quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

O socialismo

O modo de produção capitalista é hegemônico na atualidade. Mas outro importante sistema econômico, o socialismo, foi adotado durante décadas por alguns países do mundo.
Durante a fase imperialista do capitalismo ocorreu uma revolução socialista na Rússia, em 1917. Em 1922, foi proclamada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), primeiro Estado socialista do mundo.
Segundo os socialistas, a propriedade privada dos meios de produção (terras, indústrias, bancos, entre outros) verificada no sistema capitalista gera desigualdades sociais, criando classes distintas: os que detêm as propriedades dos meios de produção e os trabalhadores que exercem atividades nesses meios. 
O socialismo é um sistema que organiza a vida política, social e econômica de uma sociedade. Nele, as formas de produção e de organização do território são definidas pelo planejamento do Estado, e indústrias, máquinas, meios de transporte, fontes de energia, matérias-primas, terras, enfim, todos os meios de produção são estatais.
Ao Estado cabe determinar os investimentos, os tipos de bens produzidos e a distribuição de mercadorias e também cabe a ele fornecer educação, assistência médica, moradia, lazer e uma renda que garanta à população viver de forma minimamente digna. 
O sistema político-econômico socialista é baseado na constru ção de uma sociedade em que, entre outras particularidades, os meios de produção não estejam separados da força de trabalho, abolindo, assim, as classes sociais.
Karl Marx e Friedrich Engels foram os principais críticos da sociedade capitalista e divulgadores das ideias socialistas durante o século XIX. Essa crítica foi construída dentro da realidade do período em que viveram, marcado pelas transformações oriundas da Revolução Industrial e pela condição degradante dos trabalhadores nas fábricas, que eram obrigados a cumprir extensas jornadas de trabalho em troca de baixos salários. Grande parte de seus pensamentos foi a base teórica que estruturou, em 1917, a Revolução Russa.
A criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), ou simplesmente União Soviética, em 1922, constituiu um marco na busca por uma sociedade mais igualitária, na visão socialista. Segundo esse sistema, a União Soviética alcançaria a condição de superpotência global e viria a ser o grande adversário das potências capitalistas, principalmente dos Estados Unidos, durante grande parte do século XX.
Após a Segunda Guerra Mundial, países da Europa, da África e da Ásia também adotaram o socialismo e passaram a fazer parte do bloco socialista. 
No entanto, de modo geral, o socialismo soviético esteve longe do modelo idealizado por seus criadores. A forma como o socialismo foi implementado na prática ficaria conhecida como socialismo real. Nele, os trabalhadores não estavam no poder, pois uma elite burocrática controlava o Estado. A pretendida socialização dos meios de produção tampouco ocorreu, pois a apropriação e o controle desses meios era exclusividade do Estado, isto é, do Partido Comunista, sem a participação da sociedade civil. 

Sociedade socialista real

Planificação da economia: o Estado controla todos os meios de produção (terras, bancos, lojas, farmácias etc.).
Centralização política: o poder político é exercido por um partido único (Partido Comunista da União Soviética – PCUS), que, por sua vez, não admite oposição.
Consumo sem estímulo: o governo não estimula o consumo de produtos voltados à obtenção de lucro.
Igualdade social: sociedade sem classes sociais, ou seja, sem patrões e trabalhadores. No entanto, de fato, a classe política se beneficiava de determinados privilégios inacessíveis aos demais cidadãos.

O apogeu e o declínio do sistema socialista

No início do século XX, o socialismo possibilitou à União Soviética alcançar uma importante posição política e militar no cenário mundial, uma vez que a economia planificada propiciou a ampla modernização da atividade industrial, sobretudo nas áreas bélica, siderúrgica e petroquímica. No entanto, a partir da década de 1970, o modelo soviético começou a apre sentar sinais de decadência econômica, política e social. Foram vários os fatores responsáveis pelo declínio do socialismo, entre eles podemos destacar:
• Baixo nível tecnológico, sobretudo das indústrias de bens de consumo, se comparado com os países capitalistas. 
• Baixa produtividade agrícola, obrigando o governo a investir em subsídios agrícolas e a importar alimentos do exterior. 
• Grandes investimentos na área militar durante a Guerra Fria, o que prejudi cou os investimentos em outros setores da economia. Tal fato gerou perda de competitividade e descontentamento da população.
A combinação de todos esses fatores e os crescentes conflitos e revoltas nacionais levaram à queda da superpotência soviética, que arrastou consigo vários ou tros países socialistas. A queda do muro de Berlim, em 1989, foi considerada o marco ideológico da queda também do socialismo.
Muro de Berlim, que, durante a Guerra Fria, simbolizava a divisão do mundo entre os blocos capitalista e socialista, sendo derrubado em 1989. A ocasião marcou a reunificação da Alemanha, além de marcar o fim da Guerra Fria e, consequentemente, da URSS. 
No início da década de 1990, a desintegração da URSS resultou na formação de 15 novos países que, com exceção da Estônia, da Letônia e da Lituânia, formaram a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), tendo a Rússia como principal líder político, econômico e militar. 
Atualmente, restam alguns países socialistas no mundo, como Cuba, Coreia do Norte e Vietnã. A China seguiu um modelo misto, como o socialismo de mercado, no qual houve uma abertura gradual de sua economia ao capitalismo.

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