De modo geral, os índices de urbanização na África são relativamente baixos (cerca de 40%, em média) e a maior parte da população do continente ainda vive no campo. Os países da África do norte são, em geral, os mais urbanizados (78% na Líbia, 67% na Argélia e 66% na Tunísia).
Alguns países da África subsaariana também apresentam populações majoritariamente urbanas. Sobretudo na África subsaariana, o acelerado crescimento populacional (maior do que o aumento da produção rural), o processo de desertificação na região do Sahel, a busca pelos serviços urbanos, entre ou tros fatores, vêm estimulando o êxodo rural, processo que tem se intensificado nas últimas décadas. Dentro desse contexto, a taxa de urbanização no continente vem crescendo em um ritmo superior ao de outros continentes – cerca de 1,3% ao ano entre 2015 e 2020.
As principais cidades e os problemas urbanos
Os fluxos migratórios campo-cidade na África têm se dirigido principalmente para as grandes cidades, que vêm crescendo rapidamente e intensificando os graves problemas sociais e urbanos já existentes.
O crescimento da população urbana em um ambiente de desigualdade estimula a favelização (processo de formação de favelas). Estima-se que, em 2018, cerca de 53% da população urbana da África subsaariana vivia em favelas, muitas delas em áreas de risco.
Outros problemas urbanos envolvem a oferta limitada de serviços de saneamento básico, transporte, saúde e educação de qualidade. Na tentativa de promover a interiorização do desenvolvimento e melhorar a organização territorial, alguns países, como Costa do Marfim e Nigéria, decidiram promover melhorias em uma cidade e construir outra, para abrigar suas novas capitais – Yamoussoukro e Abuja (1980), respectivamente.
Situadas no interior de seus territórios, essas cidades destoam das grandes metrópoles desses países (Abidjã e Lagos, respectivamente) por serem servidas por redes de saneamento, transporte e comunicação eficientes.
Embora cerca de 60% da população africana ainda se concentre no espaço rural,
nas últimas décadas, foi grande o número de pessoas que migrou do campo para as
cidades, sobretudo para os maiores centros urbanos.
Essas migrações têm sido impulsionadas por razões diversas, entre as quais se
destacam:
• o aumento da concentração de terras provocado pelo avanço das grandes la
vouras monocultoras, que se apropriam de terras originalmente ocupadas por
comunidades agrícolas e pastoris;
• o desgaste e o empobrecimento dos solos (erosão, desertificação etc.), decorrentes da utilização de técnicas agrícolas rudimentares inadequadas, que diminuem a fertilidade e a produtividade das terras;
• a ocorrência de guerras e conflitos étnicos e políticos em vários países do continente.
O processo de urbanização ocorrido recentemente no
continente foi motivado sobretudo por problemas que afetam diretamente o campo
e sua população. Assim, ao contrário do que ocorre em outros países e regiões do
planeta, a urbanização no continente africano não está diretamente ligada ao processo de industrialização, que tende a atrair um grande contingente de pessoas do
campo para as cidades.
A intensificação do êxodo rural no continente africano vem provocando o crescimento acelerado das grandes cidades, como Lagos, Cairo, Kinshasa e Luanda. Com
isso, essas aglomerações passaram a crescer de maneira desordenada, desprovidas
de infraestrutura e de serviços essenciais (moradias, redes de transportes, fornecimento de energia elétrica, saneamento básico etc.).
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