Desde os primórdios da história, os seres humanos se deslocam pelo espaço
geográfico. Quando os grupos humanos ainda eram nômades, deslocavam-se
em busca de alimentos em territórios onde havia maior oferta de animais para
caçar ou de frutos para colher. Com o passar do tempo, foram se tornando se
dentários, mas ainda se moviam em busca de maior disponibilidade de terras
para plantar (e também de melhores solos) e criar animais, quando necessário.
Independentemente das razões, desde os tempos mais remotos, muitos seres humanos sentiram a necessidade de abandonar seu lugar de origem para viver em outro. As motivações para a migração são variadas e podem envolver riscos à sobrevivência − como em caso de crises econômicas, guerras e catástrofes naturais −, perseguições políticas e religiosas, entre outras.
Colonização e migração forçada
A partir do século XV, colonizadores europeus invadiram e ocuparam territórios no continente americano, transferindo parte da Corte para esses locais. Com a ocupação do território, subjugaram os povos originários. Esse processo, conhecido como colonização, é uma forma de conquista territorial empreendida por um Estado, e ocorre articulado com um movimento de migração de parte da população dos países colonizadores para os locais colonizados.
Nesse mesmo contexto, houve uma das grandes diásporas da história: a migração forçada de
mais de 12 milhões de pes soas
oriundas de diversas localidades do continente africano, que
foram traficadas por europeus e
vendidas para o trabalho escravo
na América.
E assim o continente americano foi introduzido na ordem
global: uma área de exploração
de recursos e, ao mesmo tempo,
uma região composta de migrantes de diversos locais, os quais se
somaram aos povos originários,
dando origem à atual população
do continente.
Migrações intercontinentais
Durante o século XIX, cerca de 62 milhões de europeus migraram para
a América, principalmente para os Estados Unidos, a Argentina e o Brasil,
fugindo de guerras e da pobreza extrema.
A emigração europeia está relacionada à consolidação dos Estados
nacionais do continente, acentuada entre os séculos XVIII e XIX. Os italianos, por exemplo, emigraram em grande quantidade em direção à América durante o processo de formação da Itália, no século XIX.
A migração árabe, entre os séculos XIX e XX, foi composta, em grande
parte, de cristãos oriundos de regiões onde hoje se localizam o Líbano e a
Síria. Esse movimento populacional está associado à perseguição religiosa,
pois, com a expansão do Império Otomano, que tinha a fé islâmica como
princípio, árabes cristãos foram forçados a deixar seus locais de origem.
A diáspora judaica é outro exemplo de migração forçada por intolerância
étnica e religiosa. Ela remonta há alguns séculos, com início na perseguição
aos judeus na Ásia, que se prolongou até o Holocausto, durante a Segunda
Guerra Mundial (1939-1945). Como resultado, os judeus foram forçados a
migrar para sobreviver, criando comunidades em todos os continentes.
No Japão da Era Meiji (1868-1912), com a modernização econômica e o
crescimento demográfico, grandes massas de pessoas ficaram sem terras para viver e plantar, tampouco havia emprego nas cidades. Por isso,
muitos japoneses migraram para o continente americano, em busca de
melhores condições de vida.
Migrantes, refugiados e turistas
A partir do processo de industrialização, que começou na Europa no final do
século XVIII e gradativamente se estendeu para vários países, as pessoas passaram
a buscar melhores oportunidades de trabalho ou de negócios em outros lugares.
Muitas migraram do campo para as cidades no interior do próprio país de nasci
mento, e muitas outras foram para o exterior, às vezes para países muito distantes.
Essas pessoas que se deslocam em busca de melhores condições de vida são
chamadas migrantes.
Muitos indivíduos também são obrigados a se deslocar de seus lugares de
origem, seja no interior do próprio país onde vivem, seja para o exterior, em razão de perseguições por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo
social ou opinião política. Esses são os refugiados, cuja motivação é a procura
de segurança e liberdade.
Recentemente na história humana, vem crescendo um grupo particular de
pessoas que se deslocam no espaço geográfico por períodos curtos de tempo
e, depois, retornam ao seu lugar de origem. São os turistas, que viajam de
férias, a negócios e por diversos outros motivos.
No entanto, se uma pessoa se fixar por longo período de tempo no território para onde se deslocou, ela deixa de ser turista e passa a ser considerada
migrante. E os refugiados, não podemos chamá-los de migrantes, se passarem a residir em outro país.
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