Atualmente há uma grande disparidade socioeconômica entre os países do mundo. De modo geral, podemos classificar essas nações entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento. Para tanto, utilizam-se como critérios o nível de desenvolvimento econômico e social, medido por indicadores como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a renda per capita, a taxa de mortalidade. Vamos compreender melhor essas características.
Países desenvolvidos
Países ricos que alcançaram um alto nível de desenvolvimento econômico e que oferecem boa qualidade de vida à maior parte de sua população. A economia desses países, de modo geral, é diversificada e industrializada. Apesar de existirem contrastes entre eles, os países desenvolvidos têm em comum o fato de apresentarem bons indicadores sociais, como baixo índice de analfabetismo e de mortalidade infantil e elevadas renda per capita e expectativa de vida.
A maior parte dos países desenvolvidos corres
ponde às nações mais ricas e industrializadas do
mundo, ou seja, são países que possuem renda
elevada e, na maioria das vezes, contam com um
complexo parque industrial.
Embora nos países desenvolvidos vivam apenas
cerca de 17% da população mundial, são esses países que detêm mais da metade de toda a riqueza
gerada no mundo. Alguns desses países também
se destacam frente às principais discussões geopolíticas mundiais.
O acúmulo de riquezas nos países desenvolvidos
ocorre porque, de maneira geral, esses países domi
nam o sistema produtivo global, concentrando as sedes das principais empresas
transnacionais, controlando os fluxos internacionais de mercadorias e detendo os
principais polos de poder financeiro, centros de pesquisa e universidades do mun
do. Alguns deles também atuam nos principais polos de poder, envolvendo-se em
discussões políticas, militares, econômicas e ambientais mundiais.
A elevada renda per capita dos países desenvolvidos os caracteriza como socie
dades de consumo, em que a população conta com um alto poder aquisitivo e
amplo acesso a um diversificado mercado de bens e serviços. Além disso, esses
países investem uma parcela significativa de seu PIB em serviços públicos de
saneamento, transporte, educação e saúde, que beneficiam, de maneira geral, a
qualidade de vida da população.
Essa realidade contribui para prolongar os anos de vida da população nos paí
ses desenvolvidos, pois as pessoas vivem mais devido à qualidade dos serviços
médico-hospitalares e aos eficientes planos de assistência a idosos, com elevadas
aposentadorias e projetos sociais integradores, diferentemente do que ocorre
com a população dos países em desenvolvimento.
A expectativa de vida da população de países como o Reino Unido, por exem
plo, pode ultrapassar 81 anos, enquanto em alguns países em desenvolvimento,
como a Somália, não ultrapassa os 57 anos. Em geral, essa longevidade resulta no
progressivo envelhecimento da população, ou seja, no aumento de idosos na
composição da população.
Além de disponibilizar
assistência médica e hospitalar,
os países desenvolvidos
oferecem melhor infraestrutura
urbana destinada à mobilidade
de pessoas com dificuldade de
locomoção do que os países em
desenvolvimento.
O desemprego e a pobreza no mundo desenvolvido
A partir da década de 1990, em razão do fortalecimento da política neoliberal na maioria
dos países desenvolvidos, houve uma gradativa diminuição da intervenção do Estado nas
áreas sociais e econômicas.
Esse fato contribuiu para o aumento do desemprego e da
pobreza em várias dessas nações.
Consequentemente, em países como Estados
Unidos, Japão, Alemanha e Inglaterra, também
existem pessoas em situação vulnerável e
afetadas pela pobreza.
Em geral, esses
indivíduos residem em bairros nas periferias
urbanas ou não têm acesso à moradia, vivendo
nas ruas ou em abrigos das cidades.
Apesar disso, os índices de pobreza e
desemprego nos países desenvolvidos são
considerados baixos, quando comparados aos
países em desenvolvimento.
A economia dos países desenvolvidos
A supremacia econômica das nações desenvolvidas está atrelada à presença de
parques industriais modernos que, no decorrer do tempo, passaram a incorporar
gradativamente técnicas de produção cada vez mais sofisticadas.
Um fator que contribuiu para o crescimento e para a diversificação do parque
industrial do mundo desenvolvido foram os grandes investimentos feitos em edu
cação, pesquisa científica e
desenvolvimento de tecno
logias de ponta, como a
robótica, a biotecnologia e
a microeletrônica. Esses
investimentos posicionam
esses países na vanguarda
dos processos industriais.
Em razão do elevado nível industrial e tecnológico, os países desenvolvidos exercem uma forma de domínio sobre os países em desenvolvimento que, por não
possuírem uma expressiva produção industrial de elevada tecnologia, se veem obrigados a importar produtos industrializados das nações desenvolvidas, como equipamentos eletrônicos, medicamentos (remédios e vacinas) e bens de produção,
como ferramentas e máquinas, fertilizantes e outros insumos agrícolas.
O expressivo crescimento das atividades industriais e a variedade de tipos de
indústrias nos países desenvolvidos têm propiciado a formação dos mais sofisticados e complexos parques industriais do mundo, que abrigam extensas áreas
especializadas em pesquisa de tecnologias de ponta. Nesse perfil, destacam-se as
indústrias do ramo das tecnologias da informação, da computação, do campo
aeroespacial, entre muitos outros exemplos.
Devemos sempre estar atentos ao fato de que o conjunto de países desenvolvidos
não é composto por países que possuem o mesmo nível de desenvolvimento econô
mico. Embora características, como o elevado padrão de vida, sejam comuns ao grupo de países, o nível de desenvolvimento industrial é muito diferente entre eles.
Portugal e Espanha, por exemplo, mesmo pertencendo ao grupo de países de
senvolvidos, apresentam atividade industrial menos desenvolvida se comparada
aos níveis de desenvolvimento tecnológico do setor secundário de países, como
Japão, Alemanha e Estados Unidos.
Países em desenvolvimento
Países que, de modo geral, contam com baixo nível de desenvolvimento econômico, elevada desigualdade social e indicadores sociais bem inferiores aos países desenvolvidos, pois grande parte de suas populações não usufrui de uma boa qualidade de vida. Em geral, têm economia baseada na exportação de produtos primários (agrícolas e minerais) e elevada dependência econômica internacional. Com algumas exceções, apresentam baixo índice de industrialização. Muitos desses países têm limitada participação na concentração das riquezas mundiais.
Os principais critérios para classificar países desenvolvidos e países em desenvolvimento são os indicadores sociais e o desenvolvimento socioeconômico, que não podem ser aferidos apenas por dados como o PIB, uma vez que cada um desses grupos abrange nações com valores de PIB muito discrepantes entre si.
Podemos citar como exemplos Portugal e Grécia, que, embora façam parte do grupo de países desenvolvidos, não se encontram em situação econômica como a dos Estados Unidos. Da mesma maneira, entre os países em desenvolvimento existem economias emergentes, como a China e o Brasil, que apresentam PIB muito superior ao de países como Moçambique.
O grupo dos países em desenvolvimento corresponde à maior parte dos países
e da população do mundo, no entanto possui a menor parte das riquezas mundiais. Essa condição contribui para que esses países se encontrem à margem das
principais decisões políticas e econômicas internacionais.
Historicamente, os países em desenvolvimento foram submetidos a uma condição de subordinação tecnológica, política, financeira e até mesmo militar em
relação a alguns países desenvolvidos. As más gestões do governo, a corrupção,
assim como a falta de investimentos em setores de tecnologia, educação, infraestrutura e saúde também são entraves ao desenvolvimento desses países.
Apesar de alguns países em
desenvolvimento, como o Brasil,
possuírem sistemas de saúde públicos
para atender às necessidades de suas
populações, em geral, eles se
encontram sobrecarregados devido à
falta de investimentos.
A economia do mundo em desenvolvimento, de modo geral, apresenta menor
nível de industrialização e está voltada principalmente à produção industrial de
bens de consumo não duráveis para seus mercados internos ou de gêneros
agropecuários e minerais para exportação, que, no mercado internacional, não
têm valor tão alto como os produtos industrializados.
Os baixos investimentos no desenvolvimento industrial refletem-se diretamen
te na dependência tecnológica que os países em desenvolvimento têm em rela
ção aos produtos industrializados, produzidos nos países desenvolvidos, princi
palmente de alta tecnologia.
Por causa das constantes necessidades de empréstimos de capital internacional,
os países em desenvolvimento acumularam, ao longo do tempo, uma volumosa
dívida com os países desenvolvidos e as instituições financeiras internacionais, co
mo o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Esse saldo devedor
é expresso na dívida externa, contraída por grande parte dos países em desenvol
vimento.
A falta de recursos financeiros
resulta em menores investimen
tos em áreas sociais importantes,
tornando a qualidade de vida
nesses países muito inferior à ve
rificada nos países desenvolvidos.
Grande parte da população desses países não possui renda suficiente para aces
sar serviços de saúde particulares e, muitas vezes, sequer tem condições de su
prir suas necessidades básicas de alimentação e nutrição, ou seja, garantir a
ingestão diária mínima de calorias e
de nutrientes essenciais para uma
vida saudável.
A baixa qualidade de vida da popula
ção a torna mais suscetível a doenças
relacionadas à precariedade de serviços,
especialmente no que se refere ao trata
mento de água e de esgoto. Consequen
temente, é também nos países em
desenvolvimento que se verificam as
maiores taxas de doenças endêmicas,
como a cólera, a esquistossomose, a he
patite viral e a leptospirose.
Outro fator agravante do quadro
social nos países em desenvolvimento
é a elevada concentração de renda.
Nesses países, uma parcela reduzida
da população detém a maior parte da
riqueza gerada, enquanto a grande
maioria das pessoas divide a menor
parte dessa riqueza. A má distribuição
de renda eleva os índices de pobreza,
criminalidade, falta de moradia, entre
outros problemas sociais.
Embora esses países compartilhem muitas características em comum, sendo
parte do grande conjunto de países em desenvolvimento, como elevada concen
tração de renda, deficiência de investimentos em áreas sociais e índices elevados
de pobreza, alguns deles apresentam realidades bem distintas entre si. O Brasil, a
Índia e o México, por exemplo, são países com maior desenvolvimento socioeco
nômico quando comparados a Bangladesh e Serra Leoa.
Dívida externa
A dívida externa, além de causar a dependência econômico-financeira em relação aos
países desenvolvidos, constitui uma barreira ao desenvolvimento socioeconômico dos países
em desenvolvimento.
Isso ocorre porque uma parcela considerável do PIB desses países precisa ser destinada
ao pagamento dos juros e das parcelas da dívida, fazendo-os abrir mão de recursos que
poderiam ser investidos em programas de melhoria da qualidade de vida da população,
como nos serviços públicos de educação, saúde e transporte.
Países emergentes
Nas últimas décadas, o mundo tem presenciado a ascensão econômica e
política de um grupo de países que, historicamente, apresentam características
bem diferentes das nações que, até então, exerceram a supremacia econômica no
cenário mundial.
Denominados países emergentes, são países em desenvolvimento que apre
sentam alguns traços marcantes desse grupo, como graves problemas sociais e
alta concentração de renda. No entanto, são países com maior nível de industria
lização em relação aos demais países em desenvolvimento e, no século XXI, apre
sentaram um rápido e significativo crescimento econômico.
Entre os países emergentes, destaca-se o grupo denominado Brics, que corres
ponde às letras iniciais de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (South Africa).
Esses países, de modo geral, destacam-se por suas grandes populações,
expressiva participação no PIB global, extensos
territórios e amplas fontes de matérias-primas e recursos energéticos. A China,
em especial, destaca-se por seu maior nível de industrialização, exportando uma
grande diversidade de produtos industrializados.
Na década de 2000, a ascensão dos países do BRICS no cenário internacional
levou à aproximação política e econômica entre eles, com os governos dessas na
ções estabelecendo um grupo que realiza encontros perió dicos para discutir
temas relevantes para os membros. Apesar de não ser caracterizado como um
bloco econômico, o BRICS serve como ferramenta de cooperação entre os países
emergentes. Em 2014, por exemplo, foi criado o Banco de Desenvolvimento do
BRICS, destinado, principalmente, à realização de investimentos para financia
mento de infraestrutura em países emergentes.
Os acordos de cooperação entre
esses países envolvem produção de satélites de sensoriamento remoto, regulação
de produtos médicos de uso humano, pesquisas agrícolas e energéticas, entre
outros setores.
Dessa forma, os países do BRICS se destacam como um polo de poder no mundo
e entre os países do G20 (grupo formado
pelas 19 maiores economias mundiais
mais a União Europeia), contrapondo-se ao
domínio dos países desenvolvidos.
Medindo o desenvolvimento
socioeconômico de um país
O desenvolvimento de um país não envolve apenas aspectos econômicos e
tecnológicos, ele também precisa estar acompanhado de melhorias na qualidade
de vida da população.
De maneira geral, quando um país apresenta desenvolvimento econômico, passa
a registrar um aumento de seu PIB, expansão e fortalecimento das atividades indus
triais, investimentos científicos e tecnológicos, diminuição da importação de produtos industrializados.
Para que seja um país desenvolvido, essas melhorias devem se
refletir em seus indicadores sociais, como renda per capita e expectativa de vida
elevadas, baixas taxas de mortalidade e analfabetismo. Esses indicadores são compo
nentes do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de uma população.
Renda per capita
Renda per capita significa renda por pessoa e consiste em um valor médio
que pode, em algumas situações, mascarar as diferenças na distribuição de ren
da da população. O Brasil, por exemplo, possui renda per capita de 6 797 dóla
res anuais, o que confere uma renda mensal de 34 957 reais. No entanto, 27%
da população economicamente ativa do país, que corresponde a aproximada
mente 37 milhões de pessoas, vive com apenas um salário mínimo por mês.
Mortalidade infantil
A taxa de mortalidade infantil indica, em um grupo de mil crianças nascidas
vivas, quantas delas não sobrevivem antes de completar um ano de idade.
Expectativa de vida
A expectativa de vida mede o número estimado de anos que os indivíduos de
uma população possivelmente viverão a partir do seu nascimento. Os resultados
obtidos por meio desse indicador são influenciados pela qualidade de vida da po
pulação, como boas condições de renda, nutrição e segurança, facilidade no acesso
a serviços de saúde e saneamento.
Os países que
apresentam uma
elevada expectativa
de vida geralmente
destinam uma parte
considerável de seu
PIB para
investimentos em
saúde, lazer,
saneamento e planos
de assistência aos
idosos, contribuindo,
assim, para que seus
habitantes tenham
uma boa qualidade
de vida.
Taxa de alfabetização
A taxa de alfabetização revela o percentual da população alfabetizada em um
país, considerando indivíduos com idade igual ou superior a 15 anos. Esse indicador
está relacionado, principalmente, a programas públicos de educação.
IDH: um índice que combina vários indicadores
O IDH é um indicador desenvolvido pelo Pnud, programa da ONU responsável
por sua elaboração e publicação. Seu objetivo é medir o nível de desenvolvimento
econômico e social de um país com base na síntese de seus principais indicadores
sociais. O mapa a seguir representa os valores de IDH no mundo.
Para obter o valor do IDH de um país, são considerados três indicadores
sociais diferentes e que traduzem, de modo geral, a qualidade de vida da população.
- Expectativa de vida - Indica o número médio de anos vividos pela população de um país, o que revela a qualidade de vida e as condições de saúde dessa população.
- Renda per capita - Indica o nível de renda obtido pela população de um país e seu poder aquisitivo.
- Educação - Mede a escolaridade da população por meio de indicadores de educação.
O valor do IDH
O valor do IDH de um país oscila entre o valor
mínimo (zero) e o máximo (1). Quanto mais
próximo do valor máximo, maior é o nível de
desenvolvimento humano de um país, estado ou
município. Quanto mais baixo o valor do IDH,
menor é a renda de sua população e mais
problemas são enfrentados nas áreas de saúde,
educação e saneamento.
A classificação do Pnud dispõe os países em
quatro categorias de desenvolvimento humano:
muito elevado, elevado, médio e baixo.
Os países com IDH muito elevado são, em geral,
países desenvolvidos que conseguem oferecer à
população melhor distribuição de renda e
serviços de educação e saúde.
Já os países com IDH elevado, médio ou baixo
são marcados por vários contrastes entre si, por
exemplo, diferenças no nível de industrialização
e de dependência econômica externa, o que
reflete no PIB e na qualidade de vida da
população. Logo, esses são os países
considerados em desenvolvimento.
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