No século XV, a Europa viveu um período de transição entre o feudalismo e o capitalismo comercial. Portugal e Espanha tornaram-se as primeiras nações europeias a navegar pelo oceano Atlântico. Elas se lançaram ao mar em busca de novas rotas marítimas que as levassem ao Oriente e a outros lugares, a fim de explorar riquezas e expandir o comércio de seus produtos. Tal processo ficou conhecido como Grandes Navegações.
Destacamos alguns dos principais objetivos das Grandes Navegações:
- a procura por novas rotas para o comércio das especiarias do Oriente, como pimenta-do-reino, noz-moscada, cravo, canela e gengibre, visto que as rotas terrestres estavam bloqueadas pela ocupação muçulmana da cidade de Constantinopla (atual Istambul, na Turquia);
- a busca por metais preciosos, como ouro e prata, com os quais os monarcas pretendiam cunhar moedas.
Com a expansão comercial, foram desco bertas novas terras e novos povos, dando início, então, a um processo de colonização e dominação do mundo pelas nações europeias. As consequências disso foram inúmeros conflitos territoriais entre os colonizadores e os povos que habitavam a região. Os continentes afri cano e americano vivenciaram intensa atividade colonizadora e exploradora nesse período. Portugueses e espanhóis – assim como britânicos e franceses nos séculos XVIII e XIX –, ao encontrarem novos territórios, os quais ofere ciam os recursos que buscavam, deparavam-se com civilizações que já dominavam essas regiões e lutavam para mantê-las e continuar vivendo ali.
A COLONIZAÇÃO NA AMÉRICA
No capitalismo comercial, o papel das novas colônias era fornecer mercadorias a serem comer
cializadas por suas respectivas nações europeias em suas metrópoles, como Portugal, Espanha,
Holanda, Inglaterra e França. Para fazer a distribuição delas, foram criados entrepostos comerciais
em todo o mundo, em um sistema que inaugurou uma organização econômica mundial. Esses
entrepostos foram denominados de feitorias.
O avanço das conquistas europeias no continente americano, tanto na América do Norte
quanto na América do Sul, teve como fatores principais um movimento político estimulado e
financiado pelas coroas europeias e a propagação da fé cristã. Os primeiros a conseguir foram os
espanhóis, representados por Cristóvão Colombo (1451-1506), que chegou ao Caribe em 1492.
Já os portugueses tinham experiências bem-sucedidas nas costas leste e oeste da África
(Moçambique e Angola). O sistema colonial já estava consolidado com base no domínio desses
territórios e dos portos costeiros, que estabeleciam relações entre as colônias africanas.
Um
traço muito característico da colonização da América foi o trabalho escravizado. Em um primeiro
momento, os indígenas foram submetidos a trabalhos forçados; depois, os africanos, que tiveram
seus conhecimentos técnicos e sua força de trabalho explorados em grandes plantações e na
extração de minérios.
Os interesses econômicos na colonização da América
O interesse dos europeus no continente americano era, a princípio, a exploração dos recursos
naturais, principalmente ouro e prata. No entanto, acabaram descobrindo novas áreas de cultivo
para culturas, como a de cana-de-açúcar, e novos produtos, como o tabaco, além de áreas para
a pecuária.
O processo de conquista na América se deu em um violento embate entre potências econômicas e bélicas da Europa e os povos que aqui viviam, os quais lutavam para manter os seus
territórios. As disputas territoriais eram constantes; os embates entre as comunidades indígenas e
os colonizadores, além das epidemias trazidas pelos portugueses, resultaram na morte de milhares
de indígenas que ocupavam aquela região.
A colonização da América inglesa
Muitos ingleses imigraram para a América do Norte, criando colônias ao longo da costa
leste entre o final do século XVI e o início do século XVII. O projeto de ocupação dos ingleses
iniciou-se com a atividade de caçadores e mercenários pertencentes à Companhia Virgínia de
Londres (1606) – que fundou Chesapeake e as colônias do Sul – e à Companhia de Plymouth
(1609) – origem da Nova Inglaterra.
À medida que os britânicos prosperavam e expandiam seus territórios nas planícies costeiras,
fundando portos e negociando peles e carnes, mais ingleses chegavam ao novo continente com
suas famílias, incentivados pela chance de prosperidade na nova terra.
As colonizações do Norte (Nova Inglaterra) e do Sul não ocorreram da mesma forma. Na
primeira, usavam mão de obra livre, e a propriedade das terras pertencia aos colonos. Na segunda,
a economia era baseada no plantio de tabaco e no trabalho escravizado, mais semelhante à lógica
colonizadora da América Latina.
Como resultado, na América Anglo-Saxônica, estabeleceu-se o comércio triangular, que
envolvia a colônia americana, a metrópole europeia e a costa africana. A colônia era responsável
pelo envio de matéria-prima, como açúcar, arroz,
tabaco etc. A metrópole
britânica enviava produtos
manufaturados e trocava
produtos por mão de obra
escravizada vinda da costa
africana.
Entre os séculos XVII e XVIII, a população da Nova Inglaterra era constituída de camponeses
expulsos da Europa, de protestantes condenados que fugiam e de renegados pela justiça.
Os
produtos obtidos com as atividades pesqueira e manufatureira, assim como os produtos de cultivo
(por exemplo, alfafa, trigo e centeio), não despertavam o interesse da metrópole, pois também
eram produzidos na Inglaterra. Assim, a falta de produtos tropicais lucrativos para os comerciantes
ingleses propiciou uma relativa autonomia econômica dessas colônias e a gênese de uma estrutura
social estadunidense.
O COLONIALISMO ESPANHOL NA AMÉRICA
Os territórios que foram alvo da colonização espanhola iam do oeste dos Estados Unidos até
os países da América Central e até a costa oeste do continente sul-americano.
Inicialmente, os espanhóis organizaram um sistema de saque; depois, passaram a explorar as
jazidas minerais na América Andina e no México. Para isso, desestruturaram politicamente socie
dades pré-colombianas, como os impérios Inca e Asteca, e escravizaram a população, usando-a
como mão de obra na mineração, formando uma rede de circulação de mercadorias para a Coroa
espanhola.
Todas as riquezas exploradas
pela Coroa espanhola eram levadas
diretamente à Espanha, diferente
mente da América Anglo-Saxônica – cuja produção ia para os portos
africanos para compra de escravizados. Essa rota é conhecida como
porto único. Para escoar a produção dos territórios localizados mais
no interior do continente, os colonizadores utilizavam os rios e demais
cursos-d’água.
Usando o trabalho escravizado
dos indígenas, eles formaram uma
rede de circulação de mercadorias
monopolizada pela Coroa, o que
garantia à Espanha direitos exclusivos sobre a América espanhola.
Essa rede de circulação contava
com o curso natural de rios e com
os sistemas de portos únicos – a
Espanha era o único destino das
riquezas embarcadas.
O monopólio da Coroa inibia
o desenvolvimento de outras ativi
dades na colônia, impossibilitando a
formação e o crescimento de uma
economia própria que reunisse todos
os vice-reinos espanhóis da América.
Assim como no processo de colonização por parte da Coroa portuguesa, os povos tradicionais
que habitavam o México, as ilhas centrais e os Andes foram dizimados por causa dos intensos
conflitos com os colonizadores e pelas doenças trazidas nos navios, as quais resultavam em epi
demias. Os territórios asteca e inca foram tomados pelos colonizadores e a população originária já não existe mais.
O COLONIALISMO PORTUGUÊS NA AMÉRICA
Uma das estratégias de Portugal
para ocupar as terras sob seu domínio
foi a transferência de grandes pro
priedades, chamadas de capitanias
hereditárias, a pessoas que se
comprometiam a ocupar, explorar
e administrar o território. Assim, os
portugueses garantiam a ocupação
das terras, ao mesmo tempo que as
protegiam das invasões de outros
povos europeus e de piratas. Os
custos dos empreendimentos coloniais foram, desse modo, transferidos
para particulares.
A divisão das terras em capita
nias hereditárias configurou uma
forma de organização territorial
do período colonial. Para estimular
a ocupação do território, a Coroa
portuguesa autorizou os donatários
a doar grandes extensões de terras
(chamadas de sesmarias) para quem
quisesse cultivá-las.
Inicialmente, a ocupação das
terras se concentrou no litoral, onde
exploravam ouro, pau-brasil e tabaco.
Com as ameaças de invasão do território pelo domínio espanhol, a Coroa
portuguesa iniciou o processo de
interiorização. Nesse período, missio
nários jesuítas e bandeirantes eram
enviados para as expedições rumo ao
interior do território.
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