De modo geral, as questões ambientais na África são semelhantes às detecta das em outras partes do mundo e decorrentes tanto de fatores naturais como da atividade humana. No entanto, o contexto de extrema pobreza da população de alguns países agrava ainda mais essas questões no continente africano.
Problemas climáticos
Os problemas climáticos que atingem a África costumam se manifestar de duas maneiras distintas: na forma de secas severas, com consequente desertificação em áreas de degradação do solo, e na forma de chuvas torrenciais, com consequentes inundações. O processo de desertificação avança, especialmente, na porção sul do Deserto do Saara, na região semiárida conhecida como Sahel, que tem sofrido com o avanço gradual do deserto. A porção do continente que mais tem sentido o impacto decorrente de chuvas torrenciais nas últimas décadas é a África Oriental.
Questões energéticas
Em pleno século XXI, é preocupante constatar que, na África Subsaariana, cerca de 65% do total de energia gerada provém da biomassa. Enquanto a energia gerada pelas hidrelétricas e termelétricas se restringe, principalmente, ao abastecimento das cidades, em muitas áreas rurais do continente, a população depende, em larga medida, do uso de madeira e carvão vegetal para atender às suas demandas energéticas. Embora a madeira seja um recurso natural renovável, nesse caso, ela não provém de reflorestamento, mas da exploração excessiva de áreas florestais, agravando os problemas de desmatamento e degradação dos solos.
Desmatamento
A destruição das florestas e outros tipos de vegetação nativa vem afetando, principalmente, a ilha de Madagascar e os países das regiões da África Central e Oriental. Grande parte do problema advém das queimadas, das demandas energéticas por lenha e madeira e da superexploração florestal visando à exportação madeireira e à implantação de atividades agropecuárias.
Perda de biodiversidade
A desertificação e o desmatamento têm diminuído o hábitat natural de muitas espécies, contribuindo para reduzir a rica biodiversidade africana. Outro fator que agrava esse problema é a caça e o tráfico de espécies silvestres e exóticas. Tais atividades ilegais se destinam a abastecer o comércio ilícito de animais e itens, como chifres de rinoceronte e presas de marfim de elefantes, cobiçados em mercados de outros continentes.
A questão da água
O acesso, o uso e o consumo de água estão entre os maiores problemas ambientais da África. Apesar de grandes rios, aquíferos e, principalmente, lagos, a água está distribuída de maneira extremamente desigual pelas diferentes regiões africanas. Diversos países dependem do abastecimento de água proveniente de outras nações, em especial os que abrigam áreas de deserto, como Botsuana, Mauritânia, Níger e Sudão. As mudanças climáticas e a ocorrência de secas prolongadas têm tornado esse problema ainda mais grave.
A tendência é que a escassez desse recurso crie conflitos entre países por
onde correm volumosos rios. É o caso do Rio Nilo e de rios em países do centro
e do norte do continente africano.
Há anos a Etiópia vem se empenhando na construção da Grande Barragem
Renascença, que produzirá eletricidade por meio de uma usina hidrelétrica. No
entanto, o projeto é alvo de muita polêmica
entre os países vizinhos, pois, com sua implementação, as águas do Nilo Azul, um impor
tante afluente do Rio Nilo, serão represadas,
e principalmente o Egito e o Sudão veem ris
cos de comprometimento do fluxo da água.
No extremo sul do continente, na África
do Sul, a Cidade do Cabo enfrenta a maior
crise hídrica de sua história recente. Além
do crescimento exponencial da população e
da maior seca dos últimos anos, o desperdício de água e a má gestão dos recursos
hídricos estão na origem do estresse hídrico
da cidade.
Solos da África
A degradação dos solos constitui um dos mais graves problemas ecológicos que
o continente africano enfrenta. A erosão eólica e a progressiva desertificação,
unidas ao sistema comunal de propriedade da terra, à superexploração
agrícola de algumas regiões e aos métodos de cultivo rudimentares, formam
um conjunto de fatores que contribui para o processo de deterioração dos
solos, pobres em nutrientes, e para seu escasso rendimento agrícola.
Continente árido
Na África existem grandes extensões de terras desérticas (aridissolos e entissolos), escassas em matéria orgânica e pouco aptas para a agricultura. Na África Oriental há alguns redutos de terras muito férteis: os molissolos, também conhecidos como chernozems ou terra negra. No sul e no oeste destacam-se a produtividade dos alfissolos e dos podossolos.
250 milhões
de africanos vivem em solos
desérticos ou dependem deles
para a subsistência. Esse valor
equivale a aproximadamente
30% da população continental.
Os ultissolos e os oxissolos, que dominam boa parte do continente, são pouco aptos para a agricultura permanente, a menos que sejam enriquecidos com fertilizantes e nutrientes.
Um deserto que se expande
Do total das terras do continente africano, 46% estão submetidos a processos de desertificação. A degradação dos
solos, um problema
crescente na África,
tem deixado uma
marca irreparável em
aproximadamente
20% do território.
US$ 4 bilhões se perdem por ano em
nutrientes do solo na África
por causa de práticas
agrícolas inadequadas e
da desertificação.
EXPLOSÃO AGRÍCOLA
Nos últimos 30 anos, o importante crescimento da atividade
agropecuária na África contribuiu para a degradação dos
solos dedicados ao cultivo e à pecuária no continente.
A chamada Revolução Verde, que possibilitou o
espetacular incremento dos rendimentos agrícolas
na última metade do século XX, não chegou ao
continente africano.
Solos e desertificação
Desertificação é o processo de degradação dos solos, no qual há destruição
ou redução de sua produtividade biológica, ou seja, o solo torna-se infértil. É mais
comum em áreas onde predominam climas áridos e semiáridos, sendo resultado
de diversos fatores:
- desmatamento para diferentes fins, como construções e pastagens;
- mudanças nos hábitos alimentares das pessoas (o maior consumo de produtos de origem animal faz com que aumentem as áreas de pastagem e a pressão sobre o solo por causa do pisoteio do gado);
- aplicação de técnicas inadequadas e manejo do solo, como queimadas e arados;
- uso da água sem planejamento e com técnicas inadequadas de irrigação;
- mudanças climáticas, com aumento da temperatura média global e episódios de seca;
- erosão do solo causada pela ação da água e dos ventos.
A desertificação é um processo crescente, que afeta aproximadamente 40% das terras
emersas do planeta e suas populações. Com a consequente redução das áreas de agricultura, a
produção de alimentos para comunidades locais é prejudicada.
Além disso, os ecossistemas são
alterados, resultando em escassez de água e perda da biodiversidade, com extinção de espécies
animais e vegetais.
No continente africano, a desertificação ocorre especialmente na região do Sahel, onde há
vegetação de Estepe e os solos são mais frágeis.
Em muitos países, projetos vêm sendo desenvolvidos para combater a desertificação.
No continente africano, um desses projetos é conhecido como “Grande Muralha Verde”.
Iniciado em 2007, ele envolve vários países.
A ideia principal é plantar árvores na faixa do Sahel,
do Senegal até o Djibuti, formando uma “muralha verde” que impede a passagem do vento e
da areia do deserto para o restante do continente, além de melhorar a qualidade do solo, com a
matéria orgânica produzida pela vegetação.
Quase vinte anos após o início do projeto, o balanço é positivo. Além do plantio de árvores,
outras iniciativas envolvendo as populações locais surgiram em torno da formação da muralha, como
projetos agropastoris e de gestão dos recursos naturais, que, ao criarem melhores condições de vida,
contribuem para a fixação das populações e para a redução da violência, entre outros exemplos.
Florestas remanescentes na África
República Democrática do Congo (RDC), Camarões e Gabão, juntos, concentram mais de
90% da cobertura original de Florestas Tropicais da África. A RDC é o segundo país com maior
cobertura de Florestas Tropicais do mundo. O Brasil ocupa o primeiro lugar.
Apesar dos esforços dos países para combater a exploração ilegal de madeira, essa atividade
continua sendo uma das principais ameaças às Florestas Tropicais e Equatoriais africanas. Mais de
80% de toda a exploração é feita de forma ilegal, inclusive em áreas protegidas.
Além da extração madeireira, também ameaçam a fauna e a flora locais o cultivo de palmeiras para a extração do óleo de palma e de outros produtos agrícolas, a mineração de ouro e
a exploração de petróleo.
Parte da extração de madeira na República Democrática do
Congo ocorre por meio de concessões feitas a empresas estrangeiras, com o objetivo de regularizar a atividade e minimizar os impactos
socioambientais.
A realidade, porém, aponta o aumento da devastação das áreas
florestais e, consequentemente, a precarização das condições de vida de
milhões de pessoas reunidas em mais de 150 comunidades tradicionais,
que tiram seu sustento dessas áreas.
Nas áreas de concessões, é comum que os recursos dos quais as
comunidades dependem se tornem escassos e que haja supressão de
postos de trabalho. Além disso, aqueles que resistem às operações realizadas pelas madeireiras
enfrentam conflitos e violações de direitos humanos.
Em 2021, alguns contratos de concessão começaram a ser revistos pelo governo, sob suspeita
de corrupção e favorecimento a empresas estrangeiras. Porém, há previsão de abertura de novas
concessões, o que tem gerado grande reação por parte da comunidade internacional.