Os processos exógenos que atuam na superfície terrestre são movidos pela energia solar, por meio da atmosfera, e agem na modelagem do relevo. A origem dos tipos de relevo é marcada pela relação entre os processos de formação geológicos (como tectônica de placas, composição das rochas e vulcanismo) e as variações climáticas que atuam nas paisagens terrestres (incidência solar, umidade e precipitação, altitude, temperatura, pressão e circulação dos ventos). Isso significa que as formas do relevo resultam de processos ocorridos no interior da crosta terrestre e na litosfera, assim como da ação dos processos atmosféricos (intemperismo e erosão).
De forma geral, distinguem-se três grandes grupos no relevo da América: a oeste, as formações montanhosas, como as cordilheiras; ao longo da costa ocidental e em áreas centrais, as planícies e as depressões; e a leste, os planaltos.
Estrutura geológica da América
A atuação dos agentes internos e externos contribuiu para a formação de um relevo diversificado e de rara beleza na América.
Na América estão presentes os três tipos de estrutura geológica: maciços antigos (ou escudos cristalinos), bacias sedimentares e dobramentos modernos. Essas estruturas são caracterizadas pelos tipos de rochas predominantes, por seu processo de formação e por sua idade geológica.
Os dobramentos modernos apresentam rochas menos rígidas, em trechos da crosta terrestre de formação recente e localizados perto de zonas de contato entre as placas tectônicas. Como você pôde verificar no início deste capítulo, esse proces so de choque entre as placas ocorreu há aproximadamente 70 milhões de anos e participou da formação da cordilheira dos Andes, na América do Sul, e das Montanhas Rochosas, na América do Norte, além de outras unidades montanhosas de relevo.
Devido à pressão de uma placa sobre outra, ocorre a formação de dobramen tos, num processo lento e contínuo que origina as cordilheiras.
Os maciços antigos são terrenos que se formaram há muito tempo. Em al guns deles encontram-se minerais metálicos, como ferro, ouro, manganês, prata, cobre, bauxita e estanho.
As bacias sedimentares resultam do acúmulo de sedimentos provenientes do desgaste das rochas e de organismos vegetais e animais. Delas são extraídos recursos energéticos, como o petróleo, o gás natural e o carvão mineral.
A exploração de recursos minerais ocorre tanto nos terrenos dos maciços antigos quanto nas áreas das bacias sedimentares, em diversos trechos do con tinente americano.
As placas tectônicas da América
A crosta terrestre pode ser grosseiramente comparada a uma casca de ovo rachada em doze pedaços. Cada grande pedaço corresponde a uma placa tectô nica, ou litosférica. Essas placas flutuam e se movimentam continuamente sobre um manto de magma pastoso, provocando choque ou separação entre elas. As regiões do globo mais sujeitas a terremotos de grande intensidade são aquelas onde as placas tectônicas se chocam umas contra as outras.
Devido à sua grande extensão, o continente americano possui áreas situadas próximo às zonas de contato entre as placas tectônicas e em sua porção central. Trechos do Caribe e praticamente toda a costa ocidental do continente americano estão sujeitos a terremotos. Na porção norte, a placa Norte-Americana se choca com a do Pacífico e, na porção sul, a placa Sul-Ameri cana se choca com a de Nazca.
A placa Sul-Americana se movimenta de leste para oeste, enquanto a placa de Nazca se movimenta no sentido contrário, de oeste para leste. No choque entre elas, a placa Sul-Americana se sobrepôs à placa de Nazca, e o resultado foi a formação da cordilheira dos Andes, há cerca de 70 milhões de anos. É o atrito entre essas duas placas sobrepostas que provoca os terremotos na região dos Andes.
Desse atrito resultou uma imensa falha geológi ca na costa oeste dos Estados Unidos, chamada de falha de San Andreas, que corta a Califórnia no senti do norte-sul. A tensão na falha é gigantesca e, quan do acontece um deslocamento de uma das camadas da falha, os terremotos são percebidos. Às vezes, o deslocamento é violento, como aconteceu em 1906, quando um terremoto provocou grandes estragos em São Francisco.
As unidades de relevo da América
A América do Norte e a América do Sul apresentam semelhanças quanto à dis
posição das suas formas de relevo. Nessas duas grandes porções territoriais do con
tinente americano são encontradas, no sentido oeste-leste, três grandes unidades
de relevo: as grandes cadeias de montanhas, as planícies centrais e os planaltos.
As grandes cadeias montanhosas do oeste, de formação geológica recente,
estendem-se do Alasca (América do Norte) ao sul do Chile (América do Sul).
Nos Estados Unidos e no Canadá, o conjunto de cadeias montanhosas do oes
te é formado pelas cadeias da Costa, pela serra Nevada, pela serra das Cascatas e
pelas Montanhas Rochosas.
Na América do Sul, as montanhas recebem o nome de
cordilheira dos Andes.
No México, o prolongamento das Montanhas Rochosas forma a serra Madre
Oriental e o prolongamento das cadeias da Costa forma a serra Madre Ocidental.
As cadeias da Costa acompanham o litoral do
oceano Pacífico desde o Alasca até o México. Nessas
cadeias se encontra o ponto culminante do relevo da
América do Norte, o monte McKinley (Alasca), com
6.187 metros de altitude. A serra Nevada, localizada
nos Estados Unidos, está alinhada paralelamente às
cadeias da Costa. Ao norte, a serra Nevada recebe o
nome de serra das Cascatas e se estende até o terri
tório canadense. As Montanhas Rochosas,
formações montanhosas mais expressivas da Améri
ca do Norte, localizam-se numa porção interior desse
subcontinente e se estendem até o Alasca.
Entre a serra Nevada e as Montanhas Rochosas
encontram-se alguns planaltos, como o de Colúmbia,
o da Grande Bacia — onde estão localizados o grande
lago Salgado e o vale da Morte (83 metros abaixo do
nível do mar – depressão absoluta) — e o do Colorado, que se estende para o sul, formando o planalto
Central Mexicano.
Entre a serra Nevada e as cadeias da Costa localiza-se uma depressão alon
gada (sentido norte-sul), o vale da Califórnia, que se tornou uma importante área
agrícola dos Estados Unidos, graças ao sistema de irrigação, muito importante para viabilizar o cultivo em locais onde há escassez ou chuvas irregulares.
No planalto do Colorado, no estado do Arizona, localiza-se o Grand Canyon,
profundo vale aberto pela ação erosiva do rio Colorado ao longo de milhões de
anos.
Os planaltos do México da América Central
Entre a serra Madre Oriental (próxima ao Atlântico) e a serra Madre Ociden
tal (próxima ao Pacífico) estão localizados os planaltos elevados do México. No
norte do país, encontra-se o planalto Chihuahua e, no sul, o planalto de Anáhuac,
onde se desenvolveu a civilização asteca e foi fundada a Cidade do México, núcleo
inicial da ocupação espanhola.
Na parte ístmica da América Central situam-se planaltos elevados, localiza
dos entre as planícies costeiras do Atlântico e as montanhas do oeste.
A cordilheira dos Andes e os planaltos da América do Sul
A cordilheira dos Andes se estende da Venezuela até o extremo sul do Chile
e possui aproximadamente 7.500 quilômetros de extensão e 300 quilômetros
de largura.
Em alguns trechos, os
Andes são formados por duas
ou três cadeias paralelas,
entre as quais despontam
vastos planaltos elevados,
denominados altiplanos,
como os da Bolívia, do Peru
e do Chile, onde se destaca a
criação de lhamas e alpacas. No altiplano boliviano,
a cerca de 3.700 metros de
altitude, localiza-se a cidade
de La Paz, capital da Bolívia.
As planícies centrais
A porção central da América do Norte e da América do Sul é formada por extensas planícies, em geral atravessadas por grandes rios.
Na América do Norte encontram-se:
- a planície do rio São Lourenço, que acompanha o vale desse rio desde a re
gião dos Grandes Lagos até o oceano Atlântico. Essa planície corresponde à
área mais povoada do Canadá e possui grande expressão econômica;
- as Prairies (Pradarias), próximo aos Grandes Lagos, que, graças à topografia plana dessa região,
correspondem a uma área intensamente cultiva
da com o favorecimento da agricultura mecaniza
da, onde se destaca a cultura do trigo;
- a planície central dos Estados Unidos, atravessada
por diversos rios, entre eles o Mississípi e o Missouri, onde também se desenvolve intensa atividade
agrícola, destacando-se o trigo, o milho e o algodão.
Na América Central ístmica, as planícies são mais
amplas a leste, junto ao mar do Caribe.
Essa região é a
menos povoada.
Na América do Sul destacam-se três planícies:
• a planície do rio Orinoco, situada entre os Andes
e os planaltos residuais Norte-Amazônicos, ocu
pando, em maior parte, o território venezuelano.
Apresenta vegetação de Savana, conhecida como
Lhanos, onde se desenvolve a criação de bovinos;
• a planície Amazônica, que acompanha o rio Ama
zonas e se caracteriza por intenso processo de
sedimentação;
• a planície Platina, que ocupa terras do Brasil, da
Bolívia, do Paraguai, do Uruguai e da Argentina, e
é atravessada por vários rios, como o Paraguai e o
Paraná. Este último, depois de um trecho, ao aden
trar em território argentino, passa a se chamar rio
da Prata. Essa planície se subdivide nas planícies
do Chaco, do Pantanal e do Pampa. O Pantanal, apesar de ser o bioma que, proporcio
nalmente, foi o menos devastado no Brasil, sofre
as ameaças da exploração de recursos, como a
atividade mineradora (que polui os rios), a pesca
predatória e a expansão agrícola em suas bordas.
No caso do Pampa, ocorre o fenômeno da areni
zação, provocado por fatores naturais, mas agra
vado pela intensificação da agricultura da soja na
região, levando à formação de areais, no sudoeste
do Rio Grande do Sul.
Os planaltos da porção oriental
A parte leste, ou oriental, do continente americano é composta de extensos
planaltos que, pela antiguidade de sua formação, são bastante desgastados,
apresentando formas mais arredondadas e com altitudes mais modestas do que
aquelas encontradas no oeste.
Entre os planaltos da América do Norte destacam-se:
• o planalto Canadense, que tem a forma de uma grande ferradura voltada
para a baía de Hudson;
• os montes Apalaches, onde se encontra o monte Mitchell, com 2.027 me
tros, situado no estado da Carolina do Norte.
Na América do Sul, os planaltos mais importantes são:
• os planaltos e serras do Atlântico-Leste-Sudeste, no Brasil;
• o planalto da Patagônia, no extremo sul do continente.
Nessas formações mais antigas encontram-se muitos recursos minerais,
como o ferro e o manganês, que são intensamente explorados no Canadá e no Brasil (serra do Espinhaço). Nos Apalaches, desenvolve-se uma importante atividade
extrativa, cujo produto mais abundante é o carvão, obtido com relativa facilidade
em minas a céu aberto devido à sua ocorrência próximo à superfície. Essa característica barateia o custo de extração, em comparação com as minas subterrâneas.
No Brasil, a prática da atividade agrícola nessas áreas está condicionada à
utilização de técnicas que favorecem o cultivo em encostas, como o terraceamen
to, que minimiza os impactos do processo erosivo e permite o acúmulo de água
nos terraços, irrigando a plantação. Essa técnica consiste na construção de ter
raços de aproximadamente 1,5 metro, que permitem a circulação de tratores de
pequeno porte para a manutenção do cultivo e para a colheita.
Nenhum comentário:
Postar um comentário