A Divisão Internacional do Trabalho (DIT), iniciada nos séculos XV e XVI, cor respondeu, a princípio, à delineação do papel das metrópoles e das colônias no contexto da produção e do comércio internacional. Coube às colônias o forneci mento de produtos agrícolas, como cana-de-açúcar, tabaco e algodão, e de especiarias e metais preciosos, que eram comercializados pelas metrópoles na Europa com grandes lucros.
No final do século XVIII, a Revolução Industrial desencadeou a desestruturação do sistema colonial, ou seja, da exclusividade de comércio imposta pelas metrópoles às suas colônias. A industrialização exigia maiores quantidades de matérias-primas e mais consumidores para as mercadorias, que passavam a ser produzidas em larga escala.
Nesse contexto, teve início, entre o final do século XVIII e o início do século XIX, o processo de independência de várias colônias, sob influência dos ideais da Re volução Francesa. No entanto, a independência política não trouxe independência econômica, tampouco modificou a realidade social das ex-colônias. Por outro lado, os países industrializados ampliaram sua capacidade produtiva e sua margem de lucro, intensificando as diferenças econômicas e sociais em relação aos países exportadores de matérias-primas.
A Divisão Internacional do Trabalho, portanto, caracteriza a interdependência entre as atividades econômicas realizadas em diferentes partes do globo e o pa pel que cada país ou cada região ocupa na economia mundial, considerando o que produz, o que exporta e o que importa, entre outros aspectos. Essa divisão do trabalho em âmbito internacional só ocorreu com a conso lidação do sistema capitalista, que integrou a economia mundial e estabeleceu, em cada uma de suas fases de evolução, o papel que cabia a cada região ou país.
Os Estados tiveram participação significativa na instalação das unidades
de produção dessas empresas em seus territórios, pois foi necessário construir
toda uma infraestrutura energética, de sistemas de telecomunicações e redes de
transporte, entre outras.
O desenvolvimento dos meios de transporte
e das telecomunicações acrescentou outras características à nova Divisão Inter
nacional do Trabalho. Ela está organizada em redes de produção, por meio das
quais uma empresa transnacional contrata empresas em outras partes do mundo
para realizar a atividade produtiva ou a distribuição e comercialização de seus
produtos. Os países centrais concentram a fabricação de produtos de tecnologias
mais sofisticadas, o desenvolvimento de novos produtos, o setor de marketing, os
serviços financeiros e a gerência administrativa das grandes empresas.
A nova Divisão Internacional do Trabalho
No século XX, principalmente a partir de 1950, ocorreu a chamada industria lização tardia, que se caracterizou pela concentração industrial em países como Brasil, México e Argentina, na América Latina; África do Sul, no continente africa no; e, a partir da década de 1960, Coreia do Sul, Taiwan, Cingapura e outros países da Ásia.
Esse processo ocorreu por meio das transnacionais, que instalaram filiais em diversas partes do mundo, particularmente nos países atualmente denomi nados emergentes, pelo fato de oferecerem condições vantajosas: matérias-pri mas, mercado consumidor, mão de obra abundante e barata e baixos impostos. De modo geral, a industrialização desses países acabou atendendo a interes ses específicos das indústrias transnacionais, com algumas exceções, como em Taiwan e, sobretudo, na Coreia do Sul, onde o apoio estatal permitiu a formação de grandes corporações.
Esse contexto deu origem a uma nova Divisão Internacional do Trabalho, na qual alguns países em desenvolvimento, além de produzir e exportar matérias-primas agrícolas e minerais, transformaram-se em produtores e exportadores de produtos industrializados.
Características do desenvolvimento
e dos países em desenvolvimento
Para começar, analisamos alguns fatores que permitem classificar
um país como “desenvolvido” ou “em desenvolvimento”, considerando o contexto
mundial. Após conhecer as características gerais desses dois grupos, você vai
analisar a seguir aspectos econômicos e sociais mais específicos.
Os países desenvolvidos ou do centro são grandes polos financeiros e tecnolgicos mundiais e dominam as grandes decisões políticas e econômicas internacio
nais. Entretanto, como visto anteriormente, os países emergentes também vêm in
fluenciando as decisões tomadas no âmbito financeiro e econômico internacional.
Nos países desenvolvidos predominam as atividades econômicas industriais, comerciais e de serviços.
A agricultura é praticada com o auxílio de técnicas
modernas e com elevado índice de mecanização, diminuindo a necessidade de
mão de obra. Uma pequena parcela da população se dedica ao setor primário.
Em muitos países desenvolvidos, esse percentual não chega a 5% da Popula
ção Economicamente Ativa (PEA), como no caso dos Estados Unidos, do Canadá
e da Austrália, por exemplo.
Nos países em desenvolvimento, a situação é bem diferente, apesar da diversidade de condições socioeconômicas. A agropecuária e o extrativismo são
as principais atividades praticadas nesses países e, de modo geral, sobretudo na
África e em alguns países da Ásia, essas atividades são praticadas de forma rudimentar, apresentando baixa produtividade.
A presença de uma atividade industrial amplamente diversificada, com
alguns setores de tecnologia mais avançada, embora dependente dos países
desenvolvidos, é restrita a poucos países que se industrializaram na segunda
metade do século XX.
Nos países em desenvolvimento, uma pequena parcela da população desfru
ta de boas condições de vida, equiparadas às da população dos países desenvol
vidos. Entretanto, a maioria da população se alimenta de forma insuficiente, mora
em habitações precárias e apresenta alto índice de analfabetismo, entre outros
indicadores negativos que justificam a baixa expectativa de vida em boa parte
desse grupo de países.
A escolarização de uma parcela significativa da população desses países é
deficiente, o que compromete a qualificação profissional e o desenvolvimento socioeconômico futuro na maior parte dos países desse grupo.
O índice de mortalidade infantil, elevado em comparação ao dos países desenvolvidos, ocorre em
função de desnutrição das mães e dos recém-nascidos e das más condições de
saúde e higiene oferecidas à população.
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