O Nordeste compreende uma área de cerca de
1,5 milhão de quilômetros quadrados (aproximada
mente 18% do território brasileiro). Atualmente, a população nordestina é de aproxima
damente 57 milhões de habitantes, compondo cerca
de 27% da população brasileira.
Essa região foi a primeira a ser colonizada e povoada pelos portugueses. Do início do século XVI à
segunda metade do século XVII, constituiu-se no principal centro econômico e social da colônia, em razão
das atividades econômicas ali desenvolvidas. Na história da ocupação e da formação do território brasileiro, essa região foi a que primeiro concentrou núcleos urbanos e atividades agrícolas.
Foi no Nordeste que a colonização portuguesa se efetivou, com destaque para a exploração do pau-brasil e da cana-de-açúcar. A Região Nordeste apresenta grandes contrastes internos, tanto naturais quanto socioeconômicos.
Foi também a primeira a utilizar o trabalho escravizado indígena e africano. Esses fatos fizeram com que povos de diferentes etnias convivessem e possibilitassem a formação de uma identidade regional multicultural.
O INÍCIO DA COLONIZAÇÃO NO NORDESTE E A
SOCIEDADE AÇUCAREIRA NOS SÉCULOS XVI E XVII
A cana-de-açúcar
Em 1530, iniciou-se, no litoral nordestino, o cultivo da cana-de-açúcar com destino à metrópole. O sucesso que a produção açucareira obteve na
região, principalmente em Pernambuco, deveu-se a vários fatores, entre eles: o
clima quente e úmido; o solo de massapé; a maior proximidade da região com a
Europa, sede da Coroa portuguesa.
A cultura da cana no nordeste da colônia tinha por base o latifúndio (grande
propriedade monocultora) e a escravização. A princípio, utilizou-se a mão de obra
indígena e, posteriormente, a de pessoas trazidas da África. O tráfico de escravizados africanos abriu um setor de comércio altamente rentável, principal motivo
pelo qual a escravização indígena foi substituída.
À época, a sociedade nordestina era formada pela figura dos senhores de engenho e suas famílias, pelos escravizados indígenas ou africanos, que correspon
diam à maior parcela da popula
ção, e por alguns assalariados.
Esse tipo de sociedade é conhecido como sociedade patriarcal
(a figura do chefe da família, senhor do engenho, o pai, é quem
tinha maior poder).
Os engenhos de açúcar surgiram como estratégia de Portugal para atribuir finalidade
econômica à recém-fundada colônia brasileira, aproveitando a elevação do preço do açúcar
vendido no mercado mundial. Essa região sofria constantes ameaças de ocupação por
outras nações europeias, o que influenciou a decisão da Coroa portuguesa de fixar aldeias
e povoados na área. Foi em Pernambuco e na Bahia que se iniciou o processo de ocupação
efetiva com o plantio da cana-de-açúcar. Salvador (BA) foi construída para ser a capital
da colônia, enquanto São Luís (MA), Fortaleza (CE), Natal (RN) e João Pessoa (PB) eram as
principais povoações do litoral do Nordeste.
Interessados na produção de açúcar e fumo e no tráfico de africanos escravizados, os
franceses e os holandeses vieram para o Brasil.
Os franceses tentaram realizar ocupações por duas vezes, mas não foram bem-suce
didos: a primeira, em 1555, no Rio de Janeiro; e a segunda, no Maranhão, em 1612, onde
construíram o Forte de São Luís (que deu origem à atual capital do estado), desenvolveram
plantações, construíram casas e armazéns e estabeleceram alianças com os indígenas
locais. No entanto, atacados por forças militares portuguesas, foram derrotados e obriga
dos a abandonar o Maranhão.
Os holandeses fizeram duas ocupações em terras que hoje fazem parte da Região
Nordeste. A primeira, entre 1624 e 1625, ocorreu na Bahia, em Salvador, sede do governo
português na colônia. Expulsos em 1625, voltaram a atacar em 1627, sem sucesso. A
segunda ocupação ocorreu no período de 1630 a 1654, em Pernambuco, maior centro
produtor de açúcar da época. Em 1630, tomaram a Vila de Olinda.
Nesse período, o governo português investiu na vinda de expedições militares e
jesuítas para formar outras capitanias, estimulando a ocupação e a proteção do território.
Os povos indígenas foram catequizados e doutrinados. Os que resistiam, organizavam-se
no interior do território brasileiro, sendo mortos ou submetidos ao trabalho escravo no
extrativismo e na agricultura quando capturados. Seus conhecimentos sobre o território
eram explorados pelos colonizadores nas incursões e para o desenvolvimento econômico,
por exemplo, com as técnicas agrícolas.
No final do século XVII, a atividade açucareira começou a declinar.
A economia colonial e o declínio do açúcar
Em virtude das características climáticas e do solo, o cultivo da cana-de-açúcar foi o
que mais prosperou no litoral da atual Região Nordeste. Isso estimulou o surgimento de
engenhos, que dominaram a vida da região desde meados do século XVI até meados do
século XX.
Os engenhos tiveram função decisiva
na colonização. Neles, estruturava-se a eco
nomia colonial, agrupavam-se os moradores
e organizavam-se as funções religiosas,
militares e administrativas. O rápido desen
volvimento da cultura da cana-de-açúcar
demandou um número crescente de mão
de obra, que resultou no aumento do tráfico
de africanos escravizados.
No final do século XVII, a atividade açu
careira começou a declinar. Em 1680, Reino
Unido e Países Baixos instalaram lavouras
de cana-de-açúcar em Curaçao, Bonaire, Saba, Santo Eustáquio e São Martinho, assim
como os britânicos fizeram em Anguilla, Bermuda, Cayman, Turks, Caicos e Montserrat.
Competindo com a produção portuguesa, as Antilhas, ao aumentar a oferta do açúcar no
mercado europeu, também levou à diminuição do preço e à desvalorização do produto.
Ao mesmo tempo, uma nova atividade chamava a atenção: a mineração de ouro na
região das Minas Gerais. O resultado dessa situação foi a transferência de parcela considerável da população nordestina, incluindo os escravizados, para a região das minas, durante
todo o século XVIII.
Outro
fenômeno importante para a
organização do território do
Nordeste foi o estabelecimento
da grande produção de cacau,
no sul da Bahia, na segunda
metade do século XVIII. Assim
como a da cana-de-açúcar e
do algodão, essa produção se
caracterizava pela monocultura
exportadora; porém, utilizava
mão de obra assalariada, e não
mais escravizada.
A ocupação do interior: a pecuária e o algodão
Paralelamente ao cultivo da cana-de-açúcar, foram introduzidas na colônia
as primeiras cabeças de gado, que serviam para a alimentação, para movimentar
os engenhos e para o transporte.
Em razão da necessidade de mais terras para o plantio da cana, que estava
no auge de sua produção, e do aumento do número de bovinos, a criação de gado
no litoral foi proibida. Apesar de sua utilidade como força de tração nos engenhos,
a pecuária não poderia disputar terras com a cana. Após essa medida, o gado passou a ser criado em regiões do interior.
Os engenhos de cana incentivaram o desenvolvimento da pecuária, que passou a ser
praticada em seu entorno com a finalidade de abastecê-los. Com o crescimento econômico
da colônia, a pecuária expandiu-se do litoral para o interior.
As rotas de expansão da pecuária foram os principais eixos de penetração e ocupação
do Nordeste, com destaque para o Agreste e o Sertão. Algumas das povoações formadas
nessa interiorização se tornaram centros comerciais regionais, onde se articulavam tanto
a comercialização do gado e do couro quanto o fornecimento de produtos e manufaturas
utilizados na atividade pecuária.
Dessa forma, a criação de gado contribuiu para a ocupação por parte dos colonizadores das áreas mais ao interior dos atuais estados nordestinos, estruturando a pecuária, praticada em grandes latifúndios no Sertão e destinada, principal
mente, ao fornecimento de carne para a zona açucareira. Até hoje parte das terras
do Sertão está ocupada por propriedades que praticam a pecuária extensiva.
Atualmente, a pecuária da região é desenvolvida de forma tradicional, ou extensiva,
na qual o gado se alimenta normalmente das pastagens nativas, e, por causa do clima
semiárido, a produtividade é baixa. Há, também, o desenvolvimento da pecuária de caprinos, animais de pequeno porte que aguentam as condições naturais da região.
A partir da Revolução Industrial (segunda metade do século XVIII), com o de
senvolvimento da indústria têxtil na Inglaterra, Portugal iniciou o cultivo do algodão na colônia, em razão da maior procura dessa matéria-prima agrícola.
Destacaram-se nessa atividade inicialmente o Maranhão e depois o Sertão nor
destino, sobretudo os núcleos de Pernambuco e da Bahia, em virtude de seu clima
Tropical Semiárido. A produção do algodão também era voltada para o mercado externo e controlada pelos latifundiários.
Visava exclusivamente ao abastecimento
das indústrias europeias, pois no Brasil não existia atividade industrial. Dessa forma, exportava-se matéria-prima (algodão) e importavam-se produtos industria
lizados (roupas e tecidos).
Nível socioeconômico e distribuição de renda
Historicamente, as políticas do governo federal para o desenvolvimento da
região Nordeste pouco contribuíram para alterar suas condições sociais. Em boa
parte, essas políticas acabaram beneficiando quem menos precisava: latifundiários e proprietários de usinas de açúcar e álcool.
A partir do início do século XXI, porém, os programas de transferência de ren
da, além dos aumentos reais do salário mínimo, entre outros fatores, possibilita
ram uma redução nos níveis de pobreza e miséria na região.
A atual situação socioeconômica do Nordeste é caracterizada, em boa parte, pela forte concentração da propriedade da terra e pela influência dos grandes
proprietários rurais na vida política da região. Grande parte deles detém o poder
político e econômico, explorando uma mão de obra farta e considerada barata.
A melhoria da distribuição de renda no Nordeste depende, entre outros fato
res, de uma distribuição mais justa da terra no campo. Além disso, é preciso que
se estabeleçam políticas para a implementação de infraestrutura de distribuição
de água em áreas mais pobres, de modo que se possa conviver satisfatoriamente
com a escassez que atinge grande parte da região.
O desequilíbrio na distribuição de renda e a pobreza provocam um menor poder de consumo da maioria da população nordestina. Isso dificulta a implementação e o desenvolvimento da indústria de forma mais intensa. Para que a economia
de uma região se torne mais dinâmica, é necessário que o poder de compra seja
ampliado a um maior número de pessoas.
No início dos anos 2000, o governo federal unificou alguns programas sociais existentes no país. Grande parte das famílias beneficiadas por esse programa unificado está no Nordeste. Com ele, o governo federal objetivava transferir
renda para as populações mais carentes, visando combater a pobreza e diminuir
a desigualdade.
AS SUB-REGIÕES DO NORDESTE
Considerando principalmente a diversidade de climas e vegetações, podemos identificar
algumas sub-regiões no espaço nordestino: Zona da Mata, Agreste, Sertão e Meio-Norte.
Essa subdivisão é usada oficialmente pelo IBGE, para melhor compreensão das dimensões
socioespaciais, culturais e econômicas do Nordeste, e auxilia na formulação de políticas
públicas e projetos territoriais.
A Zona da Mata
A Zona da Mata é a mais po
voada. Seu nome faz referência à Mata Atlântica que
cobria originalmente essa
área. Mais urbanizada das
sub-regiões, é nela que se
concentra o maior número
de indústrias.
Na porção oriental da faixa costeira, do Rio Grande do Norte até o sul da Bahia, há o predomínio do clima tropical atlântico, quente e úmido. Essa é a sub-região com a maior ocorrência de chuvas do Nordeste. Caracteriza-se por ter solos profundos e férteis, dos quais se destaca o solo de massapé.
A
vegetação nativa era formada de
Florestas Tropicais, razão pela qual
é conhecida como Zona da Mata.
Essa vegetação foi quase totalmente
substituída por plantações de cana-de-açúcar e de outras lavouras, desde
o período colonial, e por cidades.
É uma área que atrai muitos turistas de outras regiões do Brasil e do exterior, por causa de suas praias. Nela predominam as grandes propriedades rurais.
O Agreste
O Agreste é uma área de transição entre a Zona da Mata, de clima Tropical Úmido, e o Sertão, de clima Tropical Semiárido. No Agreste, predominam as pequenas e médias propriedades rurais, onde se desenvolvem a policultura (cultivo de diversos tipos de plantas) e a
pecuária leiteira. Seus produtos abastecem, principalmente, o maior mercado consumidor
do Nordeste — a Zona da Mata.
O Agreste é uma sub-região de
relevo com altitudes mais elevadas que
as das terras vizinhas. Trata-se de uma
estreita faixa de transição, com clima
tropical e vegetação que combina
elementos das Florestas Tropicais e da
Caatinga. Ela é formada de pequenas
e médias propriedades agrícolas com
culturas diversificadas, como algodão,
milho, mandioca, sisal, fumo e feijão.
As principais cidades do Agreste, como Campina Grande (PB), Caruaru (PE) e Feira de
Santana (BA), desenvolvem importantes atividades comerciais e feiras.
O Sertão
O Sertão apresenta muitos rios temporários e baixo índice pluviométrico, com características de irregularidade,
pois ocorrem longos períodos sem chuva (estiagem). Em
alguns trechos do Sertão, pratica-se a criação de gado e,
em outros, a agricultura, inclusive irrigada, principalmente
no Vale do São Francisco.
No Sertão, predomina o clima semiárido,
caracterizado por altas temperaturas e
uma estação seca prolongada, em razão
da baixa e irregular distribuição das chuvas
ao longo do ano. Isso afeta diretamente o
curso dos rios, que são, em grande parte,
intermitentes.
A vegetação nativa é a
Caatinga, formada de arbustos esparsos,
como o mandacaru e o xiquexique, de
algumas espécies arbóreas, como o pereiro
e a aroeira, e de vegetação rasteira.
A pecuária extensiva e a agricultura
irrigada de frutas e hortaliças são as
principais atividades econômicas do Sertão.
O Meio-Norte
O Meio-Norte é uma área de
transição entre o Sertão e a
Amazônia. Nessa sub-região,
destacam o extrativismo ve
getal (carnaúba e babaçu) e o
cultivo do arroz.
No estado do Maranhão e em parte
do estado do Piauí, ocorre uma faixa de
transição entre o clima seco do Sertão e
o úmido da Floresta Amazônica chamada
de Meio-Norte.
A vegetação característica do Meio-Norte é a Mata dos Cocais. O extrativismo
vegetal da carnaúba e do babaçu, árvores
típicas da Mata dos Cocais, é uma das
principais atividades econômicas dessa sub-região. Dessas árvores, são obtidos óleos e
ceras para vários usos industriais, como na produção de cosméticos e de alimentos.
A CONEXÃO ENTRE CLIMA E RELEVO
Os tipos de clima que predominam no Nordeste são o tropical, o tropical atlântico
e o semiárido. Os fatores climáticos e do relevo interligam-se e interferem na dinâmica
climática local, caracterizada por lugares com longa estação seca, como o Sertão, e outros
com elevada pluviosidade, como o Meio-Norte e a Zona da Mata.
A escassez de chuva no Sertão
A sub-região do Sertão é caracterizada pela baixa e irregular
pluviosidade, bem como pela presença da vegetação de Caatinga.
Nessa área, a estiagem ocorre de seis a oito meses por ano.
Um dos fatores que explicam a longa duração da estação seca
é a ocorrência de uma zona de alta pressão, sobre a área do
Sertão, que dificulta o encontro das massas de ar quentes e úmidas,
provenientes da Amazônia e do Atlântico, com a massa de ar fria
que se desloca da região polar atlântica.
Por esse motivo, raramente
se formam frentes de instabilidade, responsáveis pelas chuvas. À
medida que as massas se deslocam, perdem umidade e, caracterizando a escassez e a
irregularidade, não ultrapassam 400 mm anuais. Essa escassez implica déficit hídrico no
Rio Grande do Norte, em Seridó, por exemplo.
A variação pluviométrica de alguns
trechos do Sertão também está rela
cionada com a presença do relevo,
principalmente o Planalto de Borborema,
que faz com que chova na vertente leste
e o ar chegue seco na vertente oeste.
Isso explica a escassez de chuvas em
determinado período do ano nas áreas
próximas a esse planalto.
Ao comparar os mapas, pode-se notar que, nas áreas do Rio São Francisco e da
Depressão Sertaneja, a seca ocorre com maior intensidade. Isso acontece porque o Planalto
da Borborema barra a circulação da massa de ar Equatorial Atlântica, concentrando a
umidade no litoral, onde está a planície e os tabuleiros litorâneos. Também é possível notar
a diferença de pluviosidade em um mês.
A VEGETAÇÃO NO NORDESTE
Uma característica importante do Nordeste é a diversidade natural. As características
físico-naturais possibilitam a compreensão da dinâmica econômica e da ocupação do
Nordeste, bem como o planejamento de estratégias para o seu desenvolvimento social e
econômico.
A Floresta Amazônica
É uma Floresta Equatorial, suas árvores são
de grande porte e perenes, ou seja, as folhas
não caem no outono e no inverno. Em razão
da densidade da vegetação, a floresta detém
uma grande quantidade de massa de ar úmida,
dando origem aos chamados rios voadores.
A Mata dos Cocais
A Mata dos Cocais está localizada em uma
faixa de transição entre três biomas brasileiros,
a Caatinga, a Floresta Amazônica e o Cerrado.
Sua flora é composta, majoritariamente, por
palmeiras de babaçu e carnaúba. Em função de
sua localização, a região da Mata dos Cocais
tem um clima equatorial e semiárido, com verão
quente e chuvoso e inverno quente e seco.
A vegetação de Mata Atlântica
Apresenta grande biodiversidade de fauna
e flora. Os solos são profundos e férteis,
conhecidos como solos de massapé. É uma das
florestas com o maior número de espécies
endêmicas do mundo.
A vegetação do Cerrado
As veredas são formações vegetativas
comuns no Cerrado, caracterizadas pela
presença de palmeiras de buritis e pelos
Campos limpos, com poucos arbustos. Por
isso, o Cerrado é frequentemente utilizado
para atividades de pecuária.
Seu solo com
alta concentração de ferro é pouco fértil, no
entanto pode ser facilmente corrigido para a
produção agrícola. Atualmente, tem sofrido
intenso desmatamento com a expansão da
fronteira agrícola. A vegetação floresce durante
o verão, caracterizado por altas temperaturas
e pelo alto índice pluviométrico. No inverno, as
temperaturas são elevadas e a região passa por
um período de secas.
A vegetação da Caatinga
A vegetação é adaptada ao solo rochoso
e pedregoso e aos longos períodos de
seca. Os rios são intermitentes e, por isso,
podem desaparecer nos períodos sem chuva,
dependendo do ritmo climático sazonal.
A vegetação de Campos
Sua vegetação é composta, majoritariamente,
por plantas rasteiras, herbáceas, pequenos
arbustos e gramíneas. Em razão das suas
características de solo fértil, bons índices
pluviométricos e terrenos planos, os Campos
têm sido devastados para a prática de atividades
agropecuárias.
A vegetação litorânea
É a vegetação mais afetada pelas atividades
econômicas do período colonial, em razão de
sua localização. É formada principalmente por
mangues, restingas e dunas.
AS REDES URBANAS NO NORDESTE
A rede urbana consiste em um conjunto de cidades que estão conectadas por
meio de seus arranjos produtivos e comerciais. A partir da década de 1970, projetos
governamentais de incentivos industrial e agropecuário tiveram o objetivo de promover o
desenvolvimento econômico do Nordeste.
Desse modo, algumas cidades se firmaram como polos regionais, principalmente nas
capitais históricas e litorâneas. Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE) são as maiores
cidades nordestinas, somando mais de 10 milhões de habitantes nas áreas metropolitanas.
Essas cidades dispõem de maior infraestrutura, como postos de saúde, supermercados,
agências bancárias, museus, cinemas e redes de eletricidade, esgotamento sanitário e
tratamento de água, por exemplo. Esses serviços são importantes para o desenvolvimento
de atividades econômicas e para a geração de renda, além de promover a qualidade de
vida da população.
A consolidação do processo
de urbanização e constituição
de redes urbanas regionais está
associado aos complexos indus
triais de setores agroindustriais e
energéticos, desenvolvidos prin
cipalmente em 1960 e 1970, no
contexto da Superintendência de
Desenvolvimento Regional para o
Nordeste (Sudene).
AS POLÍTICAS DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
E SOCIAL
Entre os séculos XX e XXI, o Nordeste recebeu grandes investimentos oriundos princi
palmente de parcerias público-privadas, de capital nacional e estrangeiro, o que contribuiu
para a dinamização da economia e a reorganização das redes urbanas regionais.
Nesse período, muitas indústrias migraram do Sudeste para o Nordeste, buscando
menores custos de produção e impostos. Isso contribuiu para a geração de empregos e
renda para a população local, principalmente nas três maiores regiões metropolitanas:
Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE).
No início do século XXI, a Região Nordeste obteve a maior taxa de crescimento
médio anual no Brasil, em decorrência do cenário de desenvolvimento no período, além
da geração de empregos proporcionados pela modernização e pelo desenvolvimento de
indústrias e agroindústrias.
Os governos estaduais e federal também desenvolveram programas sociais voltados
às linhas de crédito para os agricultores familiares e para a distribuição de renda, além
de investimentos destinados à ampliação de centros de educação, pesquisa, ciência e
tecnologia.
OS PROBLEMAS SOCIOECONÔMICOS DO NORDESTE
Apesar dos grandes avanços socioeconômicos da Região Nordeste nas últimas décadas,
ainda podemos considerá-la a região que apresenta maior desigualdade social do Brasil.
Você estudou que, em parte, isso é resultado de uma ocupação territorial pautada no
latifúndio e na monocultura de exportação.
Analise o mapa a seguir, que representa a proporção de pessoas abaixo da linha de
pobreza no Brasil em 2017. Mais de 45% das pessoas que vivem no Maranhão, no Piauí
e em Alagoas estão abaixo da linha de pobreza. Os indicadores ainda são uma herança
da desigualdade regional no Brasil.
A análise dos dados, com base no panorama econômico e populacional, reforça
a necessidade de formulação de políticas de incentivo e desenvolvimento regional em
diversos setores, para garantir a seguridade social da população que vive na região.
Os problemas socioeconômicos vêm sendo agravados por crises econômicas e cortes
de programas de assistência social e distribuição de renda, que provocaram o aumento
da pobreza e do desemprego no Nordeste.
Nos últimos anos, o Produto Interno Bruto (PIB) da região vem diminuindo. Em 2020,
período da pandemia de covid-19, os setores de indústria e serviços atingiram os piores índices
de queda no PIB, –8,6% e –7,6%, respectivamente. O único setor que sustentou crescimento
foi a agropecuária, com 1,3%.
AS PRODUÇÕES MINERAL E INDUSTRIAL
O Nordeste apresenta diversas reservas minerais de urânio, amianto, titânio, fosfato,
calcário, diamante, ouro, entre outras. As atividades de garimpo e mineração se destacam,
entretanto, são superadas pela extração de petróleo e gás natural.
Além da produção de combustíveis e gás de cozinha, o gás natural é utilizado na
fabricação de fertilizantes. Na imagem a seguir, é apresentada uma indústria de fertilizantes
em Laranjeiras (SE).
A indústria Unigel, que pertencia à Petrobras, produziu, em 2021, 650 mil toneladas
de fertilizantes de acordo com dados divulgados pela empresa. A fábrica está localizada
próxima da capital do Sergipe, Aracaju, e integra o maior eixo de industrialização da
Região Nordeste.
Além de fertilizantes nitrogenados, a empresa produz amônia e sulfato
de amônio na região.
Por causa das atividades que desenvolvem as indústrias de fertilizantes nitrogenados
têm intensos fluxos de circulação de mercadoria e capital com os fornecedores de gás
natural e demais produtos químicos e minerais para produção.
A reativação das fábricas de
fertilizantes por parte da Petrobras busca reduzir a necessidade de importação e depen
dência dos produtos russos. Em 2020, de acordo com dados da IFA e Comexstate, o brasil
importou mais de 30 mil toneladas de fertilizantes.
A produção de petróleo no Nordeste
A produção de petróleo no Nordeste
ENCAMINHAMENTO
Brasil: produção de petróleo
(abril/2021)
Estado
Rio de Janeiro
São Paulo
Espírito Santo
No Nordeste, a produção de petróleo destaca-se nas áreas da Bacia Potiguar (RN),
da Bacia de Alagoas (AL), da Bacia do Recôncavo (BA) e da Bacia do Sergipe (SE).
Desde
2013, com a descoberta do pré-sal, houve
crescimento na atividade exploratória.
A maior parte das bacias está localizada
em campos maduros, ou seja, onde a explo
ração ocorre há mais de 25 anos. Também
existem pesquisas que visam comprovar
a existência de reservas de petróleo com
grande potencial.
O destaque da produção petrolífera brasileira é a
Bacia de Campos e Santos, situada na plata
forma marítima entre os estados do Espírito
Santo, do Rio de Janeiro e de São Paulo. No
entanto, ainda que Rio Grande do Norte,
Bahia, Sergipe, Maranhão, Alagoas e Ceará
tenham menor participação na produção
nacional de petróleo, é importante destacar
os investimentos realizados no setor, a extensão do litoral e a infraestrutura existente na
região nordestina, como o Polo Petroquímico
de Camaçari (BA).
Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CE)
A expansão do Complexo Industrial-Portuário do Pecém (CIPP), em operação desde
2002, é um exemplo de modernização e de desenvolvimento econômico. Os acordos
econômicos com multinacionais de diversos países representam o interesse que o CIPP desperta no cenário mundial, em
razão de sua vantajosa localização
tanto pela saída para o Atlântico
como pelas condições físico-naturais
de energia eólica e solar disponíveis
na costa litorânea do Ceará.
A MODERNIZAÇÃO DA AGROPECUÁRIA
Nas últimas décadas, a agricultura nordestina tem passado por modificações signi
ficativas, seja nos setores mais tradicionais, como o canavieiro, seja na criação de novas
culturas, como é o caso da produção irrigada de frutas do Sertão ou dos arranjos produ
tivos modernos.
Como consequência da modernização e da especialização de práticas agropecuárias,
cuja produção se destina ao mercado externo, houve um crescimento do uso de novas
técnicas de correção e fertilização de solos e a implantação de projetos de irrigação e
seleção de sementes e espécies.
A modificação da estrutura produtiva agropecuária nordestina tem submetido os
agricultores a novas pressões:
• cenários internacionais de competição e de protecionismo,
que dificultam a exportação;
• mudança das estruturas de propriedade da terra;
• necessidade cada vez maior de mecanização agrícola e acesso
à tecnologia;
Protecionismo:
política econômica que
busca tornar os produtos
nacionais mais baratos
do que os importados.
• formação do chamado agronegócio, que é a fusão da agricultura com processos
industriais, por exemplo: integrar o plantio de cana-de-açúcar à produção de açúcar
e álcool.
Com a mecanização e o uso intensivo de recursos biotecnológicos e da atividade
agroindustrial, a produção agrícola no Nordeste vem apresentando diversidade de uso
de tecnologia e ciência, conforme as características físico-naturais das sub-regiões (Meio-Norte, Sertão, Agreste e Zona da Mata).
Nessas áreas, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolve
estudos especializados em genética, microbiologia, engenharia de produção e de alimen
tos, nutrição animal, técnicas de reprodução etc. As instalações da Embrapa estão divididas
por sub-região ou tipos de atividades.
OS CINTURÕES AGRÍCOLAS NAS SUB-REGIÕES
NORDESTINAS
A agricultura no Nordeste é caracterizada pelo cultivo de soja, cana-de-açúcar,
grãos, raízes, leguminosas e frutas, além das pecuárias caprina, ovina e bovina.
Cada sub-região conta com sistemas específicos de produção, que adotam solu
ções tecnológicas para alcançar produtividade em áreas com estresse hídrico.
Note que, nos estados do
Meio-Norte, vão se concentrar
as produções que precisam de
maior umidade, chuvas mais
frequentes e solos menos
ácidos; no Sertão estarão
concentradas aquelas ativida
des agrícolas que resistem a
longos períodos de estiagem e
baixa umidade; já no Agreste e
na Zona da Mata, estão con
centradas as produções que
resistem a curtos períodos de
estiagem e maior umidade.
O biocombustível
O biocombustível é um combustível biodegradável fabricado à base de fontes reno
váveis, como óleos vegetais e gorduras animais.
Ele é menos poluente que os combustíveis convencionais, como o diesel, proveniente
do petróleo.
O biocombustível utilizado em veículos movidos a diesel, caminhões e tratores,
por exemplo, é conhecido como biodiesel.
Por beneficiar o desenvolvimento da atividade agrícola, o biocombustível recebe
insumos da pecuária, como o sebo bovino, que pode ser usado em sua composição.
No
futuro, ele poderá reduzir a exploração do petróleo, uma vez que
é, em muitos casos, um substituto desse recurso.
A produção de biocombustível no Nordeste é significativa, em
especial, no que diz respeito ao aproveitamento de oleaginosas,
como o babaçu, o girassol e a mamona.
A IMPORTÂNCIA DO RIO SÃO FRANCISCO
O Rio São Francisco é o principal rio perene da Região Nordeste. Suas nascentes
localizam-se no estado de Minas Gerais; de onde segue na direção norte e deságua no
oceano Atlântico, na divisa entre Sergipe e Alagoas. Atravessa três das quatro sub-regiões
do Nordeste: Sertão, Agreste e Zona da Mata.
É um rio extremamente importante para a região nordestina. Além de garantir água
para uma vasta área, em especial, o Sertão, possibilita a instalação de hidrelétricas em
diversos trechos de seu percurso, que abastecem as principais cidades do Nordeste.
No entanto, a falta de planejamento no uso das águas e o desmatamento das matas
ciliares têm causado sérios problemas, como o assoreamento do
rio, a diminuição do canal fluvial e a poluição de suas águas.
A transposição do Rio São Francisco
A transposição consiste na construção de dutos de ligação das águas do São Francisco
para alimentar rios intermitentes e açudes nas regiões mais afetadas pela seca, com previ
são de abastecer um total de 390 municípios nos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará
e Rio Grande do Norte.
Em 2017, o primeiro trecho foi inaugurado e, no mesmo ano, foi
verificada a melhora no acesso à água nas áreas próximas a açudes, o que levou a novos
projetos para beneficiar outros estados
nordestinos.
Apesar disso, há críticas ao modelo
da transposição, que apontam como
possíveis fatores negativos o aumento
do assoreamento do rio, a diminuição
de seu volume de água, o que afetaria
os peixes e outros animais desse hábitat,
e a perda de vegetação nativa causada
pelas obras.
Além disso, os projetos
de irrigação colocados em prática até
então favoreceram principalmente os
latifúndios monocultores, que destinam
toda a sua produção à exportação.
A ATIVIDADE TURÍSTICA
A atividade turística é um dos setores da economia que mais crescem no mundo, e
na Região Nordeste gera muitos recursos e empregos.
Nos últimos 20 anos, o desenvolvimento do turismo no Nordeste tem sido marcado
por quatro características:
• diversificação dos destinos, que não se limitam unicamente às capitais e às localidades
litorâneas;
• crescimento contínuo do fluxo de turismo interno e externo;
• profissionalização do setor;
• articulação eficiente entre poder público e iniciativa privada.
O turismo é um dos exemplos da articulação entre natureza, economia e cultura.
Assim, para que a atividade turística tenha sucesso, não se devem considerar apenas as
características naturais, mas também as condições culturais e educacionais da região,
promovendo, por exemplo, a formação de mão de obra especializada.
Além das belezas naturais, como o seu vasto litoral e as áreas como os Lençóis
Maranhenses, o Nordeste tem cidades tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (Iphan), como Salvador (BA), Olinda (PE) e São Luís (MA), e, também,
grandes áreas de preservação ambiental.
No entanto, a atividade turística também apresenta aspectos negativos, já que pode
contribuir para a degradação ambiental e a expulsão da população local em áreas que
atraem investimentos turísticos. Considerando isso, é importante que as políticas voltadas
para o incentivo ao turismo promovam o desenvolvimento local e respeitem as legislações
ambientais e trabalhistas.
AS MIGRAÇÕES NORDESTINAS
Nas últimas décadas, o Nordeste ampliou seu parque industrial e sua produção agrí
cola, aumentando, assim, a oferta de emprego. Atraída por mais postos de trabalho,
grande parte dos migrantes regressou a essa região, em especial para as capitais, como
Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE).
A produção de petróleo e o turismo também têm
participação significativa na economia nordestina e na atração populacional para a região.
O crescimento econômico regional tem contribuído para a inversão do fluxo de
migração Nordeste-Sudeste. É cada vez mais intensa a chamada migração de retorno –
pessoas nascidas em estados do Nordeste que vivem no Sudeste estão retornando à sua
região de origem.
Os movimentos pendulares e sazonais
Na Região Nordeste, é muito comum ocorrer movimentos temporários de pessoas,
por um período mais longo ou no decorrer do mesmo dia. Eles se diferenciam dos fluxos
migratórios exatamente por não serem permanentes. São chamados de movimento sazonal
e movimento pendular de pessoas.
O movimento sazonal se refere a migrações que acontecem por um período determinado. Ocorre principalmente nos períodos de seca no Sertão nordestino, que incentivam
os fluxos temporários de pessoas que vão para as grandes cidades para trabalhar. Quando
as chuvas retornam, essas pessoas voltam para seu local de origem.
Também podem ser
trabalhadores de indústrias ou empresas de serviços, que trabalham durante um período
em uma das filiais, ou profissionais autônomos, que se deslocam para prestar serviços
durante um período em outras cidades.
No movimento pendular, os trabalhadores se
deslocam, diariamente, de suas residências em direção
ao seu lugar de trabalho. Então, não chegam a mudar
de casa. Entre os exemplos, estão os boias-frias, trabalhadores rurais que saem das cidades onde residem
e se deslocam para as fazendas em que trabalham,
regressando às suas casas depois do dia de trabalho;
os trabalhadores da indústria e dos serviços que vivem
em cidades-dormitório e se deslocam diariamente ao
centro das grandes cidades para trabalhar, algo muito
comum nas regiões metropolitanas.
A RIQUEZA CULTURAL NORDESTINA
Na história da ocupação e da formação territorial do Brasil, o Nordeste constitui-se
como uma das primeiras regiões a concentrar os núcleos urbanos, as atividades agrícolas
e, na vida cotidiana, a mistura de várias culturas e povos, como você já estudou. Esses
fatos propiciaram a convivência de diferentes povos e possibilitaram a formação de uma
cultura que confere uma identidade regional.
A cultura nordestina é o resultado da
convivência de vários povos europeus, afri
canos e indígenas. Essa
miscigenação cultural
traz aspectos do cato
licismo e das religiões
africanas e indígenas e materializa-se em
ritmos, danças, músicas e festas.
Analise as fotografias de algumas dessas
manifestações culturais e leia as descrições
para conhecer um pouco sobre elas.
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