segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

AMÉRICA: ORGANISMOS DE INTEGRAÇÃO

Os organismos de integração internacional têm como objetivo incentivar o intercâmbio cultural, político e econômico entre nações. Há diversos organismos no mundo, alguns com caráter bastante dinâmico, como os blocos econômicos, cujos objetivos e constituição podem ser alterados em razão de mudanças nos governos e na relação entre os membros.

Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) 


Criada em 1980, com foco na integração econômica dos 13 países-membros. Em 2022, a Nicarágua estava em processo de adesão à Aladi.

União de Nações Sul-Americanas (Unasul) 


Composta inicialmente por 12 países sul-americanos, a Unasul foi criada em 2008 visando à integração cultural, social, econômica e política. Mudanças políticas provocaram um esvaziamento da orga nização que, em 2022, contava apenas com Guiana, Suriname e Venezuela.

Foro para o Progresso da América do Sul (Prosul) 


Criado em 2019, é uma organização de países sul-americanos que tem como objetivo intensificar conversas para viabili zar transações econômicas mais eficientes entre os membros.

Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) 


Prevê a eliminação gradual das barreiras ao comércio, permitindo a livre circulação de mer cadorias, e atualiza o antigo acordo, chamado Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), que vigorava desde 1994.

Mercado Comum do Sul (Mercosul) 


Formado em 1991 por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, tem como objetivo a integração econômica e comercial por meio da livre circulação de bens, serviços e capitais. Desde a sua criação, o bloco enfrenta dificuldades para concluir essa integração, principalmente por causa das grandes diferenças econômicas entre os países-membros. 

Comunidade Andina (CAN) 


Instituída em 1969 como Pacto Andino, passou a adotar o nome atual em 2006, com o objetivo de promover a integração comercial, política e econômica entre os membros.

Comunidade do Caribe (Caricom) 


Criada em 1973, é constituída por 15 Estados-membros e cinco associados, o objetivo é a cooperação econômica e política. A organização também desenvolve projetos comuns nas áreas de saúde, educação e comunicação.

Mercado Comum Centro-Americano (MCCA) 


Criado em 1960, engloba cinco países da América Central. A organização busca a integração econômica, política e cultural dos países-membros.

Aliança Bolivariana Para os Povos da Nossa América (Alba) 


Foi criada em 2004, estabelecendo a cooperação política, econômica e social entre os membros, se posicionando contra a influência exercida pelos Estados Unidos na região.

Organização dos Estados Americanos ( OEA) 


Criada em 1948 com objetivo de manter a paz e a democracia no continente.

Organização de Estados Ibero-Americanos ( OEI) 


Surgiu em 1949, com o objetivo de promover a cooperação entre os países ibero-americanos nos campos da ciência, educação e cultura. Espanha, Guiné Equatorial e Portugal também fazem parte da organização.

POVOS ORIGINÁRIOS DA AMÉRICA

Não se sabe ao certo a origem dos primeiros habitantes da América. Independentemente das teorias levantadas para reconstituir o processo de povoamento do continente americano, pesquisadores estimam que, quando Colombo desem barcou na América, cerca de 50 milhões de pessoas viviam no Novo Mundo. Os povos que habitavam o continente americano ficaram conhe cidos genericamente como povos pré-colombianos.
Esses povos apresen tavam grande diversidade étnica, social, política e religiosa. Algumas civilizações, como a inca, a maia e a asteca, formaram sociedades complexas. Com a ocupação e a exploração do continente americano pelos europeus, essas sociedades começaram a desestruturar-se e muitas desapareceram.
A América Anglo-Saxônica era habitada por cente nas de povos indígenas antes da chegada dos europeus. Assim como no restante do continente americano, essas populações foram praticamente dizimadas. Com a expansão do território estadunidense ao longo do século XIX, os conflitos entre colonos e indí genas aumentaram. Povos como os sioux, apaches e comanches resistiram à invasão europeia. Outros, como os cherokees, incorporaram mais facilmente os costumes dos colonizadores. Atualmente, esse povo representa a maior parcela da população indígena dos Estados Unidos. No Canadá, ocorreu processo semelhante de resistência dos povos originários ao colonizador.
A influência indígena na cultura anglo-saxônica pode ser identificada na música, na temática dos filmes sobre o velho oeste, na gastronomia, marcada pelo uso do milho, nos nomes de lugares, como Alasca, Dakota, Oklahoma etc.
Nos dias atuais, cabe aos descendentes desses povos preservar características do modo de vida e da cultura. Muitos vivem em comunidades e precisam lutar pelo direito originário à terra, como acontece com os povos indígenas brasileiros.

Astecas, incas e maias


Entre as centenas de povos que habitavam a América Latina, podemos destacar os astecas, os incas e os maias. A civilização asteca desenvolveu-se principalmente entre os séculos XIV e XVI, no território do atual México. No século XIV, fundaram a cidade de Tenochtitlán, que se tornou a capital do império.
Os astecas desenvolveram técnicas agrícolas e de construção de obras de drenagem, canais de irrigação, estradas, templos, pirâmides, entre outras.
O artesanato era riquíssimo, destacando--se tecidos, objetos de ouro e prata, e pinturas. O Império Asteca começou a ser destruído em 1519, a partir das invasões espanholas lideradas por Hernán Cortés (1485-1547).
Os espanhóis dominaram e escravizaram os astecas, apropriando-se de grande parte do ouro e da prata dessa civilização.
O Império Inca incluía todo o Equador e o Peru, o sul da Colômbia, o oeste da Bolívia, o noroeste da Argentina e o norte do Chile. A capital era a cidade de Cuzco (Peru), e o principal idioma era o quíchua. Na agricultura, destacava-se o cultivo de batata, milho, algodão, tomate e mandioca. O plantio era feito em terraços (degraus construídos nas encostas das montanhas). Usavam arados para preparar o solo e animais, as lhamas, para transportar as colheitas. Desses animais também obtinham couro, carne e lã, com a qual faziam tecidos, mantas e cordas. Na arquitetura, eviden ciam-se as construções de templos, moradias e cidades com enormes blocos de rochas encaixados.
Os maias instalaram-se na região da Península de Yucatán (sudeste do atual México) e nas áreas onde hoje estão Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador. Eles construíram pirâmides, palácios e templos. A economia era baseada na agricultura, principalmente de milho e feijão. No artesanato, destacava-se a fiação de tecidos. Também praticavam o comércio com povos vizinhos e no interior do império.

AMÉRICA: OCUPAÇÃO E COLONIZAÇÃO


A historiografia oficial afirma que em 1492 o navegador Cristóvão Colombo, financiado pela Espanha, encontrou terras desconhecidas pelos europeus. Anos mais tarde essas terras receberam o nome de América, em homenagem a Américo Vespúcio (1454-1512), banqueiro, navegador e um dos patrocinadores das primeiras expedições ao chamado Novo Mundo.
O Novo Mundo despertou o interesse de outros Estados-nações, principalmente Portugal, Inglaterra, França e Holanda. A partir do século XVI, o continente americano passou a ser ocupado e colonizado pelos europeus.
A primeira colônia europeia na América foi estabelecida pela Espanha, na ilha Hispaniola, atuais territórios do Haiti e da República Dominicana. Em poucas décadas, muitas outras colônias foram estabelecidas no continente.
Os países europeus colonizaram a América de maneiras diferentes, destacando-se as chamadas colônias de exploração e as colônias de povoamento.
As colônias de exploração foram implantadas em grande parte da América Latina e na porção sul da América Anglo-Saxônica. Suas principais características eram a monocultura (produção de um único gênero agrícola), realizada em latifúndios, com ênfase na pro dução de algodão, cana-de-açúcar e tabaco; e a extração de metais preciosos destinados à metrópole, com utilização do trabalho escravizado de indígenas e de africanos.
As colônias de povoamento foram implantadas, principalmente, ao norte e nas áreas centrais da América Anglo-Saxônica. Caracterizavam-se pela pequena propriedade, pelo trabalho livre, pela produção para o mercado interno. Em algumas propriedades havia trabalhadores assalariados e a economia foi desvinculada do pacto colonial. Essa “liberdade econômica” favoreceu o desenvolvimento das atividades comerciais com outras metrópoles.

Continente americano

DIMENSÃO E LOCALIZAÇÃO


O continente americano é o segundo maior continente do planeta, com aproximadamente 42 milhões de km², menor apenas do que a Ásia. Com cerca de um bilhão de habitantes, a América é o terceiro continente mais populoso do planeta. As terras do continente americano são limitadas pelas águas de três oceanos: oceano Atlântico, a leste; oceano Pacífico, a oeste; oceano Glacial Ártico, ao norte, onde o estreito de Bering separa a América e a Ásia.
É cortada por quatro paralelos principais: Círculo Polar Ártico, Trópico de Câncer, linha do equador e Trópico de Capricórnio.
O território é bastante alongado no sentido norte-sul: há uma distância de quase 16 mil quilômetros entre o extremo norte (a 83° de latitude norte, na Groenlândia) e o extremo sul (a 56° de latitude sul, na Terra do Fogo). Essa grande extensão é um dos fatores que explicam a diversidade natural de paisagens encontradas na América.

REGIONALIZAÇÕES


As regionalizações mais conhecidas e utilizadas do continente americano são: 
  • regionalização física, baseada na distribuição geográfica das terras do continente no sentido norte-sul;
  • regionalização histórico-cultural, baseada no processo de colonização, no idioma e em outros aspectos relacionados à cultura das nações colonizadoras do continente e dos diversos povos originários.
1- Divisão geográfica

Uma maneira de regionalizar o continente americano é por meio do critério físico, considerando a distribuição e a localização geográfica das terras emersas. De acordo com esse critério, a América pode ser dividida em três regiões.

América do Norte

Possui a maior extensão territorial. É formada por três países e também pela maior ilha do mundo, a Groenlândia, território que pertence à Dinamarca. Os principais paralelos que perpassam esse território são o trópico de Câncer e o Círculo Polar Ártico.

América Central

Possui a menor extensão territorial. Sua área continental corresponde ao istmo que faz a ligação entre a América do Sul e a América do Norte, e sua área insular (ilhas) é banhada pelas águas do mar do Caribe.

América do Sul

Formada por doze países e também por um território pertencente à França, a Guiana Francesa. Os principais paralelos que perpassam esse território são a linha do Equador e o Trópico de Capricórnio.

2- Divisão histórico-cultural

Diferentes povos já habitavam o continente americano há milhares de anos quando, a partir do final do século XV, diversas potências marítimas europeias, como Espanha, Portugal, Inglaterra, França e Holanda, passaram a explorar essas terras. Esses povos foram denominados pelos estudiosos pré-colombianos pelo fato de ocuparem a América antes da chegada de Cristóvão Colombo, navegador que aportou no continente em 1492.
Ao colonizarem diferentes áreas do continente, os europeus introduziram vários aspectos de sua cultura aos povos que habitavam esses territórios, entre eles o idioma. Assim, a América também pode ser dividida em duas grandes regiões que se diferenciam de acordo com a origem linguística e a cultura de seus colonizadores.

2.1- América Anglo-Saxônica

Colonizada por povos com língua de origem saxônica, principalmente ingleses. Essa região, formada por Canadá e Estados Unidos, reúne elementos histórico-culturais semelhantes, como o predomínio da língua inglesa e da religião protestante.

2.2- América Latina

Colonizada por povos com língua de origem latina, principalmente portugueses e espanhóis. Nessa região, formada pelos países da América do Sul, da América Central e pelo México, há predomínio das línguas de origem latina, espanhola e portuguesa, e também da religião católica.

2.3- Países sul-americanos, agrupados em duas grandes unidades, destacadas a seguir.

Países platinos: englobam territórios cujas terras são drenadas por rios da Bacia Platina. Essa re gionalização compreende Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Países andinos: abrangem os países cortados pela Cordilheira dos Andes, que são Chile, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia e Venezuela.

Guianas: consideradas uma regionalização à parte pelo fato de os países que a compreendem apresentarem uma evolução histórica distinta dos demais países sul-americanos. Inclui Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

Algumas considerações sobre a regionalização


Algumas exceções podem ser identificadas na regionalização histórico-cultural do continente americano, pois alguns países latino-americanos foram colonizados por povos de outras origens linguísticas, como o Suriname, colonizado por holandeses. Assim também aconteceu no Canadá, país anglo-americano, cuja colonização foi feita por franceses, um povo de origem latina.
Além dos aspectos histórico-culturais, a divisão do continente em América Anglo-Saxônica e América Latina retrata o diferente desenvolvimento econômico e social dos países americanos, e é considerada por alguns estudos como uma regionalização socioeconômica. Dessa maneira, a América Anglo-Saxônica agrupa países desenvolvidos, ou seja, com maior desenvolvimento econômico e social, embora certos pro blemas sociais e econômicos também afetem parte de sua população. Já a América Latina reúne países subdesenvolvidos, com menor desenvolvimento econômico, muitos deles com graves problemas sociais.
A extensão territorial do continente americano permite distinguir duas grandes porções de terras: a América do Norte e a América do Sul. Essas “duas Américas” estão ligadas por um istmo que, com as ilhas próximas, forma a América Central. Esta se subdivide em América Central continental (constituída pelo istmo) e América Central insular (constituída pelas ilhas).
A América Latina foi colonizada principalmente por portugueses e espanhóis. Por esse motivo, a língua oficial da maioria dos países latino-americanos é o espanhol. Já a América Anglo-Saxônica, colonizada principalmente por ingleses, tem o inglês como língua predominante. 
Apesar das semelhanças quanto à língua oficial, é preciso tomar cuidado com as generali zações. Ao analisarmos as línguas faladas na América, podemos identificar algumas exceções. Na América Latina, o espanhol divide o posto de língua oficial com o português, o inglês, o francês, o holandês e outras línguas indígenas, como o quíchua, o aimará e o guarani. Na América Anglo-Saxônica, o francês é a segunda língua oficial do Canadá.

A dizimação dos povos nativos


O contato entre os povos pré-colombianos e os colonizadores europeus não aconteceu de maneira pacífica. Os europeus buscavam dominar o território para extrair dele suas riquezas e introduzir entre os nativos aspectos de sua cultura, por exemplo, a religião, mas os povos pré-colombianos não aceitavam tal dominação. 
No entanto, os colonizadores tinham grande vantagem sobre os nativos. Eles empunhavam armas de fogo, possuíam armaduras e montavam a cavalo, fator que possibilita deslocamento rápido. Já os povos pré-colombianos dispunham de armas forjadas em madeira, algumas até contendo venenos letais, mas que não lhes davam vantagens diante da destrutiva força bélica dos colonizadores.




A África no início do século XXI


Um continente ainda fragilizado


A África iniciou o século XXI com graves problemas políticos, econômicos e sociais. Após quase cinco séculos de exploração colonial e cerca de um pouco mais de cinquenta anos da descolonização ou da formação dos Estados nacionais, o continente vive uma difícil situação, tendo como causa vários fatores. A seguir, vamos analisar esses aspectos, abordando suas principais características.

1- Aspectos políticos, corrupção e governos ditatoriais


O recente processo de formação dos Estados nacionais africanos ainda não foi capaz de superar os efeitos negativos da arbitrária delimitação de fronteiras por parte do colonizador europeu. Dessa herança, o principal reflexo político são as guerras.
A ausência de democracia, as fraudes nas eleições governamentais e as práticas de corrupção ocorrem em muitos Estados africanos. Apoiados por oligarquias nacionais e por setores das forças armadas, governantes permanecem no poder por longo tempo, exercendo poderes ditatoriais.
Os regimes ditatoriais são obstáculos ao desenvolvimento econômico e social, pois impedem que haja transparência nas decisões políticas, impõem leis restritivas à liberdade de expressão e permitem que os recursos nacionais sejam manipulados conforme os interesses dos ditadores e dos grupos que os apoiam, e não de acordo com o que a população necessita (saúde, educação etc.).

As guerras civis


O fim das guerras de independência não representou o fim dos confli tos armados na África até os dias atuais. As causas dos conflitos são diversas: rivalidades interétnicas (caso de Burundi e Ruanda, de Darfur, no Sudão etc.); lutas por libertação de territórios subjugados a um poder central (a guerra entre a Eritreia e a Etiópia, por exemplo); lutas pelo domínio político-econômico do Estado (guerra de Angola, Costa do Marfim etc.); disputas por recursos minerais, entre eles o petróleo; rivalidades religiosas; pirataria na Somália e outras.
Além de causar milhares de mortes, os conflitos armados desorganizam a produção, aprofundam os problemas eco nômicos, consomem recursos financeiros que poderiam ser aplicados no desenvolvimento nacional e agravam os qua dros de pobreza e miséria em muitos países.

2- Aspectos sociais


As condições desfavoráveis em que se encontram muitas sociedades africanas refletem, em parte, o legado de exclusão e desigualdade so cioeconômica gerado durante a colonização e mantido por governos posteriormente instalados.

Epidemias


As epidemias e doenças são o resultado da pobreza em que vive grande parcela da população africana. Em 2020, a África concentrou 95% dos casos de malária registrados no mundo e 25% dos casos de tu berculose. Em 2021, a epidemia do vírus Ebola ainda não estava contro lada em alguns países africanos. A epidemia de aids ainda é alarmante na África. Em 2020, de cada cem pessoas infectadas no mundo com HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana, sigla em inglês), 67 estavam no continente africano.
A precariedade do ensino, a falta de educação sexual, a pobreza da população, os serviços públicos de saúde inadequados e precários, o elevado custo dos medicamentos e a pouca determinação por parte de alguns governos em combater a aids são fatores que contribuem para a disseminação dessa enfermidade em algumas regiões da África.

Desnutrição


A África é um continente com grande ocorrência de desnutrição. Tanto a fome crônica, decorrente da ingestão diária insuficiente de ca lorias e nutrientes para a manutenção da saúde, como a fome aguda, caracterizada pela falta quase absoluta de alimentos, resultam de causas sociais, econômicas e políticas (guerras entre Estados, guerras civis etc.), agravadas por adversidades naturais (secas, inundações e pragas nas lavouras).
Como exemplo, há o caso da Somália. Nos anos 1990, esse país esteve envolvido em guerras étnicas internas. Além disso, gran des secas dizimaram plantações e criações de gado, impondo à popu lação grandes dificuldades de acesso aos alimentos. Como a ajuda humanitária coordenada pela ONU não pôde chegar com eficiência aos necessitados em virtude do conflito armado, milhares de pessoas morreram de inanição.

Refugiados


Em 2020, do total de 26,4 milhões de refugiados no mundo, pouco mais de 17,7 milhões, cerca de 67%, eram refugiados da África e do sudoeste da Ásia – sírios, afegãos, iraquianos, iemenitas etc. – que, fugindo de guerras e da pobreza, tentavam chegar ao sul da Europa pela rota da Líbia e por outras rotas. De acordo com a Organização Internacional para Migrações (OIM), mais de 20 mil migrantes morreram tentando atravessar o Mar Mediterrâneo entre 2014 e 2020. Muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas caso houvesse em seus países de origem estabilidade política, emprego e, sobretudo, solidariedade.

Aspectos econômicos


De modo geral, os países africanos não conseguiram se inserir no processo de globalização que marcou o mundo nos últimos vinte anos. A África integra o comércio mundial predominantemente como expor tadora de produtos primários e importadora de bens industrializados.
Uma das causas dessa posição dos países africanos na economia global é a carência de energia elétrica e de infraestrutura de transpor te e de comunicação – fatores funda mentais para o desenvolvimento in dustrial –, que limita os investimentos na produção. As redes de transportes mais modernas restringem-se a ligar zonas produtoras agrícolas e minerais aos portos de exportação.
Com exceção da África do Sul e do Egito, os países africanos apresen tam baixo nível de industrialização e de investimento em pesquisa cien tífica e formam pouca mão de obra especializada. A seguir, apresentamos alguns indicadores que demonstram a inser ção periférica da África na globalização.

O comércio exterior


As exportações da África representaram, em 2020, aproximadamen te, 2,2% do total mundial – em 2003, representaram 2,4%; em 1993, 2,5%; em 1973, 4,8%; e em 1953, 6,5% –, o que demonstra sua posição secundária na globalização em curso. As importações representaram apenas 2,9% do total mundial. Desse modo, a África é o continente com o menor valor de operações no comércio exterior.

O PIB africano


Em 2020, a soma do PIB de todos os países africanos correspondeu a cerca de 2,4 trilhões de dólares. No mesmo ano, o PIB brasileiro foi de mais de 1,4 trilhão de dólares. Nesse ano, a África respondeu por apro ximadamente 2,8% do PIB mundial. Dentro do continente, destacam-se África do Sul, Egito e Nigéria, com cerca de 47% do PIB africano.

Os investimentos diretos estrangeiros (IDE)


As empresas transnacionais realizam operações financeiras para adquirir empresas ou implantar filiais em diversos países do mundo. Essas operações são chamadas de investimen tos diretos estrangeiros (IDE). A análise dos IDE indica quanto um país está inserido no processo de globalização.
Na África, esses investimentos, dirigidos prioritariamente para o setor extrativo mineral – mesmo na África do Sul e no Egito com economias diversificadas –, são modestos se comparados aos dos outros continentes, exceto à Oceania. Em 2020, os países mais contemplados com IDE foram: Egito, Congo, África do Sul, Nigéria, Etiópia e Moçambique.

Aspectos culturais


Inicialmente, é necessário refutar a imagem preconceituosa que ain da perdura na mente de muitas pessoas: a de que a África é habitada por povos atrasados e que sua cultura é pobre. Não existe uma África, mas várias. Trata-se de um continente com países, etnias e culturas diversos, um mosaico de povos com conhecimentos filosóficos, tecnologias próprias, tradições particulares e ricas manifestações artísticas na música, arquitetura, escultura, dança, poesia e literatura oral – elementos que o colonialismo tentou apagar.
Os colonizadores procuraram romper os laços que ligam os povos africanos às suas tradições e ao passado. Fecharam escolas, lançaram à destruição objetos e locais de culto e implantaram uma educação colo nial a serviço da conquista, como instrumento de dominação. Por outro lado, introduziram instituições políticas e tecnologias desconhecidas pelos africanos e receberam destes vários conhecimen tos sobre o meio físico da África e uma rica cultura de tradição oral. Após 1930, a literatura escrita africana teve um grande avanço. A ampliação da educação letrada, da alfabetização e de cursos universitários estimulou a produção literária de vários escritores africanos, que, em suas obras, expõem sua visão de mundo, muitas vezes questionando as relações entre o colonizador e o colonizado.

3- Ciência, tecnologia e trabalho


A Revolução Técnico-Científico-Informacional ocorrida nos últimos anos beneficiou os países africanos, assim como a outros do mundo. Con tudo, por outro lado, os países da África sofreram impacto quanto à neces sidade da formação de mão de obra para lidar com as novas tecnologias.
Na África, com apoio dos Estados africanos, do Banco Mundial e de empresas, tem havido investimentos em universidades não somente para a formação de recursos humanos, mas também para pesquisas vol tadas a várias áreas do conhecimento.
Em 2016, cerca de 370 milhões de dólares foram investidos em startups (empresas em fase inicial que desenvolvem produtos ou serviços ino vadores, com potencial de rápido crescimento) de tecnologia na África. Em Gana, cerca de 200 mil agricultores são usuários de um sistema de consulta telefônica que dispõe, em tempo real, de informações sobre o clima e o preço das safras, e 250 mil são associados a um aplicativo que aluga temporariamente tratores. Em Uganda, onde quase 80% da popu lação não tem acesso à eletricidade, há startups que extraem energia da biomassa para amenizar o problema.
Próximo a Nairóbi, no Quênia, está em construção a cidade tecno lógica de Konza. Também conhecida como a “Savana do Silício”, sua implantação objetiva atrair empresas do setor de informação, comuni cação e tecnologia, investir na educação para qualificar e capacitar mão de obra local e incentivar pesquisa e desenvolvimento. Tanto no meio urbano africano como no rural, houve alterações nos ti pos de trabalho motivadas pelo surgimento de novas tecnologias, como, aliás, em todo o mundo. A formação científica e tecnológica se tornou um capital muito importante não somente para quem o possui, mas para todo país que busca seu desenvolvimento econômico e social.

4- Atuação das organizações internacionais mundiais e regionais na África


Além da atuação da ONU na África por meio de suas forças de paz, do trabalho da Unicef em prol das crianças, da FAO com programas para o desenvolvimento da agricultura e assistência alimentar, da Unesco com programas educacionais e proteção da rica cultura africana e de outros órgãos e agências, cumpre destacar as organizações internacionais regionais.

Organizações internacionais regionais


Os Estados africanos, a exemplo do que existe na América e em outros continentes, uniram-se e formaram associações entre si: as organizações internacionais regionais, como é o caso da União Africa na (UA). Essa organização foi criada em 2002, em substituição à antiga Organização da Unidade Africa na. Seus objetivos são: mediação de conflitos, defesa da democracia, modernização das instituições políticas, defesa dos direitos humanos, além de outros.
Com exceção do Marrocos, todos os países africanos são membros da UA, que reconhe ce o desejo de independência do Saara Ocidental, o que não é aceito pelo governo marroquino, que tem o domínio sobre ele.







AMÉRICA: ORGANISMOS DE INTEGRAÇÃO

Os organismos de integração internacional têm como objetivo incentivar o intercâmbio cultural, político e econômico entre nações. Há diverso...