O capitalismo técnico-científico-informacional
Essa nova fase do capitalismo se desenvolveu, principalmente, a partir da década
de 1970, estando associado à Terceira Revolução Industrial. Entre suas principais
características está a forte interdependência entre o conhecimento científico e o meio
industrial, isto é, a integração entre conhecimento científico e produção industrial.
Nesse contexto, a pesquisa científica passou a ser considerada a “peça-chave”
para o desenvolvimento das indústrias de alta tecnologia, entre elas a eletrônica,
a robótica, a de biotecnologia, a aeroespacial, a de informática (computadores e
softwares), a de telecomunicação (rede de cabos e satélites) e a mecatrônica
(robôs industriais e comandos digitais).
Essa dependência levou à aproximação de universidades e centros de pesquisas científicas com indústrias de alta tecnologia, uma tendência que perdura até
os dias de hoje.
Na década de 1990, o sociólogo espanhol Manuel Castells criou o termo capitalismo informacional para se referir a esse novo período, posterior ao capitalismo financeiro. Além de novos sistemas de organização produtiva e introdução de
novas tecnologias, o capitalismo informacional incentivou o comércio internacional a níveis nunca antes registrados e proporcionou um papel ainda mais importante à circulação de informações pelo espaço geográfico.
O capitalismo informacional contribuiu para que as transações comerciais em nível mundial ultrapassassem todos os volumes e valores antes registrados. Esse cres
cimento no comércio global é explicado por diversos fatores, entre eles o avanço nas
tecnologias de transporte e comunicação, a queda gradativa das tarifas alfandegá
rias, a inserção de várias economias nacionais no mercado internacional, além da
disseminação de empresas transnacionais por vários países do mundo
O comércio em escala planetária proporciona uma grande interdependência do
espaço geográfico mundial. Para muitos estudiosos, essa interdependência tem
raízes nas Grandes Navegações europeias do século XVI, ou seja, há alguns sécu
los teve início um processo que atualmente resulta na internacionalização ou
mundialização da produção industrial, do capital, das mercadorias, das técnicas,
do trabalho e até mesmo do consumo e da cultura. Segundo esses estudos, vive
mos atualmente a era da globalização.
A expansão capitalista no mundo atual
Após a Segunda Guerra Mundial, começou a se estruturar uma nova etapa de desenvolvimento do capitalismo, que vem se intensificando, sobretudo a partir dos anos 1970 e 1980. Essa fase é marcada pela supremacia dos Estados Unidos como principal potência político-militar e econômica do planeta.
No entanto, no período que sucedeu a Segunda Guerra até o final dos anos 1980, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), que havia implantado o socialismo, rivalizava com os Estados Unidos como principal potência mundial, principalmente no aspecto políico-militar.
A partir dos anos 1960, a ascensão econômica do Japão e da Alemanha elevou-os a grandes potências econômicas mundiais. Até os primeiros anos do século XXI, esses países ocupavam, respectivamente, os postos de segunda e terceira economias do mundo.
No decorrer deste século, a China vem despontando como grande potência econômica, disputando com os Estados Unidos o posto de maior economia mun dial. Apesar de já se estruturar de forma multipolar, com centros importantes na Europa (União Europeia), no Japão e, sobretudo, nos Estados Unidos, esse poder global, a partir da última década do século XX, passou a contar também com a pujança chinesa.
A esse movimento emprega-se o termo recentralização em razão de os chineses já terem constituído um império, entre os séculos II a.C. e XIX d.C. – período em que a influência da China era marcante em extensas porções da Ásia – e agora voltarem a uma posição de destaque, de modo que o mundo conhece uma recentralização do poder econômico global.
Com o avanço do colonialismo europeu no continente asiático, houve uma
redução sensível da influência chinesa no continente, que passa a ser retomada
na virada do século XX para o XXI, com grandes investimentos chineses em diversos países do Sul e Sudeste Asiáticos. Tal processo também compreende as
relações da China com o mundo inteiro, marcado por grandes volumes de exportações e importações de mercadorias e serviços e por investimentos em diversos projetos em todos os continentes, além da expansão de empresas chinesas
em muitos países.
Na África e na América Latina, em particular no Brasil, as relações políticas,
comerciais e econômicas com os chineses passam por uma intensificação sem
precedentes na história sino-africana, sino-latino-americana e sino-brasileira. Diversas empresas da China, de diferentes ramos, atuam no Brasil, e esse país é o
maior parceiro comercial brasileiro.
Essa nova fase de desenvolvimento do capitalismo é marcada pela Terceira
Revolução Industrial, com o desenvolvimento de novos processos de produção
industrial, novas mercadorias, fontes energéticas, atividades profissionais e formas de comunicação a distância. Outra característica marcante dessa etapa é
a globalização, com forte interdependência entre pessoas e empresas de diferentes países, apoiada, sobretudo, por uma ampla e estruturada rede mundial de
telecomunicações e de transportes. Esta, porém, se distribui de forma desigual
entre os países do globo.
No âmbito econômico, mantém-se o processo de centralização do capital
por meio de fusões (união de empresas) e aquisições (compra de empresas),
iniciado na fase anterior, levando à formação de oligopólios mundiais – um
pequeno número de grandes empresas transnacionais domina mercados re
levantes, como os de comercialização de produtos de alta tecnologia (infor
mática, equipamentos de telecomunicações, aviões), obtendo grandes lucros.
No contexto atual, intensifica-se o processo de desconcentração da produ
ção industrial em escala global, iniciado após a Segunda Guerra Mundial. Graças
à evolução tecnológica nos setores de transportes e comunicações, as indústrias transnacionais estadunidenses, europeias e japonesas ampliam o número
de suas fábricas, escritórios e centros de pesquisas, com filiais em diversos países.
O baixo custo de mão de obra, os benefícios oferecidos pelos governos
locais (como a redução de impostos) e a legislação ambiental menos rigorosa
em alguns países são fatores que também estimulam as transnacionais a instalar novas fábricas nesses territórios.
As grandes empresas transnacionais, principalmente dos Estados Unidos,
da Alemanha, do Reino Unido, da França, da Itália, da Suécia e do Japão, des
centralizam a produção, criando padrões econômicos produtivos em escala
mundial, estruturados em redes, nas quais cada país é responsável pela fabricação de determinados componentes do produto. Trata-se das cadeias globais
de produção, nas quais a distribuição da fabricação de peças de automóveis ou
aviões pelo território de vários países são bons exemplos.
Com o expressivo crescimento econômico da China, a partir da década de
1990 – principalmente a partir dos anos 2000 –, transnacionais chinesas pas
saram a operar com base nesse padrão produtivo.
Houve também processos de recentralização nos países com maior nível de industrialização, onde as unidades fabris de bens de consumo, instaladas nos grandes centros urbanos e seus arredores, foram deslocadas para
regiões com menor concentração industrial.
Um desses processos está relacionado à formação de clusters, áreas de concentração de empresas que desenvolvem um mesmo ramo de atividade e utilizam mão
de obra específica, como especialistas em tecnologia da informação, ou um mesmo
tipo de matéria-prima. Os clusters são beneficiados por toda uma infraestrutura de
telecomunicações e transportes, além da proximida
de de centros de pesquisa ou universidades, garantindo capacidade competitiva em razão da redução
de custos e do potencial de geração de inovações.
Os tecnopolos (polos de desenvolvimento de
pesquisas tecnológicas) são outro exemplo de
recentralização, uma vez que passam a concentrar empresas desenvolvedoras de produtos que
incorporam alta tecnologia em locais próximos a
universidades. O primeiro deles se formou no esta
do da Califórnia, Estados Unidos, na região conhecida como Vale do Sílicio: o Parque de Pesquisas de
Stanford, próximo à universidade de mesmo nome.
No Brasil, têm sido criados diversos polos tecnológicos nas últimas décadas. Esses
centros estavam concentrados em poucas capitais
(São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte) com
maior projeção econômica.
Atualmente, municípios
como Campinas, São José dos Campos e São Carlos
(SP), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Curitiba
e Londrina (PR), Santa Rita do Sapucaí (MG) e Re
cife (PE) passam também a concentrar
empresas de tecnologia de ponta, com a formação
de novos tecnopolos. Esses processos de descentralização e recentralização envolveram também
empresas de alta tecnologia estadunidenses e
mesmo chinesas, sendo que estas começaram a
ingressar no Brasil neste início de século XXI.
O expressivo crescimento da China, que reforçou a configuração de um importante polo de dinamismo econômico no Sudeste e Leste asiáticos
(China, Japão e Coreia do Sul são os centros mais
dinâmicos desse polo, com destaque para os dois
primeiros), contou também com a estruturação de
grandes grupos empresariais que abriram filiais
em diversos países.
Nenhum comentário:
Postar um comentário