domingo, 1 de fevereiro de 2026

Movimentos populacionais recentes

Desde os primórdios da história, os seres humanos se deslocam pelo espaço geográfico. Quando os grupos humanos ainda eram nômades, deslocavam-se em busca de alimentos em territórios onde havia maior oferta de animais para caçar ou de frutos para colher. Com o passar do tempo, foram se tornando se dentários, mas ainda se moviam em busca de maior disponibilidade de terras para plantar (e também de melhores solos) e criar animais, quando necessário.
Independentemente das razões, desde os tempos mais remotos, muitos seres humanos sentiram a necessidade de abandonar seu lugar de origem para viver em outro. As motivações para a migração são variadas e podem envolver riscos à sobrevivência − como em caso de crises econômicas, guerras e catástrofes naturais −, perseguições políticas e religiosas, entre outras.

Colonização e migração forçada

A partir do século XV, colonizadores europeus invadiram e ocuparam territórios no continente americano, transferindo parte da Corte para esses locais. Com a ocupação do território, subjugaram os povos originários. Esse processo, conhecido como colonização, é uma forma de conquista territorial empreendida por um Estado, e ocorre articulado com um movimento de migração de parte da população dos países colonizadores para os locais colonizados.
Nesse mesmo contexto, houve uma das grandes diásporas da história: a migração forçada de mais de 12 milhões de pes soas oriundas de diversas localidades do continente africano, que foram traficadas por europeus e vendidas para o trabalho escravo na América. 
E assim o continente americano foi introduzido na ordem global: uma área de exploração de recursos e, ao mesmo tempo, uma região composta de migrantes de diversos locais, os quais se somaram aos povos originários, dando origem à atual população do continente. 

Migrações intercontinentais

Durante o século XIX, cerca de 62 milhões de europeus migraram para a América, principalmente para os Estados Unidos, a Argentina e o Brasil, fugindo de guerras e da pobreza extrema. 
A emigração europeia está relacionada à consolidação dos Estados nacionais do continente, acentuada entre os séculos XVIII e XIX. Os italianos, por exemplo, emigraram em grande quantidade em direção à América durante o processo de formação da Itália, no século XIX.
A migração árabe, entre os séculos XIX e XX, foi composta, em grande parte, de cristãos oriundos de regiões onde hoje se localizam o Líbano e a Síria. Esse movimento populacional está associado à perseguição religiosa, pois, com a expansão do Império Otomano, que tinha a fé islâmica como princípio, árabes cristãos foram forçados a deixar seus locais de origem.
A diáspora judaica é outro exemplo de migração forçada por intolerância étnica e religiosa. Ela remonta há alguns séculos, com início na perseguição aos judeus na Ásia, que se prolongou até o Holocausto, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Como resultado, os judeus foram forçados a migrar para sobreviver, criando comunidades em todos os continentes.
No Japão da Era Meiji (1868-1912), com a modernização econômica e o crescimento demográfico, grandes massas de pessoas ficaram sem terras para viver e plantar, tampouco havia emprego nas cidades. Por isso, muitos japoneses migraram para o continente americano, em busca de melhores condições de vida.

Migrantes, refugiados e turistas

A partir do processo de industrialização, que começou na Europa no final do século XVIII e gradativamente se estendeu para vários países, as pessoas passaram a buscar melhores oportunidades de trabalho ou de negócios em outros lugares. Muitas migraram do campo para as cidades no interior do próprio país de nasci mento, e muitas outras foram para o exterior, às vezes para países muito distantes. Essas pessoas que se deslocam em busca de melhores condições de vida são chamadas migrantes.
Muitos indivíduos também são obrigados a se deslocar de seus lugares de origem, seja no interior do próprio país onde vivem, seja para o exterior, em razão de perseguições por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opinião política. Esses são os refugiados, cuja motivação é a procura de segurança e liberdade. 
Recentemente na história humana, vem crescendo um grupo particular de pessoas que se deslocam no espaço geográfico por períodos curtos de tempo e, depois, retornam ao seu lugar de origem. São os turistas, que viajam de férias, a negócios e por diversos outros motivos.
No entanto, se uma pessoa se fixar por longo período de tempo no território para onde se deslocou, ela deixa de ser turista e passa a ser considerada migrante. E os refugiados, não podemos chamá-los de migrantes, se passarem a residir em outro país.


A população mundial


Características da população mundial

O estudo da população é realizado por pesquisadores de uma área chamada demografia. O objetivo dessa área é revelar as características populacionais de um espaço geográfico.
Todos os Estados nacionais têm instituições que sistematizam informações sobre a população, com o objetivo de formular políticas públicas, por meio de censos demográficos.
Os censos são levantamentos estatísticos realizados em grande escala que, no Brasil, são realizados pelo IBGE, a cada dez anos, em média.
Organizações internacionais, como a ONU e o Banco Mundial, coletam dados fornecidos por pesquisas demográficas de diferentes países e compõem análises globais, que têm por objetivo conhecer e comparar as diferentes regiões do mundo.
Assim, podemos dizer que para governar é essencial ter dados confiáveis e atualizados sobre a população que vive no território a ser governado.
A primeira informação a ser levantada em estudos demográficos é a quantidade total de pessoas vivendo em uma área geográfica, isto é, sua população absoluta.
Os países populosos são aqueles com elevada população absoluta. O Brasil é, atualmente, o Os países populosos são aqueles com elevada população absoluta. O Brasil é, atualmente, o sexto país mais populoso do mundo.

Crescimento da população mundial 

Além do conhecimento sobre a população absoluta, é importante, para os governantes, por exemplo, saber o quanto a população de seu território cresce ao longo do tempo. 
Chamamos crescimento natural ou vegetativo de uma população a diferença entre a taxa de natalidade e a de mortalidade, isto é, o saldo entre a quantidade de nascimentos e óbitos, em um território, durante certo período. 
Quando a taxa de natalidade é superior à taxa de mortalidade, consideramos que o crescimento vegetativo é positivo, isto é, que a quantidade de pessoas daquele local aumentou naquele período. Esse crescimento pode ser rápido, se houver uma quantidade de nascimentos muito superior à de mortes, ou pode ser lento, se a taxa de natalidade for apenas um pouco mais elevada que a de mortalidade.
Para conhecer o crescimento absoluto de uma população, consideramos, além de seu crescimento vegetativo, o saldo migratório: a diferença entre o número de pessoas que saem do país (emigrantes) e a quantidade de pessoas estrangeiras que nele passam a viver (imigrantes). 

Dinâmicas no crescimento da população mundial

O crescimento populacional ao longo da história da humanidade foi relativamente lento. Fatores como doenças, epidemias, condições precárias de higiene e saneamento, escassez de alimentos, por exemplo, reduziam a expectativa de vida da população, contribuindo para que as taxas de crescimento vegetativo (diferença entre taxa de natalidade e taxa de mortalidade) fossem baixas.
Os avanços conquistados nas áreas de saúde e saneamento básico, a des coberta e fabricação de medicamentos e vacinas e o aumento da capacidade de produção de alimentos resultaram na redução das taxas de mortalidade, particularmente da taxa de mortalidade infantil. 
Como consequência, houve aceleração das taxas de crescimento vegetativo e aumento da expectativa de vida. Entretanto, até meados do século XX, esses fenômenos se mantiveram, de certa forma, restritos aos países que primeiro se industrializaram, nos quais o processo de urbanização se desenvolveu mais intensamente, como os países europeus, os Estados Unidos e o Japão.
A partir de meados do século XX, as conquistas obtidas nos setores de saú de e saneamento básico foram, em parte, estendidas às populações dos países industrializados tardiamente e, em menor intensidade, às dos países periféricos. Esses avanços possibilitaram, consequentemente, redução das taxas de mortali dade e maior crescimento populacional nesses grupos de países, situados, principalmente, na América Latina, na Ásia e na África.
Enquanto essas porções continentais registravam aumento do crescimento vegetativo, os países centrais, em geral – particularmente os da Europa –, passa ram a apresentar um processo de crescimento demográfico lento. Com a intensifi cação do processo de urbanização, no século XX, houve redução das taxas de natalidade nos países desenvolvidos. É importante destacar que, nos espaços urbanos, o custo de criação dos filhos é maior e há mais acesso aos métodos contracep tivos artificiais. Além disso, no decorrer do século XX, as conquistas femininas, que garantiram às mulheres maior participação no mercado de trabalho e nas deci sões no âmbito familiar, contribuíram para a redução das taxas de fecundidade.
Com a aceleração do processo de urbanização em diversos países de industrialização tardia, entre eles o Brasil, as taxas de natalidade também declinaram, pro vocando sensível queda nas taxas de crescimento ve getativo. Na África, que, de modo geral, apresenta uma percentagem relativamente baixa de população urbana em relação à população rural, o número médio de filhos por mulher está próximo de cinco, enquanto na América Latina e no Caribe, onde houve urbanização intensa, a taxa média é praticamente a metade da africana, considerando o período 2010-2015.
A ONU estima que as tendências de crescimento populacional apresentadas nas últimas décadas vão se manter no decorrer do século XXI, ou seja, em média, haverá redução no ritmo de crescimento da população no mundo. Entretanto, o relatório World Population Prospects, The 2017 Revision, da ONU, aponta que, na Europa, as taxas de fecundidade re verterão a tendência de queda e passarão a crescer.
Essas dinâmicas de crescimento vegetativo reper cutem na distribuição da população por faixas etárias: países com crescimento acelerado apresentam grande número de população jovem, ao contrário de países com crescimento lento, cujo número de jovens no conjunto da população é menor. Outro fator que influencia a distribuição da população por faixas etárias é a expectativa de vida. Países nos quais a população desfruta de melhores condições de vida apresentam expectativa de vida mais alta e uma proporção de idosos maior em relação ao total de sua população.

Transição demográfica 

No passado, as famílias costumavam ser numerosas, com muitos filhos. Na mesma época, porém, as pessoas não viviam muito tempo, isto é, a expectativa de vida era baixa, por diversas razões.
Com esse cenário, a taxa de natalidade era alta e a de mortalidade também, e o ritmo do crescimento vegetativo era lento no mundo todo.
Graças ao desenvolvimento da área da saúde, as condições de vida melhoraram em diversas partes do mundo, sobretudo na Europa, já a partir do século XVIII. Esse fato aumentou a longevidade, mas a taxa de natalidade permaneceu alta, o que causou um crescimento populacional. Podemos dizer que essa foi a primeira transição demográfica.
Vale lembrar que esse processo não ocorreu simultaneamente em todos os países. As boas condições de vida que permitiram o declínio da mortalidade, por exemplo, tiveram início nos países de industrialização antiga. 
O mesmo ocorre atualmente, com a redução da taxa de natalidade, ocasionada pela popularização dos métodos contraceptivos e pela conquista feminina de espaço na sociedade. 

Distribuição da população mundial

A população mundial não está distribuída igualmente pelos territórios por diversos motivos, como aspectos físico-naturais dos lugares e concentração de atividades produtivas. 
O ritmo de crescimento da população mundial tem diminuído ao longo das últimas décadas. A justificativa para essa queda é a redução gradual da taxa de natalidade em vários países. Esse cenário, contudo, não é uniforme entre as populações de diferentes nações, principalmente em razão dos contrastes socioeconômicos entre elas.
Atualmente, as taxas de natalidade são baixas, sobretudo nos países desenvolvidos e em alguns países emergentes, como o Brasil. Isso se deve, entre outros fatores, à ampliação dos gastos familiares com moradia, educação, saúde, lazer, vestuário e transporte, além do uso de métodos contraceptivos, da maior participação da mulher no mercado de trabalho e de um melhor planejamento familiar.
Elevadas taxas de natalidade ainda são verificadas principalmente em países em desenvolvimento mais pobres. Nessas nações, as elevadas taxas de fecundidade refletem a falta de planejamento familiar e o baixo uso de métodos contraceptivos, além de questões culturais específicas. Conhecer as taxas de natalidade, fecundidade e mortalidade nos ajuda a entender as diferenças relacionadas à estrutura etária da população em diferentes países.

População relativa 

A razão entre o número de pessoas e a extensão do território que ocupam é denominada população relativa ou densidade demográfica, que é dada em habitantes/km2. Localidades com uma população relativa elevada são chamadas de povoadas.

Urbanização

As primeiras cidades do mundo surgiram no Oriente Médio há cerca de 7 mil anos, mas foi apenas ao longo do século XX que a população urbana mundial se tornou maior que a po pulação rural.
Embora ainda haja contrastes com relação ao nível de urbani zação entre diferentes países e regiões do planeta, a população mundial tem, desde então, tornado-se cada vez mais urbana. 
A transição demográfica na Europa se deu com a Revolução Industrial e foi caracterizada pelo êxodo rural. Aos poucos, as pessoas passaram a se concentrar em espaços urbanos nos demais países. 

Características etárias da população mundial

Você já percebeu que conhecer as características da população é muito importante para o planejamento e a execução de políticas públicas. Saber como é a distribuição nos diferentes grupos de idade também é fundamental para garantir o atendimento da população, de acordo com fundamental para garantir o atendimento da população, de acordo com suas necessidades, as quais mudam conforme envelhecemos.
Conhecer a distribuição da população por faixa etária ajuda os governantes a realizar um planejamento socioeconômico mais preciso. Além disso, esses da dos podem servir de base para alguns setores empresariais elaborarem planos de investimentos.
Para visualizar a estrutura etária de uma população, podemos utilizar a repre sentação gráfica denominada pirâmide etária ou pirâmide de idades. Nela é possível observar as características da população por idade (estrutura etária) e sexo (feminino e masculino).

Pirâmide etária

Pirâmides etárias são representações gráficas que mostram a população absoluta organizada por idade e sexo.

Diferentes formatos de pirâmides etárias 

O formato de uma pirâmide etária permite reconhecer países de populações jovens, em processo de envelhecimento ou já envelhecidas. Essas situações envol vem benefícios e desafios próprios que vamos conhecer a seguir. 
• Países de população jovem: a pirâmide etária de um país com população predominantemente jovem apresenta formato semelhante ao de um triângulo. A base larga caracteriza a maior proporção de crianças e jovens na composi ção da população. O topo estreito caracteriza a menor proporção de idosos na composição da população. 
Países com populações jovens refletem as elevadas taxas de fecundidade e natalidade, associadas a altas taxas de mortalidade e reduzida expectativa de vida. Essas características demográficas são típicas de países em desenvolvimento mais pobres, que não oferecem boa qualidade de vida à maior parte de sua população. 
O elevado número de jovens e adultos pode ser um aspecto positivo, pois o país conta com significativa parcela da população em idade produtiva, formando mão de obra necessária às atividades econômicas. No entanto, para atender a essa massa, é necessário ofertar empregos. Caso contrário, o que ocorre são elevadas taxas de desemprego que compelem os jovens a migrar para outros países e regiões do mundo.
• Países com população em processo de envelhecimento: a redução das ta xas de natalidade e o aumento da expectativa de vida ao longo do tempo le vam ao envelhecimento da população, transformando o formato de pirâmide demográfica de um país. Durante essa transição, o país passa a apresentar uma população em processo de envelhecimento.
Perceba que, no caso de países nessa condição, o ápice da pirâmide etária vai se alargando em razão do maior número de idosos no conjunto da população. Esse formato é típico de alguns países emergentes, como Brasil e México. 
O aumento gradual do número de idosos no total da população leva à neces sidade da ampliação de investimentos na área da saúde pública e também no sistema de previdência social, de modo a oferecer uma boa qualidade de vida a essas pessoas.
A transformação da população também está acontecendo, embora em ritmo mais lento, em países em desenvolvimento mais pobres. Avanços na condição socioeconômica desses países, políticas públicas voltadas ao planejamento familiar, adoção de métodos contraceptivos e programas de controle de natalidade são os principais fatores que têm contribuído para mudanças na estrutura etária de suas populações.
• Países de população envelhecida: em um país de população envelhecida, a pirâmide etária apresenta a base mais estreita do que o topo, refletindo maior proporção de adultos e idosos na composição da população. Populações envelhecidas são características da maioria das nações desenvolvi das, com destaque para os países da Europa e o Japão. Esses países, em geral, apresentam condição socioeconômica elevada, baixas taxas de natalidade e alta expectativa de vida.
O envelhecimento da população também leva à diminuição da proporção de in divíduos na PEA, em função da saída de pessoas do mercado de trabalho por causa da idade avançada, que ingressam para o sistema público de previdência social. Nesse cenário, os gastos com os idosos às vezes se tornam tão elevados, que alguns países são obrigados a alterar sua legislação trabalhista, aumentando a idade mínima para a concessão das aposentadorias. 
Para contornar esse desafio, alguns países incentivam a entrada de imigrantes em seus territórios e estimulam os casais a ter mais filhos, concedendo benefícios como extensão da licença-maternidade, construção de creches públicas e auxílio financeiro para as despesas com os filhos.

Envelhecimento da população

Os países de industrialização antiga foram também os primeiros a se desenvolver economicamente. Podemos dizer que duas dinâmicas demográficas foram alteradas nesses países, em razão dessas mudanças socioculturais: a queda das taxas de natalidade e o aumento da expectativa de vida. 
Importantes consequências dessa nova dinâmica demográfica foram: 
• a redução no ritmo do crescimento vegetativo; 
• o aumento do número de idosos.
O fenômeno denominado envelhecimento da população está estabelecido em países europeus e em alguns países asiáticos, como o Japão, e tem se expandido para outras regiões. 
Embora seja fruto de mudanças positivas para o conjunto da sociedade, esse fenômeno tem preocupado governos, que precisam reformular seu sistema de previdência social para garantir os benefícios das pessoas que já não trabalham, isto é, aposentadas. Além de reformas no sistema previdenciário, alguns países têm adotado políticas de incentivo à natalidade ou mesmo de atração de imigrantes, tendo em vista elevar a população economicamente ativa (PEA).

Distribuição atual da população mundial

Em 2021, cerca de 7,8 bilhões de pessoas encontravam-se distribuí das de maneira desigual por quase todas as regiões da Terra.
O continente asiático apresenta a maior população do mundo, com quase 4,6 bilhões de habitantes, de acordo com dados de 2021. Apenas dois países, a China e a Índia, respondem por grande parte desse total – a China tem aproximada mente 1,4 bilhão de habitantes, enquanto a Índia tem cerca de 1,3 bilhão. 
No entanto, a Índia deve ultrapassar a China e se tornar o país mais populoso do mundo nas próximas décadas. Isso ocorre porque a população total de um país ou região varia ao longo do tempo em decorrência da flutuação das taxas de natalidade e mortalidade e também por movimentos migratórios.
Além da população absoluta, um dado importante quando se necessita conhe cer aspectos demográficos de um território é a densidade demográfica, isto é, a relação entre uma população e a superfície do território que ela ocupa. Dessa forma, podemos compreender como a população de um país ou região se encon tra distribuída por esse território.
Para calcular a densidade demográfica de um país ou região, basta dividir o número total de habitantes pela área de seu território. O valor expressa o número médio de habitantes por quilômetro quadrado (hab./ km 2 ).

A diferença entre populoso e densamente povoado 

Um país que apresenta população numerosa é um país populoso. Se essa popula ção estiver distribuída por um território muito extenso, no entanto, ele terá densidade demográfica média ou baixa. Nesse caso, não é um país densamente povoado. Por outro lado, se a população numerosa estiver concentrada em território pouco extenso, a densidade demográfica será alta. Nesse caso, o país pode ser considerado densamente povoado. 

Distribuição desigual das populações

Ao longo do tempo, avanços tecnológicos tornaram possível a adaptação dos seres humanos aos mais diferentes ambientes do planeta. No entanto, fatores naturais ainda exercem grande influência na distribuição da população humana pela superfície terrestre. 
De modo geral, alguns fatores envolvidos na densidade populacional de dife rentes regiões incluem a disponibilidade de recursos hídricos, o relevo, a altitude, as condições da vegetação e dos solos, além das condições climáticas. 
Áreas que oferecem recursos hídricos e favorecem a prática da agricultura, como as planícies às margens de rios, tendem a ser mais povoadas. A elevada concentra ção populacional verificada ao longo das planícies do Rio Nilo, na África, e do Rio Ganges, na Índia, são exemplos de aglomerações populacionais com origens bastante antigas. 
Por outro lado, regiões localizadas em altitudes muito elevadas, com densa vegetação, áreas com médias de temperatura muito baixas ou regiões sem recursos hídricos tendem a ser menos povoadas.

 As atuais dinâmicas migratórias da população 

Todos os anos, milhares de pessoas migram de um lugar para outro pelas mais diversas razões, tendo em comum a busca por uma vida melhor. Em 2020, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 281 milhões de pessoas em todo o mundo viviam fora do país onde nasceram. Chamamos de emigrantes as pessoas que deixam seu país de origem para ir viver em outro. Denominamos imigrantes aqueles que passam a viver em um país que não é o de sua origem.
De modo geral, podemos classificar as migrações entre migrações voluntárias, isto é, deslocamentos espontâneos por iniciativa da pessoa que busca opor tunidades de trabalho e renda; e migrações forçadas, motivadas por guerras, desastres naturais e outros fatores. Quando o motivo de deslocamento é compro vadamente a ocorrência de guerras, conflitos e perseguições étnicas, políticas e religiosas, o migrante pode ficar em um país na condição de refugiado.
As migrações também podem ser classificadas entre: 
migrações temporárias, em que a pessoa reside apenas por algum tempo, como meses ou anos, no lugar para o qual se mudou; 
migrações permanentes, em que o indivíduo se estabelece definitivamente no lugar para o qual se deslocou.

Os principais fluxos migratórios na atualidade 

Tanto as migrações internas, verificadas dentro de um mesmo país, como as migrações internacionais, realizadas entre diferentes países, ocorrem entre áreas de repulsão (de onde as pessoas tendem a sair) em direção a áreas de atração (para onde muitas pessoas tendem a migrar). 
De modo geral, a maioria das pessoas que migra voluntariamente em busca de melhores condições de vida se desloca em direção a países com maior nível de desenvolvimento socioeconômico do que seu país de origem.
As pessoas que migram voluntariamente, em geral, seguem em direção a nações desenvolvidas ou emergentes, com elevado nível de desenvolvimento socioeconômico se comparado ao país de origem e melhores oportunidades de trabalho e renda. 
Áreas de repulsão também ocorrem em regiões que vivenciam guerras e conflitos étnicos ou religiosos; que são afetadas por problemas ambientais, como escassez de recursos hídricos e desertificação do solo; ou atingidas por fenôme nos naturais, como erupções vulcânicas, terremotos, inundações e secas prolongadas. Nesses casos, como se trata de migrações forçadas, muitas vezes a única opção desses deslocados é se dirigir aos países vizinhos. 
Uma vez no país de destino, os imigrantes, em geral, oferecem mão de obra pouco especializada e acabam empregados em atividades mal remuneradas, que exigem pouca qualificação. Desse modo, atendem a uma parcela importante das necessidades de mão de obra em diversos países. 

Migrações na América Latina 

Vários países latino-americanos registram baixos índices de desenvolvimento so cioeconômico e se caracterizam como áreas de repulsão na dinâmica migratória mundial. Os principais países da região nessa condição, atualmente, são El Salvador, Guatemala, Honduras, Haiti e Venezuela.
O principal destino almejado por esses migrantes, em geral, são os Estados Unidos. Países emergentes como Brasil e México também têm atraído fluxos mi gratórios intensos de alguns países, com destaque para Haiti e Venezuela. 
No caso do Haiti, trata-se de um dos países menos desenvolvidos do mundo, onde grande parte da população vive em condição de pobreza. No entanto, causas naturais também estiveram envolvidas no aumento da emigração a partir de 2010, quando um terremoto de elevada intensidade provocou enorme destruição. Em 2014 e 2021, outros episódios de abalos sísmicos de enormes proporções fo ram registrados nesse país, agravando a situação já difícil de seus habitantes.
Já no caso venezuelano, vive-se uma crise política e econômica desde o início da década de 2010. Devido a fatores como desemprego, inflação e diversas ameaças à segurança do país, até 2020 cerca de 4,8 milhões de pessoas já ha viam abandonado a Venezuela de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Os principais destinos de imigrantes venezue lanos são os países vizinhos, como Colômbia, Peru, Equador e Brasil.

O Brasil e as migrações internacionais 

Em 2021, o Brasil abrigava cerca de 1,3 milhão de imigrantes residentes; ao longo da década de 2010, os maiores fluxos foram provenientes da Venezuela, do Haiti e da Bolívia. Em 2020, também residiam no país cerca de 26,5 mil pes soas na condição de refugiados.
De modo geral, as grandes cidades brasileiras se destacam pela maior presença de imigrantes, pois oferecem mais oportunidades de trabalho. São Paulo, por exemplo, abriga comunidades de diversas nacionalidades, principalmente bolivianos (cerca de 100 mil). Esses imigrantes possuem direitos e deveres iguais aos dos cidadãos brasileiros e contribuem para a nossa sociedade por meio de seu trabalho e também de suas variadas expressões culturais. 
Comunidades formadas por diferentes povos são expressivas em muitos estados e municípios de nosso país, onde suas influências culturais podem ser notadas na paisagem. 
A relação do Brasil com as migrações internacionais também pode ser percebida ao analisarmos a herança étnica e cultural dos imigrantes que ao longo do tempo ajudaram a formar o povo brasileiro e sua identidade cultural. 
No decorrer de sua história, o Brasil foi o destino de muitos movimentos migratórios. Durante o período colonial, europeus colonizadores (portugueses) e africanos (ainda que forçadamente) representaram os principais fluxos. Já nos séculos XIX e XX, houve intenso movimento migratório proveniente de países como Alemanha, Itália, Japão, Espanha e Líbano. 
Muitos brasileiros são descendentes de imigrantes, e as características desses diferentes povos podem ser verificadas em expressões culturais, hábitos e costumes do povo brasileiro. Em diversos municípios, por exemplo, heranças culturais desses povos estão presentes em estilos arquitetônicos, pratos culinários e festas típicas.
 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Distribuição e diversidade da população mundial

Segundo a Nasa (agência espacial dos Estados Unidos), a área da superfície da Terra é de 510 milhões de quilômetros quadrados. Destes, cerca de 150 milhões (29% do total) são terras emersas, ou seja, estão acima do nível do mar. Essas terras estão distribuídas por seis continentes – África, América, Antártica, Ásia, Europa e Oceania –, banhados por cinco grandes oceanos – Antártico, Ártico, Atlântico, Índico e Pacífico.
Os continentes estão divididos em países, em bora nem todos sejam independentes, isto é, Estados nacionais. Por exemplo, embora Taiwan tenha um governo próprio, não é considerado um país independente; a maioria dos países não reconhece sua soberania para não se in dispor com o governo da China, que considera Taiwan parte de seu território.
De acordo com a ONU, em 2017 o mundo contava com 7,5 bilhões de habitantes.
A distribuição geográfica da população mundial é bastante desigual. As planícies, tanto na faixa litorânea como nos vales dos rios, são as áreas mais povoadas. Isso ocorre porque essas regiões, ao longo da história, favoreceram o desenvolvimento de cidades, indústrias e campos agrícolas, bem como a circulação de pessoas e mercadorias. A distribui ção também é desigual considerando os países.
A população mundial sempre apresentou crescimento a cada ano; a proje ção é que em 2050 ela atinja 9,7 bilhões de habitantes, um crescimento de quase 30% em relação a 2017. Apesar disso, esse crescimento vem ocorrendo em ritmo mais lento. 
Um dos motivos da desaceleração do ritmo de crescimen to da população é a queda da taxa de fertilidade. Outro fator que determina rá profundas mudanças na estrutura da população mundial é o aumento da expectativa de vida.

Diversidade cultural da população mundial 

A população mundial apresenta grande diversidade cultural, ou seja, uma enorme variedade de religiões, línguas, costumes, manifestações artísticas, culinárias, vestimentas, tipos de habitação, entre outros aspectos. A religião é um dos aspectos importantes da cultura de um grupo social. A humanidade professa muitas religiões diferentes, cada uma com suas crenças e valores, com seus deuses e seus rituais. 
No entanto, as religiões não são facilmente mapeadas como os limites dos países. As divisões são frequentemen te obscurecidas e sobrepostas. A maioria dos países tem pessoas de muitas religiões diferentes, assim como também há aquelas que não seguem religião alguma.
Por meio das práticas religiosas, grande parte das pessoas manifesta muitos de seus costumes e tradições. No mundo, existe um grande número de religiões, e as que apresentam maior número de seguidores são o cristianismo (dividido em três vertentes principais: ca tólica, ortodoxa e protestante), o islamismo, o judaísmo, o hinduísmo e o budismo.
A língua é outro aspecto importante da cultura de um grupo social porque é por meio dela que seus membros se comunicam, tanto de forma oral quanto de forma escrita, difundindo boa parte dessa cultura. Segundo o site Ethnologue, em 2018 havia 6 656 línguas vivas em uso no mundo. As dez mais faladas tinham cerca de 3,5 bilhões de falantes; as 85 seguintes, cerca de 2,5 bi lhões de falantes. Aproximadamente metade das línguas em uso no mundo tem menos de 10 mil falantes, e muitas delas estão ameaçadas de extinção pela crescente influência de línguas mundialmente dominantes, como o inglês. 

Culturas, povos e territórios

Os povos com as mais variadas culturas vivem espalhados pelos territórios dos países. O que melhor caracteriza e identifica os diferentes grupos humanos são os aspectos culturais herdados de um passado histórico comum de cada grupo, como a religião, a língua, os costumes, as vestimentas, as tradições e o modo de vida. 
Entre esses aspectos, a religião e a língua são os que certamente mais se des tacam e identificam cada povo. Por meio da língua, os indivíduos transmitem suas ideias e seus pensamentos, expressam suas crenças e fortalecem as relações e a união entre os membros do grupo. No mundo todo, fala-se um grande número de línguas e dialetos. 
A abrangência de uma língua é avaliada por sua difusão geográfica e pelo número de pessoas que a utilizam habitualmente, pessoas essas chamadas locutores. Assim, o inglês, o espanhol, o árabe, o português e o francês são línguas interna cionais, praticadas em vários países, enquanto o mandarim (falado na China), o russo (falado na Rússia) e o hindi (falado na Índia) são falados apenas em sua própria região. 
Quando consideramos apenas os falantes que adotam a língua materna, o mandarim é a língua mais falada no mundo. Atualmente, mais de 1 bilhão de pessoas fala chinês (mandarim). Quando nos referimos à segunda língua, o es panhol, seguido do inglês, são as mais adotadas.
Atualmente, várias línguas estão sendo extintas. Uma língua é considerada extinta quando o grupo que a possuía como língua materna não se lembra mais dela, ou se lembra apenas de poucas palavras, e quando ela não possui registros que possibilitem seus estudos.

Povos e territórios 

Os povos das mais diferentes culturas que existem em nosso planeta, ocupam territórios dos diversos países da superfície terrestre. 
O território de um país, também chamado território nacional, abrange a porção do espaço geográfico sobre a qual um Estado, com suas leis, governos e instituições políticas e sociais, exerce soberania, ou seja, tem autoridade com poder para ocupar, controlar e organizar esse espaço de acordo com suas necessidades e seus interesses.
Os limites entre países são representados por linhas imaginárias traçadas na superfície. Essas linhas são demarcadas, geralmente, sobre elementos naturais, como montanhas, rios e lagos, ou, ainda, a partir de marcos ou balizas construídos no terreno. Em geral, acordos entre os países fronteiriços estabelecem esses limites. Quando algum país desrespeita esses acordos isso pode levar a crises políticas e até a conflitos armados.

A distribuição da população na África 

No continente africano, as áreas mais densamente povoadas, de modo geral, também são aquelas mais próximas do litoral, caracterizando o padrão de distribuição populacional influenciado pelo processo de colonização a partir das Grandes Navegações. Esse processo foi particularmente marcante nas faixas litorâneas oriental, ocidental e sul. 
Nessas porções dos territórios coloniais estruturaram-se cidades importantes para o es coamento dos produtos explorados pelos colonizadores em diferentes trechos do interior do continente. No entanto, o vale e o delta do rio Nilo e as regiões próximas dos lagos Tanganica e Vitória são de ocupação muito antiga, concentrando grande quantidade de população mesmo antes da chegada dos colonizadores, especialmente a do rio Nilo, onde se desenvolveu na Antiguidade a civilização egípcia. Entre as áreas mais povoadas da África, destacam-se: 
• o vale e o delta do rio Nilo; 
• a região do Magreb, no litoral mediterrânico; 
• o delta do rio Níger e áreas próximas do golfo da Guiné (terras da Nigéria, Benin, Gana e Costa do Marfim); 
• as margens dos grandes lagos Tanganica e Vitória; 
• grande parte da África do Sul. As mais baixas densidades do continente africano correspondem às regiões desérticas e a alguns trechos de Savanas e de Florestas Equatoriais.

A distribuição da população na Europa 

As maiores concentrações populacionais da Europa se encontram nas porções central e centro-ocidental, que correspondem às áreas industriais, às regiões portuárias mais movimentadas, aos vales dos grandes rios e às planícies férteis. 
Nessas áreas, a densidade demográfica é superior a 200 hab./km2. As partes menos habitadas do continente europeu, com baixas densidades demográficas, são as regiões próximas do círculo polar Ártico, como a península Escandinava, a Finlândia, a porção norte da Rússia e as altas montanhas. 

A distribuição da população na Ásia 

No continente asiático estão localizados os dois países mais populosos da Terra – China e Índia, que em 2017 concentravam cerca de 36% da população mundial. A Ásia é a maior porção continental do mun do e a distribuição da população pelo continente é bastante irregular. 
Os vales férteis e os deltas de alguns rios se destacam como áreas de grande concentração po pulacional, sobretudo os vales dos grandes rios da Índia (Indo e Ganges)  –, da China (Amarelo) e da península da Indochina (Mekong). Os vazios demográficos se apresentam nas altas montanhas, nas áreas de sérticas e nas regiões de clima frio e polar, no norte da Rússia. Nos planaltos ele vados, a presença humana também é reduzida.

A distribuição da população na Oceania 

A Oceania é um continente pouco populoso e pouco povoado (3 hab./km²). Em parte por causa das condições naturais (como o clima), sua população distribui-se de forma irregular pelo território. 
Em algumas ilhas e em trechos dos litorais da Austrália (Sydney e Melbourne) e da Nova Zelândia (Ilha do Norte), en contram-se altas densidades demográficas (300 a 350 hab./km²). Nas áreas desérticas da parte cen tral da Austrália (que correspondem à área do Amazonas), o número de habitantes é muito reduzido (menos de 1 hab./km²). 


Distribuição da população na América


A América apresenta grandes vazios demográficos em contraste com áreas de intensa concentração populacional. Esses vazios podem ser explicados pe las características naturais, como a presença de áreas desérticas, florestas densas e regiões extremamente frias, e por razões históricas e econômicas.
As áreas menos povoadas da América correspondem à Floresta Amazônica; aos desertos do Atacama (Chile e Peru), da Patagônia (Argentina) e do Colorado (Estados Unidos); e às regiões de clima Frio e Polar do norte canadense.

Ocupação da América ibérica

Durante o processo de colonização do continente americano, a população se concentrou nas áreas próximas ao oceano Atlântico devido à maior facilidade de acesso e comunicação com as metrópoles europeias. Esse padrão de ocupação foi marcante na formação do Brasil, onde as primeiras vilas se desenvolveram ao longo da faixa litorânea. Antes da chegada dos portugueses, essas áreas – e também o interior do território – já eram densamente povoadas por mais de mil povos nativos, que aos poucos, em boa parte, foram sendo dizimados.
Antes da chegada dos colonizadores europeus, havia áreas de forte concentra ção populacional nos altiplanos andinos, nos planaltos encravados entre as montanhas do México e em partes da América Central continental. A abundância de ouro e prata nessas terras habitadas por povos nativos atraiu os espanhóis, que ocupa ram essas regiões, erguendo fortificações e fundando cidades, muitas vezes sobre antigos povoamentos para impor seu domínio. Nesse processo colonizador, foram destruídas ricas civilizações, como os impérios maia, inca e asteca.
A economia colonial, totalmente voltada para o continente europeu, foi o fator determinante do padrão de distribuição da população na América.
O povoamento do interior brasileiro pelos colo nizadores teve início a partir das rotas estabelecidas para criação de gado, que começaram a adentrar o território ainda no século XVI, prosseguiu com as entradas e bandeiras entre os séculos XVI e XVII e se intensificou com a busca e a exploração de ouro e pedras preciosas nos atuais estados de Minas Ge rais, Goiás e Mato Grosso, no século XVIII.
Foi a partir da segunda metade do século XX, no entanto, que esse processo passou a ocorrer de forma mais expressiva, em consequência do desenvolvimento de diversas atividades econômicas, apoiadas na exploração mineral em larga escala e na produção agropecuária, destinada em parte ao mercado externo. 
A intensificação do processo de ocupação dessas áreas deu origem à expansão de diversas cidades. Também contribuíram para essa nova configuração territorial a construção e a inau guração de Brasília, em 1960, que se tornou a capital do país.

Ocupação da América inglesa 

Nos Estados Unidos, a área de colonização mais antiga se desenvolveu junto ao Atlântico, estendendo-se, na etapa inicial de industrialização do país (início do século XIX), à região dos Grandes Lagos, que constitui uma extensa reserva de matérias-primas essenciais à atividade industrial. 
No início do século XIX, os Estados Unidos expandiram seu território até a Costa do Pacífico (movimento conhecido como a Marcha para o Oeste). A descoberta de ouro nessa região, principalmente no estado da Califórnia, criou um polo de atração populacional.
A porção nordeste dos Estados Unidos – região de ocupação mais antiga, que alcançou notável desenvolvimento industrial pela tradição manufatureira dos povoadores e pela proximidade das áreas produtoras de matérias-primas – apresenta a maior concentração populacional. 
Nessa área, cujas densidades demográficas ultrapassam 80 habitantes por quilômetro quadrado (incluindo a região dos Grandes Lagos), encontram-se algumas das maiores cidades do país e do mundo, entre elas Nova York, Chicago, Filadélfia e Detroit. Em virtude do alto grau de mecanização das atividades agropecuárias, as áreas rurais são pouco povoadas: 82% da população vive nas áreas urbanas. 
Na faixa litorânea, desde a cidade de Boston, ao norte, até Washington (capital), existe enorme concentração urbana, praticamente contínua. Essa área forma a megalópole Bos-Wash, que abrange grandes cidades, como Baltimore. Bos-Wash abrange uma área urbana de 900 quilômetros de ex tensão ao longo do Atlântico por 250 a 300 quilômetros de largura.
Historicamente, a área que hoje forma a megalópole Bos-Wash foi berço do poder econômico e político dos Estados Unidos. Os portos dos vastos estuários abertos na costa estadunidense ainda hoje asseguram sua preponderância no comércio exterior, em particular nas relações com a Europa. 
A região dos Grandes Lagos, que abriga as áreas metropolitanas de Pittsburgh, Buffalo, Cleveland, Detroit, Chicago e Milwaukee – que formam a megalópole de Chi-Pitts – também apresenta grande concentração populacional.
Na costa do Pacífico, algumas regiões também registram altas densidades demográficas, como as cidades de Los Angeles e São Francisco. Esses dois grandes centros urbanos formam, juntamente com San Diego, a megalópole da Costa Oeste conhecida por San-San. 
No sul, e sobretudo no centro-oeste dos Estados Unidos, a concentração po pulacional é mais baixa. Nas montanhas Rochosas e nas áreas desérticas encontram-se as menores densidades demográficas do país. 
No Canadá, a população está fortemente concentrada no vale do Rio São Lourenço (que foi a porta de entrada dos primeiros colonizadores) e junto à região do lago Ontário, na fronteira com os Estados Unidos.

Da África para o mundo

Estudos demonstraram que os Homo sapiens migraram para a península Arábica e a Eurásia há cerca de 70 mil anos e assim prosseguiram, dispersando-se pela superfície terrestre e tornando-se a espécie dominante do planeta.
O Homo sapiens teve origem na África, na região da atual Etiópia, há cerca de 300 mil anos. A partir desse continente, há aproximadamente 60 mil anos, teve início sua dispersão pelo mundo, primeiramente para a Ásia, continente mais pró ximo, atravessando o mar Vermelho em direção à península Arábica. Há 50 mil anos, os seres humanos atingiram o Sudeste Asiático e a atual Austrália, alcançando a Europa por volta de 40 mil anos atrás. 
De acordo com uma das possíveis teorias, estima-se que a chegada dos humanos à América tenha ocorrido entre 40 mil e 15 mil anos atrás, via estreito de Bering. A passagem por esse local teria ocorrido durante a última Era Glacial, com o congelamento da porção oceânica que atualmente separa os dois continentes. 
Essa propagação ocorreu, em grande medida, em razão da capacidade de raciocínio e de comunicação que a espécie apresentava em relação a outros tipos de primatas. Transmitir e compartilhar informações, cooperar, criar e utilizar ferramentas e estratégias são habilidades que explicam o porquê de, atualmente, termos como ancestrais aqueles que se aventuraram há milhares de anos. 
Há aproximadamente 10 mil anos, após o fim da Era Glacial, os seres huma nos começaram a praticar a agricultura. Segundo fontes históricas mais recentes, os primeiros cultivos parecem ter sido feitos na região de Jericó, no atual Oriente Médio, e não no vale do Nilo, como se supunha anteriormente.
A introdução da agricultura transformou radicalmente a vida dos grupos nômades, que passaram a se fixar nos territórios, sobretudo às margens de grandes rios para aproveitar as terras férteis), tornando-se sedentários. Assim se formaram as primeiras aglomerações humanas.
Esse processo, que ficou conhecido como Revolução Agrícola, levou ao aumento populacional, deu origem a cidades e possibilitou a formação de civilizações e impérios.

Ocupação da América

Não há consenso sobre a época exata do início da ocupação do atual continente americano. Há teorias bastante documentadas que diferem quanto à época e à via de circulação da chegada dos primeiros humanos por aqui: a terrestre, denominada teoria de Bering, que data a chegada dos por aqui: a terrestre, denominada teoria de Bering, que data a chegada dos humanos há 13 mil anos; e a marítima, denominada teoria do povoamento humanos há 13 mil anos; e a marítima, denominada teoria do povoamento precoce, que considera que havia humanos por aqui há mais 20 mil anos.
Há ainda a teoria malaio-polinésia, em que se especula que grupos humanos vieram para cá, também por via marítima, saindo da atual Oceania, pelo Pacífico. 
Segundo a teoria de Bering, grupos humanos teriam chegado ao continente americano por meio da travessia do estreito de Bering, localizado entre a atual região da Sibéria, na Ásia, e o atual Alasca, na América. 
Estudos apontam que nessa região, onde hoje existe água, no passado havia caminhos intermitentes, possibilitando uma travessia a pé. 
Ao longo do tempo, esses grupos de pessoas teriam se deslocado para o sul do continente, ocupando-o por inteiro, formando os chamados “povos originários da América”. 
Há, ainda, uma teoria que busca explicar múltiplas correntes de povoamento da atual América, sendo que as de origem polinésia e africana teriam sucumbido e a de origem asiática, prosperado.

Fatores naturais, históricos e econômicos na distribuição da população

Um fator que favorece a concentração populacional é a presença de rios, principalmente aqueles às margens dos quais se formam vales de terras férteis. Além disso, os rios são importantes para o fornecimento de água e alimento (peixes) e, dependendo de suas características, também podem ser utilizados para na vegação e estabelecimento de portos. Muitas cidades e regiões densamente povoadas se formaram às margens de rios, especialmente dos mais extensos, que interligam diferentes pontos do território.
Em relação aos fatores naturais, é preciso destacar que, em diferentes continentes, muitos trechos litorâneos concentraram população ao longo da história. Já as regiões montanhosas, desérticas, polares ou muito frias dificultaram a ocupação humana. Os avanços tecnológicos, porém, tornaram possível a produção de gêneros agrícolas em áreas ocupadas por de sertos. Atualmente, a aplicação de técnicas modernas, particularmente de irrigação, tem modificado as paisagens de diversos territórios. São exemplos as áreas agrícolas de Neguev, em Israel, e os cultivos desenvolvidos em trechos desérticos da Califórnia, nos Estados Unidos.
Os fatores históricos e econômicos estão associados ao desenvolvimento de determinadas atividades que oferecem oportunidades de emprego e geração de riquezas para a população em diferentes etapas da história. No caso do território brasileiro, se analisarmos sob uma perspectiva histórica, constataremos que os fluxos migratórios internos,  acompanharam a estruturação de atividades econômicas.
No início do processo de colonização, a população se concentrou no litoral, onde tiveram início a extração do pau-brasil e o cultivo da cana-de-açúcar. Poste riormente, nos séculos XVII e XVIII, com a descoberta de diamantes, ouro e outras pedras preciosas em Minas Gerais, houve grande afluxo para essa região, o que deu origem a muitas vilas e cidades. Com a intensificação do processo de indus trialização, a partir dos anos de 1930/1940, o estado de São Paulo passou a exercer forte atração populacional e, atualmente, é o estado mais populoso do Brasil. 
O início da formação do território brasileiro está inserido no contexto das Grandes Navegações, que inaugurou uma fase de importantes deslocamentos populacionais no mundo. Essa etapa constituiu um marco histórico na saída dos europeus para os diferentes continentes. Os fluxos populacionais do continente europeu para territórios localizados na América, África, Ásia e Oceania se estenderam até as primeiras décadas do século XX.
Entre a década de 1810 e 1930, foram bastante expressivos os movimentos migratórios de diversos povos da Europa para a América e a Oceania, em razão de uma série de fatores, entre eles as guerras. Estima-se que entre 50 e 60 milhões de pessoas tenham saído do continente europeu nesse período.
Esse grande fluxo demográfico só foi superado pelos deslocamentos que vêm ocorrendo desde o final do século XX e, particularmente, no início deste século. 
Esse grande fluxo migratório dos séculos XIX e XX decorre do aumento populacional registrado nos países que primeiramente se industrializaram. Com regiões e cidades densamente povoadas, governantes de países europeus estimularam a emigração, coincidindo com os anseios de políticas de incentivo à imigração em países da América e da Oceania.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Formas de regionalização

A regionalização pode considerar critérios naturais, políticos, sociais e econômicos, entre outros. Como campo do conhecimento geográfico, a Geografia física estuda a distribuição espacial de fenômenos naturais, como o relevo, o clima e a vegetação. Desse modo, podem ser elaborados mapas temáticos. 
Em âmbito mundial, a regionalização tem sido feita de várias maneiras, obedecendo a diversos critérios geopolíticos, culturais, sociais, econômicos, entre outros. Com base em diferentes critérios, estudaremos quatro possibilidades de regionalização: 
■ Por blocos geopolíticos, construída no período da Guerra Fria; 
■ Por grau de desenvolvimento, de acordo com a ONU; 
■ Por renda, segundo o Banco Mundial; 
■ Por blocos econômicos, conforme a Organização Mundial do Comércio.

Regionalização da época da Guerra Fria

Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os Estados Unidos e a União Soviética despontaram como superpotências mundiais e passaram a disputar o poder político e econômico no mundo. 
Durante a Guerra Fria (1947-1991), em torno delas se organizaram dois blocos de poder antagônicos: o bloco “ocidental” e o bloco “comunista”. O primeiro era composto de países capitalistas, sob a liderança dos Estados Unidos. O segundo, de países de economia planificada, sob o comando da União Soviética. E entre eles, tentando não se alinhar a nenhum dos dois blocos, constituiu-se uma “terceira via”.
 Nessa situação de confronto, tornou-se comum classificar os países em um dos três blocos geopolíticos: 
■ primeiro mundo, formado por países capitalistas desenvolvidos, liderados pelos Estados Unidos; 
■ segundo mundo, composto pelos países socialistas, liderados pela União Soviética; 
■ terceiro mundo, integrado pelos países recém-independentes, a maioria da Ásia e da África, então considerados “subdesenvolvidos”.
Alguns países como a Índia, a Indonésia e o Egito, além de muitos outros localizados na Ásia e na África, procuraram não se alinhar geopoliticamente a nenhuma das duas superpotências. Na Conferência de Bandung eles fundaram o bloco dos países não alinhados, a origem do chamado Terceiro Mundo. No entanto, a América Latina, mesmo fazendo parte do bloco “ocidental” e alinhada com os Estados Unidos também era formada por países “subdesenvolvidos” e comumente inserida no Terceiro Mundo.
A partir de 1989, a economia planificada entrou em crise e gradativamente quase todos os países do bloco comunista adotaram o capitalismo. Em 1991 a União Soviética se desintegrou territorialmente, dando origem a 15 novos países, entre eles a Rússia. Com isso, o segundo mundo deixou de existir, assim como o bloco comunista. 
O terceiro mundo também se descaracterizou, pois muitos dos países desse grupo cresceram economicamente e se industrializaram. Hoje as nações do antigo terceiro mundo são chamadas de países em desenvolvimento e aqueles que se destacam economicamente nesse grupo são chamados de emergentes. 

Regionalização da ONU

Como consequência das transformações geopolíticas do final do século XX, a ONU criou uma nova regionalização para tentar compreender o mundo contemporâneo.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), uma agência da ONU, classifica os países de acordo com o índice de desenvolvimento humano (IDH), em quatro categorias: muito elevado, elevado, médio e baixo. Nesse caso, os países são agrupados segundo uma combinação de critérios sociais e econômicos, porém não formam regiões contínuas, porque em cada grupo há países de diversos continentes.
A ONU reconhece que não é simples classificar os países e criar uma regionalização com base no grau de desenvolvimento. Segundo essa organização: “As designações ‘desenvolvido’, ‘em transição’ e ‘em desenvolvimento’ foram adotadas por conveniência estatística e não necessariamente expressam um julgamento sobre o estágio alcançado por um país em particular no processo de desenvolvimento.” Apesar disso, essa regionalização é bastante utilizada.
Os países desenvolvidos são aqueles que em geral são industrializados e têm economias modernas, competitivas e boa infraestrutura (saneamento bá sico, telefonia, rodovias, ferrovias, portos, etc.); que dispõem de alta renda per capita e de bons indicadores sociais (escolaridade, mortalidade infantil, expec tativa de vida, etc.), o que se reflete em IDHs muito elevados. Vale destacar que nem todo país que tem alta renda e IDH muito elevado é considerado desenvolvido.
Muitos dos países em desenvolvimento foram colônias e a maioria ficou independente após a Segunda Guerra Mundial, como é o caso de praticamen te todos os africanos. Por isso, ainda hoje muitos deles sofrem as consequências desse passado de exploração colonial. Em geral o grau de industrialização e modernização de suas economias ainda é baixo e a infraestrutura apresenta muitas deficiências, o que impacta no nível de competitividade no mercado internacional. Com poucas exceções, a renda per capita é baixa ou média e muitos indicadores sociais são insuficientes, o que se reflete em IDHs baixo, médio e alto, raramente muito alto.
Como vimos, os países em desenvolvimento que se destacam pelo rápido crescimento econômico, avanço da industrialização, crescimento do mercado interno e pela capacidade de atração de investimentos estrangeiros, o que vem se refletindo na redução da pobreza e na elevação do IDH, são chamados de economias emergentes. Segundo a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad, sigla em inglês), em 2018 havia 37 países emergentes, entre os quais se destacam: Brasil, México, Argentina e Chile (América Latina); China, Índia, Coreia do Sul e Indonésia (sul e leste da Ásia); Turquia e Arábia Saudita (Oriente Médio); Rússia, Polônia e Hungria (Eu ropa oriental); África do Sul, Egito e Nigéria (África).
No grupo das nações em desenvolvimento há uma subclassificação que se refere aos países menos desenvolvidos, aqueles que apresentam graves proble mas socioeconômicos e os piores IDHs. Segundo a ONU são os 48 países mais pobres e vulneráveis do mundo: 34 estão na África, 13 na região da Ásia-Pacífico e um no Caribe.
As economias em transição contemplam os antigos países de economia planificada. Desde o início dos anos 1990, após o colapso da economia planifica da, eles vêm passando por grandes transformações e a maioria tem feito reformas eco nômicas de cunho capitalista. O país que se destaca nesse grupo é a Rússia, a maior economia entre os países em transição.

Regionalizações do Banco Mundial 

Um dos critérios usados pelo Banco Mundial para agrupar países é a renda per capita. A classificação se dá por países de alta renda, média-alta, média-baixa e baixa renda. Porém, assim como acontece com o IDH, a classificação dos países por renda não forma regiões contínuas porque em cada agrupamento há países de diversos continentes.
Segundo o Banco Mundial as economias de baixa e média renda são definidas como países em desenvolvimento e as economias de alta renda, como países desenvolvidos. Entretanto, como vimos, nem todo país de alta renda pode ser considerado desenvolvido, como é o caso da Arábia Saudita. Além disso, a renda não pode ser tomada como único critério para analisar o desenvolvimento de um país. 
As condições de vida da população também devem ser consideradas, além de outros indicadores sociais, econômicos e políticos. Por isso, nem todo país de alta renda tem boa colocação no ranking do IDH. Além da classificação dos países por renda, para fins administrativos e estatísticos, o Banco Mundial costuma dividir o mundo em sete regiões.

Regionalização da Organização Mundial do Comércio 

A Organização Mundial do Comércio agrupa os países por blocos econômicos regionais. Dependendo do grau de integração, é possível definir quatro tipos de bloco: Zona de livre comércio, União aduaneira, Mercado comum e União econômica e monetária. 
Os países participantes de uma zona de livre comércio firmam acordos para reduzir gradativamente os impostos de importação, denominados tarifas alfandegárias ou aduaneiras e deixam de pagar impostos sobre os produtos que circulam entre eles. O Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta – sigla em inglês), é uma zona de livre comércio.
Além disso, a união aduaneira estabelece uma tarifa externa comum, isto é, todos os países-membros devem cobrar o mesmo imposto sobre os produ tos importados de fora do bloco. Imagine, por exemplo, uma união aduaneira formada pelos países A, B e C. Antes da união, A cobrava 30% de imposto de importação de automóveis; B cobrava 20%; e C, 15%. Com a tarifa externa comum, todos passaram a cobrar 20%. Assim, os automóveis importados não entram somente pelo país C, onde o imposto de importação era menor, e são vendidos desse país para os demais membros. O Mercosul é um exemplo de união aduaneira, embora muitos produtos não tenham tarifa de importação comum em todos os países do bloco.
Em um mercado comum, além da livre circulação de mercadorias e da implantação de uma tarifa externa comum, há a livre circulação de investimen tos, serviços e pessoas. O único bloco desse tipo atualmente é a União Europeia. Nesse bloco houve a padronização dos impostos pagos pela população e pelas empresas, assim como de muitas leis civis, trabalhistas, sociais e ambientais. Uma união econômica e monetária incorpora todas as características dos blocos vistos anteriormente e, além disso, introduz uma moeda única e um banco central único. 
Os países participantes desse tipo de bloco, portanto, abrem mão de sua moeda nacional e de seu banco central. É o tipo mais abrangente de integração, e o único bloco que atualmente se aproxima desse modelo é a União Europeia. Porém, nem todos os 28 países-membros partici pam da união monetária. Destes, apenas 19 fazem parte da Zona do Euro. 
Embora as relações comerciais entre países de continentes diferentes sejam significativas e crescentes, a maior parte das trocas de mercadorias efetuadas no mundo ainda é intracontinental. Na Europa, por exemplo, cerca de 60% do comércio é realizado entre os países do próprio continente, a maior parte de les associados à União Europeia. O mesmo acontece com a circulação de pessoas – trabalhadores e turistas – e de investimentos na produção.

Diferentes formas e elementos de regionalização

Domínios morfoclimáticos

A combinação de características do quadro natural, conforme proposto nessa sobreposição, é um tipo de raciocínio que inspirou o geógrafo brasileiro Aziz Ab’Sáber a criar, em 1977, uma regionalização do Brasil e da América do Sul que ficou conhecida como “domínios morfoclimáticos”. Os domínios morfoclimáticos constituem regiões que apresentam uma combinação de condições climáticas, de relevo e de vegetação próprias. A relação entre esses elementos forma diferentes paisagens, que expressam um conjunto de características naturais que ocorrem de modo contínuo.

Ferramentas cartográficas a serviço da regionalização

A cartografia é uma ferramenta importante para a representação de uma regionalização. Os mapas permitem visualizar as propostas de regionalização. Os fenômenos podem ser representados em um mapa por meio de pontos, linhas ou manchas, conforme sua ocorrência. Em uma representação ordenada, ou seja, que mostre a ordem do fenômeno representado, as cores, pontos e linhas devem indicar também uma ordem visual.

Regionalização com base na sociedade 

A regionalização também pode ser feita com base na sociedade. É possível escolher fenômenos humanos, referentes a questões sociais, econômicas, políticas e culturais, e relacioná-los com outros critérios para regionalizar, isto é, agrupar regiões ou conjuntos de países que apresentam aspectos comuns. 
As anamorfoses são um tipo de representação do espaço geográfico no qual se distorcem a proporção e a forma dos territórios de modo a expressar visualmente os dados quantitativos. 

Primeiro, Segundo e Terceiro Mundo: uma regionalização político-ideológica ultrapassada 

No século XX, criou-se uma regionalização do mundo que o dividia em três partes: Primeiro Mundo, Segundo Mundo e Terceiro Mundo. 
Essa classificação estava associada ao período da Guerra Fria, que teve início em 1947, após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), e acabou em 1991. Nesse período, duas superpotências – Estados Unidos e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), ou União Soviética – disputavam a hegemonia política, ideológica e econômica no mundo, e buscavam atrair países como aliados a seus interesses, oferecendo proteção militar e vantagens econômicas. 
A denominação Primeiro Mundo correspondia aos países do capitalismo, com elevado nível de desenvolvimento econômico e social. O Segundo Mundo era composto de países do socialismo. A expressão Terceiro Mundo, por sua vez, designava os países capita listas mais pobres. Este último termo foi usado pela primeira vez pelo francês Alfred Sauvy (1898-1990) em um artigo publicado no jornal L’Observateur. 
Com a desestruturação da União Soviética, em 1991 – acontecimento que marcou o final da Guerra Fria –, a expressão Segundo Mundo deixou de ser usada e a regionalização que a utilizava perdeu o sentido, tornando-se ultrapassada. 
Esse é um exemplo de que as dinâmicas políticas, ideológicas, econômicas e sociais do espaço geográfico tornam algumas regionalizações obsoletas. Por isso, ao nos depararmos com uma regionalização, é necessário refletir sobre as intenções de quem a produziu e sobre a validade atual do raciocínio empregado.

Regionalizações possíveis no mundo pós-Guerra Fria 

Com o fim da Guerra Fria, o capitalismo se tornou o sistema socioeconômico predominante no mundo. Entretanto, as desigualdades que ele produz inspiram regionalizações baseadas em níveis de desenvolvimento. 
É importante destacar que nem todos compreendem o termo desenvolvimento da mesma maneira. Para alguns, desenvolvimento remete ao dinamismo econômico. Nesse sentido, um país subdesenvolvido seria aquele marcado pela situação de estagnação da economia. 
Outros interpretam o desenvolvimento em uma pers pectiva evolutiva, na qual os países subdesenvolvidos (também chamados “países em desenvolvimento” ou “países emergentes”) estariam caminhando para a condição de desenvolvidos. 
Há também aqueles que entendem o desenvolvimento como resultado das trocas desiguais nas relações internacionais, assim, os exportadores de matéria-prima seriam subdesenvolvidos ou “países menos avançados” porque ocupam posição desvantajosa diante dos países que exportam produtos sofisticados do ponto de vista tecnológico. Por fim, há os que defendem que o desenvolvimento não pode ser associado apenas a questões econômicas, mas deve incluir as condições de vida da população, considerando o acesso a serviços fundamentais, como saúde e educação, bem como a qualidade desses serviços
Tais visões sobre o desenvolvimento influenciam as regionalizações propostas, podendo orientar políticas econômicas de modo diferenciado. De qualquer maneira, vale ressaltar que as regionalizações inspiradas no nível de desenvolvimento são feitas sobretudo por grandes organizações internacionais. Essas instituições são responsáveis, em grande medida, pelo capitalismo global. Entre elas estão o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional.
De maneira geral, de acordo com o grau de desenvolvimento, é possível identificar pelo menos três grupos de países. O primeiro grupo é formado por países ricos, ou desenvolvidos, que sediam grandes corporações internacionais, utilizam tecnologia de ponta em sua produção e apresentam população com renda elevada, além de bons indicadores sociais, como expectativa de vida ao nascer e acesso a serviços de saúde.
O segundo grupo compreende os países que apresentam desenvolvimento intermediário, ou seja, são países industrializados, cuja produção utiliza tecnologias modernas, embora a renda da população seja relativamente baixa. São também chamados de emergentes pelo fato de terem aumentado sua influência no mundo, tanto no campo econômico, pelo crescimento do PIB, quanto no cenário político, devido à sua participação com destaque nas decisões mundiais ou regionais.
No terceiro grupo estão os países mais pobres, nos quais a população vive com baixa renda, a produção é pouco industrializada e a economia se baseia em produtos primários voltados à exportação. Nesses países, os indicadores socioeconômicos são baixos e a população carece de melhores condições sociais e econômicas: o acesso à água tratada e a serviços de saúde, por exemplo, é restrito a uma pequena parcela de seus habitantes.

Norte e Sul geoeconômico 

A análise dos indicadores socioeconômicos também pode ser utilizada como critério de regionalização. Das regionalizações baseadas no nível de desenvolvimento, uma das mais usuais é aquela que divide o mundo em duas regiões geoeconômicas: o Norte (países ricos/desenvolvidos) e o Sul (países pobres/subdesenvolvidos ou em desenvolvimento). 
Essa divisão norte e sul difere da divisão geográfica que tem por base a linha do equador, separando a Terra em dois hemisférios. 
Trata-se de uma classificação geoeconômica que remete a uma linha simbólica denominada “Linha Norte-Sul”. Segundo os critérios econômicos adotados por essa regionalização, países desenvolvidos situados no hemisfério sul, como a Austrália e a Nova Zelândia, são considerados países do Norte. Por outro lado, a Mauritânia, por exemplo, que se situa no hemisfério norte, é considerada um país do Sul. 
Nessa regionalização, os países do Norte são aqueles que primeiro dominaram o modo de produção industrial, ampliando seus ganhos econômicos. Nesses países, o Estado produz maior riqueza e, portanto, tem maior poder de investimento em tecnologia e em setores sociais, como saúde, educação e moradia. 
Os países do Sul são aqueles que realizaram um processo de industrialização recente e dependente de investimentos e de tecnologia externa. Entre os países do Sul, há uma região formada por países que, por meio de diferentes estratégias, têm alcançado taxas expressivas de crescimento econômico: os países emergentes. 
Apesar de contribuir para evidenciar a desigualdade econômica global, como em toda regionalização, suas regiões não são homogêneas. As sim, esse modelo não é capaz de mostrar as disparidades existentes no interior dos países. Há casos de países prósperos financeiramente, mas que contam com altas taxas de desigualdade de renda e não oferecem serviços que garantam o bem-estar da população. Nos Estados Unidos, por exemplo, os níveis de pobreza e desemprego têm crescido, apesar de o país ocupar posição de destaque entre os mais ricos do mundo. Em 2020, havia 37,2 milhões de estadunidenses na pobreza.
Entre os países do Sul também existe uma enorme diversidade: há países que, apesar do baixo desenvolvimento industrial, conseguem atender a população em suas necessidades essenciais, enquanto há outros em que muitos vivem na miséria.  
Ainda que a atividade industrial esteja presente em boa parte  do mundo atual, nos países do Sul há dependência das tecnologias desenvolvidas nos países do Norte. Além disso, eles atraem empresas transnacionais para seu território, que buscam explorar a mão de obra barata e transferir seus seus passivos ambientais. 

Regionalização segundo a renda 

A regionalização com base na renda da população é elaborada segundo critérios propostos pelo Banco Mundial, que considera a renda per capita. 
Essa regionalização agrupa os países da seguinte forma: renda baixa – países com renda inferior a 1 035 dólares per capita; renda média baixa – países com renda de 1 035 a 4 085 dólares per capita; renda média alta – países com renda de 4 086 a 12 616 dólares per capita; renda alta – países com renda superior a 12 616 dólares per capita. 
Vale lembrar que o cálculo se baseia na média de renda, omitindo, portanto, as desigualdades econômicas existentes no interior do país.
A renda per capita é um indicador cujo cálculo se baseia na média de renda da população de um país, portanto não significa que todos os habitantes tenham a mesma situação econômica. Em todos os países há pessoas com maior e menor capacidade de compra. 

Regionalização por continentes 

Continente é uma extensa porção de terras contínuas. O planeta é dividido em seis continentes: Europa, América, Ásia, África, Oceania e Antártica.
Essa divisão está associa da a um fenômeno natural (a distribuição das terras emersas), forjado ao longo de milhões de anos pela movimentação das placas tectônicas. 
No entanto, essa divisão também está associada a fenômenos humanos, isto é, não deixa de ser também uma convenção construída historicamente. 
A Europa e a Ásia, por exemplo, embora tradicionalmente sejam consideradas dois continentes, são terras contínuas. Se observarmos o mapa a seguir podemos perceber que ambas formam uma única porção de terra conhecida como Eurásia. Por que, então, são consideradas dois continentes? 
Essa divisão é uma convenção que se construiu ao longo da história. Muito antes da expansão marítima do final do século XV, os europeus já costumavam dividir o mundo conhecido por eles entre Ocidente (do latim occidens, 'sol poente'), que de maneira geral correspon dia à Europa, e Oriente (do latim oriens, 'sol nascente'), que correspondia à Ásia. 
O cristianismo, desde o início de nossa era, e o capitalismo, desde o final da Idade Média, marcaram profundamente a história dos povos europeus e definiram uma particularidade cultural em comparação aos dois outros continentes que compunham o chamado velho mundo: a Ásia e a África. 
O fato de os países estarem situados em um mesmo continente, pela proximidade e vizinhança, historicamente incentivou vínculos econômicos, facilitou as trocas comerciais e as migrações, aumentou as afinidades culturais e, por vezes, criou relações de solidariedade, embora, em alguns casos, também de conflitos. 

Países desenvolvidos e países em desenvolvimento

Atualmente há uma grande disparidade socioeconômica entre os países do mundo. De modo geral, podemos classificar essas nações entre países d...