quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Globalização e fluxos de capitais


Globalização financeira

Nas transações bancárias são usados equipa mentos de informática que permitem uma série de ações, como consulta de saldo, conferência eletrô nica de assinatura de cheque, transferência de va lores e saques de dinheiro. Esse sistema operacional composto de uma rede integrada pela informática facilitou muito as negociações financeiras. Algumas operações podem ser realizadas por meio de caixas eletrônicos (figura 10) e pela internet. Em escala mundial, redes de informática espe ciais são usadas para movimentações entre bancos. Uma delas é a rede SWIFT.

Rede SWIFT

A rede SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication – Sociedade de Tele comunicações Financeiras Interbancárias Mundiais) foi criada em 1973. O projeto envolveu 239 bancos de 15 países com o objetivo de facilitar as transações financeiras entre eles. Em pouco mais de quatro décadas de funcionamento, observa-se que a rede SWIFT cresceu extra ordinariamente, o que dá ideia de como a globalização financeira ocorre. Os recursos financeiros percor rem o mundo por meio de redes eletrônicas que permitem conhecer preços em lugares distantes, em tempo real, possibilitando redefinir investimentos.

O sistema financeiro internacional compreende uma ampla rede de satélites, antenas de transmissão e de captação de sinais, sistemas de telefonia, cabos de fibra óptica, entre outros componentes que formam o meio técnico pelo qual circulam os fluxos financeiros, que estão sempre em movimento, percorrendo as bolsas de valores de todo o mundo.
Entretanto, a especulação financeira, ou seja, as operações realizadas com vistas à obtenção de lucros sobre valores sujeitos à oscilação do mercado finan ceiro (altas e quedas do valor comercial de moedas e ações) podem ter efeitos desastrosos. Os investidores não se preocupam com as consequências sociais de seus atos. É comum especuladores retirarem todo o seu dinheiro de bolsas de valores ou de empresas, que acabam sem dinheiro para pagar fornecedores e trabalhadores. Muitas vezes, uma fábrica é comprada e depois fechada sem que sejam avaliados os impactos gerados para seus funcionários e para a economia local. Por isso, nos últimos anos tem aumentado o número de protestos contra o sistema financeiro.

Redes financeiras e dinheiro de plástico

Manifestação contra o sistema financeiro ocorrida em Nova York (Estados Unidos), o centro financeiro do mundo, 2012. Os cartões de crédito e de débito, conhecidos como dinheiro de plástico, são cada vez mais usados nas transações financeiras. Além de serem práticos, eles facilitam o controle das despesas, pois o usuário pode conferir sua lista de gastos por meio de extratos bancários, que trazem indicação de data, horário, valor e local em foi realizada cada operação.
A utilização de cartões de crédito ou de débito é um dos reflexos da globalização financeira. Parte-se do princípio de que o portador tem crédito para pagar o compromisso financeiro que assumiu com o vendedor. Este, por sua vez, confia na empresa que administra o cartão, que lhe repassa o valor negociado, ficando com parte da transação, cobrada como taxa. As empresas administradoras de cartões ganham tanto do comprador quanto do vendedor.
Todo o aparato tecnológico das redes financeiras, na verdade, é montado com o objetivo de remunerar o dinheiro emprestado pelos bancos, que, além dessa fonte, ganham pela cobrança da prestação de serviços oferecidos aos correntistas. Isso significa que o sistema de crédito é necessário para que os bancos obtenham lucro emprestando dinheiro e recebendo um valor maior posteriormente.

Operações ilegais e paraísos fiscais

Parte do dinheiro que circula pelo mundo é oriundo de atividades ilegais ou do crime organizado. Um dos nós dessa rede monetária são as contas secretas, identificadas por códigos numéricos e localizadas em paraísos fiscais. Para mo vimentar essas contas, não é necessário indicar a origem do dinheiro nem se identificar ao banco. Muitos criminosos, políticos corruptos, empresários desones tos e ditadores têm nesses lugares refúgio para o dinheiro obtido por meios ilegais.
Os paraísos fiscais integram a rede de globalização financeira. Nesses locais há pouca ou nenhuma restrição ao livre trânsito de valores, ou seja, o dinheiro entra e sai do território, em geral sem cobrança de impostos, bastando o paga mento de pequenas taxas. Estima-se que existam no mundo mais de 30 paraísos fiscais, como as ilhas Bahamas, Cayman e Seychelles e países como Liechtenstein, Andorra, Mônaco, Suíça e Luxemburgo.
Algumas empresas transnacionais, além de bancos e outras instituições financei ras, usam paraísos fiscais para regularizar seu fluxo de dinheiro. Essas práticas permi tem a remessa de lucros e a integração entre globalização financeira e econômica.

Investimento Estrangeiro Direto (IED)

Quando um país recebe capital estrangeiro na forma de investimento para montar uma fábrica, por exemplo, esse recurso é chamado de investimento pro dutivo direto ou Investimento Estrangeiro Direto (IED). Esse tipo de investimen to tem acompanhado os processos de mudança na DIT. Entre outros processos, os IEDs refletem a desconcentração, ou descentralização, da atividade industrial nos países ricos, acompanhada de sua relativa desindustrialização, e a recentrali zação, dando origem a novos países industrializados desde os anos 1970, com maior intensidade a partir dos anos 1990.
Pelo fato de estarem relacionados à produção de mercadorias e/ou serviços, os IEDs promovem geração de empregos e arrecadação de impostos nos locais onde são aplicados, e o oposto nos locais de onde se retiram. Atrair esses inves timentos, portanto, tornou-se uma característica da atuação dos Estados na for mulação de suas políticas econômicas. A quantidade de recursos externos investidos em um país indica seu nível de participação na globalização da produção. Vale ressaltar, porém, que os IEDs nem sempre trazem benefícios às sociedades, uma vez que os investimentos são rea lizados segundo os interesses das empresas globais, sem considerar as especifi cidades e as necessidades das pessoas que vivem nos locais onde se instalam.
Observa-se que houve grande crescimento dos investimentos estrangeiros diretos no mundo entre 1980 e 2017. Até 2000, o maior fluxo ocorria entre países desenvolvidos. Em 2010, verificou-se um ligeiro equilíbrio no destino dos investi mentos externos entre os países desenvolvidos e os demais. Desde então, até 2017, com algumas oscilações, os países em transição e em desenvolvimento recebe ram, em conjunto, um pouco mais de investimentos que os países desenvolvidos.
Entretanto, os investimentos em países em transição e em desenvolvimento ocorreram de modo concentrado. O Brasil (leia a seção Enquanto isso no Brasil, página 75), a Índia e, principalmente, a China ficaram com a maior parte dos recur sos financeiros aplicados entre 2000 e 2017.
Além disso, nos últimos anos, os pa íses emergentes também passaram a investir em outros países, sobretudo do Sul. A China, por exemplo, realizou ele vados investimentos por meio de suas empresas instaladas na América Latina e na África (figura 15), em especial no setor de mineração e de produção agrí cola: em 2017, destinou volume recorde de recursos para a compra de empresas e ações na América Latina.
No decorrer dos anos 2000, o Brasil, por sua vez, passou a destinar investi mentos aos setores de mineração, cons trução civil e exploração de petróleo em países africanos e latino-americanos. Desde 2013, porém – e especialmente a partir de 2016 –, o país tem atravessado uma crise econômica e política que vem influenciando as entradas e saídas de IEDs. Essa crise inclui o sucateamento de empresas nacionais envolvidas em denúncias e esquemas de corrupção, que eram responsáveis por parte significa tiva dos Investimentos Brasileiros Diretos em outras partes do mundo.
A Índia tem um grande grupo empresarial, fundado em 1868, que opera em cem países, em todos os continentes. Trata-se de um conglomerado que atua nos setores químico, automobilístico e de aço, entre outros. Vale ressaltar que os investimentos em setores primários colaboram para a modernização técnico-científica-informacional dos espaços rurais, promovendo a sua internacionalização.
Esse processo provoca uma série de impactos socioespa ciais, como o reforço da estrutura fundiária concentrada, baseada na monocultu ra; a promoção do desemprego no campo, que leva à migração do campo para a cidade e a precarização da vida nos espaços rurais, por exemplo.

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