Economia africana
A maioria dos países africanos possui a economia apoiada basicamente nas ati vidades primárias: produção de gêneros agropecuários e de recursos minerais, in cluindo a extração de recursos energéticos fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural.
Esse modelo econômico foi introduzido a partir do século XIX, quando os colo nizadores europeus se apossaram do continente apenas para explorá-lo economica mente. Durante o período colonial, a economia baseava-se nas plantations, ou seja, grandes lavouras monocultoras de produtos tropicais voltados para exportação, e também na extração de recursos minerais e vegetais existentes em abundância no território africano. Essas matérias-primas serviam basicamente para abastecer a in dústria e o mercado consumidor europeu.
Assim, desde aquela época, a economia do continente africano voltou-se para a produção de matérias-primas destinadas ao abastecimento do mercado externo. Dessa forma, vários países da África foram inseridos na Divisão Internacional do Tra balho (DIT) como exportadores tanto de gêneros agrícolas, como café, cacau, borra cha, cana-de-açúcar, algodão, amendoim, quanto de recursos minerais e energéticos.
Agropecuária
A agropecuária, que constitui uma das mais importantes fontes de renda nos países da África, ocupa atualmente parte expressiva da população economicamente ativa de muitos países do continente. Essa atividade é desenvolvida de duas formas principais: as lavouras tradicionais e as plantations.
• As lavouras tradicionais, voltadas para a produção de alimentos para o consu
mo da população local, são desenvolvidas em diversas áreas do território africano. De modo geral, nessas áreas, prevalecem pequenas propriedades e técnicas rudimentares de cultivo, sendo os produtos mais cul
tivados arroz, sorgo, feijão,
batata, inhame e banana.
Os longos períodos de secas,
a reduzida qualidade dos solos
e, sobretudo, os escassos
investimentos em tecnologias
fazem com que a agropecuária
de
subsistência
apresente
baixa produtividade, tornando
necessária a importação de
alimentos para o consumo da
população.
• As plantations, desenvolvidas principalmente na África Subsaariana, são extensas
lavouras monocultoras cultivadas com utilização de fertilizantes, agrotóxicos e,
geralmente, com grande quantidade de mão de obra.
Nelas, faz-se o cultivo de
produtos tropicais voltados
para a exportação, como café,
cacau, chá, cana-de-açúcar
e amendoim. Portanto, não se
destinam a servir de alimento
para o consumo interno.
A atividade agropecuária no continente africano
As atividades agrárias que
predominam em grande par te
do continente africano são as
praticadas de maneira tradicional, como a agropecuária de
subsistência, a pecuária extensiva e o pastoreio nômade.
As atividades agropecuárias
comerciais, praticadas com re
cursos tecnológicos mais avançados, estão restritas a certas
regiões de apenas alguns países
africanos, como na África do
Sul, Costa do Marfim, Nigéria, Gana e Serra Leoa.
Recursos minerais
Uma das características marcantes da África é sua grande riqueza mineral. Atu
almente, muitos dos seus países têm economia quase totalmente dependente da
exploração de minerais e de recursos energéticos fósseis, como o carvão mineral e
o petróleo.
As principais reservas minerais (ouro, diamante, ferro, carvão mineral, bauxita) se
encontram em depósitos geológicos localizados na porção centro-sul do continente,
sobretudo em países como África do Sul, Zimbábue e República Democrática do
Congo, e também em países localizados na costa atlântica, como Gana e Libéria.
Entre as principais regiões produtoras de petróleo e gás natural, destacam-se as
bacias sedimentares da costa oeste do continente, principalmente em Angola, Gabão,
Camarões e Nigéria, e também os campos petrolíferos encontrados, por exemplo,
nos desertos da Argélia, Líbia e Egito, ao norte do continente.
Atividade industrial
De maneira geral, a atividade industrial no continente africano é pouco expressiva,
tendo participação bastante restrita na exportação mundial de produtos industrializa
dos. Atualmente, o continente africano responde por menos de 1% das exportações
de produtos manufaturados comercializados em todo o mundo.
Entre os principais fatores que contribuem para o desenvolvimento industrial res
trito no continente, podemos citar:
• a falta de infraestrutura (vias de transporte, energia elétrica etc.), que dificulta a
implantação de parques industriais mais complexos;
• a escassez de mão de obra qualificada, que inibe a expansão das empresas;
• a existência de um mercado consumidor de baixo poder aquisitivo, que limita o
consumo da população aos bens industrializados.
Devido a esses fatores, a atividade industrial no continente africano restringe-se prin
cipalmente aos setores mais tradicionais, com uso de tecnologia menos desenvolvida
(alimentos, bebidas, têxteis, calçados etc.). Em geral, essas indústrias concentram-se
principalmente nas maiores e mais importantes cidades do continente, entre elas
Johanesburgo (África do Sul), Cairo (Egito) e Lagos (Nigéria).
A África do Sul e o Egito são os
dois países mais industrializados do
continente africano. Assim, como
os demais países subdesenvolvidos,
como Brasil, México e Argentina,
a industrialização desses países
africanos também foi tardia, pois
ocorreram somente a partir de
meados do século XX.
Crescimento econômico da África
Nos últimos anos, o mundo vem presenciando o crescimento econômico de mui
tos países africanos. De acordo com o Banco Mundial, em 2021, alguns países da África apresentaram um crescimento econômico maior que a média mundial, de 5,8%.
Foi o caso de Ruanda e Costa do Marfim, que nesse mesmo ano cresceram 10,9% e
7% respectivamente.
Ainda de acordo com o Banco Mundial, o crescimento econômico de países africanos, sobretudo dos pertencentes à África Subsaariana, deve-se principalmente à
abundância de recursos naturais e aos elevados preços mundiais de matérias-primas,
como os recursos minerais.
A descoberta de novas áreas de extração de recursos como gás natural, petróleo
e outros recursos minerais, em países como Moçambique, Níger e Zâmbia, vem
contribuindo para o crescimento econômico do continente. Atualmente, são pou
cos os países do continente que não estão envolvidos na exploração de algum tipo
de minério.
Em função desse crescimento, o continente tem atraído grande número de inves
tidores estrangeiros. Além da abundância de recursos naturais, o crescimento demo
gráfico e a urbanização acelerada de alguns países vêm aumentando o consumo de
modo geral e incentivando a entrada de empresas estrangeiras.
Porém, para que esse crescimento econômico se reflita em desenvolvimento das
condições de vida da população em geral, é necessário que os ganhos sejam rever
tidos na melhoria da saúde, da educação, da infraestrutura básica, no aumento da
produtividade agrícola e na geração de empregos. Dessa forma, a pobreza poderá
ser reduzida significativamente.
Riquezas minerais e o interesse do capital internacional
Os países africanos, em geral, não dispõem de recursos técnicos nem financeiros
ou mesmo de mão de obra mais especializada para promover a exploração dos
recursos minerais e energéticos existentes em seus territórios. Em razão disso, o desenvolvimento da mineração tem sido realizado e controlado por grandes empresas
estrangeiras, sobretudo europeias, estadunidenses, japonesas e chinesas, cujos lucros
são enviados aos países mais ricos, onde essas empresas estão sediadas.
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