O modo de produção capitalista é hegemônico na atualidade. Mas
outro importante sistema econômico, o socialismo, foi adotado durante décadas
por alguns países do mundo.
Durante a fase imperialista do capitalismo ocorreu uma revolução socialista na Rússia, em 1917. Em 1922, foi proclamada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), primeiro Estado socialista do mundo.
Segundo os socialistas, a propriedade privada dos meios de
produção (terras, indústrias, bancos, entre outros) verificada no
sistema capitalista gera desigualdades sociais, criando classes distintas: os que detêm as propriedades dos meios de produção e os
trabalhadores que exercem atividades nesses meios.
O socialismo é um sistema que organiza a vida política, social e econômica de uma sociedade. Nele, as formas de produção e de organização do território são definidas pelo planejamento do Estado, e indústrias, máquinas, meios de transporte, fontes de energia, matérias-primas, terras, enfim, todos os meios de produção são estatais.
Ao Estado cabe determinar os investimentos, os tipos de bens produzidos e a distribuição de mercadorias e também cabe a ele fornecer educação, assistência médica, moradia, lazer e uma renda que garanta à população viver de forma minimamente digna.
O sistema político-econômico
socialista é baseado na constru
ção de uma sociedade em que,
entre outras particularidades, os
meios de produção não estejam
separados da força de trabalho,
abolindo, assim, as classes sociais.
Karl Marx e Friedrich Engels foram os principais críticos da sociedade capitalista e divulgadores
das ideias socialistas durante o século XIX. Essa crítica foi construída
dentro da realidade do período
em que viveram, marcado pelas
transformações oriundas da Revolução Industrial e pela condição
degradante dos trabalhadores nas fábricas, que eram obrigados a cumprir extensas jornadas de trabalho em troca de baixos salários. Grande parte de seus pensamentos foi a base teórica que estruturou, em 1917, a Revolução Russa.
A criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), ou simplesmente
União Soviética, em 1922, constituiu um marco na busca por uma sociedade mais
igualitária, na visão socialista. Segundo esse sistema, a União Soviética alcançaria a
condição de superpotência global e viria a ser o grande adversário das potências capitalistas, principalmente dos Estados Unidos, durante grande parte do século XX.
Após a Segunda Guerra Mundial, países da Europa, da África e da Ásia também
adotaram o socialismo e passaram a fazer parte do bloco socialista.
No entanto, de modo geral, o socialismo soviético esteve longe do modelo idealizado por seus criadores. A forma como o socialismo foi implementado na prática
ficaria conhecida como socialismo real. Nele, os trabalhadores não estavam no
poder, pois uma elite burocrática
controlava o Estado. A pretendida socialização dos meios de
produção tampouco ocorreu,
pois a apropriação e o controle
desses meios era exclusividade
do Estado, isto é, do Partido
Comunista, sem a participação
da sociedade civil.
Sociedade socialista real
Planificação da economia: o Estado controla todos os
meios de produção (terras,
bancos, lojas, farmácias etc.).
Centralização política: o poder
político é exercido por um partido
único (Partido Comunista da União
Soviética – PCUS), que, por sua
vez, não admite oposição.
Consumo sem estímulo:
o governo não estimula
o consumo de produtos
voltados à obtenção de lucro.
Igualdade social: sociedade sem
classes sociais, ou seja, sem patrões
e trabalhadores. No entanto, de
fato, a classe política se beneficiava
de determinados privilégios
inacessíveis aos demais cidadãos.
O apogeu e o declínio do sistema socialista
No início do século XX, o socialismo possibilitou à União Soviética alcançar uma
importante posição política e militar no cenário mundial, uma vez que a economia
planificada propiciou a ampla modernização da atividade industrial, sobretudo
nas áreas bélica, siderúrgica e petroquímica.
No entanto, a partir da década de 1970, o modelo soviético começou a apre
sentar sinais de decadência econômica, política e social. Foram vários os fatores
responsáveis pelo declínio do socialismo, entre eles podemos destacar:
• Baixo nível tecnológico, sobretudo das indústrias de bens de consumo, se
comparado com os países capitalistas.
• Baixa produtividade agrícola, obrigando o governo a investir em subsídios
agrícolas e a importar alimentos do exterior.
• Grandes investimentos na área militar durante a Guerra Fria, o que prejudi
cou os investimentos em outros setores da economia. Tal fato gerou perda de
competitividade e descontentamento da população.
A combinação de todos esses fatores e os crescentes conflitos e revoltas nacionais levaram à queda da superpotência soviética, que arrastou consigo vários ou
tros países socialistas. A queda do muro de Berlim, em 1989, foi considerada o
marco ideológico da queda também do socialismo.
Muro de Berlim, que, durante a
Guerra Fria, simbolizava a divisão
do mundo entre os blocos
capitalista e socialista, sendo
derrubado em 1989. A ocasião
marcou a reunificação da
Alemanha, além de marcar o
fim da Guerra Fria e,
consequentemente, da URSS.
No início da década de 1990, a desintegração da URSS resultou na formação de
15 novos países que, com exceção da Estônia, da Letônia e da Lituânia, formaram
a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), tendo a Rússia como principal
líder político, econômico e militar.
Atualmente, restam alguns países socialistas no mundo, como Cuba, Coreia do
Norte e Vietnã. A China seguiu um modelo misto, como o socialismo de mercado,
no qual houve uma abertura gradual de sua economia ao capitalismo.
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