domingo, 8 de fevereiro de 2026

A conquista da África pelos europeus

O desenvolvimento do capitalismo comercial no século XVI desencadeou a expansão ultramarina europeia. Por meio das Grandes Navegações, os europeus passaram a dominar territórios em outros con tinentes e neles praticar a pilhagem de recursos.
Até o início do século XIX, no entanto, em razão da resistência das populações nativas e das dificuldades impostas pelo meio natural, sobretudo devido à ocorrência de malária, a exploração da África não ultrapassou as áreas litorâneas, onde eram obtidos metais preciosos e também africanos escravizados, que poste riormente eram transportados às colônias americanas. A região próxima à costa ocidental da África foi a principal fornecedora de africanos para o tráfico de escravizados. Estima-se que cerca de 15 milhões de africanos foram capturados e enviados a colônias americanas.

O século XIX e a partilha da África

A Revolução Industrial ocorrida no século XVIII, primeiro na Inglaterra e depois em países como França, Bélgica e Alemanha, acarretou significativas mudanças no espaço geográfico mundial. Além de intensificar as relações comerciais de pro dutos industrializados, ampliou a necessidade de novas fontes de matérias- -primas e mercados consumidores.
Buscando suprir essas necessidades e com o objetivo de ampliar a dominação política e cultural sobre outros povos do mundo, várias nações europeias, como França, Portugal e Inglaterra, passaram a desenvolver, a partir do século XIX, uma nova fase do expansionismo voltada para a colonização da África, da Ásia e da Oceania, conhecida como imperialismo.
Para legitimar o imperialismo do século XIX, os europeus chamaram esse período de missão civilizadora. De acordo com as potências europeias, cabia aos colonizadores europeus repassar seus conhecimentos científicos, religiosos e cul turais para que fossem incorporados ao modo de vida dos povos dominados, pois do ponto de vista europeu tais povos eram considerados selvagens ou “atrasados”, e por isso era preciso civilizá-los.
Entre 1884 e 1885, uma série de encontros diplomáticos ocorreram no contexto da Conferência de Berlim, resultando no início do processo de divisão territorial da África entre as principais potências europeias.
Até 1914, ano que daria início à Primeira Guerra Mundial, praticamente todos os territórios africanos foram colonizados pelas potências europeias, dando ori gem à divisão do continente evidenciada no mapa desta página (após a guerra, as colônias alemãs foram passadas para o Reino Unido e a Bélgica).
O imperialismo na África resultou na formação de colônias cujos limites não coincidiam com as fronteiras cul turais dos povos e reinos já estabele cidos no continente. Dessa forma, di ferentes etnias foram agrupadas em um mesmo território colonial ou tiveram seus territórios culturais separa dos entre duas ou mais colônias.
Durante o imperialismo, parte do valor excedente proveniente da atividade industrial na Europa foi direcio nada à África sob a forma de financia mentos para a construção de obras públicas, como escolas, hospitais, ferrovias, rodovias e portos. Essas obras de infraestrutura tinham como objeti vo a ampliação do grau de exploração das atividades minerais, energéticas e agrícolas do continente.
No entanto, a estrutura econômica das colônias beneficiava somente os europeus. Os africanos eram tratados como reserva de mão de obra nas colônias, trabalhando em plantations ou em áreas mineradoras exploradas por empresas coloniais europeias.

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