A regionalização pode considerar critérios naturais, políticos, sociais e econômicos, entre outros. Como campo do conhecimento geográfico, a Geografia física estuda a distribuição espacial de fenômenos naturais, como o relevo, o clima e a vegetação. Desse modo, podem ser elaborados mapas temáticos.
Em âmbito mundial, a regionalização tem sido feita de várias maneiras,
obedecendo a diversos critérios geopolíticos, culturais, sociais, econômicos,
entre outros. Com base em diferentes critérios, estudaremos quatro possibilidades de regionalização:
■ Por blocos geopolíticos, construída no período da Guerra Fria;
■ Por grau de desenvolvimento, de acordo com a ONU;
■ Por renda, segundo o Banco Mundial;
■ Por blocos econômicos, conforme a Organização Mundial do Comércio.
Regionalização da época da Guerra Fria
Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os Estados Unidos e a União
Soviética despontaram como superpotências mundiais e passaram a disputar
o poder político e econômico no mundo.
Durante a Guerra Fria (1947-1991), em
torno delas se organizaram dois blocos de poder antagônicos: o bloco “ocidental” e o bloco “comunista”. O primeiro era composto de países capitalistas, sob
a liderança dos Estados Unidos. O segundo, de países de economia planificada,
sob o comando da União Soviética. E entre eles, tentando não se alinhar a nenhum dos dois blocos, constituiu-se uma “terceira via”.
Nessa situação de confronto, tornou-se comum classificar os países em um
dos três blocos geopolíticos:
■
primeiro mundo, formado por países capitalistas desenvolvidos, liderados
pelos Estados Unidos;
■ segundo mundo, composto pelos países socialistas, liderados pela União
Soviética;
■ terceiro mundo, integrado pelos países recém-independentes, a maioria
da Ásia e da África, então considerados “subdesenvolvidos”.
Alguns países como a Índia, a Indonésia e o Egito, além de muitos outros
localizados na Ásia e na África, procuraram não se alinhar geopoliticamente a
nenhuma das duas superpotências. Na Conferência de Bandung eles fundaram
o bloco dos países não alinhados, a origem do chamado Terceiro Mundo. No
entanto, a América Latina, mesmo fazendo parte do bloco “ocidental” e alinhada
com os Estados Unidos também era formada por países “subdesenvolvidos” e
comumente inserida no Terceiro Mundo.
A partir de 1989, a economia planificada entrou em crise e gradativamente
quase todos os países do bloco comunista adotaram o capitalismo. Em 1991 a União
Soviética se desintegrou territorialmente, dando origem a 15 novos países, entre
eles a Rússia. Com isso, o segundo mundo deixou de existir, assim como o bloco
comunista.
O terceiro mundo também se descaracterizou, pois muitos dos países
desse grupo cresceram economicamente e se industrializaram. Hoje as nações do
antigo terceiro mundo são chamadas de países em desenvolvimento e aqueles que
se destacam economicamente nesse grupo são chamados de emergentes.
Regionalização da ONU
Como consequência das transformações geopolíticas do final do século XX, a ONU criou uma nova regionalização para tentar compreender o mundo contemporâneo.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), uma agência da ONU, classifica os países de acordo com o índice de desenvolvimento humano (IDH), em quatro categorias: muito elevado, elevado, médio e baixo. Nesse caso, os países são agrupados segundo uma combinação de critérios sociais e econômicos, porém não formam regiões contínuas, porque em cada grupo há países de diversos continentes.
A ONU reconhece que não é simples classificar os países e criar uma regionalização com base no grau de desenvolvimento. Segundo essa organização: “As designações ‘desenvolvido’, ‘em transição’ e ‘em desenvolvimento’ foram adotadas por conveniência estatística e não necessariamente expressam um julgamento sobre o estágio alcançado por um país em particular no processo de desenvolvimento.” Apesar disso, essa regionalização é bastante utilizada.
Os países desenvolvidos são aqueles que em geral são industrializados e
têm economias modernas, competitivas e boa infraestrutura (saneamento bá
sico, telefonia, rodovias, ferrovias, portos, etc.); que dispõem de alta renda per
capita e de bons indicadores sociais (escolaridade, mortalidade infantil, expec
tativa de vida, etc.), o que se reflete em IDHs muito elevados. Vale destacar que
nem todo país que tem alta renda e IDH muito elevado é considerado desenvolvido.
Muitos dos países em desenvolvimento foram colônias e a maioria ficou
independente após a Segunda Guerra Mundial, como é o caso de praticamen
te todos os africanos. Por isso, ainda hoje muitos deles sofrem as consequências
desse passado de exploração colonial. Em geral o grau de industrialização e
modernização de suas economias ainda é baixo e a infraestrutura apresenta
muitas deficiências, o que impacta no nível de competitividade no mercado
internacional. Com poucas exceções, a renda per capita é baixa ou média e
muitos indicadores sociais são insuficientes, o que se reflete em IDHs baixo,
médio e alto, raramente muito alto.
Como vimos, os países em desenvolvimento que se destacam pelo rápido
crescimento econômico, avanço da industrialização, crescimento do mercado
interno e pela capacidade de atração de investimentos estrangeiros, o que vem
se refletindo na redução da pobreza e na elevação do IDH, são chamados de
economias emergentes. Segundo a Conferência das Nações Unidas para o
Comércio e o Desenvolvimento (Unctad, sigla em inglês), em 2018 havia 37
países emergentes, entre os quais se destacam: Brasil, México, Argentina e
Chile (América Latina); China, Índia, Coreia do Sul e Indonésia (sul e leste da
Ásia); Turquia e Arábia Saudita (Oriente Médio); Rússia, Polônia e Hungria (Eu
ropa oriental); África do Sul, Egito e Nigéria (África).
No grupo das nações em desenvolvimento há uma subclassificação que se
refere aos países menos desenvolvidos, aqueles que apresentam graves proble
mas socioeconômicos e os piores IDHs. Segundo a ONU são os 48 países mais
pobres e vulneráveis do mundo: 34 estão na África, 13 na região da Ásia-Pacífico
e um no Caribe.
As economias em transição contemplam os antigos países
de economia planificada. Desde
o início dos anos 1990, após o
colapso da economia planifica
da, eles vêm passando por
grandes transformações e a
maioria tem feito reformas eco
nômicas de cunho capitalista. O
país que se destaca nesse grupo é a Rússia, a maior economia
entre os países em transição.
Regionalizações do Banco Mundial
Um dos critérios usados pelo Banco Mundial para agrupar países é a renda
per capita. A classificação se dá por países de alta renda, média-alta, média-baixa e baixa renda. Porém, assim como acontece com o IDH, a classificação
dos países por renda não forma regiões contínuas porque em cada agrupamento há países de diversos continentes.
Segundo o Banco Mundial as economias de baixa e média renda são definidas como países em desenvolvimento e as economias de alta renda, como
países desenvolvidos. Entretanto, como vimos, nem todo país de alta renda
pode ser considerado desenvolvido, como é o caso da Arábia Saudita. Além
disso, a renda não pode ser tomada como único critério para analisar o desenvolvimento de um país.
As condições de vida da população também devem
ser consideradas, além de outros indicadores sociais, econômicos e políticos.
Por isso, nem todo país de alta renda tem boa colocação no ranking do IDH.
Além da classificação dos países por renda, para fins administrativos e estatísticos, o Banco Mundial costuma dividir o mundo em sete regiões.
Regionalização da Organização Mundial do Comércio
A Organização Mundial do Comércio agrupa os países por blocos econômicos regionais. Dependendo do grau de integração, é possível definir quatro
tipos de bloco: Zona de livre comércio, União aduaneira, Mercado comum e
União econômica e monetária.
Os países participantes de uma zona de livre comércio firmam acordos
para reduzir gradativamente os impostos de importação, denominados tarifas
alfandegárias ou aduaneiras e deixam de pagar impostos sobre os produtos
que circulam entre eles. O Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta – sigla em inglês), é uma zona de livre comércio.
Além disso, a união aduaneira estabelece uma tarifa externa comum, isto
é, todos os países-membros devem cobrar o mesmo imposto sobre os produ
tos importados de fora do bloco. Imagine, por exemplo, uma união aduaneira
formada pelos países A, B e C. Antes da união, A cobrava 30% de imposto de
importação de automóveis; B cobrava 20%; e C, 15%. Com a tarifa externa
comum, todos passaram a cobrar 20%. Assim, os automóveis importados não
entram somente pelo país C, onde o imposto de importação era menor, e são
vendidos desse país para os demais membros. O Mercosul é um exemplo de
união aduaneira, embora muitos produtos não tenham tarifa de importação
comum em todos os países do bloco.
Em um mercado comum, além da livre circulação de mercadorias e da
implantação de uma tarifa externa comum, há a livre circulação de investimen
tos, serviços e pessoas. O único bloco desse tipo atualmente é a União Europeia.
Nesse bloco houve a padronização dos impostos pagos pela população e
pelas empresas, assim como de muitas leis civis, trabalhistas, sociais e ambientais.
Uma união econômica e monetária incorpora todas as características dos
blocos vistos anteriormente e, além disso, introduz uma moeda única e um
banco central único.
Os países participantes desse tipo de bloco, portanto,
abrem mão de sua moeda nacional e de seu banco central. É o tipo mais
abrangente de integração, e o único bloco que atualmente se aproxima desse
modelo é a União Europeia. Porém, nem todos os 28 países-membros partici
pam da união monetária. Destes, apenas 19 fazem parte da Zona do Euro.
Embora as relações comerciais entre países de continentes diferentes sejam
significativas e crescentes, a maior parte das trocas de mercadorias efetuadas
no mundo ainda é intracontinental. Na Europa, por exemplo, cerca de 60% do
comércio é realizado entre os países do próprio continente, a maior parte de
les associados à União Europeia. O mesmo acontece com a circulação de
pessoas – trabalhadores e turistas – e de investimentos na produção.
Diferentes formas e elementos de regionalização
Domínios morfoclimáticos
A combinação de características do quadro natural, conforme proposto nessa sobreposição, é um tipo de raciocínio que inspirou o geógrafo brasileiro Aziz Ab’Sáber a criar, em 1977, uma regionalização do Brasil e da América do Sul que ficou conhecida como “domínios morfoclimáticos”. Os domínios morfoclimáticos constituem regiões que apresentam uma combinação de condições climáticas, de relevo e de vegetação próprias. A relação entre esses elementos forma diferentes paisagens, que expressam um conjunto de características naturais que ocorrem de modo contínuo.
Ferramentas cartográficas a serviço da regionalização
A cartografia é uma ferramenta importante para a representação de uma regionalização. Os mapas permitem visualizar as propostas de regionalização. Os fenômenos podem ser representados em um mapa por meio de pontos, linhas ou manchas, conforme sua ocorrência. Em uma representação ordenada, ou seja, que mostre a ordem do fenômeno representado, as cores, pontos e linhas devem indicar também uma ordem visual.
Regionalização com base na sociedade
A regionalização também pode ser feita com base na sociedade. É possível
escolher fenômenos humanos, referentes a questões sociais, econômicas, políticas
e culturais, e relacioná-los com outros critérios para regionalizar, isto é, agrupar
regiões ou conjuntos de países que apresentam aspectos comuns.
As anamorfoses são um tipo de representação do espaço geográfico no qual
se distorcem a proporção e a forma dos territórios de modo a expressar visualmente os dados quantitativos.
Primeiro, Segundo e Terceiro Mundo: uma regionalização
político-ideológica ultrapassada
No século XX, criou-se uma regionalização do mundo que o dividia em três
partes: Primeiro Mundo, Segundo Mundo e Terceiro Mundo.
Essa
classificação estava associada ao período da Guerra Fria, que teve início em 1947,
após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), e acabou em 1991.
Nesse período, duas superpotências – Estados Unidos e União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas (URSS), ou União Soviética – disputavam a hegemonia política, ideológica e econômica no mundo, e buscavam atrair países como aliados a
seus interesses, oferecendo proteção militar e vantagens econômicas.
A denominação Primeiro
Mundo correspondia aos países do capitalismo, com elevado nível de desenvolvimento econômico e social. O Segundo Mundo era composto de países do socialismo. A expressão Terceiro Mundo, por sua vez, designava os países capita
listas mais pobres. Este último termo foi usado pela primeira vez pelo francês
Alfred Sauvy (1898-1990) em um artigo publicado no jornal L’Observateur.
Com a desestruturação da União Soviética, em 1991 – acontecimento que
marcou o final da Guerra Fria –, a expressão Segundo Mundo deixou de ser usada
e a regionalização que a utilizava perdeu o sentido, tornando-se ultrapassada.
Esse é um exemplo de que as dinâmicas políticas, ideológicas, econômicas e sociais do
espaço geográfico tornam algumas regionalizações obsoletas. Por isso, ao nos
depararmos com uma regionalização, é necessário refletir sobre as intenções de
quem a produziu e sobre a validade atual do raciocínio empregado.
Regionalizações possíveis no mundo pós-Guerra Fria
Com o fim da Guerra Fria, o capitalismo se tornou o sistema socioeconômico
predominante no mundo. Entretanto, as desigualdades que ele produz inspiram
regionalizações baseadas em níveis de desenvolvimento.
É importante destacar que nem todos compreendem o termo desenvolvimento da mesma maneira. Para alguns, desenvolvimento remete ao dinamismo econômico. Nesse sentido, um país subdesenvolvido seria aquele marcado pela situação
de estagnação da economia.
Outros interpretam o desenvolvimento em uma pers
pectiva evolutiva, na qual os países subdesenvolvidos (também chamados “países
em desenvolvimento” ou “países emergentes”) estariam caminhando para a condição de desenvolvidos.
Há também aqueles que entendem o desenvolvimento
como resultado das trocas desiguais nas relações internacionais, assim, os exportadores de matéria-prima seriam subdesenvolvidos ou “países menos avançados”
porque ocupam posição desvantajosa diante dos países que exportam produtos
sofisticados do ponto de vista tecnológico. Por fim, há os que defendem que o
desenvolvimento não pode ser associado apenas a questões econômicas, mas deve
incluir as condições de vida da população, considerando o acesso a serviços fundamentais, como saúde e educação, bem como a qualidade desses serviços
Tais visões sobre o desenvolvimento influenciam as regionalizações propostas,
podendo orientar políticas econômicas de modo diferenciado. De qualquer maneira, vale ressaltar que as regionalizações inspiradas no nível de desenvolvimento são feitas sobretudo por grandes organizações internacionais. Essas instituições
são responsáveis, em grande medida, pelo capitalismo global. Entre elas estão o
Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional.
De maneira geral, de acordo com o grau de desenvolvimento, é possível identificar pelo menos três grupos de países. O primeiro grupo é formado por países
ricos, ou desenvolvidos, que sediam grandes corporações internacionais, utilizam
tecnologia de ponta em sua produção e apresentam população com
renda elevada, além de bons indicadores sociais, como expectativa de vida ao
nascer e acesso a serviços de saúde.
O segundo grupo compreende os países que apresentam desenvolvimento
intermediário, ou seja, são países industrializados, cuja produção utiliza tecnologias
modernas, embora a renda da população seja relativamente baixa.
São também chamados de emergentes pelo fato de terem aumentado sua influência no mundo, tanto no campo econômico,
pelo crescimento do PIB, quanto
no cenário político, devido à sua
participação com destaque nas
decisões mundiais ou regionais.
No terceiro grupo estão os
países mais pobres, nos quais a
população vive com baixa renda,
a produção é pouco industrializada e a economia se baseia em produtos primários
voltados à exportação. Nesses países, os indicadores socioeconômicos são baixos
e a população carece de melhores condições sociais e econômicas: o acesso à água
tratada e a serviços de saúde, por exemplo, é restrito a uma pequena parcela de
seus habitantes.
Norte e Sul geoeconômico
A análise dos indicadores socioeconômicos também pode ser utilizada como critério de regionalização. Das regionalizações baseadas no nível de desenvolvimento, uma das mais usuais é aquela que divide o mundo em duas
regiões geoeconômicas: o Norte (países ricos/desenvolvidos)
e o Sul (países pobres/subdesenvolvidos ou em desenvolvimento).
Essa divisão norte e sul difere da divisão geográfica que
tem por base a linha do equador, separando a Terra em dois
hemisférios.
Trata-se de uma
classificação geoeconômica
que remete a uma linha simbólica denominada “Linha Norte-Sul”. Segundo os critérios econômicos adotados
por essa regionalização, países desenvolvidos situados no hemisfério sul, como a
Austrália e a Nova Zelândia, são considerados países do Norte. Por outro lado, a
Mauritânia, por exemplo, que se situa no hemisfério norte, é considerada um país
do Sul.
Nessa regionalização, os países do Norte são aqueles que primeiro dominaram o
modo de produção industrial, ampliando seus ganhos econômicos. Nesses países,
o Estado produz maior riqueza e, portanto, tem maior poder de investimento em
tecnologia e em setores sociais, como saúde, educação e moradia.
Os países do Sul são aqueles que realizaram um processo de industrialização
recente e dependente de investimentos e de tecnologia externa.
Entre os países do Sul, há uma região formada por países que, por meio de
diferentes estratégias, têm alcançado taxas expressivas de crescimento econômico:
os países emergentes.
Apesar de contribuir para evidenciar a desigualdade econômica global, como em toda regionalização, suas regiões não são homogêneas. As
sim, esse modelo não é capaz de mostrar as disparidades existentes no
interior dos países. Há casos de países prósperos financeiramente, mas
que contam com altas taxas de desigualdade de renda e não oferecem
serviços que garantam o bem-estar da população. Nos Estados Unidos,
por exemplo, os níveis de pobreza e desemprego têm crescido, apesar
de o país ocupar posição de destaque entre os mais ricos do mundo. Em
2020, havia 37,2 milhões de estadunidenses na pobreza.
Entre os países do Sul também existe uma enorme diversidade: há países que, apesar do baixo desenvolvimento industrial, conseguem atender
a população em suas necessidades essenciais, enquanto há outros em
que muitos vivem na miséria.
Ainda que a atividade industrial esteja presente em boa parte do mundo atual, nos países do Sul há dependência das tecnologias desenvolvidas nos países do Norte. Além disso, eles atraem empresas transnacionais
para seu território, que buscam explorar a mão de obra barata e transferir seus seus passivos ambientais.
Regionalização segundo a renda
A regionalização com base na renda da população é elaborada segundo critérios propostos pelo Banco Mundial, que considera a renda per capita.
Essa regionalização agrupa os países da seguinte forma: renda baixa – países com
renda inferior a 1 035 dólares per capita; renda média baixa – países com renda
de 1 035 a 4 085 dólares per capita; renda média alta – países com renda de 4 086
a 12 616 dólares per capita; renda alta – países com renda superior a 12 616 dólares
per capita.
Vale lembrar que o cálculo se baseia na média de renda, omitindo,
portanto, as desigualdades econômicas existentes no interior do país.
A renda per capita é um indicador cujo cálculo se baseia na média de renda da
população de um país, portanto não significa que todos os habitantes tenham a
mesma situação econômica. Em todos os países há pessoas com
maior e menor capacidade de compra.
Regionalização por continentes
Continente é uma extensa porção de terras contínuas. O planeta é dividido em seis continentes: Europa, América, Ásia, África, Oceania e Antártica.
Essa divisão está associa
da a um fenômeno natural (a distribuição das terras emersas), forjado ao longo
de milhões de anos pela movimentação das placas tectônicas.
No entanto, essa divisão também está associada a fenômenos humanos,
isto é, não deixa de ser também uma convenção construída historicamente.
A Europa e a Ásia, por exemplo, embora tradicionalmente sejam consideradas
dois continentes, são terras contínuas. Se observarmos o mapa a seguir podemos
perceber que ambas formam uma única porção de terra conhecida como Eurásia.
Por que, então, são consideradas dois continentes?
Essa divisão é uma convenção
que se construiu ao longo da história. Muito antes da expansão marítima do final
do século XV, os europeus já costumavam dividir o mundo conhecido por eles
entre Ocidente (do latim occidens, 'sol poente'), que de maneira geral correspon
dia à Europa, e Oriente (do latim oriens, 'sol nascente'), que correspondia à Ásia.
O cristianismo, desde o início de nossa era, e o capitalismo, desde o final da
Idade Média, marcaram profundamente a história dos povos europeus e definiram
uma particularidade cultural em comparação aos dois outros continentes que
compunham o chamado velho mundo: a Ásia e a África.
O fato de os países estarem situados em um mesmo continente, pela proximidade e vizinhança, historicamente incentivou vínculos econômicos, facilitou
as trocas comerciais e as migrações,
aumentou as afinidades culturais e, por vezes, criou relações de solidariedade,
embora, em alguns casos, também de conflitos.