Riquezas exploradas
O continente africano é rico em recursos naturais. Desde meados do século XX, essa riqueza foi disputada e explorada pelas potências neocoloniais. Hoje, a África continua a ser explorada, mas pelas grandes empresas transnacionais.
Grande parte do território africano é constituída por terrenos de estruturas geológicas antigas. Essas formações proporcionam ao continente grande quantidade de minérios, principalmente metálicos. A África tem as maiores reservas de metais preciosos do mundo, sendo responsável por 50% da produção de diamantes e por metade das reservas de ouro do planeta.
Contudo, o lucro obtido com a extração de petróleo, gás natural, carvão mineral, ferro, níquel, ouro, dia mante e outros minerais não é suficiente para alavancar as economias locais e o desenvolvimento dos países africanos.
As atividades das empresas transnacionais que exploram os recursos do continente africano, além de causarem danosos impactos ao meio ambiente, não promovem melhorias para as popu lações locais. Combustíveis fósseis, matérias-primas, minérios e até mesmo a água têm sido alvo de disputa de interesses econômicos e políticos.
Recursos minerais e energéticos
A África apresenta grande diversidade de recursos naturais com alto potencial econômico. Essa
característica tem despertado o interesse de vários países, que deixaram de vê-la apenas como uma
região pobre e carente de infraestruturas e passaram a enxergá-la como um continente de oportunidades.
Os recursos minerais são os principais produtos de exportação de vários países africanos.
Em 2020, a Zâmbia foi o país que mais exportou cobre no mundo, e Botsuana foi o oitavo maior
exportador de diamantes. A África do Sul está entre os maiores produtores mundiais de ouro.
O continente africano possui cerca de 7,5% das reservas mundiais de petróleo e gás natural
e 6% das reservas de carvão mineral, os recursos energéticos mais consumidos do mundo.
As maiores reservas de petróleo do continente estão no Norte da África – especialmente na
Argélia e na Líbia – e no Golfo da Guiné, onde estão localizados Nigéria, Congo, Gabão, Camarões
e Guiné Equatorial.
Os maiores produtores são Nigéria, Angola, Argélia e Líbia, que, juntos, detêm
cerca de 80% da produção do continente. Os principais destinos do petróleo africano são Europa,
Estados Unidos e China.
Quanto ao gás natural, as reservas se concentram na Argélia, no Egito e na Líbia, mas o maior
produtor é a Nigéria. Em relação ao carvão mineral, a África do Sul possui as maiores reservas e
está entre os principais produtores mundiais.
Apesar da grande disponibilidade de recursos energéticos, a principal fonte de energia utilizada na África ainda é a lenha, proveniente das grandes áreas de Florestas Equatoriais e Tropicais
e das Savanas. A energia hidrelétrica é explorada principalmente nas bacias hidrográficas dos rios
Zambeze, Congo, Nilo e Níger, mas as usinas não apresentam grande produção, um dos fatores
que dificulta o desenvolvimento da indústria no continente.
Embora o extrativismo mineral seja uma atividade central em muitos países africanos, ela não
beneficia a maioria da população. A exploração em jazidas profundas é realizada principalmente
por empresas estrangeiras, geralmente europeias, estadunidenses, chinesas e japonesas, que
dominam o mercado e a produção.
Nas jazidas superficiais, em geral, a exploração é realizada por garimpeiros que utilizam
técnicas simples de extração, trabalhando por baixos salários e em condições precárias.
A exploração de carvão mineral
Moçambique dispõe de jazidas de carvão mineral que estão entre as maiores do mundo. Atualmente, a extração desse minério consolidou-se como a
maior fonte de exportação para o país. No entanto, os
acordos firmados com as transnacionais vêm se mostrando mais vantajosos para as empresas do que para os
cidadãos locais e para o meio ambiente.
Pesquisas constataram contaminação das águas
superficiais da região da bacia carbonífera de Moatize,
impactando diretamente a comunidade que faz uso dela.
Além disso, na área onde há carregamentos e descarrega
mentos de carvão mineral há muita poeira. No ar, a presença
de poluentes como dióxido de enxofre, óxidos de nitrogênio
e monóxido de carbono causa poluição atmosférica e pode
ser prejudicial à saúde da população.
A extração de petróleo
A Nigéria é um dos maiores produtores de petróleo do
mundo e membro da Opep. Segundo relatórios dessa organização, no início de 2018 a Nigéria havia ultrapassado Angola como o maior
produtor africano de petróleo, com mais de 1,8 milhão de barris
por dia.
Por trás desses números escondem-se danos imensuráveis
ao meio ambiente e à saúde pública. Uma das áreas mais afeta
das pela exploração do petróleo é o Delta do Níger, ao sul do país.
A região é um dos polos petroleiros nigerianos mais produtivos
e ao mesmo tempo mais poluentes. De acordo com estimativas,
mais de 6,5 mil vazamentos já foram registrados na região.
Em 2008, dois derramamentos de petróleo em Ogoniland
levaram as comunidades locais a se aliar a organizações não
governamentais. O cenário de Ogoniland contava com manchas
de óleo de centímetros de espessura que cobriam o mar, os rios e
os lagos, nos quais não era mais possível encontrar peixes e crustáceos, bem como terras onde já não se podia plantar e colher,
pondo em risco a reprodução da vida nas comunidades locais.
Além das manchas de óleo, que impossibilitaram a pesca
e a agricultura, os derrames de petróleo atingiram os lençóis
freáticos da região, colocando o abastecimento de água potável
em risco. Já a queima do gás – proibida por lei desde 1984, mas
nunca interrompida – vem causando doenças respiratórias em
toda a população.
A corrida do ouro
O continente africano tem mais da metade das
reservas de ouro do mundo. Tanzânia, Mali, Gana
e África do Sul estão entre os maiores produtores.
Apesar disso, os três primeiros apresentam baixo
índice de desenvolvimento humano, enquanto a
África do Sul ostenta apenas um modesto médio
desenvolvimento.
O uso de mercúrio em jazidas de ouro, com a
finalidade de separar o metal precioso do minério
bruto, causa um problema ambiental de alcance
global. Quando descartado, o mercúrio contamina
as águas dos rios nos quais ocorre a lavagem dos
minérios. Esse metal, pesado e muito tóxico, é acumulado no organismo dos animais e da vegetação desses rios. Se peixes con
taminados por mercúrio forem consumidos na alimentação humana, há sérios
riscos de desenvolvimento de doenças fatais.
Medidas de restrição do uso de mercúrio já foram tomadas em países desen
volvidos, o que levou esse problema ambiental a se concentrar em pequenos
garimpos nos países mais pobres, de fiscalização ineficaz, como os africanos.
Pesquisas indicaram que as águas do Lago Vitória apresentam concentrações de mercúrio elevadas, principalmente nas regiões próximas a grandes
minas de ouro. O risco de intoxicação humana pode ser direto, pela população
ribeirinha que utiliza a água para consumo e higiene, ou indireto, por meio do
consumo de peixe e gado expostos à água do lago.
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