sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Economia da Região Sul

De acordo com dados publicados pelo IBGE em 2019, a Região Sul se destaca na economia brasileira por apresentar o segundo maior PIB nacional. Ela também é considerada a segunda região mais industrializada do país.
A presença de um diversificado parque industrial e o desenvolvimento de uma agropecuária moderna são características econômicas da Região Sul

Agricultura 

A Região Sul apresenta, de modo geral, uma agricultura moderna. Destaca-se, no Brasil, como grande produtora de grãos: soja, milho, arroz, feijão e trigo. Sobressai, também, na produção de aveia, centeio e cevada, em virtude das características favoráveis do clima subtropical. 
As características do clima subtropical contribuem para o cultivo de diversas lavouras na Região Sul. A ocorrência de chuvas bem distribuídas ao longo do ano e as baixas temperaturas favorecem o desenvolvimento de cultivos típicos de clima mais frio, como trigo, aveia, cevada, milho, uva e maçã.
Destaca-se, ainda, na cultura do sorgo, da uva, da erva-mate e do tabaco, no Rio Grande do Sul; da maçã, em Santa Catarina; e da mandioca e do café, no Paraná. Diferentemente de outras regiões brasileiras, na Região Sul a atividade agrícola assenta-se predominantemente nas pequenas propriedades de base familiar – herança do processo de colonização aí implantado desde o século XIX.
As exceções são os latifúndios nos Campos da Campanha Gaúcha, no norte do Paraná, nas proximidades das cidades de Londrina e Maringá, e no município de Lages, em Santa Catarina. 
Tanto a pequena como a grande propriedade estão integradas à agroindústria alimentícia, que produz vinho, geleias, café solúvel, farinha de trigo, soja, milho, entre outros produtos.
Vinda do estado de São Paulo, a cafeicultura avançou para o norte do Paraná na primeira metade do século XX. Entre o final dos anos 1950 e 1975, o Paraná foi o maior produtor de café do Brasil. A cafeicultura impulsionou o desenvolvimento desse estado, onde estão as cidades de Maringá e Londrina.
Por volta dos anos 1960, no entanto, a cafeicultura começou a ser substituída por outras culturas. As geadas, a perda da fertilidade do solo e a queda do pre ço do café no mercado internacional le varam muitos agricultores a substituir os cafezais por outras culturas, por exemplo algodão, cana-de-açúcar e soja, e, também, pela pecuária. 
Como o café era cultivado e colhido sem o uso de máquinas, diferentemente da soja, que é uma cultura mecanizada, essa substituição provocou uma crise social, representada por desemprego e migração de famílias do campo para as cidades. 
Algumas pessoas empregaram-se na construção civil, no comércio e em outros setores, mas muitas estabeleceram-se na periferia de cidades e tornaram-se boias-frias, dedicando-se ao corte de cana no estado de São Paulo e no norte do Paraná.

Integração: agropecuária-indústria

Grande parte das atividades agropecuárias desenvolvidas na Região Sul é considerada moderna. Há uso de tratores, colheitadeiras e fertilizantes na agricultura; e rações, medicamentos e vacinas, na pecuária, o que vem proporcionando elevado nível de produtividade nas atividades agropecuárias desenvolvidas na região.
Uma parte significativa da atividade agropecuária da Região Sul tem se desenvolvido por meio de um sistema de parceria entre os produtores rurais e as agroindústrias, principalmente os frigoríficos e as indústrias de laticínios. 
Nesse sistema, conhecido como sistema de integração, cabe aos criadores o crescimento saudável dos animais até o período do abate. Já as agroindústrias são responsáveis por oferecer assistência técnica aos criadores, dando a eles, por exemplo, a ração, os medicamentos para os animais e assumindo os gastos com veterinários. 
Além disso, cabe às agroindústrias a compra total da produção. Esse sistema integrado trouxe bons resultados tanto para os produ tores quanto para as agroindústrias.
Nas áreas de relevo mais acidentado, onde o uso de máquinas agrícolas é limitado, predominam as pequenas e médias propriedades. Atualmente, a maioria delas produz matéria-prima para as grandes agroindústrias da região e, des de os anos 1990, conta com empréstimos a juros baixos concedidos pelos governos estaduais e federal. A pecuária suína e a de aves são exemplos de produção integrada à indústria. 
A Região Sul também apresenta muitas pequenas e médias propriedades rurais de base familiar, responsáveis por diversificar a produção agropecuária. No entanto, existem também grandes propriedades localizadas, por exemplo, em municípios como Lages (SC), Londrina, Maringá e Guarapuava (PR) e na Campanha Gaúcha (RS).
A partir da década de 1970, acompanhando o processo de modernização que reestruturou a produção agropecuária no Brasil, os grandes produtores passaram a utilizar tecnologias modernas na criação de animais e no cultivo de diferentes culturas para aumentar a produção. Ao mesmo tempo, muitos pequenos e médios proprietários rurais não conseguiram investir nesse tipo de tecnologia e passaram a ter mais dificuldade para concorrer com os grandes fazendeiros. É importante destacar que nesse período os pequenos e médios proprietários não eram be neficiados com empréstimos do governo para investir em suas produções, en quanto os grandes fazendeiros recebiam ajuda governamental.
Os grandes fazendeiros passaram então a comprar as propriedades dos pequenos e médios produtores, o que provocou um intenso processo de con centração de terras, principalmente no oeste do Paraná e de Santa Catarina. Além disso, o emprego de máquinas substituiu a mão de obra, dispensando diversos trabalhadores.
Muitos pequenos e médios produtores migraram para a periferia das cidades em busca de emprego. Outros, que ainda dispunham de capital, partiram em busca de melhores oportunidades em estados das regiões Centro-Oeste e Norte.

A pecuária

A atividade pecuária na Região Sul é bastante expressiva. De acordo com dados do IBGE, em 2020, em 2020, a região abrigava cerca de 11% do rebanho bovino brasileiro, 19% do rebanho ovino, 43% do suíno e, aproximadamente, 47% do efetivo de galináceos. 
Amparados nessa criação, desenvolveram-se grandes frigoríficos em Santa Catarina, além de laticínios, curtumes e lanifícios, abastecidos pela lã da pecuária ovina.
Na cadeia produtiva da avicultura sulina, os grandes abatedouros e frigoríficos articulam-se com os pequenos produtores para garantir a produção avícola da região e viabilizar seu próprio negócio.
A criação de bovinos também é significativa, sendo destinada, principalmente, para a produção de leite, o que corresponde a 34% da produção nacional. 
O Rio Grande do Sul é o segundo maior criador de ovinos do Brasil, obtendo dessa criação carne, lã e couro. Grande parte da produção agropecuária da Região Sul está ligada às agroindústrias. 
Muitas delas, como as do setor de laticínios, de frigoríficos, de óleos vege tais e as vinícolas, instalaram-se nas proximidades de áreas rurais com o objetivo de obter as matérias-primas mais facilmente e dinamizar sua produção. 

Distribuição espacial da atividade agropecuária

A agricultura na região Sul é muito importante. Até recentemente, o estado do Paraná, por exemplo, aparecia como um dos principais em produção agrícola do Brasil. Nas últimas décadas houve uma mudança na economia paranaense, com uma maior produção industrial. Entre os principais produtos agrícolas do Paraná estão a soja e o milho. 
Plantados em grandes extensões de terra, principalmente a primeira, fornecem matérias-prima para o preparo de óleos e produtos vegetais, como margarinas, que são processados no estado. Porém, parte da soja é destinada ao mercado externo. O porto de Paranaguá é o principal do estado e escoa a produção de soja para- naense e de outros estados. O café merece destaque na agricultura paranaense, que também é a que mais produz feijão no Brasil, se somadas a produção de feijão-preto e a dos demais tipos.
Além disso, o estado se destaca pela produção de madeira cultivada, seja para produzir papel e celulose, seja para fornecer material para a produção de móveis, seja para a produção de trigo.
Em Santa Catarina, o destaque é a criação de animais para o abate. O estado é o principal em termos de criação de suínos. Como resultado, é o maior produtor de alimentos embutidos (mortadela, presunto, entre outros tipos). 
A produção de frangos também merece destaque, assim como a de madeira cultivada. Santa Catarina é o maior estado produtor de maçã, abastecendo praticamente todo o país. 
Isso ocorre em razão da adaptação da fruta às condições climáticas do estado. Além disso, já é o segundo estado do Brasil em cultivo de uva para produção de vinho ou suco. A proximidade com o Rio Grande do Sul ajuda a entender esse fato.
A pecuária é muito importante no Rio Grande do Sul. O rebanho de bovinos e suínos e a criação de aves, em especial de frango, posicionam o es tado entre os principais do Brasil. Por isso, o esta do é um tradicional exportador de carne bovina para mercados exigentes, como os dos países da União Europeia. Como resultado, no estado estão presentes muitas empresas que atuam no proces samento de carne (abate, corte, conservação e distribuição).
Além disso, o Rio Grande do Sul é o maior pr odutor de arroz do Brasil, com cerca de 60% da produção total do país. Outro produ to com destaque é o fumo, cuja liderança nacio nal também está no estado. A soja também po siciona o Rio Grande do Sul entre os maiores produtores do Brasil, bem como o trigo, muito adaptado às condições climáticas do estado. 
Na região de Bento Gonçalves estão as princi pais áreas produtoras de uva, que fornecem matéria-prima para produção de vinho, tornando-a a mais importante do Brasil. Os vinhos do Rio Gran de do Sul abastecem os principais mercados do país, com destaque para os estados do Sul e Su deste, além do Distrito Federal.
Desde 2012, os vinhos produzidos no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, obtiveram a denominação de origem, um selo que garante que os produtos que saem da região possuem características de qualida de que resultam tanto das condições físicas (solo, clima e relevo), quanto das condições sociais de produção. Esse tipo de selo também existe em outros países. 

Indústria

A Região Sul tem um parque industrial diversificado, com a presença de indústrias metalúrgicas, mecânicas, químicas, de bebidas, têxteis e alimentícias. 
Dois fatores foram extremamente importantes para a industrializa ção da Região Sul: a imigração estrangeira e a organização de uma economia voltada para abastecer, de início, o mercado regional.
Muitos dos imigrantes que se dirigiram para o sul, principalmente ita lianos, alemães, poloneses e ucranianos, tinham conhecimentos técnicos de fabricação de produtos de vários ramos industriais – de vinhos, tecidos, porcelanas, cristais, máquinas, vestuário, móveis, carroças, pro dutos alimentícios etc.
Esses grupos iniciaram o processo de fabricação com base no arte- sanato familiar, em seus próprios domicílios, no fundo do quintal, ou em pequenos barracões e oficinas. Com o passar do tempo, algumas dessas manufaturas transformaram-se em indústrias de grande porte. 
A partir da década de 1960, com a maior integração rodoviária das sub-regiões do Sul, e destas com o Sudeste e outras regiões do Brasil, as indústrias sulistas, que antes se limitavam a atender ao mercado regional, passaram também a vender seus produtos para todo o país e para o exte rior. Assim, a atividade industrial da Região Sul cresceu de forma considerável, tornando-a a segunda região mais industrializada do Brasil.
Um fator importante que impulsionou a industrialização da Região Sul foi o processo de desconcentração industrial ocorrido no país. Nas últimas décadas, muitas indústrias se dirigiram para outros estados, fora da Região Sudeste. 
Com o processo de desconcentração industrial em curso no Brasil, empresas de grande porte têm se instalado na Região Sul. Entre elas, merecem destaque as indústrias automobilísticas instaladas em São José dos Pinhais – município da Região Metropolitana de Curitiba – e em Gravataí – município da Região Metropolitana de Porto Alegre. 
A partir da década de 1990, os governos dos estados da Região Sul passaram a oferecer uma série de benefícios para promover a vinda de indústrias para a região, como isenção de impostos, redução dos custos com infraestrutura e empréstimos bancários. Além disso, a região é favorecida por sua localização no território brasileiro. 
Por situar-se na fronteira entre os países-membros do Mercosul, muitas indústrias foram instaladas na região com o objetivo de estreitar suas relações comerciais com os países do bloco. 
A criação do Mercosul dinamizou as trocas comerciais entre os países-membros de forma considerável. Por causa da proximidade com o Uruguai, a Argentina e o Paraguai, a Região Sul foi beneficiada com a criação dessa organização internacional. Tal proximidade facilita o transporte de mercadorias do Sul para os países vizinhos, reduzindo os custos das empresas.

Os principais centros industriais

O parque industrial da região Sul é bastante diversificado e fornece produtos a todo o Brasil e ao exterior. São calçados, têxteis, móveis, cerâmicas, em butidos e derivados de carne, vinhos e muitos outros. Desde o início da década de 1990, quando foi criado o Mercosul, a produção industrial cresceu ainda mais.
As áreas com os maiores polos industriais estão nas regiões metropolitanas de Porto Alegre e Curitiba. No entanto, as cidades catarinenses de Blumenau e Brusque, as paranaenses Londrina, Maringá e Cianorte e as gaúchas Santa Maria, Caxias do Sul e Pelotas também se destacam.
No Sul existem também importantes centros de indústrias automobilísticas – carros, ônibus, caminhões e tratores. 
Com uma base industrial diversificada, o Paraná passou a se destacar no Brasil recentemente. Junto à Região Metropolitana de Curitiba estão localizadas indústrias do setor automobilístico, eletrônico e de bens de consumo (eletrodomésticos). No Paraná, os principais polos estão localizados em São José dos Pinhais e em Curitiba.
No norte do Paraná estão localizadas outras importantes cidades que possuem atividade industrial intensa: Londrina e Maringá. Londrina destaca-se pela presença dos setores metalúrgicos, de material elétrico, de peças para má quinas, entre outros. Já Maringá tem a produção de máquinas e equipamentos. Mas o principal destaque fica para o setor de vestuário, que produz roupas em larga escala para comercialização em todo o Brasil, além de exportar parte da produção. A cidade de Araucária tem uma refinaria de petróleo, o que permitiu a presença de indústrias químicas. 
No Rio Grande do Sul, encontram-se em Caxias do Sul e Gravataí. Em Santa Catarina, concentram-se em Araquari.
Além disso, a região tem indústrias metalúrgicas e mecânicas em Caxias do Sul (RS) e em Joinville (SC). Destacam-se também a indústria naval em Rio Grande (RS) e a têxtil em Blumenau (SC). 
No Rio Grande do Sul existem diferentes tipos de indústrias. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, a mais industrializada do estado, concentram-se empresas do setor automobilístico, de autopeças, mecânico, alimentício, químico, entre outros. 
Novo Hamburgo destaca-se como produtor de calçados, embora também tenha empresas do setor metalúrgico. Já São Leopoldo abriga indústrias mecânicas e de calçados. Caxias do Sul e Farroupilha se destacam pelo setor metalúrgico. Bento Gonçalves, por sua vez, é o maior polo de produção de vinhos do Brasil. 
De lá saem vinhos que abastecem parte expressiva do mercado de consumo brasileiro. Rio Grande, que fica no litoral, é sede de estaleiros que restauram navios.
Santa Catarina possui atividade industrial em várias cidades do estado. Joinville, principal município em produção industrial do estado, é um polo de produção metalúrgica, mas também é importante para a produção de máquinas para uso industrial e materiais de construção (tubos metálicos, sistemas hidráulicos, material elétrico). 
Blumenau é outro importante município com produção industrial – nesse caso, com liderança na produção de tecidos. Lages abriga empresas que produzem equipamentos agrícolas. Outro destaque de Lages é o setor madeirei ro, que fabrica máquinas para produzir portas e batentes. 
Empresas de produção de alimentos preparados têm uni dades de produção no estado, em Chapecó. Criciúma, por sua vez, é a principal do país em produção de carvão mineral e é destaque na produção de material cerâmico, usado na construção civil.

Extrativismo 

A Região Sul dispõe de diversos recursos minerais, com destaque para o carvão mineral. Na Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná, encontra-se uma faixa de terra que se convencionou chamar de Cinturão Carbonífero do Sul do Brasil.
A Região Sul se destaca por deter as maiores reservas de carvão mineral do Brasil. Embora o Rio Grande do Sul possua as maiores delas, a produção de carvão mineral nesse estado é inferior à produção de Santa Catarina em razão da baixa qualidade que apresenta. O carvão catarinense libera menos resíduos durante a queima; por isso, é preferido pelas indústrias siderúrgicas. 
O carvão mineral extraído de Santa Catarina destina-se principalmente ao mercado nacio nal, abastecendo as siderúrgicas dos estados de São Paulo e Minas Gerais e do municí pio de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, en tre outras. Transportado por ferrovias até os portos de Imbituba e Laguna, em Santa Catarina, segue daí por navios cargueiros até Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, em direção àquelas siderúrgicas.
Já o carvão mineral extraído no Rio Grande do Sul e no Paraná não é considerado ade quado para a siderurgia, sendo usado pelas usinas termelétricas regionais. No passado, o carvão aí extraído era empregado como combustível para locomotivas a vapor.
Nos últimos anos, tem-se manifestado uma preocupação maior com a exploração do carvão mineral na Região Sul, principalmente em relação aos impactos socioambientais causados por ela. 
A extração do carvão mineral a céu aberto ou em galerias causa danos à paisagem e os entulhos colocados na superfície contaminam as águas com seus sais e ácidos.
Na Região Sul, também se extraem do subsolo alguns mi nerais muito utilizados para a fabricação de joias ou objetos de arte, conhecidos como pedras preciosas. A ametista, por exemplo, pode ser encontrada na divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e a ágata, na porção mais central do Rio Grande do Sul.

Turismo 

Entre as atividades do setor de serviços da Região Sul, o turismo tem se des tacado. Todos os anos, a região atrai turistas que procuram paisagens naturais, como praias, serras e cânions, além das Cataratas do Iguaçu. 
Outra grande procura é por cidades históricas, sobretudo as marcadas pela presença da cultura e dos costumes dos povos imigrantes, com construções de casas no estilo europeu e manifestações culturais como festas, comidas e roupas típicas. 

Região Sul - Ocupação Territorial

Colonização da região Sul 

Durante todo o século XVI, Portugal demonstrou pouco interesse pelas terras que hoje correspondem à Região Sul. Várias expedições de outros países visitaram-na em busca, principalmente, de pau-brasil, sem, contudo, estabelecer núcleos permanentes de povoamento.
No início da colonização portuguesa no Brasil, as terras que hoje pertencem aos estados da região Sul não foram prontamente ocupadas, como aconteceu no Nordeste, por exemplo. Como a região não dispunha de minérios conside rados valiosos por Portugal, como ouro e prata, e suas condições climáticas eram inadequadas ao cultivo de produtos tropicais, ela não oferecia possibilidades de exploração comercial, mineral ou agrícola que dessem lucros à metrópole. Assim, inicialmente nessas terras foram implantadas apenas algumas missões jesuíticas, isto é, aldeamentos criados e administrados por padres jesuítas para catequizar os indígenas. 
Já a partir de meados do século XVII, os bandeirantes passaram a adentrar as terras da atual região Sul para capturar indígenas e vendê-los como escravos. 

As reduções jesuíticas e o bandeirismo

O povoamento europeu do Sul iniciou-se no século XVII, em virtude de iniciativas como a implantação de reduções jesuíticas por padres espanhóis, nas terras que hoje pertencem ao Rio Grande do Sul e ao Paraná, onde catequizavam os indígenas e praticavam a agricultura e a pecuária bovina.
As reduções, também chamadas missões, foram sistematicamente invadidas por bandeirantes paulistas, que se dedicavam ao apresamento de indígenas com o objetivo de escravizá-los. Apesar disso, contribuí ram para a formação de cidades localizadas no atual estado do Rio Grande do Sul, como Santo Ângelo, São Borja, São Luiz Gonzaga, São Nicolau e São Miguel das Missões.
As bandeiras que partiram de São Vicente (SP) e da Vila de São Paulo, em busca de ouro e do apresamento de indígenas, encontraram o metal pre cioso onde hoje ficam as cidades de Paranaguá, no litoral, e de Curitiba, ambas no Paraná.
No entanto, por falta de conhecimentos técnicos, essa exploração foi de curta duração, levando a população dessas localidades a se dedi car à agricultura e à criação de gado bovino, com o objetivo de abastecer a região das Minas Gerais. Quanto às terras que hoje pertencem a Santa Catarina, continuaram pouco povoadas por portugueses e luso-brasileiros na primeira metade do século XVII. 
A primeira povoação estável foi fundada no litoral em 1658, com o nome de Nossa Senhora da Graça do Rio São Francisco, atual São Francisco do Sul. Em seguida, em 1675, a Ilha de Santa Catarina foi povoada com a fundação da Vila de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis. E, em 1676, foi fundada Laguna.
No século XVIII, a Coroa portuguesa começou a doar terras para atrair imigrantes europeus que se dispusessem a povoar aquela área, uma vez que o povoamento era a melhor forma de garantir o domínio do terri tório e evitar invasões estrangeiras. Naquela época, vigorava o princípio cha mado uti possidetis (expressão em latim que significa “propriedade por posse”), que garantia a posse das terras a quem as ocupasse e promovesse sua colonização. 
As terras doadas concentravam-se principalmente nos vales e nas áreas montanhosas dos atuais estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 
No mesmo século, o desenvolvimento da mineração em Minas Gerais incentivou a formação de fazendas de gado nos Pampas, também conhecidos como Campanha Gaúcha, para fornecer charque ao crescente mercado das cidades que surgiam em torno das minas de ouro e de pedras preciosas. Houve, então, o ingresso de pessoas escravizadas, que foram trazidas à força do continente africano para trabalhar nos Pampas.
O processo de colonização da região Sul foi marcado pela imigração de pessoas de várias origens. No século XVII houve ingresso de portugueses na região, que fundaram Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis), em 1673, e Colônia do Santíssimo Sacramento (hoje Colônia de Sacramento, no Uruguai), em 1680. Já em 1772, fundaram São Francisco do Porto dos Casais (atual Porto Alegre). 
Muitos deles, bem como seus descendentes, possuíam grandes fazendas de criação de gado nas áreas planas da Campanha Gaúcha, onde eram frequentes os conflitos com colonizadores espanhóis que imigraram para o atual território do Uruguai e da Argentina.

Açorianos 

O maior povoamento da Região Sul teve início com a chegada de ilhéus açorianos. Em 1742, casais vindos dos Açores fundaram a Vila do Porto dos Casais, hoje Porto Alegre, e se fixaram no vale de vários rios, como o Gravataí, o Sinos e o Jacuí, onde deram origem a diversas cidades. Em Santa Catarina, entre 1748 e 1756, desembarcaram cerca de 5 mil açorianos, iniciando o povoamento de trechos do litoral e da Vila de Nossa Senhora do Desterro, que deu origem à cidade de Florianópolis.

A articulação do Sul com as Minas Gerais 

No final do século XVII e início do século XVIII, a necessidade de couro e de carne para a região mineradora das Minas Gerais incentivou o des locamento de paulistas para os campos do Sul em busca de gado. Ini cialmente, o objetivo foi aproveitar o rebanho bravio, disperso na área, resultante da destruição das missões. Posteriormente, em decorrência do crescimento populacional da região da mineração, o fornecimento de gado por meio da caça tornou-se insuficiente. Iniciou-se, então, a for mação de estâncias na vegetação nativa dos Campos. 
Isso ocorreu inicialmente no litoral, em Rio Grande e Pelotas, e depois avançou para o interior, pela região de Bagé, o que estimulou a instalação de charqueadas nessa região. A mão de obra para a expansão da criação de gado no Rio Grande do Sul contou com a participação de africanos escravizados e açorianos. 
Com indígenas e espanhóis, esses grupos deram origem à cultura gaúcha. Deve-se em grande parte a eles a manutenção das fronteiras do Brasil com o Uruguai e a Argentina.

As tropas e a produção 

Para escoar o charque e o couro para os mercados compradores, entre eles a região das Minas, os tropeiros deslocavam-se por gran des distâncias, do sul para o norte, transpor tando suas mercadorias em lombos de mulas e burros. Ao longo do trajeto, paravam para des cansar, pernoitar e tratar dos animais. 
Alguns pousos dos tropeiros e caminhos de gado deram origem a cidades como: Osório, São Gabriel, Vacaria e Viamão, no Rio Grande do Sul; São Joaquim, Mafra, Porto União, em Santa Catarina; Castro e Lapa, no Paraná (localize essas cidades no mapa da página seguinte). 
O relevo mais plano das depressões facilitou os deslocamentos sul-norte dos tropeiros, que chegavam a durar três meses.

A imigração e a produção de espaços no Sul 

O século XIX marca um novo período da ocupação das terras e de pro dução de espaços na Região Sul. Além da maior ocupação do litoral, o povoamento do interior intensificou-se com a imigração europeia, o que acentuou a apropriação das terras indígenas. Após a vinda do príncipe D. João para o Brasil, em 1808, a Coroa por tuguesa tomou várias providências para povoar mais o sul da colônia. Para atrair imigrantes, D. João assinou um decreto permitindo que estrangeiros se tornassem proprietários de terras no Brasil, custeou as despesas de transporte para os imigrantes, disponibilizou empréstimos para a compra de instrumentos agrícolas e de animais de transporte, além de oferecer outras facilidades. 
Como o clima da porção sul do Brasil não era adequado para a produção de gêneros tropicais, como a cana-de-açúcar, estabeleceu-se na região uma agricultura em pequenos lotes de terra. Isso deu origem, na região, à pequena propriedade rural, diferentemente do ocorrido com a cultura da cana-de-açúcar no Nordeste, com a cafeicultura no Sudeste e com a pecuária nos campos do Rio Grande do Sul, que se estabeleceram em grandes propriedades, os latifúndios.

Portugueses açorianos

Aproveitando as vantagens ofereci das em 1808, a corrente de colonos por tugueses, vindos principalmente das Ilhas dos Açores, intensificou-se. Deu-se preferência aos imigrantes que formas sem grupos familiares, o que constituiu exceção na história da ocupação da co lônia até aquele momento. 
As 1500 fa mílias de açorianos que imigraram para o Brasil nesse período fixaram-se no li toral do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, dedicando-se principalmente à pesca e à agricultura de subsistência.

Alemães

As primeiras levas de imigrantes ale mães foram para o Rio Grande do Sul e se instalaram na região do vale do rio dos Sinos, onde formaram a colônia de São Leopoldo, em 1824. Com o tempo foram se constituindo pequenos núcleos urbanos, que posteriormente deram origem a vilas e cidades, entre elas, Novo Hamburgo, nas proximidades de Porto Alegre. No norte de Santa Catarina (no vale do rio Itajaí), eles foram responsáveis pela fundação de Blumenau, em 1850, e de Joinville, em 1851, entre outras cidades. 
Os imigrantes alemães deram importante contribuição à ocupação do sul do Brasil: em 1824, D. Pedro I iniciou a imigração alemã para o Rio Grande do Sul, em São Leopoldo, nas mesmas bases da imigração açoriana; em 1827, 600 imigrantes alemães fixaram-se em Rio Negro, no Paraná; em 1850, famílias alemãs fundaram Blumenau, em Santa Cata rina, hoje importante centro industrial e comercial; em 1851, foi fundada a colônia de Dona Francisca, em Santa Catarina, que deu origem à cidade de Joinville, hoje também importante centro comercial e industrial.
Além desses núcleos urbanos, os alemães fundaram muitos outros no sul do Brasil. Muitos deles tornaram-se importantes cidades, como é o caso de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul.

Italianos, poloneses e ucranianos 

A partir da segunda metade do século XIX, os italianos começaram a se instalar no vale do rio Tubarão (no sul do estado de Santa Catarina) e na serra Gaúcha. Eles fundaram cidades como Criciúma, Caxias do Sul, Garibaldi e Bento Gonçalves.
No Rio Grande do Sul, os imigrantes italianos dedicaram-se principalmente à cultura da uva (vinicultura) e à sua industrialização. Muitos de seus núcleos iniciais transformaram-se em cidades importantes, como Bento Gonçalves, Garibaldi e Caxias do Sul.
Em Santa Catarina, os italianos dedicaram-se a uma agricultura variada e também fundaram importantes cidades, como Nova Trento, Urus sanga e Nova Veneza. 
A partir de 1869, o estado do Paraná recebeu muitos imigrantes eslavos, como poloneses e ucranianos, que se fixaram em Curitiba e nas proximidades de Ponta Grossa, Castro, Lapa e Ivaí, no Paraná. Todos esses imigrantes dedicaram-se à agricultura e à pecuária. 
Com o tempo, houve diversificação da atividade econômica. O artesanato doméstico, por exemplo, deu origem a indústrias de grande porte voltadas, por exemplo, para a tecelagem, a confecção de roupas e a pro dução de cristais, motores elétricos, tintas etc. 

Japoneses 

A última grande corrente imigratória estrangeira para a região Sul, já no século XX, foi a dos japoneses, que se dedicaram, principalmente, à cafeicultura no Sudeste. 
Posteriormente, com a expansão do café para o norte do Paraná, por volta de 1930, imigrantes japoneses deslocaram-se para a região, fixando-se nos municípios de Londrina e Maringá. Também no norte do Paraná fundaram as cidades de Uraí e Assaí.

A organização das colônias 

Foi muito difícil para os imigrantes abandonar seu país de origem e iniciar o povoamento de um novo lugar, onde a natureza era praticamente intacta e tendo de produzir absolutamente tudo para sobreviver. Havia, ainda, o isola mento imposto principalmente pela falta de meios de comunicação. 
Para vencer esses obstáculos, os imigrantes que povoaram a região Sul organizavam grupos em seus países de origem e, ao chegarem ao Brasil, as sentavam-se em colônias. 
Os imigrantes fixavam-se em pequenas e médias propriedades, utilizando mão de obra familiar e praticando a policultura. Com algumas exceções, qua se não se utilizou trabalho escravo na região Sul: em grande parte, os indígenas foram aprisionados por bandeirantes, expulsos ou assassinados pelos novos ocupantes, e os africanos foram levados em menor número para lá, já que os imigrantes não dispunham de dinheiro para comprar escravos. Nas colônias havia uma divisão do trabalho. 
Por exemplo: uma família pro duzia trigo e arroz, outra criava alguns animais, outra produzia legumes, e assim por diante. A produção era vendida (ou trocada) e consumida na própria colô nia. Já no extremo sul da região, na Campanha Gaúcha, a produção de carne, couro e animais de carga (muares) abastecia principalmente o Sudeste, primei ro a região das minas e, posteriormente, do café. 
No século XIX, era famosa a feira de muares de Sorocaba, no estado de São Paulo, que comercializava animais criados no Sul.
Ao longo de todo o século XIX, principalmente na sua segunda metade, a entrada de imigrantes foi um fator importante no crescimento demográfico da região Sul, que, recebeu sobretudo imigrantes europeus.
Também no século XX o deslocamento de pessoas influenciou fortemente a dinâmica populacional na região, provocando primeiro a elevação e depois a redução das taxas de crescimento populacional. Naquela época, porém, os impactos foram causados pela migração interna.
No período de 1950 a 1960, a região Sul (assim como a Centro-Oeste) apresentou taxas de cres cimento elevadas, se comparadas às das demais regiões.
A abertura de novos espaços produtivos para a ati vidade agrícola atraiu expressivos fluxos migratórios, principalmente para o Paraná, aumentando de forma acentuada a sua população. 
Em 1950, metade de sua população era composta de brasileiros provenientes de outros estados, a maioriade São Paulo e Minas Gerais, e de estrangeiros, principalmente japoneses.

A regionalização do espaço mundial

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