A América está localizada no Hemisfério Ocidental e é formada pela conexão das
porções norte e sul do continente. Por causa da sua extensão territorial, apresenta
significativas diversidades cultural e ambiental. Foi habitada – e ainda é, mas em menor
quantidade – por diversas e numerosas populações indígenas, os povos originários.
Não se sabe ao certo a origem dos primeiros habitantes da América. Independentemente das teorias levantadas para reconstituir o processo de povoamento do continente americano, pesquisadores estimam que, quando Colombo desembarcou na América, cerca de 50 milhões de pessoas viviam no Novo Mundo. Os povos que habitavam o continente americano ficaram conhecidos genericamente como povos pré-colombianos.
Os povos originá
rios modificavam os territórios onde viviam
pela necessidade de cultivar a terra para
obter alimentos, construir habitações e confeccionar ferramentas que possibilitassem a
permanência naquele lugar.
Esses povos apresentavam grande diversidade étnica, social, política e religiosa. Algumas civilizações, como a inca, a maia e a asteca, formaram sociedades complexas. Com a ocupação e a exploração do continente americano pelos europeus, essas sociedades começaram a desestruturar-se e muitas desapareceram.
Na América do Norte, os povos que
habitavam o extremo norte se adaptaram ao
clima extremamente frio e ao congelamento
do solo, que ocorre durante uma parte do
ano, desenvolvendo técnicas de estoque de
alimentos e de construções e vestimentas
que vedassem o calor.
Na América do Sul, havia sociedades
que se organizavam em grandes cidades
e estabeleciam sofisticadas redes de transporte e de trocas. Além disso, existiam
povos que se constituíam em aldeias e
grupos menores; alguns deles, inclusive,
mantinham-se isolados.
A América Anglo-Saxônica era habitada por centenas de povos indígenas antes da chegada dos europeus. Assim como no restante do continente americano, essas populações foram praticamente dizimadas. Com a expansão do território estadunidense ao longo do século XIX, os conflitos entre colonos e indí genas aumentaram. Povos como os sioux, apaches e comanches resistiram à invasão europeia. Outros, como os cherokees, incorporaram mais facilmente os costumes dos colonizadores. Atualmente, esse povo representa a maior parcela da população indígena dos Estados Unidos. No Canadá, ocorreu processo semelhante de resistência dos povos originários ao colonizador.
A influência indígena na cultura anglo-saxônica pode ser identificada na música, na temática dos filmes sobre o velho oeste, na gastronomia, marcada pelo uso do milho, nos nomes de lugares, como Alasca, Dakota, Oklahoma etc.
Nos dias atuais, cabe aos descendentes desses povos preservar características do modo de vida e da cultura. Muitos vivem em comunidades e precisam lutar pelo direito originário à terra, como acontece com os povos indígenas brasileiros.
A DISTRIBUIÇÃO DOS POVOS ORIGINÁRIOS
Ao chegarem ao território que corresponde à atual América Latina, os europeus
encontraram povos que possuíam diferen
tes formas de organização social, línguas,
crenças e graus de desenvolvimento tecnológico.
Entre as centenas de povos que habitavam a América Latina, podemos destacar os astecas, os incas e os maias. . Conheça, a seguir, os principais povos.
Os astecas
Geograficamente, o Império Asteca
estendia-se pela região central do México
atual e chegou ao apogeu político e cultural
entre os séculos XV e XVI, até o seu povo ser
dizimado pelos espanhóis. Estima-se que o
território possuía de 4 milhões a 25 milhões
de habitantes, dos quais 140 mil viviam em
Tenochtitlán – capital do império –, localizada onde hoje é a Cidade do México, e seu
território se expandia conforme conquista
vam outros povos da região.
A agricultura era a principal atividade
econômica dos astecas, em razão do
sofisticado sistema de irrigação que desenvolveram. Deve-se também a esse povo a
criação de um calendário que compreendia
um ano solar de 365 dias.
A civilização asteca desenvolveu-se principalmente entre os séculos XIV e XVI, no território do atual México. No século XIV, fundaram a cidade de Tenochtitlán, que se tornou a capital do império. Os astecas desenvolveram técnicas agrícolas e de construção de obras de drenagem, canais de irrigação, estradas, templos, pirâmides, entre outras.
O artesanato era riquíssimo, destacando-se tecidos, objetos de ouro e prata, e pinturas. O Império Asteca começou a ser destruído em 1519, a partir das invasões espanholas lideradas por Hernán Cortés (1485-1547). Os espanhóis dominaram e escravizaram os astecas, apropriando-se de grande parte do ouro e da prata dessa civilização.
Os incas
Os incas ocupavam as áreas andinas que hoje correspondem aos territórios dos países
Equador, Peru, Bolívia, parte do Chile e noroeste da Argentina. O Império Inca formou-se da
expansão dos quíchua, que, com suas táticas de guerra, dominaram vários povos da América do
Sul. No século XV, os incas começaram a expandir seus territórios, até controlarem toda a região
andina, estabelecendo capital em Cuzco, no atual Peru.
O Império Inca incluía todo o Equador e o Peru, o sul da Colômbia, o oeste da Bolívia, o noroeste da Argentina e o norte do Chile. A capital era a cidade de Cuzco (Peru), e o principal idioma era o quíchua.
Na agricultura, destacava-se o cultivo de batata, milho, algodão, tomate e mandioca. O plantio era feito em terraços (degraus construídos nas encostas das montanhas). Usavam arados para preparar o solo e animais, as lhamas, para transportar as colheitas. Desses animais também obtinham couro, carne e lã, com a qual faziam tecidos, mantas e cordas. Na arquitetura, evidenciam-se as construções de templos, moradias e cidades com enormes blocos de rochas encaixados.
Machu Picchu, também chamada de “cidade perdida”, é a cidade inca mais conhecida na
atualidade. Contava com terraços para o armazenamento de alimentos agrícolas e com outras
áreas mais centrais, formadas por templos sagrados. Por estar localizada entre as montanhas, os
templos, as casas, os cemitérios e as áreas de agricultura eram distribuídos de maneira ordenada,
com a presença de vias para circulação e de escadarias.
O Império Inca era tecnologicamente sofisticado, principalmente no que diz respeito ao
sistema de irrigação, e contava com uma vasta rede de estradas e correios. Eles foram os primeiros
a criar animais de médio porte para utilizar como meio de transporte, principalmente a lhama.
Na época da chegada dos espanhóis, estima-se que havia entre 2 milhões e 15 milhões
de habitantes na região andina, mas doenças trazidas pelos europeus causaram epidemias que
impactaram significativamente os números populacionais. Seus descendentes são os camponeses
dos Andes, que falam a língua quíchua e constituem 45% da população andina atual.
Os maias
Os maias formaram uma das maiores civilizações do Ocidente entre os anos 250 d.C. e 900
d.C., com uma população de cerca de 2 milhões de habitantes. Viviam na península de Iucatã
(atual México) e nos atuais territórios de Honduras, Guatemala e Belize.
A civilização maia é
formada por povos coletores que chegaram à região pelo Estreito de Bering após o último período
glacial e que foram se estabelecendo por meio do cultivo vegetal e da criação de animais.
Os maias instalaram-se na região da Península de Yucatán (sudeste do atual México) e nas áreas onde hoje estão Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador. Eles construíram pirâmides, palácios e templos. A economia era baseada na agricultura, principalmente de milho e feijão. No artesanato, destacava-se a fiação de tecidos. Também praticavam o comércio com povos vizinhos e no interior do império.
Após a ocupação, os maias exerceram atividades agrícolas que eram a base de sua economia – eles cultivavam milho, feijão e tomate. Com o desenvolvimento da produção agrícola, os
hábitos da comunidade se alteraram, e eles se estabeleceram como um grupo sedentário. Com
isso, foram se espalhando pelo território ocupado e formaram cidades; as maiores delas tinham
grandes centros cerimoniais, templos, pirâmides e palácios decorados com esculturas.
Os maias também desenvolveram a escrita hieroglífica, que só no
início do século XX começou a ser decifrada. Seus conhecimentos em
Matemática e em Astronomia permitiram a previsão de eclipses solares.
As causas do declínio desse império, no século IX, ainda são desconhecidas, mas alguns historiadores apontam que o esgotamento das terras
agricultáveis foi o principal motivo.
Os tupi-guarani e a América amazônica
A maior parte dos habitantes da América amazônica estava em áreas de clima quente. A
dinâmica da distribuição territorial da população levou em consideração as ofertas de território,
a acessibilidade para as trocas comerciais, a facilidade para o desenvolvimento de atividades
econômicas, os hábitos e as culturas, fatores que
definiram também como o território seria usado
por cada grupo.
Os indígenas amazônicos não podem ser analisa
dos por partes isoladas, considerando-se as fronteiras
nacionais, pois as sociedades habitam áreas maiores
que o traçado formal atual, como pode ser obser
vado no mapa Brasil: famílias linguísticas dos
povos originários. Embora localizados na Floresta
Amazônica, esses povos tinham idiomas próprios,
pertencentes a troncos linguísticos distintos, que
influenciaram e continuam influenciando o
português do Brasil, por exemplo.
Estudos e pesquisas realizados por
antropólogos revelam que, no Brasil, foram
identificados, além do tupi, macro-jê, karib
e aruak, outros conjuntos de idiomas,
como tukano, guaikuru e yanomami.
OS POVOS ORIGINÁRIOS DA AMÉRICA ANGLO-SAXÔNICA
No território da atual América Anglo-Saxônica, os principais agrupamentos humanos ocupavam praticamente toda a extensão territorial das costas leste estadunidense e canadense,
espalhando-se pelas planícies do Mississippi até as faixas desérticas e semiáridas do deserto do
Novo México.
Os irocuás
Os povos irocuás ocupavam o extremo norte e o nordeste dos Estados Unidos e eram
divididos em mohawks, oneidas, onondagas, cayugas e senecas. Por se distribuírem em áreas de
planícies recortadas por lagos, corredeiras e riachos, de clima temperado, com estações relativa
mente frias e úmidas, usufruíam de ambientes ricos em oferta de alimentos.
Esses povos desenvolveram importantes técnicas de caça e de construção de ferramentas,
utensílios e, principalmente, edificações. Conhecidos como haudenosaunee (“moradores da casa
comprida”), suas moradias eram construídas com estacas de madeira, amarradas com couro em
tiras, com topos arredondados e cobertos de cascas de árvore. Tinham poucas frestas, para que
saísse a fumaça das fogueiras. Os irocuás construíam suas casas assim porque viviam em grupos
de grandes famílias sob o mesmo teto e porque a região que habitavam possuía alta taxa de
precipitação e temperaturas relativamente baixas.
Os conhecimentos tecnológicos e as relações de trabalho irocuás foram utilizados pelos
colonos britânicos no projeto de ocupação do território estadunidense. Além disso, por serem
conhecedores de arquitetura e pelo trabalho com metais, há registros de que seus descendentes
atuaram na construção do edifício Empire State, em Nova York, um dos símbolos de poder do
capitalismo financeiro dos Estados Unidos no século XX.
Os algonquins
Separados dos irocuás pelo Lago Ontário, os algonquins eram comerciantes e se dividiam
em odawas e obíjuas. Eles viviam em abrigos abobadados que comportavam pequenos grupos
de pessoas.
Caçavam grandes mamíferos
e vendiam as peles. Além disso,
cultivavam milho, pescavam e
extraíam xarope dos troncos de
bordo, prática continuada pelos
europeus franceses e britânicos
que chegaram, séculos depois,
pelas regiões das florestas temperadas e dos lagos.
Os algonquins
se aliaram aos franceses para obter
ganhos econômicos, por meio das
trocas comerciais e militares, nas
disputas territoriais pelo controle
do Rio São Lourenço contra os
irocuás (seus inimigos) e os britânicos (inimigos dos franceses). Seus
conhecimentos tradicionais foram
essenciais para a ocupação francesa na América do Norte a partir
do século XVIII.
Os cherokees
Mais ao sul, em um núcleo situado no planalto de Ozark, os povos cherokees dominavam os
territórios que faziam a transição entre a costa leste dos Estados Unidos e o interior estadunidense
e canadense. Os cherokees são descendentes dos antigos povos creeks. Eles dispunham de muitos
utensílios feitos de pedras e de metais – como facas, martelos, machados e cinzéis –, esculpidos
por meio da utilização de fragmentos rochosos encontrados na área do planalto desde o século
XVII, quando tiveram contato com colonos espanhóis.
Por viverem em áreas elevadas, com muitos rochedos e muita neblina, suas edificações eram
variadas em formas e em estruturas, de acordo com a mudança das estações: na primavera e
no verão, as casas eram retangulares, construídas com madeira, argila e terra batida; cascos de
árvore e folhas secas recobriam os telhados, permitindo relativa entrada de umidade e de frescor,
trazidos pelas brisas do alto dos montes. Já no outono e no inverno, eram construídas casas de
blocos de calcário, arredondadas e com fornos de chão, para enfrentar as baixas temperaturas a
mais de 2 500 metros de altitude, em áreas úmidas e temperadas.
Os apaches
Distribuídos nas planícies das cabeceiras dos rios Bravo, Pecos e Grande, ao sul dos atuais
Estados Unidos, os apaches desenvolveram sua civilização em subgrupos formados por navajos,
apaches orientais, chiricahuas, mescaleros, jicarillas e lipans.
O clima nessa área é semiárido
e desértico, com solos compos
tos de areia e de argila, além de
relevo em planaltos e em planícies
sedimentares. Os povos apaches
viviam em habitações conhecidas
como hogans, feitas com madeiras pouco espessas e com argila
batida.
Os inuítes
Os inuítes até hoje ocupam a região ártica, principal
mente o norte do Canadá e a Groenlândia. No século XV,
estabeleceram os primeiros contatos com baleeiros france
ses e pescadores de bacalhau, e passaram a comercializar
peles, fazendo da caça de animais a sua principal atividade
econômica.
Os inuítes desenvolveram técnicas específicas para se
adaptar à região ártica, como a construção dos iglus, que já
serviram de habitação e hoje são abrigos em noites de caça.
Os iglus são construídos com blocos de neve, geralmente
em forma de cúpula. A neve atua como isolante térmico,
de forma que a temperatura dentro do iglu é surpreendentemente confortável.
Nas últimas décadas, os inuítes vêm reivindicando terras no extremo norte do Canadá,
que lhes foram tomadas na época da colonização. Essas terras, ricas em recursos minerais,
são exploradas por grandes mineradoras. Em
1999, o governo canadense transferiu parte dos
territórios do noroeste do país para os inuítes,
em uma tentativa de minimizar o conflito, cons
tituindo o território de Nunavut, que passou a
ser administrado pelos nativos.
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