terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Regiões geoeconômicas - O NORDESTE

O Nordeste compreende uma área de cerca de 1,5 milhão de quilômetros quadrados (aproximada mente 18% do território brasileiro).  Atualmente, a população nordestina é de aproxima damente 57 milhões de habitantes, compondo cerca de 27% da população brasileira.
Essa região foi a primeira a ser colonizada e povoada pelos portugueses. Do início do século XVI à segunda metade do século XVII, constituiu-se no principal centro econômico e social da colônia, em razão das atividades econômicas ali desenvolvidas. Na história da ocupação e da formação do território brasileiro, essa região foi a que primeiro concentrou núcleos urbanos e atividades agrícolas. 
Foi no Nordeste que a colonização portuguesa se efetivou, com destaque para a exploração do pau-brasil e da cana-de-açúcar. A Região Nordeste apresenta grandes contrastes internos, tanto naturais quanto socioeconômicos. 
Foi também a primeira a utilizar o trabalho escravizado indígena e africano. Esses fatos fizeram com que povos de diferentes etnias convivessem e possibilitassem a formação de uma identidade regional multicultural.

O INÍCIO DA COLONIZAÇÃO NO NORDESTE E A SOCIEDADE AÇUCAREIRA NOS SÉCULOS XVI E XVII

A cana-de-açúcar

Em 1530, iniciou-se, no litoral nordestino, o cultivo da cana-de-açúcar com destino à metrópole. O sucesso que a produção açucareira obteve na região, principalmente em Pernambuco, deveu-se a vários fatores, entre eles: o clima quente e úmido; o solo de massapé; a maior proximidade da região com a Europa, sede da Coroa portuguesa.
A cultura da cana no nordeste da colônia tinha por base o latifúndio (grande propriedade monocultora) e a escravização. A princípio, utilizou-se a mão de obra indígena e, posteriormente, a de pessoas trazidas da África. O tráfico de escravizados africanos abriu um setor de comércio altamente rentável, principal motivo pelo qual a escravização indígena foi substituída.
À época, a sociedade nordestina era formada pela figura dos senhores de engenho e suas famílias, pelos escravizados indígenas ou africanos, que correspon diam à maior parcela da popula ção, e por alguns assalariados. Esse tipo de sociedade é conhecido como sociedade patriarcal (a figura do chefe da família, senhor do engenho, o pai, é quem tinha maior poder).
Os engenhos de açúcar surgiram como estratégia de Portugal para atribuir finalidade econômica à recém-fundada colônia brasileira, aproveitando a elevação do preço do açúcar vendido no mercado mundial. Essa região sofria constantes ameaças de ocupação por outras nações europeias, o que influenciou a decisão da Coroa portuguesa de fixar aldeias e povoados na área. Foi em Pernambuco e na Bahia que se iniciou o processo de ocupação efetiva com o plantio da cana-de-açúcar. Salvador (BA) foi construída para ser a capital da colônia, enquanto São Luís (MA), Fortaleza (CE), Natal (RN) e João Pessoa (PB) eram as principais povoações do litoral do Nordeste.
Interessados na produção de açúcar e fumo e no tráfico de africanos escravizados, os franceses e os holandeses vieram para o Brasil. 
Os franceses tentaram realizar ocupações por duas vezes, mas não foram bem-suce didos: a primeira, em 1555, no Rio de Janeiro; e a segunda, no Maranhão, em 1612, onde construíram o Forte de São Luís (que deu origem à atual capital do estado), desenvolveram plantações, construíram casas e armazéns e estabeleceram alianças com os indígenas locais. No entanto, atacados por forças militares portuguesas, foram derrotados e obriga dos a abandonar o Maranhão. 
Os holandeses fizeram duas ocupações em terras que hoje fazem parte da Região Nordeste. A primeira, entre 1624 e 1625, ocorreu na Bahia, em Salvador, sede do governo português na colônia. Expulsos em 1625, voltaram a atacar em 1627, sem sucesso. A segunda ocupação ocorreu no período de 1630 a 1654, em Pernambuco, maior centro produtor de açúcar da época. Em 1630, tomaram a Vila de Olinda.
Nesse período, o governo português investiu na vinda de expedições militares e jesuítas para formar outras capitanias, estimulando a ocupação e a proteção do território. Os povos indígenas foram catequizados e doutrinados. Os que resistiam, organizavam-se no interior do território brasileiro, sendo mortos ou submetidos ao trabalho escravo no extrativismo e na agricultura quando capturados. Seus conhecimentos sobre o território eram explorados pelos colonizadores nas incursões e para o desenvolvimento econômico, por exemplo, com as técnicas agrícolas. No final do século XVII, a atividade açucareira começou a declinar.

 A economia colonial e o declínio do açúcar

Em virtude das características climáticas e do solo, o cultivo da cana-de-açúcar foi o que mais prosperou no litoral da atual Região Nordeste. Isso estimulou o surgimento de engenhos, que dominaram a vida da região desde meados do século XVI até meados do século XX. 
Os engenhos tiveram função decisiva na colonização. Neles, estruturava-se a eco nomia colonial, agrupavam-se os moradores e organizavam-se as funções religiosas, militares e administrativas. O rápido desen volvimento da cultura da cana-de-açúcar demandou um número crescente de mão de obra, que resultou no aumento do tráfico de africanos escravizados.
No final do século XVII, a atividade açu careira começou a declinar. Em 1680, Reino Unido e Países Baixos instalaram lavouras de cana-de-açúcar em Curaçao, Bonaire, Saba, Santo Eustáquio e São Martinho, assim como os britânicos fizeram em Anguilla, Bermuda, Cayman, Turks, Caicos e Montserrat. Competindo com a produção portuguesa, as Antilhas, ao aumentar a oferta do açúcar no mercado europeu, também levou à diminuição do preço e à desvalorização do produto. 
Ao mesmo tempo, uma nova atividade chamava a atenção: a mineração de ouro na região das Minas Gerais. O resultado dessa situação foi a transferência de parcela considerável da população nordestina, incluindo os escravizados, para a região das minas, durante todo o século XVIII. 
Outro fenômeno importante para a organização do território do Nordeste foi o estabelecimento da grande produção de cacau, no sul da Bahia, na segunda metade do século XVIII. Assim como a da cana-de-açúcar e do algodão, essa produção se caracterizava pela monocultura exportadora; porém, utilizava mão de obra assalariada, e não mais escravizada.

A ocupação do interior: a pecuária e o algodão 

Paralelamente ao cultivo da cana-de-açúcar, foram introduzidas na colônia as primeiras cabeças de gado, que serviam para a alimentação, para movimentar os engenhos e para o transporte. Em razão da necessidade de mais terras para o plantio da cana, que estava no auge de sua produção, e do aumento do número de bovinos, a criação de gado no litoral foi proibida. Apesar de sua utilidade como força de tração nos engenhos, a pecuária não poderia disputar terras com a cana. Após essa medida, o gado passou a ser criado em regiões do interior.
Os engenhos de cana incentivaram o desenvolvimento da pecuária, que passou a ser praticada em seu entorno com a finalidade de abastecê-los. Com o crescimento econômico da colônia, a pecuária expandiu-se do litoral para o interior.
As rotas de expansão da pecuária foram os principais eixos de penetração e ocupação do Nordeste, com destaque para o Agreste e o Sertão. Algumas das povoações formadas nessa interiorização se tornaram centros comerciais regionais, onde se articulavam tanto a comercialização do gado e do couro quanto o fornecimento de produtos e manufaturas utilizados na atividade pecuária. 
Dessa forma, a criação de gado contribuiu para a ocupação por parte dos colonizadores das áreas mais ao interior dos atuais estados nordestinos, estruturando a pecuária, praticada em grandes latifúndios no Sertão e destinada, principal mente, ao fornecimento de carne para a zona açucareira. Até hoje parte das terras do Sertão está ocupada por propriedades que praticam a pecuária extensiva.
Atualmente, a pecuária da região é desenvolvida de forma tradicional, ou extensiva, na qual o gado se alimenta normalmente das pastagens nativas, e, por causa do clima semiárido, a produtividade é baixa. Há, também, o desenvolvimento da pecuária de caprinos, animais de pequeno porte que aguentam as condições naturais da região. 
A partir da Revolução Industrial (segunda metade do século XVIII), com o de senvolvimento da indústria têxtil na Inglaterra, Portugal iniciou o cultivo do algodão na colônia, em razão da maior procura dessa matéria-prima agrícola. 
Destacaram-se nessa atividade inicialmente o Maranhão e depois o Sertão nor destino, sobretudo os núcleos de Pernambuco e da Bahia, em virtude de seu clima Tropical Semiárido. A produção do algodão também era voltada para o mercado externo e controlada pelos latifundiários. 
Visava exclusivamente ao abastecimento das indústrias europeias, pois no Brasil não existia atividade industrial. Dessa forma, exportava-se matéria-prima (algodão) e importavam-se produtos industria lizados (roupas e tecidos).

Nível socioeconômico e distribuição de renda

Historicamente, as políticas do governo federal para o desenvolvimento da região Nordeste pouco contribuíram para alterar suas condições sociais. Em boa parte, essas políticas acabaram beneficiando quem menos precisava: latifundiários e proprietários de usinas de açúcar e álcool. 
A partir do início do século XXI, porém, os programas de transferência de ren da, além dos aumentos reais do salário mínimo, entre outros fatores, possibilita ram uma redução nos níveis de pobreza e miséria na região.
A atual situação socioeconômica do Nordeste é caracterizada, em boa parte, pela forte concentração da propriedade da terra e pela influência dos grandes proprietários rurais na vida política da região. Grande parte deles detém o poder político e econômico, explorando uma mão de obra farta e considerada barata. 
A melhoria da distribuição de renda no Nordeste depende, entre outros fato res, de uma distribuição mais justa da terra no campo. Além disso, é preciso que se estabeleçam políticas para a implementação de infraestrutura de distribuição de água em áreas mais pobres, de modo que se possa conviver satisfatoriamente com a escassez que atinge grande parte da região.
O desequilíbrio na distribuição de renda e a pobreza provocam um menor poder de consumo da maioria da população nordestina. Isso dificulta a implementação e o desenvolvimento da indústria de forma mais intensa. Para que a economia de uma região se torne mais dinâmica, é necessário que o poder de compra seja ampliado a um maior número de pessoas.
No início dos anos 2000, o governo federal unificou alguns programas sociais existentes no país. Grande parte das famílias beneficiadas por esse programa unificado está no Nordeste. Com ele, o governo federal objetivava transferir renda para as populações mais carentes, visando combater a pobreza e diminuir a desigualdade.

AS SUB-REGIÕES DO NORDESTE 

Considerando principalmente a diversidade de climas e vegetações, podemos identificar algumas sub-regiões no espaço nordestino: Zona da Mata, Agreste, Sertão e Meio-Norte. Essa subdivisão é usada oficialmente pelo IBGE, para melhor compreensão das dimensões socioespaciais, culturais e econômicas do Nordeste, e auxilia na formulação de políticas públicas e projetos territoriais.

A Zona da Mata
 
A Zona da Mata é a mais po voada. Seu nome faz referência à Mata Atlântica que cobria originalmente essa área. Mais urbanizada das sub-regiões, é nela que se concentra o maior número de indústrias. 
Na porção oriental da faixa costeira, do Rio Grande do Norte até o sul da Bahia, há o predomínio do clima tropical atlântico, quente e úmido. Essa é a sub-região com a maior ocorrência de chuvas do Nordeste. Caracteriza-se por ter solos profundos e férteis, dos quais se destaca o solo de massapé. 
A vegetação nativa era formada de Florestas Tropicais, razão pela qual é conhecida como Zona da Mata. Essa vegetação foi quase totalmente substituída por plantações de cana-de-açúcar e de outras lavouras, desde o período colonial, e por cidades. 
É uma área que atrai muitos turistas de outras regiões do Brasil e do exterior, por causa de suas praias. Nela predominam as grandes propriedades rurais.

O Agreste 

O Agreste é uma área de transição entre a Zona da Mata, de clima Tropical Úmido, e o Sertão, de clima Tropical Semiárido. No Agreste, predominam as pequenas e médias propriedades rurais, onde se desenvolvem a policultura (cultivo de diversos tipos de plantas) e a pecuária leiteira. Seus produtos abastecem, principalmente, o maior mercado consumidor do Nordeste — a Zona da Mata.
O Agreste é uma sub-região de relevo com altitudes mais elevadas que as das terras vizinhas. Trata-se de uma estreita faixa de transição, com clima tropical e vegetação que combina elementos das Florestas Tropicais e da Caatinga. Ela é formada de pequenas e médias propriedades agrícolas com culturas diversificadas, como algodão, milho, mandioca, sisal, fumo e feijão. As principais cidades do Agreste, como Campina Grande (PB), Caruaru (PE) e Feira de Santana (BA), desenvolvem importantes atividades comerciais e feiras.

O Sertão 

O Sertão apresenta muitos rios temporários e baixo índice pluviométrico, com características de irregularidade, pois ocorrem longos períodos sem chuva (estiagem). Em alguns trechos do Sertão, pratica-se a criação de gado e, em outros, a agricultura, inclusive irrigada, principalmente no Vale do São Francisco. 
No Sertão, predomina o clima semiárido, caracterizado por altas temperaturas e uma estação seca prolongada, em razão da baixa e irregular distribuição das chuvas ao longo do ano. Isso afeta diretamente o curso dos rios, que são, em grande parte, intermitentes. 
A vegetação nativa é a Caatinga, formada de arbustos esparsos, como o mandacaru e o xiquexique, de algumas espécies arbóreas, como o pereiro e a aroeira, e de vegetação rasteira. A pecuária extensiva e a agricultura irrigada de frutas e hortaliças são as principais atividades econômicas do Sertão.

O Meio-Norte 

O Meio-Norte é uma área de transição entre o Sertão e a Amazônia. Nessa sub-região, destacam o extrativismo ve getal (carnaúba e babaçu) e o cultivo do arroz.
No estado do Maranhão e em parte do estado do Piauí, ocorre uma faixa de transição entre o clima seco do Sertão e o úmido da Floresta Amazônica chamada de Meio-Norte. 
A vegetação característica do Meio-Norte é a Mata dos Cocais. O extrativismo vegetal da carnaúba e do babaçu, árvores típicas da Mata dos Cocais, é uma das principais atividades econômicas dessa sub-região. Dessas árvores, são obtidos óleos e ceras para vários usos industriais, como na produção de cosméticos e de alimentos.

A CONEXÃO ENTRE CLIMA E RELEVO

Os tipos de clima que predominam no Nordeste são o tropical, o tropical atlântico e o semiárido. Os fatores climáticos e do relevo interligam-se e interferem na dinâmica climática local, caracterizada por lugares com longa estação seca, como o Sertão, e outros com elevada pluviosidade, como o Meio-Norte e a Zona da Mata.
A escassez de chuva no Sertão A sub-região do Sertão é caracterizada pela baixa e irregular pluviosidade, bem como pela presença da vegetação de Caatinga. Nessa área, a estiagem ocorre de seis a oito meses por ano. Um dos fatores que explicam a longa duração da estação seca é a ocorrência de uma zona de alta pressão, sobre a área do Sertão, que dificulta o encontro das massas de ar quentes e úmidas, provenientes da Amazônia e do Atlântico, com a massa de ar fria que se desloca da região polar atlântica. 
Por esse motivo, raramente se formam frentes de instabilidade, responsáveis pelas chuvas. À medida que as massas se deslocam, perdem umidade e, caracterizando a escassez e a irregularidade, não ultrapassam 400 mm anuais. Essa escassez implica déficit hídrico no Rio Grande do Norte, em Seridó, por exemplo.
A variação pluviométrica de alguns trechos do Sertão também está rela cionada com a presença do relevo, principalmente o Planalto de Borborema, que faz com que chova na vertente leste e o ar chegue seco na vertente oeste. Isso explica a escassez de chuvas em determinado período do ano nas áreas próximas a esse planalto.
Ao comparar os mapas, pode-se notar que, nas áreas do Rio São Francisco e da Depressão Sertaneja, a seca ocorre com maior intensidade. Isso acontece porque o Planalto da Borborema barra a circulação da massa de ar Equatorial Atlântica, concentrando a umidade no litoral, onde está a planície e os tabuleiros litorâneos. Também é possível notar a diferença de pluviosidade em um mês.

A VEGETAÇÃO NO NORDESTE 

Uma característica importante do Nordeste é a diversidade natural. As características físico-naturais possibilitam a compreensão da dinâmica econômica e da ocupação do Nordeste, bem como o planejamento de estratégias para o seu desenvolvimento social e econômico.

 A Floresta Amazônica 

É uma Floresta Equatorial, suas árvores são de grande porte e perenes, ou seja, as folhas não caem no outono e no inverno. Em razão da densidade da vegetação, a floresta detém uma grande quantidade de massa de ar úmida, dando origem aos chamados rios voadores.

A Mata dos Cocais 

A Mata dos Cocais está localizada em uma faixa de transição entre três biomas brasileiros, a Caatinga, a Floresta Amazônica e o Cerrado. Sua flora é composta, majoritariamente, por palmeiras de babaçu e carnaúba. Em função de sua localização, a região da Mata dos Cocais tem um clima equatorial e semiárido, com verão quente e chuvoso e inverno quente e seco.

A vegetação de Mata Atlântica 

Apresenta grande biodiversidade de fauna e flora. Os solos são profundos e férteis, conhecidos como solos de massapé. É uma das florestas com o maior número de espécies endêmicas do mundo.

A vegetação do Cerrado 

As veredas são formações vegetativas comuns no Cerrado, caracterizadas pela presença de palmeiras de buritis e pelos Campos limpos, com poucos arbustos. Por isso, o Cerrado é frequentemente utilizado para atividades de pecuária. 
Seu solo com alta concentração de ferro é pouco fértil, no entanto pode ser facilmente corrigido para a produção agrícola. Atualmente, tem sofrido intenso desmatamento com a expansão da fronteira agrícola. A vegetação floresce durante o verão, caracterizado por altas temperaturas e pelo alto índice pluviométrico. No inverno, as temperaturas são elevadas e a região passa por um período de secas.

A vegetação da Caatinga 

A vegetação é adaptada ao solo rochoso e pedregoso e aos longos períodos de seca. Os rios são intermitentes e, por isso, podem desaparecer nos períodos sem chuva, dependendo do ritmo climático sazonal.

A vegetação de Campos 

Sua vegetação é composta, majoritariamente, por plantas rasteiras, herbáceas, pequenos arbustos e gramíneas. Em razão das suas características de solo fértil, bons índices pluviométricos e terrenos planos, os Campos têm sido devastados para a prática de atividades agropecuárias.

A vegetação litorânea 

É a vegetação mais afetada pelas atividades econômicas do período colonial, em razão de sua localização. É formada principalmente por mangues, restingas e dunas.

AS REDES URBANAS NO NORDESTE

A rede urbana consiste em um conjunto de cidades que estão conectadas por meio de seus arranjos produtivos e comerciais. A partir da década de 1970, projetos governamentais de incentivos industrial e agropecuário tiveram o objetivo de promover o desenvolvimento econômico do Nordeste. Desse modo, algumas cidades se firmaram como polos regionais, principalmente nas capitais históricas e litorâneas. Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE) são as maiores cidades nordestinas, somando mais de 10 milhões de habitantes nas áreas metropolitanas. 
Essas cidades dispõem de maior infraestrutura, como postos de saúde, supermercados, agências bancárias, museus, cinemas e redes de eletricidade, esgotamento sanitário e tratamento de água, por exemplo. Esses serviços são importantes para o desenvolvimento de atividades econômicas e para a geração de renda, além de promover a qualidade de vida da população.
A consolidação do processo de urbanização e constituição de redes urbanas regionais está associado aos complexos indus triais de setores agroindustriais e energéticos, desenvolvidos prin cipalmente em 1960 e 1970, no contexto da Superintendência de Desenvolvimento Regional para o Nordeste (Sudene).

AS POLÍTICAS DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL 

Entre os séculos XX e XXI, o Nordeste recebeu grandes investimentos oriundos princi palmente de parcerias público-privadas, de capital nacional e estrangeiro, o que contribuiu para a dinamização da economia e a reorganização das redes urbanas regionais. 
Nesse período, muitas indústrias migraram do Sudeste para o Nordeste, buscando menores custos de produção e impostos. Isso contribuiu para a geração de empregos e renda para a população local, principalmente nas três maiores regiões metropolitanas: Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE). 
No início do século XXI, a Região Nordeste obteve a maior taxa de crescimento médio anual no Brasil, em decorrência do cenário de desenvolvimento no período, além da geração de empregos proporcionados pela modernização e pelo desenvolvimento de indústrias e agroindústrias.
Os governos estaduais e federal também desenvolveram programas sociais voltados às linhas de crédito para os agricultores familiares e para a distribuição de renda, além de investimentos destinados à ampliação de centros de educação, pesquisa, ciência e tecnologia.

OS PROBLEMAS SOCIOECONÔMICOS DO NORDESTE

Apesar dos grandes avanços socioeconômicos da Região Nordeste nas últimas décadas, ainda podemos considerá-la a região que apresenta maior desigualdade social do Brasil. Você estudou que, em parte, isso é resultado de uma ocupação territorial pautada no latifúndio e na monocultura de exportação. Analise o mapa a seguir, que representa a proporção de pessoas abaixo da linha de pobreza no Brasil em 2017. Mais de 45% das pessoas que vivem no Maranhão, no Piauí e em Alagoas estão abaixo da linha de pobreza. Os indicadores ainda são uma herança da desigualdade regional no Brasil.
A análise dos dados, com base no panorama econômico e populacional, reforça a necessidade de formulação de políticas de incentivo e desenvolvimento regional em diversos setores, para garantir a seguridade social da população que vive na região. 
Os problemas socioeconômicos vêm sendo agravados por crises econômicas e cortes de programas de assistência social e distribuição de renda, que provocaram o aumento da pobreza e do desemprego no Nordeste.
Nos últimos anos, o Produto Interno Bruto (PIB) da região vem diminuindo. Em 2020, período da pandemia de covid-19, os setores de indústria e serviços atingiram os piores índices de queda no PIB, –8,6% e –7,6%, respectivamente. O único setor que sustentou crescimento foi a agropecuária, com 1,3%.

AS PRODUÇÕES MINERAL E INDUSTRIAL

O Nordeste apresenta diversas reservas minerais de urânio, amianto, titânio, fosfato, calcário, diamante, ouro, entre outras. As atividades de garimpo e mineração se destacam, entretanto, são superadas pela extração de petróleo e gás natural. 
Além da produção de combustíveis e gás de cozinha, o gás natural é utilizado na fabricação de fertilizantes. Na imagem a seguir, é apresentada uma indústria de fertilizantes em Laranjeiras (SE).
A indústria Unigel, que pertencia à Petrobras, produziu, em 2021, 650 mil toneladas de fertilizantes de acordo com dados divulgados pela empresa. A fábrica está localizada próxima da capital do Sergipe, Aracaju, e integra o maior eixo de industrialização da Região Nordeste. 
Além de fertilizantes nitrogenados, a empresa produz amônia e sulfato de amônio na região. Por causa das atividades que desenvolvem as indústrias de fertilizantes nitrogenados têm intensos fluxos de circulação de mercadoria e capital com os fornecedores de gás natural e demais produtos químicos e minerais para produção. 
A reativação das fábricas de fertilizantes por parte da Petrobras busca reduzir a necessidade de importação e depen dência dos produtos russos. Em 2020, de acordo com dados da IFA e Comexstate, o brasil importou mais de 30 mil toneladas de fertilizantes.

A produção de petróleo no Nordeste

A produção de petróleo no Nordeste ENCAMINHAMENTO Brasil: produção de petróleo (abril/2021) Estado Rio de Janeiro São Paulo Espírito Santo No Nordeste, a produção de petróleo destaca-se nas áreas da Bacia Potiguar (RN), da Bacia de Alagoas (AL), da Bacia do Recôncavo (BA) e da Bacia do Sergipe (SE). 
Desde 2013, com a descoberta do pré-sal, houve crescimento na atividade exploratória. A maior parte das bacias está localizada em campos maduros, ou seja, onde a explo ração ocorre há mais de 25 anos. Também existem pesquisas que visam comprovar a existência de reservas de petróleo com grande potencial.
O destaque da produção petrolífera brasileira é a Bacia de Campos e Santos, situada na plata forma marítima entre os estados do Espírito Santo, do Rio de Janeiro e de São Paulo. No entanto, ainda que Rio Grande do Norte, Bahia, Sergipe, Maranhão, Alagoas e Ceará tenham menor participação na produção nacional de petróleo, é importante destacar os investimentos realizados no setor, a extensão do litoral e a infraestrutura existente na região nordestina, como o Polo Petroquímico de Camaçari (BA).

Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CE)

A expansão do Complexo Industrial-Portuário do Pecém (CIPP), em operação desde 2002, é um exemplo de modernização e de desenvolvimento econômico. Os acordos econômicos com multinacionais de diversos países representam o interesse que o CIPP desperta no cenário mundial, em razão de sua vantajosa localização tanto pela saída para o Atlântico como pelas condições físico-naturais de energia eólica e solar disponíveis na costa litorânea do Ceará.

A MODERNIZAÇÃO DA AGROPECUÁRIA

Nas últimas décadas, a agricultura nordestina tem passado por modificações signi ficativas, seja nos setores mais tradicionais, como o canavieiro, seja na criação de novas culturas, como é o caso da produção irrigada de frutas do Sertão ou dos arranjos produ tivos modernos. 
Como consequência da modernização e da especialização de práticas agropecuárias, cuja produção se destina ao mercado externo, houve um crescimento do uso de novas técnicas de correção e fertilização de solos e a implantação de projetos de irrigação e seleção de sementes e espécies. 
A modificação da estrutura produtiva agropecuária nordestina tem submetido os agricultores a novas pressões:
• cenários internacionais de competição e de protecionismo, que dificultam a exportação; 
• mudança das estruturas de propriedade da terra; 
• necessidade cada vez maior de mecanização agrícola e acesso à tecnologia; Protecionismo: política econômica que busca tornar os produtos nacionais mais baratos do que os importados. 
• formação do chamado agronegócio, que é a fusão da agricultura com processos industriais, por exemplo: integrar o plantio de cana-de-açúcar à produção de açúcar e álcool. Com a mecanização e o uso intensivo de recursos biotecnológicos e da atividade agroindustrial, a produção agrícola no Nordeste vem apresentando diversidade de uso de tecnologia e ciência, conforme as características físico-naturais das sub-regiões (Meio-Norte, Sertão, Agreste e Zona da Mata). 
Nessas áreas, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolve estudos especializados em genética, microbiologia, engenharia de produção e de alimen tos, nutrição animal, técnicas de reprodução etc. As instalações da Embrapa estão divididas por sub-região ou tipos de atividades.

OS CINTURÕES AGRÍCOLAS NAS SUB-REGIÕES NORDESTINAS

A agricultura no Nordeste é caracterizada pelo cultivo de soja, cana-de-açúcar, grãos, raízes, leguminosas e frutas, além das pecuárias caprina, ovina e bovina. 
Cada sub-região conta com sistemas específicos de produção, que adotam solu ções tecnológicas para alcançar produtividade em áreas com estresse hídrico. 
Note que, nos estados do Meio-Norte, vão se concentrar as produções que precisam de maior umidade, chuvas mais frequentes e solos menos ácidos; no Sertão estarão concentradas aquelas ativida des agrícolas que resistem a longos períodos de estiagem e baixa umidade; já no Agreste e na Zona da Mata, estão con centradas as produções que resistem a curtos períodos de estiagem e maior umidade.

O biocombustível

O biocombustível é um combustível biodegradável fabricado à base de fontes reno váveis, como óleos vegetais e gorduras animais. Ele é menos poluente que os combustíveis convencionais, como o diesel, proveniente do petróleo. 
O biocombustível utilizado em veículos movidos a diesel, caminhões e tratores, por exemplo, é conhecido como biodiesel. Por beneficiar o desenvolvimento da atividade agrícola, o biocombustível recebe insumos da pecuária, como o sebo bovino, que pode ser usado em sua composição. 
No futuro, ele poderá reduzir a exploração do petróleo, uma vez que é, em muitos casos, um substituto desse recurso. A produção de biocombustível no Nordeste é significativa, em especial, no que diz respeito ao aproveitamento de oleaginosas, como o babaçu, o girassol e a mamona.

A IMPORTÂNCIA DO RIO SÃO FRANCISCO 

O Rio São Francisco é o principal rio perene da Região Nordeste. Suas nascentes localizam-se no estado de Minas Gerais; de onde segue na direção norte e deságua no oceano Atlântico, na divisa entre Sergipe e Alagoas. Atravessa três das quatro sub-regiões do Nordeste: Sertão, Agreste e Zona da Mata. 
É um rio extremamente importante para a região nordestina. Além de garantir água para uma vasta área, em especial, o Sertão, possibilita a instalação de hidrelétricas em diversos trechos de seu percurso, que abastecem as principais cidades do Nordeste. 
No entanto, a falta de planejamento no uso das águas e o desmatamento das matas ciliares têm causado sérios problemas, como o assoreamento do rio, a diminuição do canal fluvial e a poluição de suas águas.

A transposição do Rio São Francisco 

A transposição consiste na construção de dutos de ligação das águas do São Francisco para alimentar rios intermitentes e açudes nas regiões mais afetadas pela seca, com previ são de abastecer um total de 390 municípios nos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. 
Em 2017, o primeiro trecho foi inaugurado e, no mesmo ano, foi verificada a melhora no acesso à água nas áreas próximas a açudes, o que levou a novos projetos para beneficiar outros estados nordestinos.
Apesar disso, há críticas ao modelo da transposição, que apontam como possíveis fatores negativos o aumento do assoreamento do rio, a diminuição de seu volume de água, o que afetaria os peixes e outros animais desse hábitat, e a perda de vegetação nativa causada pelas obras. 
Além disso, os projetos de irrigação colocados em prática até então favoreceram principalmente os latifúndios monocultores, que destinam toda a sua produção à exportação.

A ATIVIDADE TURÍSTICA

A atividade turística é um dos setores da economia que mais crescem no mundo, e na Região Nordeste gera muitos recursos e empregos. 
Nos últimos 20 anos, o desenvolvimento do turismo no Nordeste tem sido marcado por quatro características: 
• diversificação dos destinos, que não se limitam unicamente às capitais e às localidades litorâneas; 
• crescimento contínuo do fluxo de turismo interno e externo; • profissionalização do setor; 
• articulação eficiente entre poder público e iniciativa privada.
O turismo é um dos exemplos da articulação entre natureza, economia e cultura. Assim, para que a atividade turística tenha sucesso, não se devem considerar apenas as características naturais, mas também as condições culturais e educacionais da região, promovendo, por exemplo, a formação de mão de obra especializada. 
Além das belezas naturais, como o seu vasto litoral e as áreas como os Lençóis Maranhenses, o Nordeste tem cidades tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como Salvador (BA), Olinda (PE) e São Luís (MA), e, também, grandes áreas de preservação ambiental. No entanto, a atividade turística também apresenta aspectos negativos, já que pode contribuir para a degradação ambiental e a expulsão da população local em áreas que atraem investimentos turísticos. Considerando isso, é importante que as políticas voltadas para o incentivo ao turismo promovam o desenvolvimento local e respeitem as legislações ambientais e trabalhistas.

AS MIGRAÇÕES NORDESTINAS

Nas últimas décadas, o Nordeste ampliou seu parque industrial e sua produção agrí cola, aumentando, assim, a oferta de emprego. Atraída por mais postos de trabalho, grande parte dos migrantes regressou a essa região, em especial para as capitais, como Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE). 
A produção de petróleo e o turismo também têm participação significativa na economia nordestina e na atração populacional para a região. O crescimento econômico regional tem contribuído para a inversão do fluxo de migração Nordeste-Sudeste. É cada vez mais intensa a chamada migração de retorno – pessoas nascidas em estados do Nordeste que vivem no Sudeste estão retornando à sua região de origem.

Os movimentos pendulares e sazonais 

Na Região Nordeste, é muito comum ocorrer movimentos temporários de pessoas, por um período mais longo ou no decorrer do mesmo dia. Eles se diferenciam dos fluxos migratórios exatamente por não serem permanentes. São chamados de movimento sazonal e movimento pendular de pessoas. 
O movimento sazonal se refere a migrações que acontecem por um período determinado. Ocorre principalmente nos períodos de seca no Sertão nordestino, que incentivam os fluxos temporários de pessoas que vão para as grandes cidades para trabalhar. Quando as chuvas retornam, essas pessoas voltam para seu local de origem. 
Também podem ser trabalhadores de indústrias ou empresas de serviços, que trabalham durante um período em uma das filiais, ou profissionais autônomos, que se deslocam para prestar serviços durante um período em outras cidades.
No movimento pendular, os trabalhadores se deslocam, diariamente, de suas residências em direção ao seu lugar de trabalho. Então, não chegam a mudar de casa. Entre os exemplos, estão os boias-frias, trabalhadores rurais que saem das cidades onde residem e se deslocam para as fazendas em que trabalham, regressando às suas casas depois do dia de trabalho; os trabalhadores da indústria e dos serviços que vivem em cidades-dormitório e se deslocam diariamente ao centro das grandes cidades para trabalhar, algo muito comum nas regiões metropolitanas.

A RIQUEZA CULTURAL NORDESTINA

Na história da ocupação e da formação territorial do Brasil, o Nordeste constitui-se como uma das primeiras regiões a concentrar os núcleos urbanos, as atividades agrícolas e, na vida cotidiana, a mistura de várias culturas e povos, como você já estudou. Esses fatos propiciaram a convivência de diferentes povos e possibilitaram a formação de uma cultura que confere uma identidade regional. 
A cultura nordestina é o resultado da convivência de vários povos europeus, afri canos e indígenas. Essa miscigenação cultural traz aspectos do cato licismo e das religiões africanas e indígenas e materializa-se em ritmos, danças, músicas e festas. Analise as fotografias de algumas dessas manifestações culturais e leia as descrições para conhecer um pouco sobre elas.



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