Características da população mundial
O estudo da população é realizado por pesquisadores de uma área chamada demografia. O objetivo dessa área é revelar as características populacionais de um espaço geográfico.
Todos os Estados nacionais têm instituições que sistematizam informações sobre a população, com o objetivo de formular políticas públicas, por meio de censos demográficos.
Os censos são levantamentos estatísticos realizados em grande escala que, no Brasil, são realizados pelo IBGE, a cada dez anos, em média.
Organizações internacionais, como a ONU e o Banco Mundial, coletam dados fornecidos por pesquisas demográficas de diferentes países e compõem análises globais, que têm por objetivo conhecer e comparar as diferentes regiões do mundo.
Assim, podemos dizer que para governar é essencial ter dados confiáveis e atualizados sobre a população que vive no território a ser governado.
A primeira informação a ser levantada em estudos demográficos é a quantidade total de pessoas vivendo em uma área geográfica, isto é, sua população absoluta.
Os países populosos são aqueles com elevada população absoluta. O Brasil é, atualmente, o Os países populosos são aqueles com elevada população absoluta. O Brasil é, atualmente, o sexto país mais populoso do mundo.
Crescimento da população mundial
Além do conhecimento sobre a população absoluta, é importante, para
os governantes, por exemplo, saber o quanto a população de seu território cresce ao longo do tempo.
Chamamos crescimento natural ou vegetativo de uma população a
diferença entre a taxa de natalidade e a de mortalidade, isto é, o saldo
entre a quantidade de nascimentos e óbitos, em um território, durante
certo período.
Quando a taxa de natalidade é superior à taxa de mortalidade, consideramos que o crescimento vegetativo é positivo, isto é, que a quantidade
de pessoas daquele local aumentou naquele período. Esse crescimento
pode ser rápido, se houver uma quantidade de nascimentos muito superior à de mortes, ou pode ser lento, se a taxa de natalidade for apenas um
pouco mais elevada que a de mortalidade.
Para conhecer o crescimento absoluto de uma população, consideramos, além de seu crescimento vegetativo, o saldo migratório: a diferença entre o número de pessoas que saem do país (emigrantes) e a quantidade
de pessoas estrangeiras que nele passam a viver (imigrantes).
Dinâmicas no crescimento da
população mundial
O crescimento populacional ao longo da história da humanidade foi relativamente lento. Fatores como doenças, epidemias, condições precárias de higiene e
saneamento, escassez de alimentos, por exemplo, reduziam a expectativa de vida
da população, contribuindo para que as taxas de crescimento vegetativo (diferença entre taxa de natalidade e taxa de mortalidade) fossem baixas.
Os avanços conquistados nas áreas de saúde e saneamento básico, a des
coberta e fabricação de medicamentos e vacinas e o aumento da capacidade
de produção de alimentos resultaram na redução das taxas de mortalidade,
particularmente da taxa de mortalidade infantil.
Como consequência, houve
aceleração das taxas de crescimento vegetativo e aumento da expectativa de
vida. Entretanto, até meados do século XX, esses fenômenos se mantiveram,
de certa forma, restritos aos países que primeiro se industrializaram, nos quais
o processo de urbanização se desenvolveu mais intensamente, como os países
europeus, os Estados Unidos e o Japão.
A partir de meados do século XX, as conquistas obtidas nos setores de saú
de e saneamento básico foram, em parte, estendidas às populações dos países
industrializados tardiamente e, em menor intensidade, às dos países periféricos.
Esses avanços possibilitaram, consequentemente, redução das taxas de mortali
dade e maior crescimento populacional nesses grupos de países, situados, principalmente, na América Latina, na Ásia e na África.
Enquanto essas porções continentais registravam aumento do crescimento
vegetativo, os países centrais, em geral – particularmente os da Europa –, passa
ram a apresentar um processo de crescimento demográfico lento. Com a intensifi
cação do processo de urbanização, no século XX, houve redução das taxas de natalidade nos países desenvolvidos. É importante destacar
que, nos espaços urbanos, o custo de criação dos filhos é maior e há mais acesso aos métodos contracep
tivos artificiais. Além disso, no decorrer do século XX,
as conquistas femininas, que garantiram às mulheres
maior participação no mercado de trabalho e nas deci
sões no âmbito familiar, contribuíram para a redução
das taxas de fecundidade.
Com a aceleração do processo de urbanização em
diversos países de industrialização tardia, entre eles o
Brasil, as taxas de natalidade também declinaram, pro
vocando sensível queda nas taxas de crescimento ve
getativo. Na África, que, de modo geral, apresenta uma
percentagem relativamente baixa de população urbana
em relação à população rural, o número médio de filhos
por mulher está próximo de cinco, enquanto na América
Latina e no Caribe, onde houve urbanização intensa, a
taxa média é praticamente a metade da africana, considerando o período 2010-2015.
A ONU estima que as tendências de crescimento populacional apresentadas nas últimas décadas
vão se manter no decorrer do século XXI, ou seja, em
média, haverá redução no ritmo de crescimento da
população no mundo. Entretanto, o relatório World
Population Prospects, The 2017 Revision, da ONU,
aponta que, na Europa, as taxas de fecundidade re
verterão a tendência de queda e passarão a crescer.
Essas dinâmicas de crescimento vegetativo reper
cutem na distribuição da população por faixas etárias:
países com crescimento acelerado apresentam grande
número de população jovem, ao contrário de países com
crescimento lento, cujo número de jovens no conjunto
da população é menor. Outro fator que influencia a distribuição da população por faixas etárias é a expectativa de vida. Países nos quais a população desfruta de
melhores condições de vida apresentam expectativa de
vida mais alta e uma proporção de idosos maior em relação ao total de sua população.
Transição demográfica
No passado, as famílias costumavam ser numerosas, com muitos filhos.
Na mesma época, porém, as pessoas não viviam muito tempo, isto é, a
expectativa de vida era baixa, por diversas razões.
Com esse cenário, a taxa de natalidade era alta e a de mortalidade
também, e o ritmo do crescimento vegetativo era lento no mundo todo.
Graças ao desenvolvimento da área da saúde, as condições de vida melhoraram em diversas partes do mundo, sobretudo na Europa, já a partir do século XVIII. Esse fato aumentou a longevidade,
mas a taxa de natalidade permaneceu alta, o que causou um crescimento populacional. Podemos dizer que essa foi a primeira transição
demográfica.
Vale lembrar que esse processo não ocorreu simultaneamente em
todos os países. As boas condições de vida que permitiram o declínio
da mortalidade, por exemplo, tiveram início nos países de industrialização antiga.
O mesmo ocorre atualmente, com a redução da taxa de
natalidade, ocasionada pela popularização dos métodos contraceptivos e pela conquista feminina de espaço na sociedade.
Distribuição da população mundial
A população mundial não está distribuída igualmente pelos territórios por diversos motivos,
como aspectos físico-naturais dos lugares e concentração de atividades produtivas.
O ritmo de crescimento da população mundial tem diminuído ao longo das
últimas décadas. A justificativa para essa queda é a redução gradual da taxa de
natalidade em vários países. Esse cenário, contudo, não é uniforme entre as populações de diferentes nações, principalmente em razão dos contrastes socioeconômicos entre elas.
Atualmente, as taxas de natalidade são baixas, sobretudo nos países desenvolvidos
e em alguns países emergentes, como o Brasil. Isso se deve, entre outros fatores, à
ampliação dos gastos familiares com moradia, educação, saúde, lazer, vestuário e
transporte, além do uso de métodos contraceptivos, da maior participação da mulher no mercado de trabalho e de um melhor planejamento familiar.
Elevadas taxas de natalidade ainda são verificadas principalmente em países em
desenvolvimento mais pobres. Nessas nações, as elevadas taxas de fecundidade
refletem a falta de planejamento familiar e o baixo uso de métodos contraceptivos,
além de questões culturais específicas.
Conhecer as taxas de natalidade, fecundidade e mortalidade nos ajuda a entender as diferenças relacionadas à estrutura etária da população em diferentes países.
População relativa
A razão entre o número de pessoas e a extensão do território que ocupam é denominada população relativa ou densidade demográfica, que é dada em habitantes/km2. Localidades com uma
população relativa elevada são chamadas de povoadas.
Urbanização
As primeiras cidades do mundo surgiram no Oriente Médio há cerca de 7 mil anos, mas foi apenas ao longo do século XX que a população urbana mundial se tornou maior que a po pulação rural.
Embora ainda haja contrastes
com relação ao nível de urbani
zação entre diferentes países e
regiões do planeta, a população
mundial tem, desde então, tornado-se cada vez mais urbana.
A transição demográfica na Europa se deu com a Revolução Industrial e foi caracterizada pelo êxodo rural. Aos poucos, as pessoas passaram a se concentrar em espaços urbanos nos
demais países.
Características etárias da população mundial
Você já percebeu que conhecer as características da população é
muito importante para o planejamento e a execução de políticas públicas.
Saber como é a distribuição nos diferentes grupos de idade também é
fundamental para garantir o atendimento da população, de acordo com fundamental para garantir o atendimento da população, de acordo com
suas necessidades, as quais mudam conforme envelhecemos.
Conhecer a distribuição da população por faixa etária ajuda os governantes
a realizar um planejamento socioeconômico mais preciso. Além disso, esses da
dos podem servir de base para alguns setores empresariais elaborarem planos
de investimentos.
Para visualizar a estrutura etária de uma população, podemos utilizar a repre sentação gráfica denominada pirâmide etária ou pirâmide de idades. Nela é possível observar as características da população por idade (estrutura etária) e sexo (feminino e masculino).
Pirâmide etária
Pirâmides etárias são representações gráficas que mostram a população absoluta organizada por idade e sexo.
Diferentes formatos de pirâmides etárias
O formato de uma pirâmide etária permite reconhecer países de populações
jovens, em processo de envelhecimento ou já envelhecidas. Essas situações envol
vem benefícios e desafios próprios que vamos conhecer a seguir.
• Países de população jovem: a pirâmide etária de um país com população
predominantemente jovem apresenta formato semelhante ao de um triângulo.
A base larga caracteriza a maior proporção de crianças e jovens na composi
ção da população. O topo estreito caracteriza a menor proporção de idosos
na composição da população.
Países com populações jovens refletem as elevadas taxas de fecundidade e natalidade, associadas a altas taxas de mortalidade e reduzida expectativa de vida.
Essas características demográficas são típicas de países em desenvolvimento mais
pobres, que não oferecem boa qualidade de vida à maior parte de sua população.
O elevado número de jovens e adultos pode ser um aspecto positivo, pois o país
conta com significativa parcela da população em idade produtiva, formando mão de
obra necessária às atividades econômicas. No entanto, para atender a essa massa, é
necessário ofertar empregos. Caso contrário, o que ocorre são elevadas taxas de
desemprego que compelem os jovens a migrar para outros países e regiões do mundo.
• Países com população em processo de envelhecimento: a redução das ta
xas de natalidade e o aumento da expectativa de vida ao longo do tempo le
vam ao envelhecimento da população, transformando o formato de pirâmide
demográfica de um país. Durante essa transição, o país passa a apresentar
uma população em processo de envelhecimento.
Perceba que, no caso de países nessa condição, o ápice da pirâmide etária vai
se alargando em razão do maior número de idosos no conjunto da população.
Esse formato é típico de alguns países emergentes, como Brasil e México.
O aumento gradual do número de idosos no total da população leva à neces
sidade da ampliação de investimentos na área da saúde pública e também no
sistema de previdência social, de modo a oferecer uma boa qualidade de vida a
essas pessoas.
A transformação da população também está acontecendo, embora em ritmo
mais lento, em países em desenvolvimento mais pobres. Avanços na condição
socioeconômica desses países, políticas públicas voltadas ao planejamento familiar, adoção de métodos contraceptivos e programas de controle de natalidade
são os principais fatores que têm contribuído para mudanças na estrutura etária
de suas populações.
• Países de população envelhecida: em um país de população envelhecida, a
pirâmide etária apresenta a base mais estreita do que o topo, refletindo maior
proporção de adultos e idosos na composição da população.
Populações envelhecidas são características da maioria das nações desenvolvi
das, com destaque para os países da Europa e o Japão. Esses países, em geral,
apresentam condição socioeconômica elevada, baixas taxas de natalidade e alta
expectativa de vida.
O envelhecimento da população também leva à diminuição da proporção de in
divíduos na PEA, em função da saída de pessoas do mercado de trabalho por causa
da idade avançada, que ingressam para o sistema público de previdência social.
Nesse cenário, os gastos com os idosos às vezes se tornam tão elevados, que
alguns países são obrigados a alterar sua legislação trabalhista, aumentando a idade
mínima para a concessão das aposentadorias.
Para contornar esse desafio, alguns países incentivam a entrada de imigrantes
em seus territórios e estimulam os casais a ter mais filhos, concedendo benefícios
como extensão da licença-maternidade, construção de creches públicas e auxílio
financeiro para as despesas com os filhos.
Envelhecimento da população
Os países de industrialização antiga foram também os primeiros a se desenvolver economicamente. Podemos dizer
que duas dinâmicas demográficas foram alteradas nesses países, em razão dessas mudanças socioculturais: a queda das taxas de natalidade e o
aumento da expectativa de vida.
Importantes consequências dessa nova dinâmica demográfica foram:
• a redução no ritmo do crescimento vegetativo;
• o aumento do número de idosos.
O fenômeno denominado envelhecimento da população está estabelecido em países europeus e em alguns países asiáticos, como o Japão, e
tem se expandido para outras regiões.
Embora seja fruto de mudanças positivas para o conjunto da sociedade, esse fenômeno tem preocupado governos, que precisam reformular seu sistema de previdência social para garantir os benefícios das
pessoas que já não trabalham, isto é, aposentadas. Além de reformas no
sistema previdenciário, alguns países têm adotado políticas de incentivo
à natalidade ou mesmo de atração de imigrantes, tendo em vista elevar a
população economicamente ativa (PEA).
Distribuição atual da população mundial
Em 2021, cerca de 7,8 bilhões de
pessoas encontravam-se distribuí
das de maneira desigual por quase
todas as regiões da Terra.
O continente asiático apresenta a maior população do mundo, com quase 4,6
bilhões de habitantes, de acordo com dados de 2021. Apenas dois países, a China
e a Índia, respondem por grande parte desse total – a China tem aproximada
mente 1,4 bilhão de habitantes, enquanto a Índia tem cerca de 1,3 bilhão.
No entanto, a Índia deve ultrapassar a China e se tornar o país mais populoso
do mundo nas próximas décadas. Isso ocorre porque a população total de um
país ou região varia ao longo do tempo em decorrência da flutuação das taxas de
natalidade e mortalidade e também por movimentos migratórios.
Além da população absoluta, um dado importante quando se necessita conhe
cer aspectos demográficos de um território é a densidade demográfica, isto é, a
relação entre uma população e a superfície do território que ela ocupa. Dessa
forma, podemos compreender como a população de um país ou região se encon
tra distribuída por esse território.
Para calcular a densidade demográfica de um país ou região, basta dividir o
número total de habitantes pela área de seu território. O valor expressa o número
médio de habitantes por quilômetro quadrado (hab./ km 2 ).
A diferença entre populoso e densamente povoado
Um país que apresenta população numerosa é um país populoso. Se essa popula
ção estiver distribuída por um território muito extenso, no entanto, ele terá densidade
demográfica média ou baixa. Nesse caso, não é um país densamente povoado.
Por outro lado, se a população numerosa estiver concentrada em território pouco
extenso, a densidade demográfica será alta. Nesse caso, o país pode ser considerado
densamente povoado.
Distribuição desigual das populações
Ao longo do tempo, avanços tecnológicos tornaram possível a adaptação dos
seres humanos aos mais diferentes ambientes do planeta. No entanto, fatores
naturais ainda exercem grande influência na distribuição da população humana
pela superfície terrestre.
De modo geral, alguns fatores envolvidos na densidade populacional de dife
rentes regiões incluem a disponibilidade de recursos hídricos, o relevo, a altitude,
as condições da vegetação e dos solos, além das condições climáticas.
Áreas que oferecem recursos hídricos e favorecem a prática da agricultura, como
as planícies às margens de rios, tendem a ser mais povoadas. A elevada concentra
ção populacional verificada ao longo das planícies do Rio Nilo, na África, e do Rio
Ganges, na Índia, são exemplos de
aglomerações populacionais com origens bastante antigas.
Por outro lado, regiões localizadas
em altitudes muito elevadas, com densa vegetação, áreas com médias de
temperatura muito baixas ou regiões
sem recursos hídricos tendem a ser
menos povoadas.
As atuais dinâmicas migratórias
da população
Todos os anos, milhares de pessoas migram de um lugar para outro pelas mais
diversas razões, tendo em comum a busca por uma vida melhor. Em 2020, de
acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 281 milhões de
pessoas em todo o mundo viviam fora do país onde nasceram.
Chamamos de emigrantes as pessoas que deixam seu país de origem para ir
viver em outro. Denominamos imigrantes aqueles que passam a viver em um
país que não é o de sua origem.
De modo geral, podemos classificar as migrações entre migrações voluntárias, isto é, deslocamentos espontâneos por iniciativa da pessoa que busca opor
tunidades de trabalho e renda; e migrações forçadas, motivadas por guerras,
desastres naturais e outros fatores. Quando o motivo de deslocamento é compro
vadamente a ocorrência de guerras, conflitos e perseguições étnicas, políticas e
religiosas, o migrante pode ficar em um país na condição de refugiado.
As migrações também podem ser classificadas entre:
• migrações temporárias, em que a pessoa reside apenas por algum tempo,
como meses ou anos, no lugar para o qual se mudou;
• migrações permanentes, em que o indivíduo se estabelece definitivamente
no lugar para o qual se deslocou.
Os principais fluxos migratórios na atualidade
Tanto as migrações internas, verificadas dentro de um mesmo país, como as
migrações internacionais, realizadas entre diferentes países, ocorrem entre áreas de repulsão (de onde as pessoas tendem a sair) em direção a áreas de atração
(para onde muitas pessoas tendem a migrar).
De modo geral, a maioria das pessoas que migra voluntariamente em busca de
melhores condições de vida se desloca em direção a países com maior nível de
desenvolvimento socioeconômico do que seu país de origem.
As pessoas que migram voluntariamente, em geral, seguem em direção a nações
desenvolvidas ou emergentes, com elevado nível de desenvolvimento socioeconômico se comparado ao país de origem e melhores oportunidades de trabalho e renda.
Áreas de repulsão também ocorrem em regiões que vivenciam guerras e conflitos étnicos ou religiosos; que são afetadas por problemas ambientais, como
escassez de recursos hídricos e desertificação do solo; ou atingidas por fenôme
nos naturais, como erupções vulcânicas, terremotos, inundações e secas prolongadas. Nesses casos, como se trata de migrações forçadas, muitas vezes a única
opção desses deslocados é se dirigir aos países vizinhos.
Uma vez no país de destino, os imigrantes, em geral, oferecem mão de obra
pouco especializada e acabam empregados em atividades mal remuneradas, que
exigem pouca qualificação. Desse modo, atendem a uma parcela importante das
necessidades de mão de obra em diversos países.
Migrações na América Latina
Vários países latino-americanos registram baixos índices de desenvolvimento so
cioeconômico e se caracterizam como áreas de repulsão na dinâmica migratória
mundial. Os principais países da região nessa condição, atualmente, são El Salvador,
Guatemala, Honduras, Haiti e Venezuela.
O principal destino almejado por esses migrantes, em geral, são os Estados
Unidos. Países emergentes como Brasil e México também têm atraído fluxos mi
gratórios intensos de alguns países, com destaque para Haiti e Venezuela.
No caso do Haiti, trata-se de um dos países menos desenvolvidos do mundo,
onde grande parte da população vive em condição de pobreza. No entanto, causas naturais também estiveram envolvidas no aumento da emigração a partir de
2010, quando um terremoto de elevada intensidade provocou enorme destruição.
Em 2014 e 2021, outros episódios de abalos sísmicos de enormes proporções fo
ram registrados nesse país, agravando a situação já difícil de seus habitantes.
Já no caso venezuelano, vive-se uma crise política e econômica desde o início
da década de 2010. Devido a fatores como desemprego, inflação e diversas
ameaças à segurança do país, até 2020 cerca de 4,8 milhões de pessoas já ha
viam abandonado a Venezuela de acordo com o Alto Comissariado das Nações
Unidas para Refugiados (Acnur). Os principais destinos de imigrantes venezue
lanos são os países vizinhos, como Colômbia, Peru, Equador e Brasil.
O Brasil e as migrações internacionais
Em 2021, o Brasil abrigava cerca de 1,3 milhão de imigrantes residentes; ao
longo da década de 2010, os maiores fluxos foram provenientes da Venezuela,
do Haiti e da Bolívia. Em 2020, também residiam no país cerca de 26,5 mil pes
soas na condição de refugiados.
De modo geral, as grandes cidades brasileiras se
destacam pela maior presença de imigrantes, pois
oferecem mais oportunidades de trabalho. São Paulo,
por exemplo, abriga comunidades de diversas nacionalidades, principalmente bolivianos (cerca de 100
mil). Esses imigrantes possuem direitos e deveres
iguais aos dos cidadãos brasileiros e contribuem
para a nossa sociedade por meio de seu trabalho e
também de suas variadas expressões culturais.
Comunidades formadas por diferentes povos são
expressivas em muitos estados e municípios de nosso país, onde suas influências culturais podem ser
notadas na paisagem.
A relação do Brasil com as migrações internacionais também pode ser percebida ao analisarmos a herança étnica e cultural dos imigrantes que ao longo do
tempo ajudaram a formar o povo brasileiro e sua identidade cultural.
No decorrer de sua história, o Brasil foi o destino de muitos movimentos migratórios. Durante o período colonial, europeus colonizadores (portugueses) e
africanos (ainda que forçadamente) representaram os principais fluxos. Já nos
séculos XIX e XX, houve intenso movimento migratório proveniente de países
como Alemanha, Itália, Japão, Espanha e Líbano.
Muitos brasileiros são descendentes de imigrantes, e as características desses
diferentes povos podem ser verificadas em expressões culturais, hábitos e costumes do povo brasileiro. Em diversos municípios, por exemplo, heranças culturais desses povos estão presentes em estilos arquitetônicos, pratos culinários
e festas típicas.