A regionalização pode considerar critérios naturais, políticos, sociais e econômicos, entre outros. Como campo do conhecimento geográfico, a Geografia física estuda a distribuição espacial de fenômenos naturais, como a , o relevo, o clima e a vegetação. Desse modo, podem ser elaborados mapas temáticos. No mapa de estrutura geológica, evidenciam-se a compartimentação, a extensão e a localização das distintas estruturas geológicas. É possível observar as áreas de depósitos sedimentares recentes, as formações cristalinas antigas e as áreas de dobramentos modernos.
Domínios morfoclimáticos
A combinação de características do quadro natural, conforme proposto nessa sobreposição, é um tipo de raciocínio que inspirou o geógrafo brasileiro Aziz Ab’Sáber a criar, em 1977, uma regionalização do Brasil e da América do Sul que ficou conhecida como “domínios morfoclimáticos”. Os domínios morfoclimáticos constituem regiões que apresentam uma combinação de condições climáticas, de relevo e de vegetação próprias. A relação entre esses elementos forma diferentes paisagens, que expressam um conjunto de características naturais que ocorrem de modo contínuo.
Ferramentas cartográficas a serviço da regionalização
A cartografia é uma ferramenta importante para a representação de uma regionalização. Os mapas permitem visualizar as propostas de regionalização. Os fenômenos podem ser representados em um mapa por meio de pontos, linhas ou manchas, conforme sua ocorrência. Em uma representação ordenada, ou seja, que mostre a ordem do fenômeno representado, as cores, pontos e linhas devem indicar também uma ordem visual.
Regionalização com base na sociedade
A regionalização também pode ser feita com base na sociedade. É possível
escolher fenômenos humanos, referentes a questões sociais, econômicas, políticas
e culturais, e relacioná-los com outros critérios para regionalizar, isto é, agrupar
regiões ou conjuntos de países que apresentam aspectos comuns.
As anamorfoses são um tipo de representação do espaço geográfico no qual
se distorcem a proporção e a forma dos territórios de modo a expressar visualmente os dados quantitativos.
Primeiro, Segundo e Terceiro Mundo: uma regionalização
político-ideológica ultrapassada
No século XX, criou-se uma regionalização do mundo que o dividia em três
partes: Primeiro Mundo, Segundo Mundo e Terceiro Mundo.
Essa
classificação estava associada ao período da Guerra Fria, que teve início em 1947,
após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), e acabou em 1991.
Nesse período, duas superpotências – Estados Unidos e União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas (URSS), ou União Soviética – disputavam a hegemonia polí
tica, ideológica e econômica no mundo, e buscavam atrair países como aliados a
seus interesses, oferecendo proteção militar e vantagens econômicas.
A denominação Primeiro
Mundo correspondia aos países do capitalismo, com elevado nível de desenvolvimento econômico e social. O Segundo Mundo era composto de países do socialismo. A expressão Terceiro Mundo, por sua vez, designava os países capita
listas mais pobres. Este último termo foi usado pela primeira vez pelo francês
Alfred Sauvy (1898-1990) em um artigo publicado no jornal L’Observateur.
Com a desestruturação da União Soviética, em 1991 – acontecimento que
marcou o final da Guerra Fria –, a expressão Segundo Mundo deixou de ser usada
e a regionalização que a utilizava perdeu o sentido, tornando-se ultrapassada.
Esse é um exemplo de que as dinâmicas políticas, ideológicas, econômicas e sociais do
espaço geográfico tornam algumas regionalizações obsoletas. Por isso, ao nos
depararmos com uma regionalização, é necessário refletir sobre as intenções de
quem a produziu e sobre a validade atual do raciocínio empregado.
Regionalizações possíveis no mundo pós-Guerra Fria
Com o fim da Guerra Fria, o capitalismo se tornou o sistema socioeconômico
predominante no mundo. Entretanto, as desigualdades que ele produz inspiram
regionalizações baseadas em níveis de desenvolvimento.
É importante destacar que nem todos compreendem o termo desenvolvimento da mesma maneira. Para alguns, desenvolvimento remete ao dinamismo econômico. Nesse sentido, um país subdesenvolvido seria aquele marcado pela situação
de estagnação da economia.
Outros interpretam o desenvolvimento em uma pers
pectiva evolutiva, na qual os países subdesenvolvidos (também chamados “países
em desenvolvimento” ou “países emergentes”) estariam caminhando para a con
dição de desenvolvidos.
Há também aqueles que entendem o desenvolvimento
como resultado das trocas desiguais nas relações internacionais, assim, os exporta
dores de matéria-prima seriam subdesenvolvidos ou “países menos avançados”
porque ocupam posição desvantajosa diante dos países que exportam produtos
sofisticados do ponto de vista tecnológico. Por fim, há os que defendem que o
desenvolvimento não pode ser associado apenas a questões econômicas, mas deve
incluir as condições de vida da população, considerando o acesso a serviços fundamentais, como saúde e educação, bem como a qualidade desses serviços
Tais visões sobre o desenvolvimento influenciam as regionalizações propostas,
podendo orientar políticas econômicas de modo diferenciado. De qualquer ma
neira, vale ressaltar que as regionalizações inspiradas no nível de desenvolvimento são feitas sobretudo por grandes organizações internacionais. Essas instituições
são responsáveis, em grande medida, pelo capitalismo global. Entre elas estão o
Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional.
De maneira geral, de acordo com o grau de desenvolvimento, é possível identificar pelo menos três grupos de países. O primeiro grupo é formado por países
ricos, ou desenvolvidos, que sediam grandes corporações internacionais, utilizam
tecnologia de ponta em sua produção e apresentam população com
renda elevada, além de bons indicadores sociais, como expectativa de vida ao
nascer e acesso a serviços de saúde.
O segundo grupo compreende os países que apresentam desenvolvimento
intermediário, ou seja, são países industrializados, cuja produção utiliza tecnologias
modernas, embora a renda da população seja relativamente baixa.
São também chamados de emergentes pelo fato de terem aumentado sua influência no mundo, tanto no campo econômico,
pelo crescimento do PIB, quanto
no cenário político, devido à sua
participação com destaque nas
decisões mundiais ou regionais.
No terceiro grupo estão os
países mais pobres, nos quais a
população vive com baixa renda,
a produção é pouco industrializada e a economia se baseia em produtos primários
voltados à exportação. Nesses países, os indicadores socioeconômicos são baixos
e a população carece de melhores condições sociais e econômicas: o acesso à água
tratada e a serviços de saúde, por exemplo, é restrito a uma pequena parcela de
seus habitantes.
Norte e Sul geoeconômico
Das regionalizações basea
das no nível de desenvolvimento, uma das mais usuais é aquela que divide o mundo em duas
regiões geoeconômicas: o Nor
te (países ricos/desenvolvidos)
e o Sul (países pobres/subdesenvolvidos ou em desenvolvimento).
Essa divisão norte e sul di
fere da divisão geográfica que
tem por base a linha do equa
dor, separando a Terra em dois
hemisférios.
Trata-se de uma
classificação geoeconômica
que remete a uma linha sim
bólica denominada “Linha Norte-Sul”. Segundo os critérios econômicos adotados
por essa regionalização, países desenvolvidos situados no hemisfério sul, como a
Austrália e a Nova Zelândia, são considerados países do Norte. Por outro lado, a
Mauritânia, por exemplo, que se situa no hemisfério norte, é considerada um país
do Sul.
Regionalização segundo a renda
A regionalização com base na renda da população é elaborada segundo crité
rios propostos pelo Banco Mundial, que considera a renda per capita.
Essa regionalização agrupa os países da seguinte forma: renda baixa – países com
renda inferior a 1 035 dólares per capita; renda média baixa – países com renda
de 1 035 a 4 085 dólares per capita; renda média alta – países com renda de 4 086
a 12 616 dólares per capita; renda alta – países com renda superior a 12 616 dólares
per capita.
Vale lembrar que o cálculo se baseia na média de renda, omitindo,
portanto, as desigualdades econômicas existentes no interior do país.
A renda per capita é um indicador cujo cálculo se baseia na média de renda da
população de um país, portanto não significa que todos os habitantes tenham a
mesma situação econômica. Em todos os países há pessoas com
maior e menor capacidade de compra.