Com relação ao desenvolvimento socioeconômico, os países africanos têm mui tos contrastes entre si. O principal deles pode ser observado entre os países da África do Norte e os da África Subsaariana. A região Subsaariana abrange alguns dos países mais pobres do mundo e mais de 430 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza, segundo dados da ONU.
São vários os fatores que explicam o quadro de baixo desenvolvimento verifica do na África Subsaariana. Entre eles, elevadas dívidas externas contraídas pelos Estados africanos, que foram agravadas por políticas públicas ineficientes e pela sucessão de governos, muitas vezes, autoritários e associados à corrupção. Além disso, há o baixo nível de industrialização, a relação de dependência econômica e tecnológica com outros países (desenvolvidos e em desenvolvimento industriali zados), as desigualdades sociais e a falta de investimentos em áreas públicas para melhorar a qualidade de vida da população.
A falta de investimentos destinados à ampliação da rede de saneamento básico, à construção de moradias e a melhorias no sistema de saúde e de educação agra va as precárias condições de vida de parte da população da África Subsaariana. Outro fator relevante é o elevado ritmo de crescimento natural da população nos países dessa região. Entre 2020 e 2025, a taxa de crescimento anual médio nos países africanos foi de aproximadamente 2,5%, a mais alta entre todos os continentes do mundo. Esse cenário contribui, por exemplo, para as elevadas taxas de desemprego em muitos países, nos quais o mercado de trabalho não consegue absorver o grande contingente de jovens em busca de oportunidades.
A sociedade e as condições
de vida da população
Em 2021, a população absoluta do continente africano era cerca de 1,3 bilhão
de habitantes, o que correspondia a aproximadamente 15% da população mundial. De modo geral, os países africanos apresentam populações jovens e taxas
de crescimento demográfico superiores a 2,2% (enquanto a média mundial é de
aproximadamente 1,2%).
Os indicadores sociais dos países africanos revelam as condições de vida
ruins de parte de suas populações, principalmente na África subsaariana. Em
2019, o valor do IDH médio da região era de 0,547 – o menor entre todas as
regiões do mundo, refletindo problemas como a baixa renda, a elevada morta
lidade infantil e a falta de acesso à educação.
A escassez de recursos para investimentos em saúde e saneamento básico,
aliada à falta de políticas que priorizem a produção de alimentos para consumo
interno, tende a manter baixa a expectativa de vida em muitos países da África
subsaariana, contribuindo para a prevalência de doenças infecciosas como a aids
(provocada pelo HIV) e a malária, assim como para a situação de insegurança
alimentar à qual está sujeita uma parcela de sua população.
Os países africanos apresentam ainda um dos piores níveis de desigualdade
do mundo, com coeficiente de Gini médio de 0,43. Para comparação, os países
em desenvolvimento têm, em média, coeficiente de Gini de 0,39 (quanto mais
próximo de 1, maior a desigualdade entre as pessoas).
A fome na África
Entre os mais graves problemas sociais que atingem a população africana, a falta de alimentos em quantidade e variedade suficientes para suprir as necessi dades nutricionais das pessoas se destaca entre os mais preocupantes.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma alimentação adequada significa consumir diariamente uma quantidade mínima de calorias ne cessárias, que corresponde a 2 500 quilocalorias por dia, além de nutrientes que compõem uma alimentação balanceada para manter uma vida saudável. Milhões de pessoas no mundo vivem em condição de carência alimentar, ou seja, não ingerem a quantidade mínima de calorias recomendada pela OMS, qua dro que pode levar a problemas como a fome crônica e a desnutrição.
A maior parte das pessoas que sofre com a fome e a desnutrição vive na África e na Ásia. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Ali mentação (FAO), a carência alimentar afeta cerca de 282 milhões de pessoas no continente africano, principalmente nos países da África Subsaariana.
Em muitos casos, a principal causa da fome não é a falta de alimentos propor cionada pelo crescimento da população. A produção mundial de grãos, por exem plo, seria mais do que suficiente para alimentar toda a população mundial. Nesse sentido, as principais causas da carência alimentar são a falta de recursos financei ros para adquirir alimentos e a má distribuição da produção agrícola nos campos.
A agricultura comercial, destinada à produção de gêneros para exportação, ocupa a maior parte das terras férteis da África, enquanto a agricultura tradicio nal, responsável pela produção da maior parte dos alimentos consumidos pela população, é prejudicada pela falta de apoio dos governos, que não proporcio nam créditos nem acesso a insumos e tecnologia.
Outros agravantes da fome na África são os conflitos existentes em alguns países e as mudanças climáticas, que intensificam a erosão e a desertificação dos solos. A ONU e outras organizações internacionais realizam programas com o objetivo de proporcionar ajuda humanitária à África, inclusive por meio da distribuição de ali mentos em regiões afetadas pela fome.
Embora essa ajuda seja importante para pessoas que estão em situação vulnerável, essas ações ainda são ineficientes, pois não atuam nas causas do problema da fome e prejudicam ainda mais os pequenos agricultores.
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