meridional: Botsuana, Lesoto, Namíbia, África do Sul, Reino Eswatini (ex-Suazilândia, que teve seu nome modificado em abril de 2018, por decisão do Rei Mswati III).
Vamos utilizar a regionalização geográfica para estudar o continente africano.

A África Oriental


Também conhecida como Leste da África, a África Oriental é formada por países como Etiópia, Tanzânia, Quênia, Madagascar, Eritreia, Uganda, Moçambique, entre outros. Apresenta grande diversidade política, econô mica, linguística, geográfica e populacional, abrangendo vasta área geográfica, a qual se estende do oceano Índico até o Mar Vermelho. Seus principais critérios unificadores são as históricas relações comerciais com a Ásia, principalmente com o Oriente Médio. A região foi marcada, por décadas, pela instabilidade política (tensões internas, golpes de Estado, conflitos armados, entre outros) em grande parte dos países da região.

A África Meridional 


A África Meridional abarca a África do Sul, Namíbia, Botsuana, Zimbábue, Madagascar, Moçambique, Zâmbia e Angola. A África do Sul é o país de maior destaque econômico na região. Foi colonizada por holandeses e, posteriormente, por ingleses, e, em 1961, tornou-se independente. O Partido Nacional liderou o estabelecimento de um regime de estrita segregação racial (apartheid), que perdurou até 1994, quando Nelson Mandela (1918-2013) liderou a vitória eleitoral do partido Congresso Nacional Africano (CNA), após passar décadas preso por lutar contra o regime. Só então o país foi readmitido na Commonwealth of Nations, ou Comunidade das Nações, e nos demais organismos interna cionais, de onde havia sido expulso por adotar o apartheid.
A África do Sul está entre os 17 países do mundo considerados megadiversos pelo Centro Mundial de Monitoramento da Conservação (WCMC, na sigla em inglês), ou seja, aqueles que concentram a maioria das espécies da Terra. Essa característica dá a base para o forte setor de ecoturismo do país, centrado, princi palmente, no sistema de parques nacionais e de áreas protegidas.

A África Setentrional


A África Setentrional é a região africana com maior homogeneidade étnico-cultural, pois reúne países que passaram por colonização e ocupação árabe no passado e que, portanto, apresentam fortes características étnicas e culturais relacionadas a esse mundo.
Nela, destaca-se um grupo de países conhecido como Magreb, palavra árabe que significa “lugar do poente”, ou “oeste”. Na tradição geográfica árabe, eram incluídos no Magreb Espanha, Portugal, Sicília e Malta. Atualmente, consideram-se como países desse grupo Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia.
De tradição islâmica, o Marrocos é um país muçulmano que tem o turismo como um forte setor econômico. As demais atividades econômicas do Marrocos estão voltadas para o setor primário, como a produção de frutas, amêndoas, olivas e flores e a exploração mineral do fosfato. A Argélia é um dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A exportação de petróleo e de gás natural é muito importante para a economia do país. Apesar de abrigar grandes reservas de combustíveis fósseis, o desenvolvimento de atividades industriais não é um grande destaque – há, no entanto, uma tendência de diversificação da economia argelina, que conta com mão de obra qualificada nas cidades. A migração de jovens escolarizados para países europeus, especialmente para a França, e norte-americanos é uma das questões sociais a serem enfrentadas pelo país.
O Egito é outro país da África Setentrional. Sua economia sempre esteve relacionada à ferti lidade das margens do Rio Nilo, o único rio perene que atravessa o deserto no país. Praticamente toda a sua agricultura concentra-se em quase 25 mil km2 ao longo do vale e do delta do Rio Nilo. O Cairo, capital do Egito, é a maior cidade da região do vale do Nilo, onde vivem aproximadamente 11 milhões de pessoas (contando a população da área metropolitana, são 18 milhões). A cidade apresenta problemas semelhantes aos da maioria das metrópoles dos países em desenvolvimento: falta de planejamento urbano, trânsito congestionado, enchentes, transporte coletivo insuficiente, déficit de moradias e precariedades relacionadas à saúde e à educação.
A indústria egípcia é diversificada. Na área de tecnologia da informação, o país tem se destacado, principalmente, no desenvolvimento do serviço de telefonia celular.
O país exporta gás natural e construiu um gasoduto em sociedade com a Jordânia. Há pro jetos de extensão desse gasoduto em direção à Síria, com conexões futuras para Turquia, Líbano e Chipre. O Egito também é importante rota para o óleo enviado do Golfo Pérsico à Europa e aos Estados Unidos.
A operação do Canal de Suez é significativa fonte de receita para o governo egípcio, pois são cobradas taxas para a travessia. Ele é uma importante rota de trânsito de petróleo e de gás natural, sendo a única via alternativa para transportar petróleo bruto do Mar Vermelho ao Mediterrâneo.

A África Ocidental


Localizada na porção oeste do sul do Saara, a África Ocidental é formada por vários pequenos países. Tal configuração geoespacial é consequência das intensas relações comerciais com os europeus, que estabeleciam alianças com alguns líderes locais, em detrimento de outros povos, o que causou significativa subdivisão do território. Na região, estão algumas das principais bacias hidrográficas do continente (dos rios Congo, Níger e Senegal e do Lago Chade).
A Nigéria, país com grande riqueza mineral e potencial agrícola, concentra a maior parte dos habitantes da região: são mais de 200 milhões. O país, no entanto, enfrenta problemas resultantes das divisões dos principais grupos étnicos internos: iorubás, ibos e hauçás.
A República Democrática do Congo é o maior país africano, com cerca de 2,34 milhões de km². O subsolo da região é rico em reservas minerais de cobre, diamante, petróleo, estanho e coltan. No ano de 2019, o país foi responsável por cerca de 71% da produção de cobalto do mundo e é o detentor das maiores reservas desse minério.
A demanda por cobalto tem crescido bastante nos últimos anos, por causa das altas produções de eletrônicos e da mudança no consumo energético. O setor mineral corresponde a 80% das exportações da República Democrática do Congo e apresentou um crescimento de 4% a 7% entre os anos de 2010 e 2019, de acordo com dados divulgados pelo Banco Mundial.

A África Central


A África Central é a região do continente por onde passa a linha do equador e onde predo mina o clima equatorial. Além disso, a Floresta do Congo (exemplo de Floresta Equatorial) é uma das principais do continente. É formada por países como Angola, Camarões, Congo, República Democrática do Congo, Chade, República Centro-Africana e Gabão, por exemplo.
Um dos países mais relevantes da região, Angola é marcada por muitos conflitos. Após a colonização portuguesa, em 1975, Angola tornou-se um país independente, de orientação socialista, mas os problemas sociais e econômicos, assim como a guerra civil, não cessaram. Os conflitos entre o governo, dirigido pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), e os guerrilheiros da União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita) só terminaram com o cessar-fogo de 2002.
Após o fim da guerra civil, o país tem experimentado uma fase de desenvolvimento, basica mente alimentada pela indústria do petróleo. Esse recurso mineral é responsável por outro foco de tensão regional, pois seu principal polo de produção se situa no exclave de Cabinda, que fica ao norte do território contínuo de Angola, localizado entre o Congo e a República Democrática do Congo. O crescimento econômico de Angola tem atraído imigrantes provenientes, principalmente, da República Democrática do Congo e da China.

2- A regionalização com base nos critérios étnico e cultural

Com base nos critérios étnico e cultural, o continente africano pode ser regionalizado em dois conjuntos: África do Norte e África Subsaariana.

África do Norte


A África do Norte compreende sete unidades políticas. São seis Estados inde- pendentes e um território que busca a independência – o Saara Ocidental, ex-Saara Espanhol, ocupado pelo Marrocos desde 1975.
Com a invasão dos árabes nos séculos VII e VIII, ocorreu a arabização da África do Norte. Esse fato explica, portanto, a predo minância regional da população árabe, da língua árabe e da prática do islamismo. Destaca-se na África do Norte a sub-região denominada Magreb. Em árabe, “Marhribou Maghrib” significa “o Poente”, ou seja, “onde o sol se põe”, em relação ao centro do islamismo, situado na Península Arábica (atual Arábia Saudita). O Magreb tradicional compreende o Marrocos, a Argélia e a Tunísia, que pertenceram ao império colonial francês.
A Cadeia do Atlas favorece o povoamento na África do Norte, sobretudo no Magreb. Entre o Atlas e o Mar Mediterrâneo, estendem-se planícies férteis de clima mediterrâneo, densamente povoadas, onde se cultivam vários produtos, como cereais, uvas, oliveiras, e ocorre a exploração mineral de fosfato. Ao sul da Cadeia do Atlas surge o Deserto do Saara, cujo principal recurso mineral é o petróleo.

África Subsaariana 


Essa região, que abrange os países da África situados ao sul do Deserto do Saara, apresenta população predominantemen te negra (observe o mapa) e minorias brancas descendentes dos colonizadores europeus e asiáticos (indianos, chineses, indonésios etc.). Destaca-se aí a multipli cidade de crenças e religiões – islamismo, cristianismo, judaísmo, crenças tradicio nais africanas etc.
Além dos aspectos culturais e étnicos apresentados, a África Subsaariana se caracteriza por ser uma região do con tinente africano onde a pobreza atinge grande parcela da população. É aí que se localizam os países com os menores IDHs (baixos) do mundo em 2019, como Sudão do Sul (0,433), Chade (0,398), República Centro-Africana (0,397) e Níger (0,394). 
Embora cerca de 60% da população economicamente ativa da África Sub saariana se dedique à agricultura, o déficit de alimentos gera subnutri ção e fome. Essa situação é agravada pelas secas na região do Sahel e pelas guerras civis, que arrasam plantações e dificultam a entrega de alimentos pela ajuda humanitária.
A agricultura na África Subsaariana apresenta uma distorção: enquanto as plantations (cacau, café, algodão, amendoim, chá, banana etc.), controladas principalmente por empresas europeias, ocupam cerca de 40% da superfície agrícola, abrangendo as melhores terras cultiváveis, a agricultura de subsistência ocupa as terras menos férteis e convive com a falta de crédito e de assistência técnica, apresentando baixa produtividade. A oposição entre a agricultura de exportação e a agricultura de subsistência é uma herança do colonialismo que perdura nos dias atuais.

3- A regionalização com base na economia 


É possível regionalizar a África tendo por base a economia dos paí ses que a compõem. Assim, distinguem-se dois conjuntos: países com certo desenvolvimento industrial e países cuja base da economia são os produtos primários.

 ▪ Países com desenvolvimento industrial 


África do Sul e Egito são os dois países mais industrializados da África. Conheça a seguir as principais características de cada um deles.

África do Sul 


A África do Sul é o país de economia mais desenvolvida da África. Favorecido pela abundância de recursos minerais em seu território e por investimentos estrangeiros, esse país desenvolveu uma atividade industrial diversificada, com indústrias de bens de consumo (têxtil, alimentícia, de vestuário etc.) e indústrias de bens de produção (máquinas, equipa mentos, metalúrgica, siderúrgica, química etc.), além de indústria naval, de armamentos, automobilística e outras. Destaca-se ainda como primei ro produtor mundial de cromo, de manganês e de platina, o segundo de titânio e o quinto de diamante (2019). As principais cidades do país con centram os maiores centros industriais.
Muitos problemas persistem, como a pobreza que atinge principalmen te a população negra. Para 2025, a população total estimada é de 62,8 mi lhões de habitantes: 80,2% dela constituída por negros de diversas etnias, 8,5% de origem europeia (destacando-se os ingleses e holandeses), cerca de 8,8% de eurafricanos e 2,5% de asiáticos (principalmente descenden- tes de indianos). A população branca, embora minoritária, detém cerca de 60% da renda nacional e usufrui das melhores condições de vida no país. 
O grande desafio da África do Sul é enfrentar as heranças do apartheid e construir uma sociedade democrática de base multiétnica, menos desigual e sem preconceitos, além de erradicar a pobreza que atinge parte significativa dos sul-africanos.

Egito 


Chamado de “País do Nilo”, o Egito, com 111,7 milhões de habitantes (estimativa para 2025), é o segundo país mais populoso da África, superado apenas pela Nigéria (233,3 milhões). 
Depois da África do Sul, o Egito é o país mais industrializado do continente. 
Duas concentrações industriais se destacam: uma localizada na capital, Cairo, e que se estende para o norte até a Alexandria e para o leste até Suez; a segunda localizada no sul, em Assuã.
O principal setor industrial egípcio é o têxtil, no qual sobressaem as unidades de tratamen to de algodão, cujos produtos são largamente exportados. São importantes também as indús trias química, moveleira, alimentícia, do vidro e da cerâmica, do papel, siderúrgicas de peque no porte e refinarias de petróleo. 
As principais jazidas de petróleo estão distribuí das ao longo da Península do Sinai, no Mar Vermelho. Além de abastecer o mercado interno, o petróleo daí extraído destina-se à exportação, constituindo importante fonte de divisas para o país. 
Em relação à agricultura, várias barragens fo ram construídas no Rio Nilo no século XX com a finalidade de represar as águas e controlar a vazão no decorrer do ano. Dessas barra gens saem redes de canais que permitem a irrigação permanente das terras, possibilitando que sejam feitas várias semeaduras e colheitas no decorrer do ano.

▪ Países cuja base da economia são os produtos primários Esse conjunto de países africanos pode ser dividido em: países de economia de base agrária e países de economia de base mineral.

Países de economia de base agrária

A produção agrícola na África se organiza em formas de produção diferentes. De maneira geral, encontra-se a agricultura de subsistência e a agricultura comercial (plantation). 
A agricultura de subsistência consiste em obter da terra uma produção de alimentos com o objetivo de suprir as necessidades alimentares dos próprios produtores e suas famílias. Realiza-se geralmente em pequenas propriedades, com técnicas e instrumentos rudimentares. Porém, essa produção agrícola pode gerar excedentes, que são co mercializados pelos camponeses. 
A agricultura comercial foi introduzida na África pelo colonizador, na forma de plantation, destinada a abastecer de matérias-primas a indústria europeia (têxtil, alimentícia, de óleos vegetais etc.). Nas áreas de clima mediterrâneo da África do Norte e da África do Sul, são cultivados trigo, oliveiras, cevada, centeio e frutas.

Países de economia de base mineral: pressões sobre a natureza 

A África é um continente rico em recursos minerais. Assim como os produtos da agricultura comercial, a atual produção de minérios, realizada principalmente por em presas estrangeiras, também destina-se à exportação. Em sua maioria, ela é processa da ou beneficiada no exterior, fato que impossibilita aos países africanos agregar maior valor às suas exportações de minérios e obter mais divisas. 
Dos produtos minerais, um dos maiores destaques é o petróleo. Além de ser explorado no Egito, nas margens do Mar Vermelho e na Península do Sinai, é extraído na Líbia e na Ar gélia. Na África Subsaariana, empresas petrolíferas atuam principalmente em Angola, no Congo, no Gabão, em Camarões e na Nigéria. A Nigéria, além de ser o maior produtor de petróleo do continente, situava-se, em 2020, entre os doze maiores produtores do mundo.
Diferentemente da estrutura empresarial da extração petrolífera, o ga rimpo é praticado em condições dramáticas em determinadas áreas da África. Parte da mão de obra é constituída por crianças, muitas vezes sub metidas à escravidão e a condições de trabalho precárias. Há casos em que os próprios pais vendem os filhos a agenciadores de mão de obra in fantil, com a crença na falsa promessa de que vão frequentar escolas.
A exploração mine ral na África é também responsável por impactos ambientais e sociais: contaminação de águas de superfície e subterrâneas; desfiguração do relevo original; assoreamentos de rios etc.; além de desalojamento de populações nas áreas de mineração.
Sem os cuidados ambientais e sociais necessários, essas pressões sobre a natureza são impactantes à população africana. E, para agravar a situação, os lucros obtidos pela extração mineral são, em sua maior parte, en viados para as sedes das empresas de mineração localizadas no exterior; a menor parte fica com os países africanos por meio dos impostos, que nem sempre são aplicados para beneficiar a população em saúde, educação, transporte, habitação etc. Tal situação constitui, assim, verdadeira espoliação ou apropriação dos recursos naturais e da mão de obra africana por parte de empresas de mineração e por governos de países africanos.


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