A partir de 2010, uma onda de revoltas populares atingiu o norte da África e países do Oriente Médio. A luta da população por democracia, abertura política e melhorias sociais, entre outros aspectos, derrubou regimes autoritários e foi responsável por uma mudança de olhar em relação ao mundo árabe, quase sempre visto exclusivamente sob o viés das questões étnico-religiosas ou do petróleo.
A mobilização popular nas reivindicações por melhoria das condições sociais
e por democracia contou com participação ativa sobretudo de jovens nas redes
sociais, utilizadas para disseminar informações e convocar pessoas para os pro
testos nas ruas.
Na Líbia, o movimento derrubou o ditador Muamar
Kadafi, mas o país entrou em guerra civil, com milícias e grupos islâmicos contro
lando porções territoriais do país.
Na Tunísia, a queda do ditador Ben Ali em 2011 abriu espaço para que o partido islâmico moderado assumisse o governo do país, que, em 2016, recorreu ao
FMI para a obtenção de recursos. Em contrapartida, o Fundo exigiu um programa
de redução dos gastos governamentais. Em 2018, o povo foi novamente às ruas
para exigir melhoria nas condições sociais.
No Egito, os protestos da população levaram o presidente Hosni Mubarak a
renunciar ao governo em 2011. No ano seguinte, com as primeiras eleições de
mocráticas para presidente no país, Mohamed Mursi foi eleito para a presidência.
No entanto, sob um governo autoritário, as melhorias nas condições sociais não
ocorreram para boa parte da população. Em razão dessa situação, os protestos
foram retomados e, nesse contexto de instabilidade, as forças armadas derrubaram Mursi. Novas eleições foram realizadas em 2014, levando ao poder novamen
te um governo autoritário e frustrando as expectativas de boa parte da população,
que ansiava por novas perspectivas sociais e democracia.
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