domingo, 8 de fevereiro de 2026

A urbanização no continente africano

De modo geral, os índices de urbanização na África são relativamente baixos (cerca de 40%, em média) e a maior parte da população do continente ainda vive no campo. Os países da África do norte são, em geral, os mais urbanizados (78% na Líbia, 67% na Argélia e 66% na Tunísia).
Alguns países da África subsaariana também apresentam populações majoritariamente urbanas. 
Sobretudo na África subsaariana, o acelerado crescimento populacional (maior do que o aumento da produção rural), o processo de desertificação na região do Sahel, a busca pelos serviços urbanos, entre outros fatores, vêm estimulando o êxodo rural, processo que tem se intensificado nas últimas décadas. Dentro desse contexto, a taxa de urbanização no continente vem crescendo em um ritmo superior ao de outros continentes – cerca de 1,3% ao ano entre 2015 e 2020.

As principais cidades e os problemas urbanos

 
Na África setentrional, o índice é superior, cerca de 50%, em média (78% na Líbia, 67% na Argélia e 66% na Tunísia); na África do Sul, é de 62%; na África subsaariana, sobretudo no Sahel, diversos países registram índices inferiores a 35%. 
As grandes cidades africanas se estruturaram com a instalação de portos de exportação dos produtos agrícolas e minerais para os países desenvolvidos (e importação de produtos desses países). São exemplos: Lagos (Nigéria), Dacar (Senegal), Luanda (Angola), Cidade do Cabo (África do Sul), Maputo (Moçambi que), Trípoli (Líbia) e Túnis (Tunísia).
Os fluxos migratórios campo-cidade na África têm se dirigido principalmente para as grandes cidades, que vêm crescendo rapidamente e intensificando os graves problemas sociais e urbanos já existentes. 
O acelerado crescimento populacional, maior do que o aumento da produção rural, o processo de desertificação na região do Sahel, a busca pelos serviços urbanos (ainda que precários), entre outros fatores, vêm sendo responsáveis pelo êxodo rural. Os fluxos migratórios campo-cidade, intensos a partir dos anos 1960, têm se dirigido principalmente para as grandes cidades, que crescem em ritmo desenfreado, com a formação de grande número de favelas.
O crescimento da população urbana em um ambiente de desigualdade estimula a favelização (processo de formação de favelas). Estima-se que, em 2018, cerca de 53% da população urbana da África subsaariana vivia em favelas, muitas delas em áreas de risco.
Outros problemas urbanos envolvem a oferta limitada de serviços de saneamento básico, transporte, saúde e educação de qualidade. Na tentativa de promover a interiorização do desenvolvimento e melhorar a organização territorial, alguns países, como Costa do Marfim e Nigéria, decidiram promover melhorias em uma cidade e construir outra, para abrigar suas novas capitais – Yamoussoukro e Abuja (1980), respectivamente.
Situadas no interior de seus territórios, essas cidades destoam das grandes metrópoles desses países (Abidjã e Lagos, respectivamente) por serem servidas por redes de saneamento, transporte e comunicação eficientes.
Embora cerca de 60% da população africana ainda se concentre no espaço rural, nas últimas décadas, foi grande o número de pessoas que migrou do campo para as cidades, sobretudo para os maiores centros urbanos. Essas migrações têm sido impulsionadas por razões diversas, entre as quais se destacam: 
• o aumento da concentração de terras provocado pelo avanço das grandes la vouras monocultoras, que se apropriam de terras originalmente ocupadas por comunidades agrícolas e pastoris; 
• o desgaste e o empobrecimento dos solos (erosão, desertificação etc.), decorrentes da utilização de técnicas agrícolas rudimentares inadequadas, que diminuem a fertilidade e a produtividade das terras; 
• a ocorrência de guerras e conflitos étnicos e políticos em vários países do continente.
O processo de urbanização ocorrido recentemente no continente foi motivado sobretudo por problemas que afetam diretamente o campo e sua população. Assim, ao contrário do que ocorre em outros países e regiões do planeta, a urbanização no continente africano não está diretamente ligada ao processo de industrialização, que tende a atrair um grande contingente de pessoas do campo para as cidades.
A intensificação do êxodo rural no continente africano vem provocando o crescimento acelerado das grandes cidades, como Lagos, Cairo, Kinshasa e Luanda. Com isso, essas aglomerações passaram a crescer de maneira desordenada, desprovidas de infraestrutura e de serviços essenciais (moradias, redes de transportes, fornecimento de energia elétrica, saneamento básico etc.).

Urbanização e desigualdades nas cidades africanas


O fato de que a economia da maior parte dos países da África se apoia nas atividades primárias explica, de certa forma, por que aproximadamente 43% dos africanos ainda habitam o espaço rural. Por outro lado, o ritmo de urba nização tem sido intenso: no continente existem megacidades com mais de 10 milhões de habitantes, como Lagos, na Nigéria, ou o Cairo, no Egito, e várias cidades com mais de 5 milhões de habitantes, casos de Kinshasa, no Congo, Luanda, na Angola, e Cartum, no Sudão.
Uma forte marca desse processo de crescimento das cidades na África são as desigualdades espaciais. Depois da descolonização, diversos centros urbanos da África Subsaariana continuaram apresentando divisões raciais. Em deter minadas áreas de muitas cidades residiam exclusivamente brancos europeus, enquanto nas extensas áreas urbanas deterioradas se formavam verdadeiros “bolsões” de miséria, onde vivia a maioria negra da população. Esse aspecto tornou-se marcante, por exemplo, na África do Sul, onde a segregação racial foi levada ao extremo ao ser institucionalizada pelos governos de minoria branca por meio do sistema de apartheid.
No entanto, em muitos países, a segregação racial foi substituída, em grande parte, pela separação econômica e étnica. Atualmente, os bairros providos de melhor infraestrutura são habitados por uma elite composta de executivos de multinacionais, profissionais liberais, políticos e funcionários públicos de alto escalão. 
A maior parte da população (cerca de 52%), porém, continua a viver em favelas (as townships, nos países de língua inglesa, ou as bidonvilles, nos de língua francesa), que, em muitos casos, dividem-se em guetos, cada qual com o predomínio de algum grupo étnico geral mente oriundo das áreas rurais. Divergências e confron tos entre esses grupos têm colaborado para aumentar a tensão e a violência nos centros urbanos.
De maneira geral, tanto as pequenas aglomerações urbanas como as grandes cidades da África do Norte e da África Subsaariana sofrem com a carência de infraestrutura. São graves os problemas ligados ao fornecimento de água potável e de energia elétrica – com a ocorrência frequente de blecautes –, bem como ao sistema de transporte público, em geral bastante precário. Uma parcela ínfima da população urbana conta com sistema de telefonia fixa e móvel, rede de esgoto e coleta de lixo – serviços restritos, na maioria das vezes, às áreas centrais. 
Como a atividade industrial é pouco desenvolvida, a função da maior parte dos centros urbanos da África é administrativa, com a economia baseada em atividades comerciais ligadas, sobretudo, ao setor informal, uma alternativa para o grande número de desempregados.

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