terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

África do Sul

África do Sul: realidade socioeconômica

A África do Sul está localizada em uma área estratégica, que, desde o sé culo XVII, fazia parte da rota marítima da Europa e da América em direção à África oriental, à Índia e ao Extremo Oriente e vice-versa. Ao cruzar o cabo da Boa Esperança, os navios atracavam na região da atual Cidade do Cabo para abastecimento.
O país tem três capitais: Tshwane, ex-Pretória (administrativa), Cidade do Cabo (legislativa) e Bloemfontein (judiciária), mas a cidade mais importante é Johannesburgo, principal centro comercial, industrial e financeiro.
Com uma área de 1.221.037 quilômetros quadrados, a África do Sul apresenta a maior concentração mundial de riquezas minerais. O país abriga 69% das reservas mundiais de platina, 56% das de cromo, 24% das de diamante, 8% das de carvão mineral e 82% das de man ganês. Além disso, possui reservas de cobre, minério de ferro, estanho, chumbo, zinco, níquel, urânio, cobalto e prata. Mas o ouro é, sem dúvida, a mais importante de suas riquezas minerais.
O país é responsável por cerca de 35% da produção mundial. Apenas alguns países de grande extensão territorial, como Rússia, Esta dos Unidos, Canadá e Brasil, considerados países-continentes, apresentam maior quantidade de riquezas minerais do que a África do Sul.
Embora apenas 11% do território sul-africano seja considerado apropriado para a agricultura, o país tem uma produção diversificada e fornece alguns produ tos agrícolas para o mercado externo, como laranja, uva, maçã e frutas tropicais. As duas principais culturas são as do milho e o trigo, que ocupam, respectivamen te, 26% e 13% das terras cultiváveis. Destaca-se também a cultura de cana-de--açúcar. Na atividade de criação, o maior rebanho é o de ovinos.
O carvão mineral é outro importante recurso energético. Cerca de 30% das minas exploradas são a céu aberto, o que facilita a extração do produto. A exportação de carvão mineral em 2016 perfazia 5% do valor total exportado pelo país.
Articulada com as cadeias produtivas globais de corporações multinacionais, como as montadoras de veículos, a África do Sul é o país mais industrializado do continente africano. Em 2016, as exportações de veículos prontos correspondiam a cerca de 7% do va lor total exportado, perdendo em importância apenas para diamante e platina, que representavam, respectivamente, 10% e 8,2%.
A indústria sul-africana, estruturada ao longo do período de dominação europeia, tem uma participação expressiva na composição do PIB (cerca de 28%). A abundância de recursos minerais e energéticos também favoreceu a industrialização do país, além de gerar recursos com as exportações – o minério de ferro está entre os mais exportados. A atividade industrial e a extração mineral, porém, continuam a ser controladas pela elite branca e realizadas com a força de trabalho da maioria negra.

A sociedade e o apartheid 

Em 2017, a população da África do Sul era de 55 milhões de habitantes, cuja composição era de aproximadamente 79% negros, 9,6% brancos, 8,9% mestiços e 2,5% asiáticos (indianos, principalmente). 
Até a primeira metade dos anos 1990, os brancos mantinham uma forte política de segregação racial (apartheid), segundo a qual os negros não usufruíam os mesmos direitos dos brancos, ou seja, as pessoas não eram iguais perante a lei. 
O apartheid foi um regime de segregação racial institucionalizada, que praticamente negava aos negros a condição humana. Em 1953, foi publicada a Lei de Recreações, que estabeleceu bibliotecas, escolas, praias e parques separados para brancos e não brancos. No grupo dos não brancos eram incluídos, além dos negros, os mestiços e os asiáticos, também vítimas da segregação racial.
O apartheid foi criado com a finalidade de sustentar um modelo econômico de senvolvido pelos brancos, baseado na exploração da mão de obra negra. Para atingir esse objetivo, era necessário manter o controle da maioria negra da população. 
Alguns números expressam bem o resultado dos longos anos em que vigorou esse regime de segregação racial: até meados da década de 1990, havia na África do Sul aproximadamente 750 mil piscinas, privilégio praticamente exclusivo dos brancos, o que significava a média de uma piscina para duas famílias brancas. Ao mesmo tempo, cerca de 10 milhões de pessoas, quase todas negras, não tinham acesso a água potável.
Nessa mesma época, 84% das pessoas com curso universitário eram bran cas e apenas 7,5%, negras. Enquanto o índice de analfabetismo entre os brancos era insignificante (apenas 1%), 50% dos negros eram analfabetos. 
Também no que diz respeito à questão educacional, na década de 1950, o go verno sul-africano instituiu a “Educação Banto” para os negros, que era inferior à educação oferecida aos brancos. Chegava-se a ponto de não ensinar Matemática aos estudantes negros, sob a justificativa de que “isso não fazia parte de sua cultura”. 
Atualmente, a renda per capita dos brancos está na faixa dos 7 mil dólares, enquanto a dos negros é de aproximadamente 600 dólares. A taxa de mortalidade infantil entre os negros é de 74 por mil; a dos brancos, de 10 por mil.

O fim do apartheid e a nova África do Sul 

A partir dos anos 1980, passou a haver forte pressão internacional para que o governo sul-africano extinguisse o regime do apartheid. Alguns países chegaram a impor um boicote econômico à África do Sul. 
Em resposta, alguns dirigentes políticos sul-africanos, liderados pelo presidente Frederik de Klerk, adotaram medidas para abrandar o regime de segregação racial. Em 1990, o líder negro Nelson Mandela, preso havia 27 anos, foi libertado, assim como todos os presos políticos do país.
Diversos grupos e partidos políticos de oposição, entre eles o Congresso Nacional Africano (CNA), foram legalizados. Em 1991, foram banidas diversas leis discriminatórias, liberando-se o uso de piscinas, praias, ônibus, bibliotecas, escolas e banheiros públicos para toda a população. 
Em razão dessas mudanças, que ampliaram os direitos dos negros no país, muitos brancos extremistas organizaram uma série de protestos, ameaçando as reformas do governo sul-africano, cujo maior desafio passou a ser a instauração da lei do direito ao voto, que daria à maioria negra a possibilidade de lutar por seus ideais no Parlamento da África do Sul.
A aplicação da nova lei eleitoral se concretizou en tre 26 e 28 de abril de 1994, quando foram realizadas as eleições multirraciais. Os negros votaram pela primeira vez na África do Sul. Nelson Mandela, principal dirigente do partido do CNA, o mais antigo movimento nacionalista da África, foi eleito presidente do país. 
Entretanto, a instituição da democracia e a eleição de Mandela como presidente representaram um grande desafio: transformar a sociedade sul-africa na, pois toda a riqueza estava concentrada nas mãos dos brancos. 
O governo de Mandela também se deparou com sérios problemas étnicos. Na África do Sul há, basicamente, onze diferentes etnias, das quais as principais são a dos zulus e a dos xhosas. A maior é a dos zulus, com cerca de 6 milhões de pessoas. Essa etnia ocupa diversas partes do território sul-africano, mas se concentra na província de Kwazulu-Natal, a qual pretende se tornar um país independente.
Na gestão de Nelson Mandela ocorreram alguns avanços importantes: mais de 3 milhões de pessoas passaram a ter acesso a água encanada e quase todas as casas foram conectadas à rede de energia elétrica.
Além disso, em 1997, o Parlamento sul-africano aprovou a Lei de Igualdade no Trabalho, estabelecendo a adoção por parte de todas as empresas do país, tanto estatais como privadas, de uma política de emprego voltada à ampliação da participação de negros, mestiços, mulheres e deficientes em seus quadros, particularmente nos postos de nível hierárquico mais elevado (supervisão, gerência, direção). 
Essa lei visa corrigir as distorções que ocorreram na contratação de funcionários pelas empresas durante o regime do apartheid, que privilegiava os brancos.

A África do Sul no BRICS 

Em abril de 2011, a oficialização da África do Sul como membro do BRICS mostrou que o país vem ganhando projeção no cenário mundial. Apesar de apresentar indicadores econômicos ainda muito distantes daqueles alcançados pelos de mais países do grupo e inúmeros problemas sociais, a África do Sul tem consolida do sua posição de país emergente. Como uma das maiores e mais diversificadas economias da África, a África do Sul está de acordo com especialistas, em posição de destaque no continente.

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