Atualmente, a África possui aproximadamente 1,4 bilhão de habitantes, sendo o
segundo continente mais populoso do mundo (o primeiro é a Ásia, com 4,7 bilhões
de habitantes). Embora numerosa, essa população encontra-se distribuída de maneira
bastante desigual pelo continente.
As condições naturais exercem forte influência nessa distribuição populacional. As
vastas áreas dominadas pelos desertos (do Saara ao norte e do Kalahari ao sul) e as
regiões dominadas pelas densas florestas (no centro) apresentam densidade demográfica muito baixa (menos de 1 hab./km²).
As maiores concentrações populacionais localizam-se principalmente nas áreas litorâneas ou próximas a grandes rios. Entre as aglomerações urbanas mais populosas
do continente, estão as cidades de Cairo (22 milhões), Lagos (15 milhões de habitan
tes), Kinshasa (16 milhões), Abdjan (6 milhões) e Nairóbi (5 milhões).
Várias áreas que se estendem pelo interior do continente também apresentam po
voamento relativamente elevado, com densidade demográfica de até 25 hab./km². São
áreas povoadas por populações que vivem no campo
e se dedicam principalmente
às atividades agropecuárias.
A população africana é formada por uma grande variedade de etnias. Calcula-se que no continente existam cerca de 800 grupos étnicos diferentes e mais de 2 000 línguas nativas, além das línguas dos colonizadores europeus, como francês, inglês e português.
Com relação aos aspectos religiosos do continente, a situação não é diferente: há inúmeras crenças, como Islamismo, Catolicismo, Hinduísmo e Animismo.
Atualmente, cerca de 60% da população africana vivem no campo. No entanto, a maioria dos países do continente vem se urbanizando rapidamente, em razão de fatores como a má distribuição de terras, as mudanças climáticas e a busca por oportunidades de geração de renda nas economias urbanas. Consequentemente, os principais centros urbanos do continente, com desta que para Lagos (Nigéria), Cairo (Egito), Kinshasa (República Democrática do Congo), Luanda (Angola) e Dares Salaam (Tanzânia), têm crescido em ritmo acelerado e, nas próximas décadas, devem estar entre as maiores aglomerações urbanas do mundo.
Esse crescimento acaba por intensificar problemas urbanos já vivenciados pela maioria dessas cidades, como trânsito, poluição, violência e falta de acesso a serviços básicos de saneamento, educação e saúde. Nas periferias dessas cidades, por exemplo, o que existe é o crescimento descontrolado de bairros com precária infraestrutura.
O crescimento demográfico acelerado
Uma característica de muitos países africanos é a alta taxa de crescimento demo
gráfico, o que se explica pela combinação dos seguintes fatores:
• a manutenção da taxa de fecundidade em nível elevado;
• a queda gradativa da taxa de mortalidade infantil (menores de 1 ano).
Por conta disso, a população africana vem aumentando em ritmo bastante acelerado, o que explica a alta proporção de crianças e jovens na população. Por outro lado,
a proporção de adultos e idosos na população, principalmente na África Subsaariana,
é relativamente pequena, o que se deve à baixa expectativa de vida (em torno de 63
anos), decorrente das precárias condições socioeconômicas e também dos conflitos
e guerras que afetam várias regiões do continente.
CONDIÇÕES DE VIDA
A população africana vive predominantemente nas áreas rurais. No entanto, essa situação
está se modificando em razão da intensificação das migrações do campo para a cidade.
Essas migrações são motivadas por diversos fatores: secas prolongadas, empobrecimento dos
solos, predomínio de grandes propriedades monocultoras, busca por melhores condições de vida,
entre outros. Com isso, as áreas urbanas estão passando por um rápido crescimento demográfico.
O processo de urbanização na África tem sido acompanhado por uma série de problemas,
como a precariedade das moradias e a carência de serviços públicos básicos (transporte, energia,
comunicação, segurança pública, saneamento básico, saúde e educação).
A perspectiva de crescimento acelerado da população urbana amplia o desafio de promover
o desenvolvimento socioeconômico, de realizar melhorias na infraestrutura e de distribuir a renda
de maneira mais justa, como forma de reduzir os problemas sociais que afetam parte considerável
dos habitantes.
Nas paisagens de muitas cidades africanas, pode-se observar a segregação espacial. Os
bairros dotados de melhor infraestrutura são ocupados pela elite, enquanto a população mais
pobre vive em bairros com condições de vida inferiores, carentes de infraestrutura adequada e de
serviços públicos. Estima-se que 70% da população urbana do continente africano viva em favelas.
Diante desses problemas, algumas ações vêm sendo encaminhadas para promover o
chamado direito à cidade, ou seja, o acesso de todas as pessoas a moradias adequadas, serviços
e equipamentos urbanos de qualidade.
Pobreza e fome
Um dado alarmante sobre as condições de vida da população africana é a pobreza extrema.
De acordo com o Banco Mundial, pessoas nessa situação vivem com menos de 1,90 dólar por dia,
privadas do acesso a educação, saneamento básico, água tratada, alimentação adequada, moradia
digna, atendimento médico-hospitalar etc. Estima-se que a África abrigue aproximadamente dois
terços da população mundial vivendo nessas condições.
A fome está associada à pobreza. Milhões de africanos não ingerem a quantidade mínima
diária de 2 500 calorias, considerada ideal pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e muitos
podem ficar dias sem comer.
As causas da fome na África estão associadas a vários fatores:
- ocupação das terras mais férteis pelas grandes propriedades monocultoras voltadas para a
exportação, restando disponíveis os solos menos férteis para a produção de alimentos voltada
à população local;
- diminuição da oferta de alimentos em razão dos conflitos armados, da desertificação e dos
longos períodos de seca, que destroem plantações e rebanhos;
- uso de técnicas agrícolas que não favorecem a produtividade e a conservação do solo.
A pobreza extrema e a fome, associadas às condições precárias de saneamento básico e
atendimento médico-hospitalar acarretam sérios problemas de saúde em grande parte da popula
ção africana. Alguns programas sociais destinados à promoção de melhorias da saúde pública e à
erradicação de doenças têm sido implementados nos países africanos por meio da ação conjunta
dos governos, de organizações internacionais e, em alguns casos, de empresas privadas, visando
conciliar saúde e bem-estar social.
Entre esses programas, destacam-se o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/aids
(Unaids); o Programa de prevenção contra a malária (OMS) e o Programa Imuniza África 2020,
que envolve a parceria entre governos de países africanos e empresas privadas para estimular
pesquisas destinadas à erradicação de doenças e para aumentar a produção e aplicação em larga
escala de vacinas, ampliando a imunização da população e as melhorias das condições de saúde.
Apesar dos programas de vacinação e dos convênios estabelecidos com outros países durante
a pandemia de covid-19, a África foi o continente que avançou mais lentamente na imunização
contra a doença. Essa disparidade em escala global também pode ser observada na escala regional.
Diante da gravidade da insegurança alimentar, alguns projetos são realizados para combater
a pobreza, a fome e a subnutrição na África.
- Horticultura urbana e periurbana:
A FAO, em parceria com os governos locais, incentiva o cultivo de frutas e hortaliças em
micro-hortas e hortas escolares, visando ampliar o acesso da população a alimentos nutritivos,
reduzir gastos com compra de alimentos e elevar a renda das famílias produtoras.
- Centro de Excelência contra a Fome:
Parceria do governo brasileiro com a FAO e o Programa Mundial de Alimentos, apoia os países
africanos no desenvolvimento de soluções contra a fome, como a compra de alimentos produzidos por pequenos produtores para a merenda escolar.
Migrações
Os conflitos nos países africanos obrigam milhões de pessoas a deixar suas casas todos os
anos, representando uma parcela importante dos fluxos migratórios forçados no planeta.
De acordo com dados da Acnur, no ano de 1996, a população global deslocada era de
37,3 milhões de pessoas; em 2015, eram 65,3 milhões e, em 2021, 89,3 milhões.
Essa população
inclui os refugiados, os deslocados internos e os requerentes de asilo (pessoa que está
aguardando a aprovação de seu estatuto de refugiada e não pode retornar ao seu país).
O número de pessoas deslocadas à força começou a se intensificar a partir da década de
2010 por causa de conflitos em países como Síria, Iraque, Líbia, Nigéria, Afeganistão, República
Democrática do Congo, Sudão do Sul, entre outros. Mudanças climáticas e fome também estimularam essa forma de migração.
Na África, cerca de 26 milhões de pessoas haviam abandonado seus locais de moradia no
final de 2021, muitas delas vivendo em campos de refugiados. As condições de vida nesses
locais são precárias, pois geralmente recebem uma quantidade maior de pessoas do que podem
abrigar. Faltam alimentos, água, banheiros, energia elétrica e atendimento médico. A fome crônica,
a desnutrição aguda e a incidência de doenças fazem as taxas de mortalidade serem muito altas.
A crise dos refugiados na África é ainda mais grave por causa das dificuldades enfrentadas
pela ONU e por outras associações de ajuda humanitária em dar assistência à população que vive
nos campos de refugiados em áreas de conflito.
muitos africanos migram para outras regiões do planeta. Em 2021, Marrocos, Argélia, Tunísia e
Somália estavam entre os principais países de origem dos africanos que migraram para a Europa.
Nas últimas décadas, milhares de africanos, notadamente os mais jovens, vêm abandonando
seus países em busca de melhores condições de vida, principalmente em países como França,
Espanha, Portugal e Itália.
Para chegar aos países de
destino, os migrantes arriscam
suas vidas por meio de diversas rotas, que envolvem trajetos
aéreos, terrestres e marítimos.
Independentemente da rota, os
riscos são inúmeros e causam a
morte de milhares de pessoas
todos os anos.
Aqueles que caminham
longas distâncias estão expostos
à fome, ao calor e ao frio intenso
das áreas desérticas, às doenças
e à violência. As embarcações
precárias que fazem a travessia
entre a África e a Europa pelo mar
Mediterrâneo colocam em risco
a vida de milhares de pessoas.
Refugiados e deslocados internos
Os fluxos migratórios da população africana ocorrem principalmente dentro do próprio conti
nente. Em 2021, de acordo com dados da Acnur, 19,1 milhões de deslocamentos internos ocorreram
por causa de conflitos e eventos climáticos extremos, como inundações, terremotos e secas.
Alguns países que atravessam graves crises, como a Somália e a República Democrática do
Congo, se destacam pelo grande número de deslocados internos.
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