sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Globalização e exclusão social


A globalização integra os países de forma desigual: enquanto alguns participam de maneira desvantajosa, endividando-se e tornando-se mais pobres, outros se beneficiam e enriquecem ainda mais, aumentando a concentração de riqueza. Além do aumento das disparidades econômicas entre os países, pode-se identificar o crescimento das desigualdades socioeconômicas internas, isto é, entre distintos grupos populacionais dentro de cada território.
De maneira geral, todos os países têm apresentado um processo de intensifi cação da concentração de riqueza nas mãos de uma elite econômica ligada a negócios globais, como as grandes corporações. Ao mesmo tempo, verifica-se um processo de crescimento da pobreza e das condições precárias de vida. 
Nos países pobres, a concentração de renda é mais acentuada do que nos países desenvolvidos. O Índice de Gini, indicador social amplamente utilizado para medir a desi gualdade, analisa a distribuição de renda ou riqueza de uma nação. Nesse índice, o 0 representa a igualdade absoluta e o 100, a desigualdade total.

Trabalho e globalização

O processo de globalização impacta diretamente o mercado de trabalho global. De modo geral, ele acarreta a redução de postos de trabalho nos setores industrial, agropecuário e de mineração, ao mesmo tempo que amplia o setor de serviços. A redução do número de empregos nos setores primário e secundário decor re da ampliação do uso de tecnologias aplicadas à produção na indústria e no campo. Algumas atividades do setor de serviços também são altamen te impactadas pelo uso de novos aparatos técnicos.
No contexto global, os trabalhos braçais e/ou técnicos, realizados no interior das fábricas e nas lavouras, são cada vez mais substituídos por máquinas. A automação se amplia cada vez mais, substituindo trabalhadores por robôs. Por outro lado, aumenta a oferta de postos de trabalho que exigem pessoas altamente qualificadas. Muito embora esses empregos componham apenas uma pequena parcela do mercado mundial de trabalho, constituem as ocupações mais bem-remuneradas e de maior prestígio social, o que expressa a importância que a ciência e a tecnologia assumiram no mundo globalizado.
O processo de modernização tecnológica nos espaços urbanos e rurais dá origem ao desemprego estrutural em todas as partes do mundo. No atual cenário do mundo do trabalho, observa-se também um processo de precarização das relações de trabalho, o que significa a perda de direitos por parte dos trabalhadores. 
Os grandes grupos empresariais, por exemplo, passaram a contratar seus funcionários ou prestadores de serviços indiretamente, por meio de outras empresas que se encarregam dessa tarefa. A mão de obra contratada, ao final de um projeto, pode ser liberada, sem a necessidade do pagamento de encargos trabalhistas como férias, 13° salário e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) por parte da empresa contratante. Esse processo é conhecido como terceirização das atividades.
Por um lado, essa realidade da globalização econômica tem contribuído para a redução do poder de negociação dos sindicatos com a classe empregadora. Por outro lado, as tecnologias de comunicação e informação que sustentam essa globalização têm contribuído para a emergência de novas formas de luta dos movimentos sindicais. Há, por exemplo, experiências de organização em rede de trabalhadores na área automobilística que se articularam globalmente em torno de objetivos comuns.

Luta por melhores condições de vida 

A globalização não tem beneficiado a todos. As desigualdades intensificadas por esse processo afetam a vida de milhões de pessoas no mundo que se encon tram na condição de marginalização ou exclusão dos benefícios da globalização. Como resultado, a sociedade civil tem encontrado novas formas de se orga nizar para lutar por direitos e condições dignas de vida. 
Os movimentos sociais adquirem crescente importância política. Eles são muito diversos entre si, mas atuam de forma coletiva, estimulando relações de solidariedade para enfrentar os diferentes desafios.
Na América Latina, há inúmeros movimentos sociais, tanto em contextos ur banos quanto rurais. Alguns exemplos são o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), no Brasil; os Piqueteros, movimento iniciado por trabalhadores demitidos de uma empresa petrolífera nos anos 1990, na Argentina; movimentos de resistência à instalação de empresas de exploração de água em diversos países, como a Guerra da Água, na Bolívia; os Pobladores, no Chile, um movimento de luta por moradia. 
Há também uma série de movimentos sociais ligados a uma causa ou a deter minadas categorias, que se organizam para reivindicar direitos e defender objetivos ou interesses. Entre eles, incluem-se os movimentos ambientalista, negro, LGBT, feminista, das mulheres trabalhadoras rurais, extrativistas, indígenas e quilombolas. 
Os movimentos sociais utilizam uma série de estratégias de mobilização, apro veitando os avanços técnico-científicos das comunicações e buscando articulação com outros movimentos em diversas partes do mundo. Essas articulações possibilitam visibilidade e fortalecimento.



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

As crises financeiras e econômicas de 2008 e 2011


De modo geral, o que desencadeia e alimenta as crises econômicas, atualmente, é a falta de regulamentação do mercado financeiro global.
A crise de 2008 resultou de vários fatores, especialmente do preço elevado dos imóveis e da larga oferta de créditos para sua compra nos Estados Unidos, voltada à população de baixa renda e, portanto, com alto risco de inadimplência, ou seja, impossibilidade de pagamento.
Apesar dos riscos, os créditos eram concedidos e as dívidas se tornavam papéis negociáveis no mercado financeiro. As negociações desses papéis, conhecidos como “títulos podres”, cujo valor fictício não tinha garantia real, criaram uma bolha financeira. Diante dessa situação, a “rolagem” das dívidas e das negociações cessou, causando a “quebra” de diversos bancos.
Em 2011, a crise financeira que atingiu países europeus como Itália, Espanha e Portugal, foi mo tivada pela inadimplência dos governos, que não conseguiram saldar seus compromissos. O país mais afetado foi a Grécia.
Em ambas as situações, os governos tiveram de emitir dinheiro, ou seja, imprimir mais notas para poder saldar seus compromissos. Uma das consequências desse tipo de ação é o aumento geral dos preços (inflação). As crises provocam o fechamen to de muitas empresas e a demissão de trabalha dores, os mais prejudicados.

Globalização e fluxos de capitais


Globalização financeira

Nas transações bancárias são usados equipa mentos de informática que permitem uma série de ações, como consulta de saldo, conferência eletrô nica de assinatura de cheque, transferência de va lores e saques de dinheiro. Esse sistema operacional composto de uma rede integrada pela informática facilitou muito as negociações financeiras. Algumas operações podem ser realizadas por meio de caixas eletrônicos (figura 10) e pela internet. Em escala mundial, redes de informática espe ciais são usadas para movimentações entre bancos. Uma delas é a rede SWIFT.

Rede SWIFT

A rede SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication – Sociedade de Tele comunicações Financeiras Interbancárias Mundiais) foi criada em 1973. O projeto envolveu 239 bancos de 15 países com o objetivo de facilitar as transações financeiras entre eles. Em pouco mais de quatro décadas de funcionamento, observa-se que a rede SWIFT cresceu extra ordinariamente, o que dá ideia de como a globalização financeira ocorre. Os recursos financeiros percor rem o mundo por meio de redes eletrônicas que permitem conhecer preços em lugares distantes, em tempo real, possibilitando redefinir investimentos.

O sistema financeiro internacional compreende uma ampla rede de satélites, antenas de transmissão e de captação de sinais, sistemas de telefonia, cabos de fibra óptica, entre outros componentes que formam o meio técnico pelo qual circulam os fluxos financeiros, que estão sempre em movimento, percorrendo as bolsas de valores de todo o mundo.
Entretanto, a especulação financeira, ou seja, as operações realizadas com vistas à obtenção de lucros sobre valores sujeitos à oscilação do mercado finan ceiro (altas e quedas do valor comercial de moedas e ações) podem ter efeitos desastrosos. Os investidores não se preocupam com as consequências sociais de seus atos. É comum especuladores retirarem todo o seu dinheiro de bolsas de valores ou de empresas, que acabam sem dinheiro para pagar fornecedores e trabalhadores. Muitas vezes, uma fábrica é comprada e depois fechada sem que sejam avaliados os impactos gerados para seus funcionários e para a economia local. Por isso, nos últimos anos tem aumentado o número de protestos contra o sistema financeiro.

Redes financeiras e dinheiro de plástico

Manifestação contra o sistema financeiro ocorrida em Nova York (Estados Unidos), o centro financeiro do mundo, 2012. Os cartões de crédito e de débito, conhecidos como dinheiro de plástico, são cada vez mais usados nas transações financeiras. Além de serem práticos, eles facilitam o controle das despesas, pois o usuário pode conferir sua lista de gastos por meio de extratos bancários, que trazem indicação de data, horário, valor e local em foi realizada cada operação.
A utilização de cartões de crédito ou de débito é um dos reflexos da globalização financeira. Parte-se do princípio de que o portador tem crédito para pagar o compromisso financeiro que assumiu com o vendedor. Este, por sua vez, confia na empresa que administra o cartão, que lhe repassa o valor negociado, ficando com parte da transação, cobrada como taxa. As empresas administradoras de cartões ganham tanto do comprador quanto do vendedor.
Todo o aparato tecnológico das redes financeiras, na verdade, é montado com o objetivo de remunerar o dinheiro emprestado pelos bancos, que, além dessa fonte, ganham pela cobrança da prestação de serviços oferecidos aos correntistas. Isso significa que o sistema de crédito é necessário para que os bancos obtenham lucro emprestando dinheiro e recebendo um valor maior posteriormente.

Operações ilegais e paraísos fiscais

Parte do dinheiro que circula pelo mundo é oriundo de atividades ilegais ou do crime organizado. Um dos nós dessa rede monetária são as contas secretas, identificadas por códigos numéricos e localizadas em paraísos fiscais. Para mo vimentar essas contas, não é necessário indicar a origem do dinheiro nem se identificar ao banco. Muitos criminosos, políticos corruptos, empresários desones tos e ditadores têm nesses lugares refúgio para o dinheiro obtido por meios ilegais.
Os paraísos fiscais integram a rede de globalização financeira. Nesses locais há pouca ou nenhuma restrição ao livre trânsito de valores, ou seja, o dinheiro entra e sai do território, em geral sem cobrança de impostos, bastando o paga mento de pequenas taxas. Estima-se que existam no mundo mais de 30 paraísos fiscais, como as ilhas Bahamas, Cayman e Seychelles e países como Liechtenstein, Andorra, Mônaco, Suíça e Luxemburgo.
Algumas empresas transnacionais, além de bancos e outras instituições financei ras, usam paraísos fiscais para regularizar seu fluxo de dinheiro. Essas práticas permi tem a remessa de lucros e a integração entre globalização financeira e econômica.

Investimento Estrangeiro Direto (IED)

Quando um país recebe capital estrangeiro na forma de investimento para montar uma fábrica, por exemplo, esse recurso é chamado de investimento pro dutivo direto ou Investimento Estrangeiro Direto (IED). Esse tipo de investimen to tem acompanhado os processos de mudança na DIT. Entre outros processos, os IEDs refletem a desconcentração, ou descentralização, da atividade industrial nos países ricos, acompanhada de sua relativa desindustrialização, e a recentrali zação, dando origem a novos países industrializados desde os anos 1970, com maior intensidade a partir dos anos 1990.
Pelo fato de estarem relacionados à produção de mercadorias e/ou serviços, os IEDs promovem geração de empregos e arrecadação de impostos nos locais onde são aplicados, e o oposto nos locais de onde se retiram. Atrair esses inves timentos, portanto, tornou-se uma característica da atuação dos Estados na for mulação de suas políticas econômicas. A quantidade de recursos externos investidos em um país indica seu nível de participação na globalização da produção. Vale ressaltar, porém, que os IEDs nem sempre trazem benefícios às sociedades, uma vez que os investimentos são rea lizados segundo os interesses das empresas globais, sem considerar as especifi cidades e as necessidades das pessoas que vivem nos locais onde se instalam.
Observa-se que houve grande crescimento dos investimentos estrangeiros diretos no mundo entre 1980 e 2017. Até 2000, o maior fluxo ocorria entre países desenvolvidos. Em 2010, verificou-se um ligeiro equilíbrio no destino dos investi mentos externos entre os países desenvolvidos e os demais. Desde então, até 2017, com algumas oscilações, os países em transição e em desenvolvimento recebe ram, em conjunto, um pouco mais de investimentos que os países desenvolvidos.
Entretanto, os investimentos em países em transição e em desenvolvimento ocorreram de modo concentrado. O Brasil (leia a seção Enquanto isso no Brasil, página 75), a Índia e, principalmente, a China ficaram com a maior parte dos recur sos financeiros aplicados entre 2000 e 2017.
Além disso, nos últimos anos, os pa íses emergentes também passaram a investir em outros países, sobretudo do Sul. A China, por exemplo, realizou ele vados investimentos por meio de suas empresas instaladas na América Latina e na África (figura 15), em especial no setor de mineração e de produção agrí cola: em 2017, destinou volume recorde de recursos para a compra de empresas e ações na América Latina.
No decorrer dos anos 2000, o Brasil, por sua vez, passou a destinar investi mentos aos setores de mineração, cons trução civil e exploração de petróleo em países africanos e latino-americanos. Desde 2013, porém – e especialmente a partir de 2016 –, o país tem atravessado uma crise econômica e política que vem influenciando as entradas e saídas de IEDs. Essa crise inclui o sucateamento de empresas nacionais envolvidas em denúncias e esquemas de corrupção, que eram responsáveis por parte significa tiva dos Investimentos Brasileiros Diretos em outras partes do mundo.
A Índia tem um grande grupo empresarial, fundado em 1868, que opera em cem países, em todos os continentes. Trata-se de um conglomerado que atua nos setores químico, automobilístico e de aço, entre outros. Vale ressaltar que os investimentos em setores primários colaboram para a modernização técnico-científica-informacional dos espaços rurais, promovendo a sua internacionalização.
Esse processo provoca uma série de impactos socioespa ciais, como o reforço da estrutura fundiária concentrada, baseada na monocultu ra; a promoção do desemprego no campo, que leva à migração do campo para a cidade e a precarização da vida nos espaços rurais, por exemplo.

As redes geográficas


A Divisão Internacional do Trabalho fez com que alguns países se especiali zassem na fabricação de determinados componentes de um produto que pode ser apresentado em diferentes versões, como ocorre com alguns jogos eletrôni cos, da mesma forma que determinada peça de automóvel pode ser utilizada na montagem de um modelo de luxo ou de uma versão popular. Existem peças que distinguem os modelos produzidos para o mercado externo daqueles destinados ao mercado interno.
O avanço da globalização trouxe uma nova Divisão Internacional do Trabalho, mais complexa do que a anterior. Inúmeros países exportadores de matérias-primas passaram também a exportar produtos industrializados em grande quantidade, a exemplo da China, que se tornou o maior exportador de produtos industrializados do mundo. Ela ultrapassou países desenvolvidos como a Alemanha, o Japão e os Estados Unidos
Atualmente, muitos países fazem parte da rede geográfica de produção, que compreende todas as etapas produtivas, desde o projeto até o consumo de uma mercadoria. Nos últimos anos, as empresas passaram a incorporar em sua rede geográfica o chamado pós-consumo.

Pós-consumo e consumo consciente

No dia a dia, consumimos muitos produtos, como roupas e alimentos. É preciso, porém, estarmos atentos para não comprar coisas das quais não necessitamos nem jogar fora algo que ainda pode ser útil. Os telefones celulares são um exemplo de descarte precoce. Inicialmente, as empresas de celulares ofereciam a mobilidade como maior apelo de vendas.
Atualmente, os celulares oferecem muito mais recursos: são usados para fotografar, gravar vídeos, ouvir música, acessar a internet, enviar e receber mensagens, acessar canais de TV e anotar compromissos, calendário, entre outras funções. Muita gente troca de aparelho, abandonando o antigo em plenas condições de uso apenas porque surge um modelo que oferece alguma “novidade”. Esse é um tipo de consumo não consciente, que não resiste ao apelo da propaganda e leva ao desperdício.
Além disso, os aparelhos eletrônicos, como os celulares, contêm materiais de difícil reciclagem, que, se não forem descartados de maneira correta, podem causar danos ambientais e sociais. Baterias de celular, por exemplo, contêm elementos químicos. Quando transformados em lixo eletrônico e descar tados em aterros, a exposição às intempéries favorece a liberação desses elementos e a consequente poluição do solo. Por esse motivo, mais recentemente, muitos países, incluindo o Brasil, adotaram uma prática em que as empresas devem recolher os produtos após sua utilização pelos consumidores.
Esse procedimento implica fazer a logística reversa, ou seja, ampliar a rede geográfica de produção para o pós-consumo, quando a mercadoria é recolhida e desmontada para ser reaproveitada ou reciclada. Entretanto, a logística reversa ainda não é realizada da forma como deveria, resultando na produção de lixo e desperdício de materiais, energia e trabalho de muitas pessoas.

Expansão da industrialização no mundo


A partir dos anos 1970, o processo de expansão da industrialização pelo mundo incluiu os países asiáticos, dando origem aos chamados Tigres Asiáticos (Taiwan, Cingapura, Coreia do Sul e Hong Kong). A partir dos anos 2000, despontaram os Novos Tigres Asiáticos (Tailândia, Filipinas, Indonésia e Malásia). Desde o início, esses países destinaram sua produção industrial ao mercado externo.
Esse processo favoreceu uma importante mudança na lógica da produção industrial. A indústria deixou de produzir uma mercadoria do início ao fim, passan do a dividir as etapas de produção no espaço geográfico. Isso significa que em presas transnacionais passaram a usar suas unidades fabris espalhadas pelo mundo para produzir partes dos produtos que, depois, eram reunidas na fábrica de determinado país para a montagem final da mercadoria.
A produção, portanto, passou a ser feita por meio de uma rede geográfica, com a participação integrada de várias fábricas para a obtenção da mercadoria final.
As empresas transnacionais obtiveram vantagens com essa divisão do traba lho, como isenções fiscais. Com o aumento da quantidade de peças iguais produzidas, as máquinas, por exemplo, passaram a ter mais produtividade, garan tindo a essas empresas retorno mais rápido dos investimentos em capital fixo (imóveis, máquinas e equipamentos). Entretanto, o fator que mais favorece a atuação das transnacionais é a isenção fiscal, ou seja, a dispensa do pagamento de tributos.
Os governos de determinados países (no caso do Brasil, vários governos estaduais) disputam a presença dessas fábricas para gerar empregos e arrecadar impostos com as vendas dos produtos. Nessa disputa, oferecem uma série de vantagens às empresas, como terreno gratuito para a instalação da fábrica e liberação da cobrança de impostos da produção por vários anos seguidos.

Blocos e organismos internacionais no continente americano


Mercosul (Mercado Comum do Sul)

O Mercosul – formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – é o bloco econômico mais importante da América do Sul. Foi criado em março de 1991, com a assinatura do Tratado de Assunção, no contexto de redemocratização e reaproximação dos países sul-americanos no final da década de 1980.
A Venezuela, que aderiu ao bloco em 2012, foi suspensa duas vezes: em dezembro de 2016, por descumprimento de seu Protocolo de Adesão, e em agosto de 2017, por violação da Cláusula Democrática do Bloco. Os demais países da América do Sul estão vinculados ao Mercosul como Estados associados. A Bolívia tem o status de Estado Associado em Processo de Adesão.
Atualmente, o Mercosul é um bloco na fase de União Aduaneira, mas o Trata Pedro Mendes/Agência France-Presse do de Assunção estabeleceu um modelo de integração maior, com objetivos centrais de formação de um Mercado Comum, uma área de livre-comércio e circulação, com o estabelecimento de uma Tarifa Externa Comum (TEC) no comércio com terceiros e a adoção de uma política comercial comum.
O documento de formação do Mercosul apresenta uma cláusula na qual os países-membros se comprometem a manter regimes democráticos para permanecer no bloco. Ao longo do processo de integração, devido ao sucesso inicial da inte gração econômico-comercial, a agenda do Mercosul foi gradativamente ampliada, passando a incluir temas políticos, de direitos humanos, sociais e de cidadania.
O principal problema do Mercosul está relacionado aos produtos que devem ter as mesmas taxas de importação e exportação. Como os países-membros apre sentam economias muito diferentes, é difícil chegar a um acordo em relação aos produtos que devem ser incluídos na lista, o que gera muita discussão. Para alguns analistas, essa situação pode paralisar o Mercosul, tornando-o pouco efetivo. 
Os defensores do Mercosul apontam como aspectos positivos a criação do Parlamento do Mercosul (Parlasul) e do Fundo de Convergência Estrutural, desti nado a financiar obras de infraestrutura, programas sociais e de competitividade das empresas dos países-membros.
O Parlasul, criado em 2006, atua por meio de várias comissões per manentes, que se dedicam a tratar de temas como cidadania, educação, infraes trutura e trabalho, entre outros. Os assuntos discutidos nas comissões resultam em recomendações que podem ou não ser aceitas pelos membros do Mercosul. Ainda há muitos avanços necessários para consolidar o Mercado Comum previsto no Tratado de Assunção, incluindo a livre circulação de pessoas e a plena vigência da TEC e de uma política comercial comum.

Iirsa 

A Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (Iirsa), criada em 2000, não é um bloco econômico, mas representa um esforço de articulação para a criação de uma infraestrutura de transportes, energia e comunica ções entre os países da América do Sul. Para atingir essa meta, foram definidos Eixos de Integração e Desenvolvimento, que constituem a base para o desenvolvimento dos projetos.
Cada eixo proposto deve envolver mais de um país e contemplar a gestão dos recursos naturais e populacionais da área abrangida. As fontes de financiamento para os projetos são provenientes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e do Fundo Finan ceiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata). Maior iniciativa empreendida no sentido de elaborar e instaurar uma política territorial envolvendo os países da América do Sul, a Iirsa encontra-se atualmente sob a responsabilidade do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planeja mento (Cosiplan), vinculado à Unasul.
Entretanto, a Iirsa recebe críticas de caráter ambiental e político. Segundo ambientalistas, os projetos vão causar o desmatamento de áreas, em especial os do eixo 5, na faixa do Amazonas. Além disso, alegam que os projetos da hidrovia Paraguai-Paraná, eixo 4, também vão gerar graves impactos ambientais em áreas vulneráveis, como o Pantanal.
As críticas políticas referem-se aos beneficiários da Iirsa. Muitos analistas dizem que a infraestrutura para a exploração dos recursos naturais na América do Sul proporcionará mais benefício para as empresas transnacionais, que comercializam soja e produtos minerais, do que para a população residente nessa porção do continente.

União de Nações Sul-Americanas (Unasul) 

Em 2004, em uma reunião dos chefes de Estado sul-americanos realizada em Cuzco, no Peru, foi criada a Comunidade Sul-Americana de Nações (Casa), com o objetivo de reduzir a pobreza e as desigualdades sociais, promover maior integração econômica e política entre os países-membros e consolidar uma identidade sul-americana. 
Em 2007, em Isla Margarita, na Venezuela, os líderes desses países decidiram mudar o nome da comunidade para União das Nações Sul-Americanas (Unasul), cujo tratado constitutivo foi aprovado em 2008.
Desde sua criação, essa organização tem desempenhado papel importante na resolução de crises. As mais importantes foram duas tentativas de golpe de Estado: em 2008, na Bolívia, contra o presidente Evo Morales, e em 2010, contra o presidente Rafael Correa, do Equador.
A cooperação é importante no sentido de construir um futuro melhor para a população da América do Sul. Os países sul-americanos estão entre os maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo e dispõem de fontes de ener gia renováveis, como a eólica e a hidrelétrica, e não renováveis, como o gás (abun dante na Bolívia) e o petróleo (encontrado na Venezuela, no Equador, no Brasil e na Argentina). Mas, apesar de todo esse potencial, há muitas dificuldades a serem superadas. A maior delas é a pobreza, que afeta parte significativa da população do continente, sobretudo da Bolívia e do Paraguai. 
Outros desafios a enfrentar são as profundas diferenças econômicas entre os países sul-americanos e a forte pressão dos Estados Unidos para que a integração do continente não seja bem-sucedida, de modo a favorecer os interes ses estadunidenses, principalmente ligados à exploração de minérios e de petróleo.
Em 2018, após diversas crises políticas, seis países-membros (Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Paraguai e Peru) decidiram suspender sua participação na Unasul, que passou a reunir apenas Venezuela, Bolívia, Equador, Uruguai, Guiana e Surina me. Nos últimos anos, porém, vários governos de países sul-americanos foram ocupados por lideranças que trouxeram ideias capazes de apontar novos rumos para a integração regional.

Nafta 

O Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio. Em inglês, North American Free Trade Agreement) é um acordo de livre-comércio, em vigor desde 1994, que defi niu as regras de comércio e investimentos entre Estados Unidos, Canadá e México. 
Esse acordo, que consolidou o intenso comércio regio nal praticado entre os países da América do Norte, surgiu como resposta à formação da União Europeia, ajudando a enfrentar a concorrência representada por esse bloco econômico e pelo crescimento da economia japonesa.
Com a eliminação das tarifas alfandegárias, as trocas comerciais dispararam e agravaram o desequilíbrio entre México e Estados Unidos, mas houve benefício para os três países devido ao aumento dos volumes das exportações e a criação de empregos. Entre 1993 e 2016, as exportações mexicanas para os Estados Unidos multiplicaram mais de sete vezes e foram triplicadas em relação ao Canadá. 
Apesar disso, não resta dúvida de que esse bloco atende muito mais aos inte resses dos Estados Unidos que aos de seus vizinhos. Depois da consolidação do Nafta, novas empresas se instalaram no México, buscando obter vantagens de produção no território mexicano, como mão de obra mais barata e maior facilida de de acesso a matérias-primas.
Outra vantagem dos Estados Unidos com a instauração do Nafta foi a amplia ção do mercado consumidor para os produtos estadunidenses, que passaram a ser comercializados sem restrições tanto para o Canadá como para o México. 
A liberdade de trânsito de mercadorias, porém, não se aplica ao fluxo popula cional entre México e Estados Unidos. A fronteira entre esses dois países, uma das mais vigiadas do mundo, foi cercada pelo governo estadunidense por um muro, com a intenção de barrar a passagem de imigrantes mexicanos, que tentam entrar ilegalmente no país vizinho em busca de melhores oportunidades de trabalho. 
Essa situação não ocorre em relação à fronteira dos Estados Unidos com o Ca nadá, um país que apresenta excelentes indicadores sociais e um dos mais elevados IDHs do mundo. Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano 2015 do Progra ma das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Canadá ocupa a nona posição do IDH no ranking mundial, atrás dos Estados Unidos, na oitava posição. 

Comunidade Andina de Nações (CAN) 

Em 26 de maio de 1969, Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia e Chile assinaram o Acordo de Cartagena, criando uma união aduaneira e econômica a fim de se fortalecerem economicamente e restringirem a entrada de capital es trangeiro nos países-membros. 
O Chile se retirou do pacto em 1973, após o golpe de Estado que depôs o presidente Salvador Allende e colocou no poder o general Augusto Pinochet, que implantou um governo ditatorial que perdurou até 1990. A partir daí, o país abriu sua economia ao mercado externo, principalmente ao estadunidense. 
A Venezuela deixou o bloco em 2011, alegando descontentamento diante do fato de Peru e Colômbia terem aprovado acordos de livre-comércio com os Estados Unidos.
Atualmente, o grupo formado pelos quatro países remanescentes – Bolívia, Colômbia, Equador e Peru – tem como meta principal criar um mercado comum para a melhor defesa de seus interesses e a integração de seu desenvolvimento. 
Outros objetivos do bloco são promover o desenvolvimento equilibra do dos países-membros, em condições de equidade, por meio da integração e da coo peração econômica e social; acelerar o crescimento e a ge ração de emprego para suas populações; reduzir a vulnerabilidade externa e melhorar a posição dos países-membros no contexto econômico inter nacional; fortalecer a solidarie dade sub-regional e reduzir as diferenças de desenvolvimen to existentes entre os inte grantes do bloco; buscar melhoria no padrão de vida dos habitantes.

Aladi 

A Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) foi criada com a assina tura do Tratado de Montevidéu, em 12 de agosto de 1980, com o intuito de pro mover o desenvolvimento econômico e social da América Latina. 
Seu objetivo é estabelecer integração, de forma gradual e progressiva, até a formação de um mercado comum latino-americano. Atualmente, a Aladi conta com treze países-membros: Argentina, Bolívia, Bra sil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Nicarágua e El Salvador estão em processo de adesão.

Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) 

Em 2004, os então líderes de Cuba (Fidel Castro) e Venezuela (Hugo Chávez) apresentaram a proposta da Alba, com a pretensão de integrar a região do Caribe e o restante da América Latina por meio de propostas de incentivo à solidarieda de mútua e de desenvolvimento de projetos sociais e econômicos. 
O bloco tem realizado intercâmbio de médicos cubanos para a Venezuela em troca de petróleo e acordos comerciais nos setores de energia e mineração domi nados por Venezuela, Bolívia e Equador. Os países-membros da Alba são Antígua e Barbuda, Bolívia, Cuba, Dominica, Equador, Nicarágua, São Vicente e Granadinas e Venezuela.

Organização dos Estados Americanos (OEA) 

A Organização dos Estados Americanos foi fundada em 1948, reunindo 21 países, entre eles o Brasil. A Carta da OEA, que entrou em vigor em dezembro de 1951, foi assinada em Bogotá, na Colômbia. Atualmente, a OEA, que abrange os 35 Estados independentes da América, constitui o principal fórum governamental político, jurídico e social do hemisfério ocidental. Além disso, a organização concedeu o estatuto de observador perma nente a outros 69 Estados e à União Europeia. 
Entre os objetivos oficiais da OEA estão a construção de uma ordem de paz e de justiça no continente americano; a promoção da solidariedade e da coope ração mútua entre os Estados da América e a defesa de sua soberania; a integri dade territorial e a independência de seus membros. Segundo a organização, para atingir esses objetivos a OEA se baseia em quatro pilares principais: a democracia, os direitos humanos, a segurança e o desenvolvimento.

Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) 

São denominados países ibero-americanos Portugal, Espanha e todos os países americanos de colonização portuguesa e espanhola.
A Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), cuja secretaria-geral está sediada em Madri, Espanha, é um organismo internacional de caráter governamental que atua para promover a cooperação entre os países ibero-americanos nos campos da educação, da ciência, da tecnologia e da cultura no contexto do desenvolvimento integral, da democracia e da integração regional. 
Os países-membros de pleno direito e observadores da OEI são Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Chile, República Dominicana, Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, Guiné Equatorial, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela.


 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Países desenvolvidos e países em desenvolvimento


Atualmente há uma grande disparidade socioeconômica entre os países do mundo. De modo geral, podemos classificar essas nações entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento. Para tanto, utilizam-se como critérios o nível de desenvolvimento econômico e social, medido por indicadores como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a renda per capita, a taxa de mortalidade. Vamos compreender melhor essas características.

Países desenvolvidos

Países ricos que alcançaram um alto nível de desenvolvimento econômico e que oferecem boa qualidade de vida à maior parte de sua população. A economia desses países, de modo geral, é diversificada e industrializada. Apesar de existirem contrastes entre eles, os países desenvolvidos têm em comum o fato de apresentarem bons indicadores sociais, como baixo índice de analfabetismo e de mortalidade infantil e elevadas renda per capita e expectativa de vida.
A maior parte dos países desenvolvidos corres ponde às nações mais ricas e industrializadas do mundo, ou seja, são países que possuem renda elevada e, na maioria das vezes, contam com um complexo parque industrial. 
Embora nos países desenvolvidos vivam apenas cerca de 17% da população mundial, são esses países que detêm mais da metade de toda a riqueza gerada no mundo. Alguns desses países também se destacam frente às principais discussões geopolíticas mundiais.
O acúmulo de riquezas nos países desenvolvidos ocorre porque, de maneira geral, esses países domi nam o sistema produtivo global, concentrando as sedes das principais empresas transnacionais, controlando os fluxos internacionais de mercadorias e detendo os principais polos de poder financeiro, centros de pesquisa e universidades do mun do. Alguns deles também atuam nos principais polos de poder, envolvendo-se em discussões políticas, militares, econômicas e ambientais mundiais. 
A elevada renda per capita dos países desenvolvidos os caracteriza como socie dades de consumo, em que a população conta com um alto poder aquisitivo e amplo acesso a um diversificado mercado de bens e serviços. Além disso, esses países investem uma parcela significativa de seu PIB em serviços públicos de saneamento, transporte, educação e saúde, que beneficiam, de maneira geral, a qualidade de vida da população.
Essa realidade contribui para prolongar os anos de vida da população nos paí ses desenvolvidos, pois as pessoas vivem mais devido à qualidade dos serviços médico-hospitalares e aos eficientes planos de assistência a idosos, com elevadas aposentadorias e projetos sociais integradores, diferentemente do que ocorre com a população dos países em desenvolvimento. 
A expectativa de vida da população de países como o Reino Unido, por exem plo, pode ultrapassar 81 anos, enquanto em alguns países em desenvolvimento, como a Somália, não ultrapassa os 57 anos. Em geral, essa longevidade resulta no progressivo envelhecimento da população, ou seja, no aumento de idosos na composição da população. 
Além de disponibilizar assistência médica e hospitalar, os países desenvolvidos oferecem melhor infraestrutura urbana destinada à mobilidade de pessoas com dificuldade de locomoção do que os países em desenvolvimento.

O desemprego e a pobreza no mundo desenvolvido 

A partir da década de 1990, em razão do fortalecimento da política neoliberal na maioria dos países desenvolvidos, houve uma gradativa diminuição da intervenção do Estado nas áreas sociais e econômicas. 
Esse fato contribuiu para o aumento do desemprego e da pobreza em várias dessas nações. Consequentemente, em países como Estados Unidos, Japão, Alemanha e Inglaterra, também existem pessoas em situação vulnerável e afetadas pela pobreza. 
Em geral, esses indivíduos residem em bairros nas periferias urbanas ou não têm acesso à moradia, vivendo nas ruas ou em abrigos das cidades. Apesar disso, os índices de pobreza e desemprego nos países desenvolvidos são considerados baixos, quando comparados aos países em desenvolvimento.

A economia dos países desenvolvidos 

A supremacia econômica das nações desenvolvidas está atrelada à presença de parques industriais modernos que, no decorrer do tempo, passaram a incorporar gradativamente técnicas de produção cada vez mais sofisticadas. 
Um fator que contribuiu para o crescimento e para a diversificação do parque industrial do mundo desenvolvido foram os grandes investimentos feitos em edu cação, pesquisa científica e desenvolvimento de tecno logias de ponta, como a robótica, a biotecnologia e a microeletrônica. Esses investimentos posicionam esses países na vanguarda dos processos industriais.
Em razão do elevado nível industrial e tecnológico, os países desenvolvidos exercem uma forma de domínio sobre os países em desenvolvimento que, por não possuírem uma expressiva produção industrial de elevada tecnologia, se veem obrigados a importar produtos industrializados das nações desenvolvidas, como equipamentos eletrônicos, medicamentos (remédios e vacinas) e bens de produção, como ferramentas e máquinas, fertilizantes e outros insumos agrícolas.
O expressivo crescimento das atividades industriais e a variedade de tipos de indústrias nos países desenvolvidos têm propiciado a formação dos mais sofisticados e complexos parques industriais do mundo, que abrigam extensas áreas especializadas em pesquisa de tecnologias de ponta. Nesse perfil, destacam-se as indústrias do ramo das tecnologias da informação, da computação, do campo aeroespacial, entre muitos outros exemplos.
Devemos sempre estar atentos ao fato de que o conjunto de países desenvolvidos não é composto por países que possuem o mesmo nível de desenvolvimento econô mico. Embora características, como o elevado padrão de vida, sejam comuns ao grupo de países, o nível de desenvolvimento industrial é muito diferente entre eles. Portugal e Espanha, por exemplo, mesmo pertencendo ao grupo de países de senvolvidos, apresentam atividade industrial menos desenvolvida se comparada aos níveis de desenvolvimento tecnológico do setor secundário de países, como Japão, Alemanha e Estados Unidos. 

Países em desenvolvimento

Países que, de modo geral, contam com baixo nível de desenvolvimento econômico, elevada desigualdade social e indicadores sociais bem inferiores aos países desenvolvidos, pois grande parte de suas populações não usufrui de uma boa qualidade de vida. Em geral, têm economia baseada na exportação de produtos primários (agrícolas e minerais) e elevada dependência econômica internacional. Com algumas exceções, apresentam baixo índice de industrialização. Muitos desses países têm limitada participação na concentração das riquezas mundiais.
Os principais critérios para classificar países desenvolvidos e países em desenvolvimento são os indicadores sociais e o desenvolvimento socioeconômico, que não podem ser aferidos apenas por dados como o PIB, uma vez que cada um desses grupos abrange nações com valores de PIB muito discrepantes entre si.
Podemos citar como exemplos Portugal e Grécia, que, embora façam parte do grupo de países desenvolvidos, não se encontram em situação econômica como a dos Estados Unidos. Da mesma maneira, entre os países em desenvolvimento existem economias emergentes, como a China e o Brasil, que apresentam PIB muito superior ao de países como Moçambique.
O grupo dos países em desenvolvimento corresponde à maior parte dos países e da população do mundo, no entanto possui a menor parte das riquezas mundiais. Essa condição contribui para que esses países se encontrem à margem das principais decisões políticas e econômicas internacionais. 
Historicamente, os países em desenvolvimento foram submetidos a uma condição de subordinação tecnológica, política, financeira e até mesmo militar em relação a alguns países desenvolvidos. As más gestões do governo, a corrupção, assim como a falta de investimentos em setores de tecnologia, educação, infraestrutura e saúde também são entraves ao desenvolvimento desses países.
Apesar de alguns países em desenvolvimento, como o Brasil, possuírem sistemas de saúde públicos para atender às necessidades de suas populações, em geral, eles se encontram sobrecarregados devido à falta de investimentos.
A economia do mundo em desenvolvimento, de modo geral, apresenta menor nível de industrialização e está voltada principalmente à produção industrial de bens de consumo não duráveis para seus mercados internos ou de gêneros agropecuários e minerais para exportação, que, no mercado internacional, não têm valor tão alto como os produtos industrializados.
Os baixos investimentos no desenvolvimento industrial refletem-se diretamen te na dependência tecnológica que os países em desenvolvimento têm em rela ção aos produtos industrializados, produzidos nos países desenvolvidos, princi palmente de alta tecnologia. 
Por causa das constantes necessidades de empréstimos de capital internacional, os países em desenvolvimento acumularam, ao longo do tempo, uma volumosa dívida com os países desenvolvidos e as instituições financeiras internacionais, co mo o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Esse saldo devedor é expresso na dívida externa, contraída por grande parte dos países em desenvol vimento. 
A falta de recursos financeiros resulta em menores investimen tos em áreas sociais importantes, tornando a qualidade de vida nesses países muito inferior à ve rificada nos países desenvolvidos.
Grande parte da população desses países não possui renda suficiente para aces sar serviços de saúde particulares e, muitas vezes, sequer tem condições de su prir suas necessidades básicas de alimentação e nutrição, ou seja, garantir a ingestão diária mínima de calorias e de nutrientes essenciais para uma vida saudável. 
A baixa qualidade de vida da popula ção a torna mais suscetível a doenças relacionadas à precariedade de serviços, especialmente no que se refere ao trata mento de água e de esgoto. Consequen temente, é também nos países em desenvolvimento que se verificam as maiores taxas de doenças endêmicas, como a cólera, a esquistossomose, a he patite viral e a leptospirose.
Outro fator agravante do quadro social nos países em desenvolvimento é a elevada concentração de renda. Nesses países, uma parcela reduzida da população detém a maior parte da riqueza gerada, enquanto a grande maioria das pessoas divide a menor parte dessa riqueza. A má distribuição de renda eleva os índices de pobreza, criminalidade, falta de moradia, entre outros problemas sociais.
Embora esses países compartilhem muitas características em comum, sendo parte do grande conjunto de países em desenvolvimento, como elevada concen tração de renda, deficiência de investimentos em áreas sociais e índices elevados de pobreza, alguns deles apresentam realidades bem distintas entre si. O Brasil, a Índia e o México, por exemplo, são países com maior desenvolvimento socioeco nômico quando comparados a Bangladesh e Serra Leoa.

Dívida externa 

A dívida externa, além de causar a dependência econômico-financeira em relação aos países desenvolvidos, constitui uma barreira ao desenvolvimento socioeconômico dos países em desenvolvimento. 
Isso ocorre porque uma parcela considerável do PIB desses países precisa ser destinada ao pagamento dos juros e das parcelas da dívida, fazendo-os abrir mão de recursos que poderiam ser investidos em programas de melhoria da qualidade de vida da população, como nos serviços públicos de educação, saúde e transporte.

Países emergentes 

Nas últimas décadas, o mundo tem presenciado a ascensão econômica e política de um grupo de países que, historicamente, apresentam características bem diferentes das nações que, até então, exerceram a supremacia econômica no cenário mundial. 
Denominados países emergentes, são países em desenvolvimento que apre sentam alguns traços marcantes desse grupo, como graves problemas sociais e alta concentração de renda. No entanto, são países com maior nível de industria lização em relação aos demais países em desenvolvimento e, no século XXI, apre sentaram um rápido e significativo crescimento econômico.
Entre os países emergentes, destaca-se o grupo denominado Brics, que corres ponde às letras iniciais de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (South Africa).
Esses países, de modo geral, destacam-se por suas grandes populações, expressiva participação no PIB global, extensos territórios e amplas fontes de matérias-primas e recursos energéticos. A China, em especial, destaca-se por seu maior nível de industrialização, exportando uma grande diversidade de produtos industrializados.
Na década de 2000, a ascensão dos países do BRICS no cenário internacional levou à aproximação política e econômica entre eles, com os governos dessas na ções estabelecendo um grupo que realiza encontros perió dicos para discutir temas relevantes para os membros. Apesar de não ser caracterizado como um bloco econômico, o BRICS serve como ferramenta de cooperação entre os países emergentes. Em 2014, por exemplo, foi criado o Banco de Desenvolvimento do BRICS, destinado, principalmente, à realização de investimentos para financia mento de infraestrutura em países emergentes. 
Os acordos de cooperação entre esses países envolvem produção de satélites de sensoriamento remoto, regulação de produtos médicos de uso humano, pesquisas agrícolas e energéticas, entre outros setores. 
Dessa forma, os países do BRICS se destacam como um polo de poder no mundo e entre os países do G20 (grupo formado pelas 19 maiores economias mundiais mais a União Europeia), contrapondo-se ao domínio dos países desenvolvidos. 

Medindo o desenvolvimento socioeconômico de um país 

O desenvolvimento de um país não envolve apenas aspectos econômicos e tecnológicos, ele também precisa estar acompanhado de melhorias na qualidade de vida da população. 
De maneira geral, quando um país apresenta desenvolvimento econômico, passa a registrar um aumento de seu PIB, expansão e fortalecimento das atividades indus triais, investimentos científicos e tecnológicos, diminuição da importação de produtos industrializados. 
Para que seja um país desenvolvido, essas melhorias devem se refletir em seus indicadores sociais, como renda per capita e expectativa de vida elevadas, baixas taxas de mortalidade e analfabetismo. Esses indicadores são compo nentes do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de uma população.
Renda per capita Renda per capita significa renda por pessoa e consiste em um valor médio que pode, em algumas situações, mascarar as diferenças na distribuição de ren da da população. O Brasil, por exemplo, possui renda per capita de 6 797 dóla res anuais, o que confere uma renda mensal de 34 957 reais. No entanto, 27% da população economicamente ativa do país, que corresponde a aproximada mente 37 milhões de pessoas, vive com apenas um salário mínimo por mês.

Mortalidade infantil 

A taxa de mortalidade infantil indica, em um grupo de mil crianças nascidas vivas, quantas delas não sobrevivem antes de completar um ano de idade.

Expectativa de vida 

A expectativa de vida mede o número estimado de anos que os indivíduos de uma população possivelmente viverão a partir do seu nascimento. Os resultados obtidos por meio desse indicador são influenciados pela qualidade de vida da po pulação, como boas condições de renda, nutrição e segurança, facilidade no acesso a serviços de saúde e saneamento.
Os países que apresentam uma elevada expectativa de vida geralmente destinam uma parte considerável de seu PIB para investimentos em saúde, lazer, saneamento e planos de assistência aos idosos, contribuindo, assim, para que seus habitantes tenham uma boa qualidade de vida.
Taxa de alfabetização A taxa de alfabetização revela o percentual da população alfabetizada em um país, considerando indivíduos com idade igual ou superior a 15 anos. Esse indicador está relacionado, principalmente, a programas públicos de educação.

IDH: um índice que combina vários indicadores 

O IDH é um indicador desenvolvido pelo Pnud, programa da ONU responsável por sua elaboração e publicação. Seu objetivo é medir o nível de desenvolvimento econômico e social de um país com base na síntese de seus principais indicadores sociais. O mapa a seguir representa os valores de IDH no mundo.
Para obter o valor do IDH de um país, são considerados três indicadores sociais diferentes e que traduzem, de modo geral, a qualidade de vida da população. 
  • Expectativa de vida - Indica o número médio de anos vividos pela população de um país, o que revela a qualidade de vida e as condições de saúde dessa população.
  • Renda per capita - Indica o nível de renda obtido pela população de um país e seu poder aquisitivo.
  • Educação - Mede a escolaridade da população por meio de indicadores de educação.
O valor do IDH

O valor do IDH de um país oscila entre o valor mínimo (zero) e o máximo (1). Quanto mais próximo do valor máximo, maior é o nível de desenvolvimento humano de um país, estado ou município. Quanto mais baixo o valor do IDH, menor é a renda de sua população e mais problemas são enfrentados nas áreas de saúde, educação e saneamento. 
A classificação do Pnud dispõe os países em quatro categorias de desenvolvimento humano: muito elevado, elevado, médio e baixo. Os países com IDH muito elevado são, em geral, países desenvolvidos que conseguem oferecer à população melhor distribuição de renda e serviços de educação e saúde. 
Já os países com IDH elevado, médio ou baixo são marcados por vários contrastes entre si, por exemplo, diferenças no nível de industrialização e de dependência econômica externa, o que reflete no PIB e na qualidade de vida da população. Logo, esses são os países considerados em desenvolvimento. 

Globalização e exclusão social

A globalização integra os países de forma desigual: enquanto alguns participam de maneira desvantajosa, endividando-se e tornando-se mais po...