A Região Sul, a menor das cinco regiões brasileiras, é composta por três estados e corresponde a 7% de todo o território nacional, com extensão de aproxi
madamente 577 mil km2.
O clima subtropical, predominante na região, tem chuvas bem distribuídas ao
longo do ano e temperaturas mais baixas em comparação a outras partes do país,
sobretudo no inverno. Sua vegetação é mais adaptada às baixas temperaturas,
como os Campos e a Mata de Araucárias.
A região também tem áreas preservadas cobertas por vegetação de Mata Atlân
tica em locais de transição climática, onde as temperaturas são um pouco mais
elevadas
A Região Sul conta com grande diversidade paisagística. A seguir, conheceremos as características de seu quadro natural.
Relevo e vegetação
A grande diversidade de vegetação da região Sul é consequência,
sobretudo, das diferenças nas temperaturas médias anuais. Ao longo do
tempo, no entanto, a agricultura, a
pecuária e a extração de madeira,
principalmente para fabricação de
móveis, provocaram grande desmatamento, reduzindo drasticamente a
cobertura vegetal da região.
As terras altas (de maiores altitudes) da Região Sul são encontradas nas porções norte e nordeste do Rio Grande do Sul e se prolongam para os estados de Santa Catarina e Paraná. Formam diversas serras, entre elas a Serra do Mar e a Serra Geral, onde as massas de ar úmidas, vindas do oceano, provocam chuvas orográficas ao encontrar suas encostas.
Nessas serras e em outras da região, há remanescentes da Mata Atlântica e da Mata dos Pinhais.
A Mata dos Pinhais, como também é conhecida, aparece em maior concentração nas regiões serranas do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná, onde as temperaturas são mais baixas.
É na Serra Geral, no estado de Santa Catarina, que se localiza São Joaquim, a 1354 metros de altitude. Esse município é um dos mais frios do país. Por causa de sua altitude elevada e por estar sujeito às incursões da massa Polar atlântica, fria, já registrou temperatura de –10 °C e queda de neve no inverno.
A Mata de Araucária era a vegetação predominante da região Sul, embora ocorram algumas árvores características dessa vegetação em regiões
serranas do Sudeste e no sul do estado de São Paulo. É formada por diversas
espécies vegetais, com destaque para as variedades de araucárias, entre elas
o pinheiro-do-paraná. Outra espécie vegetal característica dessa mata é a erva-mate, cujas folhas são utilizadas para preparar uma bebida digestiva.
A Mata de Araucárias, formada por pinheiros adaptados às temperaturas mais
baixas, cobria originalmente grande parte dessa região. No entanto, tal vegetação
sofreu forte devastação em decorrência da expansão das atividades econômicas,
principalmente dos cultivos agrícolas e do crescimento das áreas urbanas. Já os
Campos, também adaptados às baixas temperaturas, são bastante aproveitados
para áreas de pastagens e predominam no sul do Rio Grande do Sul.
Próximo ao litoral dos estados de
Santa Catarina e Paraná, recobrindo a serra do Mar e estendendo-se até a
planície Costeira, desenvolveu-se originalmente a Mata Atlântica, que hoje
aparece apenas em pequenas manchas. A Mata Atlântica também se desenvolveu na porção oeste da região,
mas apresentando características particulares relacionadas às variações de
temperatura e umidade.
No litoral desenvolvem-se Mangues e Restingas, também fortemente ameaçados pela ocupação e as
atividades humanas.
As terras baixas são encontradas ao longo do litoral, onde formam
planícies litorâneas ou costeiras. Nelas estão situadas importantes
cidades turísticas, como Balneário Camboriú, em Santa Catarina.
Na porção centro-sul do Rio Grande do Sul, as terras baixas acompanham os vales dos rios Ibicuí, Santa Maria, Jacuí, Sinos e do Lago Guaíba,
onde formam planícies fluviais.
A cidade de Porto Alegre está situada na
margem esquerda do Lago Guaíba, próximo à foz do Rio Jacuí.
É nessas terras de baixas altitudes do Rio Grande do Sul que se
encontram os Campos, vegetação com predominância de gramíneas,
dominando o sul e o sudeste do estado.
Essa formação varia conforme
as características de solo e clima.
A área campestre mais típica é a do sudoeste do Rio Grande do Sul,
conhecida como Campanha Gaúcha ou Pampa, que se prolonga para o
território do Uruguai e da Argentina. Seu relevo é geralmente plano, entre
cortado por pequenos e baixos morros (cerros).
A vegetação que se encontra mais
preservada na região Sul são os Campos, com predomínio de diversos tipos
de gramíneas, que se desenvolvem na
porção meridional do Rio Grande do
Sul. A vegetação dos Campos é menos exuberante do que a das matas, por
exemplo, mas não menos importante, pois abriga grande biodiversidade. Historicamente utilizadas como pastagens, hoje essas áreas estão ameaçadas pelos
cultivos de soja e arroz e pela introdução de espécies exóticas de gramíneas.
No século XVII, iniciou-se nos Campos a criação de bovinos e equinos
e, posteriormente, a de ovinos, aproveitando as condições naturais
favoráveis da região.
As unidades de relevo
a as unidades do relevo da
Região Sul:
• os planaltos da porção leste, que fazem
parte dos Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste, representados pela
Serra Geral e pela Serra do Mar;
• em direção a oeste, o relevo perde altitude, dando lugar à Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do
Paraná;
• ultrapassada a depressão, surgem outras
grandes áreas de planalto até o vale
do Rio Paraná e em direção sul – são
os Planaltos e Chapadas da Bacia do
Paraná.
As lagoas costeiras
As seguintes unidades do relevo da
Região Sul não foram citadas no
texto: Planalto Sul-Rio-Grandense,
a Depressão Periférica Sul-Rio-Grandense e a Planície das
Lagoas dos Patos e Mirim.
Nas bordas litorâneas do Rio Grande do Sul surgem três grandes lagoas costeiras parcialmente separadas do mar por extensos
cordões litorâneos – as restingas.
A Lagoa dos Patos, com cerca
de 10000 km2, alimentada pelas águas do Lago Guaíba e dos rios Jacuí
e Caí; e a Lagoa Mirim, com aproximadamente 4000 km², onde desá
gua o Rio Jaguarão, são ligadas pelo Canal de São Gonçalo. A Lagoa
Mangueira, de área menor, encontra-se entre a Lagoa Mirim e o Oceano
Atlântico.
Clima
A região Sul é a que apresenta as temperaturas médias mais baixas do Brasil, sobretudo nos meses de inverno.
O Trópico de Capricórnio atravessa a porção norte do estado do Paraná. Assim, a maior parte da
Região Sul está localizada na zona temperada; isso significa que, por causa da
esfericidade da Terra, os raios solares incidem menos inclinados em relação à su
perfície da Terra que na zona tropical.
Na pequena porção da região Sul que se encontra ao norte do trópico de Capricórnio predomina o clima
tropical de altitude. Na porção localizada ao sul do trópico de Capricórnio,
na zona temperada do planeta, predomina o clima subtropical, com forte influência das massas polares. Junta
mente com as condições do relevo, isso explica o fato de a região Sul do
Brasil apresentar médias de tempera
tura mais baixas do que o restante do
país.
É importante destacar que, ape
sar de predominar um tipo climático,
existem variações nas temperaturas e
na precipitação devido às características locais. No litoral da região Sul, as tempe
raturas são elevadas durante o verão,
mas também caem bastante no inver
no. Por exemplo, em Florianópolis,
capital catarinense, a temperatura
pode ultrapassar os 30 ºC no verão,
mas diminui bastante no inverno.
Nas áreas de menor altitude as temperaturas médias são mais elevadas do
que na porção serrana, onde a altitude provoca queda nas médias térmicas
anuais.
Nas porções mais elevadas do relevo, é comum a ocorrência de fortes geadas nos períodos de inverno. Em alguns municípios, como São Joaquim, Urubici e Lajes, localizados no estado de Santa Catarina, pode até mesmo haver, nos anos mais frios, precipitação de neve.
Durante o inverno, é comum a ocorrência de geadas e, com menor
frequência, a queda de neve. Uma das condições necessárias para a ocorrência
de geada é que, durante a noite, o céu esteja limpo, sem nuvens e com ausência de ventos, o que favorece a perda de calor do solo e a queda brusca
da temperatura.
O clima frio, com a ocorrência de geada, costuma atrair visitantes e ajuda
a movimentar a economia da região Sul. Entretanto, nas áreas agrícolas, as
geadas podem provocar grande prejuízo, dependendo de sua intensidade, da
espécie cultivada e da fase de crescimento em que as plantas se encontram.
Outra situação que provoca bastante preocupação entre os agricultores é a ocorrência de geadas negras, devido à ação da Massa Polar Atlântica, com ventos
frios, de moderada a forte intensidade e baixa umidade do ar. Essa condição atmosférica provoca o congelamento da parte interna da planta, que fica escura e morre.
As condições climáticas, associadas a variadas formas de relevo, propiciam o desenvolvi
mento de diferentes formações vegetais nas
paisagens naturais dessa região.
A massa de ar Polar atlântica
A região está submetida a uma ação
mais intensa da massa de ar Polar atlântica, originada no extremo sul do conti
nente americano. Os ramos de entrada
dessa massa de ar, ao se deslocarem na
direção norte, passam pela Argentina e pelo Uruguai, onde provocam invernos frios. Ao chegarem à Região Sul
do Brasil, seguem pelas áreas de menores altitudes: um de seus ramos
avança pelo litoral, pelas planícies litorâneas, e o outro avança sobre o
território do Brasil pelo interior.
No outono e no inverno, essa massa de ar atua com maior intensidade.
Forma as denominadas frentes frias, que provocam quedas de temperatura e invernos mais rigorosos no Sul.
O clima subtropical
A maior porção
do território da Região Sul localiza-se
na zona temperada, ao sul do Trópico
de Capricórnio. Essa região é dominada
pelo clima subtropical.
A Região Sul é a única, entre as regiões do
país, onde predomina o clima subtropical. Por
essa razão, é conhecida pelas baixas tempe
raturas que caracterizam boa parte de seu
território no período de inverno.
De modo geral, esse tipo de clima se caracteriza
por temperaturas médias anuais entre
15 °C e 20 °C. Entretanto, no extremo
sul do Rio Grande do Sul, as médias
térmicas anuais são inferiores a 15 °C.
Quanto à precipitação total anual,
há variação entre 1500 e 2000 milímetros, sendo bem distribuída no
decorrer do ano, o que favorece a prá
tica da agricultura e da pecuária.
Hidrografia
A Região Sul abriga uma vasta rede hidrográfica, sendo que parte dela corre
por terrenos localizados em planaltos, fato que confere amplo potencial energé
tico à região.
A Região Sul conta com rios caudalosos e extensos que correm em
áreas planálticas e apresentam quedas-d’água aproveitadas para a produção de energia elétrica. É o caso do Rio Paranapanema, na divisa de
São Paulo e Paraná; do Rio Paraná, na divisa dos estados do Paraná e
de Mato Grosso do Sul, que corre na fronteira do estado do Paraná com
o Paraguai; do Rio Iguaçu, que separa, em parte, os estados do Paraná e
de Santa Catarina.
É nesse rio que se encontram as famosas Cataratas do
Iguaçu, na fronteira do Brasil com a Argentina e o Paraguai, trecho em
que sua largura é reduzida de 4000 metros para 100 metros. Em todos esses rios foram construídas usinas hidrelétricas a fim de
garantir a produção de energia para a região.
Entre as usinas hidrelétricas presentes no Rio Paraná, uma em particular, a
usina hidrelétrica de Itaipu – Itaipu Binacional –, destaca-se por sua magnitude.
Ela é uma usina binacional, pois foi desenvolvida por meio de uma parceria
entre os governos do Brasil e do Paraguai. A usina produziu em 2021 cerca
de 66 milhões de gigawatts-hora (GWh).
Por ter sido um ano mais seco, a
energia produzida foi responsável
pelo suprimento de aproximada
mente 8,4% do consumo no Brasil, e
86% no Paraguai.
Embora a construção da usina hidrelétrica de Itaipu, iniciada em 1975,
tenha sido um dos maiores empreendimentos de engenharia do país, foi
alvo de muitas polêmicas, já que não
foram poucos os impactos ambientais causados por sua construção.
Destaca-se também o Rio Uruguai, que nasce na Serra Geral com o nome
de Rio Pelotas e, após receber as águas do Rio Canoas, passa a ser denomi
nado Rio Uruguai. Esse rio faz a divisa entre os estados de Santa Catarina e
do Rio Grande do Sul e determina a fronteira deste estado com a Argentina.
O Aquífero Guarani
Além das águas superficiais, nessa região se localiza parte de um
dos maiores reservatórios de águas subterrâneas do mundo: o Aquífero
Guarani. Esse nome é uma homenagem da comunidade científica aos
povos que habitavam a região do aquífero. Atualmente, sua denominação é Sistema Aquífero Guarani. Parte dele se localiza também
nos territórios da Argentina, do Paraguai e do Uruguai.
Em 2010, para
ampliar a cooperação para um maior conhecimento científico e a ges
tão responsável de seus recursos hídricos, baseando-se em “critérios
de uso racional e sustentável”, o Brasil e esses três países assinaram o
Acordo sobre o Sistema Aquífero Guarani.
Ratificado em 2017 pelo Congresso Nacional do Brasil, o acordo
estabelece uma série de normas para o desenvolvimento de ações
de conservação e aproveitamento sustentável dos recursos hídricos do
Sistema Aquífero Guarani, respeitando o domínio territorial de cada
país sobre as porções desse aquífero.
O Brasil abriga cerca de 70% do Aquífero Guarani. A água armazenada
nos poros das rochas sedimentares abastece muitos municípios por meio
de poços artesianos.