A globalização integra os países de forma desigual: enquanto alguns participam de maneira desvantajosa, endividando-se e tornando-se mais pobres, outros se beneficiam e enriquecem ainda mais, aumentando a concentração de riqueza. Além do aumento das disparidades econômicas entre os países, pode-se identificar o crescimento das desigualdades socioeconômicas internas, isto é, entre distintos grupos populacionais dentro de cada território.
De maneira geral, todos os países têm apresentado um processo de intensifi cação da concentração de riqueza nas mãos de uma elite econômica ligada a negócios globais, como as grandes corporações. Ao mesmo tempo, verifica-se um processo de crescimento da pobreza e das condições precárias de vida.
Nos países pobres, a concentração de renda é mais acentuada do que nos países desenvolvidos. O Índice de Gini, indicador social amplamente utilizado para medir a desi gualdade, analisa a distribuição de renda ou riqueza de uma nação. Nesse índice, o 0 representa a igualdade absoluta e o 100, a desigualdade total.
Trabalho e globalização
O processo de globalização impacta diretamente o mercado de trabalho global. De modo geral, ele acarreta a redução de postos de trabalho nos setores industrial, agropecuário e de mineração, ao mesmo tempo que amplia o setor de serviços. A redução do número de empregos nos setores primário e secundário decor re da ampliação do uso de tecnologias aplicadas à produção na indústria e no campo. Algumas atividades do setor de serviços também são altamen te impactadas pelo uso de novos aparatos técnicos.
No contexto global, os trabalhos braçais e/ou técnicos, realizados no interior das fábricas e nas lavouras, são cada vez mais substituídos por máquinas. A automação se amplia cada vez mais, substituindo trabalhadores por robôs. Por outro lado, aumenta a oferta de postos de trabalho que exigem pessoas altamente qualificadas. Muito embora esses empregos componham apenas uma pequena parcela do mercado mundial de trabalho, constituem as ocupações mais bem-remuneradas e de maior prestígio social, o que expressa a importância que a ciência e a tecnologia assumiram no mundo globalizado.
O processo de modernização tecnológica nos espaços urbanos e rurais dá origem
ao desemprego estrutural em todas as partes do mundo. No atual
cenário do mundo do trabalho, observa-se também um processo de precarização
das relações de trabalho, o que significa a perda de direitos por parte dos trabalhadores.
Os grandes grupos empresariais, por exemplo, passaram a contratar seus funcionários ou prestadores de serviços indiretamente, por meio de
outras empresas que se encarregam dessa tarefa. A mão de obra contratada, ao
final de um projeto, pode ser liberada, sem a necessidade do pagamento de encargos trabalhistas como férias, 13° salário e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS) por parte da empresa contratante. Esse processo é conhecido como terceirização das atividades.
Por um lado, essa realidade da globalização econômica tem contribuído para a redução do poder de negociação dos sindicatos com a classe empregadora. Por
outro lado, as tecnologias de comunicação e informação que sustentam essa
globalização têm contribuído para a emergência de novas formas de luta dos
movimentos sindicais. Há, por exemplo, experiências de organização em rede de
trabalhadores na área automobilística que se articularam globalmente em torno
de objetivos comuns.
Luta por melhores condições de vida
A globalização não tem beneficiado a todos. As desigualdades intensificadas
por esse processo afetam a vida de milhões de pessoas no mundo que se encon
tram na condição de marginalização ou exclusão dos benefícios da globalização.
Como resultado, a sociedade civil tem encontrado novas formas de se orga
nizar para lutar por direitos e condições dignas de vida.
Os movimentos sociais
adquirem crescente importância política. Eles são muito diversos entre si, mas
atuam de forma coletiva, estimulando relações de solidariedade para enfrentar os
diferentes desafios.
Na América Latina, há inúmeros movimentos sociais, tanto em contextos ur
banos quanto rurais. Alguns exemplos são o Movimento dos Trabalhadores Rurais
Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), no Brasil; os
Piqueteros, movimento iniciado por trabalhadores demitidos de uma empresa
petrolífera nos anos 1990, na Argentina; movimentos de resistência à instalação
de empresas de exploração de água em diversos países, como a Guerra da Água,
na Bolívia; os Pobladores, no Chile, um movimento de luta por moradia.
Há também uma série de movimentos sociais ligados a uma causa ou a deter
minadas categorias, que se organizam para reivindicar direitos e defender objetivos
ou interesses. Entre eles, incluem-se os movimentos ambientalista, negro, LGBT,
feminista, das mulheres trabalhadoras rurais, extrativistas, indígenas e quilombolas.
Os movimentos sociais utilizam uma série de estratégias de mobilização, apro
veitando os avanços técnico-científicos das comunicações e buscando articulação
com outros movimentos em diversas partes do mundo. Essas articulações possibilitam visibilidade e fortalecimento.
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