Problemas econômicos na África
Embora haja muitos contrastes socioeconômicos entre as nações da África, o continente abriga alguns dos países em desenvolvimento mais pobres do plane ta. Em 2019, por exemplo, 9 das últimas 10 posições no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) global eram ocupadas por países da África Subsaariana, região com indicadores econômicos e sociais inferiores aos da África do Norte e de outras regiões do mundo.
As condições econômicas que atualmente marcam os países mais pobres da África têm raízes em seu passado colonial, com a intensa exploração das populações nati vas e a pilhagem dos recursos naturais presentes em seus territórios. Atualmente, embora o continente possua diversas riquezas naturais importantes, responde por apenas uma pequena fração de tudo o que é gerado no mundo.
A desigualdade econômica entre
os países africanos é, contudo, um
aspecto marcante. Apenas Nigéria,
Egito e África do Sul respondiam por
cerca de metade do PIB do continen
te em 2021.
A Nigéria tem o maior PIB do
continente, mas a África do Sul re
presenta o país com a economia
mais moderna, diversificada e industrializada.
Economia pouco desenvolvida
Atualmente, a maior parte das nações africanas tem uma economia essencial
mente primária. Além de questões históricas, esse é um dos fatores pelos quais a
África participa da DIT como fornecedora de commodities e consumidora de pro
dutos industrializados. Contudo, em muitos países africanos, a prestação de serviços e a indústria têm
se destacado na composição do PIB.
Nos últimos anos, Nigéria, África do Sul, Egito, Angola, Argélia, Etiópia e Tunísia,
entre outras nações da África, vêm apresentando relativo crescimento econômico.
No entanto, tal crescimento não diminui a gravidade da pobreza que assola vários
países do continente.
Embora muitos tenham se esforçado para diversificar seus parques industriais,
uma série de desafios impediu que esse objetivo fosse conquistado, como falta de
mão de obra qualificada, corrupção, ocorrência de conflitos internos e longos
períodos de ditadura. Além disso, a falta de recursos financeiros e a precária infra
estrutura (redes de transporte, energia e comunicação) em diversos países preju
dica imensamente a inserção dessas nações na economia mundial. Nos últimos
anos, a África participou de apenas 2% das relações comerciais mundiais e recebeu
aproximadamente 4% de investimentos diretos provenientes de outros países.
A atividade agrária da África
A agricultura e a pecuária, assim como o extrativismo, representam atividades
de grande importância para a população e para a economia de boa parte dos paí
ses do continente africano.
Outros problemas interferem significativamente na economia de alguns desses paí
ses, entre eles os efeitos proporcionados pelas condições climáticas adversas e práti
cas tradicionais das atividades agropecuárias, que vêm gerando impactos ambientais
como desertificação e erosão, ambos responsáveis pela perda de solo cultivável.
Em 2019, as atividades agrícolas eram responsáveis por empregar cerca de 53%
da população da África Subsaariana, e os produtos agropecuários respondiam
por 13% da pauta de exportações de seus países. Em alguns, como Serra Leoa e
Chade, aproximadamente 30% do PIB provêm da agricultura.
De modo geral, o espaço agrário africano ainda preserva características do
período colonial, proporcionando a existência simultânea das lavouras de subsis
tência (agricultura tradicional) e também de grandes monoculturas de exportação
(agricultura comercial).
Entre os principais cultivos desenvolvidos, destacam-se alguns gêneros que
compõem a base da alimentação das populações africanas e que são produzidos,
principalmente, pela agricultura tradicional em pequena escala, como arroz,
banana, mandioca, milhete, milho e painço.
Já entre os principais cultivos para exportação, realizados por meio da agricultura comercial em larga escala, destacam-se algodão, cacau, café, chá, flores e
óleo de palma (azeite de dendê). Nos extremos norte e sul do continente, os climas temperado e mediterrâneo também permitem o desenvolvimento de cultivos como trigo, oliveiras e uvas.
Contrastes entre modos de produção modernos e tradicionais
ocorrem entre os países africanos.
No Marrocos e na África do Sul, por
exemplo, parte da produção agro
pecuária comercial é desenvolvida
por meio de técnicas modernas.
Com relação à produção pecuária, são importantes também as
criações de bovinos, ovinos, suínos
e aves, de acordo com a região do
continente. Nas regiões mais ári
das da África, é comum o pasto
reio nômade, no qual as criações
percorrem longas distâncias em
busca de água e alimento.
Além dos efeitos da desertificação e das condições climáticas, podemos citar a bai
xa fertilidade natural dos solos (cerca de um terço do continente é marcado pela
presença de desertos e semiáridos), o uso inadequado da terra e a ausência de políticas que facilitem o acesso ao crédito rural e a insumos para os pequenos agricultores.
A maior parte das terras férteis do continente é ocupada pelas propriedades mo
nocultoras de exportação. Muitos países africanos, embora exportem diversos pro
dutos agrícolas, atualmente dependem da importação de alimentos, e assim necessitam investir recursos financeiros para importar comida. Além disso, a falta de in
vestimentos locais e o baixo acesso a tecnologias digitais e sustentáveis, aplicadas
para uma produção mais eficiente e menos nociva ao meio ambiente, contribuem
para o escasso desenvolvimento de atividades rurais em vários países da África.
Os recursos minerais e energéticos da África
Atualmente, a mineração e a agropecuária representam, juntas, a base da eco
nomia de muitos países africanos. Enquanto em alguns as economias são essen
cialmente agrícolas, em outros a maior parte da receita de exportações advém do
extrativismo mineral.
No território africano, há uma grande diversidade de recursos minerais, como
diamantes, ouro e cobre, além de recursos energéticos fósseis, como petróleo e
gás natural.
Entre os países africanos de economias petroleiras, destacam-se Angola e Nigéria,
ambos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep),
além de Gabão, Congo, Sudão do Sul, Sudão e Chade.
Desde o período colonial, a explora
ção das riquezas minerais da África
tem ficado, em sua maior parte, a cargo de grandes empresas transnacio
nais do setor, associadas algumas vezes a empresas estatais africanas.
Nas
últimas décadas, muitos países desen
volvidos europeus e também a China
têm feito investimentos no continente,
a fim de ampliar a exploração e controlar suas riquezas minerais.
A atividade industrial da África
De modo geral, os países da África têm setores industriais pouco diversificados
e dependem da importação de diversos produtos industrializados, sobretudo os
que são tecnologicamente mais avançados.
Em muitos casos, as indústrias instaladas na África estão ligadas diretamente
às atividades agrícolas e minerais, responsáveis por fornecer os principais produ
tos e matérias-primas da pauta de exportação de vários países africanos.
Alguns países do continente destacam-se nos setores industriais mais desen
volvidos, como África do Sul, Angola, Argélia, Egito, Marrocos e Nigéria. Recente
mente, a Etiópia também vem se tornando um polo manufatureiro no continente,
atraindo indústrias estrangeiras por meio de vantagens, como mão de obra e
energia baratas, e elevando suas exportações de produtos industrializados.
Os reduzidos investimentos externos e a falta de capital interno estão entre os
principais empecilhos para o progresso do setor industrial africano. Muitos países
desse continente, em razão do baixo crescimento econômico, não dispõem de
meios necessários para se fortalecer e, assim, expandir a competitividade das ati
vidades industriais.
A maioria tem mercados consumidores ainda pouco expressivos e não dispõe
de mão de obra qualificada e infraestrutura de energias e de transportes eficien
tes. Alguns, como Zâmbia, Uganda e Botsuana, não têm saída para o mar, tornan
do ainda mais oneroso o transporte de mercadorias das regiões produtoras até
os portos para a exportação.
Economias vulneráveis
Ao mesmo tempo que os países do
continente africano dependem da importação
de gêneros industrializados e alimentos, a
pauta de exportações dessas nações não é
diversificada e inclui poucos produtos
industrializados. Grande parte das exportações desses
países africanos corresponde a gêneros
primários. Essa característica torna os países
do continente muito vulneráveis às oscilações
no preço desses produtos no mercado
internacional, pois significa que, se o preço
desses produtos cair, as receitas de
exportações dos países serão prejudicadas.
Os países com melhores
redes de infraestrutura,
com destaque para a África
do Sul, oferecem vantagens
às indústrias, que importam
matérias-primas e exportam
produtos com menores
custos.
O crescimento econômico dos países africanos
Desde o começo do século XXI, alguns países africanos têm despontado entre
os que mais rapidamente crescem economicamente no mundo.
Em 2020, os países africanos produtores de petróleo exploraram em média
cerca de 7 milhões de barris desse combustível por dia, o que representa aproximadamente 8% da demanda mundial. A África atualmente abrange cerca de
7,2% das reservas de petróleo do mundo, e alguns países se destacam na produção desse recurso.
No entanto, a riqueza gerada pela exportação de petróleo leva a muitas contra
dições. A maioria da população não se beneficia do fluxo de recursos provenientes dessas receitas, que acabam enriquecendo pequenas elites e empresas es
trangeiras e não são revertidas em serviços essenciais. Além disso, a exploração
petrolífera está associada a impactos ambientais e sociais.
O desenvolvimento econômico da África, além da
riqueza gerada pelo petróleo, carece tanto de investimentos em fontes de energia sustentáveis como em
melhorias na qualidade de
vida da população.
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