terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Região Norte: ocupação e população

Originalmente, a Região Norte era ocupada por diversos povos indígenas, muito antes da chegada dos colonizadores, assim como outras regiões do país. Porém, diferentemente dessas regiões, no Norte até hoje eles constituem parte importante da população, somando cerca de 51% dos povos indígenas vivendo em terras indígenas no Brasil.
A ocupação inicial da Amazônia pelos portugueses limitou-se à construção de fortes militares e às missões religiosas, pois a região não despertava tanto interesse para os colonizadores como o lucrativo Nordeste açucareiro e as Minas Gerais, com sua produção aurífera. 
Essa ocupação ocorreu em meio a vários conflitos com indígenas. Desde o século XVII até quase o final do século XIX, São Luís (MA) e Belém (PA) constituíram os dois principais espaços geográficos construídos na Amazônia. 
Em São Luís e nos arredores, desenvolveram-se culturas de algodão, cana-de-açúcar, arroz e tabaco. Belém, situada na entrada do Golfão Amazônico, transformou-se no principal núcleo urbano regional no século XVII. 
Desse local eram exportadas as chama das drogas do sertão extraídas da floresta, como baunilha, guaraná, urucum, entre outras ervas, frutos e sementes.
A linha ou meridiano do Tratado de Tordesilhas determinava que a porção situada a leste dessa demarcação pertencia a Portugal, e a porção a oeste, à Espanha. De 1580 a 1640, Portugal permaneceu sob o domí nio da Espanha. 
Na América, os colonizadores portugueses aproveitaram esse período para invadir e conquistar os espaços de domínio espanhol e incorporar ao reino de Portugal as terras a oeste do meridiano de Torde silhas, ampliando consideravelmente o território do que viria a ser o Brasil. 
Após o fim do domínio espanhol, acordos firmados entre Portugal e Espanha oficializaram a posse dessas terras por parte de Portugal.
A Região Norte começou a ser povoada de maneira mais efetiva por outros povos não indígenas a partir da década de 1960, quando o governo federal passou a incentivar sua ocupa ção para assegurar o domínio sobre essa região, até então pouco habitada.
Para incentivar essa ocupação, o go verno implantou, na segunda metade do século XX, uma série de grandes projetos voltados para o desenvolvi mento econômico dessa região. Entre esses projetos, destacam-se:
• a abertura de grandes eixos viários, como as rodovias Belém-Brasília, Cuiabá-Santarém e Cuiabá-Porto Velho, formando extensas vias de penetração pelo interior da floresta Amazônica; 
• a implantação de grandes projetos de exploração mineral, como o Grande Carajás e o Trombetas, no Pará; o da serra do Navio, no Amapá; e o de exploração de cassiterita, em Rondônia;
• a implantação de projetos de colonização agrária, com o assentamento de milhares de camponeses, sobretudo ao longo das rodovias recém-construídas; 
• a construção de grandes usinas hidrelétricas, como a de Tucuruí, no rio Tocantins, uma das maiores do país;
• a criação da Zona Franca de Manaus, com o objetivo de impulsionar o desen volvimento da atividade industrial na região.
Esses projetos fomentaram o povoamento da região, mas ocasionaram um intenso pro cesso de devastação da floresta Amazônica.. Atualmente, a Região Norte apresenta vasta fronteira econômica no país. 
É para essa região que se deslocam as frentes mais recentes de ocupação e povoamento do território e também para onde avançam atividades econômicas vindas de outras partes do país.

Crescimento da população

Desde a década de 1960, quando o governo passou a incentivar a ocupação da Amazônia, a população dos estados dessa região aumentou de maneira significativa. Embora o crescimento populacional da região tenha sido significativo ao longo das últimas décadas, a Amazônia ainda é uma região pouco povoada. 
Em parte, isso ocorre devido à grande extensão de seu território e pela presença da densa floresta. A densidade demográfica média da Região Norte está em torno de 4,9 hab./km², bem menor que a do país, de 25 hab./km².
Além disso, essa população está dis tribuída de maneira desigual pela região. As concentrações populacionais mais elevadas encontram-se nos maiores centros urbanos, sobretudo nas capitais estaduais, como Belém, Manaus e Porto Velho, e em outras importantes cidades ao longo das rodovias, tais como Ji-Paraná, em Rondônia, e Marabá, no Pará. 
O povoamento também é maior nas proximidades do rio Amazonas, pois ele é a principal via de ocupação do interior da região.


O extrativismo do látex 

A ocupação e o povoamento dessa região por outros povos intensificaram-se, a partir do final do século XIX, quando muitos migrantes, principalmente nordestinos, chegaram à região para trabalhar na exploração de látex nos seringais.
Por volta de 1870, a região amazônica passou a receber grande número de migrantes, principalmente provenientes da Região Nordeste, por causa da seca prolongada no Sertão nordestino e do desenvolvimento de atividades extrativas no norte do país, como a extração de castanha-do-pará, de madeira e de látex para a fabricação da borracha.
Para se ter uma ideia, entre 1870 e 1900, cerca de 300 mil nordestinos migraram para a Região Norte.
Nesse período, a borracha já era conhecida no mercado mundial; no entanto, foi somente a partir de 1888, após a invenção do pneu e o aumento da produção automobilística, que a borracha se transformou em um produto de grande valor e de grande procura pelas indústrias. 
Em 1910, metade da borracha consumida no mundo saía da Amazônia. A procura por seringueiras nativas levou muitas pessoas, desde o final do século XIX, a se embrenhar na mata e alcançar a região que constitui hoje o estado do Acre – na época, território pertencente à Bolívia. 
O extrativismo do látex e da castanha-do-pará (fim do século XIX e início do século XX) foi o motor do processo de produção e organização do espaço regional, estimulando:
• a atração de migrantes brasileiros de outras regiões e de imigran tes estrangeiros (espanhóis, portugueses, franceses etc.); 
• a construção dos portos de Belém e de Manaus; • a incorporação do Acre ao território brasileiro e a fundação das cidades de Xapuri e Brasileia, nesse estado, pelos seringueiros; 
• a expansão da rede urbana e a modernização dos espaços urbanos, principalmente de Manaus e de Belém; 
• a instalação de pequenas indústrias de bens de consumo, sobretudo em Belém e Manaus; 
• a atração de capitais estrangeiros, por meio da instalação de bancos, empresas de co mércio e companhias de na vegação inglesas, francesas e estadunidenses.
Além desses impulsos à produção de espaços geográficos, foram implantadas colônias agrícolas na chamada Zona Bragantina, no nordeste do Pará, ocupadas por migrantes nordestinos e estrangeiros que aí desenvolveram a agricultura. Essas colônias foram criadas por iniciativas públicas ou privadas, e os loteamentos foram vendidos a longo prazo ou doados aos interessados em se estabelecer nessa área e desenvolver atividades agrícolas e de criação de animais.

O declínio da produção de borracha

O Brasil foi o maior produtor mundial de borracha entre 1880 e 1912 (a produção da América Central e da África equatorial nesse perío- do era pequena). Nessa época, a produção do país chegou a represen tar cerca de 60% do total mundial, e a exportação chegou a se igualar, em valor, à do café. 
Enquanto a Amazônia dependia da coleta do látex silvestre, sem a preocupação de plantar seringueiras e racionalizar o cultivo, os ingle ses, percebendo a importância econômica do produto, transportaram sementes de seringueiras da Amazônia para serem plantadas em suas colônias asiáticas de clima quente e úmido, semelhante ao clima amazônico. O produto foi cultivado primeiro no Ceilão (atual Sri Lanka) e depois em Cingapura e na Índia, espalhando-se para Indonésia, Tailândia, Malásia, entre outros países. 
Em decorrência disso, na década de 1910, o Brasil perdeu a liderança da produção de borracha natural, cuja procura apresentava aumento crescente em virtude do desenvol vimento da indústria automobilística. 
Com a perda de mercado, a Região Norte deixou de receber investimentos e fluxos migratórios e de ser um espaço de atração populacional, desacelerando o processo de construção espacial, retomado apenas a partir da década de 1930 e, principalmente, da década de 1960, por meio de políticas de incentivo do governo federal.

A ocupação da Região Norte promovida pelos grandes projetos

Após o período áureo da extração do látex e da comercialização da borracha natural (1900-1912), intensificou-se, a partir de 1930, a cultura da pimenta-do-reino, da juta e da malva em algumas localidades da região, contribuindo para o desenvolvimento da economia e para a construção de espaços geográficos. 
A exploração de alguns minérios também promoveu o povoamento da região, como a descoberta do manganês, nos anos 1940, e sua exploração a partir de 1953, e a intensificação da exploração da cassiterita a partir de 1958.
A ocupação mais intensa da Região Norte teve início, principalmente, a partir da década de 1960, quando houve na região a expansão tanto de atividades agropecuárias e extrativistas quanto de atividades industriais. 
Nessa ocasião, a Região Norte passou a constituir a maior área de fronteira econômica do país. A demanda por novas áreas de expansão econômica, associada à necessidade de integrar a Região Norte ao restante do país, levou o governo federal a criar uma série de projetos e investimentos que incentivassem a ocupação e ao mesmo tempo viabilizassem o desenvolvimento econômico da região.

Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) 

Em 1950, a Amazônia possuía apenas cerca de 1,8 milhão de habitantes e apresentava pouca integração econômica, social e cultural com as demais regiões do Brasil. Com o objetivo de planejar e promover o desenvolvimento dessa região, em 1953, o governo federal criou a Supe rintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). 
A construção de estradas é uma providência importante para a integração e o desenvolvimento regional. Elas facilitam o povoamento e a implantação de fazendas de agricultura e de gado, vilas e cidades ao longo das rodovias, além do desenvolvimento do comércio e da exploração de recursos naturais. 
Mas, em 1954, com a crise política nacional decorrente do suicídio do presidente Getúlio Vargas, houve atraso na implementação das iniciativas da SPVEA, como a implantação de rodovias. 
Foi retomada no governo do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961), quando foram construídas as rodovias Belém-Brasília (BR-153) e a Cuiabá-Santarém (BR-163), o que levou a um maior povoamento e ao início da integração entre o espa ço amazônico e o das demais regiões do Brasil. 

Os governos militares e os novos rumos da colonização da Amazônia (1964-1985) 

Em vista da propalada cobiça internacional sobre a Amazô nia, os governos militares que se sucederam na presidência da república, a partir de 1964, entendiam que havia a necessida de de realizar maior ocupação humana na região, dinamizar a economia e integrar o espaço amazônico por questão de segurança nacional. Com esse objetivo, o governo militar criou várias iniciativas.

A Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam)

A Sudam, subordinada ao governo federal, foi criada em 1966, substituindo a SPVEA objetivando promover o desenvolvimento empresarial da região por meio de incentivos fiscais e empréstimos a juros baixíssimos às empresas interessadas em se instalarem ali.
Além do chamado Plano de Integração Nacional, um programa de construção de rodovias para integrar a região, a exemplo da Rodovia Transamazônica, a Sudam lançou também um programa para atrair à região grandes empresas nacionais e estrangeiras. 
Para que se instalassem na Amazônia, a Sudam fornecia empréstimos em dinheiro a longo prazo e a juros baixos, incentivos fiscais e, ainda, comprometia-se a construir hidrelétricas para fornecimento de energia, estradas, portos e aeroportos, linhas de telefonia etc.
Algumas empresas se instalaram na região. Mas muitas terras foram compradas visando à especulação posterior, ou seja, obter lucro com sua venda futura. Houve, ainda, pessoas que receberam empréstimos e os aplicaram em suas empresas localizadas em outras regiões do Brasil, que criaram empresas de fachada ou que praticaram desvios de recursos públicos da Sudam, causando prejuízos não só para a Amazônia, mas também para toda a sociedade brasileira. Esses recursos que foram mal aplicados e desviados, como também muitos incentivos fiscais concedidos, não beneficiaram na totalidade nem a Amazônia nem o Brasil. Grande parte desse dinheiro poderia ter sido concedida aos pequenos e médios produtores regionais ou aplicada na implantação de hospitais, escolas, saneamento básico etc. 
Além de tudo isso, por falta de atuação eficaz de órgãos públicos de fis calização, a implantação de empresas e a migração de pessoas e famílias para a região (fazendeiros, madeireiros, garimpeiros, posseiros etc.) inten sificaram os desmatamentos e os conflitos pela posse da terra, fato que ainda ocorre nos dias de hoje.
Os incentivos para o povoamento da Região Norte trouxeram expressivo aumento da população. No ano de 1950, a população era aproximadamente 2 milhões de habitantes; já em 1980, atingia cerca de 6,8 milhões de pessoas. Houve, assim, grande crescimento populacional, graças, sobretudo, aos fluxos migratórios.
A princípio, o processo de ocupação da Região Norte deveria ter ocorrido de maneira planejada e controlada. Entretanto, ele acabou gerando a concentração de terras e riquezas nas mãos de poucos e ainda acarretou sérios problemas ambientais. No final da década de 1980, por exemplo, a área destruída da floresta Amazônica alcançava aproximadamente 230 mil km².

Núcleos ou projetos de colonização 

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), órgão do governo federal, criou, após 1964, os núcleos ou projetos de colonização. 
Com a implantação de programas de colonização agropecuários às margens das rodovias, em especial a BR-364 (Cuiabá-Porto Velho). Muitos migrantes, provenientes principalmente das regiões Sul, Nordeste e Centro-Oeste, foram atraídos para essas áreas.
Neles, a área de terra pública foi dividida em lotes e distribuída a famílias cadastradas interessadas em cultivá-la. Vários núcleos foram instalados nos anos 1970. 
Nem todos os núcleos de colonização tiveram êxito. A falta de assistência médica e escolar, a grande distância dos centros urbanos, a falta de orientação técnica para lidar com o manejo do solo, a assistência financeira insuficiente, entre outros fatores, contribuíram para o insucesso de vários desses núcleos.

A Zona Franca de Manaus 

Criação em Manaus de um grande centro industrial baseado no comércio livre de impostos de importação, no ano de 1967. Em uma década de existência, a Zona Franca de Manaus, como é chamada esta área, transformou a cidade em um importante polo industrial e comercial do país.
Buscando incentivar a industrialização de Manaus, o governo federal criou, em 1967, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), que disponibilizou infraestrutura e vantagens financeiras para atrair as indústrias para a região. 
Assim, a Suframa implantou o Distrito Industrial de Manaus e ofereceu isenção de impostos para a importação de matérias-primas e de componentes industriais, além de empréstimos e de incentivos fiscais às empresas nacionais e estrangeiras que ali se instalaram. 
Houve investimentos, sobretudo, no setor de eletroeletrônicos. Com isso, outros setores da economia local e regional foram beneficiados, como o comércio, os transportes urbanos e o setor de turismo e hotelaria. 
O município de Manaus tornou-se área de atração de população, concentrando pouco mais da metade dos 4 269 995 habitantes do estado, em 1° de julho de 2021. No entanto, apesar dos benefícios trazidos pela Suframa, a população de Manaus enfrenta ainda graves problemas urbanos, como o favelamento e o saneamento básico deficiente.

Recursos minerais e o Projeto Grande Carajás 

Na Amazônia estão grandes reservas de recursos minerais e energéticos  presentes no Amazonas, onde estão atividades de exploração de ouro, petróleo e estanho; em Rondônia (ouro e estanho); em Roraima (ouro); e no Amapá (ouro, cromo e manganês).
No Pará, a exploração de bauxita, ferro e ouro, entre outros recursos minerais, é mais intensa. A serra dos Carajás, no sul do Pará, é uma enorme reserva de minerais. Estima-se que lá existam 65 milhões de toneladas de manganês, 100 milhões de toneladas de níquel e 60 milhões de toneladas de ouro. Além disso, a área abriga a maior reserva de ferro do mundo: são 18 bilhões de toneladas.
Com a descoberta de jazidas de minérios de ferro e de manganês, ouro, cassiterita, bauxita, níquel e cobre na Serra dos Carajás, no Pará, por volta de 1967, o governo federal criou o Projeto Grande Carajás, que envolvia não só a exploração dos recursos minerais, mas também da floresta, além do aproveitamento dos rios para a produção de energia elétrica (caso da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no Rio Tocantins) e a construção da Estrada de Ferro Carajás para o transporte dos recur sos minerais até o porto de Itaqui, no Maranhão, de onde são exportados. 
A exploração econômica desse mineral era realizada por uma empresa estatal, isto é, que era propriedade do Estado, no caso, do governo federal. Na década de 1990, ela foi privatizada, ou seja, vendida para a iniciativa privada. Essa ação foi polêmica. 
Para algumas pessoas a exploração mineral deveria ser realizada pelo Estado, dado seu caráter estratégico e a quantidade disponível. Para outros, os valores pagos pelo grupo que comprou foram baixos, considerando a quantidade e a qualidade das reservas de ferro. E havia os que defendiam a privatização por entender que não é papel do Estado atuar em atividades econômicas, mas sim prover serviços à população.
O Projeto Carajás está situado na Amazônia Oriental, mas exerce uma profunda influência na vida econômica do Maranhão. 
A empresa privatizada atua na exploração do ferro de Carajás e construiu uma longa ferrovia para escoar o minério até o porto de Itaqui, no Maranhão. De lá, o ferro é exportado. Além disso, encontra-se lá a Hidrelétrica de Tucuruí, que abastece a indústria do alumínio implantada na região. 
O projeto atraiu trabalhadores de várias partes do Brasil, o que estimulou a fundação de cidades. Ainda hoje o Projeto Grande Carajás tem papel importante na produção de espaços geográficos na Amazônia Legal.

A população atual da Região Norte

Desde o final do século XIX, a população da Região Norte vem apresentando um considerável ritmo de crescimento. Um dos principais fatores que explicam esse crescimento populacional é o fato de essa região constituir a maior área de fronteira econômica do país e atrair muitos migrantes. 
Os incentivos de ocupação promovidos pelo governo federal, aliados à esperança de muitos brasileiros em encontrar novas oportunidades de trabalho e, consequentemente, melhores condições de vida, levaram muitas pessoas a migrar para a Região Norte. Entre os grupos de migrantes que se dirigiram à região, destacam-se os nordestinos.
Nas últimas décadas, a Região Norte passou a apresentar um acelerado processo de urbanização. Esse fato, em parte, foi decorrente da decadência dos projetos agropecuários criados pelo governo e também do intenso processo de concentração de terras, o que ocasionou a migração de pessoas para as cidades. 
Há cerca de quarenta anos, a população urbana da Região Norte era de aproximada mente 1,6 milhão de pessoas. Em 2021, es sa população somava cerca de 19 milhões de habitantes.

Os indígenas na Região Norte 

Um grande número de indígenas do Brasil vive atualmente na Região Norte. Segundo o IBGE, em 2010, eram cerca de 343 mil indígenas, aproximadamente 38% da população indígena total do país. A população indígena da Região Norte já foi muito maior, no entanto, o número de indivíduos apresentou uma queda com o decorrer do tempo. 
O contato inicial com povos não indígenas e, consequentemente, com doenças — como sarampo e gripe — levou inúmeros indígenas à morte. Posteriormente, ao longo do século XX, a implantação de madeireiras, garimpos, mineradoras, fazendas de gado, grandes lavouras monocultoras, hidrelétricas e rodovias foi gradativamente restringindo as terras desse povo. 
Atualmente, muitos indígenas abandonaram suas terras tradicionais e passa ram a viver em comunidades rurais ou nas cidades. No entanto, nessas áreas, em geral, os indígenas convivem com violência, fome e miséria. 
Vários povos indígenas ainda vivem isolados em meio à floresta, ou seja, sem contato com a sociedade não indígena. Nessas áreas, preservam sua cultura tradicional, como alimentação, danças, crenças etc. No entanto, esse isolamento está cada vez mais ameaçado.

Os ribeirinhos 

Os povos ribeirinhos são populações tradicionais que vivem nas proximidades dos rios e obtêm os recursos necessários à subsistência por meio da pesca artesanal, caça, pequena agricultura de subsistência e extrativismo. 
Os ribeirinhos são originários da miscigenação de diferentes povos, como indígenas, nordestinos, populações afrodescendentes e imigrantes portugueses. 
É na Região Norte que, provavelmente, vive a maior parte dos povos ribeirinhos do país, onde se desenvolve a extensa Floresta Amazônica e sua rica biodiversida de. Por viverem tão próximo aos rios e à floresta, vários aspectos do cotidiano dos ribeirinhos precisaram ser adaptados às condições da natureza local.

Aspectos naturais da Região Norte

A Região Norte abriga uma das formações vegetais com maior biodiversidade do planeta e o maior complexo fluvial do mundo – a Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas. De modo geral, a densidade demográfica da região é baixa e a população vive, em sua maioria, ao longo dos principais rios, que constituem importantes vias de transporte de pessoas e de mercadorias.

Clima 

A região Norte localiza-se na zona climática mais quente do planeta (próximo do equador). Apresenta pequena amplitude térmica diária e anual. Isso significa que há pequena variação entre as temperaturas máxima e mínima durante os dias e entre as médias mensais ao longo do ano. 
Em grande parte do território não existe estação seca. Em alguns outros lugares, porém, como em Palmas (TO), há um período de seca que pode durar de um a cinco meses. 

Vegetação 

Grande parte da Região Norte está sob influência do clima equatorial. Por ser quente e úmido, esse clima favorece a presença da rica diversidade vegetal da floresta. Embora a floresta Amazônica seja predominante, outras formações vegetais também são encontradas na região.
Próxima ao litoral, nos estados do Pará e do Amapá, desenvolve-se a vegetação litorânea, com formações de mangues e arbustos. Na Ilha de Marajó, também no Pará, e em parte do Amapá, temos a vegetação de Campos. 
Na maior parte do Tocantins, está presente a vegetação de Cerrado, que também pode ser observada em outros estados da região, menos no Acre.
Embora a Região Norte abrigue manchas de vegetação de Cerrado e de Campos (como em Roraima, em Rondônia, no Amapá, no Pará e no Amazonas), além de vegetação com influência marinha e/ou fluvial (como no Pará, no Amapá e em Rondônia), a maior parte de sua cobertura vegetal é formada pela Floresta Amazônica, também conhecida como Floresta Tropical Pluvial, Hileia e Floresta Equatorial. 
Como as demais formações vegetais do Brasil, na Floresta Amazônica a área antropizada cresce a cada ano, com grandes intervenções huma nas predatórias, a exemplo de queimadas e desmatamentos decorren tes da ação de alguns madeireiros, da implantação de fazendas de gado e de agricultura, de empresas de mineração etc. De modo geral, são encontrados na Floresta Amazônica dois ecossistemas principais: as matas de terra firme e as matas de inundação. 

Matas de terra firme 

A biodiversidade da Floresta Amazônica é encontrada, em gran de parte, nas matas de terra firme, ou seja, matas que nunca sofrem inundações dos rios. Recobrem 90% da Bacia Amazônica e localizam-se nas áreas de altitudes mais elevadas. A altura média das árvores é de 40 m, firmadas em solos bem drenados. Predominam matas densas, com pouca luz e muita umidade, em virtude de a junção das copas das árvores dificultar a entrada da luz do sol. Nelas são encontradas madei ras nobres, como o cedro, o mogno e os louros. 

Matas de inundação 

As matas de inundação são aquelas sujeitas à invasão das águas dos rios, com vegetação adaptada para sobreviver por longos períodos de submersão. Dividem-se em:
- Matas de igapó: o termo “igapó” designa as áreas muito encharca das, com inundações permanentes. As matas de igapó situam-se nos terrenos mais baixos e permanecem quase sempre inundadas. Nelas a vegetação é baixa, com arbustos, cipós e musgos. Também são encontradas plantas aquáticas, como a vitória-régia, um dos símbolos da Amazônia (observe a foto). 
- Matas de várzea: são aquelas inundadas somente em determina dos períodos do ano, durante a cheia dos rios, e situadas em áreas mais elevadas em relação às matas de igapó.

Maior complexo fluvial do mundo 

A Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas situa-se, predo minantemente, na Região Norte. Além do Brasil, banha terras da Bolívia, da Colômbia, do Equador, do Peru e da Venezuela. Formada pelo Rio Amazonas e seus afluentes, é a maior bacia hidrográfica do mundo, tanto em exten são como em volume de água. Essa bacia detém 11% da água doce disponível no mundo e é o maior reservatório de água doce do planeta.
Da fronteira do Peru com o Brasil até a confluência com o Rio Negro, em Manaus, o principal rio dessa bacia recebe o nome de Rio Solimões. Desse ponto até sua foz, no Golfão Amazônico, é denominado Rio Amazonas. O Rio Amazonas é o maior e o mais caudaloso rio do mundo: tem 6580 km de extensão e representa 20% do volume de água de todos os rios da Terra. 
A Floresta Amazônica e a Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas fornecem à atmosfera grande quantidade de vapor de água, que volta à superfí cie terrestre na forma de chuva, estabelecendo, assim, o ciclo hidroló gico ou ciclo da água, com influência não apenas local e regional, mas também global.

Hidrografia da Região Norte e aspectos socioeconômicos 

O Rio Amazonas é navegável desde a foz até a cidade de Nauta, no Peru, em uma extensão de mais de 4000 quilômetros. Na Região Norte, os maiores fluxos de pessoas e de mercadorias são feitos por meio das hidrovias. 
Como os rios facilitam o transporte e a co municação, as maiores densidades demográficas e as áreas mais urbanizadas da Região Norte se concentram nas planícies do Rio Amazonas e de alguns de seus afluentes. 
O porto de Manaus, capital do estado do Amazonas, é o maior porto fluvial brasileiro em volume de carga. Grande parte das mercadorias que circulam na Região Norte passa por esse porto. 
Além de sua relevância para o transporte na Região Norte, a Bacia Amazônica apresenta outros usos importantes. Os povos indígenas e as populações tradicionais, por exemplo, dependem dos rios para obter parte de seu sustento pela pesca. 
Além disso, os rios possuem importância cultural e estão ligados às crenças e ao modo de vida de diferentes povos da floresta – como é o caso das comunidades ribeirinhas, que constroem as suas moradias sobre palafitas às margens dos cursos d'água. 
Os rios da Bacia Hidrográfica do Amazonas apresentam, também, grande potencial turístico. A praia do Rio Negro (maior afluente do Rio Amazonas) pode ser facilmente confundida com uma praia oceânica. Hotéis e restaurantes recebem turistas que buscam lazer na praia fluvial ou nas ilhas desse rio.

Potencial hidrelétrico e impactos ambientais

No Brasil, em 2020, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), 62,5% da energia elétrica era obtida por meio de hidrelétricas, sendo a Região Norte a com maior potencial hidrelétrico. Nesse sentido, a Bacia Amazônica é estratégica para o desenvolvimento nacional, pois graças ao Sistema Interliga do Nacional (SIN), a energia elétrica gerada nas usinas da Região Norte fica disponível para todo o Brasil. 
Nos últimos anos, os investimentos em produção de energia hidrelétrica vêm aumentando significa tivamente no Brasil. Entretanto, apesar de se tratar de uma fonte de energia renovável que apresenta vantagens em comparação às fontes não renováveis, a construção de usinas hidrelétricas gera dis cussões relacionadas aos impactos socioambientais que elas podem causar, tais como: o desmatamento das áreas alagadas para construção das barragens; diminuição da biodiversidade; alteração nos ecossistemas fluviais; assoreamento dos rios; deslocamento de comunidades inteiras de seus lugares de vivência, ocasionando prejuízos sociais, ambientais, econômicos e culturais a milhares de pessoas. 
A presença de rios volumosos com potencial para geração de energia é um dos fatores que tornam a região atrativa para a construção de usinas hidrelétricas (UHEs). 
A energia hidrelétrica, em associação com outras fontes, como a eólica, a solar e os combustíveis fósseis, é muito importante para atender à crescente demanda por energia no Brasil. Porém, assim como outras obras de infraestrutura (ferrovias, rodovias, portos, aeroportos etc.), a construção das usinas provoca impactos socioambientais. 
Por isso, esses projetos enfrentam resistência de ambientalistas, indígenas, comu nidades ribeirinhas, movimentos sociais, organizações não governa mentais (ONGs), entre outros.
Um exemplo recente é a UHE Belo Monte (PA), cuja cons trução causou polêmica desde a fase inicial do projeto até sua inauguração, em 2015. A seguir, algumas das principais con sequências socioambientais da implantação da hidrelétrica de Belo Monte.
- As águas do Rio Xingu foram desviadas de seu curso natural, deixando parte de seu trecho seco. Nessa área vivem comu nidades ribeirinhas que dependem do rio para a pesca, que lhes garante alimento e renda. 
- Cerca de 10 mil famílias foram removidas em razão das obras. Somente 4 mil foram reassentadas pela empresa responsável pela Belo Monte. 
- Treze terras indígenas foram afetadas pela construção da usina, envolvendo cerca de 4 mil indígenas. 
- A flora e a fauna das áreas inundadas foram destruídas. 
- Os índices de criminalidade aumentaram: o município de Altamira (PA) foi considerado o segundo mais violento do país, segundo o Atlas da Violência 2019, organizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com o regis tro de 133,7 homicídios a cada 100 mil habitantes.

Importância dos rios 

Na Região Norte, os rios têm grande importância no dia a dia da população e nas atividades econômicas. Eles representam a principal via de transporte para o fluxo diário de pessoas e mercadorias. Muitas comunidades só podem ser alcançadas de barco e grande parte das principais cidades da região está localizada às margens dos rios ou próxima deles. 
Os rios influenciam a construção de moradias e outras estruturas. Tanto nas cidades quanto nas comunidades ribeirinhas, há, por exemplo, moradias e escolas construídas sobre estacas altas de madeira (palafitas) para evitar que a água inunde as construções. Existem, ainda, portos flutuantes que se movimentam acompanhando os períodos de cheia e de seca dos rios. 
O sustento das comunidades ribeirinhas também está muito ligado aos rios. Os ribeirinhos sobrevivem principalmente da pesca, mas desenvolvem outras atividades, como a agricultura de vazante (mandioca, milho, feijão e arroz), praticada nas margens dos rios nos períodos de seca, e o extrativismo vegetal (látex, castanha-do-pará, piaçava e açaí). 
Em termos regionais, os rios estruturam a organização social e econômica dos povos da Região Norte. São fundamentais para o transporte, o abastecimento e a subsistência da população e influenciam na localização das cidades. Nesse sentido, um dos desafios atuais do Estado brasileiro é conciliar, de maneira sustentável, as questões locais e regionais com as demandas nacionais.

Relevo 

Na Região Norte predominam relevo e altitudes de até 200 metros. Essas terras de baixas altitudes acompanham os vales dos rios da Bacia Amazônica, formando extensas planícies. 
O relevo da região Norte é composto de planícies, planaltos e depressões, com predomínio de baixas altitudes. Parte dele está sobre uma grande bacia sedimentar, mas que hoje sofre mais desgaste do que sedimentação – por isso o predomínio de terras baixas (ou baixos platôs) e de depressões.
As várzeas, que são áreas de planície, acompanham o curso dos rios da região. Existem, porém, várias serras, principalmente ao norte, na fronteira com a Venezuela
As terras de altitudes mais elevadas localizam-se, principalmente, no norte do estado de Roraima e no norte e noroeste do estado do Amazonas, onde se encontra o ponto culminante do Brasil – o Pico da Neblina –, com 2995 metros de altitude, na Serra do Imeri, fronteira com a Venezuela. 

Região Sul: problemas ambientais

Atitudes prejudiciais ao meio ambiente são resultado, entre outros fatores, do desconhecimento da necessidade de preservar o equilíbrio ecológico. Daí a importância da criação de uma consciência ecológica por parte de toda a sociedade. Outro fator significativo é o desejo de ganhar muito dinheiro sem se importar com a natureza, en tendendo-a apenas como fonte de lucro e não como fonte de vida.

Região Sul: desmatamento

A cobertura vegetal é importante para o equilíbrio ecológico, pois pro tege a nascente dos rios, regula o clima e os mananciais que abastecem as cidades, influi na fertilidade do solo e o protege da erosão, cria beleza paisagística e é fonte de vida para as comunidades que dela dependem diretamente, como é o caso dos indígenas, dos caiçaras e dos ribeirinhos.

Mata Atlântica 

Assim como no Nordeste e no Sudeste, a Mata Atlântica da Região Sul foi intensamente desmatada com a marcha do povoamento. As áreas não desmatadas ocupam trechos de difícil acesso da Serra do Mar e da Serra Geral, além de trechos do vale do Rio Ribeira de Iguape, entre os estados do Paraná e de São Paulo – o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do país. 
Entretanto, apesar da fiscalização do Ibama, o desma tamento continua ocorrendo. São desmatamentos de áreas menores, não detectados nas imagens de satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Mas eles ocorrem e criam uma fragmentação florestal que dificulta a sobrevivência de vegetais e animais da região. Uma das causas atuais do desmatamento da Mata Atlân tica na Região Sul é a substi tuição dessa vegetação nativa pela silvicultura de pínus, usado como matéria-prima na indús tria de papel e celulose.

A Mata de Araucárias 

A Mata de Araucárias ou dos Pinhais cobria uma vasta exten são de terras – cerca de 185000 km2 –, estendendo-se desde as terras altas do sul do estado de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, prolongando-se, ainda, pelo extremo nordeste da Argenti na. Não era uma floresta homogênea; abrigava muitas outras es pécies vegetais, como angico, tamboril, imbuia, cedro, gamelei ra, canela etc. 
No processo de produção de espaços geográficos da Região Sul, essa floresta foi amplamente desmatada, a exemplo do que ocorreu com a Mata Atlântica. De início, a extração da madeira do pinheiro, o pinho, atendia ao mercado interno. 
Por oferecer madeira mole, ideal para a construção de casas, para a fabricação de móveis e para a confecção de tábuas, essa floresta passou a ser explorada de modo intenso. Posteriormente, com o fluxo imi gratório alemão, italiano e polonês, muitas de suas áreas foram desmatadas para ceder lugar à prática da agricultura.
O grande desmatamento da Mata dos Pinhais ocorreu entre 1915 e 1960, pois, nesse período, tornou-se grande a procura por madeira mole no mercado internacional. Por falta de fiscalização governamental, serrarias clandestinas se espa lharam na Região Sul, promovendo intensa destruição florestal. 
Após 150 anos de intervenção humana, restaram apenas 5% dessa mata. O que sobrou foi transformado em áreas de preser vação ambiental sob os cuidados dos estados e do governo federal. 
Especialistas mostram que esse ecossistema está quase extin to. Roedores, aves e insetos que se alimentavam do pinhão, ou que aí encontravam o seu hábitat, morreram ou estão ameaçados de extinção. 

Principais problemas ambientais 

Na Região Sul, o estado do Paraná foi o que perdeu maior parte de sua vegetação nativa com a devastação da Mata Atlântica e da Mata dos Pinhais. A ação humana também criou alguns problemas ambientais nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

As bacias hidrográficas e os problemas ambientais no Rio Grande do Sul 

No Rio Grande do Sul, podemos identificar a degradação ambiental por meio da observação das bacias hidrográficas do estado. Com o conhecimento desses problemas, a sociedade e o Estado conseguem definir qual é a melhor estratégia para solucioná-los.

Arenização na Campanha Gaúcha Desde o século XVIII, os solos da Campanha Gaúcha são usados para a criação de gado. Em decorrência disso, eles vêm sofrendo: 
• compactação pelo pisoteio constante de animais; 
• rarefação das gramíneas (pastagens), decorrente do número excessivo de gado por área, que, ao deixar o solo sem cobertura vegetal, causa a erosão e o assoreamento de rios e córregos;
• queimadas, provocadas para eliminar as sobras secas de pastagens durante o inverno e facilitar a rebrota das gramíneas; esse procedimento mata os micro-organismos importantes para o solo. 
Esses fatos têm afetado seriamente o solo da Campanha Gaúcha, causando a arenização, ou seja, o afloramento de depósitos arenosos resul tantes da lavagem do solo pela água da chuva, que, além de retirar a cobertura vegetal, provoca a perda de matéria orgânica e de elementos químicos importantes na constituição do solo. 

 Degradação ambiental em Santa Catarina 

Na zona costeira, a implantação de balneários sem a devida infraes trutura de rede coletora de esgoto tem provocado a poluição de rios, córregos e vales e o despejo de dejetos no mar. Tal situação, além de ser responsável pela contaminação ambiental, compromete a ativida de turística. 
Na região carbonífera do sul do estado, que compreende os municípios de Criciúma, Tubarão e Imbituba, a exploração do carvão mineral a céu aberto ou em galerias arrasa paisagens e contamina as águas de superfície e subterrâneas. Além disso, o carvão mineral trazido à superfície, em contato com o oxigênio e a umidade do ar, dá origem ao ácido sulfúrico, substância tóxica e corrosiva que pode provocar chuvas ácidas. 
Somam-se a esses problemas outros impactos causados pelas atividades agropecuárias: a erosão do solo, o assoreamento de rios e a con aminação das águas provocada pelo uso de agrotóxicos, assim como a contaminação de cursos de água pelos excrementos de aves e suínos criados em sistema intensivo no oeste catarinense.

A regionalização do espaço mundial

Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países co...