A região geoeconômica denominada Amazônia está localizada no norte do Brasil. A presença da Floresta Amazônica e da Bacia Amazônica é a sua característica natural mais marcante e influenciou diversos aspectos da ocupação humana no território, como as atividades econômicas, os fluxos de transporte e a distribuição dos núcleos urbanos.
Nessa divisão, a Amazônia é identificada
por semelhanças nos processos de
ocupação, produção e organização do
território. Ela é formada pelos estados de
Roraima, Amapá, Amazonas, Pará, Acre,
Rondônia, boa parte do Mato Grosso,
parte do Tocantins e uma pequena parte
do Maranhão.
Nessa divisão, a Amazônia é identificada
por semelhanças nos processos de
ocupação, produção e organização do
território. Ela é formada pelos estados de
Roraima, Amapá, Amazonas, Pará, Acre,
Rondônia, boa parte do Mato Grosso,
parte do Tocantins e uma pequena parte
do Maranhão.
Por fim, é possível utilizar aspectos
naturais para regionalizar territórios que
não pertencem a apenas um país, como
também é o caso da Floresta Amazônica.
Essa formação vegetal se estende por
diversos países sul-americanos e é, em
seu conjunto, denominada Amazônia internacional. Estão dentro de seus limites uma
porção do território do Brasil – grande parte da Região Norte, do Maranhão e do Mato
Grosso –, da Bolívia, do Peru, do Equador, da Colômbia e da Venezuela, além de Guiana,
Suriname e Guiana Francesa.
O AMBIENTE AMAZÔNICO
Agora, vamos abordar as
características físico-naturais da
Região Amazônica, como clima,
vegetação, solo, relevo e hidro
grafia. O ambiente amazônico se
destaca por seus ecossistemas
regionais e sua localização, que
está entre os planaltos brasileiro
e guianense.
O clima
O clima, a vegetação, a hidrografia e o relevo estão sempre inter-relacionados. Isso
significa que as características da flora dependem do tipo de clima, da hidrografia e do
relevo, assim como as características do clima estão muito relacionadas à presença de rios,
às formas do relevo e a determinada vegetação.
O clima da Região Amazônica é fortemente influenciado pela presença da floresta e
pela latitude em que se encontra no globo. A proximidade da linha do equador faz com
que a região receba muita insolação o ano todo, o que ocasiona altas temperaturas.
A evapotranspiração da floresta e
a presença de muitos rios contribuem
para os altos índices de umidade e a
baixa amplitude térmica.
Nas áreas próximas à linha do
equador, o clima é predominante
mente equatorial, enquanto as áreas
mais a leste e ao sul apresentam o
clima tropical.
A vegetação
As paisagens naturais amazônicas não são uniformes. Além da própria vegetação
da Floresta Amazônica, há também Campos, vegetação litorânea e Cerrado. Analise a
distribuição dessas formações vegetais no mapa a seguir.
Na própria Floresta Amazônica, é possível encontrar florestas de terra firme, de
várzea e de igapó. As florestas de terra firme situam-se em regiões mais altas, que nunca
inundam, e cobrem 90% do território amazônico.
As de várzea ocupam as planícies e
sofrem a influência das cheias e das vazantes dos rios. As de igapó – também chamadas
de mata dos igapós – localizam-se nas planícies de inundação periódica ou permanente
e representam uma rica fonte de alimentos para a fauna aquática.
O solo
Quando se analisam fotografias da Floresta Amazônica, é difícil imaginar que o solo
da região seja considerado pobre em nutrientes. Nesse tipo de floresta, a própria cobertura
vegetal protege e nutre o solo, ou seja, é nela que se originam os nutrientes que a mantêm
exuberante, com o processo de decomposição da matéria orgânica.
Com isso, se a vegetação original da floresta for retirada, teremos um solo pobre em
matéria orgânica e em nutrientes, onde não será possível produzir nenhuma espécie de
gênero agrícola. Outro fenômeno que pode acontecer é a desertificação da região e a
alteração do clima.
O relevo e a hidrografia
A rede hidrográfica da Região Amazônica é composta de muitos rios, os quais
influenciam bastante as características das formações vegetais, do relevo e do clima, além,
é claro, do cotidiano das populações.
Como você analisou na abertura desta unidade, os rios são importantes para o
desenvolvimento econômico da região. Alguns são extensos e volumosos, como os rios
Amazonas e Tocantins, cujas bacias são as mais importantes do Brasil – Bacia do Amazonas
e Bacia Tocantins-Araguaia.
Os cursos dos rios amazônicos percorrem
áreas de planalto, planície e depressão, mas boa parte das bacias abrange terras baixas
e relativamente planas. Essas características favorecem o transporte hidroviário, muito
utilizado na região. Os rios que se localizam em áreas planálticas podem ser explorados
para a geração de energia elétrica, como você estudará mais adiante.
Além de serem as principais vias de circulação tanto de pessoas quanto de mercado
rias – medicamentos, alimentos, combustíveis etc. –, os rios fazem parte da cultura e do
sustento de muitas comunidades indígenas e tradicionais. Foi nas margens deles que a
maior parte das cidades da região se desenvolveu.
A OCUPAÇÃO COLONIAL DA AMAZÔNIA
No início da colonização do continente americano, as nações europeias não deram
muita importância à atual Amazônia, permitindo sua ocupação por companhias religiosas
que tinham o objetivo de catequizar a população nativa. Para isso,
diversas missões foram criadas ao longo dos grandes rios da região.
No século XVII, ocorreram as primeiras tentativas europeias
de ocupação da região por meio da agricultura, com o cultivo de
cacau, cravo, algodão, café e cana-de-açúcar. Essa experiência, no entanto, fracassou por
conta da falta de conhecimentos para o cultivo dessas espécies nas condições climáticas
da Amazônia, além das dificuldades no escoamento da produção.
Durante os séculos XVII e XVIII, Portugal construiu diversos fortes nesse território,
especialmente ao longo dos rios, com o objetivo de combater as tentativas de ocupação
da região por outras nações europeias.
O extrativismo vegetal
A história da ocupação da Amazônia pelos europeus e a do extrativismo nessa região
caminham juntas. A extração das drogas do sertão, como são denominadas algumas
riquezas naturais – guaraná, anil, urucum, copaíba, pau-cravo e castanha-do-pará – orien
tou as invasões portuguesas ao interior do território durante o período colonial.
Basicamente, a extração das drogas do sertão se deu por monopólio dos religiosos,
que exploravam a mão de obra indígena.
Esse processo não ocorreu de forma pacífica –
eram constantes os conflitos entre missionários e indígenas e entre missionários e colonos,
os quais também queriam participar da lucrativa exploração.
No começo do século XIX, iniciou-se a extração comercial do látex para a produção
da borracha, a qual, em pouco tempo, tornou-se um produto essencial para a crescente
indústria automobilística e ganhou importância no mercado internacional.
Dessa forma, as
cidades de Belém (PA) e Manaus (AM) se desenvolveram economicamente e começaram
a se estruturar enquanto metrópoles.
Outra grande riqueza da Floresta Amazônica é a madeira de
lei. Historicamente, a exploração desse recurso ocorreu de forma
descontrolada e ilegal, colocando em risco a reposição natural das
árvores. Nas últimas décadas, surgiram iniciativas de ambientalistas
e governos para tentar reduzir o desmatamento ilegal no Brasil.
Uma das estratégias foi a difusão de técnicas que possibilitam o
manejo florestal sustentável e a geração de empregos para
a população envolvida na atividade. Também foram discutidas a
intensificação da fiscalização e a criação de reservas extrativistas, de regras de derrubada
seletiva e de políticas de reposição planejada de espécies.
No entanto, o desmatamento
ilegal continua sendo um grande
problema na Região Amazônica,
não só para o ambiente, mas
também para as comunidades tra
dicionais e para os indígenas, já que
é comum que madeireiros invadam
as terras dessas populações para
extrair a madeira ilegalmente.
Os projetos de colonização na Amazônia
e a construção de estradas
Um dos planos estimulados pela criação da Sudam
foi a colonização da Região Amazônica, incluindo a construção de estradas e rodovias.
Entre as décadas de 1950 e 1980, o governo federal construiu milhares de quilômetros de
rodovias para integrar o norte do país com as demais regiões. Esse projeto atraiu migrantes
tanto para o trabalho na construção das estradas como para ocupar as áreas do entorno
com atividades agropecuárias ou de mineração.
Por meio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), criado em
1970, o governo federal implementou projetos que buscavam uma ocupação de áreas
com baixa densidade demográfica.
A Rodovia Transamazônica foi uma das responsáveis
pelo povoamento da região.
Durante esse período, a região sofreu intensos impactos ambientais em razão das
obras, cujas atividades causaram desmatamento da floresta e maior exposição do solo – e
sua consequente erosão.
Os projetos de ocupação do território acentuaram esses impac
tos, como o desmatamento para a extração de madeira e de minério e para abertura de
espaços para as atividades agropecuárias. Os conflitos sociais também aumentaram muito,
em razão das disputas por terras entre os colonos e das invasões de Terras Indígenas por
garimpeiros, madeireiros e caçadores ilegais.
A Zona Franca de Manaus
Outro projeto para a ocupação da Região Norte do país foi a criação da Zona Franca
de Manaus (ZFM), em 1967. Esse projeto consistiu em instalar um polo industrial na
cidade, com facilidades e incentivos fiscais como redução na taxação de impostos, bus
cando favorecer o desenvolvimento econômico regional. Essa tentativa se deu após a
decadência da produção da borracha, que resultou na estagnação econômica dos estados
da Região Amazônica.
As isenções fiscais atraíram a instalação de diversas indústrias entre 1972 e 1982. Por
meio de legislações e emendas constitucionais, os incentivos foram prorrogados por mais
50 anos, até 2073. As indústrias mais importantes da ZFM são as montadoras de aparelhos
eletrônicos, como aparelhos de som, televisores, computadores, equipamentos de vídeo
e eletrodomésticos (forno de micro-ondas, refrigeradores, máquinas de lavar etc.), além
de motocicletas e bicicletas.
Há outros centros industriais na região, como o de Belém (PA), com destaque para as
indústrias têxtil, alimentícia, madeireira e de bebidas, que têm sua produção destinada a
atender principalmente aos mercados local e regional. Barcarena (PA) é outro município
com um complexo industrial metalúrgico importante, que transforma a bauxita extraída
na Serra dos Carajás (PA) em alumínio.
A exploração mineral
A exportação de minérios é uma das principais atividades econômicas do Brasil, e
nosso país é um dos maiores exportadores de recursos minerais no mundo, dos quais a
Região Amazônica é rica. No entanto, para que a extração ocorra, é preciso realizar grandes
obras, como a abertura das jazidas
e a construção de vias de circula
ção para escoamento dos recursos
extraídos. Todas essas ações causam
intensos impactos ambientais e são
uma grande preocupação para as
comunidades locais.
A Serra dos Carajás
A Serra dos Carajás, localizada no estado do Pará, é uma área rica em diversos miné
rios, especialmente o ferro de alto teor, a bauxita, o ouro, a cassiterita, o manganês, o
níquel e o cobre. Para explorá-los, foi implantado na região, entre 1979 e 1986, o Projeto
Carajás.
Na época, houve investimentos na construção de infraestrutura de transportes,
como estradas, ferrovias e portos, e de usinas hidrelétricas, como a de Tucuruí, para abas
tecer a região e possibilitar a exploração mineral.
A Estrada de Ferro Carajás, que liga a
Serra dos Carajás ao Porto de Itaqui, em São Luís (MA), desempenha um papel importante
no transporte de cargas e no escoamento do minério, tanto para exportação quanto para
abastecimento do mercado interno.
Empresas multinacionais investem no setor metalúrgico, considerado um dos mais impor
tantes do mundo, para o abastecimento de seus parques industriais.
O Projeto Carajás, com
suas usinas de alumínio e alta extração de manganês (80% da produção de manganês do
Brasil vem da Serra dos Carajás), entre outros minérios já citados, atrai investidores de diversos
países, como o Japão, a China, o Canadá e os Estados Unidos, por exemplo.
Por outro lado, a atividade mineradora nessa região também causou extensos impac
tos na vegetação e no relevo.
O garimpo de ouro
Outra atividade econômica muito presente na Região Amazônica é o garimpo. Ele
pode ser definido como a extração de minérios – a exemplo do ouro e do diamante – com
a utilização de técnicas tradicionais. É importante ressaltar que essa atividade é, muitas
vezes, praticada de forma ilegal.
No século XX, o garimpo
atraiu grandes fluxos migratórios
para a região, pois nessa época
foram descobertas muitas reser
vas de ouro no norte do estado
de Roraima; nos vales dos rios
Tapajós, Tocantins e na Serra
Pelada, no estado do Pará; e no
vale do Rio Madeira, no estado
de Amazonas.
O garimpo causa impactos
ambientais muito preocupantes,
como a aceleração da erosão do
solo e a contaminação de rios e outros corpos-d’água. Durante o processo de garimpo
do ouro, utiliza-se mercúrio, metal tóxico que auxilia na separação das impurezas.
Ele
contamina as águas e a fauna local e pode causar sérios problemas de saúde em seres
humanos que dependem dos rios para sobreviver.
O garimpo em rios pode
utilizar balsas que dragam o leito
e causam impactos ambientais
severos, desequilibrando todo o
ecossistema local.
Além dos problemas am
bientais, a atividade do garimpo
traz consequências sociais. Exis
tem reservas de ouro que estão
localizadas em Terras Indígenas
e de populações tradicionais
que são invadidas por garimpei
ros e geram conflitos e violência
contra as pessoas que vivem ali.
O garimpo em Serra Pelada
Em 1979, na região de Serra Pelada (PA), foi descoberta uma grande jazida de ouro
que provocou a migração de muitas pessoas em busca de riqueza. Em 1982, já havia
cerca de 80 mil garimpeiros explorando a área.
O contexto brasileiro na década de 1980
também contribuiu para esse fluxo migratório em direção às regiões auríferas, já que o
país passava por um longo período de estagnação econômica.
A técnica utilizada para a exploração de Serra Pelada era altamente poluente, com a
utilização de mercúrio, o que degradava as águas subterrâneas e superficiais.
Não havia
cuidados com a estabilidade do solo, o que expôs os garimpeiros a grandes riscos e
causou um acelerado processo erosivo. Em 1990, com o esgotamento do ouro, a atividade
garimpeira cessou quase completamente na região.
Os grandes empreendimentos agropecuários
Grandes fazendas foram instaladas na Região Amazônica a partir da década de 1970,
com investimentos de grandes bancos brasileiros e de multinacionais industriais.
Esse processo concentrou as terras nas mãos de poucas pessoas e provocou diversos problemas
socioambientais, como o desmatamento, para abrir áreas de cultivo e pastagem, invasão
de Terras Indígenas e conflitos entre a população local, posseiros e grileiros.
Nas décadas
seguintes, iniciou-se a implantação da cultura de grãos e de cana-de-açúcar no norte do
Mato Grosso, em Rondônia e no Acre.
Atualmente, a agropecuária destaca-se como importante atividade econômica na
região da Amazônia, especialmente no Mato Grosso, estado que foi o maior produtor
de cereais, leguminosas e oleaginosas do país e que possuía o maior rebanho bovino em
2020.
O crescimento da atividade agropecuária nas últimas décadas se deve ao avanço da
fronteira agrícola e ao investimento em tecnologia.
É possível dividir a agricultura da região em dois tipos:
• familiar, realizada em pequenas propriedades, com produção de alimentos, como
mandioca, feijão e milho;
• agronegócio, realizado em grandes propriedades, com produção que se destina à
indústria e à exportação, como soja e cana-de-açúcar.
A pecuária predominante é a de gado bovino,
praticada em grandes
propriedades e destinada
à produção de carne.
Destaca-se, também, a
criação de búfalos na Ilha
de Marajó (PA). No mapa a
seguir, é possível perceber
a distribuição da produ
ção de bovinos no Brasil.
Analise a concentração e
a intensidade da produção
na Região Amazônica.
A geração de energia elétrica
A partir da década de 1970, o governo federal fez investimentos na geração e no
fornecimento de energia elétrica para atender à demanda crescente na região. A necessi
dade de energia elétrica vinha da ocupação agropecuária, da crescente industrialização de
Manaus (AM) e do suporte dado aos empreendimentos minero-metalúrgicos do ferro e
do alumínio. Todo processo de ocupação, ainda que seja planejado, tem um forte impacto
nos recursos hídricos locais, causando erosão, assoreamento, poluição e contaminação.
OS SETORES DA
ECONOMIA
De acordo com o IBGE,
em 2019 os estados com maior
destaque econômico da Região
Amazônica foram Pará, Mato Grosso
(considerando todo o seu território) e
Amazonas. Juntos, eles corresponderam a
5,8% do Produto Interno Bruto (PIB) –
o conjunto de riquezas produzidas no país.
A atividade industrial tem destaque nos estados do
Amazonas e do Pará, representando cerca de 30% do PIB estadual em 2019. Note também
que, em todos os estados da região, as atividades relacionadas ao setor terciário, ou seja,
comércio e serviços, são as que mais geram riquezas entre os três setores da economia.
A POPULAÇÃO
As atividades econômicas e os projetos de desenvolvimento da Amazônia, que você
acabou de estudar, transformaram a região em um importante destino migratório no país.
Um dos fluxos era composto de agricultores, particularmente do Rio Grande do Sul,
que buscavam no norte do país uma nova oportunidade para se estabelecerem como
pequenos ou médios agricultores. O trânsito de nordestinos na Região Amazônica, em
especial para os canteiros de obra e para o garimpo, foi bastante intenso.
De maneira geral, o processo de integração do espaço amazônico ocorreu de forma
conflituosa entre as populações migrantes, as comunidades tradicionais (ribeirinhos, serin
gueiros e quilombolas), os povos indígenas, os garimpeiros, os posseiros e os pequenos
agricultores.
Em 2020, a Amazônia abrigava 13% da população do Brasil, distribuída entre os oito
estados da região.
Enquanto a média de densidade demográfica no país é de aproxima
damente 24,5 hab./km², na Amazônia, ela é de apenas 4,3 hab./km². Nenhum estado da
região tem densidade parecida com a brasileira – em Roraima, no Amazonas e no Mato
Grosso, ela é inferior a 4 hab./km². A região apresenta alta taxa de natalidade e esperança
de vida inferior à média brasileira.
As cidades e as regiões metropolitanas
As cidades da Amazônia se caracterizam por receber grande quantidade de migrantes, em
razão da precarização da vida no campo da região. Tal precarização é provocada pela ineficácia
dos projetos de colonização rural e a alta concentração de terras nas mãos de poucas pessoas.
Outro aspecto marcante das cidades da região é a sua localização às margens de rios,
como é o caso das regiões metropolitanas das suas duas maiores
capitais, Manaus (AM) e Belém (PA).
Há, ainda, centros urbanos for
mados ao longo das principais rodovias – como a Transamazônica,
a Cuiabá-Porto Velho e a Belém-Brasília – que ligam a região ao
Centro-Sul do Brasil. No mapa a seguir, é possível observar as regiões
metropolitanas do país, incluindo as da Região Amazônica.
A Região Geoeconômica Amazônica conta com oito regiões metropolitanas inteira
mente em seu território: Belém (PA), Santarém (PA), Porto Velho (RO), Macapá (AP), Região
Metropolitana do sul do estado de Roraima (RR), Região Metropolitana Central de Roraima
(RR) e Região Metropolitana de Boa Vista (RR).
As regiões metropolitanas do sudoeste maranhense, de Palmas e Gurupi, possuem
apenas uma parte de seu território na Região Amazônica.
Belém (PA) e Manaus (AM) são as grandes cidades da região, pois cresceram bastante
no século XIX, no período de grande produção de borracha. Nelas, é possível notar um intenso comércio, a disponibilidade de serviços e a presença de
polos industriais, que influenciam diversas cidades da região.
Como qualquer metrópole brasileira, Belém (PA) e Manaus (AM)
apresentam inúmeros problemas socioambientais, entre os quais se
destacam o déficit de habitação, de saneamento básico, das redes educacional e hospi
talar, além de questões ambientais como a destinação inadequada de resíduos sólidos, o
que causa a poluição dos corpos-d’água.
A cidade de Belém (PA) está localizada na Baía Guajará, que conecta a cidade ao Rio
Tocantins. Além disso, ao sul da cidade temos a presença dos rios Guamá e Acará.
Além
dos cursos-d’água, utilizados como vias de transporte de pessoas e mercadorias, a cidade
conta com a Rodovia Belém-Brasil, que conecta a cidade à capital federal. É possível notar a integração física entre as
cidades de Belém (PA) e Ananindeua (PA).
Marituba (PA) também caminha para a
integração, com vários pontos de contato
com Ananindeua (PA). Os municípios de
Santa Bárbara do Pará (PA), Santa Isabel
do Pará (PA) e Castanhal (PA) estão ligados
à Belém (PA) por meio de rodovias.
OS IMPACTOS AMBIENTAIS
O ambiente amazônico é resultado de um
importante equilíbrio entre clima, vegetação, hidrografia e relevo da região. No entanto,
esse equilíbrio é ameaçado pelo desmatamento, pela erosão e pela poluição dos rios e do
solo, provocados pelo desenvolvimento de diversas atividades econômicas.
As Unidades de Conservação
Uma forma de garantir a conservação de áreas naturais – não só na Região Amazônica,
mas em todo o território nacional – foi a criação do Sistema Nacional de Unidades de
Conservação (SNUC).
As Unidades de Conservação podem ser: parques; reservas ecológicas, biológicas,
florestais e extrativistas; estações ecológicas; e florestas.
Elas são divididas em dois
grandes grupos: Unidades de
Proteção Integral, onde não deve
haver coleta, consumo, dano ou
destruição dos recursos naturais; e
Unidades de Uso Sustentável,
onde se busca conciliar a con
servação da natureza com o uso
sustentável dos recursos naturais.
Exemplos de Unidades de
Conservação
Os parques nacionais são um
tipo de Unidade de Conservação
Integral e têm como objetivo a pre
servação de ecossistemas naturais
de grande relevância ecológica e
beleza cênica, possibilitando a rea
lização de pesquisas científicas e o
desenvolvimento de atividades de
educação e interpretação ambien
tal, de recreação em contato com
a natureza e de turismo ecológico.
Já as reservas extrativistas
pertencem ao segundo grupo das
Unidades de Conservação de Uso
Sustentável. São áreas utilizadas
por populações extrativistas tradicionais, cujo sustento depende do
extrativismo, da agricultura de sub
sistência e da criação de animais de
pequeno porte. Esses espaços têm
como objetivo proteger os meios
de vida e a cultura dessas popula
ções e assegurar o uso sustentável
dos recursos naturais da unidade.
O desmatamento e a mineração
Com o avanço da pecuária,
da extração de madeira e da
mineração, a Região Amazônica
tem sofrido intensos impactos
ambientais.
A intensidade de
área desmatada e queimada
é maior justamente onde há
grande concentração de rebanhos bovinos.
É possível notar que as áreas
desmatadas e os focos de calor
estão concentrados no sul e no
leste da região, já que é nesses
locais que há maior presença de
empreendimentos agropecuá
rios e de extração mineral.
A mineração em Terras Indígenas
Além das atividades pecuárias, a mineração é outro fator que contribui para o desmata
mento da floresta. Comunidades indígenas da região são constantemente ameaçadas, uma
vez que grande parte das reservas minerais está em terras demarcadas. Além delas, as atividades de extrativismo mineral têm avançado para as Unidades de Conservação – em 2020,
a mineração foi responsável por desmatar 97,61 km² dessas unidades na Amazônia Legal.
AS ATIVIDADES MINERADORAS NA AMAZÔNIA
A Região Amazônica concentra em seu território grande quantidade de minérios, como
ouro, ferro, nióbio, bauxita, manganês, entre outros. Conforme você estudou, a extração
de ouro na Serra Pelada (PA), na década de 1980, foi um episódio de grande destaque.
Atualmente, empresas mineradoras nacionais e estrangeiras têm buscado outros locais
na região para realizar a extração e a exportação de minérios.
O garimpo também tem apresentado elevado crescimento nas últimas décadas e
ocupou, em 2021, 52% da área ocupada pela mineração no território nacional. No mapa a
seguir, podemos perceber as áreas em que são realizadas atividades de garimpo no Brasil.
O garimpo se concentra, majoritariamente, na Região Amazônica. A alta exploração na
região tem trazido muitos problemas ambientais e para a população local, principalmente
as comunidades indígenas.
Muitas reservas minerais estão localizadas em terras demarca
das, ou seja, não podem ser exploradas por empresas e pessoas que não façam parte da
comunidade indígena que ocupa a área.
Atualmente, há constantes conflitos entre indígenas, garimpeiros e grandes indústrias
mineradoras.
O garimpo em Terras Indígenas cresceu 495% entre 2010 e 2020. Além delas, as
Unidades de Conservação são alvos da atividade mineradora. De 2010 a 2020, o garimpo
nessas áreas cresceu 301%.