As atividades agropecuárias têm importante papel na economia e na sociedade africanas, correspondendo a parte significativa do Produto Interno Bruto (PIB) e das exportações do continente. Grande parcela da força de trabalho está empregada na agricultura. Desde o século XIX, os africanos convivem basicamente com três tipos de produção agrícola:
- plantations: grandes propriedades monocultoras com produção voltada ao mercado externo.
Geralmente, pertencem a empresas estrangeiras, ou à elite local, e ocupam as terras mais férteis
do continente. Algumas propriedades empregam grande quantidade de trabalhadores e outras
são altamente mecanizadas. Entre os principais produtos cultivados, estão cana-de-açúcar, café,
algodão, cacau, amendoim, banana, abacaxi e chá.
- agricultura mediterrânea: desenvolve-se em parte do litoral norte do continente – onde
se destaca a produção de uva, laranja, pêssego e azeitona, especialmente nos países que
compõem a região do Magreb. Também é realizada em certas áreas da África do Sul.
- agricultura de subsistência: praticada por agricultores familiares, caracteriza-se pela utilização
de instrumentos agrícolas simples e métodos tradicionais de cultivos. A produção é pequena,
geralmente destinada ao consumo dos próprios produtores e vendida no mercado local. Os
principais produtos cultivados são arroz, milho, mandioca e batata-doce.
É importante destacar que os melhores solos africanos para plantio são ocupados pelas
grandes empresas agrícolas, enquanto a população rural, em geral, ocupa áreas de solos menos
férteis ou degradados.
Em muitos países do continente africano, os extensos períodos de seca aliados à falta de
investimentos em técnicas agrícolas – como irrigação e plantação em estufas – dificultam o plantio,
principalmente nas áreas desérticas. Nas regiões mais úmidas, o uso inadequado de práticas de
manejo leva à baixa produtividade e ao esgotamento dos solos.
Em relação à pecuária, predomina a criação extensiva ou tradicional, desenvolvida em
pequenas propriedades rurais com número reduzido de animais. A produção é destinada princi
palmente ao abastecimento de carne ou leite para a família do criador e para o mercado local.
A pecuária intensiva ou moderna está presente em poucos países. É mais comum em
grandes propriedades na África do Sul e na Etiópia, que estão entre os maiores produtores de
ovinos e bovinos do continente. Na pecuária intensiva, são utilizados modernos equipamentos e
técnicas, com controle de alimentação, saúde e higiene dos animais. Geralmente, o rebanho fica
confinado e destina-se ao fornecimento de leite e carne para grandes mercados consumidores.
Na África, os principais problemas relacionados ao desenvolvimento da pecuária são o des
matamento e a prática de queimadas para abertura de pastagens. Além de contribuírem para a
perda de fertilidade dos solos, ambas as práticas reduzem a biodiversidade, colocando em risco os
recursos hídricos e colaborando para o agravamento das mudanças climáticas. Outra ameaça é a
compactação do solo pelo pisoteio do gado. Embora o problema não seja restrito ao continente,
é responsável pela degradação de extensas áreas de solo.
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