sábado, 14 de fevereiro de 2026

Atividades agropecuárias na África

As atividades agropecuárias têm importante papel na economia e na sociedade africanas, correspondendo a parte significativa do Produto Interno Bruto (PIB) e das exportações do continente. Grande parcela da força de trabalho está empregada na agricultura. Desde o século XIX, os africanos convivem basicamente com três tipos de produção agrícola:
- plantations: grandes propriedades monocultoras com produção voltada ao mercado externo. Geralmente, pertencem a empresas estrangeiras, ou à elite local, e ocupam as terras mais férteis do continente. Algumas propriedades empregam grande quantidade de trabalhadores e outras são altamente mecanizadas. Entre os principais produtos cultivados, estão cana-de-açúcar, café, algodão, cacau, amendoim, banana, abacaxi e chá. 
- agricultura mediterrânea: desenvolve-se em parte do litoral norte do continente – onde se destaca a produção de uva, laranja, pêssego e azeitona, especialmente nos países que compõem a região do Magreb. Também é realizada em certas áreas da África do Sul. 
- agricultura de subsistência: praticada por agricultores familiares, caracteriza-se pela utilização de instrumentos agrícolas simples e métodos tradicionais de cultivos. A produção é pequena, geralmente destinada ao consumo dos próprios produtores e vendida no mercado local. Os principais produtos cultivados são arroz, milho, mandioca e batata-doce.
É importante destacar que os melhores solos africanos para plantio são ocupados pelas grandes empresas agrícolas, enquanto a população rural, em geral, ocupa áreas de solos menos férteis ou degradados.
Em muitos países do continente africano, os extensos períodos de seca aliados à falta de investimentos em técnicas agrícolas – como irrigação e plantação em estufas – dificultam o plantio, principalmente nas áreas desérticas. Nas regiões mais úmidas, o uso inadequado de práticas de manejo leva à baixa produtividade e ao esgotamento dos solos. 

Em relação à pecuária, predomina a criação extensiva ou tradicional, desenvolvida em pequenas propriedades rurais com número reduzido de animais. A produção é destinada princi palmente ao abastecimento de carne ou leite para a família do criador e para o mercado local.
A pecuária intensiva ou moderna está presente em poucos países. É mais comum em grandes propriedades na África do Sul e na Etiópia, que estão entre os maiores produtores de ovinos e bovinos do continente. Na pecuária intensiva, são utilizados modernos equipamentos e técnicas, com controle de alimentação, saúde e higiene dos animais. Geralmente, o rebanho fica confinado e destina-se ao fornecimento de leite e carne para grandes mercados consumidores. 
Na África, os principais problemas relacionados ao desenvolvimento da pecuária são o des matamento e a prática de queimadas para abertura de pastagens. Além de contribuírem para a perda de fertilidade dos solos, ambas as práticas reduzem a biodiversidade, colocando em risco os recursos hídricos e colaborando para o agravamento das mudanças climáticas. Outra ameaça é a compactação do solo pelo pisoteio do gado. Embora o problema não seja restrito ao continente, é responsável pela degradação de extensas áreas de solo.

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