segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Distribuição e diversidade da população mundial

Segundo a Nasa (agência espacial dos Estados Unidos), a área da superfície da Terra é de 510 milhões de quilômetros quadrados. Destes, cerca de 150 milhões (29% do total) são terras emersas, ou seja, estão acima do nível do mar. Essas terras estão distribuídas por seis continentes – África, América, Antártica, Ásia, Europa e Oceania –, banhados por cinco grandes oceanos – Antártico, Ártico, Atlântico, Índico e Pacífico.
Os continentes estão divididos em países, em bora nem todos sejam independentes, isto é, Estados nacionais. Por exemplo, embora Taiwan tenha um governo próprio, não é considerado um país independente; a maioria dos países não reconhece sua soberania para não se in dispor com o governo da China, que considera Taiwan parte de seu território.
De acordo com a ONU, em 2017 o mundo contava com 7,5 bilhões de habitantes.
A distribuição geográfica da população mundial é bastante desigual. As planícies, tanto na faixa litorânea como nos vales dos rios, são as áreas mais povoadas. Isso ocorre porque essas regiões, ao longo da história, favoreceram o desenvolvimento de cidades, indústrias e campos agrícolas, bem como a circulação de pessoas e mercadorias. A distribui ção também é desigual considerando os países.
A população mundial sempre apresentou crescimento a cada ano; a proje ção é que em 2050 ela atinja 9,7 bilhões de habitantes, um crescimento de quase 30% em relação a 2017. Apesar disso, esse crescimento vem ocorrendo em ritmo mais lento. 
Um dos motivos da desaceleração do ritmo de crescimen to da população é a queda da taxa de fertilidade. Outro fator que determina rá profundas mudanças na estrutura da população mundial é o aumento da expectativa de vida.

Diversidade cultural da população mundial 

A população mundial apresenta grande diversidade cultural, ou seja, uma enorme variedade de religiões, línguas, costumes, manifestações artísticas, culinárias, vestimentas, tipos de habitação, entre outros aspectos. A religião é um dos aspectos importantes da cultura de um grupo social. A humanidade professa muitas religiões diferentes, cada uma com suas crenças e valores, com seus deuses e seus rituais. 
No entanto, as religiões não são facilmente mapeadas como os limites dos países. As divisões são frequentemen te obscurecidas e sobrepostas. A maioria dos países tem pessoas de muitas religiões diferentes, assim como também há aquelas que não seguem religião alguma.
Por meio das práticas religiosas, grande parte das pessoas manifesta muitos de seus costumes e tradições. No mundo, existe um grande número de religiões, e as que apresentam maior número de seguidores são o cristianismo (dividido em três vertentes principais: ca tólica, ortodoxa e protestante), o islamismo, o judaísmo, o hinduísmo e o budismo.
A língua é outro aspecto importante da cultura de um grupo social porque é por meio dela que seus membros se comunicam, tanto de forma oral quanto de forma escrita, difundindo boa parte dessa cultura. Segundo o site Ethnologue, em 2018 havia 6 656 línguas vivas em uso no mundo. As dez mais faladas tinham cerca de 3,5 bilhões de falantes; as 85 seguintes, cerca de 2,5 bi lhões de falantes. Aproximadamente metade das línguas em uso no mundo tem menos de 10 mil falantes, e muitas delas estão ameaçadas de extinção pela crescente influência de línguas mundialmente dominantes, como o inglês. 

Culturas, povos e territórios

Os povos com as mais variadas culturas vivem espalhados pelos territórios dos países. O que melhor caracteriza e identifica os diferentes grupos humanos são os aspectos culturais herdados de um passado histórico comum de cada grupo, como a religião, a língua, os costumes, as vestimentas, as tradições e o modo de vida. 
Entre esses aspectos, a religião e a língua são os que certamente mais se des tacam e identificam cada povo. Por meio da língua, os indivíduos transmitem suas ideias e seus pensamentos, expressam suas crenças e fortalecem as relações e a união entre os membros do grupo. No mundo todo, fala-se um grande número de línguas e dialetos. 
A abrangência de uma língua é avaliada por sua difusão geográfica e pelo número de pessoas que a utilizam habitualmente, pessoas essas chamadas locutores. Assim, o inglês, o espanhol, o árabe, o português e o francês são línguas interna cionais, praticadas em vários países, enquanto o mandarim (falado na China), o russo (falado na Rússia) e o hindi (falado na Índia) são falados apenas em sua própria região. 
Quando consideramos apenas os falantes que adotam a língua materna, o mandarim é a língua mais falada no mundo. Atualmente, mais de 1 bilhão de pessoas fala chinês (mandarim). Quando nos referimos à segunda língua, o es panhol, seguido do inglês, são as mais adotadas.
Atualmente, várias línguas estão sendo extintas. Uma língua é considerada extinta quando o grupo que a possuía como língua materna não se lembra mais dela, ou se lembra apenas de poucas palavras, e quando ela não possui registros que possibilitem seus estudos.

Povos e territórios 

Os povos das mais diferentes culturas que existem em nosso planeta, ocupam territórios dos diversos países da superfície terrestre. 
O território de um país, também chamado território nacional, abrange a porção do espaço geográfico sobre a qual um Estado, com suas leis, governos e instituições políticas e sociais, exerce soberania, ou seja, tem autoridade com poder para ocupar, controlar e organizar esse espaço de acordo com suas necessidades e seus interesses.
Os limites entre países são representados por linhas imaginárias traçadas na superfície. Essas linhas são demarcadas, geralmente, sobre elementos naturais, como montanhas, rios e lagos, ou, ainda, a partir de marcos ou balizas construídos no terreno. Em geral, acordos entre os países fronteiriços estabelecem esses limites. Quando algum país desrespeita esses acordos isso pode levar a crises políticas e até a conflitos armados.

A distribuição da população na África 

No continente africano, as áreas mais densamente povoadas, de modo geral, também são aquelas mais próximas do litoral, caracterizando o padrão de distribuição populacional influenciado pelo processo de colonização a partir das Grandes Navegações. Esse processo foi particularmente marcante nas faixas litorâneas oriental, ocidental e sul. 
Nessas porções dos territórios coloniais estruturaram-se cidades importantes para o es coamento dos produtos explorados pelos colonizadores em diferentes trechos do interior do continente. No entanto, o vale e o delta do rio Nilo e as regiões próximas dos lagos Tanganica e Vitória são de ocupação muito antiga, concentrando grande quantidade de população mesmo antes da chegada dos colonizadores, especialmente a do rio Nilo, onde se desenvolveu na Antiguidade a civilização egípcia. Entre as áreas mais povoadas da África, destacam-se: 
• o vale e o delta do rio Nilo; 
• a região do Magreb, no litoral mediterrânico; 
• o delta do rio Níger e áreas próximas do golfo da Guiné (terras da Nigéria, Benin, Gana e Costa do Marfim); 
• as margens dos grandes lagos Tanganica e Vitória; 
• grande parte da África do Sul. As mais baixas densidades do continente africano correspondem às regiões desérticas e a alguns trechos de Savanas e de Florestas Equatoriais.

A distribuição da população na Europa 

As maiores concentrações populacionais da Europa se encontram nas porções central e centro-ocidental, que correspondem às áreas industriais, às regiões portuárias mais movimentadas, aos vales dos grandes rios e às planícies férteis. 
Nessas áreas, a densidade demográfica é superior a 200 hab./km2. As partes menos habitadas do continente europeu, com baixas densidades demográficas, são as regiões próximas do círculo polar Ártico, como a península Escandinava, a Finlândia, a porção norte da Rússia e as altas montanhas. 

A distribuição da população na Ásia 

No continente asiático estão localizados os dois países mais populosos da Terra – China e Índia, que em 2017 concentravam cerca de 36% da população mundial. A Ásia é a maior porção continental do mun do e a distribuição da população pelo continente é bastante irregular. 
Os vales férteis e os deltas de alguns rios se destacam como áreas de grande concentração po pulacional, sobretudo os vales dos grandes rios da Índia (Indo e Ganges)  –, da China (Amarelo) e da península da Indochina (Mekong). Os vazios demográficos se apresentam nas altas montanhas, nas áreas de sérticas e nas regiões de clima frio e polar, no norte da Rússia. Nos planaltos ele vados, a presença humana também é reduzida.

A distribuição da população na Oceania 

A Oceania é um continente pouco populoso e pouco povoado (3 hab./km²). Em parte por causa das condições naturais (como o clima), sua população distribui-se de forma irregular pelo território. 
Em algumas ilhas e em trechos dos litorais da Austrália (Sydney e Melbourne) e da Nova Zelândia (Ilha do Norte), en contram-se altas densidades demográficas (300 a 350 hab./km²). Nas áreas desérticas da parte cen tral da Austrália (que correspondem à área do Amazonas), o número de habitantes é muito reduzido (menos de 1 hab./km²). 


Distribuição da população na América


A América apresenta grandes vazios demográficos em contraste com áreas de intensa concentração populacional. Esses vazios podem ser explicados pe las características naturais, como a presença de áreas desérticas, florestas densas e regiões extremamente frias, e por razões históricas e econômicas.
As áreas menos povoadas da América correspondem à Floresta Amazônica; aos desertos do Atacama (Chile e Peru), da Patagônia (Argentina) e do Colorado (Estados Unidos); e às regiões de clima Frio e Polar do norte canadense.

Ocupação da América ibérica

Durante o processo de colonização do continente americano, a população se concentrou nas áreas próximas ao oceano Atlântico devido à maior facilidade de acesso e comunicação com as metrópoles europeias. Esse padrão de ocupação foi marcante na formação do Brasil, onde as primeiras vilas se desenvolveram ao longo da faixa litorânea. Antes da chegada dos portugueses, essas áreas – e também o interior do território – já eram densamente povoadas por mais de mil povos nativos, que aos poucos, em boa parte, foram sendo dizimados.
Antes da chegada dos colonizadores europeus, havia áreas de forte concentra ção populacional nos altiplanos andinos, nos planaltos encravados entre as montanhas do México e em partes da América Central continental. A abundância de ouro e prata nessas terras habitadas por povos nativos atraiu os espanhóis, que ocupa ram essas regiões, erguendo fortificações e fundando cidades, muitas vezes sobre antigos povoamentos para impor seu domínio. Nesse processo colonizador, foram destruídas ricas civilizações, como os impérios maia, inca e asteca.
A economia colonial, totalmente voltada para o continente europeu, foi o fator determinante do padrão de distribuição da população na América.
O povoamento do interior brasileiro pelos colo nizadores teve início a partir das rotas estabelecidas para criação de gado, que começaram a adentrar o território ainda no século XVI, prosseguiu com as entradas e bandeiras entre os séculos XVI e XVII e se intensificou com a busca e a exploração de ouro e pedras preciosas nos atuais estados de Minas Ge rais, Goiás e Mato Grosso, no século XVIII.
Foi a partir da segunda metade do século XX, no entanto, que esse processo passou a ocorrer de forma mais expressiva, em consequência do desenvolvimento de diversas atividades econômicas, apoiadas na exploração mineral em larga escala e na produção agropecuária, destinada em parte ao mercado externo. 
A intensificação do processo de ocupação dessas áreas deu origem à expansão de diversas cidades. Também contribuíram para essa nova configuração territorial a construção e a inau guração de Brasília, em 1960, que se tornou a capital do país.

Ocupação da América inglesa 

Nos Estados Unidos, a área de colonização mais antiga se desenvolveu junto ao Atlântico, estendendo-se, na etapa inicial de industrialização do país (início do século XIX), à região dos Grandes Lagos, que constitui uma extensa reserva de matérias-primas essenciais à atividade industrial. 
No início do século XIX, os Estados Unidos expandiram seu território até a Costa do Pacífico (movimento conhecido como a Marcha para o Oeste). A descoberta de ouro nessa região, principalmente no estado da Califórnia, criou um polo de atração populacional.
A porção nordeste dos Estados Unidos – região de ocupação mais antiga, que alcançou notável desenvolvimento industrial pela tradição manufatureira dos povoadores e pela proximidade das áreas produtoras de matérias-primas – apresenta a maior concentração populacional. 
Nessa área, cujas densidades demográficas ultrapassam 80 habitantes por quilômetro quadrado (incluindo a região dos Grandes Lagos), encontram-se algumas das maiores cidades do país e do mundo, entre elas Nova York, Chicago, Filadélfia e Detroit. Em virtude do alto grau de mecanização das atividades agropecuárias, as áreas rurais são pouco povoadas: 82% da população vive nas áreas urbanas. 
Na faixa litorânea, desde a cidade de Boston, ao norte, até Washington (capital), existe enorme concentração urbana, praticamente contínua. Essa área forma a megalópole Bos-Wash, que abrange grandes cidades, como Baltimore. Bos-Wash abrange uma área urbana de 900 quilômetros de ex tensão ao longo do Atlântico por 250 a 300 quilômetros de largura.
Historicamente, a área que hoje forma a megalópole Bos-Wash foi berço do poder econômico e político dos Estados Unidos. Os portos dos vastos estuários abertos na costa estadunidense ainda hoje asseguram sua preponderância no comércio exterior, em particular nas relações com a Europa. 
A região dos Grandes Lagos, que abriga as áreas metropolitanas de Pittsburgh, Buffalo, Cleveland, Detroit, Chicago e Milwaukee – que formam a megalópole de Chi-Pitts – também apresenta grande concentração populacional.
Na costa do Pacífico, algumas regiões também registram altas densidades demográficas, como as cidades de Los Angeles e São Francisco. Esses dois grandes centros urbanos formam, juntamente com San Diego, a megalópole da Costa Oeste conhecida por San-San. 
No sul, e sobretudo no centro-oeste dos Estados Unidos, a concentração po pulacional é mais baixa. Nas montanhas Rochosas e nas áreas desérticas encontram-se as menores densidades demográficas do país. 
No Canadá, a população está fortemente concentrada no vale do Rio São Lourenço (que foi a porta de entrada dos primeiros colonizadores) e junto à região do lago Ontário, na fronteira com os Estados Unidos.

Da África para o mundo

Estudos demonstraram que os Homo sapiens migraram para a península Arábica e a Eurásia há cerca de 70 mil anos e assim prosseguiram, dispersando-se pela superfície terrestre e tornando-se a espécie dominante do planeta.
O Homo sapiens teve origem na África, na região da atual Etiópia, há cerca de 300 mil anos. A partir desse continente, há aproximadamente 60 mil anos, teve início sua dispersão pelo mundo, primeiramente para a Ásia, continente mais pró ximo, atravessando o mar Vermelho em direção à península Arábica. Há 50 mil anos, os seres humanos atingiram o Sudeste Asiático e a atual Austrália, alcançando a Europa por volta de 40 mil anos atrás. 
De acordo com uma das possíveis teorias, estima-se que a chegada dos humanos à América tenha ocorrido entre 40 mil e 15 mil anos atrás, via estreito de Bering. A passagem por esse local teria ocorrido durante a última Era Glacial, com o congelamento da porção oceânica que atualmente separa os dois continentes. 
Essa propagação ocorreu, em grande medida, em razão da capacidade de raciocínio e de comunicação que a espécie apresentava em relação a outros tipos de primatas. Transmitir e compartilhar informações, cooperar, criar e utilizar ferramentas e estratégias são habilidades que explicam o porquê de, atualmente, termos como ancestrais aqueles que se aventuraram há milhares de anos. 
Há aproximadamente 10 mil anos, após o fim da Era Glacial, os seres huma nos começaram a praticar a agricultura. Segundo fontes históricas mais recentes, os primeiros cultivos parecem ter sido feitos na região de Jericó, no atual Oriente Médio, e não no vale do Nilo, como se supunha anteriormente.
A introdução da agricultura transformou radicalmente a vida dos grupos nômades, que passaram a se fixar nos territórios, sobretudo às margens de grandes rios para aproveitar as terras férteis), tornando-se sedentários. Assim se formaram as primeiras aglomerações humanas.
Esse processo, que ficou conhecido como Revolução Agrícola, levou ao aumento populacional, deu origem a cidades e possibilitou a formação de civilizações e impérios.

Ocupação da América

Não há consenso sobre a época exata do início da ocupação do atual continente americano. Há teorias bastante documentadas que diferem quanto à época e à via de circulação da chegada dos primeiros humanos por aqui: a terrestre, denominada teoria de Bering, que data a chegada dos por aqui: a terrestre, denominada teoria de Bering, que data a chegada dos humanos há 13 mil anos; e a marítima, denominada teoria do povoamento humanos há 13 mil anos; e a marítima, denominada teoria do povoamento precoce, que considera que havia humanos por aqui há mais 20 mil anos.
Há ainda a teoria malaio-polinésia, em que se especula que grupos humanos vieram para cá, também por via marítima, saindo da atual Oceania, pelo Pacífico. 
Segundo a teoria de Bering, grupos humanos teriam chegado ao continente americano por meio da travessia do estreito de Bering, localizado entre a atual região da Sibéria, na Ásia, e o atual Alasca, na América. 
Estudos apontam que nessa região, onde hoje existe água, no passado havia caminhos intermitentes, possibilitando uma travessia a pé. 
Ao longo do tempo, esses grupos de pessoas teriam se deslocado para o sul do continente, ocupando-o por inteiro, formando os chamados “povos originários da América”. 
Há, ainda, uma teoria que busca explicar múltiplas correntes de povoamento da atual América, sendo que as de origem polinésia e africana teriam sucumbido e a de origem asiática, prosperado.

Fatores naturais, históricos e econômicos na distribuição da população

Um fator que favorece a concentração populacional é a presença de rios, principalmente aqueles às margens dos quais se formam vales de terras férteis. Além disso, os rios são importantes para o fornecimento de água e alimento (peixes) e, dependendo de suas características, também podem ser utilizados para na vegação e estabelecimento de portos. Muitas cidades e regiões densamente povoadas se formaram às margens de rios, especialmente dos mais extensos, que interligam diferentes pontos do território.
Em relação aos fatores naturais, é preciso destacar que, em diferentes continentes, muitos trechos litorâneos concentraram população ao longo da história. Já as regiões montanhosas, desérticas, polares ou muito frias dificultaram a ocupação humana. Os avanços tecnológicos, porém, tornaram possível a produção de gêneros agrícolas em áreas ocupadas por de sertos. Atualmente, a aplicação de técnicas modernas, particularmente de irrigação, tem modificado as paisagens de diversos territórios. São exemplos as áreas agrícolas de Neguev, em Israel, e os cultivos desenvolvidos em trechos desérticos da Califórnia, nos Estados Unidos.
Os fatores históricos e econômicos estão associados ao desenvolvimento de determinadas atividades que oferecem oportunidades de emprego e geração de riquezas para a população em diferentes etapas da história. No caso do território brasileiro, se analisarmos sob uma perspectiva histórica, constataremos que os fluxos migratórios internos,  acompanharam a estruturação de atividades econômicas.
No início do processo de colonização, a população se concentrou no litoral, onde tiveram início a extração do pau-brasil e o cultivo da cana-de-açúcar. Poste riormente, nos séculos XVII e XVIII, com a descoberta de diamantes, ouro e outras pedras preciosas em Minas Gerais, houve grande afluxo para essa região, o que deu origem a muitas vilas e cidades. Com a intensificação do processo de indus trialização, a partir dos anos de 1930/1940, o estado de São Paulo passou a exercer forte atração populacional e, atualmente, é o estado mais populoso do Brasil. 
O início da formação do território brasileiro está inserido no contexto das Grandes Navegações, que inaugurou uma fase de importantes deslocamentos populacionais no mundo. Essa etapa constituiu um marco histórico na saída dos europeus para os diferentes continentes. Os fluxos populacionais do continente europeu para territórios localizados na América, África, Ásia e Oceania se estenderam até as primeiras décadas do século XX.
Entre a década de 1810 e 1930, foram bastante expressivos os movimentos migratórios de diversos povos da Europa para a América e a Oceania, em razão de uma série de fatores, entre eles as guerras. Estima-se que entre 50 e 60 milhões de pessoas tenham saído do continente europeu nesse período.
Esse grande fluxo demográfico só foi superado pelos deslocamentos que vêm ocorrendo desde o final do século XX e, particularmente, no início deste século. 
Esse grande fluxo migratório dos séculos XIX e XX decorre do aumento populacional registrado nos países que primeiramente se industrializaram. Com regiões e cidades densamente povoadas, governantes de países europeus estimularam a emigração, coincidindo com os anseios de políticas de incentivo à imigração em países da América e da Oceania.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Formas de regionalização

A regionalização pode considerar critérios naturais, políticos, sociais e econômicos, entre outros. Como campo do conhecimento geográfico, a Geografia física estuda a distribuição espacial de fenômenos naturais, como o relevo, o clima e a vegetação. Desse modo, podem ser elaborados mapas temáticos. 
Em âmbito mundial, a regionalização tem sido feita de várias maneiras, obedecendo a diversos critérios geopolíticos, culturais, sociais, econômicos, entre outros. Com base em diferentes critérios, estudaremos quatro possibilidades de regionalização: 
■ Por blocos geopolíticos, construída no período da Guerra Fria; 
■ Por grau de desenvolvimento, de acordo com a ONU; 
■ Por renda, segundo o Banco Mundial; 
■ Por blocos econômicos, conforme a Organização Mundial do Comércio.

Regionalização da época da Guerra Fria

Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os Estados Unidos e a União Soviética despontaram como superpotências mundiais e passaram a disputar o poder político e econômico no mundo. 
Durante a Guerra Fria (1947-1991), em torno delas se organizaram dois blocos de poder antagônicos: o bloco “ocidental” e o bloco “comunista”. O primeiro era composto de países capitalistas, sob a liderança dos Estados Unidos. O segundo, de países de economia planificada, sob o comando da União Soviética. E entre eles, tentando não se alinhar a nenhum dos dois blocos, constituiu-se uma “terceira via”.
 Nessa situação de confronto, tornou-se comum classificar os países em um dos três blocos geopolíticos: 
■ primeiro mundo, formado por países capitalistas desenvolvidos, liderados pelos Estados Unidos; 
■ segundo mundo, composto pelos países socialistas, liderados pela União Soviética; 
■ terceiro mundo, integrado pelos países recém-independentes, a maioria da Ásia e da África, então considerados “subdesenvolvidos”.
Alguns países como a Índia, a Indonésia e o Egito, além de muitos outros localizados na Ásia e na África, procuraram não se alinhar geopoliticamente a nenhuma das duas superpotências. Na Conferência de Bandung eles fundaram o bloco dos países não alinhados, a origem do chamado Terceiro Mundo. No entanto, a América Latina, mesmo fazendo parte do bloco “ocidental” e alinhada com os Estados Unidos também era formada por países “subdesenvolvidos” e comumente inserida no Terceiro Mundo.
A partir de 1989, a economia planificada entrou em crise e gradativamente quase todos os países do bloco comunista adotaram o capitalismo. Em 1991 a União Soviética se desintegrou territorialmente, dando origem a 15 novos países, entre eles a Rússia. Com isso, o segundo mundo deixou de existir, assim como o bloco comunista. 
O terceiro mundo também se descaracterizou, pois muitos dos países desse grupo cresceram economicamente e se industrializaram. Hoje as nações do antigo terceiro mundo são chamadas de países em desenvolvimento e aqueles que se destacam economicamente nesse grupo são chamados de emergentes. 

Regionalização da ONU

Como consequência das transformações geopolíticas do final do século XX, a ONU criou uma nova regionalização para tentar compreender o mundo contemporâneo.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), uma agência da ONU, classifica os países de acordo com o índice de desenvolvimento humano (IDH), em quatro categorias: muito elevado, elevado, médio e baixo. Nesse caso, os países são agrupados segundo uma combinação de critérios sociais e econômicos, porém não formam regiões contínuas, porque em cada grupo há países de diversos continentes.
A ONU reconhece que não é simples classificar os países e criar uma regionalização com base no grau de desenvolvimento. Segundo essa organização: “As designações ‘desenvolvido’, ‘em transição’ e ‘em desenvolvimento’ foram adotadas por conveniência estatística e não necessariamente expressam um julgamento sobre o estágio alcançado por um país em particular no processo de desenvolvimento.” Apesar disso, essa regionalização é bastante utilizada.
Os países desenvolvidos são aqueles que em geral são industrializados e têm economias modernas, competitivas e boa infraestrutura (saneamento bá sico, telefonia, rodovias, ferrovias, portos, etc.); que dispõem de alta renda per capita e de bons indicadores sociais (escolaridade, mortalidade infantil, expec tativa de vida, etc.), o que se reflete em IDHs muito elevados. Vale destacar que nem todo país que tem alta renda e IDH muito elevado é considerado desenvolvido.
Muitos dos países em desenvolvimento foram colônias e a maioria ficou independente após a Segunda Guerra Mundial, como é o caso de praticamen te todos os africanos. Por isso, ainda hoje muitos deles sofrem as consequências desse passado de exploração colonial. Em geral o grau de industrialização e modernização de suas economias ainda é baixo e a infraestrutura apresenta muitas deficiências, o que impacta no nível de competitividade no mercado internacional. Com poucas exceções, a renda per capita é baixa ou média e muitos indicadores sociais são insuficientes, o que se reflete em IDHs baixo, médio e alto, raramente muito alto.
Como vimos, os países em desenvolvimento que se destacam pelo rápido crescimento econômico, avanço da industrialização, crescimento do mercado interno e pela capacidade de atração de investimentos estrangeiros, o que vem se refletindo na redução da pobreza e na elevação do IDH, são chamados de economias emergentes. Segundo a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad, sigla em inglês), em 2018 havia 37 países emergentes, entre os quais se destacam: Brasil, México, Argentina e Chile (América Latina); China, Índia, Coreia do Sul e Indonésia (sul e leste da Ásia); Turquia e Arábia Saudita (Oriente Médio); Rússia, Polônia e Hungria (Eu ropa oriental); África do Sul, Egito e Nigéria (África).
No grupo das nações em desenvolvimento há uma subclassificação que se refere aos países menos desenvolvidos, aqueles que apresentam graves proble mas socioeconômicos e os piores IDHs. Segundo a ONU são os 48 países mais pobres e vulneráveis do mundo: 34 estão na África, 13 na região da Ásia-Pacífico e um no Caribe.
As economias em transição contemplam os antigos países de economia planificada. Desde o início dos anos 1990, após o colapso da economia planifica da, eles vêm passando por grandes transformações e a maioria tem feito reformas eco nômicas de cunho capitalista. O país que se destaca nesse grupo é a Rússia, a maior economia entre os países em transição.

Regionalizações do Banco Mundial 

Um dos critérios usados pelo Banco Mundial para agrupar países é a renda per capita. A classificação se dá por países de alta renda, média-alta, média-baixa e baixa renda. Porém, assim como acontece com o IDH, a classificação dos países por renda não forma regiões contínuas porque em cada agrupamento há países de diversos continentes.
Segundo o Banco Mundial as economias de baixa e média renda são definidas como países em desenvolvimento e as economias de alta renda, como países desenvolvidos. Entretanto, como vimos, nem todo país de alta renda pode ser considerado desenvolvido, como é o caso da Arábia Saudita. Além disso, a renda não pode ser tomada como único critério para analisar o desenvolvimento de um país. 
As condições de vida da população também devem ser consideradas, além de outros indicadores sociais, econômicos e políticos. Por isso, nem todo país de alta renda tem boa colocação no ranking do IDH. Além da classificação dos países por renda, para fins administrativos e estatísticos, o Banco Mundial costuma dividir o mundo em sete regiões.

Regionalização da Organização Mundial do Comércio 

A Organização Mundial do Comércio agrupa os países por blocos econômicos regionais. Dependendo do grau de integração, é possível definir quatro tipos de bloco: Zona de livre comércio, União aduaneira, Mercado comum e União econômica e monetária. 
Os países participantes de uma zona de livre comércio firmam acordos para reduzir gradativamente os impostos de importação, denominados tarifas alfandegárias ou aduaneiras e deixam de pagar impostos sobre os produtos que circulam entre eles. O Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta – sigla em inglês), é uma zona de livre comércio.
Além disso, a união aduaneira estabelece uma tarifa externa comum, isto é, todos os países-membros devem cobrar o mesmo imposto sobre os produ tos importados de fora do bloco. Imagine, por exemplo, uma união aduaneira formada pelos países A, B e C. Antes da união, A cobrava 30% de imposto de importação de automóveis; B cobrava 20%; e C, 15%. Com a tarifa externa comum, todos passaram a cobrar 20%. Assim, os automóveis importados não entram somente pelo país C, onde o imposto de importação era menor, e são vendidos desse país para os demais membros. O Mercosul é um exemplo de união aduaneira, embora muitos produtos não tenham tarifa de importação comum em todos os países do bloco.
Em um mercado comum, além da livre circulação de mercadorias e da implantação de uma tarifa externa comum, há a livre circulação de investimen tos, serviços e pessoas. O único bloco desse tipo atualmente é a União Europeia. Nesse bloco houve a padronização dos impostos pagos pela população e pelas empresas, assim como de muitas leis civis, trabalhistas, sociais e ambientais. Uma união econômica e monetária incorpora todas as características dos blocos vistos anteriormente e, além disso, introduz uma moeda única e um banco central único. 
Os países participantes desse tipo de bloco, portanto, abrem mão de sua moeda nacional e de seu banco central. É o tipo mais abrangente de integração, e o único bloco que atualmente se aproxima desse modelo é a União Europeia. Porém, nem todos os 28 países-membros partici pam da união monetária. Destes, apenas 19 fazem parte da Zona do Euro. 
Embora as relações comerciais entre países de continentes diferentes sejam significativas e crescentes, a maior parte das trocas de mercadorias efetuadas no mundo ainda é intracontinental. Na Europa, por exemplo, cerca de 60% do comércio é realizado entre os países do próprio continente, a maior parte de les associados à União Europeia. O mesmo acontece com a circulação de pessoas – trabalhadores e turistas – e de investimentos na produção.

Diferentes formas e elementos de regionalização

Domínios morfoclimáticos

A combinação de características do quadro natural, conforme proposto nessa sobreposição, é um tipo de raciocínio que inspirou o geógrafo brasileiro Aziz Ab’Sáber a criar, em 1977, uma regionalização do Brasil e da América do Sul que ficou conhecida como “domínios morfoclimáticos”. Os domínios morfoclimáticos constituem regiões que apresentam uma combinação de condições climáticas, de relevo e de vegetação próprias. A relação entre esses elementos forma diferentes paisagens, que expressam um conjunto de características naturais que ocorrem de modo contínuo.

Ferramentas cartográficas a serviço da regionalização

A cartografia é uma ferramenta importante para a representação de uma regionalização. Os mapas permitem visualizar as propostas de regionalização. Os fenômenos podem ser representados em um mapa por meio de pontos, linhas ou manchas, conforme sua ocorrência. Em uma representação ordenada, ou seja, que mostre a ordem do fenômeno representado, as cores, pontos e linhas devem indicar também uma ordem visual.

Regionalização com base na sociedade 

A regionalização também pode ser feita com base na sociedade. É possível escolher fenômenos humanos, referentes a questões sociais, econômicas, políticas e culturais, e relacioná-los com outros critérios para regionalizar, isto é, agrupar regiões ou conjuntos de países que apresentam aspectos comuns. 
As anamorfoses são um tipo de representação do espaço geográfico no qual se distorcem a proporção e a forma dos territórios de modo a expressar visualmente os dados quantitativos. 

Primeiro, Segundo e Terceiro Mundo: uma regionalização político-ideológica ultrapassada 

No século XX, criou-se uma regionalização do mundo que o dividia em três partes: Primeiro Mundo, Segundo Mundo e Terceiro Mundo. 
Essa classificação estava associada ao período da Guerra Fria, que teve início em 1947, após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), e acabou em 1991. Nesse período, duas superpotências – Estados Unidos e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), ou União Soviética – disputavam a hegemonia política, ideológica e econômica no mundo, e buscavam atrair países como aliados a seus interesses, oferecendo proteção militar e vantagens econômicas. 
A denominação Primeiro Mundo correspondia aos países do capitalismo, com elevado nível de desenvolvimento econômico e social. O Segundo Mundo era composto de países do socialismo. A expressão Terceiro Mundo, por sua vez, designava os países capita listas mais pobres. Este último termo foi usado pela primeira vez pelo francês Alfred Sauvy (1898-1990) em um artigo publicado no jornal L’Observateur. 
Com a desestruturação da União Soviética, em 1991 – acontecimento que marcou o final da Guerra Fria –, a expressão Segundo Mundo deixou de ser usada e a regionalização que a utilizava perdeu o sentido, tornando-se ultrapassada. 
Esse é um exemplo de que as dinâmicas políticas, ideológicas, econômicas e sociais do espaço geográfico tornam algumas regionalizações obsoletas. Por isso, ao nos depararmos com uma regionalização, é necessário refletir sobre as intenções de quem a produziu e sobre a validade atual do raciocínio empregado.

Regionalizações possíveis no mundo pós-Guerra Fria 

Com o fim da Guerra Fria, o capitalismo se tornou o sistema socioeconômico predominante no mundo. Entretanto, as desigualdades que ele produz inspiram regionalizações baseadas em níveis de desenvolvimento. 
É importante destacar que nem todos compreendem o termo desenvolvimento da mesma maneira. Para alguns, desenvolvimento remete ao dinamismo econômico. Nesse sentido, um país subdesenvolvido seria aquele marcado pela situação de estagnação da economia. 
Outros interpretam o desenvolvimento em uma pers pectiva evolutiva, na qual os países subdesenvolvidos (também chamados “países em desenvolvimento” ou “países emergentes”) estariam caminhando para a condição de desenvolvidos. 
Há também aqueles que entendem o desenvolvimento como resultado das trocas desiguais nas relações internacionais, assim, os exportadores de matéria-prima seriam subdesenvolvidos ou “países menos avançados” porque ocupam posição desvantajosa diante dos países que exportam produtos sofisticados do ponto de vista tecnológico. Por fim, há os que defendem que o desenvolvimento não pode ser associado apenas a questões econômicas, mas deve incluir as condições de vida da população, considerando o acesso a serviços fundamentais, como saúde e educação, bem como a qualidade desses serviços
Tais visões sobre o desenvolvimento influenciam as regionalizações propostas, podendo orientar políticas econômicas de modo diferenciado. De qualquer maneira, vale ressaltar que as regionalizações inspiradas no nível de desenvolvimento são feitas sobretudo por grandes organizações internacionais. Essas instituições são responsáveis, em grande medida, pelo capitalismo global. Entre elas estão o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional.
De maneira geral, de acordo com o grau de desenvolvimento, é possível identificar pelo menos três grupos de países. O primeiro grupo é formado por países ricos, ou desenvolvidos, que sediam grandes corporações internacionais, utilizam tecnologia de ponta em sua produção e apresentam população com renda elevada, além de bons indicadores sociais, como expectativa de vida ao nascer e acesso a serviços de saúde.
O segundo grupo compreende os países que apresentam desenvolvimento intermediário, ou seja, são países industrializados, cuja produção utiliza tecnologias modernas, embora a renda da população seja relativamente baixa. São também chamados de emergentes pelo fato de terem aumentado sua influência no mundo, tanto no campo econômico, pelo crescimento do PIB, quanto no cenário político, devido à sua participação com destaque nas decisões mundiais ou regionais.
No terceiro grupo estão os países mais pobres, nos quais a população vive com baixa renda, a produção é pouco industrializada e a economia se baseia em produtos primários voltados à exportação. Nesses países, os indicadores socioeconômicos são baixos e a população carece de melhores condições sociais e econômicas: o acesso à água tratada e a serviços de saúde, por exemplo, é restrito a uma pequena parcela de seus habitantes.

Norte e Sul geoeconômico 

A análise dos indicadores socioeconômicos também pode ser utilizada como critério de regionalização. Das regionalizações baseadas no nível de desenvolvimento, uma das mais usuais é aquela que divide o mundo em duas regiões geoeconômicas: o Norte (países ricos/desenvolvidos) e o Sul (países pobres/subdesenvolvidos ou em desenvolvimento). 
Essa divisão norte e sul difere da divisão geográfica que tem por base a linha do equador, separando a Terra em dois hemisférios. 
Trata-se de uma classificação geoeconômica que remete a uma linha simbólica denominada “Linha Norte-Sul”. Segundo os critérios econômicos adotados por essa regionalização, países desenvolvidos situados no hemisfério sul, como a Austrália e a Nova Zelândia, são considerados países do Norte. Por outro lado, a Mauritânia, por exemplo, que se situa no hemisfério norte, é considerada um país do Sul. 
Nessa regionalização, os países do Norte são aqueles que primeiro dominaram o modo de produção industrial, ampliando seus ganhos econômicos. Nesses países, o Estado produz maior riqueza e, portanto, tem maior poder de investimento em tecnologia e em setores sociais, como saúde, educação e moradia. 
Os países do Sul são aqueles que realizaram um processo de industrialização recente e dependente de investimentos e de tecnologia externa. Entre os países do Sul, há uma região formada por países que, por meio de diferentes estratégias, têm alcançado taxas expressivas de crescimento econômico: os países emergentes. 
Apesar de contribuir para evidenciar a desigualdade econômica global, como em toda regionalização, suas regiões não são homogêneas. As sim, esse modelo não é capaz de mostrar as disparidades existentes no interior dos países. Há casos de países prósperos financeiramente, mas que contam com altas taxas de desigualdade de renda e não oferecem serviços que garantam o bem-estar da população. Nos Estados Unidos, por exemplo, os níveis de pobreza e desemprego têm crescido, apesar de o país ocupar posição de destaque entre os mais ricos do mundo. Em 2020, havia 37,2 milhões de estadunidenses na pobreza.
Entre os países do Sul também existe uma enorme diversidade: há países que, apesar do baixo desenvolvimento industrial, conseguem atender a população em suas necessidades essenciais, enquanto há outros em que muitos vivem na miséria.  
Ainda que a atividade industrial esteja presente em boa parte  do mundo atual, nos países do Sul há dependência das tecnologias desenvolvidas nos países do Norte. Além disso, eles atraem empresas transnacionais para seu território, que buscam explorar a mão de obra barata e transferir seus seus passivos ambientais. 

Regionalização segundo a renda 

A regionalização com base na renda da população é elaborada segundo critérios propostos pelo Banco Mundial, que considera a renda per capita. 
Essa regionalização agrupa os países da seguinte forma: renda baixa – países com renda inferior a 1 035 dólares per capita; renda média baixa – países com renda de 1 035 a 4 085 dólares per capita; renda média alta – países com renda de 4 086 a 12 616 dólares per capita; renda alta – países com renda superior a 12 616 dólares per capita. 
Vale lembrar que o cálculo se baseia na média de renda, omitindo, portanto, as desigualdades econômicas existentes no interior do país.
A renda per capita é um indicador cujo cálculo se baseia na média de renda da população de um país, portanto não significa que todos os habitantes tenham a mesma situação econômica. Em todos os países há pessoas com maior e menor capacidade de compra. 

Regionalização por continentes 

Continente é uma extensa porção de terras contínuas. O planeta é dividido em seis continentes: Europa, América, Ásia, África, Oceania e Antártica.
Essa divisão está associa da a um fenômeno natural (a distribuição das terras emersas), forjado ao longo de milhões de anos pela movimentação das placas tectônicas. 
No entanto, essa divisão também está associada a fenômenos humanos, isto é, não deixa de ser também uma convenção construída historicamente. 
A Europa e a Ásia, por exemplo, embora tradicionalmente sejam consideradas dois continentes, são terras contínuas. Se observarmos o mapa a seguir podemos perceber que ambas formam uma única porção de terra conhecida como Eurásia. Por que, então, são consideradas dois continentes? 
Essa divisão é uma convenção que se construiu ao longo da história. Muito antes da expansão marítima do final do século XV, os europeus já costumavam dividir o mundo conhecido por eles entre Ocidente (do latim occidens, 'sol poente'), que de maneira geral correspon dia à Europa, e Oriente (do latim oriens, 'sol nascente'), que correspondia à Ásia. 
O cristianismo, desde o início de nossa era, e o capitalismo, desde o final da Idade Média, marcaram profundamente a história dos povos europeus e definiram uma particularidade cultural em comparação aos dois outros continentes que compunham o chamado velho mundo: a Ásia e a África. 
O fato de os países estarem situados em um mesmo continente, pela proximidade e vizinhança, historicamente incentivou vínculos econômicos, facilitou as trocas comerciais e as migrações, aumentou as afinidades culturais e, por vezes, criou relações de solidariedade, embora, em alguns casos, também de conflitos. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

A regionalização do espaço mundial

O conceito de regionalizar

Cada fenômeno geográfico, seja natural (como o relevo, o clima ou a vegetação) ou social (como o crescimento populacional, a migração ou a urbanização), possui uma localização e uma extensão. Isso significa que podemos localizar os fenômenos geográficos e identificar sua abrangência espacial. Às vezes, um mesmo espaço combina fenômenos geográficos distintos de modo particular, conferindo-lhe especificidade.
Regionalizar é dividir o espaço de acordo com a presença de um ou mais fenômenos naturais ou sociais que caracterizam uma região e a diferenciam das áreas em seu entorno. Esse recurso é muito usado para agrupar países que apresentam características comuns. Como o mundo é muito diversificado, foram criadas diferentes formas de regionalização.

Formas de regionalização

Uma regionalização é feita com base em critérios previamente definidos e de acordo com o olhar de quem a realiza. Os valores e interesses do observador sempre estão presentes no momento de definir uma forma de regionalização, por isso, qualquer tipo de agrupamento pode ser questionado. 
Toda regionalização, porém, utiliza critérios baseados na realidade. Caso contrário, ela não terá utilidade para fins de estudo. Além disso, como a natureza e a sociedade são dinâmicas, os fenômenos mudam o tempo todo, e essa é uma das razões que explicam por que as regionalizações precisam ser constantemente revistas e atualizadas.
Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países com bom nível de desenvolvimento socioeconômico e países com sérios problemas sociais e econômicos – em desenvolvimento.
A análise das relações entre países de diferentes níveis de desenvolvimento socioeconômico, considerando o IDH e o papel de cada país na Divisão Internacional do Trabalho (DIT), pode ser realizada com base em um estudo regional. Neste volume, esse estudo se concentra nos continentes africano e americano. 
Existem outras propostas para a análise do mundo em que vivemos. No entanto, a opção pela divisão regional em continentes oferece a vantagem defa cilitar o estudo de aspectos naturais, políticos e socioeconômicos, entre outros, dentro de um mesmo bloco territorial.
Na África foi estabelecida uma regionalização que subdivide o continente em África do Norte – de influência árabe e islâmica, que apresenta, em linhas gerais, IDH superior à grande porção situada ao sul do deserto do Saara – e em África Subsaariana – uma das regiões mais pobres do mundo, com população predominantemente negra e grupos étnicos bastante diferenciados, nos quais o IDH é baixíssimo. A África do Sul, pelo nível de industrialização e por outras carac terísticas socioeconômicas, merece uma abordagem específica.
Na América, a regionalização agrupa, de um lado, os países desenvolvidos, que formam a chamada América Anglo-Saxônica (Estados Unidos e Canadá); de outro, os países da América Latina, que apresenta IDH bem mais baixo, porém, não forma um conjunto homogêneo, como veremos.
Na Europa, os países da parte ocidental, mais desenvolvidos, formam um bloco diferenciado em relação aos países da parte oriental do continente, onde o IDH é comparativamente mais baixo. A Rússia, cujo território está situado nos continentes europeu e asiático, apresenta especificidades e certa influência no mundo que permitem uma abordagem particular.
A Ásia é um continente com grandes contrastes sociais, culturais e econômicos. A bacia do Pacífico, sob a liderança do Japão, agrupa países com os melhores índices de crescimento econômico do con tinente, como a China e os chamados Tigres Asiáticos. O Oriente Médio forma outro bloco, marcado por questões econômicas, religiosas e estratégicas em comum, com grandes repercussões no mundo atual.

A importância de regionalizar

Uma regionalização é útil para diversos fins. Ela serve como ponto de partida ou chegada para a realização de estudos das relações entre fenômenos; para orientar políticas públicas de conservação ambiental ou políticas públicas sociais; para o planejamento de investimentos de empresas privadas; entre outros. Uma empresa de roupas infantis, por exemplo, pode regionalizar o espaço de acordo com a renda da população residente em uma área e o percentual de crianças que compõem as famílias. 
Ao identificar uma área que apresente, simultane amente, uma população com predomínio de alta renda e famílias com crianças, pode privilegiá-la para a instalação de uma nova loja. É possível também fazer uma regionalização de países de acordo com suas características naturais ou interesses comuns em determinado período da história. 
A regionalização pode ser mapeada e apontar como os países se organizam em determinado aspecto: econômico, demográfico, etc. O mapeamento da situação social e econômica de determinados países, baseada em uma regionalização, permite, por exemplo, avaliar e orientar políticas de organizações internacionais, como a definição dos países que devem assumir maior responsabilidade na conservação ambiental ou no controle da poluição, por exemplo

Indicadores sociais - O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)

As desigualdades no mundo atual

Atualmente, o espaço geográfico mundial é marcado por grandes desigualda des socioeconômicas. Segundo cálculos realizados pelo Pnud, em 2020, cerca de 83% da população vivia em países com renda per capita menor do que a média mundial, que era de 15 348 dólares. 
Uma das principais causas desse cenário é a distribuição desigual da riqueza, que evidenciam contrastes referentes ao Produto Interno Bruto (PIB), à renda per capita média de diferentes países e que refletem a grande disparidade econômica entre alguns países do mundo.
Pnud: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, que consiste em uma das agências da Organização das Nações Unidas (ONU) e está presente em aproximadamente 193 países do mundo. 
Produto Interno Bruto: engloba todo valor de bens e serviços, ou seja, toda a riqueza produzida pelas atividades econômicas dentro do território de um país, de um estado e de um município. 
Renda per capita média: é obtida pela divisão do valor do PIB de um país (de um determinado ano) pelo seu número total de habitantes, o que resulta em uma média.
As desigualdades socioeconômicas podem ser verificadas também internamen te, entre diferentes grupos que compõem a população de um país. Em 2020, por exemplo, a soma da riqueza produzida pelos países do mundo era de aproximada mente 85 trilhões de dólares. Entretanto, apenas 17% da população mundial con centrava 50 trilhões de dólares. No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pouco mais da metade da população tem rendimento igual ou inferior a dois salários mínimos, enquanto menos de 1% da população recebe mais de 20 salários mínimos. 
As desigualdades socioeconômicas podem ser percebidas, principalmente, nas paisagens de diversos países, sobretudo de países em desenvolvimento mais pobres, como os da América Latina e da África. Analisando a questão habitacional, por exem plo, verifica-se que, nessas regiões do mundo, onde apenas uma pequena parte da população vive em moradias de luxo, com acesso à infraestrutura e qualidade de vida, há um grande número de pessoas que enfrenta a falta de moradias ou vive em moradias precárias, sem infraestrutura, saneamento básico, saúde e educação.

Indicadores sociais

Chamamos de indicadores sociais os dados de uma população que, quando analisados em conjunto, revelam as condições de vida em determinado território e período. Embora tenham diferentes metodologias de cálculo, os indicadores têm algo em comum: eles mostram uma média, e isso significa que não são capazes de revelar situações particulares. 

Desigualdade de gênero 


Desde 2010 o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) coleta e sistematiza dados sobre as condições de vida das mulheres em seus países-membros.  O Índice de Desigualdade de Gênero (IDG) leva em consideração três dimensões da vida das mulheres: a saúde reprodutiva, a capacitação (participação política e escolaridade) e o mercado de trabalho.  Com acesso a dados sistematizados, os governos podem identificar a desigualdade de gênero e criar políticas públicas voltadas para sua resolução. 

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi criado, em 1990, pelo Pnud, com o objetivo de comparar as condições de vida nos países e de identificar aqueles que mais necessitam de apoio para reduzir a pobreza e a exclusão social. 
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), indicador estabelecido pela ONU para avaliar o nível de desenvolvimento econômico e social dos países, foi criado por um grupo de especialistas para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Expresso em relatórios periódicos, o IDH conta com dados sobre três dimensões básicas:
• renda, materializada pelo Produto Nacional Bruto (PNB) per capita, isto é, dividida pelo número de habitantes. 
• educação, por meio da média de anos de escolaridade; 
• saúde, por meio dos dados de expectativa de vida.
Segundo essa metodologia, os países são classificados em desenvolvimento humano muito elevado, elevado, médio e baixo. E, de tempos em tempos, o Pnud gera outros indicadores, como igualdade de gênero, emissão de gases poluentes e outras pressões sobre os recursos naturais, para atualizar o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH). 
O primeiro Relatório do Desenvolvimento Humano foi publicado em 1990, e, desde então, é atualizado anualmente, classificando os países do globo de acordo com seu nível de desenvolvimento econômico e social. É preciso ressaltar que a geração de um volume cada vez maior de riquezas (bens e serviços) não garante melhoria das condições de vida da maioria dos habitantes dos países porque essa riqueza, em geral, é mal distribuída, principalmente nos países em desenvolvimento. 
Há diversos casos de países que apresentaram expressivo crescimento econômico entre a segunda metade do século XX e este início de século, porém não acompanhado de um desenvolvimento social efetivo, ou seja, com benefícios a toda a população nas áreas de saúde, educação, habitação, saneamento básico, transporte, etc. 
Em razão das más condições de vida de parte de suas populações e das fortes desigualdades sociais existentes, países como Brasil, México e Argentina, por exemplo, são classificados como emergentes.
O RDH de 2020 indicou que Noruega, Irlanda e Suíça apresentaram os mais elevados IDHs, enquanto nas últimas posições estavam Níger, República Centro-Africana e Chade. O Brasil estava no grupo de países com IDH elevado, com Cuba, Mongólia e Paraguai, por exemplo. 
Para classificar os países, o IDH leva em consideração três dimensões do processo de desenvolvimento humano: 
• a longevidade, medida pela expectativa ou esperança de vida ao nascer, con siderando as condições de moradia, saúde e alimentação; 
• o conhecimento, que considera a média de anos de escolaridade dos habitan tes com 25 anos ou mais e os anos de escolaridade esperados, ou seja, o nú mero de anos de estudo que se espera de uma criança ao ingressar na escola; • o Rendimento Nacional Bruto (RNB) per capita (por indivíduo) ajustado, que é a renda nacional bruta dividida pelo número de habitantes do país, expressa em dólares, considerando o poder de compra da população.
Embora o IDH não seja um indicador ideal, ele apresenta a vantagem de con siderar o desenvolvimento de forma mais abrangente e avaliar, até certo ponto, o acesso da população aos benefícios proporcionados pelo crescimento econômi co. Os indicadores mais gerais de desenvolvimento sempre estiveram limitados ao desempenho econômico, como o PIB ou o PIB per capita. 
A consideração do Índice de Riqueza Inclusiva exige uma alteração nos padrões de produção e consumo nos países. Demanda a busca por um desenvolvimento sustentável, ou seja, que atenda às necessidades das populações no presente sem comprometer as demandas das gerações futuras. 
Nessa perspectiva, a utilização dos recursos deve ocorrer de acordo com a capacidade de reposição da natureza, de modo que o crescimento econômico não agrida violenta e irreparavelmente os ecossistemas e possa, ao mesmo tempo, equacionar problemas sociais. Desse modo, deve ter como prioridade a diminuição da pobreza e da desigualdade social.

Insegurança alimentar

A Escala de Experiência em Insegurança Alimentar foi desenvolvida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês) e visa identificar o número de pessoas sem acesso regular a alimentos em quantidade suficiente e com qualidade adequada. 
O número de pessoas em situação de insegurança alimentar cresceu durante a pandemia da covid-19. Segundo dados da ONU, de 2021, cerca de 811 milhões de pessoas enfrentaram a fome durante o primeiro ano da pandemia. Aproximadamente 12% da população global esteve em estado de insegurança alimentar grave nesse período.
 

A Divisão Internacional do Trabalho

Desde as Grandes Navegações, diferentes partes do mundo interagem realizando transações comerciais. Durante o período mercantilista (séculos XV-XVIII), por exemplo, as metrópoles mantiveram saldo positivo nas transações, pois exploravam recursos naturais das colônias e vendiam produtos manufaturados, com maior valor agregado valor agregado. 
A Divisão Internacional do Trabalho (DIT), iniciada nos séculos XV e XVI, correspondeu, a princípio, à delineação do papel das metrópoles e das colônias no contexto da produção e do comércio internacional. Coube às colônias o fornecimento de produtos agrícolas, como cana-de-açúcar, tabaco e algodão, e de especiarias e metais preciosos, que eram comercializados pelas metrópoles na Europa com grandes lucros.
No final do século XVIII, a Revolução Industrial desencadeou a desestruturação do sistema colonial, ou seja, da exclusividade de comércio imposta pelas metrópoles às suas colônias. A industrialização exigia maiores quantidades de matérias-primas e mais consumidores para as mercadorias, que passavam a ser produzidas em larga escala.
Com a Revolução Industrial, a Divisão Internacional do Trabalho foi intensificada, pois os “papéis” determinados para os países ficaram ainda mais evidentes:
• países de industrialização antiga, com vantagem nas transações comerciais por negociar produtos transformados; merciais por negociar produtos transformados; 
• países ainda não industrializados, com desvantagem, pois comercializavam matérias-primas de baixo valor. 
Nesse contexto, teve início, entre o final do século XVIII e o início do século XIX, o processo de independência de várias colônias, sob influência dos ideais da Revolução Francesa. No entanto, a independência política não trouxe independência econômica, tampouco modificou a realidade social das ex-colônias. Por outro lado, os países industrializados ampliaram sua capacidade produtiva e sua margem de lucro, intensificando as diferenças econômicas e sociais em relação aos países exportadores de matérias-primas.
A Divisão Internacional do Trabalho, portanto, caracteriza a interdependência entre as atividades econômicas realizadas em diferentes partes do globo e o pa pel que cada país ou cada região ocupa na economia mundial, considerando o que produz, o que exporta e o que importa, entre outros aspectos. Essa divisão do trabalho em âmbito internacional só ocorreu com a conso lidação do sistema capitalista, que integrou a economia mundial e estabeleceu, em cada uma de suas fases de evolução, o papel que cabia a cada região ou país.
Os Estados tiveram participação significativa na instalação das unidades de produção dessas empresas em seus territórios, pois foi necessário construir toda uma infraestrutura energética, de sistemas de telecomunicações e redes de transporte, entre outras. 
O desenvolvimento dos meios de transporte e das telecomunicações acrescentou outras características à nova Divisão Inter nacional do Trabalho. Ela está organizada em redes de produção, por meio das quais uma empresa transnacional contrata empresas em outras partes do mundo para realizar a atividade produtiva ou a distribuição e comercialização de seus produtos. Os países centrais concentram a fabricação de produtos de tecnologias mais sofisticadas, o desenvolvimento de novos produtos, o setor de marketing, os serviços financeiros e a gerência administrativa das grandes empresas.

A nova Divisão Internacional do Trabalho

No século XX, principalmente a partir de 1950, ocorreu a chamada industria lização tardia, que se caracterizou pela concentração industrial em países como Brasil, México e Argentina, na América Latina; África do Sul, no continente africa no; e, a partir da década de 1960, Coreia do Sul, Taiwan, Cingapura e outros países da Ásia.
Esse processo ocorreu por meio das transnacionais, que instalaram filiais em diversas partes do mundo, particularmente nos países atualmente denomi nados emergentes, pelo fato de oferecerem condições vantajosas: matérias-pri mas, mercado consumidor, mão de obra abundante e barata e baixos impostos. De modo geral, a industrialização desses países acabou atendendo a interes ses específicos das indústrias transnacionais, com algumas exceções, como em Taiwan e, sobretudo, na Coreia do Sul, onde o apoio estatal permitiu a formação de grandes corporações.
Esse contexto deu origem a uma nova Divisão Internacional do Trabalho, na qual alguns países em desenvolvimento, além de produzir e exportar matérias-primas agrícolas e minerais, transformaram-se em produtores e exportadores de produtos industrializados.

Características do desenvolvimento e dos países em desenvolvimento 

Para começar, analisamos alguns fatores que permitem classificar um país como “desenvolvido” ou “em desenvolvimento”, considerando o contexto mundial. Após conhecer as características gerais desses dois grupos, você vai analisar a seguir aspectos econômicos e sociais mais específicos. 
Os países desenvolvidos ou do centro são grandes polos financeiros e tecnolgicos mundiais e dominam as grandes decisões políticas e econômicas internacio nais. Entretanto, como visto anteriormente, os países emergentes também vêm in fluenciando as decisões tomadas no âmbito financeiro e econômico internacional. Nos países desenvolvidos predominam as atividades econômicas industriais, comerciais e de serviços. 
A agricultura é praticada com o auxílio de técnicas modernas e com elevado índice de mecanização, diminuindo a necessidade de mão de obra. Uma pequena parcela da população se dedica ao setor primário. Em muitos países desenvolvidos, esse percentual não chega a 5% da Popula ção Economicamente Ativa (PEA), como no caso dos Estados Unidos, do Canadá e da Austrália, por exemplo.
Nos países em desenvolvimento, a situação é bem diferente, apesar da diversidade de condições socioeconômicas. A agropecuária e o extrativismo são as principais atividades praticadas nesses países e, de modo geral, sobretudo na África e em alguns países da Ásia, essas atividades são praticadas de forma rudimentar, apresentando baixa produtividade.
A presença de uma atividade industrial amplamente diversificada, com alguns setores de tecnologia mais avançada, embora dependente dos países desenvolvidos, é restrita a poucos países que se industrializaram na segunda metade do século XX. 
Nos países em desenvolvimento, uma pequena parcela da população desfru ta de boas condições de vida, equiparadas às da população dos países desenvol vidos. Entretanto, a maioria da população se alimenta de forma insuficiente, mora em habitações precárias e apresenta alto índice de analfabetismo, entre outros indicadores negativos que justificam a baixa expectativa de vida em boa parte desse grupo de países. 
A escolarização de uma parcela significativa da população desses países é deficiente, o que compromete a qualificação profissional e o desenvolvimento socioeconômico futuro na maior parte dos países desse grupo. 
O índice de mortalidade infantil, elevado em comparação ao dos países desenvolvidos, ocorre em função de desnutrição das mães e dos recém-nascidos e das más condições de saúde e higiene oferecidas à população.


Países desenvolvidos e países em desenvolvimento

Atualmente há uma grande disparidade socioeconômica entre os países do mundo. De modo geral, podemos classificar essas nações entre países d...