terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

África do Sul

África do Sul: realidade socioeconômica


A África do Sul está localizada em uma área estratégica, que, desde o sé culo XVII, fazia parte da rota marítima da Europa e da América em direção à África oriental, à Índia e ao Extremo Oriente e vice-versa. Ao cruzar o cabo da Boa Esperança, os navios atracavam na região da atual Cidade do Cabo para abastecimento.
O país tem três capitais: Tshwane, ex-Pretória (administrativa), Cidade do Cabo (legislativa) e Bloemfontein (judiciária), mas a cidade mais importante é Johannesburgo, principal centro comercial, industrial e financeiro.
Com uma área de 1.221.037 quilômetros quadrados, a África do Sul apresenta a maior concentração mundial de riquezas minerais. O país abriga 69% das reservas mundiais de platina, 56% das de cromo, 24% das de diamante, 8% das de carvão mineral e 82% das de man ganês. Além disso, possui reservas de cobre, minério de ferro, estanho, chumbo, zinco, níquel, urânio, cobalto e prata. Mas o ouro é, sem dúvida, a mais importante de suas riquezas minerais.
O país é responsável por cerca de 35% da produção mundial. Apenas alguns países de grande extensão territorial, como Rússia, Esta dos Unidos, Canadá e Brasil, considerados países-continentes, apresentam maior quantidade de riquezas minerais do que a África do Sul.
Embora apenas 11% do território sul-africano seja considerado apropriado para a agricultura, o país tem uma produção diversificada e fornece alguns produ tos agrícolas para o mercado externo, como laranja, uva, maçã e frutas tropicais. As duas principais culturas são as do milho e o trigo, que ocupam, respectivamen te, 26% e 13% das terras cultiváveis. Destaca-se também a cultura de cana-de--açúcar. Na atividade de criação, o maior rebanho é o de ovinos.
O carvão mineral é outro importante recurso energético. Cerca de 30% das minas exploradas são a céu aberto, o que facilita a extração do produto. A exportação de carvão mineral em 2016 perfazia 5% do valor total exportado pelo país.
Articulada com as cadeias produtivas globais de corporações multinacionais, como as montadoras de veículos, a África do Sul é o país mais industrializado do continente africano. Em 2016, as exportações de veículos prontos correspondiam a cerca de 7% do va lor total exportado, perdendo em importância apenas para diamante e platina, que representavam, respectivamente, 10% e 8,2%.
A indústria sul-africana, estruturada ao longo do período de dominação europeia, tem uma participação expressiva na composição do PIB (cerca de 28%). A abundância de recursos minerais e energéticos também favoreceu a industrialização do país, além de gerar recursos com as exportações – o minério de ferro está entre os mais exportados. A atividade industrial e a extração mineral, porém, continuam a ser controladas pela elite branca e realizadas com a força de trabalho da maioria negra.

A sociedade e o apartheid 


Em 2017, a população da África do Sul era de 55 milhões de habitantes, cuja composição era de aproximadamente 79% negros, 9,6% brancos, 8,9% mestiços e 2,5% asiáticos (indianos, principalmente). 
Até a primeira metade dos anos 1990, os brancos mantinham uma forte política de segregação racial (apartheid), segundo a qual os negros não usufruíam os mesmos direitos dos brancos, ou seja, as pessoas não eram iguais perante a lei. 
O apartheid foi um regime de segregação racial institucionalizada, que praticamente negava aos negros a condição humana. Em 1953, foi publicada a Lei de Recreações, que estabeleceu bibliotecas, escolas, praias e parques separados para brancos e não brancos. No grupo dos não brancos eram incluídos, além dos negros, os mestiços e os asiáticos, também vítimas da segregação racial.
O apartheid foi criado com a finalidade de sustentar um modelo econômico de senvolvido pelos brancos, baseado na exploração da mão de obra negra. Para atingir esse objetivo, era necessário manter o controle da maioria negra da população. 
Por décadas, esse regime separou brancos de negros, proibindo a convivência entre eles nas escolas, nos parques, nos ônibus e nos bairros (viviam em áreas separadas). Até mesmo o matrimônio entre brancos e negros era vetado por lei. Pautado na segregação racial, o apartheid tinha como intuito explorar a mão de obra dos negros africanos e legitimar o poder dos brancos no território sul-africano.
Alguns números expressam bem o resultado dos longos anos em que vigorou esse regime de segregação racial: até meados da década de 1990, havia na África do Sul aproximadamente 750 mil piscinas, privilégio praticamente exclusivo dos brancos, o que significava a média de uma piscina para duas famílias brancas. Ao mesmo tempo, cerca de 10 milhões de pessoas, quase todas negras, não tinham acesso a água potável.
Nessa mesma época, 84% das pessoas com curso universitário eram bran cas e apenas 7,5%, negras. Enquanto o índice de analfabetismo entre os brancos era insignificante (apenas 1%), 50% dos negros eram analfabetos. 
Também no que diz respeito à questão educacional, na década de 1950, o go verno sul-africano instituiu a “Educação Banto” para os negros, que era inferior à educação oferecida aos brancos. Chegava-se a ponto de não ensinar Matemática aos estudantes negros, sob a justificativa de que “isso não fazia parte de sua cultura”. 
Atualmente, a renda per capita dos brancos está na faixa dos 7 mil dólares, enquanto a dos negros é de aproximadamente 600 dólares. A taxa de mortalidade infantil entre os negros é de 74 por mil; a dos brancos, de 10 por mil.

O fim do apartheid e a nova África do Sul 


Na década de 1980, a ONU impôs sanções ao país para pressionar o regime racista. Houve forte pressão internacional para que o governo sul-africano extinguisse o regime do apartheid. Alguns países chegaram a impor um boicote econômico à África do Sul. 
Em resposta, alguns dirigentes políticos sul-africanos, liderados pelo presidente Frederik de Klerk, adotaram medidas para abrandar o regime de segregação racial. Em 1990, o líder negro Nelson Mandela, preso havia 27 anos, foi libertado, assim como todos os presos políticos do país.
Diversos grupos e partidos políticos de oposição, entre eles o Congresso Nacional Africano (CNA), foram legalizados. Em 1991, foram banidas diversas leis discriminatórias, liberando-se o uso de piscinas, praias, ônibus, bibliotecas, escolas e banheiros públicos para toda a população. 
Em razão dessas mudanças, que ampliaram os direitos dos negros no país, muitos brancos extremistas organizaram uma série de protestos, ameaçando as reformas do governo sul-africano, cujo maior desafio passou a ser a instauração da lei do direito ao voto, que daria à maioria negra a possibilidade de lutar por seus ideais no Parlamento da África do Sul.
A aplicação da nova lei eleitoral se concretizou en tre 26 e 28 de abril de 1994, quando foram realizadas as eleições multirraciais. Os negros votaram pela primeira vez na África do Sul. Nelson Mandela, principal dirigente do partido do CNA, o mais antigo movimento nacionalista da África, foi eleito presidente do país. 
Entretanto, a instituição da democracia e a eleição de Mandela como presidente representaram um grande desafio: transformar a sociedade sul-africa na, pois toda a riqueza estava concentrada nas mãos dos brancos. 
O governo de Mandela também se deparou com sérios problemas étnicos. Na África do Sul há, basicamente, onze diferentes etnias, das quais as principais são a dos zulus e a dos xhosas. A maior é a dos zulus, com cerca de 6 milhões de pessoas. Essa etnia ocupa diversas partes do território sul-africano, mas se concentra na província de Kwazulu-Natal, a qual pretende se tornar um país independente.
Na gestão de Nelson Mandela ocorreram alguns avanços importantes: mais de 3 milhões de pessoas passaram a ter acesso a água encanada e quase todas as casas foram conectadas à rede de energia elétrica.
Essas desigualdade mantém a separação entre negros e brancos, mas não institucionalmente. Enquanto a população negra sul-africana recebe os menores salários e acumula menos anos de escolaridade, os brancos mantêm os postos de empregos mais importantes e mais bem remunerados, detêm mais propriedades e somam mais anos de escolaridade.
No entanto, desde o fim do apartheid, medidas afirmativas vêm sendo implantadas pelo governo sul-africano em vários setores da socie dade – por exemplo, na economia e na educação –, a fim de minimizar essas diferenças.
Em 1997, o Parlamento sul-africano aprovou a Lei de Igualdade no Trabalho, estabelecendo a adoção por parte de todas as empresas do país, tanto estatais como privadas, de uma política de emprego voltada à ampliação da participação de negros, mestiços, mulheres e deficientes em seus quadros, particularmente nos postos de nível hierárquico mais elevado (supervisão, gerência, direção). 
Essa lei visa corrigir as distorções que ocorreram na contratação de funcionários pelas empresas durante o regime do apartheid, que privilegiava os brancos.
Com o fim do apartheid, ocorreram profundas transformações econômicas e políticas. Entretanto, apesar de hoje pertencer ao grupo dos países em desenvolvimento, e além de ser membro do G20, grupo que reúne as 20 principais economias do planeta, a África do Sul continua extremamente desigual, alcançando o posto, segundo o índice Gini, de país com a maior desigualdade de renda do planeta.

A África do Sul no BRICS 


Em abril de 2011, a oficialização da África do Sul como membro do BRICS mostrou que o país vem ganhando projeção no cenário mundial. Apesar de apresentar indicadores econômicos ainda muito distantes daqueles alcançados pelos de mais países do grupo e inúmeros problemas sociais, a África do Sul tem consolida do sua posição de país emergente. Como uma das maiores e mais diversificadas economias da África, a África do Sul está de acordo com especialistas, em posição de destaque no continente.

África do Sul: o parque industrial mais diversificado do continente 


A África do Sul é um dos países com maiores reservas de minérios no continente e é um dos maiores produtores mundiais. O país exporta minérios brutos, dos quais é um dos principais fornecedores mundiais e o maior da África.
Entretanto, possui indústrias que processam internamente grande parte da produção mineral; usinas siderúrgicas e meta lúrgicas, que produzem diversos tipos de metais – ferro, aço, alumínio, cobre, etc. –, os quais, por sua vez, alimentam outras indústrias, como a automobilística.
O parque industrial do país é o maior, mais diversifica do e mais moderno da África. Isso contribui para que sua economia seja a segunda maior entre todos os países africanos, a maior economia é a Nigéria, mas sua população é 3,4 vezes maior que a da África do Sul). 
Entre os outros fatores que exerceram influência em sua economia está a entrada de investimentos ingleses e esta dunidenses e os investimentos em infraestrutura e nas indústrias de base. 
Além disso, os imigrantes europeus trouxeram conhecimentos e experiência em diversas modalidades de trabalho, e a superexploração da mão de obra de xhosas, zulus e outras etnias do país durante o regime do apartheid trouxe altos lucros às empresas nacionais e estrangeiras. Hoje há a garantia de uma série de direitos aos trabalhado res reduzindo o grau de exploração. 

África: uma economia dependente

África: continente em reconstrução 


A maioria dos países africanos tem muita dificuldade para manter a estabilidade política, econômica e social. Essa dificuldade está ligada a dois fatores que se perpetuam na realidade africana mesmo após a consolidação dos processos de independência: a dependência externa (sobretudo, das antigas potências colonizadoras) e a eclosão de conflitos internos. Vamos conhecer um pouco desses aspectos, que precisam ser superados para que as sociedades africanas.
Para entender os vários aspectos da economia da África, é necessário levar em consideração a longa fase de colonização europeia, cujas repercussões se fazem sentir ainda nos dias de hoje. Desde o período colonial, o espaço geográfico do continente africano vem sendo organizado de acordo com os interesses das ex-metrópoles ou das grandes potências mundiais.
Com a economia voltada para a produção de recursos primários, a África apresenta baixo nível de industrialização, mesmo se comparada com a de outras regiões do mundo subdesenvolvido. Os principais setores industriais estão ligados ao beneficiamento de produtos agrícolas destinados à exportação, como tecelagens de algodão, fábricas de óleo vegetal e de suco concentrado, usinas de açúcar e torrefações de café.
Outros setores industriais importantes estão ligados à extração e transforma ção de recursos minerais e energéticos fósseis, como as mineradoras e refinarias de petróleo. Os países africanos mais industrializados são a África do Sul, o Egito, a Nigéria e a Argélia, e a produção dos três últimos é basicamente voltada para a indústria têxtil, a de alimentos, a produção de gás natural e o refino de petróleo.

A agropecuária


A produção agrícola africana, que, antes do período colonial, era organizada de modo a atender às necessidades alimentares de seus habitantes, foi substituída, em boa parte, pela agricultura comercial de exportação. Na maioria dos países africanos, atualmente, a agricultura é praticada de duas formas: de subsistência ou comercial. 
A agricultura de subsistência, praticada em pequenas propriedades, com o emprego de técnicas e instrumentos rudimentares, é desenvolvida para atender às ne cessidades do produtor e de sua família. Esse tipo de agricultura se caracteriza pelos baixos rendimentos e pelo uso coletivo da terra, herança das comunidades tribais.
Essa atividade agrícola, praticada principalmente nas áreas de Savanas, utiliza o sistema itinerante, no qual o lavrador limpa uma pequena extensão de terra, realiza a queimada e, posteriormente, com a ajuda da enxada, retira os torrões de terra e faz a semeadura, empregando a cinza que restou como fertilizante. Decorridos alguns anos, quando os solos começam a apresentar sinais de esgotamento, o lavrador parte para uma nova área e, assim, sucessivamente, vai caminhando em busca de novas terras. Os principais cultivos de subsistência são a mandioca, o arroz, o milhete, o sorgo, o inhame e a batata.
A agricultura comercial para exportação, denominada plantation, surgiu com a chegada do colonizador. Praticada principalmente nas zonas litorâneas, sua finalidade é a produção de culturas destinadas a abastecer o mercado externo. Nela predomina a monocultura, realizada em grandes propriedades, que ocupam as melhores terras do continente. É nessas terras férteis que vem se expandido a agricultura moderna, igualmente voltada à exportação.
Na África, são produzidos em escala comercial, em boa parte destinados ao mercado externo, os se guintes produtos: cacau (Costa do Marfim, Gana e Nigéria), amendoim (Nigéria, Senegal, Guiné-Bissau e Gâmbia), café (Etiópia, Costa do Marfim, Angola, Re pública Democrática do Congo, Camarões, Uganda e Guiné), algodão (Sudão, Nigéria, Egito, Mali, Etiópia), cana-de-açúcar (Angola, Moçambique, África do Sul, Marrocos) e chá (Uganda, Moçambique e Malawi), além de frutas tropicais. 
Na região do Magreb (Tunísia, Marrocos e Argélia), destacam-se as culturas de trigo, cevada, cen teio, oliveira e videira, que também são cultivados no sul da África do Sul, onde predomina o clima Mediterrâneo. 
A atividade de criação de animais é praticada principalmente na região mediterrânea, nas Estepes e Savanas do Sudão, na África do Sul, e nas regiões às margens dos grandes lagos da parte oriental. 
A África do Sul concentra um dos maiores rebanhos de ovinos do mundo, destinado, sobretudo, ao fornecimento de lã para as indústrias locais e para exportação.

As riquezas minerais e a atividade industrial


Desde as primeiras descobertas, as riquezas minerais africanas têm sido exploradas por companhias estrangeiras, principalmente multinacionais. Entre tanto, no final da década de 1960, alguns países resolveram nacionalizar suas minas, apoiando-se em organismos internacionais que reúnem vários países produtores de minérios.
Um desses organismos é o Conselho Intergovernamental de Países Exportadores de Cobre (Cipec), ao qual a República Democrática do Congo e a Zâmbia, dois grandes produtores de cobre, se associaram após nacionalizarem suas principais jazidas. Essa atitude foi seguida pelos produtores de minério de ferro e bauxita, que passaram a se unir e a ingressar em entidades supranacionais para defender seus interesses.
O petróleo, um dos mais significativos produtos minerais africanos e grande fonte de divisas para vários países, é explorado na Líbia, no Marrocos, na Argélia, no Egito (na península do Sinai), na Nigéria (próximo ao delta do rio Níger), em Angola, no Sudão, no Chade e no Gabão, entre outros. Angola, Líbia, Argélia, Nigéria e Gabão são grandes produtores mundiais e os quatro primeiros fazem parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Botsuana é o maior produtor mundial de diamantes. A República Democrática do Congo, além de diamantes, possui duas outras importantes riquezas minerais: o cobre, que representa cerca de 50% do valor total de suas exportações, e o manganês. Na Zâmbia, o comércio de cobre corresponde a 80% das exportações do país.
O Marrocos e a Tunísia são grandes exportadores de fosfato, matéria-prima da indústria de fertilizantes. O Marrocos, por exemplo, responde por cerca de 30% do fosfato comercializado internacionalmente. 
A África do Sul é outro país riquíssimo em minerais, destacando-se o ouro, o diamante, o carvão e o urânio.
Apesar de toda a riqueza do subsolo africano, a produção é quase toda administrada por multinacionais e destinada ao abastecimento dos mercados dos países desenvolvidos, portanto, não contribui para a melhoria do nível de vida da população africana, em geral. 
O principal tipo de indústria que vem se desenvolvendo em alguns países da África é a de bens de consumo, sobretudo não duráveis. As indústrias de bens duráveis estão concentradas em alguns países, como Marrocos, Tunísia, Egito, Senegal, Argélia, Etiópia e, principalmente, África do Sul, que apresenta a maior diversificação industrial do continente. 
A África do Sul reúne o maior parque industrial do continente africano. À exceção dos outros, esse país abriga uma indústria diversificada, com destaque para os setores automobilístico, siderúrgico, químico e alimentício. A maior parte das indústrias sul-africanas é composta de multinacionais, que se instalaram no país principalmente a partir da década de 1960. Por isso, podemos afirmar que a África do Sul é um país de industrialização tardia, como o Brasil, o México e a Argentina.
Dessa forma, não se desencadeou, na maior parte da África, a industrialização por substituição das importações, como ocorreu em outros países subdesenvolvidos. 
Na maioria dos países africanos, os produtos industrializados, que incluem tanto bens de produção (equipamentos de transporte, produtos químicos e metalúrgicos) quanto bens de consumo (automóveis, vestuário, eletrodomésticos e mobiliários), precisam ser importados de outros países, principalmente da União Europeia, dos Estados Unidos e da China. 
Isso tudo causa atraso tecnológico, impedindo que as nações africanas rompam com a situação de dependência em que se encontram em relação aos países mais ricos e industrializados.
As principais áreas industriais da África estão situadas no entorno de cidades como: Argel, na Argélia; Alexandria e Assuan, no Egito; Trípoli, na Líbia; Tânger, no Marrocos; Túnis, na Tunísia; e Dacar, no Senegal; além das cidades da África do Sul, país mais industrializado do continente. A produção industrial africana corresponde a cerca de 11% do total do PIB da África.

Fatores do baixo desenvolvimento industrial africano 


O baixo desenvolvimento industrial africano decorre, sobretudo, dos fatores a seguir. 
- Existência de um mercado consumidor restrito para bens de consumo industrializados, já que a maioria da população vive em estado de pobreza.  
- Falta de interesse por parte dos empresários locais e das multinacionais em investir na implantação de indústrias que substituam as importações de mercadorias provenientes dos países desenvolvidos.

A dívida externa e a dependência econômica da África 


Muitos países africanos têm seu desenvolvimento limitado pela elevada dívida externa e a consequente dependência econômica em relação aos países desenvolvidos e instituições financeiras internacionais. 
Atualmente, o pagamento das dívidas adquiridas por sucessivas administrações compromete os gastos públicos desses países. Os valores deveriam ser aplicados em programas de desenvolvimento industrial ou de saúde e educação. Tal problema é particularmente acentuado nos países da África Subsaariana.
A dívida externa tem origem no perío do pós-independência dos países africa nos, mas aumentou consideravelmente a partir das décadas de 1970 e 1980. 
Já na de 1980, o valor da dívida externa dos países da região correspondia a quase 60% de toda a riqueza gerada, chegan do, em alguns países, a superar o valor do PIB anual de países devedores. No caso da Libéria, a dívida externa chegou a ser seis vezes maior que o PIB. 
Sem ter como dar conta do valor total das parcelas da dívida, vários países do continente africano passaram a pagar apenas seus juros. Nesse contexto, parte substancial do PIB passou a ser destinada ao pagamento de parcelas da dívida externa, resultando na redução dos gastos com serviços públicos.
Alguns países da África Subsaariana são dependentes da ajuda financeira internacional. No entanto, questiona-se o interesse de parte desses credores, os quais, para alguns analistas, beneficiam-se em continuar fornecendo créditos e ampliando o endividamento desses países. 
Questiona-se também a conduta dos países desenvolvidos e das grandes empresas transnacionais em relação à África. Nesse sentido, são cobradas ações mais concretas que beneficiem os países africanos e possibilitem criar bases para seu desenvolvimento, como a transferência de tecnologias e a realização de investimentos em áreas estratégicas com potencial para transformar as economias rurais e urbanas do continente, a exemplo da educação, do desenvolvimen to de infraestrutura e do aproveitamento de fontes de energia renováveis.

Economias dependentes, populações debilitadas


A dívida externa e a corrupção são alguns dos principais fatores que agravam, dia a dia, a situação dos africanos. O pagamento de parcelas da dívida e o desvio de verbas públicas esvaziam os cofres dos governos, deixando a população da maioria dos países africanos completamente desassistida, sem acesso a serviços públicos de saúde, educação e alimentação. Isso faz com que a África apresente os piores indicadores sociais do mundo.
Os problemas sociais desse continente estão se agravando também em razão do rápido crescimento populacional ocorrido nas últimas décadas. A África é um dos continentes que apresentam uma das maiores taxas médias de crescimento natural: cerca de 2% ao ano. As principais causas desse elevado crescimento são as altas taxas de natalidade: cerca de 4% ao ano em média. Elas indicam grande percentual de crianças e jovens no total da população. Estima-se que, atualmen te, 50% dos africanos tenham menos de 18 anos de idade.
As taxas de mortalidade também são bastante elevadas, sendo agravadas pelo precário atendimento médico. Esse fato implica baixa expectativa de vida, atualmente em torno dos 60 anos. Como consequência, a População Economicamente Ativa (PEA) é insuficiente para sustentar a grande parcela de crianças e jovens que compõem a população. Além de reduzida, a PEA é bastante desqualificada em razão, principal mente, do alto índice de analfabetismo.

Investimentos estrangeiros 


O continente africano como um todo não está plenamente integrado aos fluxos mais significativos da economia mundial. Isso dificulta a solução de muitos de seus problemas sociais e econômicos – quando não os agrava. 
Por exemplo: apesar do recente crescimento observado em muitos países da África, o fluxo de capitais produtivos, que são investimentos que geram riqueza – lucro para as empresas, empregos para os trabalhadores e impostos para o Estado –, mantém-se como um dos mais baixos do mundo. Além de esse fluxo de investimentos ser baixo, está muito concentrado em poucos países.
 

O turismo 


Apesar da riqueza do patrimônio natural da África que poderia, por exemplo, estimular o desenvolvimento do turismo ecológico, apenas mais recentemente a atividade turística vem apresentando uma importância mais significativa na economia africana. A falta de infraestrutura hoteleira e de transportes e os constantes conflitos étnicos existentes em alguns países são alguns dos fatores que desestimulam o turismo.
Na região do Mediterrâneo – Marrocos, Tunísia e Egito, principalmente –, ocorre um maior fluxo turístico. Sem dúvida, o patrimônio histórico egípcio, com suas pirâmides e templos, é uma das principais atrações do continente africano, o que eleva o Egito à posição de país mais visitado da África. Na África subsaaria na, a África do Sul é o país que mais se destaca na atividade turística.


Africa: composição étnica e as religiões


A grande diversidade étnica e cultural da África é evidenciada por diferentes idiomas, dialetos, crenças religiosas, culinária e costumes. A diversidade também pode ser observada na economia. Enquanto muitos países ainda são predominan temente agrários, outros têm uma economia dinâmica, baseada em diversos setores e atividades.
A população africana é predominantemente negra. Os brancos, em sua maioria islâmicos, ou muçulmanos, de língua árabe, constituem um terço do total e se concentram na porção setentrional do continente. Ao sul do Saara também há uma população branca de origem europeia, concentrada na África do Sul.
Os brancos do norte da África subdividem-se em árabes e berberes. Os primeiros pertencem ao grupo étnico semita, que conquistou a África setentrional no século VII, fixando-se no Egito, na Tunísia, na Líbia e na porção oriental da Argélia.
Os berberes, pertencentes ao grupo étnico camita, são os mais antigos habitantes do Magreb e constituem a maior parte da população do Marrocos e das regiões montanhosas da Argélia. Entre os berberes destacam-se os tuaregues (nômades do deserto) e os etíopes. Os dois grupos, em sua maioria, professam a religião islâmica.
A população negra, concentrada ao sul do Saara, apresenta grande diversidade de povos, religiões e idiomas (mais de 100). Além de diferentes línguas e dialetos nativos, são falados o francês, o inglês e o português, introduzidos pelos colonizadores. Alguns povos negros são seguidores da religião islâmica, mas, nos últimos anos, tem crescido o número de cristãos (sobretudo adeptos do catolicismo). Muitos seguem o animismo.
Os negros no continente africano se subdividem nos seguintes grupos:
• Bantos: os mais numerosos, que ocupam a maior parte da região equatorial (bacia do Congo), a região dos grandes lagos e parte da Namíbia, de Botsuana e da África do Sul;
• Sudaneses: estabelecidos principalmente na porção ocidental da África;
• Hotentotes: em maior número na África do Sul, na Namíbia e em Botsuana;
• Nilóticos: habitantes da região do alto curso do rio Nilo;
• Bosquímanos: habitam Estepes situadas às margens do deserto do Kalahari;
• Pigmeus: habitantes das Florestas Equatoriais; 
• Malgaxes: habitantes da ilha de Madagascar.

Artes africanas tradicionais 


Os povos africanos possuem uma produção artística rica e variada, porém pouco conhecida em países de outros continentes. Isso ocorre, entre outros fatores, em razão da difusão de uma imagem historicamente distorcida do continente africano, apresentado como desorganizado social e politicamente e ocupado por povos cultural e intelectualmente inferiores. Essa visão é equivocada, pois a África estava organizada em sociedades bastante complexas muito antes da chegada do colonizador europeu, com ciências e artes presentes no cotidiano dos povos.

Revoltas populares no norte da África

A partir de 2010, uma onda de revoltas populares atingiu o norte da África e países do Oriente Médio. A luta da população por democracia, abertura política e melhorias sociais, entre outros aspectos, derrubou regimes autoritários e foi responsável por uma mudança de olhar em relação ao mundo árabe, quase sempre visto exclusivamente sob o viés das questões étnico-religiosas ou do petróleo.
A mobilização popular nas reivindicações por melhoria das condições sociais e por democracia contou com participação ativa sobretudo de jovens nas redes sociais, utilizadas para disseminar informações e convocar pessoas para os pro testos nas ruas. 
Na Líbia, o movimento derrubou o ditador Muamar Kadafi, mas o país entrou em guerra civil, com milícias e grupos islâmicos contro lando porções territoriais do país. 
Na Tunísia, a queda do ditador Ben Ali em 2011 abriu espaço para que o partido islâmico moderado assumisse o governo do país, que, em 2016, recorreu ao FMI para a obtenção de recursos. Em contrapartida, o Fundo exigiu um programa de redução dos gastos governamentais. Em 2018, o povo foi novamente às ruas para exigir melhoria nas condições sociais.
No Egito, os protestos da população levaram o presidente Hosni Mubarak a renunciar ao governo em 2011. No ano seguinte, com as primeiras eleições de mocráticas para presidente no país, Mohamed Mursi foi eleito para a presidência. No entanto, sob um governo autoritário, as melhorias nas condições sociais não ocorreram para boa parte da população. Em razão dessa situação, os protestos foram retomados e, nesse contexto de instabilidade, as forças armadas derrubaram Mursi. Novas eleições foram realizadas em 2014, levando ao poder novamen te um governo autoritário e frustrando as expectativas de boa parte da população, que ansiava por novas perspectivas sociais e democracia.

O Brasil e os países africanos

Parcerias que intensifiquem as relações econômicas com países em desenvolvimento, principalmente emergentes, podem facilitar a superação dos diversos problemas que os países africanos enfrentam, sobretudo os da África Subsaa riana. Tendo em vista os fortes laços étnico-culturais, o Brasil é um país capaz de desempenhar papel importante nesse sentido.
O Brasil também tem presença na África, seja por meio de acordos de cooperação técnica e econômica, como os da Embrapa, seja por meio de investimentos de empresas nacionais – privadas e estatais –, que estão desenvolvendo principalmente projetos em mineração e infraestrutura. 
O Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), mantém diversos projetos de cooperação técnica com países africanos, como os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (Palop) – Angola, Cabo Verde, Guiné--Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe – com os quais tem maior aproximação histórica e cultural. Um dos problemas que as empresas brasileiras enfrentam ao se instalar na África é a carência de profissionais qualificados, sobretudo no setor industrial. 
O Brasil também tem uma relação muito próxima com a União Africana, entidade criada em 2002 em substituição à Organização da Unidade Africana, fundada em 1963 para apoiar os Estados africanos recém-independentes. 
Neste início de século, o governo brasileiro aumentou de 18 para 30 o número de embaixadas e instalou dois consulados-gerais em países africanos. Experiências realizadas no Brasil na área da saúde, no combate à fome e outras formas de assistência social vêm sendo implementadas em países africa nos, como Angola e Moçambique, por exemplo. Entretanto, em razão dos efeitos da crise econômica no Brasil a partir de meados da década de 2010, foram reduzidos alguns investimentos na África e também as doações humanitárias.

O Universo

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