O continente africano abriga 54 países independentes (e o Saara Ocidental) e ocupa uma área de 30,3 milhões de km², o que corresponde a 20,1% das terras emersas do planeta. A África é o terceiro continente mais extenso
da superfície terrestre, menor apenas que a Ásia e a América.
O continente africano apresenta uma extensa área costeira e é banhado pelo oceano
Atlântico (a oeste), pelo oceano Índico (a leste), pelo mar Mediterrâneo (a norte) e
pelo mar Vermelho (a nordeste). Ele é atravessado pela linha do Equador em sua área
central e pelos trópicos de Câncer (a norte) e de Capricórnio (a sul).
Entre as úmidas florestas tropicais, situadas no centro do continente, e os secos
desertos, localizados tanto na porção sul como na porção norte, são muitos os
aspectos naturais que contribuem para formar suas diferentes paisagens.
Com base nos critérios étnico e cultural, o continente africano pode ser
regionalizado em dois conjuntos: África do Norte e África Subsaariana .
África do Norte
A África do Norte compreende sete
unidades políticas. São seis Estados independentes e um território que busca a
independência – o Saara Ocidental, exSaara Espanhol, ocupado pelo Marrocos
desde 1975.
A paisagem da região norte da África é dominada pela presença do deserto do Saara e do clima árido. Em termos culturais, é marcante a influência árabe. A maioria dos habitantes dos países que se localizam na região – Egito, Líbia, Argélia, Tunísia e Marrocos – adotou o islamismo como religião e fala variantes regionais do árabe, línguas berberes e diversos dialetos; são faladas também línguas dos colonizadores, como o francês na Argélia.
Com a invasão dos árabes nos séculos
VII e VIII, ocorreu a arabização da África do
Norte. Esse fato explica, portanto, a predominância regional da população árabe, da
língua árabe e da prática do islamismo.
Costuma-se também considerar uma subdivisão regional na África do norte: a Argélia, a Tunísia e o Marrocos formam o Magreb (do árabe, que significa ‘onde o Sol se põe’), a porção mais ocidental do mun do árabe, uma região marcada pela presença da cadeia do Atlas na fachada litorânea. Essa cordilheira barra a entrada da massa de ar que vem do mar e concentra a umidade na faixa litorânea, onde o clima é mediterrâneo.
A Cadeia do Atlas favorece o povoamento na África do Norte, sobretudo no Magreb. Entre o Atlas e o Mar Mediterrâneo, estendem-se
planícies férteis de clima mediterrâneo, densamente povoadas, onde
se cultivam vários produtos, como cereais, uvas, oliveiras, e ocorre a ex
ploração mineral de fosfato. Ao sul da Cadeia do Atlas surge o Deserto
do Saara, cujo principal recurso mineral é o petróleo.
África subsaariana
Essa região, que abrange os países da
África situados ao sul do Deserto do Saara,
apresenta população predominantemen
te negra e minorias
brancas descendentes dos colonizadores
europeus e asiáticos (indianos, chineses,
indonésios etc.). Destaca-se aí a multiplicidade de crenças e religiões – islamismo,
cristianismo, judaísmo, crenças tradicio
nais africanas etc.
A paisagem da África subsaariana é marcada pelas grandes extensões de savanas e de florestas, apesar de haver desertos em sua porção meridional, como o Kalahari, no sudoeste do continente. Do ponto de vista étnico, com exceção de poucas concentrações de população branca descendente dos colonizadores europeus, essa região da África é composta majoritariamente de população negra de diversas etnias. Em Angola, por exemplo, há 10 etnias, com destaque numérico para os ovibundos (37% da população) e quimbundos (25%). Esses povos foram trazidos para o Brasil no período da escravidão e deram importante contribuição à cultura brasileira. Na África do Sul, existem 11 etnias, entre as quais estão os zulus e os xhosas, as duas mais numerosas. Nelson Mandela (1918-2013), o primeiro presidente negro do país, era da etnia xhosa. Na Nigéria, o país africano mais populoso (em 2017, segundo o Banco Mundial, eram 191 milhões de habitantes), coexistem mais de 250 etnias, com destaque para o grupo hauça e fulani, que perfazem 29% da população.
Existe um predomínio do islamismo no país, sobretudo no norte (ele é adotado por 50% dos nigerianos). No sul, muitos dos habitantes são cristãos, religião seguida por cerca de 40% da população. Os outros 10% praticam religiões animistas, adotadas por diversos grupos étnicos do país. Muitos iorubas, por exemplo, são animistas, mas, de forma sincrética, agregam elementos das outras duas religiões.
No período colonial (entre os séculos XVI e XIX), muitos iorubas foram escravizados e trazidos para a América. No Brasil, eles eram chamados de nagôs e foram responsáveis pela introdução do candomblé, religião afro-brasileira seguida por parte da população brasileira. O candomblé possui elementos animistas (os orixás, por exemplo, os deuses dessa religião, representam diversos elementos da natureza), mas de maneira sincrética, porque também incorporou elementos do cristianismo (os orixás, por exemplo, são associados aos santos católicos).
Além dos aspectos culturais e étnicos apresentados, a África Subsaariana
se caracteriza por ser uma região do continente africano onde a pobreza atinge
grande parcela da população. É aí que se
localizam os países com os menores IDHs
(baixos) do mundo em 2019, como Sudão
do Sul (0,433), Chade (0,398), República
Centro-Africana (0,397) e Níger (0,394).
Embora cerca de 60% da população
economicamente ativa da África Subsaariana se dedique à agricultura, o déficit de alimentos gera subnutrição e fome. Essa situação é agravada pelas secas na região do Sahel e
pelas guerras civis, que arrasam plantações e dificultam a entrega de
alimentos pela ajuda humanitária.
A agricultura na África Subsaariana apresenta uma distorção: enquan
to as plantations (cacau, café, algodão, amendoim, chá, banana etc.),
controladas principalmente por empresas europeias, ocupam cerca
de 40% da superfície agrícola, abrangendo as melhores terras cultiváveis, a agricultura de subsistência ocupa as terras menos férteis e con
vive com a falta de crédito e de assistência técnica, apresentando baixa
produtividade. A oposição entre a agricultura de exportação e a agricul
tura de subsistência é uma herança do colonialismo que perdura nos
dias atuais.
Relevo e hidrografia
No relevo da África destacam-se extensos planaltos, atravessados por rios caudalosos que formam planícies fluviais, aproveitadas para a agricultura, e montanhas
de elevadas altitudes: a Cadeia do Atlas, na porção norte do continente; o Monte
Camerun, próximo ao Golfo da Guiné; os Montes Drakensberg, na África do Sul; e os
montes Ruwenzori, Quênia e Quilimanjaro – este, situado na Tanzânia, com 5895 m de
altitude, é ponto culminante do território da África.
O relevo africano
No relevo do continente africano, predominam planaltos, que apresentam formas
e altitudes variadas, formados por rochas muito antigas, datadas da era Pré-Cambria
na (com mais de 2 bilhões de anos). Devido à origem antiga desses terrenos, os planaltos apresentam-se desgastados e aplainados por longos processos erosivos, fato
que explica o predomínio de altitudes modestas (abaixo de 1000 metros) na maior
parte do continente.
O fato de todo o continente pertencer à mesma placa tectônica e grande parte de sua borda estar distante da costa, contribui para isso. No entanto, existem algumas áreas com maiores elevações, como a cadeia do Atlas.
O relevo da África tem como aspecto marcante a presença de grandes planaltos,
que dão origem a rios sinuosos e extensos. Na África Oriental, um grande complexo de falhas geológicas entremeadas por planaltos fez surgir paisagens únicas,
marcadas por grandes vales e vulcões – estes representam as maiores elevações do
continente, os montes Kilimanjaro e Quênia –, além de lagos, como o Vitória, o Tanganica e o Niassa.
As regiões montanhosas mais elevadas do relevo africano são:
• Cadeia do Atlas: situada no noroeste do continente, chega a atingir mais de 4 mil
metros de altitude; seu soerguimento iniciou-se há cerca de 300 milhões de anos,
na era Paleozoica.
• Maciços montanhosos na região centro-oriental: formados por movimentos
orogênicos antigos, ocorridos na era Paleozoica. Há cerca de 70 milhões de anos,
novos movimentos tectônicos provocaram falhas geológicas e grandes derrames
de lavas sobre essas antigas formações. Essas falhas originaram o chamado Rift
Valley, uma região marcada por grandes montanhas e profundas depressões.
O Rift Valley é um conjunto de falhas tectônicas na área oriental do continente
africano. Nessa área, a placa tectônica africana se divide em duas menores que
se movimentam em sentido contrário, produzindo uma intensa atividade vulcânica. Isso deu origem a elevações e falhas, que, por sua vez, originaram os grandes
lagos da África: o Vitória e o Tanganica.
Nesse maciço, estão as mais elevadas altitudes do continente (como o Quilimanjaro, ponto mais alto da África, com 5895 metros de altitude).
Se o movimento das placas continuar, é provável que em alguns
milhões de anos as placas se se
parem, originando uma enorme
depressão inundada pelas águas
oceânicas.
As partes mais baixas do relevo são formadas principalmente pelas estreitas planícies costeiras, que apresentam altitudes reduzidas (abaixo de 200 metros) ao longo de praticamente todo o litoral africano.
Nas depressões, formaram-se alguns dos maiores lagos africanos, como
o Tanganica e o Vitória, onde estão as nascentes do rio Nilo.
Devido à ocorrência de planaltos próximos às bordas do continente, parte dos
rios são endorreicos, ou seja, não deságuam nos oceanos, mas em lagos ou depressões no interior da África. Como exemplos, temos o Chari, rio que deságua no
Lago Chade, na borda sul do Saara, e o Rio Cubango, desaguando no interior do
Deserto do Kalahari.
Apesar do predomínio de planalto com altitudes não muito elevadas, no norte do continente há cadeias montanhosas formadas por dobramentos modernos,
como a cadeia do Atlas, resultado do encontro da placa Africana com a placa
Euro-Asiática. Também a nordeste, encontra-se o planalto dos Grandes Lagos,
região de encontro de placas menores, mas de intensa atividade tectônica. Nessa área se encontram as terras mais altas
do continente, com destaque para o monte Quilimanjaro, de origem vulcânica.
O monte Quilimanjaro está localizado na Tanzânia, próximo à fronteira com
o Quênia, em um parque nacional considerado patrimônio da humanidade
pela Unesco. É um vulcão inativo com 5 892 metros de altitude, o mais alto da
África. Apesar de estar na zona tropical do planeta, devido à altitude elevada,
seu topo é coberto de neve.
Segundo um estudo publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências
(Estados Unidos), a cobertura de gelo do monte Quilimanjaro reduziu cerca de
85% entre 1912 e 2007. Alguns cientistas apontam que o derretimento da neve
resulta do aquecimento global, mas não há consenso sobre isso.
Tectonismo
A porção nordeste da placa Africana se divide em duas placas menores (a Núbia e a Somali), que se deslocam em
sentido contrário. Esse deslocamento deu origem a uma intensa atividade vulcânica, que fez surgir as altas montanhas do leste africano e, ao mesmo tempo, as
enormes falhas tectônicas (Great Rift Valley) que deram origem aos Grandes Lagos,
como o Vitória e o Tanganica.
Se esse deslocamento continuar ocorrendo, após milhões de anos a placa
Somali poderá se desprender da porção maior da placa Africana e dar origem
a uma grande “ilha” no oceano Índico. Em razão dessa atividade tectônica, a
África oriental está sujeita a terremotos e atividade vulcânica.
Rede hidrográfica
A rede hidrográfica africana está distribuída de maneira irregular pelo território,
fato que se explica principalmente pela existência dos diferentes domínios climáticos
do continente.
Os maiores e mais importantes rios africanos concentram-se na área central do
continente, área dominada pelos climas equatorial e tropical, tipicamente chuvosos.
Essas chuvas abastecem as nascentes e o curso dos grandes rios, como o Nilo, o
Congo e o Níger, além de seus respectivos afluentes.
Nas áreas com predomínio de climas secos (áridos e semiáridos), os rios são escassos e, em geral, apresentam regimes temporários, secando completamente durante certos períodos do ano. A população dessas áreas sofre os efeitos da escassez
de água, tanto para o abastecimento quanto para o desenvolvimento de diversas
atividades, sobretudo agrícolas.
A exceção é o rio Nilo, que,
apesar de grande parte de seu
curso percorrer área de deserto,
mantém-se perene, pois sua nascente e as nascentes de alguns
de seus afluentes se encontram
em áreas em que ocorrem chuvas frequentes.
As montanhas e os planaltos interiores formam os principais divisores de
água do continente e delimitam as maiores bacias hidrográficas.
A maioria dos
rios corre para o mar, como o Nilo, o Congo e o Níger, que são os mais extensos do continente. Dos rios que correm para o interior do
continente, destaca-se o Okavango.
Os principais rios do continente africano formam extensas bacias hidrográficas.
• Bacia do Rio Congo: localiza
do na África Central, o Congo
é um dos mais longos e caudalosos rios africanos, navegável na maior parte de seu
curso. Além de abrigar áreas
com densa vegetação de Floresta Tropical, essa bacia constitui uma importante rede de
navegação e comunicação na
região.
A bacia do rio Congo abrange o território de diversos países na África
Central, com destaque para a República Democrática do Congo. Esse rio e sua
bacia hidrográfica ficam em uma região de elevada pluviosidade, por isso é o
segundo do mundo em volume de água, só atrás do rio Amazonas. Apesar do
elevado potencial hidrelétrico, especialmente no alto curso, no planalto dos
Grandes Lagos, ainda é pouco explorado.
• Bacia do Rio Níger: formada pelo rio mais importante da África Ocidental,
cujas águas são utilizadas principalmente para a irrigação de lavouras. Ao
chegar a sua foz, no Oceano Atlântico, o Níger forma um rico e verde delta,
que vem sofrendo graves impactos ambientais causados pela exploração petrolífera na Nigéria.
O rio Níger também percorre diversos países até chegar à Nigéria (o
país mais populoso da África) e desaguar no oceano Atlântico, no golfo
da Guiné. Esse rio atravessa regiões
com elevada densidade demográfica
e, na África, é um dos que mais sofrem com a poluição, causada por
lançamentos de esgotos residenciais
e industriais. Outro grande foco de
poluição é o derrame de petróleo,
sobretudo na região do delta do Níger, vazado de oleodutos de empresas petrolíferas estrangeiras.
• Bacia do Rio Nilo: o Nilo nasce no Lago Vitória, na África Oriental, e a maior
parte de seu curso está em meio ao Deserto do Saara. Deságua no Mar Mediterrâneo, no Egito.
Durante milênios, as cheias do
Nilo e a deposição de sedimentos ao longo de suas margens
garantiram a fertilidade dos
solos para a prática agrícola.
No entanto, a partir do século
XX, a construção de barragens
alterou o regime das cheias do
rio. Dessa forma, algumas áreas localizadas às margens do
Nilo hoje necessitam de fertilização artificial.
O rio Nilo, com seus 6 852 quilô
metros de extensão, desde a nascente no lago Vitória até a foz no mar Me
diterrâneo (no Egito), é o segundo
mais longo do mundo (só perde para
o Amazonas, 140 quilômetros mais extenso). O Nilo nasce em uma região
de clima tropical, onde o verão é chuvoso, e recebe muita água, sobretudo
de seus afluentes que nascem no planalto da Etiópia. Esse rio é muito importante porque atravessa o deserto
do Saara e suas águas são utilizadas
para navegação, irrigação e geração
de energia nos países abrangidos por
sua bacia.
Desde a Antiguidade, as águas do Nilo são usadas para a irrigação, e as
chuvas de verão provocavam cheias que fertilizavam naturalmente o solo de
suas margens com a deposição de sedimentos orgânicos, favorecendo a prática da agricultura. No período da seca, porém, o volume de água era insuficiente. A construção de barragens, como a de Assuã, no Egito, além de gerar
energia hidrelétrica, permitiu controlar o nível das águas, tornando seu fluxo
mais constante ao longo do ano e favorecendo a irrigação.
A usina de Assuã, inaugurada em 1970 e com capacidade instalada
de 2 100 MW, durante muito tempo foi a maior hidrelétrica africana. Atualmente, está em construção a Grande Barragem do Renascimento Etíope, localiza
da no rio Nilo Azul, afluente do rio Nilo, em território da Etiópia, com capaci
dade instalada de 6 450 MW. Essa usina, que será a maior da África, fica
perto da fronteira com o Sudão, um dos países que também devem se beneficiar da energia elétrica produzida.
No entanto, a enorme represa necessária
para o funcionamento das turbinas reterá maior quantidade de água em uma
das cabeceiras da bacia do rio Nilo, o que em época de seca poderá fazer
falta ao Sudão e sobretudo ao Egito, que está mais perto da foz e tem a maior
parte do território no deserto. Esses países da bacia do Nilo precisam gerir
seus recursos hídricos de forma combinada e equilibrada para evitar futuros
conflitos pelo uso da água.
Na África já há um exemplo de gestão compartilhada das águas de um rio
e sua bacia hidrográfica: trata-se da Comissão Permanente das Águas da Bacia
Hidrográfica do Rio Okavango (OKACOM). Essa comissão foi criada em 1994
por Angola, Namíbia e Botsuana para gerir os recursos hídricos do rio Okavango, que atravessa seus territórios. Durante muito tempo a guerra civil em Angola (1975-2002) limitou as atividades da OKACOM, e só após a assinatura do
acordo de paz os membros dessa comissão puderam ter segurança para desenvolver seu trabalho.
O clima e as formações vegetais
A maior parte das terras do continente africano está localizada na zona intertropical da Terra, ou seja, entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio. Apenas os
extremos norte e sul estendem-se pelas zonas temperadas. Em razão dessa posição
geográfica, a África recebe grande radiação solar, o que explica o predomínio de climas com temperaturas elevadas na maior parte de seu território.
Esses climas, no entanto, apresentam diferenças quanto aos índices de precipitações: enquanto o clima equatorial é chuvoso, o clima desértico é extremamente
seco. As diferenças climáticas existentes no território explicam, por sua vez, a grande
diversidade de formações vegetais que caracteriza as paisagens africanas. Em seguida, conheça suas principais características.
O clima Equatorial é caracterizado por elevados índices pluviométricos, chuvas bem distribuídas ao longo do ano, temperaturas médias anuais na faixa
dos 25 °C e pouca variação na amplitude térmica, ou seja, na diferença entre a
temperatura máxima e a mínima.
Esse clima favorece o
desenvolvimento da floresta equatorial, densa e com
grande diversidade de espécies animais e vegetais,
assim como da floresta do
Congo, segunda maior floresta tropical do mundo,
superada apenas pela Amazônia. Ela se estende por
seis países da África, ocupando a porção centro-ocidental do continente.
O clima Tropical é caracterizado por duas estações bem definidas: uma
seca (inverno) e outra chuvosa (verão), com índices pluviométricos em torno de
1 000 mm.
O clima Desértico é marcado por baixíssimos índices pluviométricos e grandes oscilações de temperatura: durante o dia, o forte calor faz a temperatura
atingir quase 50 °C; à noite, em razão da rápida perda de calor do solo (ex
tremamente seco), as temperaturas caem bruscamente, chegando a menos de
15 °C.
Nesse clima, predominam
as savanas, vegetação forma
da por árvores e arbustos
geralmente dispersos na paisagem, com capim e gramíneas que cobrem os solos.
Na savana, vivem os grandes
mamíferos, como leões, zebras, elefantes e girafas.
O clima Semiárido é caracterizado por chuvas escassas e irregulares ao
longo do ano (quando acontecem, costumam ser concentradas em um curto
período), com ocorrência de períodos de secas prolongados.
Nessas áreas, a vegetação são as estepes, compostas principalmente de gramíne
as, arbustos e árvores dispersas na paisagem.
O clima Mediterrâneo é marcado pela influência da maritimidade e as tem
peraturas médias anuais situam-se entre 15 °C e 20 °C, com as chuvas se con
centrando no período do inverno. Nessas áreas, as condições são favoráveis aos
cultivos de uvas, azeitonas, frutas e cereais.
Nessas áreas, em geral,
desenvolvem-se plantas arbustivas. São chamadas de
garrigues quando apresentam
pequeno porte e aparecem
mais esparsas na paisagem, ou
de maquis quando são mais
densas e fechadas.
O clima temperado ocorre em pequenas áreas da parte oriental do continente,
onde se encontram altitudes mais elevadas, e no extremo sul, onde atuam os ventos
vindos do litoral. Esse clima é caracterizado pelas quatro estações bem definidas ao
longo do ano: verão relativamente quente e mais seco que o inverno, outono com
temperaturas que vão diminuindo com o passar dos dias, inverno frio e primavera
com temperaturas em elevação.
Nas áreas menos frias, desenvolvem-se as savanas. Já nas áreas de maior altitude, onde as médias de temperatura tendem a diminuir, desenvolve-se a vegetação
de altitude, com predomínio de
vegetação de pequeno porte,
como as gramíneas e os arbustos esparsos.
O Clima desértico ocorre em uma extensa faixa mais ao norte do continente, no deserto do Saara,
e no sudoeste, nos desertos da Namíbia e do Kalahari. Nesse clima, as chuvas são
extremamente escassas (abaixo de 250 mm anuais) e a amplitude térmica varia muito
ao longo do dia (as temperaturas podem chegar aos 50 °C durante o dia e cair para
abaixo de 0 °C à noite).
A superfície dos desertos, em geral, é coberta por dunas de areia e solos pedre
gosos. A vegetação é escassa e adaptada aos rigores do clima, a exemplo dos cactos
e de certas espécies de palmeiras e plantas rasteiras. Onde afloram os lençóis de
água do subsolo desenvolvem-se os oásis, áreas geralmente férteis, devido à
presença de água.
Nos desertos, podemos
encontrar também alguns
animais adaptados à escassez de água e à variação de temperatura, como
o camelo.
Formações vegetais
Os tipos de vegetação encontrados no continente africano estão associados aos climas.
Na África, localizam-se grandes desertos: o Saara, no Norte
(o maior do mundo), o Kalahari
e o deserto da Namíbia, no Sudoeste. Nessas áreas, a vegetação praticamente inexiste. Entre
tanto, no Saara existem diversos
oásis, nos quais se destaca a pre
sença de palmeiras e a produção
de tâmaras.
Na porção centro-ociden
tal do continente africano, onde
predomina o clima Equatorial,
destaca-se a Floresta Equatorial
(na África central, é denomina
da Floresta do Congo), densa e
constituída por árvores de grande porte.
Em áreas de ocorrência de
clima Tropical, a vegetação pre
dominante é a Savana, forma
ção bastante diversa, em geral
caracterizada pela vegetação
rasteira, arbustos e árvores es
parsas (semelhante ao Cerrado
do Brasil). Em áreas de clima Me
diterrâneo, as vegetações características são o Maqui e o Garrigue, além de
florestas de pinheiros e carvalhos em alguns trechos. Já nas áreas de clima
semiárido, ocorre a vegetação de Estepe (pradarias).
Algumas regiões da África apresentam grande biodiversidade, com desta
que para a ocorrência de espécies endêmicas e grandes mamíferos. Para a con
servação desse patrimônio, áreas protegidas têm sido criadas pelos governos
de diversos países.
Destacamos a seguir algumas
características desses tipos climáticos e das formações vegetais.
Floresta Tropical
Na porção equatoriana da África
Central, onde prevalece o clima
equatorial, quente e chuvoso,
desenvolve-se a Floresta Tropical do
Congo. Outras florestas desse tipo
existem também na África Ocidental.
Savanas
Esse tipo de formação vegetal é
semelhante ao Cerrado brasileiro,
composto por campos de gramíneas,
arbustos e árvores esparsas que se
desenvolvem sob o clima tropical.
Ocorrem, principalmente, ao longo da
zona tropical do planeta. Na África
Oriental, as Savanas abrigam animais
emblemáticos, como elefantes, girafas e
leões.
Estepes e Pradarias
Ao norte e ao sul do continente, próximo às áreas dos
desertos, o clima semiárido propicia o
desenvolvimento da vegetação de Estepes e Pradarias.
Essa formação é composta de espécies que se
mostram bem adaptadas a condições de aridez dos
solos e longos períodos de estiagem associados a esse
tipo climático.
Vegetação Mediterrânea
Nos extremos norte e sul da África, atua
o clima mediterrâneo, com forte
influência da maritimidade e marcado
por verões quentes e secos e invernos
frescos e chuvosos. Nessas regiões,
verifica-se a ocorrência da Vegetação
Mediterrânea.
Desertos
Nas porções norte e sudoeste do
continente, onde o clima é extremamente
seco, situam-se os desertos do Saara e
da Namíbia, respectivamente. A
vegetação presente é escassa devido à
falta de água nessas regiões, onde as
chuvas são extremamente raras. As
espécies que conseguem sobreviver
nessas condições são, em geral,
caracterizadas por apresentarem raízes
profundas e muito espalhadas para a
captação de águas subterrâneas, além de
folhas na forma de espinhos.
A desertificação do Sahel
No continente africano, as áreas desérticas vêm se ampliando nas últimas décadas. Esse fenômeno, que
atinge principalmente as regiões semiáridas, é parcialmente explicado pelo desmatamento e pela prática
indevida de atividades agropecuárias nas áreas que margeiam os desertos.
Um exemplo é a região do Sahel, que ocorre ao longo de uma faixa na margem sul do deserto do Saara, de clima Tropical Semiárido e caracterizada por uma vegetação de Estepe em sua porção
setentrional e pela Savana na parte meridional.
No Sahel, constantes derrubadas
de árvores para o estabelecimento de
atividades agropastoris e o aprovei
tamento da madeira, muitas vezes a
única fonte de energia das populações
locais, vêm intensificando o fenômeno
da desertificação e tornando a região
ainda mais vulnerável às mudanças
climáticas.
A desertificação acarreta sérios problemas para as sociedades que habitam
as áreas afetadas e, desde o final do século XX, governos de alguns países, organizações não governamentais (ONGs), e comunidades locais vêm adotando
ações de combate ao processo de desertificação no Sahel, com relativo sucesso.
Um exemplo é o reflorestamento da região a partir do plantio de árvores, bloqueando o vento que traz a areia do deserto em direção ao Sahel
e contendo o avanço da desertificação. Além disso, a criação de
hortas e pomares ajuda a desenvolver as economias locais.
Os oásis
Oásis são áreas com presença de água e vegetação
localizadas em regiões de deserto. Há diferentes tipos de
oásis, que podem se formar tanto em áreas perto de rios
como em locais onde o lençol freático está mais próximo da
superfície, proporcionando solos férteis e a ocorrência de
“ilhas verdes” de vegetação em meio à paisagem desértica.
Nos países com territórios no Deserto do Saara, entre
eles Argélia, Marrocos, Líbia e Egito, os oásis desempenham um papel social e econômico
fundamental em meio ao maior deserto do mundo.
As fontes de água naturais e os solos férteis
são utilizados por comunidades locais para sustentar cultivos agrícolas, viabilizando a produção de
gêneros como a tâmara, um importante produto dos oásis do Saara, inclusive para exportação.
No entanto, diversos oásis importantes do Deserto do Saara já enfrentam problemas por
conta do avanço da desertificação, que afeta tanto a produção agrícola e pecuária como a vida
das pessoas nessas regiões. Tais alterações se devem a fatores como as mudanças climáticas,
o uso excessivo das águas para irrigação e a prática inadequada de atividades agropecuárias.
No Marrocos, por exemplo, os oásis não têm sido mais suficientes para atender às
demandas das comunidades que deles dependem. Por causa disso, o governo do país
investe na captação artificial de águas subterrâneas. Por meio de técnicas como a escavação
e a manutenção de poços artesianos, barragens ou canais de irrigação, são desenvolvidos
oásis artificiais para suprir as necessidades da população.