sábado, 14 de fevereiro de 2026

A ÁFRICA E SUAS REGIÕES

O continente africano também pode ser regionalizado com base na localização geográfica dos países, formando cinco grandes conjuntos.  Essa divisão se apresenta da maneira exposta a seguir. 
África Setentrional: Argélia, Egito, Líbia, Marrocos, Sudão, Tunísia, Saara Ocidental. 
África Ocidental: Benin, Burkina Fasso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa, Togo. 
África Central: Angola, Camarões, República Centro-Africana, Chade, Congo, República Democrática do Congo, Guiné Equatorial, Gabão, São Tomé e Príncipe. 
África Oriental: Burundi, Comores, Djibuti, Eritreia, Etiópia, Quênia, Madagascar, Malauí, Maurício, Moçambique, Ruanda, Seicheles, Somália, Sudão do Sul, Uganda, Tanzânia, Zâmbia, Zimbábue.
África Meridional: Botsuana, Lesoto, Namíbia, África do Sul, Reino Eswatini (ex-Suazilândia, que teve seu nome modificado em abril de 2018, por decisão do Rei Mswati III).
Vamos utilizar a regionalização geográfica para estudar o continente africano.

A África Oriental


Também conhecida como Leste da África, a África Oriental é formada por países como Etiópia, Tanzânia, Quênia, Madagascar, Eritreia, Uganda, Moçambique, entre outros. Apresenta grande diversidade política, econô mica, linguística, geográfica e populacional, abrangendo vasta área geográfica, a qual se estende do oceano Índico até o Mar Vermelho. Seus principais critérios unificadores são as históricas relações comerciais com a Ásia, principalmente com o Oriente Médio. A região foi marcada, por décadas, pela instabilidade política (tensões internas, golpes de Estado, conflitos armados, entre outros) em grande parte dos países da região.

A África Meridional 


A África Meridional abarca a África do Sul, Namíbia, Botsuana, Zimbábue, Madagascar, Moçambique, Zâmbia e Angola. A África do Sul é o país de maior destaque econômico na região. Foi colonizada por holandeses e, posteriormente, por ingleses, e, em 1961, tornou-se independente. O Partido Nacional liderou o estabelecimento de um regime de estrita segregação racial (apartheid), que perdurou até 1994, quando Nelson Mandela (1918-2013) liderou a vitória eleitoral do partido Congresso Nacional Africano (CNA), após passar décadas preso por lutar contra o regime. Só então o país foi readmitido na Commonwealth of Nations, ou Comunidade das Nações, e nos demais organismos interna cionais, de onde havia sido expulso por adotar o apartheid.
A África do Sul está entre os 17 países do mundo considerados megadiversos pelo Centro Mundial de Monitoramento da Conservação (WCMC, na sigla em inglês), ou seja, aqueles que concentram a maioria das espécies da Terra. Essa característica dá a base para o forte setor de ecoturismo do país, centrado, princi palmente, no sistema de parques nacionais e de áreas protegidas.

A África Setentrional


A África Setentrional é a região africana com maior homogeneidade étnico-cultural, pois reúne países que passaram por colonização e ocupação árabe no passado e que, portanto, apresentam fortes características étnicas e culturais relacionadas a esse mundo.
Nela, destaca-se um grupo de países conhecido como Magreb, palavra árabe que significa “lugar do poente”, ou “oeste”. Na tradição geográfica árabe, eram incluídos no Magreb Espanha, Portugal, Sicília e Malta. Atualmente, consideram-se como países desse grupo Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia.
De tradição islâmica, o Marrocos é um país muçulmano que tem o turismo como um forte setor econômico. As demais atividades econômicas do Marrocos estão voltadas para o setor primário, como a produção de frutas, amêndoas, olivas e flores e a exploração mineral do fosfato. A Argélia é um dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A exportação de petróleo e de gás natural é muito importante para a economia do país. Apesar de abrigar grandes reservas de combustíveis fósseis, o desenvolvimento de atividades industriais não é um grande destaque – há, no entanto, uma tendência de diversificação da economia argelina, que conta com mão de obra qualificada nas cidades. A migração de jovens escolarizados para países europeus, especialmente para a França, e norte-americanos é uma das questões sociais a serem enfrentadas pelo país.
O Egito é outro país da África Setentrional. Sua economia sempre esteve relacionada à ferti lidade das margens do Rio Nilo, o único rio perene que atravessa o deserto no país. Praticamente toda a sua agricultura concentra-se em quase 25 mil km2 ao longo do vale e do delta do Rio Nilo. O Cairo, capital do Egito, é a maior cidade da região do vale do Nilo, onde vivem aproximadamente 11 milhões de pessoas (contando a população da área metropolitana, são 18 milhões). A cidade apresenta problemas semelhantes aos da maioria das metrópoles dos países em desenvolvimento: falta de planejamento urbano, trânsito congestionado, enchentes, transporte coletivo insuficiente, déficit de moradias e precariedades relacionadas à saúde e à educação.
A indústria egípcia é diversificada. Na área de tecnologia da informação, o país tem se destacado, principalmente, no desenvolvimento do serviço de telefonia celular.
O país exporta gás natural e construiu um gasoduto em sociedade com a Jordânia. Há pro jetos de extensão desse gasoduto em direção à Síria, com conexões futuras para Turquia, Líbano e Chipre. O Egito também é importante rota para o óleo enviado do Golfo Pérsico à Europa e aos Estados Unidos.
A operação do Canal de Suez é significativa fonte de receita para o governo egípcio, pois são cobradas taxas para a travessia. Ele é uma importante rota de trânsito de petróleo e de gás natural, sendo a única via alternativa para transportar petróleo bruto do Mar Vermelho ao Mediterrâneo.

A África Ocidental


Localizada na porção oeste do sul do Saara, a África Ocidental é formada por vários pequenos países. Tal configuração geoespacial é consequência das intensas relações comerciais com os europeus, que estabeleciam alianças com alguns líderes locais, em detrimento de outros povos, o que causou significativa subdivisão do território. Na região, estão algumas das principais bacias hidrográficas do continente (dos rios Congo, Níger e Senegal e do Lago Chade).
A Nigéria, país com grande riqueza mineral e potencial agrícola, concentra a maior parte dos habitantes da região: são mais de 200 milhões. O país, no entanto, enfrenta problemas resultantes das divisões dos principais grupos étnicos internos: iorubás, ibos e hauçás.
A República Democrática do Congo é o maior país africano, com cerca de 2,34 milhões de km². O subsolo da região é rico em reservas minerais de cobre, diamante, petróleo, estanho e coltan. No ano de 2019, o país foi responsável por cerca de 71% da produção de cobalto do mundo e é o detentor das maiores reservas desse minério.
A demanda por cobalto tem crescido bastante nos últimos anos, por causa das altas produções de eletrônicos e da mudança no consumo energético. O setor mineral corresponde a 80% das exportações da República Democrática do Congo e apresentou um crescimento de 4% a 7% entre os anos de 2010 e 2019, de acordo com dados divulgados pelo Banco Mundial.

A África Central


A África Central é a região do continente por onde passa a linha do equador e onde predo mina o clima equatorial. Além disso, a Floresta do Congo (exemplo de Floresta Equatorial) é uma das principais do continente. É formada por países como Angola, Camarões, Congo, República Democrática do Congo, Chade, República Centro-Africana e Gabão, por exemplo.
Um dos países mais relevantes da região, Angola é marcada por muitos conflitos. Após a colonização portuguesa, em 1975, Angola tornou-se um país independente, de orientação socialista, mas os problemas sociais e econômicos, assim como a guerra civil, não cessaram. Os conflitos entre o governo, dirigido pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), e os guerrilheiros da União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita) só terminaram com o cessar-fogo de 2002.
Após o fim da guerra civil, o país tem experimentado uma fase de desenvolvimento, basica mente alimentada pela indústria do petróleo. Esse recurso mineral é responsável por outro foco de tensão regional, pois seu principal polo de produção se situa no exclave de Cabinda, que fica ao norte do território contínuo de Angola, localizado entre o Congo e a República Democrática do Congo. O crescimento econômico de Angola tem atraído imigrantes provenientes, principalmente, da República Democrática do Congo e da China.

Indústria e serviços na África


O desenvolvimento das atividades industriais não ocorreu de forma efetiva em toda a África. As matérias-primas, principalmente os recursos minerais que poderiam impulsionar as indústrias locais, abastecem o mercado externo, contribuindo, assim, para o desenvolvimento industrial de países em outros continentes. A industrialização também foi prejudicada pelo longo tempo de subordinação à política imperialista europeia.
Os colonizadores europeus exploravam matéria-prima a baixíssimo custo e a levavam para ser transformada na Europa. Depois, vendiam os produtos industrializados aos países africanos. Não houve, portanto, incentivos e investimentos das metrópoles para o desen volvimento da indústria na África, evitando a concorrência com os produtos europeus e a perda de mercados consumidores.
Outros fatores também colaboraram para o lento desenvolvimento industrial em muitos países africanos, como forte dependência econômica em relação às antigas metrópoles, escas sez de capital, carência de mão de obra qualificada, infraestrutura urbana de transportes e de produção energética deficitária, pequeno mercado consumidor, além de conflitos internos e entre países do continente.
A África do Sul conta com o maior e mais diversificado parque industrial do continente, com destaque para os setores siderúrgico, metalúrgico, automobilístico, químico, têxtil e petroquímico. A industrialização do país foi favorecida pela riqueza em recursos minerais e pela existência de uma elite que, mesmo após a independência, permaneceu no poder e manteve-se fortemente associada à antiga metrópole, a Inglaterra, favorecendo a entrada de capitais de empresas estrangeiras. A industrialização da África do Sul é um dos fatores que contribuem para que o país seja classificado como “emergente”, integrando, inclusive, os chamados Brics, junto com Brasil, Rússia, Índia e China.
Em outros países do continente africano, a atividade industrial está voltada, principalmente, para o beneficiamento de produtos agrícolas, como soja, cana-de-açúcar, algodão e café, ou seja, é formada por usinas de açúcar, fábricas de tecido, torrefadoras de café e fábricas de sucos concentrados e de óleo vegetal, produzindo para o abastecimento do mercado interno.

O setor de serviços (terciário) – que inclui atividades como saúde, educação, transportes, comunicação e entretenimento, entre outros – tem importante participação na economia de muitos países africanos. Em 2020, era o setor de maior participação no PIB da Nigéria (46,4%), da África do Sul (64,6%) e do Egito (51,8%), por exemplo.
A ampliação do terciário, no geral, tem relação com a industrialização e, principalmente, com o crescimento urbano.
O processo de industrialização de um país é bastante complexo, pois não se refere apenas à instalação de fábricas. Integrada à produção industrial, ocorre a expansão de infra estrutura (estradas, portos, sistemas de comunicação etc.) e de serviços diversos (bancários e administrativos, por exemplo).
O crescimento urbano impulsiona o desenvolvimento de diversas atividades, como comércio, transporte urbano, saúde, educação, tecnologias da comunicação, lazer e entretenimento, entre outros. O aumento de investimentos estrangeiros nos países africanos tem contribuído para dina mizar essas diversas atividades.
A produção cinematográfica é uma das inúmeras atividades que compõem o setor de serviços. Nollywood, como é conhecida a “indústria” cinematográfica da Nigéria, é a segunda mais produtiva do mundo, superando Hollywood, dos Estados Unidos, e ficando atrás apenas de Bollywood, da Índia.

Atividades agropecuárias na África

As atividades agropecuárias têm importante papel na economia e na sociedade africanas, correspondendo a parte significativa do Produto Interno Bruto (PIB) e das exportações do continente. Grande parcela da força de trabalho está empregada na agricultura. Desde o século XIX, os africanos convivem basicamente com três tipos de produção agrícola:
- plantations: grandes propriedades monocultoras com produção voltada ao mercado externo. Geralmente, pertencem a empresas estrangeiras, ou à elite local, e ocupam as terras mais férteis do continente. Algumas propriedades empregam grande quantidade de trabalhadores e outras são altamente mecanizadas. Entre os principais produtos cultivados, estão cana-de-açúcar, café, algodão, cacau, amendoim, banana, abacaxi e chá. 
- agricultura mediterrânea: desenvolve-se em parte do litoral norte do continente – onde se destaca a produção de uva, laranja, pêssego e azeitona, especialmente nos países que compõem a região do Magreb. Também é realizada em certas áreas da África do Sul. 
- agricultura de subsistência: praticada por agricultores familiares, caracteriza-se pela utilização de instrumentos agrícolas simples e métodos tradicionais de cultivos. A produção é pequena, geralmente destinada ao consumo dos próprios produtores e vendida no mercado local. Os principais produtos cultivados são arroz, milho, mandioca e batata-doce.
É importante destacar que os melhores solos africanos para plantio são ocupados pelas grandes empresas agrícolas, enquanto a população rural, em geral, ocupa áreas de solos menos férteis ou degradados.
Em muitos países do continente africano, os extensos períodos de seca aliados à falta de investimentos em técnicas agrícolas – como irrigação e plantação em estufas – dificultam o plantio, principalmente nas áreas desérticas. Nas regiões mais úmidas, o uso inadequado de práticas de manejo leva à baixa produtividade e ao esgotamento dos solos. 

Em relação à pecuária, predomina a criação extensiva ou tradicional, desenvolvida em pequenas propriedades rurais com número reduzido de animais. A produção é destinada princi palmente ao abastecimento de carne ou leite para a família do criador e para o mercado local.
A pecuária intensiva ou moderna está presente em poucos países. É mais comum em grandes propriedades na África do Sul e na Etiópia, que estão entre os maiores produtores de ovinos e bovinos do continente. Na pecuária intensiva, são utilizados modernos equipamentos e técnicas, com controle de alimentação, saúde e higiene dos animais. Geralmente, o rebanho fica confinado e destina-se ao fornecimento de leite e carne para grandes mercados consumidores. 
Na África, os principais problemas relacionados ao desenvolvimento da pecuária são o des matamento e a prática de queimadas para abertura de pastagens. Além de contribuírem para a perda de fertilidade dos solos, ambas as práticas reduzem a biodiversidade, colocando em risco os recursos hídricos e colaborando para o agravamento das mudanças climáticas. Outra ameaça é a compactação do solo pelo pisoteio do gado. Embora o problema não seja restrito ao continente, é responsável pela degradação de extensas áreas de solo.

A ÁFRICA E SUAS REGIÕES

O continente africano também pode ser regionalizado com base na localização geográfica dos países, formando cinco grandes conjuntos.  Essa d...