domingo, 21 de dezembro de 2025

Regiões geoeconômicas - Amazônia

A região geoeconômica denominada Amazônia está localizada no norte do Brasil. A presença da Floresta Amazônica e da Bacia Amazônica é a sua característica natural mais marcante e influenciou diversos aspectos da ocupação humana no território, como as atividades econômicas, os fluxos de transporte e a distribuição dos núcleos urbanos.
Nessa divisão, a Amazônia é identificada por semelhanças nos processos de ocupação, produção e organização do território. Ela é formada pelos estados de Roraima, Amapá, Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, boa parte do Mato Grosso, parte do Tocantins e uma pequena parte do Maranhão.
Nessa divisão, a Amazônia é identificada por semelhanças nos processos de ocupação, produção e organização do território. Ela é formada pelos estados de Roraima, Amapá, Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, boa parte do Mato Grosso, parte do Tocantins e uma pequena parte do Maranhão. 
Por fim, é possível utilizar aspectos naturais para regionalizar territórios que não pertencem a apenas um país, como também é o caso da Floresta Amazônica. Essa formação vegetal se estende por diversos países sul-americanos e é, em seu conjunto, denominada Amazônia internacional. Estão dentro de seus limites uma porção do território do Brasil – grande parte da Região Norte, do Maranhão e do Mato Grosso –, da Bolívia, do Peru, do Equador, da Colômbia e da Venezuela, além de Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

O AMBIENTE AMAZÔNICO

Agora, vamos abordar as características físico-naturais da Região Amazônica, como clima, vegetação, solo, relevo e hidro grafia. O ambiente amazônico se destaca por seus ecossistemas regionais e sua localização, que está entre os planaltos brasileiro e guianense.

O clima

O clima, a vegetação, a hidrografia e o relevo estão sempre inter-relacionados. Isso significa que as características da flora dependem do tipo de clima, da hidrografia e do relevo, assim como as características do clima estão muito relacionadas à presença de rios, às formas do relevo e a determinada vegetação. 
O clima da Região Amazônica é fortemente influenciado pela presença da floresta e pela latitude em que se encontra no globo. A proximidade da linha do equador faz com que a região receba muita insolação o ano todo, o que ocasiona altas temperaturas. 
A evapotranspiração da floresta e a presença de muitos rios contribuem para os altos índices de umidade e a baixa amplitude térmica. Nas áreas próximas à linha do equador, o clima é predominante mente equatorial, enquanto as áreas mais a leste e ao sul apresentam o clima tropical.

A vegetação

As paisagens naturais amazônicas não são uniformes. Além da própria vegetação da Floresta Amazônica, há também Campos, vegetação litorânea e Cerrado. Analise a distribuição dessas formações vegetais no mapa a seguir. 
Na própria Floresta Amazônica, é possível encontrar florestas de terra firme, de várzea e de igapó. As florestas de terra firme situam-se em regiões mais altas, que nunca inundam, e cobrem 90% do território amazônico. 
As de várzea ocupam as planícies e sofrem a influência das cheias e das vazantes dos rios. As de igapó – também chamadas de mata dos igapós – localizam-se nas planícies de inundação periódica ou permanente e representam uma rica fonte de alimentos para a fauna aquática.

O solo

Quando se analisam fotografias da Floresta Amazônica, é difícil imaginar que o solo da região seja considerado pobre em nutrientes. Nesse tipo de floresta, a própria cobertura vegetal protege e nutre o solo, ou seja, é nela que se originam os nutrientes que a mantêm exuberante, com o processo de decomposição da matéria orgânica. 
Com isso, se a vegetação original da floresta for retirada, teremos um solo pobre em matéria orgânica e em nutrientes, onde não será possível produzir nenhuma espécie de gênero agrícola. Outro fenômeno que pode acontecer é a desertificação da região e a alteração do clima.

O relevo e a hidrografia 

A rede hidrográfica da Região Amazônica é composta de muitos rios, os quais influenciam bastante as características das formações vegetais, do relevo e do clima, além, é claro, do cotidiano das populações. Como você analisou na abertura desta unidade, os rios são importantes para o desenvolvimento econômico da região. Alguns são extensos e volumosos, como os rios Amazonas e Tocantins, cujas bacias são as mais importantes do Brasil – Bacia do Amazonas e Bacia Tocantins-Araguaia.
Os cursos dos rios amazônicos percorrem áreas de planalto, planície e depressão, mas boa parte das bacias abrange terras baixas e relativamente planas. Essas características favorecem o transporte hidroviário, muito utilizado na região. Os rios que se localizam em áreas planálticas podem ser explorados para a geração de energia elétrica, como você estudará mais adiante. 
Além de serem as principais vias de circulação tanto de pessoas quanto de mercado rias – medicamentos, alimentos, combustíveis etc. –, os rios fazem parte da cultura e do sustento de muitas comunidades indígenas e tradicionais. Foi nas margens deles que a maior parte das cidades da região se desenvolveu.

A OCUPAÇÃO COLONIAL DA AMAZÔNIA

No início da colonização do continente americano, as nações europeias não deram muita importância à atual Amazônia, permitindo sua ocupação por companhias religiosas que tinham o objetivo de catequizar a população nativa. Para isso, diversas missões foram criadas ao longo dos grandes rios da região. 
No século XVII, ocorreram as primeiras tentativas europeias de ocupação da região por meio da agricultura, com o cultivo de cacau, cravo, algodão, café e cana-de-açúcar. Essa experiência, no entanto, fracassou por conta da falta de conhecimentos para o cultivo dessas espécies nas condições climáticas da Amazônia, além das dificuldades no escoamento da produção. 
Durante os séculos XVII e XVIII, Portugal construiu diversos fortes nesse território, especialmente ao longo dos rios, com o objetivo de combater as tentativas de ocupação da região por outras nações europeias. 

O extrativismo vegetal 

A história da ocupação da Amazônia pelos europeus e a do extrativismo nessa região caminham juntas. A extração das drogas do sertão, como são denominadas algumas riquezas naturais – guaraná, anil, urucum, copaíba, pau-cravo e castanha-do-pará – orien tou as invasões portuguesas ao interior do território durante o período colonial. Basicamente, a extração das drogas do sertão se deu por monopólio dos religiosos, que exploravam a mão de obra indígena. 
Esse processo não ocorreu de forma pacífica – eram constantes os conflitos entre missionários e indígenas e entre missionários e colonos, os quais também queriam participar da lucrativa exploração. No começo do século XIX, iniciou-se a extração comercial do látex para a produção da borracha, a qual, em pouco tempo, tornou-se um produto essencial para a crescente indústria automobilística e ganhou importância no mercado internacional. 
Dessa forma, as cidades de Belém (PA) e Manaus (AM) se desenvolveram economicamente e começaram a se estruturar enquanto metrópoles.
Outra grande riqueza da Floresta Amazônica é a madeira de lei. Historicamente, a exploração desse recurso ocorreu de forma descontrolada e ilegal, colocando em risco a reposição natural das árvores. Nas últimas décadas, surgiram iniciativas de ambientalistas e governos para tentar reduzir o desmatamento ilegal no Brasil. 
Uma das estratégias foi a difusão de técnicas que possibilitam o manejo florestal sustentável e a geração de empregos para a população envolvida na atividade. Também foram discutidas a intensificação da fiscalização e a criação de reservas extrativistas, de regras de derrubada seletiva e de políticas de reposição planejada de espécies. 
No entanto, o desmatamento ilegal continua sendo um grande problema na Região Amazônica, não só para o ambiente, mas também para as comunidades tra dicionais e para os indígenas, já que é comum que madeireiros invadam as terras dessas populações para extrair a madeira ilegalmente.

Os projetos de colonização na Amazônia e a construção de estradas 

Um dos planos estimulados pela criação da Sudam foi a colonização da Região Amazônica, incluindo a construção de estradas e rodovias. Entre as décadas de 1950 e 1980, o governo federal construiu milhares de quilômetros de rodovias para integrar o norte do país com as demais regiões. Esse projeto atraiu migrantes tanto para o trabalho na construção das estradas como para ocupar as áreas do entorno com atividades agropecuárias ou de mineração.

Por meio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), criado em 1970, o governo federal implementou projetos que buscavam uma ocupação de áreas com baixa densidade demográfica. 
A Rodovia Transamazônica foi uma das responsáveis pelo povoamento da região. Durante esse período, a região sofreu intensos impactos ambientais em razão das obras, cujas atividades causaram desmatamento da floresta e maior exposição do solo – e sua consequente erosão. 
Os projetos de ocupação do território acentuaram esses impac tos, como o desmatamento para a extração de madeira e de minério e para abertura de espaços para as atividades agropecuárias. Os conflitos sociais também aumentaram muito, em razão das disputas por terras entre os colonos e das invasões de Terras Indígenas por garimpeiros, madeireiros e caçadores ilegais.

A Zona Franca de Manaus

Outro projeto para a ocupação da Região Norte do país foi a criação da Zona Franca de Manaus (ZFM), em 1967. Esse projeto consistiu em instalar um polo industrial na cidade, com facilidades e incentivos fiscais como redução na taxação de impostos, bus cando favorecer o desenvolvimento econômico regional. Essa tentativa se deu após a decadência da produção da borracha, que resultou na estagnação econômica dos estados da Região Amazônica. 
As isenções fiscais atraíram a instalação de diversas indústrias entre 1972 e 1982. Por meio de legislações e emendas constitucionais, os incentivos foram prorrogados por mais 50 anos, até 2073. As indústrias mais importantes da ZFM são as montadoras de aparelhos eletrônicos, como aparelhos de som, televisores, computadores, equipamentos de vídeo e eletrodomésticos (forno de micro-ondas, refrigeradores, máquinas de lavar etc.), além de motocicletas e bicicletas. 
Há outros centros industriais na região, como o de Belém (PA), com destaque para as indústrias têxtil, alimentícia, madeireira e de bebidas, que têm sua produção destinada a atender principalmente aos mercados local e regional. Barcarena (PA) é outro município com um complexo industrial metalúrgico importante, que transforma a bauxita extraída na Serra dos Carajás (PA) em alumínio.

A exploração mineral 

A exportação de minérios é uma das principais atividades econômicas do Brasil, e nosso país é um dos maiores exportadores de recursos minerais no mundo, dos quais a Região Amazônica é rica. No entanto, para que a extração ocorra, é preciso realizar grandes obras, como a abertura das jazidas e a construção de vias de circula ção para escoamento dos recursos extraídos. Todas essas ações causam intensos impactos ambientais e são uma grande preocupação para as comunidades locais. 

A Serra dos Carajás

A Serra dos Carajás, localizada no estado do Pará, é uma área rica em diversos miné rios, especialmente o ferro de alto teor, a bauxita, o ouro, a cassiterita, o manganês, o níquel e o cobre. Para explorá-los, foi implantado na região, entre 1979 e 1986, o Projeto Carajás. 
Na época, houve investimentos na construção de infraestrutura de transportes, como estradas, ferrovias e portos, e de usinas hidrelétricas, como a de Tucuruí, para abas tecer a região e possibilitar a exploração mineral. 
A Estrada de Ferro Carajás, que liga a Serra dos Carajás ao Porto de Itaqui, em São Luís (MA), desempenha um papel importante no transporte de cargas e no escoamento do minério, tanto para exportação quanto para abastecimento do mercado interno. Empresas multinacionais investem no setor metalúrgico, considerado um dos mais impor tantes do mundo, para o abastecimento de seus parques industriais. 
O Projeto Carajás, com suas usinas de alumínio e alta extração de manganês (80% da produção de manganês do Brasil vem da Serra dos Carajás), entre outros minérios já citados, atrai investidores de diversos países, como o Japão, a China, o Canadá e os Estados Unidos, por exemplo. Por outro lado, a atividade mineradora nessa região também causou extensos impac tos na vegetação e no relevo.

O garimpo de ouro 

Outra atividade econômica muito presente na Região Amazônica é o garimpo. Ele pode ser definido como a extração de minérios – a exemplo do ouro e do diamante – com a utilização de técnicas tradicionais. É importante ressaltar que essa atividade é, muitas vezes, praticada de forma ilegal. 
No século XX, o garimpo atraiu grandes fluxos migratórios para a região, pois nessa época foram descobertas muitas reser vas de ouro no norte do estado de Roraima; nos vales dos rios Tapajós, Tocantins e na Serra Pelada, no estado do Pará; e no vale do Rio Madeira, no estado de Amazonas. 
O garimpo causa impactos ambientais muito preocupantes, como a aceleração da erosão do solo e a contaminação de rios e outros corpos-d’água. Durante o processo de garimpo do ouro, utiliza-se mercúrio, metal tóxico que auxilia na separação das impurezas. 
Ele contamina as águas e a fauna local e pode causar sérios problemas de saúde em seres humanos que dependem dos rios para sobreviver. O garimpo em rios pode utilizar balsas que dragam o leito e causam impactos ambientais severos, desequilibrando todo o ecossistema local.
Além dos problemas am bientais, a atividade do garimpo traz consequências sociais. Exis tem reservas de ouro que estão localizadas em Terras Indígenas e de populações tradicionais que são invadidas por garimpei ros e geram conflitos e violência contra as pessoas que vivem ali.

O garimpo em Serra Pelada

Em 1979, na região de Serra Pelada (PA), foi descoberta uma grande jazida de ouro que provocou a migração de muitas pessoas em busca de riqueza. Em 1982, já havia cerca de 80 mil garimpeiros explorando a área. 
O contexto brasileiro na década de 1980 também contribuiu para esse fluxo migratório em direção às regiões auríferas, já que o país passava por um longo período de estagnação econômica. 
A técnica utilizada para a exploração de Serra Pelada era altamente poluente, com a utilização de mercúrio, o que degradava as águas subterrâneas e superficiais. 
Não havia cuidados com a estabilidade do solo, o que expôs os garimpeiros a grandes riscos e causou um acelerado processo erosivo. Em 1990, com o esgotamento do ouro, a atividade garimpeira cessou quase completamente na região.
 
Os grandes empreendimentos agropecuários 

Grandes fazendas foram instaladas na Região Amazônica a partir da década de 1970, com investimentos de grandes bancos brasileiros e de multinacionais industriais. 
Esse processo concentrou as terras nas mãos de poucas pessoas e provocou diversos problemas socioambientais, como o desmatamento, para abrir áreas de cultivo e pastagem, invasão de Terras Indígenas e conflitos entre a população local, posseiros e grileiros. 
Nas décadas seguintes, iniciou-se a implantação da cultura de grãos e de cana-de-açúcar no norte do Mato Grosso, em Rondônia e no Acre. Atualmente, a agropecuária destaca-se como importante atividade econômica na região da Amazônia, especialmente no Mato Grosso, estado que foi o maior produtor de cereais, leguminosas e oleaginosas do país e que possuía o maior rebanho bovino em 2020. 
O crescimento da atividade agropecuária nas últimas décadas se deve ao avanço da fronteira agrícola e ao investimento em tecnologia. 
É possível dividir a agricultura da região em dois tipos: 
• familiar, realizada em pequenas propriedades, com produção de alimentos, como mandioca, feijão e milho; 
• agronegócio, realizado em grandes propriedades, com produção que se destina à indústria e à exportação, como soja e cana-de-açúcar. 
A pecuária predominante é a de gado bovino, praticada em grandes propriedades e destinada à produção de carne. Destaca-se, também, a criação de búfalos na Ilha de Marajó (PA). No mapa a seguir, é possível perceber a distribuição da produ ção de bovinos no Brasil. Analise a concentração e a intensidade da produção na Região Amazônica. 

A geração de energia elétrica 

A partir da década de 1970, o governo federal fez investimentos na geração e no fornecimento de energia elétrica para atender à demanda crescente na região. A necessi dade de energia elétrica vinha da ocupação agropecuária, da crescente industrialização de Manaus (AM) e do suporte dado aos empreendimentos minero-metalúrgicos do ferro e do alumínio. Todo processo de ocupação, ainda que seja planejado, tem um forte impacto nos recursos hídricos locais, causando erosão, assoreamento, poluição e contaminação.

OS SETORES DA ECONOMIA

De acordo com o IBGE, em 2019 os estados com maior destaque econômico da Região Amazônica foram Pará, Mato Grosso (considerando todo o seu território) e Amazonas. Juntos, eles corresponderam a 5,8% do Produto Interno Bruto (PIB) – o conjunto de riquezas produzidas no país.
 A atividade industrial tem destaque nos estados do Amazonas e do Pará, representando cerca de 30% do PIB estadual em 2019. Note também que, em todos os estados da região, as atividades relacionadas ao setor terciário, ou seja, comércio e serviços, são as que mais geram riquezas entre os três setores da economia.

A POPULAÇÃO

As atividades econômicas e os projetos de desenvolvimento da Amazônia, que você acabou de estudar, transformaram a região em um importante destino migratório no país. 
Um dos fluxos era composto de agricultores, particularmente do Rio Grande do Sul, que buscavam no norte do país uma nova oportunidade para se estabelecerem como pequenos ou médios agricultores. O trânsito de nordestinos na Região Amazônica, em especial para os canteiros de obra e para o garimpo, foi bastante intenso. 
De maneira geral, o processo de integração do espaço amazônico ocorreu de forma conflituosa entre as populações migrantes, as comunidades tradicionais (ribeirinhos, serin gueiros e quilombolas), os povos indígenas, os garimpeiros, os posseiros e os pequenos agricultores. Em 2020, a Amazônia abrigava 13% da população do Brasil, distribuída entre os oito estados da região. 
Enquanto a média de densidade demográfica no país é de aproxima damente 24,5 hab./km², na Amazônia, ela é de apenas 4,3 hab./km². Nenhum estado da região tem densidade parecida com a brasileira – em Roraima, no Amazonas e no Mato Grosso, ela é inferior a 4 hab./km². A região apresenta alta taxa de natalidade e esperança de vida inferior à média brasileira. 

As cidades e as regiões metropolitanas

As cidades da Amazônia se caracterizam por receber grande quantidade de migrantes, em razão da precarização da vida no campo da região. Tal precarização é provocada pela ineficácia dos projetos de colonização rural e a alta concentração de terras nas mãos de poucas pessoas.
Outro aspecto marcante das cidades da região é a sua localização às margens de rios, como é o caso das regiões metropolitanas das suas duas maiores capitais, Manaus (AM) e Belém (PA). 
Há, ainda, centros urbanos for mados ao longo das principais rodovias – como a Transamazônica, a Cuiabá-Porto Velho e a Belém-Brasília – que ligam a região ao Centro-Sul do Brasil. No mapa a seguir, é possível observar as regiões metropolitanas do país, incluindo as da Região Amazônica.
A Região Geoeconômica Amazônica conta com oito regiões metropolitanas inteira mente em seu território: Belém (PA), Santarém (PA), Porto Velho (RO), Macapá (AP), Região Metropolitana do sul do estado de Roraima (RR), Região Metropolitana Central de Roraima (RR) e Região Metropolitana de Boa Vista (RR). As regiões metropolitanas do sudoeste maranhense, de Palmas e Gurupi, possuem apenas uma parte de seu território na Região Amazônica. Belém (PA) e Manaus (AM) são as grandes cidades da região, pois cresceram bastante no século XIX, no período de grande produção de borracha. Nelas, é possível notar um  intenso comércio, a disponibilidade de serviços e a presença de polos industriais, que influenciam diversas cidades da região.
 Como qualquer metrópole brasileira, Belém (PA) e Manaus (AM) apresentam inúmeros problemas socioambientais, entre os quais se destacam o déficit de habitação, de saneamento básico, das redes educacional e hospi talar, além de questões ambientais como a destinação inadequada de resíduos sólidos, o que causa a poluição dos corpos-d’água. 
A cidade de Belém (PA) está localizada na Baía Guajará, que conecta a cidade ao Rio Tocantins. Além disso, ao sul da cidade temos a presença dos rios Guamá e Acará. 
Além dos cursos-d’água, utilizados como vias de transporte de pessoas e mercadorias, a cidade conta com a Rodovia Belém-Brasil, que conecta a cidade à capital federal. É possível notar a integração física entre as cidades de Belém (PA) e Ananindeua (PA). Marituba (PA) também caminha para a integração, com vários pontos de contato com Ananindeua (PA). Os municípios de Santa Bárbara do Pará (PA), Santa Isabel do Pará (PA) e Castanhal (PA) estão ligados à Belém (PA) por meio de rodovias.

OS IMPACTOS AMBIENTAIS

O ambiente amazônico é resultado de um importante equilíbrio entre clima, vegetação, hidrografia e relevo da região. No entanto, esse equilíbrio é ameaçado pelo desmatamento, pela erosão e pela poluição dos rios e do solo, provocados pelo desenvolvimento de diversas atividades econômicas.

As Unidades de Conservação 

Uma forma de garantir a conservação de áreas naturais – não só na Região Amazônica, mas em todo o território nacional – foi a criação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).
As Unidades de Conservação podem ser: parques; reservas ecológicas, biológicas, florestais e extrativistas; estações ecológicas; e florestas.
Elas são divididas em dois grandes grupos: Unidades de Proteção Integral, onde não deve haver coleta, consumo, dano ou destruição dos recursos naturais; e Unidades de Uso Sustentável, onde se busca conciliar a con servação da natureza com o uso sustentável dos recursos naturais. 

Exemplos de Unidades de Conservação 

Os parques nacionais são um tipo de Unidade de Conservação Integral e têm como objetivo a pre servação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a rea lização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambien tal, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. 
Já as reservas extrativistas pertencem ao segundo grupo das Unidades de Conservação de Uso Sustentável. São áreas utilizadas por populações extrativistas tradicionais, cujo sustento depende do extrativismo, da agricultura de sub sistência e da criação de animais de pequeno porte. Esses espaços têm como objetivo proteger os meios de vida e a cultura dessas popula ções e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade.

O desmatamento e a mineração

Com o avanço da pecuária, da extração de madeira e da mineração, a Região Amazônica tem sofrido intensos impactos ambientais.  
A intensidade de área desmatada e queimada é maior justamente onde há grande concentração de rebanhos bovinos. 
É possível notar que as áreas desmatadas e os focos de calor estão concentrados no sul e no leste da região, já que é nesses locais que há maior presença de empreendimentos agropecuá rios e de extração mineral. 

A mineração em Terras Indígenas 

Além das atividades pecuárias, a mineração é outro fator que contribui para o desmata mento da floresta. Comunidades indígenas da região são constantemente ameaçadas, uma vez que grande parte das reservas minerais está em terras demarcadas. Além delas, as atividades de extrativismo mineral têm avançado para as Unidades de Conservação – em 2020, a mineração foi responsável por desmatar 97,61 km² dessas unidades na Amazônia Legal. 

AS ATIVIDADES MINERADORAS NA AMAZÔNIA

A Região Amazônica concentra em seu território grande quantidade de minérios, como ouro, ferro, nióbio, bauxita, manganês, entre outros. Conforme você estudou, a extração de ouro na Serra Pelada (PA), na década de 1980, foi um episódio de grande destaque. 
Atualmente, empresas mineradoras nacionais e estrangeiras têm buscado outros locais na região para realizar a extração e a exportação de minérios. 
O garimpo também tem apresentado elevado crescimento nas últimas décadas e ocupou, em 2021, 52% da área ocupada pela mineração no território nacional. No mapa a seguir, podemos perceber as áreas em que são realizadas atividades de garimpo no Brasil. 
O garimpo se concentra, majoritariamente, na Região Amazônica. A alta exploração na região tem trazido muitos problemas ambientais e para a população local, principalmente as comunidades indígenas. 
Muitas reservas minerais estão localizadas em terras demarca das, ou seja, não podem ser exploradas por empresas e pessoas que não façam parte da comunidade indígena que ocupa a área.
Atualmente, há constantes conflitos entre indígenas, garimpeiros e grandes indústrias mineradoras.
O garimpo em Terras Indígenas cresceu 495% entre 2010 e 2020. Além delas, as Unidades de Conservação são alvos da atividade mineradora. De 2010 a 2020, o garimpo nessas áreas cresceu 301%.



 

Nenhum comentário:

A regionalização do espaço mundial

Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países co...