terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Geopolítica: do mundo bipolar ao multipolar

Após a Segunda Guerra Mundial, a economia e a geopolítica mundial estiveram sob comando de duas superpotências: os Estados Unidos e a União Soviética.
O poder de influência política e econômica desses países, além do potencial de destruição militar em massa, consolidou uma ordem mundial caracterizada pela existência de dois grandes polos de poder. Por esse motivo, podemos chamá-la de ordem bipolar.
A busca pela hegemonia global conduziu os países do mundo a se aliarem a um dos blocos liderados por uma dessas potências. O grupo de países que se encontrava sob a influência dos Estados Unidos foi denominado bloco capitalista, e o grupo cons tituído por Estados sob influência da União Soviética foi denominado bloco socialista. Observe o mapa a seguir, que representa a ordem geopolítica mundial predo minante no período entre o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, e a desin tegração da União Soviética, em 1991, evidenciando a divisão desses blocos.
 
A Guerra Fria 

Poucas vezes na história da humanidade um confronto de ideologias tão signi ficativo ocorreu entre duas potências dotadas de grande capacidade militar. No entanto, embora Estados Unidos e União Soviética tenham competido em diver sas áreas entre 1945 e 1991, uma declaração de guerra nunca ocorreu entre as partes, levando esse período a ser conhecido com Guerra Fria.
A rivalidade declarada entre as duas potências bélicas, contudo, criou um clima de tensão permanente entre os dois países, proporcionando uma corrida arma mentista e tecnológica em busca da supremacia. Os rivais fabricavam e exibiam armas de destruição em massa cada vez mais potentes, além de formarem alianças militares com outros países para garantir proteção mútua entre os membros de seu bloco. Por causa disso, na época, o temor de um confronto nuclear que destruísse a humanidade era real.
Diversos conflitos mundiais que ocorreram durante esse período envolveram a participação direta ou indireta dessas superpotências que, ao buscarem ampliar suas áreas de influência, embatiam em disputas localizadas.
Podemos destacar os conflitos militares na Coreia (1950-1953) e no Vietnã (1959-1975), além de diversas guerras civis na África, Ásia e América do Sul. Mes mo quando não participavam dessas operações diretamente, as superpotências da Guerra Fria atuavam fornecendo armamentos, treinando exércitos e apoiando governos a fim de agregar países aliados às suas redes de influência.
Durante a Guerra Fria, a divisão entre duas grandes áreas de influência geopo lítica significava que as relações entre esses blocos, incluindo o fluxo de pessoas, mercadorias e capital, eram bastante limitadas e controladas. Em nenhum outro continente esse efeito foi mais sentido do que na Europa. 
Com a consolidação da ordem bipolar, no contexto pós-Segunda Guerra Mundial, o continente europeu foi dividido politicamente e separado em duas grandes áreas de influência bem estabelecidas: a Europa Ocidental, capitalista, e a Europa Oriental, socialista. O limite entre elas ficou simbolicamente conhecido como a Cortina de Ferro.
No contexto da Guerra Fria, também foram estabelecidos acordos de proteção mútua entre os países dos blocos capitalista e socialista. Assim surgiram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), entre os países capitalistas, e o Pacto de Varsóvia, entre os países socialistas.

Multipolaridade: a nova ordem internacional

Após a dissolução do antigo bloco socialista em 1991, que marcou o fim da or dem bipolar, houve o enfraquecimento do socialismo e a expansão do capitalismo entre os países do mundo. Essa mudança geopolítica mundial estabeleceu uma nova ordem internacional de poderes e influências. 
No cenário que se formou, destacou-se a superioridade estadunidense no campo militar. No entanto, além dos Estados Unidos, verificou-se a formação de outras zonas de influência econômica: a dos países da União Europeia (UE) e a do Japão.
No século XXI, contudo, a ascensão da China ao posto de segunda maior eco nomia global e a reafirmação da Rússia como uma potência militar tornaram esse cenário ainda mais complexo. A coexistência de zonas de influência e de blocos econômicos regionais, além do poder de atuação e intervenção de grandes em presas transnacionais no contexto da globalização têm levado à configuração de uma nova ordem multipolar. 
Essa ordem é regida pela multipolaridade, com potên cias como os Estados Unidos, o Reino Unido, a China, o Japão e os países da União Europeia que concentram o maior poder econômico e a maioria das sedes das grandes transnacionais. 
A China é atualmente o país que mais se destaca nessa nova ordem mundial. Além de já ser considerada uma das maiores potências do mundo contemporâneo, o país deverá ampliar seu crescimento econômico e sua participação no comércio internacional nas próximas décadas, possivelmente alterando as relações globais de poder. 
Além de elevar sua importância entre os países asiáticos, a China vem aumen tado sua zona de influência, principalmente na África e na América Latina. Isso se deve a uma série de investimentos que esse país tem feito nesses continentes, sobretudo nos setores de infraestrutura e de exploração mineral e agrícola. 
Em 2022, a Rússia também demonstrou seu protagonismo e sua força militar ao promover a invasão da Ucrânia, desafiando os países da Otan e sendo atingida por inúmeras sanções econômicas. Esse país busca reconquistar a influência que a ex-URSS tinha, agora sobre a área da CEI e da Ásia Central, inclusive aliando-se politicamente à China. 
O embate de forças levou ao uso do termo desordem mundial para caracterizar o período atual. Alguns analistas apontam, nesse contexto, para o possível início de uma nova Guerra Fria, dessa vez opondo o bloco ocidental, formado pe los Estados Unidos e seus principais aliados, sobretudo da Europa Ocidental, e o bloco oriental, dirigido por Rússia e China. 


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