quarta-feira, 5 de agosto de 2026

PARTO

A gravidez se conclui com o parto, evento em que tanto o bebê quanto a placenta saem do organismo materno. O parto pode ocorrer de maneira normal (natural) ou ser realizado por meio de uma cirurgia denominada parto cesárea.
Geralmente, ao final das 38 semanas, o bebê já está pronto para nascer. No parto natural, o corpo da mulher se prepara para permitir a saída do bebê pelo canal da vagina. A musculatura do útero começa a contrair e relaxar, o âmnio se rompe, e o líquido amniótico sai pela vagina. O rompimento da bolsa amniótica é sinal de que o parto teve início. A intensidade e a frequência das contrações uterinas aumentam até levar à expulsão do bebê pelo canal da vagina. 
No parto normal, ocorrem inicialmente contrações uterinas, estimuladas pela ocitocina e outros hormônios, que promovem a abertura do colo do útero, seguidas de contrações que expulsam o bebê para o ambiente externo, pela vagina da mãe.  Esse processo tem duração variável e pode demorar algumas horas.
Em determinadas situações, o parto natural pode apresentar risco para a vida da mãe ou do bebê. Nesses casos, o parto pode ser feito por um procedimento cirúrgico chamado cesariana. Nele, faz-se um corte através do abdômen e do útero maternos, por onde o bebê é retirado.  Esse tipo de parto é recomendado apenas nos casos em que existam complicações que impeçam a saída natural do bebê pela vagina ou quando há riscos para a mãe ou para o bebê.
Após o nascimento, o cordão umbilical do bebê é cortado e amarrado pelo médico (o bebê não sente dor nesse procedimento). Depois de alguns dias, o pedaço de cordão umbilical que ficou no corpo do bebê seca e cai, deixando uma marca, que é o umbigo.

GRAVIDEZ

Caso ocorra a fecundação, os níveis de estrógeno e progesterona são mantidos, o que evita a eliminação do endométrio. Assim, a parede uterina permanece espessa e cheia de vasos sanguíneos, sendo um ambiente apropriado para a fixação e o desenvolvimento do embrião. Podemos dizer, então, que a ausência de menstruação pode ser um dos primeiros sinais de uma gravidez.

Fecundação 


A ocorrência da gestação depende do encontro dos gametas masculino e feminino na fecundação. Durante o ato sexual, ao ejacular, um homem pode introduzir milhões de espermatozoides no interior da vagina de uma mulher, os quais se locomovem até as tubas uterinas. Se a mulher estiver em seu período fértil, os espermatozoides podem encontrar um ovócito. Geralmente, apenas um espermatozoide é capaz de penetrar o ovócito. Da união dos gametas, forma-se um zigoto. 

No útero, o embrião se desenvolve. 


A gestação humana dura cerca de 38 a 40 semanas, ou aproximadamente nove meses. Durante esse tempo, ocorrem muitas mudanças no corpo da mulher e no embrião, que se desenvolve até formar um bebê.
O embrião se desenvolve dentro do âmnio, uma bolsa cheia de líquido amniótico, que tem por função protegê-lo de impactos mecânicos. Logo nas primeiras semanas de gravidez, forma-se, em volta do âmnio, a placenta, estrutura composta de tecidos maternos e fetais, pela qual ocorre a comunicação nutricional entre mãe e filho. O alimento e o gás oxigênio passam do sangue da mãe para o do filho, e excreções e gás carbônico passam do filho para a mãe. O embrião está ligado à placenta pelo cordão umbilical, estrutura tubular em que há duas artérias que levam o sangue do embrião até a placenta e uma veia que traz o sangue que circulou na placenta de volta para o embrião.
No fim da oitava semana depois da fecundação, os principais órgãos do embrião já estão formados e sua aparência já é reconhecidamente humana. Ele passa a ser chamado feto e ainda é bem pequeno, com cerca de 2,5 centímetros de comprimento. No decorrer das semanas, o feto cresce e se desenvolve bastante até estar pronto para nascer.

Gestação 


O zigoto sofre inúmeras divisões por mitose e, em condições normais, segue em direção ao útero. Essas divisões celulares se iniciam de 24 a 30 horas após a fecundação; cerca de 3 a 4 dias depois, o conjunto de células formado passa a ser chamado mórula. 
Modificações nas células e na estrutura da mórula podem ser observadas a partir do 5o dia após a fecundação. Esse estágio do desenvolvimento é chamado blastocisto. Cerca de 6 dias após a fecundação, o blastocisto implanta-se no útero, dando início à gestação. 
A gestação é o nome dado à condição em que um (ou mais de um) embrião, abrigado no útero, desenvolve-se até a formação de um novo indivíduo. A gestação humana dura, em média, 38 semanas. A partir da 9a semana de gestação, o embrião passa a ser chamado feto.

Depois da implantação no endométrio, as células do embrião começam a formar grupos, que darão origem a tecidos e órgãos. Também são formadas estruturas localizadas externamente ao embrião e que serão importantes para a sua proteção e nutrição, como: 
• Saco vitelínico: estrutura que fornece nutrientes ao embrião até o desenvolvimento do cordão umbilical. 
• Córion: envolve o embrião, possibilitando trocas gasosas com o corpo da mãe. 
• Âmnio: membrana que envolve o embrião e contém o líquido amniótico, uma mistura de água, sais minerais, gorduras e proteínas. Mergulhado nele, o embrião cresce protegido de choques mecânicos.
A partir da 3a semana do desenvolvimento, inicia-se a for mação do sistema nervoso e da notocorda, que será, posteriormente, substituída pela coluna vertebral. Ao fim da 4a semana, o coração já bate e bombeia sangue por vasos sanguíneos simples.
A placenta, órgão que permite as trocas gasosas e de nutrientes entre o bebê e a mãe, começa a funcionar e vai lentamente substituindo o saco vitelínico e o córion, que deixam de ter função. 
A placenta conecta o bebê e a mãe por meio do cordão umbilical, uma estrutura constituída de vasos sanguíneos que fazem o transporte de nutrientes, gases e outras substâncias. Com oito semanas, já estão presentes o encéfalo, os intestinos, o fígado, o pâncreas, o nariz, os olhos e os membros.
A partir da 12a semana, inicia-se a ossificação, principalmente dos ossos do crânio, do fêmur e do úmero. Na 14a semana, é possível observar o movimento dos olhos. Os órgãos genitais começam a se formar, tornando possível a identificação do sexo do bebê por imagens de ultrassom. 
Entre a 15a e a 17a semana, o feto começa a fazer movimentos que podem ser sentidos pela mãe. Entre a 20a e a 24a semana, o feto ganha massa e acumula uma camada de gordura, que vai fornecer a ele energia e calor após o nascimento. Ao final da 24a semana, unhas e cabelos estão presentes.
Até a 29a semana, os pulmões do feto são capazes de realizar trocas gasosas. Entre a 35a e a 38a semana, o feto cresce em velocidade reduzida. Com 38 semanas, o bebê tem, em média, 50 cm de comprimento e massa de 3,4 kg e está pronto para o nascimento.

A gestação de gêmeos 


Em geral, em cada gestação, apenas um embrião se desenvolve no útero materno. Entretanto, há casos de gravidez múltipla, quando se formam dois ou mais embriões. Os gêmeos monozigóticos, ou gêmeos idênticos, são formados de um único zigoto que, após as primeiras divisões celulares, dá origem a dois grupos de células independentes. Cada uma delas gera um embrião que origina um dos gêmeos. Nesse caso, ambos compartilham a mesma placenta. Eles têm o mesmo sexo, são fisicamente muito semelhantes e geneticamente idênticos. 
Os gêmeos dizigóticos, ou gêmeos fraternos, são formados a partir de duas fecundações distintas. Dois ovócitos são fecundados, cada um por um espermatozoide diferente, originando dois zigotos, que se desenvolvem em duas placentas. Os gêmeos dizigóticos podem ser de sexos iguais ou diferentes e ser tão semelhantes quanto dois irmãos de gestações diferentes seriam, pois são geneticamente diferentes.

Amamentação 


A amamentação, também chamada de aleitamento materno, deve ser iniciada logo após o nascimento. No entanto, durante as primeiras mamadas, o bebê não suga propriamente o leite, mas uma substância chamada colostro, que é rica em anticorpos e, portanto, protege o bebê contra várias doenças. Assim como o leite materno, o colostro é produzido pelas glândulas mamárias. 
Após alguns dias, o colostro é substituído pelo leite materno, um alimento completo para o bebê, pois, além de anticorpos, contém toda a água e todos os nutrientes de que o recém-nascido precisa para crescer e se desenvolver. 
A produção de leite materno é estimulada pelo hormônio prolactina e promovida pela sucção que o bebê realiza ao mamar. A ejeção do leite, por sua vez, é estimulada pelo hormônio ocitocina. Quanto mais o bebê mamar, maior será a produção de leite. 
 A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o leite materno seja o único alimento do bebê nos primeiros 6 meses de vida, pois contém os nutrientes ideais para que ele se mantenha saudável, além de evitar infecções gastrointestinais graves. Após esse período, outros alimentos podem ser introduzidos, mas é indicado que a amamentação continue até os 2 anos de idade.
A amamentação também fortalece o vínculo entre a mãe e o bebê, facilitado pelo contato pele a pele e olhos nos olhos. Além disso, amamentar contribui para a retração do útero, reduzindo o risco de hemorragias após o parto. Assim, a amamentação é importante não apenas para o bebê, mas também traz benefícios para a mãe.
 

MENSTRUAÇÃO

Todo mês, o corpo da mulher em idade reprodutiva se prepara para a fecundação e uma possível gravidez. A parede interna do útero, chamada endométrio, cresce, adquire mais células e vasos sanguíneos e se prepara para abrigar o embrião. Porém, nem sempre a fecundação ocorre. Nesses casos, o endométrio se rompe e parte dele é eliminada pela vagina, com o ovócito não fecundado e o sangue proveniente do rompimento dos vasos sanguíneos uterinos, processo denominado menstruação
Todo esse conjunto de acontecimentos, que se repete mensalmente, recebe o nome de ciclo menstrual. A menstruação é um acontecimento normal na vida da mulher. Conhecer como ocorre o ciclo menstrual coopera para a manutenção da saúde.
O ciclo menstrual é regulado por hormônios, dura em média de 28 a 30 dias e compreende alterações nos ovários e no útero. Como vimos, além do estrógeno e da progesterona, há ainda hormônios liberados pela hipófise.
Em linhas gerais, os hormônios hipofisários fazem um ovócito se desenvolver até o estágio de ovócito secundário. Em seguida, essa célula se solta do ovário e é lançada na tuba uterina – é a chamada ovulação. Assim que ela acontece, há um aumento dos níveis de estrógeno e de progesterona, hormônios produzidos nos ovários, que se encarregam do desenvolvimento do endométrio, preparando o útero para receber um possível embrião.
Se não houver fecundação, os níveis de hormônios diminuem e a menstruação ocorre. O primeiro dia da menstruação marca o início do ciclo menstrual. A menstruação dura em média de três a sete dias. A ovulação costuma acontecer 14 dias antes do primeiro dia da menstruação. Assim, em um ciclo de 28 dias, a ovulação é por volta do 14o dia. Porém, nos primeiros anos de menstruação, é comum a duração do ciclo ser irregular, variando de 21 a 38 dias. 
Algumas mulheres, mesmo depois de adultas, por razões diversas, apresentam ciclo irregular. Os dias próximos da ovulação são chamados período fértil e, neles, as chances de gravidez são maiores caso ocorram relações sexuais sem proteção. O período fértil compreende três dias antes e três dias depois da ovulação.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

REPRODUÇÃO E SEXO

Para a Biologia, sexo se refere às características físicas, fisiológicas e genéticas de um organismo que permitem distingui-lo entre macho e fêmea. 
Contudo, na linguagem cotidiana, a expressão “fazer sexo” geralmente se refere à interação entre indivíduos que envolve contato com os órgãos genitais, com ou sem o intuito reprodutivo. Nesse último caso, o termo científico é cópula ou relação sexual. 
A reprodução é uma característica dos seres vivos. É pela reprodução que as espécies se mantêm na Terra. Na espécie humana, na maioria das vezes, a reprodução envolve relações sexuais, que abrangem diversos outros fatores, além da capacidade de gerar descendentes. 
Entre esses fatores, podemos citar a sexualidade, a afetividade, o prazer, os sentimentos, as emoções, entre muitos outros. Sendo assim, reprodução não é o mesmo que sexo, embora esses dois conceitos estejam relacionados com sexualidade. 
A sexualidade vai além do que estuda a Biologia, pois diz respeito ao comportamento humano e ao de outros animais. Ela é uma característica inerente à vida e à saúde física, social e emocional e se expressa desde cedo, estando presente em todas as fases da vida. No ser humano, a sexualidade engloba o corpo e questões genéticas, afetivas e sociais e é construída ao longo da vida do indivíduo. Ela é influenciada por sua história, cultura, sentimentos e afetos, sendo própria de cada pessoa.
A sexualidade independe da potencialidade reprodutiva. Se sexo é a expressão biológica que define um conjunto de características anatômicas e funcionais, levando basicamente a dois caminhos – machos ou fêmeas –, a sexualidade é algo muito mais amplo. 
Cada sociedade tem conjuntos de regras que constituem parâmetros fundamentais que influenciam o comporta mento sexual e a expressão da sexualidade dos indivíduos.
Nas últimas décadas, tem-se falado muito sobre sexualidade. Percebe-se que há, frequentemente, uma idealização da vida sexual, dando a falsa impressão de que existe uma fórmula única de viver plenamente a sexualidade, um padrão sexual, um modelo rígido ao qual todas as pessoas devem se adaptar. Em nossa cultura, por vezes, há uma tendência de reduzir a sexualidade à sua função reprodutiva e concentrá-la no aspecto genital, sem levar em conta a importância dos sentimentos e das emoções dos envolvidos. 
Isso pode causar preconceito de alguns em relação a quem está fora dos estereótipos sexuais. Cada um pode viver bem, e plenamente, de seu jeito e conforme sua orientação sexual. O importante é fazê-lo com responsabilidade e ter direito à informação e espaço para expressar suas opiniões.
A descoberta da sexualidade vem acompanhada de sensações e emoções diferentes. Os hormônios sexuais têm papel fundamental nas mudanças que tornam o corpo apto à reprodução.
Biologicamente, a sexualidade é regulada por processos hormonais relacionados ao sistema nervoso. Os órgãos dos sentidos também desempenham papel importante na estimulação sexual. As expressões corporais, isto é, os olhares, gestos e movimentos, são meios de enviar mensagens.
Para a espécie humana, a sexualidade e o ato sexual estão ligados também à emoção e ao prazer. Por isso, é importante considerarmos que, na atração entre parceiros, há – além da produção hormonal – um conjunto de estímulos que afeta a ambos. 
A procura do parceiro ou da parceira na natureza, sua escolha e aceitação são um complexo processo de reconhecimento de qualidades, em geral físicas ou comportamentais. Esse reconhecimento é a fase inicial do relacionamento sexual. 
Viver a sexualidade é um direito de cada indivíduo. Há diferentes modos de sentir, expressar e se identificar em relação à sexualidade. A discriminação e o preconceito em nada contribuem para o crescimento pessoal e a convivência na sociedade.

ADOLESCÊNCIA: PERÍODO DE MUDANÇAS


Externamente, o corpo biologicamente masculino apresenta o pênis, e o feminino, a vulva. As características sexuais que os indivíduos apresentam desde o nascimento são chamadas características sexuais primárias. 
Durante a adolescência – período de transição entre a infância e a vida adulta –, ambos os sexos passam por grandes mudanças físicas, que são desencadeadas por hormônios. A produção desses hormônios, que estava inibida na infância, ocorre devido a estímulos do hipotálamo (região do cérebro com função reguladora de processos metabólicos) na hipófise (glândula do sistema nervoso). 
Esses hormônios atuam sobre as gônadas. Nos indivíduos do sexo masculino, as gônadas são os testículos e, nos indivíduos do sexo feminino, são os ovários.
Nos testículos, algumas células são estimuladas para produzirem espermatozoides (gametas masculinos), ao mesmo tempo em que é estimulada a produção de testosterona, hormônio sexual responsável pelo desenvolvimento das características sexuais secundárias masculinas (mudança da voz e aparecimento de pelos nas axilas, na região pubiana e no rosto). 
Nos ovários, é estimulado o amadurecimento de certas células que contêm os ovócitos (gametas femininos) e que vão produzir estrógeno, hormônio sexual responsável pelo desenvolvimento das características sexuais secundárias femininas (alargamento dos quadris, desenvolvimento das mamas e aparecimento de pelos nas axilas e na região pubiana). Ao mesmo tempo, outro hormônio hipofisário vai induzir a liberação dos gametas femininos amadurecidos, o que ocasiona a produção de mais estrógeno e de outro hormônio sexual, chamado progesterona, relacionado com o ciclo menstrual, que será estudado adiante.
O início da adolescência é conhecido por puberdade e não tem idade certa para acontecer. Ela costuma acontecer entre os 10 e 14 anos de idade e, nesse período, ocorre o amadurecimento dos órgãos sexuais e o corpo se torna fisiologicamente apto para a reprodução. 
Além das mudanças físicas, ocasionadas principalmente pelos hormônios, os adolescentes também passam por grandes mudanças comportamentais, que englobam alterações psicológicas e emocionais. As mudanças comportamentais têm influência cultural e social. É comum que nessa fase os adolescentes tenham a necessidade de independência e comecem a explorar seus sentimentos e seu corpo, iniciando o interesse sexual.

A puberdade masculina

No organismo masculino, os hormônios produzidos pela hipó se estimulam os testículos – as glândulas do sistema genital masculino – a produzir hormônios sexuais, principalmente a testosterona. Esse hormônio é o responsável pelo desenvolvimento das características sexuais secundárias masculinas, como:

• alargamento dos ombros e do tórax;

• surgimento de pelos em várias regiões do corpo, como nas axilas, no peito, nos braços, nas pernas, na região pubiana e no rosto;

• desenvolvimento do pênis e dos testículos.

É na puberdade que o menino começa a produzir e liberar o sêmen (ou esperma). O sêmen é uma mistura de líquidos e espermatozoides (os gametas masculinos). A eliminação do sêmen é chamada de ejaculação. 
Na puberdade, e na fase adulta, é comum que ocorra ejaculação durante o sono, conhecida como polução noturna.
Da mesma maneira que nas meninas, as glândulas sudoríferas e as glândulas sebáceas ficam mais ativas na puberdade, aumentando a sudorese e a oleosidade da pele, com o frequente surgimento de cravos e espinhas. 
Outra mudança que ocorre nos meninos no período da puberdade é o engrossamento das pregas vocais, tornando a voz mais grave. Como o processo é gradual, é comum os meninos dessa faixa etária, ao falar, emitirem alguns sons mais agudos de forma involuntária.

A puberdade feminina


No organismo feminino, as glândulas do sistema genital, ou seja, os ová rios, passam a produzir os hormônios sexuais, principalmente o estrógeno e a progesterona, sob o estímulo de hormônios liberados pela hipófise.
O estrógeno e a progesterona são responsáveis pelo aparecimento das ca racterísticas sexuais secundárias femininas:

• acúmulo de gordura nas regiões das nádegas, das coxas e dos quadris, que fi cam mais arredondadas;

• desenvolvimento das mamas;

• aparecimento de pelos na região pubiana e nas axilas;

• alargamento dos ossos da bacia.

As alterações hormonais provocam muitas mudanças no metabolismo, ou seja, nas reações químicas que ocorrem no corpo. Na puberdade, é comum a menina transpirar mais devido ao aumento de atividade das glândulas sudoríferas. A pele pode ficar mais oleosa, pelo aumento de atividade das glândulas sebáceas, e frequentemente surgem cravos e espinhas.
Um dos momentos mais marcantes da puberdade feminina é a primeira menstruação, chamada menarca. A menstruação caracteriza-se pela eliminação de parte do tecido de revestimento interno do útero, que estava preparado para uma possível gravidez.  A eliminação desse tecido provoca sangramento e ocorre pela abertura da vagina.

Os hormônios, o sistema nervoso e a puberdade

A puberdade está diretamente associada à produção de determinados hormônios, que são substâncias químicas produzidas por alguns órgãos do corpo humano que podem inibir ou induzir a atividade de outros órgãos. Isso quer dizer que os hormônios são substâncias reguladoras do crescimento, do metabolismo, da reprodução e do desenvolvimento do corpo humano.
Em toda a nossa vida, estamos, de alguma forma, sob a ação de hormônios: quando ficamos com raiva ou sentimos medo; enquanto praticamos uma atividade física, comemos, dormimos ou, simplesmente, crescemos. Os hormônios são mensageiros químicos que auxiliam na coordenação do organismo e na comunicação entre suas células. Essas substâncias são produzidas pelas glândulas endócrinas, que as liberam diretamente na corrente sanguínea, e atuam sobre diferentes tecidos, órgãos e sistemas do corpo, regulando seu funcionamento. 

No organismo humano, porém, há outros dois tipos de glândula. 

• As glândulas exócrinas, que liberam suas secreções em cavidades corporais ou na superfície do corpo por meio de ductos. São exemplos: as glândulas sebáceas, que liberam sebo sobre a pele; as glândulas sudoríferas, que secretam suor; as salivares, que secretam saliva; as lacrimais, que secretam lágrimas; e as mamárias, que secretam leite durante a amamentação. 
As glândulas mistas, que têm dupla função: produzem tanto secreções exócrinas quanto hormônios. É o caso do pâncreas, que produz hormônios e o suco pancreático, que atua na digestão de alimentos no intestino delgado.

O que desencadeia as mudanças da puberdade são os hormônios, substâncias produzidas pelas glândulas endócrinas, órgãos responsáveis por produzir e liberar os hormônios na corrente sanguínea. As glândulas endócrinas encontram-se em diferentes regiões do corpo humano e formam o sistema endócrino. 
Os hormônios são produzidos em órgãos chamados glândulas endócrinas e são liberados na corrente sanguínea, por onde circularão até chegar às regiões do corpo onde terão efeito. O conjunto das glândulas constitui o sistema endócrino.
O sistema endócrino, em conjunto com o sistema nervoso, é responsável pela manutenção do equilíbrio interno do corpo e atua coordenando e controlando diversas funções do organismo. Além disso, o sistema endócrino é responsável pela regulação de processos como crescimento, desenvolvimento e metabolismo.
As principais glândulas do sistema endócrino são: o hipotálamo, a hipófise, as glândulas tireóideas, as glândulas paratireóideas, as glândulas suprarrenais (adrenais), o timo, o pâncreas, os ovários e os testículos.
Cada glândula endócrina pode produzir um ou mais tipos específicos de hormônio, que atuam em diferentes funções e atividades do corpo humano. 
Ao serem liberados na corrente sanguínea, os hormônios são transporta dos para todo o corpo, mas somente vão atuar nas células com receptores específicos, localizados na membrana plasmática. Isso significa que cada hormônio é reconhecido por um tipo de receptor, capaz de se ligar a ele. 
Várias funções do organismo são controladas por hormônios, como: o crescimento corporal, a eliminação ou a retenção de água no corpo, o controle dos níveis de glicose e de sais minerais no sangue, a absorção de nutrientes, a regulação do sono e as alterações das características corporais durante a puberdade.
Em uma região do encéfalo encontra-se o hipotálamo, que faz a integração entre o sistema endócrino e o sistema nervoso. Ele pertence ao sistema nervoso, mas também produz hormônios e, por isso, pode ser considerado parte do sistema endócrino. 
O hipotálamo pode inibir ou estimular a liberação de hormônios pela hipófise, localizada na mesma região do encéfalo. A hipófise é uma glândula endócrina que regula a produção de hormônios de outras glândulas.


Hipotálamo 

O hipotálamo localiza-se no cérebro (órgão do sistema nervoso central) e faz a maior parte da integração entre o sistema nervoso e o sistema endócrino. Os hormônios produzidos no hipotálamo atuam sobre outra glândula endócrina, a hipófise. 
Dessa maneira, o hipotálamo tem um papel fundamental no controle do equilíbrio interno do corpo, pois sua ação estende-se por muitos órgãos, como num efeito dominó. O hipotálamo também produz hormônios que são armazenados e liberados pela hipófise, mas que atuam na regulação de outros órgãos e tecidos. São eles: 
• a ocitocina, que estimula as contrações do útero na hora do parto e a liberação de leite durante a amamentação; 
• o hormônio antidiurético (ADH), que, nos rins, regula a retenção da água no organismo.

Hipófise

A glândula hipófise localiza-se abaixo do hipotálamo, na base do cérebro. Tem massa de 0,5 g a 1 g e o tamanho de uma ervilha. Essa glândula produz e libera vários hormônios, sob o comando do hipotálamo. Sua atividade pode ser inibida ou estimulada, dependendo das informações vindas do sistema nervoso. Os hormônios produzidos pela hipófise podem atuar sobre outras glândulas endócrinas ou diretamente em células e órgãos. 


A glândula hipófise secreta diversos hormônios, que atuam na coordenação de várias funções do corpo. Observe alguns deles. 

• Hormônio do crescimento (GH): estimula o crescimento do corpo e promove a divisão de células dos ossos e dos músculos. 
• Hormônio estimulante da glândula tireoide (TSH): estimula a produção e a secreção dos hormônios da tireoide. 
• Hormônio adrenocorticotrófico (ACTH): controla a produção e a secreção dos hormônios das suprarrenais. 
• Prolactina (PRL): com outros hormônios, estimula o desenvolvimento das glândulas mamárias e a produção de leite, em caso de gravidez. 
• Hormônio foliculoestimulante (FSH): estimula a maturação do gameta feminino nos ovários e a produção de gametas masculinos nos testículos. 
• Hormônio luteinizante (LH): nas mulheres, age em conjunto com o FSH para a regulação do ciclo menstrual, estimulando a maturação e a liberação do gameta feminino; nos homens, o LH estimula a produção de hormônios pelos testículos. 
• Ocitocina (OT): responsável pelas contrações do útero no momento do parto e pela ejeção do leite materno. 
• Hormônio antidiurético (ADH): atua reduzindo o volume de urina produzida.

Cada hormônio liberado pela hipófise na corrente sanguínea age sobre determinado órgão ou glândula-alvo.
Para o bom funcionamento do organismo, a liberação dos hormônios deve ser controlada por outros hormônios ou diretamente pelo sistema nervoso. A secreção elevada ou reduzida de um hormônio pode provocar o aparecimento de problemas de saúde. 
Um exemplo é o hormônio do crescimento. Quando o GH é produzido em excesso durante a infância, pode levar a pessoa ao gigantismo. Nessa condição, ela tem crescimento exagerado dos ossos de algumas partes do corpo, o que acarreta a grande estatura e está associado ao aparecimento de algumas formas de câncer.
Quando o GH é produzido em concentrações menores do que as ideais na infância, a pessoa cresce pouco, condição conhecida como nanismo. O nanismo pode estar associado a problemas no sistema respiratório e dores nas costas. 
Esses dois problemas podem ser tratados com a administração de outros hormônios, desde que sejam diagnosticados no início do desenvolvimento da criança.

Glândula tireoide 

A glândula tireoide está localizada na região do pescoço, posicionada anteriormente sobre a traqueia. A tireoide secreta três hormônios – a triiodotironina, a tiroxina e a calcitonina. 
Os hormônios triiodotironina e tiroxina, conhecidos respectivamente como T3 e T4 , regulam o metabolismo e, em associação com outros hormônios, também estimulam o crescimento e o desenvolvimento do organismo, atuando ainda sobre o sistema nervoso.
A produção de quantidades insuficientes dos hormônios T3 e T4 pela tireoide causa hipotireoidismo, o que pode provocar ganho de peso, fadiga e sono em excesso. Em contrapartida, a produção excessiva dos hormônios T3 e T4 causa o hipertireoidismo, o que pode acelerar o metabolismo, causando transpiração excessiva, perda de peso, irritação e aumento da pressão sanguínea. 
A produção dos hormônios T3 e T4 também pode ficar comprometida quando há falta de iodo no organismo. Nesse caso, a glândula tireoide aumenta exageradamente de tamanho, o que é percebido como um inchaço no pescoço, o bócio. 
O organismo humano pode retirar iodo dos alimentos ingeridos – sobretudo os de origem marinha (peixes, mariscos, algas), mas também algumas verduras, como espinafre e agrião –, ou do sal de cozinha comercializado no Brasil, que tem iodo adicionado em sua composição por causa de uma exigência prevista em lei. 
O outro hormônio produzido pela tireoide, a calcitonina (CT), atua na redução da quantidade de cálcio na corrente sanguínea. Quando o nível desse mineral no sangue está elevado, a calcitonina é liberada, e a concentração do cálcio diminui.

Glândulas paratireoides 

As paratireoides formam um conjunto de quatro pequenas glândulas, que estão localizadas atrás da tireoide.
As glândulas paratireoides secretam paratormônio (PTH), responsável por aumentar a quantidade de cálcio no sangue. O PTH e a calcitonina atuam em conjunto na regulação das concentrações sanguíneas de cálcio: enquanto a calcitonina reduz a concentração do mineral no sangue, o PTH aumenta essa concentração. Essa regulação é importante para a contração muscular, um processo que depende da presença de cálcio na musculatura. 
O PTH também atua na modelação dos ossos durante o cresci mento do corpo, ou em caso de fraturas, e na coagulação sanguínea, em caso de ferimentos.

Glândulas suprarrenais 

As glândulas suprarrenais localizam--se acima dos rins. Os principais hormônios produzidos por essas glândulas são o cortisol, a adrenalina e a noradrenalina. 
O cortisol regula diferentes reações metabólicas, entre elas, o preparo do organismo para situações de estresse ou de alerta. Também pode atuar na regulação de processos de defesa do corpo, responsáveis por processos inflamatórios.


Os hormônios adrenalina e noradrenalina são secretados em resposta a uma situação de estresse de rápida duração, conhecida como “reação de luta ou fuga”. Veja este exemplo: imagine que você foi surpreendido por um cachorro de grande porte, que começou a latir ameaçadoramente. Você percebe seus batimentos cardíacos (frequência cardíaca) e sua respiração (frequência respiratória) acelerarem e seus músculos ficarem tensos. 
Essas alterações fisiológicas são promovidas pela adrenalina e pela noradrenalina e têm como consequências o aumento da captação de gás oxigênio do ar e da disponibilidade de glicose no sangue.
Com a maior disponibilidade de glicose e de gás oxigênio, as células liberam mais energia, que poderá ser utilizada, por exemplo, para fugir do perigo ou enfrentá-lo.

Pâncreas 

O pâncreas, órgão localizado na região ventral do corpo, atrás do estômago, é uma glândula mista. Ele é constituído de células produtoras dos hormônios insulina e glucagon e de células glandulares exócrinas produtoras de suco pancreático, que atua em processos digestivos. Neste momento, discutiremos a função endócrina deste órgão.



O glucagon é responsável por aumentar a concentração de glicose na corrente sanguínea. No corpo humano, a glicose fica armazenada no fígado como glicogênio. Quando há diminuição dos níveis de glicose no corpo, por exemplo, em situações de estresse de curta duração, esse hormônio atua em conjunto com a adrenalina e a noradrenalina e trans forma o glicogênio do fígado em glicose, disponibilizando-o no sangue. 
A insulina é responsável por diminuir a concentração de glicose no sangue. Esse hormônio promove a absorção da glicose pelas células do corpo ou o seu armazenamento no fígado, sob a forma de glicogênio.

Testículos 

Os testículos são órgãos do sistema genital masculino que secretam a testosterona, hormônio sexual masculino. Eles também produzem os gametas masculinos, como estudaremos posteriormente. 
A testosterona promove o desenvolvimento e a manutenção das características sexuais secundárias masculinas, como o engrossamento da voz, o aumento da massa muscular e óssea e o crescimento de pelos no rosto e no corpo.




Ovários 

Os ovários são órgãos do sistema genital feminino que produzem e liberam os hormônios estrogênio e progesterona. Eles também produzem os gametas femininos, como estudaremos adiante. 
O estrogênio é responsável pelo desenvolvimento dos órgãos genitais femininos e pela manifestação das características sexuais secundárias femininas, como o formato arredondado do corpo e o desenvolvimento das mamas. 
A progesterona atua com a prolactina na preparação das glândulas mamárias para a produção do leite materno. Também atua com o estrogênio na preparação do útero para a gravidez.




Os estímulos do ambiente, que são detectados pelo sistema nervoso, desencadeiam a liberação de hormônios pelas glândulas. Um exemplo é a adrenalina, hormônio liberado pelas glândulas suprarrenais (adrenais). Quando levamos um susto, o sistema nervoso estimula a liberação desse hormônio, que provoca o aumento dos batimentos cardíacos e do ritmo da respiração, entre outros efeitos, preparando o corpo para uma possível fuga.
O estrogênio, a progesterona e a testosterona são conhecidos como hormônios sexuais. A liberação dos hormônios sexuais na puberdade acontece de acordo com uma sequência de eventos. O hipotálamo produz um hormônio que estimula a glândula hipófise; esta última, por sua vez, libera hormônios que estimulam as glândulas sexuais (testículos e ovários). 
Os hormônios produzidos pelos testículos e ovários desencadeiam as mudanças corporais características da puberdade. Essas mudanças são, principalmente: crescimento corporal, aparecimento de pelos em diversas áreas do corpo, aumento das mamas (nas meninas), aumento da massa corporal, alteração na voz (nos meninos), entre outras. 
Esses aspectos, que caracterizam a forma corporal feminina e masculina, são chamados de caracteres sexuais secundários. Além dessas características, a ação dos hormônios sexuais estimula a produção dos gametas nos sistemas genitais masculino e feminino.

Outros hormônios 

Além das glândulas apresentadas, existem outras estruturas que exibem função endócrina no organismo. Vejamos algumas delas. 
Os rins estão localizados cada um de um lado da coluna vertebral, na altura da cintura. Eles são responsáveis pela filtragem do sangue e pela produção e eliminação da urina, processos que auxiliam na manutenção do equilíbrio de água e sais no corpo humano. Eles também produzem a eritropoetina, hormônio cuja função é a de regular a produção das hemácias, células responsáveis pelo trans porte de gás oxigênio no sangue. Quando pouco gás oxigênio chega aos tecidos, a produção de eritropoetina é estimulada, e mais hemácias são produzidas.
O timo é um órgão localizado no tórax, entre os pulmões e acima do coração, que vai diminuindo ao longo do desenvolvimento humano. Esse órgão exibe papel importante na imunidade do organismo, pois produz o hormônio timosina, responsável por promover a maturação de certos tipos de células de defesa. 
O estômago é um órgão localizado na região abdominal, logo abaixo do diafragma, que participa da digestão dos alimentos. Além de sua função digestiva, o estômago também secreta o hormônio grelina, conhecido como “hormônio da fome”, pois promove a sensação de fome, incentivando a ingestão de alimentos. A grelina é secretada em períodos de jejum. 
Os adipócitos, como são chamadas as células de gordura, produzem a leptina, hormônio cuja função é reduzir a ingestão de alimentos. Quando os estoques de gordura corporal aumentam, a secreção de leptina também aumenta.

Importância da reprodução

A reprodução é o processo pelo qual os seres vivos se multiplicam, ou seja, um ou mais organismos produzem descendentes, que apresentam características semelhantes às deles. Assim, é por meio da reprodução que ocorre a transmissão de características de um ou dois indivíduos para os seus descendentes, em um fenômeno chamado hereditariedade.
A capacidade de reprodução é uma das características determinantes dos seres vivos, responsável por garantir a sobrevivência das espécies, assim como a alimentação, a respiração e a excreção. A reprodução garante a perpetuação das espécies, o que significa que é por meio desse processo que uma espécie continua existindo ao longo do tempo. Cada indivíduo nasce, cresce, se desenvolve e, em algum momento, morre, o que determina seu ciclo de vida. Mas, mesmo após a morte dos indivíduos de uma geração, a espécie como um todo continuará no ambiente, por meio dos descendentes gerados na reprodução.
Em algumas espécies, o ciclo de vida é muito curto. Por exemplo, há espécies de insetos que nascem, se reproduzem e morrem em poucos dias. Já algumas espécies de plantas têm ciclo de vida longo, como a árvore sumaúma, encontrada na Floresta Amazônica, que come ça a se reproduzir após quatro anos de desenvolvimento e pode viver centenas de anos.

Tipos de reprodução


Os diferentes grupos de seres vivos podem apresentar variadas maneiras de se reproduzir. Apesar da diversidade de processos reprodutivos, existem duas principais formas de reprodução: a assexuada e a sexuada.
A reprodução assexuada não envolve a participação de células reprodutoras chamadas de gametas. Nesse processo, um único indivíduo dá origem a novos indivíduos, que receberão cópias de seu material genético.
A reprodução sexuada ocorre por meio dos gametas. Cada gameta tem uma cópia do material genético do organismo que o produziu. Um gameta masculino e um gameta feminino se unem, formando uma nova célula, o zigoto, que se multiplica e dá origem a um novo indivíduo. Assim, o organismo gerado por reprodução sexuada possui material genético com informações provenientes dos dois gametas que deram origem a ele.

Adolescência, puberdade e sexualidade

Desde o nascimento, o ser humano apresenta características sexuais externas e internas. As características sexuais externas são chamadas características sexuais primárias.
O período de transição entre a infância e a vida adulta é chamado de adolescência. 
A adolescência é o conjunto das modificações físicas e das alterações comportamentais e emocionais que ocorrem no período entre a infância e a vida adulta. Mas quando ela inicia? O marco inicial da adolescência está relacionado com o início da puberdade, período em que os hormônios desencadeiam várias mudanças corporais.
A entrada na adolescência ocorre de maneira lenta e gradual, variando muito entre as pessoas, e não tem um tempo determinado para começar ou terminar. É uma fase geralmente caracterizada por dúvidas e conflitos.
O conceito atribuído à adolescência é bastante amplo e envolve não apenas transformações físicas e fisiológicas, mas também comportamentais, influenciadas por elementos culturais que variam nas diversas sociedades e sofrem mudanças com o passar do tempo.
Na adolescência passamos por questões que envolvem ora a vida adulta, ora a vida infantil: há necessidade da liberdade e da responsabilidade do mundo dos adultos, mas ainda existe o medo de deixar a infância e assumir riscos. Sentimos necessidade de nos diferenciar, de construir a própria identidade, diferente da identidade dos pais e da família, mas existem conflitos sobre como conviver com algumas diferenças apresentadas por outras pessoas ou outros grupos de adolescentes.
Durante a adolescência ocorrem mudanças físicas e fisiológicas, responsáveis pelo amadurecimento dos órgãos do sistema genital e pelo aparecimento de diferenças mais acentuadas entre os sexos, as chamadas características sexuais secundárias, que caracterizam a puberdade. A puberdade indica que o organismo em breve estará apto para a reprodução. 
É uma fase da adolescência que se manifesta de maneira diferente nos meninos e nas meninas. O seu início pode variar muito de uma pessoa para outra, podendo ocorrer, em média, entre os 9 e os 15 anos para o sexo feminino e entre os 10 e os 14 anos para o sexo masculino. 
A puberdade pode iniciar entre 8 e 14 anos e terminar entre 18 e 21 anos de idade. Isso varia de uma pessoa para a outra dependendo de diversos fatores, como características genéticas e hábitos de vida (por exemplo, alimentação, sono e prática de atividades físicas). 
Cada pessoa tem um jeito próprio de se desenvolver e é bastante comum encontrar diferenças no desenvolvimento de adolescentes da mesma idade. 
A adolescência não tem um período demarcado de início e término, porque engloba, além das transformações físicas da puberdade, o desenvolvimento emocional e social do jovem. A definição de adolescência também sofre influência do momento histórico e do contexto social e cultural de uma comunidade. Por isso, a adolescência pode ser interpretada de maneiras diferentes quanto à aquisição de autonomia, responsabilidades e outros aspectos. 
Diferentemente dos outros animais, o amadurecimento sexual nos seres humanos é marcado por questões de natureza cultural e psicológica e não apenas biológica. As mudanças que ocorrem no corpo e a interação com outras pessoas podem trazer sentimentos muitas vezes contraditórios. 
No Brasil, a legislação considera que uma pessoa é adulta a partir dos 18 anos de idade. No entanto, na cultura de alguns povos indígenas brasileiros, por exemplo, um jovem com idade próxima dos 12 ou 13 anos costuma passar por um ritual de passagem de fase e já começa a desempenhar tarefas de adultos. 

Diversidade sexual: respeito acima de tudo 


A sexualidade humana difere da dos outros animais por envolver aspectos que vão além dos biológicos, envolvendo também dimensões sociais e psicológicas. 
A necessidade de corresponder a um padrão de comportamento social já levou e ainda leva várias pessoas a muito sofrimento, por não se sentirem aceitas pelos grupos sociais (es cola, família, igreja, clube social, etc.) dos quais fazem parte. No entanto, aos poucos, a sociedade contemporânea tem assumido que existem diversas formas de expressão da sexualidade humana e todas elas devem ser igualmente respeitadas, não existindo um padrão de comportamento que deva ser seguido por todos.
Gradativamente estamos substituindo o conceito de normalidade pelo conceito de pluralidade. Nesse processo de transição que vivemos, é comum termos muitas dúvidas, sentirmos medo e vergonha de expor nossos sentimentos e presenciamos, ainda, atitudes de discriminação, muitas vezes de maneira violenta. 
Infelizmente, no Brasil, a discriminação e o preconceito têm sido apontados como algumas das principais causas de evasão (abandono) escolar por jovens que se sentem alvo de preconceito e discriminação por expressarem sua sexualidade de uma forma diversa da da maioria, embora a Constituição brasileira vede qual quer tipo de discriminação.

Os diferentes significados da puberdade 


A importância e o significado da puberdade dependem da cultura de cada povo. Em algumas sociedades, ela marca a passagem da infância para a vida adulta. 
Entre os indígenas brasileiros do povo Kalapalo, por exemplo, há um ritual de passagem para as meninas que têm sua primeira menstruação. Elas são afastadas da aldeia e permanecem isoladas em um cômodo construído por seus pais especialmente para esse fim e, depois de um ano e meio a três anos, retornam ao convívio dos demais. A menina passa então a ser considerada mulher e está pronta para viver na comunidade. Outros povos indígenas têm diferentes rituais de passagem para a idade adulta, tanto para meninas quanto para meninos.

Partenogênese

Em alguns animais é possível ocorrer o nascimento de um novo ser apenas com o desenvolvimento do óvulo, sem que haja para isso a fecundação pelo espermatozoide. Esse tipo de reprodução é conhecido como partenogênese, que quer dizer ‘origem virgem’. 
Vários grupos de animais podem se reproduzir por partenogênese, como pulgas-d’água, pulgões, abelhas, lagartos, salamandras, alguns peixes como o tubarão-martelo, entre outras espécies. 
Existem várias formas de partenogênese e duas delas são bastante conhecidas: a que ocorre em abelhas, em que os machos (zangões) são originados por partenogênese (de óvulos não fecundados); e a que ocorre em certos lagartos, em que as fêmeas produzem clones de si mesmas.

O desenvolvimento dos animais

Após a fecundação, inicia-se o desenvolvimento do organismo. O zigoto sofre divisões mitóticas e o embrião é formado. Os estágios iniciais do desenvolvimento podem ocorrer no interior do corpo da mãe ou fora dele.
Na formação do embrião, o desenvolvimento dos animais pode prosseguir de duas maneiras, listadas a seguir.  
• Desenvolvimento direto: os filhotes nascem semelhantes ao adulto. Isso acontece em mamíferos, répteis, aves, na maioria dos peixes e em alguns grupos de invertebrados. Nesse caso, os filhotes crescem e se desenvolvem até atingir a fase adulta. 
• Desenvolvimento indireto: os filhotes nascem diferentes da forma adulta e passam por transformações ao longo do ciclo de vida, até se tornarem adultos. Isso acontece, por exemplo, em alguns peixes, nos anfíbios e em diversos grupos de invertebrados.

No desenvolvimento indireto, durante as fases de vida, o animal pode ter diferenças nas estruturas corporais, nos hábitos de alimentação e de vida e até nos habitat que ocupa. Isso é o que ocorre, por exemplo, com as rãs e os sapos, que fazem parte do grupo dos anfíbios. Dos ovos desses animais, saem larvas chamadas de girinos, que em muitas espécies se desenvolvem na água. Os girinos têm cauda e respiram por brânquias. Com o passar do tempo, eles vão sofrendo transformações em um processo chamado de meta morfose. Nele, gradualmente eles perdem a cauda e surgem as pernas. 
A respiração vai se modificando com o desenvolvimento de pulmões e da capacidade de respirar através da pele, enquanto ocorre a regres são das brânquias. A estrutura da boca e a alimentação também se modificam. Depois de todas essas transformações, se tornam adultos. 
Em outros animais com desenvolvimento indireto, a transformação das larvas em adultos também recebe o nome de metamorfose. É o caso de diversos insetos, crustáceos e moluscos. O número de fases larvais e as mudanças durante o desenvolvimento podem variar entre as espécies. 
No caso das borboletas, por exemplo, a metamorfose tem três fases principais. A larva que sai do ovo é muito diferente do adulto; ela se ali menta e cresce durante um tempo. Depois, na fase de pupa, entra em um casulo e dele emerge com as características do adulto. 
Os gafanhotos, por sua vez, saem dos ovos parecidos com o adulto, em uma fase chamada de ninfa. As ninfas passam por algumas trans formações, como o desenvolvimento das asas, até se tornarem adultos. 

Animais ovíparos

Quando o embrião se desenvolve fora do corpo da mãe, mas dentro de um ovo, dizemos que o animal é ovíparo. Alguns animais ovíparos depositam seus ovos diretamente no ambiente aquático, como a maioria dos peixes, ou nas proximidades da água, como muitos anfíbios. Outros depositam seus ovos no ambiente terrestre, como os répteis, as aves e alguns poucos mamíferos, como o ornitorrinco.

Animais ovovivíparos

Quando o embrião se desenvolve no interior de um ovo, mas é mantido no corpo da fêmea até o momento da eclosão, dizemos que o animal é ovovivíparo. É o caso de alguns peixes e alguns répteis. Nesse caso, o embrião obtém os nutrientes de que precisa do ovo, e não do corpo da mãe.

Animais vivíparos

Quando o embrião se desenvolve no corpo da mãe, ou seja, obtendo nutrientes diretamente do corpo dela, sem que haja um ovo, dizemos que o animal é vivíparo. É o caso da maioria dos mamíferos e de alguns peixes, anfíbios e répteis.

Comparando esses três tipos de desenvolvimento, os que possibilitam maior proteção à prole são os que ocorrem no interior do corpo da mãe, ou seja, em ovovivíparos ou em vivíparos. No entanto, em algumas espécies ovíparas, os ovos recebem cuidados parentais até o momento da eclosão, o que também lhes confere proteção.

Número de filhotes e cuidado parental

Muitos animais cuidam de seus ovos e de sua prole nos estágios iniciais de desenvolvimento, o que aumenta a chance de sobrevivência dos filhotes. Esse comportamento se denomina cuidado parental.
A maior parte dos peixes não apresenta cuidado parental. No entanto, em algumas espécies, o macho é quem cuida dos ovos, ou dos filhotes, depois que eclodem. O macho da espécie Opistognathus aurifrons, por exemplo, carrega os ovos em sua cavidade bucal até o momento da eclosão, protegendo-os de eventuais predadores.
Em muitas espécies de aves, tanto o macho quanto a fêmea exibem comportamentos de cuidado parental. Por exemplo, na espécie Tachycineta leucorrhoa, conhecida popularmente como andorinha-de-sobre-branco, macho e fêmea fazem a manutenção e a proteção do ninho, e ambos providenciam a alimentação dos filhotes. 
Para cuidar da prole, geralmente pouco numerosa, os pais gastam muita energia. No entanto, os cuidados aumentam a probabilidade de os filhotes nascerem e de atingirem a vida adulta. 
Em espécies que não exibem cuidado parental, como muitos peixes e tartarugas, a maior parte da prole não chega à fase adulta por diversos fatores, como a predação de ovos e de juvenis. Contudo, geralmente há produção de grande número de ovos.

Formas de reprodução: vantagens e desvantagens

Cada forma de reprodução apresenta vantagens e desvantagens para o indivíduo e, portanto, para a população daquela espécie. 
Na reprodução assexuada, a principal vantagem para o indivíduo é a economia de energia: não é preciso procurar parceiros nem produzir gametas. Para a população, a vantagem é a geração de grande quantidade de descendentes adaptados às condições ambientais daquele hábitat, o que garante aumento rápido do crescimento da população. 
Como todos os descendentes de um mesmo organismo são idênticos a ele, dizemos que há pouca ou nenhuma variabilidade entre eles. Isso significa que, em caso de uma alteração ambiental, como uma mudança de temperatura, umidade ou salinidade, ou no caso de uma doença, existe um grande risco de toda a população ser eliminada de uma só vez, constituindo uma desvantagem desse tipo de estratégia reprodutiva.
Na reprodução sexuada, a principal vantagem é a grande variabilidade genética dos descendentes, que herdam um dos conjuntos cromossômicos do pai e o outro da mãe, ou seja, eles não são idênticos a nenhum de seus genitores. Essa diversidade aumenta a chance de sobrevivência da espécie em caso de alterações no ambiente. 
Entretanto, a reprodução sexuada também tem desvantagens, como a necessidade do encontro entre machos e fêmeas, o que implica gasto de energia; a possibilidade de transmissão de doenças entre parceiros; a menor quantidade de descendentes, quando comparada com a reprodução assexuada, resultando em um crescimento mais lento da população.

Fecundação interna ou externa

O encontro dos gametas masculino e feminino pode acontecer no interior do corpo dos animais ou no ambiente. Na fecundação interna, o encontro dos gametas masculinos e femininos ocorre no interior do corpo da fêmea. Os mamíferos são um exemplo de animais que apresentam fecundação interna.
Fala-se em fecundação externa quando o encontro dos gametas ocorre no ambiente. Os anfíbios anuros, como os sapos e as rãs, realizam a fecundação externa.

Fecundação cruzada e autofecundação

Na reprodução sexuada, a união dos gametas masculino e feminino pode ocorrer de duas maneiras: por meio de fecundação cruzada ou por autofecundação. 
Quando os gametas masculinos de um indivíduo fecundam os gametas femininos de outro indivíduo, fala-se em fecundação cruzada. Podemos observar a união de gametas de dois indivíduos diferentes na maioria dos animais vertebra dos e em alguns invertebrados. 
Entretanto, em algumas espécies, um mesmo indivíduo pode apresentar gametas masculinos e femininos. Esses indivíduos são chamados hermafroditas. 
Nessas espécies pode ocorrer a autofecundação, que é a fecundação dos gametas femininos do indivíduo por seus próprios gametas masculinos

A divisão celular

Há dois tipos de divisão celular: a mitose e a meiose. Vamos estudar, a seguir, esses dois processos e as situações em que cada um deles ocorre.

Mitose

Para crescer, desenvolver-se e reparar ferimentos, os seres vivos pluricelulares precisam de novas células, que são produzidas por meio do processo de divisão celular denominado mitose.

Meiose

Muitos seres vivos pluricelulares também produzem células específicas para a reprodução sexuada, por meio da divisão celular denominada meiose. As células geradas são chamadas células sexuais ou gametas.




O material genético


Uma célula eucariótica é constituída basicamente de membrana plasmática, citoplasma, diferentes organelas e um núcleo delimitado por membrana. No núcleo há material genético que, nos eucariontes, é sempre DNA (sigla em inglês para ácido desoxirribonucleico). O material genético é responsável pela hereditariedade, que consiste na transmissão das características da geração parental para os descendentes.
O DNA é uma molécula com estrutura tridimensional, na qual podem ser reconhecidas duas fitas que formam uma espiral chamada dupla-hélice. Nas células, o DNA encontra-se associado a proteínas específicas, formando a cromatina.
Durante a divisão celular, a cromatina adquire uma forma bastante condensada, denominada cromossomo. Cada cromossomo é, portanto, uma molécula de DNA enovelada em proteínas que garantem essa estrutura.
O número de cromossomos nas células varia entre as espécies de seres vivos. Células humanas, por exemplo, comumente apresentam um total de 46 cromossomos, com exceção das células reprodutivas. Os seres pluricelulares que realizam a reprodução sexuada, como os seres humanos, apresentam dois tipos de célula: as somáticas, que formam o organismo, e as reprodutivas, também chamadas células sexuais ou gametas, responsáveis pela reprodução.
As células somáticas têm cromossomos de origem paterna e de origem materna, formando dois conjuntos cromossômicos. Assim, nessas células, os cromossomos apresentam-se em pares e, por isso, o número de cromossomos pode ser representado por 2n. Denominamos essas células de diploides. Nas células somáticas humanas, 2n é igual a 46 cromossomos.
Os gametas, por sua vez, apresentam apenas um conjunto cromossômico. O número de cromossomos dessas células pode ser representado por n, uma vez que apresentam apenas um cromossomo de cada par. Elas são denominadas haploides. Nas células reprodutivas humanas, n é equivalente a 23 cromossomos.
Ao conjunto organizado de todos os cromossomos de um organismo eucarionte dá-se o nome de cariótipo. Observe a seguir os cariótipos obtidos da célula somática de uma mulher e de um homem. Cada imagem apresenta 23 pares de cromossomos duplicados. Note que os cromossomos sexuais são organizados à parte e destacados com um quadro vermelho. 
A diferença entre o cariótipo da fêmea e o do macho, no caso dos seres humanos, dos demais mamíferos, dos insetos e de alguns peixes, está em apenas um par de cromossomos, também chamados cromossomos sexuais. Nas fêmeas desses animais, o par de cromos somos sexuais é constituído de dois cromossomos X; nos machos, há um cromossomo X e um Y.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

A reprodução dos mamíferos

Os mamíferos realizam fecundação interna: o macho coloca o esperma (que contém os espermatozoides) dentro do corpo da fêmea, onde ocorre o encontro dos gametas. Inicia-se, então, o desenvolvimento dos embriões. 
A maioria dos mamíferos, incluindo a espécie humana, é vivípara. Desse modo, após se formarem no útero da mãe, os filhotes nascem.
Assim, quase todos os filhotes de mamíferos nascem diretamente do cor po da mãe e em estágio avançado de desenvolvimento, ou seja, já nascem com forma semelhante à que terão quando adultos.
Os embriões e fetos mantidos dentro do corpo da fêmea durante um período maior ficam mais protegidos do que os que terminam seu desenvolvi mento no interior de ovos (como acontece com aves e répteis), pois diminui, por exemplo, o risco de predação.
Nos mamíferos denominados placentários, o embrião ou o feto que está se desenvolvendo no útero recebe nutrientes e gás oxigênio da mãe por meio da placenta, pelo cordão umbilical. 
A placenta é uma estrutura formada por parte do corpo da mãe e parte do corpo do feto. É também por meio dela que o feto elimina os restos produzidos por ele, como excretas e gás carbônico.

Outros aspectos da reprodução em mamíferos 

Marsupiais 


O gambá, o canguru e a cuíca carregam seus filhotes recém-nascidos no marsúpio – uma espécie de bolsa ventral que eles têm no corpo. Nesse grupo de mamíferos, chamados marsupiais, a placenta é “primitiva”, reduzida, e o filhote não nasce totalmente “pronto”. Assim, ele fica no marsúpio, onde estão as tetas da mãe, mamando até que seu desenvolvimento se complete. Aí, então, ele estará apto a sair para o ambiente.

Monotremados 


Os monotremados são um grupo de mamíferos que não têm placenta e são ovíparos, ou seja, põem ovos. Os filhotes, após nascerem dos ovos, lambem o leite que escorre das glândulas mamárias da mãe. Nesse grupo estão o ornitorrinco e a equidna. Esses mamíferos, encontrados no continente da Oceania, possuem uma espécie de bico e os ovos saem pela cloaca.
Os mamíferos podem ter um ou mais filhotes por vez – o número varia, de pendendo da espécie. Após o nascimento, o filhote alimenta-se do leite materno e recebe os cuidados da mãe e, às vezes, do pai, na primeira fase da vida. O tempo médio de gestação nos mamíferos também varia entre os diferentes grupos. A gestação das coelhas dura um mês, e a das elefantas pode chegar a 20 meses.

A reprodução das aves

As aves também são ovíparas. A fecundação interna acontece mediante o cruzamento, quando os gametas masculinos são depositados no interior do corpo da fêmea, embora a maioria das espécies de aves não tenha um órgão copulador. 
As fêmeas da maioria das aves têm apenas um ovário, que produz grandes óvulos. O óvulo, também chamado popularmente de gema, quando fecunda do pelo espermatozoide masculino, forma o zigoto, embrião do novo ser vivo. Passando por um longo canal, o ovo, já com a clara (formada por proteína) e a casca, sai pela cloaca. Os ovos são chocados pela fêmea, pelo macho ou pelos dois, geralmente em ninhos. O corpo da ave adulta sobre os ovos lhes garante o calor necessário para desenvolver o embrião. A incubação dura de 10 a 90 dias. 
Nos ovos das aves, tal qual ocorre nos ovos dos répteis, existe o vitelo, que nutre o embrião, e o líquido amniótico, que protege o filhote em formação. 
Assim como nos ovos dos répteis, a casca dos ovos é porosa, isto é, apresenta minúsculos orifícios que possibilitam a troca de gases com o meio ambiente. Ainda que a casca seja porosa, ela não permite que a água saia, evitando a desidratação do embrião, que o levaria à morte.

A reprodução dos répteis

Os répteis realizam fecundação interna: o macho introduz os espermatozoides no corpo da fêmea por meio do órgão copulador. A fecundação interna e os ovos com casca representaram um marco na evolução dos vertebrados, uma vez que dificultam a morte dos gametas e embriões por desidratação. Assim, os répteis tornaram-se independentes da água para a reprodução. Vale lembrar que, nas plantas, essa independência se deu evolutivamente com o surgimento do grão de pólen nas gimnospermas.
O ovo dos répteis é rico em vitelo, substância que nutre o embrião, e é capaz de reter a umidade. Na casca há pequenos orifícios, os poros, que possibilitam a entrada do gás oxigênio do ar e a saída do gás carbônico, ou seja, a troca de gases com o ambiente. Dentro do ovo, essa troca com o embrião é feita pelo cório. Tanto o vitelo quanto a troca de gases são vitais para o embrião desenvolver-se dentro do ovo.
Esse grupo de animais foi o primeiro na história evolutiva a ser do tado de âmnio, uma bolsa de líquido que protege o embrião contra os choques mecânicos e o ressecamento. O cório, citado anteriormente, é uma membrana que envolve o embrião e as estruturas ligadas a ele. Os resíduos originados do desenvolvimento do embrião ficam alojados no interior de uma vesícula chamada alantoide.
A maioria dos répteis é ovípara, ou seja, a fêmea põe ovos, de onde saem os filhotes. Esses ovos têm casca rígida e consistente, podendo se desenvolver em ambientes de baixa umidade. 
A tartaruga marinha e muitos outros répteis aquáticos depositam os ovos em ambiente terrestre. Eles ficam cobertos de areia e são aquecidos pelo calor do Sol. 
A maioria dos répteis não cuida de seus ovos e filhotes. Quando os filhotes estão formados, eles saem da casca usando os próprios recursos. Contudo, tanto o jacaré quanto o crocodilo têm muito cuidado com os ovos e os filhotes. A fêmea põe os ovos no ninho e fica por perto até o nascimento dos filhotes, que são carregados na boca até a água, onde ficam com ela. Alguns chegam a permanecer com a mãe durante mais de três anos. 
Existem também os répteis cujos ovos ficam retidos em um canal no corpo da fêmea enquanto os embriões se desenvolvem, como ocorre com algumas cobras. Quando os ovos saem do corpo da fêmea, os filhotes dentro deles já estão formados. A casca desses ovos é bem fina, como uma membrana, de forma que permite a saída dos filhotes logo após a postura. Há ainda alguns répteis vivíparos, cujos filhotes se desenvolvem sem a presença de ovos, como certas espécies de lagarto.

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