domingo, 8 de fevereiro de 2026

A urbanização no continente africano

De modo geral, os índices de urbanização na África são relativamente baixos (cerca de 40%, em média) e a maior parte da população do continente ainda vive no campo. Os países da África do norte são, em geral, os mais urbanizados (78% na Líbia, 67% na Argélia e 66% na Tunísia).
Alguns países da África subsaariana também apresentam populações majoritariamente urbanas. Sobretudo na África subsaariana, o acelerado crescimento populacional (maior do que o aumento da produção rural), o processo de desertificação na região do Sahel, a busca pelos serviços urbanos, entre ou tros fatores, vêm estimulando o êxodo rural, processo que tem se intensificado nas últimas décadas. Dentro desse contexto, a taxa de urbanização no continente vem crescendo em um ritmo superior ao de outros continentes – cerca de 1,3% ao ano entre 2015 e 2020.

As principais cidades e os problemas urbanos

Os fluxos migratórios campo-cidade na África têm se dirigido principalmente para as grandes cidades, que vêm crescendo rapidamente e intensificando os graves problemas sociais e urbanos já existentes. 
O crescimento da população urbana em um ambiente de desigualdade estimula a favelização (processo de formação de favelas). Estima-se que, em 2018, cerca de 53% da população urbana da África subsaariana vivia em favelas, muitas delas em áreas de risco.
Outros problemas urbanos envolvem a oferta limitada de serviços de saneamento básico, transporte, saúde e educação de qualidade. Na tentativa de promover a interiorização do desenvolvimento e melhorar a organização territorial, alguns países, como Costa do Marfim e Nigéria, decidiram promover melhorias em uma cidade e construir outra, para abrigar suas novas capitais – Yamoussoukro e Abuja (1980), respectivamente.
Situadas no interior de seus territórios, essas cidades destoam das grandes metrópoles desses países (Abidjã e Lagos, respectivamente) por serem servidas por redes de saneamento, transporte e comunicação eficientes.
Embora cerca de 60% da população africana ainda se concentre no espaço rural, nas últimas décadas, foi grande o número de pessoas que migrou do campo para as cidades, sobretudo para os maiores centros urbanos. Essas migrações têm sido impulsionadas por razões diversas, entre as quais se destacam: 
• o aumento da concentração de terras provocado pelo avanço das grandes la vouras monocultoras, que se apropriam de terras originalmente ocupadas por comunidades agrícolas e pastoris; 
• o desgaste e o empobrecimento dos solos (erosão, desertificação etc.), decorrentes da utilização de técnicas agrícolas rudimentares inadequadas, que diminuem a fertilidade e a produtividade das terras; 
• a ocorrência de guerras e conflitos étnicos e políticos em vários países do continente.
O processo de urbanização ocorrido recentemente no continente foi motivado sobretudo por problemas que afetam diretamente o campo e sua população. Assim, ao contrário do que ocorre em outros países e regiões do planeta, a urbanização no continente africano não está diretamente ligada ao processo de industrialização, que tende a atrair um grande contingente de pessoas do campo para as cidades.
A intensificação do êxodo rural no continente africano vem provocando o crescimento acelerado das grandes cidades, como Lagos, Cairo, Kinshasa e Luanda. Com isso, essas aglomerações passaram a crescer de maneira desordenada, desprovidas de infraestrutura e de serviços essenciais (moradias, redes de transportes, fornecimento de energia elétrica, saneamento básico etc.).

Os contrastes socioeconômicos na África

Com relação ao desenvolvimento socioeconômico, os países africanos têm mui tos contrastes entre si. O principal deles pode ser observado entre os países da África do Norte e os da África Subsaariana. A região Subsaariana abrange alguns dos países mais pobres do mundo e mais de 430 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza, segundo dados da ONU.
São vários os fatores que explicam o quadro de baixo desenvolvimento verifica do na África Subsaariana. Entre eles, elevadas dívidas externas contraídas pelos Estados africanos, que foram agravadas por políticas públicas ineficientes e pela sucessão de governos, muitas vezes, autoritários e associados à corrupção. Além disso, há o baixo nível de industrialização, a relação de dependência econômica e tecnológica com outros países (desenvolvidos e em desenvolvimento industriali zados), as desigualdades sociais e a falta de investimentos em áreas públicas para melhorar a qualidade de vida da população.
A falta de investimentos destinados à ampliação da rede de saneamento básico, à construção de moradias e a melhorias no sistema de saúde e de educação agra va as precárias condições de vida de parte da população da África Subsaariana. Outro fator relevante é o elevado ritmo de crescimento natural da população nos países dessa região. Entre 2020 e 2025, a taxa de crescimento anual médio nos países africanos foi de aproximadamente 2,5%, a mais alta entre todos os continentes do mundo. Esse cenário contribui, por exemplo, para as elevadas taxas de desemprego em muitos países, nos quais o mercado de trabalho não consegue absorver o grande contingente de jovens em busca de oportunidades.

A sociedade e as condições de vida da população 

Em 2021, a população absoluta do continente africano era cerca de 1,3 bilhão de habitantes, o que correspondia a aproximadamente 15% da população mundial. De modo geral, os países africanos apresentam populações jovens e taxas de crescimento demográfico superiores a 2,2% (enquanto a média mundial é de aproximadamente 1,2%). 
Os indicadores sociais dos países africanos revelam as condições de vida ruins de parte de suas populações, principalmente na África subsaariana. Em 2019, o valor do IDH médio da região era de 0,547 – o menor entre todas as regiões do mundo, refletindo problemas como a baixa renda, a elevada morta lidade infantil e a falta de acesso à educação. 
A escassez de recursos para investimentos em saúde e saneamento básico, aliada à falta de políticas que priorizem a produção de alimentos para consumo interno, tende a manter baixa a expectativa de vida em muitos países da África subsaariana, contribuindo para a prevalência de doenças infecciosas como a aids (provocada pelo HIV) e a malária, assim como para a situação de insegurança alimentar à qual está sujeita uma parcela de sua população. 
Os países africanos apresentam ainda um dos piores níveis de desigualdade do mundo, com coeficiente de Gini médio de 0,43. Para comparação, os países em desenvolvimento têm, em média, coeficiente de Gini de 0,39 (quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade entre as pessoas).

A fome na África

Entre os mais graves problemas sociais que atingem a população africana, a falta de alimentos em quantidade e variedade suficientes para suprir as necessi dades nutricionais das pessoas se destaca entre os mais preocupantes.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma alimentação adequada significa consumir diariamente uma quantidade mínima de calorias ne cessárias, que corresponde a 2 500 quilocalorias por dia, além de nutrientes que compõem uma alimentação balanceada para manter uma vida saudável. Milhões de pessoas no mundo vivem em condição de carência alimentar, ou seja, não ingerem a quantidade mínima de calorias recomendada pela OMS, qua dro que pode levar a problemas como a fome crônica e a desnutrição.
A maior parte das pessoas que sofre com a fome e a desnutrição vive na África e na Ásia. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Ali mentação (FAO), a carência alimentar afeta cerca de 282 milhões de pessoas no continente africano, principalmente nos países da África Subsaariana.
Em muitos casos, a principal causa da fome não é a falta de alimentos propor cionada pelo crescimento da população. A produção mundial de grãos, por exem plo, seria mais do que suficiente para alimentar toda a população mundial. Nesse sentido, as principais causas da carência alimentar são a falta de recursos financei ros para adquirir alimentos e a má distribuição da produção agrícola nos campos.
A agricultura comercial, destinada à produção de gêneros para exportação, ocupa a maior parte das terras férteis da África, enquanto a agricultura tradicio nal, responsável pela produção da maior parte dos alimentos consumidos pela população, é prejudicada pela falta de apoio dos governos, que não proporcio nam créditos nem acesso a insumos e tecnologia.
Outros agravantes da fome na África são os conflitos existentes em alguns países e as mudanças climáticas, que intensificam a erosão e a desertificação dos solos. A ONU e outras organizações internacionais realizam programas com o objetivo de proporcionar ajuda humanitária à África, inclusive por meio da distribuição de ali mentos em regiões afetadas pela fome.
Embora essa ajuda seja importante para pessoas que estão em situação vulnerável, essas ações ainda são ineficientes, pois não atuam nas causas do problema da fome e prejudicam ainda mais os pequenos agricultores.

Aspectos populacionais da África

Atualmente, a África possui aproximadamente 1,4 bilhão de habitantes, sendo o segundo continente mais populoso do mundo (o primeiro é a Ásia, com 4,7 bilhões de habitantes). Embora numerosa, essa população encontra-se distribuída de maneira bastante desigual pelo continente.
As condições naturais exercem forte influência nessa distribuição populacional. As vastas áreas dominadas pelos desertos (do Saara ao norte e do Kalahari ao sul) e as regiões dominadas pelas densas florestas (no centro) apresentam densidade demográfica muito baixa (menos de 1 hab./km²).
As maiores concentrações populacionais localizam-se principalmente nas áreas litorâneas ou próximas a grandes rios. Entre as aglomerações urbanas mais populosas do continente, estão as cidades de Cairo (22 milhões), Lagos (15 milhões de habitan tes), Kinshasa (16 milhões), Abdjan (6 milhões) e Nairóbi (5 milhões).
Várias áreas que se estendem pelo interior do continente também apresentam po voamento relativamente elevado, com densidade demográfica de até 25 hab./km². São áreas povoadas por populações que vivem no campo e se dedicam principalmente às atividades agropecuárias.
A população africana é formada por uma grande variedade de etnias. Calcula-se que no continente existam cerca de 800 grupos étnicos diferentes e mais de 2 000 línguas nativas, além das línguas dos colonizadores europeus, como francês, inglês e português.
Com relação aos aspectos religiosos do continente, a situação não é diferente: há inúmeras crenças, como Islamismo, Catolicismo, Hinduísmo e Animismo.
Atualmente, cerca de 60% da população africana vivem no campo. No entanto, a maioria dos países do continente vem se urbanizando rapidamente, em razão de fatores como a má distribuição de terras, as mudanças climáticas e a busca por oportunidades de geração de renda nas economias urbanas. Consequentemente, os principais centros urbanos do continente, com desta que para Lagos (Nigéria), Cairo (Egito), Kinshasa (República Democrática do Congo), Luanda (Angola) e Dares Salaam (Tanzânia), têm crescido em ritmo acelerado e, nas próximas décadas, devem estar entre as maiores aglomerações urbanas do mundo.
Esse crescimento acaba por intensificar problemas urbanos já vivenciados pela maioria dessas cidades, como trânsito, poluição, violência e falta de acesso a serviços básicos de saneamento, educação e saúde. Nas periferias dessas cidades, por exemplo, o que existe é o crescimento descontrolado de bairros com precária infraestrutura.

O crescimento demográfico acelerado 

Uma característica de muitos países africanos é a alta taxa de crescimento demo gráfico, o que se explica pela combinação dos seguintes fatores: 
• a manutenção da taxa de fecundidade em nível elevado; 
• a queda gradativa da taxa de mortalidade infantil (menores de 1 ano).
Por conta disso, a população africana vem aumentando em ritmo bastante acelerado, o que explica a alta proporção de crianças e jovens na população. Por outro lado, a proporção de adultos e idosos na população, principalmente na África Subsaariana, é relativamente pequena, o que se deve à baixa expectativa de vida (em torno de 63 anos), decorrente das precárias condições socioeconômicas e também dos conflitos e guerras que afetam várias regiões do continente.

A independência e os novos conflitos na África

A independência dos países africanos evidenciou a fragilidade desses novos Estados diante da economia e da geopolítica mundial. Tais nações passaram a participar da Divisão Internacional do Trabalho (DIT) como fornecedoras de matérias-primas, dependentes de tecnologias, recursos financeiros e gêneros industrializados oriundos dos países desenvolvidos.
Diversos outros desafios passaram a afetar, em maior ou menor intensidade, os países africanos a partir de sua independência. Entre eles, podemos citar a pequena diversificação econômica, o baixo nível de industrialização, o endivida mento excessivo, a carência de mão de obra qualificada, a corrupção governa mental e a falta de abertura democrática, com diversos países tendo vivenciado longos períodos de ditadura.
A manutenção de governos ditatoriais, muitos dos quais perduram até hoje, tem gerado conflitos internos que não garantem melhorias na qualidade de vida da população. Muitos desses governos têm se mantido há décadas por meio de autoritarismo e até mesmo fraudando eleições, como ocorre em Uganda e Chade.

Os conflitos na África

O continente africano tem sido palco de intensos conflitos causados por disputas étnicas e territoriais, que envolvem questões históricas e políticas ligadas ao processo de formação dos Estados nacionais africanos. Durante aproximadamente três séculos, a partir do século XVI, muitos africa nos foram escravizados e levados de modo forçado para trabalhar nas colônias europeias. Depois, nas últimas décadas do século XIX, a África passou a ser efetivamente ocupada e explorada pelas potências marítimas e industriais europeias. Essas metrópoles tinham interesses estritamente econômicos e visavam explorar, em grande escala, os recursos naturais da África, como o ouro e o diamante, e utilizar suas terras para o cultivo de la vouras tropicais, como chá, café e cacau. Assim, em 1885, a Conferência de Berlim estabeleceu a partilha do território africano en tre as potências europeias.
Como forma de assegurar o domínio sobre seus territórios, as potências europeias se apressaram em traçar as fronteiras nos domínios coloniais que começavam a ocupar. 
As fronteiras estabelecidas pelos europeus, no entanto, foram traçadas arbitra riamente sobre os territórios, sem levar em consideração as áreas ocupadas pelas populações dos diferentes grupos étnicos e culturais que viviam no continente. Desse modo, as fronteiras estabelecidas passaram a abrigar povos com culturas muito distintas, e até mesmo povos inimigos; por outro lado, separaram povos culturalmente semelhantes. 
A divisão da África entre as metrópoles europeias gerou consequências profundas na organização social, política e econômica dos povos africanos. Os colonizadores impuseram sua língua e seus costumes, julgando inferior a cultura dos povos nativos. Ao tentar resistir à invasão dos europeus, os grupos foram violentamente reprimidos e massacrados pela superioridade bélica e militar dos colonizadores, que provocaram o extermínio de muitos grupos.

A descolonização e a eclosão dos conflitos 

Quando as colônias africanas iniciaram os processos de independência, ao longo do século XX, muitos dos limites territoriais dessas colônias foram mantidos, en quanto o poder político e militar foi transferido das metrópoles para as elites locais. Em muitos casos, essas elites se mantiveram no poder por meio de governos autoritários e corruptos.
A desorganização étnico-cultural herdada do traçado dessas fronteiras é uma das principais causas dos inúmeros conflitos e guerras civis que, historicamente, assolam muitos países africanos. Entre esses conflitos, podemos destacar os ocorridos em Ruanda, Angola, Nigéria e República Democrática do Congo.
Durante a partilha da África, no século XIX, as nações europeias estabeleceram, de acordo com os próprios interesses, fronteiras políticas coloniais que não respeitavam os territórios culturais preexistentes. Após a descolonização do continente, a manutenção dessas fronteiras levou à formação de Estados com populações multiétnicas, que não representavam nações do ponto de vista cultural.
Além das disputas e rivalidades étnicas e religiosas resultantes da manutenção das fronteiras coloniais, outros diversos fatores contribuem para a ocorrência de conflitos armados no continente africano. Entre eles, podemos citar as disputas pela apropriação das riquezas naturais do continente, a atuação de milícias rebeldes e de grupos de guerrilha clandestinos e os interesses de países estrangeiros que, para atender aos seus próprios objetivos, apoiaram, em muitos casos, governos corruptos e até mesmo golpes de Estado na África. 
Entre a segunda metade do século XX e os dias atuais, diversos conflitos no continente africano ocorreram devido às razões citadas anteriormente. Alguns deles seguem em curso, resultando em milhões de refugiados. É o caso de Darfur, região no oeste do Sudão que, desde 2003, vivencia conflitos que já geraram mais de 300 mil mortes e 2,5 milhões de refugiados. 
Em Darfur, a população é etnicamente distinta do resto do país, demonstrando tendências separatistas. O governo do Sudão, controlado pela maioria árabe, opõe-se de forma veemente ao separatismo e é apoiado pela China, que é o principal impor tador de petróleo sudanês. Além disso, milícias apoiadas pelo governo são acusadas de atos de violência contra a população civil em Darfur, e observadores internacio nais relatam a ocorrência de um genocídio étnico da população não árabe.
Diversas organizações regionais e internacionais atuam na mediação e na reso lução de conflitos na África, assim como na prestação de assistência a refugiados e populações vulneráveis em razão desses conflitos. 
A União Africana (UA), organização criada em 2002 e da qual fazem parte todos os países africanos, tem um órgão destinado apenas à manutenção da paz no continente: o Conselho de Paz e Segurança da União Africana, que, em diversos casos, já autorizou o envio de forças de paz, integradas por soldados de países membros, para regiões de conflito. 
A Organização das Nações Unidas (ONU), também atua no continente africano por meio de missões de paz que são desenvolvidas para promover a segurança e prestar assistência às populações afetadas pelos conflitos. 
Populações e regiões assoladas por conflitos na África também recebem ajuda humanitária internacional na forma de doações de recursos materiais e financei ros, assim como por meio de programas desenvolvidos por agências humanitá rias da ONU e por organizações não governamentais (ONGs) como a Médicos Sem Fronteiras e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. 
De modo geral, essas organizações internacionais ajudam pessoas afetadas por situações que violam os direitos humanos, como a insegurança alimentar, problema que acaba se intensificando devido à ocorrência de guerras, perseguições étnicas e deslocamentos em massa. 


A descolonização e o neocolonialismo na África

O neocolonialismo e a descolonização 

O fim do século XIX e o início do século XX foram marcados pela disputa imperialista entre os países industrializados por novas fontes de matérias-primas e pela ampliação do mercado mundial. As necessidades criadas nessa etapa de desenvolvimento capitalista levaram à partilha dos territórios africanos e de parte do continente asiático entre as grandes potências europeias, em um processo conhecido como neocolonialismo. 
Nesse processo de expansão do capitalismo, a partilha da África acarretou, em boa parte, a desestruturação do modo de vida e da organização política e administrativa dos Estados-nação africanos. 
No final da Segunda Guerra Mundial, apenas Egito, África do Sul, Etiópia e Libéria eram independentes. Essa independência, porém, se dava apenas na esfera política, pois esses países se mantinham sob o domínio econômico e militar do Reino Unido (Etiópia, Egito e África do Sul) e dos Estados Unidos (Libéria). 
Após o término da Segunda Guerra Mundial, ocorrido em 1945, e com o enfraquecimento dos países europeus, as reivindicações dos próprios africanos interessados na independência mudaram radicalmente a situação. 
A Guerra Fria contribuiu para esse processo, pois, em busca de ampliar suas áreas de influência no mundo, tanto os Estados Unidos como a União Soviética apoiaram movimentos nacionalistas por toda a África.
A descolonização teve início na Líbia, ainda em 1951, ganhando força somente a partir de 1958, com a independência de Gold Coast (atual Gana). 
A partir de 1950, no pós-Segunda Guerra Mundial, teve início o grande movimento de descolonização da África. Em 1951, a Líbia se tornou independente; em 1957, a antiga Costa do Ouro (atual Gana); em 1958, o Senegal; em 1960, a Nigéria, o Níger e a Costa do Marfim; em 1963, a Tanzânia. Nos anos 1970, libertaram-se Guiné-Bissau, Angola e Moçambique. Em 1977, o Território dos Afar e Issa (antiga Somália Francesa) tornou-se independente da França, adotando o nome de República do Djibuti.
Ao longo das décadas seguintes, diversos países africanos conquistaram a independência, a maioria na década de 1960. Alguns alcançaram esse objetivo de forma pacífica; já outros, como Angola e Argélia, somente após duros conflitos travados com Portugal e França, respectivamente.
De modo geral, os países africanos se tornaram independentes sem a existência de uma identidade nacional. Isso ocorreu porque as fronteiras do colonialismo foram mantidas, resultando em países com populações etnicamente diversas, que não compartilhavam de uma identidade nacional, sobretudo do ponto de vista cultural, resultando, em alguns casos, em conflitos internos.

As dificuldades pós-independência 

Apesar de terem obtido sua independência, os países africanos ainda hoje enfrentam sérias dificuldades para manter sua autonomia política e promover a independência econômica e social em relação às ex-metrópoles ou às grandes potências mundiais. 
Na partilha colonial da África, não foram consideradas nem respeitadas as particularidades das diversas nações africanas. Em alguns casos, essas nações foram totalmente separadas; em outros, foram agrupadas sob a mesma administração de um Estado-nação europeu.
Como reflexo do baixo nível de desenvolvimento socioeconômico e da enor me dependência externa, combinados com a desestruturação do sistema políti co-administrativo das nações ou Estados autóctones, desencadeou-se uma série de conflitos entre as diferentes nações africanas após sua independência. 
Esses conflitos envolvem, de modo geral, nações rivais que competem pelo poder central de um território ou nações separadas por limites determinados pelas potências europeias que lutam contra o poder central dos territórios que habitam. 
A busca pelo controle de áreas territoriais nas quais há abun dância de recursos minerais, como ouro e diamantes, terras cultiváveis ou, ainda, que apresentam condições favoráveis para a criação de animais também é um elemento que con tribui para a intensificação e a continuidade dos conflitos. Nesse contexto, são recorrentes os casos de corrupção e desvio de recursos do Estado por parte das elites que contro lam – frequentemente, de modo autoritário – o poder político em muitos Estados-nação do continente africano.
No contexto dos conflitos internos que atingem os países africanos, é preciso ressaltar o fornecimento de armas por parte de países desenvolvidos. Um exemplo é o conflito entre hutus e tutsis em Ruanda, antiga colônia da Bélgica. Na época da colonização, os belgas fomentaram rivalidades entre as duas etnias, e os tutsis desfrutavam certos privilégios. Após a independência, em 1962, sob liderança hutu, os tutsis foram fortemente perseguidos. Muitos exilados dessa nação formaram a Frente Patriótica Ruandesa (FPR) e retornaram em 1990, dando origem a uma guerra civil.
A guerra civil se intensificou em 1994, após a morte de um presidente hutu em um acidente aéreo quando retornava da Tanzânia, onde havia realizado uma negociação de paz com os rebeldes tutsis da FPR. O novo governo ruandês hutu promoveu um genocídio da população tutsi. Centenas de milhares de tutsis foram mortos e cerca de 3 milhões buscaram refúgio nos territórios de países vizinhos.
Diante desse quadro, em julho de 2002, governantes africanos formaram a União Africana (UA) –, em substituição à Organização da Unida de Africana (OUA). A iniciativa propôs a criação de um Parlamento continental, um tribunal pan-africano, um Banco Central e um Conselho de Paz e Segurança com uma força de manutenção da paz, que atua em conflitos no continente. Tam bém fazem parte dos termos da proposta a integração econômica e uma possível união monetária.
A instabilidade política, a enorme incidência de casos de Aids, a situação de pobreza e as fortes desigualdades sociais, além do baixo nível educacional e de desenvolvimento tecnológico da maior parte dos países africanos, são grandes desafios à concretização das propostas estabelecidas pela União Africana. Outro aspecto que requer atenção por parte dos governantes africanos é a melhoria da infraestrutura das redes de transportes e telecomunicações.
Para atingir gradativamente seus objetivos, a organização encaminha acordos estabelecidos pelos Estados-nação africanos com organismos internacionais (como o FMI) e países desenvolvidos para obtenção de empréstimos, investimentos e ajuda internacional. 
Entretanto, a aplicação de recursos financeiros está sempre vinculada a mudanças na estrutura política e socioeconômica dos países africanos, como a abertura de suas economias para o capital estrangeiro, o que significa facilitar a entrada de empresas transnacionais para extração de recursos minerais e energéticos, investimentos em infraestrutura e compra de terras cultiváveis, por exemplo. Os países mais procurados por empresas estrangeiras para compra ou locação de terras são Etiópia, República Democrática do Congo, Tanzânia e Moçambique.
A ocupação da África no século XIX, durante a expansão imperialista, já havia ocasionado impactos negativos na produção das culturas de subsistência em regiões com solos mais férteis, em razão da implementação das monoculturas de exportação, ainda presentes nos territórios de muitos países africanos. Nos últimos anos, China, sobretudo, mas também Índia, Brasil, Japão e países europeus estreitaram relações com Estados-nação africanos por meio de investimentos em diversos setores, inclusive no setor agropecuário.
Além da desestruturação da agricultura familiar, a expansão agrícola empre endida por empresas estrangeiras tem trazido consequências como a degrada ção ambiental, o êxodo rural e alteração das relações de trabalho no campo, com o aumento do trabalho assalariado e, principalmente, do trabalho eventual, em que o trabalhador é contratado por um período determinado do ano ou etapa da produção. Em decorrência da modernização no campo, houve, na primeira déca da do século XXI, uma redução de 10%, em média, da força de trabalho dedicada à agropecuária no continente africano. Nesse contexto, diversos Estados-nação africanos passaram a integrar outras redes de produção, distribuição e comercia lização de produtos agrícolas das corporações transnacionais.
Ao obter recursos do FMI, os países têm de reduzir gastos do Estado a fim de gerar superávits nas contas governamentais, necessários para o pagamento dos juros dos empréstimos. Essa situação leva muitos governos a reduzir investimen tos em setores prioritários, como o da saúde. Segundo um levantamento feito por pesquisadores das Universidades de Cambridge e de Oxford, nas duas primeiras décadas deste século, as despesas com saúde não se ampliaram e houve estag nação nos indicadores de mortalidade em países da África Ocidental, como Gana, Guiné, Libéria, Serra Leoa, Guiné-Bissau e Gâmbia.

Os interesses das grandes potências 

Frequentemente, os conflitos étnicos e as guerras civis que se desenrolam na África encobrem interesses de grandes potências, sobretudo em relação aos recursos naturais existentes nos países africanos. 
Exemplo disso é o caso da região de Darfur, localizada no oeste do Sudão, cujas reservas petrolíferas, entre outros recursos minerais, geraram o interesse de países como Estados Unidos e China. 
Até o começo de 2018, o conflito, iniciado em 2003, já havia provocado a morte de mais de 300 mil pessoas, deixado cerca de 3 milhões de refugiados, tanto interna quanto externamente, e 1,3 milhão de pessoas afetadas pela insegurança alimentar, de acordo com a ONU. Acordos de paz foram estruturados, mas fracassaram, assim como a missão de paz da ONU, enviada no início de 2008, corria o risco de também fracassar.
Muitos dos desabrigados do Sudão fugiram para outros países da África. No final de 2017, havia cerca de 320 mil instalados no Chade. A região de Darfur enfrenta secas prolongadas e convive com disputas entre grupos re beldes locais e milícias, como a Janjaweed, pelas escassas áreas de terras férteis cultiváveis e com o fracasso das políticas agrícolas implementadas pelo governo central. 
Nesse contexto, grupos rebeldes de Darfur organizaram um movimento se paratista, acusando o governo do país, formado pela elite islâmica, de negligen ciar a região. A reação do governo veio com o apoio à milícia Janjaweed, que em preendeu uma verdadeira “limpeza étnica”, destruindo aldeias e promovendo a matança de milhares de agricultores e estupros em massa. 
A solução definitiva para o conflito esbarra em uma série de problemas: a quantidade de milícias existentes, o grande número de refugiados, o crescimento dos grupos rebeldes, a proliferação de armas na região e o desinteresse do go verno central, cujo presidente é um general que está no poder desde 1989. Esse governo tem estreita relação com a China, que compra cerca de 60% do petróleo sudanês e vende armamentos para o Sudão.
Situações semelhantes à de Darfur são comuns nos países africanos que se tornaram independentes, como ocorreu em 1966, na Nigéria — um dos países mais populosos da África. Quando os ingleses estabeleceram as fronteiras da recém-independente Nigéria, em 1960, aproximadamente 250 etnias conviviam dentro de seu território, o que dificultava muito a unidade nacional. 
Em 1966, um dos três maiores grupos étnicos, o dos igbos, derrubou o governo nigeriano, instalando-se no poder. Repelidos por um golpe militar em 1967, os igbos, que viviam no território de Biafra, próximo ao delta do rio Níger, decidiram proclamar-se independentes, dando origem à Guerra de Biafra. Em razão do envolvimento de interesses europeus nesse conflito, a guerra civil nigeriana durou cerca de três anos e só terminou com a rendição de Biafra.
A separação de Biafra foi estimulada por uma petrolífera francesa, interes sada na exploração de petróleo na região. Enquanto essa empresa estimulou a separação, ficando ao lado dos igbos, outras empresas apoiaram o poder central nigeriano, a fim de evitar que a concorrente francesa obtivesse a concessão da exploração do produto. 
Atualmente, no norte da Nigéria, ocorre um conflito de caráter religioso. O grupo islâmico Boko Haram, criado pelo clérigo muçulmano Mohammed Yusuf em 2002, empreende esforços para instalar no país um Estado islâmico. 
Em nome dessa luta, o grupo promove sequestros, atentados e assassinatos em massa. Os integrantes do Boko Haram resistem à educação e aos costumes ocidentais. Em 2015, aceitaram formar uma aliança com o Estado Islâmico, que atua no Oriente Médio.

A conquista da África pelos europeus

O desenvolvimento do capitalismo comercial no século XVI desencadeou a expansão ultramarina europeia. Por meio das Grandes Navegações, os europeus passaram a dominar territórios em outros con tinentes e neles praticar a pilhagem de recursos.
Até o início do século XIX, no entanto, em razão da resistência das populações nativas e das dificuldades impostas pelo meio natural, sobretudo devido à ocorrência de malária, a exploração da África não ultrapassou as áreas litorâneas, onde eram obtidos metais preciosos e também africanos escravizados, que poste riormente eram transportados às colônias americanas. A região próxima à costa ocidental da África foi a principal fornecedora de africanos para o tráfico de escravizados. Estima-se que cerca de 15 milhões de africanos foram capturados e enviados a colônias americanas.

O século XIX e a partilha da África

A Revolução Industrial ocorrida no século XVIII, primeiro na Inglaterra e depois em países como França, Bélgica e Alemanha, acarretou significativas mudanças no espaço geográfico mundial. Além de intensificar as relações comerciais de pro dutos industrializados, ampliou a necessidade de novas fontes de matérias- -primas e mercados consumidores.
Buscando suprir essas necessidades e com o objetivo de ampliar a dominação política e cultural sobre outros povos do mundo, várias nações europeias, como França, Portugal e Inglaterra, passaram a desenvolver, a partir do século XIX, uma nova fase do expansionismo voltada para a colonização da África, da Ásia e da Oceania, conhecida como imperialismo.
Para legitimar o imperialismo do século XIX, os europeus chamaram esse período de missão civilizadora. De acordo com as potências europeias, cabia aos colonizadores europeus repassar seus conhecimentos científicos, religiosos e cul turais para que fossem incorporados ao modo de vida dos povos dominados, pois do ponto de vista europeu tais povos eram considerados selvagens ou “atrasados”, e por isso era preciso civilizá-los.
Entre 1884 e 1885, uma série de encontros diplomáticos ocorreram no contexto da Conferência de Berlim, resultando no início do processo de divisão territorial da África entre as principais potências europeias.
Até 1914, ano que daria início à Primeira Guerra Mundial, praticamente todos os territórios africanos foram colonizados pelas potências europeias, dando ori gem à divisão do continente evidenciada no mapa desta página (após a guerra, as colônias alemãs foram passadas para o Reino Unido e a Bélgica).
O imperialismo na África resultou na formação de colônias cujos limites não coincidiam com as fronteiras cul turais dos povos e reinos já estabele cidos no continente. Dessa forma, di ferentes etnias foram agrupadas em um mesmo território colonial ou tiveram seus territórios culturais separa dos entre duas ou mais colônias.
Durante o imperialismo, parte do valor excedente proveniente da atividade industrial na Europa foi direcio nada à África sob a forma de financia mentos para a construção de obras públicas, como escolas, hospitais, ferrovias, rodovias e portos. Essas obras de infraestrutura tinham como objeti vo a ampliação do grau de exploração das atividades minerais, energéticas e agrícolas do continente.
No entanto, a estrutura econômica das colônias beneficiava somente os europeus. Os africanos eram tratados como reserva de mão de obra nas colônias, trabalhando em plantations ou em áreas mineradoras exploradas por empresas coloniais europeias.

África: aspectos físicos e ambientais

O continente africano abriga 54 países independentes (e o Saara Ocidental) e ocupa uma área de 30,3 milhões de km²,  o que corresponde a 20,1% das terras emersas do planeta. A África é o terceiro continente mais extenso da superfície terrestre, menor apenas que a Ásia e a América.
O continente africano apresenta uma extensa área costeira e é banhado pelo oceano Atlântico (a oeste), pelo oceano Índico (a leste), pelo mar Mediterrâneo (a norte) e pelo mar Vermelho (a nordeste). Ele é atravessado pela linha do Equador em sua área central e pelos trópicos de Câncer (a norte) e de Capricórnio (a sul).
Entre as úmidas florestas tropicais, situadas no centro do continente, e os secos desertos, localizados tanto na porção sul como na porção norte, são muitos os aspectos naturais que contribuem para formar suas diferentes paisagens. 
Com base nos critérios étnico e cultural, o continente africano pode ser regionalizado em dois conjuntos: África do Norte e África Subsaariana .

África do Norte


A África do Norte compreende sete unidades políticas. São seis Estados independentes e um território que busca a independência – o Saara Ocidental, exSaara Espanhol, ocupado pelo Marrocos desde 1975.
A paisagem da região norte da África é dominada pela presença do deserto do Saara e do clima árido. Em termos culturais, é marcante a influência árabe. A maioria dos habitantes dos países que se localizam na região – Egito, Líbia, Argélia, Tunísia e Marrocos – adotou o islamismo como religião e fala variantes regionais do árabe, línguas berberes e diversos dialetos; são faladas também línguas dos colonizadores, como o francês na Argélia. 
Com a invasão dos árabes nos séculos VII e VIII, ocorreu a arabização da África do Norte. Esse fato explica, portanto, a predominância regional da população árabe, da língua árabe e da prática do islamismo. 
Costuma-se também considerar uma subdivisão regional na África do norte: a Argélia, a Tunísia e o Marrocos formam o Magreb (do árabe, que significa ‘onde o Sol se põe’), a porção mais ocidental do mun do árabe, uma região marcada pela presença da cadeia do Atlas na fachada litorânea. Essa cordilheira barra a entrada da massa de ar que vem do mar e concentra a umidade na faixa litorânea, onde o clima é mediterrâneo.
A Cadeia do Atlas favorece o povoamento na África do Norte, sobretudo no Magreb. Entre o Atlas e o Mar Mediterrâneo, estendem-se planícies férteis de clima mediterrâneo, densamente povoadas, onde se cultivam vários produtos, como cereais, uvas, oliveiras, e ocorre a ex ploração mineral de fosfato. Ao sul da Cadeia do Atlas surge o Deserto do Saara, cujo principal recurso mineral é o petróleo.

África subsaariana


Essa região, que abrange os países da África situados ao sul do Deserto do Saara, apresenta população predominantemen te negra e minorias brancas descendentes dos colonizadores europeus e asiáticos (indianos, chineses, indonésios etc.). Destaca-se aí a multiplicidade de crenças e religiões – islamismo, cristianismo, judaísmo, crenças tradicio nais africanas etc.
A paisagem da África subsaariana é marcada pelas grandes extensões de savanas e de florestas, apesar de haver desertos em sua porção meridional, como o Kalahari, no sudoeste do continente. Do ponto de vista étnico, com exceção de poucas concentrações de população branca descendente dos colonizadores europeus, essa região da África é composta majoritariamente de população negra de diversas etnias. Em Angola, por exemplo, há 10 etnias, com destaque numérico para os ovibundos (37% da população) e quimbundos (25%). Esses povos foram trazidos para o Brasil no período da escravidão e deram importante contribuição à cultura brasileira. Na África do Sul, existem 11 etnias, entre as quais estão os zulus e os xhosas, as duas mais numerosas. Nelson Mandela (1918-2013), o primeiro presidente negro do país, era da etnia xhosa. Na Nigéria, o país africano mais populoso (em 2017, segundo o Banco Mundial, eram 191 milhões de habitantes), coexistem mais de 250 etnias, com destaque para o grupo hauça e fulani, que perfazem 29% da população.
Existe um predomínio do islamismo no país, sobretudo no norte (ele é adotado por 50% dos nigerianos). No sul, muitos dos habitantes são cristãos, religião seguida por cerca de 40% da população. Os outros 10% praticam religiões animistas, adotadas por diversos grupos étnicos do país. Muitos iorubas, por exemplo, são animistas, mas, de forma sincrética, agregam elementos das outras duas religiões.
No período colonial (entre os séculos XVI e XIX), muitos iorubas foram escravizados e trazidos para a América. No Brasil, eles eram chamados de nagôs e foram responsáveis pela introdução do candomblé, religião afro-brasileira seguida por parte da população brasileira. O candomblé possui elementos animistas (os orixás, por exemplo, os deuses dessa religião, representam diversos elementos da natureza), mas de maneira sincrética, porque também incorporou elementos do cristianismo (os orixás, por exemplo, são associados aos santos católicos).
Além dos aspectos culturais e étnicos apresentados, a África Subsaariana se caracteriza por ser uma região do continente africano onde a pobreza atinge grande parcela da população. É aí que se localizam os países com os menores IDHs (baixos) do mundo em 2019, como Sudão do Sul (0,433), Chade (0,398), República Centro-Africana (0,397) e Níger (0,394).
Embora cerca de 60% da população economicamente ativa da África Subsaariana se dedique à agricultura, o déficit de alimentos gera subnutrição e fome. Essa situação é agravada pelas secas na região do Sahel e pelas guerras civis, que arrasam plantações e dificultam a entrega de alimentos pela ajuda humanitária.
A agricultura na África Subsaariana apresenta uma distorção: enquan to as plantations (cacau, café, algodão, amendoim, chá, banana etc.), controladas principalmente por empresas europeias, ocupam cerca de 40% da superfície agrícola, abrangendo as melhores terras cultiváveis, a agricultura de subsistência ocupa as terras menos férteis e con vive com a falta de crédito e de assistência técnica, apresentando baixa produtividade. A oposição entre a agricultura de exportação e a agricul tura de subsistência é uma herança do colonialismo que perdura nos dias atuais.

Relevo e hidrografia


No relevo da África destacam-se extensos planaltos, atravessados por rios caudalosos que formam planícies fluviais, aproveitadas para a agricultura, e montanhas de elevadas altitudes: a Cadeia do Atlas, na porção norte do continente; o Monte Camerun, próximo ao Golfo da Guiné; os Montes Drakensberg, na África do Sul; e os montes Ruwenzori, Quênia e Quilimanjaro – este, situado na Tanzânia, com 5895 m de altitude, é ponto culminante do território da África.

O relevo africano


No relevo do continente africano, predominam planaltos, que apresentam formas e altitudes variadas, formados por rochas muito antigas, datadas da era Pré-Cambria na (com mais de 2 bilhões de anos). Devido à origem antiga desses terrenos, os planaltos apresentam-se desgastados e aplainados por longos processos erosivos, fato que explica o predomínio de altitudes modestas (abaixo de 1000 metros) na maior parte do continente.
O fato de todo o continente pertencer à mesma placa tectônica e grande parte de sua borda estar distante da costa, contribui para isso. No entanto, existem algumas áreas com maiores elevações, como a cadeia do Atlas.
O relevo da África tem como aspecto marcante a presença de grandes planaltos, que dão origem a rios sinuosos e extensos. Na África Oriental, um grande complexo de falhas geológicas entremeadas por planaltos fez surgir paisagens únicas, marcadas por grandes vales e vulcões – estes representam as maiores elevações do continente, os montes Kilimanjaro e Quênia –, além de lagos, como o Vitória, o Tanganica e o Niassa.
As regiões montanhosas mais elevadas do relevo africano são: 
• Cadeia do Atlas: situada no noroeste do continente, chega a atingir mais de 4 mil metros de altitude; seu soerguimento iniciou-se há cerca de 300 milhões de anos, na era Paleozoica.
• Maciços montanhosos na região centro-oriental: formados por movimentos orogênicos antigos, ocorridos na era Paleozoica. Há cerca de 70 milhões de anos, novos movimentos tectônicos provocaram falhas geológicas e grandes derrames de lavas sobre essas antigas formações. Essas falhas originaram o chamado Rift Valley, uma região marcada por grandes montanhas e profundas depressões. 
O Rift Valley é um conjunto de falhas tectônicas na área oriental do continente africano. Nessa área, a placa tectônica africana se divide em duas menores que se movimentam em sentido contrário, produzindo uma intensa atividade vulcânica. Isso deu origem a elevações e falhas, que, por sua vez, originaram os grandes lagos da África: o Vitória e o Tanganica.
Nesse maciço, estão as mais elevadas altitudes do continente (como o Quilimanjaro, ponto mais alto da África, com 5895 metros de altitude). 
Se o movimento das placas continuar, é provável que em alguns milhões de anos as placas se se parem, originando uma enorme depressão inundada pelas águas oceânicas.
As partes mais baixas do relevo são formadas principalmente pelas estreitas planícies costeiras, que apresentam altitudes reduzidas (abaixo de 200 metros) ao longo de praticamente todo o litoral africano.
Nas depressões, formaram-se alguns dos maiores lagos africanos, como o Tanganica e o Vitória, onde estão as nascentes do rio Nilo.
Devido à ocorrência de planaltos próximos às bordas do continente, parte dos rios são endorreicos, ou seja, não deságuam nos oceanos, mas em lagos ou depressões no interior da África. Como exemplos, temos o Chari, rio que deságua no Lago Chade, na borda sul do Saara, e o Rio Cubango, desaguando no interior do Deserto do Kalahari. 
Apesar do predomínio de planalto com altitudes não muito elevadas, no norte do continente há cadeias montanhosas formadas por dobramentos modernos, como a cadeia do Atlas, resultado do encontro da placa Africana com a placa Euro-Asiática. Também a nordeste, encontra-se o planalto dos Grandes Lagos, região de encontro de placas menores, mas de intensa atividade tectônica. Nessa área se encontram as terras mais altas do continente, com destaque para o monte Quilimanjaro, de origem vulcânica.
O monte Quilimanjaro está localizado na Tanzânia, próximo à fronteira com o Quênia, em um parque nacional considerado patrimônio da humanidade pela Unesco. É um vulcão inativo com 5 892 metros de altitude, o mais alto da África. Apesar de estar na zona tropical do planeta, devido à altitude elevada, seu topo é coberto de neve.
Segundo um estudo publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências (Estados Unidos), a cobertura de gelo do monte Quilimanjaro reduziu cerca de 85% entre 1912 e 2007. Alguns cientistas apontam que o derretimento da neve resulta do aquecimento global, mas não há consenso sobre isso.

Tectonismo


A porção nordeste da placa Africana se divide em duas placas menores (a Núbia e a Somali), que se deslocam em sentido contrário. Esse deslocamento deu origem a uma intensa atividade vulcânica, que fez surgir as altas montanhas do leste africano e, ao mesmo tempo, as enormes falhas tectônicas (Great Rift Valley) que deram origem aos Grandes Lagos, como o Vitória e o Tanganica.
Se esse deslocamento continuar ocorrendo, após milhões de anos a placa Somali poderá se desprender da porção maior da placa Africana e dar origem a uma grande “ilha” no oceano Índico. Em razão dessa atividade tectônica, a África oriental está sujeita a terremotos e atividade vulcânica.

Rede hidrográfica 


A rede hidrográfica africana está distribuída de maneira irregular pelo território, fato que se explica principalmente pela existência dos diferentes domínios climáticos do continente.
Os maiores e mais importantes rios africanos concentram-se na área central do continente, área dominada pelos climas equatorial e tropical, tipicamente chuvosos. Essas chuvas abastecem as nascentes e o curso dos grandes rios, como o Nilo, o Congo e o Níger, além de seus respectivos afluentes.
Nas áreas com predomínio de climas secos (áridos e semiáridos), os rios são escassos e, em geral, apresentam regimes temporários, secando completamente durante certos períodos do ano. A população dessas áreas sofre os efeitos da escassez de água, tanto para o abastecimento quanto para o desenvolvimento de diversas atividades, sobretudo agrícolas.
A exceção é o rio Nilo, que, apesar de grande parte de seu curso percorrer área de deserto, mantém-se perene, pois sua nascente e as nascentes de alguns de seus afluentes se encontram em áreas em que ocorrem chuvas frequentes.
As montanhas e os planaltos interiores formam os principais divisores de água do continente e delimitam as maiores bacias hidrográficas. 
A maioria dos rios corre para o mar, como o Nilo, o Congo e o Níger, que são os mais extensos do continente. Dos rios que correm para o interior do continente, destaca-se o Okavango. 
Os principais rios do continente africano formam extensas bacias hidrográficas.
Bacia do Rio Congo: localiza do na África Central, o Congo é um dos mais longos e caudalosos rios africanos, navegável na maior parte de seu curso. Além de abrigar áreas com densa vegetação de Floresta Tropical, essa bacia constitui uma importante rede de navegação e comunicação na região.
A bacia do rio Congo abrange o território de diversos países na África Central, com destaque para a República Democrática do Congo. Esse rio e sua bacia hidrográfica ficam em uma região de elevada pluviosidade, por isso é o segundo do mundo em volume de água, só atrás do rio Amazonas. Apesar do elevado potencial hidrelétrico, especialmente no alto curso, no planalto dos Grandes Lagos, ainda é pouco explorado.
• Bacia do Rio Níger: formada pelo rio mais importante da África Ocidental, cujas águas são utilizadas principalmente para a irrigação de lavouras. Ao chegar a sua foz, no Oceano Atlântico, o Níger forma um rico e verde delta, que vem sofrendo graves impactos ambientais causados pela exploração petrolífera na Nigéria.
O rio Níger também percorre diversos países até chegar à Nigéria (o país mais populoso da África) e desaguar no oceano Atlântico, no golfo da Guiné. Esse rio atravessa regiões com elevada densidade demográfica e, na África, é um dos que mais sofrem com a poluição, causada por lançamentos de esgotos residenciais e industriais. Outro grande foco de poluição é o derrame de petróleo, sobretudo na região do delta do Níger, vazado de oleodutos de empresas petrolíferas estrangeiras. 
• Bacia do Rio Nilo: o Nilo nasce no Lago Vitória, na África Oriental, e a maior parte de seu curso está em meio ao Deserto do Saara. Deságua no Mar Mediterrâneo, no Egito. Durante milênios, as cheias do Nilo e a deposição de sedimentos ao longo de suas margens garantiram a fertilidade dos solos para a prática agrícola. No entanto, a partir do século XX, a construção de barragens alterou o regime das cheias do rio. Dessa forma, algumas áreas localizadas às margens do Nilo hoje necessitam de fertilização artificial.
O rio Nilo, com seus 6 852 quilô metros de extensão, desde a nascente no lago Vitória até a foz no mar Me diterrâneo (no Egito), é o segundo mais longo do mundo (só perde para o Amazonas, 140 quilômetros mais extenso). O Nilo nasce em uma região de clima tropical, onde o verão é chuvoso, e recebe muita água, sobretudo de seus afluentes que nascem no planalto da Etiópia. Esse rio é muito importante porque atravessa o deserto do Saara e suas águas são utilizadas para navegação, irrigação e geração de energia nos países abrangidos por sua bacia.
Desde a Antiguidade, as águas do Nilo são usadas para a irrigação, e as chuvas de verão provocavam cheias que fertilizavam naturalmente o solo de suas margens com a deposição de sedimentos orgânicos, favorecendo a prática da agricultura. No período da seca, porém, o volume de água era insuficiente. A construção de barragens, como a de Assuã, no Egito, além de gerar energia hidrelétrica, permitiu controlar o nível das águas, tornando seu fluxo mais constante ao longo do ano e favorecendo a irrigação. 
A usina de Assuã, inaugurada em 1970 e com capacidade instalada de 2 100 MW, durante muito tempo foi a maior hidrelétrica africana. Atualmente, está em construção a Grande Barragem do Renascimento Etíope, localiza da no rio Nilo Azul, afluente do rio Nilo, em território da Etiópia, com capaci dade instalada de 6 450 MW. Essa usina, que será a maior da África, fica perto da fronteira com o Sudão, um dos países que também devem se beneficiar da energia elétrica produzida. 
No entanto, a enorme represa necessária para o funcionamento das turbinas reterá maior quantidade de água em uma das cabeceiras da bacia do rio Nilo, o que em época de seca poderá fazer falta ao Sudão e sobretudo ao Egito, que está mais perto da foz e tem a maior parte do território no deserto. Esses países da bacia do Nilo precisam gerir seus recursos hídricos de forma combinada e equilibrada para evitar futuros conflitos pelo uso da água. 
Na África já há um exemplo de gestão compartilhada das águas de um rio e sua bacia hidrográfica: trata-se da Comissão Permanente das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Okavango (OKACOM). Essa comissão foi criada em 1994 por Angola, Namíbia e Botsuana para gerir os recursos hídricos do rio Okavango, que atravessa seus territórios. Durante muito tempo a guerra civil em Angola (1975-2002) limitou as atividades da OKACOM, e só após a assinatura do acordo de paz os membros dessa comissão puderam ter segurança para desenvolver seu trabalho.

O clima e as formações vegetais 


A maior parte das terras do continente africano está localizada na zona intertropical da Terra, ou seja, entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio. Apenas os extremos norte e sul estendem-se pelas zonas temperadas. Em razão dessa posição geográfica, a África recebe grande radiação solar, o que explica o predomínio de climas com temperaturas elevadas na maior parte de seu território.
Esses climas, no entanto, apresentam diferenças quanto aos índices de precipitações: enquanto o clima equatorial é chuvoso, o clima desértico é extremamente seco. As diferenças climáticas existentes no território explicam, por sua vez, a grande diversidade de formações vegetais que caracteriza as paisagens africanas.  Em seguida, conheça suas principais características.
O clima Equatorial é caracterizado por elevados índices pluviométricos, chuvas bem distribuídas ao longo do ano, temperaturas médias anuais na faixa dos 25 °C e pouca variação na amplitude térmica, ou seja, na diferença entre a temperatura máxima e a mínima. 
Esse clima favorece o desenvolvimento da floresta equatorial, densa e com grande diversidade de espécies animais e vegetais, assim como da floresta do Congo, segunda maior floresta tropical do mundo, superada apenas pela Amazônia. Ela se estende por seis países da África, ocupando a porção centro-ocidental do continente.
O clima Tropical é caracterizado por duas estações bem definidas: uma seca (inverno) e outra chuvosa (verão), com índices pluviométricos em torno de 1 000 mm. 
O clima Desértico é marcado por baixíssimos índices pluviométricos e grandes oscilações de temperatura: durante o dia, o forte calor faz a temperatura atingir quase 50 °C; à noite, em razão da rápida perda de calor do solo (ex tremamente seco), as temperaturas caem bruscamente, chegando a menos de 15 °C. 
Nesse clima, predominam as savanas, vegetação forma da por árvores e arbustos geralmente dispersos na paisagem, com capim e gramíneas que cobrem os solos. Na savana, vivem os grandes mamíferos, como leões, zebras, elefantes e girafas.
O clima Semiárido é caracterizado por chuvas escassas e irregulares ao longo do ano (quando acontecem, costumam ser concentradas em um curto período), com ocorrência de períodos de secas prolongados. 
Nessas áreas, a vegetação são as estepes, compostas principalmente de gramíne as, arbustos e árvores dispersas na paisagem.
O clima Mediterrâneo é marcado pela influência da maritimidade e as tem peraturas médias anuais situam-se entre 15 °C e 20 °C, com as chuvas se con centrando no período do inverno. Nessas áreas, as condições são favoráveis aos cultivos de uvas, azeitonas, frutas e cereais.
Nessas áreas, em geral, desenvolvem-se plantas arbustivas. São chamadas de garrigues quando apresentam pequeno porte e aparecem mais esparsas na paisagem, ou de maquis quando são mais densas e fechadas.
O clima temperado ocorre em pequenas áreas da parte oriental do continente, onde se encontram altitudes mais elevadas, e no extremo sul, onde atuam os ventos vindos do litoral. Esse clima é caracterizado pelas quatro estações bem definidas ao longo do ano: verão relativamente quente e mais seco que o inverno, outono com temperaturas que vão diminuindo com o passar dos dias, inverno frio e primavera com temperaturas em elevação.
Nas áreas menos frias, desenvolvem-se as savanas. Já nas áreas de maior altitude, onde as médias de temperatura tendem a diminuir, desenvolve-se a vegetação de altitude, com predomínio de vegetação de pequeno porte, como as gramíneas e os arbustos esparsos.
O Clima desértico ocorre em uma extensa faixa mais ao norte do continente, no deserto do Saara, e no sudoeste, nos desertos da Namíbia e do Kalahari. Nesse clima, as chuvas são extremamente escassas (abaixo de 250 mm anuais) e a amplitude térmica varia muito ao longo do dia (as temperaturas podem chegar aos 50 °C durante o dia e cair para abaixo de 0 °C à noite).
A superfície dos desertos, em geral, é coberta por dunas de areia e solos pedre gosos. A vegetação é escassa e adaptada aos rigores do clima, a exemplo dos cactos e de certas espécies de palmeiras e plantas rasteiras. Onde afloram os lençóis de água do subsolo desenvolvem-se os oásis, áreas geralmente férteis, devido à presença de água. 
Nos desertos, podemos encontrar também alguns animais adaptados à escassez de água e à variação de temperatura, como o camelo.

Formações vegetais 


Os tipos de vegetação encontrados no continente africano estão associados aos climas. Na África, localizam-se grandes desertos: o Saara, no Norte (o maior do mundo), o Kalahari e o deserto da Namíbia, no Sudoeste. Nessas áreas, a vegetação praticamente inexiste. Entre tanto, no Saara existem diversos oásis, nos quais se destaca a pre sença de palmeiras e a produção de tâmaras. 
Na porção centro-ociden tal do continente africano, onde predomina o clima Equatorial, destaca-se a Floresta Equatorial (na África central, é denomina da Floresta do Congo), densa e constituída por árvores de grande porte.
Em áreas de ocorrência de clima Tropical, a vegetação pre dominante é a Savana, forma ção bastante diversa, em geral caracterizada pela vegetação rasteira, arbustos e árvores es parsas (semelhante ao Cerrado do Brasil). Em áreas de clima Me diterrâneo, as vegetações características são o Maqui e o Garrigue, além de florestas de pinheiros e carvalhos em alguns trechos. Já nas áreas de clima semiárido, ocorre a vegetação de Estepe (pradarias).
Algumas regiões da África apresentam grande biodiversidade, com desta que para a ocorrência de espécies endêmicas e grandes mamíferos. Para a con servação desse patrimônio, áreas protegidas têm sido criadas pelos governos de diversos países.
Destacamos a seguir algumas características desses tipos climáticos e das formações vegetais.

Floresta Tropical 

Na porção equatoriana da África Central, onde prevalece o clima equatorial, quente e chuvoso, desenvolve-se a Floresta Tropical do Congo. Outras florestas desse tipo existem também na África Ocidental.

Savanas 

Esse tipo de formação vegetal é semelhante ao Cerrado brasileiro, composto por campos de gramíneas, arbustos e árvores esparsas que se desenvolvem sob o clima tropical. Ocorrem, principalmente, ao longo da zona tropical do planeta. Na África Oriental, as Savanas abrigam animais emblemáticos, como elefantes, girafas e leões.

Estepes e Pradarias 

Ao norte e ao sul do continente, próximo às áreas dos desertos, o clima semiárido propicia o desenvolvimento da vegetação de Estepes e Pradarias. Essa formação é composta de espécies que se mostram bem adaptadas a condições de aridez dos solos e longos períodos de estiagem associados a esse tipo climático.

Vegetação Mediterrânea 

Nos extremos norte e sul da África, atua o clima mediterrâneo, com forte influência da maritimidade e marcado por verões quentes e secos e invernos frescos e chuvosos. Nessas regiões, verifica-se a ocorrência da Vegetação Mediterrânea.

Desertos 

Nas porções norte e sudoeste do continente, onde o clima é extremamente seco, situam-se os desertos do Saara e da Namíbia, respectivamente. A vegetação presente é escassa devido à falta de água nessas regiões, onde as chuvas são extremamente raras. As espécies que conseguem sobreviver nessas condições são, em geral, caracterizadas por apresentarem raízes profundas e muito espalhadas para a captação de águas subterrâneas, além de folhas na forma de espinhos.

A  desertificação do Sahel


No continente africano, as áreas desérticas vêm se ampliando nas últimas décadas. Esse fenômeno, que atinge principalmente as regiões semiáridas, é parcialmente explicado pelo desmatamento e pela prática indevida de atividades agropecuárias nas áreas que margeiam os desertos. 
Um exemplo é a região do Sahel, que ocorre ao longo de uma faixa na margem sul do deserto do Saara, de clima Tropical Semiárido e caracterizada por uma vegetação de Estepe em sua porção setentrional e pela Savana na parte meridional. 
No Sahel, constantes derrubadas de árvores para o estabelecimento de atividades agropastoris e o aprovei tamento da madeira, muitas vezes a única fonte de energia das populações locais, vêm intensificando o fenômeno da desertificação e tornando a região ainda mais vulnerável às mudanças climáticas.
A desertificação acarreta sérios problemas para as sociedades que habitam as áreas afetadas e, desde o final do século XX, governos de alguns países, organizações não governamentais (ONGs), e comunidades locais vêm adotando ações de combate ao processo de desertificação no Sahel, com relativo sucesso. 
Um exemplo é o reflorestamento da região a partir do plantio de árvores, bloqueando o vento que traz a areia do deserto em direção ao Sahel e contendo o avanço da desertificação. Além disso, a criação de hortas e pomares ajuda a desenvolver as economias locais. 

Os oásis 


Oásis são áreas com presença de água e vegetação localizadas em regiões de deserto. Há diferentes tipos de oásis, que podem se formar tanto em áreas perto de rios como em locais onde o lençol freático está mais próximo da superfície, proporcionando solos férteis e a ocorrência de “ilhas verdes” de vegetação em meio à paisagem desértica. Nos países com territórios no Deserto do Saara, entre eles Argélia, Marrocos, Líbia e Egito, os oásis desempenham um papel social e econômico fundamental em meio ao maior deserto do mundo. 
As fontes de água naturais e os solos férteis são utilizados por comunidades locais para sustentar cultivos agrícolas, viabilizando a produção de gêneros como a tâmara, um importante produto dos oásis do Saara, inclusive para exportação. 
No entanto, diversos oásis importantes do Deserto do Saara já enfrentam problemas por conta do avanço da desertificação, que afeta tanto a produção agrícola e pecuária como a vida das pessoas nessas regiões. Tais alterações se devem a fatores como as mudanças climáticas, o uso excessivo das águas para irrigação e a prática inadequada de atividades agropecuárias. 
No Marrocos, por exemplo, os oásis não têm sido mais suficientes para atender às demandas das comunidades que deles dependem. Por causa disso, o governo do país investe na captação artificial de águas subterrâneas. Por meio de técnicas como a escavação e a manutenção de poços artesianos, barragens ou canais de irrigação, são desenvolvidos oásis artificiais para suprir as necessidades da população. 
 

A África no contexto da economia globalizada

Os governos que se estruturaram após os processos de independência foram, de modo geral, marcados pelo autoritarismo e pela corrupção. Além ...