Para entender os vários aspectos da economia da África, é necessário levar em consideração a longa fase de colonização europeia, cujas repercussões se fa zem sentir ainda nos dias de hoje. Desde o período colonial, o espaço geográfico do continente africano vem sendo organizado de acordo com os interesses das ex-metrópoles ou das grandes potências mundiais.
A agropecuária
A produção agrícola africana, que, antes do período colonial, era organizada de modo a atender às necessidades alimentares de seus habitantes, foi substituída, em boa parte, pela agricultura comercial de exportação. Na maioria dos países africanos, atualmente, a agricultura é praticada de duas formas: de subsistência ou comercial.
A agricultura de subsistência, praticada em pequenas propriedades, com o emprego de técnicas e instrumentos rudimentares, é desenvolvida para atender às ne cessidades do produtor e de sua família. Esse tipo de agricultura se caracteriza pelos baixos rendimentos e pelo uso coletivo da terra, herança das comunidades tribais.
Essa atividade agrícola, praticada principalmente nas áreas de Savanas, utiliza o sistema itinerante, no qual o lavrador limpa uma pequena extensão
de terra, realiza a queimada e, posteriormente, com
a ajuda da enxada, retira os torrões de terra e faz a
semeadura, empregando a cinza que restou como
fertilizante. Decorridos alguns anos, quando os solos começam a apresentar sinais de esgotamento, o
lavrador parte para uma nova área e, assim, sucessivamente, vai caminhando em busca de novas terras.
Os principais cultivos de subsistência são a mandioca, o arroz, o milhete, o sorgo, o inhame e a batata.
A agricultura comercial para exportação, denominada plantation, surgiu com a chegada do colonizador. Praticada principalmente nas zonas litorâneas,
sua finalidade é a produção de culturas destinadas a
abastecer o mercado externo. Nela predomina a monocultura, realizada em grandes propriedades, que
ocupam as melhores terras do continente. É nessas
terras férteis que vem se expandido a agricultura
moderna, igualmente voltada à exportação.
Na África, são produzidos em escala comercial,
em boa parte destinados ao mercado externo, os se
guintes produtos: cacau (Costa do Marfim, Gana e Nigéria), amendoim (Nigéria, Senegal, Guiné-Bissau e
Gâmbia), café (Etiópia, Costa do Marfim, Angola, Re
pública Democrática do Congo, Camarões, Uganda e
Guiné), algodão (Sudão, Nigéria, Egito, Mali, Etiópia),
cana-de-açúcar (Angola, Moçambique, África do Sul,
Marrocos) e chá (Uganda, Moçambique e Malawi),
além de frutas tropicais.
Na região do Magreb (Tunísia, Marrocos e Argélia), destacam-se as culturas de trigo, cevada, cen
teio, oliveira e videira, que também são cultivados
no sul da África do Sul, onde predomina o
clima Mediterrâneo.
A atividade de criação de animais é praticada
principalmente na região mediterrânea, nas Estepes
e Savanas do Sudão, na África do Sul, e nas regiões às margens
dos grandes lagos da parte oriental.
A África do Sul concentra um dos maiores rebanhos de ovinos do mundo, destinado, sobretudo, ao
fornecimento de lã para as indústrias locais e para
exportação.
As riquezas minerais e a atividade industrial
Desde as primeiras descobertas, as riquezas minerais africanas têm sido
exploradas por companhias estrangeiras, principalmente multinacionais. Entre
tanto, no final da década de 1960, alguns países resolveram nacionalizar suas
minas, apoiando-se em organismos internacionais que reúnem vários países produtores de minérios.
Um desses organismos é o Conselho Intergovernamental de Países Exportadores de Cobre (Cipec), ao qual a República Democrática do Congo e a Zâmbia, dois grandes produtores de cobre, se associaram após nacionalizarem suas
principais jazidas. Essa atitude foi seguida pelos produtores de minério de ferro e
bauxita, que passaram a se unir e a ingressar em entidades supranacionais para
defender seus interesses.
O petróleo, um dos mais significativos produtos minerais africanos e grande
fonte de divisas para vários países, é explorado na Líbia, no Marrocos, na Argélia,
no Egito (na península do Sinai), na Nigéria (próximo ao delta do rio Níger), em
Angola, no Sudão, no Chade e no Gabão, entre outros. Angola, Líbia, Argélia, Nigéria
e Gabão são grandes produtores mundiais e os quatro primeiros fazem parte da
Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Botsuana é o maior produtor mundial de diamantes. A República Democrática
do Congo, além de diamantes, possui duas outras importantes riquezas minerais: o
cobre, que representa cerca de 50% do valor total de suas exportações,
e o manganês. Na Zâmbia, o comércio de cobre corresponde a 80% das exportações
do país.
O Marrocos e a Tunísia são grandes exportadores de fosfato, matéria-prima
da indústria de fertilizantes. O Marrocos, por exemplo, responde por cerca de 30%
do fosfato comercializado internacionalmente.
A África do Sul é outro país riquíssimo em minerais, destacando-se o ouro, o
diamante, o carvão e o urânio.
Apesar de toda a riqueza do subsolo africano, a produção é quase toda ad
ministrada por multinacionais e destinada ao abastecimento dos mercados dos
países desenvolvidos, portanto, não contribui para a melhoria do nível de vida da
população africana, em geral.
O principal tipo de indústria que vem se desenvolvendo em alguns países
da África é a de bens de consumo, sobretudo não duráveis. As indústrias de bens duráveis estão concentradas em alguns países, como Marrocos, Tunísia, Egito,
Senegal, Argélia, Etiópia e, principalmente, África do Sul, que apresenta a maior
diversificação industrial do continente.
As principais áreas industriais da África estão situadas no entorno de cidades
como: Argel, na Argélia; Alexandria e Assuan, no Egito; Trípoli, na Líbia; Tânger, no
Marrocos; Túnis, na Tunísia; e Dacar, no Senegal; além das cidades da África do Sul,
país mais industrializado do continente.
A produção industrial africana corresponde a cerca de 11% do total do PIB da
África.
O turismo
Apesar da riqueza do patrimônio natural da África que poderia, por exemplo,
estimular o desenvolvimento do turismo ecológico, apenas mais recentemente
a atividade turística vem apresentando uma importância mais significativa na
economia africana. A falta de infraestrutura hoteleira e de transportes e os constantes conflitos étnicos existentes em alguns países são alguns dos fatores que
desestimulam o turismo.
Na região do Mediterrâneo – Marrocos, Tunísia e Egito, principalmente –,
ocorre um maior fluxo turístico. Sem dúvida, o patrimônio histórico egípcio, com
suas pirâmides e templos, é uma das principais atrações do continente africano,
o que eleva o Egito à posição de país mais visitado da África. Na África subsaaria
na, a África do Sul é o país que mais se destaca na atividade turística.
Nenhum comentário:
Postar um comentário