A América apresenta grandes vazios demográficos em contraste com áreas de intensa concentração populacional. Esses vazios podem ser explicados pe las características naturais, como a presença de áreas desérticas, florestas densas e regiões extremamente frias, e por razões históricas e econômicas.
As áreas menos povoadas da América correspondem à Floresta Amazônica; aos desertos do Atacama (Chile e Peru), da Patagônia (Argentina) e do Colorado (Estados Unidos); e às regiões de clima Frio e Polar do norte canadense.
Ocupação da América ibérica
Durante o processo de colonização do continente americano, a população se concentrou nas áreas próximas ao oceano Atlântico devido à maior facilidade de acesso e comunicação com as metrópoles europeias. Esse padrão de ocupação foi marcante na formação do Brasil, onde as primeiras vilas se desenvolveram ao longo da faixa litorânea. Antes da chegada dos portugueses, essas áreas – e também o interior do território – já eram densamente povoadas por mais de mil povos nativos, que aos poucos, em boa parte, foram sendo dizimados.
Antes da chegada dos colonizadores europeus, havia áreas de forte concentra ção populacional nos altiplanos andinos, nos planaltos encravados entre as montanhas do México e em partes da América Central continental. A abundância de ouro e prata nessas terras habitadas por povos nativos atraiu os espanhóis, que ocupa ram essas regiões, erguendo fortificações e fundando cidades, muitas vezes sobre antigos povoamentos para impor seu domínio. Nesse processo colonizador, foram destruídas ricas civilizações, como os impérios maia, inca e asteca.
A economia colonial, totalmente voltada para o continente europeu, foi o fator determinante do padrão de distribuição da população na América.
O povoamento do interior brasileiro pelos colo nizadores teve início a partir das rotas estabelecidas para criação de gado, que começaram a adentrar o território ainda no século XVI, prosseguiu com as entradas e bandeiras entre os séculos XVI e XVII e se intensificou com a busca e a exploração de ouro e pedras preciosas nos atuais estados de Minas Ge rais, Goiás e Mato Grosso, no século XVIII.
Foi a partir da segunda metade do século XX,
no entanto, que esse processo passou a ocorrer de
forma mais expressiva, em consequência do desenvolvimento de diversas atividades econômicas,
apoiadas na exploração mineral em larga escala e
na produção agropecuária, destinada em parte ao
mercado externo.
A intensificação do processo de
ocupação dessas áreas deu origem à expansão de
diversas cidades. Também contribuíram para essa
nova configuração territorial a construção e a inau
guração de Brasília, em 1960, que se tornou a capital
do país.
Ocupação da América inglesa
Nos Estados Unidos, a área de colonização mais antiga se desenvolveu junto
ao Atlântico, estendendo-se, na etapa inicial de industrialização do país (início do
século XIX), à região dos Grandes Lagos, que constitui uma extensa reserva de
matérias-primas essenciais à atividade industrial.
No início do século XIX, os Estados Unidos expandiram seu território até a
Costa do Pacífico (movimento conhecido como a Marcha para o Oeste). A descoberta de ouro nessa região, principalmente no estado da Califórnia, criou um polo
de atração populacional.
A porção nordeste dos Estados Unidos – região de ocupação mais antiga,
que alcançou notável desenvolvimento industrial pela tradição manufatureira
dos povoadores e pela proximidade das áreas produtoras de matérias-primas – apresenta a maior concentração populacional.
Nessa área, cujas densidades
demográficas ultrapassam 80 habitantes por quilômetro quadrado (incluindo a
região dos Grandes Lagos), encontram-se algumas das maiores cidades do país
e do mundo, entre elas Nova York, Chicago, Filadélfia e Detroit. Em virtude do alto
grau de mecanização das atividades agropecuárias, as áreas rurais são pouco
povoadas: 82% da população vive nas áreas urbanas.
Na faixa litorânea, desde a cidade de Boston, ao norte, até
Washington (capital), existe enorme concentração urbana, praticamente contínua. Essa área forma a megalópole Bos-Wash, que abrange grandes cidades,
como Baltimore. Bos-Wash abrange uma área urbana de 900 quilômetros de ex
tensão ao longo do Atlântico por 250 a 300 quilômetros de largura.
Historicamente, a área que hoje forma a megalópole Bos-Wash foi berço do
poder econômico e político dos Estados Unidos. Os portos dos vastos estuários
abertos na costa estadunidense ainda hoje asseguram sua preponderância no
comércio exterior, em particular nas relações com a Europa.
A região dos Grandes Lagos, que abriga as áreas metropolitanas de Pittsburgh,
Buffalo, Cleveland, Detroit, Chicago e Milwaukee – que formam a megalópole de
Chi-Pitts – também apresenta grande concentração populacional.
Na costa do Pacífico, algumas regiões também registram altas densidades demográficas, como as cidades de Los Angeles e São Francisco. Esses dois grandes
centros urbanos formam, juntamente com San Diego, a megalópole da Costa Oeste
conhecida por San-San.
No sul, e sobretudo no centro-oeste dos Estados Unidos, a concentração po
pulacional é mais baixa. Nas montanhas Rochosas e nas áreas desérticas encontram-se as menores densidades demográficas do país.
No Canadá, a população está fortemente concentrada no vale do Rio São Lourenço (que foi a porta de entrada dos primeiros colonizadores) e junto à região do
lago Ontário, na fronteira com os Estados Unidos.
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