Vários fatores podem influenciar as características do clima de uma região. No continente americano, tanto a latitude e a altitude quanto o relevo e as correntes marítimas são os fatores que mais exercem influência nos diversos tipos climáticos e, consequentemente, nas variadas formações vegetais.
O clima e as formações vegetais
Por causa de sua grande extensão no sentido norte-sul, o continente americano abrange diferentes latitudes, posição geográfica que favorece a existência de variados tipos climáticos. Nas baixas latitudes, próximas à linha do Equador, ocorre maior inci dência da radiação solar e, por isso, há predomínio de climas mais quentes e úmidos, como os climas equatorial e tropical. Nessas áreas também é comum a ocorrência de furacões.
Clima equatorial
Nas áreas de clima equatorial, as temperaturas permanecem elevadas durante o ano todo, ficando, em ge ral, acima de 25 °C. As precipitações, também abundantes ao longo do ano, atingem totais pluviométricos de apro ximadamente 3 mil milímetros (mm). Nessas áreas de clima equatorial des taca-se, sobretudo na América do Sul, a floresta Equatorial. Por ser muito densa e ampla, essa formação vegetal influencia o elevado regime de pluvio sidade da região.
Clima tropical
As regiões de clima tropical, localizadas principalmente na América do Sul, apresen tam temperaturas médias elevadas durante o ano todo, normalmente acima de 22 °C; no entanto, apresentam variados níveis de precipitações ao longo do ano, com uma estação chuvosa e outra seca. De modo geral, as precipitações anuais costumam atingir aproximadamente 1400 mm.
Nessas áreas ocorrem diversas formações vegetais, entre elas a savana, que no Brasil é denomi nada Cerrado, vegetação forma da, principalmente, por pequenas árvores e arbustos com tronco e galhos retorcidos e casca grossa, além de vários tipos de plantas rasteiras que recobrem o solo.
Na América Central e na costa do Brasil, também encontramos florestas tropicais, que estão sob forte influência das massas de ar quentes e úmidas vindas do oceano Atlântico. As serras existentes nessas regiões barram a passagem dos ventos úmidos, que, ao se elevarem, resfriam-se e precipitam-se, dando origem às chamadas chuvas orográficas ou chuvas de relevo.
Climas temperado e subtropical
Nas médias latitudes, ou seja, nas regiões situadas entre os trópicos e os círculos polares, há predomínio dos climas temperado e subtropical. De modo geral, as áreas de clima temperado apresentam as quatro estações do ano bem definidas, com tem peraturas amenas no outono e na primavera, verões quentes e invernos frios, com frequente ocorrência de neve.
Na América do Norte, as áreas de clima temperado abrigam as pradarias, compostas basicamente de plantas herbáceas, arbustos e gramíneas, assim como florestas tempera das, que se destacam pela presença de plan tas que perdem as folhas durante o outono e o inverno, chamadas de caducifólias.
Nas áreas onde predomina o clima sub tropical, as temperaturas ao longo do ano normalmente são mais amenas se compa radas às do clima temperado, com chuvas durante a maior parte do ano.
Na América do Sul, nessas áreas onde predomina o clima subtropical, há presen ça de araucárias (pinheiros) nos estados da Região Sul do Brasil, e de pradarias na Argentina, no Uruguai e no estado do Rio Grande do Sul (área regionalmente denomi nada Pampas).
Climas frio e polar
Nas elevadas latitudes, onde há menor incidência de radiação solar, predominam climas com baixas temperaturas, como os climas polar e frio.
Nas áreas de clima polar, localizadas nos extremo norte do continente, os inver nos costumam apresentar temperaturas muito baixas, muitas vezes abaixo de -19 °C, e os verões são mais amenos, com temperaturas em torno de 10 °C. Nessas áreas nota-se a predominância da tundra, vegetação formada por musgos e liquens, que se desenvolvem nos curtos períodos de verão, após o derretimento da neve.
Também nas elevadas lati tudes estão localizadas as áreas de clima frio, em que as temperaturas médias no in verno são de aproximadamen te -3 °C, e no verão ficam em torno de 10 °C. Nas áreas lo calizadas em uma ampla faixa no Canadá e parte dos Esta dos Unidos, desenvolve-se a floresta de coníferas, também conhecida como floresta bo real ou taiga, que apresenta aspecto homogêneo com pre domínio de pinheiros.
Clima frio de montanha
Nas áreas montanhosas do oeste do continente, como nos Andes e nas Montanhas Rochosas, predomina o clima frio de mon tanha. De modo geral, a tempe ratura da atmosfera diminui, em média, 0,6 °C a cada 100 metros de altitude. Assim, nos terrenos com maiores altitudes, o cume das montanhas mais altas chega a ficar permanentemente cober to de neve e gelo.
De acordo com a altitude do relevo, a variação na temperatura do ar provoca mudanças significativas na vegetação. Em geral, nas áreas mais baixas desenvolvem--se florestas, e nas áreas mais altas ocorre uma vegetação mais rasteira, denominada vegetação de altitude.
Clima desértico e semiárido
O relevo pode influenciar o clima de determinada área ao dificultar ou facilitar a circulação das grandes massas de ar.
As elevadas cadeias montanhosas do oeste do continente americano determinam a existência de áreas de clima desértico e semiárido nessa região. As massas de ar quentes e úmidas vindas do oceano Pacífico são barradas pelas cadeias de monta nhas norte-americanas. Perdendo a umidade na forma de chuvas próximas ao litoral, as massas de ar chegam ao interior do continente com baixa umidade.
Isso explica a presença de áreas com formações vegetais desérticas e semiáridas, nas quais as plantas são adaptadas aos baixos níveis de pluviosidade ao longo do ano.
As áreas sob domínio de clima desértico apresentam grande amplitude térmica, diária e anual. As médias de temperatura podem variar bastante, entre 30 °C e 8 °C ao longo do ano. Já as médias térmicas diárias variam de 38 °C, durante o dia, passando para cerca de -4 °C, à noite, queda que ocorre rapidamente. As precipita ções não ultrapassam 250 mm ao ano.
As áreas de clima semiárido têm temperaturas com médias de 26 °C praticamente o ano todo, com totais de precipitação maiores do que nas regiões de clima desér tico (de 500 mm a 1000 mm de chuvas por ano).
Na Região Nordeste do Brasil, as características do relevo também influenciam bastante os baixos índices de precipitação. As altitudes mais elevadas ao longo da faixa litorânea funcionam como uma barreira aos ventos úmidos do litoral, o que determina a presença do clima semiárido.
Clima, recursos hídricos e gestão da água
A presença humana em grandes desertos do planeta quase sempre foi limitada pela falta de água desses locais. De fato, o recurso hídrico é extremamente escasso em regiões secas e áridas.
Contudo, o problema da baixa disponibilidade de água em algumas dessas regiões tem sido superado por meio da utilização de técnicas de irrigação, que abastece a po pulação e garante o desenvolvimento das mais diversas atividades.
Um exemplo emblemático do uso de técnicas de irrigação pode ser observado no deserto de Sonora, no estado da Califórnia, localizado na porção sudoeste dos Estados Unidos. Esse deserto é uma das regiões mais áridas do território estaduni dense, com pluviosidade anual de aproximadamente 250 mm (milímetros).
Sua paisagem começou a ser transformada na década de 1930, com a implantação de um projeto de irrigação que desviou parte das águas do rio Colorado até o deserto. Com isso, grandes áreas desérticas foram ocupadas por uma agricultura altamente moderna e muito produtiva, modificando completamente a paisagem.
Apesar de o aproveitamento das águas do rio Colorado abastecer milhões de pessoas e contribuir com o desenvolvimento de uma agricultura próspera, sua ex ploração tem gerado conflitos relacionados ao controle e à gestão dessas águas. Tais conflitos se agravaram nos últimos anos em decorrência de secas históricas que atin giram a região. Em algumas cidades, os habitantes já tiveram de reduzir o consumo de água ou passaram a adotar o racionamento.
Preocupados com a diminuição do nível das águas, ambientalistas e pescadores estão se opondo à abertura de novos poços e conseguindo proibir a irrigação nas áreas em que a situação é mais crítica. Para piorar a situação, estudos indicam que, ao longo das próximas décadas, o rio Colorado poderá perder boa parte de suas águas em razão das mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global.
A influência das correntes marítimas no deserto do Atacama
As correntes marítimas exercem forte influência nos climas de diversas regiões do planeta. Isso porque elas podem alterar a umidade e a temperatura das mas sas de ar que circulam pela atmosfera.
Um dos fatores que explicam a presença de áreas de deserto na costa oeste da América do Sul, como a do Atacama, que abrange o norte do Chile e o sul do Peru, é a influência da corrente marítima fria do Peru (ou de Humboldt), que torna frias e secas as massas de ar que seguem em direção ao Atacama. A Re gião da Patagônia, localizada tanto no sul do Chile quanto da Argentina, também recebe forte influência das correntes marítimas frias que circulam pelas regiões mais próximas.
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