terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Regiões geoeconômicas - O NORDESTE

O Nordeste compreende uma área de cerca de 1,5 milhão de quilômetros quadrados (aproximada mente 18% do território brasileiro).  Atualmente, a população nordestina é de aproxima damente 57 milhões de habitantes, compondo cerca de 27% da população brasileira.
Essa região foi a primeira a ser colonizada e povoada pelos portugueses. Do início do século XVI à segunda metade do século XVII, constituiu-se no principal centro econômico e social da colônia, em razão das atividades econômicas ali desenvolvidas. Na história da ocupação e da formação do território brasileiro, essa região foi a que primeiro concentrou núcleos urbanos e atividades agrícolas. 
Foi no Nordeste que a colonização portuguesa se efetivou, com destaque para a exploração do pau-brasil e da cana-de-açúcar. A Região Nordeste apresenta grandes contrastes internos, tanto naturais quanto socioeconômicos. 
Foi também a primeira a utilizar o trabalho escravizado indígena e africano. Esses fatos fizeram com que povos de diferentes etnias convivessem e possibilitassem a formação de uma identidade regional multicultural.

O INÍCIO DA COLONIZAÇÃO NO NORDESTE E A SOCIEDADE AÇUCAREIRA NOS SÉCULOS XVI E XVII

A cana-de-açúcar

Em 1530, iniciou-se, no litoral nordestino, o cultivo da cana-de-açúcar com destino à metrópole. O sucesso que a produção açucareira obteve na região, principalmente em Pernambuco, deveu-se a vários fatores, entre eles: o clima quente e úmido; o solo de massapé; a maior proximidade da região com a Europa, sede da Coroa portuguesa.
A cultura da cana no nordeste da colônia tinha por base o latifúndio (grande propriedade monocultora) e a escravização. A princípio, utilizou-se a mão de obra indígena e, posteriormente, a de pessoas trazidas da África. O tráfico de escravizados africanos abriu um setor de comércio altamente rentável, principal motivo pelo qual a escravização indígena foi substituída.
À época, a sociedade nordestina era formada pela figura dos senhores de engenho e suas famílias, pelos escravizados indígenas ou africanos, que correspon diam à maior parcela da popula ção, e por alguns assalariados. Esse tipo de sociedade é conhecido como sociedade patriarcal (a figura do chefe da família, senhor do engenho, o pai, é quem tinha maior poder).
Os engenhos de açúcar surgiram como estratégia de Portugal para atribuir finalidade econômica à recém-fundada colônia brasileira, aproveitando a elevação do preço do açúcar vendido no mercado mundial. Essa região sofria constantes ameaças de ocupação por outras nações europeias, o que influenciou a decisão da Coroa portuguesa de fixar aldeias e povoados na área. Foi em Pernambuco e na Bahia que se iniciou o processo de ocupação efetiva com o plantio da cana-de-açúcar. Salvador (BA) foi construída para ser a capital da colônia, enquanto São Luís (MA), Fortaleza (CE), Natal (RN) e João Pessoa (PB) eram as principais povoações do litoral do Nordeste.
Interessados na produção de açúcar e fumo e no tráfico de africanos escravizados, os franceses e os holandeses vieram para o Brasil. 
Os franceses tentaram realizar ocupações por duas vezes, mas não foram bem-suce didos: a primeira, em 1555, no Rio de Janeiro; e a segunda, no Maranhão, em 1612, onde construíram o Forte de São Luís (que deu origem à atual capital do estado), desenvolveram plantações, construíram casas e armazéns e estabeleceram alianças com os indígenas locais. No entanto, atacados por forças militares portuguesas, foram derrotados e obriga dos a abandonar o Maranhão. 
Os holandeses fizeram duas ocupações em terras que hoje fazem parte da Região Nordeste. A primeira, entre 1624 e 1625, ocorreu na Bahia, em Salvador, sede do governo português na colônia. Expulsos em 1625, voltaram a atacar em 1627, sem sucesso. A segunda ocupação ocorreu no período de 1630 a 1654, em Pernambuco, maior centro produtor de açúcar da época. Em 1630, tomaram a Vila de Olinda.
Nesse período, o governo português investiu na vinda de expedições militares e jesuítas para formar outras capitanias, estimulando a ocupação e a proteção do território. Os povos indígenas foram catequizados e doutrinados. Os que resistiam, organizavam-se no interior do território brasileiro, sendo mortos ou submetidos ao trabalho escravo no extrativismo e na agricultura quando capturados. Seus conhecimentos sobre o território eram explorados pelos colonizadores nas incursões e para o desenvolvimento econômico, por exemplo, com as técnicas agrícolas. No final do século XVII, a atividade açucareira começou a declinar.

 A economia colonial e o declínio do açúcar

Em virtude das características climáticas e do solo, o cultivo da cana-de-açúcar foi o que mais prosperou no litoral da atual Região Nordeste. Isso estimulou o surgimento de engenhos, que dominaram a vida da região desde meados do século XVI até meados do século XX. 
Os engenhos tiveram função decisiva na colonização. Neles, estruturava-se a eco nomia colonial, agrupavam-se os moradores e organizavam-se as funções religiosas, militares e administrativas. O rápido desen volvimento da cultura da cana-de-açúcar demandou um número crescente de mão de obra, que resultou no aumento do tráfico de africanos escravizados.
No final do século XVII, a atividade açu careira começou a declinar. Em 1680, Reino Unido e Países Baixos instalaram lavouras de cana-de-açúcar em Curaçao, Bonaire, Saba, Santo Eustáquio e São Martinho, assim como os britânicos fizeram em Anguilla, Bermuda, Cayman, Turks, Caicos e Montserrat. Competindo com a produção portuguesa, as Antilhas, ao aumentar a oferta do açúcar no mercado europeu, também levou à diminuição do preço e à desvalorização do produto. 
Ao mesmo tempo, uma nova atividade chamava a atenção: a mineração de ouro na região das Minas Gerais. O resultado dessa situação foi a transferência de parcela considerável da população nordestina, incluindo os escravizados, para a região das minas, durante todo o século XVIII. 
Outro fenômeno importante para a organização do território do Nordeste foi o estabelecimento da grande produção de cacau, no sul da Bahia, na segunda metade do século XVIII. Assim como a da cana-de-açúcar e do algodão, essa produção se caracterizava pela monocultura exportadora; porém, utilizava mão de obra assalariada, e não mais escravizada.

A ocupação do interior: a pecuária e o algodão 

Paralelamente ao cultivo da cana-de-açúcar, foram introduzidas na colônia as primeiras cabeças de gado, que serviam para a alimentação, para movimentar os engenhos e para o transporte. Em razão da necessidade de mais terras para o plantio da cana, que estava no auge de sua produção, e do aumento do número de bovinos, a criação de gado no litoral foi proibida. Apesar de sua utilidade como força de tração nos engenhos, a pecuária não poderia disputar terras com a cana. Após essa medida, o gado passou a ser criado em regiões do interior.
Os engenhos de cana incentivaram o desenvolvimento da pecuária, que passou a ser praticada em seu entorno com a finalidade de abastecê-los. Com o crescimento econômico da colônia, a pecuária expandiu-se do litoral para o interior.
As rotas de expansão da pecuária foram os principais eixos de penetração e ocupação do Nordeste, com destaque para o Agreste e o Sertão. Algumas das povoações formadas nessa interiorização se tornaram centros comerciais regionais, onde se articulavam tanto a comercialização do gado e do couro quanto o fornecimento de produtos e manufaturas utilizados na atividade pecuária. 
Dessa forma, a criação de gado contribuiu para a ocupação por parte dos colonizadores das áreas mais ao interior dos atuais estados nordestinos, estruturando a pecuária, praticada em grandes latifúndios no Sertão e destinada, principal mente, ao fornecimento de carne para a zona açucareira. Até hoje parte das terras do Sertão está ocupada por propriedades que praticam a pecuária extensiva.
Atualmente, a pecuária da região é desenvolvida de forma tradicional, ou extensiva, na qual o gado se alimenta normalmente das pastagens nativas, e, por causa do clima semiárido, a produtividade é baixa. Há, também, o desenvolvimento da pecuária de caprinos, animais de pequeno porte que aguentam as condições naturais da região. 
A partir da Revolução Industrial (segunda metade do século XVIII), com o de senvolvimento da indústria têxtil na Inglaterra, Portugal iniciou o cultivo do algodão na colônia, em razão da maior procura dessa matéria-prima agrícola. 
Destacaram-se nessa atividade inicialmente o Maranhão e depois o Sertão nor destino, sobretudo os núcleos de Pernambuco e da Bahia, em virtude de seu clima Tropical Semiárido. A produção do algodão também era voltada para o mercado externo e controlada pelos latifundiários. 
Visava exclusivamente ao abastecimento das indústrias europeias, pois no Brasil não existia atividade industrial. Dessa forma, exportava-se matéria-prima (algodão) e importavam-se produtos industria lizados (roupas e tecidos).

Nível socioeconômico e distribuição de renda

Historicamente, as políticas do governo federal para o desenvolvimento da região Nordeste pouco contribuíram para alterar suas condições sociais. Em boa parte, essas políticas acabaram beneficiando quem menos precisava: latifundiários e proprietários de usinas de açúcar e álcool. 
A partir do início do século XXI, porém, os programas de transferência de ren da, além dos aumentos reais do salário mínimo, entre outros fatores, possibilita ram uma redução nos níveis de pobreza e miséria na região.
A atual situação socioeconômica do Nordeste é caracterizada, em boa parte, pela forte concentração da propriedade da terra e pela influência dos grandes proprietários rurais na vida política da região. Grande parte deles detém o poder político e econômico, explorando uma mão de obra farta e considerada barata. 
A melhoria da distribuição de renda no Nordeste depende, entre outros fato res, de uma distribuição mais justa da terra no campo. Além disso, é preciso que se estabeleçam políticas para a implementação de infraestrutura de distribuição de água em áreas mais pobres, de modo que se possa conviver satisfatoriamente com a escassez que atinge grande parte da região.
O desequilíbrio na distribuição de renda e a pobreza provocam um menor poder de consumo da maioria da população nordestina. Isso dificulta a implementação e o desenvolvimento da indústria de forma mais intensa. Para que a economia de uma região se torne mais dinâmica, é necessário que o poder de compra seja ampliado a um maior número de pessoas.
No início dos anos 2000, o governo federal unificou alguns programas sociais existentes no país. Grande parte das famílias beneficiadas por esse programa unificado está no Nordeste. Com ele, o governo federal objetivava transferir renda para as populações mais carentes, visando combater a pobreza e diminuir a desigualdade.

AS SUB-REGIÕES DO NORDESTE 

Considerando principalmente a diversidade de climas e vegetações, podemos identificar algumas sub-regiões no espaço nordestino: Zona da Mata, Agreste, Sertão e Meio-Norte. Essa subdivisão é usada oficialmente pelo IBGE, para melhor compreensão das dimensões socioespaciais, culturais e econômicas do Nordeste, e auxilia na formulação de políticas públicas e projetos territoriais.

A Zona da Mata
 
A Zona da Mata é a mais po voada. Seu nome faz referência à Mata Atlântica que cobria originalmente essa área. Mais urbanizada das sub-regiões, é nela que se concentra o maior número de indústrias. 
Na porção oriental da faixa costeira, do Rio Grande do Norte até o sul da Bahia, há o predomínio do clima tropical atlântico, quente e úmido. Essa é a sub-região com a maior ocorrência de chuvas do Nordeste. Caracteriza-se por ter solos profundos e férteis, dos quais se destaca o solo de massapé. 
A vegetação nativa era formada de Florestas Tropicais, razão pela qual é conhecida como Zona da Mata. Essa vegetação foi quase totalmente substituída por plantações de cana-de-açúcar e de outras lavouras, desde o período colonial, e por cidades. 
É uma área que atrai muitos turistas de outras regiões do Brasil e do exterior, por causa de suas praias. Nela predominam as grandes propriedades rurais.

O Agreste 

O Agreste é uma área de transição entre a Zona da Mata, de clima Tropical Úmido, e o Sertão, de clima Tropical Semiárido. No Agreste, predominam as pequenas e médias propriedades rurais, onde se desenvolvem a policultura (cultivo de diversos tipos de plantas) e a pecuária leiteira. Seus produtos abastecem, principalmente, o maior mercado consumidor do Nordeste — a Zona da Mata.
O Agreste é uma sub-região de relevo com altitudes mais elevadas que as das terras vizinhas. Trata-se de uma estreita faixa de transição, com clima tropical e vegetação que combina elementos das Florestas Tropicais e da Caatinga. Ela é formada de pequenas e médias propriedades agrícolas com culturas diversificadas, como algodão, milho, mandioca, sisal, fumo e feijão. As principais cidades do Agreste, como Campina Grande (PB), Caruaru (PE) e Feira de Santana (BA), desenvolvem importantes atividades comerciais e feiras.

O Sertão 

O Sertão apresenta muitos rios temporários e baixo índice pluviométrico, com características de irregularidade, pois ocorrem longos períodos sem chuva (estiagem). Em alguns trechos do Sertão, pratica-se a criação de gado e, em outros, a agricultura, inclusive irrigada, principalmente no Vale do São Francisco. 
No Sertão, predomina o clima semiárido, caracterizado por altas temperaturas e uma estação seca prolongada, em razão da baixa e irregular distribuição das chuvas ao longo do ano. Isso afeta diretamente o curso dos rios, que são, em grande parte, intermitentes. 
A vegetação nativa é a Caatinga, formada de arbustos esparsos, como o mandacaru e o xiquexique, de algumas espécies arbóreas, como o pereiro e a aroeira, e de vegetação rasteira. A pecuária extensiva e a agricultura irrigada de frutas e hortaliças são as principais atividades econômicas do Sertão.

O Meio-Norte 

O Meio-Norte é uma área de transição entre o Sertão e a Amazônia. Nessa sub-região, destacam o extrativismo ve getal (carnaúba e babaçu) e o cultivo do arroz.
No estado do Maranhão e em parte do estado do Piauí, ocorre uma faixa de transição entre o clima seco do Sertão e o úmido da Floresta Amazônica chamada de Meio-Norte. 
A vegetação característica do Meio-Norte é a Mata dos Cocais. O extrativismo vegetal da carnaúba e do babaçu, árvores típicas da Mata dos Cocais, é uma das principais atividades econômicas dessa sub-região. Dessas árvores, são obtidos óleos e ceras para vários usos industriais, como na produção de cosméticos e de alimentos.

A CONEXÃO ENTRE CLIMA E RELEVO

Os tipos de clima que predominam no Nordeste são o tropical, o tropical atlântico e o semiárido. Os fatores climáticos e do relevo interligam-se e interferem na dinâmica climática local, caracterizada por lugares com longa estação seca, como o Sertão, e outros com elevada pluviosidade, como o Meio-Norte e a Zona da Mata.
A escassez de chuva no Sertão A sub-região do Sertão é caracterizada pela baixa e irregular pluviosidade, bem como pela presença da vegetação de Caatinga. Nessa área, a estiagem ocorre de seis a oito meses por ano. Um dos fatores que explicam a longa duração da estação seca é a ocorrência de uma zona de alta pressão, sobre a área do Sertão, que dificulta o encontro das massas de ar quentes e úmidas, provenientes da Amazônia e do Atlântico, com a massa de ar fria que se desloca da região polar atlântica. 
Por esse motivo, raramente se formam frentes de instabilidade, responsáveis pelas chuvas. À medida que as massas se deslocam, perdem umidade e, caracterizando a escassez e a irregularidade, não ultrapassam 400 mm anuais. Essa escassez implica déficit hídrico no Rio Grande do Norte, em Seridó, por exemplo.
A variação pluviométrica de alguns trechos do Sertão também está rela cionada com a presença do relevo, principalmente o Planalto de Borborema, que faz com que chova na vertente leste e o ar chegue seco na vertente oeste. Isso explica a escassez de chuvas em determinado período do ano nas áreas próximas a esse planalto.
Ao comparar os mapas, pode-se notar que, nas áreas do Rio São Francisco e da Depressão Sertaneja, a seca ocorre com maior intensidade. Isso acontece porque o Planalto da Borborema barra a circulação da massa de ar Equatorial Atlântica, concentrando a umidade no litoral, onde está a planície e os tabuleiros litorâneos. Também é possível notar a diferença de pluviosidade em um mês.

A VEGETAÇÃO NO NORDESTE 

Uma característica importante do Nordeste é a diversidade natural. As características físico-naturais possibilitam a compreensão da dinâmica econômica e da ocupação do Nordeste, bem como o planejamento de estratégias para o seu desenvolvimento social e econômico.

 A Floresta Amazônica 

É uma Floresta Equatorial, suas árvores são de grande porte e perenes, ou seja, as folhas não caem no outono e no inverno. Em razão da densidade da vegetação, a floresta detém uma grande quantidade de massa de ar úmida, dando origem aos chamados rios voadores.

A Mata dos Cocais 

A Mata dos Cocais está localizada em uma faixa de transição entre três biomas brasileiros, a Caatinga, a Floresta Amazônica e o Cerrado. Sua flora é composta, majoritariamente, por palmeiras de babaçu e carnaúba. Em função de sua localização, a região da Mata dos Cocais tem um clima equatorial e semiárido, com verão quente e chuvoso e inverno quente e seco.

A vegetação de Mata Atlântica 

Apresenta grande biodiversidade de fauna e flora. Os solos são profundos e férteis, conhecidos como solos de massapé. É uma das florestas com o maior número de espécies endêmicas do mundo.

A vegetação do Cerrado 

As veredas são formações vegetativas comuns no Cerrado, caracterizadas pela presença de palmeiras de buritis e pelos Campos limpos, com poucos arbustos. Por isso, o Cerrado é frequentemente utilizado para atividades de pecuária. 
Seu solo com alta concentração de ferro é pouco fértil, no entanto pode ser facilmente corrigido para a produção agrícola. Atualmente, tem sofrido intenso desmatamento com a expansão da fronteira agrícola. A vegetação floresce durante o verão, caracterizado por altas temperaturas e pelo alto índice pluviométrico. No inverno, as temperaturas são elevadas e a região passa por um período de secas.

A vegetação da Caatinga 

A vegetação é adaptada ao solo rochoso e pedregoso e aos longos períodos de seca. Os rios são intermitentes e, por isso, podem desaparecer nos períodos sem chuva, dependendo do ritmo climático sazonal.

A vegetação de Campos 

Sua vegetação é composta, majoritariamente, por plantas rasteiras, herbáceas, pequenos arbustos e gramíneas. Em razão das suas características de solo fértil, bons índices pluviométricos e terrenos planos, os Campos têm sido devastados para a prática de atividades agropecuárias.

A vegetação litorânea 

É a vegetação mais afetada pelas atividades econômicas do período colonial, em razão de sua localização. É formada principalmente por mangues, restingas e dunas.

AS REDES URBANAS NO NORDESTE

A rede urbana consiste em um conjunto de cidades que estão conectadas por meio de seus arranjos produtivos e comerciais. A partir da década de 1970, projetos governamentais de incentivos industrial e agropecuário tiveram o objetivo de promover o desenvolvimento econômico do Nordeste. Desse modo, algumas cidades se firmaram como polos regionais, principalmente nas capitais históricas e litorâneas. Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE) são as maiores cidades nordestinas, somando mais de 10 milhões de habitantes nas áreas metropolitanas. 
Essas cidades dispõem de maior infraestrutura, como postos de saúde, supermercados, agências bancárias, museus, cinemas e redes de eletricidade, esgotamento sanitário e tratamento de água, por exemplo. Esses serviços são importantes para o desenvolvimento de atividades econômicas e para a geração de renda, além de promover a qualidade de vida da população.
A consolidação do processo de urbanização e constituição de redes urbanas regionais está associado aos complexos indus triais de setores agroindustriais e energéticos, desenvolvidos prin cipalmente em 1960 e 1970, no contexto da Superintendência de Desenvolvimento Regional para o Nordeste (Sudene).

AS POLÍTICAS DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL 

Entre os séculos XX e XXI, o Nordeste recebeu grandes investimentos oriundos princi palmente de parcerias público-privadas, de capital nacional e estrangeiro, o que contribuiu para a dinamização da economia e a reorganização das redes urbanas regionais. 
Nesse período, muitas indústrias migraram do Sudeste para o Nordeste, buscando menores custos de produção e impostos. Isso contribuiu para a geração de empregos e renda para a população local, principalmente nas três maiores regiões metropolitanas: Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE). 
No início do século XXI, a Região Nordeste obteve a maior taxa de crescimento médio anual no Brasil, em decorrência do cenário de desenvolvimento no período, além da geração de empregos proporcionados pela modernização e pelo desenvolvimento de indústrias e agroindústrias.
Os governos estaduais e federal também desenvolveram programas sociais voltados às linhas de crédito para os agricultores familiares e para a distribuição de renda, além de investimentos destinados à ampliação de centros de educação, pesquisa, ciência e tecnologia.

OS PROBLEMAS SOCIOECONÔMICOS DO NORDESTE

Apesar dos grandes avanços socioeconômicos da Região Nordeste nas últimas décadas, ainda podemos considerá-la a região que apresenta maior desigualdade social do Brasil. Você estudou que, em parte, isso é resultado de uma ocupação territorial pautada no latifúndio e na monocultura de exportação. Analise o mapa a seguir, que representa a proporção de pessoas abaixo da linha de pobreza no Brasil em 2017. Mais de 45% das pessoas que vivem no Maranhão, no Piauí e em Alagoas estão abaixo da linha de pobreza. Os indicadores ainda são uma herança da desigualdade regional no Brasil.
A análise dos dados, com base no panorama econômico e populacional, reforça a necessidade de formulação de políticas de incentivo e desenvolvimento regional em diversos setores, para garantir a seguridade social da população que vive na região. 
Os problemas socioeconômicos vêm sendo agravados por crises econômicas e cortes de programas de assistência social e distribuição de renda, que provocaram o aumento da pobreza e do desemprego no Nordeste.
Nos últimos anos, o Produto Interno Bruto (PIB) da região vem diminuindo. Em 2020, período da pandemia de covid-19, os setores de indústria e serviços atingiram os piores índices de queda no PIB, –8,6% e –7,6%, respectivamente. O único setor que sustentou crescimento foi a agropecuária, com 1,3%.

AS PRODUÇÕES MINERAL E INDUSTRIAL

O Nordeste apresenta diversas reservas minerais de urânio, amianto, titânio, fosfato, calcário, diamante, ouro, entre outras. As atividades de garimpo e mineração se destacam, entretanto, são superadas pela extração de petróleo e gás natural. 
Além da produção de combustíveis e gás de cozinha, o gás natural é utilizado na fabricação de fertilizantes. Na imagem a seguir, é apresentada uma indústria de fertilizantes em Laranjeiras (SE).
A indústria Unigel, que pertencia à Petrobras, produziu, em 2021, 650 mil toneladas de fertilizantes de acordo com dados divulgados pela empresa. A fábrica está localizada próxima da capital do Sergipe, Aracaju, e integra o maior eixo de industrialização da Região Nordeste. 
Além de fertilizantes nitrogenados, a empresa produz amônia e sulfato de amônio na região. Por causa das atividades que desenvolvem as indústrias de fertilizantes nitrogenados têm intensos fluxos de circulação de mercadoria e capital com os fornecedores de gás natural e demais produtos químicos e minerais para produção. 
A reativação das fábricas de fertilizantes por parte da Petrobras busca reduzir a necessidade de importação e depen dência dos produtos russos. Em 2020, de acordo com dados da IFA e Comexstate, o brasil importou mais de 30 mil toneladas de fertilizantes.

A produção de petróleo no Nordeste

A produção de petróleo no Nordeste ENCAMINHAMENTO Brasil: produção de petróleo (abril/2021) Estado Rio de Janeiro São Paulo Espírito Santo No Nordeste, a produção de petróleo destaca-se nas áreas da Bacia Potiguar (RN), da Bacia de Alagoas (AL), da Bacia do Recôncavo (BA) e da Bacia do Sergipe (SE). 
Desde 2013, com a descoberta do pré-sal, houve crescimento na atividade exploratória. A maior parte das bacias está localizada em campos maduros, ou seja, onde a explo ração ocorre há mais de 25 anos. Também existem pesquisas que visam comprovar a existência de reservas de petróleo com grande potencial.
O destaque da produção petrolífera brasileira é a Bacia de Campos e Santos, situada na plata forma marítima entre os estados do Espírito Santo, do Rio de Janeiro e de São Paulo. No entanto, ainda que Rio Grande do Norte, Bahia, Sergipe, Maranhão, Alagoas e Ceará tenham menor participação na produção nacional de petróleo, é importante destacar os investimentos realizados no setor, a extensão do litoral e a infraestrutura existente na região nordestina, como o Polo Petroquímico de Camaçari (BA).

Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CE)

A expansão do Complexo Industrial-Portuário do Pecém (CIPP), em operação desde 2002, é um exemplo de modernização e de desenvolvimento econômico. Os acordos econômicos com multinacionais de diversos países representam o interesse que o CIPP desperta no cenário mundial, em razão de sua vantajosa localização tanto pela saída para o Atlântico como pelas condições físico-naturais de energia eólica e solar disponíveis na costa litorânea do Ceará.

A MODERNIZAÇÃO DA AGROPECUÁRIA

Nas últimas décadas, a agricultura nordestina tem passado por modificações signi ficativas, seja nos setores mais tradicionais, como o canavieiro, seja na criação de novas culturas, como é o caso da produção irrigada de frutas do Sertão ou dos arranjos produ tivos modernos. 
Como consequência da modernização e da especialização de práticas agropecuárias, cuja produção se destina ao mercado externo, houve um crescimento do uso de novas técnicas de correção e fertilização de solos e a implantação de projetos de irrigação e seleção de sementes e espécies. 
A modificação da estrutura produtiva agropecuária nordestina tem submetido os agricultores a novas pressões:
• cenários internacionais de competição e de protecionismo, que dificultam a exportação; 
• mudança das estruturas de propriedade da terra; 
• necessidade cada vez maior de mecanização agrícola e acesso à tecnologia; Protecionismo: política econômica que busca tornar os produtos nacionais mais baratos do que os importados. 
• formação do chamado agronegócio, que é a fusão da agricultura com processos industriais, por exemplo: integrar o plantio de cana-de-açúcar à produção de açúcar e álcool. Com a mecanização e o uso intensivo de recursos biotecnológicos e da atividade agroindustrial, a produção agrícola no Nordeste vem apresentando diversidade de uso de tecnologia e ciência, conforme as características físico-naturais das sub-regiões (Meio-Norte, Sertão, Agreste e Zona da Mata). 
Nessas áreas, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolve estudos especializados em genética, microbiologia, engenharia de produção e de alimen tos, nutrição animal, técnicas de reprodução etc. As instalações da Embrapa estão divididas por sub-região ou tipos de atividades.

OS CINTURÕES AGRÍCOLAS NAS SUB-REGIÕES NORDESTINAS

A agricultura no Nordeste é caracterizada pelo cultivo de soja, cana-de-açúcar, grãos, raízes, leguminosas e frutas, além das pecuárias caprina, ovina e bovina. 
Cada sub-região conta com sistemas específicos de produção, que adotam solu ções tecnológicas para alcançar produtividade em áreas com estresse hídrico. 
Note que, nos estados do Meio-Norte, vão se concentrar as produções que precisam de maior umidade, chuvas mais frequentes e solos menos ácidos; no Sertão estarão concentradas aquelas ativida des agrícolas que resistem a longos períodos de estiagem e baixa umidade; já no Agreste e na Zona da Mata, estão con centradas as produções que resistem a curtos períodos de estiagem e maior umidade.

O biocombustível

O biocombustível é um combustível biodegradável fabricado à base de fontes reno váveis, como óleos vegetais e gorduras animais. Ele é menos poluente que os combustíveis convencionais, como o diesel, proveniente do petróleo. 
O biocombustível utilizado em veículos movidos a diesel, caminhões e tratores, por exemplo, é conhecido como biodiesel. Por beneficiar o desenvolvimento da atividade agrícola, o biocombustível recebe insumos da pecuária, como o sebo bovino, que pode ser usado em sua composição. 
No futuro, ele poderá reduzir a exploração do petróleo, uma vez que é, em muitos casos, um substituto desse recurso. A produção de biocombustível no Nordeste é significativa, em especial, no que diz respeito ao aproveitamento de oleaginosas, como o babaçu, o girassol e a mamona.

A IMPORTÂNCIA DO RIO SÃO FRANCISCO 

O Rio São Francisco é o principal rio perene da Região Nordeste. Suas nascentes localizam-se no estado de Minas Gerais; de onde segue na direção norte e deságua no oceano Atlântico, na divisa entre Sergipe e Alagoas. Atravessa três das quatro sub-regiões do Nordeste: Sertão, Agreste e Zona da Mata. 
É um rio extremamente importante para a região nordestina. Além de garantir água para uma vasta área, em especial, o Sertão, possibilita a instalação de hidrelétricas em diversos trechos de seu percurso, que abastecem as principais cidades do Nordeste. 
No entanto, a falta de planejamento no uso das águas e o desmatamento das matas ciliares têm causado sérios problemas, como o assoreamento do rio, a diminuição do canal fluvial e a poluição de suas águas.

A transposição do Rio São Francisco 

A transposição consiste na construção de dutos de ligação das águas do São Francisco para alimentar rios intermitentes e açudes nas regiões mais afetadas pela seca, com previ são de abastecer um total de 390 municípios nos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. 
Em 2017, o primeiro trecho foi inaugurado e, no mesmo ano, foi verificada a melhora no acesso à água nas áreas próximas a açudes, o que levou a novos projetos para beneficiar outros estados nordestinos.
Apesar disso, há críticas ao modelo da transposição, que apontam como possíveis fatores negativos o aumento do assoreamento do rio, a diminuição de seu volume de água, o que afetaria os peixes e outros animais desse hábitat, e a perda de vegetação nativa causada pelas obras. 
Além disso, os projetos de irrigação colocados em prática até então favoreceram principalmente os latifúndios monocultores, que destinam toda a sua produção à exportação.

A ATIVIDADE TURÍSTICA

A atividade turística é um dos setores da economia que mais crescem no mundo, e na Região Nordeste gera muitos recursos e empregos. 
Nos últimos 20 anos, o desenvolvimento do turismo no Nordeste tem sido marcado por quatro características: 
• diversificação dos destinos, que não se limitam unicamente às capitais e às localidades litorâneas; 
• crescimento contínuo do fluxo de turismo interno e externo; • profissionalização do setor; 
• articulação eficiente entre poder público e iniciativa privada.
O turismo é um dos exemplos da articulação entre natureza, economia e cultura. Assim, para que a atividade turística tenha sucesso, não se devem considerar apenas as características naturais, mas também as condições culturais e educacionais da região, promovendo, por exemplo, a formação de mão de obra especializada. 
Além das belezas naturais, como o seu vasto litoral e as áreas como os Lençóis Maranhenses, o Nordeste tem cidades tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como Salvador (BA), Olinda (PE) e São Luís (MA), e, também, grandes áreas de preservação ambiental. No entanto, a atividade turística também apresenta aspectos negativos, já que pode contribuir para a degradação ambiental e a expulsão da população local em áreas que atraem investimentos turísticos. Considerando isso, é importante que as políticas voltadas para o incentivo ao turismo promovam o desenvolvimento local e respeitem as legislações ambientais e trabalhistas.

AS MIGRAÇÕES NORDESTINAS

Nas últimas décadas, o Nordeste ampliou seu parque industrial e sua produção agrí cola, aumentando, assim, a oferta de emprego. Atraída por mais postos de trabalho, grande parte dos migrantes regressou a essa região, em especial para as capitais, como Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE). 
A produção de petróleo e o turismo também têm participação significativa na economia nordestina e na atração populacional para a região. O crescimento econômico regional tem contribuído para a inversão do fluxo de migração Nordeste-Sudeste. É cada vez mais intensa a chamada migração de retorno – pessoas nascidas em estados do Nordeste que vivem no Sudeste estão retornando à sua região de origem.

Os movimentos pendulares e sazonais 

Na Região Nordeste, é muito comum ocorrer movimentos temporários de pessoas, por um período mais longo ou no decorrer do mesmo dia. Eles se diferenciam dos fluxos migratórios exatamente por não serem permanentes. São chamados de movimento sazonal e movimento pendular de pessoas. 
O movimento sazonal se refere a migrações que acontecem por um período determinado. Ocorre principalmente nos períodos de seca no Sertão nordestino, que incentivam os fluxos temporários de pessoas que vão para as grandes cidades para trabalhar. Quando as chuvas retornam, essas pessoas voltam para seu local de origem. 
Também podem ser trabalhadores de indústrias ou empresas de serviços, que trabalham durante um período em uma das filiais, ou profissionais autônomos, que se deslocam para prestar serviços durante um período em outras cidades.
No movimento pendular, os trabalhadores se deslocam, diariamente, de suas residências em direção ao seu lugar de trabalho. Então, não chegam a mudar de casa. Entre os exemplos, estão os boias-frias, trabalhadores rurais que saem das cidades onde residem e se deslocam para as fazendas em que trabalham, regressando às suas casas depois do dia de trabalho; os trabalhadores da indústria e dos serviços que vivem em cidades-dormitório e se deslocam diariamente ao centro das grandes cidades para trabalhar, algo muito comum nas regiões metropolitanas.

A RIQUEZA CULTURAL NORDESTINA

Na história da ocupação e da formação territorial do Brasil, o Nordeste constitui-se como uma das primeiras regiões a concentrar os núcleos urbanos, as atividades agrícolas e, na vida cotidiana, a mistura de várias culturas e povos, como você já estudou. Esses fatos propiciaram a convivência de diferentes povos e possibilitaram a formação de uma cultura que confere uma identidade regional. 
A cultura nordestina é o resultado da convivência de vários povos europeus, afri canos e indígenas. Essa miscigenação cultural traz aspectos do cato licismo e das religiões africanas e indígenas e materializa-se em ritmos, danças, músicas e festas. Analise as fotografias de algumas dessas manifestações culturais e leia as descrições para conhecer um pouco sobre elas.



domingo, 21 de dezembro de 2025

Regiões geoeconômicas - Amazônia

A região geoeconômica denominada Amazônia está localizada no norte do Brasil. A presença da Floresta Amazônica e da Bacia Amazônica é a sua característica natural mais marcante e influenciou diversos aspectos da ocupação humana no território, como as atividades econômicas, os fluxos de transporte e a distribuição dos núcleos urbanos.
Nessa divisão, a Amazônia é identificada por semelhanças nos processos de ocupação, produção e organização do território. Ela é formada pelos estados de Roraima, Amapá, Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, boa parte do Mato Grosso, parte do Tocantins e uma pequena parte do Maranhão.
Nessa divisão, a Amazônia é identificada por semelhanças nos processos de ocupação, produção e organização do território. Ela é formada pelos estados de Roraima, Amapá, Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, boa parte do Mato Grosso, parte do Tocantins e uma pequena parte do Maranhão. 
Por fim, é possível utilizar aspectos naturais para regionalizar territórios que não pertencem a apenas um país, como também é o caso da Floresta Amazônica. Essa formação vegetal se estende por diversos países sul-americanos e é, em seu conjunto, denominada Amazônia internacional. Estão dentro de seus limites uma porção do território do Brasil – grande parte da Região Norte, do Maranhão e do Mato Grosso –, da Bolívia, do Peru, do Equador, da Colômbia e da Venezuela, além de Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

O AMBIENTE AMAZÔNICO

Agora, vamos abordar as características físico-naturais da Região Amazônica, como clima, vegetação, solo, relevo e hidro grafia. O ambiente amazônico se destaca por seus ecossistemas regionais e sua localização, que está entre os planaltos brasileiro e guianense.

O clima

O clima, a vegetação, a hidrografia e o relevo estão sempre inter-relacionados. Isso significa que as características da flora dependem do tipo de clima, da hidrografia e do relevo, assim como as características do clima estão muito relacionadas à presença de rios, às formas do relevo e a determinada vegetação. 
O clima da Região Amazônica é fortemente influenciado pela presença da floresta e pela latitude em que se encontra no globo. A proximidade da linha do equador faz com que a região receba muita insolação o ano todo, o que ocasiona altas temperaturas. 
A evapotranspiração da floresta e a presença de muitos rios contribuem para os altos índices de umidade e a baixa amplitude térmica. Nas áreas próximas à linha do equador, o clima é predominante mente equatorial, enquanto as áreas mais a leste e ao sul apresentam o clima tropical.

A vegetação

As paisagens naturais amazônicas não são uniformes. Além da própria vegetação da Floresta Amazônica, há também Campos, vegetação litorânea e Cerrado. Analise a distribuição dessas formações vegetais no mapa a seguir. 
Na própria Floresta Amazônica, é possível encontrar florestas de terra firme, de várzea e de igapó. As florestas de terra firme situam-se em regiões mais altas, que nunca inundam, e cobrem 90% do território amazônico. 
As de várzea ocupam as planícies e sofrem a influência das cheias e das vazantes dos rios. As de igapó – também chamadas de mata dos igapós – localizam-se nas planícies de inundação periódica ou permanente e representam uma rica fonte de alimentos para a fauna aquática.

O solo

Quando se analisam fotografias da Floresta Amazônica, é difícil imaginar que o solo da região seja considerado pobre em nutrientes. Nesse tipo de floresta, a própria cobertura vegetal protege e nutre o solo, ou seja, é nela que se originam os nutrientes que a mantêm exuberante, com o processo de decomposição da matéria orgânica. 
Com isso, se a vegetação original da floresta for retirada, teremos um solo pobre em matéria orgânica e em nutrientes, onde não será possível produzir nenhuma espécie de gênero agrícola. Outro fenômeno que pode acontecer é a desertificação da região e a alteração do clima.

O relevo e a hidrografia 

A rede hidrográfica da Região Amazônica é composta de muitos rios, os quais influenciam bastante as características das formações vegetais, do relevo e do clima, além, é claro, do cotidiano das populações. Como você analisou na abertura desta unidade, os rios são importantes para o desenvolvimento econômico da região. Alguns são extensos e volumosos, como os rios Amazonas e Tocantins, cujas bacias são as mais importantes do Brasil – Bacia do Amazonas e Bacia Tocantins-Araguaia.
Os cursos dos rios amazônicos percorrem áreas de planalto, planície e depressão, mas boa parte das bacias abrange terras baixas e relativamente planas. Essas características favorecem o transporte hidroviário, muito utilizado na região. Os rios que se localizam em áreas planálticas podem ser explorados para a geração de energia elétrica, como você estudará mais adiante. 
Além de serem as principais vias de circulação tanto de pessoas quanto de mercado rias – medicamentos, alimentos, combustíveis etc. –, os rios fazem parte da cultura e do sustento de muitas comunidades indígenas e tradicionais. Foi nas margens deles que a maior parte das cidades da região se desenvolveu.

A OCUPAÇÃO COLONIAL DA AMAZÔNIA

No início da colonização do continente americano, as nações europeias não deram muita importância à atual Amazônia, permitindo sua ocupação por companhias religiosas que tinham o objetivo de catequizar a população nativa. Para isso, diversas missões foram criadas ao longo dos grandes rios da região. 
No século XVII, ocorreram as primeiras tentativas europeias de ocupação da região por meio da agricultura, com o cultivo de cacau, cravo, algodão, café e cana-de-açúcar. Essa experiência, no entanto, fracassou por conta da falta de conhecimentos para o cultivo dessas espécies nas condições climáticas da Amazônia, além das dificuldades no escoamento da produção. 
Durante os séculos XVII e XVIII, Portugal construiu diversos fortes nesse território, especialmente ao longo dos rios, com o objetivo de combater as tentativas de ocupação da região por outras nações europeias. 

O extrativismo vegetal 

A história da ocupação da Amazônia pelos europeus e a do extrativismo nessa região caminham juntas. A extração das drogas do sertão, como são denominadas algumas riquezas naturais – guaraná, anil, urucum, copaíba, pau-cravo e castanha-do-pará – orien tou as invasões portuguesas ao interior do território durante o período colonial. Basicamente, a extração das drogas do sertão se deu por monopólio dos religiosos, que exploravam a mão de obra indígena. 
Esse processo não ocorreu de forma pacífica – eram constantes os conflitos entre missionários e indígenas e entre missionários e colonos, os quais também queriam participar da lucrativa exploração. No começo do século XIX, iniciou-se a extração comercial do látex para a produção da borracha, a qual, em pouco tempo, tornou-se um produto essencial para a crescente indústria automobilística e ganhou importância no mercado internacional. 
Dessa forma, as cidades de Belém (PA) e Manaus (AM) se desenvolveram economicamente e começaram a se estruturar enquanto metrópoles.
Outra grande riqueza da Floresta Amazônica é a madeira de lei. Historicamente, a exploração desse recurso ocorreu de forma descontrolada e ilegal, colocando em risco a reposição natural das árvores. Nas últimas décadas, surgiram iniciativas de ambientalistas e governos para tentar reduzir o desmatamento ilegal no Brasil. 
Uma das estratégias foi a difusão de técnicas que possibilitam o manejo florestal sustentável e a geração de empregos para a população envolvida na atividade. Também foram discutidas a intensificação da fiscalização e a criação de reservas extrativistas, de regras de derrubada seletiva e de políticas de reposição planejada de espécies. 
No entanto, o desmatamento ilegal continua sendo um grande problema na Região Amazônica, não só para o ambiente, mas também para as comunidades tra dicionais e para os indígenas, já que é comum que madeireiros invadam as terras dessas populações para extrair a madeira ilegalmente.

Os projetos de colonização na Amazônia e a construção de estradas 

Um dos planos estimulados pela criação da Sudam foi a colonização da Região Amazônica, incluindo a construção de estradas e rodovias. Entre as décadas de 1950 e 1980, o governo federal construiu milhares de quilômetros de rodovias para integrar o norte do país com as demais regiões. Esse projeto atraiu migrantes tanto para o trabalho na construção das estradas como para ocupar as áreas do entorno com atividades agropecuárias ou de mineração.

Por meio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), criado em 1970, o governo federal implementou projetos que buscavam uma ocupação de áreas com baixa densidade demográfica. 
A Rodovia Transamazônica foi uma das responsáveis pelo povoamento da região. Durante esse período, a região sofreu intensos impactos ambientais em razão das obras, cujas atividades causaram desmatamento da floresta e maior exposição do solo – e sua consequente erosão. 
Os projetos de ocupação do território acentuaram esses impac tos, como o desmatamento para a extração de madeira e de minério e para abertura de espaços para as atividades agropecuárias. Os conflitos sociais também aumentaram muito, em razão das disputas por terras entre os colonos e das invasões de Terras Indígenas por garimpeiros, madeireiros e caçadores ilegais.

A Zona Franca de Manaus

Outro projeto para a ocupação da Região Norte do país foi a criação da Zona Franca de Manaus (ZFM), em 1967. Esse projeto consistiu em instalar um polo industrial na cidade, com facilidades e incentivos fiscais como redução na taxação de impostos, bus cando favorecer o desenvolvimento econômico regional. Essa tentativa se deu após a decadência da produção da borracha, que resultou na estagnação econômica dos estados da Região Amazônica. 
As isenções fiscais atraíram a instalação de diversas indústrias entre 1972 e 1982. Por meio de legislações e emendas constitucionais, os incentivos foram prorrogados por mais 50 anos, até 2073. As indústrias mais importantes da ZFM são as montadoras de aparelhos eletrônicos, como aparelhos de som, televisores, computadores, equipamentos de vídeo e eletrodomésticos (forno de micro-ondas, refrigeradores, máquinas de lavar etc.), além de motocicletas e bicicletas. 
Há outros centros industriais na região, como o de Belém (PA), com destaque para as indústrias têxtil, alimentícia, madeireira e de bebidas, que têm sua produção destinada a atender principalmente aos mercados local e regional. Barcarena (PA) é outro município com um complexo industrial metalúrgico importante, que transforma a bauxita extraída na Serra dos Carajás (PA) em alumínio.

A exploração mineral 

A exportação de minérios é uma das principais atividades econômicas do Brasil, e nosso país é um dos maiores exportadores de recursos minerais no mundo, dos quais a Região Amazônica é rica. No entanto, para que a extração ocorra, é preciso realizar grandes obras, como a abertura das jazidas e a construção de vias de circula ção para escoamento dos recursos extraídos. Todas essas ações causam intensos impactos ambientais e são uma grande preocupação para as comunidades locais. 

A Serra dos Carajás

A Serra dos Carajás, localizada no estado do Pará, é uma área rica em diversos miné rios, especialmente o ferro de alto teor, a bauxita, o ouro, a cassiterita, o manganês, o níquel e o cobre. Para explorá-los, foi implantado na região, entre 1979 e 1986, o Projeto Carajás. 
Na época, houve investimentos na construção de infraestrutura de transportes, como estradas, ferrovias e portos, e de usinas hidrelétricas, como a de Tucuruí, para abas tecer a região e possibilitar a exploração mineral. 
A Estrada de Ferro Carajás, que liga a Serra dos Carajás ao Porto de Itaqui, em São Luís (MA), desempenha um papel importante no transporte de cargas e no escoamento do minério, tanto para exportação quanto para abastecimento do mercado interno. Empresas multinacionais investem no setor metalúrgico, considerado um dos mais impor tantes do mundo, para o abastecimento de seus parques industriais. 
O Projeto Carajás, com suas usinas de alumínio e alta extração de manganês (80% da produção de manganês do Brasil vem da Serra dos Carajás), entre outros minérios já citados, atrai investidores de diversos países, como o Japão, a China, o Canadá e os Estados Unidos, por exemplo. Por outro lado, a atividade mineradora nessa região também causou extensos impac tos na vegetação e no relevo.

O garimpo de ouro 

Outra atividade econômica muito presente na Região Amazônica é o garimpo. Ele pode ser definido como a extração de minérios – a exemplo do ouro e do diamante – com a utilização de técnicas tradicionais. É importante ressaltar que essa atividade é, muitas vezes, praticada de forma ilegal. 
No século XX, o garimpo atraiu grandes fluxos migratórios para a região, pois nessa época foram descobertas muitas reser vas de ouro no norte do estado de Roraima; nos vales dos rios Tapajós, Tocantins e na Serra Pelada, no estado do Pará; e no vale do Rio Madeira, no estado de Amazonas. 
O garimpo causa impactos ambientais muito preocupantes, como a aceleração da erosão do solo e a contaminação de rios e outros corpos-d’água. Durante o processo de garimpo do ouro, utiliza-se mercúrio, metal tóxico que auxilia na separação das impurezas. 
Ele contamina as águas e a fauna local e pode causar sérios problemas de saúde em seres humanos que dependem dos rios para sobreviver. O garimpo em rios pode utilizar balsas que dragam o leito e causam impactos ambientais severos, desequilibrando todo o ecossistema local.
Além dos problemas am bientais, a atividade do garimpo traz consequências sociais. Exis tem reservas de ouro que estão localizadas em Terras Indígenas e de populações tradicionais que são invadidas por garimpei ros e geram conflitos e violência contra as pessoas que vivem ali.

O garimpo em Serra Pelada

Em 1979, na região de Serra Pelada (PA), foi descoberta uma grande jazida de ouro que provocou a migração de muitas pessoas em busca de riqueza. Em 1982, já havia cerca de 80 mil garimpeiros explorando a área. 
O contexto brasileiro na década de 1980 também contribuiu para esse fluxo migratório em direção às regiões auríferas, já que o país passava por um longo período de estagnação econômica. 
A técnica utilizada para a exploração de Serra Pelada era altamente poluente, com a utilização de mercúrio, o que degradava as águas subterrâneas e superficiais. 
Não havia cuidados com a estabilidade do solo, o que expôs os garimpeiros a grandes riscos e causou um acelerado processo erosivo. Em 1990, com o esgotamento do ouro, a atividade garimpeira cessou quase completamente na região.
 
Os grandes empreendimentos agropecuários 

Grandes fazendas foram instaladas na Região Amazônica a partir da década de 1970, com investimentos de grandes bancos brasileiros e de multinacionais industriais. 
Esse processo concentrou as terras nas mãos de poucas pessoas e provocou diversos problemas socioambientais, como o desmatamento, para abrir áreas de cultivo e pastagem, invasão de Terras Indígenas e conflitos entre a população local, posseiros e grileiros. 
Nas décadas seguintes, iniciou-se a implantação da cultura de grãos e de cana-de-açúcar no norte do Mato Grosso, em Rondônia e no Acre. Atualmente, a agropecuária destaca-se como importante atividade econômica na região da Amazônia, especialmente no Mato Grosso, estado que foi o maior produtor de cereais, leguminosas e oleaginosas do país e que possuía o maior rebanho bovino em 2020. 
O crescimento da atividade agropecuária nas últimas décadas se deve ao avanço da fronteira agrícola e ao investimento em tecnologia. 
É possível dividir a agricultura da região em dois tipos: 
• familiar, realizada em pequenas propriedades, com produção de alimentos, como mandioca, feijão e milho; 
• agronegócio, realizado em grandes propriedades, com produção que se destina à indústria e à exportação, como soja e cana-de-açúcar. 
A pecuária predominante é a de gado bovino, praticada em grandes propriedades e destinada à produção de carne. Destaca-se, também, a criação de búfalos na Ilha de Marajó (PA). No mapa a seguir, é possível perceber a distribuição da produ ção de bovinos no Brasil. Analise a concentração e a intensidade da produção na Região Amazônica. 

A geração de energia elétrica 

A partir da década de 1970, o governo federal fez investimentos na geração e no fornecimento de energia elétrica para atender à demanda crescente na região. A necessi dade de energia elétrica vinha da ocupação agropecuária, da crescente industrialização de Manaus (AM) e do suporte dado aos empreendimentos minero-metalúrgicos do ferro e do alumínio. Todo processo de ocupação, ainda que seja planejado, tem um forte impacto nos recursos hídricos locais, causando erosão, assoreamento, poluição e contaminação.

OS SETORES DA ECONOMIA

De acordo com o IBGE, em 2019 os estados com maior destaque econômico da Região Amazônica foram Pará, Mato Grosso (considerando todo o seu território) e Amazonas. Juntos, eles corresponderam a 5,8% do Produto Interno Bruto (PIB) – o conjunto de riquezas produzidas no país.
 A atividade industrial tem destaque nos estados do Amazonas e do Pará, representando cerca de 30% do PIB estadual em 2019. Note também que, em todos os estados da região, as atividades relacionadas ao setor terciário, ou seja, comércio e serviços, são as que mais geram riquezas entre os três setores da economia.

A POPULAÇÃO

As atividades econômicas e os projetos de desenvolvimento da Amazônia, que você acabou de estudar, transformaram a região em um importante destino migratório no país. 
Um dos fluxos era composto de agricultores, particularmente do Rio Grande do Sul, que buscavam no norte do país uma nova oportunidade para se estabelecerem como pequenos ou médios agricultores. O trânsito de nordestinos na Região Amazônica, em especial para os canteiros de obra e para o garimpo, foi bastante intenso. 
De maneira geral, o processo de integração do espaço amazônico ocorreu de forma conflituosa entre as populações migrantes, as comunidades tradicionais (ribeirinhos, serin gueiros e quilombolas), os povos indígenas, os garimpeiros, os posseiros e os pequenos agricultores. Em 2020, a Amazônia abrigava 13% da população do Brasil, distribuída entre os oito estados da região. 
Enquanto a média de densidade demográfica no país é de aproxima damente 24,5 hab./km², na Amazônia, ela é de apenas 4,3 hab./km². Nenhum estado da região tem densidade parecida com a brasileira – em Roraima, no Amazonas e no Mato Grosso, ela é inferior a 4 hab./km². A região apresenta alta taxa de natalidade e esperança de vida inferior à média brasileira. 

As cidades e as regiões metropolitanas

As cidades da Amazônia se caracterizam por receber grande quantidade de migrantes, em razão da precarização da vida no campo da região. Tal precarização é provocada pela ineficácia dos projetos de colonização rural e a alta concentração de terras nas mãos de poucas pessoas.
Outro aspecto marcante das cidades da região é a sua localização às margens de rios, como é o caso das regiões metropolitanas das suas duas maiores capitais, Manaus (AM) e Belém (PA). 
Há, ainda, centros urbanos for mados ao longo das principais rodovias – como a Transamazônica, a Cuiabá-Porto Velho e a Belém-Brasília – que ligam a região ao Centro-Sul do Brasil. No mapa a seguir, é possível observar as regiões metropolitanas do país, incluindo as da Região Amazônica.
A Região Geoeconômica Amazônica conta com oito regiões metropolitanas inteira mente em seu território: Belém (PA), Santarém (PA), Porto Velho (RO), Macapá (AP), Região Metropolitana do sul do estado de Roraima (RR), Região Metropolitana Central de Roraima (RR) e Região Metropolitana de Boa Vista (RR). As regiões metropolitanas do sudoeste maranhense, de Palmas e Gurupi, possuem apenas uma parte de seu território na Região Amazônica. Belém (PA) e Manaus (AM) são as grandes cidades da região, pois cresceram bastante no século XIX, no período de grande produção de borracha. Nelas, é possível notar um  intenso comércio, a disponibilidade de serviços e a presença de polos industriais, que influenciam diversas cidades da região.
 Como qualquer metrópole brasileira, Belém (PA) e Manaus (AM) apresentam inúmeros problemas socioambientais, entre os quais se destacam o déficit de habitação, de saneamento básico, das redes educacional e hospi talar, além de questões ambientais como a destinação inadequada de resíduos sólidos, o que causa a poluição dos corpos-d’água. 
A cidade de Belém (PA) está localizada na Baía Guajará, que conecta a cidade ao Rio Tocantins. Além disso, ao sul da cidade temos a presença dos rios Guamá e Acará. 
Além dos cursos-d’água, utilizados como vias de transporte de pessoas e mercadorias, a cidade conta com a Rodovia Belém-Brasil, que conecta a cidade à capital federal. É possível notar a integração física entre as cidades de Belém (PA) e Ananindeua (PA). Marituba (PA) também caminha para a integração, com vários pontos de contato com Ananindeua (PA). Os municípios de Santa Bárbara do Pará (PA), Santa Isabel do Pará (PA) e Castanhal (PA) estão ligados à Belém (PA) por meio de rodovias.

OS IMPACTOS AMBIENTAIS

O ambiente amazônico é resultado de um importante equilíbrio entre clima, vegetação, hidrografia e relevo da região. No entanto, esse equilíbrio é ameaçado pelo desmatamento, pela erosão e pela poluição dos rios e do solo, provocados pelo desenvolvimento de diversas atividades econômicas.

As Unidades de Conservação 

Uma forma de garantir a conservação de áreas naturais – não só na Região Amazônica, mas em todo o território nacional – foi a criação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).
As Unidades de Conservação podem ser: parques; reservas ecológicas, biológicas, florestais e extrativistas; estações ecológicas; e florestas.
Elas são divididas em dois grandes grupos: Unidades de Proteção Integral, onde não deve haver coleta, consumo, dano ou destruição dos recursos naturais; e Unidades de Uso Sustentável, onde se busca conciliar a con servação da natureza com o uso sustentável dos recursos naturais. 

Exemplos de Unidades de Conservação 

Os parques nacionais são um tipo de Unidade de Conservação Integral e têm como objetivo a pre servação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a rea lização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambien tal, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. 
Já as reservas extrativistas pertencem ao segundo grupo das Unidades de Conservação de Uso Sustentável. São áreas utilizadas por populações extrativistas tradicionais, cujo sustento depende do extrativismo, da agricultura de sub sistência e da criação de animais de pequeno porte. Esses espaços têm como objetivo proteger os meios de vida e a cultura dessas popula ções e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade.

O desmatamento e a mineração

Com o avanço da pecuária, da extração de madeira e da mineração, a Região Amazônica tem sofrido intensos impactos ambientais.  
A intensidade de área desmatada e queimada é maior justamente onde há grande concentração de rebanhos bovinos. 
É possível notar que as áreas desmatadas e os focos de calor estão concentrados no sul e no leste da região, já que é nesses locais que há maior presença de empreendimentos agropecuá rios e de extração mineral. 

A mineração em Terras Indígenas 

Além das atividades pecuárias, a mineração é outro fator que contribui para o desmata mento da floresta. Comunidades indígenas da região são constantemente ameaçadas, uma vez que grande parte das reservas minerais está em terras demarcadas. Além delas, as atividades de extrativismo mineral têm avançado para as Unidades de Conservação – em 2020, a mineração foi responsável por desmatar 97,61 km² dessas unidades na Amazônia Legal. 

AS ATIVIDADES MINERADORAS NA AMAZÔNIA

A Região Amazônica concentra em seu território grande quantidade de minérios, como ouro, ferro, nióbio, bauxita, manganês, entre outros. Conforme você estudou, a extração de ouro na Serra Pelada (PA), na década de 1980, foi um episódio de grande destaque. 
Atualmente, empresas mineradoras nacionais e estrangeiras têm buscado outros locais na região para realizar a extração e a exportação de minérios. 
O garimpo também tem apresentado elevado crescimento nas últimas décadas e ocupou, em 2021, 52% da área ocupada pela mineração no território nacional. No mapa a seguir, podemos perceber as áreas em que são realizadas atividades de garimpo no Brasil. 
O garimpo se concentra, majoritariamente, na Região Amazônica. A alta exploração na região tem trazido muitos problemas ambientais e para a população local, principalmente as comunidades indígenas. 
Muitas reservas minerais estão localizadas em terras demarca das, ou seja, não podem ser exploradas por empresas e pessoas que não façam parte da comunidade indígena que ocupa a área.
Atualmente, há constantes conflitos entre indígenas, garimpeiros e grandes indústrias mineradoras.
O garimpo em Terras Indígenas cresceu 495% entre 2010 e 2020. Além delas, as Unidades de Conservação são alvos da atividade mineradora. De 2010 a 2020, o garimpo nessas áreas cresceu 301%.



 

Brasil: macrorregiões geoeconômicas

O território brasileiro também pode ser regionalizado segundo outros critérios. De acordo com a regionalização geoeconômica, o Brasil está dividido em três grandes complexos regionais: Amazônia, Nordeste e Centro-Sul. Apresentada em 1967 pelo geógrafo brasileiro Pedro Pinchas Geiger.
Ele organizou o Brasil em três grandes blocos deno minados macrorregiões geoeconômi cas ou complexos ec onômicos regio nais. Para isso, ele considerou o grau de desenvolvimento das atividades econômicas e os aspectos naturais. Portanto, os critérios para sua delimitação são diferentes daqueles utiliza dos pelo IBGE.

Amazônia


Os limites da macrorregião Amazônia correspondem à área coberta originalmente pela Floresta Amazôni ca, o que inclui o centro-norte do estado de Mato Grosso, o oeste do Maranhão e grande parte do Tocantins. Além da floresta, em seu interior encontramos diversas outras formações vegetais, como Mangues, Cerrados e Campos. 
É a região de menor densidade demográfica do Brasil. Nas últimas déc adas, vem apresentando elevado crescimento urbano, investimentos em transportes, co municações e energia e é grande a diversificação de suas atividades econômi cas. Muitas áreas vêm sendo ocupadas de forma desordenada. 
Além disso, é importante destacar que o crescimento de atividades como cultivo agrícola, extração de madeira e mineração tem gerado grandes focos de desmatamento na região. 

Nordeste 


A região Nordeste, nessa divisão, abrange as áreas de clima semiárido, por isso também inclui o norte de Minas Gerais. Na faixa litorânea, estende-se pelas áreas mais exploradas no período colonial com emprego de mão de obra escrava e atualmente abriga diversos polos industriais. Onde o solo e o clima são favoráveis à agricultura, pratica-se agricultura desde o período colonial. 
Atualmente encontramos grandes áreas de agricultura irrigada no Sertão, associadas a complexos agroindustriais com produção voltada ao mercado interno e à exportação. Apesar das grandes mudanças nas últimas décadas, são dessa região os piores indicadores sociais do país (mortalidade infantil, analfabetismo, concentração de renda, etc.).

Centro-Sul 


Na região Centro-Sul concentra-se a maior parte da população brasileira e o maior volume e diversificação de atividades econômicas do país. 
Encontra-se a maior concentração de indústrias, uma rede de cidades mais densa e interli gada, agropecuária dinâmica e setor de serviços mais variado. 
Essa região, assim como as demais, possui grande desigualdade social e enormes bolsões de pobreza, principalmente na periferia das grandes cidades.

Os limites das macrorregiões não são fixos 


À medida que novas áreas do território se desenvolvem e ocorre uma descentralização industrial, os limites das macrorregiões geoeconômicas podem se alterar. Desde a década de 1980, as maiores metrópoles do Nordeste – Salvador, Recife e Fortaleza – vêm apresentando elevados índices de crescimento econômico, principalmente nos setores da indústria e do turismo, e várias cidades do interior estão se industrializando, além da modernização da agricultura em regiões como o Vale do São Francisco, como já foi mencionado, e o oeste baiano. 
Os investimentos em transportes e comunicações dos últimos anos também impulsionaram a modernização de outras áreas que antes estavam economicamente marginalizadas – como o sul de Goiás e parte de Mato Grosso do Sul, com a construção da hidrovia Tietê-Paraná; Rondônia e o norte de Mato Grosso, com a hidrovia do rio Madeira; o oeste baiano, Tocantins e parte do Maranhão, com a hidrovia Araguaia-Tocantins e a Estrada de Ferro Carajás. 
Outro exemplo é a expansão das atuais características da região Centro-Sul em direção aos estados de Mato Grosso, Tocantins, Bahia, Maranhão e Piauí, por causa da modernização agrícola.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

REGIÃO CENTRO-OESTE

Região Centro-Oeste, formada por três estados – Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás – e o Distrito Federal, onde fica Brasília, a capital do Brasil. Essa é a segunda maior região em extensão territorial, com 1,6 milhão de km2, equivalente a 19% do território nacional. 
Entre as cinco regiões brasileiras, a Região Centro-Oeste é a única que não é banhada pelo Oceano Atlântico, pois está totalmente localizada no interior do território. É também a única a fazer limite com todas as demais regiões. Além disso, faz fronteira com dois países da América do Sul: Bolívia e Paraguai.

Centro-Oeste: povoamento, urbanização e agronegócio


O Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Destacam-se, em nível nacional, justamente os três estados da Região Centro-Oeste: Mato Grosso, principal produtor brasileiro, Goiás e Mato Grosso do Sul, seguidos do Paraná e do Rio Grande do Sul, na Região Sul. A produção dessa commodity agrícola é um fator importante para o desenvolvimento econômico do país, ain da que cause diversos impactos ambientais.

Povoamento e produção do espaço 


Durante muito tempo, a região central do território brasileiro foi habitada por diversos povos indígenas, nativos dessas terras. A ocupação de áreas da atual Região Centro-Oeste pelos portugueses ocorreu somente cerca de 200 anos depois do começo da colonização. Por volta do início do século XVIII, ocorreu novo povoamento nas áreas auríferas da região, o que causou mudanças na organização espacial dos territórios indígenas.
Ao longo do processo de ocupação e de povoamento do Centro-Oeste, as populações indígenas foram expulsas de suas terras em razão dos novos pro cessos de produção do espaço. Ao mesmo tempo, a cobertura vegetal original foi drasticamente reduzida. 
No início do século XVIII, ocorreram as primeiras jornadas de ocupação por tuguesa em áreas que atualmente compõem a Região Centro-Oeste. Os ban deirantes paulistas desempenharam papel fundamental nesse processo, sendo considerados os principais atores na ocupação do interior da colônia.
Com a descoberta de ouro, houve grande deslocamento de portugueses e luso-brasileiros para o interior. Muitos eram motivados pela busca de riquezas, o que elevou a mineração a uma posição de destaque na economia colonial, com indígenas e, principalmente, afri canos escravizados sendo levados às regiões das minas para trabalhar no garimpo. 
A atividade de mineração absorvia o trabalho de muitas pessoas; assim, formaram-se os mais antigos núcleos de povoa mento que existem ainda hoje, como as cidades de Cuiabá (MT), Vila Bela da Santíssima Trindade (MT) e Goiás (GO), antiga Vila Boa de Goiás. 
O governo português tinha interesse em ocupar a região por causa das riquezas minerais e para evitar o avanço de espanhóis, que colonizavam as terras a oeste, seguindo o que estava estipulado no Tratado de Tordesilhas.
A demanda por alimento nas áreas de mineração impulsionou a pecuária, que se desenvolveu parale lamente à atividade mineradora. Com o esgotamento das minas e a decadência da exploração aurífera, a Região Centro-Oeste deixou de ser área de atração econômica e populacional. 
As atividades de pecuária e agricultura passaram a ser mais importantes; no entanto, economicamente tinham expressão apenas local, e a população praticamente parou de crescer.

Marcha para o Oeste 


Já no século XVIII, estabeleceram-se os primeiros povoados e as vilas na Região Centro-Oeste, principalmente em razão da atividade mineradora, impulsionada pelos bandeirantes paulistas, como foi o caso da cidade de Goiás Velho (GO). 
Até as primeiras décadas do século XX, o Centro-Oeste apresentava grandes vazios demográficos, em comparação a outras regiões brasileiras. Era con siderado uma região desintegrada e desarticulada das demais e, por muitos, de economia estagnada.
Em 1914, a construção da ferrovia Noroeste, que liga o estado de São Paulo ao oeste de Mato Grosso e se estende até Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, aproximou a Região Centro-Oeste da Região Sudeste. Essa aproximação não se limitava apenas às trocas comerciais, mas acabou estimulando a migração de paulistas para o Mato Grosso.
Mas foi somente a partir do século XX que se desenvolveu um grande processo de ocupação da região, promovido pelo go verno federal, nos anos 1940: a Marcha para o Oeste, um pro grama governamental para ocupação das regiões Centro ‑Oeste e Norte do país, por meio da criação de colônias de povoamento e do desenvolvimento da produção agrícola e pecuária. Esse programa oferecia terras na região com valores baixos e crédito bancário facilitado, para estimular a migração voluntária de trabalhadores e o desenvolvimento da agricultura familiar. 
Na década de 1940, o governo brasileiro intensificou o incentivo à migração para o Centro-Oeste, ampliando os povoados e as cidades que já existiam e incentivando a criação de gado. Essa política visava garantir a integração do território nacional e sua ocupação. Em decorrência dessa iniciativa, mais populações indígenas foram perdendo suas terras de forma violenta.
Assim, várias colônias se formaram nos estados de Mato Grosso e Goiás, ora por incentivos federais, ora estaduais e mu nicipais, e até mesmo por incentivos particulares. Intensos fluxos migratórios ocorreram na região, sobretudo de nordestinos. 
Dos anos 1950 até o início dos anos 1980, ocorreram muitas mudanças na região, refletindo a economia e a sociedade brasileiras, que passaram a se caracterizar pela industrialização e urbanização. Em áreas limítrofes com o estado de São Paulo, desenvolveu-se a atividade da pecuária melhorada, com a instalação de frigoríficos.
Nesse período, em razão da construção de Brasília, que passou a ser a capital federal em 1960, ocorreu uma grande onda migratória para a região, em espe cial de pessoas vindas do Norte e do Nordeste brasileiros. 
Um dos principais objetivos da construção da capital era ocupar áreas do interior do país. Muitos trabalhadores foram atraídos para a região, o que integrou o Centro-Oeste ao resto do território brasileiro e contribuiu para aumentar seu povoamento. 
A construção de rodovias ligando Brasília às demais regiões propiciou maior integração econômica e comercial, facilitando as migrações.

Colonização e cidades planejadas 


A partir da década de 1960, o processo de ocupação do Centro-Oeste ganhou novos contornos, em uma articulação da urbanização com a colonização agrícola. Assim, os projetos de colonização oficiais e particulares passaram a criar “cidades pla nejadas” no interior do Mato Grosso e em áreas da chamada Amazônia Legal. A formação de novas colônias agrícolas obje tivava diminuir os conflitos agrários que ocorriam em diferentes partes do país.
 Destacou-se também nesse período a participação dos sulistas no processo de ocupação da região, uma vez que muitos migrantes eram do Paraná e do Rio Grande do Sul. A ocupação reorganizou a região econômica e politicamente – um exemplo foi a criação do estado do Mato Grosso do Sul, em 1977 – e atraiu novas ondas migratórias nas décadas seguintes.

Produção agropecuária na atualidade


O processo de ocupação do Centro-Oeste consolidou a região, a partir da década de 1980, como importante área de produção de monoculturas para ex portação. Entre essas monoculturas, destacam‑se as plantações de cana‑de-açúcar, soja, milho, arroz, algodão, entre outras. 
Mais recentemente, o uso de sementes transgênicas contribuiu para ampliar as áreas de mono cultura, com o objetivo de elevar a produção de commodities e a geração de divisas para o Brasil, apesar das diversas críticas a essa prática. Já vimos que os três estados da Região Centro-Oeste se destacam na pro dução de soja; conforme dados do Censo Agropecuário (2017), Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul colheram, juntos, mais de 48 milhões de toneladas desse grão no período analisado, sendo Mato Grosso o maior produtor. 
Nos estados de Goiás e Mato Grosso do Sul destacam-se, também, a produ ção das culturas de milho, cana-de-açúcar e sorgo, enquanto no Mato Grosso a produção de algodão está em segundo lugar. Segundo o IBGE (2018), esse estado era o principal produtor brasileiro de algodão respondendo por, aproxi madamente, 66% de toda a produção nacional.
Grande parte da colheita de cana-de-açúcar é destinada à produção de etanol. Em Mato Grosso, somente em 2018, foram plantados mais de 220 mil hectares, cuja colheita foi destinada para a produção de, aproximadamente, 215 mi lhões de litros desse combustível. 
A produção agropecuária é praticada de forma extensiva e intensiva na região. Nos estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso destacam-se a criação de bovinos e a de gali náceos, seguidas pela criação de suínos. Em Goiás, além de galináceos e bovinos, a criação de perus também se desenvolve bem. Segundo o IBGE (2017), em termos nacionais, a Região Centro‑Oeste lidera a criação de bovinos com 34,5% da cria ção nacional (cerca de 75 milhões de cabeças); a maior parte do rebanho está concentrada em Mato Grosso. A criação de equinos também se destaca na região, com, aproximadamen te, um milhão de cabeças, distribuídas pelos três estados.

Os produtos agrícolas transgênicos


Os chamados organismos transgênicos ou organismos geneticamente modificados (OGM) são seres vivos que rece beram genes das células de outros organismos para modificar algumas de suas características naturais. 
Nas últimas décadas, os genes de várias plantas de grande valor econômico, como soja e milho, foram alterados pela introdu ção de material genético de outras espécies vegetais, ou mesmo de animais, fungos ou bactérias. A ideia é tornar essas plantas mais resistentes à falta de água ou às pragas que as atacam durante o crescimento, por exemplo. 
A criação e o uso de produtos agrícolas transgênicos têm desencadeado muitas discussões na sociedade, porque vários especialistas afirmam que ainda não foram feitos estudos suficientes e conclusivos mostrando que a introdução desses organismos na natureza e para o uso humano seja segura. 

Crescimento das cidades


Os primeiros núcleos urbanos da Região Centro-Oeste surgiram a partir do século XVIII, com o desenvolvimento das atividades de mineração de metais preciosos. Posteriormente, já em meados do século XX, com o desenvolvimento de programas governamentais e de empresas particulares, a formação de cidades intensificou-se na região. 
Naquele período, dois fatores foram fundamentais para acelerar a urbani zação: a construção de Brasília e, principalmente, o processo de modernização das atividades agropecuárias, com aplicação intensiva de tecnologias, como máquinas e equipamentos que dimi nuem o uso da mão de obra no campo. Associado a esses fatores, o crescimento das atividades industriais ligadas ao beneficiamento de produtos agrícolas, dos serviços e do comércio potencializou a urbanização do Centro-Oeste. 
Se na década de 1940 essa era a região menos urbanizada do país (21,52%), o cenário se modificou nas décadas se guintes. De acordo com o IBGE, em 2020, a taxa de urbanização chegou a aproxi madamente 90% e o Centro‑Oeste pas sou a ser a segunda região mais urbanizada do Brasil.
Nos últimos anos, o crescimento populacional médio da Região Centro-Oeste é o maior do Brasil, notadamente marcado pela presença de migrantes. Segundo o IBGE, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad) de 2018, a participação média dos migrantes na população total do Centro‑Oeste ultrapassava 34%, com destaque para Mato Grosso, que apresentava um índice de 38%.

Importantes centros regionais e nacionais 


Além de Brasília (DF), as capitais esta duais Cuiabá (MT), Goiânia (GO) e Campo Grande (MS) tornaram-se importantes centros regionais e nacionais. Há tam bém, em todos os estados, municípios que atuam como polos agroindustriais, comerciais ou centros prestadores de serviços. No Mato Grosso destacam-se, por exemplo, Rondonópolis, como polo agroindustrial, e as cidades de Sinop e Sorriso, como centros prestadores de serviços e comércio.
Em Mato Grosso do Sul, destacam-se municípios como Dourados, com a se gunda maior população do estado, com economia bastante diversificada e bom desenvolvimento nas áreas de educação e turismo; e Corumbá, que faz divisa com Bolívia e Paraguai e tem o quarto maior PIB do estado. 
Em Goiás, destacam-se os municípios de Catalão, Anápolis, Itumbiara, Rio Verde e Jataí, entre outros. Em Catalão, a agropecuária tem grande peso eco nômico, com destaque para a produção de soja, milho, arroz, trigo e café, além de atividades de extração mineral, como as minas de argila, fosfato, nióbio, ti tânio etc. Jataí se destaca por ser o maior produtor de grãos e leite do estado de Goiás e por dispor de um importante distrito agroindustrial, que comporta diferentes empresas.

Brasília e a integração nacional 


A necessidade de integração do território nacional preocupava a sociedade e os governantes do Brasil há muito tempo e já havia sido abordada na Consti tuição de 1891. Uma das medidas pensadas para promover essa integração era a mudança da capital federal do litoral para o interior. Porém, somente na década de 1950 esse projeto passou a ser concretizado, com a construção de Brasília durante o governo de Juscelino Kubitschek. As obras se iniciaram em 1957, com o estabelecimento da área do Distrito Fede ral (DF). A nova capital foi inaugurada em 1960. 
As obras de construção da capital federal estimularam um grande fluxo migratório, inicialmente marcado por trabalhadores da construção civil, que se deslocavam de diversos lugares do país, especialmente do Nordeste, para tra balhar nas obras do Plano Piloto (onde se localizam os prédios administrativos, as residências oficiais, as embaixadas, as asas Norte e Sul, entre outras edifica ções do governo federal). 
Os migrantes que se deslocaram para o Planalto Central eram chamados de candangos. Estima-se que durante os quatro anos de construção da capital federal, aproximadamente 60 mil pessoas fizeram esse movimento migratório. Posteriormente, a migração se intensificou, uma vez que, nos anos seguin tes à inauguração, diversas atividades começaram a ser desenvolvidas em Brasília e no seu entorno, impulsionadas, entre outros fatores, pela chegada de funcionários públicos e outras pessoas para trabalhar no comércio e nos servi ços urbanos. 
Isso acelerou o projeto de criação das cidades-satélite, as quais, conforme o projeto inicial, deveriam ser construídas para abrigar a maior parte dos trabalhadores. Nas últimas décadas, algumas cidades-satélite tornaram-se tão populosas quanto Brasília, como Taguatinga e Ceilândia. Além disso, a aglomeração urbana transformou o Distrito Federal em uma importante metrópole, com influên cia em praticamente todo o território nacional.
reúnem uma população de cerca de 3,3 milhões de habitantes, com grande parcela de migrantes. Segundo o IBGE (2017), a população de Brasília apresenta boa expectativa de vida ao nascer, baixa taxa de mortalidade infantil, elevado IDH e baixas taxas de analfabetismo, em comparação com outras capitais e cidades brasileiras. 
Entretanto, há diversos problemas derivados da urbanização acelerada, como aumento da favelização e dos índices de violência urbana, sistema de transporte ineficiente e insuficiente para atender à demanda da sociedade e carência de infraestrutura de serviços de saúde, saneamento etc., especialmente nas cidades-satélite, onde vive a maior parte dos trabalhadores.

A malha rodoviária consolida a integração 


A construção de Brasília e o processo de ocupação territorial do Distrito Federal causa ram grande reconfiguração na Região Centro‑Oeste, que, a partir dos anos 1960, passou a ganhar maior projeção no cenário nacional. A execução do projeto de transferência da ca pital pode ser considerada a continuidade de uma política territorial iniciada, como vimos, com a Marcha para o Oeste, nos anos 1940. 
Essa política articulou ações de povoamento com intenso deslocamento populacional e a construção de vias de transporte e comuni cação que visavam integrar áreas chamadas de “vazios demográficos” – as regiões Norte e Centro‑Oeste – com as regiões litorâneas, mais densamente ocupadas e com maior desenvolvimento econômico, com destaque para o Centro-Sul e parte do Nordeste. Após a construção de Brasília, a partir dos anos 1970, já nos governos militares, finalizou-se a construção de rodovias federais para estimu lar o povoamento do Centro-Oeste e do Norte, com destaque para as que ligam Belém (PA) a Brasília (DF); Cuiabá (MT) a Santarém (PA) e Porto Velho (RO); e Brasília (DF) a Fortaleza (CE).

Centro-Oeste: biomas ameaçados


Nos últimos anos, por causa de belezas naturais, as atividades de turismo aumentaram enormemente na Região Centro-Oeste. Nesse contexto, destaca-se o município de Bonito, no estado do Mato Grosso do Sul, que conta com vários rios, cachoeiras, cavernas e fauna e flora exuberantes, que atraem muitos visitantes para a região. A partir de então, conheceremos as características de destaque do quadro natural da Região Centro-Oeste no que se refere a seus principais biomas: Cerrado, Floresta Amazônica e Pantanal.

Cerrado


O Cerrado é o segundo maior bioma em extensão do Brasil. Ele predo mina em todo o Centro-Oeste e caracteriza-se por vegetações de gramíneas e de arbustos, os quais, em geral, não ultrapassam a altura de 20 metros. Os espécimes dessa vegetação arbustiva são mais afastados entre si e seus galhos são retorcidos, com casca grossa. As raízes das plantas são profundas, pois, nos períodos de seca, torna-se necessário captar água em maiores profundidades para hidratação. Além dessas características gerais, as formações vegetais de cerrado podem ser diferenciadas.
O solo desse bioma é considerado antigo, profundo, e contém muito alumínio, manganês e ferro. Por essa razão, é um solo ácido e com baixo índice de nutrientes, sendo necessário usar corretivos agrícolas nele, como calcário e fertilizantes, para a prática da agricultura. A biodiversidade no Cerrado é enorme. Estima-se que existam mais de 2 500 espécies de animais, entre eles mamíferos, como antas, preás, quatis e macacos, além de aves, répteis e insetos, como borboletas. 
As áreas da Região Centro-Oeste pelas quais se es tende esse bioma são banhadas por cursos de água pertencentes a quatro grandes bacias hidrográficas: as dos rios Paraná, Paraguai, Araguaia-Tocantins e São Francisco. Além disso, boa parte do Aquífero Guarani se encontra nos três estados da região. Devido a essa grande riqueza hídrica, o Cerrado recebe o apelido de “Caixa-d’água do Brasil”.
Introduzida no Brasil pelos imigrantes japoneses no início do século XX, a produção de soja tornou-se relevante somente a partir da década de 1970, com o processo de modernização agrícola do país. Grande parte da Região Centro-Oeste, principalmente as áreas de Cerrado, tornou-se preferencial para a expansão do plantio desse grão. Isso porque, ainda que os solos necessitem de correção – como foi dito, eles são “pobres em nutrientes” –, as áreas de Cerrado encontram-se preferencialmente sobre rele vos de planalto, chapadas e depressões, com terrenos muito planos e que permitem a ampla mecanização das lavouras, ou seja, o uso de máquinas e equipa mentos agrícolas, como tratores, colheitadeiras e sis temas automatizados de irrigação.
O cultivo da soja em áreas do Cerrado é tão marcante que representa, aproxi madamente, 90% de tudo o que é plantado no Centro-Oeste. Entre 2000 e 2014, por exemplo, a expansão dessa cultura foi de 87%, ou seja, a soja tomou o lugar da vegetação original do Cerrado, de outros produtos agrícolas e, também, de pastagens. Isso contribuiu para que o Brasil se transformasse em um dos principais exportadores de soja do mundo. Na safra de 2018/2019 foram exportadas, aproximadamente, 75 milhões de toneladas. Atualmente, o Brasil desponta como um dos maiores produtores de soja do mundo, disputando, ano a ano, a primeira colocação com os Estados Unidos e estando à frente de países como a Argentina, a China, a Índia e o Paraguai. 

Soja e danos socioambientais 


O avanço da soja sobre o bioma Cerrado tem resultado em diversos impac tos socioambientais. Isso porque, para tornar a área agricultável, são utilizadas técnicas altamente agressivas ao meio ambiente. A sequência de imagens a se guir mostra como geralmente ocorre o processo de ocupação de áreas nativas de Cerrado pelos agricultores e pecuaristas.
Várias ONGs que trabalham para proteger o Cerrado brasileiro apontam que, entre os impactos do desmatamento acentuado e da introdução de culturas agrícolas na região, está a diminuição da biodiversidade, pois as atividades põem em risco muitas espécies de animais, como onças, tamanduás-bandeira, emas, entre outras. 
Além disso, o aumento das queimadas resulta em maior emissão de gases de efeito estufa, e a correção do solo, acom panhada do uso intenso de agrotóxicos nas lavouras, con tamina a terra e as águas superficiais e subterrâneas. Por fim, é importante destacar que diversas comunidades tradicionais (quilombolas, indígenas, ribeirinhos etc.) são afetadas e, muitas vezes, obrigadas a se deslocar, já que suas áreas são ocupadas pela soja e outras monoculturas, como a cana-de-açúcar e o algodão.

Floresta Amazônica

 
Parte da Região Centro-Oeste é recoberta pelo bioma amazônico, especialmente o norte e o noroeste do estado do Mato Grosso. São, aproximadamente, 500 mil km2 de densa floresta, com árvores de mais de 50 metros de altura e grande diversidade ecológica. Nessa porção do território, encontram-se o Parque Nacional do Xingu e o Parque Estadual do Cristalino. 
A área ocupada por projetos de colonização e com atividades agrope cuárias e madeireiras nessa parte do Centro-Oeste ficou conhecida pelo nome de franja amazônica. Esse processo de ocupação tornou-se mais intenso nas décadas de 1960 e 1970, assim como ocorreu em outros espaços geográficos do Centro-Oeste e do Norte do Brasil. Os governos federal, estaduais e muni cipais foram os principais articuladores dessa expansão, em associação com empresas de colonização privadas.

Impactos socioambientais da franja amazônica 


Até o início do século XX houve uma ocupação “espontânea” dessa franja da floresta, realizada por pequenos agricultores que se deslocavam especial mente do Nordeste do Brasil. Como vimos, posteriormente, empresas privadas promoveram projetos de colonização estimulando a ocupação e o desenvolvi mento agropecuário em vários municípios. Assim, as ocupações do norte do Mato Grosso foram marcadas pelas seguintes características:
- elevado desmatamento e queimadas para a implantação de culturas, como as de café, com intenso uso de agrotóxicos; 
- plantio de lavouras introduzidas pelos primeiros colonos, como de arroz, feijão e milho, substituídas, em vários municípios, pela pastagem para criação de gado bovino (corte e leite); 
- desenvolvimento de exploração mineral e de madeira (extração de ma deira em toras, em grande escala e, muitas vezes, de forma irregular, em áreas indígenas); 
- expansão da fronteira da soja, com grandes desmatamentos e poluição do solo e das águas. 
Atualmente, ainda se observam nessa franja do bioma atividades de extra tivismo vegetal, pequenas lavouras familiares, práticas de pecuária extensiva e intensiva, além do avanço da agricultura comercial, com vários impactos ambientais, como os já citados. 
Observam-se, também, o avanço de algu mas doenças tropicais, como a malária, resultantes do desmatamento e da ocupação desordenada da região; grande destruição da floresta; e contamina ção de ecossistemas aquáticos causada pelo uso dos agrotóxicos e de mercúrio nos garimpos. Além dos danos ambientais, todos esses problemas atingem diretamente as populações indígenas que vivem na região.

Pantanal 


O Pantanal é um bioma que se estende, em território brasileiro, pelos es tados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul. Nos países vizinhos, ele tam bém ocupa parte da Bolívia e do Paraguai, totalizando uma área com cerca de 250 mil km2, sendo considerado, pela Organização das Nações Unidas (ONU), Patrimônio Natural Mundial e Reserva da Biosfera. 
Nele encontramos vá rias áreas indígenas homologadas (com a demarcação administrativa ratificada por decreto presidencial) e algumas delimitadas e declaradas (já identificadas e com os limites estabelecidos e demarcados pelo Ministério da Justiça) ou em estudo (áreas em fase de levantamento para identificação e delimitação). Predomina no bioma Pantanal o clima tropical, com elevados índices pluvio métricos, especialmente no verão.
Nesse bioma, há grande ocorrência de gra míneas, arbustos e árvores de porte médio. Também há elevada biodiversidade, com muitas espécies de fauna e flora da Mata Atlântica, da Floresta Amazônica e do Cerrado. Calcula-se que existam mais de mil espécies catalogadas nessa área, entre peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. 
Há ainda uma riqueza de plantas muito grande, e várias delas têm excelente poder medicinal. O relevo da região é extremamente plano – ela é conhecida como planície do Pantanal – e sua altitude varia de 100 a 200 metros. A quase totalidade dos rios que banham esse bioma são afluentes do Rio Paraguai que, devido à planura do relevo, são bastante afetados pelo fenômeno das cheias (meses de verão) e das vazantes (meses de inverno) que ocorre durante o ano.

Pecuária e o meio ambiente pantaneiro


Em decorrência da presença de imensos campos com pastagens e da gran de disponibilidade de água, a pecuária avançou muito na região pantaneira nas últimas décadas. Além desses recursos naturais, diversos pecuaristas, pro curando aumentar a produtividade, têm retirado a vegetação nativa e plantado pastagens para alimentação dos rebanhos. Esse processo é feito com aplicação de diversos insumos, para a correção e fertilização dos solos, que contaminam tanto os solos quanto as águas do Pantanal. Ao mesmo tempo, a expansão das áreas de pastagens aumentou o assoreamento dos rios do bioma. 
Essa prática da pecuária tem contribuído também para diminuir a exploração econômica de outra potencialidade regional: o turismo. A região do Pantanal apresenta inúmeras belezas naturais, porém a expansão da atividade pecuária reduziu as áreas naturais da região, transformando-as em grandes pastagens. 



A regionalização do espaço mundial

Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países co...