Por causa do passado colonial e das ligações históricas, econômicas e culturais, predominam capitais europeus no continente africano. Em geral, cada país
europeu concentra o investimento em sua ex-colônia, como os negócios portugueses em Angola. Os Estados Unidos também
investem no continente, sobretudo na África do Sul.
Os países da África têm fortalecido parcerias comerciais e financeiras tanto entre si como com países de outros continentes, visando aumentar suas produções econômicas, atrair investimentos e diversificar os destinos de suas exportações.
Nesse contexto, muitos parceiros comerciais vêm surgindo no cenário econômico africano nas últimas décadas, sendo o principal deles a China.
Os chineses, atualmente, são os principais parceiros comerciais da maioria dos países do continente e vêm aumentando consideravelmente seus investimentos na África.
Os chineses têm se empenhado em garantir
seu abastecimento de alimentos, matérias-primas agrícolas e minerais, bem como
de fontes de energia, para sustentar seu enorme crescimento econômico (no
período de 2000-2017, o PIB chinês cresceu em média 9,7% ao ano).
Esse interesse nos países africanos é explicado por diversos motivos. A China é atualmente o segundo maior consumidor mundial de petróleo e obtém cerca de um terço de seu abastecimento do continente africano.
Além disso, em razão do aumento – também enorme – de suas exportações,
eles acumularam grandes volumes de reservas internacionais (em 2017, eram
3,2 trilhões de dólares). Ou seja, os chineses estão com muito dinheiro em
caixa e possuem grandes empresas que buscam se internacionalizar. Por isso,
cada vez mais têm tomado o lugar dos europeus e estadunidenses como investidores no continente africano; no entanto, há uma diferença importante
com a chegada dos chineses.
Na época do imperialismo (século XIX e início do século XX), as potências
europeias dominaram política e territorialmente as nações africanas, que foram
transformadas em colônias de exploração. Queriam com isso
garantir o fornecimento da matérias-primas baratas para seu processo de industrialização.
Na época da Guerra Fria (1947-1991), os Estados Unidos estavam
mais interessados em difundir seu modelo político-econômico aos países re
cém-independentes, para conter o avanço da influência soviética, do que em
fazer investimentos produtivos.
No início do
século XXI, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, agências de
financiamento internacional controladas pelos Estados Unidos, só concedem
empréstimos mediante a imposição de certas condições, como que os países
adotem as políticas econômicas defendidas
por essas instituições.
Já a China, na atual fase da globalização,
não está interessada em dominar politicamente os países africanos nem em lhes impor seu
modelo político-econômico; quer sim investir
suas enormes reservas de capitais acumula
dos, seja por meio de investimentos produtivos ou de empréstimos. Dessa forma, a China
pretende assegurar seu fornecimento de alimentos, matérias-primas e fontes de energia,
garantindo seu desenvolvimento econômico
e o dos países africanos, onde também tem
investido em infraestrutura.
Os chineses também são compradores de 60% da madeira exportada da África, além de diversos recursos minerais essenciais à sua atividade industrial. Além de possuir numerosas fontes de recursos naturais e energéticos, o continente africano representa um grande mercado consumidor potencial dos produtos industrializados chineses.
Dessa forma, buscando fortalecer sua influência econômica e política nos países do continente por meio de uma diplomacia amigável e comercialmente favorável, os chineses vêm estreitando suas relações com as nações da África.
Os chineses defendem uma interação internacional baseada em ganhos mútuos. Por
essa razão, têm aumentado sua presença em
países em desenvolvimento, tanto na África
como na América Latina. À medida que a presença
da China aumenta, é natural que cresça também sua influência política, sobretudo em
economias pequenas e dependentes, como
as de muitos países africanos.
Em troca de acordos para a importação de recursos minerais e outras matérias-primas, os chineses concedem aos países africanos empréstimos em condições favoráveis e investem na ampliação da infraestrutura do continente, facilitando a inserção das nações da África nas cadeias mundiais de produção.
Nesse contexto, os chineses constroem pontes, estradas, ferrovias, usinas hidrelétricas, hospitais e escolas nos países africanos, participando até mesmo com a mão de obra, motivo pelo qual milhares de trabalhadores chineses têm migrado todos os anos para a África.
Entre as principais críticas a essa presença, destaca-se a dependência excessiva que alguns países têm em relação à economia chinesa atualmente, assim como o apoio chinês a governos autoritários, dificultando o avanço da democracia no continente.
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