Mudanças decorrentes do sistema capitalista
Desde o início de sua formação, o sistema capitalista provocou profundas al terações no modo de vida das pessoas, nas relações econômicas entre os países e na organização do espaço geográfico. O capitalismo também transformou as re lações entre as diversas regiões do mundo. Nesse contexto, os países que realiza ram a Revolução Industrial até o século XIX construíram um vasto império colonial.
Além de terem estruturado os organismos internacionais que influenciam e regulam as relações entre os países, esses países mantiveram o domínio sobre os antigos territórios colonizados, mesmo após a descolonização.
Após conquistarem independência política, muitas ex-colônias permanece ram na mesma condição, ou seja, como países produtores e exportadores de ma térias-primas. Entretanto, no período posterior à Segunda Guerra Mundial (1939- -1945), vários desses países – como Brasil, México (figura 18), Argentina e África do Sul – alcançaram grande desenvolvimento industrial e modernizaram diferen tes setores de sua atividade produtiva.
Em uma etapa seguinte, diversos países da Ásia se destacaram pelo alto índice de crescimento industrial e pela modernização na economia, como Coreia do Sul, Taiwan, Cingapura e Hong Kong (atual Região Administrativa Especial da China), além da própria China. A partir dos anos 1990, vários outros países asiáticos ingressaram no processo de modernização, como Indonésia, Malásia e Vietnã, cada um, como no caso dos países anteriores, com as suas particularidades.
Países emergentes
Alguns países que se modernizaram a partir da segunda metade do século XX alcançaram maior protagonismo no cenário político-econômico internacional em razão de sua capacidade de geração de serviços, produção de bens e acúmulo de reservas internacionais. São exemplos a China, a Índia, o Brasil e a Coreia do Sul.
Esses e diversos outros países que não apresentam o mesmo nível de desenvolvimento social e econômico dos chamados desenvolvidos, como México, Argentina, Indonésia, África do Sul, Egito, Turquia, Filipinas, Malásia e Irã, são chamados países emergentes.
A China vem alcançando grande projeção no cenário econômico mundial, com papel determinante no desempenho da economia global. Em termos de capacidade produtiva, consumo de recursos minerais e acúmulo de reservas internacionais, é o país que mais se destaca no grupo dos emergentes e, atualmente, é a segunda maior economia do mundo, compondo com os Estados Unidos o G2 – grupo formado pelos dois maiores PIBs mundiais. A influência financeira e eco nômica chinesa vem crescendo em todos os continentes.
Entretanto, apesar da modernização na economia, do vigoroso crescimento econômico de alguns setores e do maior protagonismo no cenário global dos emergentes, os países que se industrializaram a partir da segunda metade do século XX não resolveram diversos de seus problemas sociais. Muitos ainda man têm forte dependência cultural e tecnológica em relação ao mundo desenvolvido.
Por outro lado, alguns países, graças a programas de transferência de renda, ga nhos reais no salário mínimo e aumento no valor das aposentadorias, apresen taram melhorias em termos de distribuição de renda, como ocorreu no Brasil na década passada.
Atualmente, a maior parte dos países da América Latina, da Ásia e quase to
dos os países da África se encontram em uma situação marcada pelo subdesen
volvimento, com dependência econômica, financeira, tecnológica e cultural, seja
dos países desenvolvidos, seja dos principais emergentes.
BRICS
Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul formam o grupo que tem maior ex
pressão entre os emergentes, denominado BRICS (sigla formada com a letra ini
cial do nome de cada país, em inglês).
Na crise econômico-financeira iniciada em 2008, os países do BRICS, sobre
tudo os quatro primeiros, encontravam-se em situação privilegiada para enfren
tar crises econômicas, principalmente em razão de suas elevadas reservas in
ternacionais, de modo que havia um fluxo de investimentos de alguns países do
BRICS e de outros emergentes para alguns países desenvolvidos. Por esse moti
vo, desde 2011, os países emergentes vêm reivindicando uma participação mais
ativa nos organismos financeiros internacionais, como o FMI.
Outro aspecto relevante entre os países que compõem o BRICS é o comér
cio internacional. Entre eles há uma intensa comercialização de produtos, desde
commodities até outros de maior valor agregado, como máquinas e tecnologia.
Embora sejam muitas as diferenças entre os países que formam o BRICS –
tanto no que diz respeito a aspectos internos (cultura, história, economia) quan
to externos (relações internacionais) –, o grupo vem buscando se fortalecer no
mercado internacional.
Em 2014, os países do BRICS acertaram a criação de um
banco, o NBD (Novo Banco de Desenvolvimento), com o objetivo de financiar pro
jetos de infraestrutura em países emergentes. Essa é uma das ações
do grupo no sentido de somar forças de modo a garantir maior independência em
relação aos recursos internacionais e afirmar sua legitimidade.
Se, por um lado, a construção de um grupo coeso e afinado é um desafio para
o BRICS, visto que as disparidades entre seus membros são grandes, por outro,
África do Sul, Brasil, China, Índia e Rússia, juntos, possuem um peso inegável no
cenário internacional: reúnem quase 50% da população mundial, o que significa
um imenso mercado produtor e consumidor, e cerca de 25% do PIB per capita.
As origens da dependência
A origem do processo de formação dos países desenvolvidos e em desenvolvimento remonta às grandes navegações empreendidas pelos Estados nacionais
europeus a partir do século XV, época em que a Europa expandia o seu comércio e
em que o principal interesse eram as especiarias.
Nesse processo, potências europeias como Portugal, Espanha, Países Baixos, França e Inglaterra (metrópoles) ocuparam e colonizaram diversos territó
rios (colônias) na América, na África, na Ásia e na Oceania, submetendo os povos
à sua cultura e controlando a extração de riquezas naturais e as atividades pro
dutivas. Portugal e Espanha lideraram a primeira fase do colonialismo, que teve
início na Europa Ocidental, criando rotas pelas Índias até alcançarem o Novo Mundo (América).
A exploração dos recursos das colônias, como metais preciosos, minérios e
produtos agrícolas, proporcionou grande enriquecimento das metrópoles. Exce
ções a essa forma de colonialismo de exploração foram as ex-colônias nas quais
houve colonialismo de povoamento, que deram origem aos atuais Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.
Expressões para designar os grupos de países
Os termos subdesenvolvimento e Terceiro Mundo tiveram origem após a Se
gunda Guerra Mundial, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) publicou
uma série de dados estatísticos sobre a situação socioeconômica de vários países do mundo. A partir de então, os índices de desenvolvimento econômico e nível de qualidade de vida dos países começaram a ser quantificados.
Essas duas expressões passaram a ser empregadas para classificar os países mais pobres do planeta, nos quais a maior parte da população apresentava
más condições de vida, porém, com o tempo, se tornaram pejorativas, sinônimos
de pobreza. Além disso, o conceito de Terceiro Mundo perdeu o sentido após o fim
da Guerra Fria.
Atualmente, várias organizações internacionais, principalmente aquelas liga
das à ONU, preferem utilizar o termo países em desenvolvimento, ressaltando a
potencialidade desses países para atingir um nível mais elevado de desenvolvi
mento e se tornarem desenvolvidos.
Também são utilizadas as denominações centro, para designar os países
desenvolvidos que têm papel de comando na economia mundial – chamados de
países do Norte (pois a maioria está localizada nesse hemisfério) –, e periferia,
para caracterizar os países em desenvolvimento (países do Sul). Os países do
centro controlam a maior parte dos investimentos em pesquisa e desenvolvimen
to de novas tecnologias e detêm a maior parte das universidades e as melhores
instituições de ensino.
É comum alguns economistas e outros especialistas utilizarem a expressão
“semiperiferia” para se referir a países de periferia que atingiram um nível de industrialização maior do que o dos demais – o que os coloca no grupo dos países
industrializados – e que apresentam valores expressivos de PIB. Esses são os
chamados países emergentes.