sábado, 14 de fevereiro de 2026

Fluxos migratórios na África

Há vários séculos, a população africana vem realizando importantes deslocamentos migratórios no próprio continente ou para fora dele. Entre os séculos XV e XIX, a apreensão de africanos para o trabalho escra vo, principalmente na América, constituiu um importante fluxo migratório, ainda que involuntário, chegando a retardar o crescimento demográfico da África.
A partir do século XIX, a introdução das atividades de mineração e de plantation pelos colonizadores europeus no continente africano provocou vá rios movimentos migratórios internos, com o deslocamento de mão de obra para as áreas onde se desenvolviam as atividades de exploração.
Mais recentemente, sobretudo após o processo de descolonização, desencadearam-se fluxos migratórios de grande vulto. Entre eles está o êxodo rural, que vem provocando rápido processo de urbanização em vários países africanos.
Intensos fluxos migratórios também ocorreram de uma área rural para outra, no interior de um mesmo país ou entre países fronteiriços. Em alguns casos, esses deslocamentos reúnem milhares de pessoas no período de apenas alguns meses.

Causas das migrações internas na África


Atualmente, as principais causas das migrações em massa no interior do continente africano são as que seguem.
- O fenômeno da desertificação e a fome, em países como Níger, Mauritânia e Burkina Faso, ao norte do Sahel, têm provocado a saída da população em massa para as áreas monocultoras e de extração madeireira localizadas ao sul, como a Costa do Marfim, Benin e a Nigéria, em busca de trabalho.
- O desemprego em países de baixo crescimento econômico do sul da África, como Angola e Moçambique, tem levado milhares de trabalhadores a se deslocarem para as áreas mineradoras da África do Sul, Zâmbia e Zimbábue em busca de oportunidades de trabalho e melhores condições de vida.
- As guerras civis, ocasionadas por conflitos políticos e étnicos, sobretudo em países do centro-leste do continente, como Serra Leoa, Ruanda, Burundi e República Democrática do Congo (antigo Zaire), provocam grandes fluxos migratórios de refugiados, que fogem para países vizinhos na tentativa de escapar de massacres promovidos por grupos rivais.

Migrações de africanos para o exterior 


Além dos fatores apresentados, as crises econômicas e os governos ditatoriais de vários países da África acabam causando intensos fluxos migratórios de africanos para outros continentes.
Nas últimas décadas, milhares de africanos saíram do continente em busca de asilo político, trabalho e melhores condições de vida. Os maiores fluxos foram em direção aos países europeus, sobretudo às antigas metrópoles, como França, Inglaterra, Espanha e Portugal, além dos Estados Unidos e Canadá. Nos países de destino, no entanto, a maioria dos imigrantes africanos vive na clan destinidade, trabalha em subempregos e sofre forte discriminação social.
As migrações internas e externas na África causam a evasão de grandes contingentes populacionais e a perda de população economicamente ativa, sobre tudo de mão de obra masculina, o que prejudica diretamente a economia dos países que perdem habitantes.
Uma das rotas mais utilizadas pelos imigrantes subsaarianos para chegar à Europa tem sido a via marítima, pelo Atlântico ou pelo Mediterrâneo. Como a viagem pelo mar pode durar vários dias, muitos desses imigrantes acabam morrendo antes mesmo de chegar ao destino. Apesar dos riscos, calcula se que milhares de pessoas vindas da África Subsaariana já tenham conseguido entrar clandestinamente em território europeu.


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