sábado, 30 de maio de 2026

Covid-19

Existem vários vírus da família coronavírus, incluindo alguns que causam resfriados comuns. A covid-19 é uma doença recente causada por um coronavírus chamado SARS-CoV-2. Os efeitos da covid-19 são muito variados, manifestando diversos sintomas. Há casos que necessitam de hospitalização e outros em que o quadro da doença se agrava, provocando o óbito. Desde o início da pandemia, a ciência coletou e analisou muitos dados para propor à sociedade estratégias para controlar a transmissão do vírus e proteger as pessoas de se infectarem.
Assim como todos os vírus, o SARS-CoV-2 não é constituído de células. Sua estrutura consiste em uma cápsula – feita de proteína e outros compostos – que contém o material genético dos vírus, ou seja, as informações necessárias para sua replicação.

Ilustração esquemática do SARS-CoV-2 aderido à superfície de uma célula. No detalhe, a estrutura do vírus, com o material genético no interior da cápsula. O diâmetro do vírus varia de 50 nanômetros a 140 nanômetros (o nanômetro equivale à milionésima parte do milímetro). 

A parte externa da cápsula lembra uma coroa. Foi essa característica que deu o nome a essa família de vírus: corona significa coroa.

Alguns tipos de vírus têm o material genético identificado abreviadamente por DNA. Outros, como é o caso do SARS-CoV-2, têm genes formados por outra substância química, identificada pela sigla RNA.

A origem da pandemia 


No final do ano de 2019, a comissão de saúde da cidade de Wuhan, na Chi na, reportou casos de uma pneumonia grave. Pouco tempo depois, os chineses atribuíram os casos a um novo vírus da família Coronavírus. Essa identificação rápida foi possível porque, entre outros fatores, outro vírus da mesma família já havia causado uma epidemia em 2002 e 2003, o SARS-CoV. 
Para conter o novo coronavírus, a cidade de Wuhan foi isolada ainda em 2019. No entanto, essa medida não foi tomada na velocidade suficiente para impedir que o novo vírus chegasse a outros países. O primeiro caso confirmado no Brasil foi registrado no dia 26 de fevereiro de 2020. Em meados de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou situação de pandemia.
Apesar de algumas tentativas de conter a pandemia por meio do fechamento temporário de comércio e fronteiras, mais de 520 milhões de pessoas tinham sido infectadas no mundo até maio de 2022, o que resultou em mais de 6 milhões de mortes. No Brasil, até maio de 2022, mais de 30 milhões de pessoas tinham sido infectadas, resultando em mais de 665 mil mortes. 
Ciência e sociedade descobriram aos poucos as características da covid-19. Ainda não temos informações completas sobre a origem do vírus, mas sabemos que ele se espalha rapidamente; que a doença pode evoluir para casos graves; que pode sobrecarregar hospitais e causar muitas mortes. Também já conhecemos formas eficientes de prevenção, como veremos adiante. 

Sintomas, transmissão e prevenção 


Os sintomas podem incluir dor de cabeça, febre, dores no corpo, fadiga; tosse, dor de garganta e coriza; diarreia e dor abdominal; entre outros. A perda temporária do olfato, do paladar ou de ambos pode ocorrer em pacientes de covid-19. Mesmo assim, é possível ter covid-19 e não apresentar a perda desses sentidos nem outros sintomas. 
Os sintomas aparecem, em geral, após um período assintomático de alguns dias após a contaminação. É importante lembrar que, mesmo sem apresentar sintomas, a pessoa pode transmitir o vírus. Por isso, uma forma de tentar conter sua disseminação é pela testagem e pelo isolamento de pessoas contaminadas e daquelas que tiveram contato com um indivíduo contaminado. Isso vale também para pessoas sem sintomas. 
Indivíduos com mais de 60 anos ou com doenças preexistentes, como pressão alta, problemas cardíacos ou pulmonares, diabetes ou câncer, têm maior risco de desenvolver a forma mais grave da doença e morrer. Mas pessoas de qualquer idade e sem comorbidades podem desenvolver a forma grave da doença e perder a vida. 
Ao longo da pandemia, descobriu-se que o vírus não causa apenas lesões nos pulmões, mas afeta também outros órgãos, como fígado e coração, e outras partes do sistema circulatório, além do sistema nervoso.
Foi também ao longo da pandemia que ficaram mais claras as principais for mas de transmissão do vírus. Você sabe como essa transmissão costuma acontecer? Como esse conhecimento nos ajuda na prevenção contra a covid-19? 
O SARS-CoV-2 se espalha principalmente pelo ar, por gotículas contaminadas que podem ter diferentes tamanhos. Essas gotículas que contêm o vírus chegam a outras pessoas durante a respiração. Assim, quanto mais próximas as pessoas estiverem umas das outras, maior a chance de contaminação. É por isso que o uso de máscaras ajuda a controlar a transmissão do vírus. 
A transmissão deste coronavírus também ocorre por meio de gotículas muito pequenas, chamadas aerossóis. Esses aerossóis podem ficar por muito tempo em lugares fechados e mal ventilados, possibilitando a transmissão até entre pessoas que não se encontraram. Por isso, durante períodos mais críticos da pandemia, além de usar máscaras, é importante evitar locais fechados e manter as janelas sempre abertas.  
Uma pessoa contaminada pode espalhar o vírus ao tossir na mão e tocar em outras pessoas. Já a transmissão por superfícies e objetos contaminados, como embalagens, é mais difícil de ocorrer. Mas, como essa via é possível, recomenda-se que as pessoas lavem as mãos com frequência e evitem tocar o rosto.
Conhecendo as principais formas de prevenção é possível criar estratégias para evitar a contaminação dos indivíduos e o avanço da pandemia. 
Uma das medidas para conter a disseminação do vírus é o distanciamento social. Por meio dessa estratégia, as pessoas restringem o encontro com pessoas que moram em residências diferentes, o que reduz a circulação de indivíduos e, portanto, a transmissão do vírus. 
O trabalho e o ensino remotos, feitos com o uso de ferramentas digitais, contribuíram para o controle da transmissão, salvando muitas vidas. Mas o distanciamento nem sempre é suficiente. Nesse caso, diante do número crescente de casos e de mortes, o governo pode restringir, em graus variáveis, a circulação da população. 
Lockdown é um termo em inglês para descrever medidas mais restritivas de circulação e isolamento social: a população só é autorizada a sair de casa para trabalhar em atividades essenciais, como serviços de saúde e coleta de lixo, por exemplo. 
Essas medidas restritivas são adotadas por um período determinado para diminuir a velocidade de transmissão do vírus e o número de contaminações, hospitalizações e mortes. A ideia é evitar o colapso do sistema de saúde, que ocorre quando os hospitais estão cheios e não conseguem atender adequadamente a população, incluindo pessoas com doenças não relacionadas à covid-19. 

Testes 


O diagnóstico da covid-19 pode ser feito por meio de exames e testes. Um tipo de teste busca a presença do material genético do vírus em material coletado no nariz e na garganta. O exame deve ser feito preferencialmente em pacientes com os primeiros sintomas (em geral, na primeira semana).
Outro tipo de teste é realizado com amostra de sangue e detecta a presença de anticorpos gerados pela infecção pelo SARS-CoV-2. 
O teste acusa a resposta imune do organismo ao vírus e por isso é feito, em geral, a partir da segunda se mana, quando a pessoa já está produzindo anticorpos contra o vírus. 
O resultado dos testes deve ser avaliado por um médico, que levará em conta os sintomas do paciente e poderá pedir novos exames. Testar os indivíduos durante uma pandemia é fundamental para compreender como e onde o vírus está circulando. 
Com os testes realizados, também fica mais fácil isolar indivíduos contaminados e seus contatos, reduzindo a disseminação do vírus.

Vacinação 


Vacinar a população é uma medida fundamental para controlar uma pandemia. Vários tipos de vacinas foram desenvolvidos desde o início da pandemia e muitas delas utilizam tecnologias que já estavam sendo usadas antes da pandemia da covid-19. 
O objetivo é estimular o organismo humano a produzir anticorpos contra o vírus da covid-19. Vacinas, como a maioria dos medicamentos, não são 100% eficazes: elas não garantem que todos os vacinados passem ilesos pelo vírus. Mas elas diminuem muito a chance de o indivíduo ficar doente e a severidade da doença, o que salva milhares ou até milhões de vidas. 
A vacina da gripe, por exemplo, tem eficácia entre 46% e 60% e mesmo assim salva muitas vidas todos os anos.
As vacinas desenvolvidas para controlar a pandemia de covid-19 também não têm 100% de eficácia. Por isso, mesmo após uma pessoa ser vacinada contra a covid-19, é importante que ela continue tomando todos os cuidados, como forma de proteger pessoas que ainda não foram vacinadas. 
Uma das grandes vantagens das vacinas é que elas provocam uma imunização mais potente e duradoura do que a imunização natural, adquirida pelas pessoas que já se contaminaram. Além disso, as vacinas trazem riscos muito pequenos quando comparados aos riscos de desenvolver a infecção. 
Vale destacar ainda que, caso ocorra algum efeito adverso grave após a aplicação de uma vacina, nem sempre é possível afirmar que ela tenha sido a causa direta de tal efeito. Uma conclusão simplista como essa, sem base em nenhum estudo, trata-se de uma falácia, isto é, um raciocínio que é falso, embora possa parecer lógico. Essa falácia é conhecida pela expressão em latim post hoc ergo propter hoc, que significa “depois disso; portanto, por causa disso”. 
Um exemplo muito usado para ilustrar falácias como essa é pensar na relação entre o canto do galo e o nascer do Sol. Embora os eventos possam ocorrer ao mesmo tempo, sabemos que não é o canto do galo que causa o nascer do Sol. Percebe-se, assim, a importância de investigar de maneira sistemática se os efeitos adversos foram de fato causados por uma vacina.
A vacinação é uma forma de prevenção coletiva, e não individual. Quanto mais pessoas estiverem vacinadas, mais protegida a população estará. Por isso, é muito importante que existam doses de vacina suficientes para a maior parte das pessoas. Quando isso não acontece e a taxa de transmissão continua muito alta, os vírus podem sofrer mutações que reduzem a eficácia das vacinas. 
As variantes dos vírus podem também provocar reinfecções, o que é mais um motivo para não abandonar as outras medidas preventivas (máscara e distanciamento), enquanto não houver um número alto de pessoas vacinadas.




Viroses

Os vírus são parasitas que obrigatoriamente precisam de outros seres vivos para sobreviver, como bactérias, protozoários, algas, plantas e animais. 
Muitas doenças causadas por vírus (viroses) – como a gripe, o resfriado, a poliomielite, o sarampo, a rubéola, a caxumba ou parotidite e a catapora – são transmitidas de uma pessoa para outra por meio de espirro, tosse ou fala, que espalham gotículas no ar. A transmissão dessas doenças pode ocorrer também por meio de água ou alimentos contaminados com a saliva de pessoas infecta das. Com exceção do resfriado, há vacinas eficazes contra essas doenças citadas. 
Outras viroses, como a dengue, a zika, a chikungunya e a febre amarela, são transmitidas por mosquitos, enquanto a raiva é transmitida por mordidas de animais infectados. Vamos conhecer com mais detalhes algumas viroses.

Gripe e resfriado 


A gripe e o resfriado são causados por vírus diferentes. No entanto, alguns de seus sintomas são semelhantes: coriza, nariz entupido, tosse e espirro; em geral, a febre só aparece nos casos de gripe. Nos dois casos, a transmissão se dá quando os vírus de uma pessoa infectada são espalhados por gotículas eliminadas pelas vias respiratórias durante a fala, o espirro ou a tosse. 
O contágio acontece também quando se leva a mão ao nariz ou à boca depois de ter tocado em uma superfície contaminada com o vírus. Por essa razão, medidas de higiene, como lavar as mãos com frequência e usar lenços ao espirrar ou tossir, podem evitar essas infecções virais.
A vacina contra a gripe oferece uma proteção limitada, de cerca de um ano. Isso acontece porque os vírus da gripe sofrem muitas mudanças em seu mate rial genético, ou seja, mutações. Assim, depois de um ano, novas variantes do vírus já estarão no ambiente e não serão sensíveis às mesmas vacinas.  
O SUS fornece gratuitamente a vacina para certas idades (idosos e crianças), profissionais da área da saúde, professores das redes pública e privada, entre outros. 

Poliomielite 


Na maioria das pessoas, a poliomielite causa ape nas febre e mal-estar. Em algumas, porém, pode afetar o sistema nervoso e provocar paralisia ou até levar à morte (o nome “poliomielite” vem do grego poliós = ”cinzento“; mielos = “medula”; ite = “inflamação”; o vírus ataca as células na parte cinzenta da medula). 
O vírus é transmitido por meio de água ou alimentos contaminados ou por contato com a saliva ou fezes de uma pessoa doente. Para evitar a doença, é muito importante as crianças serem vacinadas na época recomendada pelas autoridades de saúde pública. Também são importantes o saneamento básico e as medidas de higiene para evitar a propagação do vírus.
Com as campanhas de vacinação, o número de casos de pólio caiu drasticamente no mundo todo. Mas, mesmo sendo considerada oficialmente eliminada em muitos países (como no Brasil), não se pode garantir que o vírus tenha sido extinto. Além disso, como o vírus ainda existe ao redor do mundo, pode reaparecer em países onde já está eliminado. Por isso, a vacinação deve continuar.

Sarampo, rubéola, catapora e caxumba 


O sarampo, a rubéola, a catapora e a caxumba são doenças virais comuns em crianças. Elas geralmente se curam sozinhas depois de alguns dias, mas po dem causar algumas complicações que exigem cuidados médicos. Todas elas podem ser prevenidas por meio de vacinação. 
O sarampo acomete principalmente crianças de até 10 anos de idade. Elas apresentam tosse, febre alta e manchas vermelhas no corpo, mas geralmente são curadas naturalmente em poucos dias. Mas, sobretudo em crianças com problemas de nutrição, podem ocorrer complicações. Nesses casos, a criança deve receber atendimento médico imediato. A transmissão se dá pela eliminação do vírus pelas vias respiratórias. A prevenção é feita com vacina (vacina tríplice viral contra sarampo, rubéola e caxumba). 
A rubéola também é doença típica de crianças. Seus sintomas são semelhantes aos da gripe, além de aparecerem manchas rosa na pele, menores que as do sarampo. A doença geralmente termina naturalmente, mas, em mulheres grávidas, o vírus pode passar através da placenta e provocar problemas no feto, como surdez. 
A catapora é uma doença comum em crianças. Entre os sintomas estão febre, enjoo, vômitos e pequenas bolhas no corpo. A pessoa geralmente melhora sozinha em poucos dias, mas pode ser necessário procurar um médico. As bolhas não devem ser coçadas, pois pode haver contaminação por bactérias.
Em alguns casos, o vírus pode permanecer anos sem efeito, mas provocar sintomas no adulto, como bolhas na pele e dor. A caxumba é uma inflamação que atinge mais comumente a parótida (glândula salivar situada à frente da orelha). Daí o nome parotidite para a doença. 
A cura é espontânea, mas o doente deve ficar em repouso. Em adultos, pode haver complicações em outros órgãos, como os testículos e os ovários (nesse caso, pode causar esterilidade). A vacinação é a melhor medida preventiva.

Dengue 


Essa virose é causada por um vírus transmitido principalmente pela picada do mosquito Aedes aegypti (figura 7.19). O mosquito não causa a doença, mas transmite o vírus e por isso é chamado de vetor. 
Os sintomas mais comuns da dengue são febre alta, mal-estar, muito cansaço, dores de cabeça, nos olhos, nos músculos e nas articulações. Podem aparecer também vômito, diarreia e vermelhidão no corpo. 
Pessoas com suspeita de dengue devem procurar atendimento médico imediato, para que se identifiquem os sinais de alarme, que indicam evolução mais grave e necessidade de cuidados maiores, com hidratação intravenosa e até internação. Além de repouso e reposição de sais e líquidos, o médico pode indicar remédios para baixar a febre.

Aedes aegypti (cerca de 5 mm de comprimento), mosquito transmissor da dengue. No detalhe, fase larval do mosquito (1 mm a 6 mm de comprimento, conforme estágio larval).

O mosquito vetor da dengue põe ovos em água parada. Por isso, é necessário que a população não deixe água acumulada em vasos de plantas, garrafas, etc. É preciso também que, nas regiões mais atingidas pela dengue, sejam feitas campanhas de educação e conscientização da população, com material educativo. Outra medida promovida pela saúde pública é o uso de produtos que matam as larvas ou os insetos adultos.

Febre amarela, chikungunya, zika 


A febre amarela ocorre nas regiões de matas (febre amarela silvestre), onde é transmitida por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. No entanto, se uma pessoa contaminada na região de mata voltar para a cidade, há o risco de transmissão do vírus para outras pessoas pelo mosquito Aedes aegypti. Essa condição caracteriza a febre amarela urbana. O último caso de febre amarela urbana no Brasil ocorreu em 1942. 
Além dos seres humanos, muitas espécies de macacos são sensíveis à febre amarela, especialmente os bugios, que, assim como as pessoas, podem morrer em decorrência da doença. Outros macacos podem ter a doença, como os saguis e os macacos-prego, mas geralmente são mais resistentes e sobrevivem. A morte de macacos é investigada para determinar onde o vírus da febre amarela está circulando. O objetivo dessa investigação é imunizar as pessoas que vivem ou frequentam esses locais. 
Com medo da infecção, algumas pessoas mataram macacos durante a epidemia de febre ama rela em 2017 e 2018. Os macacos, no entanto, não transmitem a doença, e, ao fazerem isso, as pessoas acabam por dificultar a identificação dos focos de febre amarela.
O doente apresenta febre, vômito (muitas vezes com sangue), dor no estômago e lesões no fígado que podem levar à morte. Para saber se a pessoa está com febre amarela é necessário fazer um exame de sangue que se chama sorologia. Esse exame vai dosar os anticorpos que a pessoa tem contra o vírus da febre amarela. 
Atualmente não existe um tratamento que cure a febre amarela. O que se faz é compensar as alterações que o organismo apresenta em decorrência da doença, como manter a hidratação e repor sangue perdido, por exemplo. Em pouco mais de uma semana, a pessoa vai desenvolver anticorpos que se encarregarão de destruir o vírus, possibilitando que o paciente se recupere. 
A febre amarela pode ser prevenida por uma dose única da vacina, que garante imunidade contra a doença por toda a vida, ou pela dose fracionada. A vacina, que é gratuita, é disponibilizada pelo SUS; consulte informações atualizadas em sites do governo.
A chikungunya (ou chikungunha), transmitida por mosquitos do gênero Aedes, provoca febre alta, dor nas articulações, dor de cabeça e erupções na pele que duram, em média, de 3 a 10 dias, mas as dores nas articulações podem persistir por meses ou anos. 
O mosquito Aedes aegypti pode transmitir também o vírus da zika. Os sinto mas são manchas na pele e, às vezes, febre baixa e dores nos músculos e nas articulações. O problema maior ocorre com as mulheres grávidas: o vírus pode passar para o embrião e afetar o desenvolvimento do encéfalo, entre outros problemas. 
A prevenção e o combate a essas doenças são semelhantes às medidas que devem ser tomadas contra a dengue.

Raiva (ou hidrofobia) 


O vírus da raiva afeta o sistema nervoso. É transmitido por mordidas de morcegos ou por mordidas de cães, gatos ou ratos contaminados. A saliva desses animais, quando contaminados pelo vírus da raiva, também pode transmitir a doença. Se não houver atendimento médico rápido, a raiva pode ser fatal.
Se uma pessoa tocar em um animal que possa estar contaminado, deve procurar o serviço de saúde mais próximo. Se for mordida, deve lavar a ferida com água e sabão e procurar o posto de saúde mais próximo para receber a vacina e o soro antirrábico, antes que os sintomas da doença (dor de cabeça e contrações musculares, entre outros) se manifestem. A raiva também causa dificuldade de engolir água e por isso é conhecida como hidrofobia. 
É muito importante manter em dia a carteira de vacinação de cães, gatos e outros animais de estimação, seguindo sempre as instruções do médico veterinário. 


domingo, 24 de maio de 2026

Cólera

A cólera é causada por um tipo de bactéria. Seus principais sintomas são diarreia aquosa abundante, vômitos e cãibras nas pernas. 
A perda rápida dos líquidos do corpo causa desidratação e fraqueza. Se não houver tratamento, pode ser fatal. 
A principal via de transmissão é a contaminação da água e de alimentos por fezes de indivíduos doentes. Frutos do mar contaminados ingeridos crus também são de alto risco.
A incidência de cólera era praticamente restrita à Índia até 1817. Com o avanço das viagens e navegações, chegou a outros países e continentes. O primeiro caso registrado no Brasil ocorreu na década de 1820, no Rio de Janeiro, então capital do país. 
Em 1855, mais de 200 mil pessoas morreram somente nessa cidade. No final do século XIX, a doença foi erradicada do país graças a melhorias no saneamento básico nas principais cidades, mas infelizmente retornou depois de quase cem anos.
A primeira epidemia de cólera na América Latina no século XX começou no Peru. No Rio de Janeiro, o primeiro caso foi confirmado em novembro de 1991, pelo Laboratório de Saúde Pública Noel Nutels e pela Fiocruz. 
Já em meados de julho de 1991, a Organização Mundial de Saúde (OMS) registrava, só na América Latina, mais de 251 mil casos com 2 618 mortos. A OMS também registrava o avanço da doença em dez países da África, que passou de epidemia para pandemia.

Bacterioses

São doenças causadas por bactérias. Em geral, as bacterioses são tratadas com antibióticos. Um exemplo é a cólera, doença causada por um tipo de bactéria chamado vibrião.
As bactérias que causam doenças são chamadas bactérias patogênicas. Elas podem ser transmitidas de diversas maneiras: 
- por gotículas de saliva contaminadas espalhadas no ar por espirro, tosse ou fala – é o caso da tuberculose, da meningite bacteriana, de alguns casos de pneumonia, da hanseníase, entre outras; 
- por contato com alimento, água ou objetos contaminados – é o caso da cólera, da leptospirose, do botulismo e das diarreias causadas por bactérias; 
- por picada de pulgas e carrapatos, bem como de outros artrópodes contaminados – é o caso da peste bubônica (transmitida por pulgas, que também infectam ratos) e da febre maculosa (transmitida pela picada de determinados carrapatos); 
- por contato sexual – como a sífilis e outras. 

As bactérias são seres microscópicos e de estrutura muito simples, que fazem parte do reino Monera. Além delas, compõem esse reino as cianobactérias, também conhecidas como algas azuis ou cianofíceas. Uma das principais características dos seres desse reino é serem unicelulares, isto é, constituídos de apenas uma célula. Sua célula é bem simples, sem o envoltório que separa o material genético do restante do conteúdo celular.
Esses seres têm grande importância ambiental. Assim como os fungos (dos quais falaremos mais adiante), atuam como decompositores nas cadeias e teias alimentares. As bactérias também têm importância econômica, pois realizam processos químicos que permitem a produção de alimentos, por exemplo, a coalhada, o vinagre e os iogurtes. 
Elas também são utilizadas em pesquisas científicas, que levam à produção de novos medicamentos, vacinas e alimentos, e podem trazer respostas a muitas questões que intrigam os cientistas e a problemas que afetam a humanidade, como a degradação de materiais plásticos, por exemplo.
As bactérias que causam doenças são chamadas de patogênicas. 
A forma desses organismos pode variar. Além do tipo vibrião, temos entre as formas mais comuns de bactérias: bacilos, cocos e espirilos.

Microbiota ou flora intestinal humana 


É o grupo formado predominantemente por bactérias, mas também outros microrganismos que vivem no intestino, que facilitam o processo de digestão, evitam várias doenças e colaboram para o equilíbrio do organismo como um todo. Esses seres ajudam a evitar a proliferação de outros que causam doenças. 
A microbiota se forma logo após o nascimento e vai se modificando aos poucos. Cada pessoa tem microbiotas diferentes das outras, em parte definidas geneticamente e em parte determinadas por características individuais e ambientais, como modo de nascimento (parto normal ou cesariana), idade e hábitos alimentares. A má alimentação (muita gordura e poucas fibras, por exemplo) e o uso indiscriminado de alguns medicamentos (automedicação geralmente) são os maiores responsáveis pelo desequilíbrio da flora intestinal, o que pode causar distúrbios de diferentes gravidades.

Leptospirose 


A leptospirose é transmitida por meio da água e de alimentos contaminados pela urina de animais portadores da bactéria, principalmente o rato. Precisa ser tratada com rapidez, porque a doença pode ser fatal. O risco de contrair leptospirose aumenta no período das enchentes, principalmente em populações sem saneamento básico adequado e expostas à urina de ratos. 
Além de medidas públicas em relação ao saneamento básico e ao controle de ratos, podemos realizar algumas ações para afastar esses animais, como manter a limpeza da residência, em especial da cozinha, e manter os alimentos bem guardados, além de descartar adequadamente o lixo doméstico.

Cólera 


A cólera (ou o cólera) é uma doença provocada por uma bactéria chamada Vibrio cholerae. O contágio ocorre pela ingestão de alimentos e água contaminados ou pelo contato com fezes ou vômito de pessoas infectadas. 
A bactéria se instala no intestino humano e provoca diarreia intensa, podendo levar à morte por desidratação. Para prevenir doenças como a cólera, os alimentos devem ser protegidos contra moscas e outros animais. Frutas, verduras e legumes, quando comidos crus, devem ser devidamente higienizados. 
Esses alimentos devem ser lavados em água corrente e colocados em um recipiente com água. Deve-se adicionar ao recipiente uma solução de hipoclorito de sódio, que pode ser adquirido em mercados, feiras ou sacolões. 
As instruções sobre a quantidade de produto que deve ser usada estão no rótulo, que indica também o tempo em que os alimentos devem ficar de molho. Embora seja comum a higienização com vinagre, esse procedimento não é tão eficiente para eliminar os microrganismos. 
Antes de preparar os alimentos ou comê-los, é preciso sempre lavar as mãos. Em meio a tantas doenças que podem ser evitadas com hábitos de higiene, você não acha que é importante lavar as mãos antes das refeições, ao chegar da rua e depois de ir ao banheiro? 
É fundamental também que as autoridades competentes melhorem as condições de saneamento básico da população, fornecendo água tratada e rede de esgoto.

Tuberculose e pneumonia bacteriana 


A tuberculose é causada pela bactéria conhecida como bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis) e compromete, em geral, os pulmões. Por isso, a pessoa doente apresenta tosse persistente. As medidas preventivas incluem vacinação das crianças – a vacina é a BCG (bacilo de Calmette-Guérin) – e melhorias das condições de vida da população mais pobre. O tratamento é feito com antibióticos. 
A pneumonia bacteriana (há também formas causadas por outros agentes) ataca os pulmões e começa, em geral, com febre alta, dor no peito ou nas costas e tosse com expectoração. 
Apenas o médico pode diagnosticar a doença e deve ser consultado para iniciar o tratamento com antibióticos. O doente deve ficar em repouso. A pneumonia é mais perigosa para as pessoas idosas, pois nessa etapa da vida as defesas do organismo, e particularmente as do sistema respiratório, diminuem.

Tétano 


O tétano é causado pelo bacilo Clostridium tetani. A bactéria penetra no organismo por ferimentos na pele, ao entrar em contato com solo ou objetos contaminados. A pessoa contaminada apresenta dores abdominais e fortes contrações musculares que podem provocar parada respiratória. A vacinação é essencial na prevenção. O soro antitetânico deve ser aplicado em casos de ferimento suspeito, como aqueles mais profundos e que não foram limpos corretamente. 

Hanseníase 


A hanseníase é uma doença crônica, causada pela bactéria Mycobacterium leprae. A doença atinge principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo levar à incapacidade física. 
A hanseníase pode acometer tanto homens como mulheres, de qualquer idade. Entretanto, é necessário um longo período de exposição ao contágio, e apenas uma pequena parcela da população infectada adoece. 
A bactéria é transmitida principalmente pelas vias aéreas superiores, pelo contato próximo e prolongado de uma pessoa suscetível com um doente não tratado. Seu período de incubação pode levar em média de 2 a 7 anos.
Não existe vacina para prevenção, mas ela tem tratamento, que é feito com medicamentos distribuídos gratuitamente nas unidades de saúde. O Brasil é o segundo país com maior número de casos de hanseníase, ficando atrás somente da Índia. Veicular informações corretas é a melhor forma de com bater a doença e os preconceitos a ela associados.



Protozooses

Protozooses são doenças causadas por protozoários. Podemos citar como exemplos a doença de Chagas e a malária.
Os protozoários são organismos unicelulares de estrutura mais complexa que as bactérias. Existem várias espécies de protozoários, e elas podem ser classificadas em vários grupos. O critério mais utilizado pelos cientistas para essa classificação é o tipo de locomoção.
Sarcodíneos (ou rizópodos) são protozoários que se locomovem estendendo pseudópodes, expansões em sua célula que atuam como “falsos pés”. As amebas são um exemplo de sarcodíneo. Os flagelados são os que “nadam” com auxílio de flagelos. Um exemplo de flagelado é a giárdia. Os ciliados são seres que utilizam cílios na locomoção, como o paramécio.
Algumas doenças, como as protozooses, são mais comuns em localidades onde não há saneamento básico e a população é de baixa renda. Elas são chamadas de doenças negligenciadas e recebem menores investimentos para a produção de remédios e pesquisas científicas. 

Micoses

São doenças causadas por fungos. Estes podem infectar nossa pele e se multiplicar, o que causa as micoses. Essas infecções ocorrem em partes úmidas e quentes do corpo, como virilhas, entre os dedos (principalmente os dos pés) e no couro cabeludo. Por essa razão, para evitar micoses é preciso garantir que a pele esteja sempre limpa e seca. Exemplo: candidíase oral ou “sapinho”, doença causada pelo fungo Candida albicans.
Os fungos são seres vivos de formas e tamanhos bastante variados; podem ser unicelulares ou pluricelulares. Esses seres não têm clorofila e são heterótrofos; portanto, não são capazes de produzir o próprio alimento. 
Os fungos, ao se alimentarem, retiram dos restos de plantas e animais a matéria orgânica que é aproveitada pelo seu organismo. Ao fazer isso, decompõem a matéria orgânica, e a transformam em moléculas inorgânicas. 
Além do importante papel no equilíbrio ambiental, como seres decompositores, os fungos também podem ser parasitas ou viver associados de outro modo a outros seres. 
Os fungos parasitas vivem à custa de outros seres vivos, e podem provocar doenças em plantas e animais.

Verminoses

São doenças causadas por diferentes tipos de vermes parasitas que se instalam no organismo do hospedeiro, muitas vezes nos intestinos, mas que podem abrigar‑se também em outros órgãos, como o fígado e os pulmões. O termo verme, de modo geral, refere‑se a animais de corpo alongado e mole. Os vermes são divididos em dois grupos principais, descritos a seguir.

Platelmintos


São vermes de corpo achatado, em forma de fita, cujo comprimento pode variar desde poucos milímetros até vários metros, como é o caso da tênia, também chamada de solitária. Nesse grupo existem tanto animais de vida livre, como a planária, quanto parasitas. Os platelmintos parasitas absorvem, pela superfície do corpo, o alimento previamente digerido pelo hospedeiro. Entre os platelmintos parasitas que causam prejuízos à saúde temos o esquistossomo e a tênia.

Nematoides 


Tênia, com seu corpo achatado. São vermes de corpo cilíndrico e afilado nas extremidades, antigamente chamados nematelmintos. Os nematoides de vida livre, que se alimentam de pequenos animais e plantas, habitam tanto a terra quanto as águas doce e salgada. Entre os nematoides estão alguns dos parasitas mais comuns, que causam prejuízos à saúde do ser humano e de outros animais, como a lombriga, o oxiúro, a filária e o ancilóstomo.

Antibiótico à base de fungos

Em 1928, o médico e bacteriologista britânico Alexander Fleming (1881‑1955) verificou que um fungo do gênero Penicillium havia contaminado a cultura de bactérias com que trabalhava. Além disso, notou que uma substância produzida por esse fungo, a qual chamou de penicilina, inibia a multiplicação das bactérias em sua cultura. Assim, foi identificado o primeiro antibiótico.
Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1940, Howard Florey (1898‑1968) e Ernst Chain (1906‑1979) retomaram as pesquisas de Fleming e conseguiram produzir penicilina com fins terapêuticos e em escala industrial, o que foi o início de uma nova era para a medicina. Por suas pesquisas, Fleming, Florey e Chain dividiram o Prêmio Nobel de Medicina em 1945.
Infelizmente, os antibióticos não acabaram com as mortes provocadas por infecções bacterianas. De tempos em tempos são identificadas novas bactérias resistentes a esses medicamentos, o que exige a continuidade das pesquisas nesse campo e campanhas de esclarecimento sobre o uso de antibióticos.
Um dos erros mais comuns é tomar antibióticos para doenças virais, como certas infecções de garganta, gripes ou diarreias. Outro é interromper um tratamento com antibiótico antes do prazo indicado pelo médico. Esses erros acabam por selecionar variedades de bactérias cada vez mais resistentes a antibióticos.

ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS

A distribuição dos seres vivos nos ecossistemas, tanto terrestres como aquáticos, está intimamente relacionada com fatores abióticos.
Nos ecossistemas aquáticos, a luz é um fator extremamente importante, já que influencia a distribuição dos seres fotossintetizantes, a base da maioria das cadeias alimentares desses ambientes. A intensidade da luz diminui com o aumento da profundidade. 
A região iluminada dos ecossistemas aquáticos é chamada zona fótica, enquanto a região com ausência completa de luz recebe o nome de zona afótica. Até cerca de 200 metros de profundidade, ainda há luz suficiente para que a fotossíntese ocorra.
Outro fator que tem grande influência na distribuição dos seres vivos nos ambientes aquáticos é a pressão hidrostática, que, de modo simplificado, pode ser descrita como a força que a água exerce em todas as direções, comprimindo os corpos nela imersos. 
À medida que aumenta a profundidade, aumenta também a pressão exercida pela coluna de água. No ambiente aquático, dependendo do modo como se locomovem, os organismos são encontrados em uma destas comunidades: plâncton, nécton e bentos. 
• Plâncton: conjunto de seres aquáticos flutuantes levados pelas correntezas. Há o fitoplâncton, formado por seres autotróficos como algas microscópicas, e o zooplâncton, constituído por seres heterotróficos, como protozoários, pequenos crustáceos e larvas de vários animais. 
• Nécton: conjunto de seres capazes de nadar e vencer as correntes, como polvos, lulas, peixes, golfinhos e baleias. 
• Bentos: conjunto de seres que vivem no fundo do ambiente aquático, fixos ou não, como ostras, mexilhões, esponjas, estrelas-do-mar e caranguejos.
O fitoplâncton marinho é responsável pela maior parte do gás oxigênio liberado para a atmosfera. Já em ambientes de água doce, rios de águas agitadas possuem pouco plâncton, pois os seres que o formam não conseguem se manter em águas movimentadas. Nesse caso, os produtores são algas presas ao fundo do rio. O fitoplâncton é mais abundante em lagos, ambientes com águas calmas.

ECOSSISTEMAS COSTEIROS 


Os ecossistemas costeiros ocorrem nas áreas litorâneas, onde as águas dos mares se encontram com o continente. Eles costumam ser classificados em quatro tipos: praias arenosas, restingas, costões rochosos e manguezais.

PRAIAS ARENOSAS 


As praias arenosas são constantemente submetidas a variações de temperatura e de umidade, como a mudança nos níveis da água durante as marés, o vaivém das ondas e a exposição direta aos ventos e aos raios solares. 
Formado principalmente por grãos de areia, esse ecossistema tem alta salinidade, é pobre em nutrientes e é de difícil fixação para as plantas. A vegetação, quando existente, é rasteira, dispersa e de pequeno porte. Animais como o caranguejo maria-farinha vivem em túneis na praia, e tartarugas marinhas põem seus ovos na areia aquecida. 

Caranguejo-uçá (Ucides cordatus) em uma praia de Ubatuba (SP) que faz parte do Parque Estadual da Serra do Mar.

RESTINGAS 


A restinga ocorre na planície arenosa desde a praia e segue em direção ao continente. A vegetação varia conforme a disponibilidade de nutrientes, a luminosidade, a umidade e as condições de fixação. 
Próximo da praia arenosa, existem plantas rasteiras, como a ipomeia e a acariçoba. À medida que avança para o continente, a vegetação fica mais densa e diversa: surgem arbustos, algumas árvores, como a caixeta e a pitangueira, e epífitas, como as bromélias e as orquídeas. A fauna das restingas tem muitas aves, répteis, insetos e crustáceos. 
A destruição causada pela expansão urbana, a poluição e as queimadas são algumas das ameaças a esse ecossistema.

Área de restinga em praia de São Sebastião (SP). Foto de 2019. Essa vegetação é conhecida como mata de jundu e está ameaçada de extinção.

COSTÕES ROCHOSOS 


Os costões são formados por rochas que ficam à beira-mar. Nesses ambientes, as rochas ficam expostas à ação das ondas do mar. 
Devido ao efeito das marés, o costão rochoso apresenta três zonas: a inferior, permanentemente submersa; a intermediária, periodicamente coberta pela elevação do nível da água – a ação das correntes marítimas e das ondas é mais intensa nessa zona; e a superior, que raramente fica sob a água. A variação na ação das ondas do mar e na exposição à luz do sol influencia a distribuição de seres vivos nesse ecossistema. 
Na zona inferior, submersa, podem ser encontradas várias algas e animais, como anêmonas; peixes se alimentam, reproduzem-se e se abrigam nessa zona. Algas verdes, cracas e mexilhões em geral vivem na zona intermediária, fixos às rochas. Na zona superior, onde há borrifos de água, podem ser encontrados liquens e bromélias. 

Os costões proporcionam diferentes níveis de exposição à luz do sol e à ação das ondas do mar. Costão rochoso em Florianópolis (SC). 

MANGUEZAIS 


Os manguezais ocorrem em locais em que os rios desembocam no mar. Nesses ambientes, a água é salobra. Nas marés altas, a água salgada do mar se mistura à água doce do rio. 
Já durante as cheias nos rios, a água doce é lançada mar adentro. A água salobra dos manguezais é rica em matéria orgânica e sedimentos trazidos pelos rios. O solo é lodoso, rico em nutrientes, mas pobre em gás oxigênio.

Manguezal em Tamandaré (PE). Foto de 2020. As árvores mostradas na foto apresentam estruturas que melhoram a fixação da planta no solo.

As árvores desse ecossistema apresentam adaptações para sobreviver no solo lodoso e com pouco gás oxigênio. Algumas apresentam estruturas que partem do caule e melhoram a fixação das plantas no solo do manguezal; outras têm pneumatóforos, estruturas verticais que se projetam acima do solo e auxiliam a respiração do vegetal. 
Os manguezais são importantes para muitos peixes, pois é onde eles se reproduzem e depositam seus ovos. Além dos peixes, a fauna é constituída principalmente de crustáceos (como o caranguejo-uçá) e aves (como a garça).

Pneumatóforos projetando-se acima da superfície do solo, em manguezal em São Sebastião (SP)

Por ser um berçário de muitas espécies que não vivem ali, os danos ao manguezal acabam afetando outros ecossistemas pela redução das populações dessas espécies.

ZONA MARINHA 


A partir de certa distância da costa e da influência da água doce dos rios, começa a zona marinha, que se estende em direção ao oceano. O limite das águas costeiras no Brasil está a cerca de 370 quilômetros do litoral, que tem aproximadamente 7 500 quilômetros de extensão. Veja a imagem de satélite. As águas oceânicas (mar aberto) que abrigam seres desse ambiente cuja vida não depende do fundo do mar formam a zona pelágica. Já a zona bentônica compreende o fundo do mar propriamente dito.

Imagem de satélite que mostra a extensão das águas territoriais costeiras do Brasil (linha azul-claro). A linha é imaginária: ela foi inserida para auxiliar a leitura da imagem.

Próximo da superfície da água, há o plâncton: seres microscópicos que não conseguem vencer as correntezas. Os organismos que nadam ativamente e conseguem direcionar sua loco moção independentemente das correntes formam o nécton. 
Diversas algas e milhares de espécies animais, como crustáceos, moluscos, águas-vivas e anêmonas, estrelas-do-mar, peixes e alguns mamíferos, constituem a grande biodiversidade dos ambientes marinhos.

AMEAÇAS AOS ECOSSISTEMAS MARINHOS 


As maiores ameaças aos ecossistemas marinhos brasileiros são a pesca excessiva, o lançamento de lixo e esgoto nas águas marinhas e o turismo desordenado. O acúmulo de lixo plástico provoca contaminação dos organismos. 
Objetos feitos de plástico, como sacolas, podem ser confundidos com presas e engolidos por animais, provocando obstrução das vias respiratórias e digestórias.

ECOSSISTEMAS DE ÁGUA DOCE 


Os corpos de água doce fazem parte dos biomas brasileiros. Contudo, os ecossistemas de água doce apresentam características muito variadas. 
Por exemplo: em lagos, lagoas e poças, a água geralmente é parada ou tem fluxo muito lento; nos córregos, riachos e rios, as águas seguem um fluxo moderado ou in tenso; já os pântanos de água doce correspondem a áreas inundadas ou encharcadas de água durante a maior parte do tempo.

Vista aérea de trecho do rio São Francisco em Petrolina (PE). Foto de 2021. As nascentes do rio São Francisco localizam-se na serra da Canastra, em Minas Gerais, e a foz fica entre Sergipe e Alagoas. Além desses três estados, o rio São Francisco banha os estados da Bahia e de Pernambuco.

Os ecossistemas aquáticos variam principalmente quanto à luminosidade e à quantidade de gás oxigênio, de matéria orgânica e de sedimentos. 
Nos rios, por exemplo, cujo fluxo de água vai das áreas mais altas para as mais baixas, a água próxima à nascente costuma ser pobre em matéria orgânica e rica em gás oxigênio. À medida que segue seu curso em direção à foz, o rio carrega mais sedimentos e matéria orgânica e tende a reter menos gás oxigênio. 
A presença de matéria orgânica torna o solo de suas margens fértil, ou seja, um solo que permite o bom desenvolvimento de plantas. 

AMEAÇAS AOS ECOSSISTEMAS DE ÁGUA DOCE


Ao longo do tempo, as populações humanas procuraram se fixar perto de rios, devido à facilidade de transporte, à disponibilidade de água, à abundância de alimentos, entre outros fatores.
Contudo, com o aumento dessas populações, cresceu também o impacto sobre os ecossistemas de água doce.
A destruição das matas próximas às margens dos rios deixa desprotegido o solo dessas áreas, que pode ser carregado pela ação das águas; esses sedimentos podem acabar no fundo dos rios, causando várias alterações, como a diminuição de sua profundidade.
O lançamento de esgoto doméstico sem tratamento em rios polui as águas e põe em risco a sobrevivência dos seres que habitam esses ambientes. Os agrotóxicos usados em plantações podem ser levados pelas chuvas e contaminar rios, lagos e outros corpos de água.

Os lagos, em especial os mais profundos, apresentam três zonas distintas.

A zona litorânea, próximo da margem, é bastante iluminada e apresenta muitas espécies de plantas aquáticas e maior diversidade de vida.
A zona limnética, que é central e próximo da superfície, tem muita luz, e as algas planctônicas realizam a fotossíntese.
A zona profunda recebe menos luz e tem temperatura mais baixa que as demais zonas.

Esquema de um lago. Nesse ambiente, há três zonas distintas: a zona litorânea, a zona limnética e a zona profunda. (Representação sem proporção de tamanho e distância; cores-fantasia.)

AMEAÇAS AOS ECOSSISTEMAS DE ÁGUA DOCE 


Ao longo do tempo, as populações humanas procuraram se fixar perto de rios, devido à facilidade de transporte, à disponibilidade de água, à abundância de alimentos, entre outros fatores. 
Contudo, com o aumento dessas populações, cresceu também o impacto sobre os ecossistemas de água doce. A destruição das matas próximas às margens dos rios deixa desprotegido o solo dessas áreas, que pode ser carregado pela ação das águas; esses sedimentos podem acabar no fundo dos rios, causando várias alterações, como a diminuição de sua profundidade. 
O lançamento de esgoto doméstico sem tratamento em rios polui as águas e põe em risco a sobrevivência dos seres que habitam esses ambientes. Os agrotóxicos usados em plantações podem ser levados pelas chuvas e contaminar rios, lagos e outros corpos de água. 
A construção de represas em rios, para produção de eletricidade em usinas hidrelétricas, por exemplo, também causa enorme impacto sobre a vida selvagem e sobre as comunidades que dependem do rio, seja pela formação de grandes áreas alagadas (rio acima), seja pela redução do volume de água (rio abaixo). 
Essas e outras ameaças comprometem a disponibilidade de água doce no mundo. Em 2015, por exemplo, o rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração em Mariana (MG) poluiu o rio Doce com lama e rejeitos de mineração. Assim como em outros ecossistemas, o uso responsável das áreas de água doce exige planejamento, fiscalização, regulamentação de uso das águas e a criação de áreas de preservação.

Praia da Regência em Linhares (ES). A cor marrom da água deve-se à lama levada pelo rio Doce. Essa lama teve origem no rompimento de uma barragem em Mariana (MG).

ECOLOGIA: O ESTUDO DAS INTERAÇÕES 


A ecologia é a ciência que busca entender como os organismos interagem entre si e com os elementos do ambiente em que se encontram, como solo, água e temperatura. Essa área de estudo ajuda a compreender, por exemplo, o que leva os seres vivos a habitar determinado local ou por que algumas espécies estão ameaçadas de extinção. 
Cada espécie de ser vivo necessita de certas condições e de recursos específicos para viver. Isso inclui os alimentos que consomem, as variações de temperatura que toleram, as relações que estabelecem com os demais seres vivos, como se reproduzem, etc. Esse conjunto de interações e de atividades de uma espécie, relacionado ao seu modo de vida no ecossistema, é chamado nicho ecológico
Os buritis, por exemplo, são palmeiras com baixa tolerância a solos secos, portanto: desenvolvem-se melhor em solos úmidos; servem de abrigo para várias aves do Cerrado, como o maracanã; seus frutos servem de alimento para cutias, capivaras e araras, que ajudam a dispersar suas sementes; florescem o ano todo, principalmente de abril a agosto.

O hábitat dos buritis (Mauritia flexuosa) são áreas do Cerrado com solos úmidos, próximos a córregos ou a outros corpos de água. Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Alto Paraíso de Goiás (GO).

Um dos objetivos da ecologia é estudar as características próprias de uma população, como o número de indivíduos, a distribuição espacial e a taxa de crescimento, e também como esses aspectos variam com o tempo.

TAMANHO DA POPULAÇÃO 


Toda população é influenciada pelas características do ambiente, com seus fatores bióticos e abióticos, que podem sofrer alterações com o passar do tempo. Essas mudanças influenciam as taxas de nascimento e de morte de uma população e o deslocamento de indivíduos de uma região para outra. Assim, o tamanho de uma população pode variar. A taxa de natalidade indica a quantidade de nascimentos em uma população em certo período de tempo. Em geral, a taxa de natalidade está relacionada a características reprodutivas da espécie. Algumas espécies, como os elefantes, geram poucos descendentes, mas estes recebem cuidados dos pais, o que aumenta as chances de sobrevivência. 
Outras espécies, como a planta dente-de-leão, geram centenas de descendentes (nesse caso, centenas de sementes). Muitas sementes morrem antes de germinar, mas, como são liberadas em grande número, há chance de que alguns indivíduos consigam sobreviver até a idade de se reproduzir.
A taxa de mortalidade é a quantidade de mortes em uma população em certo período de tempo. A disponibilidade de recursos – como abrigo, alimento e água – e as interações entre espécies, como a existência de predadores, influenciam a taxa de mortalidade e podem afetar o crescimento de uma população. 
Quando a sobrevivência dos seres vivos é ameaçada, algumas espécies são capazes de se deslocar para procurar ambientes com melhores condições de vida. Por isso, o tamanho das populações também é influenciado pelas migrações dos organismos.

O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) tem apenas um filhote por vez. A fêmea cuida do filhote e o carrega nas costas durante os primeiros seis meses de vida.

Uma inflorescência de dente-de-leão (Taraxacum sp.) pode liberar de 40 a 100 sementes, mas a taxa de mortalidade é alta.

Panapaná é o nome dado a um conjunto de borboletas migratórias, como as da foto. Milhares ou até milhões de borboletas voam de uma região para outra na floresta Amazônica, alterando o número de indivíduos das populações dessas regiões. O motivo exato desse deslocamento ainda é desconhecido, mas as borboletas provavelmente se deslocam para locais com maior oferta de alimento para sua prole.






BIOMAS: ZONAS DE TRANSIÇÃO

Algumas regiões com características específicas, existentes entre os principais biomas brasileiros, são identificadas como zonas de transição. A percepção de uma zona de transição ocorre, principalmente, pelas mudanças na vegetação, que, por sua vez, influencia comunidades animais que habitam essas áreas. 
Uma delas é a transição entre a Amazônia e a Caatinga, onde ficam as florestas de palmeiras do Maranhão. Na zona de transição entre o Cerrado e a Amazônia há as florestas secas de Mato Grosso. Há também a zona entre o Cerrado e a Caatinga, com florestas de árvores com folhas secas.
Entre a Amazônia e a Caatinga está localizada a Mata dos Cocais. Essa zona é formada por extensas florestas de palmeiras, como o babaçu, a carnaúba e o buriti. Seguindo do leste para o oeste, o clima se torna cada vez mais úmido e proporciona uma vegetação cada vez mais arbórea e exuberante. O babaçu é uma palmeira nativa das regiões Norte e Nordeste do Brasil, explorada de maneira sustentável pela população local.

Área de Mata dos Cocais. Chapada do Araripe, Barbalha (CE), 2020.


Entre a Amazônia e o Cerrado está localizada a Mata Seca, for mação florestal com características comuns do Cerrado que geralmente ocorre em locais afastados dos cursos de água ou da umidade permanente.
Já na transição entre o Cerrado e a Caatinga, observa--se uma vegetação mais rica que a da Caatinga, com florestas de árvores de folhas secas. O clima nessa região é mais seco que o do Cerrado, com solo mais ressecado e períodos prolongados sem chuva. A maior parte dessa área está no interior de estados nordestinos.

Manguezais 

Os manguezais são típicos de estuários (locais onde rios se encontram com o mar), enseadas e lagunas de água salgada. Eles se estendem do litoral do Amapá até Santa Catarina.
O solo do manguezal é lodoso e fica constante mente inundado com alternâncias definidas pela maré. É rico em matéria orgânica, o que permite o desenvolvi mento de uma fauna e de uma flora bastante diversas. A flora é composta de quatro espécies arbóreas principais conhecidas como mangue-vermelho, mangue-preto, mangue-branco e mangue-de-botão, variação que ocorre à medida que se afastam da água. Também é possível encontrar samambaias e orquídeas nesse ambiente.
A maioria das plantas do manguezal tem adaptações que permitem a sobrevivência em solo inundado e pobre em gás oxigênio, como raízes respiratórias, chamadas pneumatóforos, que permitem a captação do gás oxigênio do ar, e caules aéreos, que permitem a sustentação da planta em solo lodoso.

Mangue-vermelho (Rhizophoram mangle), espécie vegetal típica de área de manguezal com caules aéreos, no Parque Estadual Ilha do Cardoso, Cananéia (SP), 2019.

Raízes de mangue-preto (Avicennia,schaueriana), mostrando as estruturas respiratórias chamadas pneumatóforos. São Sebastião (SP), 2022.


O manguezal é berço de inúmeras espécies de ostras, caranguejos, sardinhas, garoupas, tubarões e outros animais. Nesse ambiente, as espécies permanecem protegidas até a fase adulta. É no manguezal que várias espécies de fauna aquática e terrestre, de valor ecológico e econômico, desenvolvem-se.


segunda-feira, 18 de maio de 2026

Biomas brasileiros

O Brasil possui enorme extensão territorial. Se pudéssemos cruzar o país em um só dia, de seu extremo norte até o extremo sul, certamente notaríamos diferenças de temperatura e umidade nas diversas regiões. Isso porque o nosso país apresenta climas muito variados. Há regiões com temperaturas altas durante a maior parte do ano e com baixos índices pluviométricos, enquanto há outras nas quais chove quase todos os dias.
O clima sofre influência da latitude (distância de um ponto na superfície terrestre em relação à linha do equador). Para compreender isso, é preciso lembrar que a forma e a inclinação da Terra, associadas aos movimentos de rotação e translação, influenciam diretamente a distribuição da luz solar sobre a superfície, criando diferentes zonas de iluminação ou zonas climáticas. 
Dessa maneira, a incidência de luz solar afeta a temperatura na superfície terrestre. Cada uma dessas zonas climáticas é delimitada por paralelos geográficos. De maneira bastante simplificada, quanto mais próximo um ponto está da linha do equador, mais altas são as temperaturas; os polos são as regiões com menor incidência de luz solar e, portanto, as mais frias.
A maior parte do território brasileiro está localizada na zona tropical, região entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio, enquanto uma menor porção fica na zona temperada, ao sul do Trópico de Capricórnio. Mesmo que a maior porção do país esteja localizada na região dos trópicos, o que indica maior incidência de luz solar e predomínio de temperaturas altas, há regiões onde pode até nevar no período de inverno. Isso porque o clima também é influenciado pela altitude. Por isso, regiões montanhosas geralmente registram temperaturas mais baixas do que regiões ao nível do mar.
Além das mudanças no clima, ao cruzar nosso país de norte a sul, notamos mudanças na paisagem natural, passando por regiões de extensas florestas, regiões de vegetação mais esparsa e outras cobertas por extensas planícies de gramíneas. Podemos dizer que o Brasil apresenta uma grande diversidade de biomas.
Bioma é uma região ampla que apresenta vegetação, fauna, solo e clima característicos.
Os biomas brasileiros podem ser classificados em seis tipos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e os Pampas.
Cada um desses biomas é classificado de acordo com suas características, como temperatura, disponibilidade de água e luz solar e tipo de solo. Essas e outras características influenciam nas espécies de vegetais e de animais presentes nos ecossistemas que constituem esses biomas.
Abordaremos a seguir as principais características de cada bioma brasileiro, bem como as principais atividades desenvolvidas pela população humana que vive neles.

Amazônia


De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Amazônia ocupa aproximadamente 4196943 km 2 do território brasileiro, sendo considerada a maior floresta Tropical do mundo. Por ser uma floresta Tropical, a Amazônia caracteriza-se pelas temperaturas elevadas, apresentando poucas variações ao longo do ano, em torno de 24 ° C a 26 ° C . Isso ocorre porque esse bioma está próximo à linha do Equador, onde a incidência dos raios solares é igual ao longo do ano. A precipitação média anual é de aproximadamente 2300 mm , podendo ser maior em algumas regiões desse bioma.
A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e é o bioma que abriga a maior diversidade de espécies, reunindo quase 25% de todas as espécies conhecidas de seres vivos.
A maior parte da extensão da Amazônia encontra-se no território brasileiro, mas ela se estende por mais oito países da América do Sul. O clima é quente e úmido durante todo o ano. Isso favorece a existência de cobertura vegetal com árvores de grande porte, com mais de 20 m de altura e folhas amplas. Nessa região o nível das águas dos rios oscila muito, com cheias relacionadas à grande quantidade de chuvas em determinadas épocas.


Vista aérea do rio Solimões, em Tefé (AM), 2017.


Há também a vegetação que se encontra nas margens dos rios e forma as matas de igapó. As árvores dos igapós não têm porte tão grande, mas apresentam adaptações que lhes permitem viver em terrenos alagados. 
Durante a época em que os riachos, ou igarapés, estão mais cheios, essa vegetação fica parcialmente inundada. Nos igapós também vivem plantas que flutuam na água, como a vitória-régia. As folhas da vitória-régia são flutuantes, mas se mantêm presas ao fundo.

Vitórias-régias em um rio da Amazônia. A folha da vitória-régia pode chegar a 2 m de diâmetro.


Nesse bioma, a grande quantidade de chuvas está relacionada à umidade trazida do oceano Atlântico pelos ventos. Além disso, a temperatura elevada aumenta a evaporação da água da chuva presente no solo e a transpiração das plantas, mantendo a umidade. 
A incidência de luz solar e as chuvas regulares ao longo do ano possibilita à Amazônia abrigar mais da metade da biodiversidade da Terra. 
A flora é composta de espécies de plantas com tamanhos variados, o que a caracteriza como floresta densa e estratificada. Há árvores altas com folhas largas e sempre verdes, arbustos, cipós, musgos, epífitas, trepadeiras e plantas aquáticas. 
Algumas características das plantas encontradas em um floresta Tropical estão relacionadas à intensidade de luz solar que chega até a floresta. 
Essa estratificação da vegetação influencia na imensa diversidade da fauna, favo recendo uma variedade de abrigos e fonte de alimentos para os animais.
O boto-cor-de-rosa, o jacaré-açu, a ararajuba, o sauim-de- coleira, o peixe-boi e o apapá são exemplos de animais que compõem esse bioma. 
A Amazônia ainda é marca da por uma grande quantidade de rios, entre eles o rio Amazonas e outros que deságuam nele, como o Tapajós, o Negro, o Juruá e o Xingu.
Tanto os rios quanto a vegetação são a fonte de sustento e de renda da maioria das populações tradicionais da Amazônia, como indígenas e ribeirinhos. Entre as atividades desempenhadas, estão a pesca e o extrativismo da castanheira-do-brasil, do cupuaçuzeiro e do açaizeiro, por exemplo.
A maior parte do solo desse bioma apresenta baixa fertilidade, pois há pouca quantidade de nutrientes para as plantas destinadas à agricultura.
Os povos ribeirinhos e indígenas que vivem na Amazônia têm muito conhecimento a respeito dos recursos e das características dessa região. 

Moradia suspensa de ribeirinho, conhecida como palafita, na várzea do Chicaia (PA), 2017.


Considerando as oscilações das águas dos rios, é comum que os ribeirinhos construam suas casas suspensas de modo a não enfrenta rem problemas na época de subida das águas. 
A alimentação dos povos da Amazônia baseia-se em muitos recursos naturais disponíveis, como os peixes, abundantes nos rios da região.
Na região há muitas plantas que tradicionalmente têm sido usadas tanto pelos indígenas quanto pelos demais povos da região com funções medicinais. Esse conhecimento tradicional tem sido de grande valia nos estudos que visam verificar os princípios ativos e os efeitos dessas plantas. 
É o caso da andiroba, cujas cascas e folhas são empregadas pelos indígenas para fazer chás, tomados para aliviar febres e combater vermes intestinais ou aplicados em picadas de insetos para aliviar a dor. 
Atualmente, a andiroba faz parte da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao Serviço Unificado de Saúde (Renisus), que reúne espécies de plantas com potencial para gerar produtos de interesse médico.
Além das plantas medicinais, há várias outras espécies de plantas da Amazônia utilizadas como fonte de alimento. É o caso da mandioca, da castanheira, do guaranazeiro, do cupuaçuzeiro e das palmeiras, como o açaí, a bacaba, o tucumã-do-pará e o inajá. 

Frutos do guaranazeiro, árvore que pode medir 10 m de altura.

Castanheira-do-pará, árvore que pode atingir 50 m de altura.

 
Extração do látex em seringueira, planta que pode atingir 30 m de altura.


Na Floresta Amazônica também existem plantas que geram outro tipo de interesse comercial. Um exemplo é a seringueira, de onde se extrai o látex utilizado na fabricação de borracha. Outros exemplos são as grandes árvores exploradas como fonte de madeira, como o angelim, o mogno e a sumaúma, esta última conhecida como “o gigante da Amazônia”. 
A extração irregular de madeira tem gerado intensa exploração e devastação da floresta. Nas últimas décadas, no entanto, muitas pessoas têm se mobilizado para diminuir a destruição desse bioma, formando organizações de cunho ambientalista. Um exemplo é o grupo denomina do Aliança dos Povos da Floresta, que agrega comunidades tradicionais e indígenas.
Como alguns exemplos de animais que vivem nos rios da região amazônica, podemos citar o peixe-boi-da-amazônia e o pirarucu, mostrados nas fotografias abaixo. Além deles, há o jacaré-açu, a maior espécie de jacaré que ocorre no Brasil (mede cerca de 6 m de comprimento), a tartaruga-gigante-da-amazônia (mede cerca de 75 cm de comprimento) e o boto--vermelho, ou boto-cor-de-rosa (mede cerca de 2,5 m de comprimento).

Peixe-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis), um mamífero sob ameaça de extinção. Esses animais alimentam-se de vegetação aquática e chegam a medir cerca de 2,8 m de comprimento.

O pirarucu (Arapaima gigas) é um dos maiores peixes de água doce do mundo. Mede de 2 a 3 m de comprimento e pode ter até 200 kg de massa corpórea.

Poraquê, o “peixe-elétrico”. Pode medir entre 1,8 m e 2,5 m de comprimento.


No ambiente terrestre vivem diversas espécies de aves, como as ararajubas, os uirapurus, que impressionam pelo seu canto, as ciganas e os gaviões-reais. Além disso, há também grande diversidade de espécies de insetos, aranhas e de vários outros grupos animais. Muitas espécies amazônicas correm risco de extinção. 
No Brasil, preservar áreas significativas da floresta e encontrar meios de explorar os recursos naturais, promovendo sua conservação, é um grande desafio para o governo e para a sociedade.

Ararajubas, espécie ameaçada de extinção pela destruição de seu habitat e em virtude de sua captura para o tráfico de animais silvestres. Seu nome deriva do tupi e significa “arara amarela”. Essas aves medem cerca de 35 cm de comprimento.

O uirapuru-verdadeiro (Cyphorhinus arada) é uma ave rara. Mede cerca de 10 cm e canta apenas no período de acasalamento, em setembro e outubro.


Como já foi dito, o nível das águas dos rios na Amazônia oscila muito ao longo do ano. Essa oscilação se deve principalmente às chuvas, que ocorrem em uma estação bem marcada do ano. Durante a estação chuvosa, o nível das águas sobe e cobre a vegetação rasteira e arbustiva nas margens dos rios. 
Em alguns casos, chega à altura da copa de algumas árvores. Alguns meses depois, com a redução das chuvas, vem a estação da seca. Nela, a água volta ao seu curso natural, o que expõe a vegetação da área que estava inundada. Isso influencia não só a dinâmica de vida das plantas da região, mas também a dos seres humanos (que, como vimos, adaptam-se a essas situações construindo casas de palafita suspensas sobre os rios) e a dos demais animais, que buscam nos rios alimentos e outros recursos.

Caatinga 


A Caatinga ocorre principalmente na região Nordeste do Brasil e ocupa cerca de 11% do território nacional. Na região a estação seca é prolongada e a estação chuvosa é curta. Essas épocas se alternam e isso determina a marcante transformação nas paisagens da Caatinga ao longo do ano.
De acordo com o IBGE, a Caatinga ocupa uma área de aproximadamente 844400 km 2 do território brasileiro. Esse bioma caracteriza-se por apresentar temperaturas elevadas, com longos períodos sem chuva durante o ano. 
Em geral, apresenta temperatura média em torno de 25 ° C a 30 ° C e precipitação média anual de aproximadamente 800 mm.
Essa característica interfere na disponibilidade de água da Caatinga, que influencia no tipo de vegetação e nos animais encontra dos nesse bioma. 
No solo da Caatinga, encontram-se mais minerais do que matéria orgânica, além de ter muitos fragmentos de rocha que dificultam o armazenamento de água. 

Vista da Caatinga durante o período de chuvas, em Oliveira dos Brejinhos (BA), 2018.

Vista da Caatinga durante período de seca, em Conceição (CE), 2017.

Nos períodos de seca, que podem se prolongar por mais de nove meses, a maioria das plantas perde as folhas, e permanecem apenas os galhos esbranquiçados. A palavra “caatinga” tem origem tupi e significa “mata branca” (caa = mata; tinga = branca), devido a essa característica. Já nos períodos chuvosos, a vegetação volta a apresentar folhas verdes.
Dessa maneira, a flora é composta de plantas que apresentam adaptações que favorecem seu desenvolvimento em locais com escassez de chuva e com superfícies rochosas.
Por exemplo, algumas plantas possuem características típicas de deserto, como folhas pequenas cobertas por cutícula, folhas modificadas em espinhos, o que reduz a perda de água para o ambiente, e caule que armazena água. Entre as plantas desse bioma, podemos citar arbustos de caules finos e tortuosos e cactos, como o mandacaru e o xique-xique. 
A vegetação da Caatinga é rica também em cactos, como o xiquexique, as palmas, o mandacaru e o facheiro. Eles apresentam folhas modifica das em espinhos, característica que reduz muito a perda de água pela transpiração. 
Além dos cactos, são plantas comuns na região a carnaúba, as bromélias, a jurema, o umbuzeiro, o angico, o imbaré (barriguda-lisa), entre outras.

Xiquexique, cacto que mede entre 2,5 m e 3,5 m de altura.

Umbuzeiro, planta que pode chegar a cerca de 6 m de altura. Seu fruto, o umbu (ou imbu) é muito apreciado para ser consumido ou utilizado no preparo de doces.

A fauna da Caatinga também é muito rica. Alguns exemplos são caracará ou carcará (gavião), tatupeba, veado-catingueiro, gato-maracajá, cascavel e jiboia, além do grande número de lagartos, como o teiú, e insetos, entre outros animais.

Tatupeba. Mede aproximadamente 70 cm de comprimento.

Carcará. Mede aproximadamente 55 cm da cabeça à cauda e 1,20 m de uma ponta da asa à outra.

Veado-catingueiro. Mede de 50 cm a 65 cm de altura.

Gato-maracajá. Mede cerca de 1,3 m de comprimento.


Nesse bioma, há rios temporários, que secam durante os longos períodos sem chuva, e rios perenes, que não secam, como o rio São Francisco e o Parnaíba, que atravessam a Caatinga e são fundamentais para a flora, a fauna e as pessoas que vivem nesse bioma.
Na Caatinga, o cultivo de milho, de banana e de palma, além da pesca e da criação de animais, como aves, suínos e cabras, são algumas das atividades que garantem o sustento e a fonte de renda da população, como os sertanejos, vaqueiros, agricultores, indígenas e quilombolas.

Cerrado 


O Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil em extensão, ocupando aproximadamente 25% do território nacional. Ocorre principalmente nos estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul e em menor extensão em outros estados, como São Paulo, Mato Grosso, Tocantins, Piauí, Maranhão e Bahia. 
De acordo com o IBGE, ele possui uma área de aproximadamente 2036448 km 2 . Esse bioma caracteriza-se pelas temperaturas elevadas durante o verão, apresentando médias anuais entre 18 ° C e 27 ° C.
O clima na região é quente, com período de seca rigoroso. A presença de árvores com troncos e galhos retorcidos é característica das paisagens de Cerrado. 

Paisagem com vegetação típica de Cerrado na Reserva Ecológica Vargem Grande, em Pirenópolis (GO)

No Cerrado há diversos ecossistemas, como os campos rupestres, com predomínio de vegetação rasteira, e o cerrado, com predomínio de árvores.

Campo rupestre, uma das paisagens possíveis de encontrar no Cerrado, no Parque Nacional da Serra da Canastra (MG), 2015.

Cerradão, ecossistema do bioma Cerrado com predomínio de árvores, no Parque Indígena do Xingu, em Querência (MT)



A precipitação média anual é de aproximadamente 1500 mm , ocorrendo principalmente durante a primavera e o verão. Já o outono e o inverno são períodos de seca, o que favorece as queimadas espontâneas.
O Cerrado possui três tipos de vegetação: floresta, savana e campo. Na região de floresta, predominam árvores de grande porte, como a aroeira, o buriti e a copaíba. 
Na região de savana, predominam espécies de palmeiras, como o buriti, árvores com caule e ramos tortuosos, como o pau-terrinha e o pequi-do-cerrado, e arbustos, como o cajuzinho-do-cerrado, flor-do-cerrado e gabiroba. 
Já na região dos campos, predominam espécies herbáceas, como o capim-estrela e o palipalã-do-brejo, e alguns arbustos, como o candombá e a canela-de-ema.
Os diferentes tipos de vegetação do Cerrado estão associados, principalmente, a características do solo e aos cursos de água.
O Cerrado apresenta uma diversidade de hábitat que favorece o desenvolvimento de várias espécies de animais, como o tamanduá-bandeira, o lobo-guará, o veado-campeiro, o urubu-rei, a seriema, a codorna-mineira, a ema e o pacu-dente-seco.
É nesse bioma que estão as nascentes de importantes rios, como o Araguaia e o São Francisco. Além disso, há grandes reservatórios de água subterrâneos, como parte do Aquífero Guarani. 

Tamanduá-bandeira. Mede até 2,20 m de comprimento, da ponta do focinho até a ponta da cauda.

Ema, a maior ave do Brasil. Pode chegar a 1,70 m de altura.


Um dos animais típicos desse bioma é o guará (ou lobo-guará), que mede cerca de um metro de altura e que se alimenta tanto de outros animais quanto de frutos, como o fruto da planta chamada lobeira. Outros animais típicos desse ambiente são a ema, a maior ave do Brasil, e o tamanduá-bandeira.
No Cerrado, uma das plantas mais comuns é o capim-flecha. Além dele, em especial nas formações de cerradão, há a lobeira, o ipê-amarelo e as palmeiras buriti e indaiá.

 Ipê-amarelo. Chega a até 9 m de altura.

Buritizais no Parque Nacional Grande Sertão Veredas (MG). O buriti pode atingir 30 m de altura.

O bioma Cerrado caracteriza-se também pelas queimadas que ocorrem naturalmente na época da seca. Essas queimadas naturais são importantes nesse bioma, por mais estranho que possa parecer. O fogo nesse ambiente acelera a reciclagem de nutrientes no solo e ajuda a estimular a germinação de sementes.
Muitas plantas do Cerrado apresentam adaptações relacionadas à sobre vivência ao fogo. As cascas espessas das árvores e as folhas grossas, que diminuem a perda de água por transpiração, são exemplos dessas adaptações. O tronco retorcido de muitas árvores é consequência do fogo, pois, quando parte do tronco é queimada, a árvore volta a crescer da parte restante, resultando no aspecto retorcido.

Queimada no Cerrado, na Chapada dos Veadeiros (GO), 2016.

Árvores de aspecto retorcido, típicas do Cerrado, no Parque Nacional das Emas (GO)

Árvore de pequi. O pequizeiro pode atingir 15 m de altura.


Em geral, o solo do Cerrado possui baixa quantidade de nutrientes, sendo, portanto, pouco fértil. Mas com o desenvolvimento de técnicas e produtos agrícolas, como fertilizantes, a agricultura tornou-se uma das importantes atividades econômicas desenvolvidas nesse bioma. 
Desenvolvem-se também atividades de pecuária, extrativismo vegetal, como a extração do pequi, e artesanato de produtos feitos com capim-dourado, geralmente realizado pelos povos indígenas e quilombolas.

Mata Atlântica 


A Mata Atlântica recebe esse nome por se estender ao longo da costa brasileira e caracteriza-se pelo aspecto de uma floresta tropical. De acordo com o IBGE, a Mata Atlântica apresenta uma área de aproximadamente 1110182 km 2 do território brasileiro. 
Na época da chegada dos portugueses ao Brasil, esse bioma recobria cerca de 12% do território nacional, mas, devido às frequentes devastações que sofre até hoje, cerca de 88% da cobertura original da Mata Atlântica foi destruída. Isso ocorreu principalmente pela ocupação humana da área: cerca de 70% da população brasileira ocupa essa região.
A Mata Atlântica tem muitas características em comum com a Floresta Amazônica, como a densa vegetação em que predominam as árvores de grande porte.
Em geral, a Mata Atlântica se caracteriza por apresentar temperatura anual média de 23 ° C. A grande quantidade de chuva nesse bioma mantém importantes rios perenes que o atravessam, como o rio Doce, o rio São Francisco, o rio Paraná e o rio Tietê. 
O solo da Mata Atlântica é úmido e pouco oxigenado. Assim como em algumas regiões da Amazônia, a fertilidade da Mata Atlântica pode ser garantida pela decomposição da serapilheira.
A Mata Atlântica sofre influência oceânica e está parcialmente localiza da em regiões serranas. Os ventos que vêm do oceano Atlântico carrega dos de umidade são barrados pelo relevo na zona costeira, ocasionando grande precipitação na região.

Serra do rio do Rastro, uma região de Mata Atlântica localizada em terreno montanhoso, em Bom Jardim da Serra (SC),

 
A vegetação caracteriza-se por apresentar árvores de grande porte, como a palmeira-juçara, o pau-brasil, o manacá-da-serra, o jequitibá-rosa e a embaúba, arbustos, como a samambaiaçu, herbáceas, como a begônia, e bromélias. 
As plantas de grande porte recebem maior intensidade de luz solar, enquanto as de menor porte recebem menor intensidade de luz solar, pois estão abaixo das plantas de grande porte. 
Por essa razão, algumas plantas se adaptam para melhorar a captação de luz solar. A begônia, por exemplo, apresenta folhas maiores, que aumentam a área de superfície de absorção da luz solar.
A fauna é rica em diversidade de espécies, como o jacaré-de-papo-amarelo, o mico-leão-dourado, o mono-carvoeiro ou muriqui-do-sul e a araponga.

Jaguatirica. Mede entre 70 cm e 1 m de comprimento.

Ariramba-de-cauda-ruiva (beija-flor-da-mata-virgem), com inseto na ponta do bico. Mede aproximadamente 24 cm de comprimento.

São exemplos de animais desse bioma os micos-leões-dourados, os bugios, as jaguatiricas e muitas aves, como a ariramba-de-cauda-ruiva, o macuco, o tiê-sangue e a araponga, popularmente chamada de “voz da Mata Atlântica”, pelo seu canto.
Entre as plantas, podemos citar as quaresmeiras, o jequitibá e muitas espécies de bromélias e palmeiras, como o palmito-juçara. O pau-brasil é uma espécie nativa desse bioma. Foi intensamente explorado durante o início da colonização do Brasil, levando à quase extinção da espécie. 

Pau-brasil. Pode chegar a 12 m de altura.


A Mata Atlântica também é o habitat das samambaias arborescentes, conhecidas como samambaiaçus, espécies ameaçadas de extinção por causa da grande exploração da planta para a obtenção do xaxim. Atual mente, a retirada de samambaiaçu da mata e a venda de xaxins dessa espécie é proibida e considerada crime ambiental.

Samambaiaçu. Pode atingir 10 m de altura.

É nesse bioma que vive aproximadamente 60% da população brasileira. E, assim como em outros biomas, na Mata Atlântica também vivem povos tradicionais que dependem dos recursos naturais para obter renda. 
Os caiçaras, por exemplo, que vivem no litoral de alguns estados brasileiros, obtêm seu sustento e sua renda da pesca, do cultivo de alimentos, como a mandioca e a banana, e das atividades extrativistas.

  • Mata de Araucárias
Uma parte da Mata Atlântica é constituída pela Mata de Araucárias, que já foi considerada um bioma independente, mas atualmente é tratada como pertencente ao bioma Mata Atlântica. 
Nessa região há predominância do pinheiro-do-paraná, cujo nome científico é Araucaria angustifolia. Essas árvores têm como sementes os pinhões, muito apreciados como alimento. Além do pinheiro-do-paraná, há imbuia (canela-imuía), pinheiro-bravo, erva-mate e muitas outras espécies vegetais. 
A Mata de Araucárias ocorre no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná e em trechos do sul do estado de São Paulo. Sua área original foi reduzida a menos de 1%, pois, além do processo de desmatamento em função da ocupação humana, a exploração da madeira da araucária, que é muito resistente e boa para construção, foi intensa. 
Na região da Mata de Araucárias, as chuvas são distribuídas ao longo do ano e duas estações são bem definidas: o inverno, com temperaturas baixas, e o verão, com temperaturas moderadas. 
Com a redução da mata, muitas espécies da fauna e da flora estão ameaçadas de extinção. Entre os animais, destacam-se a gralha-azul, o papagaio-charão, o papagaio-de-peito-roxo, o macaco-prego, o guariba e o leão-baio (onça-parda). Entre as plantas, a canela-amarela e a peroba.

Araucária, também conhecida como pinheiro-do-paraná. A árvore pode chegar a 50 m de altura. 

Gralha-azul. Mede cerca de 39 cm de comprimento.


Pantanal 


O Pantanal, a maior planície alagável do planeta, ocorre na Bolívia, no Paraguai e no Brasil, onde está presente nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. 
Conhecido como a maior planície alagada do mundo, o Pantanal tem uma área de aproximadamente 150355 km 2 do território brasileiro, de acordo com o IBGE. Esse bioma se caracteriza por apresentar temperaturas elevadas ao longo do ano, com uma média anual de 24 ° C , podendo atingir 41 ° C em alguns dias do verão. 
Embora seja o mais conservado dos biomas brasileiros, o Pantanal sofre ameaças pelo desmatamento e pelos impactos consequentes de alterações em áreas vizinhas, como no Cerrado, onde se localizam as nascentes dos rios que inundam o Pantanal nos meses de cheia (de outubro a abril).
A precipitação média anual é de aproximadamente 1250 mm , sendo o verão chuvoso e o inverno seco, com poucas chuvas. Durante a época de chuvas intensas, o chamado período de cheia, os rios desse bioma transbordam e as partes mais baixas tornam-se alagadas. 
Já durante o período de pouca chuva, conhecido como período de seca, o nível de água dos rios reduz, originando as porções de areia e lagoas.
Esses períodos chuvosos e de seca influenciam o solo, a vegetação e a fauna desse bioma. Por exemplo, no período de cheia, a fertilidade do solo é reduzida em razão do excesso de água, que prejudica a sua oxigenação e a decomposição da matéria orgânica. Já durante o período de seca, o solo se torna mais fértil. 

Vista aérea de área alagada do Pantanal, em Miranda (MS), 2017.

A vegetação é composta de árvores de grande porte, como carandá, buriti e ipês, e plantas aquáticas, como o aguapé. A fauna tem espécies, como a garça-branca-pequena, o tuiuiú, o jacaré-do-pantanal, a sucuri-amarela, a ariranha, o cervo-do-pantanal, o pintado e a piranha. Durante as cheias, vários hábitats se formam para diferentes espécies de anfíbios.
Os habitantes locais, que dependem dos recursos naturais do Pantanal, são conhecidos como pantaneiros. Eles obtêm o seu sustento e sua renda principal mente da pesca e da criação e do manejo do gado.
Nos meses de seca (de maio a setembro), os rios voltam a seus cursos normais, deixando nutrientes que fertilizam o solo. Entretanto, muitas regiões ainda permanecem alagadas e originam pequenas lagoas entre meadas por terra firme. A principal característica do Pantanal é a dependência de quase todas as espécies de plantas e animais em relação a esse fluxo das águas. 
A fauna é rica e, embora o número de espécies seja inferior ao registrado na Amazônia, o número de indivíduos de algumas espécies é muito maior no Pantanal. No caso das aves, estima-se que esse bioma reúna a maior concentração do continente, observando-se com frequência árvores completamente ocupadas por grupos de garças, patos-selvagens e jaburus ou tuiuiús (ave-símbolo da região).
Os rios são habitados por diversas espécies de peixes, como o dourado, o curimbatá e a piraputanga (ou pirapitanga). É muito comum ver também, nas lagoas alagadas, grandes grupos de jacarés-do-pantanal repousando ao sol. A diversidade pantaneira inclui também muitas espécies de serpentes, como a sucuri e a jararaca, e muitos mamíferos que interagem diretamente com os rios, como a lontra, a onça-pintada, a anta, entre outros.

Peixe dourado. Mede cerca de 70 cm de comprimento.

Cardume de piraputangas. Um indivíduo mede cerca de 60 cm de comprimento.

Anta brasileira, o maior mamífero do Brasil. Mede entre 1,7 e 2 m de comprimento e chega a cerca de 300 kg.

As araras-azuis, aves típicas dessa região, estavam em sério risco de extinção, mas, graças a projetos de conservação, o número de indivíduos dessa espécie aumentou. As araras-zuis dependem basicamente de três espécies de plantas para a reprodução: as palmeiras acuri e bocaiuva e o manduvi, árvore na qual cerca de 95% dos ninhos são feitos.

Arara-azul-grande. Mede cerca de 1 m de comprimento.

Manduvi, uma espécie-chave na conservação de araras-azuis. Essas aves fazem seus ninhos, em 95% dos casos, em buracos ocos do manduvi. Mede, em média, entre 25 m e 30 m de altura.

Pampas 


Os Pampas, também chamados Campos Sulinos, ocupam uma área de aproximadamente 176496 km 2 do território brasileiro, de acordo com o IBGE. 
Os Campos Sulinos ocorrem nas planícies do sul do Brasil, onde as temperaturas são relativamente baixas, principalmente no inverno. São conhecidos também por Campinas, Campos ou Pampas. 
Esse bioma é caracterizado por apresentar temperatura média anual de 18,3 ° C . O verão tem temperaturas elevadas, muitas vezes acima de 35 ° C , e o inverno é caracterizado pelas baixas temperaturas, que podem atingir valores inferiores a 0 ° C , podendo até nevar em determinadas regiões.
A precipitação média anual é de 1534 mm e ocorre de maneira regular ao longo de todo o ano.
Nesse bioma há pequenas árvores e arbustos, mas a vegetação predominante é composta de gramíneas, o que favorece a atividade pecuária.
Os Pampas têm importantes rios, como o Santa Maria e o Uruguai, além de lagos e lagoas, como a Lagoa dos Patos. A vegetação é composta principalmente de plantas herbáceas e gramíneas, como o capim-forquilha, a flechilha-negra, a barba-de-bode e o capim-dos-pampas. 
Além da diversidade de plantas, podem ser encontradas muitas espécies de animais que vivem nesses campos. Algumas delas, por exemplo, são os mamíferos graxaim, o tatu, o zorrilho e o gato-dos-pampas, que está sob risco de extinção. Entre as aves, podemos citar o quero-quero, o pica-pau dos campos e a coruja-buraqueira.

O graxaim (Lycalopex gymnocercus) é um mamífero da família dos canídeos, muito comum nos Campos Sulinos. Mede cerca de 60 centímetros de comprimento, da ponta do focinho até a cauda.

A coruja-buraqueira (Athene cunicularia) mede entre 20 e 28 cm de altura.


Já a fauna é composta de uma grande quantidade de espécies de animais, como o sapinho-de-barriga-vermelha, o beija-flor-de-barba-azul e o roedor tuco-tuco. O graxaim-do-campo, o zorrilho e o caminheiro-de-espora também são animais comuns desse bioma.
Nos Pampas, a agricultura e a criação de animais, como gado, ovelha e cavalo, e o artesanato em lã são algumas das atividades que garantem o sustento e a renda de muitas famílias que vivem nesse bioma.
Nos Campos Sulinos há regiões especiais chamadas campos brejosos que ocorrem no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Um exemplo é o Banhado do Taim (RS). Essas regiões ocorrem tanto no litoral quanto no interior e correspondem a extensas áreas alagadas ou sempre úmidas, cobertas por gramíneas e outras plantas de pequeno porte.

Estação Ecológica do Taim, no município de Rio Grande (RS), 2017.

Nesses locais há grande diversidade de vida animal, como os ratões-do-banhado, as capivaras e aves como biguá, martim-escador e marrecão.
Os Campos Sulinos constituem um dos ambientes campestres com maior diversidade de espécies do mundo, entre plantas e animais. No entanto, esse é o bioma menos preservado no Brasil.

Ratão-do-banhado. Pode chegar a 1 m de comprimento. 

Paisagem de Campos Sulinos em Santana do Livramento (RS), 2017. A pecuária é uma atividade muito praticada nessa região.



Covid-19

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