A América Latina concentra
aproximadamente um terço das
reservas de água doce disponíveis no
planeta e abriga três das maiores bacias hidrográficas do mundo: a bacia
do Amazonas, a bacia Platina e a
bacia do Orinoco.
Com a existência de rios extensos e volumosos, a América Latina apresenta grande potencial em recursos hídricos. A distribuição geográfica desses recursos, no entanto, ocorre de maneira desigual na região, o que se explica, principalmente, pelas diferenças climáticas.
As grandes bacias hidrográficas localizadas na América do Sul, como a do rio Amazonas e a do rio Orinoco (na Venezuela), assim como a do rio da Prata, por exemplo, apresentam grande potencial econômico e são aproveitadas para a navegação fluvial, a geração de energia, a irrigação de lavouras e o abastecimento da população.
Por outro lado, algumas áreas de clima árido e semiárido da região, como o de serto do Atacama, localizado entre o norte do Chile e o Peru, assim como o Sertão nordestino brasileiro são marcados pela escassez de água e insuficiência de recursos hídricos.
Bacia Platina
Localizada na porção sul da
América do Sul, inclui áreas dos ter
ritórios da Argentina, do Paraguai,
do Uruguai, do Brasil e da Bolívia. É
a segunda maior bacia hidrográfica
da América Latina e a quarta maior
do mundo.
Os rios principais são o Paraná,
o Paraguai e o Uruguai, que, ao se
unirem, formam o Rio da Prata.
Suas águas são aproveitadas para
diversas finalidades, como abaste
cimento da população, produção
de energia hidrelétrica, irrigação,
navegação e pesca.
O Rio Paraná é o mais extenso e importante da bacia Platina. Apresenta grande potencial
hidrelétrico no trecho brasileiro e boa navegabilidade no trecho argentino.
O Rio Paraguai destaca-se, principalmente, pela navegabilidade. Um projeto envolvendo os
governos da Argentina, da Bolívia, do Brasil, do Paraguai e do Uruguai prevê melhorar e aumentar
a navegação, realizando um conjunto de obras na hidrovia Paraná-Paraguai.
Já o Rio Uruguai caracteriza-se pelo bom potencial hidráulico, além de contar com trechos
navegáveis em seu curso.
Bacia do Amazonas
Localizada na América do Sul, a bacia do Amazonas cobre cerca de 45% do território
brasileiro e inclui áreas do Peru, da Bolívia, da Colômbia, do Equador, da Venezuela e da Guiana.
O rio principal é o Amazonas, propício à navegação de embarcações de grande porte.
Além disso, os rios dessa bacia possuem grande volume de água, somando 70% do potencial
hidrelétrico a ser aproveitado nos próximos anos.
No entanto, a instalação de hidrelétricas provoca impactos socioambientais. A perspectiva
de construção de novas usinas tem aumentado os movimentos de resistência de ambienta
listas, indígenas, comunidades ribeirinhas e organizações não governamentais (ONGs).
Os aquíferos
Além dos extensos e volumosos cursos d’água que compõem as grandes bacias hidrográficas, várias áreas da região são privilegiadas pela existência de gigantescos mananciais subterrâneos, os chamados aquíferos.
Um dos maiores aquíferos, o Guarani, ocupa uma área de aproximadamente 1,2 milhão de quilômetros quadrados, com a maior parte localizada no território brasileiro, abrangendo também porção considerável na Argentina, no Uruguai e no Paraguai. Suas águas são de excelente qualidade e podem ser exploradas pela perfuração de poços profundos. O Brasil responde por mais de 90% de toda a água explorada desse aquífero, que tem como principal destino o abastecimento de cidades.
O uso e a degradação dos mananciais
Os países da América Latina enfrentam sérios desafios relacionados ao uso e à conservação dos recursos hídricos. Vários fatores podem ser apontados como causas de problemas que comprometem a disponibilidade de água em várias partes da região. A contaminação das fontes hídricas, causada pela descarga de poluentes urbanos, como esgotos domésticos e industriais, agrotóxicos, resíduos de atividades minera doras, entre outras, tem afetado a qualidade das águas a ponto de impossibilitar seu aproveitamento. Por outro lado, as mudanças climáticas estão reduzindo o volume de água disponível, decorrência da irregularidade e redução do volume de chuvas.
A gestão da água
Na rede hidrográfica da América Latina, é comum a presença de extensos rios e aquíferos que atravessam as fronteiras de vários países. Por isso, a exploração racional e adequada dos recursos hídricos na região tem exigido a adoção de ações e políticas conjuntas de diferentes governos. Veja alguns exemplos de como isso vem ocorrendo:
• um comitê formado por representantes de cinco países (Brasil, Argentina, Uru guai, Paraguai e Bolívia) promove ações voltadas para o estudo dos recursos naturais da bacia do rio da Prata;
• com o apoio da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), países drenados pela bacia Amazônica, entre eles o Brasil, promovem projetos para a exploração comparti lhada e sustentável das águas;
• projetos apoiados e financiados por organismos internacionais vêm sendo im plantados no Brasil, na Argentina, no Paraguai e no Uruguai, com o objetivo de promover a exploração sustentável das águas do aquífero Guarani.
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